SALMOS
UMA BREVE INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS SALMOS
A palavra Salmo é derivada do latim “psalmus.i” e do grego “psalmós” e trás em seu significado
a ação de tocar um instrumento musical.
Em hebraico o título para Salmos é “Tehilim” e traz em seu significado: “Cânticos de Louvor”
ou tão somente “Louvores”.
Autoria dos Salmos
Quanto aos autores dos Salmos vemos claramente que em muitos deles, temos informações claras
quanto aos seus autores. Contudo, encontraremos muitos Salmos na Bíblia sem referências para suas
autorias.
No grupo dos que podem ser identificados e citados em várias versões das escrituras
temos:
✓ Salmo 90, escrito por Moisés. Lembrando que além do Salmo 90, é atribuído a Moisés os escritos
dos cinco primeiros livros da Bíblia, conhecido como “O Pentateuco.”
✓ Como músico e poeta, (I Sm 16.14-23; II Sm 1. 17-27; 22; 23.1; I Cr 6.31; 15.16; 16.7; Sl 18) –
Vemos Davi como aquele que mais Salmos escreveu. É atribuido a Davi a autoria de 73 salmos.
✓ Aos Coraítas da tribo de Levi é atribuído 11 Salmos sendo eles do 42-49; 84; 85; 87;
✓ Aos ezraítas: Descendentes de Zerá, da tribo de Judá, é atribuído a Hemã o Salmo 88 e a Etã o
Salmo 89; ambos, muito sábios segundo a Bíblia (1Rs 4:31);
✓ Asafe e acredita-se aos seus descendentes 12 Salmos – 50; 73 -83;
✓ A Salomão 2 Salmos: O 72 e o 127;
✓ A Ageu 1 Salmo;
✓ A Zacarias 1 Salmo;
✓ A Ezequias não há concenso quanto ao número;
✓ A Esdras 1 Salmo;
✓ Os demais Salmos são Anônimos.
É importante ressaltar que apesar de não podermos determinar a autoria de muitos dos Salmos
contidos na Bíblia, sabemos à luz da própria Palavra, que tais Salmos são inspirados pelo próprio Deus
e isto é o suficiente para que creiamos em Sua Palavra.
Quanto a data do livro dos Salmos
Como vimos anteriormente o livro foi escrito por vários autores e isto se deu durante um longo
período de tempo. Há um consenso entre os estudiosos da Bíblia, de que os primeiros salmos foram
escritos aproximadamente no ano de 1440 a.C., no tempo de Moisés, Enquanto que os salmos mais
recentes estão datados aproximadamente no ano 400 a.C, após o cativeiro babilônico.
Como o livro foi dividido?
Tradicionalmente Salmos está dividido em 5 livros, e cada livro terminando com uma Doxologia. É com
base nessa estrutura que os eruditos adotaram o esboço do livro como se segue:
✓ Livro 1 – Salmos 1-41
✓ Livro 2 – Salmos 42-72
✓ Livro 3 – Salmos 73-89
✓ Livro 4 – Salmos 90-106
✓ Livro 5 – Salmos 107-150
Os paralelismos da poesia hebraica nos Salmos
O livro dos Salmos está classificado no contexto da literatura poética. Contudo, a estrutura da
poesia hebraica é diferente da poesia portuguesa. Compreender um pouco dessa estrutura literária nos
ajudará na compreensão e interpretação dos textos. Enquanto que as nossas poesias são marcadas por
rimas e métricas, no contexto da poesia hebraica a sua característica está na presença dos paralelismos.
Estaremos destacando aqui os tipos de paralelismos encontrados nos salmos.
✓ Sinonímico – Nele a ideia da primeira linha é repetida similarmente na segunda linha;
✓ Antitético – Por oposição, a ideia da primeira linha é reafirmada na segunda linha; Através do
contraste percebido entre as duas linhas, um conceito ou ideia central é reforçado.
✓ Sintético – Aqui, através da segunda linha, é desenvolvido ou aprofundado o conceito que foi
apresentado na primeira linha.
✓ Climático – No paralelismo climático, a ideia principal é apresentada na primeira linha e cada
linha subsequente aprimora o desenvolvimento dessa ideia, adicionando novos elementos ao
conceito que foi apresentado.
✓ Quiástico – as ideias são apresentadas em unidades lógicas que são desenvolvidas de acordo
com um padrão cruzado.
