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Apostila Obf

O documento apresenta um projeto de ensino de física para olimpíadas, com os seguintes tópicos: 1) Cinemática, incluindo movimento uniforme, movimento uniformemente variado e lançamento oblíquo; 2) Dinâmica, incluindo leis de Newton, estática, atrito e plano inclinado; 3) Gravitacao, incluindo lei da gravitação universal e leis de Kepler; 4) Fluidos, termodinâmica e óptica. Para cada tópico são

Enviado por

Cleandsonvieira
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Apostila Obf

O documento apresenta um projeto de ensino de física para olimpíadas, com os seguintes tópicos: 1) Cinemática, incluindo movimento uniforme, movimento uniformemente variado e lançamento oblíquo; 2) Dinâmica, incluindo leis de Newton, estática, atrito e plano inclinado; 3) Gravitacao, incluindo lei da gravitação universal e leis de Kepler; 4) Fluidos, termodinâmica e óptica. Para cada tópico são

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1 PROF.

CLEANDSON DOURADO
Química & Física

PROJETO OLIMPIADAS DE FÍSICA

CONTEUDOS

CINEMATICA.
Movimento Uniforme (MU) – corpos se movendo com velocidade constante

 Conceitos importantes a se saber: posição, deslocamento, distância, intervalo de


tempo, velocidade, ultrapassagem, velocidade relativa, diferentes referenciais,
interpretação gráfica

 Requerimentos anteriores para aprender este tópico: Básico de álgebra e


geometria, mas isso você aprende na própria escola durante o Ensino Fundamental
e Médio

Movimento uniformemente variado (MUV) – corpos se movendo com aceleração


constante

 Conceitos importantes: função horária da posição, função horária da velocidade,


velocidade como função do deslocamento (Torricelli), interpretação gráfica
 Requer: UM

Lançamento Oblíquo – movimento de corpos sujeitos à aceleração constante

 Conceitos importantes: decomposição do movimento em eixos independentes,


alcance, tempo de voo, trajetória independente do tempo

 Requer: MUV

Movimento Circular – corpos em trajetórias circulares


2 PROF. CLEANDSON DOURADO
Química & Física

 Conceitos importantes: analogia com movimento retilíneo, período, frequência,


velocidade angular, aceleração angular, aceleração centrípeta, resultante
centrípeta

 Requer: MUV

Cinemática Vetorial – análise vetorial de movimento de corpos

 Conceitos importantes: Diferença entre grandezas escalares e vetoriais,


Deslocamento como vetor, Velocidade como vetor, Princípio de Galileu. Há outros
conceitos, mas eles são muito mais ligados à propriedade de vetores em si do que
algum conceito físico

 Requer: Lançamento oblíquo e bom conhecimento de geometria e vetores

DINÂMICA

Leis de Newton – movimento de corpos sujeitos à ação de forças

 Conceitos importantes: inércia, ação e reação, F=ma, tipos de força (peso, normal,
tração, atrito, elástica) e sistemas com massa variável

 Requer: MUV, conceitos básico de vetores (soma)

Estática – sistemas em equilíbrio, força resultante é nula

 Conceitos importantes: equilíbrio estático e equilíbrio dinâmico, equilíbrio


translacional (forças), equilíbrio rotacional (torque)

 Requer: Vetores, Leis de Newton

Atrito e Plano Inclinado – Aplicações das leis de Newton para casos com atrito e
plano inclinado

 Conceitos importantes: Força de Atrito, Atrito Estático, Atrito dinâmico,


decomposição de vetores
 Requer: Leis de Newton
Polias e Sistemas Mecânicos – Aplicações das leis de Newton para sistemas com
polias
3 PROF. CLEANDSON DOURADO
Química & Física

 Conceitos importantes: polias fixas e móveis, vínculos geométricos, tensão na


corda

 Requer: Leis de Newton

Momento Linear e Impulso – Introdução de conceitos para lidar com colisões de


corpos.

 Conceitos importantes: Teorema do Impulso, Conservação do Momento Linear

 Requer: Vetores, MUV, Leis de Newton

Energia – Leis que descrevem o movimento de corpos sem a utilização de forças

 Conceitos importantes: Conservação de energia, trabalho, TEC, energia cinética,


energia potencial, força conservativa

 Requer: Leis de Newton, Estática

GRAVITAÇÃO

Lei da Gravitação Universal – Movimentos de objetos astronômicos em órbitas

 Conceitos importantes: Lei da Atração, Órbitas, Conservação de Momento Angular


e Energia, velocidade de escape, Período Sinódico

 Requer: Leis de Newton, Movimento Circular

Leis de Kepler – Leis formuladas por Kepler para explicar o movimento de corpos
do Sistema Solar.

 Conceitos importantes: lei das áreas, lei harmônica, órbitas elípticas, sistemas
binários, órbitas circulares

 Requer: Lei da gravitação universal, leis de Newton, movimento circular

FLUIDOS

Hidrostática – estudo de fluidos em equilíbrio estático.


 Conceitos importantes: densidade, pressão, lei de Stevin, vasos comunicantes,
teorema de Pascal, empuxo arquimediano, empuxo não arquimediano, barômetros
4 PROF. CLEANDSON DOURADO
Química & Física

 Requer: Leis de Newton e Estática

Hidrodinâmica – estudo de fluidos em movimento.

 Conceitos importantes: Equação da continuidade, Equação de bernoulli e suas


aplicações, Vazão de Torricelli

 Requer: Hidrostática, conceitos de trabalho e energia.

TERMODINÂMICA

Termometria e Dilatometria – Estudo do funcionamento de termômetros e


expansão e contração de corpos.

 Conceitos importantes: Escalas termométricas e coeficientes de dilatação


 Requer: Proporções

Calorimetria – Estudo da transferência de calor em corpos.

 Conceitos importantes: Calor, capacidade térmica, calor específico, calor latente

 Requer: Conceito de temperatura, 1ª Lei da Termodinâmica (opcional)

Propagação de calor – Formas na qual o calor se propaga de um lugar a outro e


as leis que as regem.

 Conceitos importantes: Diferença entre calor e trabalho, definição de propagação


de calor, Lei de fourier, conceito de convecção, lei de Stefan-Boltzmann

 Requer: Calorimetria

 Gás Ideal e Primeira Lei da Termodinâmica – Uma modelação simples


mas poderosa que nos ajuda entender melhor o comportamento de gases.

Conceitos importantes: Pressão, Volume, Temperatura, Número de mols

 Máquinas Térmicas e Segunda Lei da Termodinâmica – Extração de trabalho


por meio de ciclos termodinâmicas e definição de entropia.

o Conceitos importantes: Relação de Mayer, Entropia


5 PROF. CLEANDSON DOURADO
Química & Física

 Teoria Cinética – Análise microscópica do comportamento de gases.

o Conceitos importantes: Pressão

o Requer: calorimetria, gás ideal

ÓPTICA

 Câmara escura

 Umbra (sombra) e penumbra

 Objetos e imagens (reais e virtuais)

 Refração, Índice de refração (Lei de Snell-Descartes)

 Ângulo Limite

 Reflexões

 Prismas

 Espelhos planos e esféricos, lentes esféricas delgadas (conceito de dioptria), que


são basicamente descritos pela Equação de Gauss (Raios notáveis)

 Aumento linear

 Óptica da visão – Estrutura do olho, ponto remoto, ponto próximo (Miopia –


correção por lente divergente, hipermetropia – convergente, astigmatismo –
cilíndrica)

 Instrumentos ópticos (Lupa, telescópios, óculos, microscópios)

 Lâminas de Faces Paralelas

 Dioptros planos e esféricos

 Associações de sistemas ópticos

 Equação dos fabricantes de lentes


6 PROF. CLEANDSON DOURADO
Química & Física

Assim é muito importante que você entenda conceitos básicos geométricos, como
semelhança de triângulos, que aparecem em todo lugar da óptica geométrica e
ajudam no entendimento e deduções de fórmulas. No fundo, decorar as fórmulas e
entender como aplicá-las já é o suficiente
Cinemática I
Movimento Uniforme
Ian Seo Takose - Projeto Olímpicos

1. Introdução
O estudo da Cinemática é fundamental para que possamos não só encontrar o tempo que demo-
rará para chegar em determinado lugar ou a velocidade em que o carro está nesse exato momento
(a qual eu espero que seja menor que o limite de velocidade hehe), mas também compreender as
ideias por trás desses conceitos, pois elas muitas vezes são utilizadas em outras áreas da Física.
Nessa aula, estudaremos apenas um tipo de movimento - o retilíneo uniforme. Ele é caracteri-
zado por um corpo que se desloca sem curvas e com velocidade constante. Como exemplo temos
um carro dirigindo em uma rodovia longa (note que um carro andando numa rua normalzinha tem
que parar no sinal vermelho e acelerar no farol verde, fazendo com que não tenha uma velocidade
uniforme).

2. Definições
Em geral, esse início de Cinemática acaba sendo bem intuitivo, por envolver termos e conceitos
do dia a dia, como distância e velocidade. Isso é muito bom, pois, como já dito, algumas dessas
ideias (em específico, a ideia de velocidade) acabam sendo as mesmas para outras áreas da Física
(só que ao invés de distância percorrida teríamos a quantidade de carga, por exemplo). Dessa
forma, apresentar as definições “formais” vai ajudar bastante você a fazer analogias no futuro.
Dito isso, vamos às definições:

2.1 Posição
Geralmente denotado pela variável S, a posição de um corpo basicamente nos diz onde ele está.
Por exemplo, em rodovias é muito comum ouvir termos como “você está no quilômetro 30” ou
“pegue a direita no quilômetro 57”. Mas o que isso significa, isto é, de onde vêm esses números?
Muito simples, eles estão dizendo que você está a 30 ou 57 quilômetros de distância de algum
ponto. A pergunta que fica é: que ponto é esse? Para a cidade de São Paulo, esse ponto é muito
bem definido e acaba sendo até um ponto turístico para alguns. Na praça da Sé, existe um prisma
hexagonal que destaca esse ponto, como visto na imagem 1, retirada da Wikipedia.

Página 1
Figura 1: Representação do ponto zero da cidade de São Paulo

Perceba que é importante um “monumento” desses para o marco zero, pois ele é a referência
para toda cidade de São Paulo, se fosse um ponto arbitrário, ninguém conseguiria se localizar.
Felizmente, se o exercício não definir nenhum marco zero, apenas disser que você estava em um
lugar e foi para outro, você mesmo pode adotar o seu ponto zero, o qual é interessante de adotar
como sua posição inicial para poupar conta.
Por fim, é importante falar que a unidade no SI (Sistema Internacional de Unidades) é o
metro (m), mas também é muito comumente encontrado em quilômetro (km), centímetro (cm),
milímetro (mm), etc. Nesses casos, é conveniente saber as seguintes conversões: 1000 m = 1 km,
100 cm = 1 m e 1000 mm = 1 m1 e aí para converter basta aplicar uma simples regra de três
(normalmente um exercício com alguma unidade diferente dessa te dará a conversão).

2.2 Distância Percorrida


Imagine que você está no quilômetro 30 e vai dirigindo seu carro até o quilômetro 57. Qual foi
a distância que você percorreu? Foi 30 km? Foi 57 km? Nenhum dos dois. Você consegue perceber
que, na verdade, o quanto você andou é 57 − 30 = 27 km? Caso não tenha ficado muito claro, te
darei um exemplo um pouco mais palpável.
Suponha que você quer medir o tamanho do seu lápis, mas a sua régua está quebrada - ela
começa nos 3 centímetros. Ignorando o problema, você pega seu lápis, coloca um ponta no 3 e
vê que a outra ponta está no 13. Isso significa que seu lápis tem 13 centímetros de comprimento?
Não né, dá pra perceber que o tamanho do seu lápis na verdade é 13 − 3 = 10 centímetros. Logo,
o tamanho do seu lápis é a diferença entre as posições das pontas dele! Nota que, usando uma
régua do jeito convencional, é sempre isso que a gente sempre está fazendo, mas colocamos uma
das pontas no ponto zero (começo da régua), de forma que a posição da outra ponta já dá direto
o tamanho (já que vai ficar posição da outra ponta menos zero).
1
Perceba que você pode juntar essas conversões e dizer, por exemplo 100 cm = 1000 mm ⇒ 1 cm = 10 mm

Página 2
Com o exemplo dado, você consegue perceber que a rodovia nada mais é do que uma régua
gigante (em que o zero acaba sendo naquele ponto já discutido)? Nessa analogia, a distância
percorrida é essencialmente o tamanho do lápis. Ficou mais claro?
Agora, voltando para o formalismo, já que você (provavelmente) já entendeu que seu deslo-
camento é diferença entre as suas posições, podemos defini-lo como ∆S = S − S0 . Calma, irei
explicar cada termo da fórmula. Na Física, é muito comum utilizar a letra grega “delta” maiúsculo
(∆) para expressar diferenças, ou seja, temos que ∆S está representando uma diferença de S’s (que
é justamente o que ele é). O subscrito zero em S0 foi utilizado para representar a posição inicial,
pois, novamente, é muito comum em Física utilizar o subscrito zero para representar algum estado
inicial. O S é pura e simplesmente a sua posição final.
Perceba que eu poderia ter escrito essa seção apenas como "Olha, definimos o deslocamento
∆S = S − S0 ", mas não foi isso que eu fiz. Dei toda uma introdução antes de apresentar fórmula,
pois o problema da opção inicial é que, fazendo isso, a equação vira apenas um monte de letras
jogadas com alguns símbolos matemáticos no meio e ai Física vira um monte de fórmulas para
decorar. Mas é mais que isso, tem todo um conceito atrás da fórmula que, se você entendê-lo, a
fórmula sai de brinde.

2.3 Intervalo de Tempo


Esse conceito é bem análogo ao anterior. Imagine que são 8:00 e você decide dormir. Se você
acordar às 10:00, por quanto tempo você dormiu? Bem tranquilinho de ver que você dormiu por
10 − 8 = 2 horas. Assim, se t0 (olha o subscrito 0 aparecendo de novo) é o início do seu sono e t
a hora que você acorda, então você dormiu por um intervalo de tempo dado por ∆t = t − t0 .
Reforçando, se o exercício não especificar nenhuma convenção de tempo (nesse caso, especifiquei
a convenção comumzona de tempo, então não poderia) você pode adotar sua “marcação zero” do
tempo (em geral, usa-se t0 = 0). A unidade de intervalo de tempo no SI é o segundo (s), mas
também pode ser encontrado em hora (h), minuto (min), etc, as quais eu acredito que você esteja
bem familiarizado com as conversões.

2.4 Velocidade
Acredito que esse seja o conceito que você está mais acostumado de ver, então já vou partir
para a definição formal. Velocidade é a taxa de variação2 da posição de um corpo no tempo.
Ou seja, se eu tenho uma velocidade 10 m/s, a cada 1 segundo eu ando 10 metros. Caso eu
tivesse uma velocidade de 100 km/h significaria que a cada uma hora eu ando 100 quilômetros
(também significa que a cada meia hora eu ando 50 quilômetros ou que a cada 15minutos eu ando
25 quilômetros).
Como você provavelmente já sabe, a unidade de velocidade é a de distância por tempo, sendo
as mais comuns o metro por segundo (m/s) e o quilômetro por hora (km/h), em que o metro por
segundo é a unidade do SI. Talvez você tenha pensando “se a unidade de velocidade é distância
por tempo, provavelmente a fórmula da velocidade envolve uma razão entre distância e tempo,
né?” Exatamente! Imagine que eu estou correndo e percorri uma distância de 10 metros em
um intervalo de tempo de 2 segundos. Isso significa que, assumindo que minha velocidade foi
constante durante todo o movimento, ela era de 102
= 5 m/s. Logo, generalizando:
∆S
v= ,
∆t
2
Essa ideia de taxa de variação é muuito importante.

Página 3
lembrando que ∆S é a distância percorrida e ∆t é o intervalo de tempo da ação (percebeu
a conexão entre as palavras em negrito?). No entanto, caso minha velocidade não tivesse sido
constante durante toda a ação (por exemplo, se eu tivesse corrido os primeiros 9 metros em 1
segundo, parasse para descansar por 0,5 segundo e então percorresse o 1 metro restante em 0,5
∆S 10
segundo), o que eu estaria calculando ao fazer = = 5 m/s? Ao fazer esse conta, sempre
∆t 2
estamos calculando o que chamamos de velocidade média (normalmente representada como vm ),
ou seja:
∆S
vm = , (1)
∆t
que pode ser interpretada como a velocidade que o corpo deveria ter caso estivesse se movendo
com velocidade constante (como visto anteriormente). Dessa forma, concluímos que, para um
movimento uniforme, a velocidade do corpo é sempre igual à sua velocidade média.
Por fim, caso você tenha a velocidade em km/h e quisesse em m/s (que é o SI e, portanto, o
padrão, a não ser que o exercício especifique o contrário), o que fazer? Nesse caso, você pode usar
o fato de que 1 km = 1000 m e 1 h = 60 min = 3600 s, então, podemos fazer a conversão:
km 1000 m 1000 m 1 m m
1· =1· =1· =1· = 1 ÷ 3,6 . (2)
h 3600 s 3600 s 3,6 s s
Portanto, para encontrar a velocidade metro por segundo a partir de uma em quilômetro
por hora, basta dividirmos por 3,6 (por exemplo, 36 km/h = 10 m/s ou 72 km/h = 20 m/s) e,
analogamente, para ir de m/s para km/h, basta multiplicar por 3,6.
Decorar esse valor pode te economizar um tempo nas questões, entretanto, não apenas decore
esse valor. Assim, caso apareça a dúvida “mas tinha que dividir ou multiplicar por 3,6 para chegar
em m/s?” no meio da prova, você pode simplesmente refazer a conta no cantinho e conferir. Outro
ponto a favor de entender a conta é que, caso o exercício te fale a velocidade em milhas por hora
e te peça para converter para metro por segundo, você vai conseguir fazer.

3. Função Horária da Posição


Agora que estamos munidos de todas as definições, podemos finalmente chegar na equação mais
importante do movimento retilíneo uniforme.
Suponha que eu te dou a posição e a velocidade de um corpo e te pergunte aonde que esse
corpo estará daqui 10 segundos, daqui 10 horas, ou mesmo daqui 100 anos, como você faria? Vou
deixar a pergunta mais intuitiva. Caso eu te dê a velocidade de um corpo, você consegue me dizer
o quanto ele percorreu daqui (ou seja, em um intervalo de tempo de) 10 segundos, 10 horas
ou 100 anos? Percebe que nesse caso, quero saber o ∆S, dado v e ∆t? Então, é fácil de ver que
chegamos em:
∆S
v= ⇒ ∆S = v∆t
∆t
Lembrando que ∆S = S − S0 e ∆t = t − t0 , vemos que:

S − S0 = v (t − t0 ) ⇒ S = S0 + v (t − t0 )

Em geral, t0 é adotado como zero, nos deixando com a forma final:

S = S0 + vt (3)

Página 4
Essa equação é chamada de função horária da posição de um corpo (às vezes é dito equação
ao invés de função, no fundo, não muda nada). Na verdade, ela é popularmente conhecida pelo
seu mnemônico:3 Sorvete.
Por ter um mnemônico fácil, acredito que vai ser bem difícil de você esquecer essa fórmula,
no entanto, se a dedução dela foi intuitiva pra você (considerar primeiro o deslocamento e depois
substituir os deltas), aconselho que você não apague-a da sua mente, porque, sabendo de onde veio
a equação, é mais difícil que você caia em pegadinhas sobre (por exemplo, se um exercício adotar
t0 6= 0, aquela equação fica um pouco diferente, isto é, temos que trocar o t por (t − t0 )).

3.1 Sinal da velocidade


Uma coisa importante é que velocidade é um vetor. Não irei entrar muito em detalhes,4 mas o
importante é que ela tem sentido. Sentido seria para onde a velocidade está apontando. Em todos
os exemplos que dei até agora, nosso carro estava dirigindo para o sentido que os quilômetros da
rodovia aumentavam.
No entanto, se eu estivesse voltando de viagem, eu estaria indo no sentido que os quilômetros
da estrada diminuem. Como resolver essa diferença? Para isso, é importante sempre adotar
algum sentido como positivo e tudo que estiver no sentido oposto é negativo. Por exemplo, nessas
rodovias, o sentido positivo é o que os quilômetros aumentam, pois se você se desloca de um ponto
S1 para um ponto S2 > S1 , isto é, anda no sentido que a posição aumenta, seu ∆S vai ser positivo
(S2 > S1 ⇒ S2 − S1 > 0 ⇒ ∆S > 0) e, se nesse sentido o ∆S é positivo, esse sentido é positivo
(você vai ver em Cinemática Vetorial que deslocamento também é um vetor).
Dessa forma, quando estivermos indo para o sentido positivo, nossa velocidade será positiva,
caso contrário, será negativa. É importante ressaltar também que quando o exercício não te dá
nenhuma notação para seguir, você escolher qual sentido vai ser positivo e qual vai ser negativo.
No fundo, o resultado final tem que ser o mesmo, mas às vezes tem um sentido que deixa as contas
mais fáceis que o outro. Mais para frente você vai ver que é só uma questão de gosto mesmo. Só
é extremamente necessário que, uma vez que escolhido qual sentido é positivo e qual é negativo,
todas as equações devem seguir essa sua convenção.

4. Encontros no Movimento Uniforme


Suponha que o exercício te dê a posição inicial de dois corpos e suas respectivas velocidades
(tendo, portanto, te dado indiretamente suas funções horárias) e te pede o tempo t do encontro
deles, e também onde que esse encontro ocorre. Pense um pouco, o que você faria?
Caso não tenha conseguido chegar em nenhuma conclusão, perceba que, no encontro, os dois
corpos necessariamente estão no mesmo lugar (pela definição de encontro, eles têm que estar na
mesma posição). O que isso significa? Significa que o encontro ocorre no tempo t em que as funções
horárias dos dois corpos se igualam. Ou seja, se definirmos o subscrito A e o B para diferenciarmos
os dois corpos, teremos as seguintes equações:

SA = SB

SA = S0A + vA t, em que vemos que há três variáveis (SA , SB e t) e três equações, sendo por-

SB = S0B + vB t

3
Frase ou palavra que ajuda a memorizar algo.
4
Caso você queira dar uma olhada melhor em vetores, veja o material de Cinemática Vetorial.

Página 5
tanto um sistema “resolvível”. Sei que, à primeira vista, parece ser um saco resolver esse sistema,
mas perceba que, se substituirmos as duas últimas equações na primeira, chegamos em:

S0A + vA t = S0B + vB t,

que é uma equação do primeiro grau que só depende de t, bem simples de resolver, né? Daí, depois
que encontrar o t, já que os S’s são iguais, basta você jogar esse t em uma das funções horárias
que você terá a posição do encontro. Darei um exemplo:

Exemplo 1. Considere dois automóveis, A e B, nos quilômetros 36 e 108 de uma rodovia,


respectivamente. O carro A tem velocidade de 24 km/h e B tem 12 km/h. Daqui a quantas horas
eles irão se encontrar? Onde ocorrerá o encontro?

Solução: Vamos escrever as funções horárias de A e B (note que S0A = 36 km, S0B = 108 km,
vA = 24 km/h e vB = 12 km/h): (
SA = 36 + 24t
SB = 108 + 12t
Perceba o S está em km e o tempo t em horas. Como já visto, só temos que igualar suas
posições:
36 + 24t = 108 + 12t ⇒ 24t − 12t = 108 − 36 ⇒ 9t = 27 ⇒ t = 6h
Para a posição, basta substituirmos em um dos S’s:

SA = 36 + 24t ⇒ SA = 36 + 24 · 6 ⇒ SA = 180 km

É fácil de conferir que, conforme previsto, chegamos na mesma posição para o B:

SB = 108 + 12t · 6 ⇒ SB = 180 km

Logo, eles se encontrarão em 6 horas no quilômetro 180.

Exemplo 2. Considere a mesma situação, mas agora o carro B está voltando a 12 km/h. Daqui
a quantas horas eles irão se encontrar? Onde ocorrerá o encontro?

Solução: Teremos, usando o mesmo raciocínio:


(
SA = 36 + 24t
SB = 108 − 12t

Resolvendo,
36 + 24t = 108 − 12t ⇒ 36t = 72 ⇒ t = 2h
Vemos que o encontro será:

SA = 36 + 24 · 2 ⇒ SA = 84 km.

Página 6
4.1 Ultrapassagens
Um outro tipo de exercício que pode aparecer em questões de Cinemática é o de ultrapassagem.
Ele é essencialmente igual ao que acabei de apresentar, mas com uma mínima diferença, o tamanho
dos corpos está sendo considerado. Assim, se, por exemplo, digo que dois automóveis se encontram,
estou dizendo que a parte de frente do carro chegou na parte traseira do outro? Ou que a parte
frontal do carro chegou na metade do outro? Não dá para saber. Para resolver esse impasse,
normalmente é dito que “o automóvel A ultrapassou o automóvel B”. Quando é dito isso, o
exercício quer dizer que a parte traseira do automóvel A passou a parte da frente do automóvel B.
Na prática, o que isso muda?

Figura 2: Na figura, d é distância entre os carros, L1 é o tamanho do Carro 1 e L2 o do Carro 2.

Figura 3: Momento em que o Carro 1 alcança o Carro 2.

Figura 4: Em pontilhado, temos a posição do Carro 1 antes de começar a ultrapassagem e em


traço contínuo, o Carro 1 quando acaba a ultrapassagem.

Página 7
Nesse contexto em que o tamanho dos automóveis importa, o dado que costuma ser fornecido
é a distância d entre os dois. De forma mais precisa, o exercício está se referindo a distância entre
a traseira do carro da frente e a frente do carro de trás, como visto na figura 2. Assim, como
podemos ver ao comparar as figuras 2 e 3, no momento em que o Carro 1 alcança o Carro 2, ele
teve que andar uma distância d a mais que o outro para poder alcançá-lo. Já a figura 4 compara o
início e o fim da ultrapassagem, onde fica evidente que a parte da frente do Carro 1 (e, portanto,
o Carro 1 como um todo) teve que percorrer outros L1 + L2 a mais que o Carro 2 para poder,
efetivamente, ultrapassá-lo. Dessa forma, concluímos que se pegarmos como referência a posição
da parte da frente do Carro 1 e a traseira do Carro 2, a posição do encontro não ocorrerá quando
S1 = S2 , mas sim quando S1 = S2 + L1 + L2 . Para fixar a ideia, considere o seguinte exemplo:

Exemplo 3. Considere dois trens, A e B, separados por uma distância de d = 450 m, com
velocidades vA = 18 km/h e vB = 10,8 km/h, respectivamente. O trem A tem uma extensão de
LA = 200 m e o trem B mede LB = 150 m. Se eles estão viajando em direções opostas e adotando
agora como t0 = 0, a partir de qual tempo t o trem A terá passado o B?

Solução: Perceba que, como eles estão viajando em sentidos opostos, a distância d não re-
presenta a separação entre a parte de frente de um da traseira do outro, mas sim entre as duas
partes frontais (o que, no fundo, não muda nada). Antes de sair fazendo as contas do encontro,
preste atenção nas unidades. O d dado está em metros, ou seja, a velocidade seria mais agradável
se estivesse em m/s ao invés de km/h. Fazendo a conversão, vemos que vA = 5 m/s e vB = 3 m/s.
Agora sim, sendo SA e SB as funções horárias das partes frontais dos trens, podemos escrever,
adotando S0A = 0: (
SA = 5t
SB = 450 − 3t
Perceba o sinal negativo na velocidade de B, pois estamos adotando positivo o sentido da
velocidade de A. Impondo a condição de ultrapassagem:

SA = SB + LA + LB ⇒ 5t = 450 − 3t + 150 + 200 ⇒ 8t = 800 ⇒ t = 100 s

Assim, a partir de t = 100 s o trem A já terá passado o B.

4.2 Uma interpretação diferente


Vamos resolver de forma geral o tempo de encontro entre dois corpos com posições iniciais S0A
e S0B e velocidades vA e vB . Igualando SA e SB :

S0A − S0B
S0A + vA ∆t = S0B + vB ∆t ⇒ (vB − vA )∆t = S0A − S0B ⇒ ∆t =
vB − vA
Uma coisa interessante que acontece é quando trocamos S0A − S0B por ∆S, sendo essa variável
a distância inicial entre os dois e vB − vA por uma variável v, que tem as mesmas dimensões de
velocidade e é constante (já que vB e vA também são), mas que, por enquanto não tem nenhum
sentido físico. Por quê? Veja o que acontece se substituirmos essas novas variáveis e rearranjamos
a expressão:
∆S ∆S
∆t = ⇒v=
v ∆t

Página 8
Essa expressão te lembra algo? Ela é exatamente a mesma da definição de velocidade, quando
esta é constante! Mas o que isso significa na prática? Significa que encontraríamos exatamente o
mesmo ∆t, caso visualizássemos o problema como um automóvel que tem que andar a separação
entre os dois carros com a diferença de velocidade dos dois. Como isso é útil? Essa interpretação
é útil, pois nos ajuda a criar intuição sobre mudança de referencial.

5. Mudança de Referencial
Perceba que, nos exercícios que resolvemos, a análise que fizemos foi basicamente como se você
estivesse parado na estrada no marco zero e então, com seu binóculos superpotente você olhasse os
carros e fizesse as devidas contas. Entretanto, como você enxergaria as coisas, caso você estivesse
dentro de um dos carros em questão?

Página 9
Movimento Uniformemente Variado (MUV)
Bruno Makoto - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Um dos movimentos mais elementares que são estudados pela física é o MUV, movimento uni-
formemente variado, que explica a trajetória de uma maçã caindo (possivelmente na cabeça de
algúem) ou a de um carro acelerando na estrada. Por constituir uma das bases da cinemática, seu
profundo conhecimento é de extrema importância para provas de olimpíada.

Um MUV descreve o curso das coisas que aceleram, e aí entra a pergunta: o que é a aceleração?
Intuitivamente, sabemos que a velocidade de um corpo é a taxa da variação de sua posição com re-
lação ao tempo, ou seja, se um corpo se move com velocidade constante de 5m/s, a cada segundo
que passa, ele anda 5m. Agora, o que acontece se a velocidade muda? É exatamente isso que a
aceleração descreve: a taxa de mudança temporal da velocidade de um corpo. Analogamente, se
temos um corpo com uma aceleração constante de 5m/s2 , a cada segundo que passa, sua velocidade
muda 5m/s.

Assim, a aceleração linear (a) é definida por:

∆v
a=
∆t
Além disso, podemos reescrever tal expressão para obter a dependência temporal da velocidade
(v) em função da velocidade inicial (v0 ) para um instante de tempo inicial nulo (convenção):

v = v0 + at

Agora, como ficaria o gráfico da velocidade em função do tempo em um MUV? Repare na expressão
acima: se o eixo y representa a velocidade e o eixo x o tempo, o que temos é uma reta com coeficiente
angular igual a aceleração, que faz sentido já que o coeficiente angular mede a variação da grandeza
em y para variações em x, e com um coeficiente linear igual a velocidade inicial, que também faz
sentido já v0 é simplesmente a velocidade do corpo no instante inicial. Graficamente:

Página 1
Figura 1: Gráfico de v versus t

2. Função Horária da Posição


Até agora tratamos somente de variações da velocidade na presença de uma aceleração constante,
que são puramente advindas das definições impostas. Dando um passo além, nos também podemos
descrever como a posição do corpo acelerado depende do tempo, ou seja, queremos encontrar S(t).

A primeira coisa que deve ser notada é que o gráfico de v versus t encobre uma área que é igual
ao deslocamento do corpo. Isso pode ser observado de duas maneiras. Uma delas é recorrer ao
cálculo, lembrando que a integral de v com relação ao tempo é a própria área do gráfico:
Z Z tf
dS
v= ⇒ dS = ∆S = vdt
dt ti

A outra, que diz essencialmente a mesma coisa, fica mais clara com uma imagem:

Figura 2: Gráfico de v versus t

Página 2
∆S
Perceba que, para pequenos intervalos de tempo, temos que v = ⇒ ∆Si = v(t)∆t. Assim, o
∆t
deslocamento da partícula em pequenos intervalos de tempo ∆t, Si , é a área varrida durante esses
pequenos instante. Portanto, para achar o deslocamento total, basta somarmos todos os pequenos
deslocamentos, chegando assim (novamente) que o deslocamento da partícula é a área do gráfico.

Agora, podemos juntar tudo que já vimos para finalmente chegarmos na expressão desejada. Lem-
brando da fórmula para a área de um trapézio, temos que o deslocamento (∆S) é dado por:

(v + v0 )(t − t0 ) (v + v0 )t
∆S = ⇒ S = S0 +
2 2
Onde assumi, por convenção, que o instante de tempo inicial é nulo.

Como a velocidade é dada por v = v0 + at para uma aceleração constante, podemos juntar as duas
expressões para obter o resultado desejado:

(2v0 + at)t a
S = S0 + = S0 + v0 t + t2
2 2
c.q.d.

Novamente, vale observarmos o gráfico da curva. Para obter uma melhor experiência, abra esse
link do Desmos e varie os valores de S0 , v0 e a. Note que quando o eixo y representa a posição
e o eixo x representa o tempo, o gráfico obtido é uma parábola! Isso se observa pois há uma
dependência quadrática da posição no tempo, que é característico de parábolas.

3. Velocidade em função da posição


Já vimos como encontrar a velocidade em função do tempo,v(t), e a posição em função de tempo,
S(t), para movimentos com uma aceleração constante. Dessa forma, nós podemos encontrar uma
função parametrizada que relaciona v e S sem envolver o tempo. Tal expressão é chamada de
equação de Torricelli, e vamos deduzi-la agora:

A ideia geral é ’matar’ o tempo que aparece em cada expressão individualmente, então basta
isolarmos ele em uma das equações e substituirmos na outra. Assim, com a função horária da
velocidade (v(t)):
v − v0
v = v0 + at ⇒ t =
a
Substituindo na função horária da posição (S(t)):

a v − v0 a v − v0 2 vv0 v02 v 2 vv0 v02


S − S0 = v0 t + t2 = v0 ( )+ ( ) = − + − +
2 a 2 a a a 2a 2a 2a
Rearranjando e sendo ∆S = S − S0 :

v 2 = v02 + 2a∆S

c.q.d.

Página 3
Além disso, vale notar que podemos rearranjar a equação de Torricelli multiplicando todos os
membros pela massa e os dividindo por um fator de 2 para obter::

mv 2 mv02
ma∆S = −
2 2
Isso provavelmente te lembra alguma coisa! É o teorema da energia cinética: o trabalho realizado
pela resultante de forças R (R = ma pela segunda lei de Newton) é a variação da energia cinética
do corpo. Perceba que, assim como a maioria das coincidências na física, isso não é coincidência.
Existe uma relação matemática entre as forças, trabalhos, energias, etc, que justifica tal relação.

4. Deduções com Cálculo


Para aqueles que estiverem se aprofundando do estudo da física, um bom compreendimento do
cálculo por trás das coisas é essencial. Por isso, irei revisitar todas as expressões já vistas e
deduzidas com um olhar mais refinado.

4.1 Definições
dv
• a=
dt
dS
• v=
dt
d(xn )
• = nxn−1 [regra do tombo]
dx
xn+1
• + C [regra do tombo ’reversa’]
R
xn dx =
n+1
df df du
• = · [regra da cadeia]
dx du dx

4.2 Função Horária da Velocidade


Z Z
dv
a= ⇒ dv = adt ⇒ v = at + C
dt
Onde estamos assumindo que a aceleração é constante e o instante de tempo inicial é nulo.

Perceba que podemos também encontrar a constante de integração C através das condições iniciais.
Como v(0) = a · (0) + C = C = v0 , temos a expressão original:

v = v0 + at

Página 4
4.3 Função Horária da Posição
Z Z Z Z Z
dS a
v= ⇒ dS = vdt = (v0 + at)dt = atdt = v0 t + t2 + C
v0 dt +
dt 2
a
Podemos encontrar a constante de integração C pela condição inicial S(0) = v0 · (0) + · (0)2 + C =
2
S0 =, logo:
a
S = S0 + v0 t + t2
2

4.4 Torricelli
v2
Z Z
dv dv dS dv
a= = · =v ⇒ adS = vdv ⇒ aS = +C
dt dS dt dS 2
v02
Como, no instante inicial, v(0) = v0 e S(0) = S0 , temos que C = aS0 − , assim:
2
v 2 = v02 + 2a(S − S0 )

5. Juntando Tudo
Equações do MU e MUV:
MU MUV
a=0 a = cte
v = cte v = v0 + at
at2
s = s0 + vt s = s0 + vt +
2
− v 2 = v02 + 2a∆S

Alguns termos relevantes:


- v>0 v<0
a = 0 Progressivo e Uniforme Retrógrado e Uniforme
a > 0 Progressivo e Acelerado Retrógrado e Acelerado
a < 0 Progressivo e Retardado Retrógrado e Retardado

Na prática, é isso que você terá que usar para a maioria dos problemas. A chave para resolvê-
los é recorrer às diversas fórmulas e métodos (por exemplo, desenhar gráficos que representam o
movimento) disponíveis e utilizá-los com sabedoria.

6. Problemas
Problema 1. Sabemos que a velocidade média de um corpo durante um intervalo de tempo ∆t
∆S
é vm = , onde ∆S é o deslocamento da partícula durante esse intervalo. Mostre que, somente
∆t
vi + vf
para acelerações constantes, podemos dizer que vm = , onde vi e vf são, respectivamente,
2
a velocidade inicial e final do corpo

Página 5
Problema 2. (Renato Brito) No instante inicial (t = 0), dos móveis A e B passam por um
mesmo ponto movendo-se sobre uma mesma trajetória retilínea, de acordo com o gráfico abaixo.
Determine o instante em que os móveis voltam a se encontrar

Problema 3. (Renato Brito) Um móvel A partiu do repouso, em MRUV, acelerado com a =


8m/s2 . Um segundo depois, parte do mesmo ponto outro móvel B, em MRU, com velocidade v.
Qual o menor valor de v de forma que B ainda consiga alcançar A?

Problema 4. (Renato Brito) Um móvel que se desloca ao longo do eixo x inicia um processo de
frenagem ao passar pela posição x = 0 no instante t = 0s, movendo-se de acordo com o gráfico
abaixo. Determine a) a aceleração do móvel em t = 2s; b) a distância que ele percorre durante
todo o processo de frenagem; c) o instante t em que o móvel para.

