INTRODUÇÃO A MATEUS
DECLARAÇÃO DE ABERTURA
A. Até a época da Renascença/Reforma, pensou-se que o Evangelho de Mateus tinha sido o
primeiro Evangelho escrito (e ainda é pela Igreja Católica Romana).
B. Foi o Evangelho mais copiado, mais citado, mais usado no catecismo e na liturgia pela igreja
durante os dois primeiros séculos.
C. William Barclay em The First Three Gospels [Os Três Primeiros Evangelhos], p. 19, disse
"Quando nos voltamos para Mateus, voltamo-nos para o livro que pode muito bem ser chamado
o mais importante documento individual da fé cristã, pois nele nós temos o relato mais completo
e mais sistemático da vida e dos ensinos de Jesus".
Isto é porque desenvolveu os ensinos de Jesus de maneira temática. Foi usado para ensinar novos
convertidos (tanto judeu quanto gentio) sobre a vida e a mensagem de Jesus de Nazaré, o Cristo.
D. Ele forma uma ponte lógica entre os Pactos Antigo e Novo, entre os crentes judeus e crentes
gentios. Usou o Antigo Testamento num formato promessa/realização como fizeram os
primeiros sermões de Atos que eram chamados keiygma. O Antigo Testamento é citado mais de
cinqüenta vezes e aludido muito mais. Também, muitos dos títulos e analogias usadas para
YHWH são aplicados a Jesus.
E. Portanto, os propósitos do Evangelho Segundo Mateus foram evangelismo e discipulado, os
aspectos duplos da Grande Comissão (28.19,20).
1. Eles deviam ajudar os convertidos judeus informando-lhes da vida e ensinos de Jesus.
2. Eles deviam discipular tanto os judeus e gentios crentes em como eles deveriam viver
como cristãos.
AUTORIA
A. Embora as primeiras cópias do NT grego (200-400 A.D.) tenham a designação "segundo
Mateus", o livro mesmo é anônimo.
B. A tradição uniforme da igreja primitiva é que Mateus (Também conhecido como Levi, cf
Marcos 2.14; Lucas 5.27,29; coletor de imposto (cf Mt 9.9; 10.3) e discípulo de Jesus, escreveu
o Evangelho.
C. Mateus, Marcos e Lucas são notavelmente similares (i.e, sinótico= "ver junto")
1. Eles muitas vezes concordam em forma nas citações do AT que não são encontradas no
Texto Massorético nem na Septuaginta,
2. Eles com freqüência citam Jesus em construções gramaticais incomuns, mesmo usando
palavras gregas raras,
3. Eles muitas vezes usam frases e mesmo sentenças de exatamente as mesmas palavras
gregas,
4. Obviamente empréstimo literário ocorreu.
D. Várias teorias têm sido desenvolvidas a respeito do relacionamento entre Mateus, Marcos e
Lucas (os Evangelhos Sinóticos)
1. A tradição uniforme da igreja primitiva é que Mateus (Levi), o coletor de imposto e
discípulo de Jesus, escreveu o Evangelho. O Apóstolo Mateus foi unanimemente afirmado
ser o autor até a Renascença/Reforma.
2. Por volta de 1776, A. E. Lessing (e depois Gieseler em 1818) teorizou um estágio oral no
desenvolvimento dos Evangelhos Sinóticos ("ver junto"). Ele afirmou que eles eram todos
dependentes das tradições orais mais antigas que os escritores modificaram para seus
próprios públicos alvo.
a. Mateus: Judeus
b. Marcos: Romanos
c. Lucas: Gentios
Cada um estava relacionado com um centro geográfico separado do Cristianismo.
a. Mateus: Antioquia, Síria
b. Marcos: Roma, Itália
c. Lucas: Cesaréia junto ao mar, Palestina
d. João: Éfeso, Ásia Menor
3. No começo do século dezenove, J. J. Griesbach teorizou que Mateus e Lucas escreveram
relatos separados da vida de Jesus, completamente independente um do outro. Marcos
escreveu um Evangelho curto tentando mediar esses outros dois relatos.
