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Geologia e Biologia: Métodos e Conceitos

1) O documento discute os métodos da geologia e biologia, incluindo os processos geológicos de formação de rochas e sedimentos. 2) Apresenta os principais subsistemas terrestres e como eles interagem entre si para manter o equilíbrio do planeta. 3) Explica os métodos da geologia como a classificação de rochas, processos sedimentares e diagênese.

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Geologia e Biologia: Métodos e Conceitos

1) O documento discute os métodos da geologia e biologia, incluindo os processos geológicos de formação de rochas e sedimentos. 2) Apresenta os principais subsistemas terrestres e como eles interagem entre si para manter o equilíbrio do planeta. 3) Explica os métodos da geologia como a classificação de rochas, processos sedimentares e diagênese.

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BIOLOGIA E

GEOLOGIA
ÍNDICE
DOMÍNIO EXPERIMENTAL ...................................................................................................................05

GEOLOGIA – 10º ANO ...........................................................................................................................06


GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS.................................................................................................... 07
A TERRA, UM PLANETA MUITO ESPECIAL ....................................................................................... 15
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA ............................................................................... 19

BIOLOGIA – 10º ANO .............................................................................................................................31


DIVERSIDADE NA BIOSFERA .............................................................................................................. 32
OBTENÇÃO DE MATÉRIA ................................................................................................................... 40
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA .............................................................................................................. 49
UTILIZAÇÃO DE ENERGIA PELOS SERES VIVOS ............................................................................. 54

BIOLOGIA – 11º ANO .............................................................................................................................58


CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR ...................................................... 59
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS .................................................................................................... 70
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA..................................................................................................................... 79
DOMÍNIO EXPERIMENTAL

1. Método Científico
Evidência: resultado de uma Hipótese: explicação provisória para
experiência/ observação. fenómenos.
Experiência: teste científico que Lei: forma precisa de descrever o
envolve a manipulação de fatores que se espera acontecer.
num sistema, com o objetivo de
Teoria: Explicação geral para
verificar como o afeta.
fenómenos.

2. Experiência com Controlo de Variáveis (ECV)


Uma ECV consiste num teste científico feito em condições controladas, que
implica a alteração de um fator, enquanto outros se mantêm constantes.
Grupo experimental Grupo controlo
Conjunto de casos submetidos Conjunto de casos que não é
a um fator em estudo. submetido ao fator em estudo.

2.1. Variáveis da experiência


Variável independente: variável manipulada.
Variável dependente: variável afetada pela variável independente, sendo
medida para avaliar as diferenças no grupo exposto ao fator.
Variável de controlo: variável mantida constante.

DOMÍNIO EXPERIMENTAL 5
GEOLOGIA
10º ANO
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

1. Sistemas
Um sistema é qualquer parte do universo com diferentes componentes em
interação, que influencia o meio e é influenciado por ele através de trocas de
energia e de matéria.
Sistema aberto Sistema fechado Sistema isolado
Efetua trocas de Ocorrem apenas Não faz qualquer
energia e de matéria. trocas de energia. tipo de trocas.
1.1. Sistema Terra
A Terra é um sistema (quase) fechado, que efetua trocas de energia com
o exterior, mas cujas trocas de matéria são consideradas insignificantes, daí:
Possuir recursos naturais finitos;
Manter os poluentes no seu interior;
Estar dependente do equilíbrio dos seus subsistemas.
1.2. Subsistemas terrestres
Um subsistema é um grande reservatório de matéria e energia, que
funciona como um sistema aberto e, por isso, interage com o exterior.
1.2.1. Atmosfera O ciclo da água é motivado pela
Parte gasosa que envolve a energia solar e pela gravidade.
Terra, dividida em camadas 1.2.3. Geosfera
consoante a temperatura, pressão
Corresponde às rochas e solo,
e composição (Troposfera →
sendo o suporte dos restantes
Estratosfera → Mesosfera →
subsistemas.
Termosfera).
1.2.4. Biosfera
1.2.2. Hidrosfera
É o conjunto de todos os seres
É constituída por todos os
vivos, interagindo com os
reservatórios de água existentes
subsistemas onde estão
na Terra: água líquida + criosfera.
integrados.

1.2.5. Subsistemas terrestres em interação


De modo a manter o seu equilíbrio, a Terra está dependente das
interações dos subsistemas, através de diversas trocas de energia e de
matéria entre si como: respiração, ciclo da água e suporte.
Dada esta interação permanente, qualquer alteração num elemento
do sistema Terra afeta todos os restantes subsistemas.

GEOLOGIA 7
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

2. Litosfera (rochas)
As rochas são unidades estruturais da crosta e do manto terrestres
constituídas por minerais, podendo ser divididas em três categorias
dependendo do seu ambiente de formação:
Magmáticas Sedimentares Metamórficas
Rochas resultantes Formadas pela Resultantes da
da solidificação de deposição de transformação da
magma, em sedimentos originais textura e composição
profundidade ou à de outras rochas mineralógica de
superfície. preexistentes. outras rochas.
2.1. Rochas Sedimentares
2.1.1. Tipos de Sedimentos
Sedimentos Sedimentos de Sedimentos
detríticos (clastos) origem química biogénicos
Provenientes da Substâncias Restos de seres
alteração de outras dissolvidas na água vivos, como conchas,
rochas. que precipitam. ossos, pólen, etc.

Rochas Rochas Rochas


sedimentares sedimentares de sedimentares de
detríticas origem química origem biológica

2.1.2. Sedimentogénese
A sedimentogénese corresponde ao conjunto de processos que
intervêm desde a elaboração dos materiais até à sua deposição, através da
meteorização, erosão, transporte e deposição.
Meteorização
Alteração das rochas por ação de fatores físicos e/ou químicos,
tornando-as mais vulneráveis à erosão:
Meteorização física Meteorização química
Fragmentação das rochas em Transformação dos minerais face
porções menores, aumentando a às novas condições ambientais:
área de superfície exposta e Dissolução: desaparecimento
mantendo as características do dos minerais pela reação com
mineral original, através de: água ou ácido;

GEOLOGIA 8
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

Crioclastia (congelação de Hidratação: formação de


água nos poros); novos minerais através da sua
Bioclastia; dilatação.
Descompressão à superfície Hidrólise: Substituição de
(expansão); catiões dos minerais por iões
Ação mecânica da água e do de hidrogénio, podendo
vento; originar ou desintegrar
Termoclastia (dilatações e minerais.
contrações térmicas); Oxidação: Criação de minerais
Haloclastia (crescimento de pelo ganho ou perda de
minerais nos poros). eletrões.
Erosão
Remoção dos materiais resultantes da meteorização, através da água, do
vento e da gravidade.
Transporte
Os sedimentos sofrem arredondamento e granotriagem
(divisão de detritos por tamanho).
Deposição/ sedimentação
Ocorre geralmente em estratos horizontais.

2.1.3. Diagénese
A diagénese trata-se do conjunto de processos físico-químicos que
transformam sedimentos soltos em rochas consolidadas:
Compactação Cimentação
Compressão dos sedimentos e Preenchimento dos espaços entre
consequente expulsão de água, sedimentos por minerais resultantes
diminuindo o seu volume. da precipitação de substâncias.
2.2. Rochas Magmáticas
Rochas Plutónicas Rochas Vulcânicas
(intrusivas) (extrusivas)
Magma consolidado em Magma consolidado à superfície
profundidade, sofrendo um que sofreu um arrefecimento
arrefecimento gradual e uma brusco e uma consequente
cristalização lenta, originando cristalização rápida, dando origem
cristais de grandes dimensões. a cristais menores.
Exemplo: Granito. Exemplo: Basalto.

GEOLOGIA 9
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

2.3. Rochas Metamórficas


Resultam da transformação de rochas preexistentes, levando à
recristalização de minerais e ao seu rearranjo em texturas, sem ocorrer fusão.
Metamorfismo regional Metamorfismo de contacto
Ação principal da pressão, Destaca-se a ação do calor,
levando a rochas com textura originando rochas com textura
foliada (ex.: xisto, gnaisse). granoblástica (ex.: calcário).
2.4. Ciclo das Rochas
Os diferentes tipos de rochas são todos constituídos pela mesma
matéria, embora adaptada a diferentes condições ambientais.
3. Fósseis e História da Terra
Em 1664, Usseher Em 1785, James Em 1904,
afirmou que o mundo Hutton, afirmou que a Rutherford sugeriu o
foi criado a 4004 a C., Terra está em constante cálculo da idade das
com base em dados transformação a nível rochas baseado na sua
religiosos. geológico. alteração radioativa.
Os fósseis têm um papel essencial na história da Terra dado que:
Documentam a origem e evolução da vida;
São a prova da evolução e extinção das espécies;
Fornecem indicações sobre a distribuição dos oceanos e continentes ao
longo do tempo.
Somatofósseis Icnofósseis
Fósseis de partes do corpo dos Fósseis de vestígios da atividade
seres vivos (ex.: dentes, ossos). dos seres vivos (ex.: ovos, pegadas).
Os Somatofósseis podem sofrer fossilização por:
Mineralização Mumificação Moldagem
Substituição da Conservação de Gravação dos seres
matéria orgânica por organismos, através de vivos em rochas.
matéria mineral. resinas.
A fossilização requer condições específicas como:
Soterramento rápido, impedindo a destruição do corpo, e a baixa
temperatura, dificultando a decomposição;
Soterramento por sedimentos finos, protegendo-o de predadores e da
decomposição pelo oxigénio;
Existência de partes duras no organismo.

GEOLOGIA 10
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

3.1. Fósseis de fácies 3.2. Fósseis de idade


Permitem estudar o ambiente Eram abundantes na superfície
passado, sendo usados na terrestre, embora tenham vivido
reconstituição de paleoambientes. por curtos períodos (baixa
Viveram por longos períodos, distribuição estratigráfica), sendo
embora em ambientes restritos. úteis na datação relativa.

3.3. Datação relativa


A datação relativa corresponde a uma comparação de idades, sendo
obtida através de fósseis de idade e da análise da posição das rochas, tendo
em conta princípios como:
Princípio da horizontalidade;
Princípio da sobreposição: as rochas acima são mais jovens;
Princípio da Interseção: a rocha que interseta é a mais recente;
Princípio da Inclusão: a rocha incorporada é mais antiga;
Princípio da Continuidade: um estrato contínuo tem a mesma
idade em todos os pontos;
Princípio da Identidade Paleontológica: estratos com o mesmo
conteúdo fóssil, apresentam a mesma idade.
Uma discordância estratigráfica é uma superfície vítima de erosão,
sendo que abaixo dela pode existir qualquer tipo de rocha, mas acima só
podem existir rochas sedimentares.
3.4. Datação absoluta/ radiométrica
Já a datação absoluta/ radiométrica determina a idade exata das
rochas, baseando-se na desintegração contínua de radioisótopos.
Conhecendo a velocidade de desintegração dos isótopos e a
quantidade de isótopo-pai que já se desintegrou dando origem a isótopo-
filho, é possível determinar a idade das rochas.
3.4.1. Semivida
Uma semivida corresponde ao tempo necessário para que se
desintegre metade do número dos átomos iniciais.
Exemplo: 50% isótopo pai – 1 semivida
75% isótopo pai – 2 semividas
87,5% isótopo pai – 3 semividas

GEOLOGIA 11
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

4. Tempo Geológico
O conhecimento dos primeiros anos da Terra é escasso, visto que havia
seres sem partes duras, dificultando a fossilização, e os vestígios foram
apagados, deixando apenas os dos últimos 250 Ma.
4.1. Escala geocronológica
O tempo geológico está dividido em Eras,
subdividindo-se em Períodos, sendo que as suas divisões
são definidas por mudanças significativas no mundo vegetal
e animal.
Era Cenozoica: diversificação dos mamíferos;
aparecimento dos primeiros hominídeos.
Era Mesozoica: desenvolvimento e extinção dos
dinossauros; aparecimento de plantas com flor.
Era Paleozoica: diversificação da vida; primeiras plantas
e animais terrestres.
Pré-Câmbrico: longo intervalo de tempo anterior sobre
o qual há muito menos informação.

4.2. Bioestratigrafia
Estuda as sucessões fossilíferas existentes nas rochas e a sua correlação
espacial, pela datação relativa dos fósseis de idade.
Estratos de diferentes localizações, com a mesma fauna/
flora são correlacionais em tempo geológico.
5. Terra, um planeta em mudança
5.1. Catastrofismo 5.2. Uniformitarismo
Segundo Cuvier, as grandes Segundo Hutton, as alterações
alterações ocorridas à superfície da resultam de processos naturais,
Terra não eram cíclicas, mas sim cíclicos e graduais - gradualismo.
pontuais, estando associadas à Sendo que o passado é explicado
intervenção divina. pelo presente - atualismo.
5.3. Neocatastrofismo
O Neocatastrofismo trata-se da teoria atual que aceita os princípios do
Uniformitarismo, mas admite também a existência de catástrofes como
importantes agentes modeladores da vida e da geodinâmica interna.
Assim, defende o princípio do gradualismo e do atualismo, mas
também dita que catástrofes provocam alterações na Terra.

GEOLOGIA 12
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

6. Mobilismo Geológico
6.1. Deriva Continental de Wegener
A Deriva Continental de Wegener defende que os
continentes teriam estado unidos num único supercontinente - a
Pangeia, rodeado por um enorme oceano - a Pantalassa.
Wegener baseou-se em vários aspetos como:
O encaixe da forma dos continentes;
A continuidade de formações rochosas e cadeias montanhosas,
quando juntados os continentes;
A distribuição dos fósseis nos continentes encaixados;
A continuidade de vestígios de climas antigos.
Esta teoria foi criticada por décadas pela falta de explicação do
movimento dos continentes, no entanto, foi retomada aquando o início da
exploração dos oceanos.
6.2. Fundos oceânicos
Os fundos oceânicos são constituídos por
estruturas como:
Dorsal (D): montanha submarina;
Rifte (R): abertura profunda no centro da dorsal, por onde é
expelido material rochoso em fusão;
Fossa oceânica (FO): quebra profunda no fundo oceânico;
Plataforma continental (PC): continente submerso;
Talude continental (TC): passagem para o fundo marinho;
Planície abissal (PA): região plana nos lados da dorsal.
6.2.1. Expansão dos fundos oceânicos
As rochas são formadas nos riftes, empurradas para longe pelas novas
rochas ao longo de milhares de anos, acabando por ser destruídas nas
fossas oceânicas.

Quanto mais próxima do rifte, mais recente será a rocha.

6.2.2. Movimentos de convecção das rochas


O calor interno da Terra provoca correntes de
convecção, arrastando consigo a litosfera, que acaba
por partir em pedaços - as placas litosféricas.

GEOLOGIA 13
GEOLOGIA E OS SEUS MÉTODOS

6.3. Teoria da tectónica de placas


As placas litosféricas, movidas pelas correntes de convecção, são
delimitadas por riftes e fossas chamados os limites de placas.
6.3.1. Limites Convergentes ( )
Colisão de duas placas através de forças compressivas.
Duas Placas Continental e Duas placas
Oceânicas Oceânica continentais
Uma das placas A placa oceânica Por serem pouco
sofre subducção, subducta por ser mais densas, não subductam
formando uma fossa densa, espessando o e a sua colisão dá
oceânica que pode continente onde se origem a montanhas e
originar ilhas na placa formam vulcões e ao espessamento da
contrária. montanhas. litosfera.
6.3.2. Limites Divergentes ( )
Afastamento das placas por ação de forças distensivas, a partir de
riftes, formando nova litosfera.
A crosta começa a ficar mais fina, originando riftes por onde é
derramada a lava, que ao solidificar forma a litosfera oceânica. Aí é
acumulada água, formando um novo oceano.
A Terra acaba por não aumentar de tamanho visto que à medida que
a litosfera se afasta da dorsal, vai-se aproximando de uma fossa oceânica,
onde acaba por subductar.
6.3.2. Limites Conservativos ( )
As placas são sujeitas a forças de cisalhamento, deslizando
lateralmente numa falha e conservando assim a litosfera.

6.4. Consequências do mobilismo das placas


6.4.1. Dobras 6.4.2. Falhas
Efeito de uma deformação Efeito de uma deformação
dúctil, não ocorre rutura do frágil, quando as forças
material, podendo resultar de ultrapassam a resistência dos
forças de compressão, distensão materiais, levando à sua rutura e
ou cisalhamento. deslocação dos blocos.

GEOLOGIA 14
A TERRA, UM PLANETA MUITO ESPECIAL

1. Sistema Solar
1.1. Origem
Segundo Buffon, os planetas do sistema solar teriam sido formados por
uma catástrofe – a colisão de um cometa com o Sol.
Já Chamberlain e Moulton achavam que uma estrela teria passado junto
ao Sol, arrancando uma parte que veio a formar os planetas.
Kant defendeu a condensação de uma nébula gasosa primitiva
giratória. Mais tarde, Laplace acrescentou que esta teria arrefecido,
aumentando a velocidade de rotação e formando o proto-sol, por onde se ia
soltando a matéria que deu origem aos planetas.
1.1.1. Teoria Nebular Reformulada
Baseada na teoria de Kant e Laplace, a Teoria Nebular Reformulada
defende que o sistema solar se formou a partir de uma nebulosa
constituída por hidrogénio e hélio que teria contraído e colapsado.
Devido à gravidade, esta teria entrado em rotação, formando um disco
achatado, com o proto-sol no centro. Gradualmente, deu-se o
arrefecimento a partir da periferia, levando à zonação da matéria de
acordo com a sua distância ao Sol. A matéria condensada em corpos
dispersos foi atraindo partículas, ficando cada vez maiores – Planetesimais.
A sua colisão, união e aumento levou a Protoplanetas.
1.2. Planetas Clássicos
Os planetas clássicos são aqueles com massa suficiente para que a
própria gravidade os torne esféricos, tendo atraído corpos celestes como
satélites naturais, que descrevem translações em torno deles.
Estes apresentam movimento de translação, em torno do Sol e de
rotação em torno de si mesmos.
Em relação à cintura de asteroides podem ser divididos em:
Planetas Interiores Planetas Exteriores
Mercúrio, Vénus, Terra e Júpiter, Saturno, Úrano e
Marte. Neptuno.
1.2.1. Geologia Planetária
Através da análise, cartografia, e cronologia relativa dos planetas,
podemos definir três tipos de estruturas:
Endógenas Exogénas Exóticas
Interior do planeta. Exterior do planeta. Exterior ao planeta.

GEOLOGIA 15
A TERRA, UM PLANETA MUITO ESPECIAL

1.2.2. Planetas Telúricos


Tal como a Terra, são planetas rochosos e densos formados por
silicatos e ferro, com atmosferas pouco densas.
Estes resultaram da aglutinação de planetesimais, que ao colidirem
e unirem dão origem a protoplanetas – acreção.
O material que os constitui acaba por fundir devido ao calor e à
radioatividade e, posteriormente, sofre diferenciação, o que leva ao
arrefecimento da superfície e formação da crusta.
Por fim, dá-se a desgaseificação, ou seja, a libertação de gases, graças
ao vulcanismo intenso, formando a atmosfera.
Os planetas telúricos podem ser geologicamente ativos, quando
apresentam dinâmica interna e/ou externa (Terra e Vénus) ou inativos,
quando o contrário (Mercúrio e Marte).

1.2.3. Planetas Gasosos/ Gigantes


Idênticos ao Sol, apresentam grandes dimensões, sendo ricos em
elementos voláteis e pobres em metais e silicatos.

1.3. Planetas Anões


Têm massa suficiente para que a própria gravidade os torne esféricos, no
entanto não atraem corpos à volta da sua órbita.

1.4. Pequenos Corpos


Incluem os asteroides, cometas e os corpos da cintura de Kuiper, que
poderá ter dado origem a Plutão e Éris.

1.4.1. Asteroides
Corpos de pequenas dimensões, podendo ter órbitas excêntricas ou
definidas. Estes podem ser restos da destruição de um planeta ou matéria
que nunca se uniu.
Os asteroides fornecem ainda informações importantes sobre a
composição da nébula e a formação do Sistema Solar.

1.4.2. Cometas
Já os cometas são corpos de órbitas muito excêntricas, que terão
sido desviados das suas órbitas iniciais, podendo ser:
Periódicos Não periódicos
Com órbita regular. Sem órbita regular.

GEOLOGIA 16
A TERRA, UM PLANETA MUITO ESPECIAL

Estes são constituídos pelo núcleo (parte sólida), pela cabeleira


(gases), pela cauda (poeiras) e pela cabeça/ coma, sendo que vão
diminuindo de tamanho ao longo do tempo.
1.4.3. Meteoroides
Corpos vindos do espaço formados pela desagregação de cometas ou
colisão de asteroides, sendo atraídos pela gravidade terrestre e
penetrando a nossa atmosfera.
Estes dividem-se em meteoros e meteoritos.
Meteoros
Meteoroides que, devido ao atrito, aquecem e evaporam ao penetrar
a atmosfera, deixando um rasto luminoso.
Meteoritos
Meteoroides suficientemente grandes para suportar o atrito da
atmosfera, atingindo a superfície terrestre.
A maior parte tem origem na cintura de asteroides e permitem a
compreensão da Terra e a datação do Sistema Solar.
Sideritos Siderólitos Aerólitos
Provenientes do Com origem no Abundantes em
núcleo de corpos manto, são formados minerais silicatados e
celestes, são por metade de ferro e pobres em ferro,
formados por ferro e metade de minerais subdividem-se em
troilite, sendo o tipo silicatados (ex.: acondritos e
mais resistente. feldspato). condritos.
Os aerólitos acondritos têm textura homogénea, enquanto que os
condritos não são diferenciados e possuem côndrulos, dividindo-se ainda
em ordinários e carbonosos (compostos orgânicos extraterrestres).

2. Sistema Terra-Lua
Devido à sincronização entre o seu período de rotação e de translação, a
Lua mostra sempre a mesma face à Terra, sendo esta constituída por:
Continentes: Zonas acidentadas cobertos por crateras e ricas em
anortositos (mineral feldspato) que refletem luz solar, ocupando uma pequena
percentagem da face visível, mas a totalidade da oculta.
Mares: Superfícies planas, ricas em basalto, que refletem pouca luz,
destacando-se na face visível. São a estrutura mais recente, por serem resultado
do preenchimento de crateras pela atividade vulcânica.

GEOLOGIA 17
A TERRA, UM PLANETA MUITO ESPECIAL

Rególito: Cobre toda a superfície lunar, sendo uma camada de detritos não
consolidados compostos por partículas de rochas ígneas/ardentes, que resultou
de vários bombardeamentos de corpos.
A Lua conservou as características originais, visto que não possui hidrosfera
nem atmosfera para a erodir, permitindo assim supor as condições associadas
à história da Terra.

3. A Terra, um planeta a proteger


A superpopulação do planeta Terra é o problema que se tem tornado cada
vez mais alarmante, tendo tido várias consequências como:
Poluição: introdução de substâncias, calor e/ou ruído, prejudicando a
saúde humana e o ambiente, aumentando o efeito de estufa e reduzindo
a camada de ozono;
Sobre-exploração dos recursos naturais: aumento do consumo de
recursos biológicos, hídricos, minerais e energéticos pelo crescimento
populacional;
Aumento de catástrofes pela ocupação de áreas de risco: obriga o
ordenamento do território, equilibrando a divisão territorial e o interesse
populacional;
Alteração do equilíbrio ecológico global: aquecimento global,
diminuição da camada de ozono, desertificação…

3.1. Desenvolvimento Sustentável


Surgiu em 1987, é um desenvolvimento que satisfaz as necessidades
presentes sem comprometer as futuras, utilizando apenas os recursos à
medida da sua capacidade de regeneração.
Alguns dos seus princípios são:
Uso de energia renovável;
Controlo da poluição;
Reciclagem e reutilização de materiais;
Estabilização da população;
Ordenamento do território;
Gestão de resíduos;
Conservação do património geológico.

GEOLOGIA 18
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

1. Estudo do interior da Terra


1.1. Métodos diretos
Obtêm informação recorrendo à observação e análise de materiais
recolhidos e à medição de parâmetros nos locais alcançáveis pelo Homem.
Superfície visível milhões de anos, informando sobre
Permite o conhecimento das o tipo de rocha, a sua composição,
rochas afloradas pela análise de temperatura, tipos de gases e a
cortes de estradas e túneis sendo água no interior da Terra.
limitado pois apenas analisa a Contudo, são extremamente
superfície terrestre. dispendiosas e os materiais
Jazigos minerais (minas e escavações) resistentes às condições de
temperaturas e pressão são
Fornece dados até
escassos.
profundidades entre 3 a 4km,
embora esse alcance seja reduzido. Magmas e xenólitos
Dão a conhecer a composição do
Sondagens
manto e as suas condições, embora
Perfurações que permitem retirar não infiram sobre a textura da rocha
carotes (colunas de rochas) com fundida.