Problema 5. (Renato Brito) Dois carros iniciam uma corrida numa estrada retilínea, partindo
de uma mesma posição, com velocidades iniciais iguais a v1 e v2 e acelerações escalares constantes

Página 6
respectivamente iguais a a1 e a2 . Sabendo que eles atingem a linha de chegada simultaneamente,
determine o comprimento dessa pista de corrida

Problema 6. (Renato Brito) Um percurso de comprimento d é dividido em n partes iguais. Ao


a
final de cada parte, a aceleração do móvel sofre um aumento de , onde a é a sua aceleração inicial
n
ao partir do repouso do início desse percurso. Assim, após percorrer todo esse percurso, qual a
velocidade atingida pelo móvel?

Problema 7. Durante seu estudo da queda de corpos, Galileu concluiu que se ele medisse a altura
de um corpo sob ação da gravidade em instantes de tempo igualmente espaçados, as posições dos
corpos seguiriam a seguinte proporção:
x1 x2 x3 x4
= = = = ...
1 4 9 16
Prove isso.

Problema 8. (ITA-2006) À borda de um precipício de um certo planeta, no qual se pode desprezar


a resistência do ar, um astronauta mede o tempo t1 que uma pedra leva para atingir o solo, após
deixada cair de uma de altura H. A seguir, ele mede o tempo t2 que uma pedra também leva
para atingir o solo, após ser lançada para cima até uma altura h, como mostra a figura. Ache uma
expressão para H em função dos parâmetros dados

Página 7
7. Gabarito e Dica
Problema 1. Demostração

Problema 2. 6T (Dica: lembre-se de que a área do gráfico corresponde ao deslocamento)

Problema 3. 16m/s

Problema 4. a) −2m/s2 b) 9m c) 3s

2(v1 − v2 )(v1 a2 − v2 a1 )
Problema 5. (Dica: faça um gráfico de v versus t)
(a2 − a1 )2

r
1
Problema 6. da(3 − ) (Dica: procure fazer uma soma telescópica e lembre-se da soma dos termos de uma
n
PA)

Problema 7. Demonstração

4t21 t22 h
Problema 8. H = (Dica: não resolva a equação de segundo grau)
(t22 − t21 )2

Página 8
Lançamento Oblíquo
Caio Augusto - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Lançamento Oblíquo é o nome dado ao movimento de uma partícula quando esta sofre efeito de
uma aceleração gravitacional constante. Exemplos são mostrados abaixo, onde diversos objetos
são lançados com um ângulo com a horizontal e percorrem uma trajetória específica.

A física ao redor desse assunto se baseia na seguinte pergunta: Se um objeto está inicialmente no
chão e no tempo t = 0 recebe uma velocidade ~v fazendo um ângulo θ com a horizontal, qual é sua
posição em um tempo t?

Descrevemos o sistema por meio de duas coordenadas x e y, onde y é vertical e x é a horizontal,


como mostrado na imagem abaixo.

Página 1
A componente da velocidade inicial que esta na direção x é dada por:

vx = v0 cos θ (1)

E sabemos que a gravidade atua apenas na vertical, então o movimento em x não sofre influência
de nenhuma aceleração, seu movimento na horizontal é portanto uniforme:

x(t) = v0 cos(θ)t (2)

Já na vertical, a componente da velocidade inicial é dada por:

vy = v0 sin θ (3)

E nessa direção a partícula sofre ação de uma aceleração constante g, e portanto seu movimento
em y deve ser um movimento uniformemente variado (MUV), isto é:
gt2
y(t) = v0 sin(θ)t − (4)
2
Essencialmente, essas são as duas equações que descrevem um movimento oblíquo, em y a partícula
está em um MUV e em x num MU. No entanto, saber apenas isso em muitas vezes não te permite
resolver as questões, torna-se um quesito de extrair a maior quantia de informações possíveis das
equações (2) e (4), discutiremos alguns dados que podem ser obtidos na seção abaixo:

2. Alcance horizontal e Altura Máxima


O alcance horizontal de um lançamento oblíquo é definida como a distância entre o ponto de
lançamento e o ponto que ela atinge quando volta a y = 0, como mostra a figura abaixo.

Página 2
Para calcular o valor de A dado os parâmetros relevantes ao sistema, precisamos saber o tempo
de queda da partícula, ou seja, qual o valor de T tal que y(T ) = 0. Para calcular T , fazemos a
seguinte conta:
gT 2
y(T ) = v0 sin(θ)T − =0 (5)
2
Esta equação possui duas soluções, uma corresponde a T = 0 e não corresponde ao tempo de
queda da partícula. Para achar o outro valor, divide-se toda a equação por T e tem-se então:

2v0 sin(θ)
T = (6)
g

como x(T ) = A, substituímos T na equação de x e temos que:

2v02 sin(θ) cos(θ) v 2 sin(2θ)


A= = 0 (7)
g g
Já a altura máxima corresponde ao maior valor de y que a partícula pode ter durante seu movi-
mento, como mostrado na figura abaixo:

Página 3
Pela definição de máximo, quando a partícula está em H ela não possui velocidade em y (pois
imediatamente antes de estar H ela devia estar subindo e imediatamente depois ela deve estar
descendo, então no máximo em si ela não pode subir nem descer). Então podemos prosseguir de
duas maneiras:

2.1 Maneira 1 - Descobrir vy (t)


Como em y a partícula faz um MUV, segue que:
vy (t) = v0 sin(θ) − gt (8)
então a partícula terá vy = 0 em:
v0 sin(θ) T
τ= = (9)
g 2
Ou seja, a partícula atinge o máximo na metade do seu percurso no ar, e então segue que H = y(τ ),
logo:
gτ 2 v 2 sin2 (θ)
H = v0 sin(θ)τ − = 0 (10)
2 2g

2.2 Maneira 2 - Uso de Torricelli/Conservação de energia


A equação de Torricelli nos diz que, para uma partícula sobre aceleração a em x obedece:
v 2 (x) = v02 + 2ax (11)
Onde v0 é a velocidade inicial da partícula quando ela esta em x = 0 e v(x) é sua velocidade em
um x qualquer. O uso desta equação nos permite ignorar a dependência do tempo do fenômeno.

No nosso caso, há uma aceleração −g na direção y e vy (0) = v0 sin(θ), então:


vy2 − v02 sin2 (θ) = −2gy (12)
Quando y = H, vy = 0, então:
v02 sin2 (θ)
H= (13)
2g
O que esta de acordo com o primeiro método.

3. Trajetória independente do tempo


Nos interessa também saber qual é a curva que a massa faz no espaço durante sua trajetória, isto
é, quando a partícula esta em um determinado x, em qual altura y(x) ela estará? Para ter esta
informação, usamos a equação (2) e isolamos t:
x
t= (14)
v0 cos(θ)
E então substituímos na equação de y(t), o que nos da:
gx2
y(x) = x tan(θ) − (15)
2v02 cos2 (θ)

Página 4
Não é uma equação que você olha e pensa: “puts, como não imaginei que seria isso", mas ela não
veio de nenhuma magia, foi pego as equações iniciais que tínhamos inicialmente e fizemos uma
substituição de variáveis. Há alguns dados importantes que podem ser tirados dessa equação, uma
delas é que a trajetória é uma parábola pois temos algo da forma y = ax + bx2 , outro conceito
muito importante é o de “Parábola de segurança", o qual trataremos em um folheto mais a frente,
mas é simples de achar na internet uma explicação simples do que ela significa, embora de sua
matemática nem tanto.

4. Problemas
Mostrado como as fórmulas podem ser utilizadas, vamos agora a uma lista curta de alguns exer-
cícios sobre o assunto, algumas são mais simples e envolvem apenas um manejamento simples das
fórmulas, outras envolvem um bom conhecimento matemático.

Problema 1: (Tópicos de Física 1)-Um corpo é lançado obliquamente com velocidade v0 de mó-
dulo 50 m/s, sob um ângulo de lançamento θ (sen(θ)= 0,6; cos(θ)=0,8), conforme indica a figura:

Calcule, considerando g = 10m/s2 e


desprezando a influência do ar:
a) a intensidade da velocidade v do corpo ao passar pelo vértice do arco de parábola;
b) o tempo de subida;
c) a altura máxima (hmáx);
d) o alcance horizontal (A).

Problema 2: (Tópicos de Física 1)-Da superfície de um astro, uma pedra foi lançada vertical-
mente para cima. Sua posição em relação à superfície variou com o tempo, de acordo com o gráfico
seguinte, que é praticamente um arco de parábola:

Calcule:
a) o módulo v0 da velocidade de lançamento da pedra;
b) intensidade g do campo gravitacional na superfície desse astro.

Página 5
Problema 3: (Moyses 1- alterada) Um caçador(muito cruel) esta no chão e planeja atirar em um
macaco que esta em um galho de uma arvore a uma altura h do chão. A distância horizontal entre
o macaco e o caçador é d, a velocidade inicial da bala é v0 , o valor da gravidade é g e, na hora que
o caçador atirar, o macaco ficara assustado e se soltara do galho, ficando em queda livre. Sabendo
disso, qual deve ser o angulo com a horizontal que a velocidade da bala deve fazer para atingir o
macaco? E quanto tempo demorará até que sua bala atinja-o?

Problema 4: (Moyses 1) O Alcance de um projétil é 4 vezes maior que sua altura máxima e o
mesmo permaneceu no ar por 2 segundos
a) Em que angulo ele foi lançado?
b) Qual foi sua velocidade inicial?
c) Qual seu alcance?
Considere a aceleração da gravidade g = 9,8m/s2

Problema 5: (Morin) Duas bolas, separadas por uma distancia d, são jogadas ao ar no instante
t=0, como mostra a figura abaixo. uma delas é jogada com v

Página 6
a) Qual deve ser a velocidade u com o qual a segunda bolinha deve ser jogada para que acerte a
primeira no momento em que esta está na sua altura máxima?;
b) Qual deve ser o angulo que u faz com a horizontal?

Considere que a aceleração gravitacional no sistema é g

Problema 6: (Moyses 1) Mostre que o alcance horizontal de duas partículas com a mesma ve-
locidade é o mesmo quando ambas tem seus ângulos de lançamento representados por: ( π4 − δ) e
( π4 + δ)

Problema 7: (ITA-11) Duas partículas idênticas, de mesma massa m, são projetadas de uma
origem O comum, num plano vertical, com velocidades iniciais de mesmo módulo e ângulos de
lançamento respectivamente α e β em relação à horizontal. Considere T1 e T2 os respectivos
tempos de alcance do ponto mais alto de cada trajetória e t1 e t2 os respectivos tempos para as
partículas alcançar um ponto comum de ambas as trajetórias. Assinale a opção com o valor da
expressão t1 T1 + t2 T2
2v02 (tan(α)+tan(β))
a) g2
2v02
b) g2
4v02 sin(α)
c) g2
4v02 sin(β)
d) g2
2v02 (sin(α)+sin(β))
e) g2

Problema 8: (De Lange) Uma partícula esta em um plano inclinado que faz um angulo com a
horizontal α e está é lançada com uma velocidade u fazendo um angulo θ com a horizontal, como
mostra a imagem abaixo

Mostre que a partícula atingira o plano a uma distancia R tal que:

2u2
R= cos(θ) sin(θ − α) (16)
g cos2 (α)

Página 7
Problema 9: DESAFIO - (200 Physics Problems) Um grilo encontra em sua frente um tronco de
raio R posto no chão e planeja pula-lo para chegar ao outro lado. Dado a aceleração da gravidade
local g, qual a velocidade miníma que o grilo precisa ter para pular o tronco?

5. Dicas
Problema 1: Aplique as formulas apresentadas sobre lançamento balístico para calcular as quan-
tias pedidas. Se não lembra das formulas, tente prova-las por conta própria.

Problema 2: É dado o valor de y em função do tempo, é importante saber usar os dados apre-
sentados para adquirir as informações. Nesse caso foi dado o valor de H e de τ , ambas podem ser
usadas para se adquirir as informações que foram pedidas

Problema 3: Ambas os corpos sofrem o mesmo efeito gravitacional de forma que há em ambos
um ∆y = −gt2 /2. Assim, esse termo não interfere em como o macaco vê a bala indo em sua
direção.

Problema 4: O angulo de lançamento é algo puramente geométrico do sistema que não depende
nem da gravidade nem do tempo de queda, use as formulas de A e H e você tera uma equação que
depende unicamente de θ.

Problema 5: Ambas as partículas devem estar no mesmo x e no mesmo y quando ocorre a colisão.
Por ser o ponto de máxima altura, é sabido tanto o valor de y quando o valor de t ao qual a colisão
ocorre, dados suficientes para calcular o que foi pedido. Descrever o sistema por ux e uy e a partir
dai chegar em u e θ pode ser bem mais simples do que achar as duas quantias diretamente

Problema 6: Use o fato que sin(θ) = cos(π/2 − θ) e escreva θ de uma outra maneira que lhe seja
útil na questão

Problema 7: Não há muito segredo que eu posso falar aqui, só posso garantir que tem conta pra
caramba e muuuuito manejamento matemático(essa deveria ser uma questão difícil independente
do seu conhecimento físico como um todo)

Problema 8: Há diversas maneiras de resolver essa questão, uma das mais rápidas é estabelecer
que quando a partícula toca o plano xy = tan(θ), usando substituições adequadas é possível resolver.
Outra maneira é descrever o sistema por meio de coordenadas paralelas e perpendiculares e não
haverá um lançamento balístico mas sim um movimento com tanto uma aceleração horizontal
quando uma vertical, mas não é difícil achar o tempo de queda nessas coordenadas, e então achar
R é um caminho direto.

Problema 9: Essa é uma questão que envolve uma certa “carta"de perceber que quando estamos
no caso de velocidade miníma, a partícula deve tangenciar o tronco em dois pontos simétricos
no mesmo y. Estabeleça que a partícula vai tangenciar o tronco em um ponto do tronco que
faz um angulo θ com a vertical com uma velocidade v0 . O alcance horizontal precisa ser igual a

Página 8
A = 2R sin(θ) (por que?) e com isso descubra o valor de v0 em função de θ. Então use Torricelli
para descobrir a velocidade de lançamento em função de θ. Você devera ter uma função para V
que só depende desse angulo, então é possível plotar num gráfico essa função pra descobrir valor
mínimo que a velocidade pode ter.(Uma solução completa dessa questão sera postada futuramente,
mas tente se divertir com ela sem olhar a resposta).

6. Gabarito
Problema 1: a) v = 40m/s
b) t = 3s
c) h = 45m
d) A = 240m

Problema 2: a) v = 24m/s
b) g = 12m/s2


Problema 3: Ele deve mirar no macaco e o tempo até a bala atingir é t = d2 +h2
v0

Problema 4: a) 45º
b) 13,9 m/s
c) 19,6m

Problema 5: a) u2 = (gd/v)2 + v 2 ,
b) tan(θ) = v 2 /gd

Problema 6: provae po

Problema 7: Alternativa b

Problema 8: provae po

2

Problema 9: vmin = 2gR(1 + 2)

Página 9
Movimento Circular
Lucas Takayasu - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Movimentos circulares, ou rotações, são muito úteis na física e aparecem em todo lugar do nosso
cotidiano, como em ventiladores, engrenagens, rodas de carros, a rotação da Terra em torno do
seu eixo e muitos outros.

Se considerarmos um objeto se movendo numa trajetória circular com velocidade constante, te-
ríamos um MCU: Movimento Circular e Uniforme, representado na imagem. Para descrever esse
movimento, podemos utilizar variáveis análogas àquelas dos movimentos retilíneos: no lugar de
distâncias, usaremos ângulos, o que facilitará muito nossa vida.

Na física, geralmente não utilizaremos graus (°) como unidade para ângulos, mas sim radianos
(rad), pela conveniência que essa unidade traz. O radiano é definido pela razão do comprimento de
um arco de circunferência e o seu raio. Sabemos que em um círculo completo, sua circunferência
mede 2πR, e seu ângulo central é 360°. Logo, 2π radianos equivalem à 360°, e assim podemos
montar uma regra de três para converter de graus para radianos. Por exemplo, para 90°:

2π rad 360° π
⇒θ=
θ rad 90° 2
Assim, para o movimento circular, ao usar o ân-
gulo em radianos obtemos a relação:

∆S = R · ∆θ

Onde ∆S é o deslocamento, que pode ser usado


para encontrar a velocidade linear (v):

∆S
v=
∆t
Mas além da velocidade linear, podemos definir a
velocidade angular (ω):

∆θ
ω=
∆t
Assim, podemos escrever um “sorvete" do MU só
que para esse movimento angular:

θ = θ0 + ωt

Página 1
Podemos notar também que um movimento circular é periódico, ou seja, ele se repete em intervalos
de tempo regulares, que chamamos de período (T ). Outra variável importante é a frequência
(f ), que representa a quantidade de revoluções (voltas) do objeto por unidade de tempo, o que é
equivalente ao inverso do período:
1
f=
T
A unidade para frequência é Hz (Hertz), sendo igual ao inverso do segundo (s−1 ). Existe também
outra unidade famosa: rpm (rotações por minuto), sendo que 60rpm equivalem à 1Hz.

Em um período, o objeto dá uma volta de 360° no círculo, ou seja 2π radianos, e portanto podemos
relacionar a velocidade angular:

ω= = 2πf
T
Ainda para uma volta completa, podemos calcular a velocidade linear à partir da circunferência,
e relacioná-la a velocidade angular:
2πR
v= = ωR
T
Também é importante ressaltar um outro conceito do movimento circular, a aceleração cen-
trípeta (acp ). Como já visto, acelerações são responsáveis por alterar velocidades, e no caso, a
aceleração centrípeta é responsável por alterar o sentido da velocidade vetorial, fazendo com que
o objeto faça essa trajetória curva. No MCU, a aceleração centrípeta é dada por:
v2
acp =
R
Pela segunda lei de Newton, isso também nos dá a força centrípeta:
mv 2
F =
R
Sendo que a aceleração/força centrípeta sempre aponta para o centro da trajetória, fazendo com
que a velocidade sempre seja tangente à trajetória no MCU.

2. Movimento Circular Uniformemente Variável


Além do MCU, é importante conhecermos o MCUV: Movimento Circular Uniformemente Variável.
Para descrevê-lo, podemos usar variáveis análogas do movimento retilíneo uniformemente variado,
definindo uma aceleração angular:
∆ω
α=
∆t
A diferença agora, é que além da aceleração centrípeta que altera o sentido da velocidade, teremos
uma aceleração tangencial (aθ ), que será responsável por alterar o módulo (intensidade) da
velocidade, e está relacionada a aceleração angular:
∆v
aθ = = αR
∆t
Com isso podemos escrever um “sorvetão" e a equação Torricelli para um MCUV:
αt2
θ = θ0 + ωt + ω 2 = ω02 + 2α∆θ
2

Página 2
Assim, torna-se claro a semelhança desses movimentos circulares com aqueles retilíneos. Todas as
analogias cinemáticas citadas são exemplificadas na tabela:
Retilíneo Circular
s θ
v ω
s = s0 + vt θ = θ0 + ωt
a α
at2 αt2
s = s0 + vt + θ = θ0 + ωt +
2 2
v = v0 + at ω = ω0 + αt
v 2 = v02 + 2a∆s ω 2 = ω02 + 2α∆θ

Futuramente, em dinâmica rotacional, você conhecerá outros análogos para variáveis da dinâmica
translacional, representadas na seguinte tabela, mas que não é necessário que você saiba por ora.
Translacional Rotacional
m I
~
x ~θ
~v ~
ω
~a ~
α
~p = m~v ~
L = Iω ~
~
~ = m~a = d~p
F ~ = Iα
τ ~ =
dL
dt dt
mv 2 Iω 2
Kcin = Krot =
2 2
Z Z
W = F ~ · d~l W = τ ~ · d~θ

Não se assuste, só é interessante notar que os movimentos circulares, apesar de serem muito
diferentes dos movimentos retilíneos, possuem muitas semelhanças e analogias, o que pode te
ajudar a lembrar das fórmulas e conceitos.

3. Problemas
Problema 1. (OBF 2001) Uma partícula realiza um movimento circular uniforme. Sobre tal
situação, pode-se afirmar:
a) a velocidade da partícula muda constantemente de direção e sua aceleração tem valor constante
e não nulo.
b) o movimento é certamente acelerado, sendo a aceleração da partícula paralela à direção da sua
velocidade.
c) visto que o movimento é uniforme, a aceleração da partícula é nula.
d) vetor velocidade aponta para o centro da trajetória circular, sendo perpendicular ao vetor
aceleração.
e) o ângulo formado entre os vetores velocidade e aceleração varia ao longo da trajetória.

Página 3
Problema 2. (UFC) Uma partícula descreve um movimento circular e uniforme de raio r com
velocidade escalar v. Na unidade de tempo, a partícula efetuará um número de voltas igual a:
a) 2πr/v
b) r/2πv
c) v/2πr
d) πr/2v
e) 2r/πv

Problema 3. (OBF 2004) Um aeromodelo descreve um movimento circular uniforme com velo-
cidade escalar de 12 m/s, perfazendo 4 voltas por minuto. Considerando π = 3, a sua aceleração
é de:
a) 0,0m/s2
b) 0,8m/s2
c) 4,8m/s2
d) 7,2m/s2
e) 9,6m/s2

Problema 4. Um satélite é dito geostacionário se roda ao redor do planeta uma vez por dia, ou
seja, se completa uma rotação ao redor da Terra em 24 horas, o que faz com que ele aparente estar
“parado" para um observador no solo. Para a Terra, todos os satélites em órbita geostacionária
devem estar a uma distância de 4,23 × 107 m do centro da Terra. Qual a intensidade da aceleração
sofrida por um satélite geostacionário?

Problema 5. (OPF 2002) Em cima de um disco de eixo vertical são colocadas duas moedas A e
B, de massas iguais e distantes 5 cm e 20 cm do eixo de rotação. O disco começa a girar lentamente,
mas com velocidade angular crescente.
a) Quando o disco levar 0,5 s para completar cada volta qual a frequência de rotação do disco, em
Hz?
b) Quando a velocidade linear da moeda A for igual a VA , qual a velocidade linear da moeda B?

Problema 6. (OBF 2002) Um cachorro está preso por uma corda num poste quando vê um gato
e, obviamente, decide ir atrás dele. O cachorro, porém, por mais força que faça, não consegue
romper a corda, que suporta uma tração de até 1000 N. Sendo ele o cachorro de um cientista,
ele sabe que pode tentar romper a corda girando em torno do poste. Supondo que o tamanho da
corda seja 1 m, a massa do cachorro m = 20 kg, e o movimento seja circular uniforme, determine:
a) qual deve ser a velocidade linear mínima que o cachorro deve ter para que consiga romper a
corda.
b) quanto tempo o cachorro demora para dar uma volta completa em torno do poste, com esta
velocidade. De posse destes resultados, comente se é possível supor que o cachorro conseguirá
arrebentar a corda.

Página 4
Problema 7. (OBF 2010) No início do século XX, mais exatamente em 1905, Albert Einstein
mostrou através dos postulados da relatividade restrita que a velocidade da luz é a máxima velo-
cidade possível de se atingir no universo.
a) Se um objeto pudesse se movimentar com a velocidade da luz quantas voltas por segundo ao
redor da Terra este objeto realizaria?
b) Qual a velocidade angular do objeto? (resposta em radianos/s)
c) Qual a frequência de revolução deste objeto ao redor da Terra?
Dados: RT erra = 6371km, c = 3 × 108 m/s2

Problema 8. (OBF-99) Beto e Pedro são dois malabaristas em monociclos onde os pedais acionam
diretamente os eixos das rodas. Para que se mantenham lado a lado, em movimento uniforme,
Beto dá 3 pedaladas completas por segundo enquanto Pedro dá apenas 2. O monociclo de Beto
tem raio de 30 cm. Qual o raio do monociclo de Pedro?

Problema 9. (OBF 2004) Em física, define-se a quantidade de movimento angular (momento


angular), L, de um corpo que gira com velocidade angular constante ω em torno de um eixo, como
sendo L = Iω, onde I é uma grandeza denominada momento de inércia que depende da massa do
corpo e de como ela está distribuída em torno do eixo de rotação. Para um disco de massa M e
raio R, o momento de inércia em relação a um eixo perpendicular a ele, passando pelo seu centro,
é dado por I = M R2 /2.
Considere um disco como esse, de raio 10 cm, girando com frequência de 0,5 Hz.
a) Quantas voltas serão dadas em 15 segundos, por um outro disco que possui a mesma massa do
primeiro disco e metade de seu raio, tendo, porém, o mesmo momento angular?
b) Se os dois discos forem fabricados do mesmo material, qual a diferença entre eles, além dos
raios?

Problema 10. (ITA) O ponteiro das horas e o ponteiro dos minutos de um relógio estão super-
postos às 5h, x minutos e y segundos. Obtenha os valores de x e y.

Página 5
4. Gabarito
Problema 1. a)

Problema 2. c)

Problema 3. c)

Problema 4. 0,224m/s2

Problema 5. a) 2Hz b) VB = 4VA

Problema 6. a) 7m/s2 b) Aproximadamente 1s

Problema 7. a) ≈ 7 voltas por segundo b) ≈ 47 rad/s c) ≈ 7,5 Hz

Problema 8. 45cm

Problema 9. a) 30 voltas b) Espessura do disco

Problema 10. x = 27 min y = 16 s

Página 6
Vetores e Cinemática Vetorial
Gabriel Silva - Projeto Olı́mpicos

1. Introdução
A motivação para o estudo dos vetores e da cinemática vetorial nasce a partir de uma necessi-
dade de descrever de corpos, objetos, ou o que seja que esteja ao nosso arredor de maneira mais
precisa. Suponha, por exemplo, que Joãozinho (famoso Joãozinho da OBMEP) esteja perdido no
centro de sua cidade e queira chegar até a universidade local, então ele decide pedir uma informação
e a pessoa gentilmente diz: “Basta você subir cinco quarteirões e depois dobre a direita”, perceba
que a linguagem utilizada para descrever, é a linguagem vetorial. Tendo isso em vista, espero que
no final desta aula, você consiga interpretar e utilizar dessa linguagem matemática.

2. Vetores
Antes de definir propriamente dito, o que seria um vetor, primeiro devo-lhe apresentar a noção
de grandezas escalares e vetoriais. Define-se uma grandeza escalar, como um número (módulo)
acompanhado por uma unidade de medida correspondente, por exemplo: temperatura, densidade,
volume, etc., percebe-se que para a interpretação de uma grandeza escalar, basta o seu valor
numérico e uma unidade de medida correspondente. Por outro lado, as grandezas vetoriais ne-
cessitam de mais informações, o que chamamos de direção e sentido. Não confunda direção com
sentido, podemos pensar que a direção corresponde a uma linha imaginária qualquer que liga um
ponto a outro, e a esta direção, temos associado dois sentidos - supondo que a reta imaginária
esteja no eixo x, o sentido seria direita ou esquerda.
Ora pois! O que seria um vetor? Definimos um vetor como um ente matemático constituı́do de
módulo, direção e sentido. Com o auxı́lio deste conceito, seremos capazes de descrever movimentos
em mais de uma dimensão com uma maior facilidade.

2.1 Conceitos iniciais importantes


2.1.1 Vetor Deslocamento
O vetor deslocamento, é definido como o segmento de reta obtido através da diferença entre a
posição final e inicial do corpo a ser analisado. Então se imaginarmos que Joãozinho esteja parado
Ð→
no ponto A (Figura 1) e queira ir até o ponto B indicado, isso corresponde ao vetor AB. Portanto,
basta fazer a diferença entre os pontos A e B, porque ele teria que percorrer diferença dos pontos
na horizontal (xa e xb ) e em seguida, o mesmo se aplicaria na vertical (ya e yb ), isto é, em termos
matemáticos, temos:

(xb − xa ; yb − ya ) (I)

Página 1
Ð→
Figura 1: Vetor deslocamento AB

2.1.2 Módulo de um Vetor


O módulo de um vetor u⃗ corresponde ao seu valor numérico que expressa o comprimento do
segmento de reta orientado. A ideia é encontrar uma equação geral para obter o módulo de
qualquer vetor, para isso, iremos trabalhar com vários triângulos no R3 (Figura 2) e a partir disso
chegar numa equação.

Figura 2: Módulo de um vetor


Ð→
Olhando para o ∆OGF, podemos aplicar um Pitágoras e obter o módulo do vetor OF :
Ð→
∣OF 2 ∣ = yu2 + zu2
Fazendo o mesmo procedimento para o ∆OFP, temos:

Página 2
Ð→ Ð→
u∣2 = ∣OF ∣2 + ∣F P ∣2
∣⃗
Ð→
Mas sabemos que ∣F P ∣2 é igual a x2u , então substituindo e tirando a raiz de ambos os lados,
ficamos com: √
u∣ = x2u + yu2 + zu2
∣⃗ (II)

2.2 Operações com Vetores


Da mesma forma que a partir de grandezas escalares somos capazes de realizar operações, é
claro que o mesmo se aplica para grandezas vetoriais, entretanto não podemos efetuar essas tais
operações da mesma maneira, tendo em vista que vetores possuem módulo, direção e sentido, e
são descritos a partir de coordenadas no espaço.

2.2.1 Soma Vetorial


1. Regra da Poligonal
Ð
→ Ð →
Supondo que temos dois vetores quaisquer A e B , e queremos efetuar esta soma vetorial. Para
Ð
→ Ð→
isto, devemos posicionar o vetor A de modo que coloquemos a origem do vetor B na extremidade
do primeiro vetor (Figura 3), dessa maneira, teremos um ângulo θ entre eles, e o vetor soma, seria
Ð
→ Ð
→ Ð→
a origem do vetor A até a extremidade do vetor B , que chamaremos de AB. Feito isto, observe
que temos uma figura geométrica em que conhecemos dois lados e um ângulo, portanto, podemos
aplicar a lei dos cossenos — constate a demonstração desta lei em Apêndices.

Ð→
Figura 3: Vetor posição AB obtido a partir da soma vetorial

Esta maneira de somar vetores também é chamada como “regra do paralelogramo”, pois se
tivermos dois vetores quaisquer w⃗ e p⃗ e encaixe a origem do vetor p⃗ na extremidade do vetor
w⃗ (Figura 4) e sabemos que um vetor pode ser transportado, desde que ele mantenha o seu
módulo, direção e sentido, assim ele será o mesmo vetor, portanto se transportamos os vetores w⃗
e p⃗ paralelamente, o vetor soma será construı́do com a sua origem em um ponto qualquer e sua
extremidade será do segundo vetor.

Página 3
Figura 4: Soma do vetor w⃗ + p⃗ através da regra do paralelogramo

2. Representação Geométrica

Imagine que Joãozinho queira sair do ponto A (Figura 5) e andar até o ponto B, depois até o
ponto C, isto é, queremos somar os vetores u⃗ e v⃗. Assim fica fácil, pois já sabemos encontrar o
vetor deslocamento a partir de suas coordenadas, então podemos fazer a diferença entre os pontos
B e A, e dos pontos C e B, e a partir disso, somar as suas coordenadas.

u⃗ = (xb − xa ; yb − ya )
v⃗ = (xc − xb ; yc − yb )

Agora, basta somar em função das componentes de cada coordenada:

u⃗ + v⃗ = (xc − xa ; yc − ya ) (III)

Figura 5: Soma do vetor u⃗ + v⃗

Página 4
2.2.2 Multiplicação por um escalar
Podemos definir um escalar como um número qualquer. Neste caso, multiplicaremos um escalar
α por um vetor u⃗, para isto, devemos claro, multiplicar todas as componentes das coordenadas do
vetor u⃗ pelo escalar α, isto é, em termos matemáticos:

w⃗ = α ⋅ u⃗ = (α ⋅ ux ; α ⋅ uy ; α ⋅ uz ) (IV)

2.2.3 Negativa de um vetor


O negativa de um vetor, consiste em multiplicar um vetor qualquer t⃗ por um escalar negativo
−β, então basta realizar o mesmo procedimento anterior. Ao fazer isso, você irá notar que o sentido
do vetor irá trocar, porque todas as componentes da coordenada, estará sendo multiplicada por
um escalar negativo.

2.2.4 Subtração Vetorial (Representação geométrica)

Dados dois vetores quaisquer k⃗ e d⃗ e queremos determinar a diferença entre esses dois vetores:
⃗ d),
(k− ⃗ basta pegar o primeiro pegar e fixá-lo e multiplicar o segundo vetor por −1, porque queremos
o vetor diferença, então a ideia seria multiplicar o mesmo por −1 e somar os dois vetores a partir
da regra do paralelogramo, isto é:

p⃗ = k⃗ + (−d)
⃗ (V)

2.2.5 Decomposição dos vetores em eixos


Suponha que temos um vetor qualquer v⃗ no espaço e que seja de alguma utilidade ter esse vetor
em função do eixo x ou y. Como podemos decompor este vetor? Simples, observe a Figura 6 e
note o ângulo θ que temos entre o vetor v⃗ e os eixos.

Figura 6: Decomposição vetorial

Página 5
A partir desta figura, podemos encontrar o vetor v⃗ no eixo x e y:
v⃗y
sinθ =
v⃗
v⃗x
cosθ =
v⃗

v⃗x = v⃗ ⋅ cos(θ) (VI)

v⃗y = v⃗ ⋅ sin(θ) (VII)


Mas supondo que seja importante encontrar o vetor resultante e temos apenas v⃗x e v⃗y , basta
notar que a na Figura 6, temos um triângulo retângulo, então aplicando o teorema de Pitágoras:

v 2 = vx2 + vy2 (VIII)

2.2.6 Vetores unitários (Versores)


Definimos um vetor unitário como um vetor de módulo 1 que aponta para uma dada direção.
Denotamos os vetores unitários da direção x, y e z, respectivamente como, î, ĵ e k̂.

Figura 7: Versores no R3

Os versores têm uma grande importância para a Fı́sica, pois nos permite escrever muitas
equações de maneira reduzida, observe no Apêndice, na dedução da aceleração centrı́peta, que eu
escrevi a decomposição do vetor posição r⃗ em x e y e a partir dos vetores unitários, eu consegui
reescrever aquelas duas equações em apenas uma, simplificando as contas.

Página 6
2.2.7 Produto Escalar
[Link] Método Algébrico

O produto escalar consiste no produto entre dois vetores que irá resultar um escalar (por isso
o nome produto escalar). Denotamos o produto escalar como:

⃗ ⋅ ⃗b = ⟨⃗
a a, ⃗b⟩
Para determinar o produto escalar, basta multiplicar cada componente da coordenada pela
outra e depois somar, isto é, trata-se de uma soma dos produtos das respectivas coordenadas de
cada vetor.

a, ⃗b⟩ = (xa ; ya ; za )(xb ; yb ; zb )


⟨⃗

a, ⃗b⟩ = xa ⋅ xb + ya ⋅ yb + za ⋅ zb
⟨⃗ (IX)
O produto escalar tem algumas consequências importante dessa sua definição, irei listar cada
uma delas, tente demonstrar cada uma delas.

u∣2
1. u⃗ ⋅ u⃗ = ∣⃗

2. u⃗ ⋅ w⃗ = w⃗ ⋅ u⃗

3. u⃗ ⋅ (⃗
v + w)
⃗ = u⃗ ⋅ v⃗ + u⃗ ⋅ w⃗

[Link] Método Geométrico

O produto escalar também possui uma interpretação geométrica, assim como a soma vetorial.
A versão geométrica do produto escalar é expressa como:

u⃗ ⋅ v⃗ = ∣⃗
u∣ ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)

Figura 8: Produto Escalar (Método Geométrico)

Ora pois! Temos acima a Figura 8, será que dará bom se aplicarmos uma lei dos cossenos ali?
Descobriremos a seguir:

Página 7
u − v⃗∣2 = ∣⃗
∣⃗ u∣2 + ∣⃗
v ∣2 − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
u − v⃗)(⃗
(⃗ u − v⃗) = u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ u⃗ ⋅ v⃗ = u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
−2 ⋅ u⃗ ⋅ v⃗ = −2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
Como sabemos pela propriedade 2, o produto escalar ele é comutativo, dividindo ambos os
lados por −2:
u⃗ ⋅ v⃗ = ∣⃗
u∣ ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ) (X)

2.2.8 Produto Vetorial


O produto vetorial, como o próprio nome sugere, corresponde ao produto entre dois vetores
que irá resultar outro vetor. A notação utilizada para expressar o produto vetorial é:

u⃗ × v⃗

Figura 9: Regra da mão direita - Produto Vetorial

A regra da mão direita é um bizu criado pelo engenheiro eletricista John Ambrose Fleming,
que nos aponta a direção e o sentido do produto vetorial, funciona da seguinte forma: você irá
com sua mão direita (obviamente kk) apontar o seu dedo indicador ao primeiro vetor e o dedo do
meio ao segundo (como indica a figura 9) e ao esticar o dedão, teremos a direção e o sentido do
produto vetorial.
O produto vetorial é dado por:
u × v⃗∣ = ∣⃗
∣⃗ u∣∣⃗
v ∣sin(θ) (XI)
Propriedades:

1. u⃗ × v⃗ = -(⃗
v × u⃗)

2. u⃗ × (⃗
v + w⃗ = u⃗ × v⃗ + u⃗ × w⃗

3. u⃗ × k⃗
v = (k ⋅ u⃗) × v⃗ = k ⋅ (⃗
u × v⃗)

Página 8
3. Cinemática Vetorial
Assim como a cinemática escalar que tem como objeto de estudo a descrição de corpos, sem se
preocupar com as causas que levaram ao movimento ou repouso, a dita cuja, cinemática vetorial,
considera o mesmo objetivo, entretanto, utiliza dos vetores para uma descrição mais abrangente.

3.1 Deslocamento Vetorial


Considere uma partı́cula que se move de maneira não uniforme (Figura 10 — imagem retirada
do livro “Tópicos de Fı́sica”), em que os pontos P1 e P2 corresponde ao vetor posição da particular
nos instantes t1 e t2 . O deslocamento vetorial corresponde aos segmentos d⃗ indicado na figura, esse
vetor é descrito como a diferença vetorial entre r⃗2 e r⃗1 .

