Formação e Petição Inicial no Processo Civil
Formação e Petição Inicial no Processo Civil
Bibliografia: Manuais: Fredie Didier (I e II); Marinoni, Arenhart, Mitidiero (Vol. II); Alexandre
Câmara (Volume único); e D.A.A., Neves (Volume único - Juspodivm)
Não tem aula: 24/10; 26/10 (estagiário deu aula); 12/12; 14/12
19/10/22
Aula 01
Formação do processo
Petição inicial
-> Instrumento da demanda; Veicula a demanda para o juiz. É um ato solene com diversos requisitos
legais que precisam ser preenchidos para ser admitido.
- Art. 319 - CPC: procedimento comum. No procedimento especial, é requerido algo extra.
I - O juízo a que é dirigido. Dessa forma, o autor não poderá arguir a competência relativa.
II - Qualificação das partes. Caso não tenha todas as qualificações necessárias é preciso explicar isso
na petição inicial com as características físicas do Réu. Para descobrir os dados: i. Google; 2.
SPC/SERASA.
III. Fatos e fundamentos jurídicos do pedido - Fala sobre a causa de pedir ou “causa petendi”.
-> Causa de pedir (“causa petendi”): significa fato ou conjunto de fatos que servem para embasar a
pretensão. Tendência de agrupamento dos fatos com os fundamentos jurídicos.
- Classificação: 1. Causa de pedir remota: É o fato ou o título que fundamenta a pretensão. A
pretensão pode ser ativa ou passiva. Ativa: fatos constitutivos do direito autoral. Passivo: Fatos lesivos
do direito do Autor (aqui se fundamenta o interesse do agir).
2. Causa de pedir próxima: Espécie de direito pela qual se demanda. Fundamento jurídico.
Enquadramento jurídico. Simplesmente informar; Se existe ou não é questão de mérito. A
qualificação jurídica não é relevante para fins de causa de pedir, tendo em vista os princípios: e iura
novit curia e narra mihi factum, daba tibi ius.
Aula 02
26/10
O pedido será a delimitação do assunto sobre o qual o juiz poderá decidir. Os elementos da petição
são genericamente referidos no art. 319, mas são minuciosamente tratados em dispositivos
específicos.
O valor da causa (art. 319, V, c/c art. 292), um dos elementos que devem ser indicados na petição
inicial, pode ser um parâmetro para a fixação de custas da parte que sucumbiu, pode definir
competência do processo (por exemplo, até 40 salários mínimos, a ação é ajuizada no Juizado
Especial). Ademais, por exemplo, o valor da causa é um dos elementos de relevância para a
interposição de um recurso especial.
O art. 319, VI, fala sobre os meios de prova. No saneamento do processo, o juiz indicará os pontos
de controvérsia e provocará as partes para que se manifestem provas sobre esses pontos
controvertidos. A produção da prova é feita com mais rigor numa fase mais à frente da petição
inicial. Por isso, geralmente é referida de maneira mais indireta: “requer-se a produção de todas as
provas de que tem direito, como, por exemplo, ”, porque ela será reiterada futuramente na fase de
saneamento.
Art. 319, VII (c/c art. 334). Fala sobre a audiência de conciliação. O CPC tenta estimular os meios
autocompositivos de resolução de controvérsias, dentre as quais a conciliação e a mediação. Na fase
postulatória, o juiz chama as partes e questiona se há alguma viabilidade de acordo entre elas e, a
depender da resposta, determina que elas celebrem um acordo fora do Judiciário ou são
encaminhadas para uma sessão específica com o mediador, para que não se movimente a máquina
judiciária desmotivadamente. Porém, de qualquer forma, trata-se de uma opção do autor, mas
ambas as partes devem ter o interesse na conciliação (salvo em matéria de direito de família, em
que estão envolvidas questões sensíveis, na qual a mediação/conciliação é dispensada, mesmo
quando apenas uma das partes não guarda esse interesse).
*No interesse de agir, verifica-se qual ação “vale a pena” de ser apreciada pelo Judiciário”.
Art. 319, §1º. Fala sobre as hipóteses em que o autor não dispõe de todas as informações do réu.
Neste caso, o juiz determinará diligências para que o autor consiga colher essas informações.
Art. 319, §2º. A partir do momento em que consigo citar o réu, mesmo que eu não disponha de todas as
informações sobre ele, o próprio réu trará as suas informações necessárias.