1.2. Métodos indiretos


1.2.1. Planetologia e astrogeologia
Através do estudo de meteoritos, cometas e outros corpos do sistema
solar, permite a reconstrução da estrutura do interior da Terra:
Aplicando leis da física foi determinada a massa da Terra;
Através de satélites, calculou-se o volume e o diâmetro da Terra;
A partir dos dados anteriores, foi possível saber a sua densidade.
1.2.2. Gravimetria
Todos os corpos à superfície da Terra, são atraídos para o centro da
Terra, pela força gravítica, podendo esta ser medida por gravímetros.
Quando os valores medidos são diferentes do suposto, estamos
perante uma anomalia gravimétrica, sendo positiva quando é superior ao
esperado, ou negativa quando o contrário. Estas anomalias devem-se à
diferença de densidade dos materiais no interior da Terra.

Quanto mais profundos mais densos serão os materiais, pois estão


sujeitos à pressão litostática no interior da Terra, acabando por comprimir.

GEOLOGIA 19
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

1.2.3. Geomagnetismo
A Terra possui um campo magnético, que terá derivado de correntes
de convecção elétricas geradas no núcleo externo, que se encontra no
estado líquido.
Durante o seu arrefecimento, certas rochas, ricas em minerais
ferromagnéticos, sofrem magnetização quando a temperatura é inferior
ao ponto de Curie, norteando os minerais segundo o campo magnético.
Através do estudo dos fundos oceânicos, sabemos que o campo
magnético terrestre experimentou diversas inversões.
Quando o Polo Norte magnético Quando este está próximo do
está próximo do Norte geográfico Polo Sul geográfico, dizemos ser
trata-se de uma anomalia uma anomalia negativa/
positiva/ polaridade normal. polaridade inversa.
No fundo oceânico, faixas com anomalias alternadas correspondem a
idades diferentes, sendo que as polaridades são sempre simétricas.
O campo magnético desempenha outro papel fundamental como
escudo de radiações ionizantes de ventos solares, nocivas aos seres vivos.
O geomagnetismo tem uma importância acrescida visto que a
existência do campo magnético infere sobre a composição e as
características físicas do núcleo terrestre, para além de várias informações
sobre o passado da Terra.
1.2.4. Sismologia
A composição interna da Terra é heterogénea, sendo que as
propriedades físicas dos seus materiais são diferentes, levando a uma
velocidade das ondas sísmicas irregular e ainda a desvios das mesmas.
1.2.5. Geotermismo
Devido à desintegração de elementos radioativos e ao calor resultante
da sua formação, a Terra apresenta-se quente no interior.

O gradiente geotérmico Já o grau geotérmico (m/ºC )


(ºC/km) corresponde ao aumento é a profundidade necessária para
da temperatura por km, um aumento da temperatura de
diminuindo com a profundidade. 1ºC.
O fluxo térmico é a quantidade de calor libertada para a superfície.
Quando assistimos a um aumento do gradiente geotérmico,
observamos uma diminuição do grau e um aumento do fluxo.

GEOLOGIA 20
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

2. Vulcanismo
A vulcanologia estuda os fenómenos vulcânicos, sendo fundamental para
a compreensão da dinâmica da litosfera e da composição da Terra.
Um vulcão corresponde a uma abertura natural que conecta a superfície
terrestre com o magma, um material de origem rochosa fundido formado por:
fase líquida (silicatos fundidos); fase gasosa (diversos gases) e fase sólida
(minerais cristalizados ou não fundidos).
Aquando a ascensão do magma para a superfície, dá-se a perda de gases,
passando a designar-se de lava.
2.1. Vulcanismo principal ou eruptivo
É caracterizado pela ocorrência de erupções vulcânicas, onde são
emitidos materiais sólidos, líquidos e gasosos pelo aparelho vulcânico.
2.1.1. Vulcanismo central
Vulcão de forma cónica, constituído por uma
chaminé cilíndrica e cratera circular, podendo
possuir um cone, chaminé e cratera secundários.
Um aumento de pressão na câmara magmática
pode provocar a fratura do seu teto, levando a uma
descompressão do magma cujos gases se tornam menos dissolvidos,
favorecendo a ascensão e forçando o magma a subir através das fendas.
Quando a atividade vulcânica é extinta, é frequente a formação de
caldeiras, resultantes do esvaziamento da câmara magmática o que leva
ao abatimento do centro do vulcão, acabando por acumular água.
2.1.2. Vulcanismo fissural
Ocorre ao longo de fraturas da superfície terrestre, nomeadamente
nos riftes, não possuindo chaminé cilíndrica nem cratera circular. Este
forma extensos planaltos continentais ou fundos oceânicos.

2.1.3. Composição do magma


Quanto mais rico em gases, mais viscoso será o magma, enquanto que
quanto maior a temperatura, mais fluído é o magma. E quanto mais rico
em sílica mais viscoso é, existindo assim três tipos de magma:
Magma básico/ basáltico Magma ácido/ riolítico
Pobre em sílica (<50%) e gases, Rico em sílica (>70%) e gases,
temp. alta, sendo muito fluído. temp. baixa. Logo, é muito viscoso.
Magma intermédio/ andesítico: intermédio em todos os aspetos.

Geologia 21
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

O aumento da concentração de sílica no magma implica a redução de


minerais ferromagnéticos e, por isso, a diminuição da sua densidade.

2.1.4. Erupções vulcânicas


Durante as erupções vulcânicas podem ser libertados, para além da
lava e de gases, dois tipos de piroclastos/ tefra:
▪ Piroclastos de queda: resultantes do arrefecimento da lava no
ar, dividindo-se em cinzas, lapilis ou bombas.
▪ Piroclastos de fluxo: quando se encontram envolvidos nos
gases, podendo ser pedra-pomes ou ejetólitos.
Os piroclastos de fluxo, misturados com gases sobreaquecidos,
podem ainda constituir nuvens ardentes.
Magma básico Magma intermédio e ácido

Erupção efusiva Erupção explosiva


Dada a elevada fluidez do Erupções muito violentas
magma, as lavas deslocam-se devido à acumulação de gases,
rapidamente formando elevada viscosidade do magma e
escoadas/ correntes que podem emissões de piroclastos,
percorrer enormes distâncias. formando ainda nuvens ardentes.
Pode ainda dar-se uma erupção mista, quando tanto se formam
escoadas (efusiva) como se dão explosões violentas (explosiva).
A lava básica, sendo fluída, pode depositar-se, formando três tipos:
Lava encordoada Lava aa Lava em almofada
Superfície lisa, Superfície enrugada Arrefecida na água,
aparecendo dobras. saliências pontiagudas. tendo forma redonda.
Já a lava ácida, sendo viscosa, movimenta-se lentamente,
solidificando no interior da cratera, podendo formar:
Agulha vulcânica Cúpula/ Doma Nuvem ardente
Solidificação de Solidificação na Cinzas e gases
lava na chaminé, abertura vulcânica, incandescentes, alta-
formando uma rolha. obstruindo a cratera. mente destrutivos.

2.2. Vulcanismo secundário ou residual


O vulcanismo residual consiste na manifestação da atividade vulcânica
através da libertação de gases e/ou água a temperaturas elevadas.

Geologia 22
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

Águas magmáticas/ juvenis Fontes ou nascentes termais


Formadas pelo arrefecimento e Mistura de água, vapor de água
condensação do vapor de água e CO2 a elevadas temperaturas
libertado do magma, contêm sais resultante da infiltração da água no
minerais, sendo utilizadas para subsolo onde é aquecida por
fins terapêutico. bolsas magmáticas.
Fumarolas Géiseres
Ascensão de águas pluviais Emissões intermitentes de água
sobreaquecidas sem que haja e vapor, resultantes da ascensão
mistura com águas frias. Estas de águas para reservatórios
começam a ferver devido à subterrâneos que, com o aumento
diminuição de pressão à da temperatura, entram em
superfície, apresentando-se na ebulição. O calor leva ao aumento
forma de vários compostos da pressão e favorece a subida das
gasosos, dividindo-se em: águas, onde diminui a pressão e
Sulfataras: predomina enxofre; aumenta a produção de vapor,
Mofetas: predomínio de CO2. causando uma erupção violenta.

2.3. Vulcões e Tectónica de placas


Os principais fenómenos vulcânicos estão associados a limites de placas
tectónicas, coincidindo com uma intensa atividade sísmica.
2.3.1. Vulcanismo interplaca
Vulcanismo de subducção Vulcanismo de vale de rifte
Regiões de convergência de Fissuras na crosta pelo
placas (O-O ou C-O), onde se afastamento de placas tectónicas
verifica a subducção de uma (O-O ou C-C) por onde o material
sobre a outra, gerando condições ascende à superfície, produzindo
de temperatura e pressão que enormes quantidades de magma
levam à fusão da placa em basáltico que acaba por formar os
subducção, formando assim fundos oceânicos. Estas podem
câmaras magmáticas pouco originar ainda ilhas vulcânicas,
profundas. Estas dão origem a sendo caracterizadas pela sua
vulcões de natureza explosiva. natureza efusiva/mista.

2.3.2. Vulcanismo intraplaca


Caracterizado por erupções não explosivas (efusivas/ mistas), dado
que os magmas se formam em zonas mais profundas.

Geologia 23
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

Nestes casos, o magma ascende por colunas profundas, as plumas


térmicas, sobreaquecendo zonas debaixo da litosfera, os hot spots,
sobre as quais as placas se deslocam,
originando vulcões alinhados.
2.4. Riscos Vulcânicos
O vulcanismo pode levar a diversas catástrofes como a perda de vidas e
vários danos, por isso é essencial uma constante vigilância, detetando…
Deformações do cone vulcânico, através de clinómetros;
Variações do campo magnético, através de magnetómetros;
Sismos, através de uma rede de sismógrafos;
Variações da temperatura do solo, fumarolas, fontes termais, etc.
Através do levantamento da história eruptiva dos vulcões e da
interpretação dos dados obtidos pela vigilância é possível prever um
fenómeno para depois passar à prevenção através da elaboração de mapas
de níveis de risco e preparação da população com simulacros.
2.5. Vulcanismo - Fonte de recursos naturais
A vulcanologia fornece diversos dados importantes sobre a constituição
e características do interior da Terra, condições e evolução da superfície
terrestre e ainda casos de extinções em massa passados.
Os fenómenos vulcânicos proporcionam também solos muito férteis, a
exploração de produtos mineiros, interesse turístico e energia geotérmica.

3. Sismologia
A sismologia é a ciência que estuda os fenómenos sísmicos, enquanto
resultado da dinâmica do interior da Terra.
Os sismos correspondem a movimentos vibratórios na superfície terrestre,
originados pela libertação brusca de energia, dividindo-se em macrossismos
(sentidos pela população) e microssismos (impercetíveis).
Normalmente, estes não ocorrem isolados, subdivindo-se em:
Abalos premonitórios Abalo principal Réplicas
Antecedem um sismo Sismo mais violento Sismos calmos após o
mais violento. sentido. abalo principal.
3.1. Causas Artificiais
Associados à atividade humana, podem ser originados por explosões
artificiais, enchimento de barragens ou até por colapso de zonas mineiras.

Geologia 24
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

3.2. Causas Naturais


3.2.1. Sismos vulcânicos
Resultado de movimentos bruscos do magma ou da sua deslocação
ascensional até à superfície.
3.2.2. Sismos de colapso/ implosão
São originados por colapso de estruturas geológicas, como grutas, ou
por movimentos de massa.
3.2.3. Sismos tectónicos – Teoria do ressalto elástico
As forças tectónicas criam estados de tensão que se acumula nas
rochas e as vai deformando (comportamento elástico).
Quando atingem o seu limite de elasticidade formam
uma falha, acompanhada pelo movimento dos blocos.

Esta deslocação repentina liberta energia propagada através de


ondas sísmicas que, ao atingirem a superfície terrestre, transferem parte
da sua energia aos materiais que aí se encontram, fazendo-os vibrar.
Uma falha diz-se ativa se o efeito das tensões continuar ou se a tensão
tectónica voltar a ultrapassar o atrito, levando a um novo sismo.
Num sismo tectónico, a rotura que produz um abalo não é exata e
corresponde a uma zona, embora pareça que a energia é libertada a partir
de uma origem pontual.
3.3. Ondas sísmicas
A energia é libertada numa zona no interior da Terra, o foco ou
hipocentro, e o sismo é sentido, em primeiro lugar, e com maior intensidade
no epicentro, o ponto da superfície vertical ao hipocentro.
Tendo em conta a profundidade do foco, o sismo pode ser classificado
como superficial (<70km), intermédio (70-300km) ou profundo (>300km).
As ondas sísmicas correspondem à energia emitida a partir do
hipocentro que se propaga em todas as direções e sentidos.
Caso a composição do meio fosse homogénea, a energia expandir-se-ia
como uma esfera. Estas possuem frentes de onda, ou seja, superfícies
esféricas definidas pelo conjunto de pontos na mesma fase do movimento e
um raio sísmico, perpendicular à frente da onda.
Dado que a Terra possui uma composição heterogénea, o
trajeto das ondas é curvilíneo e não esférico.

Geologia 25
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

Assim, a velocidade de propagação das ondas depende das


propriedades físicas das rochas que atravessam:
Rigidez Densidade Incompressibilidade
Propriedade que Concentração de Resistência à variação
confere à matéria uma matéria num dado do volume em função
forma definida. volume. da pressão.

Assim, quanto maior é a rigidez, maior é a velocidade e quanto maior for


a densidade, menor a velocidade das ondas.

3.3.1. Ondas de Volume


São ondas transmitidas no interior da Terra que, ao atingirem a
superfície se convertem em ondas superficiais.
Ondas P (longitudinais) Ondas S (transversais)
Comprimem e Deformam a matéria,
distendem a matéria, sem alterar o volume, pelo
sendo que as partículas do que as partículas vibram
material vibram na mesma perpendicularmente à
direção da propagação da direção de propagação da
onda. onda.
Estas são as mais velozes, Propagam-se apenas em
propagando-se em qualquer sólidos, sendo mais destruidoras
meio. que as ondas P.
3.3.2. Ondas Superficiais / Longas (L)
Ondas propagadas à superfície de velocidades inferiores às S e P,
caracterizadas por vibrações mais acentuadas, sendo mais destrutivas.
Ondas de Rayleigh Ondas de Love
Agitam o solo numa Agitam a superfície,
trajetória elíptica, horizontalmente, da direita
propagando-se em sólidos e para a esquerda, segundo
líquidos. Estas são lentas, movimentos de torção,
mas as mais destrutivas sendo também lentas.

3.4. Deteção e registo de sismos


Os movimentos do solo provocados pelas ondas sísmicas são registados
num sismograma, através de sismógrafos, sendo uma estação sismográfica
composta por 3 sismógrafos, um com registo vertical e dois horizontais,
orientados perpendicularmente.

Geologia 26
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

3.4.1. Determinação do epicentro


Dado que as ondas se propagam a diferentes velocidades, o seu
registo nos sismogramas não é simultâneo a nível mundial.
A distância epicentral, expressa em quilómetros, corresponde à
distância entre uma estação sísmica e o epicentro de um sismo.
Em sismos artificiais, conhecendo a distância exata entre cada estação
e um dado local, calcula-se o tempo entre a explosão e o início do seu
registo, obtendo a velocidade das ondas para cada estação.
Delimitando uma circunferência de raio igual à distância epicentral
para cada estação, a interceção destas indica o epicentro. Quando o foco
é profundo, estas não se intersetam e apenas evidencia uma zona.
3.5. Intensidade Sísmica
A intensidade de um sismo é um parâmetro qualitativo que avalia os
efeitos sentidos à superfície num dado local, recorrendo à escala de Mercalli
Modificada ou à Macrossísmica Europeia.
Esta é uma escala fechada (I – XII), expressa em numeração romana, que
permite a elaboração de uma Carta de Isossistas, pelo que as isossistas
correspondem a linhas curvas com a mesma intensidade. Estas apresentam
formas irregulares, dada a propagação heterogénea.
3.6. Magnitude Sísmica
A magnitude representa a ordem de grandeza da energia libertada no
foco, calculada com base nos sismogramas e expressa pela Escala de
Richter, em numeração árabe, sendo quantitativa, aberta e objetiva.

3.7. Sismos e Tectónica de placas


Os sismos coincidem, geralmente, com o limite de placas tectónicas
devido à sua instabilidade, sendo o limite convergente o mais propício.
Sismos interplaca Sismos intraplaca
Ocorrem nas zonas de fronteira Interior das placas, como
de placas tectónicas. consequência de falhas ativas.
Quanto mais profundo é o material, menos favorável é para a ocorrência
de sismos, visto que o aumento da profundidade o torna mais dúctil,
atingindo o seu limite de elasticidade mais tardiamente.
Caso o epicentro de um sismo pouco profundo se situe no oceano, este
pode dar origem a um tsunami, com a compressão da água, a subida do nível
do mar no local e a descida do mesmo junto à costa.

Geologia 27
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

3.8. Minimização de riscos sísmicos


O risco sísmico mede os danos prováveis de sismos futuros e a
probabilidade de os mesmos ocorrerem para dado período de exposição.
Segundo a carta das isossistas máximas atual o risco sísmico em
Portugal continental é elevado, especialmente no litoral. Através da
distribuição da sismicidade, podemos elaborar uma carta de perigosidade
sísmica, conveniente para a prevenção destes fenómenos.
Outras medidas de prevenção são:
Estudo do comportamento de estruturas sismogénicas;
Promoção de técnicas de construção resistentes a sismos;
Educação e treino das populações.
O grau de destruição de um sismo está ainda dependente das
características do solo e do grau de resistência sísmica das construções.
Atualmente, ainda não é possível a previsão de um sismo. No entanto,
existem possíveis evidências como fraturas no interior de rochas, variação do
nível de água e anomalias no comportamento dos animais.
3.9. Descontinuidades internas
Ao transitarem para um meio com características físicas
diferentes, as ondas sísmicas sofrem reflexão e refração,
gerando duas novas ondas, sendo essa mudança de meio
designada por descontinuidade.
Onda direta Onda refletida Onda refratada
Onda original, Onda iniciada na Onda transmitida
emitida no foco. descontinuidade. para o segundo meio.

Gutenberg defendeu que para cada sismo existe uma área onde é
impossível registar ondas diretas - zona de sombra sísmica - devido a um
obstáculo que altera a propagação das ondas - o núcleo terrestre. Assim,
entre o manto e o núcleo, encontra-se a Descontinuidade de Gutenberg.
Através da análise de sismogramas, Lehmann descobriu que as ondas P
atravessam algo rígido a 5150km – o núcleo interno, pois a sua velocidade de
propagação aumenta. Logo, na fronteira entre o núcleo externo e o núcleo
interno situa-se a Descontinuidade de Lehmann.
Mohorovicic propôs uma descontinuidade que separa a crusta, onde as
ondas se deslocam com menor velocidade, do manto, onde a velocidade das
ondas é maior – Descontinuidade de Mohorovicic.

Geologia 28
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

Repetti descobriu ainda que aos 660 km de profundidade, ocorre uma


variação brusca na velocidade das ondas sísmicas, concluindo que o manto
superior é menos rígido que o inferior – Descontinuidade de Repetti.

3.9.1. Manto
Sabe-se que entre os 100 e os 200km a velocidade das ondas sísmicas
baixa bruscamente, o que leva a concluir que existe uma zona de baixa
velocidade - astenosfera, onde a temperatura se aproxima do ponto de
fusão do material, aumentando a sua plasticidade.

4. Estrutura interna da Geosfera


Tal como referido, o conhecimento da propagação das ondas em
diferentes meios e a análise de sismogramas permitiram a criação de um
modelo da estrutura interna da geosfera.
Pressão Temperatura
Altera a estrutura dos minerais, Quando conjugada com a pressão,
tornando-os mais densos e fazendo proporciona a fusão parcial ou total
subir o seu ponto de fusão. dos materiais.
Densidade Ondas Sísmicas
Aumenta com a profundidade, A sua velocidade é condicionada
sendo o núcleo bastante denso, ao pela rigidez e densidade dos
contrário da crosta - pouco densa. materiais.
Como já foi visto, outro dado que também contribuiu para o conhecimento
do interior da Terra é a composição dos meteoritos provenientes de corpos
diferenciados coincidentes com as zonas estruturais da Terra.
4.1. Modelo Geoquímico
Baseado na composição química das camadas, o modelo
geoquímico divide a Terra em três unidades concêntricas, de
propriedades químicas e densidades diferentes, separados
por descontinuidades.

Crusta
Continental Oceânica
Rocha granítica, rica em silício Rocha basáltica, rica em
basalto
e alumínio (SiAl - superfícial). silício e magnésio (SiMg – Cima).

Manto (superior + inferior) Núcleo (externo + interno)


Rocha peridotítica, muito densa e Rocha metálica, ultra densa e rica
rica em ferro e magnésio (FeMg). em níquel e ferro (NiFe).

Geologia 29
ESTRUTURA E DINÂMICA INTERNA DA TERRA

4.2. Modelo Geofísico


Divide a Terra em quatro camadas concêntricas, em
função das suas características físicas, como a rigidez.

Litosfera Astenosfera
Dividida em continental e Materiais sólidos,
oceânica, possui materiais sólidos e menos rígidos e plásticos,
rígidos, englobando a crusta e parte correspondendo a parte do manto
do manto superior. superior.
Mesosfera Endosfera
Materiais sólidos e rígidos, Endosfera externa: material
correspondendo ao restante manto líquido – núcleo externo.
(parte do manto superior + manto Endosfera interna: material
inferior). sólido e rígido – núcleo interno.
A astenosfera, sendo plástica e deformável, corresponde a uma zona de
baixa velocidade, característica pela fusão parcial do peridotito.

4.3. Camada D”
A camada D” é considerada uma zona muito ativa com espessura
variável, localizada entre o manto e o núcleo externo.
Alguns cientistas consideram ser a chave para entender o dinamismo
interno do planeta, sendo a fonte das plumas térmicas e a chegada das
placas litosféricas que sofreram subducção.

Geologia 30
BIOLOGIA
10º ANO
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

1. Biosfera
A biologia consiste na ciência dedicada ao estudo da vida e dos
fenómenos relacionados, tendo por base o método científico.
O conjunto de ambientes terrestres e dos seres vivos que neles habitam
corresponde à biosfera, isto é, a zona do globo onde existe vida.
A vida encontra-se dividida em 5 reinos:
Reino Fungi Reino Animalia Reino Plantae
Reino Monera (bactérias) Reino Protista (algas)
A biodiversidade designa a variedade de espécies de seres vivos,
exprimindo-se em três níveis de integração diferentes:
Diversidade ecológica Diversidade de espécies Diversidade genética
Comunidades. Espécies. Genética

1.1. Organização biológica


Ecossistema Organismo +
+ Comunidade e meio físico e
interações entre eles. Sistema de órgãos
Conjunto de órgãos com as
Comunidade mesmas funções.
Populações coabitantes que
interagem entre si. Órgão
População Tecido
Indivíduos da mesma Conjunto de células
espécie que habitam num idênticas com a mesma
dado local. função.
Espécie Célula
Conjunto de organismos, Unidade básica estrutural e -
-
normalmente semelhantes. funcional dos seres vivos.
1.1.1. Interações bióticas
As interações bióticas, ou seja, entre seres vivos, podem ser:
Interespecíficas Simbiose (+ +): são ambos
Predação (+ -); dependentes um do outro.
Comensalismo (+ =): um ser é Competição (- -).
beneficiado, o outro indiferente. Intraespecíficas
Parasitismo (+ -): um vive à Cooperação (+ +): entreajuda
custa do outro, prejudicando-o. que pode ser dividida em
Mutualismo (+ +): ambos os sociedades (hierarquia entre
seres são beneficiados. membros) e colónias (igualdade).

