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Contabilidade Analítica na Gestão Empresarial

1. O documento apresenta uma introdução sobre a complexidade da gestão empresarial moderna e a necessidade de informações precisas para tomada de decisões racionais. 2. A hipótese defendida é que a contabilidade financeira por si só não fornece informações suficientes, sendo necessária a contabilidade analítica. 3. Os objetivos são demonstrar a influência da contabilidade analítica na tomada de decisões empresariais e incentivar a criação de estratégias baseadas nos dados contabilísticos.
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Contabilidade Analítica na Gestão Empresarial

1. O documento apresenta uma introdução sobre a complexidade da gestão empresarial moderna e a necessidade de informações precisas para tomada de decisões racionais. 2. A hipótese defendida é que a contabilidade financeira por si só não fornece informações suficientes, sendo necessária a contabilidade analítica. 3. Os objetivos são demonstrar a influência da contabilidade analítica na tomada de decisões empresariais e incentivar a criação de estratégias baseadas nos dados contabilísticos.
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SUMÁRIO

Dedicatória
Agradecimentos
EPÍGRAFE
Resumo
Abstratos
Lista de tabelas
Lista de abreviaturas
Lista de gráficos
0-INTRODUÇÃO
0.1-Problemática do Tema
0.2-Hipóteses
0.3-Escolha e Interesse do Tema
0.4-Objectivos do Trabalho
0.4.1-Objectivos gerais
0.4.2-Objectivos específicos
0.5-Metodologia de Investigação
0.6-Divisão do Trabalho
0.7-Delimitação do Tema
0.8-Dificuldades
CAPÍTULO I: REFERENCIAL TEÓRICO DA CONTABILIDADE
1.1-Historial da contabilidade
1.2-Conceito
1.3-Divisão da contabilidade
1.3.1-Contabilidade Geral
1.3.2-Contabilidade Analítica
1.3.3-Contabilidade Previsional (Gestão orçamental)
1.3.4-Contabilidade Bancária
1.3.5-Contabilidade Nacional
1.3.6-Contabilidade Pública
1.3.7-Contabilidade Empresarial
1.4-A Contabilidade Analítica
1.4.1-Conceito
1.4.2-Funções
1.4.3-Características
1.4.4-Princípios aplicados
1.4.5-Terminologia aplicada
CAPÍTULO II: A CONTABILIDADE ANALÍTICA E A EMPRESA
2.1-Noções de Empresas
2.1.1-Conceito
2.1.2-Objetivos
2.1.3-Categorias de empresas
2.1.3.1-Do ponto de vista da actividade económica
2.1.3.1.1-Empresa comercial
2.1.3.1.2-Empresa industrial
2.1.3.1.3-Empresa de prestação de serviços
2.1.3.2-Do ponto de vista do sector de actividade
2.1.3.2.1-Empresas primárias
2.1.3.2.2-Empresas secundárias
2.1.3.2.3-Empresas terciárias
2.1.3.3-Do ponto de vista da dimensão
2.1.3.3.1-Micro empresa
2.1.3.3.2-Pequena empresa
2.1.3.3.3-Media empresa
2.1.3.3.4-Grande empresa
2.1.3.3.5-Empresas multinacionais
2.1.3.4-Do ponto de vista do funcionamento
2.1.3.4.1-Empresas Privadas
2.1.3.4.2- Empresas mistas
2.1.3.4.3-Empresas Públicas
2.1.3.4.4- Empresas cooperativas
2.1.3.5-Do ponto de vista jurídico
2.1.3.5.1-Sociedades em Nome Colectivo
2.1.3.5.2-Sociedades em Comandita
2.1.3.5.3-Sociedades Anónimas
2.1.3.5.4-Sociedade por Quota
2.1.3.5.5-Sociedade Unipessoal por Quota
2.2-A Contabilidade Analítica na gestão da Empresa
2.2.1- Objecto
2.2.2- Finalidades
2.2.3- Operações órgãos e funções
2.2.4- Processo de produção nas empresas comerciais e industriais
2.3- Contabilidade Analítica e Contabilidade Financeira
2.3.1--Generalização dos processos da contabilidade financeira
2.3.2-A insuficiência da contabilidade financeira
2.3.3- Flexibilidade da contabilidade analítica
2.3.4- A permanência do inventário
2.3.5-Contas específicas da contabilidade analítica
2.3.6-Esquema básico da contabilidade analítica
2.3.7-Articulação com a contabilidade financeira.
2.3.7.1- Interpretação recíproca
2.3.7.2-Sistemas de articulação
2.4- Os custos e a tomada de decisões
2.4.1-Relação Custo-Volume-Lucro
2.4.1.1-O ponto morto
2.4.1.2-Campo significativo
2.4.1.3-Margem de segurança
CAPÍTULO III:ANÁLISE DOS CUSTOSNA EMPRESA ALVES E VENÂNCIO, LDA.
3.1-APRESENTAÇÃO DA EMPRESA
3.1.1-Localização
3.1.2-Historial
3.1.3-Criação e estrutura
3.1.4-Extensões das actividades
3.1.5-Objecto social
3.1.6- Organigrama da Empresa
3.1.7- Dados financeiros
3.2-Tratamento dos dados financeiros por período
3.2.1- Análise e interpretação dos dados
3.2.2-Comentários
CONCLUSÃO E SUGESTÕES
ANEXOS
BIBLIOGRAFIA
DEDICATÓRIA

Aos gestores, empresários , contabilistas e estudantes .


AGRADECIMENTOS

À Deus Todo –Poderoso , pela sua Graça e misericórdia , fonte de toda a sabedoria, vida e
inteligência .

Aos meus queridos pais que com muito amor, esforço e dedicação criam-me e educaram-me
ensinando a importância da superação na vida , a necessidade de lutar e vencer as limitações
na sociedade e acima de tudo ser uma pessoa digna e honrada.

Aos meus amados filhos, meus mais –que- tudo ( ) que têm sido minha fonte de inspiração
para vencer toda e qualquer dificuldade que a vida me propõe.

Ao meu Tutor, Dr Matondo Nzuzi, que com muita paciência e dedicação acompanhou a
minha formação superior e permitiu a realização do presente trabalho.

À todos os meus professores e docentes que desde muito cedo ensinaram-me as primeiras
marchas rumo ao mundo e contribuíram grandemente para minha formação.

À todos os meus familiares, amigos, colegas que de uma maneira ou de outra deram-nos força
contribuindo e apoiando-nos directa ou indirectamente.

MUITO,MUITO OBRIGADA!
LISTA DE TABELAS, QUADROS , ESQUEMAS E GRÁFICOS

Tabela 1- Processo de produção numa empresa comercial.

Tabela 2- Processo de produção numa empresa industrial.

Tabela 3- Interpretação recíproca da Contabilidade Analítica com a Contabilidade Financeira.

Esquema 1-Ciclo económico numa empresa.

Esquema 2- Esquema básico da Contabilidade Analítica ( custos reais totais).

Gráfico 1-Ponto Morto.

Gráfico 2- Campo Significativo


INTRODUÇAO

A sociedade moderna parece estar caracterizada fundamentalmente pela complexidade


e a celeridade, manifestando-se em todos os aspectos da vida do indivíduo e dos vários grupos
sociais, cuja rápida evolução e mudança não deixam de implicar constantes esforços de
adaptação e instabilidade permanente.

Para a Empresa, organismo básico de produção, esta instabilidade deriva conforme


PIERRE LAUZER, das múltiplas e frequentes alterações das correntes de trocas, das lutas
influentes entre blocos políticos e económicos, das alterações verificadas nas relações com
grupos profissionais e o Estado, da aceleração do progresso técnico, da redução da vida do
produto, da evolução rápida das necessidades e dos gastos dos consumidores. ”João Manuel
Esteves Ferreira,1994, pág 6”

Por outro lado, toda a vida do individuo e dos grupos é encarada numa perspetiva
social, essencialmente humanista, pelo que os problemas empresariais decorrentes da
complexibilidade e instabilidade do meio, têm de ser resolvidos sem comprometer a
segurança do pessoal, relativamente à estabilidade de emprego e ao nível da remuneração.

Assim, os responsáveis pela administração e gestão do nosso tempo, defrontam-se com


inúmeros problemas cuja complexibilidade e gravidade não se podem comparar, em
quantidade e qualidade, com os do tempo passado, quando, perante a simplicidade e
estabilidade das estruturas, o êxito dos negócios dependia espacialmente da experiência, da
intuição e do espírito de iniciativa.

Hoje, a experiência é insuficiente, muitas vezes inoperante e sempre perigosa; a


intuição é arriscada quando as responsabilidades sociais do empresário o proíbem de se
comportar como um jogador; o espírito de iniciativa, perante as limitações implícitas na
complexibilidade dos negócios, nada representa por si só.

Na realidade, a moderna gestão empresarial obriga em cada momento, a pensar no


futuro, apenas lhe interessando o conhecimento do passado para compreender o presente e
prever o futuro_ conhecimento, compreensão e previsão que possibilitam uma racional
tomada de decisão relativamente ao :

 Planeamento
 Controlo

0.1- PROBLEMÁTICA

As tarefas de planeamento e controlo, só podem ser realizadas satisfatoriamente


quando os gestores dispõem de informações suficientes, precisas e oportunas, as quais na sua
maioria serão fornecidas pela contabilidade, como técnica de informação ao serviço da
empresa.
De facto, a tomada de decisões na Empresa deve apoiar-se nas informações
contabilísticas obtidas através do registo, análise e previsão da realidade económica passada,
presente e futura.
Mas, será a Contabilidade Financeira suficientemente capaz de nos fornecer estas
informações?

0.2- HIPÓTESE

As informações fornecidas pela contabilidade financeira , respeitam as relações da


empresa com o exterior e, portanto, são inalteráveis e veiculadas , fundamentalmente , por três
peças contabilísticas ( Balanço, Demonstração de Resultado e Mapa da Origem e Aplicação
de Fundos), obtidas com base normas normas rígidas (de avaliação e registo) e revelam um
acentuado formalismo (na sua apresentação) evidenciando valores por vezes afastados da
realidade económica, por razões de ordem jurídica ou fiscal (amortizações por exemplo) ou
em consequência do princípio da prudência (não considerando ganhos potenciais).

0.3- ESCOLHA E INTERESSE DO TEMA

Os problemas que encaram a moderna gestão empresarial e até mesmo pessoal leva os
gestores e indivíduos, à todo o momento, na busca de soluções precisas que garantam o
crescimento e desenvolvimento da empresa. À pensar nisso, coube-nos encontrar solução para
ajudar os gestores, dispondo-lhes de toda informação que precisam para a tomada de decisões;
fazer da Contabilidade Analítica uma Ferramenta da Gestão Moderna, do qual extraímos
toda informação para um racional planeamento e controlo da Empresa.

0.4- OBJECTIVOS

0.4.1- GERAL

O objetivo fundamental do presente tema é apresentar uma proposta de aplicação da


Contabilidade Analítica, como ferramenta de Gestão, sua relevância na gestão empresarial de
modo que a tomada de decisões relativas ao planeamento e controlo da empresa seja feita de
forma racional e coesa.

0.4.2-ESPECÍFICOS

- Demonstrar a influência da contabilidade analítica na tomada de decisões racionais,


eficazes e eficientes na empresa.

- Criar hábitos e habilidades de interpretação dos dados contabilísticos como técnica


de informação nesta empresa.

- Destacar a influência da contabilidade analítica no resultado da empresa.

- incentivar a criação de estratégias segundo a realidade contabilística nesta empresa.


0.5-METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO.