4. No começo do século vinte, H. J. Holtzmann teorizou que Marcos foi o primeiro
Evangelho escrito e que tanto Mateus quanto Lucas usaram a estrutura de seu Evangelho
mais um documento separado contendo os ditos de Jesus chamado Q (alemão quelle ou
"fonte"). Isso foi rotulado a teoria das "duas fontes" (também endossada por Fredrick
Schleiermacher em 1832).
5. Depois B. H. Streeter teorizou uma teoria das "duas fontes" modificada chamada a teoria
das "quatro fontes", teoria que colocou um "proto Lucas" mais Marcos mais Q.
6. As teorias acima da formação dos Evangelhos Sinóticos são somente especulação.
Não há nenhuma evidência histórica nem exata de manuscrito de nem uma fonte "Q" nem
um "proto Lucas".
Á erudição moderna simplesmente não sabe como os Evangelhos desenvolveram nem
quem os escreveu (o mesmo é verdadeiro da Lei do AT e Profetas antigos). No entanto,
essa falta de informação não afeta a visão da Igreja de sua inspiração ou confiabilidade
tanto histórica assim como documentos de fé.
Há similaridades óbvias na estrutura e texto entre os Sinóticos, mas há também muitas
diferenças interessantes. Diferenças são comuns em relatos de testemunha ocular. A igreja
primitiva não foi incomodada pela divergência desses três relatos de testemunha ocular da
vida de Jesus.
Pode ser que o público-alvo, o estilo do autor e as línguas diferentes envolvidas
(aramaico e grego) expliquem as discrepâncias aparentes. Deve ser afirmado que os
escritores, editores ou compiladores inspirados tiveram a liberdade para selecionar,
organizar, adaptar e resumir os eventos e os ensinos da vida de Jesus (cf. Entendes O Que
Lês? de Fee e Stuart, pp. 98-119).
E. Há uma tradição da igreja primitiva de Papias, o bispo de Hierápolis (130 A.D.) que foi
registrada na História Eclesiástica de Eusébio 3:39:16 que Mateus escreveu seu Evangelho em
aramaico. No entanto, a erudição moderna tem rejeitado essa tradição porque
1. O grego de Mateus não tem características de uma tradução do aramaico,
2. Há jogos de palavras gregas (cf. 6.16; 21.41; 24.30),
3. A maioria das citações do AT são da Septuaginta (LXX) não dos Textos Massoréticos
Hebraicos.
É possível que 10.3 seja um indício na autoria de Mateus. Acrescenta "publicano" depois de seu
nome. Este comentário auto-reprovador não é encontrado em Marcos. Mateus também não foi
to
uma pessoa famosa no NT ou na igreja primitiva. Por que tanta tradição teria desenvolvido em
volta de seu nome e este primeiro evangelho apostólico?
DATA
A. De muitas maneiras a data do Evangelho está relacionada ao problema sinótico. Que Evangelho
foi escrito primeiro e quem tomou emprestado de quem?
1. Eusébio em História Eclesiástica 3:39:15 disse que Mateus usou Marcos como guia
estrutural,
2. Agostinho, no entanto, chamou Marco "um seguidor de campo" e um abreviador de
Mateus.
B. A melhor abordagem seria tentar estabelecer os limites de datas possíveis
1. Deve ter sido escrito antes de 96 ou 115 A.D
a. Clemente de Roma (96 A.D.) fez uma alusão ao Evangelho de Mateus em sua carta
aos Coríntios.
b. Inácio (110-115 A.D.), o Bispo de Antioquia, citou Mateus 3.15 em sua carta To the
Smyrneans [Aos Esmirniotas], 1.1
2. A questão mais difícil é quão cedo poderia ter sido escrito?
a. Obviamente depois dos eventos registrados que seria no meio dos anos 30,
b. Algum tempo teria que passar para sua necessidade, composição e circulação,
c. Qual é o relacionamento do capítulo 24 com a destruição de Jerusalém em 70 A.D.?