Art. 319, §3º. Se ficarem comprovados os esforços do autor em buscar as informações do réu, mas se a
tentativa de obter as informações do réu tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à
justiça, a petição inicial não deixará de ser deferida.
Art. 321. Fala sobre a possibilidade de emenda da petição inicial. Se o autor não corrigir esses defeitos,
quando intimado, o juiz irá indeferir a sua inicial. Mesmo diante da ausência de um dos documentos, o
juiz geralmente não anula um ato processual de cara, para dar à parte a oportunidade de sanar as
irregularidades formais, sem precisar ajuizar uma nova demanda. Geralmente, o juiz dá um prazo para
que a parte entregue o documento faltante.
*Nesse despacho de emenda processual, o juiz deverá indicar os vícios que devem ser corrigidos. Logo,
após a entrega da documentação faltante, o juiz não pode, depois, indicar haver mais documentos
faltantes e, por isso, indeferir a inicial. É um caso de necessidade de cooperação do juiz.
Art. 321, p.ú. Apenas se o autor não conseguir cumprir a diligência que o juiz indeferirá a petição
inicial.
O juiz está adstrito ao pedido das partes. Há o pedido mediato (é o bem da vida tutelado na questão) e o
imediato (é a providência jurisdicional requerida).
O juiz deve ser certo, determinado, claro e coerente (arts. 322 e 324). Esses requisitos, no entanto, não
são absolutos, já que comportam exceções. Por exemplo, há hipóteses de pedido genérico (não
determinado), de pedidos implícitos, etc.
Art. 322, §§1º e 2º. Por exemplo, na causa de pedir, falo sobre danos morais, mas esqueço de pedir
indenização por danos morais no pedido. Neste caso, não há pedido implícito. Mas o autor pode fazer
esse aditamento até o saneamento do processo, desde que com o seu consentimento.
Art. 324, §1º. Hipóteses de cabimento de pedido genérico.
Como dito, o pedido deve ser claro e coerente. Não o são os pedidos alternativos ou pedido subsidiário
(casos de cumulação imprópria), pois não é possível receber ambos os pedidos.
Art. 326. Pedido subsidiário (“eu quero esse pedido, mas se não der, eu aceito aquele”).
Art. 327. Com a cumulação de pedidos, não preciso ajuizar demandas distintas. Existem as seguintes
hipóteses de cumulação:
a) Própria: o autor quer que ambos os seus pedidos sejam acolhidos. É a cumulação simultânea
de ambos os pedidos.
a.a) Simples: não há relação de procedência lógica. É comum no caso dos danos morais e
materiais. Logo, posso ter um ou outro ou ambos acolhidos, pois a análise de um
pedido não depende da análise do outro.
a.b) Sucessiva: um dos pedidos é precedente em relação ao outro. Há precedência lógica e
análise de um direito para pedir a análise do outro. Geralmente, temos uma questão de
prejudicialidade ou preliminariedade entre eles. Por exemplo, primeiro peço o
reconhecimento de paternidade para depois, conseguir pedir a concessão de alimentos.
Neste caso, a concessão de alimentos depende do reconhecimento da paternidade
(inicial → reconhecimento de paternidade → alimentos). Outro exemplo é a ação de
exigir contas, que, primeiro, deve envolver o reconhecimento de uma relação jurídica
que gera o dever de exigir contas para, depois, analisar as contas e ver se aquela
pessoa me deve algo.
b) Imprópria: formulam-se vários pedidos, mas a cumulação não é simultânea (eu quero um
pedido ou o outro).
b.a) Alternativa: a preferência pelo pedido é indicada pelo próprio autor.
b.b) Subsidiária/Eventual: o autor prefere um pedido, mas, caso o juiz não o acolha, ele
analisará o pedido subsidiário.
*Na cumulação sucessiva, o juízo negativo no primeiro pedido impede a análise do segundo pedido. Na
cumulação subsidiária, o juízo negativo do pedido preferencial leva à análise do pedido subsidiário.
*Na cumulação sucessiva, o juízo positivo (de admissibilidade) do primeiro pedido não importa juízo
automático de procedência do segundo pedido.
