APELAÇÃO
Conceito: É a ferramenta impugnativa apta ao combate das sentenças
(condenatórias ou absolutórias), assim como das decisões definitivas e com
força de definitivas, diante da previsão do art. 593 do CPP.
ADVERTÊNCIA! Vale lembrar que o recurso de Apelação não é apto a impugnação
de decisões emanadas de Tribunal.
CABIMENTO DA APELAÇÃO
I. Sentença Condenatória ou Absolutória (art. 593, I, do CPP);
OBSERVAÇÃO! Além das sentenças condenatórias ou absolutórias, no Juizado
caberá Apelação da rejeição da inicial acusatória, assim como da homologação da
transação penal (art. 82 da Lei 9.099/95).
II. Decisões definitivas ou com força de definitivas (art. 593, II, do CPP):
São decisões que encerram etapas procedimentais ou o procedimento como
um todo, e comportam Apelação se não estiverem no rol do art. 581 do CPP
de cabimento do RESE. Ex.: Homologação do incidente de insanidade
mental;
III. Sentença ao final da segunda fase do júri (art. 593, III, do CPP);
OBSERVAÇÃO! Os fundamentos da apelação cabível da sentença emanada do júri
estão exaustivamente previstos no inciso III do art. 593 do CPP.
OBSERVAÇÃO! De acordo com a Súmula 713 do STF, a Apelação da sentença do
júri tem fundamentação vinculada. Logo, o apelante deve indicar por qual ou quais
alíneas está apelando, e isso vincula o Tribunal.
Hipóteses de Cabimento (art. 593, III, do CPP):
a) Nulidade do processo: O êxito do recurso autoriza que o TJ anule o
julgamento, com a remessa do réu a um novo júri com outros jurados. Se no
novo júri participar jurado que atuou no júri anulado, esse novo
julgamento também é nulo. A alegação de nulidade do júri não tem
limitação numérica. Logo, diversos júris sucessivos podem ocorrer, em
virtude do reconhecimento de nulidades;
b) Se a sentença do juiz-presidente for contrária ao texto da lei ou aos
quesitos votados pelos jurados. Como o problema está na decisão do juiz-
presidente, cabe ao Tribunal proferir um acórdão em substituição, ajustando
a decisão ao texto da lei ou aos quesitos votados (§1º do art. 593 do CPP);
c) Quando o juiz-presidente erra ou é injusto na aplicação da pena ou da
medida de segurança. Como o problema está com a decisão do juiz-
presidente, o êxito da apelação autoriza que o Tribunal profira um acórdão
em substituição da sentença, afastando o erro ou corrigindo a injustiça (§2º
do art. 593 do CPP);
d) Quando os jurados decidem de forma manifestamente contrária à prova
dos autos.
OBSERVAÇÃO! O êxito da apelação autoriza que o tribunal mande o réu a um novo
júri com outros jurados.
OBSERVAÇÃO! Tal fundamento só poderá ser invocado uma vez. Logo, se no novo
júri decidirem novamente contrariando as provas, esse argumento não poderá ser
invocado (§3º do art. 593 do CPP).
OBSERVAÇÃO! Para o STF, caso os jurados absolvam o réu votando o quesito
genérico (inciso III do art. 483 do CPP), o MP não poderá apelar alegando que os
jurados decidiram contrariando a prova dos autos, afinal, o motivo da absolvição não
fica especificado.
PROCEDIMENTO
Juízo “a quo”:
a) Interposição do recurso: A Apelação pode ser apresentada por petição ou a
termo (sem rigor formal).
OBSERVAÇÃO! O prazo para interposição da Apelação é de 5 dias contados da
intimação da sentença. O prazo é processual, sendo contado de acordo com o art. 798
do CPP.
b) Apresentação das razões: O apelante será intimado para apresentar as razões
do recurso, gozando do prazo de 8 dias (art. 600 do CPP).