Partes de Mateus implicam que o sistema sacrificial ainda estava no devido lugar
(5.23,24; 12.5-7; 17.24-27; 26.60,61). Isto significa uma data antes de 70 A.D.,
d. Se Mateus e Marcos foram escritos durante o tempo do ministério de Paulo (48-68
A.D.), por que ele nunca se refere a eles? Irineu é citado por Eusébio em História
Eclesiástica 5:8:2, para dizer que Mateus escreveu seu Evangelho enquanto Pedro e
Paulo estavam em Roma. Pedro e Paulo foram ambos mortos durante o reinado de
Nero que terminou 68 A.D.,
e. A suposição mais antiga da erudição moderna é 50 A.D.
C. Muitos eruditos acreditam que os quatro Evangelhos estão relacionados mais com os centros
geográficos do cristianismo do que com os autores tradicionais. Mateus pode ter sido escrito de
Antioquia da Síria, por causa de suas questões da igreja judaica/gentia, possivelmente mais ou
menos 60 A.D. ou pelo menos antes de 70 A.D.
DESTINATÁRIOS
A. Como a autoria e a data do Evangelho são incertas, também são os destinatários. Parece melhor
relacioná lo tanto com judeus quanto gentios crentes. A Igreja de Antioquia da Síria do primeiro
século enquadra-se nesse perfil melhor.
B. Orígenes é citado por Eusébio em História Eclesiástica 6:25:4 que foi escrito por crentes judeus.
ESBOÇO ESTRUTURAL
11
A. Como o Evangelho está estruturado? Alguém pode melhor encontrar a intenção do autor original
inspirado analisando a estrutura do livro todo.
B. A erudição tem sugerido várias estruturas
1. Os movimentos geográficos de Jesus
a. Galiléia
b. Norte da Galiléia
c. Peréia e Judéia (enquanto viajando para Jerusalém
d. Em Jerusalém
2. Cinco unidades temáticas de Mateus. Elas são discerníveis pela frase recorrente "E quando
Jesus acabou essas coisas" (cf. 7.28; 11.1; 13:53; 19.1; 26.1). Muitos emditos vêem essas
cinco unidades como tentativa de Mateus para retratar Jesus como o "novo Moisés", com
cada unidade sendo análoga a um dos cincos livros de Moisés (Gn, Ex, Lv, Nm, Dt).
a. Uma estmtura quiástica que alterna entre seções de narrativa e discurso,
b. Um formato teológico/biográfico que pega a frase recorrente "Desde então, Jesus
começou..." (cf. 4.17; 16.21) desse modo dividindo o livro em três seções (1.1-4.16;
4.17-16.20; e 16.21-28.29),
c. A ênfase de Mateus nas passagens preditivas do AT pelo uso do termo-chave
"cumprimento" (cf. 1.22; 2.15,17,23; 4.14; 8.17; 12.17; 13.35; 21.4; 27.9; e 27.35).
C. Os "Evangelhos" são gêneros literários únicos. Não são biográficos. Não são narrativas
históricas. Eles são um tipo literário altamente estmturado, teológico seletivo. Cada um dos
escritores do Evangelho escolheu eventos e ensinos da vida de Jesus para exclusivamente
apresentá Lo ao seu público alvo. Os evangelhos eram folhetos evangelísticos.