Biologia 32
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

1.1.2. Interações abióticas


Consistem nas relações entre os seres vivos e os fatores do meio.
Quando a temperatura não é favorável, as plantas e animais possuem
estratégias de sobrevivência para ambos os extremos:
Calor Frio
Plantas: folhas; raízes. Plantas: folha caduca; sementes.
Animais: extremidades grandes Animais: extremidades curtas e
e pelo curto; atividade noturna; pelo espesso; camada de gordura
migração sazonal. espessa; hibernação.
Animais endotérmicos Animais ectotérmicos
Temperatura corporal constante. Temp. corporal varia com o meio.
A luz condiciona tanto as plantas (fotossíntese) como os animais:
Plantas heliófilas Plantas umbrófilas
Ambientes iluminados. Ambientes sombrios.
Animais lucífilos Animais lucífugos
Atraídos pela luz. Evitam a luz.
O fotoperíodo, ou seja, a duração do dia e da noite, influencia ainda
os seres vivos na floração, reprodução e migração, entre outros.
A água ou humidade define se o meio dos seres é aquático/ hidrófilo
ou terrestre, sendo que os animais terrestres podem ser divididos em:
Higrófilos Mesófilos Xerófilos
Meio muito húmido. Meio moderado. Meio muito seco.
Quando a água é escassa, as Já os animais podem não
plantas possuem folhas transpirar, urinar menos, recorrer à
pequenas, cobertas por espinhos estivação ou acumular água
ou adotam a forma de sementes. através de gordura.
O solo, composto por matéria orgânica e mineral, água e ar também
condiciona os seres vivos que dele dependem, como as plantas.
Por fim, o vento favorece alguns processos vitais como a dispersão de
sementes e o auxílio na polinização e migração.
1.2. Relações tróficas
Produtores Consumidores Decompositores
Transformam ma- Alimentam-se da Alimentam-se de
téria inorgânica em matéria orgânica e matéria orgânica e
matéria orgânica. transformam-na. tornam-na inorgânica.

Biologia 33
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

Uma cadeia alimentar consiste numa sequência de organismos na qual


um ser é alimento de outro, estando dividida em níveis tróficos.
A energia entra nestas cadeias através de produtores e vai sendo
utilizada pelos seres vivos, compondo o fluxo de energia.
As pirâmides ecológicas são Já as teias alimentares
diagramas que representam as sintetizam um conjunto de cadeias
transferências de energia e de que se entrecruzam, de acordo
matéria entre seres vivos. com as várias relações alimentares.
Assim, a matéria circula nos ecossistemas de forma cíclica e contínua,
transferida dos produtores para os consumidores e destes retorna ao solo,
pela ação dos decompositores.

1.3. Diversidade biológica


Os seres vivos podem ser classificados como:
Procariontes Eucariontes
Unicelulares de células simples Unicelulares ou pluricelulares de
sem núcleo organizado. células complexas.
Reino Monera. Restantes reinos.
1.4. Alterações da dinâmica dos ecossistemas
Dada a dinâmica dos sistemas, alguns fatores naturais ou antrópicos
podem causar um desequilíbrio no ecossistema, influenciando as espécies e
podendo chegar a conduzir à perda de biodiversidade.
Alguns desses fatores são o fogo, a desflorestação e a seca, que podem
levar à destruição de habitats e até mesmo à extinção de espécies.
Também as populações são dinâmicas, pelo que a abundância de uma
dada população terá um impacto na outra com a qual interage.
As intervenções antrópicas podem ser tão profundas que alteram
irreversivelmente o equilíbrio dinâmico do ecossistema, afetando tanto as
interações bióticas como as abióticas.
As espécies exóticas são consideradas aquelas que foram introduzidas
num território que não corresponde à sua origem, podendo desequilibrar os
ecossistemas, caso se tratem de espécies invasoras.
Várias intervenções antrópicas, como a destruição de habitats, a sobre-
exploração, a introdução de espécies invasoras, a poluição e as alterações
climáticas levam à extinção de espécies, sendo essencial a sua conservação,
bem como a dos seus habitats através do ordenamento do território, da
gestão adequada e criação de áreas protegidas.

Biologia 34
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

Para que gerações futuras possuam os recursos naturais necessários, é


ainda necessário adotarmos uma exploração sustentável, aplicando a regra
dos 3 Rs (reduzir, reutilizar, reciclar) e poupando.
1.4.1. Extinção de espécies
A extinção de uma espécie consiste na redução gradual do número de
indivíduos até ao seu desaparecimento, denominando-se espécie em
perigo quando a sua sobrevivência se encontra em risco.
Este é um processo normal no mundo natural devido a fatores
climáticos e geológicos. Contudo, os fatores antrópicos têm aumentado
este fenómeno a um ritmo alarmante.
Com o aumento gradual deste risco, é necessária a conservação e
preservação das espécies, protegendo não só os seres vivos, mas também
os seus habitats, até porque o ser humano depende da integridade da
biosfera para fenómenos como a regulação do ciclo da água e da
atmosfera, a polinização e até produtos como fármacos.
2. Célula
A célula apresenta uma enorme importância na complexidade dos seres
organizados, sendo esta estrutura estudada pela citologia.
Atualmente, sabe-se que a célula é a menor unidade de vida, sendo por
isso considerada a unidade básica dos seres vivos.
Esta é a unidade de reprodução e desenvolvimento dos seres vivos, tendo
origem unicamente a partir de outras células e as suas propriedades
condicionam todo o organismo que constitui.
A célula é também a unidade hereditária dos seres vivos, pelo que é através
dela que a genética transita de geração.

2.1. Desenvolvimento da teoria celular


Em 1660, Malpighi observou, pela primeira vez, os glóbulos vermelhos
do sangue, sendo considerado o precursor da embriologia e da histologia.
Já em 1663, através de observações a microscópio, Hooke descobriu
várias cavidades de ar na cortiça, as quais designou de célula.
Mais tarde, Leeuwenhoek observou microrganismos livres.
Schleiden e Schwann fundaram a Teoria Celular, onde afirmaram que
todos os tecidos animais e vegetais são formados por células, identificando-
as como unidade estrutural básica de todos os seres vivos.
Virchow provou que todas as células têm origem a partir de outras,
através do princípio da divisão celular.

Biologia 35
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

2.2. Microscópio ótico


Os microscópios óticos são
constituídos pela parte ótica (objetiva,
ocular, condensador, entre outros) e
pela parte mecânica (revólver, platina,
parafusos, base, etc.).
O valor da ampliação é calculado
pela ampliação da ocular multiplicada
pela da objetiva.
Ao ampliar uma imagem, reduz-se
a área observada, pelo que esta
aparece duplamente invertida e
simétrica, sendo virtual.
Para além do microscópio ótico, existem ainda outros métodos de
estudo da biologia celular como a citoquímica (estudo da localização
intracelular) e radioautografia (deteção de isótopos radioativos).

2.3. Material genético (ADN)


As células são bastante diversificadas a nível morfológico e funcional,
distinguindo-se em dois grandes grupos: procarióticas e eucarióticas.
Apesar das diferenças, ambas são delimitadas por uma membrana
celular/ plasmática e contêm hialoplasma, um fluido rico em ADN.
O ADN consiste numa macromolécula com a mesma constituição
química e estrutura em todas as células. No entanto, é a sua organização que
distingue os vários tipos de células.

2.4. Células procarióticas


Correspondem a células mais simples
que representam as bactérias (reino
monera). Estas não possuem membrana
nuclear, logo não têm núcleo definido, para
além da ausência de alguns organelos.
A sua informação genética está
distribuída por:
Nucleoide Plasmídeo
Com ADN linear Com ADN circular.
As bactérias podem apresentar diversas formas, incluindo cocos (forma
esférica), bacilos (bastão), espirilos e vibriões (vírgula).

Biologia 36
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

2.5. Células eucarióticas


Células de estrutura mais complexa, que terão evoluído a partir das
células procarióticas. Estas possuem núcleo organizado delimitado pela
membrana nuclear e diversos organelos membranares.
O seu ADN encontra-se no núcleo, associado a proteínas, as histomas,
organizado em cromossomas e cromatina.

2.5.1. Células eucarióticas animais


1 – Núcleo: contém o material
genético e informações importantes
para o funcionamento da célula;
2 – Retículo endoplasmático
rugoso: produção de proteínas e
transporte de substâncias, sendo
rodeado por ribossomas.
3 – Retículo endoplasmático liso: produção
de lípidos e hormonas e transporte de substâncias, sendo que não é
rodeado por ribossomas;
4 – Ribossomas: fundamentais na produção de proteínas;
5 – Lisossomas: pequenas vesículas onde ocorre a digestão intracelular;
6 – Complexo de Golgi: transformação de proteínas (secreção);
7 – Mitocôndrias: obtenção de energia (respiração aeróbia);
8 – Centríolos: intervêm na divisão celular;
9 – Citoplasma: constituído por hialoplasma e pelos vários organelos;
10 – Membrana plasmática: é responsável por trocas com o exterior;
11 – Vacúolo: armazenamento de gases, proteínas e açúcares.

2.5.2. Células eucarióticas vegetais


Ao contrário da célula animal, a
eucariótica vegetal não possui centríolos
(8). Contudo, possui um vacúolo (11)
muito maior e novos organelos:
12 – Cloroplastos: organelo
responsável pela realização da
fotossíntese;
13 – Parede celular: protege e
suporta a célula, sendo rígida.

Biologia 37
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

3. Biomoléculas
Uma célula consiste numa associação de moléculas, que, por sua vez, são
um conjunto de átomos organizados, sendo o carbono, o oxigénio, o
hidrogénio e o nitrogénio os fundamentais da matéria viva.
Estas podem ligar-se formando macromoléculas como as biomoléculas,
com três funções principais: estrutural, reguladora e energética.
As biomoléculas dividem-se em orgânicas e inorgânicas, sendo que é a
presença ou ausência de carbono na sua constituição que as distingue.
3.1. Moléculas inorgânicas
Desprovidas de carbono, é o caso da água, uma substância vital com
função reguladora e estrutural e de sais minerais, com as mesmas funções.
3.2. Moléculas orgânicas
Marcadas pela presença de carbono, são constituídas por monómeros,
isto é, unidades básicas de cada um dos seus quatro componentes: prótidos,
glícidos, lípidos e ácidos nucleicos.
Estes ligam-se entre si dando origem a polímeros através de
polimerização ou reações de condensação/ síntese.
3.2.1. Glícidos (C, O, H)
Os glícidos, ligados por ligações glicosídicas, subdividem-se em:
Monossacarídeos Oligossacarídeos Polissacarídeos
Apenas uma ose. Mais de uma ose. Mais de dez oses.
Ex.: pentoses e Ex.: sacarose, Ex.: celulose,
hexoses. maltose e lactose. glicogénio e amido.
Estes possuem função energética e estrutural.

3.2.2. Lípidos (C, O, H)


Sendo um grupo muito diversificado, os lípidos englobam as gorduras
e ceras, caracterizados por ligações éster.
Glicerídeos Fosfolípidos
Compostos apenas por ácidos Com função estrutural,
gordos e glicerol, fornecem resultam da ligação de glicerol e
energia ao organismo, sendo os dois ácidos gordos com ácido
lípidos mais simples. fosfórico e um composto azotado.
Esteroides: Intervêm na regulação do organismo (ex.: hormonas sexuais).
Os lípidos possuem função energética (glicerídeos), estrutural
(fosfolípidos), protetora (ceras) e hormonal (esteroides).

Biologia 38
DIVERSIDADE NA BIOSFERA

3.2.3. Prótidos (C, O, H, N)


Compostos quaternários caracterizados por ligações peptídicas, que
podem ainda possuir fósforo e ferro, entre outros compostos.
Aminoácidos (aa) Péptidos
Prótidos mais simples, sendo as Resultam da união de
unidades estruturais dos péptidos aminoácidos, subdividindo-se em
e proteínas. Existem 20 aa que oligopéptidos (2-20 aa) e
formam proteínas quase infinitas. polipéptidos (+20 aa).
Proteínas
Macromoléculas constituídas por uma ou mais cadeias
polipeptídicas, podendo ser primárias, secundárias, terciárias ou
quaternárias consoante a sua organização. Estas dividem-se ainda em
holoproteínas (simples) e heteroproteínas (conjugadas com um
grupo não proteico). As proteínas podem sofrer desnaturação, isto
é, quebra irreversível das suas ligações, perdendo a sua função.

Assim, os prótidos são o grupo mais funcional, possuindo função


estrutural, reguladora, enzimática, de transporte, hormonal
imunológica, motora e de reserva alimentar.

3.2.4. Ácidos nucleicos


Sendo as biomoléculas mais importantes do controlo celular, os
ácidos nucleicos são constituídos por nucleótidos, que por sua vez são
compostos por um grupo fosfato, uma pentose e uma base azotada.
Os nucleótidos podem unir-se com ligações fosfodiéster formando
cadeias polinucleotídicas:
ADN/ DNA ARN/ RNA
O ácido desoxirribonucleico é O ácido ribonucleico é uma
uma cadeia polinucleotídica dupla cadeia polinucleotídica simples
com pentose desoxirribose e bases com pentose ribose e bases
azotadas A, T, G, C, sendo azotadas A, U, G, C, sendo
encontrado no núcleo, distribuído pelo núcleo e
mitocôndria e cloroplasto. citoplasma da célula.

Os ácidos nucleicos são o suporte universal da informação genética,


transmitindo as características hereditárias e controlando a célula. Para
além de intervirem na síntese de proteínas, estes são responsáveis pela
diversidade da vida e a evolução dos seres vivos.

Biologia 39
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

1. Membrana celular
A membrana celular, descoberta por Nageli e Cramer, separa o meio
intracelular do extracelular, controlando a troca de substâncias com o exterior e
mantendo constante o seu interior.
Esta possui como base os fosfolípidos, moléculas anfipáticas que se
dispõem em bicamada com a parte hidrofóbica para o interior e a hidrofílica
para o exterior, dado que ambos os meios intra e extracelular são aquosos.
Segundo o modelo de Overton, com apenas uma camada fosfolipídica,
quanto mais lipossolúvel for uma substância, maior a sua velocidade de
penetração na célula, pelo que a membrana é destruída quando sujeita a
substâncias solventes de lípidos.
Já o modelo Goster e Grendel defendia uma bicamada fosfolipídica, no
entanto não explicava a passagem de moléculas polares pela membrana.
Mais tarde, estudos comprovaram que as membranas são compostas por
proteínas (60-75%), lípidos (25-40%) e glícidos (10%), forçando uma
reformulação dos modelos até então apresentados.
Por isso, o modelo Davson e Danielli sugeriu uma camada proteica ligada
à cabeça dos fosfolípidos. Contudo, continuava sem explicar a passagem de
moléculas polares pela zona hidrofóbica. Posteriormente, propuseram a
existência de poros proteicos, por onde essas substâncias atravessavam.

Finalmente, surgiu o modelo do Mosaico Fluído / modelo de Singer e


Nicholson, aceite atualmente, com 3 elementos principais:
Lípidos Proteínas Glícidos
Bicamada fosfolipídica Extrínsecas Glicocálice - formado por
+ ou glicoproteínas e
Glicolípidos Intrínsecas. glicolípidos.

Este modelo define que a membrana é uma


estrutura assimétrica com permeabilidade seletiva,
isto é, determina que substâncias a podem ou não
ultrapassar, de modo a manter as condições
intracelulares adequadas.
Esta é fluida devido à presença de colesterol e ao movimento dos seus
constituintes, possibilitando movimentos entre os fosfolípidos, como
movimentos laterais (na mesma camada) ou de cambalhota/ flip-flop (mais raros
e entre camadas).

Biologia 40
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

1.1. Transportes pela membrana


A membrana celular é responsável pela troca de matéria entre os seres
heterotróficos e o meio, permitindo a entrada de substâncias necessárias e a
saída de outras prejudiciais, graças à sua permeabilidade seletiva.
Organismos unicelulares Organismos pluricelulares
Trocam as substâncias Trocas através do líquido
diretamente com o meio. extracelular e intracorporal.
Um meio de soluto concentrado designa-se hipertónico, já um meio
pouco concentrado classifica-se como hipotónico. Mesmo em meios
isotónicos, isto é, com a mesma concentração, os solutos movimentam-se,
mantendo o equilíbrio dinâmico.
1.1.1. Transporte não mediado
As moléculas atravessam a membrana em qualquer local, sem gasto
de energia, logo é um transporte passivo, pelo que o movimento das
substâncias se dá a favor do gradiente de concentração.
Difusão simples (hiper. – hipo.) Osmose (hipo. – hiper.)
Deslocação do soluto de um Movimento do solvente (água)
meio concentrado para outro de meios menos concentrados em
menos concentrado, até atingir o soluto para meios mais
equilíbrio dinâmico. concentrados em soluto.
A pressão osmótica corresponde à pressão necessária para equilibrar
a tendência da água para se deslocar através da osmose, sendo que quanto
maior a concentração de soluto, maior a pressão osmótica, bem como
quanto maior a diferença de concentrações.
Osmose em células vegetais
Meio exterior hipertónico Meio exterior hipotónico

Célula plasmolisada Célula túrgida


Saída da água do vacúolo Entrada de água do
para fora da célula, na qual exterior para dentro do
o vacúolo diminui de vacúolo, aumentando o seu
volume e o citoplasma se volume e fazendo comprimir o
desprende parcialmente da citoplasma e o núcleo contra a
parede celular. parede celular.
No caso da célula túrgida, existe pressão de turgescência, isto é, a
pressão do conteúdo celular contra a parede celular.

Biologia 41
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

Osmose em células animais


Meio hipertónico Meio hipotónico

Célula plasmolisada Célula túrgida Lise celular


Retração e Aumento de Aumento de volume
diminuição do volume e compressão tão grande que a
volume do vacúolo. do conteúdo celular. membrana rompe.
1.1.2. Transporte mediado
As trocas entre a membrana dependem de proteínas transportadoras,
pelo que as moléculas passam apenas através de permeases.
Difusão facilitada (hiper. – hipo.) Transporte ativo (hipo. – hiper.)
Ocorre a favor do gradiente de Ocorre contra o gradiente de
concentração, não havendo gasto concentração, gastando energia
de energia - transporte passivo. através da intervenção de ATP
Um exemplo são as (proteínas energéticas).
aquaporinas: proteínas que Este transporte permite às
aumentam significativamente a células eliminar substâncias
permeabilidade da bicamada tóxicas e acumular substâncias
lipídica da membrana celular, até úteis, mesmo em concentrações
porque o movimento direto da muito diferentes das do meio, de
água através da bicamada é modo a garantir reações químicas
possível, mas pouco significativo. vitais para a célula.
Em ambos, o soluto liga-se à permease, alterando a sua forma, de modo
a permitir a passagem. Após a troca, esta regressa à forma inicial.

1.1.3. Caso particular do neurónio


Os neurónios são as células responsáveis pela transmissão de
informação no sistema nervoso, sendo ao longo destes que o sinal elétrico
do impulso nervoso se propaga, das dendrites até à arborização terminal
do axónio, sob a forma de corrente elétrica.
Neste caso, são necessários os iões sódio e potássio transportados
nas membranas dos neurónios por difusão facilitada e transporte ativo,
gerando um potencial de membrana, isto é, gerando energia pela
diferença de cargas elétricas entre o interior e o exterior da membrana.
Num neurónio, pode gerar-se um potencial de repouso, com as
cargas positivas concentradas no exterior, ou um potencial de ação, com
a inversão rápida das cargas elétricas, assistindo à despolarização da célula.

Biologia 42
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

1.1.4. Transporte em quantidade


O transporte de quantidade permite a troca de partículas sólidas ou
de grandes quantidades de moléculas entre a célula e o exterior.

Endocitose Exocitose
Entrada de moléculas pela Saída rápida de grande
invaginação da membrana e a quantidade de moléculas em
formação de vesículas vesículas por evaginação da
endocíticas, dividindo-se em: membrana, isto é, a membrana da
Fagocitose: formação de vesícula funde-se com a da célula,
pseudópodes (prolongamentos abrindo-se para o exterior e
da membrana) que recebem libertando o seu conteúdo.
partículas sólidas, formando A exocitose é fundamental na
vesículas endocíticas que as transmissão do impulso nervoso
envolvem; nas sinapses. No caso, ao chegar
Pinocitose: inclusão de fluídos à arborização terminal do axónio,
ou substâncias dissolvidas, o sinal elétrico não consegue
gerando vesículas pinocíticas de propagar-se para o neurónio
pequenas dimensões; seguinte devido à fenda sináptica.
Endocitose mediada por Assim, os neurotransmissores,
recetor: introdução de são exocitados e depois
macromoléculas por ligação a recebidos por recetores nas
recetores na membrana celular. dendrites do neurónio seguinte.

2. Obtenção de matéria por seres heterotróficos multicelulares


Os seres heterotróficos unicelulares obtêm matéria diretamente através da
membrana, já os multicelulares são mais complexos e realizam vários
processos como:
Ingestão Digestão Absorção
Entrada de alimentos Simplificação das Interiorização dos
para o organismo. moléculas. nutrientes.

Intracelular Extracelular

Intracorporal Extracorporal

Para auxiliar na obtenção de matéria, estes seres produzem enzimas, ou


seja, proteínas que atuam como catalisadores de modo a reduzir a energia de
ativação de uma reação química, sendo que estas não se gastam nas reações.

Biologia 43
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

2.1. Digestão Intracelular


Consiste na digestão do conteúdo das vesículas endocíticas, reciclando
materiais da própria célula que já não são necessários.
Esta ocorre nos organelos endomembranares, isto é, organelos
delimitados por membranas, que mantêm uma ligação funcional:
Retículo Complexo de Golgi Lisossomas
endoplasmático Recebe proteínas e Forma vacúolos
Produção de transforma-as. É digestivos e digere
proteínas (RER) e também onde são organelos da própria
fosfolípidos (REL). formados lisossomas. célula, reciclando-os.
Assim, a digestão intracelular começa pela produção de enzimas no
RER, que são transportadas para o complexo de Golgi, onde sofrem
maturação. Posteriormente, os lisossomas que contêm estas enzimas fundem-
-se com uma vesícula endocítica, formando um vacúolo digestivo. Aí ocorre
a digestão e a posterior absorção e exocitose.
A digestão intracelular pode ser dividida em dois tipos:
Heterofagia Autofagia
Digestão de alimentos captados Digestão dos próprios organelos
do exterior por endocitose em da célula, em vacúolos autofágicos,
vacúolos digestivos. reciclando os materiais.
2.2. Digestão Extracelular
2.2.1. Extracorporal
É caso dos fungos, cuja digestão acontece fora do corpo com o
lançamento de enzimas que degradam os alimentos no meio. Assim, o
organismo absorve os monómeros resultantes e deixa o que não precisa.
2.2.2. Intracorporal
Tubo digestivo incompleto (1 só abertura)
A hidra realiza dois tipos de digestão: extracelular e intracelular:
O alimento entra numa cavidade gastrovascular onde sofre a
ação de enzimas;
Este é depois captado pelas células e digerido no seu interior;
Posterior exocitose dos resíduos que saem do corpo com a água.
É o mesmo caso da planária que também faz dois tipos de digestão:
Digestão parcial na cavidade gastrovascular através de enzimas;
As partículas parcialmente digeridas sofrem fagocitose,
continuando a digestão em vacúolos digestivos.
Exocitose dos resíduos que saem do corpo ao contrair a parede.

Biologia 44
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

Tubo digestivo completo (2 aberturas)


Neste caso existe diferenciação entre o local de entrada de matéria –
boca, e o de saída - ânus, sendo que os alimentos se deslocam num único
sentido, permitindo uma digestão e absorção sequenciais ao longo do
tubo e, logo, um aproveitamento mais eficaz dos nutrientes.
Assim, a digestão ocorre em vários órgãos de modo a possibilitar
diferentes tratamentos e enzimas. A absorção é também mais eficiente e os
resíduos vão sendo acumulados até serem expulsos pelo ânus.
Minhoca Vertebrados
Ingestão por sucção Com um tubo digestivo mais
graças à contração da faringe e complexo que a minhoca, todos
armazenamento e humidificação os vertebrados têm, pelo menos,
da matéria no papo; dois órgãos anexos: o fígado e o
Digestão mecânica na pâncreas com secreções lançadas
moela e química no intestino, que no intestino. Alguns possuem
possui uma prega que aumenta a ainda um terceiro órgão anexo: as
superfície de absorção – tiflosole. glândulas salivares.
O tubo digestivo humano possui três glândulas anexas: o fígado, o
pâncreas e as glândulas salivares. Na boca tanto ocorre digestão mecânica
(mastigação) como química (ensalivação), tal como no estômago e
intestino com movimentos peristálticos e sucos.
A grande eficácia de absorção no intestino delgado deve-se à
existência de válvulas coniventes e (micro) vilosidades intestinais.
Assim, os nutrientes atravessam a parede intestinal por difusão ou
transporte ativo e são absorvidos pela corrente sanguínea e linfática.
Por fim, os resíduos acumulam-se no intestino grosso, onde se dá a
reabsorção da água, sendo mais tarde eliminados através do ânus.
3. Obtenção de matéria por seres autotróficos
Os seres autotróficos, como as plantas, produzem o seu próprio alimento
convertendo matéria inorgânica em orgânica, através de energia que pode
ser de dois tipos:
Energia luminosa Energia química

fotossíntese quimiossíntese
Contudo, as células não utilizam diretamente essa energia, pelo que esta é
convertida em moléculas de ATP, uma fonte orgânica de energia química que
permite a circulação de energia na célula.