Figura 10: Deslocamento Vetorial

O vetor posição é dado pela coordenadas:

r⃗ = xî + y ĵ + z k̂
∆⃗
r = (xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂
∆⃗
r = ∆xî + ∆y ĵ + ∆z k̂

Portanto, o deslocamento vetorial é dado por:

d⃗ = (xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂ (XII)

3.2 Velocidade vetorial média e instantânea


A definição matemática de velocidade vetorial média é:

d⃗ r⃗2 − r⃗1
v⃗m = = (XIII)
∆t t2 − t1

Página 9
Podemos reescrever essa velocidade em função dos vetores unitários, obtendo:

(xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂


v⃗ =
t2 − t1
Se comparamos os módulos da velocidade vetorial média e da velocidade escalar, notaremos
que o módulo da velocidade vetorial média será menor ou igual ao módulo da velocidade escalar,
porque se observamos na figura 10, a distância d⃗ é menor ou igual ao ∆S, já que a distância em
tracejado corresponde a variação do espaço, logo:

vm ∣ ≤ ∣vm ∣
∣⃗

Quando estivermos falando da velocidade de uma partı́cula em modo geral, ou seja, sua velo-
cidade em um dado instante, estamos falando da velocidade instantânea da partı́cula, nesse caso,
devemos considerar o limite de ∆t tendendo a zero, dessa forma, teremos:
d⃗
r
v⃗ =
dt

3.3 Aceleração vetorial média e instantânea


Tendo um corpo qualquer para análise, se sua velocidade varia de v1 para v2 durante um
intervalo de tempo ∆t, dizemos que este corpo possui aceleração. A definição matemática de
aceleração média é dada por:
v⃗2 − v⃗1 ∆⃗v
a
⃗m = = (XIV)
∆t ∆t
Quando consideramos ∆t tendendo a zero em relação a um certo instante, temos a aceleração
instantânea daquele corpo.
d⃗
v
a
⃗=
dt
Caso o módulo ou a orientação da velocidade do corpo em análise varia (ou se ambos variam),
a partı́cula possui uma aceleração. Nesse caso, podemos reescrever a equação acima em função
dos vetores unitários e obtemos:
d
a
⃗= (vx î + vy ĵ + vz k̂)
dt
dvx dvy dvz
= î + ĵ +
dt dt dt

3.4 Velocidade relativa, de arrastamento e resultante


Imagina a seguinte situação, temos um barco em um rio (Figura 11 - imagem retirada do livro
“Tópicos de Fı́sica”) e a este barco, temos uma velocidade relativa (⃗
vrel ) que seria o movimento
provocado pelo motor em relação à correnteza e a velocidade de arrastamento que é provocado
pela correnteza (⃗varr ).

Página 10
Figura 11: Velocidade Relativa

Como às duas velocidades possuem o mesmo sentido, então podemos simplesmente somar essas
velocidades, isto é:
v⃗res = v⃗rel + v⃗arr (XV)
Caso o barco estivesse navegando em sentido contrário ao da correnteza, deverı́amos subtrair
uma velocidade da outra.

4. Problemas
Problema 1. (Unicamp-SP) A figura abaixo representa um mapa da cidade de Vectoria o qual
indica o sentido das mãos do tráfego. Devido ao congestionamento, os veı́culos trafegam com a
velocidade média de 18 km/h. Cada quadra dessa cidade mede 200 m por 200 m (do centro de uma
rua ao centro da outra rua). Uma ambulância localizada em A precisa pegar um doente localizado
bem no meio da quadra em B, sem andar na contramão.

a) Qual é o menor intervalo de tempo gasto (em minutos) no percurso de A para B?


b) Qual é o módulo do vetor velocidade média (em km/h) entre os pontos A e B?

Problema 2. (Olimpı́ada Brasileira de Ciências - Primeira Fase) Uma partı́cula parte do ponto
A e percorre uma trajetória constituı́da de duas semicircunferências de raio R = 5,0m, atingindo
o ponto B. O intervalo de tempo transcorrido nesse percurso foi de 20s. Adote π = 3.

Página 11
A velocidade escalar média e o módulo da velocidade vetorial média no percurso AB são, respec-
tivamente, iguais a:
a) 0,75m/s e 0,75m/s
b) 1,0m/s e 0,75m/s
c) 1,0m/s e 1,5m/s
d) 1,5m/s e 1,0m/s
e) 1,5m/s e 1,5m/s

Problema 3. (Tópicos de Fı́sica) Uma balsa percorre o Rio Cuiabá de Porto Cercado a Porto
Jofre (Pantanal mato-grossense), gastando 9,0 h na descida e 18 h na subida. O motor da balsa
funciona sempre em regime de potência máxima, tal que a velocidade da embarcação em relação
às águas pode ser considerada constante. Admitindo que a velocidade das águas também seja
constante, responda: quanto tempo uma rolha, lançada na água em Porto Cercado e movida sob
a ação exclusiva da correnteza, gastará para chegar até Porto Jofre?

Problema 4. (UFBA) Um barco vai de Manaus até Urucu descendo um rio e, em seguida, retorna
à cidade de partida, conforme esquematizado na figura.

A velocidade da correnteza é constante e tem módulo vC em relação às margens. A velocidade


do barco em relação à água é constante e tem módulo vB . Desconsiderando-se o tempo gasto na
manobra para voltar, a velocidade escalar média do barco, em relação às margens, no trajeto total
de ida e volta tem módulo dado por:
VB + VC
a)
2
VB − VC
b)
2

Página 12

c) VB ⋅ VC
V 2 + VC2
d) B
VB
V − VC2
2
e) B
VB

Problema 5. (Renato Brito - Saraeva) Um barco a motor, que ia subindo um rio, encontrou uma
balsa que se movia no sentido da correnteza. Após uma hora do encontro, o motor do barco parou.
O conserto do motor durou 30 min e durante esse tempo o barco moveu-se livremente no sentido
da corrente. Depois do conserto, o barco começou a se mover na direção da corrente, seguindo rio
abaixo com a mesma velocidade relativa à água e encontrou a balsa a uma distância de 7,5 km em
relação ao primeiro encontro. Determine a velocidade da correnteza.

a) 5km/s
b) 4km/s
c) 3km/s
d) 2km/s
e) 6km/s

Problema 6. (Renato Brito) A figura mostra em escala a velocidade vetorial de dois navios A
e B que se movem com velocidade constante num oceano de águas paradas. Pede-se determinar
qual a menor distância entre os navios durante essa travessia, em km. Cada célula quadrada tem
lado 10 km.

Problema 7. (Renato Brito) No instante t = 0 s, uma canoa e uma lancha passam, respectiva-
mente, pelos pontos A e B da água de um lago, movendo-se com velocidades constantes Vc e VL
conforme mostra a figura. Determine qual será a mı́nima distância entre a canoa e a lancha e após
quanto tempo elas estarão em tal situação.
Dados: α = β = 60○ , Vc = 40km/h, VL = 80km/h, AB = 20km.

Página 13
Problema 8. (Renato Brito) Um rio de margens paralelas tem uma correnteza de velocidade 6
m/s. Um piloto de uma lancha desejando ir de uma margem à outra, orienta o eixo do navio
perpendicularmente às margens do rio e segue viagem, com o seu velocı́metro indicando uma
velocidade de 8 m/s. Se a distância de uma margem a outra é de 24 m, calcule:

a) a rapidez da lancha em relação às margens do rio;


b) o intervalo de tempo da travessia;
c) a distância percorrida pela lancha; e
d) o deslocamento da lancha, rio abaixo.

Página 14
5. Gabarito
Problema 1. a) 3,0 minutos.
b) 10 km/h.

Problema 2. Letra D.

Problema 3. 36 horas.

Problema 4. Letra e.

Problema 5. Letra c.

Problema 6. Dmin = 96km

Problema 7. Dmin = 10Km e ∆t = 15min

Problema 8. a) v = 10m/s
b) t = 3 segundos
c) dy = 30 metros
d) dx = 18 metros

Página 15
6. Apêndice
6.1 Dedução da Lei dos Cossenos
A lei dos cossenos no diz que em um triângulo qualquer (Figura 12), se tivermos dois lados e
um ângulo entre eles, somos capazes de determinar o terceiro lado utilizando a seguinte equação:
c2 = a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ)

Figura 12: Triângulo

Nossa missão é a partir deste triângulo encontrar a ralação apresentada acima.


Perceba que temos um triângulo maior ∆ABC, que a partir de sua altura h deste triângulo,
conseguimos dividi-lo em outros dois triângulos menores ∆ACD e ∆BCD. Então utilizando as
relações trigonométricas nos triângulos, temos:
m
1. cos(γ) = ⇒ m = b ⋅ cos(γ);
b
2. n = a − m ⇒ n = a − b ⋅ cos(γ);
h
3. sin(γ) = ⇒ h = b ⋅ sin(γ); e
b
4. c2 = n2 + h2 .
Mas sabemos que:
n2 = (a − b ⋅ cos(γ))2 e que h2 = b2 ⋅ sin(γ)
Logo:
c2 = a2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ) + b2 ⋅ cos2 (γ)2 + b2 ⋅ sin2 (γ)
c2 = b2 ⋅ (cos2 (γ) + sin2 (γ) + a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ)
Pela relação fundamental de trigonometria: cos2 (γ) + sin2 (γ) = 1, obtemos:

c2 = a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ) (XVI)

Página 16
6.2 Dedução da Lei dos Senos
A lei dos senos é uma ferramenta muito poderosa que relaciona diferentes lados, com diferentes
ângulos. Esta lei é expressa da seguinte forma:

a b c
= = (XVII)
sin(α) sin(β) sin(γ)

Nosso objetivo é chegar na equação apresentada acima, a partir de um triângulo qualquer


(Figura 13). Para isto, devemos relacionar os ângulos β e γ com os seus lados a partir das relações
trigonométricas.

Figura 13: Triângulo 02

h
1. sin(γ) = ⇒ h = b ⋅ sin(γ)
b
h
2. sin(β) = ⇒ h = c ⋅ sin(β)
c
Então percebe-se que a partir dessas relações, chegamos que:

b ⋅ sin(γ) = c ⋅ sin(β)

Logo, manipulando a expressão, conseguimos obter que:


b c
=
sin(β) sin(γ)
a
Para provar que toda aquela expressão é igual a , basta traçar uma altura relativa ao
sin(α)
ponto B e realizar os mesmos procedimentos. Demonstre isso!

6.3 Dedução da Aceleração Centrı́peta


Em primeiro lugar, devemos saber a diferença entre a aceleração tangencial e centrı́peta. Na
verdade, sabemos que a aceleração é um vetor e pode ser quebrado numa soma entre a aceleração
tangencial e centrı́peta, isto é: a
⃗=a
⃗cp + a
⃗t

Página 17
A aceleração tangencial é responsável pela variação do módulo do vetor velocidade. Por outro
lado, a aceleração centrı́peta é responsável pela variação da direção do vetor velocidade, sendo a
responsável pelo corpo fazer curvas.
Imagine que em uma circunferência de raio r, tenhamos um corpo no ponto A e começa a se
mover e chega até o ponto B (Figura 14).

Figura 14: Circunferência de raio r

Pela definição da circunferência, temos que a distância do centro até o ponto B é o vetor raio,
que podemos decompor em:
r⃗x = r⃗ ⋅ cos(α)
r⃗y = r⃗ ⋅ sin(α)
Além disso, podemos a partir dos versores unitários, unir essas duas equações apresentadas, em
apenas uma:
r⃗ = r ⋅ cos(α)î + r ⋅ sin(α)ĵ
Se derivarmos o vetor posição em relação ao tempo, temos:
d⃗
r d(α) d(α)
v⃗ = = −r ⋅ sin(α) ⋅ î + r ⋅ cos(α) ⋅ ĵ
dt dt dt
d(α)
Mas sabemos que = ω, portanto, se substituirmos, temos:
dt
v⃗ = −ω ⋅ r ⋅ sin(α)î + ω ⋅ r ⋅ cos(α)ĵ

A expressão que acabamos de encontrar nos permite encontrar a velocidade em qualquer ponto
π π π
da trajetória, supondo que α seja , temos que cos ( ) = 0 e sin ( ) = 1, ora pois, então o corpo
2 2 2
estará a 90° no sentido do ponto A, com uma velocidade igual a −ω ⋅ r.
Nesse caso, derivamos o vetor posição uma vez e encontramos a velocidade, entretanto, estamos
em busca da aceleração, para isto, basta derivar novamente em função do tempo.
d⃗
v
a
⃗= = −ω 2 ⋅ r ⋅ cos(α)î − ω 2 ⋅ r ⋅ sin(α)ĵ
dt

Página 18
Na equação de cima efetuei tudo direto, mas, na verdade, como ω ⋅ r é uma constante, então ele
irá sair da derivada e teremos apenas a derivada em relação ao sin(α) que é cos(α) e como estamos
derivando em relação ao tempo, devemos multiplicar pela derivada do argumento em relação ao
tempo, por isso temos um ω 2 .
Podemos fatorar a equação encontrada e deixar em função do −ω 2 , ou seja,

⃗ = −ω 2 ⋅ (⃗
a r ⋅ cos(α)î + r ⋅ sin(α)ĵ)

Percebeu algo curioso? Justamente o que temos no argumento, é o vetor posição que demons-
tramos anteriormente, logo podemos escrever esta equação em função dele:

⃗ = −ω 2 ⋅ r⃗
a
Como nesse caso, não temos a aceleração tangencial, acabamos de demonstrar a aceleração
centrı́peta, basta tirar o módulo de ambos os lados e lembrar que v = ω ⋅ r, então, podemos concluir
que:
v2
acp = (XVIII)
r

Página 19
Leis de Newton
Abner Maia - Projeto Olímpicos

1. Introdução
A Dinâmica é a parte da Mecânica que estuda os movimentos, considerando os fatores que o
produzem e modificam. As leis de Newton são um conjunto de três leis que fundamentam toda
a Mecânica Clássica. O agente capaz de mudar o estado de movimento dos corpos é chamado de
força, uma grandeza vetorial cuja unidade no SI é kg.m.s−2 . Quando trabalhamos com corpos
macroscópicos, as forças podem ser classificadas como forças de contato (por exemplo, a força
que aplicamos ao chutar uma bola de futebol ou empurrar uma parede) e como forças de ação a
distância (forças magnéticas, força elétrica, força gravitacional e etc).

2. Primeira Lei de Newton


Também conhecida como Lei da Inércia, essa lei é anunciada da seguinte forma: um corpo em re-
pouso ou em movimento retilíneo uniforme (isto é, aceleração resultante nula) permanecerá nesse
estado a menos que uma força externa atue sobre ele.

Para determinar se um objeto está em repouso ou em movimento retilíneo uniforme, precisa-


mos analisar o referencial no qual ele é observado. Por exemplo, se uma pessoa está observando
uma bola dentro de um trem com velocidade constante que se move em linha reta, então, em
relação ao trem, a bola permanece em repouso, e em relação ao solo, a bola permanece se movendo
com a mesma velocidade do trem. Se o trem acelerar, a pessoa vai observar a bola rolando para
trás, mesmo que não haja fora horizontal agindo sobre ela.

Isso acontece pois, em referenciais acelerados (referenciais não inerciais) a primeira Lei de Newton
não se aplica, ou seja, ela só é válida nos referenciais que a aceleração do corpo permanece nula a
não ser que haja alguma força atuando no corpo. Na terra, geralmente os efeitos de interação e
rotação são desprezíveis, sendo assim uma boa aproximação considerá-la um referencial inercial.

3. Segunda Lei de Newton


Essa é a lei que mais aparece nos problemas, também é conhecida como Principio Fundamental da
Dinâmica, tem o seguinte enunciado: se um corpo tem massa constante, a força resultante agindo
nele é igual ao produto da massa pela aceleração.

F res = m. #»
a

Página 1
No sistema Internacional das Unidades ela é utilizada na unidade Newton (N ). A força resultante
é a soma vetorial de todas as forças atuando no corpo.

#» #» #» #» #»
F res = F 1 + F 2 + F 3 + ... F n

A massa é a medida da inércia do corpo, ou seja, está relacionada à dificuldade de se produzir na


partícula determinada aceleração. Por exemplo, ao chutarmos uma bola de boliche e uma bola de
vôlei, a bola de boliche resiste muito mais a ser acelerada.

3.1 Força peso


Experimentalmente, descobriu-se que a Terra exerce uma força de atração sobre todos os corpos
situados em suas proximidades. Na superfície, essa força tem módulo aproximadamente constante,
por isso que ao soltarmos uma esfera próximo ao solo, ela cai com aceleração constante g =
9,81m.s−2 , chamada de aceleração de queda livre, essa força é chamada de peso, escrevendo a
segunda lei de newton para ela temos:

P = m. #»g

3.2 Força elástica


Uma mola ao ser elongada ou comprimida exerce uma força proporcional a deformação. Também
conhecida como lei de Hooke sua expressão matemática é dada por:

F = −k. #»
x

Note que esse sinal de menos implica que é uma força restauradora (de sentido contrario a defor-
mação) que sempre tende a fazer a mola voltar à posição de equilíbrio. A constante de proporci-
onalidade positiva k é uma qualidade da mola considerada, depende do material de que é feita a
mola e de suas dimensões e tem por unidade no SI o N.m−1

Em um gráfico da intensidade da força em função da deformação temos um comportamento linear


até o limite da elasticidade da mola:

Página 2
A declividade do gráfico (tan θ) é numericamente igual a constante de proporcionalidade:
F
tan θ = =k
∆x
Quando temos 2 molas associadas em paralelo, ao deslocarmos elas do equilíbrio ambas sofrem a
mesma deformação de forma que:

F = F1 + F2 = k1 .x + k2 .x

keq · x = k1 .x + k2 .x = (k1 + k2 )x ⇒ keq = k1 + k2


Para n molas temos que:
keq = k1 + k2 + k3 + · · · + kn
Quando temos 2 molas associadas em série a deformação total do sistema é igual a soma das
deformações individuais de cada mola, então:

∆x = ∆x1 + ∆x2

Além disso, como F = k.∆x obtemos:


F F F 1 1 1
= + ⇒ = +
keq k1 k2 keq k1 k2
Para n molas temos que:
1 1 1 1 1
= + + + ··· +
keq k1 k2 k3 kn

3.3 Tração e normal



Normal (N ) está relacionada com a rigidez do corpo, é uma componente da força que surge quando
dois corpos entram em contato, ela é perpendicular a superfície de contato e impede que os blocos

se interponham e a tração ( T ) está relacionada com a rigidez da corda que pode ser comparada à

Página 3
uma mola de constante elástica tão grande que não pode ser distendida. Na figura a seguir temos
2 blocos tracionados por uma corda ideal sem massa:

3.4 Força de atrito


Analisando a figura a seguir, se o bloco for empurrado para a direita com uma força pequena, ele
não deslizará, por conta de uma força que surge chamada de força de atrito, contrária a tendência
de movimento relativo. Essa força surge devido as interações de origem eletromagnética entre os
átomos das regiões de contato entre as superfícies.


Antes do corpo deslizar, a força de atrito vai ter o mesmo modulo da força F e direção oposta
e tem valor máximo de:
f ate ≤ µe .N
onde µe é o coeficiente de atrito estático e depende da natureza das duas superfícies em contato.

Depois de atingido o valor f ate e o bloco começar a deslizar, geralmente se verifica uma dimi-
nuição na força de atrito que agora vai ter módulo constante se a normal não mudar:

f atc = µc .N

e µc < µe , onde µc é o coeficiente de atrito cinético. O gráfico a seguir (da força de atrito em

função da força recebida F ) resume essas propriedades:

Página 4
3.5 Aprofundando na segunda lei

Na realidade F = m. #»
a não foi a formulação original de Newton da Segunda Lei, para quem quiser
um pouco mais de rigorosidade, vamos fazer uma breve analise.

Definindo momento linear como #» p = m. #» v (produto da massa pela velocidade), pode ser en-
tendido como a medida de quão difícil é desacelerar um corpo em movimento. A segunda lei pode
ser definida da seguinte maneira: a força é a taxa de variação temporal do momento. Então, temos:

#» d #»
p d(m #»
v)
F = =
dt dt
fazendo a regra do produto temos:

#» dm #» d #»
v
F = . v + m. = µ. #»
v + m. #»
a
dt dt
pois #»

a = ddtv e chamamos a taxa de variação temporal da massa de µ. Como a maioria dos sistemas

tem massa constante, então dmdt
= 0 voltando para a expressão mais comum F = m. #»a.

4. Terceira lei de Newton


Também conhecida como Princípio da Ação e Reação, pode ser enunciada da seguinte maneira:
toda força de ação corresponde uma de reação, de modo que essas forças tem sempre mesma
intensidade, mesma direção e sentidos opostos, estando aplicadas em corpos diferentes.

Página 5
Na figura a seguir, observamos que ao empurrarmos 2 blocos em contato, o bloco de trás empurra
#» #»
o da frente com uma força f1 e é empurrado por uma força −f1 .

4.1 Aprofundando na terceira lei


Mais tarde no nosso curso, veremos que o momento linear total ( #» p ) de um sistema de partículas
isolado é constante. Sabemos que a derivada de uma constante é 0, então se derivarmos o momento
total de um sistema de 2 corpos de momento p#»1 e p#»2 obteremos a seguinte relação:

#» d #»
p #» d(p#»1 + p#»2 ) dp#»1 dp#»2
F = = 0 = = +
dt dt dt dt
Então:
dp#»1 dp#»2 #» #»
=− ⇒ F1 = −F2
dt dt
#» #»
Onde F1 é a força na partícula 1 devido à sua interação com a partícula 2, e F2 é a força na
partícula 2 devido à sua interação com a partícula 1 o que corresponde à Terceira Lei.

5. Problemas
Problema 1. * (Morin) No sistema da figura (maquina de Atwood), encontre a aceleração a das
massas e a tração T da corda (As massas da corda e da polia são desprezíveis)

Problema 2. ** (Tópicos da Física 1) No arranjo experimental do esquema seguinte, desprezam-


se os atritos e a influência do ar. O fio e a polia são ideais e adota-se para a aceleração da gravidade
o valor 10 m · s−2 . Largando-se o bloco D, o movimento do sistema inicia-se e, nessas condições, a
força de contato trocada entre os blocos B e C tem intensidade 20 N . Sabendo que as massas de
A, B e C valem, respectivamente, 6,0kg, 1,0kg e 5,0kg, calcule: a) a massa de D; b) a intensidade

Página 6
da força de tração estabelecida no fio; c) a intensidade da força de contato trocada entre os blocos
A e B.

Problema 3. ** (Moysés 1) Um bloquinho de massa igual a 100g encontra-se numa extremidade


de uma prancha de 2 m de comprimento e massa 0,5kg. Os coeficientes de atrito estático e cinético
entre o bloquinho e a prancha são, respectivamente, 0,4 e 0,35. A prancha está sobre uma mesa
horizontal lisa (atrito desprezível). Com que força máxima podemos empurrar a outra extremidade
da prancha para que o bloquinho não deslize sobre ela? Se a empurrarmos com uma força 3N ,
depois de quanto tempo o bloquinho cairá na prancha?

Problema 4. * (Moysés 1) Um bloco está numa extremidade de uma prancha de 2m de compri-


mento. Erguendo-se lentamente essa extremidade, o bloco começa a escorregar quando ela está a
1,03m de altura, e então leva 2,2s para deslizar até a outra extremidade, que permaneceu no chão.
Qual é o coeficiente de atrito estático entre o bloco e a prancha? Qual é o coeficiente de atrito
cinético?

Problema 5. ** (ITA - 2008) Na figura, um bloco sobe um plano inclinado, com velocidade
inicial V0 . Considere µ o coeficiente de atrito entre o bloco e a superfície. Indique sua velocidade
na descida ao passar pela posição inicial.

Problema 6. ** Da periferia de um aro de raio R solta-se simultaneamente três anéis lisos em A,


B e C. Qual deles chega primeiro ao ponto P ? (Considere que BP é um diâmetro vertical)

Página 7
Problema 7. ** (Morin)Uma máquina de Atwood dupla é mostrada na figura, com massas m1 ,
m2 e m3 . Encontre as acelerações das massas.

Problema 8. *** Um bloco de massa m é mantido imóvel sobre uma cunha sem atrito de massa
M e ângulo de inclinação θ (veja a figura). A cunha repousa sobre uma superfície horizontal sem
atrito. O sistema é liberado. Qual é a aceleração horizontal da cunha?

Página 8
6. Gabarito
(m2 − m1 )g 2m1 m2
Problema 1. a = e T =
m2 + m1 m1 + m2

Problema 2. a) 8,0kg b) 48N c) 24N

Problema 3. a) 2,35N b) 1,46s

Problema 4. a) Estático: 0,6 b) Cinético: 0,5

r
sin θ − µ cos θ
Problema 5. V0 .
sin θ + µ cos θ

Problema 6. Todos chegam ao mesmo tempo

4m2 .m3 − m1 (m2 + m3 ) 4.m2 .m3 + m1 (m2 − 3m3 )


Problema 7. a1 = g e a2 = −g ·
4m2 .m3 + m1 (m2 + m3 ) 4.m2 .m3 + m1 (m2 + m3 )

mg. sin θ cos θ


Problema 8. a =
M + m. sin2 θ

Página 9
Estática
Caio Augusto - Projeto Olímpicos

1. Introdução
No curso de Leis de Newton foi apresentado como a presença de forças causa um objeto a acelerar
seguindo a conhecida formula F~r = m~a.(a gigantesca lei de newton), e nesse folheto nós vamos
analisar o caso especifico de como forças devem interagir entre si para que um objeto se encontre
"Estático"(ou seja, para que ~a = 0)

Pra entender como funciona problemas de estática, eu vou dar um exemplo do que se pede e o que
se espera em um deles: Considere que haja uma barra uniforme de comprimento L e massa m que
esta sobre o efeito da gravidade ~g ; forças F~1 e F~2 atuam na barra a distancias x1 e x2 de um dos
finais da barra. Se quisermos que nossa barra não se mova, qual deve ser a relação entre F~1 , F~2 ,
x1 , x2 , m e L?

Questões de estática são basicamente isso. A questão te apresenta uma configuração com varias
forças atuando em um sistema e pergunta qual é a condição pro corpo se manter em repouso.

1.1 Usando o que temos


Tentamos resolver o problema com o que temos até agora:

F~1 ,F~2 e m~g são as únicas forças externas que atuam no corpo. Como o corpo precisa ter uma

1
aceleração resultante nula em todos os seus pontos, a primeira equação que temos vem da lei de
Newton:
F~1 + F~2 + m~g = m~a = 0 (1)
Agora, essa questão que eu propus pode ser geral, e as forças podem ter qualquer direção em
geral, mas vamos analisar um caso mais especifico pra manter uma certa claridade: vamos assumir
que tanto ~g quanto F~1 e F~2 são perpendiculares a barra, onde as duas forças externas apontam na
direção oposta da gravidade (como mostra a primeira imagem). Nesse caso em especifico, podemos
analisar o problema com os módulos das forças, o que nos daria:

F1 + F2 = mg (2)

Veja que essa equação sozinha não me permite achar nem F1 nem F2 , o que é um problema: se
pensamos num caso real onde tentamos equilibrar um lápis com dois dedos, o problema é definido.
Dados x1 e x2 , as forças F1 e F2 são únicas, não tem como mudar qualquer uma dessas duas forças
sem mudar as distancias, ou seja: Com x1 e x2 definidos, as duas variáveis F1 e F2 possuem valores
definidos. Ou seja, temos duas icógnitas mas apenas uma única equação que as envolve, fica então
claro que tem alguma restrição faltando que define o equilíbrio do sistema. Ou seja, temos uma
equação que descreve um equilíbrio do nosso sistema mas ela não é suficiente

No caso, podemos entender a situação da seguinte maneira: a soma de forças externas nos dizem
como um corpo se move no espaço num quesito translacional, mas ele não nos diz sobre a tendencia
do objeto rotacionar. Falta analisar o equilíbrio rotacional do sistema: além do corpo não ter seu
centro se movendo, o corpo como um todo não pode rotacionar. Isso introduz uma nova restrição
ao sistema: A soma de todos os torques no sistema tem que ser zero.

2. Torque - A equação que falta


O tópico de torque sera introduzido brevemente sem uma prova matemática rigorosa; aqui eu ba-
sicamente usarei um pouco da intuição para explicar de onde ela vem, como ela é definida e como
ela é usada em estática. Basicamente apenas introduzirei a outra restrição para o corpo se manter
estático, mas não explicarei a fundo nada sobre rotações.

Em si, o torque de uma força é uma quantia que diz sobre o quanto ela tende a fazer um corpo
rotacionar: suponha que a mesma barra rígida mencionada na introdução agora esta pivotada em
um de seus vértices e aplicamos uma única força vertical F à uma distancia x do pivot, o peso da
barra tende a faze-la rotacionar ao redor do pivot, e para evitar isso é necessário aplicar uma força
pra mantê-la estática.

Página 2
O que esta acontecendo aqui é que, ao redor do Pivot, o torque da força peso da barra se anula com
o torque da força externa F~ que aplicamos: na medida que o peso tenta fazer a barra rotacionar
ao redor do pivot no sentido horário, a força F tenta fazer a barra girar no sentido anti-horário na
mesma proporção, e a barra no fim fica estática. Podemos então definir uma quantia relacionada a
objetos rotacionarem: ~τ . Cada força produz uma quantia desse tipo, e ela diz respeito a tentativa
da força fazer o corpo em que ele atua rotacionar ao redor da origem que estamos analisando.

Note que é muito importante associar essa quantia de rotação a uma origem: corpos rotacionam
ao redor de um ponto, então o torque precisa sempre estar falando sobre a tendencia do corpo
rotacionar ao redor desse ponto no qual falamos.
Há diversas maneiras de provar o que deveria ser essa quantia ~τ , mas eu vou fazer como todo bom
professor de ensino fundamental e não vou mostrar prova alguma: provar isso sem usar nada de
rotação é bem tenso.(Mas não deixo vocês presos a minha incapacidade de transcender; O capitulo
2 do Morin possui uma prova interessante de porque a equação de equilíbrio de torque deve ser
como ela é. Nessa parte do livro, ele não apresentou nenhum conceito de rotações, então estamos
no mesmo barco, por isso ver a prova la pode ser útil.)
Matematicamente, dada uma força F~ atuando em um ponto localizado a um vetor ~r da origem O
que usamos de referencia, o torque que essa força produz ao redor de O é dado por:

~τ = ~r × F~ (3)

Para aqueles que já viram algo de "alavancas"no ensino fundamental, este seria o analogo do "força
vezes distancia tem que ser igual dos dois lados da alavanca pra ter equilíbrio", o r estaria relaci-
onado a "distancia"que falamos em alavancas. No entanto, aqui não temos um simples produto
entre os modulo da força e o modulo da distancia; as direções da força e do local onde ela é aplicada
é muito importante aqui, e é por isso que temos um produto × entre os vetores aqui. × seria o
que chamamos de "produto vetorial", e eu vou explicar melhor disso na subsecção a frente.
No entanto, se olharmos para o produto vetorial como um produto normal quando os dois veto-
res são perpendiculares, podemos entender qualitativamente o pouco de o que o torque significa.
Nessa formula, quanto maior a distancia da origem O, maior é o torque que uma força exerce.
Analogamente, quanto mais longe da origem a força F é aplicada, menor ela tem que ser para
manter a barra em equilíbrio.(O que faz sentido, sempre que você vai brincar na gangorra com seu
amigo 3 vezes mais pesado que você, mais próximo do ponto fixo ele pode ficar pra que vocês dois
se equilibrem)

Entendido o que deveria ser essa quantia de rotação (embora sem uma prova com muito rigor
matematico), podemos aferir que a outra condição para que o sistema não acelere de maneira
alguma é que, ao redor de uma origem O que escolhemos para analisar nosso sistema:
X X
~τ = ri × F~i ) = 0
(~ (4)

Página 3
Onde F~i são as forças que atuam no sistema e r~i é o vetor posição de aplicação da força em relação
a uma origem O.

Note que O foi apontado como a origem ao qual o torque é calculado, mas até certo ponto, ele é
bem arbitrário: no nosso problema, eu podia ter falado que O era o pivot da barra, podia falar
que é no centro da barra, ou podia falar que era o ponto onde você aplica a força F, todos ainda
teriam torque resultante nulo. Isso de certo modo não é intuitivo: falamos que o torque resultante
ao redor de O deve ser zero, mas O nem é um ponto definido, então como isso faz sentido?

O fato é que, se um conjunto de forças F~i aplicadas em r~i ao redor de uma origem O tem i F~i = 0,
P

então a quantia V ecri × F~i não muda se você mudar a origem. Eu deixo isso como exercício no
P
fim do folheto, mas acho que da pra ver isso até que intuitivamente: se eu calculasse os torques de
cada força ao redor do pivot da barra, então teria o torque da força F e o torque da força peso se
anulando; a medida que eu mudo a minha origem para pontos mais a direita da barra, o torque
da força F diminui, mas o torque da Normal exercida no pivot começa a aumentar, e juntos, eles
conseguem sempre ser iguais ao torque do peso, independente de qual ponto eu uso como origem
pra calcular essas quantias de torque.
Mas agora eu vou parar de não explicar as coisas e vou tentar introduzir de maneira simplificada
o que seria o Produto Vetorial essencialmente.

2.1 Produto Vetorial


Para aqueles que já estão familiarizados com produto vetorial, essa subseção pode ser pulada sem
muitos problemas.
O Produto vetorial é uma forma de transformação entre dois vetores. Você pega dois vetores A ~e
B, aplica o produto vetorial e tem como resultado um outro C, tal que
~ ~

~×B
A ~ =C
~

Não precisamos entender muito sobre como C é obtido com rigorosidade matemática(porque isso
envolve matrizes e determinantes, o que é um saco). Precisamos apenas saber que, para qualquer
vetor A e B, o vetor C
~ é sempre perpendicular a A
~eB ~ de seguindo a regra da mão direita.

Se você pegar sua mão direita(sempre a direita, se pegar a mão esquerda as direções dos produtos
vetoriais vão estar sempre invertido) colocar o dedo indicador apontando na direção de A e o dedo
do meio apontando na direção de B, o polegar vai ta apontando na direção de C. Você não precisa
se perguntar porque isso é verdade: faz parte da definição de produto vetorial, sempre quando um
vetor A se transforma vetorialmente com B, a direção resultante é sempre obedecida pela regra da
mão direita.

Página 4
É importante ressaltar que o produto vetorial importa a ordem como os fatores são apresentados,
isto é:
A~×B ~ 6= B
~ ×A ~
O dedo indicador da mão direita sempre tem que ficar paralelo ao primeiro vetor que aparece no
produto, e com isso em mente da pra mostra que
~×B
A ~ = −B
~ ×A
~

Agora o modulo de C~ segue também uma regra advinda dos nossos grandes matemáticos (que
também não precisamos entender porque é verdade): Se o angulo entre A
~eB
~ é θ, então
~ × B|
|A ~ = AB sin(θ)

Isso significa que se A e B são paralelos, seu produto vetorial é zero.

Da pra entender isso no nosso caso do torque: O torque de uma força é dada pelo produto vetorial
do vetor do ponto aplicado com o vetor força,
~τ = ~r × F~
Então se a força for paralela ao vetor posição, o torque é nulo, e realmente, não tem como fazer
um lápis rotacionar pressionando ele contra o chão com uma força paralela ao eixo do lápis.

Figura 1: Uma força F sendo aplicada na barra, quando a força é paralela a direção da barra, é
intuitivo que a barra não rotaciona

Então basicamente o produto vetorial é uma transformação entre dois vetores da um novo vetor
perpendicular a eles cujo modulo é igual ao produto dos módulos vezes o seno do angulo que os
vetores fazem. Com isso em mente, o torque em uma direção diz respeito a tendencia do objeto
rotacionar ao redor dessa direção(tudo seguindo a regra da mão direita), então para calcular o
torque resultante de uma força no sistema, veja o angulo que o vetor posição e o vetor força fazer
e aplica a regra da mão direita pra saber a direção.

Foi bastaaante coisa jogada de uma vez só e o torque nem foi apresentado uma explicação razoável
de porque ele tem q ser zero, então na parte seguinte eu vou dar uma ideia de como esses conceitos
são usados.

Página 5
3. Exercícios resolvidos
Aqui eu vou resolver alguns problemas de estática pra dar uma ideia de como os conceitos de
torque são usados, aqueles que já se sentem confiantes sobre o assunto podem sem problema pular
essa seção e seguir adiante

3.1 Barra pivotada


Temos uma barra uniforme de comprimento L de massa m que esta na horizontal apoiada so-
bre um pivot em um de seus extremos. Se uma força F é aplicada a uma distancia x do pivot na
direção contraria a gravidade, qual deve ser o valor de F para que a barra se mantenha em equilibro?

Na aula de corpos rígidos é mostrado que o torque de uma força constante em um corpo rígido
é calculado como se a força total atuasse no centro de massa no sistema, ou seja: o peso da barra
exerce um torque em seu centro, a uma distância L/2 do pivot. e a barra esta perpendicular a
força peso, então o modulo do torque do peso usando o pivot como origem é:
mgL
|~
τg | = (5)
2
Para saber a direção do torque, o valor de ~r aponta do pivot até metade da barra, e a força aponta
para baixo, então pela regra da mão direita o torque do peso τ~g aponta para dentro da folha

Página 6
É bom conseguir descrever o torque como um vetor, então definimos a direção que aponta para
dentro da folha como k̂ e então temos:
mgL
τ~g = k̂
2
Analogamente, a força F é exercida a uma distancia x da origem O escolhida como o pivot, e a
força é perpendicular a barra, então o modulo do torque da força F ao redor da mesma origem é
dado por:
|τ~F | = F x (6)
a direção do torque pode ser encontrado novamente pela regra da mão direita e pela definição de
torque, de modo que agora temos:
τ~F = −F xk̂
o equilíbrio dos torques exige que:
τ~g + τ~F = 0
Então chegamos que:
mgL
F =
2x
Mas o que acontece se usarmos o centro da barra como origem? A força da gravidade teria então
um torque nulo mas o da força F não, o que esta de errado?

O erro esta em desconsiderar uma outra força que atua no sistema: O Pivot também exerce uma
força para manter o equilíbrio na barra, e ao trocar a origem o torque que este exerce se torna não
nulo. Vamos ser quantitativos em relação a isso:

A força que o pivot exerce de ser


Fp = mg − F (7)
apontando para cima, pois a força total exercida na barra deve ser nula. O torque que a força F
exerce agora muda pois ela atua em um ponto à uma distancia x − L/2 da origem escolhida.