TERMOS E FRASES PARA IDENTIFICAR SUCINTAMENTE
1. Messias, 1.1
2. Virgem, 1.23,25
3. Emanuel, 1.23
4. Magos, 2.1
5. Nazareno, 2.23
6. Arrepender, 3.2
7. Confessar, 3
8. Fariseus, 3.7
9. Saduceus, 3.7
10. "levar Suas Sandálias", 3.11
11. "Este é o Meu Filho amado", 3.17
12. "pináculo do templo", 4.5
13. "a Lei ou os Profetas", 5.17
14. "carta de divórcio", 5.31
15. "escabelo de Seus pés", 5.35
16. Sinagoga, 6.2
17. "a porta estreita", 7.13
18. Escriba, 8.19
19. "endemoninhado", 8.28
20. "sentado à mesa", 9.10
21. "odres", 9.17
12
22. "tocadores de flauta", 9.23
23. Apóstolos, 10.2
24. Jugo, 11.29,30
25. "esta era ou era por vir", 12.32
26. Parábola, 13.3
27. Joio, 13.25
28. "a tradição dos anciãos", 15.2
29. Inferno, 16.18
30. Transfigurado, 17.2
31. Lunático, 17.15
32. "o imposto das duas dracmas", 17.24
33. Denário, 20.2,9
34. Hosana, 21.9
35. "princípio das dores", 24.8
36. "abominação da desolação", 24.15
37. talento, 25.20
38. "todo o conselho", 26.59
39. "vindo sobre as nuvens do céu", 26.64
40. "Campo de Sangue", 27.8
41. Pretório, 27.27
42. Gólgota, 27.33
43. "mas alguns duvidaram", 28.17
VIL PESSOAS PARA IDENTIFICAR SUCINTAMENTE
1. Zorobabel, 1.12
2. Herodes, 2.13
3. Filho de Davi, 9.27
4. Filho do Homem, 10.23
5. Meu Servo, 12.18
6. Belzebu, 12.24
7. Herodias, 14.6
8. Simão Bar Jonas, 16.17
9. "principais sacerdotes e anciãos", 21.23
10. Herodianos, 22.16
11. Rabi, 23.7
12. Caifás, 26.3
13. Pilato, 27.2
14. Barrabás, 27.16
15. Maria Madalena, 27.56
16. José de Arimatéia, 27.57
VIII. LOCAIS DO MAPA PARA LOCALIZAR
1. Belém, 2.1
2. Deserto da Judéia, 3.1
3. Galiléia, 3.13
13
4. Nazaré, 4.13
5. Cafarnaum, 4.13
6. Sodoma e Gomorra, 10.15
7. Betsaída, 11.21
8. Sidom, 15.21
9. Cesaréia de Filipe, 16.13
10. Monte das Oliveiras, 21.2
11. Getsêmani, 26.36
QUESTÕES DE DISCUSSÃO
1. Por que as genealogias de Mateus e Lucas diferem?
2. O que Tamar, Raabe e Rute têm em comum?
3. O que Elias e João Batista têm em comum?
4. O que é "o reino dos céus"?
5. O que exatamente Satanás estava tentando Jesus fazer no deserto?
6. Explique 5.17 em suas próprias palavras.
7. Explique 5.48 em suas próprias palavras.
8. Explique 7.6 em suas próprias palavras.
9. Por que 8.5-13 é tão incomum e significante?
10. Explique 10.38 em suas próprias palavras.
11. Explique 10.19 em suas próprias palavras.
12. Por que Jesus curou no sábado?
13. Qual é a blasfêmia contra o Espírito? (12.31,32)
14. Como a germinação está relacionada com dar fruto na parábola do semeador?
15. Explique 13.44 em suas próprias palavras.
16. Explique 15.11 em suas próprias palavras.
17. Explique 16.20 em suas próprias palavras.
18. Explique 18.8 em suas próprias palavras.
19. Cada crente tem um anjo da guarda?
20. Explique 19.17 em relação a Jesus ser o Filho de Deus.
21. Explique 21.18,19 em suas próprias pa lavra s.
22. Por que Jesus falou tão severamente com os escribas e fariseus no capítulo 23?
23. Qual é o significado de 24.36?
14