Art. 327, §1º. Fala sobre os requisitos que devem ser observados para a cumulação. A compatibilidade
(inciso I) é verificada na causa de pedir e à luz da cumulação própria. Ademais, o mesmo juízo deve
ser competente para analisar ambos os pedidos (inciso II), embora isso seja um pouco mitigado. O
inciso III é mitigado pelo
§2º. Neste caso, os pedidos cumulados devem ter procedimentos minimamente comuns a ambos, tendo
em vista a economia processual. Quando essa incompatibilidade é mínima, o procedimento comum
será utilizado majoritariamente, ressalvada a utilização de algumas técnicas do procedimento especial.
Art. 328. Por exemplo, há um bem indivisível a ser entregue para mais de um credor. Como o CPC não
prevê o litisconsórcio ativo necessário, aquele que não participou do processo receberá a sua parte,
deduzidas as despesas na proporção de seu crédito.
Aula 03
31/10
1- Petição inicial
-> Cumulação de pedidos
-> Concurso de ações
-> O juiz não pode ter conhecimento prévio dos fatos, é necessário partir do marco zero.
-> As partes também têm a conformação em relação às questões jurídicas.
-> Portanto, essa dicotomia de juiz - direito; parte-fato está sendo flexibilizada na contemporaneidade,
ou seja, as partes também estão protagonizando na questão do direito e na qualificação jurídica, assim
como o juiz está mais próximo dos fatos, eis que pode determinar de ofício frente aos fatos.
Petição inicial
-> Quando você soma vários pedidos numa só ação, há o concurso de pedidos, que pode ser uma
cumulação simples. A forma que os pedidos são acumulados impacta na atividade do juiz.
-> Concurso de ações - Quando a lei dá alternativas para o demandante propor a ação. Exemplo: Vício
redibitório - Ação estimatória e redibitória. Na tradição romana, se você escolhesse um caminho não
poderia pretender outra alternativa.
-> Em alguns casos, a coisa julgada de uma ação impacta na possibilidade da outra. Exemplo: Ação
redibitória julgada procedente, não pode depois ajuizar ação estimatória. Ao contrário, há
controvérsia.
-> É possível haver pedidos formulados pelos Réus.
- Quando?
1. Hipóteses de reconvenção. Ação própria contra o Autor.
2. Pedidos contrapostos. Por exemplo, em juizados especiais cíveis (que não admitem pedidos
de reconvenção).
3. Ações dúplices - As conclusões judiciais podem valer para os dois lados, então o resultado
pode beneficiar o Réu.
4. Contra Direitos - Direitos que se exercem em defesa. Só pode invocar o direito se for
demandado.
Pedido condicional
-> Para evitar que o pedido seja genérico, é exigido que o pedido seja certo e determinado.
-> O pedido condicional é sempre um pedido genérico.
-> O pedido tem que ser certo, mesmo nos casos de negócios jurídicos que haja condição.
-> Pouco importa se o pedido é condicionado, tem que garantir o direito de defesa e, para isso, precisa
que seja preciso.
Art. 492/CPC
Aula 04
07/11/22
ESTABILIZAÇÃO DA DEMANDA
→ Importante para organização do precedente.
→ Dois tipos:
- Objetiva: conteúdo do debate
- Subjetiva: Tem relação com os sujeitos e as partes
Em especial ao réu, a estabilização cumpre uma função garantista. Nessa parte, difere bastante do
processo penal, tendo em vista que lá se admite mudanças. Mas, toda vez que muda é como se o
processo começasse do zero.
→ Hoje, cresce o posicionamento que é possível alguma alteração após o despacho saneador. Uma
exceção é os fatos supervenientes, eis que antes as partes não tinham conhecimento. Art. 493 do CPC:
“Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir
no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da
parte, no momento de proferir a decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de
decidir.”
→ Mutatio libelli: acréscimo de fatos além daqueles que foram inicialmente alegados.
2° exceção: Fatos de nova notícia. Os fatos aconteceram antes, mas as partes só tomaram
conhecimento depois. As partes não tinham conhecimento anteriormente à propositura da ação, então
pode apresentar quando tomar conhecimento, desde que prove que só tomou conhecimento depois.
3° exceção: as partes concordarem com uma modificação da demanda, ou seja, por acordo ou
convenção. Interpretado junto com o art. 190.
→ Maior restrição à mutabilidade: improbidade administrativa (Lei 8429/92). Praticamente
impossível a alteração da demanda.
Suspensão do processo
→ Razão de eficiência, economia processual, humanitária e organização judiciária.
