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Fundamentos da Linguística

O documento discute os conceitos fundamentais da linguística introduzidos por Saussure, incluindo: 1) a distinção entre linguagem, língua, fala e escrita; 2) a natureza arbitrária e linear dos signos linguísticos que compõem as línguas; 3) as funções da linguagem como comunicação. O texto também diferencia a linguagem humana dos sistemas de comunicação dos animais e discute a linguística como uma ciência empírica que estuda as línguas.

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Fundamentos da Linguística

O documento discute os conceitos fundamentais da linguística introduzidos por Saussure, incluindo: 1) a distinção entre linguagem, língua, fala e escrita; 2) a natureza arbitrária e linear dos signos linguísticos que compõem as línguas; 3) as funções da linguagem como comunicação. O texto também diferencia a linguagem humana dos sistemas de comunicação dos animais e discute a linguística como uma ciência empírica que estuda as línguas.

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1.

Conceitos introdutórios
1.1 Linguagem, Língua, Fala e Escrita
 LINGUAGEM:
Saussure considerou a linguagem “heteróclita e multifacetada”, pois abrange vários domínios; é, ao mesmo tempo, física,
fisiológica e psíquica; pertence ao domínio individual e social; “não se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos,
pois não se sabe como inferir sua unidade”. A linguagem envolve uma complexidade e uma diversidade de problemas que
suscitam a analise de outras ciências, como a psicologia, a antropologia, etc., além da investigação linguística, não se prestando,
portanto, para objeto de estudo dessa ciência.
 LÍNGUA:
Um objeto unificado e suscetível de classificação. A língua é uma parte essencial da linguagem; “é um produto social da
faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa
faculdade nos indivíduos”.
A língua é para Saussure “um sistema de signos” – um conjunto de unidades que se relacionam organizadamente dentro
de um todo. É a “parte social da linguagem”, exterior ao individuo; não pode ser modificada pelo falante e obedece às leis do
contrato social estabelecido pelos membros da comunidade.
 FALA:
A fala é um ato individual; resulta das combinações feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua; expressa-se pelos
mecanismos psicofísicos (atos de fonação) necessários à produção dessas combinações.
 ESCRITA:
(a distinção linguagem/língua/fala situa o objeto da linguística para Saussure. Dela decorre a divisão do estudo da linguagem em
duas partes: uma, que investiga a língua, e outra, que analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, visto que são
interdependentes: a língua é condição para se produzir a fala, mas não há língua sem o exercício da fala. Há necessidade, portanto,
de duas linguísticas: a linguística da língua e a linguística da fala. Saussure focalizou em seu trabalho a linguística da língua,
“produto social depositado no cérebro de cada um”, sistema supraindividual que a sociedade impõe ao falante.)

1.2 Linguagem verbal vs. linguagem não verbal


A linguagem verbal utiliza palavras para estabelecer a comunicação, que são utilizadas tanto na escrita como na oralidade.
A linguagem não verbal não utiliza palavras para estabelecer a comunicação, recorrendo a outras formas de comunicação, como
gestos, sinais, símbolos, cores, luzes,…

1.3 Semiologia, signos


As línguas são conjuntos de signos linguísticos, e cada signo linguístico é uma entidade formada por um conceito – ao qual
Saussure deu o nome de significado – e uma imagem acústica – denominada significante.
 Características do signo:
 Arbitrariedade- o signo linguístico é imotivado ou arbitrário, não no sentido de que o usuário da língua pode associar a
certo conceito o significante que quiser (afinal, o signo é uma convenção social e não pode ser determinado por um único
individuo), mas sim no sentido de que não existe nenhuma relação natural entre o conceito e o significante. Ou seja, a
comunidade que usa determinada língua atribui significantes arbitrariamente aos conceitos que quer nomear.
 Linearidade- o caráter auditivo do significante linguístico faz com que ele se desenvolva no tempo. Ele representa uma
extensão e essa extensão é mensurável numa só dimensão, é uma linha. A escrita, ao representar a fala, representa essa
linearidade no espaço. A linearidade é uma característica das línguas naturais, segundo a qual os signos, uma vez
produzidos, dispõem-se uns depois dos outros numa sucessão temporal ou espacial. Por causa dessa característica, não se
pode produzir mais de um elemento linguístico de cada vez: um som tem que vir depois do outro, uma palavra depois da
outra, e não se podem produzir dois sons ao mesmo tempo ou duas palavras ao mesmo tempo.