Biologia 45
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

Esta molécula, formada por reações de condensação, possui ligações entre


fosfatos frágeis que se quebram facilmente por hidrólise, permitindo atuar
como composto intermediário e transferir energia entre reações.
Síntese de ATP Hidrólise de ATP
Adição de um grupo fosfato Remoção de um grupo fosfato
(fosforilação), consumindo energia. (desfosforilação), libertando energia.
Reação endoenergética. Reação exoenergética.
3.1. Fotossíntese
A fotossíntese é o processo no qual através de energia luminosa, dióxido
de carbono e água são produzidos compostos orgânicos.
Esta ocorre ao nível dos cloroplastos, organelos
delimitados por dupla membrana e que possuem
tilacóides, ou seja, sáculos resultantes da invaginação
da membrana que formam estruturas empilhadas - o
granum. Estes encontram-se mergulhadas no estroma,
um material indiferenciado.
Na membrana dos tilacóides encontram-se pigmentos fotossintéticos
capazes de absorver radiações luminosas, organizados em fotossistemas.
Para a fotossíntese é necessária a captação de energia radiante do Sol,
nomeadamente a luz visível ou luz branca que, ao atravessar um prisma
ótico, se decompõe nas várias radiações constituintes.
Através da sua experiência, Engelmann verificou que a fotossíntese é
mais intensa nas extremidades do espetro da luz visível (vermelho-alaranjado
e azul-violeta), sendo nessas faixas que as bactérias aeróbias se concentraram
e, por isso, é onde ocorre maior libertação de oxigénio.
Isto indica que a zona da luz vermelho-alaranjado e azul-
violeta é absorvida pelos pigmentos fotossintéticos, enquanto
que a luz verde é refletida, daí ser essa a cor das plantas.
Val Helmont descobriu que o aumento do peso das plantas se deve à
água adicionada e não ao solo. Mais tarde, Nicholas de Saussure concluiu
que este aumento do peso dependia também da presença de dióxido de
carbono e azoto, levantando, assim, a seguinte dúvida:
Qual a origem do oxigénio libertado: H2O ou CO2?
Van Niel respondeu à questão comparando plantas com bactérias
sulfurosas e afirmou que se dá a rutura de moléculas de H2O, logo o oxigénio
tem origem na água. Já o dióxido de carbono está na base da formação de
compostos orgânicos, tal como verificado por Calvin.

Biologia 46
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

Por fim, com a experiência de Gaffron, descobriu-se que a luz é


necessária para dar início à fotossíntese, contudo esta pode continuar na sua
ausência durante alguns segundos.
Quando um átomo absorve um fotão, os seus eletrões ficam excitados,
podendo depois regressar ao estado fundamental ou passar para outros
átomos, reações estas conhecidas como reações de oxidação-redução:
Oxidação Redução

Perda de eletrões Ganho de eletrões


Assim, a fotossíntese divide-se em duas fases: fotoquímica e química.
3.1.1. Fase fotoquímica
Fase dependente da luz que ocorre na membrana dos tilacóides.
1. Oxidação da clorofila a 3. Fluxo de eletrões e
(perda de eletrões) resultante da fosforilação de ADP em ATP graças
absorção da energia luminosa. à transferência de energia nas
2. Fotólise da água que cede reações oxidação-redução.
os eletrões resultantes à clorofila a, 4. Redução de NADP+ que
tomando o lugar daqueles que ganha os protões H e eletrões
havia perdido. resultantes, formando NADPH.
Assim, dá-se a formação de moléculas de ATP (energia) e NADPH
(transportador de H), essenciais para formar compostos orgânicos.
3.1.2. Fase química
Não depende da luz e ocorre no estroma segundo o ciclo de Calvin.
1. Fixação de CO2: 2. Produção de açúcares:
Entrada do CO2 que se O PGA recebe energia
une a RuDP (5C), formando através de ATP, ganhando
um composto instável (6C), depois eletrões de NADPH,
dividindo-se em 2 PGA (3C). originando PGAL (3C).

3. Regeneração de RuDP:
Parte do PGAL forma glicose e o
restante regenera RuDP, que é
posteriormente fosforilada por ATP,
recebendo fósforo e energia.

Assim, por cada molécula de glicose (6C) são necessárias 6 moléculas


de CO2, 18 de ATP e 12 de NADPH.

Biologia 47
OBTENÇÃO DE MATÉRIA

3.2. Quimiossíntese
Processo realizado maioritariamente por bactérias que, tal como a
fotossíntese, possui 2 fases principais:
1. Oxidação dos compostos
minerais produzindo ATP e NADPH.
2. Ciclo de Carbono com gasto de NADPH +
NADP
+
+ H
ATP e NADPH formados na 1ª fase.
A quimiossíntese utiliza energia
resultante da oxidação dos compostos
minerais e recebe eletrões e H+ dos
compostos inorgânicos reduzidos,
diferindo da fotossíntese.

Biologia 48
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA

1. Transporte nas plantas


As plantas podem ser consideradas Plantas
vasculares - com vasos condutores, ou não
vasculares - o tipo primórdio cuja matéria circula Briófitas
Não vasculares
célula a célula por difusão e osmose.
De modo a facilitar o transporte de Vasculares

substâncias pelas células das plantas não


Pteridófitas Traqueófitas
vasculares, estas são mais pequenas e vivem em Sem semente Com semente

habitats húmidos e sombrios.


Angiospérmicas Gimnospérmicas
Já as plantas vasculares possuem tecidos Com flor Sem flor

condutores que fornecem água e sais minerais às células, permitindo que todas
recebam os nutrientes necessários e libertem os produtos resultantes do
metabolismo celular.
Este sistema de transporte favorece ainda a obtenção de substâncias
necessárias para a produção de matéria orgânica e a sua distribuição.
1.1. Plantas Vasculares
As plantas vasculares realizam translocação, isto é, a condução de seivas
através de tecidos especializados, tecidos estes que se dividem em:
Xilema Floema
Seiva bruta – água, sais minerais Seiva elaborada – matéria
e iões captados na raiz, que é orgânica produzida na fotossíntese,
deslocada das raízes até às folhas que é deslocada das folhas para os
(movimento ascendente). restantes órgãos da planta.
Com vasos de maiores Principalmente constituído por
dimensões, é maioritariamente células vivas:
constituído por células mortas: Elementos de tubos crivosos (v);
Elementos condutores (m); Células companhia (v);
Fibras lenhosas (m); Fibras (m);
Parênquima lenhoso (v). Parênquima (v).
Estes tecidos agrupam-se formando feixes condutores que podem ser:
Simples (separados) Duplos (a pares)
e ou e
Radiais ou alternos Colaterais (lado a lado)

A raiz possui feixes simples e alternos na zona central, enquanto que no


caule estes são duplos e colaterais e dispostos em círculo na periferia.

Biologia 49
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA

As trocas gasosas da planta com o exterior ocorrem


através de estomas - aberturas na epiderme inferior das
folhas que abrem e fecham graças às células-guarda,
sendo o ostíolo a cavidade criada entre estas.
Meio exterior hipertónico Meio exterior hipotónico

Células-guarda plasmolisadas Células-guarda túrgidas

Fecho do ostíolo Abertura do ostíolo


Assim, as plantas regulam a abertura e fecho dos estomas através da
pressão osmótica das células estomáticas/ células-guarda. Esta pressão
osmótica é gerada pela própria planta através de transporte ativo para criar
a diferença de concentrações.
1.1.1. Transporte no Xilema
A seiva bruta que constitui o xilema é absorvida ao nível das raízes,
cuja epiderme possui pelos radiculares que aumentam a área de contacto
com o solo e, consequentemente, a sua capacidade de absorção.
Através do transporte ativo de iões, a planta assegura um meio
hipertónico na raiz, para que a água do solo entre no xilema por osmose.
Já os sais minerais concentrados no solo entram por difusão simples.
Segundo a hipótese da pressão radicular, forma-se uma pressão na
raiz devido à diferença de concentrações com o solo, que obriga a entrada
de água por osmose e, assim, impulsiona a ascensão da seiva bruta.
Deste modo, é possível ocorrer a gutação, ou seja, a saída de água
através de poros, e a exsudação, saída de água pelo caule quanto cortado.
Contudo, certas plantas, como as coníferas, não apresentam pressão
radicular e noutras estes valores não são suficientes para explicar a
ascensão de seiva até alturas elevadas.
Logo, é necessária a existência de outro tipo de pressão, pressão essa
que deriva da transpiração nas folhas:
A hipótese da tensão-coesão-adesão defende que a saída de água
nas folhas por transpiração cria um défice hídrico (tensão) que aciona a
ascensão de seiva com moléculas de água coesas e unidas entre si que
aderem às paredes do xilema.
Aumento de transpiração pelos estomas
AAAAAAAAAAAAAAAAA
Maior ascensão de seiva bruta
Aumento de absorção ao nível da raiz

Biologia 50
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA

1.1.2. Transporte no Floema


Segundo a hipótese do fluxo de massa, a sacarose produzida nas
folhas por fotossíntese passa para o floema por transporte ativo e é
abastecida por água do xilema que atravessa por osmose.
A seiva elaborada desloca-se para os locais de reserva ou de
consumo onde a sacarose abandona o floema por transporte ativo e a água
retorna ao xilema por osmose dada a diferença de concentrações.
2. Transporte nos animais
Os animais sem sistema de transporte possuem todas as células próximas
da superfície corporal para garantir a difusão direta entre o meio e a célula.
Já os animais mais complexos possuem sistema de transporte, fazendo
difusão indireta: entre o meio, um fluído circulante e as células.
Estes possuem um órgão propulsor que impulsiona o fluído circulante ao
longo do sistema de vasos ou espaços, podendo o sistema circulatório ser:
Aberto Fechado
A hemolinfa abandona O sangue circula sempre
os vasos para lacunas. no interior de vasos.
A chegada do fluído às células é Assim, garante uma maior pressão
mais lenta, levando a uma baixa e, consequentemente, uma maior
eficiência no transporte e, logo, a uma velocidade de deslocação do fluído,
taxa metabólica reduzida. sendo mais eficiente.
2.1. Sistema circulatório fechado
Estes animais podem possuir dois tipos de circulação:
Circulação simples (1a + 1v) Circulação dupla
O sangue passa apenas uma vez A cada circulação, o sangue passa
no coração por cada circulação. duas vezes no coração.
É o caso dos peixes.

Completa (2a + 2v) Incompleta (2a + 1v)


O coração tem 4 cavidades e um O coração tem 3 cavidades e
septo completo, separando o pode ocorrer mistura entre o
sangue arterial do sangue venoso. sangue arterial e o sangue venoso.
Exemplo dos mamíferos e aves. Exemplo dos anfíbios.
Os répteis, embora com 4 cavidades, têm o septo incompleto e os
tipos de sangue misturam-se, logo têm circulação dupla incompleta.

Biologia 51
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA

2.2. Morfologia do coração


As contrações do miocárdio, isto é, do tecido muscular do coração,
permitem o bombardeamento do sangue para todo o corpo.
Artérias Veias
Transportam o sangue arterial Transportam o sangue venoso
(rico em oxigénio) para o corpo. (pobre em oxigénio) para o coração.
Exceção - artéria pulmonar que Exceção - veia pulmonar que
expele sangue venoso. recebe sangue arterial.
O coração é dividido pelo septo auriculoventricular em duas metades:
Esquerda Direita
Recebe sangue arterial dos Recebe sangue venoso de todo o
pulmões e bombeia para o corpo. corpo e bombeia para os pulmões.
Cada metade possui uma aurícula (recebe o sangue) e um ventrículo
(expele o sangue) separados por válvulas auriculoventriculares.
Sendo a circulação do Homem dupla, esta divide-se em dois circuitos:
Pequena circulação Grande circulação
Ventrículo direito → artéria Ventrículo esquerdo → artéria
pulmonar → pulmões aorta → corpo
Ocorre hematose pulmonar e Ocorrem trocas gasosas e passa a
passa a sangue arterial que sangue venoso que regressa ao
regressa ao coração por veias coração por veias cavas na aurícula
pulmonares na aurícula esquerda. direita.
2.2.1. Ciclo cardíaco
O ciclo cardíaco consiste no ciclo de contrações derivadas de
descargas elétricas que permitem receber o sangue e impulsioná-lo para
todo o organismo. Estes comportamentos dividem-se em sístoles
(contrações) e diástoles (dilatações).
Este ciclo começa com a diástole geral: o coração está relaxado
enquanto o sangue entra nas aurículas passando para os ventrículos pelas
válvulas auriculoventriculares semiabertas.
Segue-se a sístole auricular contraindo as aurículas e empurrando o
sangue para os ventrículos com as válvulas auriculoventriculares abertas.
Por fim, dá-se a sístole ventricular expulsando o sangue do coração
com as válvulas sigmóides abertas e as auriculoventriculares fechadas.
O sangue exerce pressão nas paredes dos vasos – pressão sanguínea,
que diminui ao longo das artérias. Assim é necessária a presença de
válvulas venosas para assegurar o regresso do sangue ao coração.

Biologia 52
DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA

Existe ainda a pressão arterial que consiste na pressão que o sangue


exerce nas paredes das artérias, sendo a pressão arterial máxima aquando
a sístole ventricular e a pressão arterial mínima durante a diástole.
2.2.2. Fluídos circulantes
O conjunto de fluidos extracelulares (sangue + linfa) constituem o
meio interno, assegurando as várias funções vitais.
As trocas gasosas entre a linfa e o sangue ocorrem nos capilares, onde
a pressão é baixa para aumentar a eficácia das trocas e para estes não
rebentarem dadas as suas paredes muito finas.
O sangue é constituído por hemácias, plaquetas, plasma e leucócitos.
Já a linfa é constituída por leucócitos e plasma, pelo que esta deriva
do sangue dado que recebe os seus constituintes nas trocas nos capilares.
Esta é responsável pela defesa do organismo, possibilitando a
remoção de bactérias e partículas que o invadem, bem como a destruição
de células envelhecidas.
A linfa pode ser dividida em:
Linfa Intersticial Linfa Circulante
Aquela que banha as células. Que circula nos vasos linfáticos.

Biologia 53
UTILIZAÇÃO DE ENERGIA PELOS SERES VIVOS

1. Metabolismo celular
O metabolismo celular consiste no conjunto de reações químicas vitais
realizadas pelas células de todos os seres vivos, dividindo-se em:
Catabolismo Anabolismo
Degradação de compostos. Formação de compostos.
Processo exoenergético. Processo endoenergético.
Consumo de água. Libertação de água.
A energia libertada nas reações catabólicas é armazenada através da
fosforilação de ATP, que depois a transfere através da sua desfosforilação.
Existem ainda compostos que transportam protões e eletrões através de
reações de oxidação-redução, como o NAD+ → NADH+H+ e o FAD → FADH2.
Algumas reações catabólicas que visam obter energia são:
Respiração aeróbia Respiração anaeróbia Fermentação
Acetor final de eletrões: Acetor final de eletrões: Acetor final de eletrões:
oxigénio. moléculas inorgânicas. moléculas orgânicas.
Os seres anaeróbios facultativos realizam preferencialmente a respiração
aeróbia, mas na ausência de oxigénio podem recorrer à fermentação.
1.1. Fermentação
A fermentação, realizada por leveduras, é um processo simples e
primitivo que está na base da produção e transformação de alimentos.
Esta é também útil para a conservação de alimentos de modo a retardar
ou impedir a sua deterioração e manter as suas qualidades nutricionais.
1.1.1. Glicólise
Trata-se do conjunto de reações no
hialoplasma que degradam a glicose.
A glicose (6C) é fosforilada por 2
ATP formando um composto instável que
se desdobra em 2 PGAL (3C), sendo
depois oxidados por NAD+, perdendo
eletrões.
Cada PGAL recebe ainda um fósforo
inorgânico e é desfosforilado duas vezes
formando 2 ATP e um piruvato.
Assim, por cada molécula de glicose
formam-se 2 ácidos pirúvicos/ piruvatos,
2 NADH+H+ e 2 ATP.

Biologia 54
UTILIZAÇÃO DE ENERGIA PELOS SERES VIVOS

1.1.2. Redução do piruvato


É o conjunto de reações que formam os produtos da fermentação. Este
processo difere consoante o tipo de fermentação, sendo as mais comuns:
Fermentação alcoólica Fermentação láctica
Cada piruvato é descarboxilado Cada piruvato é apenas
e reduzido por NADH + H+, reduzido por um NADH + H+,
formando um ácido etílico (2C). formando um ácido láctico (3C).
No total formam-se 2 etanol, 2 No total, formam-se 2 ácidos
CO2 + 2 ATP (glicólise). láticos + 2 ATP (glicólise).
1.2. Respiração aeróbia
A respiração aeróbia é um processo muito mais
rentável realizado na mitocôndria que permite a
degradação total da glicose, recorrendo ao oxigénio.
1. Glicólise (hialoplasma): formação de 2 piruvatos.
Saldo: 2 NADH + H+ e 2 ATP.
2. Formação de Acetil-CoA (matriz mitocondrial): cada piruvato (3C)
entra na mitocôndria, sendo descarboxilado e oxidado por NAD+, formando
acetil coenzima A (2C).
Saldo: 2 CO2, 2 NADH + H+.
3. Ciclo de Krebs (matriz mitocondrial): o ácido oxaloacético (4C)
recebe cada acetil-CoA (2C), formando ácido cítrico (6C) que sofre:
2 descarboxilações;
3 oxidações por NAD+ e 1 por FAD;
1 desfosforilação por ADP.
Assim, forma-se um novo ácido oxaloacético, que será o acetor do
próximo ciclo.
Saldo: 4 CO2, 6 NADH + H+, 2 FADH2 e 2 ATP.
4. Fosforilação oxidativa (crista mitocondrial): os eletrões de NADH +
H e FADH2 formados nas etapas anteriores são cedidos à cadeia
+

transportadora de eletrões gerando energia para bombear protões por


transporte ativo. Esses protões são obrigados a regressar ao meio inicial a
favor do gradiente de concentração através de ATPases - proteínas
transportadoras que sintetizam ATP. O oxigénio vai ser o acetor dos eletrões
e protões formando uma molécula de água.
Saldo: 32 ou 34 ATP, 6 H2O.
No total, a respiração aeróbia decompõe uma molécula de glicose em
apenas moléculas de CO2 e H2O, formando 36 ou 38 ATP.

Biologia 55
UTILIZAÇÃO DE ENERGIA PELOS SERES VIVOS

2. Trocas gasosas
Um fluxo constante de oxigénio possibilitou o aparecimento de seres vivos
aeróbios, pelo que os seres unicelulares realizam trocas gasosas com o meio
por difusão direta, já os seres multicelulares utilizam métodos mais complexos.
2.1. Plantas
Nas plantas, os estomas realizam trocas gasosas com o meio através da
respiração, fotossíntese e transpiração.
Plantas herbáceas Plantas lenhosas
Estomas encontram-se nas folhas Estomas nas folhas e em aberturas
e na epiderme do caule. na superfície dos troncos e raízes.
2.2. Animais
Os animais mais complexos necessitam de superfícies respiratórias que
permitem a entrada e saída de gases respiratórios no organismo.
Estes gases movimentam-se sempre em meio aquoso através de difusão
simples, uma vez que as moléculas de gases estão dissolvidas em água.
Assim, estas superfícies são, por norma, …
… húmidas, favorecendo a difusão de O2 e CO2;
… pouco espessas, com uma única camada de células;
… muito vascularizadas, facilitando o contacto com o fluido circulante;
… extensas, com uma grande área de contacto.
Os animais mais simples, como os insetos, realizam difusão direta dos
gases para todo o corpo, enquanto que os restantes animais recorrem à
hematose, isto é, passagem de gases da superfície respiratória para o fluido.
2.2.1. Trocas gasosas através da traqueia
A traqueia nos insetos é uma rede de tubos
ramificados ao longo do corpo por onde circula o ar. Este
entra por espiráculos e chega às células por traquíolas – difusão direta.
Os insetos voadores necessitam de muito oxigénio durante o voo,
sendo este armazenado em sacos de ar.
02.2.2. Hematose cutânea
Seres aquáticos e alguns terrestres realizam hematose
cutânea ao nível do tegumento (pele), onde o oxigénio passa
para o sangue e só depois às células, onde ocorre hematose celular.
A hematose cutânea é apenas possível através da vascularização
extensa e de glândulas produtoras de muco, que humedecem a pele.

Biologia 56
UTILIZAÇÃO DE ENERGIA PELOS SERES VIVOS

2.2.3. Hematose branquial


A maioria dos animais aquáticos possuem brânquias/ guelras que
consistem em evaginações do corpo, podendo ser internas ou externas.
Neste caso, a água entra pela boca, atravessa as brânquias onde
ocorre hematose branquial, saindo depois pelas fendas operculares.
A água circula no sentido contrário do sangue ao nível dos capilares
sanguíneos nas brânquias, assegurando um
mecanismo de contracorrente que aumenta a
eficiência da hematose.
Assim, a água possui sempre mais oxigénio,
garantindo a sua difusão para o sangue, mais
pobre em oxigénio.

2.2.4. Hematose pulmonar


Já os vertebrados possuem pulmões – superfícies respiratórias que
consistem em invaginações do corpo de modo a evitar perdas de água.
Estes assemelham-se a sacos de ar e são muito vascularizados.
No caso dos mamíferos, os pulmões são protegidos
pela caixa torácica e separados da cavidade abdominal pelo
diafragma. O ar entra pelas vias respiratórias e passa pelas
ramificações dos pulmões: brônquios, bronquíolos e, por
fim, alvéolos pulmonares.
Assim, a hematose pulmonar é bastante eficiente dada a grande área
de superfície, a fina espessura e a alta vascularização dos alvéolos.
A renovação do ar nos pulmões é assegurada pela ventilação
pulmonar, ou seja, a contração e relaxamento dos músculos da cavidade
torácica na inspiração e expiração.
As aves possuem ainda sacos aéreos por todo o corpo que consistem
em reservas de ar de modo a facilitar o voo, pelo que o ar entra nos sacos
aéreos posteriores, passa para os pulmões onde ocorre a hematose, e
dirige-se aos sacos aéreos anteriores antes de abandonar o corpo,
realizando dois ciclos respiratórios para que o ar percorra todo o sistema.

Biologia 57
BIOLOGIA
11º ANO
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

1. DNA e síntese de proteínas


Como sabemos, a célula é a unidade estrutural e funcional dos seres vivos,
sendo o seu material genético a informação através da qual a célula produz
moléculas específicas para o crescimento e renovação celular.
Este código genético sendo hereditário permite semelhanças entre
indivíduos. Contudo, não é repetido, daí as diferenças entre eles.
1.2. Descoberta do DNA
1.2.1. Experiência de Hammerling
De modo a descobrir onde se armazenava a informação genética nas
células, Hammerling fez uma data de experiências com duas espécies
diferentes de algas Acetabulária:
Acetabulária (mediterrânea ou crenulata) • alga
Organismo eucarionte unicelular com grande capacidade de regeneração
e no qual é possível distinguir um chapéu, um caulículo e uma base com
núcleo.
Começou por separar as partes de ambas as espécies e verificou que
a base foi a única capaz de regenerar a célula inteira.
Depois, realizou a transplantação cruzada dos núcleos entre as
espécies e constatou que a parte regenerada da célula corresponde ao da
espécie doadora do núcleo.
Logo, concluiu que o núcleo é responsável pela manutenção da vida,
regeneração e crescimento da célula.

1.2.2. Experiência de Griffith


Mais tarde, assumiu-se que a informação genética estava contida nas
proteínas nucleares por serem mais complexas e diversificadas. Griffith
veio averiguar essa situação e tentar perceber qual a macromolécula
responsável pela transmissão da informação genética.
Para as suas experiências injetou em ratos uma espécie de bactérias
que apresenta duas formas:
Tipo R (rugoso) Tipo S (smooth - liso)
Desprovidas de cápsula. Envolvidas por uma cápsula.
Não virulenta (inofensiva). Virulenta (mortal).
Griffith verificou que as bactérias tipo S quando mortas pelo calor são
inofensivas, mas se injetadas juntamente com o tipo R vivas, o rato morre.

