Perceção sensorial e transfiguração poética do real
Perceção sensorial: Na sua deambulação pela cidade, o
poeta apreende o real através dos sentidos, captando situações,
objetos, pessoas e ambientes quotidianos com objetividade e
pormenor.
Transfiguração poética do real: Valorizando a impressão
causada pela captação do real, o poeta cria uma realidade imaginada
por si. Esta transfiguração do real permite ao sujeito poético a fuga,
a evasão de uma realidade exterior que oprime, que faz sofrer. Como
por exemplo, o sujeito poético num dado bairro da cidade, observa e
descreve uma pequena hortaliceira que carrega um cesto de fruta
pesado – os frutos dão lugar à visão de um corpo humano (“Há colos,
ombros, bocas, um semblante / Nas posições de certos frutos. […]
Surge um melão, que me lembrou um ventre.” – “Num Bairro
Moderno”.
Ou seja, os inúmeros estímulos, continuamente captados,
constituem o ponto de partida para analisar poeticamente a
realidade, num cruzamento de objetividade (perceção) e
subjetividade (transfiguração).