A força F~p aponta para cima, e o Pivot é o centro da barra, então r~p aponta para direita, e a regra
da mão direita nos da então:
Fp · L
τ~P = k̂
2

Página 7
E dessa vez temos que
L
τ~F = −F (x − )k̂
2
e novamente a condição de torque nulo nos da que:
τ~g + τ~F = 0

L L
Fp = F (x − ) (8)
2 2
O qual, expandindo Fp , temos então
mgL
F = (9)
2x
O qual é a mesma coisa que obtemos antes, como esperado, pois a física não muda só porque eu
troquei de origem para analisar o torque.

3.2 Barra Livre- Questão inicial


Temos uma barra rígida uniforme de comprimento L de massa m que esta na horizontal sob efeito
gravitacional na vertical, a mesma é mantida em equilíbrio pela aplicação de duas forças F1 e
F2 , atuando a distancias x1 e x2 de um dos extremos da barra em direção contraria a vertical
(semelhante ao que foi apresentado na introdução), queremos saber quanto deve ser F1 e F2 dados
x1 e x2 .

A primeira equação nós ja obtemos e diz respeito a resultante nula das forças:
F1 + F2 = mg (10)
Também sabemos agora que a soma dos torques deve ser nulo, e qualquer ponto pode ser usado
como origem O, mas como foi dado os valores das distancias em relação a um dos finais da barra,
é conveniente usa-lo como origem para calcular o torque. Aplicando a regra da mão direita pra
saber a direção do torque e vendo que as forças são totalmente perpendiculares aos vetores do
ponto de atuação, chegamos que:
mgL
F 1 x1 + F 2 x2 = (11)
2
Temos duas equações, e duas icógnitas, F1 e F2 , então resolvemos o problema, isolando-as temos
que:
mg( L2 − x2 )
F1 = (12)
x1 − x2
e
mg( L2 − x1 )
F2 = (13)
x2 − x1

Página 8
3.3 Escada na parede
Esse aqui sera o ultimo exercício resolvido e é um clássico dos problemas de estática: Uma escada
de massa m e comprimento l esta em um chão com um coeficiente de atrito µ e é posta a uma
parede lisa com uma inclinação θ com a horizontal. Um pedreiro de massa M planeja subir a
escada, Quando ele esta a uma distancia x do vértice no chão, qual deve ser a força de atrito no
chão para que o sistema se mantenha em equilíbrio? e com isso, qual o máximo valor de x para o
qual o sistema consegue se manter em equilíbrio

Há diversos dados na questão, a primeira coisa que deve ser analisado é: Quantas e quais forças
atuam no sistema? Analisando a configuração é possivel perceber que sobre a escada atuam 5
forças: As duas forças peso (mg e M g), uma força normal vindo da parede vertical (ao qual
chamamos de Fx ), uma força normal vindo do chão (ao qual chamamos de Fy ) e uma força de
atrito vindo do chão (Fat ).

A direção das primeiras 4 forças são fáceis de ser achadas, mas a direção do atrito nem sempre é
algo óbvio, nesse caso podemos acha-la de dois jeitos, o primeiro parte da intuição: Se não houvesse
atrito, é intuitivo ver que a barra escorregaria para a direita, e a força de atrito aponta na direção
contraria a tendencia de movimento, então Fat aponta para esquerda. O segundo é uma regra mais
geral quando a intuição não esta ajudando: Assume uma direção qualquer, seja esquerda ou seja
direita, e resolva as equações de equilíbrio. Se no fim Fat der negativo, significa que na verdade
ela aponta na direção contraria a o que estabelecemos.

De qualquer jeito, assumiremos então que Fat aponta para a direita, o que nos da o sistema de
forças abaixo:

Página 9
Para o sistema estar em equilíbrio, a soma das forças e dos torques vetorialmente deve ser nulo. O
equilíbrio na horizontal nos da que:
Fx = Fat
E o equilibrio na vertical nos da que
Fy = M g + mg
A outra equação que temos é o equilíbrio dos torques, e como origem escolhemos o ponto da escada
que toca o chão, e então calculamos o torque de cada força:
τ~y = τ~at = 0
As outras forças agora não atuam a 90º da linha que parte da origem ao ponto de aplicação, então
o modulo não seria apenas o produto da distância pela força. Há varias maneiras de calcular esse
torque, a mais direta é usando a definição do modulo do torque e calculando o angulo entre a força
e o vetor do ponto de aplicação, isso nos daria que(definindo a direção k̂ apontando para dentro
da pagina):
τ~x = (Fx · L · sin θ)k̂
L
τ~M = −(M g cos θ)k̂
2
L
τ~M = −(mg cos θ)k̂
2
Outra maneira, que as vezes é mais intuitivo do que achar o angulo é usar o fato que rsinθ é
a menor distancia que a linha que representa a força tem com a origem O, isso pode ser visto
geometricamente na imagem debaixo:

Página 10
Usar isso é bem útil as vezes porque essa distancia é um quesito geométrico, de modo que a distância
miníma que a linha do vetor de Fx faz com O é Lsinθ(olha a imagem que mostra graficamente
o r sin θ pra ver se fica claro isso). Então τ~x = (Fx · L · sin θ)k̂ o que esta de acordo com o que
conseguimos anteriormente. A soma dos torques tem que ser zero, de modo que:
L
Fx · L sin θ = mg cos θ + M gx cos θ
2
Então:
1 mg M gx
Fx = ( + )
tan θ 2 L
E como Fx = Fat , segue que:
1 mg M gx
Fat = ( + )
tan θ 2 L
A condição para o qual o sistema consegue manter essa configuração é que a força de atrito consiga
realmente atingir esse valor, mas é sabido que
Fat ≤ µ · N
No nosso sistema, N = Fy , então a força critica de atrito é:
Fat = µ · (M g + mg)
Substituindo Fat pelo que obtemos inicialmente, podemos achar o valor máximo de x ao qual o
sistema pode se manter em equilíbrio (o qual eu não escrevo a resposta aqui porque é meio grande
o resultado de Xc , mas é só substituir os valores e isolar x), e então resolvemos o problema.

4. Regra geral para resolução de exercícios


Não tem muito segredo em questões de estática, o sistema obedece duas regras:
X
(F~i ) = 0 (14)
e X
ri × F~i ) = 0
(~ (15)
O qual pode parecer que se trata de apenas duas equações que relacionam as variáveis, mas não é
o caso: a soma vetorial das forças ser zero incita que a soma de cada componente deve ser zero.
Ou seja, definindo os eixos cartesianos x, y e z de forma um tanto quanto arbitraria, a soma das
forças paralelas a cada eixo deve ser zero, o que em si nos da 3 equações sobre forças. Geralmente,
no entanto, os problemas de equilíbrio são 2d, então, na maioria dos casos, o equilíbrio de forças
nos da apenas duas equações.

Analogamente, o torque também é um vetor que tem 3 direções, então o seu valor ser nulo nos
da também 3 equações, mas, novamente, a maioria dos problemas é 2d, então qualquer rotação só
pode acontecer dentro de um plano, o que nos da que apenas uma componente do torque não seria
nula por ’obviedade’, então realmente só teríamos uma equação vindo do torque.

A regra pra resolver problemas de estática é então: Analise todas as forças que atuam no sistema,
desenhe seus vetores, componentes em x e y( o qual, ou você define como lhe convém para fazer
os cálculos, ou o exercício pediu o valor de uma componente especifica), veja o torque que cada
força gera e estabeleça o equilíbrio de forças e torque. Há apenas um ponto que eu sinto que vale
a pena se tocar:

Página 11
4.1 O que precisa ter torque nulo?
Em si, podemos ter um sistema formados por vários sistemas separados que não formam um mesmo
corpo, e queremos que tudo esteja estático, mas temos que perceber algo: Torque aplicado em um
corpo rigido diz respeito unicamente a rotação desse corpo rigido.
Pondo de maneira melhor: Supõe que eu tenho uma roda do meu lado e uma barra de ferro a
300km de distancia de mim e da roda. Supõe também que eu quero rotacionar a roda que esta no
chão; para isso, eu vou aplicar um torque ~τ na roda ao redor de uma origem O que eu escolho, mas
o que acontece se eu aplicar um mesmo torque ao redor da mesma origem, só que agora na barra
de ferro que esta a 300 km de distancia da minha roda? Obviamente, a roda não vai rotacionar.

No entanto, note que a quantia torque aplicada no meu sistema "Roda+Barra"é a mesma, e mesmo
assim o resultado é totalmente diferente.
O ponto é que cada corpo rígido tem a sua equação de torque, e analisar o torque atuando num
sistema completo pode não nos dar o insight completo da situação: sabendo apenas o torque
atuando no sistema Roda+Barra, eu nunca saberia se a minha roda ta girando ou não.
Numa questão de estática, cada corpo rígido sozinho precisa ter o torque atuando nele sendo nulo,
e isso é importante pra questões que envolvem vários objetos: No caso de uma sistema estático
"Roda+Barra"sofrendo forças, eu poderia usar que "O torque no sistema Roda+Barra precisa ser
nulo", mas isso não é o único fato que temos, a realidade é que tanto o sistema Roda quanto o
sistema Barra separados precisam ter torque nulo, e perceber isso é essencial em problemas de
estática mais complicados.

4.2 Mais incógnitas do que equações


Na ultima questão dos exercícios resolvidos, foi assumido que a parede vertical é lisa, de forma
que ela não causa uma força de atrito, mas e se esse não fosse o caso? você pode tentar esse
novo problema resolver na mão, dessa vez adicionando uma força de atrito na parede vertical, mas
você se deparará com o fato que há mais incógnitas do que equações(o numero de equações não
muda, mas uma incógnita a mais é adicionada, então algo fica faltando ai), e você pode chegar
a conclusão que talvez esteja faltando mais uma equação, mas esse não é caso: é possível que
nosso equilíbrio possua mais incógnitas do que temos de equação. Isso não significa que a física
explodiu, mas sim que varias configurações diferentes de força podem garantir o equilíbrio, e, ou
é realmente impossível de resolver porque não há um valor especifico pras incógnitas, ou é dado
alguma informação a mais para resolver, provavelmente uma relação entre as forças que diz respeito
a como essas forças estão atuando ou em qual estado o sistema esta.

5. Problemas
Problema 1. Prove que se um conjunto P de forças F~i atuam em um sistema de modo que a
resultante é nula , o valor do torque ~τ = r~i × F~i independe da origem escolhida para calcula-lo
(Dica: mudar a origem de O a O’, conectados por um vetor r~0 pode ser entendido como adicionando
um vetor r~0 a todos os vetores r~i , de modo que ao trocar a origem, r~i0 = r~0 +~
ri ; na nova somatória, r~0
é constante e Fi = 0, e podemos abrir a nova quantia de torque em duas somatórias diferentes)
P~

Problema 2. (Tópicos de Física) Suponha que, para arrancar um mourão fincado no chão, um

Página 12
homem, puxando -o diretamente com as mãos, tivesse de exercer nele uma força de intensidade
1800 N, no mínimo. Observe a figura:

Usando uma viga amarrada no mourão e apoiada em uma tora, como indica a figura, determine a
mínima intensidade da força que o homem precisa exercer na viga para arrancar o mourão. Para
simplificar, desconsidere o peso da viga e suponha que a força total exercida nela pelo homem
esteja aplicada no ponto médio entre suas mãos.

Problema 3. A figura indica uma superfície semicircular lisa de raio R onde repousa uma barra
homogênea de comprimento L. Nestas condições, podemos afirmar corretamente que o ângulo θ
para a condição de equilíbrio da referida barra vale:

 √ 
a) θ = arcsin L+ L2 +128R2
64R
 √ 
b)
2 +128R2
θ = arccos L+ L16R
 √ 
c) θ = arcsec L+ L2 +128R2
16R
 √ 
d)
2 +128R2
θ = arcsin L+ L32R
 √ 
e) θ = arctan L+ L2 +128R2
32R

Problema 4. (Krotov) Um cilindro e uma cunha com uma face na vertical estão se tocando e
estão em equilíbrio em dois planos inclinados com o mesmo angulo α com a horizontal, se a massa
do cilindro e da cunha são m1 e m2 respectivamente, e negligenciando qualquer força de atrito no
sistema, qual é a força normal entre os dois?

Página 13
Problema 5. (Krotov) 2 barras de massa desprezível e comprimento l são conectas ao teto nos
pontos A e B que estão na mesma horizontal separados por uma distancia 2l e nos seus outros
extremos, C e D, é colocada uma outra barra idêntica ficando na horizontal. uma massa m é
colocada no ponto C, qual é o valor da forma miníma aplicada no ponto D pelo qual a barra do
meio se mantém horizontal?

Problema 6. (Morin) Um bastão de massa por unidade de comprimento ρ repousa em equilíbrio


em um circulo de raio R, o bastão faz um angulo θ com a horizontal e tangencia o circulo. Há
atrito em todos os pontos de contato e tem valores que garantem o equilíbrio do sistema, qual é a
força de atrito do circulo com o chão?

Problema 7. (Morin) Um carretel consiste em um eixo de raio re um círculo externo de raio R


que rola no solo. Uma linha é enrolada em torno do eixo e é puxada com tensão T em um ângulo
θ com a horizontal

Página 14
a) Dados R e r, o que θ deve ser para que o carretel não se mova? Suponha que o atrito entre o
carretel e o solo seja grande o suficiente para que o carretel não escorregue.
b) Dado R, r, e o coeficiente de atrito µ entre o carretel e o solo, qual é o maior valor de T para
o qual o carretel permanece em repouso?

Problema 8. (Tópicos de Fisica) Uma bolinha de aço, de peso P, encontra -se em repouso presa
em um fio suposto ideal, de comprimento l e apoiada em um hemisfério fixo de raio R, praticamente
sem atrito. Sendo d a distância do polo do hemisfério ao ponto de suspensão do fio, determine a
intensidade da força de tração exercida pelo fio em função de P, l, d e R.

Problema 9. Na figura indicada a seguir os cilindros são idênticos e estão em equilíbrio. Despre-
zando possíveis forças de atrito, o valor de θ é:

Página 15
 √ 
a) θ = arcsin 4 53
 √ 
b) θ = arccos 2 53
 √ 
c) θ = arcsec 4 33
 √ 
d) θ = arcsin 4 33
 √ 
e) θ = arctan 2 33

Problema 10. (Morin) Um cilindro uniforme de massa M se encontra em um inclinado com um


ângulo θ com a horizontal. Uma corda é amarrada ao ponto mais à direita do cilindro, e uma
massa m pende da corda, como mostrado na figura abaixo. Suponha que o coeficiente de atrito
entre o cilindro e o plano seja suficientemente grande para evitar escorregões. Qual o valor de m
em termos de M e θ se a configuração é estática?

Problema 11. (Morin) Duas varas, cada uma com massa m e comprimento l, são conectadas
por uma dobradiça em seus extremidades superiores. Cada uma delas faz um ângulo θ com
a vertical. Uma corda sem massa conecta a parte inferior da barra esquerda à barra direita,
perpendicularmente como mostrado na figura abaixo. Toda a configuração está em uma mesa sem
atrito

Página 16
a) Qual a tensão na corda?
b) Qual a força que a barra esquerda exerce na barra direita através do ponto de contato entre os
dois? (Dica: Não é necessário contas "feias")

Problema 12. (Morin - Desafio) Um grande número de bastões (com densidade de massa por
unidade de comprimento ρ) e círculos (com raio R) apoiam-se uns nos outros, como mostrado na
Figura. Cada bastão faz um ângulo θ com a horizontal e é tangente ao próximo círculo em sua
extremidade superior. As varas são articuladas ao chão, e cada a outra superfície não tem atrito
(ao contrário do problema anterior). No limite de um grande número de bastões e círculos, qual é
a força normal entre um bastão e o círculo em que ela se apoia, muito à direita? Presumir que o
último círculo se apoia contra uma parede, para impedi-lo de se mover.

6. Gabarito
Problema 1. Provou?

Problema 2. 300N

Problema 3. b)

2m1 m2
Problema 4. m1 +m2
g tan α

mg
Problema 5. 2

Página 17
1
Problema 6. 2
ρgR cos θ

Problema 7. -

a) cos θ = r
R

b) T ≤ µM g
cos θ+µ sin θ

Pl
Problema 8. T = d+R

Problema 9. e)

sin θ
Problema 10. m = 1−sin θ
M

Problema 11. -

a) T = mg sin θ
2 cos 2θ

b) F = T = mg sin θ
2 cos 2θ

ρRg cos3 (θ/2)


Problema 12. N = 2 sin(θ/2)

Página 18
Atrito e Plano Inclinado
Gabriel Silva - Projeto Olı́mpicos

1. Introdução
O atrito é um fenômeno muito importante para a Fı́sica, caso não conseguı́ssemos vencer o
atrito em nosso cotidiano, não conseguirı́amos caminhar sobre o solo ou andar de bicicleta, não
seria possı́vel fazer com que o carro fosse ao destino desejado e nem mesmo ouvir a melodia de um
violino.
Ora pois! Mas o que seria o atrito? A força de contato entre duas superfı́cies sólidas possuem
duas componentes, uma perpendicular, que se chama normal e uma horizontal, denominada atrito.
Observe na figura 1, com o auxı́lio de um instrumento óptico é possı́vel enxergar asperezas entre
o contato do bloco e a superfı́cie, neste caso, uma superfı́cie irá empurrar a base do bloco, este
fenômeno recebe o nome de normal.

Figura 1: Asperezas

Imagine uma superfı́cie qualquer com um bloco B sobre a superfı́cie S plana e horizontal, em
que uma força F⃗ é aplicada ao bloco B na direção horizontal com sentido para a direita, entretanto,
o bloco, apesar da força aplicada, permanece em repouso. Você deve estar se perguntando, como
um bloco que tem uma força aplicada sobre ele, continua em repouso? a explicação disso advém da
força de atrito, que corresponde a uma força que age no bloco na mesma direção que a força inicial,
mas com sentido trocado. Devo alertar que a força de atrito sempre age no sentido contrário ao
MOVIMENTO.

Página 1
Figura 2: Força de atrito

Observe na figura 2 e repare que temos a força F⃗BS (Ação) sendo a que o bloco B aplica
na superfı́cie S, pela terceira lei de Newton devemos ter uma força de mesmo módulo e direção,
entretanto, com sentido oposto aplicado em um corpo diferente, isto é, F⃗SB (Reação) a força que
a superfı́cie S aplica no bloco B. É claro que se F⃗ for igual ao vetor nulo (⃗0), não teremos as
forças F⃗BS e F⃗SB . No entanto, caso o bloco esteja em movimento teremos as forças de atrito,
independente de que haja uma força F atuando, ou não.

Se F⃗ = 0⃗ ⇒ F⃗BS = F⃗SB = ⃗0

2. Atrito Estático
Considere a seguinte situação: Joãozinho dispõe de uma mesa plana e nesta, tem alguns objetos,
como régua, caderno, lápis, borracha, apontador, etc., nosso caro Joãozinho, gostaria de saber qual
seria o ângulo máximo para uma borracha apoiada sobre um plano inclinado começar a deslizar.
Para isto, com o auxı́lio de um aplicativo de celular, ele gradualmente, eleva o plano inclinado
de modo que o ângulo máximo, fosse a iminência do movimento da borracha. Essa situação nos
diz que o atrito possui um valor máximo, isto é, a força de atrito máximo que ainda mantém a
borracha em equilı́brio. Chamamos força de atrito de destaque (F⃗atd ) a força de atrito máximo,
quando um bloco que se encontra na iminência de deslizar.

Figura 3: Força de atrito de destaque

É claro que a força de atrito irá variar de zero até um certo valor máximo, este que chamamos
força de atrito de destaque, isto é, em termos matemáticos:

0 ≤ Fat ≤ Fatd

Podemos afirmar que a força normal de uma superfı́cie em contato com um bloco é diretamente
proporcional a massa do bloco, tendo em vista, que quanto maior a massa do bloco, maior a força

Página 2
peso do sistema e mais intenso é a força normal, portanto para haver deslizamento, a força inicial
F deverá ser maior. Em termos matemáticos, podemos escrever a força de atrito de destaque
como:

∣F⃗atd ∣ = µe ⋅ ∣F⃗n ∣ (I)


O coeficiente de proporcionalidade µe que aparece na equação acima, é chamado coeficiente de
atrito estático que remete as asperezas entre o bloco e a superfı́cie.

3. O Atrito Cinético
A ideia aqui será semelhante à situação da figura 2, imagine a mesma situação, com as mesmas
forças, no entanto, o bloco deverá entrar em movimento, e para isto, a força F⃗ inicial, deverá ser
maior que a força de atrito de destaque. Enquanto o bloco está em repouso, dizemos que o atrito é
do tipo estático. Agora, porém, ele é denominado como atrito cinético. A configuração da situação
atual está destacada na figura a seguir, em que teremos, agora, uma aceleração a ⃗, que obviamente,
está apontada para o mesmo sentido que a força externa e, agora, uma nova força, a força de atrito
cinético F⃗atc

Figura 4: Situação com atrito cinético

A intensidade da força de atrito cinético (Fatc ) é diretamente proporcional a constante de


proporcionalidade do atrito cinético (µc ) e a força normal (Fn ), isto é, matematicamente:

∣F⃗atc ∣ = µc ⋅ ∣F⃗n ∣ (II)


A partir de experimentos, é possı́vel observar que µc < µe , portanto, Fatc < Fate .
Observe os dois gráficos a seguir, em que o primeiro resume a teoria acima para o coeficiente
de proporcionalidade µc < µe . Na segunda figura temos o coeficiente de proporcionalidade µc = µe

Página 3
4. Lei do Atrito
A partir de experimentos, podemos concluir que:
“As forças de atrito de destaque e cinético são praticamente independentes da área de contato
entre as superfı́cies atritantes”
Isto é, não importa a área de contato com a superfı́cie, imagine uma caixa que possui uma área
igual a A1 sendo empurrada por uma força F1 , e outra caixa com área igual a A2 , com uma força
externa F2 , supondo que A1 > A2 , se F1 = F2 , então a força de atrito que atua nas respectivas
caixas 1 e 2, também serão iguais (Fat1 = Fat2 ), independente dos termos A1 e A2 .

5. Atrito no Plano Inclinado


Iremos explorar as propriedades no plano inclinado em um exemplo do livro do David Morin.
Um bloco de massa M repousa sobre um plano fixo inclinado em um ângulo θ. Você aplica
uma força horizontal M g no bloco, como mostrado na Fig. 5. Suponha que a força de atrito entre
o bloco e o plano seja grande o suficiente para manter o bloco em repouso. Quais são as forças

Página 4
normais e de atrito (chame-as N e Ff ) que o plano exerce sobre o bloco? Se o coeficiente de atrito
estático for µ, para qual intervalo dos ângulos θ o bloco de fato permanecerá em repouso?

Figura 5: Exemplo de Plano Inclinado

Na figura 6 foi colocado as forças que atuam no bloco e no plano. As forças são N , Ff , o M g
aplicado e o peso M g. Equilibrar as forças paralelas e perpendiculares ao plano dá, respectivamente
(com para cima ao longo do plano considerado positivo):

∑ Fx = 0
Ff − M gsinθ + M gcosθ = 0 ∴ Ff = M gsinθ − M gcosθ
Perceba que fiz a decomposição das forças M g no eixo x, adotei para cima como positivo e
disse que a soma é igual a zero. Para o eixo y, o processo é análogo.

∑ Fy = 0
N − M gsinθ − M gcosθ = 0 ∴ N = M gsinθ + M gcos

Figura 6: Componentes

Perceba que se a tangente de θ for maior que 1, a força de atrito Ff será positiva, portanto a
força estará apontando para o sentido correto. Mas, se a tangente for menor que 1 o valor de Ff
será negativo, portanto o próprio problema irá corrigir o seu sentido, então não há necessidade de
se preocupar com para que lado ele aponta ao desenhar o diagrama.

Página 5
Sabendo que ∣Ff ∣ ≤ µN

M g∣sinθ − cosθ∣ ≤ µM g(cosθ + sinθ)


Veja que coloquei o módulo, isso significa que devemos considerar dois casos:

i. Se θ ≥ 1, então
1+µ
sinθ − cosθ ≤ µ(cosθ + sinθ) ⇒ tanθ ≤
1−µ

ii. Se θ ≤ 1, então
1−µ
−sinθ + cosθ ≤ µ(cosθ + sinθ) ⇒ tanθ ≥
1+µ

1−µ 1+µ
≤ tanθ ≤
1+µ 1−µ

6. Problemas
Problema 1. (Tópicos de Fı́sica) Sobre um plano inclinado, de ângulo θ variável, apoia-se uma
caixa de pequenas dimensões, conforme sugere o esquema a seguir.

Sabendo-se que o coeficiente de atrito estático entre a caixa e o plano de apoio vale 1,0, qual o
máximo valor de θ para que a caixa ainda permaneça em repouso?

Problema 2. (Moysés Nussenzveig) Um bloco está numa extremidade de uma prancha de 2 m de


comprimento. Erguendo-se lentamente essa extremidade, o bloco começa a escorregar quando ela
está a 1,03 m de altura, e então leva 2,2 s para deslizar até a outra extremidade, que permaneceu
no chão. Qual é o coeficiente de atrito estático entre o bloco e a prancha? Qual é o coeficiente de
atrito cinético?

Problema 3. (David Morin) Um livro de massa M é posicionado contra uma parede vertical. O
coeficiente de atrito entre o livro e a parede é µ. Você deseja manter o livro caia ao empurrá-lo
com uma força F aplicada em um ângulo θ em relação à horizontal (- π2 < θ < π2 ), como mostrado
na figura a seguir. Para um dado θ, qual é o F mı́nimo necessário?

Página 6
Problema 4. (Kalda) Imagine a seguinte situação representada pela figura a seguir. Temos quatro
blocos, dois deles maiores com massa M e dois menores com massa igual a m, os dois blocos
superiores estão atados por uma corda ideal, e a superfı́cie inferior é lisa (sem atrito). Existe uma
força F aplicada na direção horizontal, da esquerda para a direta, qual deve ser o valor limite desta
força para que os quatro blocos se desloquem junto para a direita, com a mesma aceleração?

Problema 5. Na situação esquematizada na figura, os blocos A e B têm massas iguais a 6 kg e 4


kg respectivamente, os coeficientes de atrito valem µe = 0,7 e µc = 0,5 e a inclinação da rampa vale
θ = 37° (sin 37° = 0,6; e cos 37° = 0,8). Quando o sistema é abandonado do repouso, determine:
a) se o bloco irá escorregar ou não.
b) a intensidade da força de atrito e da tração no fio.

Problema 6. (ITA-SP) Na figura seguinte, os dois blocos A e B têm massas iguais. São des-
prezı́veis as massas dos fios e da polia e esta pode girar sem atrito. O menor valor do coeficiente
de atrito estático entre o plano inclinado de α em relação à horizontal e o bloco B, para que o
sistema não escorregue, é:

Página 7
1 − sinα
a)
cosα
a − cosα
b)
sinα
c) tg α
d) cotg α
1
e)
sinα

Problema 7. (Kalda) Suponha a seguinte situação hipotética ilustrada pela figura a seguir. O
bloco está descendo um plano inclinado num regime estacionário, a velocidade que o bloco desce o
plano é igual a v e constante, além disso, o plano inclinado está agitando, isto é, se movendo de um
lado para o outro com velocidade igual a u - para simplificação, despreze o processo de aceleração
e desaceleração do plano, ou seja, ele vai e volta com a mesma velocidade. Encontre uma equação
que nos permite calcular tal velocidade v. Considere que o coeficiente de atrito seja maior que a
tangente.

7. Gabarito
Problema 1. θ = 45°

Problema 2. Estático: 0,6; e cinético: 0,5.

2(m + M )
Problema 3. F = ⋅ µmg (Resolução feita pelo professor Cadu vı́deo)
2m + M

Mg
Problema 4. F ≥
sinθ + µcosθ

Página 8
Problema 5. a) O bloco irá escorregar; e b) Fat = 16N ; e T = 48N.

Problema 6. Letra a

µtgθ
Problema 7. v = √ (Resolução feita pelo professor Cadu vı́deo)
µ2 − tg 2 θ

Página 9
Polias e Sistemas Mecânicos
Gabriel Silva - Projeto Olı́mpicos

1. Introdução
Polias é um assunto cobrado com uma certa frequência em olimpı́adas e vestibulares, por isso,
cá estou eu, caro leitor, para lhe apresentar este tema. Nesta parte, irei lhe apresentar um exemplo
de polia fixa como motivação para você adquirir este conhecimento em seu arsenal de ideias.
Determine as acelerações dos blocos e as trações nos fios em função das massas a e b, sendo
que a superfı́cie é plana e sem atrito e ma e mb .

Figura 1: Situação Problema

Analisando todo o sistema, temos que o bloco A possui a sua força peso na vertical para baixo
e a força normal N na mesma direção com sentido trocado. O bloco A está atado por uma corda
ideal, por isto, temos uma força de tração T na horizontal da esquerda para a direita. O bloco
B também têm suas componentes verticais, sendo o peso PB e a tração 2T , 2T devido às duas
trações que aparecem no fio acima. Colocado todas as forças, basta resolver certo? Vamos ver.
Fazendo o somatório das forças no eixo x e y, temos que:

1. T = mA aA

2. PB − 2T = mB aB

Página 1
Figura 2: Forças que atuam no sistema

Você deve ter percebido que fiz algo diferente dos problemas mais clássicos que envolvem
dinâmica, em que tu diz que a aceleração é igual a a, no entanto, neste caso, temos duas acelerações.
Pensa o seguinte: observe a figura 3 e veja que o comprimento total do fio é igual a L, então aquele
pedaço de fio horizontal é igual a LA1 , na vertical temos um comprimento de fio 2LB1 , além disso,
a soma entre os comprimentos x e y é igual a z, não era necessário colocar, mas no final verá que
é irrelevante.

Figura 3: Comprimento dos fios

Agora imagina que você deixou esse sistema andar, depois de um intervalo de tempo o bloco
estará, por exemplo, na situação que colocada na figura 4.

Página 2
Figura 4: Após um intervalo de tempo

Perceba que apenas modifiquei o nome do tamanho dos fios, mas o seu comprimento total
continua o mesmo. Isto é, podemos escrever em termos matemáticos:

LA1 + 2LB1 + z = L

LA2 + 2LB2 + z = L
LA1 + 2LB1 + z = LA2 + 2LB2 + z
Então note que o comprimento z é realmente irrelevante, tanto que podemos subtrair z de ambos
os lados e simplificar um pouco mais a equação:

LA1 + 2LB1 = LA2 + 2LB2

Podemos subtrair 2LB1 e LA2 de ambos os lados e ficamos com:

LA1 − LA2 = 2LB2 − 2LB1

O que é esse resultado que encontramos? Perceba que a parcela LA1 − LA2 corresponde ao desloca-
mento do bloco A, o mesmo se aplica para 2LB2 − 2LB1 , sendo o deslocamento do bloco B. Então,
temos que ∆LA = 2∆LB . Se formos tratar esse resultado a partir das derivadas, podemos fazer
uma segunda derivada temporal e obteremos que:

aA = 2aB (I)

Feito toda essa análise, provamos que a aceleração do corpo A difere do corpo B, a partir disso
poderı́amos retornar ao problema e finaliza-lo, contudo, esse não é o objetivo.

Página 3
2. Polia Móvel
Agora considere a seguinte situação ilustrada na figura 5. Determine as acelerações aA e aB
em função dos parâmetros mA , mB , mC e g.

Figura 5: Sistema com polia móvel

A ideia aqui seria realizar os mesmos procedimentos do exemplo anterior, em que, primeiro,
colocarı́amos as forças que atuam nos blocos e no fio. Como eu sou gente boa, já coloquei tudo na
figura 6, observe:

Figura 6: Forças que atuam no sistema

Agora basta aplicar as leis de Newton novamente.

1. T = mA aA

2. T = mB aB

3. PC − 2T = mC aC

Eis que então nos deparamos com um problema, temos três equações e quatro incógnitas,
portanto não tem como resolver. A solução para esse problema é utilizar a mesma ideia apresentada
anteriormente. Então veja que na figura 7 coloquei as medidas correspondentes aos fios, lembrando
que o comprimento total é constante.

Página 4
Figura 7: Comprimento dos fios

Imagine que o sistema começou o andar por um determinado tempo, de modo que ele fique
igual à configuração da figura 8. Perceba que o tamanho dos fios mudou, no entanto, a soma de
todos esses pedaços é constante.

Figura 8: Após um intervalo de tempo

Portanto:
LA1 + LB1 + 2LC1 = L
LA2 + LB2 + 2LC2 = L
LA1 + LB1 + 2LC1 = LA2 + LB2 + 2LC2
Subtraindo LA2 , LB2 e 2LC1 , obtemos:

LA1 − LA2 + LB1 − LA2 = 2LC2 − 2LC1

E o que encontramos? Exatamente o deslocamento dos blocos nesse determinado tempo que se
passou. Portanto, podemos escrever:

∆LA + ∆LB = 2∆LC

Agora, se fizermos uma segunda derivada temporal, obteremos as acelerações dos blocos. Veja:

Página 5
aA + aB = 2aC (II)
Com isso, temos agora quatro equações e quatro incógnitas, agora conseguimos resolver. A
ideia será achar os valores da aceleração em função das trações e substituir na última equação.
T
1. aA =
mA
T
2. aB =
mB
mC g − 2T
3. aC =
mC
Pronto, agora basta substituir e fazer continha de padaria.
T T mC g − 2T
+ = 2( )
mA mB mC
T mB + T mA 2mC g − 4T
=( )
mA mB mC
T mB mC + T mA mC = 2mA mB mC g − 4T mA mB
T (mB mC + mA mC − 4mA mB ) = 2mA mB mC g

2mA mB mC g
T= (III)
mB mC + mA mC − 4mA mB
Ufa, conseguimos encontrar a tração, agora só voltarmos nas equações e encontrar as ace-
lerações. Vem comigo:

2mB mC g
aA = (IV)
mB mC + mA mC − 4mA mB
2mA mC g
aB = (V)
mB mC + mA mC − 4mA mB

3. Variante com duas Polias Móveis


Na figura 9, temos uma situação com dois blocos A e B de massas respectivamente, igual a mA
e mB . Os blocos estão sendo puxados por uma força de intensidade igual a F, numa plataforma
sem atrito. Sua missão é encontrar as acelerações aA e aB e a tração T no fio.

Figura 9: Duas polias móveis

Página 6
A ideia seria fazer igual aos casos anteriores, mas nomear os fios parece uma tarefa meio difı́cil.
A pergunta a ser feita é: qual fio depende de A? e qual depende de B? Pensa o seguinte, se o bloco
A for fixo e o bloco B se movimentar, quais fios irão se mover? Ora, apenas os três primeiros
contando de cima para baixo. Agora imagine a situação contrária, o bloco B está fixo e o bloco A
móvel, se movermos ele para a direita, o que iria acontecer? todos os fios tenderiam a esticar e o
primeiro iria arrebentar. Portanto, temos que:
L = 3LB
L = 4LA
3LB = 4LA
Agora basta aplicar a ideia apresentada nos casos anteriores, imagine que o sistema irá se
mover, daı́ os pedaços do fio irão assumir valores diferentes e no final chegaremos que:
3∆SB = 4∆SA
Fazendo a segunda derivada temporal, temos que:
3aB = 4aA (VI)
Agora basta aplicar as leis de Newton que é sucesso.
1. F − 4T = mA aA
2. 3T = mB aB
3. 3aB = 4aA
E agora? Bom, agora é só conta de padaria né.
mB aB 3
F − 4( ) = mA aB
3 4
4mB aB 3mA aB
F− =
3 4
12F − 16mB aB = 9mA aB

12F
aB = (VII)
9mA + 16mB

4. Problemas
Problema 1. (David Morin) Considere o sistema a seguir (Máquina de Atwood), encontre a
aceleração a das massas e a tração T da corda. Considere o fio inextensı́vel e a massa da polia
desprezı́vel.

Página 7
Problema 2. (Renato Brito) No sistema representado na figura, os fios e as polias são ideais. A
aceleração da gravidade tem módulo 10 sm2 e as massas de A e B são respectivamente iguais a 3,0
kg e 8,0 kg. Calcule:
a) as acelerações de A e B.
b) a tração no fio ligado ao bloco A.

Problema 3. (Renato Brito) A figura mostra dois blocos A e B de massas mA = 2kg e mB =


6kg puxados por uma força de intensidade F = 14N sobre um solo liso. Determine:
a) a aceleração de cada bloco.
b) a tração no cabo.

Página 8
Problema 4. Encontre as relações entre as acelerações utilizando vı́nculo geométrico.

Problema 5. (OBC - 2018) No arranjo da figura o plano inclinado está fixo numa mesma hori-
zontal. Os blocos A e B possuem massas, respectivamente, 4,0kg e 6,9kg. Despreze o atrito entre

A e o plano inclinado. O fio é inextensı́vel e passa sem atrito pela polia de massa desprezı́vel.
3
Sendo sin 30° = 0,5 e cos 30° = , pode-se afirmar que a força resultante que o fio exerce na
2
polia tem intensidade:
a) 12N

b) 12 3N
c) 24N

d) 24 3N
e) 48N

Problema 6. (David Morin) Uma máquina de Atwood dupla é mostrada na figura abaixo, com
massas m1 , m2 , e m3 . Encontre as acelerações das massas.

Página 9
Problema 7. (Renato Brito) Na figura, todas as polias e fios são ideais, bem como todos os atritos
são desprezı́veis. Abandonando-se o sistema do repouso, pede-se determinar a aceleração da cunha
de massa M em relação à Terra. A massa do bloco vale m e a gravidade local vale g.

Problema 8. (IME) A figura mostra três blocos, que podem se mover sem atrito. Sendo α = 30○ .
determine a relação entre m1 , m2 e m3 para que os blocos se movam, sem que m3 escorregue em
relação a m1 .