Biologia 59
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

Isto porque as bactérias R captaram a informação genética das S e,


através dela, criaram novas células tipo S, com cápsula e virulentas. Essa
informação foi transmitida por uma substância química a que se deu o
nome de princípio transformante.
Todavia, a dúvida de qual a macromolécula que transmite essa
informação genética continuava de pé.
Avery, MacLeod e MacCarthy basearam-se nas experiências de
Griffith para dar resposta a essa pergunta.
Extraíram os diferentes compostos das bactérias S mortas pelo calor e
testaram-nos separadamente nas bactérias R e verificaram que apenas nas
células com DNA se deu a criação de bactérias S.
Logo, o DNA é o princípio transformante e é ele quem contém a
informação genética.

1.2.3. Experiência de Hershey e Chase


No entanto, a comunidade científica continuava reticente e só com as
experiências de Hershey e Chase é que aceitaram tal descoberta.
Na sua experiência trabalharam com o vírus T2 que apresenta DNA
dentro de uma cápsula proteica e que infeta bactérias para se reproduzir.
Marcaram as suas proteínas com enxofre radioativo e o DNA com
fósforo radioativo e verificaram que as bactérias infetadas só ficavam
radioativas com fósforo.
Logo, confirma-se que é o DNA quem transmite o material genético.

1.3. Estrutura do DNA


O DNA é um ácido nucleico, sendo um polímero de nucleótidos
compostos por uma pentose (desoxirribose), um grupo fosfato e uma base
azotada, sendo esta base o elemento que diferencia os quatro nucleótidos:
Bases púricas - anel duplo Bases pirimídicas - anel simples
Adenina e guanina. Timina e citosina.
Segundo a regra de Chargaff, as quantidades de adenina e timina é
igual, tal como as de citosina e guanina, o que dá a entender que estas são
complementares:

Adenina + Timina Citosina + Guanina


2 pontes de hidrogénio 3 pontes de hidrogénio

Regra de Chargaff: A+G =1


T+C

Biologia 60
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

Watson e Crick combinaram todos os conhecimentos sobre a estrutura


do DNA e construíram o modelo aceite atualmente – dupla hélice.

DNA (ácido desoxirribonucleico) • 2 nm

É formado por duas cadeias polinucleotídicas enroladas em hélice e


unidas por pontes de hidrogénio entre as bases azotadas;
Forma-se pela ligação do grupo fosfato do carbono 5’ ao carbono 3’ por
ligações covalentes fosfodiéster, seguindo a ordem 5’ → 3’;
Verifica a complementaridade de bases, permitindo conhecer a
sequência de nucleótidos de uma cadeia através da outra;
Possui cadeias complementares antiparalelas, ou seja, a extremidade 3’
livre de uma cadeia corresponde à 5’ da outra.

O DNA é uma molécula muito estável que nunca abandona o núcleo,


pelo que precisa de uma molécula temporária e mais instável que transmita o
seu material genético à restante célula – o RNA
O RNA é apenas uma cadeia polinucleotídica (logo, não se aplica a
regra de Chargaff) que se diferencia do DNA pelo facto da sua pentose ser a
ribose e não possuir a base azotada timina, mas sim uracilo.
1.3. Universalidade e variabilidade do DNA
O DNA é considerado universal no sentido em que em todos os seres
vivos cada sequência de três bases azotadas codificam um aminoácido
específico de modo a transmitir a informação genética para o RNA.
Procariontes Eucariontes
O DNA está disperso no O DNA encontra-se refugiado no
citoplasma ao nível do nucleoide. núcleo.

O núcleo é protegido pelo invólucro nuclear com inúmeros poros que


permitem a passagem de RNA. No seu interior, destaca-se o nucléolo, mais
denso, envolvido pelo nucleoplasma onde se encontram os cromossomas –
moléculas de DNA extremamente longas associadas a histomas (proteínas).
A informação armazenada no DNA é definida pela sequência dos
nucleótidos, sendo o património genético de um indivíduo designado por
genoma e constituído por genes – segmentos nucleotídicos que codificam
uma dada característica.
O cariótipo é o conjunto de cromossomas que caracteriza uma espécie
tendo em conta o seu número, forma e estrutura.

Biologia 61
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

1.5. Replicação de DNA


Antes de se dividirem, as células duplicam o seu DNA para assegurar a
conservação do património genético ao longo das gerações.
Mas como ocorre a replicação do DNA?
Arthur Kornberg demonstrou que era possível replicar o DNA in vitro,
mas não sabia precisamente como se replicava, havendo três hipóteses:
Hipótese Hipótese Hipótese
conservativa semiconservativa dispersiva
A molécula original As duas cadeias A cadeia original
mantém-se íntegra, dividem-se e ambas divide-se em vários
servindo de molde para servem de molde à fragmentos associados
a cópia. complementar. a cópias .

Meselson e Stahl cultivaram bactérias Escherichia coli num meio rico em


N para que o azoto ficasse integrado no seu DNA, que se tornou mais denso.
15

Posteriormente, foram transferidas para um meio com azoto normal – 14N.


Pela centrifugação do DNA ao longo das gerações verificaram que:
DNA original: mais denso, migrando para o fundo do tubo;
DNA da primeira geração: densidade intermédia, possuindo uma
cadeia de 15N (original) e outra de 14N (cópia);
DNA da segunda geração: dividido em duas zonas - 50% de DNA
15
N e 14N numa zona e 50% de DNA apenas com 14N noutra.

Logo, o DNA replica-se segundo a hipótese semiconservativa, com a


conservação de uma cadeia original e a criação da cópia complementar.

Nesta processo, cada cadeia dupla do DNA é separada por helicases,


seguindo-se a construção das cadeias complementares e antiparalelas por
ADN polimerases a partir das cadeias originais, seguindo a
complementaridade de bases e atuando no sentido 5’ → 3’.
1.6. Biossíntese de proteínas
Embora seja o DNA quem armazena a informação genética, são as
proteínas as responsáveis pelos fenótipos/ características do organismo,
pelo que a passagem dessa informação do DNA às proteínas ocorre graças
ao RNA mensageiro (mRNA).

Biologia 62
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

A expressão dessa informação para síntese de proteínas é dada por:


Transcrição da informação presente no DNA para o mRNA;
Migração do mRNA do núcleo para o citoplasma, contendo a
informação codificada segundo o código genético;
Tradução da mensagem contida no mRNA ao nível dos ribossomas,
responsáveis pela síntese de proteínas.
1.6.1. Código genético
Como já foi visto anteriormente, cada segmento de 3 bases azotadas
codificam um aminoácido específico, existindo 64 possibilidades. Essa
sequência de nucleótidos é conhecida por:
Codogene Codão
Ao nível do DNA (com T). Ao nível do RNA (com U).
Código genético
É universal: todos os seres vivos utilizam este código (poucas exceções);
É redundante: vários codões podem codificar o mesmo aminoácido;
Não é ambíguo: a cada codão corresponde um e só um aminoácido;
O terceiro nucleótido de cada codão não é tão específico como os dois
primeiros.

1.6.2. Transcrição
A transcrição consiste na cópia da informação contida em cada gene
do DNA para o mRNA.
Este é criado por complementaridade de bases pela RNA polimerase
que se fixa e desliza ao longo de uma sequência de DNA, separando-a e
iniciando a transcrição na direção 5’ → 3’.
O composto formado é denominado pré-mRNA e é constituído por:
Exões Intrões
Sequência de nucleótidos que Sequência de nucleótidos que
codifica informação. não codifica informação.
Após a sua formação, a molécula de DNA reconstitui-se e reestabelece
as ligações de hidrogénio entre as bases azotadas.
1.6.3. Processamento
A cadeia de pré-mRNA formada é processada através da remoção de
intrões e posterior união de exões, dando origem a mRNA funcional.

Biologia 63
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

1.6.4. Tradução
O mRNA, já no citoplasma, traduz a sua informação genética numa
sequência de aminoácidos formando o produto final – proteína.

1. Iniciação: A subunidade pequena do ribossoma liga-se ao mRNA


no codão de iniciação. O RNA de transferência (tRNA) que transporta um
aminoácido (metionina) liga-se ao codão de iniciação pelo anticodão. A
subunidade grande do ribossoma une-se à menor e este torna-se funcional.

2. Alongamento: Um novo tRNA, que transporta um segundo


aminoácido, liga-se ao segundo codão. Dá-se uma ligação peptídica entre
o novo aminoácido e a metionina. Seguidamente, o ribossoma avança três
bases e o processo repete-se ao longo dos vários codões.

3. Finalização: O ribossoma atinge o codão de finalização e termina a


síntese. A cadeia polipeptídica formada destaca-se e enrola-se entre si
formando uma proteína. Os restantes componentes também se separam.

1.6.5. Características da síntese de proteínas


Assim, a síntese de proteínas destaca-se pela sua:
Rapidez: o processo é rápido dada a curta duração do mRNA;
Amplificação: uma molécula de DNA pode sintetizar várias de
mRNA e estas podem ser traduzidas simultaneamente por vários
ribossomas, formando várias proteínas.
Neste sentido, o conjunto da molécula de mRNA, os vários ribossomas
que a traduzem simultaneamente e as respetivas cadeias polipeptídicas em
crescimento designam-se por polirribossoma.
Nos seres procariontes, a transcrição ocorre no citoplasma e não
ocorre processamento do mRNA, pelo que a transcrição e tradução
ocorrem em simultâneo, pois os ribossomas ligam-se ao mRNA ainda
durante a sua formação a partir do DNA.
1.7. Mutações

O genoma de um indivíduo pode sofrer mutações génicas, ou seja,


alterações dos genes que podem ocorrer pela substituição, desaparecimento
ou adição de nucleótidos.

Estas podem ser espontâneas ou provocadas por fatores ambientais.

Biologia 64
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

Deste modo, a sequência de nucleótidos é alterada e,


consequentemente, pode formar proteínas diferentes e originar doenças.
Albinismo Hemofilia
Os indivíduos não sintetizam Afeta a síntese de uma proteína
melanina (substância responsável sanguínea necessária à coagulação
pela pigmentação), levando a pele e do sangue, pelo que se verifica uma
cabelos muito claros e extrema grande lentidão nesse processo.
sensibilidade a radiações solares. Fenilcetonúria
Anemia falciforme / drepanocitose Devido à carência de uma enzima,
As hemácias do sangue têm o organismo é incapaz de
forma de foice, são mais rígidas, metabolizar o aminoácido
frágeis e de destruição muito rápida, fenilalanina, pelo que este se torna
levando a deficiências no transporte tóxico e se acumula no cérebro,
de oxigénio. causando deficiência mental.
Contudo, as mutações nem sempre são prejudiciais, como é o caso das
mutações que permitem a evolução das espécies.
Também as mutações silenciosas são inofensivas dado que:
Devido à redundância do código genético, o codão alterado pode
codificar o mesmo aminoácido;
O novo aminoácido pode ter propriedades semelhantes;
A mutação pode ocorrer numa zona inócua, isto é, uma zona que
não é determinante para a função da proteína mutada;
As alterações do material genético podem ser divididas em:
Mutações germinais Mutações somáticas
Afetam os gâmetas e podem ser Ocorrem em células normais e não
hereditárias. são hereditárias.

2. Mitose
Os cromossomas, constituídos por DNA e proteínas, consistem em dois
cromatídios emparelhados ao nível do centrómero – a sua principal contração.
Nas suas extremidades encontram-se telómeros que previnem a degradação
dos cromossomas por exonucleases.
Pares de cromossomas herdados do pai e da mãe que codificam
características semelhantes designam-se por cromossomas homólogos.
Segundo a teoria celular, as células, para além de serem a unidade básica
da vida, asseguram a continuidade dessa mesma vida, pelo que uma célula-mãe
se divide e origina duas novas células-filhas geneticamente iguais.

Biologia 65
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

Quando uma célula está em divisão, os seus cromossomas encontram-se


altamente condensados de modo a ficarem mais curtos e mais espessos.
Antes de se dividir, o material genético tem de ser replicado, para que cada
célula-filha receba metade do material genético da célula-mãe, assegurando,
assim, a manutenção das características hereditárias.
O ciclo celular engloba todos os processos desde a formação da célula até
à sua divisão, dividindo-se em duas fases: interfase e fase mitótica.
2.1. Interfase
A interfase consiste no período compreendido entre o fim de uma
divisão celular e o início da seguinte, sendo a maior parte da vida da célula.
Nas células eucarióticas animais, destaca-se o centrossoma – conjunto
de dois centríolos dispostos perpendicularmente essenciais para a divisão.
A interfase é caracterizada pela intensa atividade biossintética que
engloba o crescimento e duplicação do conteúdo celular, dividida em três
fases com duração variável:

1. Fase G1/ fase pós-mitótica


Ocorre desde o fim da mitose e a síntese do DNA. Ao longo desta fase
dá-se o crescimento celular com formação de organelos e intensa atividade
biossintética. Os cromossomas apresentam apenas um cromatídio.

2. Fase S/ replicação de DNA


É caracterizada pela replicação semiconservativa do DNA, sendo que
cada cromossoma possui dois cromatídios iguais emparelhados pelo
centrómero. Nas células animais, dá-se a duplicação do centrossoma.

3. Fase G2/ fase pré-mitótica


Desde o fim da síntese de DNA até ao início da mitose, trata-se da
preparação da célula para a divisão com síntese das biomoléculas necessárias
e formação de novos organitos.

Agora que a célula tem todo o material de que necessita duplicado, está
apta para entrar em divisão e na fase mitótica.
2.2. Fase mitótica
A fase mitótica corresponde ao período em que ocorre a divisão celular,
sendo dividida em duas fases principais: a mitose e a citocinese.

Biologia 66
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

2.2.1. Mitose/ cariocinese


A mitose trata-se do processo de divisão celular em que, a partir de
um núcleo, se formam dois núcleos geneticamente iguais ao original.

1. Prófase
Os cromossomas condensam e os centríolos afastam-se para polos
opostos, formando o fuso acromático (sistema de microtúbulos proteicos)
que se liga aos cromatídios após a desorganização do invólucro nuclear.

2. Metáfase
Os cromossomas, ligados ao fuso acromático, alinham-se na placa
equatorial com os cromatídios voltados para os polos.

3. Anáfase
O centrómero rompe e os dois cromatídios separam-se, dando início
à ascensão polar dos cromossomas-filhos.

4. Telófase
O invólucro nuclear reorganiza-se agrupando os cromossomas de
cada célula-filha que começam a descondensar. O fuso acromático
desorganiza-se e a mitose termina com dois núcleos idênticos na célula.

2.2.2. Citocinese
A citocinese consiste na divisão do citoplasma com a individualização
das células-filhas, diferindo nos dois tipos de células eucarióticas:
Células animais Células vegetais
Forma-se um anel contrátil de Forma-se a placa equatorial
filamentos proteicos na zona com vesículas golgianas que se
equatorial que estrangula o fundem e iniciam a formação da
citoplasma. nova parede celular.
2.3. Regulação do ciclo celular
O ciclo celular apresenta três pontos de controlo:
1. G1: Avalia o prosseguimento;
2. G2: Avalia se a replicação do DNA ocorreu corretamente;
3. Mitose (anáfase): Avalia se os cromossomas foram distribuídos
equitativamente.

Biologia 67
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

Nestes pontos, a célula avalia o seu estado e, se tudo estiver em


conformidade, envia um estímulo para avançar com a divisão celular.
Por outro lado, se a avaliação for negativa:
Interrompem a divisão e iniciam G0, uma pausa até à sua morte ou
novo estímulo (positivo ou negativo).
Se a célula não estiver apta para a divisão, interrompe o ciclo e
realiza apoptose, ou seja, morte celular programada.
Quando esta regulação do ciclo celular célula falha podemos assistir à
neoplasia – divisão celular de forma descontrolada, podendo tornar-se
malignas como é o caso do cancro.
Caso estas células malignas invadam os tecidos vizinhos e se espalhem
por outras partes do corpo trata-se de metastização.
2.4. Variação de DNA
Após a replicação semiconservativa do DNA em S, as células passam a
ter o dobro do material genético e cada cromossoma possui dois cromatídios.
Durante a mitose (anáfase), os cromossomas distribuem-se de forma
equitativa de modo a manter a estabilidade genética.
3. Diferenciação celular
Todas as células de um ser vivo apresentam exatamente a mesma
informação genética.
Contudo, estas passam pela diferenciação celular - conjunto de processos
através dos quais células geneticamente iguais se especializam para
desempenharem dada função.
Por outro lado, as experiências de Steward e Briggs verificaram que células
diferenciadas podem perder a sua especialização e transformar-se em células
indiferenciadas, readquirindo as características da célula original.
Deste modo, as células especializadas conservam todo o seu DNA, embora
possuam apenas 5-10% ativo.
Consoante a sua diferenciação, as células estaminais dividem-se em:
Embrionárias Adultas

Totipotentes Pluripotentes Multipotentes Unipotentes


As células totipotentes são capazes de gerar um organismo completo
(incluindo o complexo embrionário). Por multiplicação e diferenciação
tornam-se pluripotentes, podendo gerar todo o organismo exceto o embrião.

Biologia 68
CRESCIMENTO, RENOVAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR

3.1. Regulação génica


Embora, todas as células de um indivíduo possuam o mesmo material
genético, em cada célula apenas estão ativos determinados genes, definidos
por regulação génica.

3.1.1. Operão Lac


François Jacob e Jacques Monod propuseram o Mecanismo Operão
como expressão dos genes em células procarióticas.
Verificaram que a bactéria Escherichia coli possuía um conjunto de
genes estruturais que permitiam a síntese de enzimas para degradação da
lactose, estando associados a genes controladores (que os controlam).
Neste sentido, o operão (segmento de genes) possui um repressor
que bloqueia o avanço a RNA polimerase, soltando-se apenas ao detetar
lactose. Após o desimpedimento do operão, este torna-se funcional e a
RNA polimerase copia os genes para uma cadeia de RNA que vai então
formar as enzimas necessárias para degradação da lactose.
3.1.2. Metaplasia
As metaplasias consistem em mudanças reversíveis de células que são
substituídos por células de outro tipo, como é o caso de:
Refluxo gástrico Fumadores
O ácido do suco gástrico leva a A inalação do fumo leva a que as
alterações metaplásicas das células células que revestem a traqueia e
do esófago, tornando-se brônquios sejam substituídas por
semelhantes às do intestino. células sem cílios.

Biologia 69
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

1. Reprodução assexuada

A reprodução assexuada consiste na reprodução sem que ocorra


fecundação, envolvendo apenas um progenitor e baseando-se nas suas células
totipotentes – células capazes de gerar todo o organismo, incluindo o
complexo embrionário.

Os seres gerados são clones, ou seja, são geneticamente idênticos aos


progenitores, tendo derivado da mitose das células-mãe.

Prós _____________________________ Contras _________________________


+ Permite um rápido aumento de − Não contribui para a variabilidade
populações em meio favorável; genética;
+ Mantém a estabilidade das − Quando o meio se torna
características dos organismos ao desfavorável, pode levar à
longo de gerações; extinção da espécie.

Alguns métodos de reprodução assexuada são:


Bipartição Divisão múltipla
Divisão da célula-mãe em duas Divisão do núcleo da célula-mãe
células-filhas semelhantes. em vários núcleos que se rodeiam
Ex: unicelulares procariontes, por porções de citoplasma e
amiba, planária e paramécia. membrana, originando células-filhas.
Gemulação Ex.: protozoários, alguns fungos.
Formação de gemas/ gomos que Esporulação
se desenvolvem e formam novos Formação de esporângios que dão
indivíduos independentes. origem a células especiais - esporos.
Ex.: hidra, leveduras… Ex.: fungos, algas, musgos e fetos.
Fragmentação Partenogénese
Fragmentação do indivíduo com Desenvolvimento do indivíduo a
regeneração das partes perdidas. partir de um oócito não fecundado.
Ex.: estrela-do-mar, planária, algas. Ex.: abelhas, pulgões...

1.1 Multiplicação vegetativa


A multiplicação vegetativa natural corresponde a um método de
reprodução assexuada exclusivo das plantas. Esta consiste na formação de
novos organismos completos a partir de porções da planta-mãe. É o caso da
batateira, do lírio, do morangueiro, da roseira, da begónia, etc.

Biologia 70
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

Existem também vários métodos de multiplicação vegetativa artificial:


Enxertia por estaca Enxertia por encosto
Introdução de um fragmento da Junção dos ramos de duas
planta-mãe – estaca (caulinar, plantas (descascadas na zona de
radicular ou foliar) - no solo, levando contacto).
à formação de raízes. Mergulhia
Enxertia por garfo Dobra de um ramo da planta,
Contacto de feixes condutores de enterrando-o no solo para criar
plantas diferentes com a junção das raízes, originando uma planta
respetivas superfícies cortadas pela independente.
introdução do garfo (caule) no Alporquia
cavalo (parte radicular). Envolvimento do ramo de uma
Enxertia por borbulha árvore num plástico preto com
Inserção de uma gema/ borbulha musgo e terra para simular o solo.
da planta A num corte na casca da Após a formação de raízes corta-se
planta B (cavalo). o ramo e envasa-se.
1.1.1. Biotecnologia
Biotecnologia • multiplicação vegetativa
Conjunto de técnicas laboratoriais que se baseia na totipotência das células
vegetais e na ação das hormonas para atividades que vão deste a
reprodução seletiva e fermentação até à manipulação do DNA, de modo
a aumentar a quantidade e qualidade da produção.
Deste modo, a biotecnologia explora a capacidade de reprodução
assexuada das plantas (clonagem) derivada da sua capacidade de originar
a sua totalidade – células totipotentes.
1.1.2. Micropropagação
A micropropagação consiste numa técnica de produção de um
grande número de plantas em excelente estado sanitário, sendo que são
necessárias condições assépticas (esterilizadas), meios com nutrientes e
hormonas e controlo de fatores abióticos.
Este técnica tem uma data de vantagens como:
+ Multiplicação e crescimento de plantas em massa;
+ Proteção das culturas contra doenças, estando livres de vírus;
+ Obtenção de grandes quantidades de compostos a custo reduzido
e com elevado grau de pureza;
+ Realização de pesquisas de melhoramento genético;

Biologia 71
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

+ Permite selecionar variedades de plantas com características


perdidas, conservando as características selecionadas;
+ Propagação de espécies de difícil reprodução ou em vias de
extinção.
Contudo, também apresenta algumas desvantagens:
− Requer uma técnica especializada, equipamentos sofisticados e
pessoal qualificado;
− Aumenta a vulnerabilidade de toda a plantação a parasitas, uma
vez que inibe a variabilidade genética;
− Não pode ser aplicada em todas as espécies vegetais;
− A regeneração pode não ser possível.
1.2. Clonagem nos animais
1.2.1. Clonagem embrionária
A clonagem embrionária consiste em remover pelo menos uma
célula do embrião no estádio inicial de multiplicação celular, provocando o
seu desenvolvimento completo.
Neste sentido, forma-se um novo embrião geneticamente igual ao que
lhe deu origem.
1.2.2. Transferência nuclear
Na clonagem por transferência nuclear transfere-se o núcleo de uma
célula do animal que se pretende clonar para um óvulo (sem núcleo) de
outro da mesma espécie, produzindo uma cópia geneticamente idêntica a
partir de uma célula somática diferenciada.
Vaca Margarida (célula somática embrionária)
A inserção do núcleo de uma célula muscular de um embrião num
óvulo cultivado in vitro levou à formação do embrião que foi transferido
para o útero de uma outra vaca que deu, depois, à luz à vaca Margarida.
Ovelha Dolly (célula somática adulta)
Uniu-se o núcleo de uma célula mamária de uma ovelha de cabeça
branca ao óvulo (sem núcleo) de uma ovelha de cabeça preta, dando início
à divisão celular. O embrião gerado foi transferido para o útero de outra
ovelha de cabeça preta que gerou a ovelha Dolly, de cabeça branca.
O caso da ovelha Dolly foi extremamente difícil e improvável, dado
que os animais clonados com células adultas têm defeitos e anomalias ou
morrem no início da gestação devido a falhas de programação do genoma.