✓ Emblemático – Através de uma figura de linguagem a primeira linha expressa a ideia e a
segunda linha irá tratar da mesma ideia, contudo de forma literal de modo a explicar a figura
da primeira linha.
Qual a mensagem do livro dos Salmos?
A mensagem vista nos Salmos é de uma amplitude muito grande. Vemos no livro a presença de
contextos que tratam dos valores e atos de Deus na criação, o seu governo na história e ainda eventos
específicos da vida do povo hebreu.
Salmos é um compêndio teológico que revelam a essência do Deus que deve ser adorado e
louvado e que requer um viver prático de todo aquele que teve um encontro real com Cristo e que
deve adorá-lo em espírito e em verdade.
A presença de Cristo nos Salmos
É marcante a presença de Cristo nos escritos dos Salmos. Da mesma forma como Cristo é
revelado nos demais textos do Antigo testamento, Sua obra e reino são revelados também nos Salmos.
Como exemplo podemos citar os Salmos 2, 16, 22, 24... que são conhecidos como Salmos
Messiânicos.
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA:
1. Bíblia Thompson
2. Site: Estilo e Adoração
3. ESTUDO SALMOS (POR BOB UTLEY)
4. Site: Vivendo Bauru
SALMO 1
(OS JUSTOS E OS ÍMPIOS)
Introdução:
De forma clara e objetiva o salmo primeiro pode ser divido em duas partes:
1. Dos versículos um ao três, o homem justo é descrito como alguém que anda na contra mão
dos valores do mundo. Ele é visto como alguém que não tem comunhão com os ímpios e suas práticas.
À luz desse estilo de vida, o homem segundo o coração de Deus é alguém que medita dia e noite na
lei do Senhor e a têm como regra de fé e prática para o seu viver diário. O resultado desse estilo de
vida é visto pelo autor do salmo como alguém que tem uma vida estável e próspera.
2. Dos versículos quatro ao seis, a realidade é oposta. Aqui vemos a forma triste que é descrita a
sorte dos ímpios. Eles não são como os justos, vistos como árvore que é plantada junto a ribeiros de
águas, mas são comparados a uma palha que o vento dispersa. Esses são aqueles que não resistem ao
julgamento de Deus que será operado contra todos os que negligenciam e não obedecem à sua Palavra.
(Lembrando em tempo, que todos os homens prestarão contas diante do trono branco de Deus.
Contudo, o homem que obedece à Lei do Senhor, é “justificado” pela Graça de Cristo (Rm 5.1);
Portanto, o seu estilo de vida que revela o seu comprometimento com a Lei do Senhor, assegura-lhe
a presença do seu supremo advogado, Jesus Cristo o autor salvação).
Estudando o Salmo...
1.1 - “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no
caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”
Para a palavra “bem-aventurado”, a tradução do hebraico diz: “oh, felicidade de” ou “feliz”. Essa
palavra tem um significado simples, contudo profundo. O homem que obedece aos mandamentos do
Senhor é participante de uma felicidade que tem como fundamento o próprio Deus. Esse homem é
visto como alguém que anda por fé. Logo, essa felicidade não se pauta nas circunstâncias, mas, resiste
até aos momentos mais difíceis. Esse homem é feliz porque tem Deus no controle total da sua vida.
O salmo afirma que esse homem é marcado por três coisas que ele não faz:
✓ Não anda no conselho dos ímpios;
✓ Não se detém no caminho dos pecadores
✓ Não se assenta na roda dos escarnecedores.
Aqui temos os passos que irão gerar a queda plena na vida daqueles que não observam e obedecem
à lei do Senhor. Tais pessoas começam a andar no conselho dos ímpios, após estarem andando, elas
agora são vistas detidas no caminho dos pecados e por fim, estão assentadas pactuando com o estilo
de vida dos escarnecedores.
1.2 – “Antes o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.”
A ideia do texto aqui não é vista como uma leitura ocasional, mas como alguém que tem em seu
estilo de vida, o envolvimento pleno com os preceitos e ordenanças da Lei do Senhor. O meditar pode
ser entendido como o “ruminar do boi” após ter se alimentado do capim. Assim deve ser a vida
daquele que prima pela obediência aos mandamentos do Senhor. O servo de Deus precisa ler e
ruminar essa palavra. Ele precisa personalizá-la em sua vida prática. Esse é o caminho de um viver
próspero no Senhor.
1.3 – “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu
fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto fizer será bem sucedido.”