→ Art. 313 CPC: “ Suspende-se o processo:
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador;
IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo
constituir a única patrona da causa; (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
→ VIII - Art. 922 : “Convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo
concedido pelo exequente para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação.
Parágrafo único. Findo o prazo sem cumprimento da obrigação, o processo retomará o seu
curso.”
Aula 05
09/11/22
CITAÇÃO
→ Conceito e natureza
→ Atos de comunicação processual
- Citação: Primeira comunicação. Apenas para o Réu.
- Intimação: É para todos
- Cartas
- Cooperação judiciária: Arts. 67 a 69 do CPC; Resolução 350/2020 do CNJ
Cartas
→ Precatória: comunicação dos juízes de comarcas diferentes, dentro do território brasileiro.
→ Rogatória: comunicação com autoridades estrangeiras
→ De ordem: comunicação entre juízes diferentes com superioridade hierárquica
→ Arbitral: comunicação entre árbitros e juízes estatais. Art. 260, §3°: “São requisitos das cartas de
ordem, precatória e rogatória:
§3° A carta arbitral atenderá, no que couber, aos requisitos a que se refere o caput e será instruída
com a convenção de arbitragem e com as provas da nomeação do árbitro e de sua aceitação da
função.”
Conceito de citação
→ Art. 238 do CPC: “Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado
para integrar a relação processual.”
→ É o ato pelo qual se convoca os sujeitos para integrarem a relação.
→ Despolarização da demanda
Modalidades da Citação
→ Real: Citações que o citando é efetivamente comunicado.
→ Fita ou presumida: não há certeza que o citando tomou ciência das alegações imputadas contra ele.
→ Tem que sempre priorizar as citações reais.
Exemplos de citação real: e-mail, correio, Oficial de Justiça e presencial.
Exemplos de citação fitas ou presumidas: hora certa e edital.
→ Hora certa: acontece quando o oficial de justiça vai citar e tem indícios que o citando está se
escondendo. Coloca um aviso no portão e avisa para os vizinhos a hora que que irá voltar para citar.
Hora certa só existe no processo de cognição. Em processo de execução não existe a possibilidade de
citação por hora certa.
→ Edital: O juízo publica um anúncio dos fatos que estão sendo alegados contra o Réu.
Regulação: CPC e Lei do Processo Eletrônico (11. 419/06). Art. 246: “A citação será feita
preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a
determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder
Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça.”
Aula 06
16/11/22
RESPOSTA DO RÉU
→ Modalidade:
1. Contestação:
- Característica de defesa
- Concentração da alegação
- Taxatividade?
- Documentos e provas?
- Prazos e termos
A defesa do Réu é a reação que ele tem após a citação. Pode ser considerada a outra face do exercício
da ação.
→ A contestação tradicionalmente sempre foi a peça de defesa do Réu.
→ Na defesa o Réu não pede nada para ele, apenas contrapõe as alegações. Com o CPC/15 isso
mudou, então na Contestação o Réu também pode pedir algo ao seu favor. Então na mesma petição de
contestação pode ser colocada a Reconvenção.
Características de defesa
→ Marcada por uma série de normas. Como a boa-fé e a cooperação. Arts. 5° e 6°.
→ Princípio da concentração das alegações. As alegações da defesa têm que ser concentradas.
Tradicionalmente, chamada de princípio da eventualidade.
→ Concentração da defesa: todos os argumentos defensivos devem ser argumentados de uma vez só,
ainda que no ponto de vista lógico pareçam incompatíveis.
Taxatividade
Uma das hipóteses de indeferimento da inicial é a inépcia, não permite a constituição viável do
processo. Se dá quando as alegações se contradizem.
Para o Réu a contradição argumentativa é permitida. Para aumentar a chance de defesa, tendo em vista
que tem apenas 15 dias para se defender.
I - for inepta;
- Indeferimento da inicial
- Inépcia; ilegitimidade; interesse de agir; prescrição
- Pedido indeterminado
- Pedidos incompatíveis
→ Art. 332: “ A petição inicial será indeferida quando:
I - for inepta;
→ Art. 337. O rol não é taxativo, é somente exemplificativo. Existem outras argumentações que
podem ser arguidas pelo Réu.
→ As questões prévias (antes do mérito) se subdividem em: questões preliminares (direito processual)
e prejudiciais (direito material/incidentalmente)
→ Questões de mérito: direito material + principaliter.
→ A alegação de competência tem que ser feita na contestação.