Página 10
5. Gabarito
(m2 − m1 )g 2m1 m2 g
Problema 1. a = eT=
m2 + m1 m1 + m2

Problema 2. aB = 2 sm2 ; aA = 1 sm2 ; e T = 36N

Problema 3. aA = 3 sm2 ; aB = 2 sm2 ; e T = 4N

aA
Problema 4. aC =
4

Problema 5. letra A

Problema 6.
4m2 m3 − m1 m2 − m1 m3
a1 = g ;
4m2 m3 + m1 m2 + m1 m3
4m2 m3 + m1 m2 − 3m1 m3
a2 = −g ;
4m2 m3 + m1 m2 + m1 m3
4m2 m3 + m1 m3 − 3m1 m2
a3 = −g
4m2 m3 + m1 m2 + m1 m3

mg
Problema 7. a =
M + 2m

m1 + m2 + m3 √
Problema 8. = 3
m2

Página 11
Impulso e Momento Linear
Gabriel Silva - Projeto Olı́mpicos

1. Introdução
Qual das seguintes situações, é mais provável de ser parado: um carro com uma velocidade de
20km/s ou uma bola com a mesma velocidade? O senso comum nos diz que é a bola, mas por
quê? Ora, isso está diretamente relacionado com o conceito de momento linear. Além disso, para
os amantes de 8 ball pool, veremos a respeito das colisões entre bolinhas de bilhar.

2. Momento Linear
Momento linear é definido matematicamente como o produto entre a massa e a velocidade de
um corpo qualquer.
p⃗ ≡ m ⋅ v⃗ (I)
Em questão da análise dimensional, é dado por:
L m
[p] = M ⋅ = kg ⋅
T s
Então, assim como qualquer corpo em movimento, tem associado a si, energia cinética, o
mesmo acontece para o momento linear, todo corpo que possui massa e velocidade, traz consigo,
essa grandeza vetorial.
Veja na figura 1, que o momento linear tem sempre a mesma direção e sentido da velocidade v
sendo, sempre tangente a trajetória descrita pela partı́cula.

Figura 1: Momento linear em uma trajetória

Página 1
3. O Teorema do Impulso
Considere um bloco submetido a uma força constante F no instante t0 = 0 que adquire uma
velocidade v0 . Depois de um certo tempo t, este bloco irá adquirir uma velocidade v, se quiséssemos
descrever o movimento deste bloco, qual equação irı́amos utilizar? a função horária da velocidade.
Então, veja:
v = v0 + at
Multiplicando ambos os lados pela massa (m), temos:

m ⋅ v = m ⋅ v0 + m ⋅ a ⋅ ∆t

Se formos tratar de seus vetores, temos:

m ⋅ v⃗ = m ⋅ v⃗0 + F⃗ ⋅ ∆t

Como vimos, p⃗ = m ⋅ v⃗:

p⃗f = p⃗i + I⃗ (II)


Você deve ter percebido uma semelhança entre trabalho e energia e colisões e impulso, veja na
tabela 1 as diferenças por meio de uma tabela:

Trabalho e Energia Momento Linear e Impulso


mv 2
Ecin = p⃗ = m ⋅ v⃗
2
W =F ⋅d I⃗ = F⃗ ⋅ ∆t
Ecinf = Ecini + W p⃗f = p⃗i + I⃗

Tabela 1: Comparação entre Trabalho e Energia e Momento Linear e Impulso

Se voltarmos na equação 2 e isolarmos o impulso, encontraremos algo interessante, veja:

I⃗ = p⃗f − p⃗i

I⃗ = ∆⃗
p (III)
A esta equação acima que encontramos, denominamos como: Teorema do Impulso.
Mas perceba que se expandirmos e fatorarmos essa mesma equação, teremos que:

F⃗ ⋅ ∆t = m ⋅ v⃗ − m ⋅ v⃗0

F⃗ ⋅ ∆t = m ⋅ (⃗
v − v⃗0 )
m ⋅ ∆⃗
v
F⃗ =
∆t
F⃗ = m ⋅ a
⃗ (IV)

Página 2
Ora, ora, ora... o que encontramos aqui? a lendária segunda lei de Newton. Então perceba que
a segunda lei é um caso particular para momento e impulso, pois:
dp
F=
dt
Caso a massa não fosse constante, terı́amos:
d(m ⋅ v) dv dm
F= =m⋅ +v⋅
dt dt dt
dm
F = ma + v
dt
dm
Caso a massa fosse constante, o termo seria zero, portanto acharı́amos a segunda lei de Newton.
dt
Então se o impulso é igual a variação do momento linear, é claro que sua unidade de medida é
correspondente.
L
[F ] = M ⋅ 2 = N
T
L m
[I] = N ⋅ T = M ⋅ = kg ⋅
T s
Pensando um pouco sobre o significado fı́sico do teorema de impulso, podemos entender que,
se um corpo qualquer tem associado consigo momento linear p0 e é submetido a uma força F
constante, então o momento linear final p desse corpo, irá depender da intensidade dessa força e o
intervalo de tempo, isto é, do impulso.
Propriedade 01: O impulso pode ser dado numericamente pela área sob o gráfico F x t
durante um intervalo de tempo.

3.1 Sistema
• Forças internas: dizemos que uma força é interna quando temos a aplicação da terceira lei de
newton (ação-reação), isto é, tanto o corpo que aplicou a força, quanto o que recebe a força,
fazem parte do sistema.

• Força externa: é dita uma força externa, quando um corpo que está fora do sistema, aplica
uma força em outro corpo que está dentro do sistema.

Então, em um sistema, o somatório de todos os momentos lineares corresponde ao momento


linear final

p⃗ = m ⋅ v⃗ = m ⋅ r⃗˙ 1
d⃗
p ⃗˙
F⃗ext = =P
dt
n
P⃗ = ∑ p⃗α (V)
α=1

Se F⃗ext = 0 ⇒ P⃗ é constante
d⃗
r
1
O vetor r⃗˙ simboliza a derivada temporal da posição, isto é, r⃗˙ =
dt

Página 3
4. Princı́pio da Conservação do Momento Linear
Considere a seguinte situação hipotética ilustrada na figura 2, nela temos dois blocos com
respectivamente massas iguais a mA e mB , com suas velocidades iguais a vA e vB . Por conta da
massa e da velocidade, cada bloco possui um momento linear, isto é, p⃗A e p⃗B . Portanto, podemos
escrever que:
P⃗i = p⃗A + p⃗B

Figura 2: Antes da Colisão

Na figura 4, podemos observar a situação da figura anterior durante a colisão entre os blocos.
Perceba que o bloco A aplicou uma força de intensidade F no bloco B, que por sua vez, pela
terceira lei de Newton, aplicou uma força de mesma intensidade no bloco B, na mesma direção,
com sentido trocado. Mas que força é essa? se multiplicarmos isso pelo tempo durante a colisão,
vamos obter o impulso I - vale lembrar que esse tempo é igual tanto para o bloco A, quanto para o
bloco B, pois se a força é a mesma, não tem como esse tempo for maior para um dos blocos. Mas
lembrando, o impulso é a variação do momento linear, portanto, durante essa colisão, teremos a
variação do momento desse sistema.

Figura 3: Durante a Colisão

Volte na figura 3 e veja para qual direção e sentido aponta o vetor velocidade de ambos os blocos,
pois lembrando, o momento linear atua na mesma direção e sentido da velocidade. Portanto, veja
na figura 4 novamente, a direção e o sentido dos vetores velocidade dos blocos.

Figura 4: Após a Colisão

Se formos somar o momento linear antes e durante a colisão, de modo a obter o momento linear
do sistema, teremos:
P⃗A = p⃗1 + I⃗
A

P⃗B = p⃗1B + (−I)


Página 4
Se formos observar o somatório dos momentos do sistema antes da colisão e depois do sistema,
haverá alguma mudança? Vamos verificar:

P⃗antes = p⃗A + p⃗B

P⃗depois = p⃗A + I + p⃗B − I


P⃗depois = p⃗A + p⃗B
P⃗antes = P⃗depois (VI)
Ora bolas, então o momento linear antes é igual o momento linear depois da colisão, portanto
o momento linear se conserva. Mas por que isso acontece? Devido a terceira lei de Newton, que
durante a colisão entre dois blocos, haverá a troca entre os corpos de impulsos iguais e contrários,
isto é, o que um corpo ganhará de momento linear, o outro irá perder.
Propriedade 02: Em um sistema isolado de forças externas o momento linear total do sistema
se conserva, isto é:
Se F⃗ext = 0, então P⃗ é constante.

5. Colisões
5.1 constante de restituição

1 1 1 1
m1 v12 + m2 v22 ≥ m1 v1′2 + m2 v2′2 (VII)
2 2 2 2
m1 v1 + m2 v2 = m1 v1 + m2 v2′

(VIII)
Veja, na equação 7 temos a conservação de energia cinética e na equação 8, temos a conservação
de momento linear. Agora, basta fatorar e dividir uma equação pela outra

m1 (v12 − v1′2 ) ≥ m2 (v2′2 − v22 ) (IX)


m1 (v1 − v1′ ) = m2 (v2′ − v2 ) (X)
Dividindo a equação 9 pela equação 10, temos:

v1 + v1′ ≥ v2′ + v2

Seja e a constante de restituição, definida por:

v2′ − v1′
e= (XI)
v1 − v2

Dependendo do valor de e, a classificação da colisão irá mudar, isto é:

1. e = 1 - Colisões elásticas (ou perfeitamente elásticas);

2. e = 0 - Colisões inelásticas; e

3. 0 < e < 1 - Colisões parcialmente elásticas.

Página 5
5.2 Colisão Inelástica em uma Dimensão
Por definição, uma colisão inelástica é dita como aquela que a energia cinética não se conserva.

5.2.1 Colisão Perfeitamente Inelástica


Uma colisão é considerada perfeitamente inelástica, quando os corpos permanecem unidos após
a colisão. Veja na figura 7 dois corpos um de massa m1 e velocidade v⃗1i e o outro corpo tem massa
m2 e velocidade v⃗2i . Após um intervalo de tempo, haverá uma colisão, em que o corpo 1 irá se
unir com o corpo 2 e, portanto, irão se mover ao longo do eixo x com velocidade V⃗ .

Figura 5: Exemplo de uma colisão perfeitamente inelástica antes do contato

Figura 6: Exemplo de uma colisão perfeitamente inelástica depois do contato

Então perceba, se F⃗ext = 0, então temos a conservação de momento, portanto:

m1 v⃗1i + m2 v⃗2i = (m1 + m2 )V⃗


m1 v⃗1i + m2 v⃗2i
V⃗ = (XII)
(m1 + m2 )
É claro que se a velocidade inicial do corpo 2 for zero, então a velocidade final será dada por:
m1 v⃗1i
V⃗ = (XIII)
m1 + m2
Analisando um caso particular, o que terı́amos, se:
(i) Se m1 ≪ m2
Podemos dividir tudo por m2 para manter a igualdade, então temos:
m1
v⃗1
m2 i
V = m1

+1
m2
m1
Então perceba, que ao dividir , temos um adimensional, portanto, podemos comparar com
m2
m1
o número 1 que também é um adimensional. Veja que, se m1 ≪ m2 , então ≪ 1, então podemos
m2
desprezar ele, no entanto, não podemos fazer o mesmo com o numerador, se não vai dar ruim (,).
m1
V⃗ = v⃗1
m2 i

Página 6
5.2.2 Colisão Parcialmente Inelástica
A diferença para a colisão perfeitamente inelástica para a parcialmente inelástica, é que nesta,
após a colisão os corpos não ficam unidos, isto é, suponha que tenhamos a situação idêntica a da
figura 5, mas após a colisão, teremos a seguinte situação ilustrada pela figura 7.

Figura 7: Exemplo de uma colisão parcialmente inelástica depois do contato

Se F⃗ext = 0, então temos a conservação de momento, portanto:

m1 v⃗1i + m2 v⃗2i = m1 v⃗2i + m2 v⃗2f

5.3 Colisão Elástica em uma Dimensão


Um corpo de massa m1 com velocidade v⃗1i se aproxima de outro corpo estacionário de massa m2
(ver Fig. 8). As massas ricocheteiam elasticamente. quais são as velocidades finais das partı́culas?

Figura 8: Exemplo de uma colisão elástica antes do contato

Após o contato, teremos uma configuração igual a da figura 7.


Escrevendo a conservação de energia cinética total e a conservação de momento linear, temos:

m1 v⃗1i + 0 = m1 v⃗1f + m2 v⃗2f (XIV)

1 1 1
m1 v12i + 0 = m1 v12f + m2 v22f (XV)
2 2 2
A partir de agora, vou escrever as velocidades em função de seus módulos.

⎪m1 (v1i − v1f ) = m2 v2f


⎪ m (v 2 − v12f ) = m2 v22f
⎩ 1 1i

Dividindo uma equação pela outra, obtemos:

m1 (v1i + v1f )(v1i − v1f ) m2 v22f


=
m1 (v1i − v1f ) m2 v2f

v1i + v1f = v2f (XVI)

Página 7
Substituindo a equação 16 na equação 14, temos:

m1 v1i = m1 v1f + m2 (v1i + v1f )

(m1 − m2 )v1i = (m1 + m2 )v1f


(m1 − m2 )v1i
v1f = (XVII)
(m1 + m2 )
Ora bolas, se agora descobrimos a v1f , podemos substituı́-la na equação 9 e obter:

(m1 − m2 )v1i
v1i + = v2f
(m1 + m2 )

(m1 − m2 )v1i (m1 + m2 )v1i


+ = v2f
(m1 + m2 ) (m1 + m2 )
2m1 v1i
(XVIII)
m1 + m2

5.4 Colisão em Duas Dimensões


Uma bola de bilhar com velocidade v aproxima-se de um idêntico estacionário (Ver Fig. 9). As
bolas quicam umas nas outras elasticamente, de tal forma que a que está entrando é desviada por
um ângulo θ (ver Fig. 10). Como podemos escrever as equações?
Se Fext = 0, então P⃗ é constante. Como se trata de uma colisão elástica, então temos conservação
de energia cinética também.

Figura 9: Exemplo de uma colisão bidimensional antes do contato

Figura 10: Exemplo de uma colisão bidimensional após o contato

Então, podemos escrever a conservação do momento em função dos parâmetros x e y.

Página 8
Para a componente x:
mv1i = m1 v1f cosφ + m2 v2f cosθ
Para a componente y:
0 = m1 v1f sinφ + m2 v2f sinθ

Página 9
Vetores e Cinemática Vetorial
Gabriel Silva - Projeto Olı́mpicos

1. Introdução
A motivação para o estudo dos vetores e da cinemática vetorial nasce a partir de uma necessi-
dade de descrever de corpos, objetos, ou o que seja que esteja ao nosso arredor de maneira mais
precisa. Suponha, por exemplo, que Joãozinho (famoso Joãozinho da OBMEP) esteja perdido no
centro de sua cidade e queira chegar até a universidade local, então ele decide pedir uma informação
e a pessoa gentilmente diz: “Basta você subir cinco quarteirões e depois dobre a direita”, perceba
que a linguagem utilizada para descrever, é a linguagem vetorial. Tendo isso em vista, espero que
no final desta aula, você consiga interpretar e utilizar dessa linguagem matemática.

2. Vetores
Antes de definir propriamente dito, o que seria um vetor, primeiro devo-lhe apresentar a noção
de grandezas escalares e vetoriais. Define-se uma grandeza escalar, como um número (módulo)
acompanhado por uma unidade de medida correspondente, por exemplo: temperatura, densidade,
volume, etc., percebe-se que para a interpretação de uma grandeza escalar, basta o seu valor
numérico e uma unidade de medida correspondente. Por outro lado, as grandezas vetoriais ne-
cessitam de mais informações, o que chamamos de direção e sentido. Não confunda direção com
sentido, podemos pensar que a direção corresponde a uma linha imaginária qualquer que liga um
ponto a outro, e a esta direção, temos associado dois sentidos - supondo que a reta imaginária
esteja no eixo x, o sentido seria direita ou esquerda.
Ora pois! O que seria um vetor? Definimos um vetor como um ente matemático constituı́do de
módulo, direção e sentido. Com o auxı́lio deste conceito, seremos capazes de descrever movimentos
em mais de uma dimensão com uma maior facilidade.

2.1 Conceitos iniciais importantes


2.1.1 Vetor Deslocamento
O vetor deslocamento, é definido como o segmento de reta obtido através da diferença entre a
posição final e inicial do corpo a ser analisado. Então se imaginarmos que Joãozinho esteja parado
Ð→
no ponto A (Figura 1) e queira ir até o ponto B indicado, isso corresponde ao vetor AB. Portanto,
basta fazer a diferença entre os pontos A e B, porque ele teria que percorrer diferença dos pontos
na horizontal (xa e xb ) e em seguida, o mesmo se aplicaria na vertical (ya e yb ), isto é, em termos
matemáticos, temos:

(xb − xa ; yb − ya ) (I)

Página 1
Ð→
Figura 1: Vetor deslocamento AB

2.1.2 Módulo de um Vetor


O módulo de um vetor u⃗ corresponde ao seu valor numérico que expressa o comprimento do
segmento de reta orientado. A ideia é encontrar uma equação geral para obter o módulo de
qualquer vetor, para isso, iremos trabalhar com vários triângulos no R3 (Figura 2) e a partir disso
chegar numa equação.

Figura 2: Módulo de um vetor


Ð→
Olhando para o ∆OGF, podemos aplicar um Pitágoras e obter o módulo do vetor OF :
Ð→
∣OF 2 ∣ = yu2 + zu2
Fazendo o mesmo procedimento para o ∆OFP, temos:

Página 2
Ð→ Ð→
u∣2 = ∣OF ∣2 + ∣F P ∣2
∣⃗
Ð→
Mas sabemos que ∣F P ∣2 é igual a x2u , então substituindo e tirando a raiz de ambos os lados,
ficamos com: √
u∣ = x2u + yu2 + zu2
∣⃗ (II)

2.2 Operações com Vetores


Da mesma forma que a partir de grandezas escalares somos capazes de realizar operações, é
claro que o mesmo se aplica para grandezas vetoriais, entretanto não podemos efetuar essas tais
operações da mesma maneira, tendo em vista que vetores possuem módulo, direção e sentido, e
são descritos a partir de coordenadas no espaço.

2.2.1 Soma Vetorial


1. Regra da Poligonal
Ð
→ Ð →
Supondo que temos dois vetores quaisquer A e B , e queremos efetuar esta soma vetorial. Para
Ð
→ Ð→
isto, devemos posicionar o vetor A de modo que coloquemos a origem do vetor B na extremidade
do primeiro vetor (Figura 3), dessa maneira, teremos um ângulo θ entre eles, e o vetor soma, seria
Ð
→ Ð
→ Ð→
a origem do vetor A até a extremidade do vetor B , que chamaremos de AB. Feito isto, observe
que temos uma figura geométrica em que conhecemos dois lados e um ângulo, portanto, podemos
aplicar a lei dos cossenos — constate a demonstração desta lei em Apêndices.

Ð→
Figura 3: Vetor posição AB obtido a partir da soma vetorial

Esta maneira de somar vetores também é chamada como “regra do paralelogramo”, pois se
tivermos dois vetores quaisquer w⃗ e p⃗ e encaixe a origem do vetor p⃗ na extremidade do vetor
w⃗ (Figura 4) e sabemos que um vetor pode ser transportado, desde que ele mantenha o seu
módulo, direção e sentido, assim ele será o mesmo vetor, portanto se transportamos os vetores w⃗
e p⃗ paralelamente, o vetor soma será construı́do com a sua origem em um ponto qualquer e sua
extremidade será do segundo vetor.

Página 3
Figura 4: Soma do vetor w⃗ + p⃗ através da regra do paralelogramo

2. Representação Geométrica

Imagine que Joãozinho queira sair do ponto A (Figura 5) e andar até o ponto B, depois até o
ponto C, isto é, queremos somar os vetores u⃗ e v⃗. Assim fica fácil, pois já sabemos encontrar o
vetor deslocamento a partir de suas coordenadas, então podemos fazer a diferença entre os pontos
B e A, e dos pontos C e B, e a partir disso, somar as suas coordenadas.

u⃗ = (xb − xa ; yb − ya )
v⃗ = (xc − xb ; yc − yb )

Agora, basta somar em função das componentes de cada coordenada:

u⃗ + v⃗ = (xc − xa ; yc − ya ) (III)

Figura 5: Soma do vetor u⃗ + v⃗

Página 4
2.2.2 Multiplicação por um escalar
Podemos definir um escalar como um número qualquer. Neste caso, multiplicaremos um escalar
α por um vetor u⃗, para isto, devemos claro, multiplicar todas as componentes das coordenadas do
vetor u⃗ pelo escalar α, isto é, em termos matemáticos:

w⃗ = α ⋅ u⃗ = (α ⋅ ux ; α ⋅ uy ; α ⋅ uz ) (IV)

2.2.3 Negativa de um vetor


O negativa de um vetor, consiste em multiplicar um vetor qualquer t⃗ por um escalar negativo
−β, então basta realizar o mesmo procedimento anterior. Ao fazer isso, você irá notar que o sentido
do vetor irá trocar, porque todas as componentes da coordenada, estará sendo multiplicada por
um escalar negativo.

2.2.4 Subtração Vetorial (Representação geométrica)

Dados dois vetores quaisquer k⃗ e d⃗ e queremos determinar a diferença entre esses dois vetores:
⃗ d),
(k− ⃗ basta pegar o primeiro pegar e fixá-lo e multiplicar o segundo vetor por −1, porque queremos
o vetor diferença, então a ideia seria multiplicar o mesmo por −1 e somar os dois vetores a partir
da regra do paralelogramo, isto é:

p⃗ = k⃗ + (−d)
⃗ (V)

2.2.5 Decomposição dos vetores em eixos


Suponha que temos um vetor qualquer v⃗ no espaço e que seja de alguma utilidade ter esse vetor
em função do eixo x ou y. Como podemos decompor este vetor? Simples, observe a Figura 6 e
note o ângulo θ que temos entre o vetor v⃗ e os eixos.

Figura 6: Decomposição vetorial

Página 5
A partir desta figura, podemos encontrar o vetor v⃗ no eixo x e y:
v⃗y
sinθ =
v⃗
v⃗x
cosθ =
v⃗

v⃗x = v⃗ ⋅ cos(θ) (VI)

v⃗y = v⃗ ⋅ sin(θ) (VII)


Mas supondo que seja importante encontrar o vetor resultante e temos apenas v⃗x e v⃗y , basta
notar que a na Figura 6, temos um triângulo retângulo, então aplicando o teorema de Pitágoras:

v 2 = vx2 + vy2 (VIII)

2.2.6 Vetores unitários (Versores)


Definimos um vetor unitário como um vetor de módulo 1 que aponta para uma dada direção.
Denotamos os vetores unitários da direção x, y e z, respectivamente como, î, ĵ e k̂.

Figura 7: Versores no R3

Os versores têm uma grande importância para a Fı́sica, pois nos permite escrever muitas
equações de maneira reduzida, observe no Apêndice, na dedução da aceleração centrı́peta, que eu
escrevi a decomposição do vetor posição r⃗ em x e y e a partir dos vetores unitários, eu consegui
reescrever aquelas duas equações em apenas uma, simplificando as contas.

Página 6
2.2.7 Produto Escalar
[Link] Método Algébrico

O produto escalar consiste no produto entre dois vetores que irá resultar um escalar (por isso
o nome produto escalar). Denotamos o produto escalar como:

⃗ ⋅ ⃗b = ⟨⃗
a a, ⃗b⟩
Para determinar o produto escalar, basta multiplicar cada componente da coordenada pela
outra e depois somar, isto é, trata-se de uma soma dos produtos das respectivas coordenadas de
cada vetor.

a, ⃗b⟩ = (xa ; ya ; za )(xb ; yb ; zb )


⟨⃗

a, ⃗b⟩ = xa ⋅ xb + ya ⋅ yb + za ⋅ zb
⟨⃗ (IX)
O produto escalar tem algumas consequências importante dessa sua definição, irei listar cada
uma delas, tente demonstrar cada uma delas.

u∣2
1. u⃗ ⋅ u⃗ = ∣⃗

2. u⃗ ⋅ w⃗ = w⃗ ⋅ u⃗

3. u⃗ ⋅ (⃗
v + w)
⃗ = u⃗ ⋅ v⃗ + u⃗ ⋅ w⃗

[Link] Método Geométrico

O produto escalar também possui uma interpretação geométrica, assim como a soma vetorial.
A versão geométrica do produto escalar é expressa como:

u⃗ ⋅ v⃗ = ∣⃗
u∣ ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)

Figura 8: Produto Escalar (Método Geométrico)

Ora pois! Temos acima a Figura 8, será que dará bom se aplicarmos uma lei dos cossenos ali?
Descobriremos a seguir:

Página 7
u − v⃗∣2 = ∣⃗
∣⃗ u∣2 + ∣⃗
v ∣2 − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
u − v⃗)(⃗
(⃗ u − v⃗) = u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ u⃗ ⋅ v⃗ = u⃗ ⋅ u⃗ + v⃗ ⋅ v⃗ − 2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
−2 ⋅ u⃗ ⋅ v⃗ = −2 ⋅ ∣⃗
u ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ)
Como sabemos pela propriedade 2, o produto escalar ele é comutativo, dividindo ambos os
lados por −2:
u⃗ ⋅ v⃗ = ∣⃗
u∣ ⋅ ∣⃗
v ∣ ⋅ cos(θ) (X)

2.2.8 Produto Vetorial


O produto vetorial, como o próprio nome sugere, corresponde ao produto entre dois vetores
que irá resultar outro vetor. A notação utilizada para expressar o produto vetorial é:

u⃗ × v⃗

Figura 9: Regra da mão direita - Produto Vetorial

A regra da mão direita é um bizu criado pelo engenheiro eletricista John Ambrose Fleming,
que nos aponta a direção e o sentido do produto vetorial, funciona da seguinte forma: você irá
com sua mão direita (obviamente kk) apontar o seu dedo indicador ao primeiro vetor e o dedo do
meio ao segundo (como indica a figura 9) e ao esticar o dedão, teremos a direção e o sentido do
produto vetorial.
O produto vetorial é dado por:
u × v⃗∣ = ∣⃗
∣⃗ u∣∣⃗
v ∣sin(θ) (XI)
Propriedades:

1. u⃗ × v⃗ = -(⃗
v × u⃗)

2. u⃗ × (⃗
v + w⃗ = u⃗ × v⃗ + u⃗ × w⃗

3. u⃗ × k⃗
v = (k ⋅ u⃗) × v⃗ = k ⋅ (⃗
u × v⃗)

Página 8
3. Cinemática Vetorial
Assim como a cinemática escalar que tem como objeto de estudo a descrição de corpos, sem se
preocupar com as causas que levaram ao movimento ou repouso, a dita cuja, cinemática vetorial,
considera o mesmo objetivo, entretanto, utiliza dos vetores para uma descrição mais abrangente.

3.1 Deslocamento Vetorial


Considere uma partı́cula que se move de maneira não uniforme (Figura 10 — imagem retirada
do livro “Tópicos de Fı́sica”), em que os pontos P1 e P2 corresponde ao vetor posição da particular
nos instantes t1 e t2 . O deslocamento vetorial corresponde aos segmentos d⃗ indicado na figura, esse
vetor é descrito como a diferença vetorial entre r⃗2 e r⃗1 .

Figura 10: Deslocamento Vetorial

O vetor posição é dado pela coordenadas:

r⃗ = xî + y ĵ + z k̂
∆⃗
r = (xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂
∆⃗
r = ∆xî + ∆y ĵ + ∆z k̂

Portanto, o deslocamento vetorial é dado por:

d⃗ = (xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂ (XII)

3.2 Velocidade vetorial média e instantânea


A definição matemática de velocidade vetorial média é:

d⃗ r⃗2 − r⃗1
v⃗m = = (XIII)
∆t t2 − t1

Página 9
Podemos reescrever essa velocidade em função dos vetores unitários, obtendo:

(xb − xa )î + (yb − ya )ĵ + (zb − za )k̂


v⃗ =
t2 − t1
Se comparamos os módulos da velocidade vetorial média e da velocidade escalar, notaremos
que o módulo da velocidade vetorial média será menor ou igual ao módulo da velocidade escalar,
porque se observamos na figura 10, a distância d⃗ é menor ou igual ao ∆S, já que a distância em
tracejado corresponde a variação do espaço, logo:

vm ∣ ≤ ∣vm ∣
∣⃗

Quando estivermos falando da velocidade de uma partı́cula em modo geral, ou seja, sua velo-
cidade em um dado instante, estamos falando da velocidade instantânea da partı́cula, nesse caso,
devemos considerar o limite de ∆t tendendo a zero, dessa forma, teremos:
d⃗
r
v⃗ =
dt

3.3 Aceleração vetorial média e instantânea


Tendo um corpo qualquer para análise, se sua velocidade varia de v1 para v2 durante um
intervalo de tempo ∆t, dizemos que este corpo possui aceleração. A definição matemática de
aceleração média é dada por:
v⃗2 − v⃗1 ∆⃗v
a
⃗m = = (XIV)
∆t ∆t
Quando consideramos ∆t tendendo a zero em relação a um certo instante, temos a aceleração
instantânea daquele corpo.
d⃗
v
a
⃗=
dt
Caso o módulo ou a orientação da velocidade do corpo em análise varia (ou se ambos variam),
a partı́cula possui uma aceleração. Nesse caso, podemos reescrever a equação acima em função
dos vetores unitários e obtemos:
d
a
⃗= (vx î + vy ĵ + vz k̂)
dt
dvx dvy dvz
= î + ĵ +
dt dt dt

3.4 Velocidade relativa, de arrastamento e resultante


Imagina a seguinte situação, temos um barco em um rio (Figura 11 - imagem retirada do livro
“Tópicos de Fı́sica”) e a este barco, temos uma velocidade relativa (⃗
vrel ) que seria o movimento
provocado pelo motor em relação à correnteza e a velocidade de arrastamento que é provocado
pela correnteza (⃗varr ).

Página 10
Figura 11: Velocidade Relativa

Como às duas velocidades possuem o mesmo sentido, então podemos simplesmente somar essas
velocidades, isto é:
v⃗res = v⃗rel + v⃗arr (XV)
Caso o barco estivesse navegando em sentido contrário ao da correnteza, deverı́amos subtrair
uma velocidade da outra.

4. Problemas
Problema 1. (Unicamp-SP) A figura abaixo representa um mapa da cidade de Vectoria o qual
indica o sentido das mãos do tráfego. Devido ao congestionamento, os veı́culos trafegam com a
velocidade média de 18 km/h. Cada quadra dessa cidade mede 200 m por 200 m (do centro de uma
rua ao centro da outra rua). Uma ambulância localizada em A precisa pegar um doente localizado
bem no meio da quadra em B, sem andar na contramão.

a) Qual é o menor intervalo de tempo gasto (em minutos) no percurso de A para B?


b) Qual é o módulo do vetor velocidade média (em km/h) entre os pontos A e B?

Problema 2. (Olimpı́ada Brasileira de Ciências - Primeira Fase) Uma partı́cula parte do ponto
A e percorre uma trajetória constituı́da de duas semicircunferências de raio R = 5,0m, atingindo
o ponto B. O intervalo de tempo transcorrido nesse percurso foi de 20s. Adote π = 3.

Página 11
A velocidade escalar média e o módulo da velocidade vetorial média no percurso AB são, respec-
tivamente, iguais a:
a) 0,75m/s e 0,75m/s
b) 1,0m/s e 0,75m/s
c) 1,0m/s e 1,5m/s
d) 1,5m/s e 1,0m/s
e) 1,5m/s e 1,5m/s

Problema 3. (Tópicos de Fı́sica) Uma balsa percorre o Rio Cuiabá de Porto Cercado a Porto
Jofre (Pantanal mato-grossense), gastando 9,0 h na descida e 18 h na subida. O motor da balsa
funciona sempre em regime de potência máxima, tal que a velocidade da embarcação em relação
às águas pode ser considerada constante. Admitindo que a velocidade das águas também seja
constante, responda: quanto tempo uma rolha, lançada na água em Porto Cercado e movida sob
a ação exclusiva da correnteza, gastará para chegar até Porto Jofre?

Problema 4. (UFBA) Um barco vai de Manaus até Urucu descendo um rio e, em seguida, retorna
à cidade de partida, conforme esquematizado na figura.

A velocidade da correnteza é constante e tem módulo vC em relação às margens. A velocidade


do barco em relação à água é constante e tem módulo vB . Desconsiderando-se o tempo gasto na
manobra para voltar, a velocidade escalar média do barco, em relação às margens, no trajeto total
de ida e volta tem módulo dado por:
VB + VC
a)
2
VB − VC
b)
2

Página 12

c) VB ⋅ VC
V 2 + VC2
d) B
VB
V − VC2
2
e) B
VB

Problema 5. (Renato Brito - Saraeva) Um barco a motor, que ia subindo um rio, encontrou uma
balsa que se movia no sentido da correnteza. Após uma hora do encontro, o motor do barco parou.
O conserto do motor durou 30 min e durante esse tempo o barco moveu-se livremente no sentido
da corrente. Depois do conserto, o barco começou a se mover na direção da corrente, seguindo rio
abaixo com a mesma velocidade relativa à água e encontrou a balsa a uma distância de 7,5 km em
relação ao primeiro encontro. Determine a velocidade da correnteza.

a) 5km/s
b) 4km/s
c) 3km/s
d) 2km/s
e) 6km/s

Problema 6. (Renato Brito) A figura mostra em escala a velocidade vetorial de dois navios A
e B que se movem com velocidade constante num oceano de águas paradas. Pede-se determinar
qual a menor distância entre os navios durante essa travessia, em km. Cada célula quadrada tem
lado 10 km.

Problema 7. (Renato Brito) No instante t = 0 s, uma canoa e uma lancha passam, respectiva-
mente, pelos pontos A e B da água de um lago, movendo-se com velocidades constantes Vc e VL
conforme mostra a figura. Determine qual será a mı́nima distância entre a canoa e a lancha e após
quanto tempo elas estarão em tal situação.
Dados: α = β = 60○ , Vc = 40km/h, VL = 80km/h, AB = 20km.

Página 13
Problema 8. (Renato Brito) Um rio de margens paralelas tem uma correnteza de velocidade 6
m/s. Um piloto de uma lancha desejando ir de uma margem à outra, orienta o eixo do navio
perpendicularmente às margens do rio e segue viagem, com o seu velocı́metro indicando uma
velocidade de 8 m/s. Se a distância de uma margem a outra é de 24 m, calcule:

a) a rapidez da lancha em relação às margens do rio;


b) o intervalo de tempo da travessia;
c) a distância percorrida pela lancha; e
d) o deslocamento da lancha, rio abaixo.

Página 14
5. Gabarito
Problema 1. a) 3,0 minutos.
b) 10 km/h.

Problema 2. Letra D.

Problema 3. 36 horas.

Problema 4. Letra e.

Problema 5. Letra c.

Problema 6. Dmin = 96km

Problema 7. Dmin = 10Km e ∆t = 15min

Problema 8. a) v = 10m/s
b) t = 3 segundos
c) dy = 30 metros
d) dx = 18 metros

Página 15
6. Apêndice
6.1 Dedução da Lei dos Cossenos
A lei dos cossenos no diz que em um triângulo qualquer (Figura 12), se tivermos dois lados e
um ângulo entre eles, somos capazes de determinar o terceiro lado utilizando a seguinte equação:
c2 = a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ)

Figura 12: Triângulo

Nossa missão é a partir deste triângulo encontrar a ralação apresentada acima.


Perceba que temos um triângulo maior ∆ABC, que a partir de sua altura h deste triângulo,
conseguimos dividi-lo em outros dois triângulos menores ∆ACD e ∆BCD. Então utilizando as
relações trigonométricas nos triângulos, temos:
m
1. cos(γ) = ⇒ m = b ⋅ cos(γ);
b
2. n = a − m ⇒ n = a − b ⋅ cos(γ);
h
3. sin(γ) = ⇒ h = b ⋅ sin(γ); e
b
4. c2 = n2 + h2 .
Mas sabemos que:
n2 = (a − b ⋅ cos(γ))2 e que h2 = b2 ⋅ sin(γ)
Logo:
c2 = a2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ) + b2 ⋅ cos2 (γ)2 + b2 ⋅ sin2 (γ)
c2 = b2 ⋅ (cos2 (γ) + sin2 (γ) + a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ)
Pela relação fundamental de trigonometria: cos2 (γ) + sin2 (γ) = 1, obtemos:

c2 = a2 + b2 − 2 ⋅ a ⋅ b ⋅ cos(γ) (XVI)

Página 16
6.2 Dedução da Lei dos Senos
A lei dos senos é uma ferramenta muito poderosa que relaciona diferentes lados, com diferentes
ângulos. Esta lei é expressa da seguinte forma:

a b c
= = (XVII)
sin(α) sin(β) sin(γ)

Nosso objetivo é chegar na equação apresentada acima, a partir de um triângulo qualquer


(Figura 13). Para isto, devemos relacionar os ângulos β e γ com os seus lados a partir das relações
trigonométricas.

Figura 13: Triângulo 02

h
1. sin(γ) = ⇒ h = b ⋅ sin(γ)
b
h
2. sin(β) = ⇒ h = c ⋅ sin(β)
c
Então percebe-se que a partir dessas relações, chegamos que:

b ⋅ sin(γ) = c ⋅ sin(β)

Logo, manipulando a expressão, conseguimos obter que:


b c
=
sin(β) sin(γ)
a
Para provar que toda aquela expressão é igual a , basta traçar uma altura relativa ao
sin(α)
ponto B e realizar os mesmos procedimentos. Demonstre isso!

6.3 Dedução da Aceleração Centrı́peta


Em primeiro lugar, devemos saber a diferença entre a aceleração tangencial e centrı́peta. Na
verdade, sabemos que a aceleração é um vetor e pode ser quebrado numa soma entre a aceleração
tangencial e centrı́peta, isto é: a
⃗=a
⃗cp + a
⃗t

Página 17
A aceleração tangencial é responsável pela variação do módulo do vetor velocidade. Por outro
lado, a aceleração centrı́peta é responsável pela variação da direção do vetor velocidade, sendo a
responsável pelo corpo fazer curvas.
Imagine que em uma circunferência de raio r, tenhamos um corpo no ponto A e começa a se
mover e chega até o ponto B (Figura 14).

