República de Angola
Ministério da Educação
Colégio Público nº 1226 (Ex nº 1091) NGOLA NZINGA
Tema:
A Violência Doméstica
Nome: Isaac Manuel Carlos Mateta
Nº 13
Classe: 7ª
Disciplina: Educação Moral e Cívica
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Prof. António Catangambo
Luanda – 2022
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO............................................................................................2
1- Conceito de Violência...............................................................................3
2- Violência Doméstica.................................................................................3
2.1 Formas de violência doméstica............................................................3
3- Causas da violência doméstica..................................................................4
4- Consequências da Violência Doméstica...................................................4
CONCLUSÃO..............................................................................................6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................7
INTRODUÇÃO
A probabilidade de alguém ser agredido em casa por um familiar é maior quando
comparada com a probabilidade de agressão na rua e por estranhos. A família, de acordo
com esta ideia, deixa então de ser o espaço seguro onde nos sentimos protegidos,
surgindo também como um lugar de conflitos acesos, de sofrimento, de incompreensão,
de luta pelo poder e desejo de controlo do outro.
Assim, o presente trabalho tem como objectivo compreender os factores que
possibilitam a existência e as consequências deste fenómeno que é a violência
doméstica.
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1- Conceito de Violência
O termo deriva do latim violência (que por sua vez o amplo, é qualquer
comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor,
contra qualquer coisa. Deste modo a violência é um comportamento que causa
intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa, ser vivo ou danos a
quaisquer objectos. Tal comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou
psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou
esperado.
2- Violência Doméstica
Segundo Straus, Hamby, Borey-McCoy e Sugarman (1996, cit. Tichy, Becker &
Sisco, 2009), a violência doméstica relaciona-se com comportamentos perpetrados
contra terceiro (s) numa relação caracterizada pelo controlo do outro, através de danos
ou ameaças à saúde física, provocação de sofrimento emocional, manipulação, controlo
económico e ameaças de cariz sexual bem como concretização das mesmas.
A violência doméstica pode ser praticada contra: as mulheres, as crianças
(testemunhas da violência, instrumentos de abuso ou vítimas), as pessoas idosas, aos
homens, cônjuges, companheiros ou namorados, e jovens quer não habite na mesma
casa que o agressor e seja cônjuge ou ex-cônjuge, companheira ou ex-companheira, ou
tenha uma relação de parentesco directa (WHO, 2002, cit. Matos et al., 2009).
Tem por objectivo e como efeito para a vitíma, intimidá-la, puni-la, humilha-la, ou
mantê-la nos papéis estereotipados ligados ao seu sexo e/ou idade ou recusar-lhe a
dignidade humana, a autonomia sexual, a integridade física, mental e moral (Moreira,
Claúdia, 2005).
2.1 Formas de violência doméstica
Tendo em conta que a violência doméstica pode ser praticada de diversas formas,
importa ainda definir de um modo mais pormenorizado tais formas. Segundo Manita,
Ribeiro e Peixoto (2009) a violência doméstica pode caracterizar-se de diversas formas:
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- pela violência física (uso da força física com o intuito de ferir, magoar, provocar danos
físicos/orgânicos – empurrar, pontapear, estrangular, apertar, bater, etc.);
- pelo isolamento social (estratégias que o/a agressor/a utiliza de modo a afastar a vítima
da sua rede social/familiar, desta forma torna-se mais fácil controlar a vítima);
- pela intimidação, coação e ameaças;
- pelo recurso a palavras, olhares, expressões, gestos, exibição de objectos
intimidatórios/perigosos;
- pela violência sexual ou seja imposição de práticas sexuais contra vontade da vítima;
- pela violência psicológica, verbal e emocional (uso de acções e comentários que
afectam negativamente a auto-estima das vítimas);
- pelo abuso económico (forma de controlo pelo qual o/a agressor/a nega à vitima
acesso a dinheiro e/ou a bens).