→ Perepção: tem a ver com a possibilidade da propositura da ação. As partes abandonam ou desistem
do processo três vezes, então ficam impedidas de ajuizar novamente a ação que tenha o mesmo objeto.
→ Litispendência: fenômeno sincrônico; coisa julgada: não tramitam ao mesmo tempo.
→ O réu precisa indicar o que pretende produzir. Art. 366. Nesse momento, geralmente, é falado que
quer produzir todas as provas.
→ Correção do polo passivo: art; 338 e 339 CPC. Tem o dever de indicar a pessoa legítima.
→ Prazo de contestação: 15 dias. O termo inicial do prazo varia, porque depende da forma da citação
e outras circunstâncias. Art. 235.
Aula 07
23/11/22
Classificações
→ Tipos de alegação
- Execução
- Objeção
→ Tipos de defesas
- Questões prévias - Preliminares
- Questões de mérito: Direto e indireto
→ A alegação de incompetência tem que ser na Contestação. Mas, se o Réu for residente de outra
comarca pode peticionar na Comarca mais próxima. Nesse caso, será feita em uma peça separada.
Classificação
- As alegações que podem ser conhecidas de ofício pelo juiz, são alegações de objeção
(Einwerdung)
- Já as alegações que precisam ser suscitadas pelas partes, é a exceção (einrede).
- As defesas de mérito são as mais importantes.
- → Direta: A que o Réu se limita a se contrapor às alegações do Autor
- → Indireta: O Réu não se limita a contrargumentar as alegações do Autor. Mas, alega também
fato novo, que podem ser modificativos, extintivos (o pagamento, por exemplo) e impeditivos
(exemplo, a capacidade).
→ A depender da alegação invocada pelo Réu, terá o ônus de prova. Porque quem alega, tem que
cobrir o ônus probatório.
Revelia
→ A ausência de defesa no processo. É possível que ele responda, mas não se defenda. Exemplo:
apresenta reconvenção sem contestação.
→ Revelia = rebeldia. Visão ultrapassada. A ausência de defesa é a autonomia da vontade. A revelia
não pode ser considerada ilícita.
→ Na cível, ainda pode se dizer que os direitos são disponíveis.
Efeitos da Revelia
→ Pode ter um Réu Revel que os direitos da revelia não se observam.
Os efeitos podem ser:
- Material → Presunção de veracidade dos fatos alegados. Essa presunção ocorre na revelia
porque o Réu não apresentou nenhuma defesa. Mas, na Contestação há a figura da
impugnação específica, ou seja, precisa ser defendido de cada fato alegado. Caso não, o fato
não defendido será presumido verdadeiro. Em alguns casos, essa presunção de veracidade não
sera observada, exemplo: Art. 341: “Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente
sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não
impugnadas, salvo se:I - não for admissível, a seu respeito, a confissão; II - a petição inicial
não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; III -
estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. O
ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado
dativo e ao curador especial.”
A presunção de veracidade também não é permitida contra a fazenda pública.
→ Processual
- Julgamento “antecipado” - Art. 355: “O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo
sentença com resolução de mérito, quando: I - não houver necessidade de produção de
outras provas; II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver
requerimento de prova, na forma do art. 349 .”
- Ausência de intimação do Réu. Art. 346 do CPC - Mesmo não tendo contestado, o Réu pode
participar, desde que a partir do momento que os autos se encontrem com a manifestação dele,
é necessário que passe a ser intimado dos atos processuais.
→ Máximas de experiência: São fatos que as pessoas inseridas na sociedade sabem que acontecem.
→ O réu revel pode requerer produção de provas, se aparecer posteriormente a tempo.
Aula 08
30/11/2022
→ O valor da causa é o que vai medir as custas do processo. Além disso, define as custas do processo,
como os honorários sucumbenciais.
→ Art. 292.
FLUXOGRAMA
A parte autora tem que informar se tem interesse na audiência de conciliação. Hipóteses de não
agendamento da Audiência de Conciliação: Arts. 334, §4°, I e II.
- Quando o direito for indisponível e o autor afirmar que não tem interesse.
- Quando ambas as partes afirmarem não ter interesse.
Aula 09
07/12/2022
Prazos
1. Definição
- Instância temporal a ser observado entre dois atos ou fatos. Há de ser considerado o ato
subsequente para fazer o ato futuro.