De forma linda e graciosa o “justo” é comparado a uma árvore plantada junto a um ribeiro de
águas. Você consegue imaginar tal árvore? Nela há vida! Suas folhas são verdes e frutos maravilhosos
serão dados no tempo certo. Essa é a realidade vista na vida daqueles que servem ao Senhor. Eles
estão plantados na água da vida que é Jesus, se alimentam da sua Palavra diariamente e a frutificação
é vinda no tempo certo, para louvor e glória do Senhor.
1.4 – “Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.”
Aqui temos o contraste que é visto na vida dos ímpios. Deus os compara como a palha que o
vento dispersa. O homem que é dominado pelo pecado, não produz frutos; Pelo contrário, o seu estilo
de vida o leva à derrocada plena. É uma palha seca levada ao vento sem saber o seu fim. Eles não
resistem ao juízo de Deus que os sopra para longe.
1.5 – “Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação
dos justos.”
Aqui reside uma grande verdade bíblica: Deus julgará os homens ímpios. Eles não prevalecerão
no juízo. Aquele que vive na impiedade é como palha levada ao vento e na eternidade recebe o juízo
da condenação de Deus. Não há também comunhão dos justos com os pecadores. Deus é Santo e
não aceita o pecado. Portanto, os pecadores não prevalecerão na congregação dos justos. Essa foi uma
grande verdade requerida por Deus à nação de Israel diante das nações pagãs, mas que também é
verdade na vida daqueles que são justificados pela graça de Cristo. Os pecadores com suas ações
pecaminosas, não podem prevalecer (ter domínio) na congregação dos justos (igreja).
1.6 – “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.”
O caminho dos justos prima pela vida, enquanto o dos ímpios conduz à morte. O texto afirma
que Deus em sua grandeza e soberania, conhece tanto o caminho dos justos, quanto o dos ímpios.
Aqui o Deus que preserva, sustenta e guia o justo é o determinante de sua vida vitoriosa. Enquanto
que os ímpios dirigentes do seu próprio viver, avançam no pecado e perecem eternamente.
Conclusão:
O Salmo revela a graciosidade do viver daqueles que andam nos caminhos do Senhor e a
derrocada instaurada na vida dos que escolhem andar na contra mão das verdades imutáveis de Deus.
Que sejamos encontrados justificados pela Graça de Cristo e em obediência a Palavra de Deus,
sermos encontrados frutificando para o louvor da sua glória.
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA
1. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo - R.N. Champlin, Ph.D.
2. Bíblia Sagrada
SALMO 2
(O REINADO DO UNGIDO DO SENHOR)
Introdução:
À luz do texto e contextos que envolvem o Salmo 2, vemos o mesmo apresentando uma
mensagem dupla: O Salmo é claro em nos revelar profeticamente o reinado do Ungido de Deus e isto
nos deixa claro que estamos diante de um salmo messiânico. Contudo, ele aponta também para
contextos do reinado de Davi.
Apesar de não conter bases que indiquem sua autoria, vemos no novo testamento em Atos 4.25,
o apóstolo Pedro atribuindo a autoria desse salmo a Davi. Vale lembrar ainda que no Novo
Testamento temos várias referências ao Salmo 2. (Mateus 3.17; 17.5; Atos 4.25-27; 13.33; Romanos
1.4 e Hebreus 1.5; 5.5)
Divisões do Salmo
O Salmo pode ser dividido em quatro partes que podem ser descritas da seguinte forma:
✓ Os povos se rebelando contra Deus e o seu Ungido; (2.1-3)
✓ A resposta de Deus aos ímpios e o estabelecimento do Rei Messiânico; (2. 4-6)
✓ O governo de Deus; (2. 7-9)
✓ Os homens são responsabilizados diante de Deus. (2. 10-12)
I. Os povos se rebelando contra Deus e o Seu ungido;
“Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vàs? Os reis da terra se
levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido,
dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.” – (Sl 2. 1-3)
Não temos dúvidas de esse Salmo trata do reinado davídico, uma vez que a figura do rei estava
intrinsicamente ligada aos propósitos divinos. Contudo, precisamos ter olhos para ver as implicações
proféticas do Salmo ao apresentar a glória, governo e soberania do ungido de Deus e o seu governo
sobre as nações. O salmo aponta para Cristo.