1.4 Código de sinais e comunicação animal


 Embora o sistema de comunicação dos  Mensagem invariável
animais seja preciso, não constitui uma  Relação com apenas uma situação
linguagem, no sentindo em que o termo é  Transmissão unilateral
empregado para a linguagem humana.  Enunciado indecomponível
 Constituem um código de sinais  Não há flexibilidade e adaptabilidade
 Conteúdo fixo

1.5 Funções da linguagem


 Elementos da comunicação:
 Emissor- emite, codifica a mensagem  Canal- meio pelo qual circula a mensagem
 Receptor- recebe, decodifica a mensagem  Referente- contexto relacionado a emissor e
 Mensagem- conteúdo transmitido pelo emissor receptor
 Código- conjunto de signos usado na transmissão e
recepção da mensagem
 Funções da linguagem
 Função emotiva / expressiva- centrada no  Função referencial / denotativa- centrada no
remetente referente
 Função conativa / apelativa- centrada no  Função metalinguística- centrada no código
destinatário  Função poética- centrada na mensagem
 Função fática- centrada no meio
1.6 Língua, discurso e ideologia

2. Correntes linguísticas
2.1 A linguística como ciência:
Como o termo linguagem pode ter um uso não especializado bastante extenso, podendo referir-se desde a linguagem dos
animais até outras linguagens – musica, dança, pintura, mímica, etc. – convém enfatizar que a linguística detém-se somente na
investigação científica da linguagem humana. No entanto, é de se notar que todas as linguagens (verbais ou não verbais)
compartilham uma característica importante – são sistemas de signos usados para a comunicação. Esse aspecto comum tornou
possível conceber-se uma ciência que estuda todo e qualquer sistema de signos. Saussure a denominou semiologia; Peirce a
chamou de semiótica. A linguística é, portanto uma parte dessa ciência geral; estuda a principal modalidade dos sistemas sígnicos,
as línguas naturais, que são a forma de comunicação mais altamente desenvolvida e de maior uso.
Uma pintura, uma dança, um gesto podem expressar, mesmo que sob formas diversas, um mesmo conteúdo básico, mas só a
linguagem verbal é capaz de traduzir com maior eficiência qualquer um desses sistemas semióticos. As línguas naturais situam-se
numa posição de destaque entre os sistemas sígnicos porque possuem, entre outras, as propriedades de flexibilidade e
adaptabilidade, que permitem expressar conteúdos bastante diversificados: emoções, sentimentos, ordens, perguntas, afirmações,
como também possibilitam falar do presente, passado ou futuro.
Os estudos linguísticos não se confundem com o aprendizado de muitas línguas: o linguista deve estar apto a falar “sobre”
uma ou mais línguas, conhecer seus princípios de funcionamento, suas semelhanças e diferenças. A linguística não se compara ao
estudo tradicional da gramática; ao observar a língua em uso o linguista procura descrever e explicar os fatos: os padrões sonoros,
gramaticais e lexicais que estão sendo usados, sem avaliar aquele uso em termos de um outro padrão: moral, estético ou crítico.
As diferenças de pronúncia, de vocabulário e de sintaxe observadas por um habitante se São Paulo, por exemplo, ao
comparar sua expressão verbal à dos falantes de outras regiões, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belo Horizonte, muitas
vezes o fazem considerar “horrível” o sotaque de algumas regiões; “esquisito” seu vocabulário e “errada” sua sintaxe. Esses
julgamentos não são levados em conta pelo linguista, cuja função é estudar toda e qualquer expressão linguística como um fato
merecedor de descrição e explicação dentro de um quadro cientifico adequado.
O linguista procura descobrir como a linguagem funciona por meio do estudo de línguas específicas, considerando a língua
um objeto deestudo que deve ser examinado empiricamente, dentro de seus próprios termos, como a física, a biologia, etc. A
metodologia de análise linguística focaliza, principalmente, a fala das comunidades e, em segunda instância, a escrita.