2. Objetivos
- Congregar 2 princípios: eficiência (duração razoável do processo e subparticipação das
partes) e segurança jurídica para as partes. Em relação a segurança jurídica é para haver
estabilidade.
4. Preclusão temporal:
- Art. 223. Trata-se da não observação dos prazos.
- Determinação de dever do Autor ao Réu, pode praticar os atos, após o prazo, no que tange ao
ônus das partes.
- Quando o prazo trata de um ônus preclui, mas se for uma determinação que reverte em
benefício da outra parte, não preclui.
4.1. Prazos próprios x prazos impróprios: Os prazos próprios são preclusivos, enquanto os impróprios
não são preclusivos.
5. Prazos endoprocessuais X prazos extraprocessuais (esoprocessuais): O primeiro causam
consequências para o mesmo processo, enquanto no segundo, as consequências são causadas em outro
processo.
6. Prazos peremptórios: Não admitem flexibilização, em tese. (Art. 222, § único). Prazos dispositivos:
Admitem flexibilização, em tese. Art. 191, CPC; 222, § 1°.
Aula 10
02/01/2023
Conceito
Tradicionalmente, assimilada à convicção. Evoluiu para dois outros sentidos: (i) demonstrativo e (ii)
persuasivos.
(i) Trazer os fatos ao processo. Um mecanismo para transportar os fatos da realidade ao processo. É
um paradigma sujeito-objeto. É no sentido de verdade como correspondência.
(ii) Pressupõe a teoria da verdade como aceitação. O foco é no procedimento do descobrimento da
verdade. O paradigma é o sujeito-sujeito-lógica da argumentação/convencimento.
Objeto da prova
O fato bruto não é necessariamente o que vamos analisar no procedimento. Porque as percepções do
fato são diferentes.
Prova tem a ver com fatos. Questões jurídicas não seriam provadas, apenas questões fáticas. Mas, há
exceções.
Exceção: Se o fato não for alegado não será provado, exceção a isso são os fatos supervenientes (Art.
493). Para ser provado, o fato tem que ser controverso, porque o incontroverso é presumido
verdadeiro. Fato notório também não precisa ser provado.
Regras de experiência
- Comum
- Técnicas
São avaliações dos fatos, obtidas pelo pertencimento das pessoas a certas categorias. Exemplo: Cidade
interiorana que todos sabem a época de plantio de soja. Assim, não precisa ser provado. É um
suplemento para que alguns fatos não precisam ser provados.
Fatos que são compostos de presunção absoluta também não precisam ser provados.
Ficção - Tem a ver com analogia jurídica. São fora da realidade, não precisa ter prova.
Questões jurídicas não precisam ser provadas, mas há exceções. Quando for alegado direito
estrangeiro → É direito, nem sempre terá prova; Quando for alegado direito municipal, art. 376;
Quando alegar direito costumeiro.
Classificações
Quanto à previsão legal:
- Típicas - Expressamente previstas em lei.
- Atípicas (Art. 369). Qualquer meio de prova que seja lícito e admitido.
Quanto ao momento de produção:
- Causais: produzidas no curso do processo juridicamente
- Pré-constituídas: Antes de ir para o judiciário
Quanto ao meio de prova:
- Depoimento pessoal
- Prova testemunhal
- Esclarecimentos de perito.
Sujeitos:
Antes, entendia que o juiz era o destinatário da prova e que o papel das partes era secundário.
Entendimento equivocado a respeito dos poderes probatórios do juiz, que tem um poder subordinado.
Aula 10
04/01/2023
Atualmente, também está sendo feita a convenção de prova antecipada por negócio jurídico
processual.
Na produção de prova antecipada é formulada por um juiz e a ação principal (pretensão posterior) será
analisada por outro juiz. Mas, essa pretensão posterior pode nunca acontecer, visto que pode haver
acordo.
O direito à prova, hoje, é um direito autônomo. E, por isso, não precisa invocar direito porque ainda
não tem pretensão, portanto, não tem sucumbência.
Aula 10
09/01/2023
A prova documentada pode ser um documento obtido por outros meios de prova.
A prova emprestada acontece bastante no judiciário, é muito comum.
Prova ilícita
Todos os meios legítimos para a produção de provas são permitidos, independentemente daquilo que
está regulado especificamente no código.