Biologia 72
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

Neste sentido, a clonagem em células embrionárias é muito mais


eficiente dado que os genes ainda estão ativos no genoma e, por isso, a
eficiência da clonagem depende da diferenciação da célula dadora,

1.2.3. Clonagem humana


Os avanços na clonagem têm permitido conhecer melhor o
funcionamento celular, abrindo novas perspetivas terapêuticas que visam
utilizar células somáticas para produzir diferentes tecidos e órgãos através
da transferência de núcleos para óvulos anucleados e a sua multiplicação
em laboratório.
Embora a clonagem humana para fins reprodutivos levante uma
infinidade de questões éticas, a clonagem humana para fins
terapêuticos, ou seja, para criação de órgãos e tecidos em laboratório, é
bastante apoiada, sendo que se deve basear na utilização de células como:
Células estaminais adultas;
Células estaminais presentes no sangue do cordão umbilical e da
placenta;
Células estaminais embrionárias não utilizadas.
2. Reprodução sexuada
Na reprodução sexuada é necessária a formação de gâmetas durante a
meiose para que ocorra fecundação, originando um ovo/ zigoto que, por
mitoses consecutivas, dará origem a um indivíduo com uma combinação
genética dos dois progenitores envolvidos.
2.1. Meiose
A meiose consiste no processo de divisão celular a partir do qual uma
célula diploide, com dois cromossomas homólogos (2n), origina 4 células
haploides, com apenas um cromossoma homólogo (n), pelo que as células-
filhas têm metade do número de cromossomas da célula-mãe.

Antes da meiose é necessário que ocorra a interfase com a duplicação


do DNA na fase S, na qual cada cromossoma passa a ser constituído por dois
cromatídios idênticos unidos pelo centrómero.

Biologia 73
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

A meiose divide-se em duas divisões consecutivas:


Divisão reducional • Meiose I Divisão equacional • Meiose II
Redução do número de Divisão dos cromatídios,
cromossomas, com a divisão de um originando dois núcleos com um
núcleo diploide em dois haploides. cromatídio cada a partir de um
Prófase I núcleo haploide com dois.
Condensação dos cromossomas, Prófase II
destruição do invólucro nuclear e Condensação/ espiralização dos
formação do fuso acromático. cromossomas homólogos,
Dá-se a sinapse: emparelhamento desaparecimento do invólucro
dos cromossomas homólogos, nuclear e deslocamento dos
formando bivalentes que podem centríolos para polos opostos,
sofrer crossing-over, ou seja, troca iniciando a formação do fuso
de segmentos de cromatídios nos acromático.
pontos de quiasma. Metáfase II
Metáfase I Os cromossomas estão o mais
Ligação dos cromossomas condensados possíveis, alinhando-
homólogos ao fuso acromático e se na placa equatorial ligados ao
alinhamento na placa equatorial fuso acromático pelo centrómero.
pelos pontos de quiasma. Anáfase II
Anáfase I Divisão do centrómero e
Rotura dos pontos de quiasma e separação dos cromatídios de cada
separação aleatória dos cromossoma com a sua ascensão
cromossomas homólogos pela polar, formando conjuntos de
ascensão polar, levando a conjuntos cromossomas haploides
haploides. constituídos por um só cromatídio.
Telófase I Telófase II
Desorganização do fuso Descondensação dos
acromático, descondensação dos cromossomas, desorganização do
cromossomas e formação do fuso acromático e reorganização do
invólucro nuclear. invólucro nuclear.
2 núcleos haploides. 4 núcleos haploides.

Biologia 74
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

2.1.1. Meiose vs Mitose


Enquanto que a mitose ocorre em células somáticas para formar duas
células-filhas com o mesmo número de cromossomas da célula-mãe, a
meiose ocorre para a formação de gâmetas ou esporos com metade dos
cromossomas da célula-mãe.
Ao contrário da mitose, na meiose há emparelhamento de
cromossomas homólogos e crossing-over, pelo que a informação genética
das células-filhas é diferente entre elas e entre a célula-mãe.
2.1.2. Mutações
Durante a meiose podem ocorrer mutações que podem ser:
Mutações numéricas Mutações estruturais
Alterações no número de Alterações no número ou arranjo
cromossomas. dos genes.

Falhas na separação dos Rotura da estrutura linear do


cromossomas homólogos cromossoma seguida de uma
(anáfase I) ou na dos reparação deficiente aquando o
cromatídios (anáfase II). crossing-over (prófase I).
De modo a evitar estas mutações ocorre regulação da meiose por
proteínas especializadas em:
Final de G1 – início de S;
Prófase I (Crossing-over);
Metáfase II.
Estas anomalias nos gâmetas irão originar seres com informação
genética diferente do normal, maioritariamente prejudicial. Contudo, estas
podem ser benéficas e representar uma fonte da variabilidade genética.

2.1.3. Estabilidade e variabilidade genética


A meiose e a fecundação conservam o nº de cromossomas de uma
espécie, mas também permitem a variabilidade genética, visto que:
O crossing-over permite novas combinações de genes maternos
e paternos no mesmo cromossoma;
Na anáfase I, os pares de cromossomas separam-se ao acaso;
Na fecundação, a união de gâmetas também é aleatória.
Deste modo, os seres vivos com reprodução sexuada possuem
grande diversidade genética e vantagens em termos evolutivos.

Biologia 75
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

2.2. Estratégias de reprodução sexuada


2.2.1. Reprodução nos animais
Os gâmetas masculinos (espermatozoides) e femininos (óvulos) são
produzidos em gónadas: os testículos e os ovários, respetivamente.
Os animais podem reproduzir-se por:
Unissexualismo Hermafroditismo
Cada animal tem apenas um Os animais produzem ambos
sexo, sendo que a união de espermatozoides e óvulos,
gâmetas pode ocorrer por: podendo ser:
Fecundação externa: Hermafrodita suficiente:
Frequente em ambientes A fecundação ocorre entre
aquáticos, dá-se a libertação gâmetas do mesmo indivíduo.
sincronizada de gâmetas para o Ex.: parasitas.
meio que se atraem quimicamente. Hermafrodita insuficiente:
Fecundação interna: Ocorre fecundação cruzada com
Comum em ambiente terrestre, troca de espermatozoides da parte
o encontro e alojamento de de ambos os indivíduos,
gâmetas e ovos dá-se no interior fecundando-se um ao outro.
do organismo da fêmea. Ex.: caracóis.
Antes, durante e após o acasalamento, alguns animais realizam a
parada nupcial – um conjunto de comportamentos para comunicarem e
chamarem a atenção um do outro.
2.2.2. Reprodução nas plantas
Gametângios masculinos Gametângios femininos
Anterídios e sacos polínicos das Arquegónios, oogónios e
anteras ovários

Anterozoides e grãos de pólen Oosferas e óvulos


As flores das plantas possuem órgãos de
suporte (pedúnculo e recetáculo), proteção
(sépalas), atração de animais polinizadores
(pétalas).
Os órgãos reprodutores da flor são:
Estames masculino Carpelos feminino
Filete + antera Estigma + estilete +
ovário
Biologia 76
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

Quanto à sexualidade das plantas, estas podem ser:


Dioicas/ unissexuais Monoicas/ hermafroditas
Cada planta produz gâmetas de Uma mesma plantas produz
apenas um sexo. gâmetas dos dois sexos.
A polinização de plantas pode ser direta ou cruzada.
3. Ciclos de vida
Um ciclo de vida consiste na sequência de transformações da vida de um
ser vivo desde o seu nascimento até se reproduzir.
Ao longo deste ciclo ocorre meiose e fecundação, levando à alternância
de fases nucleares: diplófase (núcleo diploide) e haplófase (núcleo haploide).
3.1. Ciclo diplonte
Comum em mamíferos, o ciclo diplonte é
caracterizado pela meiose pré-gamética, onde são
formados os gâmetas. Neste caso, todas as células são
diploides, exceto os gâmetas que são haploides.
Deste modo, a entidade celular é diplonte,
predominando a diplófase.
3.2. Ciclo haplonte
É o caso da maioria dos fungos e protistas, incluindo algumas algas,
possuindo agregados filamentosos com células dispostas lado a lado.
Quando as condições ambientais são favoráveis, ocorre reprodução
assexuada por fragmentação.
Já quando, as condições são desfavoráveis ocorre reprodução sexuada:
Formação de saliências entre dois filamentos de algas próximos que
entram em contacto criando o tubo de conjugação.
O conteúdo de uma das células desloca-se por esse tubo ocorrendo
fecundação com a fusão dos conteúdos celulares e gâmetas.
Os filamentos desagregam-se e o zigoto (2n) fica em estado latente
até às condições voltarem a ser favoráveis.
Ocorre meiose e apenas um dos núcleos
haploides formados a partir do zigoto sobrevive,
sofrendo mitoses para formar nova espirogira.
Deste modo, a meiose é pós-zigótica, não
produzindo gâmetas, mas sim células que dão origem ao
organismo multicelular haplonte.

Biologia 77
REPRODUÇÃO NOS SERES VIVOS

3.3. Ciclo haplodiplonte


É o caso das plantas e algumas algas, sendo estes seres haplodiplontes
os únicos nos quais ocorre alternância de gerações, isto é, alternação de
estados multicelulares diploides e haploides.
Esporófito Gametófito
Estado multicelular diploide que dá Estado multicelular haploide que
origem a esporos. dá origem a gâmetas.
No caso do esporófito formam-se soros, ou seja, grupos de
esporângios, na página inferior das folhas. Estes esporângios contêm
células-mãe de esporos que sofrem meiose originando esporos.
Quando libertados, cada esporo forma um protalo - gametófito
fotossintético independente com duas partes:
Anterídio masculino Arquegónio feminino
Onde se formam Anterozoides Onde se formam oosferas
Os anterozoides nadam até aos arquegónios e fundem-se com as
oosferas formando o zigoto que, por mitoses origina o feto –
esporófito.
Deste modo, a meiose é pré-espórica, produzindo
esporos que se dividem por mitose para dar origem
ao organismo haplonte – protalo. Este forma gâmetas
que se vão unir e formar o organismo diplonte – esporófito.

Biologia 78
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

1. Origem das células eucarióticas


Todos os seres vivos são constituídos por células e têm constituição
bioquímica, código genético e processos básicos de vida muito semelhantes, o
que sugere que tenham todos descendido do mesmo ancestral.
Julga-se que as primeiras células tenham sido procarióticas, com:
DNA disperso no citoplasma e constituído por uma simples molécula
circular;
Ribossomas de pequenas dimensões e ausência de organelos;
Pigmentos fotossintéticos na membrana (procariontes fotossintéticos).
Neste sentido, as células procarióticas teriam evoluído para células mais
complexas – células eucarióticas, com:
Material genético organizado no núcleo;
Grande abundância de estruturas celulares, incluindo organelos
fundamentais na obtenção e transformação de energia;
Mitocôndrias e cloroplastos muito semelhantes aos procariontes atuais.
Esta evolução desencadeou 2 hipóteses: autogénica e endossimbiótica.
1.1. Modelo autogénico

As células procarióticas ter-se-iam tornado mais complexas através de


invaginações da membrana seguidas de especialização.

Algumas porções de material genético teriam abandonado o núcleo e


evoluído nos compartimentos formados, sendo que o primeiro
compartimento a surgir terá sido o invólucro nuclear.
Embora a membrana dos organelos seja semelhante à da célula, o DNA
das mitocôndrias e dos cloroplastos é diferente do do núcleo.
1.2. Modelo endossimbiótico

As células procarióticas teriam incorporado outras mais pequenas,


estabelecendo endossimbiose (ambas beneficiam da associação) e
tornando-se dependentes um do outro, formando um só organismo.

Deste modo, o endossimbionte beneficia de proteção e condições


estáveis e o hospedeiro beneficia dos produtos por ele sintetizados.
Os cloroplastos e as mitocôndrias têm estrutura, material genético,
ribossomas e processos de transcrição e tradução semelhantes a células
procarióticas, julgando-se por isso que tenham sido endossimbiontes.

Biologia 79
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

Para além de que estes organelos, tal como os procariontes, dividem-se


por divisão autónoma e bipartição. A sua membrana interna é semelhante à
dos procariontes e a externa à dos eucariontes.
Este tipo de associações também se verifica em seres vivos atuais como
a Mixotricha: um simbionte que ajuda o hospedeiro a digerir a celulose. Esta
também possui bactérias esféricas no seu interior que funcionam como
mitocôndrias endossimbiontes.
Contudo, este modelo não explica a origem do núcleo das células
eucarióticas.
1.3. Modelo autogénico e endossimbiótico
Julga-se que o núcleo das células eucarióticas tenha surgido por
invaginação da membrana. Para além de que as mitocôndrias e os
cloroplastos não são geneticamente autossuficientes e necessitam de alguns
genes do núcleo da célula, o que favorece o modelo autogénico.
Deste modo, surgiu o modelo aceite atualmente – modelo autogénico
e endossimbiótico - uma síntese dos dois anteriores.
Este defende a formação do núcleo por invaginação da membrana
(autogénico) e uma incorporação sequencial de mitocôndrias em todas as
células eucarióticas e, posteriormente, de cloroplastos apenas em células
fotossintéticas (endossimbiose).
1.4. Origem da multicelularidade
Dada a predação, os organismos maiores têm vantagem.
Contudo, estes não podem aumentar indefinidamente o seu tamanho,
até porque o aumento do volume aumenta o metabolismo, mas a superfície
não aumenta na mesma proporção, logo, não existe o aumento da eficácia de
trocas com o exterior necessário.
Neste sentido, para um organismo maior sobreviver tem que:
reduzir o seu metabolismo ou apresentar multicelularidade
A multicelularidade surgiu na associação de células-filhas e células-mãe
que não se libertaram após a reprodução, formando colónias.
É o caso da volvox – algas que formam colónias com células
que se uniram por prolongamentos citoplasmáticos e bainhas
gelatinosas formando uma esfera oca.
Nesta colónia, as células são interdependentes a nível estrutural e ainda
não ocorreu diferenciação, pelo que todas são semelhantes com exceção das
células maiores (responsáveis pela reprodução).

Biologia 80
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

A especialização de células de colónias em determinadas funções levou


à interdependência estrutural e funcional entre elas, pelo que a colónia
começou a comportar-se como um só indivíduo - multicelularidade.

A multicelularidade trouxe várias vantagens aos organismos, tais como:


Aumento da especialização celular e maior eficácia na utilização de
energia, reduzindo a taxa metabólica;
Manutenção das condições internas e, por isso, maior independência
em relação ao meio exterior;
Aumento da dimensão (sem comprometer as trocas com o meio);
Grande diversidade estrutural com adaptação a diferentes ambientes.
2. Mecanismos de evolução
Durante séculos (quando a religião vigorava) prevalecia o fixismo,
admitindo que as espécies são permanentes, perfeitas e não sofreram evolução.
Neste ponto de vista surgiram 3 teorias:
Geração espontânea Criacionismo Catastrofismo
Explica a origem dos Defende que os seres Atribui a biodiver-
seres vivos em receitas – vivos foram uma criação sidade a catástrofes que
matéria orgânica divina, o que implica eliminaram os seres
transforma-se em seres perfeição e vivos e os substituíram
vivos. estabilidade. por outros.
Mais tarde, surgiu o transformismo que defende que as espécies
degeneram de forma lenta e progressiva devido a circunstâncias ambientais e a
necessidade de obter alimento.
O desenvolvimento de geologia concluiu que a Terra é um planeta em
constante mudança e que os fenómenos geológicos atuais são idênticos aos
passados. Assim, surgiu o Uniformitarismo que defende que o presente é a
chave do passado e a maioria das alterações geológicas ocorrem de forma lenta
e gradual – princípio do gradualismo.
Estas ideias aplicaram-se também à biologia e, neste sentido, surgiu o
evolucionismo que defende que as espécies mudam de forma lenta e
progressiva ao longo do tempo, originando outras espécies.

2.1. Lamarckismo
Conhecido como Cavaleiro de Lamarck, Jean-Batiste estudou espécies
de conchas fossilizadas e concluiu que as espécies deviam evoluir, tendo sido
o primeiro cientista evolucionista.

Biologia 81
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

O Lamarckismo baseia-se na adaptação dos seres em função do


ambiente e das suas necessidades, criando dois princípios fundamentais:
Lei do uso e do desuso Lei da herança dos caracteres
A utilização de um dado órgão adquiridos
determina o seu desenvolvimento As mudanças são hereditárias e
como forma de adaptação ao meio. passadas aos descendentes.

Contudo, esta hipótese suscitou algumas críticas:


Não se conseguiu provar cientificamente a necessidade de
adaptação e a procura de perfeição;
A herança dos caracteres adquiridos não se verifica
experimentalmente;
As adaptações provenientes do uso e do desuso são somáticas e
individuais, não transmissíveis à descendência.
Surgiu também o Neolamarckismo que sugere a possibilidade de o
ambiente modificar o indivíduo diretamente, embora reconheçam que
apenas as características inscritas no material genético são hereditárias.
Esta teoria defende a possibilidade de algumas proteínas alteráveis pelo
ambiente poderem modificar o DNA.
2.2. Darwinismo
Charles Darwin, influenciado pela geologia, descobriu que, tal como a
Terra, as espécies tinham mudanças contínuas e graduais, inicialmente
impercetíveis, mas que com o tempo acabariam por ter significado.
Através da biogeografia, o cientista verificou que as características dos
diferentes meios condicionam a evolução das espécies, diferenciando-as.
Este apurou também que as populações animais se mantêm estáveis, ao
contrário da população humana que está sempre a aumentar. Isto dado que
que: nem todos os animais da população se reproduzem; são condicionados
pelo alimento e condições ambientais; e muitos não sobrevivem.
Segundo Darwin todas as espécies apresentam indivíduos com
características diferentes – variabilidade intraespecífica. Dado que nem
todos os descendentes podem sobreviver, apenas os mais aptos às
condições ambientes acabam por sobreviver – seleção natural.
Estes acabam por viver mais tempo, reproduzem-se mais e transmitem
as suas características à descendência – reprodução diferencial. A lenta e
progressiva acumulação de características ao longo das gerações leva à
criação de uma nova espécie.

Biologia 82
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

Prós ____________________________ Contras ________________________


+ Relaciona as espécies umas com − Não explica as causas da
as outras e explica as existência de variações dentro
semelhanças entre elas; da mesma espécie, nem o modo
+ Torna a diversidade explicável e como estas variações são
plausível. transmitidas entre gerações.

2.3. Argumentos a favor do evolucionismo


A Teoria da evolução é bastante apoiada por várias áreas incluindo:
Argumentos clássicos Argumentos recentes
apoiam o Darwinismo apoiam o Neodarwinismo
Anatomia comparada; Citologia;
Paleontologia; Bioquímica;
Embriologia; Genética.
Biogeografia;
2.3.1. Anatomia Comparada
Vários seres vivos apresentam semelhanças anatómicas entre eles,
sugerindo a existência de ancestrais comuns dos quais herdaram um
plano básico de estrutura corporal.
Estruturas homólogas
Estruturas que terão divergido de um mesmo ancestral – evolução
divergente, resultando da seleção natural em indivíduos semelhantes em
meios diferentes e, logo, sujeitos a diferentes pressões seletivas.
Estes possuem plano de organização estrutural, origem embriológica
e posição relativa semelhante, mas aspeto e funções diferentes.
A espécie ancestral separou-se em vários grupos que ocupam variados
nichos ecológicos, originando várias espécies – radiação adaptativa.
Neste sentido, é possível identificar dois tipos de evolução:
Séries filogenéticas progressivas Séries filogenéticas regressivas
Ancestral simples levou a órgãos Ancestral complexo deu origem a
complexos. órgãos simples.
Estruturas análogas
Estruturas semelhantes que convergiram de ancestrais diferentes –
evolução convergente, evidenciando a seleção natural exercida sobre
indivíduos diferentes num meio semelhante (pressão seletiva semelhante).
Embora tenham origem embriológica diferente, têm a mesma função.

Biologia 83
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

Estruturas vestigiais
Estruturas úteis e desenvolvidas nos ancestrais, mas que atrofiaram
dado serem inúteis às espécies atuais.
Deste modo, indicam a presença de um ancestral comum e
evidenciam a evolução das espécies.
2.2.2. Paleontologia
O registo fóssil revela espécies inexistentes atualmente, pelo que
contraria a ideia da imutabilidade das espécies e apoia o evolucionismo.
Foram descobertos fósseis com características que correspondem, na
atualidade, a dois grupos diferentes de seres vivos - fósseis de formas
intermédias/ sintéticas.
Estes permitem concluir que organismos atuais, embora pertencentes
a grupos diferentes, provêm do mesmo ancestral que, por evolução,
originou indivíduos diferentes.
2.2.3. Embriologia
A embriologia foca-se no estudo comparativo do desenvolvimento
embrionário de seres vivos, permitindo identificar relações entre diferentes
grupos de seres vivos (que no estado adulto são impercetíveis)
Deste modo, identificam-se várias semelhanças entre embriões de
vertebrados de classes diferentes nas primeiras fases de desenvolvimento.
À medida que o embrião se desenvolve surgem características
próprias e diminuem as semelhanças, sendo que:
Indivíduos mais afastados Indivíduos mais próximos
filogeneticamente têm curtas fases filogeneticamente têm longas
ontogenéticas comuns; fases ontogenéticas comuns.
2.2.4. Biogeografia
A biogeografia analisa a distribuição geográfica dos seres vivos,
concluindo que as espécies mais próximas são mais semelhantes, do
mesmo modo que espécies isoladas tendem a ser diferentes.
Tal se verifica nos mamíferos australianos que são marsupiais, ao
contrário dos mamíferos dos outros continentes que são placentários.
2.2.5. Citologia
Estudos revelaram que os processos metabólicos a nível celular são
idênticos, verificando universalidade estrutural e funcional entre os seres
vivos. Logo, possuem todos a mesma origem.

Biologia 84
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

2.2.6. Bioquímica
Todos os seres vivos são constituídos pelos mesmos compostos
orgânicos, têm código genético universal e várias espécies têm DNA
semelhante, o que também indica que todos têm a mesma origem.
Alguns métodos de estudo são a análise de proteínas, separação de
moléculas de DNA e testes sorológicos.
2.4. Neodarwinismo
Gene alelo Fundo genético
Conceitos base

Sequência de DNA situada na Conjunto de todos os genes


mesma região em cromossomas existentes numa dada população
homólogos. num dado momento.
Genótipo Fenótipo
Composição alélica específica Evidência de uma dada
de um indivíduo. característica.
Como já foi referido, Darwin era incapaz de explicar a existência de
variações dentro da mesma espécie e o modo como estas são transmitidas.