A prioridade atribuída pelo linguista ao estudo da língua falada explica-se pela necessidade de corrigir os procedimentos de
análise da gramática tradicional, que se preocupava quase exclusivamente com a língua literária, como modelo único para
qualquer forma de expressão escrita ou falada. O prestigio e a autoridade da língua escrita em nossa sociedade, muitas vezes, são
obstáculos para os principiantes nos estudos da linguística, que têm dificuldade em perceber e aceitar a possibilidade de considerar
a língua falada independentemente de sua representação gráfica.
Os critérios de coleta, organização, seleção e analise dos dados linguísticos obedecem aos princípios se uma teoria linguística
expressamente formulada para esse fim. Os resultados obtidos são correlacionados às informações disponíveis sobre outras
línguas com o objetivo de elaborar uma teoria geral da linguagem. Distinguem-se, aqui, dois campos de estudos: a linguística
geral e a descritiva. A linguística geral oferece conceitos e modelos que fundamentarão a analise das línguas; a linguística
descritiva fornece os dados que confirmam ou refutam as teorias formuladas pela linguística geral. São duas tarefas
interdependentes; não pode haver linguística geral ou teórica sem a base empírica da linguística descritiva. É possível, entretanto,
que uma descrição linguística tenha outros objetivos, além de oferecer elementos para a análise da linguística geral; o trabalho de
descrição de ima língua pode estar preocupado em produzir uma gramática ou um dicionário, com o objetivo de dotála de
instrumentos para sua difusão na forma escrita, como no caso de línguas indígenas , africans ou outras que ainda não circulem no
meio escrito.
No século XX os linguistas preocuparam-se com o estudo das transformações por que passavam as línguas, na tentativa de
explicar as mundanças linguísticas. A linguística era histórica ou diacrônica, Saussure, no inicio do século XX, introduziu um
novo ponto de vista no estudo das línguas, o ponto de vista sincrônico, segundo o qual as línguas eram analisadas sob a forma que
se encontravam num determinado momento histórico, num ponto do tempo. A descrição linguística observaria “a relação entre
coisas coexistentes”, que constituiriam o sistema linguístico. Embora defendesse a perspectiva sincrônica no estudo das línguas,
Saussure reconhecia a importância e a complementaridade das duas abordagens: a sincrônica e a diacrônica. Em sincronia os fatos
linguísticos são observados quanto as suas transformações, pelas relações que estabelecem com os fatos que o precederam ou
sucederam.
A descrição sincrônica analisa as relações existentes entre os fatos linguísticos num estado de língua; os estudos diacrônicos
são feitos com base na análise de sucessivos estados de língua. O estudo sincrônico sempre precede o diacrônico. Para explicar,
por exemplo, como o pronome de tratamento vossa mercê se transformou até assumir a forma atual você, pronome pessoal, é
necessário comparar diferentes estados de língua previamente caracterizados como tais e observar as mudanças que ocorrem na
expressão sonora e no uso.
Muitos linguistas tomam a separação sincronia/diacronia como um rigoroso princípio metodológico: ou se investiga um
estado de língua ou se investiga a historia da língua. Temos, então, dois ramos da linguística: a sincrônica e a histórica.
Moderadamente, a linguística sincrônica vem sendo denominada linguística teórica, preocupada mais com a construção de
modelos teóricos do que com a descrição de estados de língua.
Como muitas áreas de estudo se interessam pela linguagem, o estudo do fenômeno linguístico na interface com outras
disciplinas criou varias áreas interdisciplinares: a etnolinguística, que trabalha no âmbito da relação entre língua e cultura; a
sociolinguística, que se detém no exame da interação entre língua e sociedades; a psicolinguística, que estuda o comportamento do
indivíduo como participante do processo de aquisição da linguagem e da aprendizagem de uma segunda língua.