Há limites a busca à verdade e estes limites decorrem de normas materiais e normas processuais. O
mandado de busca e apreensão tem que ser discriminado o lugar exato da busca. É necessário haver a
identificação, para limitar o mandado. Se o mandado for genérico, não contiver a identificação, há um
obstáculo processual para analisar a licitude da prova. Então, essa prova pode ser considerada ilícita.
Se a prova for obtida por meio de um crime, também é prova ilícita. Exemplo: confissão mediante
tortura.
Pouco importa se a regra que foi violada é material ou processual, o efeito é o mesmo: a invalidez da
prova.
Mas, até a prova ser considerada inválida, já foi valorada pelo juiz, o juiz já leu porque já foi juntada
aos autos. E quando acontece isso, o que o juiz deve fazer? Desentranhar dos autos. Mas, ele já leu as
provas, não há como apagar a prova da mente. Então, parte da doutrina diz que o juiz deve se
considerar suspeito.
Em alguns casos, admite-se a valoração da prova ilícita. Nesses casos, é quando a prova ilícita é
obtida pelo Réu. Então, por ele ser réu - passível a sofrer uma condenação - teria uma excludente de
ilicitude. Mas, há de se considerar o tamanho da condenação que o réu poderia ter, para analisar o
possível estado de necessidade.
Existem hipóteses que ilicitude da prova contamina outras provas. A prova ilícita por derivação (“fruit
of the poisonous tree”) é aquela que foi contaminada proveniente de uma prova originária ilícita.
Exemplo: A PM obteve uma confissão ilícita, é requerido ao juiz uma busca e apreensão em um
endereço delatado pelo depoente. Ora, a busca e apreensão é lícita, mas foi obtida (a confissão) por
meio de uma prova ilícita. Dessa forma, o que foi achado na busca e apreensão não poderia ser usado.
Há algumas exceções que vão excluir a ilicitude da prova ilícita por derivação. Nesses casos, é
admitida a valoração da prova.
Exceções:
1. Encontro fortuito de provas - Vai em um lugar para busca e apreensão buscando determinada
prova, mas é encontrada outra prova de outro crime. Ele pode ser processado pelo outro ilícito
(da prova encontrada). Exemplo: interceptação telefônica para conseguir provas acerca de um
crime, mas é ouvido confissão sobre outros crimes - o réu pode ser processado por esses
outros crimes. O limite é a prova (que não está sendo procurada) estar a plena vista. Se esses
questões estão a plena vista, o indivíduo não pode alegar violação da intimidade (ou seja, não
há expectativa ao direito da intimidade), eis que estão a plena vista para todo mundo perceber.
O lixo que foi jogado fora também pode ser revistado.
2. Descoberta inevitável: quando uma prova é colhida derivada de outra ilícita. Em um cenário
onde houver vários meios para obtenção de uma determinada prova. É escolhido um meio,
mas esse meio fica viciado (a testemunha é torturada, por exemplo) aí lá no final, a partir
dessa testemunha, é encontrada a prova que queria desde o início. Se provar que, por outro
meio de prova, poderia conseguir a informação que queria, então não pode ser considerado
nulo.
Prova científica - Baseada naquilo que o juiz não dispõe, muitas vezes a partir do exame pericial.
Como o juiz não domina casos científicos, pode acontecer que, no final, quem julga é o perito. O foco
tem que ser no procedimento de produção da perícia. Isso implica em 2 questões:
1. O controle da expertise do perito - Verificar a técnica adequada do perito. Art. 473, CPC.
2. Correção do procedimento
Uma das funções da ilicitude da prova é estimular que as pessoas não causem violações para obtenção
de provas. É um desestímulo sistêmico.
Normalmente, as pessoas não topam participar das experiências invasivas, invocando o direito à não
autoincriminação.
Gabarito da P1
1) Alegar: Indeferimento da inicial, impugnar o valor da causa e contestar os fatos (menos valorou).
Não cumpriu os requisitos do 319. O juiz ter aplicado o 231. Os pedidos não eram incompatíveis -
Pedido subsidiário. Valor do principal e não subsidiário. Não tinha vício no produto, concurso de
ações, o autor não apresentou provas suficientes.
2) R: Não. Se um contesta, a revelia não produz efeitos de revelia para os demais. Então não pode ser
aplicado o 356.
3) R: Não. O saneamento é negocial, submetido à homologação. Não há razão para o juiz negar os
efeitos jurídicos da convenção das partes.
Aula 11
11/01/2023