Graças à conciliação do Darwinismo e dos dados fornecidos por ciências


como a anatomia comparada e a genética surgiu o Neodarwinismo ou
Teoria Sintética da Evolução que defende:
A variabilidade intraespecífica resulta de mutações e fenómenos de
recombinação genética;
A seleção natural atua sobre essa variedade, selecionando os mais
aptos que sobrevivem mais e se reproduzem mais, passando as
características à descendência – reprodução diferencial;
A evolução baseia-se na acumulação de variações lentas e graduais
do fundo genético de uma população;

As populações não são geneticamente uniformes, pelo que possuem


uma enorme variedade de genes. Contudo estes nem sempre se manifestam
devido a genes alelos dominantes que “ocultam” os recessivos e, por isso, um
dado fenótipo pode não se manifestar embora faça parte do genótipo.
As alterações no fundo genético podem também variar consoante:
Fluxo genético: migrações - fluxo de genes entre populações;
Deriva genética: diminuição drástica do tamanho da população;
Ausência de cruzamentos ao acaso: escolha específica do
parceiro sexual e, logo, ausência de panmixia;

Biologia 85
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

3. Sistemática dos seres vivos


Dado o elevado número de espécies existentes é necessária a classificação
dos seres vivos, agrupando-os em diferentes categorias.
Antigamente os SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO
seres vivos eram
agrupados consoante
Práticos Racionais
a sua utilidade para o
Interesse ou utilidade Morfologia, anatomia
Homem – práticos.
para o Homem e fisiologia
Aristóteles e Lineu
começaram a agrupá-los
Horizontais Verticais
de acordo com as suas
Não consideram Evolução ao
características morfológicas,
o fator tempo longo do tempo
anatómicas e fisiológicas –
classificações racionais.
Assim, as Artificiais Naturais Filogenéticos
classificações horizontais Pequeno nº de Elevado nº de
apenas têm em conta as características características
características dos seres. Já
as verticais reproduzem as suas relações
Fenéticos
evolutivas, tendo em conta o fator tempo.
Através de árvores filogenéticas (verticais), é possível identificar um
ancestral comum do qual os vários grupos foram divergindo, evidenciando:
Características primitivas Características evoluídas
Encontradas em todos os Encontradas nos organismos de
organismos do grupo. um grupo, mas não no ancestral.
Alguns critérios de classificação de espécies são:
Morfologia: semelhança anatómica entre seres;
Simetria corporal;
Modo de nutrição: fonte de energia (fototróficos ou quimiotróficos) e
de matéria orgânica (autotróficos ou heterotróficos), digestão por
ingestão (intracelular ou extracelular) ou por absorção;
Embriologia: formas de desenvolvimento embrionário semelhantes;
Cariologia: análise do nº e estrutura dos cromossomas da espécie;
Etologia: estudo do comportamento;
Dados bioquímicos: comparação de proteínas e ácidos nucleicos;
Organização estrutural: procar. ou eucar., unicelular ou multicelular…

Biologia 86
EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

3.1. Taxonomia
O sistema de classificação atual mantém alguns aspetos do de Lineu,
sendo disposto de forma hierárquica e dividido em categorias taxonómicas.
A espécie é a unidade básica
Espécie
deste sistema de classificação, pois é o

maior nº de organismos
maior grau de parentesco

Género mais uniforme e com menor


Família capacidade de inclusão, sendo o único
Ordem táxon natural.
Classe Indivíduos da mesma espécie têm
Filo / Divisão o mesmo fundo genético, são
Reino morfologicamente semelhantes e têm
descendência fértil quando cruzados.
Para designar a espécie é utilizada a nomenclatura nominal - 2 termos:
1º termo – Identifica o nome do género.
2º termo – restritivo específico – identifica a espécie.
Já a nomenclatura de subespécies é trinominal, sendo o 3º termo o
restritivo subespecífico (identifica a subespécie).
As nomenclaturas devem ser escritas em itálico (formato digital) ou
sublinhadas (manuscrito), com letras minúsculas à exceção da primeira do 1º
termo. Estas são expressas em latim, dado ser uma língua morte e, por isso,
estável e universal.
3.2. Divisão de reinos
A divisão de 5 reinos
atual tem em conta a
organização estrutural, o
modo de nutrição e as
interações dos seres vivos nos
ecossistemas.
Mais tarde, surgiu o
modelo de 3 domínios:
Archeabactéria – proca-
riontes extremófilos;
Eubacteria – procarion-
tes comuns;
Eukarya – eucariontes.

Biologia 87
GEOLOGIA
11º ANO
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

1. Risco geomorfológico
A ocupação antrópica tem levado a vários desequilíbrios, tais como:
Desflorestação e exploração exaustiva dos solos;
Exploração desenfreada de recursos minerais;
Necessidade constante de mais recursos energéticos;
Aceleração das mudanças climáticas a nível global.
Uma ocupação antrópica desregulada amplia os riscos naturais, incluindo
os riscos geológicos e geomorfológicos, isto é, a probabilidade de
acontecimentos perigosos associados à morfologia da superfície terrestre.
Deste modo, é necessário um ordenamento do território, ou seja, a
organização do espaço biofísico, tendo em conta a sua ocupação, utilização e
transformação de acordo com as suas capacidades.
2. Bacias hidrográficas

Os rios são cursos de água superficiais e regulares organizados em redes


hidrográficas - conjunto de cursos de água do rio principal e (sub)afluentes.
Esta rede, juntamente com toda a área drenada constitui a bacia hidrográfica.

Nos rios destacam-se dois conceitos importantes:


Montante Jusante
= =
Nascente Foz
Em condições normais a água corre pelo leito normal de um rio, já em:
Pluviosidade abundante Seca prolongada

Leito de cheia Leito de estiagem


A linha que une os pontos do fundo do leito desde a nascente até à foz
designa-se por perfil longitudinal, pelo que permite estudar o declive do leito.
Já o perfil transversal é o tamanho e forma do curso de água quando visto
em corte transversal.
A água é o agente que mais modifica a paisagem, pelo que a sua
escorrência nos rios tem um grande impacto geológico por:
Erosão – extração progressiva de materiais do leito e das margens;
Transporte – deslocação dos materiais;
Sedimentação/ deposição – acumulação dos materiais.
Alguns fatores que contribuem para o desequilíbrio das bacias
hidrográficas são as cheias, a construção de barragens e a extração de inertes.

Geologia 89
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

2.1. Cheias
Precipitações intensas, degelos e rutura de barragens podem levar ao
aumento do caudal dos rios com elevação e extravase do leito normal.
Cheias Inundação
Transbordo de um curso de água Submersão de uma área
relativamente ao leito normal - leito usualmente emersa, podendo
de cheia. derivar de cheias.
As cheias levam ao enriquecimento dos ecossistemas das margens com
formação de depósitos – aluviões – que aumentam a fertilidade. Contudo,
levam à destruição de bens naturais e danos humanos.
De modo a prevenir este fenómeno devemos:
Ordenar e controlar as ações humanas nos leitos de cheias;
Construir sistemas de regularização do caudal (barragens e diques);
Impedir a urbanização dos leitos de cheia.
A vegetação ripícola (que ocupa as margens dos rios) estabiliza as
margens, protege o solo (diminuindo a erosão), aumenta a infiltração da água
(diminuindo a água no caudal) e reduz a velocidade da corrente, diminuindo
assim as violências das cheias e protegendo as áreas adjacentes aos rios.
Alguns fatores que favorecem as inundações urbanas são:
Ocupação urbana nos leitos de cheia;
Estrangulamento da secção dos rios devido ao aumento de
sedimentos no leito;
Deficiências nos sistemas de drenagem pluvial;
Impermeabilização dos solos urbanos por estradas, casas, etc.
2.2. Construção de barragens
As barragens são construções transversais ao curso de água,
repreendendo-a e criando uma albufeiro.
Prós ___________________________ Contras _______________________
+ Regularização e controlo dos − Acumulação de sedimentos a
caudais; montante;
+ Abastecimento de água; − Redução quantidade de
sedimentos depositados no mar;
+ Produção de energia
− Risco de rutura;
hidroelétrica;
− Impacto negativo nos
+ Atividades turísticas/ desportivas. ecossistemas.

Geologia 90
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

2.3. Extração de inertes


A extração de inertes consiste na remoção de sedimentos depositados
no leito ou margens dos rios para fins de construção civil, levando a:
Alterações nas correntes e dinâmica do rio;
Redução da carga sólida transportada pela água;
Impacto na fertilidade de espécies de peixes;
Alteração nos ecossistemas;
Erosão das construções humanas em contacto com o rio.
3. Zonas costeiras
As faixas costeiras das áreas continentais são modeladas pela energia
mecânica das ondas, das correntes e das marés
A zona litoral é composta por duas formas geológicas distintas:
Arribas/ falésias Praia
Costa rochosa bastante inclinada e Costa arenosa de declive suave
com pouca cobertura vegetal. resultante da deposição de areias
Está sujeita a erosão marinha transportada pelo mar.
intensa, especialmente na base A deposição de areia transportada
formando a plataforma de abrasão. pelo vento é fixada por vegetação,
As arribas podem ser vivas (ainda formando dunas – defesas naturais
em modelação) ou fósseis (livre de que impedem o avanço do mar para
erosão do mar). o interior.
3.1. Aumento da erosão litoral
As zonas costeiras, estando sujeitas aos movimentos das águas do mar,
sofrem deposição, transporte de sedimentos e abrasão/erosão marinha.
Embora a erosão marinha seja natural, a sua intensificação tem causado
vários danos económicos e humanos.
3.1.1. Causas naturais
Uma das causas naturais do aumento da erosão litoral é a alternância
entre regressões e transgressões com variação do nível médio das águas.
Regressão Transgressão
Recuo do mar, emergindo zonas Avanço do mar, aumentando o
anteriormente submersos. nível médio das águas.
Pode ser resultado da Pode ser resultado de um
acumulação de gelo nos glaciares, degelo acentuado ou subsidência
atividade tectónica, etc. da bacia sedimentar.

GEOLOGIA 91
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

Neste sentido, para além de regressões e transgressões, o aumento da


erosão litoral pode derivar da alternância de glaciações e interglaciações e
deformação das margens continentais por forças tectónicas.
3.1.2. Causas antrópicas
Algumas causas antrópicas do aumento da erosão litoral são:
Retenção de sedimentos nas barragens e extração de inertes,
diminuindo a quantidade de sedimentos que chegam ao mar;
Ocupação desregrada da faixa litoral, levando à impermeabilização
de áreas arenosas;
Alterações climáticas, levando ao degelo dos glaciares e
consequente transgressão do mar;
Destruição das dunas;
Obras de engenharia costeira pesada;
Diminuição da quantidade de sedimentos.
3.1.3. Medidas de proteção e defesa costeira
Em vigor estão vários programas que visam minimizar a erosão
costeira e recuperar a costa, como POOC (define objetivos e medidas) e o
Finisterra (executa as medidas e propostas).
Para além do abandono dos espaços litorais, algumas medidas de
proteção ligeira são:
Alimentação artificial das praias;
Ordenamento de estradas passadiços e estacionamentos;
Apoios de praia;
Estabilização de arribas.
Em casos extremos é necessário recorrer à proteção pesada -
construção de estruturas que visam proteger a costa do ataque direto das
ondas, embora tenham custos ambientais elevados como o
desaparecimento de sistemas litorais naturais. Estas podem ser:
Transversais à linha Paralelas à linha de Destacas da linha
de costa costa de costa

Esporões Paredões Quebra-mares


Outras obras de defesa costeira pesada são:
Enrocamentos;
Molhes;
Píeres.

GEOLOGIA 92
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

4. Zonas de vertente
Os deslizamentos de terra podem destruir, inutilizar estruturas, pôr em
perigo vidas humanas e até soterrar cidades.
Estes movimentos de massa são, então, deslocamentos de materiais
sólidos, lama ou rocha não consolidada, podendo ser de três tipos:
Deslizamento Fluxo de sedimentos Queda de blocos
O material move-se As partículas Quedas de rochas
em bloco, movem-se indepen- fortemente influencia-
frequentemente dentemente umas das das pela gravidade,
induzidos por outras, podendo ser frequente em vertentes
atividades humanas causados por intenso muito inclinadas. Pode
que ampliam a fluxo de águas dever-se a
inclinação das superficiais ou de lama escavamento natural
vertentes. vulcânica (lahar). ou artificial e sismos.
Os movimentos de massa tendem a ocorrer em superfícies de vertente
compostas por material sujeito a uma intensa meteorização e fragmentação.
4.1. Fatores condicionantes
Os fatores condicionantes influenciam os movimentos dos terrenos,
retardando ou acelerando a sua ocorrência, sendo permanentes.
Alguns destes fatores podem ser:
Tipo e caracterização da rocha – quanto menos consolidado é o
material, mais suscetível é, sendo que a intensa meteorização do
material aumenta o material não consolidado;
Orientação e inclinação das camadas – estratos paralelos ao plano
da vertente têm risco de movimento superior, enquanto estratos com
orientação contrária ao plano de vertente têm menor risco;
Gravidade – o aumento da inclinação da vertente leva ao aumento da
componente tangencial, responsável pela movimentação.
4.2. Fatores desencadeantes
Os fatores desencadeantes são circunstâncias que podem favorecer os
movimentos de massa, podendo ser naturais ou antrópicos.
Alguns fatores desencadeantes naturais são:
Teor em água;
Sismos;
Incêndios – remoção de vegetação.

GEOLOGIA 93
OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

Outros fatores desencadeantes antrópicos são:


Destruição da cobertura vegetal;
Remoção de terrenos;
Vibração artificial.
4.3. Previsão e prevenção
É possível detetar alguns sinais que permitem prever a ocorrência de
movimentos de massa como o aparecimento de fendas de tração no chão,
aumento da inclinação das árvores e queda contínua de material na vertente.
Para prevenção, é recomendado:
Estudo das características geológicas e geomorfológicas de um
local para avaliação do seu potencial de risco;
Efetuar avaliações rigorosas do impacto das atividades humanas
numa determinada região;
Conhecer o grau de risco geológico;
Elaboração de cartas de ordenamento do território com
definição de zonas habitacionais, agrícolas, ecológicas, exploração
de recursos, vias de comunicação, etc.;
Remoção dos materiais geológicos que possam constituir perigo;
Drenagem das águas pluviais;
Reflorestação;
Consolidação de vertentes instáveis.
Podem também ser construídas obras de consolidação de vertentes
como muros de gabiões, redes metálicas e pregagem e ancoragem.

GEOLOGIA 94
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

1. Minerais
Um mineral reúne as seguintes características:
É um material sólido;
É natural e inorgânico, logo não teve intervenção de seres vivos;
Tem composição química definida ou pouco variável;
Tem textura cristalina, ou seja, arranjo atómico altamente organizado.
Os minerais podem ser:
Isomorfos Polimorfos
Composição química diferente e Mesma composição química, mas
textura cristalina semelhante. arranjo cristalino diferente.
1.1. Propriedades físicas
As propriedades físicas podem ser óticas (cor, risca e brilho),
mecânicas (fratura, clivagem e dureza) ou a própria densidade.
A cor de um mineral resulta da absorção de algumas das radiações que
compõem a luz branca e reflexão das restantes. Quanto à cor, existem:
Minerais idiocromáticos Minerais alocromáticos
Apresentam cor constante. Apresentam cor variável.
A risca ou traço corresponde à cor do mineral quando reduzido a pó.
Para determinar a risca de minerais com…
Dureza inferior à porcelana <7 Dureza superior à porcelana ≥7

Fricciona-se o mineral sobre uma Reduz-se uma amostra do mineral a


placa de porcelana fosca. pó.
Frequentemente, a cor da risca não coincide com a cor do mineral,
embora a cor do traço seja constante para um mesmo mineral. Em regra:
Alocromáticos Idiocromáticos não Minerais de brilho
Risca incolor ou metálicos metálico
branca Risca igual à sua cor Risca negra
O brilho é o aspeto que o mineral apresenta quando reflete a luz, sendo
que deve ser observado em superfície de fratura recente.
Brilho metálico Brilho sub-metálico Brilho não metálico
Intenso. Menos intenso. Pouco intenso.

Minerais opacos Minerais transparentes

GEOLOGIA 95
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

A diafaneidade corresponde à maior ou menor permeabilidade dos


minerais à luz, podendo ser transparente, translúcida ou opaca.
Alguns minerais apresentam birrefrangência, ou seja, dupla refração,
pelo que cada raio de luz que se propaga no mineral é desdobrado em dois
raios refratados com velocidades e direções de propagação diferentes.
Quanto às propriedades físicas mecânicas:
Fratura Clivagem
Todas as ligações químicas no Existem ligações químicas mais
mineral são igualmente fortes. fracas em certas direções.
Já a dureza corresponde à resistência de um mineral ao ser riscado,
podendo ser determinado em relação a uma escala de dureza constituída por
minerais padrão – Escala de Mohs (10 termos). Nesta escala:
X e Y não se riscam X risca Y X é riscado por Y

Têm a mesma dureza. Dureza de X > Y. Dureza de X < Y.


Assim, qualquer mineral da escala risca todos os que estão abaixo dele,
não sendo riscado por eles.
Outras propriedades físicas dos minerais são:
Densidade;
Magnetismo – propriedades magnéticas e de atração de metais;
Hábito – forma em que o mineral ocorre como cristal.
1.2. Propriedades químicas
A reação aos ácidos (ex.: ácido clorídrico) é uma propriedade dos
minerais que deriva da sua composição química.
Para distinguir a halite/ sal (NaCl) recorre-se ao teste do sabor salgado.
2. Litosfera (rochas)
As rochas são unidades estruturais da crosta e do manto terrestres
constituídas por minerais, podendo ser divididas em três categorias
dependendo do seu ambiente de formação:
Magmáticas Sedimentares Metamórficas
Rochas resultantes Formadas pela Resultantes da
da solidificação de deposição de transformação da
magma, em sedimentos originais textura e composição
profundidade ou à de outras rochas mineralógica de
superfície. preexistentes. outras rochas.

GEOLOGIA 96
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

3. Rochas Sedimentares
3.1. Formação de Rochas Sedimentares
A formação de rochas sedimentares divide-se em 2 fases:
3.1.1. Sedimentogénese
A sedimentogénese corresponde ao conjunto de processos que
intervêm desde a elaboração dos materiais até à sua deposição, através da
meteorização, erosão, transporte e deposição.
Meteorização
Alteração das características iniciais das rochas por ação de fatores físicos
e/ou químicos, tornando-as mais vulneráveis à erosão:
Meteorização física Meteorização química
Fragmentação das rochas em Alteração da estrutura interna
porções menores, aumentando a com conversão noutros minerais
área de superfície exposta e mais estáveis ou em produtos
mantendo as características do solúveis, sendo mais intensa em
mineral original através de: zonas quentes e húmidas.
Crioclastia (congelação de Hidrólise: Substituição dos
água nos poros); iões dos minerais por iões
Atividade biológica; hidrogénio (H+ e OH-);
Descompressão à superfície Hidratação: combinação quí-
(expansão e fratura da rocha); mica dos minerais com água,
Ação mecânica da água e do aumentando o volume, o que
vento (por projeção de facilita a desintegração;
detritos); Oxidação: reação dos iões dos
Termoclastia (dilatações e minerais com o oxigénio,
contrações térmicas); ganhando ou perdendo
Haloclastia (precipitação de eletrões.
minerais dissolvidos na água Dissolução: reação dos
que se vão acumulando nos minerais com a água ou um
poros). ácido, quebrando ligações
Predomina em zonas geladas e químicas e dissolvendo-se. É o
desérticas onde a água líquida é caso da carbonatação: dissolu-
escassa. ção dos carbonatos (ex: calcite).

Erosão
Remoção dos materiais resultantes da meteorização, através da água, do
vento e da gravidade.

GEOLOGIA 97
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

Transporte
Transporte dos materiais pela água e vento, sofrendo arredondamento e
granotriagem (divisão de detritos por tamanho).
Deposição/ sedimentação
Ocorre geralmente em estratos horizontais. É a partir
desta etapa que os clastos passam a ser denominados
sedimentos.
3.1.2. Diagénese
A diagénese trata-se do conjunto de processos físico-químicos que
transformam sedimentos soltos em rochas coerentes e consolidadas:
Compactação Cimentação
Compressão dos sedimentos e Preenchimento dos espaços
consequente expulsão de água, entre sedimentos por minerais que
diminuindo o seu volume. precipitaram.
3.2. Classificação das Rochas Sedimentares
Sedimentos Sedimentos de Sedimentos
detríticos (clastos) origem química biogénicos
Provenientes da Substâncias Restos de seres
alteração de outras dissolvidas na água vivos, como conchas,
rochas. que precipitam. ossos, pólen, etc.

Rochas Rochas Rochas


sedimentares sedimentares de sedimentares de
detríticas origem química origem biológica
3.2.1. Rochas detríticas
Formadas a partir de fragmentos de outras rochas, as rochas
detríticas podem ser não consolidadas ou consolidadas (diagénese).
Os balastros e as areias, por compactação e cimentação, formam
brechas ou conglomerados e arenitos, respetivamente. Já as siltes e as
argilas formam siltitos e argilitos sem que ocorra cimentação.
3.2.2. Rochas quimiogénicas
Constituídas por mais de 50% de materiais neoformados, as rochas de
origem química são resultantes da alteração de condições de pressão e
temperatura e evaporação de água, o que leva à deposição/ precipitação
de minerais dissolvidos.

GEOLOGIA 98
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

Os evaporitos formam-se em ambientes quentes e secos por


evaporação da água onde os minerais estavam dissolvidos. À medida que
a água evapora, os sais menos solúveis são os primeiros a precipitar.
3.2.3. Rochas biogénicas
Constituídas por restos de seres vivos ou vestígios da sua atividade, as
rochas (quimio) biogénicas podem ser:
Calcários biogénicos Combustíveis fósseis
Formados por consolidação de Transformação da matéria
peças esqueléticas do organismo orgânica (formada a partir de
que depositam e são cimentadas energia luminosa), armazenando a
por uma matriz inorgânica. sua energia química.
Exemplos de combustíveis fósseis são o carvão e os hidrocarbonetos:
Carvão
O carvão forma-se em ambiente continental húmido de vegetação
luxuriante e drenagem de água difícil - regiões tropicais/subtropicais.
Este deve-se ao rápido soterramento da matéria vegetal na ausência
de oxigénio, sofrendo sedimentação e movimentos de subsidência. Graças
ao aumento de pressão e temperatura (incarbonização geoquímica) e ao
metabolismo bacteriano anaeróbio (incarbonização bioquímica) dá-se a
perda de água e voláteis, o enriquecimento em carbono e, logo, o aumento
do potencial calorífico.
Hidrocarbonetos
Embora não estejam no estado sólido, os hidrocarbonetos são
resultado da diagénese de material orgânico associado a rochas
sedimentares englobando o petróleo bruto e gás natural, entre outros.
Estes formam-se em ambientes com baixos teores de oxigénio,
impedindo a degradação da matéria orgânica pelos decompositores.
Estes são formados graças à rocha mãe – camada espessa que fornece
a matéria orgânica. As condições de pressão e temperatura são elevadas,
levando a afundamento e modificações químicas com a transformação
progressiva da matéria em fluídos.
Quando as camadas sofrem compressão a
profundidade, os fluídos migram ascendendo
para o topo de uma rocha armazém – pouco
densa e viscosa, sendo cobertos pela rocha-
cobertura – impermeável.

GEOLOGIA 99
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

As armadilhas petrolíferas são, então, deposições de petróleo retido.


Estas podem ser favorecidas por dobras (anticlinais), falhas, armadilhas
estratigráficas ou domos salinos.
4. Fósseis e História da Terra / o presente é a chave do passado

O estudo das rochas sedimentares permite:


Caracterizar o tipo de transporte dos sedimentos e as condições
ambientais em que ocorreram a sedimentação e diagénese;
Estudar formas de vida do passado;
Estudar as alterações das rochas desde a sua formação;
Sequenciar fenómenos e processos da história de uma região.
Algumas marcas a estudar podem ser:
Separação de estratos: indica alteração das condições;
Marcas de ondulação: o ambiente estava sujeito a ondulação,
mostrando a direção das correntes e a posição original das camadas;
Fendas de dessecação: sedimentação pouco profunda, com se-
dimentos expostos a humidade elevada alternada com períodos secos.
Do mesmo modo, os fósseis têm um papel essencial na história da Terra,
surgindo em rochas sedimentares dado que estas se formam à superfície e a
temperatura e pressão relativamente baixas, preservando-os.
Somatofósseis Icnofósseis
Partes do corpo dos seres vivos. Vestígios da atividade dos seres.
A fossilização requer condições específicas como:
Soterramento rápido, impedindo a destruição do corpo, e a baixa
temperatura, dificultando a decomposição;
Soterramento por sedimentos finos, protegendo-o de predadores e da
decomposição pelo oxigénio;
Existência de partes duras no organismo.
A fossilização pode ocorrer por:
Mineralização Mumificação Moldagem
Substituição da Envolvimento do Gravação dos seres
matéria orgânica por organismo por resina por sedimentos que
matéria mineral, com ou gelo, com preserva- consolidam. Pode ser
recristalização das ção quase total (incluin- por molde interno ou
partes duras. do partes moles). externo.
Pode ainda ocorrer incarbonização quando se dá o enriquecimento
progressivo em carbono (em relação aos outros elementos químicos).

GEOLOGIA 100
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

4.1. Fósseis de fácies 4.2. Fósseis de idade


Permitem estudar o ambiente Eram abundantes na superfície
passado, sendo usados na terrestre, embora tenham vivido
reconstituição de paleoambientes. por curtos períodos (baixa
Viveram por longos períodos, distribuição estratigráfica), sendo
embora em ambientes restritos. úteis na datação relativa.