Para a realização de uma pesquisa científica é elaborado um estudo organizado e


sistemático dos caminhos a serem percorridos, isto é a metodologia.

O método facilita a pesquisa e orienta o pesquisador na interpretação de seus


resultados, possibilitando que a investigação seja conduzida de forma segura e coesa.

O método de pesquisa outorga ao saber a sua firmeza, a sua coerência e sua validade,
permitindo que o estudo seja realizado de forma estruturada e organizada» (Barbosa, 1980
p.49)

Para a elaboração do presente estudo, face as suas características e tendência temos


como instrumento a ALVES e VENÂNCIO, LDA, em que a contabilidade de custos
apresenta um carácter sistemático visando um ajustamento em busca de melhores vantagens
socioeconómicas diante do mercado e em aplicação os seguintes métodos e técnicas:

Pesquisa Bibliográfica: Tendo em vista o critério de classificação, esta pesquisa


denomina-se também como bibliográfica, pois foram analisadas publicações de diversos
autores, com fontes confiáveis e de conteúdo consistente dando um sentido científico ao
trabalho. A pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em
material publicado em livros, revistas, jornais, redes electrónicas, isto é, material acessível ao
público em geral.

Pesquisa descritiva: consiste em observar os factos; registá-los, analisá-los,


classificá-los e interpretá-los.

Como técnicas, temos em consideração as seguintes:

Técnica de observação: este estimulou o nosso interesse na pesquisa deste tema


permitindo colectar as informações utilizadas, registando e analisando, determinados aspectos
fiáveis.

Técnica documental: esta técnica foi fiável na medida em que possibilitou-nos


analisar diversos documentos escritos de diversas fontes em relação ao problema levantado.3

0.6- DIVISÃO DO TRABALHO

Além da Introdução e da Conclusão geral, o presente estudo adopta a estrutura


seguinte:
-CAPÍTULO 1: Aborda de uma maneira geral o referencial teórico da contabilidade geral e
analítica; nomeadamente historial, conceitos, princípios, funções, divisão e terminologias.

-CAPÍTULO 2: Fala das noções de empresas: Conceitos, objectos, categorias de empresas,


processos de produção e fabrico.

-CAPÍTULO 3: Ocupa-se da apresentação do nosso objecto de tema, interpretação e análise


dos dados contabilísticos, com comentários dos resultados obtidos na análise dos custos.

0.7- DELIMITAÇÃO DO TEMA

Para circunscrever o presente tema focalizamos a nossa atenção, particularmente à


Central de Betão, Alves e Venâncio, no espaço temporal de2009 a fim de analisar os dados
financeiros, compreender a sua estratégia e demonstrar numericamente o crescimento que
acompanha a análise detalhada dos custos na empresa.

0.8- DIFICULDADES

A insuficiência de material bibliográfico para a aquisição de conteúdos, constitui a


principal dificuldade na elaboração do presente estudo. Destacamos ainda:

- A falta de colaboração de muitas Empresas na disposição de dados para análise (por


receio, falta de informação ou falta de estruturação contabilística).

- A falha de alguns elementos indispensáveis como: eletricidade, avaria na


fotocopiadora-impressora.

- A indisponibilidade de tempo por questões laborais.

CAPÍTULO I- REFERENCIAL HISTÓRICO DA CONTABILIDADE

1.1- Historial da contabilidade

A contabilidade Analítica nasceu no século XIX do encontro entre a contabilidade


geral e a teoria económica, foi em 1815 que nasceu o primeiro sistema elaborado de custos.
Com as novas realidades nas empresas, diferentes fases caracterizaram a evolução da
contabilidade de custos, que se tornou contabilidade de gestão.

A humanidade passou por diversas transformações ao longo dos tempos, seja no que
diz respeito ao relacionamento com o próximo ou no modo como guardava e registava seus
bens.

A Contabilidade de Custo surgiu pela necessidade de avaliar stocks nas indústrias, por
volta do século XVIII, quando acontecera a Revolução Industrial e teve como base a
Contabilidade Financeira ou Contabilidade Geral, que foi sendo desenvolvida na Era
Mercantilista para servir de grande base estrutural para as empresas comerciais.
Segundo Martins (2003, p. 19), “para o apuramento do resultado de cada período, bem
como o levantamento do Balanço em seu final, bastava o levantamento dos stocks em termos
físicos, já que sua medida em valores monetários era extremamente simples”.

O Contador verificava o montante pago por item estocada e dessa maneira custeava as
mercadorias, fazendo o cálculo basicamente por diferença, computando o quanto possuía de
stocks iniciais, adicionando as compras do período e comparando com o que ainda restava,
apurava o valor de aquisição das mercadorias vendidas, na clássica disposição.

O lucro bruto nada mais era que o montante resultante do cálculo demonstrado
confrontando com as Receitas Líquidas e a subtração das despesas que eram necessárias à
manutenção da entidade durante o período, juntamente com as Vendas dos Bens e o
financiamento de suas actividades.

As produções dos bens eram geralmente feitas por pessoas físicas comuns, que não
constituíam empresa Jurídica.

A maioria delas viviam do comércio e não da produção ou fabricação de bens, sendo


assim mais fácil de conhecer e identificar o valor de compra dos bens, podendo simplesmente
a consulta dos documentos de aquisição.

O contador, a partir deste momento, passa a ser uma peça fundamental em uma
empresa, pois o surgimento das indústrias exigiu que este tivesse que elaborar o Balanço
Patrimonial e as Demonstrações de Resultado do Exercício com uma outra visão, sendo que o
valor de compras nas empresas comerciais estava sendo substituído por uma série de valores
pagos pelos factores de produção utilizados.

A contabilidade tem procurado acompanhar a evolução operada no desenvolvimento


da própria sociedade ao longo dos séculos, designadamente na satisfação de informações de
carácter financeiro, determinadas pela complexidade dos negócios empresariais.

As pessoas em todas as civilizações utilizaram vários tipos de registos de actividades


comerciais. Os mais antigos que se conhecem são os registos nas tábuas de barro referentes ao
pagamento de salários na babilónia por volta de 3600 a.C. também existem diversas provas de
guarda de registos e sistemas de controlo contabilístico no antigo Egipto e nas cidades -
estados Gregas.
Segundo o Caiado (2009,p.27) No século XV, a civilização Europeia experimentou
uma expansão comercial sem precedentes, consequência da evolução das actividades
mercantis. Foi nesta época (1494) que o Frei Luca Pacioli escreveu o livro “Summa de
Arthmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita” que incluía o capítulo «Tractatus XI
particulares de computis et scripturis», onde constavam os fundamentos da partida dobrada.

A dupla – estrada ou partida dobrada, possibilita o registo de dois aspectos de uma


transação, de tal maneira que estabelece um equilíbrio. Por exemplo, se uma pessoa pede
emprestado Akz 100,00 a um banco, o montante do empréstimo é registado não só em caixa
por Akz 100,00 mas também como obrigação de pagar Akz 100,00. O montante de Akz
100,00 é balanceado com os outros Akz 100,00.

O registo de todas as transações de uma maneira sistemática proporciona, para um


conjunto de documentos financeiros integrados na divulgação em termos monetários,
Informações referentes a:

 Resultados das transações comerciais de uma empresa durante um período específico;

 Activos na posse de empresa e os direitos dos sócios sobre os activos;

 Fluxos de entradas e saídas de caixa dessa mesma empresa

Quanto ao cálculo dos custos de produção, base da contabilidade interna, é


interessante notar que no final do século XVI, os resultados de exploração eram calculados
somente no fim da operação: participação numa feira, venda de um lote de mercadorias.

Para conhecer o resultado de um período, o comerciante fazia o inventário da sua


fortuna ao avaliar todos os seus bens ao valor do dia de inventário e a diferença entre dois
inventários sucessivos, traduzia o seu enriquecimento ou a sua pobreza.

As preocupações desta natureza são totalmente referenciadas na primeira metade do


século XV, Segundo um resumo dos principais acontecimentos dos primórdios da gestão, o
Radip N. Khandwalla, refere que em 1936, o Arsenal de Veneza possuía a contabilidade de
custos; verificações e balanços para controlo; numeração de inventários e controle de custos.

A família Medicis criou uma empresa para fabrico de tecidos de lã. Comprava lã,
transformava-a com o recurso a artesãos que trabalhavam nas próprias casas e vendia-a sob a
forma de produtos acabados, embora com duração bastante curta, a firma possuía; oito livros
de dupla - entrada:
 Borrão que continha as operações por ordem cronológica e com detalhes;

 Diário que reproduzia do borrão e resumia as particularidades das compras e das


vendas;

 Livro de caixa e razão geral com diversas contas.

Os registos dos Medicis estavam a frente da teoria então desenvolvida, porquanto as


necessidades de informação dos mosteiros não respeitavam os problemas de fabricação de
produtos.

Aquele sistema não era um sistema de custeio acabado mas esteve muito perto disso.
Os livros davam informações suficientes para permitir que os Medicis tivessem um bom
conhecimento do custo aproximado dos produtos fabricados.

Os problemas de repartição dos gastos gerais de fabrico, não eram importantes, uma
vez que estes representavam uma percentagem diminuta do custo total dos produtos»

1.2- Conceito de Contabilidade

O significado da palavra “Contabilidade” tem variado no tempo e no espaço, uns


consideram-no como sinónimo de escrituração e cálculo, outros consideram – na como uma
ciência de natureza económica.

No entanto, qualquer que seja a noção de contabilidade que se considere, parece – nos
que todas elas pretendem significar: Escriturar, contar, calcular, determinar uma certa
quantidade; sendo, sem dúvida, uma disciplina ligada a medição de grandezas e ao registo de
quantidades.

Muitas definições têm sido dadas sem contudo conduzirem a uma aceitação geral. O
mais importante é referir – se sobre o seu domínio de atuação e saber as diversas
interpretações que tem tido ao longo dos tempos» (Nabas, 2005,p27).

Em 1494 á 1920 o monge Italiano «Luca Pacioli» no seu livro “Summa de


Arithmética” Definiu a Contabilidade como sendo a ciência que se ocupa na classificação,
interpretação das operações e dos resultados das mesmas num dado período.

O cientista canadiano «Robert Mattesh» em 1950, no seu livro “Accounting and


Analytical métodos” demonstra que a contabilidade é a elaboração dos princípios,
formalizando as suas posições, submetendo – o tratamento lógico e matemático, para obter
informações com maior potencialidade explicativa e credíveis.

Em 1941, a Instituição Americana de certificação dos contabilistas públicos, definiu a


contabilidade como a arte de registar, classificar e totalizar duma maneira significante e em
termos monetários, transações, eventos e os quais são em parte de carácter financeiro e
interpretar o resultado.

Todas estas definições foram apresentadas pelos vários autores e Cientistas que
dedicaram – se no desenvolvimento da contabilidade.

Para nós, podemos defini-la como uma técnica que se ocupa na recolha, classificação, e
interpretação das operações e dos resultados das mesmas num dado período (Gonçalves,
2005.p43)

1.3- Divisão da contabilidade

A contabilidade divide – se em vários ramos á saber:

1.3.1- Contabilidade Geral: que se encarrega das relações da empresa com o exterior e que é
também conhecida por contabilidade financeira;

1.3.2- Contabilidade de Custo: também designada de contabilidade “Industrial ou


Analítica”, é uma contabilidade interna, cuja finalidade é de fornecer informações para
gestão, previsão, orçamentos, e apurar o custo de cada unidade de obra produzida;

1.3.3- Contabilidade Orçamental: É feita com os valores estimados, antes da ocorrência dos
factos destinados ao planeamento dos gastos, dos resultados e analisar os desvios ocorridos
em relação ao plano inicial (Esteves, 2000.p32).