Sob o domínio do pecado, o salmista apresenta as nações aglomeradas e enfurecidas contra o
ungido do Senhor. Eles veem a salvação, o cuidado e o amor de Deus como um fardo que precisa ser
arrancado! (Salmos 2.3; Oseias 11.4; Jeremias 5.5) - Eles rejeitam o domínio e senhorio de Cristo. De
forma insana e mergulhado no domínio do pecado, os homens planejam e imaginam coisas vãs. Os
povos estão se levantando e conspirando contra Deus e o seu ungido.
Aqui cabem duas observações que para mim são muito importantes:
✓ O reconhecimento vinda da igreja primitiva ao entender a aplicação desse Salmo como
referência a Cristo. (Atos 4. 25,26)
✓ Profeticamente as nações se reunirão contra o Ungido de Deus, quando da instauração
final dos juízos de Deus sobre toda a terra. (Apocalipse 19. 19-21; 20. 7-10)
II. Deus respondendo à rebelião dos ímpios e estabelecendo o Rei messiânico;
“Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então lhes falará na sua ira,
e no seu furor os turbará. Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.” – (Sl
2. 4-6)
O que podem fazer contra Deus homens pecaminosos e perdidos em seus pecados? O texto
registra que Deus está rindo (zombando) de tais homens. A ira de ira justa e santa de Deus sendo
derramada sobre os iníquos os levam à confusão total. Como soberano e eterno, Deus instaura o Rei
messiânico “no santo Monte de Sião”. (v.6) – Um reinado instaurado através do Rei Davi em
Jerusalém e apontando para o seu cumprimento final em Cristo Jesus.
III. O governo de Deus;
“Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me,
e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás
com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.” – (Sl 2. 7-9)
Aqui as implicações dizem respeito a aliança davídica, ministrada em II Samuel 7. 8-16. Davi foi
participante de um reino temporal que fora comissionado e instaurado pelo Senhor diante do seu
povo. O texto nos revela uma aliança divina proclamada a um reinado terreno e com aplicações nos
decretos e propósitos divinos. Profeticamente o texto está sendo dirigido ao Filho de Deus tendo
Davi como testemunha. Através desta passagem é revelado o relacionamento das pessoas divinas na
Trindade. (Atos 13.33,34; Hebreus 1.5,6). De forma clara e afirmativa, vê-se no texto a impotência e
fragilidade dos homens ímpios diante da soberania, justiça e reinado do ungido de Deus que regerá as
nações com vara de ferro.
IV. Os homens são responsabilizados diante de Deus;
“Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor
com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no
caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele
confiam.” – (Sl 2.10-12)
O Salmo termina revelando aos homens o caminho da bênção. Vemos que é necessário que os
homens sejam responsáveis e sensatos diante da majestade e soberania de Deus. É desta forma que
alcançarão a graça e a misericórdia do Supremo Rei que é Jesus. O próprio Deus aponta o caminho
que deverá seguido pelos que anseiam que anseiam ser alcançados por Sua Graça: Ser prudentes;
aceitar a instrução do Senhor; Servi-lo com temor; Alegrar-se Nele com tremor e beijar o Filho para
que se não ire e se pereçam pelo caminho.
Os que vivem desta forma, são encontrados como rendidos, submissos e fieis a Deus.
Os últimos versículos revelam ainda a ira e os juízos de Deus sobre todos os que o rejeitam e sua
maravilhosa Graça e proteção a todos os que Nele se refugiam.
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA:
1. Bíblia Sagrada;
2. Site Estilo e Adoração
SALMO 3
(A CONFIANÇA EM DEUS, NA ADVERSIDADE)
Introdução:
Na adversidade nos sentimos frágeis, incapazes. São nesses momentos sombrios e distantes de
toda e qualquer condição humana para a solução dos problemas, que nossa Fé e confiança precisam
ser depositadas plenamente em Deus. Ele será o nosso socorro.