3- Causas da violência doméstica
A violência doméstica não é tida pelo gênero, idade, classe social, etnia ou
características físicas, as causas mais comuns que levam a violência doméstica são:
Alcoolismo e a toxicodependência; ciúmes; desemprego e problemas financeiros;
problemas familiares e vivências infantis de agressão ou de violência parental;
problemas de saúde mental (personalidade sádica ou Perturbações mentais); falta de
habilidades de enfrentamento; isolamento e dependência excessiva do agressor; o poder
e o domínio ou a influência moral do agressor e a cultura da violência. (Galvão & Silva
Advocacia, 2021)
4- Consequências da Violência Doméstica
A violência doméstica é apontada pela Organização Mundial de Saúde como um dos
mais sérios problemas de saúde pública em todo o mundo acarretando diversas
consequências a nível político e sócio-económico, constituindo uma ofensa gravosa aos
direitos humanos (WHO, 2002, cit. Matos et al., 2009).
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Algumas consequências da violência doméstica são:
Consequências psicológicas: perturbações intelectuais e da memória das
vítimas; perturbações relacionais; depressão; distúrbios de ansiedade e
evitamento.
Consequências ao nível da saúde física: fracturas, lesões de diversos tipos
(escoriações, hematomas, queimaduras, contusões, cortes), danos auditivos e
visuais, problemas obstétricos (aborto, risco de parto prematuro), perda de
dentes e cabelos, distúrbios ginecológicos e a dor crónica e/ou psicossomática.
Esse tipo de consequência é a mais visível, e também pode levar à morte.
Consequências nas crianças: aprendizagem do comportamento agressivo;
possibilidade de futuras dificuldades de adequação de comportamento nas
relações de intimidade; maior dificuldade de integração social; sentimentos
ambivalentes para com os pais; maior probabilidade de desenvolver doença
psíquica; sofrimento emocional e problemas com atitude e cognição nas escolas
podem começar a se desenvolver, juntamente com a falta de habilidades como a
resolução de problemas.
Consequências Profissionais: Absentismo; mais baixo vencimento pelas faltas
de assiduidade, indisponibilidade e inflexibilidade de horários; despedimento;
abandono da profissão por imposição do agressor; necessidade de protecção
perante as perseguições feitas pelo agressor junto ao local de trabalho e nas
deslocações entre este e a residência
Consequências Financeiras: a pobreza ou dificuldades por falta de
comparticipação financeira do agressor, por exploração financeira.
Consequências no Agressor: Agravamento do comportamento; aumento da
perturbação; degradação pessoal e maior perturbação Relacional; consequências
legais; E as mulheres que acabam por assassinar os maridos, fazem-no em
resposta a um ataque imediato ou ameaça de ataque.
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CONCLUSÃO
A prática da violência doméstica tem como causas principais o patriarcado, o
machismo, o uso de bebidas alcoólicas, os ciúmes, o desemprego, problemas com
dinheiro, problemas familiares, a desobediência, perturbações mentais, dependência e
culturas e crenças que normalizam tais condutas.
Os agentes que praticam este crime infligem às suas vítimas sofrimentos físicos,
sexuais, psicológicos, económicos e/ou espirituais. Violência que se consubstancia ao
nível emocional, social, físico, sexual e/ou financeiro.
Algumas das consequências mais comuns em vítimas de violência doméstica são:
medo, desconfiança, insegurança, raiva, culpa, vergonha, falta de confiança, baixa
autoestima, falta de sentido de controlo sobre si mesmo (a), depressão, stress pós-
traumático, risco de suicídio, distúrbios de ansiedade, distúrbios cognitivos e de
memória e vulnerabilidade ou dependência emocional.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Straus, A. (2009). Why the overwhelming evidence on partner physical violence by
women has not been perceived and is often denied. Journal of Aggression,
Maltreatment, & Trauma, 18(6), 552–571.
Straus, A., & Gelles, J. (1992). How violent are American families? In M. A. Straus, &
R. J. Gelles (Eds.),Physical violence in American families (pp. 95–108)
WHO (November 2004). Violence against women and HIV/AIDS: critical
intersections: intimate partner violence and HIV/AIDS (PDF). Information Bulletin
Series. Geneva, Switzerland: World Health Organization. Bulletin no. 1.
Galvão & Silva Advocacia, Violência Doméstica - Motivo e suas Consequências, artigo
virtual publicado em 20 abril 2021, em: [Link]
domestica-motivo-e-suas-consequencias/
Manita, C., Ribeiro, C. & Peixoto, C. (2009). Violência Doméstica: Compreender para
Intervir. Vol. 2. Lisboa: CIG.
Moreira, Cláudia. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Coimbra, 2005.