CAPIVARA
O maior de todos os roedores é a capivara ou porco-de água. Se bem que se
sinta bem na água, não é um animal adaptado a natação; os dedos dos membros
posteriores são apenas rudimentarmente palmados.
A alimentação é exclusivamente de origem vegetal. A capivara pertence a
família dos Caluideos, recebendo as designações científicas de Hydrochoerus,
Hydrochaeris. É um animal completamente inofensivo.
Caracteriza-se por uma estrutura maciça, cabeça avantajada, orelhas de
pequenas proporções, ausência de rabo e uma pelagem grosseira. Chega a
atingir até um metro de comprimento; vive nos rios, onde costuma refugiar-se, em
caso de perseguição.
Numa corrida mal controlada, a capivara vem descendo pela trilha que conduz
ao rio, enquanto a onça galopa atrás dela. Entra no rio, espaventando água por todos
os lados, e, logo se perde o pé, vai nadando veloz. Mas a onça não perde tempo,
aproveita o tempo, aproveita o impulso do galope e salta atrás da presa. Cai a poucos
metros dela e vai avançando. Mas na água a capivara leva vantagem; dá longo
mergulho e desaparece. Desconcertada, a onça também mergulha, procura, fareja,
nada, a capivara já vai longe por baixo da água, onde a onça, embora boa nadadora,
não tem fôlego para perseguí-la nem meios de se orientar. Algum tempo depois, a
capivara emerge e sobe a um banco de areia, no meio do rio, para descansar.
Nessas ilhas fluviais, pequenos bandos de capivaras costumam passar o dia
dormindo, pois nas horas crepusculares é que vagueiam atrás de comida. Com seu
tamanho e peso - algumas medem mais de 1 metro e pesam mais de 70 quilos -, já
houve maiores. Um fóssil encontrado no Brasil media uns 3 metros de comprimento
por 1,50 de altura.
Apesar de suas proporções e dos dentes muito fortes, quase nunca se vê a
capivara brigando. São bichos tímidos, que dependem mais da corrida, da natação
e dos mergulhos para escapar do perigo de carnívoros e répteis da floresta. Mas
há indicações de que podem ser ferozes em algumas circunstâncias. No Jardim
Zoológico de são Paulo, foi preciso separar uma capivara alojada junto a um búfalo,
tanto ela o feria a mordidas.
Nas horas mais quentes do dia, algumas capivaras passam horas parcialmente
imersas na água do rio. Além de nadadora veloz, a capivara é capaz de dar longos
mergulhos, que chegam a durar 15 minutos.
Os pequenos bandos são formados de fêmeas e filhotes. Em caso de
desespero as capivaras também lutam. A água muitas vezes representa a salvação
para uma capivara perseguida. Mas há o perigo de jacarés. As membranas entre os
dedos das patas de trás indicam a adaptação das capivaras a vida aquática.
Exclusivamente herbívoras, as capivaras muitas vezes invadem plantações
de arroz e cana à noite. Da capivara aproveita-se a carne, o couro e o óleo, que,
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extraído de suas gorduras, é amplamente aplicado como medicamento para as vias
respiratórias e para a cura de bronquites.
Sua caçada faz-se com o auxílio de cães amestrados, sendo facilmente capturada,
devido aos rastros que deixam nos capinzais e por suas fezes.
são acometidas pela doença Trypanosoma Equinum, do que se tem a crença de
serem verdadeiros reservatórios deste mal.