1.3.4- Contabilidade Bancária; É um instrumento para acompanhamento da actividade de


uma instituição bancária.

Do ponto de vista interno, de gestão, a contabilidade bancária permite, de acordo com


determinadas regras e procedimentos, acompanhar a actividade do banco em termos de
conhecimento da sua situação patrimonial(liquidez, solvibilidade, compatibilização dos
fundos próprios) resultados de apuração.

Do ponto de vista macroeconómico, a contabilidade bancária produz informação cujo


interesse para condução da política económica, quer ao nível da política monetária reservas
obrigatórias, crédito interno) e quer ao nível da política cambial taxa de câmbio).
1.3.5-Contabilidade Nacional: a contabilidade nacional, é o conjunto de quadros e mapas
destinados a apurar os valores da “produção”, da “despesa” e do “rendimento” de um país. A
sua elaboração recorre - se ao serviço estatístico;

1.3.6- Contabilidade Pública: é o registo das verbas atribuídas aos organismos estatais,
devidamente classificadas, bem como os gastos e despesas efectuadas pelos mesmos
organismos acoberto dessas verbas;

1.3.7- Contabilidade Empresarial: Esta contabilidade destina – se no registo dos factos


económicos que ocorrem nas empresas.

1.4 - A contabilidade Analítica

1.4.1- Conceito

Contabilidade Analítica é a parte da ciência contabilística que se dedica ao estudo


racional dos gastos feitos para se obter um bem de venda ou de consumo, quer seja um
produto, uma mercadoria ou um serviço; ou ainda, o ramo da função financeira que acumula,
organiza, analisa e interpreta os custos dos produtos, dos inventários, dos serviços, dos
componentes da organização, dos planos operacionais e das atividades de distribuição para
determinar o lucro, para controlar as operações e para auxiliar o administrador no processo de
tomada de decisão (fonte).

1.4.2- Funções

As principais são:

 Registo dos Factos

 Controlo da Actividade Económica

 Avaliação

 Previsão (planificação e orçamento)

1.4.3- Características

Demonstramos abaixo, algumas características da contabilidade Analítica:

 Está organizada em função das necessidades específicas de cada empresa e não está
sujeita a constrangimento de forma.
A grande diversidade de soluções possíveis para organizar esta contabilidade opõe-se a
rigidez e uniformidade da contabilidade Geral.

 A contabilidade Analítica é destinada a servir todos os responsáveis da empresa


qualquer que seja a sua posição hierárquica.

 Utiliza as informações de contabilidade Geral e documentos que lhe servem de base,


por reclassificações ou por estudos técnicos – contabilísticos.

 A contabilidade de custos deve estar actualizada e fornecer as informações em tempo


oportuno.

 É indispensável que as informações sejam orientadas para o futuro e para acção,


designadamente no apoio ao planeamento operacional.

 Deve ser organizada para por em relevo as responsabilidades. O controlo da gestão das
diversas áreas é feita pelo controlo periódico das realizações e das previsões a fim de
determinar os desvios anormais a exigirem medidas de correção atempadas.

 A contabilidade Analítica tem um âmbito mais vasto, quando comparada com a


contabilidade Geral ou financeira.

Para além das características referidas, tem uma relativa liberdade de escolha, está
vocacionada para os aspectos futuros da organização, não está constrangidas pelas normas de
contabilidade internacional, reporta os elementos quando necessário e utiliza informações de
outras disciplinas.

1.4.4- Princípios Aplicados

Realização da Receita: o reconhecimento de contabilidade do resultado (lucro ou


prejuízo) ocorrerá apenas aquando da realização da receita, que por sua vez, ocorre aquando
da transferência do bem ou serviço para terceiros.

Apesar de existirem várias excepções, vale citar o caso de construção, onde a produção
de bens e formulação de projecto demandam longo prazo e têm sua receita reconhecida antes
da entrega para terceiros. Assim, seus custos serão transformados em despesas antes desse
momento.

Confrontação Despesas x Receitas: Após o reconhecimento da receita, deduzem-se


dela todos os valores representativos dos esforços para sua consecução (despesas). Esses
esforços podem ser subdivididos em dois grupos principais – despesas especificamente
incorridas para a consecução daquelas receitas que estão sendo reconhecidas; e despesas
incorridas para a obtenção de receitas genéricas, e não necessariamente daquelas que agora
estão sendo contabilizadas.

Custo Histórico como base de valor: os activos são registados contabilisticamente por
seu valor original de entrada, ou seja, histórico. Quando há problemas de inflação, o uso de
valores históricos deixa muito a desejar.

Consistência: existindo várias alternativas para o registo contabilístico de um mesmo


evento, todas válidas dentro dos princípios geralmente aceitos, deve a empresa adoptar uma
delas de forma consistente. Isto implica que a alternativa escolhida deve ser adoptada sempre,
não podendo a entidade mudar o critério a cada período.

Após adopção de um método de apropriação de custos, deve haver consistência em seu


uso, já que a mudança pode provocar alterações nos valores dos stocks e, consequentemente,
nos resultados.

Prudência ou Conservadorismo: exige uma postura de precaução por parte do analista


de custos. Na dúvida entre tratar um determinado gasto como Activo ou Redução de
Património Líquido, deve-se optar pela forma de maior precaução, ou seja, por redução de
Património Líquido.

Relevância ou Materialidade: há uma desobrigação de um tratamento mais rigoroso a


aqueles itens cujo valor monetário é pequeno dentro dos gastos totais. Porém a soma de
diversos itens irrelevantes pode ser material, e, nesse caso, um tratamento mais rigoroso
precisa ser utilizado.

1.4.5- Terminologia aplicada

Custo: é qualquer dinheiro consumido no objectivo do negócio (matérias primas,


salários produtivos, manutenção de maquinas qualquer outro gasto relacionado com o seu
produto ou serviço devem ser considerado como custo) afinal só existem par manter objectivo
de negócio.

Custos Diretos: São todos os custos efetuados exclusivamente com a fabricação do


produto.
São aqueles custos que podem ser identificados com facilidade como apropriados a
este ou aquele item produzido.

Custos Indiretos: Englobam os itens de custo em que há dificuldades de identificá-los


às unidades de produtos fabricados no período.

Nesses casos, a atribuição dos custos indiretos aos objetos acontece por intermédio de
rateios, que consideram a divisão do montante de determinado tipo de custos entre produtos
ou serviços utilizando um critério qualquer, como o volume fabricado por produto ou o tempo
de fabricação consumido

Desembolso: pagamento resultante da aquisição de um bem ou serviço.

Gasto: compra de um produto ou serviço qualquer, que gera sacrifício financeiro para
a entidade, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de activos
“normalmente dinheiro”.

Só existe gasto no ato da passagem para propriedade da empresa do bem ou serviço,


ou seja, no momento em que existe o reconhecimento contabilística da dívida assumida ou da
redução do activo dado em pagamento.

Não se inclui, neste caso o custo de oportunidade ou os juros sobre o capital próprio,
uma vez que estes não implicam a entrega de activos.

Investimento: gasto activado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a


períodos futuros.

Despesa: bem consumido directa ou indirectamente para obtenção de receitas. São


itens que reduzem o Património Líquido e que têm essa característica de representar
sacrifícios no processo de obtenção de receitas.

Despesas Fixas: são aqueles que não variam em função do valor das receitas, qualquer
que seja o valor das receitas, a empresa vai gastar os mesmos valores administrativos,
Telefone, internet, leasing de veículos, Contadores. Por este motivo se chamam despesas
fixas.

Desperdícios: São os gastos relacionados com atividades que não agregam valor, do
ponto de vista do cliente, que implicam dispêndio de tempo e dinheiro desnecessários aos
produtos (ou serviços).
Perda: bem consumido de forma anormal e involuntária. São itens que vão
directamente a conta de resultado, mas não representam sacrifícios normais ou derivados de
forma voluntária das actividades destinadas à receita.

A generalização dessa terminologia se deve à ideia de que as prestadoras de serviço


produzem utilidades e, deste modo, possuem custos. São custos que se transformam
imediatamente em despesas, sem que haja a fase de stock como no caso da indústria de bens.

A palavra custo também significa o preço original de aquisição de qualquer bem ou


serviço.

Porém, tratando-se de Contabilidade de Custos, custo se refere apenas aos


bens/serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços a fim de se obter receita.

Deste modo, a partir dos conceitos explicitados anteriormente, só será utilizado o


termo custo para o gasto relativo a consumo na produção.

Gastos destinados às fases de administração, esforço de vendas e financiamento serão


denominados despesas.

O Custo de Oportunidade: traduz-se na renúncia duma oportunidade, ou seja, ao


optar-se por uma alternativa em relação a outra existe um volume de resultados que se deixa
de obter em relação à opção tomada.

Assim, o custo de oportunidade pode ser classificado como a medida do valor dos
proveitos que se poderiam obter se escolhesse uma aplicação alternativa.

Custos fixos: existem mesmo que não esta produzindo nada independentemente da sua
produção a depreciação das máquinas não vai alterar, nem os contratos de manutenção, nem o
Arrendamento do estabelecimento, aluguer de máquinas, por este motivo que se chama custo
fixo.

Custos variáveis: existem quando você produz algum produto ou serviço e eles
variam na medida que você produz mais ou produz menos, exemplo quanto mais produz
maior é o valor consumido pelas Matérias-primas, mão-de-obra, energia eléctrica e
tercerizados sejam contratados etc.
CAPITULO II: ACONTABILIDADE ANALÍTICA E A EMPRESA

2.1- Noções de Empresa

2.1.1- Conceito

São várias as definições atribuídas à Empresa. Apresentamos, no entanto, algumas que


mais se adéquam ao nosso estudo.

Segundo os fundamentos do Pierre Lauzel (1998.p18) «a empresa é um agrupamento


humano hierarquizado, que mobiliza meios humanos, materiais e financeiros para extrair,
transformar e distribuir produtos ou prestar serviços e que atendendo os objetivos definidos
por uma direcção faz intervir nos diversos escalões hierárquicos as motivações do lucro e de
utilidade social»

A empresa é um conjunto de actividades colectivas humanas organizadas e que são


dirigidas por um centro de decisão que tem de adoptar todos os meios disponíveis com os
objetivos pré determinados, tendo em vista a venda de produtos ou mercadorias ou ainda
prestação de serviços(Retep, 2006).

Segundo o Rogério Fernandes Ferreira, a empresa é toda a unidade económica de


produção no sentido de criação de utilidade, isto é, de produção de bens ou prestação de
serviços aptos á satisfação das necessidades.

2.1.2- Objetivos

A empresa é uma unidade económica organizada que têm objectivos a atingir que vão
desde a obtenção de um lucro mínimo, que lhe possibilita a sobrevivência, até outros
objectivos com características sociais que interferem obrigatoriamente com as necessidades
das populações onde está inserida.

A empresa deverá definir estratégias conducentes á melhoria da sua imagem ao


mesmo tempo satisfazer necessidades da comunidade. Para concretizarem estes objectivos, as
empresas utilizam:

 Meios Humanos;

 Materiais;

 Financeiros. (Nabais, 207);

2.1.3-Classificação das Empresas

As Empresas classificam-se:

2.1.3.1-Do ponto de vista da Actividade Económica

Nesta classificação, a empresa dividem – se da seguinte forma:


 Comerciais.
 Industriais;
 Prestação de Serviços.

2.1.3.1.1- Empresas Comerciais

São aquelas que vendem aquilo que compram, isto é, compram mercadorias e depois
vendem – nas aos clientes sem fazerem qualquer transformação.