Esse é o contexto do Salmo três. Davi estava sendo afligido e perseguido aparentemente pelo seu
próprio filho Absalão, que obstinado e revoltado queria tomar-lhe o trono. Sendo perseguido pelo
filho, Davi se vê obrigado a fugir e juntamente com os membros de sua casa, ele escapa atravessando
o rio Jordão para se acampar em Maanaim. (II Samuel 15 a 18)
Divisões do Salmo
O Salmo pode ser dividido em três partes que podem ser descritas da seguinte forma:
✓ O reconhecimento da adversidade; (Sl 3.1,2)
✓ Confiança e segurança em Deus; (Sl 3. 3-6)
✓ Um clamor por livramento; só Deus pode salvar e abençoar. (Sl 3. 7,8)
I. O reconhecimento da adversidade;
“Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam
contra mim. Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus” – (Sl 3. 1,2)
À luz do contexto do Salmo, buscando como referência II Samuel 15.13 lemos: “Então veio um
mensageiro a Davi, dizendo: O coração de cada um em Israel segue a Absalão.” – O filho está
contra o pai e o mensageiro afirma para ele que a nação toda estava do lado do filho. É por isso que
reconhecendo plenamente a grande adversidade que se manifestava sobre sua vida ele afirma em
oração: “São numerosos os que se levantam contra mim.” (3.1) Ele reconhece o seu grande
problema e têm consciência de que muitos estavam afirmando que não havia salvação para ele em
Deus.
Nenhum de nós está livre de enfrentar uma grande adversidade. Contudo, negar a realidade dos
fatos fingindo que as lutas não existem só contribuirá para piorar a situação. O caminho do
reconhecimento do quão impotente e frágeis somos em oração, tocará o coração de Deus e seremos
por graça e favor respondidos pelo Senhor.
II. Confiança e segurança em Deus;
“Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.
Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. Eu me deitei e
dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou. Não temerei dez milhares de pessoas que se
puseram contra mim e me cercam.” – (Sl 3. 3-6)
Nesse ponto do Salmo, vemos Davi tirando os olhos da realidade da adversidade e focando em
Deus. Esse olhar gerou confiança e segurança no coração do rei e essa grande verdade é vista quando
o vemos afirmando: “Porém tu, Senhor, és meu escudo, és minha glória e o que exalta a minha
cabeça” (3:3). Creio que aqui caiba uma pergunta relevante: “Diante das grande lutas e adversidades
que nos afligem, onde temos posto nossa confiança e segurança? Precisamos aprender a confiar e
descansar no Senhor, como Davi. É gracioso ver que essa era a verdade prática da sua vida, pois no
versículo 4 ele diz: “Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte.”
E seguro de que Deus ouvira a sua oração ele afirma então no versículo 5: “Deito-me e pego o sono;
acordo, porque o Senhor me sustenta” - Mesmo diante de uma grande adversidade, sendo
perseguido pelo próprio filho, ele pôde dormir em paz, porque era convicto de que estava sendo
guardado pelo Senhor.
III. Um clamor por livramento; só Deus pode salvar e abençoar;
Sendo sabedor do poder e soberania do Deus que governava a sua vida, ele rasga o coração em
oração diante do Senhor dizendo: “Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos
queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebra os dentes” (3.7). Que maravilhoso como
filhos de Deus, termos a liberdade para abrir nossos corações diante do Pai clamando por socorro.
Ah! Irmãos! Deus é fiel jamais rejeita um coração quebrantado. (Sl 51.17) – Podemos sim, clamar pelo
socorro do Senhor na certeza de que como filhos, seremos socorridos no momento oportuno, pois
Deus é Fiel. (Hb 4. 15,16).
Ele encerra o Salmo declarando sobre a onipotência e soberania de Deus afirmando: “A salvação
vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção.” (3.8)
Como adorador verdadeiro de Deus, ele teve a certeza de que foi ouvido em sua oração e por fé,
tomou posse da vitória, exaltando a grandeza Daquele que tinha o poder de salvar e abençoar. É lindo
observarmos ainda que o fim do Salmo, nos revela que além da salvação (livramento temporal) que
Deus ministrou sobre a vida de Davi, o Salmo também aponta para o Deus ministra libertação e
salvação eterna a todos que estão amparados por Sua Graça.
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA:
1. Bíblia Thompson
2. Site: Estilo e Adoração
SALMO 4
(A CONFIANÇA EM DEUS, NA ANGÚSTIA)
Introdução:
O contexto do Salmo 4 aponta para a confiança do servo de Deus nos momentos de angústia.
Ao lermos o Salmo vemos que em meio a grandes aflições, Davi revela a sua grande confiança em
Deus. O Salmo foi escrito por Davi e endereçado ao “mestre de Canto”, que possivelmente fosse um
ministro do louvor e responsável pela adoração em Israel. O próprio título revela que o Salmo deveria
ser acompanhado por instrumentos de cordas, tais como harpa e lira.