Figura 14: Circunferência de raio r

Pela definição da circunferência, temos que a distância do centro até o ponto B é o vetor raio,
que podemos decompor em:
r⃗x = r⃗ ⋅ cos(α)
r⃗y = r⃗ ⋅ sin(α)
Além disso, podemos a partir dos versores unitários, unir essas duas equações apresentadas, em
apenas uma:
r⃗ = r ⋅ cos(α)î + r ⋅ sin(α)ĵ
Se derivarmos o vetor posição em relação ao tempo, temos:
d⃗
r d(α) d(α)
v⃗ = = −r ⋅ sin(α) ⋅ î + r ⋅ cos(α) ⋅ ĵ
dt dt dt
d(α)
Mas sabemos que = ω, portanto, se substituirmos, temos:
dt
v⃗ = −ω ⋅ r ⋅ sin(α)î + ω ⋅ r ⋅ cos(α)ĵ

A expressão que acabamos de encontrar nos permite encontrar a velocidade em qualquer ponto
π π π
da trajetória, supondo que α seja , temos que cos ( ) = 0 e sin ( ) = 1, ora pois, então o corpo
2 2 2
estará a 90° no sentido do ponto A, com uma velocidade igual a −ω ⋅ r.
Nesse caso, derivamos o vetor posição uma vez e encontramos a velocidade, entretanto, estamos
em busca da aceleração, para isto, basta derivar novamente em função do tempo.
d⃗
v
a
⃗= = −ω 2 ⋅ r ⋅ cos(α)î − ω 2 ⋅ r ⋅ sin(α)ĵ
dt

Página 18
Na equação de cima efetuei tudo direto, mas, na verdade, como ω ⋅ r é uma constante, então ele
irá sair da derivada e teremos apenas a derivada em relação ao sin(α) que é cos(α) e como estamos
derivando em relação ao tempo, devemos multiplicar pela derivada do argumento em relação ao
tempo, por isso temos um ω 2 .
Podemos fatorar a equação encontrada e deixar em função do −ω 2 , ou seja,

⃗ = −ω 2 ⋅ (⃗
a r ⋅ cos(α)î + r ⋅ sin(α)ĵ)

Percebeu algo curioso? Justamente o que temos no argumento, é o vetor posição que demons-
tramos anteriormente, logo podemos escrever esta equação em função dele:

⃗ = −ω 2 ⋅ r⃗
a
Como nesse caso, não temos a aceleração tangencial, acabamos de demonstrar a aceleração
centrı́peta, basta tirar o módulo de ambos os lados e lembrar que v = ω ⋅ r, então, podemos concluir
que:
v2
acp = (XVIII)
r

Página 19
Lei da Gravitação Universal
Breno de Carvalho - Projeto Olímpicos

Esse material é um dos três sobre gravitação, logo é importante que não os consuma de forma
separada. Às vezes algum conceito pode estar mais bem aprofundado em outro do que aqui, por
exemplo. Desfrute!

1. Introdução
O conceito de gravidade foi muito debatido na história e sofreu diversas alterações ao longo
dela. Ao olhar para o céu, a filósofa Hipátia questionou-se sobre o porquê das estrelas não caírem
dos céus assim como as frutas caem das árvores. Galileu mostrou que corpos em queda livre caem
com uma aceleração constante (não é exatamente constante, mas isso é assunto para um outro
momento). Por outro lado, Kepler acreditava na existência de alguma propriedade magnética que
faria os corpos permanecerem em órbitas.
Newton, com seus estudos direcionados à Dinâmica, descreveu a existência de uma força gra-
vitacional e a denotou matematicamente, conseguindo explicar os efeitos da gravidade. Mas você
percebe que ainda falta alguma coisa? Essa tal coisa foi respondida por Einstein, que explica de
fato o que é a gravidade e como ela se origina; complementando os estudos do cientista inglês.
Todavia, foquemos na Lei da Gravitação Universal de Newton.

2. A 4ª Lei de Newton
2.1 Contextualizando...
Na epidemia da Grande Peste em Londres, que ocorreu entre 1665 e 1666, um menino de 23
anos, quarentenado e curioso sobre o porquê das coisas caírem, formulou uma teoria universal
que mudou o mundo desde então. Isaac Newton era seu nome. E além de fazer isso, comprovou
matematicamente o que Kepler fez empiricamente, mas isso é conteúdo para esse material. O cara
era foda, você verá! Agora, acompanharemos um raciocínio próximo do que o físico inglês teve.

2.2 Dedução
Partindo para o conteúdo, você viu nesse material que Newton introduziu o conceito de forças
no campo científico, mas de uma maneira predominante generalizada. Aqui veremos essa aplicação,
resumidamente falando, para a gravidade (por isso, chamei-a de 4ª Lei). Mas o que é gravidade?
Newton não definiu ao certo o que é, mas estudou alguns de seus efeitos e conseguiu denotar uma
lei que é regida por ela.

Página 1
Em primeiro momento, consideremos uma órbita circular. Essa, tem características de um
movimento circular (é mesmo, é?). Foi também visto no material de Movimento Circular que a
mv 2
resultante centrípeta é dada por Fc = . Observe a figura abaixo, nela há um esquema da
r
órbita circular da Terra ao redor do Sol.

2πr
Sabendo que v = e pela lei harmônica, T 2 = kr3 :
T
4π 2 r2 4π 2 mv 2 4π 2 m
v2 = ⇒ v 2
= ; F = ⇒ F =
T2 kr r kr2
m
Assim, F ∝ . Além disso, sabemos pela terceira lei de Newton que o planeta exerce uma
r2
M
força igual e contrária sobre o Sol, logo, essa força centrípeta F é tal que, F ∝ 2 .
r
Mm
Essa força depende de m, M e r . Podemos expressar isso dessa forma: F ∝ 2 . E essa
2
r
constante de proporcionalidade é o que chamamos de G, ficando assim então:
GM m
F =
r2

3. Órbitas
Podemos definir órbita como sendo o movimento que um astro faz ao redor de outro (de forma
geral). E dependendo da velocidade em que esse corpo orbita, ele pode assumir diferentes tipos de
órbitas! Sim! Entretanto, antes disso tudo, vejamos algumas propriedades fundamentais delas.

3.1 Conservação do momento angular e da energia total


O momento angular L ~ é definido pelo produto vetorial entre o vetor momento linear e o vetor
raio: L
~ = ~r × p~, com módulo L = mrv · sen θ, onde θ é o ângulo entre os vetores ~r e p~. Além disso,

Página 2
o torque ~τ é a taxa de variação temporal do momento angular, quase como um análogo rotacional
da força (que é a variação temporal do momento linear), logo,

~
dL
~τ = = ~r × F~ ⇒ τ = F · r · senθ
dt
A figura abaixo representa vetorialmente essa situação em uma órbita.

Como θ = 180◦ , temos:


τ = F · r · sen180◦ ⇒ τ = 0
Assim, vemos que não há torque. Mas o que é torque mesmo? É a variação temporal do
momento angular. Percebe? Se não há torque, não há variação do momento angular! Concluindo,
ele se conserva.

E como a energia se comporta? Idealmente, sabemos que o sistema formado pelos astros de
interesse (no caso acima, um planeta e o Sol) é isolado, ou seja, sua energia se conserva. Agora, se
um asteroide viesse na direção do nosso sistema e colidisse com um dos astros, é evidente que esse
asteroide atua como uma força externa, mudando portanto a energia do sistema original (parte da
energia seria convertida em calor, que faz parte do nosso sistema). Note também que, caso o nosso
sistema incluísse o asteroide, sua energia se conservaria, uma vez que interações entre o asteroide
e os outros astros seriam internas.

3.2 Órbitas circulares


Esse é o tipo de órbita que se acreditou ser universal por muito tempo em nossa história. Muitos
foram presos, escravizados, torturados e até mortos por questionarem tal tipo, que leva em conta
a “perfeição” do criador, que é o círculo. A circunferência é de fato uma figura interessante, é dela
que surge uma das constantes mais importantes da história, o π. Todavia, atualmente sabemos
que grande parte das órbitas são elípticas, parabólicas ou hiperbólicas; é impossível encontrar uma
órbita perfeitamente circular, mas a utilizamos para fazer aproximações. Isso demorou bastante
para ser concretizado e aceito na sociedade; na verdade até hoje a ciência é bastante banalizada
(um salve pros terraplanistas!). Prosseguindo, todas as referências que farei nesse subtópico será
em relação à figura abaixo.

Página 3
Figura 1: Órbita Circular

GM m
Foi visto acima que a força de atração gravitacional é denotada por F = . Também foi
r2
mv 2
visto que a resultante centrípeta é dada por Fc = .
r
Assim: r
mv 2 GM m GM
= 2
⇒v=
r r r
Essa é a velocidade orbital de um corpo numa órbita circular. Ademais, sabe-se que a energia
total de um sistema (energia mecânica) é dada por E = K + U , sendo K a energia cinética e
GM m
U a potencial. Nesse caso, a potencial é a gravitacional, dada por − (isso vem da lei da
r
gravitação universal e da definição da energia potencial associada à uma força).
Sabendo dessa definição,
mv 2 GM m
E =K +U = −
2 r
Sendo v a velocidade orbital em uma órbita circular,
GM m GM m
E= −
2r r

GM m 2GM m
E= −
2r 2r
Dessa forma,
GM m
E=−
2r
Há uma relação entre K e U, que na órbita circular é mais trivial de deduzir:
mv 2
K 2 v2r GM r 1
= =− =− =−
U GM m 2GM 2GM r 2

r
Portanto,
U = −2K

Página 4
3.3 Órbitas elípticas
Caso Hipátia de Alexandria, no século V, não tivesse sido morta, esquartejada e queimada,
provavelmente seria ela que apresentaria pela primeira vez na história um modelo de órbitas elíp-
ticas; já que ela contribuiu muito no estudo de cônicas. Mas como isso não aconteceu, só no século
XVII, Johannes Kepler, empiricamente, chegou a essa conclusão através de sua parceria com Tycho
Brahe, o astrônomo dinamarquês. Uma órbita elíptica tem como base uma elipse (nem sabia!), e
ela apresenta algumas propriedades interessantes que serão aprofundadas no apêndice. Por ora,
analise a imagem abaixo.

Figura 2: Órbita Elíptica

Não se assuste com o θ! Nós o chamamos de anomalia verdadeira, mas não se preocupe com
ele agora.

Uma forma de calcular a energia orbital desse tipo de órbita, é comparar as energias em
diferentes momentos. Como assim? Sabe-se que a energia mecânica conservada nas órbitas. Então
se pegarmos a energia mecânica em um determinado ponto, pegarmos a energia mecânica em
outro ponto e depois as comparar, serão iguais. Mas... que pontos podem ser esses? Qualquer
um? Bom, não é recomendável você escolher qualquer um, já que você não tem informações de
forma generalizada para qualquer ponto (pelo menos até esse momento). Então, vamos prosseguir.
Como você verá, para a Terra (nossa cobaia) a distância ao afélio e ao periélio são dedutíveis
trivialmente. Então usaremos essas posições como referência. Se liga na malandragem!
A energia total é descrita por:
E =K +U

mv 2 GM m
E= −
2 r
Para o periélio:
mvp2 GM m
Ep = −
2 rp

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Do momento angular, temos que L = mrv · senθ. Como está no periastro, note que θ = 90◦ . Logo,
senθ = 1 (o mesmo vale para o afélio). Continuando, se elevarmos ao quadrado: L2 = m2 r2 v 2 .
L2
Reorganizando, v 2 = 2 2 .
mv
m L2p GM m
Ep = · 2 2−
2 m rp rp

GM m m L2p
Ep + = ·
rp 2 m2 rp2

2mrp2 Ep + 2GM m2 rp = L2p


Fazendo isso para o afélio: 2mra2 Ea + 2GM m2 ra = L2a

Como o momento angular também se conserva, podemos igualar as duas equações:


2mrp2 Ep + 2GM mrp = 2mra2 Ea + 2GM m2 ra

rp2 Ep + GM mrp = ra2 Ea + GM mra

rp2 Ep − ra2 Ea = GM mra − GM mrp


Como as energias se conservam, são iguais:

rp2 E − ra2 E = GM mra − GM mrp

E(rp2 − ra2 ) = GM m(ra − rp )

E(rp − ra )(rp + ra ) = −GM m(rp − ra )

E(rp + ra ) = −GM m

E · 2a = −GM m

GM m
E=−
2a
No material referente às Leis de Kepler, você verá que numa órbita elíptica as velocidades
orbitais variam. Mas, por quê? Isso acontece porque ora o corpo orbitante se afasta da massa
central, ora se aproxima. Agora que sabemos a energia total, pode-se calcular a velocidade orbital
em um ponto qualquer.
s
mv 2
 
GM m GM m 2 1
E =K +U ⇒K =E−U ⇒ =− + ⇒ v = GM −
2 2a r r a
Essa é a equação Vis Visa. Perceba a dependência ao r, que é a distância do corpo que orbita
à massa central. Isso concretiza o que foi dito no parágrafo anterior.

Página 6
3.4 Velocidade de escape
Ok, já vimos sobre as velocidades que se resultam através da força gravitacional. Mas e se
quisermos, literalmente, tirar um corpo da atração gerada pela massa central? Ou melhor, que
velocidade deve ser alcançada para que isso aconteça?
Imediatamente antes do corpo escapar de fato, ele tem uma velocidade inicial (que é a própria
velocidade de escape). Qual seria sua velocidade final, bem lá no infinito? Isso mesmo! Um
zero bem redondo, ou bem elíptico (ba dum tss). Ou seja, o corpo chegará em uma distância
arbitrariamente grande com uma velocidade não negativa, satisfazendo a nossa condição de escape!
Ele não sofrerá mais quaisquer interferências da massa que estava o prendendo. Na energia total,
temos o quê? A soma da energia cinética e da potencial. Como a velocidade final é 0, K = 0.
Como ele está muito longe da massa M e a energia potencial cai com a distância, temos que U = 0.
Nesse instante, o corpo, mais uma vez dizendo, já não sofre mais quaisquer interferências da massa
que estava o prendendo! Portanto:
E =K +U ⇒E =0
Como as energias totais se conservam, a energia total inicial (composta pela energia cinética
inicial e a energia potencial gravitacional inicial) deve ser igual à energia total final.
r
mv 2 GM m mv 2 GM m 2GM
Ei = Ef ⇒ − =0⇒ = ⇒ ve =
2 r 2 r r

3.5 Órbitas parabólicas


Órbitas parabólicas são a “transição” entre as órbitas elípticas, que possuem energia total
negativa, e as hiperbólicas, que possuem energia total positiva. Assim, vemos que a energia total
da órbita parabólica é nula... isso provavelmente te lembra algo - é a mesma energia da órbita
de escape! Perceba a sutil transição, o corpo estava em uma órbita elíptica, com energia total
negativa. Conforme sua energia total for aumentando, a elipse ficará cada vez mais “aberta” (ou
seja, com um grande semieixo maior), eventualmente ficando nula, que é a situação de escape E
a configuração de uma órbita parabólica. Vale ressaltar que foi Newton que a demonstrou ser
possível. Atente-se ao esquema abaixo:

Figura 3: Órbita Parabólica

Página 7
Como demonstrado acima, a velocidade orbital em uma órbita parabólica será a velocidade de
escape a uma determinada distância da massa central!
r
2GM
ve =
r

4. Bônus: Período Sinódico


O período sinódico está relacionado a configurações, isto é, posições específicas. Por exemplo,
vamos calcular quanto tempo leva para uma Lua Cheia ir a outra Lua Cheia, em sequência. O
esquema abaixo representa essa situação, com a Terra e a Lua girando no sentido anti-horário.


A velocidade angular que a Lua orbita a Terra é ωL = , já a velocidade angular que a Terra
TL

orbita o Sol é ωT = , sendo TL e TT , os períodos orbitais da Lua e Terra, respectivamente.
TT
Perceba que a Lua variou 2π + φ em um determinado tempo. Esse, chamaremos de período
sinódico, S. Perceba também que a Terra variou φ nesse mesmo tempo S. Portanto,
2π 2π + φ 2π φ
ωL = = ; ωT = =
TL S TT S
2π + φ 2π 2π 2π 1 1 1
ωL = ⇒ = + ⇒ = −
S TB S TT S TL TT
Sabendo que o período orbital da Terra é de aproximadamente 365 dias, e que o período orbital
da Lua é de aproximadamente 27 dias:
1 1 1
= − ⇒ S ≈ 29 dias
S 27 365
Mas esse foi um caso específico para a Lua. E se quisermos calcular o período sinódico entre
configurações planetárias? Analise a imagem a seguir e deduza:

Página 8
Hmmm, e se a translação for retrógrada? Ou seja, e se os planetas translacionarem em direções
opostas? Como ficaria o período sinódico? Deduz aí que eu tô com preguiça!
Esse é um bizu bastante cobrado em olimpíadas de astronomia, principalmente nas seletivas.
Nesse sentido, é bom você o dominar! :)

5. Problemas
Problema 1. (IOAA 2012) Calcule a razão entre a densidade média da Terra e do Sol, usando
apenas os dados abaixo:

• O diâmetro angular do Sol, visto da Terra, como 30’


• aceleração gravitacional na superfície da Terra sendo 9,81 m/s2
• a duração do ano
• um grau na latitude da superfície da Terra corresponde a 111 km.

Problema 2. Vreno leu em seu livro o seguinte parágrafo: “O período sideral é definido como o
tempo que um astro demora para voltar a mesma configuração com respeito às estrelas distantes.
Por outro lado, o período sinódico é o intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas de
um astro na mesma posição com relação a um ponto de observação, que não precisa estar parado.”
Com a curiosidade de uma criança, Vreno foi calcular o valor do período sinódico de Ganimedes
com relação a Júpiter. Sabendo que o período sideral de Ganimedes é 7,1546 dias, que Júpiter
completa uma volta ao redor do Sol a cada 12 anos e que ambas as órbitas são percorridas no
mesmo sentido, qual foi o resultado encontrado por Vreno? (Note: 1 ano = 365,25 dias)
a) 7,1663 dias
b) 7,1739 dias
c) 7,1429 dias

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d) 7,2025 dias

Problema 3. (Seletiva de Astronomia) Considere dois astros A e B de massas mA e mB , onde


mA = 2mB , em órbitas circulares em torno de uma estrela E. Sabe-se que, em relação à estrela
E, o período orbital de A é duas vezes menor que de B. Assinale a alternativa que mostra o valor
da razão entre a força gravitacional entre a estrela E e o astro A, FA , e a força gravitacional entre
a estrela E e o astro B, FB .

a) 4 3 2

b) 3 2
1
c) √3
2
1
d) √
432

Problema 4. (Seletiva de Astronomia) Em sua máxima aproximação ao Sol, o módulo da energia


potencial gravitacional de um cometa é menor que o módulo da sua energia cinética. Podemos
afirmar que a órbita deste cometa em torno do Sol é:
a) Elíptica, pois a energia mecânica é maior que zero.
b) Elíptica, pois a energia mecânica é menor que zero.
c) Parabólica, pois a energia mecânica é sempre igual a zero.
d) Hiperbólica, pois a energia mecânica é maior que zero.

Problema 5. (Seletiva de Astronomia) Do mesmo jeito que a Terra possui um satélite natural
(a Lua) e Júpiter possui mais de 60, os asteroides também podem ter satélites naturais. Em 1993
foi descoberto o primeiro asteroide que possui sua própria lua. Esta lua, de pouco mais de 1
quilômetro de diâmetro, ganhou o nome de Dactyl, e ela é o satélite natural do asteroide 243 Ida,
que habita o Cinturão de Asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Considere um asteroide,
de massa M = 8,40 · 1016 kg que possui um satélite natural, de massa m = 3,90 · 1012 kg, que orbita
este asteroide a uma distância média de 200 km. Qual será, aproximadamente, o período orbital
P de rotação do satélite em torno do asteroide?

Problema 6. (IOAA 2009) Estime o raio de um planeta no qual uma pessoa pode escapar de
sua gravidade pulando verticalmente. Assuma que a densidade do planeta e da Terra são iguais.
Dado: ρT = 5515 kg/m3 .

Problema 7. (IOAA 2011) Estime a quantidade de estrelas em um aglomerado globular de um


diâmetro de 40 parsecs, sabendo que velocidade de escape na periferia do aglomerado é 6 km/s e
que todas as estrelas são similares ao Sol. Dado: 1 parsec = 3,0856 · 1016 m e MSol = 1,99 · 1030
kg.

Página 10
6. Gabarito
De preferência, não olhe aqui até tentar bastante resolver os problemas propostos acima! Tô
de olho, hein!
ρT
Problema 1. = 3,23
ρS

Problema 2. a) 7,1663 dias


Problema 3. a) 4 3 2

Problema 4. d) Hiperbólica, pois a energia mecânica é maior que zero

Problema 5. 2,75 dias

Problema 6. R ≈ 2 km

Problema 7. Aproximadamente 80000 estrelas

Página 11
Leis de Kepler
Jan Bojan Ratier - Projeto Olímpicos

Introdução
Todos nós aprendemos na escola que o sistema solar é composto pelo Sol, 8 planetas (Plutão
estará para sempre em nossos corações ) e mais alguns corpos que não vem ao caso. Mas, sabendo
que esses objetos se movem, você já se perguntou como eles fazem isso? Pois é, foi exatamente
isso que o matemático alemão Johannes Kepler (1571 - 1630) se perguntou e é exatamente isso
que veremos hoje.

História das leis de Kepler


Caso você esteja com pressa pode pular essa parte a vontade :D (deu um trabalhão pra fazer
pula não pfvr)
– Tycho Brahe
Antes de falarmos do Kepler propriamente dito, temos que passar um pouco pela vida do
dinamarquês Tycho Brahe (1546−1601). Esse sujeito foi um grande observador do céu, que decidiu
fazer o que fez após perceber que os dados de posição dos planetas da época não eram nada precisos
quando as previsões de uma grande aproximação de Júpiter e Saturno no céu estavam errados em
quase um mês! Percebendo o potencial de Tycho, o rei da Dinamarca Frederico II ofereceu uma
ilha e dinheiro para que Tycho construísse um observatório para realizar suas observações. Feliz da
vida, Tycho ficou rico e passou a vida alegremente olhando os astros em seu castelo na Dinamarca.
Infelizmente, isso não aconteceu. Após a morte do rei Frederico II, em 1588, o seu sucessor
expulsou o pobre Tycho da Dinamarca porque não gostava do sujeito. Felizmente, nosso amigo
Tycho foi convidado pelo imperador da Boêmia a ser astrônomo da corte do imperador. Contente
com seu novo cargo mas preocupado com a utilidade de seus dados, o Dinamarquês contratou o
nosso outro amigo, Johannes Kepler, habilidoso matemático alemão que faria o tratamento dos
dados obtidos por Tycho. Um ano depois dessa contratação, Tycho veio a falecer e Kepler herdou
os dados obtidos e pode realizar a descoberta dessas novas leis que mudaram a astronomia.

– Johannes Kepler
Munido dos dados “precisos” de Tycho, Kepler sentou a bunda na cadeira e começou a se di-
vertir no mundo dos números. Como o sistema Geocentrista não se ajustava muito bem nos dados
obtidos, Kepler, que conhecera a teoria Heliocêntrica anteriormente, tentou ajustar os dados para
órbitas circulares ao redor do sol. Com a Terra esse sistema conseguiu se ajustar bem, mas com
um detalhe: o Sol não estava no centro do círculo. Após traçar a órbita terrestre, o Alemão tentou
traçar a órbita de Marte, que era o planeta em que se observava a maior quantidade de dados.

Página 1
Porém, após anos de muitas tentativas, Kepler percebeu que o círculo não se ajustava para a ór-
bita do planeta vermelho e, após muitos outros anos, tentou traçar o caminho com uma elipse e,
para a surpresa e felicidade de nosso amiguinho, funcionou perfeitamente bem! Percebendo o que
aconteceu com Marte, Kepler entendeu o porquê do sol não estar no centro da órbita terrestre.
Isso porque a órbita terrestre não era um círculo, mas sim uma elipse com excentricidade muito
próxima de 0, como veremos adiante.
Após essa descoberta, Kepler, munido de princípios e teoremas matemáticos, passou um bom
tempo estudando esses movimentos, formulando as famosas 3 leis que levam o seu nome e trazendo
inúmeras contribuições à astronomia.

Agora chega dessa baboseira e vamos para a matemática que o nosso amigo Kepler desenvolveu :D

Elementos da elipse
Antes de falarmos das leis de Kepler, temos que dar uma passadinha em alguns elementos da
elipse, prometo que essa é a última coisa antes das leis!
Uma elipse é um “círculo esticadinho” em que notamos a existência de dois eixos principais: o
eixo maior e o eixo menor. O eixo maior é a maior distância entre dois pontos da elipse que passa
pelo centro dela. O eixo menor é a mesma coisa porém sendo a menor distância. Um semi-eixo
maior é metade do eixo maior e é representado pela letra “a”. Um semi-eixo menor é metade do
eixo menor e é representado pela letra “b”.
No semi-eixo maior notamos a existência de dois pontos importantes: os focos. A posição dos
focos define o quão “esticadinha” será a elipse.
Outro segmento de reta importante é o que chamamos de “c”. Esse segmento é a distância entre
um dos focos até o centro da elipse.

Veja esses elementos na imagem a seguir:

Desses elementos podemos definir uma propriedade muito interessante chamada de excentrici-
dade. A excentricidade de uma elipse é definida como:
c
e=
a

Página 2
A excentricidade de uma elipse está sempre entre 0 e 1, mas ela não é restrita a esse intervalo.
Uma cônica de excentricidade 0 é um círculo, uma elipse está entre 0 e 1, uma parábola tem
excentricidade 1 e uma hipérbole tem excentricidade maior que 1.
Outra coisa que é bastante útil é saber calcular a área de uma elipse. Ela é dada por Aelipse = πab

Isso que tratamos aqui foi apenas o básico para a compreensão das Leis de Kepler a seguir.
Caso esteja interessado em saber mais sobre esse mundo incrível das cônicas, aqui está uma aula
maravilhosa do nosso amigo Otávio que nos mostra muito mais sobre essas fascinantes formas e
suas propriedades! Não deixe de voltar aqui quando terminar a leitura dessa aula se não o bicho
papão não vai ter dó de você! Cônicas e Órbitas

1. Primeira lei de Kepler


Como visto por Kepler após seus anos de ajuste às órbitas dos planetas, estes corpos não
descrevem órbitas circulares, mas sim elípticas com o sol em um dos seus focos!
Dito isso podemos definir dois pontos importantes em uma órbita elíptica: o apoastro e o
periastro (ou afélio e periélio no caso do sol ocupar o foco ou apogeu e perigeu no caso da Terra
ocupar o foco). O afélio é o ponto mais afastado do sol e o periélio é o ponto mais próximo do sol
na trajetória elíptica.

Página 3
Se quisermos calcular a distância do planeta ao sol em um determinado momento podemos
usar essa fórmula aqui:
a(1 − e2 )
r=
1 + ecosθ
Caso queira saber de onde essa fórmula vem, dê uma olhadinha nessa aula aqui: Cônicas e
Órbitas

Um ponto que devemos prestar atenção é o de que a órbita dos planetas são elipses de bai-
xíssima excentricidade (na maioria dos casos), o que significa que elas mais se parecem com um
círculo do que com uma elipse, mas não se engane! Elas são ELIPSES. Caso queira saber mais
sobre esse assunto, aqui está um artigo do Coordenador da OBA, João Batista Garcia Canalle, a
respeito de uma questão da OBA que gerou polêmica entre os professores e alunos: O Problema
do Ensino da Órbita da Terra.
Outro ponto importante é que essa lei rege o movimento dos planetas, porém um corpo pode
ter outros formatos de órbita se tiver uma determinada distância e velocidade de um objeto com
determinada massa. Além da elipse então, podemos ter órbitas circulares, parabólicas e hiperbó-
licas. Perceba então, que a órbita de algum objeto em torno de algo é uma cônica!

Para:

• e = 0: a órbita é um círculo.

• 0 < e < 1: a órbita é uma elipse.

• e = 1: a órbita é uma parábola.

• e > 1: a órbita é uma hipérbole.

Uma órbita circular ou elíptica é chamada de órbita fechada e uma órbita parabólica ou hiperbólica
é chamada de órbita aberta.

Caso deseje saber mais sobre a energia e a velocidade em diferentes tipos de órbitas, aqui está
novamente a recomendação da aula do Otávio sobre Cônicas e Órbitas!

2. Segunda lei de Kepler


A Segunda lei de Kepler, ou lei das Áreas nos diz que uma reta ligando o planeta até o sol
percorre áreas iguais em tempos iguais, ou seja, a velocidade AREAL (ou areolar) do planeta é
constante! Esse princípio é muito útil para descobrirmos períodos de tempo de alguma parte do
trajeto
Uma das consequências desta lei é a de que a velocidade, em uma órbita elíptica, não é cons-
tante, ela aumenta quanto mais próximo do foco principal (onde se localiza o sol) e diminui quanto
mais longe do sol.

Traduzindo matematicamente temos o seguinte:


A1 A2 dA
= = = Vareal = constante
t1 t2 dt

Página 4
Podemos deduzir essa lei a partir de uma aproximação sagaz:

Quando dt é muito pequeno, podemos aproximar essa figura para um triângulo com altura ~r e
base d~x = ~v · dt, com isso, temos que a área dA desse triângulo é equivalente a:

|~r × ~v |
dA = dt
2
dA 1
= · |~r × ~v |
dt 2
m
Multiplicando o segundo membro por temos:
m
dA 1
= · m · |~r × ~v |
dt 2m
Como o momento angular L do corpo é dado por m · |~r × ~v |, então temos:

dA L
=
dt 2m
Como o momento angular de um corpo é constante e sua massa também é, chegamos a conclusão
dA
que também é constante, do jeito que queríamos chegar.
dt
“Mas pera aí” - você pode se perguntar, “por que esse tal de momento angular é constante?”, e essa
é uma ótima pergunta!

A resposta para esse questionamento é bem simples na verdade. A questão é que temos que levar
em consideração uma coisinha chamada torque. O torque é, por definição, a variação do momento

Página 5
angular com o tempo! E, numa órbita, o torque é 0. Isso porque o torque T de uma órbita é
igual à T~ = F~ × ~r que, por produto vetorial é igual à T~ = n̂ · F · r · senθ. Como a única força
significativa que age sob um planeta é a da gravidade, o vetor F~ e o vetor ~r fazem um ângulo de
180 graus entre eles e, como o seno de 180 é 0 então o torque é 0 também! E se o torque é 0, então
o momento angular não varia com o tempo e, se ele não varia, ele é constante!

Figura 1: O vetor F~ e ~r fazem 180 graus entre si

dA L
Algo que é importante de citar é que a fórmula = que encontramos é bastante útil!
dt 2m
Com ela é possível descobrir a área percorrida por um intervalo de tempo ou o contrário!

3. Terceira lei de Kepler


A Terceira lei de Kepler é uma das mais úteis de todas, com ela podemos descobrir muitas
propriedades de um corpo orbitante! Essa lei descreve que a razão entre o quadrado do período
com o cubo do semieixo maior da órbita é sempre constante para um determinado sistema de
objetos orbitantes, ou seja:
P2
=k
a3

Esse k varia de sistema para sistema, variando conforme a massa do corpo central. Mais tarde,
nosso amiguinho bem conhecido newton encontrou uma fórmula para calcular k! É essa aqui:

P2 4π 2
=
a3 GM

Página 6
Algo que é muito útil ao utilizar a terceira lei deduzida por newton é que quando as unidades
utilizadas são UA, ano e massas solares, a fórmula assume a seguinte forma:

P2 1
=
a3 M

Lembrando que M é a soma da massa dos corpos, portanto quando temos dois corpos temos
que M = m1 + m2 , mas quando m1 >> m2 podemos desprezar o m2 (tadinho ) e assumir que
M na lei é só o m1 .

Para deduzir essa lei, podemos considerar dois corpos que, com uma boa aproximação, orbitam
circularmente em torno do centro de massa do sistema.

Para tal usaremos as seguintes fórmulas:


Gm1 m2
• Fgrav =
r2
v2
• Fcen = m
r
2πr
• v=
P
• m1 r1 = m2 r2

• r = r1 + r2

Página 7
Começaremos então igualando a força gravitacional e a centrípeta, usando o corpo 1 como
referência na centrípeta, obtendo assim:
Gm1 m2 v12
= m 1
r2 r1
Gm2 v12
=
r2 r1
Agora, substituiremos a velocidade pela sua fórmula:
(2πr1 )2
Gm2 2
2
= P
r r1
Gm2 4π 2 r12
=
r2 P 2 r1
Gm2 4π 2 r1
=
r2 P2

Vamos deixar esse último um pouco de lado e mexer em outra fórmula. Sabemos que m1 r1 =
m2 r2 . Além disso também temos que se r = r1 +r2 , então r2 = r −r1 . Com isso podemos encontrar
uma relação muito útil:

m1 r1 = m2 r2
m1 r1 = m2 r − m2 r1
m1 r1 + m2 r1 = m2 r
r1 (m1 + m2 ) = m2 r
m2
r1 = r
m1 + m2

Agora podemos substituir essa relação no r1 do segundo membro de onde paramos:


Gm2 4π 2 m2
= r
r2 P 2 m1 + m2
P2 4π 2
=
r3 G(m1 + m2 )

Justamente onde queríamos chegar :D

Você pode encontrar essa dedução e outras aulas sobre astronomia para a OBA no canal do youtube
do nosso amigo Bismark Mesquita!

Observação: r equivale ao a, usamos r nessa dedução porque simplificamos a trajetória para um


círculo

Página 8
4. Problemas
Aqui estão alguns problemas para você, jovem estudante, exercitar o que foi aprendido hoje!

Problema 1. Quantos anos um asteroide leva para dar uma volta completa ao redor do sol sa-
bendo que o seu semi-eixo maior mede 5,38UA?

Problema 2. Minha nossa senhora! Foi detectado um asteroide do Cinturão de Oort que pode
colidir com a Terra! Os cientistas estão tão apavorados que nem conseguem descobrir se ele colidirá
ou não com a Terra! Nos ajude a determinar se o asteroide colidirá ou não com a Terra em sua
próxima passagem perifélica! As características orbitais que os cientistas conseguiram descobrir
antes de entrarem em estado de choque foram essas: Seu afélio é de 20000U A e seu periélio é de
1U A. O esquema atual de órbitas é esse:

Por favor nos ajude, você é nossa última esperança!

Problema 3. (Seletiva de astronomia 2021) Uma espaçonave está orbitando um planeta de massa
M em uma órbita circular de raio R. Para deixar este planeta, os engenheiros espaciais decidem
aplicar dois impulsos. O primeiro impulso ∆VA será aplicado no ponto A, na mesma direção do
movimento para que a nave faça uma transferência elíptica e alcance o ponto B. Uma vez em
B, um segundo impulso ∆VB será aplicado novamente na mesma direção de movimento para a
espaçonave escapar do sistema.

Página 9
Determine o tempo que a nave levará para ir do ponto A ao ponto B.

Problema 4. (Seletiva de astronomia 2019) Um cometa orbita o Sol e as distâncias máxima e


mínima do cometa ao Sol valem:

rmax = 31,5U A e rmin = 0,5U A

a) Calcule o período orbital deste cometa (Tcometa );


b) Calcule a área varrida pelo raio vetor do cometa por unidade de tempo (Ω = velocidade areal
do cometa). Expresse em unidades de (U A)2 /ano;
c) Determine a excentricidade da órbita do cometa.

Dica: para a “b” busque algum modo de relacionar os parâmetros a, b, c da elipse, use a propriedade de que a soma
das distâncias de um ponto na elipse até os dois focos é sempre igual ao eixo maior. Busque ver o que acontece com
cada distância quando o cometa está passando pela interseção da elipse com o eixo menor.

Problema 5. (Seletiva de astronomia 2014) Uma sonda lançada para Marte tem periélio e afélio
sobre as órbitas da Terra e Marte respectivamente. Esse tipo de órbita é denominada ÓRBITA
DE MÍNIMA ENERGIA, ou ÓRBITA DE TRANSFERÊNCIA DE HOHMANN, nome dado em
homenagem ao engenheiro alemão Walter Hohmann (1880-1945), que propôs a manobra em 1925.
A sonda parte da órbita Terrestre a alcança Marte quando chega a seu afélio. Durante o percurso
é afetada apenas pela força gravitacional do Sol. As órbitas da Terra e Marte são consideradas
coplanares.
a) Determine o semieixo maior e a excentricidade da órbita de transferência, sabendo que os
raios das órbitas da Terra e de Marte, supostas circulares, são, respectivamente, RT = 1U A e
RM = 1,5U A
b) Calcule a diferença de velocidade necessária para que a sonda percorra a trajetória desejada a
partir de uma órbita circular de raio igual ao raio da órbita da Terra. Assuma Msol = 2 · 1030 kg,
1U A = 1,5 · 1011 m e G = 6,67 · 10−11 N m2 kg 2
c) Calcule o tempo de viagem entre a Terra e Marte.

s  
2 1
Dica: a velocidade em uma órbita elíptica é dada pela equação v = µ − em que µ = GM
r a

Problema 6. (Seletiva de astronomia 2020) A Grande Mancha Vermelha (GMV) é um enorme


anticiclone da atmosfera de Júpiter localizado na latitude 22 S. De forma oval e coloração em
tons de vermelho, é a maior tempestade existente no Sistema Solar. Seu tamanho já foi grande o
suficiente (de leste a oeste) para abranger mais de duas vezes o diâmetro da Terra. Com o passar
do tempo, no entanto, seu tamanho sofreu uma redução e em 2014 imagens captadas pelo Teles-
cópio Espacial Hubble mostraram que em sua largura (pouco menos de 16100 km de diâmetro) só
poderia caber uma vez o tamanho da Terra.

Página 10
Para entender o que está acontecendo, uma agência espacial quer desenvolver uma sonda que irá
estudar com detalhes a evolução dinâmica da GMV. Para isso, esta sonda precisará entrar em
órbita de Júpiter e ficar estacionária sobre a Mancha. A que altura, aproximadamente, a partir do
topo da atmosfera de Júpiter, deverá ficar esta sonda junoestacionária?