OBSERVAÇÃO! Se a OAB indicar que a apelação já foi interposta e estamos sendo
intimados apenas para arrazoar o nosso recurso, o prazo a ser respeitado é de 8 dias.
Vamos apresentar as nossas razões com uma petição de juntada.
c) Apresentação de Contrarrazões ao Recurso: A parte contrária será intimada
para apresentar as contrarrazões, gozando do prazo de 8 dias.
ADVERTÊNCIA! A OAB já apresentou uma situação jurídica onde o MP apelou da
sentença e nós fomos intimados para formular contrarrazões ao recurso do MP.
d) Com as razões e contrarrazões, os autos são conclusos ao juiz para remeter o
recurso ao Tribunal.
ADVERTÊNCIA! A Apelação não contempla juízo de retratação da decisão.
Juízo “ad quem”: A apelação será julgada por uma Câmara ou Turma do TJ ou
do TRF.
QUESTÕES COMPLEMENTARES
a) Juizados Especiais: A Apelação goza do prazo de 10 dias, sendo já interposta
com as razões (art. 82 da Lei 9.099/95). Assim, no Juizado a Apelação será
julgada pela Turma Recursal.
b) De acordo com o art. 601 do CPP, a Apelação pode subir ao Tribunal com ou
sem as razões.
ADVERTÊNCIA! Segundo a doutrina, prestigiando a ampla defesa, se o advogado do
réu não apresentar as razões, deve nomeado advogado dativo.
c) De acordo com o §4º do art. 600 do CPP, o apelante pode optar por
apresentar as razões diretamente no Tribunal.
d) Como a Apelação usualmente sobe ao Tribunal acompanhada dos autos do
processo, não falaremos em formação do instrumento.
IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA NA OAB
a) Considerando que a sentença foi proferida, apresente a peça privativa de
advogado cabível.
b) Considerando que a sentença foi proferida e que a intimação ocorreu no dia ...,
apresente a peça privativa de advogado cabível.
c) Considerando que a apelação foi interposta e que o apelante foi intimado para
razões, apresente a peça cabível. Em tal hipótese, o recurso já foi interposto.
Logo, estamos sendo intimados para formulação das razões no prazo de 8 dias.
d) Considerando que a acusação interpôs apelação e que a defesa foi intimada,
apresente a peça cabível. Em tal hipótese, o examinador deseja a apresentação de
contrarrazões.
TESES DA APELAÇÃO
Preliminares:
Preliminares Processuais;
Preliminares de Mérito.
Mérito:
Mérito Principal (art. 386 do CPP):
Negativa de autoria;
Inexistência do fato;
Excludente de tipicidade;
Excludente de ilicitude;
Excludente de culpabilidade;
Ausência de provas para condenar.
Mérito Subsidiário:
Afastamento de qualificadora;
Afastamento de causa de aumento de pena;
Afastamento de agravante;
Reconhecimento de causa de diminuição de pena;
Reconhecimento de atenuante;
Fixação da pena no mínimo legal;
Enquadramento no regime de pena correto;
Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos.
TÉCNICA REDACIONAL
PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO (PRIMEIRA PÁGINA DO CADERNO DE
RESPOSTAS)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 1º VARA
CRIMINAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO
PAULO/SP
PULAR 5 LINHAS
AUTOS DO PROCESSO Nº ...
PULAR 1 LINHA
Fábio Roque, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, por meio do
seu advogado que esta subscreve (procuração anexa), inconformado com a respeitável
sentença condenatória de fls..., vem à presença de Vossa Excelência, com fulcro no
artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal, interpor RECURSO DE
APELAÇÃO.
PULAR 1 LINHA
Requer o recebimento e processamento do presente recurso, com as inclusas
razões, ao Egrégio Tribunal Regional Federal da ... Região.
PULAR 1 LINHA
Termos em que, pede deferimento.
São Paulo/DF, 15 de dezembro de 2020.
ADVOGADO ...
OAB Nº ...
RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO
PULAR 3 LINHAS
Apelante: Fábio Roque
Apelado: Justiça Pública
Autos do processo de nº ...