Divisões do Salmo
O Salmo pode ser dividido em quatro partes que podem ser descritas da seguinte forma:
✓ O salmista ora clamando pelo socorro de Deus; (Sl 4.1)
✓ A denúncia contra os adversários; (Sl 4. 2,3)
✓ Um chamado para um viver reto e piedoso para com Deus. (Sl 4. 4,5)
✓ Deus é louvado pelo seu cuidado e proteção. (Sl 4. 6-8)
O leitor da Palavra de Deus perceberá uma grande semelhança do Salmo quatro com o três e isto
nos revela que ambos foram escritos por Davi em meio a grandes aflições. Fica-nos claro o cuidado e
proteção de Deus para com todos os que invocam o Seu nome.
I. O salmista ora clamando pelo socorro de Deus;
“Ouve-me quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angústia me deste largueza; tem
misericórdia de mim e ouve a minha oração.” (4.1)
O salmo é iniciado com um clamor, uma oração de Davi rogando a Deus por sua misericórdia e
que o Soberano ouça a sua oração. Davi sabe que diante de suas grandes lutas e angústias ele tem um
Deus que pode fazer justiça a seu favor. Ele ora na certeza de que Deus o aliviará e o responderá com
sua graça e misericórdia. Lembremos que ainda hoje, em meio às lutas que enfrentamos, o Deus que
nos salvou jamais abandona o barco da nossa vida. Portanto, com ousadia, temor e tremor podemos
clamar por seu auxílio e misericórdias. Ele nos responderá.
II. A denúncia contra os adversários;
“Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando
amareis a vaidade e buscareis a mentira? Sabei, pois, que o Senhor separou para si aquele que
é piedoso; o Senhor ouvirá quando eu clamar a ele.” (4. 2,3)
Nesse ponto do Salmo, em oração Davi denuncia os homens iníquos. Ele expressa a verdade do
que os seus olhos estão contemplando - homens perversos que primam pela mentira, em vez da
verdade; homens que buscam sua segurança em deuses que não podem salvá-los. Logo a seguir ele
faz menção daqueles que pertencem ao Senhor. O Senhor tem um povo que é piedoso e são esses que
Ele atende quando clamam pelo Seu nome.
III. Um chamado para um viver reto e piedoso para com Deus;
“Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos.
Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no Senhor.” (4. 4,5)
No versículo anterior vemos Davi tratando diretamente com os opositores (adversários, iníquos);
contudo, parece-nos que aqui sua fala é direcionada aos que temiam a Deus como ele. A ideia do texto
é a de alguém que está aconselhando pessoas, para que não se precipitem em suas ações. Aqui temos
ensinos profundos para o nosso viver prático.
✓ Podemos chegar até a ira, mas não devemos pecar. Essa expressão usada por Davi nos faz
lembrar o texto de Efésios 4. 26 quando lemos: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o
sol sobre a vossa ira.”
✓ A ideia de falar com o coração na cama nos remete a um coração sensato, calmo, maduro e
reflete antes de suas tomadas de decisões; alguém que nesses momentos abre o coração pra
Deus, disposto a obedecer a Sua vontade.
✓ Aquele que teme a Deus independente das circunstâncias, deve oferecer à Ele sacrifícios de
justiça (Adoração) e se manter confiado Nele.
IV. Deus é louvado pelo Seu cuidado e proteção;
O é encerrado com Davi expressando o seu louvor a Deus. Logo no início desta parte do Salmo,
vemos Davi respondendo àqueles que não creem no agir e provisão de Deus para com os seus filhos.
Ele afirma no versículo seis: “Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? Senhor,
levanta sobre nós a luz do teu rosto” – A seguir, ovemos abrindo o seu coração a Deus para que a
luz do rosto do Senhor seja ministrada sobre os seus filhos. Dentro desse contexto é lindo ver a sua
declaração ao dizer que a alegria que Deus lhe dera, sobrepujava as alegrias momentâneas dos ímpios.
(v.7)
Por fim, o vemos fazendo a linda declaração de confiança e segurança em Deus ao dizer: “Em
paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.”
(4.8)
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA
1. Bíblia Sagrada
2. Site: Estilo e Adoração
SALMO 5
(UMA SÚPLICA PELA INTERVENÇÃO DIVINA)
Introdução:
No Salmo cinco, o rei Davi faz um clamor pedindo a Deus por sua proteção e intervenção divina.