2.1.3.1.2- Empresas Industriais

São as que vendem aquilo que produzem, isto é, compram e transformam matérias –
primas e subsidiarias que posteriormente podem ser vendidos como produtos acabados.

2.1.3.1.3- Empresas de prestação de serviços

2.1.3.2-Do ponto de vista do sector de actividade

As empresas, nesta classificação, dividem-se de acordo com a natureza e origem dos


produtos fabricados ou dos serviços prestados, podendo ser dos sectores.

 Primário;
 Secundário;
 Terciário.

2.1.3.2.1-Sector primário

Neste sector, observam – se as empresas que dedicam-se as actividades de Agricultura,


Pesca, Pecuária, etc.

2.1.3.2.2- Sector secundário

Incluem-se, neste sector as empresas que se dedicam as actividades transformadoras, a


electricidade, água e a construção civil.

2.1.3.2.3- Sector Terciário

Sector dedicado ao comércio, transportes e aos restantes serviços.

2.1.3.3-Do ponto de vista da dimensão

Quanto a dimensão, as empresas classificam – se de seguinte forma:

 Micro empresas;
 Pequenas empresas;
 Médias empresas;
 Grandes empresas.

A classificação da dimensão baseia – se nos critérios seguintes: Número de


trabalhadores, volume de vendas e capital utilizado.
2.1.3.3.1-Micro empresa

Do ponto de vista do efectivo, limita – se a um individuo que é o dono do capital, com


(1- 10) ou sem trabalhadores.

2.1.3.3.2-Pequenas empresas

O efectivo retido para uma pequena empresa é de 11 á 20 trabalhadores.

2.1.3.3.3-Médias empresas

Para uma média empresa emprega – se de 21 á 50 trabalhadores. O dirigente assume


quase todas as funções da organização; técnicas, financeiras e sociais.

Em geral as pequenas e Medias empresas fabricam produtos com um ciclo produtivo


curto e tem um mercado limitado, encontrando – se dependentes das grandes empresas,
sempre que estas dominam os mercados de matérias – primas e de produtos acabados.

Elas, constituem uma peça relevante no funcionamento da economia porque garantem


as condições necessárias para uma concorrência permanente, asseguram um elevado numérico
de postos de trabalho e encontram – se mais perto dos consumidores o que lhes permite um
maior conhecimento das necessidades do mercado.

Em Angola, o Governo reconhece o seu valor e a sua importância sócio – económico,


apoia – as através dos órgãos e serviços especializados, principalmente nos domínios
financeiros, fiscais, técnicos e comerciais.

Em 27 de Agosto de 2013 foi criado pelo decreto-lei nº 21/99, DR nº 35, o Fundo do


Desenvolvimento Económico e Social (FDES), com o fim de inserir estas empresas no
desenvolvimento do país, procurando ajuda-las a resolver os problemas graves com que-se
deparam, sobretudo o sucesso ao crédito com juros bonificados.

Algumas vantagens da P.M.E:

1ª A clientela pode ser aliciante através de um melhor serviço;

2ª Contribui para que o desenvolvimento regional seja mais equilibrado, satisfazendo


as necessidades de âmbito local e utilizando recursos naturais

3ª Fornecem melhores condições de trabalho no aspecto das boas relações entre o


pessoal e proporcionam formação profissional com mais facilidade.

Desvantagens das P.M.E:

1ª Muitas empresas são pouco conhecidas o seu comércio é local e têm dificuldade em
conseguir a publicidade apropriada.

2ª Em geral os novos produtos provêm de fornecedores estrangeiros e só raramente de


nacionais.
2.1.3.3.4-Grandes empresas

As grandes empresas do ponto de vista da sua dimensão possuem um efectivo de mais


de 50 trabalhadores.

À Elas, é dada a facilidade de recolher a melhor combinação entre o capital e o


trabalho, com o fim de uma maior produtividade sem se preocupar com o aspecto financeiro,
desempenhando um papel de relevo em certos sectores de produção.

Pela sua situação financeira, pode financiar estudos teóricos e práticos, o que lhe abre
o caminho do progresso técnico e científico, permitindo-lhes inovação na produção.

Assim, estas empresas podem produzir bens a preços mais baixos e de melhor
qualidade, devido aos equipamentos evoluídos e a melhor organização do trabalho e
aproveitamento das matérias-primas.

Algumas vantagens das grandes empresas:

1ª Facilidade de crédito;

2 ª Auto financiamento e a possibilidade de investimento;

3 ª Aquisição de matérias prima a preços mais baixos e com melhores

Condições de pagamento;

4ª Estudo de mercado, o que permite a venda a preços mais baratos (baixos)

5ª Pagamento dos salários elevados dos trabalhadores e boas condições Sociais;

6 ª Organização do trabalho mais racional;

7 ª Equipamentos mais evoluídos;

8 ª Promoção e campanhas publicitárias de bom nível

9 ª Apoio do estado que lhe concede certas vantagens devido ao seu poder económico-social.

Algumas desvantagens das grandes empresas.

1 ª Abuso do poder económico de que desfruta;

2 ª Tendência monopolista;

3 ª Interesses particulares sobrepondo-se aos interesses da colectividade.

2.1.3.4-Do ponto de vista do funcionamento

Quanto a forma de funcionamento, as empresas classificam-se em:

 Empresas privadas;
 Empresas mistas;
 Empresas públicas;
 Empresas cooperativas.

2.1.3.4.1- Empresas Privadas

São tituladas por pessoas singulares ou colectivas de directo privado, cuja gestão, é por
esta desenvolvida com o intuito de alcançar lucros, maximizando a rentabilidade dos capitais
investidos.

2.1.3.4.2- Empresas Mistas:

São aquelas cuja propriedade pertence simultaneamente ao estado ou a outros entes


públicos, e a entidades privadas que repartem entre si a sua gestão e que congregam capitais
de distinta proveniência públicos e privados (Nabais, 2007).

2.1.3.4.3-Empresas públicas

Entidade dotada de personalidade jurídica, com património exclusivamente


governamental, criação autorizada por lei, para exploração da actividade económica ou
industrial, que o governo seja levado a exercer por força de contingência ou conveniência
administrativa.

É uma empresa, mas uma empresa estatal por excelência e as suas actividades regem-
se pelos preceitos comerciais, constituída, organizada, e controlada pelo poder público e por
este através da entidade a que estiver vinculada, supervisionada com a finalidade de ajustar-se
ao plano geral do governo.

A existência da empresa pública depende do estado que a institui e, precisamente em


virtude dessa instituição, introduz no sector de economia pública uma estrutura
descentralizada.

A conservação dessa descentralização supõe o respeito a autonomia da empresa


pública, isto é, que não seja colocada sob autoridade hierárquica do órgão do estado.

2.1.3.4.4- Empresas Cooperativas:

As cooperativas são pessoas jurídicas colectivas com objectivo não lucrativo,


constituição de capital e composição variável que visão através da cooperação e entreajuda
dos seus membros e na observância dos princípios cooperativas a satisfação sem fins
lucrativos das necessidades económicas, sociais ou culturais deste, podendo ainda a título
complementar, realizar operações com terceiros.

Assim, as cooperativas distinguem – se das sociedades comerciais pelas seguintes


características:

a) Variabilidade do capital social;

b) Variabilidade do número de sócios;

c) Objectivo não lucrativo.


As sociedades cooperativas observam – se na sua constituição e funcionamento, os
seguintes princípios cooperativos:

 Princípios da adesão livre ou da porta aberta;

 Princípio da gestão democrática;

 Princípios da participação económica dos membros;

 Princípio da autonomia a independência;

 Princípio da educação cooperativa;

 Princípios da inter-cooperação;

 Princípio de interesse pela comunidade.

 Sem prejuízo de outros que venham a ser consagrados por lei.

Os ramos do sector cooperativo são os seguintes: consumo, comercialização,


agricultura, créditos, construção e habitação, produção operária, cultura, serviços, ensino e
solidariedade.

2.1.3.5- Do ponto de vista Jurídico

Na classificação jurídica encontra – se as sociedades comerciais que revestem – se em


vários tipos como:

 Sociedade em nome colectivo;


 Sociedade em comandita;
 Sociedades Anónimas;
 Sociedades por quota.
Juridicamente o que mais diferencia as sociedades comerciais umas das outras é a
responsabilidade dos sócios. Esta é:
a) Ilimitada – nas sociedades em nome colectiva;

b) Limitada - nas sociedades Anónimas e por quotas;

c) Mistas – nas sociedades em comandita.

Este critério reparte as empresas de acordo com os seus direitos e obrigações


contratuais, legais e com as suas responsabilidades perante terceiros.

Em qualquer processo de criação de uma empresa, chega – se inevitavelmente ao


momento da escolha da sua forma jurídica, uma decisão da maior importância pelas
implicações que traz para o seu futuro

A escolha da forma jurídica da empresa, vai determinar o seu modo de funcionamento


desde o arranque e tem implicações tanto para o empréstimo como para o futuro do
empreendimento. Desde modo, o empresário deve optar pelo estatuto jurídico que melhor se
adapte ao seu caso particular, tendo por objectivo a valorização e o desenvolvimento da futura
empresa. (Silva, 2005. p19-30)

2.1.3.5.1-Sociedade em nome colectivo

São sociedades em que a responsabilidade é solidária e ilimitada.

É solidária: porque vigora o princípio de um por todos e todos por um, isto é, a parte
restante pode ser exigida na totalidade a qualquer um dos sócios.

Argumentos a favor:

1.Facilidade de constituição;
2.Interesse pessoal elevada, porque os sócios sabem que a má gestão os pode arruinar;
3.Facilidades de actuação, porque os sócios estão em permanente constante

Argumentos contra.

1.Responsabilidade ilimitada;
2. Dificuldades de gestão.

2.1.3.5.2-Sociedade em comandita
É uma sociedade de responsabilidade mista porque reúne dois tipos de sócios
(comanditários e comanditados).

Comanditários: entram com o capital, não tomam decisões na empresa, por isso tem
responsabilidade limitada.

Comanditados: entram para a empresa com o seu trabalho, são eles que tomam todas
as decisões na empresa, por isso tem a responsabilidade ilimitada.

Este tipo de sociedade pode ser simples ou por acções: na sociedade em comandita
simples não há representação do capital por acções e na sociedade em comandita por acções,
só há participação dos sócios com responsabilidade limitada e o capital é representado por
acções

A firma tem de ser constituída pelo nome de um ou mais sócios comanditados,


juntamente com as palavras em comandita.

2.1.3.5.3-Sociedade Anónima.

A sociedade anónima é o modelo puro das sociedades de capitais, baseando – se nos


capitais investidos. É uma sociedade de responsabilidade limitada, no verdadeiro rigor do
conceito, portanto, os accionistas limitam a sua responsabilidade ao valor das acções por si
subscritas.

A firma desta sociedade, será formada com reunião de ambos os nomes dos sócios ou
por uma denominação particular, mas em qualquer caso concluirá pela expressão “sociedade
Anónima” ou pela abreviatura “S.A” por exemplo: Alegria & Landu, S.A.
Vantagens.

1. Responsabilidade limitada dos sócios;


2. Fácil transferência da propriedade das acções;
3. Direcção eficiente;
4. Possibilidade de crescimento ilimitada.
Inconvenientes
1. Problemas de controlo;
2. Possibilidade de desacordo entre a direcção e os accionistas

2.1.3.5.4-Sociedade por Quota.


