Direito Fiscal
Carla Magalhães
07/12/2022 Universidade Gregório Semedo - Luanda 1
Sumário
• Acompanhamento do estudo desenvolvido pelos estudantes sobre os
conteúdos abordados nas aulas anteriores, em especial sobre: os
momentos da vida do imposto; nascimento da obrigação tributária; o art.
24.º do CGT e a corrente declarativista. Conclusão: A relação jurídica fiscal:
o nascimento da obrigação tributária. *A obrigação tributária como uma
obrigação ex lege. *Função e natureza do acto tributário. *Acto tributário e
acto administrativo. *Acto administrativo e pontualização da possibilidade
de impugnar.
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Material de apoio:
“Sumários Desenvolvidos de Direito Fiscal”, páginas 43 e 48, e
bibliografia recomendada para o tema.
Joaquim Freitas da ROCHA, "Contencioso Tributário Angolano
(Apontamentos Universitários)", Escola de Direito da Universidade do
Minho, Braga, 2019, p. 19. [Disponível em:
https://issuu.com/comunicadireito/docs/conten_angola_web]
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LEITURA:
“Sumários Desenvolvidos de Direito Fiscal”, página 48.
(Tema: A relação jurídica fiscal: o nascimento da obrigação tributária...)
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«Artigo 24.º
(Constituição)
A obrigação tributária constitui-se com a verificação dos factos
que definem a incidência do respectivo tributo, salvo nos casos
previstos na lei.» (Sublinhado nosso)
Quando se verifica cumulativamente o pressuposto de incidência
objectiva e o pressuposto de incidência subjectiva temos o facto
tributário ou o facto gerador do tributo. Sem facto tributário não
existe relação de imposto, não existe, portanto, dever de pagar o
tributo.
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Num dos pontos do programa da disciplina, fala-se em duas
correntes – a corrente constitutivista e a corrente declarativista
– no contexto do nascimento da obrigação tributária. O que está
em causa é saber se a liquidação faz nascer a obrigação
tributária. Revejam a matéria sobre os momentos da vida do
imposto. A corrente constitutivista defende que a liquidação
constitui a obrigação tributária. Já a corrente declarativista
entende que a liquidação não faz nascer a obrigação tributária,
apenas declara uma obrigação nascida num momento anterior.
Sobre esta questão, consulte o texto de apoio com a seguinte
referência: ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA, Princípios de Direito Fiscal,
Almedina, Coimbra, 1979, pp. 149-150.
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Como assinala CASALTA NABAIS, a obrigação tributária é uma obrigação
ex lege ou legal porque tem por fonte a lei, isto é, nasce do encontro
do facto gerador com a hipótese legal.
SOARES MARTÍNEZ explica que uma obrigação ex lege é «aquela cujo
conteúdo, cujo regime, é o definido pela lei, pela norma, não tendo
papel a desempenhar em tal definição a vontade das partes. As
relações jurídicas de imposto não são acordadas entre as partes.»
Referências bibliográficas:
JOSÉ CASALTA NABAIS, Direito Fiscal, 6.ª ed., Almedina, Coimbra, 2011, p. 238; SOARES
MARTÍNEZ, Direito Fiscal, 9.ª ed., Almedina, Coimbra, 1997, p. 173.
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O acto tributário como acto administrativo.
A relação jurídica tributária é uma relação de direito público.
Em anexo ao sumário da aula de hoje, publicado no Classroom,
encontram o seguinte texto para leitura:
JOAQUIM FREITAS DA ROCHA, Contencioso Tributário Angolano
(Apontamentos Universitários), Escola de Direito da Universidade do
Minho, Braga, 2019, p. 19.
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O acto tributário por excelência é o acto de liquidação.
A natureza meramente declarativa da liquidação.
A impugnação da liquidação: garantias administrativas ou graciosas
e garantias contenciosas.
Vejam, particularmente, reclamação administrativa, prevista no
artigo 127.º e ss do CGT.
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«Deste modo, nenhuma razão válida parece existir para que não se
entenda que o acto tributário tem uma natureza e uma eficácia
puramente declarativas, tendo como função tornar líquida uma
obrigação pré-existente, pela aplicação, aos casos concretos que
caibam na previsão legal, dos comandos normativos gerais e
abstractos nela contidos.»
ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA, Princípios de Direito Fiscal, 2.ª ed.,
Almedina, Coimbra, 1979, p. 276.
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Algumas questões de resposta sucinta...
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1. Distinga liquidação do imposto de cobrança do imposto.
• [Enquadrar a questão nas matérias dadas: Momentos da vida do
imposto (incidência; verificação do facto gerador pela actuação do
contribuinte; lançamento; liquidação; cobrança/pagamento).]
• Distinção de conceitos: A liquidação consiste na quantificação ou
apuramento do imposto a pagar (art. 2.º, n.º 1, al. q), do CGT) ao passo
que o pagamento é a operação material através da qual o imposto vai
dar entrada nos cofres do Estado.
• Reforçar a distinção: Não é a liquidação que constitui ou extingue a
obrigação de pagar imposto, apenas a declara. A relação jurídica
extingue-se, em regra, pelo cumprimento, pelo pagamento. O
pagamento é, assim, o último momento da vida do imposto.
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2. A obrigação de pagar um imposto constitui-se no momento da
liquidação?
• Referir-se ao nascimento da obrigação do imposto/momentos da vida
do imposto: incidência; verificação do facto gerador pela actuação do
contribuinte; lançamento; liquidação; cobrança/pagamento.
• A liquidação não tem efeitos constitutivos mas efeitos meramente
declarativos: tem a função de declarar uma obrigação nascida num
momento anterior, i.e., com a verificação dos factos que definem a
incidência (art. 24.º do CGT). É o que vem defender a corrente
declarativista sobre o momento do nascimento da obrigação tributária.
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Ou, perguntando o mesmo:
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3. O que decorre do CGT? A obrigação de pagar um imposto constitui-se
no momento da liquidação, como defende a corrente constitutivista?
• Não. A liquidação não tem efeitos constitutivos mas efeitos
meramente declarativos: tem a função de declarar uma obrigação
nascida num momento anterior, i.e., com a verificação dos factos que
definem a incidência (cf. art. 24.º do CGT). É o que vem defender a
corrente declarativista sobre o momento do nascimento da obrigação
tributária. A liquidação apenas declara uma obrigação constituída num
momento anterior.
• Podem estabelecer a relação entre o nascimento da obrigação do
imposto e os momentos da vida do imposto (incidência > facto
tributário > lançamento > liquidação > cobrança/pagamento). => É com
a verificação dos factos que definem a incidência que nasce a
obrigação fiscal, e não com a liquidação.
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FIM
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