Não há como precisar o contexto histórico em que o Salmo foi escrito; contudo, num tempo de grande
aflição e num contexto de inimigos que declaradamente estão se levantando contra o rei e o seu
reinado, Davi ora pedindo a Deus que seja o Juiz e o executor dos castigos que eles merecem. (5.8-
10)
Divisões do Salmo
O Salmo pode ser dividido em quatro partes que podem ser descritas da seguinte forma:
✓ Davi clama por sua proteção e intervenção divina; (Sl 5. 1-3)
✓ Deus é grande em justiça e misericórdia; (Sl 5. 4-7)
✓ A diferença entre os ímpios e os justos. (Sl 5. 8-12)
I. Davi clama por sua proteção e intervenção divina;
“Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor, atende à minha meditação. Atende à voz do
meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei. Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor;
pela manhã apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei.” (5. 1-3)
Davi tem consciência de que os seus inimigos estão se levantando e conspirando contra ele. Frente
a esse grande momento de aflição, ele já se apresenta diante de Deus em oração pela manhã. Há um
profundo desejo em seu coração de ser ouvido e respondido por Deus. Não há dúvidas de que há fé
no coração de Davi, porque em sua oração ele orar e vigia (espera pela resposta de Deus). (5.3)
Quem de nós nunca enfrentou uma grande luta e conflitos que nos abatem e tiram a paz? Assim
como o rei Davi enfrentou grandes angustias e sofrimentos, muitas vezes, também somos alvejados
pelos ataques dos inimigos de Deus, pelos desertos áridos das adversidades e tempestades que irão
primar por abalar a nossa fé e nos fazer derrotados. Davi nos ensina que através da oração seremos
vitoriosos! Através da oração Deus nos responderá. É necessário que sejamos perseverantes e com fé
e verdade, rasgarmos o nosso coração diante do Pai. Ele é poderoso para nos responder declarando a
nossa vitória.
II. Deus é grande em justiça e misericórdia;
“Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal.
Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás
aqueles que falam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento. Porém
eu entrarei em tua casa pela grandeza da tua benignidade; e em teu temor me inclinarei para
o teu santo templo.” (5.4-7)
Davi tem consciência da grandeza da justiça de Deus; então, ele ora na certeza de que diante
da santidade e justiça de Deus, os perversos jamais permanecerão. Ele ainda afirma que Deus odeia a
todos os que praticam a maldade e destruirá aos mentirosos; Ele aborrece (abomina) o homem
sanguinário e fraudulento. (v.6,7)
A princípio ao ler o texto podemos achar muito fortes as palavras de Davi proferidas nessa
oração: “aborrece” por exemplo que pode ser traduzida por “odiar”, “detestar”; Contudo, é de fato
desta forma que Deus trata com o mal. De forma plena a justiça de Deus é exercida contra o pecado
e o único caminho de Salvação para os pecadores é através da Graça de Cristo. (Efésios 2. 8,9) –
Vemos essa grande verdade quando Davi afirma: “Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza
da tua benignidade; e em teu temor me inclinarei para o teu santo templo.” (v.7)
III. A diferença entre os ímpios e os justos;
“Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos; endireita diante de mim
o teu caminho. Porque não há retidão na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras
maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto; lisonjeiam com a sua língua. Declara-os
culpados, ó Deus; caiam por seus próprios conselhos; lança-os fora por causa da multidão de
suas transgressões, pois se rebelaram contra ti. Porém alegrem-se todos os que confiam em
ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu
nome. Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; circundá-lo-ás da tua benevolência como de um
escudo.” (5.8-12)
Nessa oração, sendo sabedor de que muitos eram os seus inimigos, Davi anseia por ser guiado
por Deus em Sua Justiça. Ele sabe que dessa forma, sendo fiel a Deus, encontrará o socorro de Deus,
diante dos homens maus que eram guiados pelo domínio de suas muitas pecaminosidades. Então ele
clama para que Deus impetre Sua justiça a esses que eram ímpios e transgressores. O Salmo é
encerrado pelas palavras finais de Davi, acerca daqueles que confiam em Deus e são contados como
justos pela graça divina. Os que temem ao Senhor podem se alegrar! Eles celebram porque contam
com a proteção e bênção de Deus. Como um escudo, a Sua benevolência certa e protege os que foram
justificados por Sua Graça. (v.12)
Pr. Waldyr do Carmo
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BIBLIOGRAFIA
1. Bíblia Sagrada
2. Site: Estilo e Adoração
3. Comentário da Bíblia Anotada (Por Gaebelein, Arno C.)