É a estrutura jurídica mais adoptada, na medida em que para sua constituição bastam
dois sócios, vigora o princípio de separação patrimonial e os sócios tem uma grande
intervenção na gestão social. Os sócios possuem responsabilidade limitada ao valor da sua
quota e ao valor das quotas subscritas pelos restantes sócios.

Argumentos a favor.

1.Responsabilidade limitada;
2.Facilidade de organização;
3.Pequeno risco financeiro;
4.Interesse pessoal elevado.
Inconvenientes.
1 Perigo de desacordo entre os sócios.

2.1.3.5.5-Sociedade unipessoal por quota.

Nesta sociedade existe um único sócio que é o dono das várias quotas, as decisões que
o único sócio tiver de tomar, tem que ser registadas em actas.

A firma deve ter o nome do sócio, juntamente com as palavras “sup, Lda.

Exemplo: vaz sociedade unipessoal, Lda.

2.2-A Contabilidade Analítica na gestão da Empresa

2.2.1- Objecto

Enquanto o objecto da contabilidade financeira são as relações da empresa com o


exterior, o seu movimento externo, o objecto da contabilidade analítica são as operações
internas, realizadas no seio da própria empresa e relacionadas com o seu processo de
produção.

Por outro lado, é ao nível das operações elementares que se situam os factos a
observar, não globalmente como na contabilidade financeira, mas sim analítica e
especificamente, de modo a permitir o seu planeamento e controlo.

Na realidade, embora o movimento interno seja o domínio específico da contabilidade


analítica, esta não se pode alhear das restantes etapas do ciclo económica da empresa, que
possibilitam e condicionam o processo de transformação de valores, sendo indispensável
reclassificar os custos e proveitos, não por natureza, mas por destino (por funções, divisões
secções e produtos).

Convém salientar, finalmente, que a expressão «processo de produção»deverá ser


entendida no seu sentido mais amplo, compreendendo quaisquer operações internas,
transformadoras ou não que constituam a actividade típica da empresa. Quer dizer, em toda a
empresa existe um processo que converte os factores em produtos, ainda que esta
conversão não implique uma transformação física pela qual se obtenham produtos suscetíveis
ao armazenamento, como acontece nas empresas industriais, pois existe sempre, e pelo
menos, uma transformação de valores.

Assim, a contabilidade analítica não se limita às empresas industriais, mas tem


aplicação em toda a empresa qualquer que seja a sua natureza.

Ao fim e ao cabo, a contabilidade financeira e a contabilidade analítica, em conjunto,


permitem-nos conhecer o funcionamento integral da empresa.

2.2.2- Finalidades

A Contabilidade analítica deverá fornecer aos gestores a informação necessária e


suficiente para uma racional tomada de decisão, relativamente ao planeamento e controlo,
permitindo-lhes a previsão das respectivas consequências económicas.

Entre os múltiplos problemas de gestão que exigem uma opção entre várias
alternativas, citamos, por exemplo:

a) Comprar ou fabricar?
b) Investir ou não?
c) Transportes e manutenção próprios.
d) Programas de produção e de vendas.

Como se pode ver, embora a Empresa apresente um carácter unitário enquanto centro
de decisão, a verdade é que ela tem de resolver problemas distintos: Problemas de
aproveitamento, de produção, de comercialização e financeiros.

Naturalmente, a contabilidade analítica deverá:

- Evidenciar a economicidade das várias alternativas produtivas da empresa,


permitindo-lhe distinguir o rendimento dos outros centros de fabris e a eficácia dos centros de
comercialização e de financiamento.

- Proporcionar a informação básica para o cálculo do custo de produtos vendidos e


para avaliação das existências e dos trabalhos realizados para a própria Empresa.

2.2.3- Operações órgãos e funções

A actividade duma Empresa, qualquer que seja a sua natureza, é sempre uma
repetição, um encadeamento ou uma combinação de operações elementares, as quais são
realizadas por órgãos ou centros de actividades mais ou menos especializados, consoante o
grau da respectiva divisão e organização do trabalho. No entanto, cada centro de actividade
compreende, regra geral, vários postos de trabalho, onde se realizam as operações inerentes ao
exercício de determinada função, entendendo-se como tal todo o conjunto de tarefas com
carácter ou finalidade comum, que corresponde a uma responsabilidade.

Assim, os órgãos empresariais estão agrupados por funções com responsabilidades


distintas e relacionadas com as operações fundamentais da empresa:

-as compras, ou seja, a aquisição dos bens e serviços que entram no processo de
produção (função de aprovisionamento);

-a produção, ou seja, a transformação dos bens e serviços em produtos fabricados


(função de produção);

-as vendas dos produtos fabricados (função de comercialização ou de distribuição);

No entanto, a realização das tarefas inerentes a estas funções pressupõe a captação de


recursos financeiros indispensáveis e a sua correta aplicação em factores produtivos (capital e
trabalho), tarefas estas que correspondem a novas funções, com responsabilidades específicas:

- A função financeira ou de financiamento


- A função administrativa ou de administração

Estas duas funções, por vezes encontram-se reunidas numa única função, designada
genericamente por função administrativa

2.2.4- Processo de produção nas empresas comerciais e industriais

Embora em todas as empresas se verifique uma circulação interna de valores, a verdade


é que nas empresas comerciais a função de produção se reduz à sua expressão mais simples,
podendo dizer-se, praticamente, que às compras (de mercadorias) se sucedem directamente as
vendas (de mercadorias).

Perante a descontinuidade dos fluxos físicos das entradas (compras) e das saídas
(vendas), o desenvolvimento harmonioso, regular e continuo do processo de exploração é
assegurado pela armazenagem das mercadorias.

Aprovisionamento Distribuição

ARMAZEN
COMPRAS DE VENDAS
MERCADORIA
S

Administração e financiamento

Aqui, nas empresas comerciais, apenas importa distinguir as mercadorias compradas e


as mercadorias vendidas.
Pelo contrário, nas empresas industriais o processo de produção assume toda a sua
extraordinária importância: emtre as compras (de marcadorias) e as vendas (de produtos
fabricados) situa-se todo um ciclo de transformações, utilizando determinada tecnlogia e
exigindo determinado equipamento fabril.

Aqui, nas empresas industriais, o desenvolvimento regular e contínuo do processo de


exploração é assegurado pela armazenagem das matérias.

Aprovisionamento Produção Distribuição


FÁBRICA
ARMAZE Produção ARMAZE
COMPRAS M CONSUMO em PRODUÇÕE M VENDAS
DE DE PROD.
curso

Administração e financiamento

(A montante da produção), e pela armazenagem dos produtos fabricados (a jusante da


produção), armazenagens que possibilitam a utilização óptima dos factores produtivos e
permitem o escoamento daqueles bens consoante as conveniências.

Note-se que, para além da armazenagem de matérias e produtos fabricados, ainda se


verifica a armazenagem de produção em curso, isto é, dos produtos que já iniciaram mas
ainda não determinaram o processo de produção (produtos por ultimar).

Assim, nas empresas industriais, teremos de distinguir: antes de mais, as matérias


compradas e as matérias consumidas; depois, os produtos terminados e os produtos por
ultimar; e, finalmente, os produtos fabricados e os produtos vendidos.

2.2.6-Diagrama funcional do processo de fabrico

Por outro lado, a contabilidade analítica não poderá deixar de se adequar à estrutura do
processo tecnológico da produção, exigindo tal adequação um perfeito conhecimento, não só
das várias operações de transformação e do respectivo equipamento, mas também das
matérias utilizadas(natureza, qualidade, fontes de abastecimento, prazos de condições de
entrega, preços e descontos, despesas de compra, etc) e dos próprios produtos
fabricados(natureza, qualidade, mercado, preço, modalidades de venda, etc).

Na realidade, para determinar os custos em qualquer momento do processo de


produção e pera assegurar o controlo da fabricação, teremos de acompanhar fielmente o
percurso das matérias através dos vários departamentos, secções ou oficinas da empresa até a
obtenção dos produtos fabricados.

Tais operações e este percurso poderão ser representados esquematicamente num


diagrama do processo de fabrico.
Por exemplo, e simplificadamente, teremos para uma fábrica de aglomerado negro de
cortiça:

Cortiça
TRITURAÇÃO

Granulado
COZIMENTO

Blocos
SERRAGEM Operação
Armazenagem
Placas Controlo
EMBALAGEM Tempo de Espera
Caixas

2.3- Contabilidade Analítica e Contabilidade Financeira

2.3.1--Generalização dos processos da contabilidade financeira

Falando-se de contabilidade financeira e contabilidade analítica, podia-se pensar,


naturalmente que estaríamos perante duas disciplinas diferentes, ou que existissem duas
espécies de contabilidades.

Na verdade, apenas existe uma única contabilidade. Isto é uma única técnica de
informação ao serviço da empresa, utilizando-se aquelas expressões apenas para distinguir
duas formas diferentes de aplicação dessa mesma técnica, propondo-se cada uma a fornecer
informações diferentes, para responder questões diferentes.

Assim,” não podemos deixar de encontrar na contabilidade analítica uma


generalização dos processos da contabilidade financeira, muito embora a natureza das
informações relativas à análise da exploração implique o aparecimento de características e
particularidades específicas, até mesmo de processos não utilizados na contabilidade geral.”
(João Manuel Esteves Ferreira, 1994, pag 19).

De facto, enquanto a contabilidade financeira se desenvolve numa óptica financeira,


jurídica e fiscal, a óptica da contabilidade analítica é essencialmente de ordem económica. Por
isso as informações fornecidas pela contabilidade financeira dizem respeito ao conjunto de
relações da empresa com o exterior e as fornecidas pela contabilidade analítica respeitam
propriamente os factos elementares ocorridos no interior da empresa.

No fundo, e genericamente, os factos a registar e a analisar são os mesmos: “ o ponto


de partida da contabilidade analítica são os custos e proveitos classificados por natureza
na contabilidade geral”. Idem.
2.3.2- A Insuficiência da contabilidade financeira

Como já se sabe, o processo de tomada de decisões na empresa deve apoiar-se nas


informações contabilísticas, obtidas através do registo, análise e previsão da realidade
económica passada, presente e futura.

Vejamos, agora, se a contabilidade financeira nos pode fornecer as informações


indispensáveis à tomada de decisões relactivas ao planeamento e controlo das actividades
empresariais.

Como sabemos, a empresa é o organismo que reúne um conjunto de factores para


mediante determinado processo, obter e trocar produtos com outros agentes económicos.

São factores, todos os recursos económicos ou meios de produção: capital e trabalho;


entende-se por processo todo o conjunto de operações que, utilizando uma certa tecnologia,
transforma os factores (input) em produtos (output).

Assim, em toda a empresa se desenvolve um ciclo económico que compreende as


seguintes etapas:

- A captação de recursos financeiros;

- O aprovisionamento de factores, ou seja, a aplicação dos recursos financeiros em


factores produtivos;

- O processo de produção, isto é, a transformação de factores em produtos;

- O armazenamento de produtos;

- A comercialização dos produtos, finalizada com a venda;

- A recuperação dos recursos financeiros, através das cobranças.

Esquematicamente:

CAPTAÇÃO DE
COBRANÇAS
RECURSOS FINANCEIROS

PROCESSO DE ARMAZENAMENTO
APROVISIONAMENTO DE COMERCIALIZAÇÃO
PRODUÇÃO DE PRODUTOS DE PRODUTOS
FACTORES

MOVIMENTO INTERNO
Compreende-se
perfeitamente que, para a
empresa, o aprovisionamento de factores e a comercialização de produtos implicam relações
com o exterior (movimento externo), ao contrário do que acontece com processo de
produção e armazenamento de produtos que dão origem à circulação de valores (consumo,
modificação, transformação ou conversão de produtos) no seio da própria empresa
(movimento interno).