2.2 Estruturalismo
Para o mestre genebrino, “a linguística tem por único e verdadeiro objeto a língua considerada em si mesma, e por si mesma”.
Os seguidores dos princípios saussurianos esforçaram-se por explicar a língua por ela própria, examinando as relações que unem
os elementos do discurso e buscando determinar o valor funcional desses diferentes tipos de relações. A língua é considerada uma
estrutura constituída por uma rede de elementos, em que cada elemento tem um valor funcional determinado. A teoria de analise
linguística que desenvolveram, herdeira das ideias de Saussure, foi denominada estruturalismo. Os princípios teórico-
metodológicos dessa teoria ultrapassaram as fronteiras da linguística e a tornaram “ciência-piloto” entre as demais ciências
humanas, até o momento em que se tornou mais contundente a crítica ao caráter excessivamente formal e distante da realidade
social da metodologia estruturalista desenvolvido pela linguística.

2.3 Funcionalismo
Outra proposta de explicação do fato linguístico é apresentada pela gramática funcional, fundamentada nos princípios do
funcionalismo, que não separa o sistema linguístico das funções que seus elementos preenchem. A gramática funcional leva em
consideração o uso de expressões linguísticas na interação verbal; inclui na analise da estrutura gramatical toda a situação
comunicativa: o propósito do evento da fala, os participante e o contexto discursivo.
Estão relacionados à escola linguística de Praga os mais representativos desenvolvimentos da teoria funcionalista. A escola de
Praga teve origem no círculo linguístico de Praga, fundado em 1926. No que se refere à estrutura gramatical das línguas, os
linguistas da escola de praga detiveram-se na definição da perspectiva funcional da sentença.
2.4 Gerativismo
Em meados do século xx, o norte-americano Noam Chomsky trouxe para os estudos linguísticos uma nova onda de
transformação. Em seu livro Syntatic Structure (1957:13), afirma: “Doravante considerarei uma linguagem como um conjunto
(finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos”. Essa
definição abrange muito mais do que as línguas naturais, mas conforme seu autor, todas as línguas naturais são, seja na forma
falada, seja na escrita, linguagens, no sentido de sua definição, visto que:
 Toda língua natural possui um número finito de sons (e um número finito de sinais gráficos que os representam, se for
escrita);
 Mesmo que as sentenças distintas da língua sejam em número infinito, cada sentença só pode ser representada como uma
sequência finita desses sons (ou letra).
Cabe ao linguista que descreve qualquer uma das línguas naturais determinar quais dessas sequências finitas de elementos são
sentenças, e quais não são, isto é, reconhecer o que se diz e o que não se diz naquela língua. A análise das línguas naturais deve
permitir determinar as propriedades estruturais que distinguem a língua natural de outras linguagens. Chomsky acredita que tais
propriedades são tão abstratas, complexas e especificas que não poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criança em fase
de aquisição da linguagem. Essas propriedades já devem ser “conhecidas” da criança antes de seu contato com qualquer língua
natural e devem ser acionadas durante o processo de aquisição da linguagem. Para Chomsky, portanto, a linguagem é uma
capacidade inata e especifica da espécie, isto é, transmitida geneticamente e própria da espécie humana. Assim sendo, existem
propriedades universais da linguagem, segundo Chomsky e os que compartilham suas ideias. Esses pesquisadores dedicaram-se à
busca de tais propriedades, na tentativa de construir uma teoria geral da linguagem fundamentada nesses princípios. Essa teoria é
conhecida como gerativismo.
(Assim como Saussure – que separa língua da fala, ou o que é linguístico do que não é – Chomsky distingue competência de
desempenho. A competência linguística é a porção do conhecimento do sistema linguístico do falante que lhe permite produzir o
conjunto de sentenças de sua língua; é um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicação de sua
capacidade inata para a aquisição da linguagem aos dados linguísticos que ouviu durante a infância. O desempenho corresponde
ao comportamento linguístico, que resulta não somente da competência linguística do falante, mas também de fatores não
linguísticos de ordem variada, como: convenções sociais, crenças, atitudes emocionais do falante em relação ao que diz,
pressupostos sobre as atitudes do interlocutor, etc., de um lado; e, de outro, o funcionamento dos mecanismos psicológicos e
fisiológicos envolvidos na produção dos enunciados. O desempenho pressupõe a competência, ao passo que a competência não
pressupõe o desempenho. A tarefa do linguista é descrever a competência, que é puramente linguística, subjacente ao
desempenho.)

2.5 Sociolinguística
A Sociolinguística é uma das subáreas da Linguística e estuda a língua em uso no seio das comunidades de fala, voltando a
atenção para um tipo de investigação que correlaciona aspectos linguísticos e sociais. Esta ciência se faz presente num espaço
interdisciplinar, na fronteira entre língua e sociedade, focalizando precipuamente os empregos linguísticos concretos, em especial
os de caráter heterogêneo.
A Sociolinguística como uma ciência autônoma e interdisciplinar teve início em meados do século XX, embora haja vários
linguistas que, muito antes dos anos 1960, já desenvolviam em seus trabalhos teorias de natureza claramente sociolinguística,
como é o caso de Meillet [1866-1936], Bakhtin [1895-1975] e membros do Círculo Linguístico de Praga. Esses são pensadores
que levavam em conta o contexto sociocultural e a comunidade de fala em suas pesquisas linguísticas, ou seja, não dissociavam o
material da fala do produtor dessa fala, o falante – pelo contrário, consideravam relevante examinar as condições em que a fala era
produzida.
Na sua infância, a pesquisa sociolinguística foi motivada pela constatação de que crianças oriundas de grupos linguísticos
minoritários apresentavam desempenho escolar muito inferior ao das crianças provenientes de classe média e classe alta. Hoje
podemos explicar essas diferenças com base no grau de letramento com que as crianças convivem em seu ambiente familiar. Na
década de 1960, quando os primeiros sociolinguistas buscavam no repertório linguístico das crianças as explicações para o seu
melhor ou pior ajustamento à cultura escolar, ainda pouco se discutia o impacto da cultura letrada sobre grupos sociais ou
nacionais.
Liderados por William Labov, os sociolinguistas pioneiros, nos Estados Unidos, desenvolveram intensivas análises
contrastivas entre a variedade do inglês que era a língua materna dos alunos em questão e o chamado inglês padrão, falado e
ensinado na escola. Nesses tempos em que se firmavam as raízes da Sociolinguística, essa ciência voltou-se prioritariamente para
a descrição da variação e dos fenômenos em processo de mudança, inerentes à língua, expandindo-se depois para outras
dimensões da linguagem humana.