Dados: massa de Júpiter MJ = 1,90 · 1027 kg; raio de Júpiter RJ = 7,49 · 106 m ; período de rotação
médio de Júpiter em torno do seu eixo PJ = 9,90 horas; G = 6,67 · 10−11 N m2 kg 2

Página 11
5. Gabarito
Problema 1. 12,5anos

Problema 2. Não colidirá, ainda bem! Quando o asteroide estiver passando a 1UA de distância do sol, a Terra
estará do outro lado da órbita!

√ πR 32
Problema 3. 2 2 √
GM

Problema 4. a) 64 anos
b) 3,12(U A)2 /ano
c) e = 0,969

Problema 5. a) a = 1,25U A e e = 0,2


b) 2,85km/s
c) 255dias

Problema 6. h ≈ 1,53 · 108 m

Página 12
Hidrostática
Abner Maia - Projeto Olímpicos

1. Introdução
A hidrostática ou estática dos fluidos é a parte de Mecânica que estuda os fluidos em equilíbrio.
Classificamos como fluidos, indistintamente, os líquidos e gases. Um líquido tem volume bem
definido, mas não a forma, mantendo seu volume, ele se amolda ao recipiente que o contém. Já
um gás não tem forma nem volume bem definidos, expandindo-se até ocupar todo o volume do
recipiente que o contém. Como estamos interessados em substâncias sem forma definida, é mais
útil falar em massa específica e pressão do que em massa e força.

1.1 Massa Específica


Para medirmos a massa específica de um fluido em determinado ponto do espaço pegamos um
pequeno volume dV e medimos a massa dm de fluido contida nesse elemento de volume, a massa
específica é dada por:
dm
ρ= .
dV
Sua unidade no Sistema Internacional é kg· m−3 . Em muitos casos a massa específica é a mesma
para todos os elementos do corpo, então temos:
m
ρ= .
V

1.2 Pressão


Definimos a pressão que um elemento de força d F exerce num elemento de area dA como:
dFn
p= .
dA

Página 1
A unidade de medida da pressão no Sistema Internacional é N· m−2 que recebe o nome de
pascal (Pa), porém algumas outras unidades que não pertencem ao SI são muito utilizadas na
prática, veremos a relação entre o pascal e elas a seguir:

1 atm = 1,01 · 105 P a = 760 mmHg.

1 atmosfera (1 atm) como o nome já diz é a pressão média aproximada da atmosfera ao nivel
do mar.

2. Fluido incompressível no campo gravitacional


2.1 Teorema de Stevin
Também conhecido por Lei Fundamental da Hidrostática, o Teorema de Stevin diz que
para um liquido homogêneo em equilíbrio submetido à um campo gravitacional constante g a
diferença de pressão entre os pontos 1 e 2 é dada por:

p2 − p1 = ρ · g · h.

Como consequência desse teorema temos que todos os pontos de um liquido em equilíbrio sob
a ação da gravidade em um mesmo nivel horizontal, suportam a mesma pressão:

p2 − p 1 = 0 ⇒ p2 = p1 .

– Demonstração
Observação: para a seguinte demonstração será utilizado um pouco de cálculo.

Pegando um cilindro infinitesimal, paralelo à g#ef» (gravidade efetiva), de área dA, comprimento
dl e massa dm.

Escrevendo o equilibrio das forças na vertical:

p · dA + dm · gef = (p + dp) · dA = p · dA + dp · dA,

Página 2
como dm = ρ · dA · dl, temos:

ρ · gef · dl · dA = dp · dA ⇒ dp = ρ · gef · dl,

para ρ constante, integrando dos 2 lados obtemos:


Z p2 Z h
dp = ρ · g dl ⇒ p2 − p1 = ρ · gef · h
p1 0

2.2 Paradoxo hidrostático


Como consequência da Lei de Stevin, se tivermos recipientes de formas muito diferentes, mas
de mesma área da base A e altura h do líquido, a força exercida sobre a base é a mesma já
que a pressão só depende da altura, logo a pressão exercida sobre a base é a mesma em todas as
situações.

2.3 Pressão atmosférica e experimento de Torriceli


A partir dos conhecimentos do Teorema de Stevin, o cientista italiano Evangelista Torricelli
propôs uma forma bastante simples de determinar o valor da pressão atmosferica. Torriceli afirmou:
"Vivemos no fundo de um oceano de ar, que, conforme mostra a experiência, sem dúvida tem peso."

Torriceli previu que esta pressão era suficiente para elevar uma coluna de mercúrio a uma altura
de ≈ 76 cm da seguinte forma (veja a figura acima): um tubo de vidro de aproximadamente 1 m
de comprimento fechado numa extremidade e cheio de mercúrio com a outra extremidade vedada,

Página 3
foi invertido numa cuba de mercúrio, em seguida destampou sua extremidade. Com isso, parte
do mercúrio escoa para a cuba, até que seja estabelecido o equilibrio do sistema. Vamos chamar
de ρHg a massa específica do mercúrio, g o módulo da aceleração da gravidade, patm a pressão
atmosférica local e h a altura do nível de mercúrio no tubo.

Sejam p1 e p2 as pressões nos pontos 1 e 2, pelo fato de p1 estar no nivel livre de mercúrio e
em contato com a atmosfera temos:
p1 = patm .
No ponto 2 a pressão se deve a coluna de mercúrio que ai se sobrepõe, portanto pelo Teorema
de Stevin temos:
p2 = ρHg · g · h
Como os pontos 1 e 2 estão na mesma linha horizontal, ou seja, numa região isobárica temos que:

p2 = p1 ⇒ patm = ρHg · g · h

Ao nivel do mar, com g ≈ 9,81m/s2 obtém-se para h um valor muito próximo de 76,0 cm, como
ρHg = 13,6 · 103 kg/m3 temos:

kg m N
patm = 13,6 · 103 3
· 9.81 2 · 0,760 m ⇒ patm ≈ 1,01 · 105 2
m s m

2.4 Vasos comunicantes


Se um recipiente é formado por diversos ramos que se comunicam entre si, a superfície livre
do líquido que ocupa o recipiente é horizonta, ou seja, o líquido sobe à mesma altura em todos os
ramos, isso resulta imediatamente da Lei de Stevin.

3. O Teorema de Pascal
Esse teorema afirma que um incremento de pressão comunicado a um ponto qualquer de um
líquido incompressível em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os demais pontos do
líquido, portanto, se produzirmos uma variação de pressão ∆p em um ponto, a pressão de todos
os demais pontos do líquido varia por ∆p.

Página 4
3.1 Demonstração
Sejam p1 e p2 a pressão dos pontos 1 e 2 de um líquido homogêneo em equilíbrio sob a ação da
gravidade separados a uma altura h, sabemos que:

p2 − p1 = ρ · g · h.

Se o ponto 1 sofrer um aumento de pressão ∆p temos que:

p1d = p1 + ∆p ⇒ p2d − p1d = ρ · g · h = p2 − p1 .

Ou seja,
p2d − p1d = p2 − p1 ⇒ p2d − p1 − ∆p = p2 − p1 ,
portanto:
p2d = p2 + ∆p

4. Empuxo
4.1 Empuxo Arquimediano
Ao imergirmos um corpo sólido num fluido em equilíbrio, devido a pressão do líquido, vão surgir
diversas forças superficiais atuando sobre a superfície S desse corpo. A resultante dessas forças
superfíciais é chamada de empuxo e tem que ser igual e contrária ao peso da porção de fluido
deslocada pelo objeto.

– Demonstração
A seguir faremos a demonstração para o caso especial de um cílindro:

Considere um líquido homogêneo de massa específica ρ contido no recipiente da figura, seja


também um cilindro de altura h e área A.

Por estar envolvido pelo líquido o cilindro recebe forças horizontais dos 2 lados, porém, devido
#» #»
a simetria elas se cancelam. Na vertical temos as forças F1 e F2 , a resultante dessas forças aponta

Página 5
para cima (pois a pressão é maior embaixo, devido a Lei de Stevin) e é chamada de empuxo.
Escrevendo o equilibrio das forças temos:
#» #» #»
F1 + F2 = E ⇒ F2 − F1 = E.
Aplicando o Teorema de Stevin nos pontos 1 e 2:
F2 F1
p2 − p1 = − = ρ · g · h ⇒ F2 − F1 = ρ · g · h · A = ρ · g · V.
A A
Portanto:
E = ρ · g · V.
Ademais, sabemos que o volume do liquido deslocado é igual ao volume do sólido imerso,
segue-se que:
E = ρ · g · Vd
Onde Vd é o volume do líquido deslocado. Entretanto, ρ · Vd = md (massa do líquido deslocado)
assim, obtemos:
E = ρ · g · Vd = md · g ⇒ E = Pd .

– Caso Geral
Observação: para a seguinte demonstração será utilizado um pouco de cálculo.

Considere um corpo de formato qualquer imerso em um líquido de densidade ρ constante,


analisando um pequeno elemento de volume do corpo de área A(l) e espessura dl.

Temos que:
dF = dp · A(l).
De acordo com a demonstração da Lei de Stevin temos:
ρ · gef · dl = dp ⇒ dF = ρ · gef · A(l) · dl = ρ · gef · dV,
integrando dos 2 lados temos:
Z E Z V
dF = ρ · gef dV ⇒ E = ρ · gef · V
0 0

Página 6
4.2 Empuxo Não Arquimediano
Esse tipo de empuxo ocorre quando parte do objeto não está em contato com o fluido, assim,
se tivermos um objeto com uma parte dentro e uma parte fora em um recipiente preenchido com
um liquido, somente a parte de dentro do recipiente receberá a resultante das pressões.

Por exemplo, se tivermos um objeto no fundo ou na parede de um recipiente e ele estiver


perfeitamente encostado, essa região não recebe a resultante das pressões, sendo assim um empuxo
não arquimediano, entretando, em situações como essa, o mais comum é que o objeto não esteja
perfeitamente encostado, ou seja, tem um pequeno espaçamento entre as superfícies de forma que
todo o cilindro esteja submetido as pressões do líquido. A seguir resolveremos um exemplo:

– Exemplo 01:
Na figura a seguir, temos um bloco imerso em um liquido de densidade ρ, perfeitamente encos-
tado na parede do recipiente. Vamos calcular o empuxo resultante:

No eixo y as forças são as mesmas do caso anterior logo:

Ey = ρ · g · V = ρ · g · L3

No eixo x, como não temos liquido do outro lado, as forças não se cancelam mais. Como a pressão
varia linearmente com a altura, podemos pegar a pressão média e multiplicar pela área e teremos
o empuxo no eixo x:
h1 + h2
Ex = (patm + ρ · g · hmed ) · L2 = (patm + ρ · g · ) · L2
2

5. Problemas
Problema 1. *(Tópicos da Física 1) A medição da pressão atmosférica reinante no interior de
um laboratório de Física foi realizada utilizando-se o dispositivo representado na figura:

Página 7
Sabendo que a pressão exercida pelo gás, lida no medidor, é de 136 cm Hg, determine o valor da
pressão atmosférica no local.

Problema 2. **(ITA 1992) Dois vasos comunicantes contêm dois líquidos não miscíveis, I e II,
de massas específicas d1 e d2 , sendo d1 < d2 , como mostra a figura. Qual é a razão entre as alturas
das superfícies livres desses dois líquidos, contadas a partir da sua superfície de separação?

Problema 3. ** Em um carrinho, situa-se um tanque cúbico totalmente cheio de água. O carrinho


movimenta-se com aceleração constante #»
a . Determine a pressão a uma profundidade h, no ponto
A, distante da parede frontal de uma distância l, se o tanque está fechado hermeticamente por
uma tampa. (No movimento uniforme, a tampa não exerce pressão na água)

Problema 4. **(Tópicos da Física 1) Na figura, as esferas maciças A e B estão ligadas por um


fio ideal e o sistema está em equilíbrio. A esfera A está no interior de um líquido homogêneo de
densidade 2d e a esfera B está no interior de outro líquido homogêneo de densidade 3d. Sabendo
que as esferas têm raios iguais e que a esfera A tem densidade d, quanto vale a densidade da esfera
B?

Página 8
Problema 5. ***(Moysés) Um pistão é constituído por um disco ao qual se ajusta um tubo oco
cilíndrico de diâmetro d,e está adapatado a um recipiente cilíndrico de diâmetro D. A massa do
pistão com tubo é M e ele está inicialmente no fundo do recipiente. Despeja-se então pelo tubo
uma massa m de líquido de densidade ρ. Em consequência, o pistão se eleva a uma altura H A
altura de coluna de líquido dentro do tubo de diamtro d é h. Calcule H

Problema 6. **(ITA 2003) Num barômetro elementar de Torricelli, a coluna de mercúrio possui
uma altura H, que se altera para x quando este barômetro é mergulhado num líquido de densidade
D, cujo nível se eleva a uma altura h, como mostra a figura. Sendo d a densidade do mercúrio,
DETERMINE em função de H, D e d a altura do líquido, no caso de esta coincidir com a altura
x da coluna de mercúrio.

Problema 7. ****(Jaan Kalda) Um recipiente hemisférico é colocado de cabeça para baixo em


uma superfície horizontal lisa. Por meio de um pequeno orifício no fundo do recipiente, a água
é despejada. Exatamente quando o recipiente fica cheio, a água começa a vazar entre a mesa e

Página 9
a borda do recipiente. Encontre a massa do recipiente se a água tiver densidade ρ e se o raio do
hemisfério é R.

6. Gabarito
Problema 1 60 cm Hg

h1 d2
Problema 2 =
h2 d1

Problema 3 ρ · (g · h + a · l)

Problema 4 4d

4 M d2
Problema 5 H= (m − )
πρD2 D 2 − d2

d·H
Problema 6 h=
d−D

ρ · π · R3
Problema 7 M=
3

Página 10
Hidrodinâmica
Abner Maia - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Em sequência à hidrostática, a hidrodinâmica (ou dinâmica dos fluidos) estuda o movimento
dos fluidos em geral. Devido a complexidade do assunto, nossa análise será restrita a algumas
situações ideais, geralmente líquidos incompressíveis, não viscosos e em escoamento estacionário
(o escoamento do fluido é classificado como estacionário ou em regime permanente quando a
velocidade do fluido não varia com o tempo #» v = #» v ( #»
r ), ou seja, a velocidade só depende da
posição). Em um escoamento turbulento, por exemplo, a água numa cachoeira, a velocidade #» v
varia de forma extremamente rápida e irregular.

2. Conservação da massa - Equação da continuidade


A seguir, vamos considerar um pequeno trecho de tubulação cilíndrica por onde escoa um
líquido incompressivel.

A massa dm que atravessa o fluido num intervalo de tempo infinitésimo será dada por:
dm
ρ= ⇒ dm = ρA v dt.
dV
Considerando agora um escoamento estacionario e uma porção de tubo entre duas áreas A1 e
A2 com com densidades ρ1 e ρ2 .

Página 1
Pelo fato do escoamento ser estácionário, a massa do fluido contida entre as secções A1 e A2
não pode variar com o tempo, ou seja, em um mesmo intervalo de tempo dt a massa dm1 que entra
pela área A1 tem que ser igual a massa que sai do tubo dm2 pela área A2 , portanto, temos que:

dm1 = ρ1 A1 v1 dt = dm2 = ρ2 A2 v2 dt,

o que dá:
ρ1 A1 v1 = ρ2 A2 v2 .
Se o fluido é incompressivel temos que ρ é constante, segue-se que:

A 1 v1 = A 2 v2 .

– Vazão
A produto A v = constante mede o volume de fluido que atravessa a secção transversal do tubo
por unidade de tempo, portanto:
dV
Z = Av = ,
dt
onde Z é chamado de vazão. Sua unidade de medida no Sistema Internacional é m3 s−1 .

– Caso geral da conservação da massa


Agora, vamos formular o princípio de conservação da massa no caso geral do escoamento não-
estacionário de um fluido compressível. Considerando um volume V fixo do fluido, limitado por

uma superfície fechada A. Seja A um vetor normal a área cuja intensidade tem o mesmo valor
númerico da área.

Página 2
A massa dm que atravessa dA num intervalo infinitesimal dt pode vista da seguinte forma:

Como as áreas são infinitesimais, podemos projetar a área dA na direção normal a velocidade,
de modo que teremos um cilindro de configuração semelhante ao primeiro caso:

Cuja porção de massa que o atravessa vale:

dm = ρ v dt dA cos θ.
Com uma simples geometria achamos que o ângulo entre a velocidade e o vetor área também
#» #»
é θ, então temos que v dA cos θ = #»
v · d A que é o produto escalar entre os vetores #»
v e d A, daí
segue-se que:
#» dm #»
dm = ρ dt #» v · dA ⇒ = ρ #»
v · dA
dt
#» #»
temos que ρ v · d A representa o fluxo de massa que sai do volume V através de dA por unidade
de tempo. Além disso, a massa total dentro do volume V é:
Z
m= ρdV.
V

A massa pode variar com o tempo, porém, como ela não pode ser criada nem destruída, essa
variação só pode ser devida ao fluxo resultante na superfície A por unidade de tempo. Portanto
temos que:

I Z
#» dm d
ρ v · dA = − =− ρ dV.
A dt dt V

Página 3
dm
O sinal negativo deve-se porque, se adotarmos o fluxo para fora como positivo, < 0. Essa
dt
expressão é a lei da conservação da massa num fluido, chama-se Equação da Continuidade,
perceba que, se tomarmos uma porção de tubo corrente como foi feito anteriormente o primeiro
membro se reduz a ρ2 A2 v2 − ρ1 A1 v1 .

3. Equação de Bernoulli
Vamos aplicar a lei de conservação da energia para um fluido incompressível em escoamento
estacionário:

Considerando um tubo de corrente limitado pelas secções transversais de áreas A1 e A2 , onde


temos as velocidades v1 e v2 , as pressões p1 e p2 e alturas h1 e h2 em relação a um ponto horizontal
de referência, O trabalho das forças de pressão vale:
τf = p1 A1 v1 dt − p2 A2 v2 dt,
o sinal de negativo deve-se ao fato de que o deslocamento na região 2 é contrário as forças de
pressão. Além disso, o trabalho realizado pelas forças gravitacionais é:
τp − dU = −g(dm2 h2 − dm1 h1 ),
além disso, sabemos que a variação da energia cinética correspondente a esse transporte vale:
1 1
τp + τf = dT = dm2 v22 − dm1 v12 .
2 2
Igualando os resultados obtidos, temos que:
1 1
dm2 v22 − dm1 v12 = p1 A1 v1 dt − p2 A2 v2 dt − g(dm2 h2 − dm1 h1 )
2 2
dm1
Além disso, A1 v1 dt = e dm1 = dm2 , o que resulta em:
ρ
1 1
ρ2 v22 + p2 + ρ g h2 = ρ1 v12 + p1 + ρ g h1 = C.
2 2
Relação que exprime a conservação da energia por unidade de massa ao longo do filete, essa
relação é chamada de Equação de Bernoulli.

Página 4
3.1 Aplicações
– Fórmula de Torricelli
Consideremos um reservatório contendo líquido, em cuja parede lateral há um pequeno orifício
circular através do qual o líquido se escoa.

Como o orifício é muito pequeno, o nível de água do reservatório baixa muito lentamente assim
podemos desprezar sua velocidade. Aplicando a Equação de Bernoulli entre um ponto inicial
A e um ponto B na parte cilíndrica do jato, onde a pressão volta a ser patm temos que:
1 2 1
ρ v0 + patm + ρ g h = ρ v 2 + patm
2 2
Como v0 ≈ 0 obtemos que: p
v = 2 g h.
Este resultado foi obtido por Torricelli em 1636.

– Tubo de Pitot
Usado para medir a pressão ou velocidade num fluido em movimento, considere a seguinte
situação:

Página 5
Onde ρ é a densidade do ar, p a pressão naquela região, ρ0 a densidade do líquido e p0 é a
pressão no ponto O. Aplicando Bernoulli nos pontos A e O temos que:
1 2
ρ v + p = p0 ,
2
além disso, pelo Teorema de Stevin sabemos que:
1
p0 = ρ0 g h + p ⇒ ρ v 2 + p = p + ρ0 g h,
2
o que permite medir a velocidade v de escoamento do fluido, segue-se que:
r
ρ0
v = 2 g h.
ρ
Este sistema é usado para medir a velocidade de aviões.

– Fenômeno de Venturi
Consideremos o escoamento estacionário de um fluido incompressível da seguinte maneira:

Sejam A1 e A2 as áreas de secção na região 1 e na região 2 e supondo que elas sejam pequenas
suficientemente para que a pressão e a velocidade possam ser tomadas como constantes sobre elas,
podemos aplicar Bernoulli:
1 1
p1 + ρ v12 = p2 + ρ v22
2 2
e a Equação da Contunidade dá:
A1
v2 = v2 .
A2
De modo que, v2 > v1 e consequentemente, p2 < p1 . Venturi, quem primeiro observou o fenômeno,
esperava obter o contrário, acreditando que a pressão aumentaria no estrangulamento devido ao
espaço reduzido.

Subistituindo v2 na equação do Bernoulli obtemos que:


1 1 A2
p1 − p2 = ρ v12 + ρ v12 21
2 2 A2

Página 6
o líquido sobe até as alturas h1 e h2 em manômetros inseridos nos pontos 1 e 2, o que permite
medir a diferença de pressão:

p1 − p2 = (p0 + ρ g h1 ) − (p0 + ρ g h2 ) = ρ g(h1 − h2 ) = ρ g h

onde h é a diferença entre as alturas, substituindo na última expressão, obtemos que:

1 1 A2
ρ g h = ρ v12 + ρ v12 12
2 2 A2
s
1 A2 − A2 2gh
ρ g h = ρ v12 ( 1 2 2 ) ⇒ v1 = A2 .
2 A2 A21− A22

4. Problemas
Problema 1. * (Tópicos da Física 1) Na tubulação horizontal esquematizada na figura a seguir
o líquido escoa com vazão de 400 cm3 /s e atinge a altura de 0,50 m no tubo vertical. A massa
específica do líquido, admitido ideal, é 1,0 g/cm3 .

Adotando-se g = 10 m/s2 e supondo-se o escoamento em regime permanente, pede-se calcular


a pressão efetiva no ponto 1, que é a diferença entre a pressão estática nesse ponto e a pressão
atmosférica.

Problema 2. ** (Moysés) Um filete de água escorre verticalmente de uma torneira de raio a, com
escoamento estacionário de vazão Q. Ache a forma do jato de água que cai, determinando o raio ρ
da seção transversal em função da alturas de queda.

Problema 3. * (Tópicos da Física 1) O ar de um furacão sopra sobre o telhado de uma casa


com velocidade de módulo igual a 108 km/h. A densidade do ar vale 1,2 kg/m3 . Quanto vale a
diferença entre a pressão do lado interno e do lado externo do telhado?

Página 7
Problema 4. ** (Moysés) Uma ampulheta é formada, de cada lado, por um tronco de cone
circular de altura h = 10 cm, raio da base maior R = 10 cm e o raio menor r = 0,1 cm. Após
enchê-la de água até a metade, ela é invertida.(a) Calcule a velocidade inicial de descida do nível
da água; (b) calcule a velocidade do descida do nível depois de ele ter baixado de 5 cm; (c) que
forma deveria ter a superfície lateral (de revolução) da ampulheta para que o nível da água baixasse
uniformemente (relógio de água)?

Problema 5. *** (Jaan Kalda) Sejam dois recipientes (A e B) cujas torneiras têm desenho dife-
rente, veja a figura. As torneiras estão abertas e a altura da superfície da água em relação a elas
é H em cada recipiente. Com que velocidade o fluxo de água sai dos barris?

Problema 6. * (ITA 2016) Um estudante usa um tubo de Pitot esquematizado na figura para
medir a velocidade do ar em um túnel de vento. A densidade do ar é igual a 1,2 kg/m3 e a
densidade do líquido é 1,2.104 kg/m3 , sendo h = 10 cm. Nessas condições, determine quanto vale,
aproximadamente, a velocidade do ar.

Problema 7. *** Um jato de água atinge obliquamente uma calha horizontal de seção transversal
semicircular, como mostrado na figura. O jato encontra-se no plano vertical que contém a linha
central da calha. Calcule a relação das quantidades de água que escoam nas duas extremidades da
calha em função do ângulo de incidência α do jato.

Página 8
5. Gabarito
Problema 1 1,1 · 104 N/m2

ρ2 v
Problema 2 2
=p , onde Q = π a2 v
a 2
v + 2gz

Problema 3 540 P a

v 2 ρ4
Problema 4 a) 0,14 mm/s b) 0,39 mm/s c) z =
2g r4

√ √
Problema 5 A: 2gh B: gh

Problema 6 1,4 · 102 m/s

1 + sin α
Problema 7 a) v = v1 = v2 b)
1 − sin α

Página 9
Termometria
Luan de Souza Silva - Projeto Olímpicos

1. Introdução
A termometria é o estudo relacionado às medições na área de termodinâmica, especialmente de
temperatura. Visto isso, uma das aplicações mais cotidianas da termometria é justamente o ato de
medir a temperatura de alguém com febre. A termometria pode parecer bem simples ao Homem
moderno, mas séculos atrás era, junto com o conceito de temperatura, algo muito abstrato. Além
disso, este é um estudo que traz diversas aplicações práticas, como mencionado.
Vale ressaltar que, apesar de este não ser um conteúdo muito cobrado em olimpíadas, é um
conteúdo básico muito importante, e que pode ser muito importante para sua experiência de vida!!
(Estaremos aptos a converter temperaturas de Celsius para Fahrenheit)

2. O que é temperatura?
O conceito de temperatura parece ser bastante concreto para nós. Além disso, a definição mais
comum empregada parece ser bem simples de se compreender: Grau de agitação das moléculas.
Entretanto, para os estudiosos dos séculos passados, este era um conceito bastante abstrato, espe-
cialmente porque não se sabia muito bem sobre átomos e moléculas, nem sobre energia, calor, e
afins.
O conceito de temperatura apresentado acima é muito importante, pois permite definir a tem-
peratura de qualquer meio material, independentemente da situação(a importância disso será me-
lhor explicada posteriormente). Agora a próxima pergunta a se fazer é, como medir esse grau de
agitação? Esta é a pergunta que procuraremos resolver na próxima seção.

3. Como medir temperatura


Experimentalmente, há diversas formas de se medir a temperatura de um corpo ou meio. Estão
listadas algumas destas formas:
• Termômetro com fluido
Este é o modo mais comum de se medir temperatura. Os termômetros com fluidos são termô-
metros comuns, que estão entrando em desuso hoje em dia. Os fluidos usados nos primeiros
termômetros deste tipo eram álcool ou água, enquanto os mais modernos usam mercúrio
(eis o motivo de este tipo entrar em desuso: mercúrio é um metal pesado extremamente
tóxico). O princípio de funcionamento deste termômetro é a dilatação térmica do fluido nele
contido, assim, conforme a temperatura varia, o volume, e portanto a altura do líquido varia,
permitindo inferir a temperatura.

Página 1
• Termômetro elétrico
Este tipo de termômetro é muito utilizado em carros e equipamentos eletrônicos em geral, e
está substituindo os termômetros a fluido devido a sua praticidade e segurança. O principio
de funcionamento dele é a variação da resistência elétrica com a temperatura.

• Tiras metálicas
Este é um tipo de termômetro mais “teórico", pois ele não é muito prático. Este termômetro
consiste em colar duas tiras metálicas de materiais diferentes(com coeficientes de dilatação
diferentes). Conforme a temperatura variar, a “tira resultante"irá se envergar, como mostra
a imagem. Com base no ângulo de curvatura, é possível estimar a temperatura (perceba que
este termômetro é pouquíssimo prático).
Apresentadas as formas de se medir temperatura, agora descobriremos como fazer conversão
entre unidades de medidas (de Fahrenheit para Celsius, por exemplo).
Tomemos estes dois “termômetros", que estão em escalas de temperaturas diferentes. T , T0 , T 0 ,
0
T0 são valores de referencia, usualmente os pontos de ebulição e fusão da água, respectivamente.
Dele temos, por regra de três (ou proporção simples, como queira chamar :3)

Figura 1: “Termômetros”

T − θ → T 0 − θ0
θ − T0 → θ0 − T00
Desenvolvendo
(T − θ)(θ0 − T00 ) = (θ − T0 )(T 0 − θ0 )

Página 2
θ(T 0 − T00 ) + T T00 − T0 T 0
⇒ θ0 =
T − T0
Para ilustrar melhor, vamos agora converter Celsius para Fahrenheit
: 180 3200 0
(T0  T00 ) +  0
T0

− 0 −

C TT T0

* *
F = : 100
T
 −T
0

⇒ F = 1,8C + 32
T 0 − T00 = 180 pois, por definição, na escala Fahrenheit os pontos de fusão e ebulição da água
são 32F e 212F , respectivamente.
Seguindo o mesmo raciocínio é possível chegar na famosa relação:
C K − 273 F − 32
= =
5 5 9

4. Dilatometria
Foi mencionado anteriormente que o termômetro a fluido funciona pois o fluido nele contido
varia de volume conforme a temperatura varia. Agora veremos como isso ocorre quantitativamente.
Primeiramente, faremos uma breve discussão sobre por que isso ocorre. Nós sabemos que
os materiais são compostos de átomos/moléculas, independentemente do estado físico, e que a
temperatura mede o grau de agitação dessas partículas. Assim é bastante intuitivo pensar que
quanto maior a temperatura, maior será a “amplitude de oscilação"das partículas, e assim, maior
serão as dimensões do material.
Quantitativamente, a variação de comprimento de uma barra, por exemplo, é dada por:

∆L = L0 α∆T

Onde α é o coeficiente de dilatação linear.


Se tomarmos agora um plano qualquer, a variação de área será dada por:

∆A = A0 β∆T

Onde β é o coeficiente de dilatação areolar, e é numericamente igual a 2α.


Por fim, temos a variação de volume:

∆V = V0 γ∆T

Onde γ é o coeficiente de dilatação volumétrico, e é numericamente igual a 3α.


Agora vamos estudar dois casos interessantes relacionados a dilatação térmica: o termômetro
a fluido (como era de se esperar) e o comportamento de anéis.
Começando pelo termômetro, podemos fazer uma análise mais simples considerando que, se o
tubo do termômetro for muito fino, a dilatação será predominantemente linear, e assim poderemos
calcular a altura do líquido:
h(T ) = h0 (1 + α(T − T0 ))
Agora tratando de anéis, ocorre um fenômeno um pouco contraintuitivo: se pegarmos um anel,
ou uma superfície com um buraco, e o aquecermos, o buraco/anel aumentará (ou diminuir, caso o
resfriemos), como ilustra a imagem.

Página 3
Figura 2: Plano com um buraco.

Podemos calcular agora quanto o raio e a área interna do buraco/anel mudam:


R = R0 (1 + α∆T )
A = A0 (1 + β∆T )

4.1 Dilatação Aparente


A dilatação aparente ocorre quando transbordamos um recipiente com algum fluido, e então
aquecemos tanto o frasco quanto o fluido, e então este transborda. Entretanto, a quantidade de
líquido que deixa o recipiente não está de acordo com o que seria previsto pelo cálculo "padrão"de
dilatação volumétrica.
Isto ocorre através de um efeito análogo ao da área em anéis, mas agora o volume contido
no frasco também varia com a temperatura. Vamos agora encontrar o coeficiente de dilatação
volumétrico aparente do fluido!!
Comecemos calculando a variação de volume total do líquido
∆Vlíquido = V0 γlíquido ∆T
Agora calcularemos a variação de volume do interior do frasco
∆Vrecipiente = V0 γrecipiente ∆T
o volume de líquido que sairá do recipiente será a diferença entre as duas variações de volume,
ou seja
∆V = V0 ∆T (γlíquido − γrecipiente )

Página 4
Podemos então simplesmente substituir a expressão γlíquido − γrecipiente por γaparente
Assim a variação de volume aparente do líquido será

∆V = V0 γaparente ∆T

Com
γaparente = γlíquido − γrecipiente

4.2 Exceção
A exceção mais conhecida na dilatometria é a água, que se a esfriarmos, entre os 0◦ C e 4◦ C a
água expandirá. Isso ocorre pois, a partir dos 4◦ C a água começa a formar cristais, e isso faz com
que ela expanda. É por isso que pedras de gelo boiam na água e icebergs flutuam no mar!!

5. Problemas
Problema 1. Ian é um jovem estudante que decidiu criar sua própria escala de temperatura: a
escala Seo Takay. Nessa escala, os pontos de ebulição da água são 31,4ST e 271,8ST , respectiva-
mente. Calcule:
a) As expressões que convertem a escala Seo Takay para: Celsius, Kelvin e Fahrenheit.
b) A temperatura ambiente, segundo as CNTP, em ST

Problema 2. (OBF 2016) Uma tira bimetálica é formada soldando-se duas tiras finas de metais
distintos, cada uma delas com largura d. Na temperatura de referência T0 , as duas tiras têm o
mesmo comprimento `0 . Quando a temperatura se eleva de ∆T as tiras se encurvam como mostra
a figura abaixo. Sejam α1 e α2 os coeficientes de dilatação linear de cada metal, determine o ângulo
de encurvamento θ em termos de ∆T , `0 , d, α1 e α2 . O que aconteceria se a tira bimetálica fosse
resfriada em relação à sua temperatura de referência?

Figura 3: Esquema das tiras metálicas.

Problema 3. Considerando planos como retângulos e volumes como paralelepípedos, prove que
a) β = 2α
b) γ = 3α

Página 5
Considere que α << 1, e que para x << 1, (1 + x)n = 1 + nx

Problema 4. Considere um pêndulo de comprimento `, cujo fio tem coeficiente de dilatação


linear α. Encontre a a variação de período do pêndulo em função da variação de temperatura ∆T .
Considere que o fio tem massa desprezível.

Problema 5. (Fuvest) Duas barras metálicas finas, uma de zinco e outra de ferro, cujos com-
primentos, a uma temperatura de 300K, valem 5,0m e 12,0m, respectivamente, são sobrepostos
e aparafusados uma à outra em uma de suas extremidades, conforme ilustra a figura. As outras
extremidades B e A das barras de zinco e ferro, respectivamente, permanecem livres. Os coefici-
entes de dilatação linear do zinco e do ferro valem 3,0 · 10−5 K −1 e 1,0 · 10−5 K −1 , respectivamente.
Desprezando as espessuras das barras, determine:

Figura 4: Barras de zinco e ferro

a) A variação de distâncias entre as extremidades A e B quando as barras são aquecidas até 400K;
b) A distância até o ponto A, de um ponto C da barra de zinco cuja distância ao ponto A não
varia com a temperatura.

Problema 6. (IPhO 1967) Considere duas bolas homogêneas idênticas, A e B, inicialmente à


mesma temperatura. Uma delas está em repouso num plano horizontal, enquanto a segunda é
pendurada ao teto por um fio ideal (Figura 5). A mesma quantidade de calor é dada a ambas
bolas. A temperatura final das bolas é a mesma ou não? Justifique sua resposta (Qualquer tipo
de perda de calor é desprezível).

Página 6
Figura 5: Esferas A e B

Problema 7. (OBF 2019 - modificada)Considerando que um anel de cobre a 25◦ C, cujo coeficiente
de dilatação térmica linear é constante e igual a 1,6 · 10−5 C −1 , possui um diâmetro interno igual
a 10,0 cm e externo igual a 12,0 cm, determine a variação entre esses diâmetros quando o anel
atingir uma temperatura de 275◦ C.

Problema 8. (OBF 2017 - modificada). A um marceneiro foi solicitado que fizesse uma roda de
madeira com 100,0 cm de diâmetro para que fosse adaptada em um anel de ferro com 5,0 mm
menor que o diâmetro da roda. Para essa adaptação, foi-se necessário aquecer em um forno o
anel de ferro, cujo coeficiente de dilatação linear vale 12 · 10−6 C −1 . Assim, considerando que a
temperatura no ambiente da marcenaria fosse de 30.0◦ C, de quanto deveria ser, aproximadamente,
a temperatura final do anel, para que a adaptação fosse bem sucedida?

Problema 9. Um recipiente de vidro. com a capacidade de 3000cm3 , está completamente cheio


com líquido, a 0◦ C. O conjunto é aquecido até 100◦ C e observa-se que 15cm3 desse líquido extravasa
do recipiente. Considerando-se o coeficiente de dilatação linear do vidro como sendo constante no
referido intervalo térmico e igual a αvidro = 4 · 10−6 C −1 , qual o coeficiente de dilatação real desse
líquido?

6. Gabarito
Problema 1. a) Celsius: 2,404C + 31,4
Kelvin: ST = 2,404C − 6531,5
Fahrenheit: ST = 1,336F − 2105,5
b) 63.24◦ ST

`0 ∆T (α1 − α2 )
Problema 2. θ =
d

Problema 3. Prova

P0 √
Problema 4. ∆P = ( `(2 + α∆T ) − 2)
2

Problema 5. a) ∆d = 0,003m

Página 7
b) D = 8,0m

Problema 6. Não. A bola B estará mais fria, pois, parte do calor fornecido será usada para elevar o centro de
massa da bola, ou seja, realizando trabalho.

Problema 7. 0,008cm

Problema 8. 450◦ C

Problema 9. γreal = 6,2 · 10−5◦ C

Página 8
Calorimetria
Luan de Souza Silva - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Calorimetria é o estudo de como os corpos armazenam energia térmica, e como isso se relaciona
com suas propriedades, como massa e temperatura. Nesta aula discorreremos primeiramente sobre
assuntos mais básicos, com uma matemática mais enxuta, e então passaremos a tratar de definições
mais gerais e formais, com derivadas e afins. Lembrando que boa parte deste tópico tem como
pré-requisito o conhecimento de gases e termodinâmica, então, para ver as partes mais avançadas
deste tópico, veja textos sobre esses outros assuntos!