PULAR 1 LINHA
Egrégio Tribunal Regional Federal da ... Região
Colenda Turma
Ínclitos Desembargadores
Douta Procuradoria da República
PULAR 1 LINHA
Em que pese a respeitável sentença condenatória de fls..., os seus fundamentos
não podem prosperar, pelas razões de fato e de direito a seguir apresentadas.
PULAR 1 LINHA
I. DOS FATOS
PULAR 1 LINHA
II. DO DIREITO
a) Preliminares
Preliminarmente, requer a declaração de nulidade do processo, afinal, temos
uma clara violação ao princípio constitucional da ampla defesa, edificado no art. 5º,
inciso LV, da Constituição Federal.
Compulsando os autos, percebemos o indeferimento do oportuno pedido
defensivo para que o perito prestasse esclarecimento em audiência, conforme estabelece
o art. 159, §5º, I, do Código de Processo Penal.
De acordo com a norma processual, o perito deve ser convocado com
antecedência mínima de dez dias, o que foi integralmente atendido pela defesa. Logo, ao
indeferir a oitiva, temos um manifesto prejuízo à atividade defensiva, descumprindo-se
formalidade essencial dentro da organização dos atos de instrução, de maneira que não
resta alternativa que não seja a declaração de nulidade do processo.
b) Do Mérito
No mérito, é evidente que a conduta praticada é atípica, afinal, como entende a
melhor doutrina e jurisprudência, a caracterização do tipo penal previsto no art. 289 do
CP, exige que o material objeto da falsificação tenha aptidão para ludibriar aquele que
tem contato com o papel moeda falsificado.
Como aduz a perícia, temos uma falsificação grosseira, de maneira a não
atender o tipo penal em voga, não restando alternativa que não seja a absolvição do réu,
diante da manifesta atipicidade da conduta, nos termos do art. 386, III, do CPP.
Na remota hipótese de manutenção da condenação, é imperioso o
reconhecimento de que o regime de cumprimento de pena foi inadequado, afinal, pelo
patamar fixado na sentença, é nítida a hipótese de enquadramento no regime aberto, em
consonância com o art. 33, §2º, alínea “c”, do CP.
Em complemento, os Tribunais Superiores fazem coro ao entendimento,
vedando o enquadramento em regime mais gravoso por força da opinião do julgador ou
da gravidade abstrata do delito. Vejamos:
Súmula 440 do STJ: “Fixada a pena base no mínimo legal, é
vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do
que o cabível em razão da sanção imposta, com base na
gravidade abstrata do delito.”
Na mesma pauta, assim se manifesta o STF:
Súmula 718 do STF: “A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do
crime, não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido, segundo a pena aplicada.”
Ademais, diante do quantitativo de pena e demais requisitos do art. 44 do CP, o
apelante tem direito à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos.
PULAR 1 LINHA
III. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer a Vossas Excelências o conhecimento e provimento
do presente recurso para:
a) Preliminarmente, seja declarada a nulidade do processo, em razão do
cerceamento do direito de defesa, por força da denegação do oportuno
requerimento para que o perito prestasse esclarecimento em audiência de
instrução (art. 564, IV, do CPP c/c art. 5º, LV, da CF);
b) O reconhecimento da manifesta atipicidade da conduta, diante da
falsificação grosseira da moeda, implicando na necessária absolvição do
réu, com a reforma da sentença condenatória impugnada, nos termos do art.
386, III, do CPP;
c) Na remota hipótese de manutenção da condenação, a fixação do regime
aberto para cumprimento da reprimenda corpórea, nos termos do art. 33,
§2º, alínea “c”, do CP, em face das Súmulas 718 do STF e 440 do STJ;
d) Ainda por força da quantidade de pena imposta, a substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos, em conformidade com o art.
44 do CP.
PULAR 1 LINHA
Termos em que, pede deferimento.
São Paulo/SP, 15 de dezembro de 2020.
ADVOGADO ...
OAB Nº ...