2.6 Pragmática

2.7 Discurso

3. Normas
3.1 Conceitos
3.2 Norma padrão
3.3 Norma culta
3.4 Normas sociais
3.5 Normas regionais
3.6 Normas populares

4. Língua, variação e poder


4.1 Níveis de variação
4.2 Tipos de variação
4.3 Variação e mudança
4.4 A noção de “erro”
4.5 O preconceito linguístico
4.6 Língua e os estratos sociais

5. Fonética aplicada ao português


5.1 Conceituação e campo de estudo da fonética
5.2 O aparelho fonador
5.3 Classificação dos sons vocálicos e consonânticos do português
5.4 Transcrição fonética

6. Fonologia do português
6.1 Conceituação e campo de estudo da fonologia
6.2 Sistema fonológico do português
6.2.1 Consoantes
6.2.2 Vogais
6.2.3 Semivogais
6.2.4 Nasalização
6.2.5 Ditongação
6.2.6 Estrutura Silábica
6.3 Questões fonológico-ortográficas

7. A filogênese da linguagem humana


7.1 Comunicação animal x linguagem humana
7.2 Aspectos neurobiológicos
7.3 Aspectos filogenéticos da linguagem

8. As contribuições das teorias acerca da aquisição da linguagem


8.1 Behaviorismo
8.2 Gerativismo
8.3 Epistemologia genética (cognitivismo)
8.4 Sociointeracionismo (interacionismo)

9. Estágios de aquisição de linguagem

0 a 1 ANO

PERÍODOS MEIOS COMUNICATIVOS MARCOS


Não intencional Choro reflexo
reativo Vocal reativo
Reação a sons familiares
Arrulhos (4m)
Não intencional ativo Vocal/Gestual reativo Balcucio (6m)
Intencional elementar Jargão
Funções da lgg (regulatória, social, atenção
Vocal/gestual intencional
conjunta)

1 a 2 ANOS

PERÍODO INTENCIONAL Imitação gestos e expressões (surge o meio


CONVENCIONAL verbal) Lgg ligada a situação presente

ASPECTOS Expansão lexical (5 palavras aos 12 Expansão lexical (50 palavras aos 16
SEMÂNTICOS meses) meses)

ASPECTOS SINTÁTICOS
Holófrase Estágio telegráfico (2 ou 3 palavras)
Fala formulaica
ATIVIDADE DIALÓGICA Processos de complementaridade e Dependência da fala do outro
especularidade

2 a 3 ANOS

PRAGMÁTICA Adaptação a contextos diferenciados


Regras de conversação

SEMÂNTICA Explosão de vocabulário (200 a 400


palavras) Predomínio de palavras com significado lexical

Sintaxe primitiva
MORFO-SINTAXE (Omissão de conectivos, desvios Expansão gramatical (Uso de conectivos, frases
de concordância nominal) coordenadas aditivas)

PROTO-NARRATIVA Representa o não agora Necessita de perguntas do outro para construção do


Utiliza expressões temporais discurso

3 a 5 ANOS

Dificuldade na manutenção do tópico


PRAGMÁTICA Funções da linguagem (pessoal, ritual, heurística,
Não aguarda turno
informativa, imaginativa)
Não mantém contato visual

SEMÂNTICA Menor uso de processos de Evolução cronológica implica em aquisição de


substituição e não designações traços semânticos

Expansão gramatical II
SINTAXE (Frases subordinadas Expansão gramatical III
Frases negativas (Pronomes possessivos, frases em todos os tempos
Concordância nominal) verbais)

DISCURSO NARRATIVO Narrativa primitiva (falta coesão e Narrativa desenvolvida (independência, coesão,
lógica temporal, presença de lógica lógica espaço-temporal)
espacial)

10. Processos de simplificação fonológica


10.1 Estrutura silábica e processos de substituição
10.2 Parâmetros maturacionais em português
10.3 Aquisição fonológica e variação linguística
10.4 Perfil do desenvolvimento fonológico em português (PDFP)
10.5 A aquisição das classes de sons e os processos fonológicos

11. Estudos neurolinguísticos – uma introdução

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