4.3. Datação relativa


A datação relativa corresponde a uma comparação de idades, sendo
obtida através de fósseis de idade e da análise da posição das rochas, tendo
em conta princípios como:
Princípio da horizontalidade original;
Princípio da sobreposição: as rochas acima são mais jovens;
Princípio da Interseção: a rocha que interseta é a mais recente;
Princípio da Inclusão: a rocha incorporada é mais antiga;
Princípio da Continuidade lateral: um estrato contínuo tem a
mesma idade em todos os pontos;
Princípio da Identidade Paleontológica: estratos com o mesmo
conteúdo fóssil, apresentam a mesma idade.
Uma discordância estratigráfica é uma superfície vítima de erosão,
sendo que abaixo dela pode existir qualquer tipo de rocha, mas acima só
podem existir rochas sedimentares.
4.4. Datação absoluta/ radiométrica
Já a datação absoluta/ radiométrica determina a idade exata das
rochas ao analisar a desintegração contínua de radioisótopos.
Conhecendo a velocidade de desintegração dos isótopos e a
quantidade de isótopo-pai que já se desintegrou dando origem a isótopo-
filho, é possível determinar a idade das rochas.
4.4.1. Semivida
Uma semivida corresponde ao tempo necessário para que se
desintegre metade do número dos átomos iniciais.
Exemplo: 50% isótopo pai – 1 semivida
25% isótopo pai – 2 semividas
12,5% isótopo pai – 3 semividas

GEOLOGIA 101
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

5. Tempo Geológico
O tempo geológico está dividido em Eras, subdividindo-se em Períodos.
Cada etapa da história da Terra corresponde a um
conjunto de seres vivos específico, um clima global diverso
ou uma configuração dos continentes e oceanos diferente,
sendo que as suas divisões são definidas por mudanças
significativas no mundo vegetal e animal.
Era Cenozoica: diversificação dos mamíferos;
aparecimento dos primeiros hominídeos.
Era Mesozoica: desenvolvimento e extinção dos
dinossauros; aparecimento de plantas com flor.
Era Paleozoica: diversificação da vida; primeiras
plantas e animais terrestres.
Pré-Câmbrico: longo intervalo de tempo anterior
sobre o qual há muito menos informação.
6. Magmatismo – Rochas magmáticas
O magmatismo é o conjunto de processos que conduzem ao
desenvolvimento e movimento do magma no interior da Terra, formando as
rochas magmáticas.

O magma é um material de origem profunda formado por uma mistura


complexa de silicatos em fusão e gases. As rochas magmáticas podem ser:
Plutónicas (intrusivas) Vulcânicas (extrusivas)
Magma consolidado em Magma consolidado à superfície
profundidade, sofrendo um (lava) que sofreu um arrefecimento
arrefecimento gradual e uma brusco e cristalização reduzida, for-
cristalização lenta, originando cristais mando cristais menores (invisíveis).
de grandes dimensões (visíveis). Têm textura agranular/ afanítica
Têm textura glanular/ fanerítica. ou vítrea (não se formam cristais).
Exemplo: Granito (textura fanerítica). Exemplo: Basalto (textura afanítica).

A fusão destes materiais pode ser influenciado por:


Composição química
Aumento da temperatura
Diminuição da pressão: diminui o ponto de fusão dos materiais;
Presença água: diminui o ponto de fusão da rocha.

Geologia 102
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

6.1. Classificação de magmas


Tendo em conta a composição, os magmas podem ser classificados em:
Magma basáltico Magma andesítico Magma riolítico

Básico Intermédio Ácido


Assim, podemos formar famílias, agrupando rochas com a mesma
composição química que se distinguem pela textura.

6.1.1. Magma basáltico / básico


Pobre em sílica (≤50%) e gases, originando lavas muito fluídas. São
muito densos e têm temperatura elevada.
Forma-se principalmente nos riftes e pontos quentes. O peridotito
(ultrabásico) resulta da fusão do manto na ausência de água.
Estes magmas formam rochas da família dos gabros: Basaltos
(consolidação à superfície – textura afanítica) ou gaBros (cristalização em
profundidade – textura fanerítica), sendo rochas melanocratas (cor escura)
constituídas por minerais máficos (magnésio + ferro).
6.1.2. Magma andesítico / intermédio
Intermédio em sílica (50-70%) e gases, densidade e temperatura
média, formando lavas de viscosidade intermédia.
Forma-se nas zonas de subducção pela fusão das rochas da crusta
continental e oceânica ou manto superior na presença de água. A composi-
ção é complexa, dependendo do material do fundo oceânico subductado.
Estes magmas originam rochas da família dos dioritos: andesitos
(consolidação à superfície – textura afanítica) e dioritos (cristalização em
profundidade – textura fanerítica) - rochas mesocratas (cor intermédia).
6.1.3. Magma riolítico / ácido
Rico em sílica (>70%) e gases, originando lavas muito viscosas. São
pouco densos e têm temperaturas relativamente baixas.
Formam-se sobretudo nos limites convergentes entre placas
continentais a partir da fusão parcial de rochas da crusta continental na
presença abundante de água e dióxido de carbono.
Originam rochas da família dos granitos: Riólitos (consolidação à
superfície – textura afanítica) e gRanitos (cristalização em profundidade –
textura fanerítica), sendo rochas leucocratas (cor clara) constituídas por
minerais félsicos (sílica + alumínio + feldspatos).

Geologia 103
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

6.2. Consolidação do magma


A consolidação dos magmas engloba a cristalização dos minerais, a
sublimação de vapores e a vaporização de fluídos.
Numa rocha magmática os minerais não se formam todos ao mesmo
tempo, sendo a sua cristalização condicionada por:
Agitação do meio Espaço disponível
Quanto mais calmo for o meio, O cristal só cresce em função do
maior a probabilidade de espaço que tem para crescer.
desenvolvimento de cristais. Temperatura
Tempo Temperaturas elevadas e
O desenvolvimento do cristal arrefecimento lento favorecem a
requer tempo; cristalização.
Consoante as condições da sua formação, os cristais podem ser:
Cristais euédricos Cristais Anédricos
Perfeitos e com faces bem Menos desenvolvidos e sem
desenvolvidas. qualquer tipo de faces.
Formados em meio calmo, com Formados em meio agitado, com
arrefecimento calmo e com tempo e arrefecimento rápido, pouco tempo
espaço de crescimento. de crescimento e espaço reduzido.
Existem ainda os cristais subédricos que apresenta parcialmente faces
bem desenvolvidas.
A forma dos cristais depende também de fatores internos como a
estrutura cristalina - disposição tridimensional ordenada de átomos ou iões
característica de cada mineral que será refletida na forma do cristal.
Segundo a teoria reticular, a rede cristalina (segundo a qual os átomos
se dispõem) é formada por partículas ordenadas segundo diferentes direções
do espaço, tendo como unidade estrutural a forma paralelepipédica –
malha elementar ou motivo cristalino.
Independentemente das condições de formação, a malha cristalina, ou
seja, a organização espacial dos átomos que constituem o cristal, é constante
para cada mineral. Esta depende da distância entre partículas da aresta da
malha e do ângulo formado entre arestas.
Deste modo, as propriedades dos minerais (ex.: clivagem) são
consequência da estrutura cristalina e do tipo de forças que ligam as
partículas entre si, pelo que o cristal reflete a estrutura interna ordenada.
Quando as partículas não chegam a assumir um arranjo definido
comportam-se como um líquido viscoso – estrutura amorfa/ vítrea.

Geologia 104
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

6.2.1. Silicatos
São o principal grupo de minerais das rochas magmáticas,
tendo como motivo cristalino o ião (SiO4)4- com forma tetraédrica.
Os tetraedros não são eletricamente neutros, ligando-se entre si por
polimerização. A forma como se ligam dá origem a redes cristalinas
diversas e a minerais diferentes. Ex.: Feldspatos (ortóclase e plagióclase),
quartzo, piroxena, micas (biotite e moscovite) e olivina.
6.2.2. Isomorfismo 6.2.3. Polimorfismo
A composição química de um Contudo, os minerais nem
dado mineral nem sempre é única, sempre se podem distinguir pela
existindo casos em que os iões sua composição química e esta
originais são substituídos por nem sempre determina a estrutura
outros, alterando a composição cristalina.
química, mas mantendo a estrutura Tal verifica-se nos minerais
cristalina inalterável. polimorfos - mesma composição
É o caso dos minerais química, mas com estruturas
isomorfos com diferentes cristalinas e formas diferentes.
constituições químicas, mas com O polimorfismo ocorre quando
estrutura interna e formas externas as condições de pressão e
semelhantes. temperatura em que se formam
A substituição dos elementos são muito diferentes.
pode ter ocorrido devido a É o caso do diamante, criado a
afinidade química, raio iónico altas pressões, com ligações
semelhante ou carga elétrica igual. covalentes muito fortes entre os
Série isomorfa/ solução sólida átomos em todas as direções, e do
– conjunto de minerais com a grafite, formado a baixas pressões,
mesma estrutura interna que que apenas apresenta ligações
variam de composição, formando covalentes fortes entre átomos do
cristais de mistura. mesmo plano.
6.3. Diferenciação magmática
Segundo o princípio de diferenciação magmática um só magma pode
originar diferentes tipos de rochas pois os minerais cristalizam a temperaturas
diferentes, logo ocorre alteração da sua composição à medida que estes vão
cristalizando.
O fenómeno de separação do magma ao longo do seu arrefecimento
distinguindo diferentes cristais a temperaturas progressivamente menores
denomina-se cristalização fracionada.

Geologia 105
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

Os primeiros cristais a serem formados são separados da parte líquida


por deposição de cristais, acumulando-se no fundo da câmara magmática
devido à gravidade – diferenciação gravítica. Assim, os cristais dispõem-se
consoante a sua densidade comparativamente com o líquido residual.
Com a progressiva cristalização dos minerais, permanece o magma resi-
dual cuja composição vai mudando conforme a temperatura vai diminuindo.
A compressão da câmara magmática e o consequente aumento de
pressão forçam o magma residual a escapar por fendas, enquanto os cristais
permanecem no local de formação.
Bowen conseguiu determinar a ordem pela qual os minerais cristalizam
em magmas em arrefecimento – Série de Bowen, tendo comprovado
também a diferenciação magmática.
Na sua ordem destaca-se:
Série descontínua ferromagnesianos Série descontínua plagióclases
Minerais com estrutura cristalina e Minerais isomorfos – mesma
composição distintas e não estrutura com variação gradual da
relacionadas. composição.

Primeiros minerais a cristalizar: Últimos minerais a cristalizar:


Cristalização a alta temp.; Cristalização a baixa temp.;
Ponto de fusão elevado; Ponto de fusão reduzido;
Cor escura; Cor clara;
Menos resistentes e instáveis; Mais resistentes e estáveis;
Menos hidratados. Mais hidratado.

Geologia 106
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

Se os minerais formados mantiverem contacto com o magma residual,


sofrem alterações químicas e estruturais, originando minerais mais estáveis
(ex.: olivina – piroxena)
À medida que os primeiros minerais se formam o magma fica mais pobre
nos elementos que os constituem e, logo, progressivamente mais con-
centrado em sílica (+ ácido). Este magma residual formado é constituído por
água com voláteis e soluções termais (ex.: sílica, plagioclase sódica, quartzo).
Durante a ascensão do magma, este vai reagindo com as rochas
encaixantes a alta temperatura, alterando a sua composição inicial –
assimilação magmática.
Pode ainda ocorrer mistura de magmas – mistura de materiais em fusão
e diferentes tipos de magmas, alterando a composição química.
7. Deformação das rochas
Segundo a Teoria da Tectónica de Placas, a litosfera encontra-se em
constante movimento, exercendo fortes tensões sobre as rochas, podendo ser:
Tensão litostática não dirigida Tensão não litostática dirigida
Pressão exercida pela carga das Pressão resultante dos
camadas suprajacentes sentida em movimentos tectónicos exercida
todas as direções. segunda uma dada direção.

Diminuição de volume Foliação


As forças tectónicas (tensão não litostática) podem ser classificadas como:
Forças compressivas Forças distensivas Forças de cisalhamento
Compressão dos Estiramento/ Movimento paralelo
blocos em limites distensão dos blocos em sentidos opostos em
convergentes, rochosos em limites limites conservativos
diminuindo o volume. divergentes. (falhas transformantes).
Quando sujeito a tensões, o material pode ter:
Comportamento frágil falhas Comportamento dúctil dobras
Grande rigidez do material, Elevada plasticidade do material,
formando falhas. Está associado a resultando em dobras. Está
zonas próximas da superfície e a associado a maiores profundidades e
temperaturas reduzidas. temperaturas mais elevadas.
Assim, consoante o comportamento do material, a deformação tanto pode
ser elástica, readquirindo a forma original quando as forças deixam de existir,
plástica, mantendo a deformação. ou por rutura, fraturando.

Geologia 107
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

O comportamento das rochas quando sujeitas a tensões depende de:


Composição química e mineralógica e estrutura;
Conteúdo em fluídos – água reduz a rigidez das rochas, aumentando
a plasticidade;
Temperatura – quanto maior a temperatura, maior a plasticidade;
Pressão – quanto maior a pressão, maior a plasticidade;
Tipo de tensão – a rocha é mais plástica face a tensões litostáticas;
Velocidade da deformação – quanto mais rápido, mais frágil;
7.1. Falhas
Características de regimes frágeis, as falhas consistem em fraturas com
movimento relativo dos blocos fraturados.
Numa falha, é possível identificar elementos característicos:
1. Plano de falha – superfície de fratura
onde ocorre deslocamento dos blocos;
2. Teto – bloco acima do plano de falha;
3. Muro – Bloco abaixo do plano de falha;
4. Rejeito/ rejeto vertical – distância vertical
do deslocamento relativo;
5. Direção– interseção do plano de falha com um plano horizontal;
6. Inclinação – ângulo entre o plano de falha e um plano horizontal.
As falhas podem ser classificadas como:
Falhas normais Falhas inversas Desligamento
Forças distensivas. Forças compressivas. Forças de cisalhamento
Descida do teto. Subida do teto. Movimento lateral.
7.2. Dobras
Associadas a forças compressivas em regime dúctil, as dobras são
deformações nas quais também é possível identificar certos elementos como:
1. Charneira – linha de cada camada com os pontos de maior curvatura;
2. Flancos – superfícies laterais, cuja inclinação
é dada pelo ângulo com um plano horizontal;
3. Plano axial – plano que interseta todas as
charneiras;
4. Eixo da dobra – charneira da camada
superior cuja orientação indica a direção da dobra.

Geologia 108
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

Quanto à disposição espacial dos elementos, as dobras podem ser:


Antiforma Sinforma
Concavidade voltada para baixo. Concavidade voltada para cima.
Já quanto à idade relativa dos seus constituintes, pode ser:
Anticlinal Sinclinal
Núcleo é mais antigo. Núcleo é mais recente.
8. Metamorfismo
As rochas metamórficas advêm da transformação de rochas preexistentes
quando sujeitas a metamorfismo – processo da geodinâmica interna em que:
A rocha sofre alterações mineralógicas, texturais e estruturais;
Ocorre muito lentamente e em profundidade, sem nunca ocorrer fusão;
As rochas estão sujeitas a condições de pressão e/ ou temperatura
superiores às da sua formação.
Alguns dos fatores relevantes no processo de metamorfismo são:
Pressão /tensão cristalinas e recristalização dos
A pressão litostática (criada pelo minerais, tornando-os mais estáveis.
peso das rochas suprajacentes) leva a Fluidos circulantes
uma compactação dos minerais, A maior fluidez e menor densidade
tornando-os mais densos. dos fluidos relativamente à rocha
Já a pressão dirigida (resultante permite a sua circulação e o
dos movimentos tectónicos) cria uma consequente contacto das rochas
orientação preferencial dos minerais. com novas substâncias, promovendo
Calor temp. 200ºC – 800ºC reações químicas e acelerando a
O aumento de temperatura leva a difusão dos elementos químicos.
alterações na textura e composição Tempo
mineralógica das rochas, com o Sendo um processo lento, o
rearranjo dos elementos das redes metamorfismo requer tempo.
A intensidade do metamorfismo é variável, podendo ser de:
Baixo grau Alto grau
Estruturas originais das rochas Rocha original é completamente
continuam visíveis. transformada e recristalizada.
O aumento progressivo das condições de pressão e temperatura e o
consequente aumento do grau de metamorfismo revelam a intensificação da
recristalização (maior granularidade) e o desenvolvimento de minerais-índice.
Deste modo, dada rocha original pode originar diferentes tipos de rochas
metamórficas consoante o grau de metamorfismo a que é sujeita.

Geologia 109
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

8.1. Minerais das rochas metamórficas


Existem minerais característicos de certas condições de pressão e
temperatura – minerais índice como:
Andaluzite Distena /cianite Silimanite
Temp. e pressão baixas Elevada pressão. Elevada temperatura.
Para além de paleobarómetros (indicam a pressão) e
paleotermómetros (indicam a temperatura), os minerais-índice são também
indicadores do grau de metamorfismo:

8.2. Tipos de metamorfismo


Consoante os fatores que atuam destacam-se 2 tipos de metamorfismo:
Metamorfismo de contacto /térmico Metamorfismo regional
Caracterizado por calor e circu- Predomina o calor, a tensão
lação de fluídos nas proximidades (dirigida) e os fluidos, estando
de intrusões magmáticas, for- associado áreas extensas da crosta
mando a auréola de metamor- terrestre em limites convergentes
fismo cujas rochas são alteradas. de placas, formando fenómenos
Cada zona da auréola é orogénicos e arcos vulcânicos.
caracterizada por um grau de Dada a atuação crescente dos
metamorfismo, sendo que junto à fatores de metamorfismo, as rochas
intrusão se formam corneanas sofrem várias fases de
(duras e de alto grau). recristalização e deformação.
Forma rochas de textura não folia- Forma rochas de textura foliada
da/ granoblástica como: mármore como a ardósia, o micaxisto e o
(calcário), quartzitos (arenitos). gnaisse.

Geologia 110
PROCESSOS E MATERIAIS GEOLÓGICOS

8.3. Rochas metamórficas


Quando sujeitas a tensões dirigidas (pressão não litostática), as rochas
podem sofrer foliação - rearranjo dos minerais segundo planos
perpendiculares à direção da pressão.

Quando certos valores de pressão e temperatura são ultrapassados dá-


se a fusão parcial das rochas – anatexia, tratando-se de um domínio
ultrametamorfismo que marca a fronteira entre o metamorfismo e o
magmatismo.
Concluindo, as rochas metamórficas são:
Resistentes e duráveis;
Muito pouco porosas;
Muito densas;
Constituídas por minerais estáveis e com ligações fortes entre si.

Geologia 111
RECURSOS GEOLÓGICOS

1. Recursos naturais
Entende-se por recurso tudo o que se encontra disponível na natureza e
que pode ser utilizado pelo ser humano para seu benefício, incluindo:
Materiais sólidos, líquidos e gasosos;
Energia;
Depósitos de materiais descobertos e por descobrir.
Já as reservas consistem em recursos já conhecidos, com localização bem
definida e passíveis de ser explorados de forma economicamente rentável.
Quanto à sua disponibilidade, os recursos naturais podem ser:
Renováveis inesgotáveis Não renováveis finitos
Taxa de renovação maior ou igual à Consumidos a um ritmo superior
de utilização. àquele a que são gerados.
Quanto ao conteúdo ou origem, os recursos são classificados como
geológicos, hídricos, biológicos, climáticos, paisagísticos, etc.
Já quanto à utilização, estes podem ser energéticos ou não energéticos
(usados como matérias-primas ou outros benefícios).
Os recursos geológicos são todo o tipo de materiais ou formas de energia
associadas que integram a geosfera com importância para a atividade humana:
Depósitos e massas Recursos Recursos
minerais hidrogeológicos geotérmicos
Ocorrências de Águas subterrâneas Fluídos e formações
minerais (minas) e potáveis, com efeitos geológicas do subsolo
rochas (pedreiras) com favoráveis à saúde ou cuja temperatura seja
interesse económico que permitem a suscetível de
dado o seu valor, rari- extração de subs- aproveitamento
dade ou importância. tâncias nela contidas. económico.
1.1. Recursos Minerais
As rochas e os minerais são recursos não renováveis que podem ser
utilizados como fonte de energia ou como matéria-prima.
Nos locais onde a concentração de um mineral ultrapassa razoavelmente
o seu clarke, ou seja, o valor médio da sua concentração na crusta terrestre,
considera-se a existência de um jazigo mineral.
Um material rochoso com elementos de interesse económico e em
concentração suficiente para ser explorado é denominado minério (ex.:
minério de ouro). Já o material desprovido de valor comercial chama-se
ganga ou estéril, acumulando-se nas escombreiras.

Geologia 112
RECURSOS GEOLÓGICOS

Tendo em conta a sua origem, os minérios podem ser


Primários Secundários
Se os minerais de minério se Os minérios de minério sofreram
formaram com a rocha onde se enriquecimento por alteração,
encontram. infiltração, meteorização ou
Encontram-se em profundidade. transporte.
Os recursos minerais podem ser utilizados…
… na produção de maquinaria e edifícios (metais - ferro e cobre);
… na indústria química (enxofre e nitrogénio);
… em materiais de construção, pavimentação e ornamentação
(calcário, granito, basalto, xisto, mármore).
O tipo de recurso explorado, o modo como se faz a exploração e os
processos de transformação podem ter grandes impactos como:
Contaminação de solos e águas superficiais e subterrâneas por
lixiviados das escombreiras;
Destruição de habitats;
Acidentes e doenças nos trabalhadores.
1.2. Recursos hidrogeológicos
Um aquífero é uma formação geológica subterrânea que permite a
circulação e armazenamento de água bem como a sua exploração rentável e
sem impactes ambientais negativos.
A capacidade de um aquífero de armazenar água e determinar a
viabilidade da sua extração depende de:
Porosidade Permeabilidade
Consiste no volume total de Corresponde à capacidade de a
espaço entre grãos ou cristais das rocha permitir a circulação de água
rochas, quantificando o volume rapidamente, indicando a facilidade
máximo de água que um material em extrair a água subterrânea dos
pode conter. aquíferos.
Esta depende ainda do tamanho Geralmente, uma rocha com
dos sedimentos, do cimento e da baixa porosidade tem baixa
fratura. permeabilidade.
1.2.1. Aquíferos livres
Os aquíferos livres não são limitados
superiormente por uma camada impermeável,
pelo que a água se encontra à pressão atmosférica.

Geologia 113
RECURSOS GEOLÓGICOS

Nos aquíferos é sempre possível identificar duas zonas:


Zona de aeração Zona de saturação
Espaços vazios estão parcial- Os poros encontram-se
mente preenchidos por ar e água. totalmente preenchidos por água.
É delimitada pela superfície e É delimitada pelo nível freático e
pelo nível freático. por rochas impermeáveis.
Num aquífero livre, o nível piezométrico coincide com o nível
freático, consistindo no nível a que a água se encontra à pressão atmosféri-
ca, pelo que num furo a água está à profundidade do nível freático.
1.2.2. Aquíferos cativos
Os aquíferos cativos ou confinados
são limitados superior e inferiormente por
camadas de rochas impermeáveis, sendo a
pressão da água superior à pressão
atmosférica.
Assim, num furo artesiano a água atinge o nível
piezométrico, ou seja, o nível que atingiria se não estivesse sob pressão.
1.2.3. Composição química das águas subterrâneas
As águas subterrâneas nunca são puras, possuindo várias substâncias
diluídas dependendo do contexto geológico.
As águas profundas têm percursos mais longos, pelo que estão mais
tempo em contacto com as rochas, logo são mais ricas em sais dissolvidos.
Os recursos geológicos são principalmente ameaçados por:
Contaminação Sobre-exploração
Contaminação das zonas de Abaixamento do nível
recarga por produtos industriais, hidrostático dos aquíferos.
resíduos urbanos, pesticidas e A extração excessiva de água em
fertilizantes, podendo tornar a zonas costeiras favorece a
água imprópria para consumo contaminação por água salgada.
1.3. Recursos energéticos
Os recursos geológicos energéticos englobam as energias fósseis, a
energia nuclear e a energia geotérmica.
As energias fósseis usadas na produção de energia elétrica e como
combustíveis a partir de petróleo, carvão e gás natural tem diversos impactos
negativos no ecossistema, para além de produção de CO2 e outros gases com
efeito de estufa.

Geologia 114
RECURSOS GEOLÓGICOS

A energia nuclear obtida a partir de minerais radioativos e usada para


produzir energia elétrica também tem bastantes impactes associados como a
poluição de rios e lagos e a produção de resíduos radioativos.
Por isso, tornou-se relevante a produção de eletricidade mais limpa a
partir de energias renováveis como:
Geotérmica (fluído que transporta calor do interior da Terra);
Eólica (vento - aerogeradores);
Solar (luz do Sol - células fotovoltaicas);
Hídrica (água - barragens);
Biomassa (combustão de material orgânico);
1.4. Exploração sustentável dos recursos geológicos
A exploração sustentável dos recursos geológicos deverá basear-se na
reciclagem, redução, recuperação e reutilização de materiais, de modo a
preservar os recursos ainda existentes.

Geologia 115

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