2. Calor e quantidade de calor


No nosso cotidiano temos o hábito de se referir a calor como sinônimo de temperatura, o que
está conceitualmente errado!! Na verdade, calor significa energia térmica em trânsito, logo, não
faz sentido falar que um objeto “tem calor”. Mas aí surge a questão: mas e quantidade de calor, é
oque então?
Físicos tem probleminhas com colocar nome nas coisas, e isso as vezes acaba atrapalhando quem
está aprendendo. Quantidade de calor é justamente a quantidade de energia térmica armazenada
no corpo, mas não tem relação relação alguma com o conceito de calor.
A quantidade de calor de um corpo é, a grosso modo, dada por

Q = mcT
J
Com T em kelvins, m em kg,Q em joules e c em . Nesta definição, c é a capacidade
kg · K
térmica específica, e varia com o material. Define-se 1cal como a quantidade de calor necessária
para elevar 1g de água em 1°C, sendo que 1cal = 4,18J. Costuma-se utilizar capacidade térmica
ao invés de capacidade térmica específica, assim,

C = mc

Onde C é a capacidade térmica do corpo. perceba que a capacidade térmica também pode ser
dada por
∆Q
C=
∆T
Ou, em termos diferenciais
dQ
C=
dT

Página 1
Há também um outro “tipo” de capacidade térmica: a capacidade de calor latente. Utilizamos
o calor latente quando um material está em transição de fase (indo do estado líquido para o
gasoso, por exemplo). Um ponto importante a respeito das transições de fase, é que em geral, elas
acontecem a temperatura constante, como ilustra o gráfico a seguir.

Figure 1: Gráfico de transição de fase de uma substância qualquer.

Portanto, a capacidade de calor latente não dependerá da variação de temperatura, e sim a


quantidade de massa que passou de um estado para outro, e de uma constante. Assim

Q = mL

Neste caso, ao invés de a quantidade de calor fornecida ao material atuar elevando sua temper-
atura, ela atua quebrando e/ou enfraquecendo a ligação entre as moléculas (as forças intermolec-
ulares em um sólido são muito mais fortes que em um líquido, considerando o mesmo material).

2.1 Mistura de corpos


Agora trataremos do que acontece quando misturamos dois corpos (dois líquidos, por exemplo)
em diferentes temperaturas num recipiente termicamente isolado.
Como o recipiente é termicamente isolado, a quantidade de calor final deve ser igual à soma
das quantidades de calor
Q = Q1 + Q2
De forma análoga, a capacidade térmica final deve ser igual à soma das capacidades térmicas

C = C1 + C2

Assim, temos
CT = C1 T1 + C2 T2
(C1 + C2 )T = C1 T1 + C2 T2

Página 2
C1 T1 + C2 T2
⇒T =
C1 + C2
De forma análoga, poderíamos generalizar essa análise para a mistura de n corpos:
P
Ci Ti
C1 T1 + C2 T2 + · · · + Cn Tn i
T = = P
C1 + C2 + · · · + Cn Ci
i

Vamos para um exemplo! Exemplo: Makoto ama café com leite. Um dia se perguntou qual a
temperatura final de uma mistura de café com leite. Sabendo que o leite da geladeira está a 5°C,
que o café quente está a 90°C, e que a proporção de café e leite que Makoto usa é de 2 para 1,
encontre a temperatura final do café com leite de Makoto! (considere que tanto o leite quanto o
café possuem a capacidade térmica específica e densidade da água) Solução:
m1 c1 T1 + m2 c2 T2
Basta utilizar T =
m1 c1 + m2 c2
Sendo a massa de café igual a m2 , então m2 = 2m1 , assim
m1 T1 + 2m1 T2
T =
m1 + 2m1
m1 (T1 + 2T2 )
T =
m1 (1 + 2)
Onde usamos que c1 = c2 = 1cal · g −1 K −1
Assim, finalmente temos
278 + 2 · 263
T =
3
T = 335K
⇒ T = 62°C

3. Capacidade térmica dos gases


Quando tratamos da capacidade térmica dos gases, devemos fazer diferentes análises. A priori,
analismos as suas capacidades térmicas a volume constante(CV ) e a pressão constante(Cp ) (sim,
elas são diferentes). Essas quantidades podem ser encontradas facilmente partindo da 1ª lei da
termodinâmica
Encontrando CV
:0
∆U = ∆Q +  ∆W

Onde o termo do trabalho foi cancelado pois não há deslocamento. Portanto


∆Q ∆U
CV = =
∆T ∆T
Encontrando Cp
∆U = ∆Q − p∆V
⇒ ∆Q = ∆U + p∆V

Página 3
Mas pela lei dos gases ideais p∆V = nR∆T , assim

∆Q = ∆U + nR∆T

Finalmente
∆Q
Cp = = CV + R
∆T
Note duas coisas: primeiro, o n foi ocultado, pelo fato de ambas as capacidades térmicas se
tratarem de capacidades térmicas molares. Segundo que a capacidade térmica a pressão constante
é maior que a capacidade térmica a volume constante, isso porque no caso da pressão constante,
o gás deve aumentar sua temperatura e realizar trabalho com a quantidade de calor fornecida.
A partir dessas capacidades, podemos chegar a outra grandeza importante: o coeficiente de
Poisson, ou índice adiabático γ, que é dado por
Cp
γ=
CV
A partir daí, podemos encontrar as capacidades térmicas em função de γ:

R
CV =
γ−1
e
γR
Cp =
γ−1
Com essas informações em mão, vamos expandir nosso repertório para capacidade térmica de
gases em processos politrópicos, onde tanto volume quanto a pressão podem variar ao mesmo
tempo. Lembrando que processos politrópicos são processos que seguem a seguinte relação

pV n = constante

E todas as relações derivadas a partir desta última.


Vamos novamente à 1ª Lei da Termodinâmica, desta vez na forma diferencial:

dU = dQ − pdV

A partir da relação para processos politrópicos encontramos

pnV n−1 dV + V n dp = 0

⇒ nV n−1 pdV = −V n dp
n
⇒ pdV = −dp
V
⇒ npdV = −V dp
Pela Lei dos Gases Ideais

pV = N RT ⇒ pdV + V dp = N RdT

⇒ V dp = N RdT − pdV

Página 4
Substituindo
npdV = −(N Rdt − pdV )
⇒ (n − 1)pdV = −N RdT
N RdT
⇒ pdV = −
n−1
Substituindo na 1ª Lei da Termodinâmica:

dU = dQ − pdV

dU + pdV = dQ
N RdT
dQ = dU −
n−1
Derivando em relação a T
dQ dU NR
= −
dT dT n−1
dQ dU R
Sabemos que, por definição, = C, e que CV = = . Assim, a capacidade térmica
dT dT γ−1
molar do gás num processo politrópico é
 
1 1
C=R −
γ−1 n−1

Note que a capacidade térmica de um gás numa transformação adiabática é zero.

4. Uma análise mais rigorosa


Agora vamos fazer algumas considerações com um pézinho na mecânica estatística: uma análise
considerando o Princípio da Equipartição de Energia, e os graus de liberdade dos átomos e molécu-
las que compõem o gás em questão.
Primeiro, apresentando o princípio da equipartição de energia: o princípio da equipartição de
energia diz que um átomo ou molécula usa a mesma quantidade de energia em cada “forma de
movimento”. Assim, a energia cinética média por molécula é dada por
i
E = kT
2
Onde i é o número de graus de liberdade da partícula, k é a constante de Boltzmann e T é a
temperatura.
Mas agora, o que é grau de liberdade? Bom, grau de liberdade pode ser pensado como uma
“forma de movimento”. Exemplo: uma molécula monoatômica (uma molécula composta por um
único átomo) tem apenas 3 graus de liberdade: os movimentos nos eixos x, y, z, sendo a energia
usada na rotação da molécula nula, pois seu momento de inércia é desprezível. Assim, a energia
média por partícula em um gás monoatômico será
3
E = kT
2

Página 5
Figure 2: Molécula monoatômica com os eixos de coordenadas

O caso da molécula diatômica é um pouco mais complexo, pois o seu número de graus de
liberdade pode variar de acordo com o seu grau de excitação (de forma simplificada, de acordo
com a temperatura). A princípio, o número de graus de liberdade da molécula diatômica é acrescido
de 2 em relação ao da molécula diatômica: a molécula pode rotacionar em relação aos eixos z e
y, sendo o momento de inércia da rotação no eixo x desprezível. Entretanto, se aumentarmos
a temperatura do gás, este terá movimento de vibração, como se a ligação entre os átomos da
molécula atuasse como uma mola! Desta forma, a molécula adquirirá mais dois graus de liberdade:
um no movimento de vibração e outro devido a energia potencial da ligação (lembrar da analogia
com a mola). Assim, a energia média por molécula em um gás diatômico poderá assumir dois
valores:

Figure 3: Molécula diatômica nos eixos coordenados. Note que a ligação entre os átomos aparece
como uma “mola”.

5
E = kT
2

Página 6
E
7
E = kT
2
para moléculas com ainda mais átomos, deve-se considerar os movimentos de flexão.
Depois desta digressão, tentaremos descobrir a capacidade térmica de um gás em função dos
seus graus de liberdade.
Primeiramente, vamos considerar que a energia cinética total de um gás é a sua energia interna.
Assim
i
E = U = N kT
2
Sendo N o número total de moléculas.
Assim, é simples encontrar a capacidade térmica a volume constante:
i
dU = N kdT
2
dU
Como CV = , temos
dT
i
CV = R
2
Onde o N e o k sumiram pois, por definição R = N k, e a capacidade térmica em questão, é a
capacidade térmica molar.
Sabemos que Cp = R + CV , assim
i+2
Cp = R
2
Cp
Por definição, γ = , logo
CV
i+2
γ=
i
Agora estamos aptos a calcular a capacidade térmica de qualquer gás apenas conhecendo algu-
mas propriedades de suas moléculas. Como encontramos γ, para encontrar a capacidade térmica
de um gás num processo politrópico é simples, basta substituir e chegaremos em:
 
i 1
C=R −
2−i n−1

5. Problemas
Problema 1. (Fuvest-SP)Uma garrafa térmica contém 100g de água a 10◦ C. Coloca-se dentro
dela 200g de gelo a −10◦ C. Supondo que as trocas de calor se dão apenas entre a água e o gelo
e usando os respectivos calores específicos, podemos afirmar que, quando o equilibro térmico é
novamente atingido, a temperatura final Tf e a massa final do gelo m serão:
a) Tf maior que 0◦ C e m = 0g
b) Tf menor que 0◦ C e m = 200g
c) Tf = 0◦ C e m = 200g
d) Tf = 0◦ C e m maior que 200g

Página 7
e) Tf = 0◦ C e m menor que 0g
Dados: calor específico da água 1,0cal/g ·◦ C; calor específico do gelo = 0,5cal/g ·◦ C

Problema 2. (Irodov)O volume de um mole de gás ideal de expoente adiabático γ varia de acordo
a
com a lei V = , onde a é uma constante. Encontre a quantidade de calor obtida pelo gás ao
T
variar sua temperatura em ∆T

Problema 3. (Irodov)Encontre a capacidade térmica molar de um gás ideal num processo politrópico
em que pV n = constante se o expoente adiabático do gás é igual a γ. Em quais valores da constante
politrópica n a capacidade térmica é negativa?

Problema 4. (Irodov)Em um certo processo politrópico um volume de argônio aumentou α = 4


vezes. Simultaneamente a pressão diminuiu em β = 8 vezes. Encontre a capacidade térmica molar
de argônio, assumindo que ele seja um gás ideal.

Problema 5. (irodov)Um gás ideal com expoente adiabático γ passa por um processo no qual
sua energia interna se relaciona com o volume seguindo U = aV α , onde a e α são constantes.
Encontre:
a) (Opcional) O trabalho realizado pelo gás e a quantidade de calor transferida necessária para
aumentar sua energia interna em ∆U
b) A capacidade térmica molar do gás nesse processo

Problema 6. (Irodov)Um gás ideal tem capacidade térmica molar CV a volume constante. En-
contre a capacidade térmica molar do gás em função de seu volume, se ele é submetido ao seguinte
processo
a) T = T0 eαV
b) p = p0 eαV

Problema 7. (Krotov)Um recipiente termicamente isolado está dividido em duas partes por um
pistão termicamente isolante que pode se mover pelo recipiente sem atrito. A parte esquerda do
recipiente contém 1 mole de gás monoatômico ideal, e a parte direita está vazia. O pistão está
conectado à parede direita através de uma mola, cujo comprimento original é o comprimento do
recipiente.

Figure 4: Imagem para questão 6

Página 8
Determine a capacidade térmica C do sistema, desprezando as capacidades térmicas do pistão, do
recipiente e da mola.

Problema 8. Para o caso de um gás ideal encontre a equação do processo (nas variáveis T e V )
no qual a capacidade térmica molar varia de acordo com
a) C = CV + αT
b) C = CV + βV
c) C = CV + ap
Onde α, β e a são constantes.

6. Gabarito
Problema 1. Alternativa(c)

2−γ
Problema 2. Q = R∆T
γ−1

 
1 1
Problema 3. C = R − ; C negativo quando 1 < n < γ
γ−1 n−1

Problema 4. C = −4,2J/(K · mol)

 
γ−1
Problema 5. a) A = ∆U (γ − 1); Q = ∆U 1+
α
R R
b) C = +
γ−1 α

R
Problema 6. a) C = CV +
αV
R
b) C = CV +
1 + αV

Problema 7. C = 2R

Problema 8. a) V eαT /R = constante


b) T eR/βV = constante
c) V − aT = constante

Página 9
Propagação de Calor
Caio Augusto - Projeto Olímpicos

1. Introdução
Salve, nesse folheto eu vou falar um pouco sobre a definição de calor, trabalho e suas distinções,
depois eu vou falar sobre as formas de propagação de calor e seguirei dai. Uma coisa que eu preciso
destacar é que: eu posso até entender bem algumas coisas sobre esses assuntos, mas de maneira
alguma eu sou a pessoa mais qualificada pra explicar todo o conceito de trabalho, calor entre outros:
esse conteúdo é tão vasto e tem tantos adendos que precisam ser feitos, com tantas definições únicas,
que é impossível um mero estudante explicar tudo de maneira efetiva a todos entenderem. O único
jeito de aprender tudo é através de incansáveis horas de leitura de diversos livros, fazendo uma
grande quantidade de exercícios e tendo um repertório muito grande de problemas de modo que
seu cérebro consegue efetivamente saber distinguir as coisas. No entanto, você de maneira alguma
precisa fazer 50 livros de termo pra fazer a OBF, OBC ou OPF, porque você não precisa saber
toda a física que rege o universo pra resolver exercícios de condução de calor. Então eu vou dar
uma explicação que eu considero fazer sentido mas ao mesmo tempo simplificada, então se você
estiver estudando pra seletiva e se deparar com conceitos mais avançados, não fique preocupado
dos conteúdos serem discrepantes do que eu apresento aqui: estou apenas dando uma explicação
simplificada o suficiente para não estar fisicamente errada, fazer sentido mas não ser geral em
todo o contexto físico. Até onde eu imagino, o que eu apresentar aqui é mais do que o suficiente
pra questões em contextos padrões de vestibulares e OBF, pois muitas vezes é um quesito de
reconhecer o que esta acontecendo e o que é preciso fazer na questão e quais formulas precisam
ser aplicadas.(Se tem algo que ficou mal explicado nesse folheto ou você acha que tem um assunto
que eu não tratei que você acha razoavel eu explicar, sinta-se livre pra me mandar mensagem no
discord falando sobre isso)

Sem mais papo coach, vamos ao assunto do folheto.

2. Trabalho e calor
A energia de um corpo pode sempre mudar quando posto a determinadas transformações: a tem-
peratura de um gás pode aumentar ou diminuir(aumentando sua energia térmica), um objeto pode
adquirir uma velocidade(aumentando sua energia cinética), pode ser levado a uma altura maior
(aumentando sua energia potencial gravitacional), um capacitor pode ser carregado(aumentando
sua energia elétrica), entre trilhares de outros métodos. Mas a duvida fica então, como essa energia
chega ao objeto? Como energia é transmitida de algum lugar para outro?

Os estudos do século 19 mostraram que na maioria dos casos (eu não vou afirmar que isso ta

Página 1
sempre certo porque se não pode chegar um físico quântico ultra pika e falar que eu to errado e
não sei nada) há duas formas que energia pode ser passada a um sistema: Por Trabalho ou por
propagação de calor.

Trabalho é uma forma mais conhecida de dar energia: Quando você exerce uma força pra levantar
uma caixa, você exerce um trabalho na caixa que aumenta sua energia potencial; quando você
da um chute numa bola de futebol e ela sai com uma velocidade muito grande, você exerceu um
trabalho na bola pra lhe dar uma energia cinética. Quase sempre quando tem trabalho envolvido,
tem alguma forma de força generalizada e um deslocamento generalizado envolvidos, isso é, se uma
força generalizada constante F~ é exercida em um objeto e este sofre um deslocamento generalizado
∆~x, o trabalho que foi exercido nesse objeto é dado por:

W = F~ · ∆~x

Transferência de energia por calor é comum quando eu tenho um corpo aquecendo ou resfriando
outro pelo contato entre eles: Quando eu coloco um cubo de gelo em uma banheira quente, o
mesmo recebe calor pra derreter. Ao colocar aguá em uma chaleira ligada a um fogão, a mesma
recebe calor do fogo e aumenta sua energia térmica. Embora não seja uma regra geral, um jeito
que eu uso pra identificar propagação por calor é: eu sempre tenho em mente que se a energia esta
chegando ao sistema devido a uma diferença de temperatura e não por causa de uma força, temos
troca de energia por forma de calor.

Nesse folheto, nosso foco é em como calor é propagado de um corpo para outro devido a essa
diferença de temperatura.

3. Propagação de calor
Sabemos que um corpo pode ter sua energia interna aumentada ao receber energia por meio de
calor, mas como isso ocorre exatamente? Quais são os métodos ao qual energia é transmitida de
um corpo pra outro? É isso que vamos discutir aqui, os métodos no qual há propagação de calor.
E é importante saber essas distinções entre cada um porque as leis que regem cada propagação
são beeem diferentes um dos outros, e pra prever a configuração final que um sistema vai ter é
importante saber quais métodos de propagação de calor estão envolvidos com o mesmo.

Fisicamente, há 3 métodos de propagação de calor (até onde eu vi na Wikipédia, tem bem mais
que isso, só que é tipo quando alguém fala que tem 27 estados da matéria, não é mentira, mas pra
gente não importa os outros 24 que não são os 3 padrão ensinado na escola): Condução, convecção
e radiação, vamos discutir cada um nas seções abaixo.

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4. Condução
Definitivamente o que mais aparece em exercícios. Pra entender do que se trata a condução de
calor, imagina que você vai em um acampamento com seus amigos e na noitada vocês vão comer
marshmallows esquentados na fogueira, mas você é um cara limpo e traz uma barra de metal pra
colocar o marshmallow no extremo mas você não ta afim de ficar segundo a barra, então você
deixa ela ali e enquanto isso fica varzeando. Depois de uns 5min esquentando o marshmallow, você
coloca a mão na barra de metal cuja extremidade estava longe do fogo achando q tudo estaria
bem, mas derrepente você percebe que esse extremo esta absurdamente quente e não é capaz de
pegar seu marshmallow, lhe restando apenas ver o delicioso petisco sendo queimado na fogueira,
incapaz de salva-lo. Mas você também é uma pessoa questionadora e se pergunta: eu não peguei
na ponta que estava na fogueira, como essa parte estava quente também? Como a energia de um
ponto do sistema aumentou? Nesse caso o que fez a outra extremidade esquentar é a propagação
de calor por meio de condução: quando um material possui um gradiente de temperatura em seu
interior, calor irá se propagar por meio de condução.

4.1 Fórmula de Fourier


A formulação matemática da condução é introduzida com o seguinte pensamento: Suponha que
eu pegue uma barra de um material X, que tem comprimento d e uma área transversal A, conecto

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um dos seus extremos a um reservatório muito grande a uma temperatura T1 (Por um reservatório
grande, quero dizer que não importa o quanto de energia é retirada na forma de calor dele, a
temperatura continua sendo T1 ) e conecto o outro extremo a um outro reservatório muito grande
a uma temperatura T2 , e eu quero saber dados essas configurações, quanto de energia esta sendo
transmitida na forma de calor de um objeto pro outro por unidade de tempo quando o equilíbrio
estacionário é atingido(entende-se por equilíbrio estacionário quando essa energia não é absorvida
pela barra, mas apenas transmitida por ela, isso significa que o quanto sai de um reservatório é o
quanto chegara ao outro, nada sendo entregue a barra.

Os estudos feitos sobre o assunto levaram a conhecida Formula de Fourier:


kA(T2 − T1 )
Φ=
d
Onde Q é a quantidade de energia por unidade de tempo que sai de 2 em direção a 1 e k é definido
como a condutividade térmica do objeto, característica do material X utilizado.

Eu não consigo conceber em palavras o quanto essa formula é pika, da uma olhada nela, interpreta
o que ta rolando, tenta imaginar o que da pra tirar disso(eu vo fazer isso daqui a pouco, mas
da uma olhada boa noq ta rolando por conta própria) Essa formula nos da diversas conclusões
interessantes: A quantidade de calor que é passado de um corpo a outro é proporcional a diferença
de temperatura entre eles, o que esta de acordo com a ideia que calor quase sempre esta relacionado
a uma diferença de temperatura entre corpos. Outra conclusão é: aumentando a área a energia
que é passada aumenta proporcionalmente, mas aumentar o comprimento diminui de maneira
inversamente proporcional a energia que é passada.

A condutividade termica diz respeito a facilidade que um objeto tem de transmitir calor por ele,
quanto maior a condutividade, mais facilidade tem o material. Isso já é de certo modo conhecido:
Um metal na maioria dos casos tem um k maior do que materiais como madeira ou lã, e não é
atoa que quando você esta em um lugar com uma temperatura baixa, tocar um objeto de metal
da uma sensação de "gelado"muito maior do que ao tocar um objeto de madeira ou de lã: os 3
materiais estariam na mesma temperatura que o ambiente, mas a diferença de temperatura do seu
corpo com esses materiais teria uma passagem de calor maior pro metal do que pros outros dois, o
que é responsável pela sensação de "frio"ou "gelado". Só tendo essa formula vamos tentar resolver
umas questões pra sacar como ela vem:

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4.2 Exercicios resolvidos com a formula de fourier
Problema 1. Supõe que em um reservatório 1 há agua e vapor de agua à pressão atmosferica
em equilibrio, e em um reservatório 2 há gelo e agua em equilibrio também a pressão atmosférica.
Planeja-se tirar energia do reservatório 1 e envia-lo para o 2, usando para isso uma barra de
alumínio de comprimento L = 50cm com uma area de seção transversal A = 5cm2 enrolada em
uma lá de vidro, sabendo que a condutividade térmica do alumínio é k = 0.5 s·cm ◦ C , queremos
cal

saber:

a) Qual a corrente térmica que esta sendo passada pela barra em direção ao reservatório 2(ou seja,
quanto de energia por unidade de tempo esta chegando ao reservatório 2)
b) Em 10 segundos, quanto de gelo terá derretido?

-A primeira coisa que tem que ser analisado é que, por termos agua e vapor de agua em equilibrio à
pressão atmosférica, a temperatura do reservatório 1 é de 100◦ C(aguá à pressão atmosférica ebuli
a 100◦ C e é nessa temperatura que aguá e vapor coexistem), e pelo mesmo motivo, o reservatório 2
esta à 0◦ C. A segunda coisa é perceber a presença da lá de vidro: ele também ira conduzir calor para
o exterior seguindo a lei de fourier (de uma maneira um pouco mais aloprada matematicamente),
mas essa quantia é negligenciável devido a baixa condutividade da lã, então ela esta ali pra facilitar
nossa vida e negligenciar a perda de energia para o exterior.

Com isso em mente, temos que , para a pergunta a), aplicar a formula de fourier, então:
kA∆T
Φ=
L

◦ C , A = 5cm , L = 50cm ∆T = 100 C, então


cal 2 ◦
k = 0.5 s·cm

Φ = 5cal/s

Para a pergunta b), temos que perceber que o calor que está indo para o reservatório 2 não pode
aumentar a temperatura do sistema enquanto todo o gelo não for derretido, então essa energia sera
usada pelo sistema para derreter gelo, e em 10 segundos

Q = t · Φ = 50cal

e como o calor latente de liquidificação da água é L ≈ 80cal/g,

Q = L∆m

,
Q
∆m = = 0.625g
L

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4.3 Equilíbrio estacionário e generalização da fórmula de Fourier
(Dou um aviso prévio sobre essa parte, enquanto escrevia, percebi que tinha muita coisa nova pra
ser introduzida e tinha muitas ideias pra exercícios, mas do que eu procurei, por algum motivo
isso é muito pouco falado na internet, o que problemático pra eu poder dar exemplos, então não
se preocupe se essa parte ficar um pouco confusa, relei-a e se mesmo assim ficar estranho, pd
perguntar no discord esse tipo de coisa)

A primeira coisa que é necessario ser dito é que: foi dita que a formula de fourier é valida quando
estamos no equilibrio estacionario da barra, mas o que isso significa exatamente? Eu não vou dar a
definição exata dele, mas sim uma ideia de o que seria e como identifica-la: O equilibrio estacionario
seria quando as quantias não mudam mais com o tempo. Pensa no caso da barra colocada entre
os dois reservatórios com duas temperaturas diferentes: A barra antes de ser colocada entre os
dois reservatórios podia ter qualquer temperatura, distribuida de qualquer maneira, e ao coloca-la,
essa vai mudar de temperatura com o tempo, mas é sabido que depois de muito tempo entre os
reservatórios, o seu perfil de temperatura( A temperatura em cada ponto da barra) não muda mais
com o tempo e é independente da sua condição inicial, quando isso é atingido é dito que a mesma
se encontra no estado estacionário, sendo valido então a formula de Fourier.

Ademais, formula de Fourier é algo bem conhecido por ai, sendo uma das leis que regem a condução
de calor, mas do jeito que ela esta ai não parece que tem muito que pode ser abstraido dela: Foi
colocado uma barra em condições ultra especificas, a priori parece uma formula que descreve um
caso bem específico na natureza, mas veremos agora que esse não é o caso:

Há algumas coisas que não foram tão bem especificadas no desenvolvimento dessa formula: Nos
dois extremos nós temos tal chamados "reservatórios grandes", mas e se esse não fosse o caso? A
formula não parece depender do que a barra esta conectada em seus extremos.

E isso de fato é verdade, a generalização seria que quando o estado estacionário é atingido e nós
temos em um extremo da barra a uma temperatura T1 e outro a uma temperatura T2 , essa quantia
Q estará sendo passada pela barra em direção de um extremo a outro, não importa se ela esta
conectada a um reservatório ou não.

Mas isso também leva a outra duvida: o que define "os extremos da barra"? Pois até ai os
tais chamados de extremos poderiam estar conectados a uma outra barra idêntica do mesmo
material e fisicamente esses limites não teriam nada de especial. Essa conclusão também esta
correta, e leva a um outro fato da generalização: definindo quaisquer extremos, essa formula
continua valendo(considerando que estamos no caso estacionário, onde os padrões de temperatura
não mudam com o tempo). Quando voltamos ao caso de uma barra em estado estacionario com
uma diferença de temperatura entre dois pontos, é possivel calcular o fluxo que passa por ela
definindo qualquer extremo que nos convém, mas nesse caso deve se usar as temperaturas nesses
dois extremos escolhidos, podemos então falar que se pegássemos dois extremos quaisquer na barra
separados por uma distancia ∆x com uma diferença de temperatura ∆T entre os extremos , o fluxo
de energia que passa nessa região analisada é dado por
kA∆T
Φ=
∆x

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Sabemos que no caso estacionário, essa quantia não depende dos limites analisados: a quantia
de calor que esta passando pela barra é constante por toda a barra, isso só é possível se ∆T ∆x
=
Constante, isto é: quando o caso estacionário é atingido na barra, pegando duas seções transversais
arbitrarias, a diferença de temperatura entre elas é proporcional a distancia que às separa.

Vamos usar o que temos até aqui pra chegar em algo muito interessante sobre o caso mais simples:
quando temos a barra de condutividade k, comprimento L e área transversal A colocada em contato
com dois reservatórios térmicos com temperaturas T1 e T2 , a barra tera essas temperaturas nos
seus extremos e em seu interior ocorre uma mudança linear indo de uma para outra

Disso tudo o que deve ser lembrado é que: Quando uma barra possui uma diferença de temperatura
∆T entre seus extremos, um fluxo vai fluir sobre ela de forma a seguir a Lei de Fourier, que pode
ser aplicada entre quaisquer duas seções transversais escolhida e o padrão de temperatura em seu
interior é linear indo de um extremo a outro.

Há mais generalizações sobre a lei de Fourier, tanto para quando não estamos no estado estacionario
quanto para quando a forma do objeto ou a forma como é feito a diferença de temperatura não é
tão simples, mas para o que é exigido em provas no quesito OBC, OBF, OPF e analogos, isso não
cai nem a pau, então da pra fica de boas sabendo o que foi mostrado aqui.

4.4 Barras Conectadas


Um caso não tão comum mas conhecido de exercicio sobre convecção é quando ao inves de uma
barra entre dois reservatorios, é colocado duas barras diferentes com comprimentos, seções trans-
versais e condutividade termica diferente entre os dois reservatórios, de forma que a temperatura
na região de contato entre as barras não é algo dado no exercício e é preciso saber o fluxo total que
passa de um reservatório à outro. Eu deixarei um exercício no folheto que trata disso, mas em si é
algo não complicado: A temperatura na região de contato das barras é uma incógnita do sistema
e o fluxo de calor que passa por elas também, porém é sabido que essa temperatura é a mesma
pras duas barras(isto é, se a temperatura no final de uma barra é Ti , a temperatura no começo da
outra barra que à toca é Ti também) e que o fluxo que passa por uma barra tem que ser igual ao
fluxo que passa pela outra, então escreve a equação de fourier para cada uma das barras(usando a
temperatura icógnita) e estabelece que o fluxo que passa por uma tem que ser igual ao fluxo que
passa pela outra, e a quantia de equações obtidas é suficiente pra achar tanto o fluxo efetivo quanto
a temperatura na região de contato, resolvindo assim o problema. O mesmo pode se expandido
para um caso onde ha diversas barras conectadas ao inves de 2, nesse caso as equações continuam
as mesmas(embora as contas possam ficar um pouco mais chatas de serem resolvidas) e é possivel
achar todas as quantias de interesse.

5. Convecção
Convecção é algo que se é cobrado na OBF e afins, é no máximo qualitativo, então eu vou dar uma
explicação qualitativa do que ela é e o que há diferencia da condução.

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5.1 Explicação qualitativa e exemplos
O mais comum de se ouvir falar por ai é que convecção ocorre quando a movimentação de alguma
coisa no interior do meio, os exemplos mais comums são:

1- O resfriamento feito em uma geladeira: Uma geladeira essencialmente é uma caixa com um
resfriador no seu topo e ar em seu interior: o resfriador faz com que o ar no topo da caixa fique
frio, porém ar frio é mais denso que ar quente, e portanto tende a cair do topo e ir para a base,
analogamente o ar quente tende a subir e ir ao topo onde há o resfriador. O ar frio que foi à
base, ganha energia térmica dos objetos ao seu redor e fica quente, o ar quente que foi ao topo
perde energia pelo resfriador e fica frio, e então o ciclo se repete, com ar frio descendo e ficando
quente e o ar quente subindo e ficando frio, essencialmente o que esta transmitindo energia para os
objetos dentro da geladeira é devido ao movimento do ar em seu interior, e é dito que essa forma
de passagem de calor é por convecção

2-Aquecimento de agua na panéla: Ao colocar uma panela no fogão ligado, a base da panela ira
receber calor e passar para a agua, a agua na base fica quente, porém a densidade de agua quente é
menor que a da fria ( é sabido que a densidade da água tem um máximo nas proximidades 4ºC, mas
depois disso qualquer aumento de temperatura tem uma diminuição na densidade, então o que eu
disse só é valido se estamos longe dos 4ºC, o que é fato para a maioria das vezes que você esquenta
agua na panela), e por isso o liquido quente tende a subir ao topo e o frio tende a descer à base,
o frio recebe calor da base e fica mais quente que o do topo, e então tende a subir enquanto o que
estava no topo tende a descer à base, de modo que um fluxo de calor é transmitido efetivamente
pelo movimento da aguá dentro da panela, é dito então que o calor esta sendo transmitido por
convecção

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Com esses exemplos, da pra se ter uma ideia geral de o que seria a convecção e como energia é
transmitida por meio desse processo, agora eu vou dar uma explicada melhor em o que define-a e
qual a diferença crucial dela pra condução.

5.2 Diferença entre condução e convecção


Eu ja aviso previamente aqui: o que eu falar aqui não é algo totalmente difundido pelos livros
por ai, esse assunto é meio jogado por ai e eu nunca vi um livro destinado especificamente a con-
vecção, a minha interpretação sobre a diferença entre os dois foi feita com base em exercicios de
olimpiadas em que era necessario tratar de convecção matematicamente, mas por ser algo meio
solto, se você chegar ao seu professor do 9ºano e falar que o que eu disse aqui ta certo, tem altas
chances de ele falar que você ta louco e ta ouvindo balela, isso porque exercicios de convecção no
nivel tratado aqui(tanto OBF e afins quanto vestibulares) deveria ser algo do tipo: "Qual a forma
de transmissão de calor que esta sendo tratada aqui?"ai você veria algo sobre "ar se movendo"ou
"agua se movendo no interior da panela"e falaria que é convecção, acertaria e iria varzear depois.
O meu intuito ao falar disso é tentar deixar mais claro o que define convecção.

Dito isso, pode ser gerado a duvida: mas porque seria necessário diferenciar a convecção da con-
dução? Não é obvio que um não tem nada haver com o outro? Um tem literalmente uma barra
metálica com diferença de temperatura e outra tem um liquido fazendo movimentos de "subir"e
"descer", mas não é tão fechado assim, o caso mais simples de se imaginar é quando estamos
esquentando água com uma temperatura máxima menor que 4ºC: para água entre 0ºC e 4ºC,
a densidade aumenta com o aumento da temperatura, então a agua quente da base ficaria com
densidade maior que a da agua do topo e ela não tenderia a subir ao topo, não sendo criado às
tais correntes de convecção.

Nesse caso o calor não pode ser transmitido por convecção, sendo passado então por condução
dentro da água, da mesma maneira que foi tratada a condução pra outros sistemas, como o da
barra entre dois reservatórios. Com um mesmo material podendo trasmitir calor das duas manei-
ras, o jeito que eu uso pra diferenciar quando condução e quando convecção estão em ação em um
sistema, é analisar se existe uma camada de equilibrio térmico do sistema analisado com os seus
arredores.

Pensa no caso da barra entre dois reservatórios, transmitindo calor por condução: é automatica-

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mente assumido que a temperatura da região do reservatorio que toca a barra é igual a temperatura
da região da barra que toca o reservatório, ou seja, é assumido a existencia de uma camada in-
finitesimal do sistema analisado( nesse caso, a barra) que esta em equilibrio térmico com os seus
arredores(nesse caso, os reservatórios). Para problemas de condução, isto é valido e não tem com
o que se preocupar, quando é chegado o estado estacionario o sistema possui seus contornos em
equilibrio termico com os arredores que o tocam. No entanto, isso não é valido quando temos
um processo de convecção: No caso da agua na panela, quando a camada logo acima da panela é
esquentada, ela se move e uma agua fria entra em contato com a base, de forma que a temperatura
na base da panela que toca a agua não é igual a temperatura da agua que toca a base da panela,
e isso fica assim porque sempre que é tentado obter-se um equilibrio termico entre os dois, a agua
se move e o equilibrio não cosegue ser obtido, e o calor que é retirado da panela é devido a essa
incapacidade de formação de um equilibrio dos contornos do sistema com seus arredores.

Se então há um processo de transmissão de calor, é necessario pensar: é possivel que por algum
motivo fisico o sistema tratado possui um movimento intrinseco de modo que os contornos não
consegue ficar em equilibrio térmico com os arredors? Se a resposta é sim, então convecção está
em ação, se a resposta é não então você se preocupa apenas com condução no sistema. Os casos
mais comuns que causam esse movimento intrinseco é quando os arredores ou o sistema possui um
fluido que muda de densidade com a temperatura, de modo que quando esse equilíbrio tende a ser
atingido, há movimento desse fluido e é impossível o equilíbrio chegar.

Gostaria de deixar claro que, do que eu entendo, a convecção esta relacionada apenas a retirada de
calor do sistema pelo seus arredores devido a essa diferença de temperatura na região de contato,
e não com o movimento do fluido em si, isto é: calor é passado da panela para a água pois a
região de contato com os dois não esta em equilibrio térmico, e essa passagem da panela para à
agua é chamada de convecção, a convecção não é esse movimento da agua devido a diferença de
temperatura, mas sim a passagem de energia da panela à agua devido a diferença de temperatura
entre os dois na região de contato. Isso vai de acordo com a lei mais comum pra descrever passagem
de calor por convecção:
Φ = h · A · ∆T
Onde h é chamada de constante de convecção, A é a area de contato entre o sistema e seus arredores
e ∆T , a diferença de temperatura entre esses dois.(Mas não se preocupa com essa formula, quando
ela é valida ou porque ela é valida, porque a probabilidade de ela cair num vestibular ou na OBF
é zero, o intuito é você perceber que a formula que diz respeito ao calor passado por convecção
relaciona a diferença de temperatura de um sistema com seu arredor. Como pode ser visto também,
se o equilibrio é atingido, a diferença de temperatura é zero e o calor transmitido por convecção é
nulo).

Página 10

Química & Física 
    
1 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
 
 
 
 
CONTEUDOS 
 
CINEMATICA. 
Movimento Uniforme
Química & Física 
    
2 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
 
Conceitos importantes: analogia com movimento ret
Química & Física 
    
3 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
 
Conceitos importantes: polias fixas e móveis, vín
Química & Física 
    
4 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
 
Requer: Leis de Newton e Estática 
 
Hidrodinâmic
Química & Física 
    
5 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
 
Teoria Cinética – Análise microscópica do comport
Química & Física 
    
6 
PROF. CLEANDSON DOURADO            
Assim é muito importante que você entenda conceitos
(https://olimpicos.cf)Cinemática I
Movimento Uniforme
Ian Seo Takose - Projeto Olímpicos (https://olimpicos.cf)
1. Introduçã
(https://olimpicos.cf)Figura 1: Representação do ponto zero da cidade de São Paulo
Perceba que é importante um “monumento” d
(https://olimpicos.cf)Com o exemplo dado, você consegue perceber que a rodovia nada mais é do que uma régua
gigante (em que
(https://olimpicos.cf)lembrando que ∆S é a distância percorrida e ∆t é o intervalo de tempo da ação (percebeu
a conexão entr

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