Ora, as informações fornecidas pela contabilidade financeira, respeitando as relações


da empresa com o exterior, e obtidas a posteriori, pelo tratamento de dados históricos
(contabilidade do passado) e, portanto, já inalteráveis, são veiculadas fundamentalmente pelas
seguintes peças contabilísticas:

a) O BALANÇO, que montra a situação da empresa em determinado momento


(composição e valor do património; origem e aplicação dos recursos da empresa) eo
resultado global obtido em determinado período;

b) A DEMONTRAÇÃO DOS RESULTADOS, que nos montra os custos e perdas eos


proveitos e ganhos, classificados por natureza, os resultados operacionais, os
resultados financeiros, os resultados correntes, os resultados extraordinários, os
resultados antes dos impostos, o imposto sobre o rendimento, finalmente, o resultado
líquido do exercício;

c) O MAPA DA ORIGEM E APLICAÇÃO DE FUNDOS, que nos apresenta uma

síntese das variações ocorridas nas estruturas económicas (fundos fixos e circulantes) e
financeira (fundos próprios e alheios) da empresa, durante o exercício.

Muito naturalmente, estas informações são indispensáveis à gestão racional da


empresa. Mas serão suficientes?

Para já, não poderemos esquecer que aquelas peças contabilísticas são obtidas com
base em normas rígidas (de avaliação e registo) e revelam um acentuado formalismo (na sua
apresentação) evidenciando valores por vezes afastados da realidade económica, por razões de
ordem jurídica ou fiscal (amortizações por exemplo) ou em consequência do princípio da
prudência (não considerando ganhos potenciais).

Depois, convém recordar que aquelas informações são tradicionalmente obtidas


considerando a empresa como uma unidade financeira, gestora de um capital próprio, pelo
que todo o processo da contabilidade financeira está orientado para a determinação do
excedente económico após a remuneração, certa e contratada, dos factores de produção,
sendo este excedente (incerto e variável) repartido pelos factores ainda não remunerados até
ao momento, fundamentalmente o capital próprio e o Estado.

Sendo esta a preocupação prioritária da contabilidade financeira, é natural que as


respectivas informações não satisfaçam as múltiplas e diversificadas necessidades da gestão.
De facto a demonstração dos resultados é sem dúvida o seu documento mais importante para
os gestores, mas é evidente que a simples classificação dos custos e proveitos por natureza
não permite:
- Determinar a eficiência da empresa, como unidade financeira;

- Analisar as condições internas da exploração, isto é calcular os custos e rendimentos


das várias secções, divisões e centros de trabalho da empresa, de modo a detectar qualquer
anormalidade e promover a sua correção imediata, ou seja para controlar a exploração;

- Apurar os custos dos produtos fabricados e vendidos e, consequentemente


estabelecer bases adequadas para a avaliação das existências;

- Apurar as margens dos seus diversos produtos, isto é as diferenças entre os proveitos
e custos de produção vinculados à obtenção de venda de cada produto;

Por outro lado, embora os custos futuros raramente coincidem com os custos passados,
estes, na verdade, são ainda a melhor base de previsão, pelo que o seu desconhecimento não
permite qualquer planeamento e posteriormente o respetivo controlo.

Finalmente, sabemos que a contabilidade financeira negligencia todos os fenómenos


que não se apresentam sob a forma monetária, ignorando totalmente os custos materiais em
relação a um produto ou determinado período, os quais, muitas vezes, são fundamentais para
explicar os resultados obtidos.

Em conclusão: a contabilidade financeira, dadas as suas características, não pode


fornecer todas as informações necessárias à tomada de decisões relativas ao
planeamento e ao controlo.

Tais informações hão de ser fornecidas por outro ramo da contabilidade - a


contabilidade analítica.

2.3.3- Flexibilidade da contabilidade analítica

Perante o direito de comunicação e de investigação reconhecidos a terceiros,


nomeadamente à administração fiscal, a contabilidade financeira, para que possa funcionar
como meio de prova e de informação para o exterior, está submetida a determinados
imperativos, de ordem técnica, jurídica e fiscal, os quais implicam limitações de fundo e de
forma

A contabilidade analítica, pelo contrário, não estando sujeita a quaisquer imposições


externas e gozando de certa autonomia em relação à contabilidade geral, pode desenvolver-se
total ou parcialmente, fora do quadro da digrafia, através de mapas ou quadros, os quais
oferecem duas vantagens notáveis:

-podem ser lidos e compreendidos por pessoas sem grande experiência


contabilística;

-podem ser directamente elaborados por computadores, aproveitando-se toda sua


capacidade de análise.

A possibilidade de relevações não sistemáticas e a relativa autonomia da contabilidade


analítica concedem-lhe a flexibilidade necessária e suficiente para proceder a classificações
múltiplas, reduzir os períodos de análise (mensalizando custos e resultados), trabalhar
simultaneamente com custos reais e custos teóricos e passar da contabilidade histórica para a
contabilidade orçamental, meta final do planeamento e controlo.

Assim, enquanto o esquema de contas da contabilidade financeira, têm um carácter


rígido e obrigatório para a maior parte das empresas, o esquema das contas analíticas
representa apenas uma simples sugestão, podendo, ser substituído por qualquer outro esquema
que melhor se adapte à estrutura e às necessidades da empresa.

Em suma, a contabilidade analítica pode ser organizada em função das necessidades


específicas de cada empresa e deve fornecer, em tempo oportuno, as informações
indispensáveis aos diversos níveis de direcção, evidenciando as respectivas responsabilidades.

2.3.4- A permanência do inventário

Na contabilidade financeira é possível, como sabemos, contabilizar as existências


pelos métodos de inventário periódico ou permanente, tal como se indicava nas notas
explicativas sobre o conteúdo e movimentação das contas do Plano Geral da Contabilidade.

No entanto, facilmente se compreende a dificuldade em desenvolver a contabilidade


analítica sem a permanência do inventário, indispensável, pelo menos, para a valorização
das materias consuimidas, parcela primária dos custos de produção.

Então, a permanência do inventário deverá ser obtida na contabilidade financeira ou na


contabilidade analítica?.

A solução do problema depende da forma como estiverem articuladas as duas


contabilidades. Observemos, desde já duas hipóteses:

1ª- A contabilidade analítica será integrada na contabilidade financeira, constituindo


ambas um único sistema de contas (integração ou monismo).

Neste caso, a permanência do inventário é obtida na classe 3 (Existências) da


contabilidade financeira.

2ª- A contabilidade analítica goza de autonomia em relação à contabilidade financeira,


existindo dois sistemas de contas diferentes (autonomia ou dualismo).

Neste caso, a permanência do inventário é obtida na contabilidade analítica (Classe 9),


desenvolvendo-se a contabilidade financeira pelo método de inventário periódico.

Naturalmente, no final do exercício, as quantidades e valores do inventário físico das


existências, a considerar na contabilidade financeira, corresponderão, em princípio, as
quantidades e valores do inventário permanente da contabilidade analítica (saldos das contas
de armazém).

2.3.5-Contas específicas da contabilidade analítica


Para além de outras contas, podemos, desde já refer as seguintes:

a)A conta que se destina a calcular os custos funcionais da empresa: «CENTROS DE


CUSTOS», subdividida por funções e departamentos ou secções.

Esta conta é debitada por contrapartida das contas de custos por natureza (na integração) e
creditada por contrapartida da conta Custos de Produção, a seguir referida.

b)A conta que se destina a apurar os custos dos produtos, serviços e trabalhos:«CUSTOS
DE PRODUÇÃO»(1), subdividida por produtos ou linhas de produtos, serviços e trabalho.

Esta conta é debitada por contrapartida da conta «Centros de Custos» (pelos custos
industriais)e, relativamente aos produtos, creditada por contrapartida da respectiva conta de
existências.

c)A conta que se destina ao apuramento das margens ou resultados analíticos, a qual se
poderá intitular «RESULTADOS DA CONTABILIDADE ANALÍTICA»ou, de
preferência,«RESULTADOS ANALÍTICOS»(2), subdividida por actividades , produtos ou
linhas de produtos, serviços e trabalhos.

Esta conta é debitada por contrapartida das contas de existências de produtos e da conta
«Centros de Custos»(pelos custos não industriais) e creditada por contrapartida das contas de
proveitos por natureza ( na integração).

2.3.6-Esquema básico da contabilidade analítica

Consideramos como esquema básico da contabilidade analítica, apenas por razões de


ordem pedagógica, esquema correspondente ao sistema de custos reais totais, estando a
contabilidade integrada na contabilidade financeira, como havemos de reconhecer mais
tarde.
RESULTADOS
Assim, a marcha de determinação dos custos e do ANALÍTICOS apuramento das
margens e resultado, admitindo para simplificação a inexistência de
outros custos que não são incluídos nos custos comerciais e de
outros proveitos que não as vendas, pode ser acompanhada
no seguinte esquema:

Margem ind.

Margem com.

CUSTOS DE
PRODUÇÃO

CENTROS CUSTOS
APROVISION Resultado
PROVEITOS E
GANHOS
CUSTOS E
VENDAS

Mat. Cons.
Forrn. e Vendas
Serv.
Impostos
Cust.c/
ARMAZÉM
Pessoal
PROD. FAB.

Pela análise do esquema, poder-se-á ficar com uma ideia geral da mecânica das contas
específicas da contabilidade analítica.

Nada mais se pretende, por ora .

2.3.7- Articulação com a contabilidade financeira.

2.3.7.1- Interpretação recíproca

Sabemos que os dados básicos da contabilidade analítica são os custos e proveitos


classificados por natureza na contabilidade financeira, mas já vimos que a óptica distinta da
contabilidade analítica justifica que nem todos, mas alguns mais, ou aqueles por diferente
valor, nela sejam considerados.

Contudo, deve observar-se que não há apenas uma cedência de dados da contabilidade
financeira à contabilidade analítica, pois alguns valores daqueles resultam já de um tratamento
de dados nesta contabilidade --- tal é o caso dos valores das existências de produtos fabricados
e, também, das imobilizações eventualmente produzidas na própria empresa.

Verifica-se, portanto, uma interpenetração recíproca das duas contabilidades.


CONTABLIDADE CONTABLIDADE
GERAL ANALÍTICA

Deste modo, as diferenças de incorporação consideradas na contabilidade analítica acabam


por transbordar total ou parcialmente para a contabilidade geral.

2.3.7.2-Sistemas de articulação

Para além da sua interpenetração recíproca, a contabilidade externa e a contabilidade interna


podem estar relacionadas por formas destintas, correspondentes a diferentes sistemas de
articulação.(1)3

Convirá recordar, entretanto, não está sujeita a qualquer imperativos de ordem legal, podendo
recorrer a relevações não sistemáticas(quadros, mapas, estatísticas) sempre que tal for
conveniente.

Vejamos, então os sistemas de articulação.

Quando a contabilidade analítica está integrada na contabilidade financeira e ambas formam


um único sistema balancete, estamos perante a integração ou monismo( indiviso), no qual se
podem distinguir os seguintes subsistemas de articulação:

-Monismo puro ou radical

Todo o sistema se desenvolve com base na digrafia, jogando umas com as outras as contas das
duas contabilidades.

- Monismo moderado

Parte do sistema( parte da contabilidade analítica) desenvolve-se fora da digrafia, em mapas e


quadros.

Quando as duas contabilidades estão separadas, mas não totalmente, comunicando uma com a
outra através de contas de ligação, podemos considerar o seguinte sistema de articulação:

- sistema com contas de ligação


Quando as duas contabilidades estão totalmente separadas, formando sistema autónomos e
paralelos, estamos perante a autonomia ou dualismo, no qual ainda se podem distinguir dois
subsistemas de articulação:

- sistema duplo contabilístico

Existem duas contabilidade digráficas, jogando as contas de cada contabilidade apenas entre
si. Rodape

- sistema duplo misto

A contabilidade analítica desenvolve-se fora da digrafia.

Em resumo podemos considerar os seguintes sistemas de articulação:

a) Integração
a 1) Monismo puro
a 2) Monismo moderado

b) Sistema com contas de ligação

c) Autonomia
c 1) Sistema duplo contabilístico
c 2) Sistema duplo misto

2.4- Os custos e a tomada de decisões

As informações relativas a custos não se podem limitar a permitir avaliação das existência e o
apuramento de resultados, mas devem, também e fundamentalmente, servir como orientação
para a tomada de decisões, relativamente ao planeamento e controlo da gestão.

Na realidade, quendo um gestor tem de escolher entre várias alternativas, não poderá fazê-lo
racionalmente se não dispuser de informações suficientes para prever as consequências
económicas de cada acção, em termos de custos e proveitos.

Então, o processo de obtenção dos custos não poderá de estar associado à natureza das
decisões a tomar, devendo a contablidade analítica preocupar-se em fornecer decisivamente
aquelas informações que possam conduzir às soluções mais eficazes e rentáveis.

Ora, na medida em que todo o gestor tem de tomar uma multiplicidade de decisões de variada
natureza, não devemos estranhar que encontremos também uma multiplicidade de custos _
cada custo tenta responder a uma determinada necessidade de gestão.

Então, podemos compreender que os custos a determinar em cada empresa dependem do seu
domínio de actividade (empresa industrial, de distribuição, de serviços, etc.) e da respectiva
organização (ilustrada no seu organigrama), para além do tipo de informações desejadas (no
que se refere a sua finalidade, qualidade de oportunidade, a possibilidade de comparações
temporais e como é óbvio ao seu curso e utilidade) e de eventuais disposições contratuais e
regulamentares.
2.4.1-Relação Custo-Volume-Lucro

A análise da relação Custo-Volume-Lucro consiste, fundamentalmente, em saber como


variam os custos e os lucros em função do volume da produção e, portanto, das vendas.

Naturalmente, aos gestores compete tomar decisões relativamente aos custos fixos e variáveis,
ao volume da produção ao preço de venda, as despesas de publicidade e a outras questões
análogas, decidindo qual o modo e porque vão adquirir e utilizar os recursos económicos para
atingir os objectivos fixados.

Ora, todas estas decisões, tal como as decisões relativas à compra de equipamento, devem
basear-se nas previsões feitas em função da relação Custo-Volume-Lucro , a qual, mesmo
quanto a versões esquematizadas dos problemas reais, como terá de acontecer neste momento,
permiti-nos compreender a flutuação dos custos em relação ao nível de actividade, dando-nos
uma ideia aproximada, uma perspectiva, do processo de planeamento.

A análise da relação Custo-Volume-Lucro reduz-se, por vezes, à análise do ponto morto


(ponto crítico, ponto de equilíbrio ou limiar da rendibilidade), embora tal não esgote a
respectiva problemática.

2.4.1.1-O ponto morto

Designa-se por ponto morto aquele em que o total dos custos é igual ao total dos proveitos,
ou seja, aquele em que o resultado é nulo, podendo esse ponto ser definido em relação ao
volume das vendas, ao valor das vendas, e em certos casos, ao tempo.

Considerada a estrutura dos custos ( fixos e variáveis ), o ponto morto será aquele em que os
custos fixos são cobertos pela margem sobre os custos variáveis, isto é, pela diferença entre o
montante das vendas e os custos variáveis.

Defacto, essa margem global, ao longo do exercício, começa por ser inferior aos custos fixos,
mas vai progressivamente aumentando com as vendas, de tal modo que, em determinado
momento pode igualar estes custos fixos e, depois, excedê-los; como é evidente, até aquele
momento o resultado era negativo, nesse momento é nulo, depois será positivo.

O problema do ponto morto consiste, por tanto, na determinação do ponto ( quantidade ou


valor das vendas ou memento do exercício) em que a margem global sobre o custo variável
iguala o custo fixo.

Para vermos como esse ponto de ser determinado, consideremos uma empresa que está
equipada para produzir e vender anualmente um máximo de 240.000 unidades do produto Y,
ao preço unitário de 250 USD e com a seguinte estrutura de custos unitário: Variáveis 175
USD, fixos 40 USD ( 9.600.000 USD: 240.000 ).

Com estes dados podemos elaborar o seguinte quadro de custos, margens e resultados:

VALORES % das
RUBRICAS Unit. Globais Vendas
Preço de venda 250 USD 60.000.000 USD 100
Custo variável 175 USD 42.000.000 USD 70
Margem 75 USD 18.000.000 USD 30
Custo fixo 40 USD 9.600.000 USD
Resultado
35 USD 8.400.000 USD

Qual será o ponto morto desta empresa?

o problema poderá ser resolvido por três técnicas distintas: Algebricamente, aritmeticamente e
gráficamente.

a) Resolução algébrica: como é evidente:


VENDAS-CUSTO VARIÁVEL- CUSTO FIXO = LUCRO
VENDA = CUSTO VARIÁVEL + CUSTO FIXO + LUCRO
Ora, designado por x o volume das vendas correspondente ao produto morto, será:
250$ x = 175$ x+ 9.600.000 $ + 0
75$ x = 9.600.000$

9.6000 .000 $
x=
75 %

X = 128.000 unidades

Em geral, tendo em atenção que o denominador daquela fração (75%) corresponde à margem
unitária sobre o curso variável, que também pode ser designada por contribuição marginal:

CUSTO FIXO
PONTO MORTO em quant =
CONT . MARGINAL

Naturalmente, o ponto morto em relação ao montante das vendas (em valor) será:

128.000 X 250$ = 32.000.000$

Quer dizer, para obter lucros a empresa terá de vender mais de 128.000 unidades, ou seja, o
valor das vendas terá de ser superior a 32.000.000 USD.

Convirá salientar que quando se desconhece o preço de venda unitário ou quando a empresa
vende mais de um produto, como acontece geralmente, ter-se-á de trabalhar coma
percentagem da margem sobre o custo variável em relação às vendas.

x = 0,70 x + 9.600.000$ + 0
0,30 x = 9.600.000$
9.600 .000 $
x=
0,30

X = 32.000.000$

Em geral:

CUSTO FIXO
PONTO MORTO em valor ¿
%CONT . MARGINAL

Finalmente, admitindo que as vendas se processam regularmente ao longo do exercício (o


que nem sempre acontece), também se poderá determinar o ponto morto em relação ao tempo:
O momento do ano em que a margem iguala o custo fixo.

Então, o montante das vendas corresponde aos dose meses do ano e o ponto morto (em
tempo) há-de corresponder a determinado número de meses.

60.000.000 $
x =32.000.000 $
12

60.000.000$ x =32.000 .000 $ X 12

384.000.000 $
x=
60.000.000 $

X = 6,4 (Julho)

b) Resolução aritimética

Naturalmente, se em cada unidade há uma margem de 75 USD, para que a margem global
seja superior a 9.600.000 USD (custo fixo global) a empresa terá de vender:

9.600.000$ : 75$ = 128.000 unidades

E, como já vimos, determinado o ponto morto em quantidade, facilmente se determina o


ponto morto em valor:

128.000 × 250$ = 32.000.000$

Doutro modo e tal como anteriormente, se em cada unidade vendida há uma margem de 30%
em relação ao preço de venda, para que a margem global seja igual a 9.600.000 USD teremos:

9.600.000$ : 0,30 = 32.000.000$

Como sempre, a solução aritmética está compreendida na solução algébrica, podendo utilizar-
se uma ou outra técnica consoante a preferência pessoal ou conveniência.
c) Resolução gráfica

Para a determinação gráfica do ponto morto utilizaremos um sistema de eixos coordenados


(rectangulares), representando no eixo orizontal (das abcissas) as quantidades e no eixo
vertical (das ordenadas) os valores (custos e vendas).

Neste sistema, começaremos por representar as vendas e depois o custo fixo (recta paralela ao
eixo das abcissas) e o custo total (soma do custo fixo e do custo variável).

Então, sabendo-se que a igualdade entre a margem e o custo fixo é equivalente a igualdade
entre as vendas e custo total, facilmente se compreende que o ponto morto é determinado pela
intersecção das rectas representativas das vendas e do custo total.
VALORE
(1.000 contos)

VENDAS
60 LUCROS
0
50

40
CUSTO
32 Ponto morto TOTAL
30
PREJUÍZOS 128.00 unid.
CUSTO
32.000.000
20 VAR.

10
CUSTO
FIXO
0 QUNT.
30 60 90 120 150 180 210 240 (milhares)
128

2.4.1.2-Campo significativo

Convirá recordar que os custos fixos são sempre definidos em relação a determinado período
de tempo ( curto prazo ) e uma produção entre determinados limites ( campo de actividade
significativo )

Assim, admitindo que no exemplo que estamos apresentando, o custo fixo de 9.600.000 USD
respeitava a uma produção entre 60.000 e 180.000 unidades, o gráfico do ponto morto
aproximar-se-á mais da realidade se estiver limitado ao campo significativo, no qual a relação
custo-volume-lucro poderá ser mais válida.

Teremos então:

CAMPO SIGNIFICATIVO
VALORES
(1000 contos)
60

50
40
30
20

10
0 30
30 60
60 90
90 120
120 150 180 210 240 QUANT
(Milhares)

2.4 1.3-Margem de segurança

Designa-se por margem de segurança, o excesso das vendas em relação ao ponto morto, a
qual se traduz geralmente por uma percentagem em relação as vendas.

Quer dizer um empresa cujo o ponto morto é de 50.000 contos e cuja as vendas são de 60.000
contos, trabalha com uma margem de segurança de 10.000 contos ou de 20% (das vendas).

Assim, a margem de segurança indica qual pode ser a redução das vendas sem que a empresa
tenha prejuízos.

Naturalmente, uma combinação de custos fixos é levados com uma alta percentagem de
contribuição marginal e uma reduzida margem de segurança obriga os gestores a tomar
medidas para diminuir os custos fixos ou aumentar as vendas.

Se a margem de segurança e a percentagem da contribuição marginal são pouco elevadas, os


gestores devem rever os preços de venda ou encontrar meios de reduzir os custos variáveis.

CAPÍTULO III:ANÁLISE DOS CUSTOSNA EMPRESA CENTRAL DE BETÃO


ALVES E VENÂNCIO, LDA.
3.1-APRESENTAÇÃO DA EMPRESA3.1-APRESENTAÇÃO DA EMPRESA

Nome da empresa: Alves e Venâncio ( Angola), Lda. Sucursal de Alves e Venâncio-Portugal.

A Alves e Venâncio(Angola) Lda, é uma empresa portuguesa registada na Agência Nacional


de Investimento Privado(ANIP), por ter sido constituída em Lisboa no conselho de Torres
Vedras, isso em 1984, Lisboa-Loures, representada em Angola pelo seu sócio- gerente o sr.
Carlos Manuel da Silva Venâncio, contribuinte fiscal nº 5401137630.

3.1.1-Localização

Em Angola, a empresa no município de Viana Luanda Sul, Kikuxi, casa nº 167, Rua
arredores do Ghadaki e da fábrica de refrigerantes da Refriango- Kikuxi- via expressa ao
estádio 11 de Novembro.

3.1.2-Historial

A empresa foi criada em 1984, pelos sócios Carlos Manuel da Silva Venâncio, Miguel
Marques da Silva Venâncio e Fernando da Silva Venâncio, em Loures, conselho de Torres
Vedras- Lisboa, que ao longo dos anos dedicou-se à construção civil e obras públicas e
privadas nos conselhos e províncias da República Portuguesa; tendo ainda gabinetes
associados de actividade e empresas do Grupo. Dentre eles constam a coordenação geral de
obras, projectos de engenharia e arquitetura, tais como terraços do millenium e o Gabinete
Técnico de Projectos, Arquitetura e Engenharia- GATEC,Lda; nesta altura com actuação
principal em Lisboa, Sintra, Açores, Torres de Vedras e outros conselhos e províncias de
Portugal.

Com o crescente nível da economia angolana e da abertura no mercado da construção civil,


face á reconstrução nacional, a Alves e Venâncio ( Portugal) decidiu criar a sucursal
angolana, com a mesma denominação; tendo o seu sócio gerente visitado Angola em 2003 e
no ano de 2005, assinou um contrato de prestação de serviços de construção e manutenção da
Zona Industrial da fábrica de refrigerantes da Refriango, Lda, bem como se manteve na
construção , projeccção, coordenação e direcção de várias obras da referida empresa. Dentre
elas, destacam-se a conclusão da fábrica nº 1 e posteriormente, a construção da fábrica nº 2,
Reviva- fábrica de detergentes- VIVA E manutenção preventiva dos arruamentos da fábrica,
esgotos pavilhões e armazém de produtos, zona residencial do pessoal , construção e
apetrechamento do centro social da refriango murros e vedação em alvenaria do parque de
contentores, armazéns da Boa Vista, reparação, requalificação e construção de casas dos
funcionários na zona centro da cidade de Luanda, dos altos funcionários da fábrica e do
Grupo Refriango, construção de casas da Zona Agrícola da Cela- Kibala e Waku- Kungo, na
província do Kuanza-Sul.

Além desta obras, a Alves e Venâncio (Angola), Lda, apresenta-se como uma construtora de
grande nível, não pelas obras realizadas, mas pelo seu know how e solvebilidade
demonstrada.

Por esta razão, a Alves e Venâncio (Angola), Lda, orgulha-se em partilhar esta história e
fornecer estas experiências vividas no decorrer das décadas e suas actividades, como prova de
uma gestão sólida , capaz de servir, cada vez mais e fazer muito mais para os seus clientes e
aos angolanos.

3.1.3-Criação e estrutura

Conforme acima citada à Alves e Venâncio (Angola), Lda, é uma empresa de direito
português (em Angola registrada na agência nacional de investimento privado – ANIP), que
exerce actividades no território nacional desde 2005, de acordo a legislação do investimento
privado Angolano em vigor, com uma força de trabalho nacional compreendida em 18
trabalhadores nacionais e expatriados, sendo composta pela seguinte estrutura administrativa,
pelos seguintes departamentos e secções:

 Direcção geral
 Conselho de assembleia geral de sócios
 Departamento administrativo e financeiro
 Departamento de compra e logística
 Departamento técnico
 Departamento de recursos humanos
 Secções: secretaria geral, segurança e recepção

3.1.4-Extensões das actividades

À, Alçves e fvenâncio(Angola), Lda exerce actividades de construção civil, comercio geral,


importação e exportação, fabrico de betão pronto armado, tendo projectos em carteira a
comercialização, produção de materiais de construção civil em Angola, bem como investir no
sector agró-industrial, na zona sul do país, isto concretamente na província do Kwanza-Sul.

3.1.5-Objecto social

construção civil, obras publicas e projectista de construção civil, industria de construção,


comercio geral, fabrico e venda de material de construção, fabrico betão pronto, bem como
pode dedicar-se a qualquer tipo de co0mercio em que os sócios acordem e seja tal permitido
por lei vigente em Angola

3.1.6- Organigrama da Empresa

Direcção geral
sócio- gerente
Conselho de assembléia geral de
sócios

Direcçãp administrativa e Direcção técnica


financeira

Secretaria da direcção

Direcção de recursos humanos Direcção de compra e logística

Segurança e recepção

Obs: A Alves e Venâncio (Angola), Lda, é composta por quatro Departamentos e duas
Secções, uma direcção geral e o conselho da Assembleia dos sócios, que é composta pelo
conjunto de todos os sócios, aos quais cabe a decisão e gerência dos actos e objectivos
preconizados pela sociedade tanto em Angola como em Portugal, pois, a Alves e Venâncio
(Angola) , Lda é uma sucursal da Alves e Venâncio, Lda- Portugal.

3.1.7- Dados financeiros


3.2-Tratamento dos dados financeiros por período/MENSAL

JANEIRO/2009

Mapa de custos

Mês Descrição de custos Valor totais em


Ano kz
2009 Custos Directos
2009
2009 Mat primas e sub de Consumo 8.340.007,00
2009 Água 12.500,00
2009 Luz eléctrica 10.300,00
2009 Combustível 450.000,00
2009 Custo com pessoal 876.000,00
2009 Material de escritório 65.309,00
2009 Custos indirectos
2009 Transportes
Manutensões e benfeitorias 45.000,00
Higiene e limpeza 12.000,00
Outras despesas correntes
Janeiro

TOTAL 9.811.116,00

Mapa de produtos consumidos/vendidos

Código do Descrição/Tipo de Qtdade Valor Valor total


produto produto (m3) unitário kz
0001.BL Bloco de 12x10 2.578 65,00 167.570,00
0002.BL Bloco de 13x12 126 75,00 9.450,00
0003.PAV Paviment 35/35 - 0,00 0,00
0004.PAV Paviment 35720 - 0,00 0,00
0005.BT C25.S4.30.D25 743 21.550,00 15.817.700,00
0006.BT C25.S4.30.D15 123 25.550,00 2.650.650,00
0007.BT C25.S3.30.D25 83 23.150,00 1.921.450,00
0008.BT C12.S3.20.D25 - 0,00 0,00
0009.BT C25.S4.30.D23 - 0,00 0,00
0010.BT C12.S3.20.D20 - 0,00 0,00
0011.ARG C/300 125 19.550,00 2.443.750,00
0012.HID Arg-hidrofuga 104 20.500,00 2.132.000,00
Janeiro

TOTAL 25.142.570,00

3.2.1- Análise e interpretação dos dados


Preço de custo = custo de produção

Preço de custo = 9.811.116,00kz

1ª interpretação: A repartição dos custos gerais não é apresentada pelas quantidades


consumidas por cada tipo de produto; ou seja para a produção de cada diferente tipo de
produto, existe um valor diferente de custos, desde a quantidade de matéria prima até ao
menor custo indirecto. E esta repartição define o preço de custo unitário e consequentente
toda a decisão relactiva à venda. Particularmente ao caso se considerarmos um consumo
igualitário dos custos para cada tipo de produto, teriamos uma repartição igualitária do custo
de produção.

Assim:

O Preço de Custo Unitário seria igual ao custo de produção divido pelas quantidades
produzidas. Quer dizer.

CP
PCU =
QP

9.811.116,00 KZ
PCU= =2.533,21kz /unid
3.873unid

Situação que a Empresa desconsidera , totalmente.

2ª interpretação: O cálculo do Preço de venda não obedece, desde já os critérios


contabilísticos e jurídicos. Existe um preço de venda diferente para cada tipo de produto, mas,
não se compreende o cálculo da sua determinação uma vez que não se conhece o Preço de
custo unitário.

Partindo do facto de existir um consumo igualitário dos custos, a empresa consequentemente


teria um único valor de vendas .

Considerando o valor total das vendas que a empresa apresenta(25.142.570,00kz), o Preço de


Venda Unitário é:

Preço de venda unitário é igual ao preço de venda total, dividido pelas quantidades
produzidas.

Quer dizer:

PVT
PVU =
QP

25.142.570,00 kz
PVT= =6.491 .75 kz /unid
3873 unid

Isto significa que em uma repartição igualitária do valor de vendas cada produto era vendido
ao preço de 6.491,75 kz .
3º interpretação: Nota-se uma grande ansiedade por parte do gestor na busca de novos e
melhores resultados . Decisões importantes foram tomadas, no mês seguinte, mas nem
sempre foram as melhores(dados em anexo).

3.2.2-Comentários

A análise eficiente dos custos e dos resultados que a empresa apresenta determina a tomada de
decisões futuras, coesas e eficientes . A má análise e repartição dos custos leva o gestor à
tomada de decisões erradas. Claramente, podemos verificar que a decisão de aumentar ou
diminuir qualquer factor/custo ou produto não foi levado em conta importantes critérios de
contabilidade e os resultados que a empresa apresenta. Como consequência, notamos um
considerável desequilíbrio e baixa de resultados nos meses de Fevereiro, Março e Abril.

Nota-se, claramente, pelos dados apresentados uma dificuldade do gestor na análise e


repartição dos custos e no cumprimento de determinadas normas contabilísticas e jurídicas, já
que:

VENDAS = PREÇO DE CUSTO +LUCRO

Ou seja:

VENDAS = PREÇO DE CUSTO + 35% PREÇO DE CUSTO


CONCLUSÃO E SUGESTÕES

A tradição e a rotina , aliadas ao conformismo e comodismo são grandes inimigos do


progresso.

Hoje, na idade do social, a experiência é insuficiente, muitas vezes inoperante e sempre


perigosa, a intuição é arriscada quando as responsabilidades do empresário o proíbem de se
comportar como um jogador; o espírito de iniciativa , perante as limitações implícitas na
complexidade dos negócios, nada representa por si só.

Na realidade, a moderna gestão empresarial obriga os gestores em cada momento a pensar no


futuro; lhe interessando o conhecimento do passado para compreender o presente e prever o
futuro.

Toda e qualquer tomada de decisão só é feita de maneira coesa se o gestor dispor de


informação abundantes, precisas e oportunas. De facto, o processo de tomada de decisões na
empresa terá de se apoiar nas informações contabilísticas obtidas através do registo, análise e
previsão da realidade económica passada, presente e futura.

A contabilidade financeira fornece aos gestores informações indispensáveis à gestão da


empresa, mas estas não são suficientes pelas suas características e critérios de apresentação e
disposição. As informações claras, detalhadas e suficientes são fornecidas pela contabilidade
analítica que pelo seu objecto, preocupa-se com o movimento interno da empresa

Mas a contabilidade analítica não está alheia a contabilidade financeira ; ou seja não existem
duas contabilidades, ambas são recíprocas , apenas existindo diferentes formas de aplicação.

Assim, a aplicação da contabilidade analítica na gestão da empresa tem, particularmente em


vista, proporcionar a informação básica para o planeamento e controlo da empresa,
nomeadamente:

- Conhecer os custos e rendimentos das divisões, secções e centros de trabalho da empresa;

-calcular os custos dos produtos fabricados;

-Apurar as margens industriais e comerciais dos vários produtos da empresa

- Calcular o custo dos produtos vendidos e avaliar as existências e os trabalhos realizados na


própria empresa.

Em suma, a contabilidade analítica representa a certeza de informações exatas, confiáveis e


consequentemente decisões claras oportunas e eficazes.« A CONTABILIDADE ANALÍTICA
UM INSTRUMENTO DE GESTÃO MODERNA»
ANEXOS

-Dados de apresentação da empresa

-Organigrama da empresa

-Mapa de custos directos e indirectos

-Mapa de produtos consumidos/vendidos

-Mapa de produção anual

- Mapa de custos anuais.

-Mapa de pagamentos- transportadores E Fornecimentos

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