0% acharam este documento útil (0 voto)
108 visualizações46 páginas

1 - Pedogogia

1) O documento discute a importância do ensino bíblico na igreja. 2) Ele destaca que Jesus foi o maior mestre e ordenou que seus discípulos ensinassem as nações. 3) O documento explora as fontes do ensino bíblico, incluindo a revelação de Deus através das Escrituras e do Espírito Santo.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
108 visualizações46 páginas

1 - Pedogogia

1) O documento discute a importância do ensino bíblico na igreja. 2) Ele destaca que Jesus foi o maior mestre e ordenou que seus discípulos ensinassem as nações. 3) O documento explora as fontes do ensino bíblico, incluindo a revelação de Deus através das Escrituras e do Espírito Santo.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Pedagogia 1

MESTRADO EM TEOLOGIA
Pedagogia 2

PEDAGOGIA
INTRODUÇÃO

Ensinar é uma das principais missões da igreja. O ensino Da Palavra foi claramente
estabelecido no AT e grandemente enfatizado no NT. Jesus foi mestre num sentido único.
Ele destacou o ensino como o meio principal de moldar o caráter cristão.

A grande comissão de ensinar, em (Mt 28.19,20) vem dEle. Os discípulos deviam pregar e
ensinar a Palavra para ganhar as nações para Cristo e depois continuar ensinando-as para
crescerem no conhecimento do Senhor.

A igreja primitiva, cumprindo essa ordem, “não cessava de ensinar e pregar Jesus Cristo”
tanto nas casas como nas sinagogas (At 5.42). O ensino bíblico com Deus e ao mesmo
tempo seja guiado no seu crescimento e desenvolvimento espiritual.

Deus estabeleceu o ministério do ensino na igreja em (I Co 12.28; Ef 4.11; Rm 12.6,7)


exorta àqueles que têm o ministério do ensino; exerçam-no. É um dom de Deus e também
uma arte. Ensinar não é simplesmente ler uma passagem das Escrituras ou uma lição da
Escola Dominical para uma classe de adulto ou contar uma história bíblica para crianças. É
um ministério concedido pelo Espírito Santo para a aprendizagem real da Palavra de Deus
e a reprodução do caráter de Cristo na vida dos crentes.

Vejamos alguns dos assuntos que a seguir serão abordados.


1. como se preparar para ensinar uma lição.
2. como os alunos aprendem realmente a lição.
3. como o aluno é incentivado a mudar de conduta anterior.
4. por que os alunos aprendem mais quando são agrupados de acordo com sua
idade.
5. Qual a melhor maneira de ensinar as verdades bíblicas, visando conduzir os alunos
a uma comunhão mais íntima com Deus.
6. Por que Deus quis se revelar ao homem.
7. Os métodos audiovisuais são apropriados para emprego na igreja.
8. a aprendizagem e o emprego dos métodos de ensino.

Vamos estudar cuidadosamente sobre o professor e o aluno. Veremos como o professor


pode incentivar, encorajar e dirigir o aprendizado com mais eficácia, visando levar o
homem a uma vida espiritual abundante e profunda diante de Deus.

Devemos quando formos ensinar a Palavra de Deus depender primeiramente do poder e


da Palavra de Deus, e depois, de estar preparado para ensinar.

O ENSINO DA BÍBLIA
O ensino da Bíblia é a comunicação da verdade de Deus ao homem. É baseado no fato de
que Deus, nosso Criador, escolheu revelar-se a si mesmo aos homens através das
Escrituras, levando-os à comunhão espiritual com Ele. Para nos ajudar na recepção desta
Revelação, Deus enviou o Espírito Santo para nos guiar em toda a verdade (Jo 16.13).

Um do meios pelo qual Deus escolheu revelar-se à humanidade, foi ensinando. Ele deu
tanta importância ao ensino que enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para ser o mestre por
excelência entre os homens. O ministério de um mestre cristão é ajudar as pessoas, a
desenvolverem seu relacionamento com Deus. Sob a liderança do Espírito Santo, o mestre
Pedagogia 3

cristão, através do ensino da Palavra, leva os homens a sentirem suas necessidades


espirituais. Leva-os também a Cristo e aos fundamentos das Escrituras.

Texto 1
A FONTE DO ENSINO BÍBLICO
A fonte de todo ensino bíblico está no fato de que Deus existe (Gn 1.1) e de que Ele quis
se revelar aos homens (I Co 2.10). O estudo da Bíblia torna-se significativo e fascinante
quando consideramos que há um Deus Todo-poderoso que quer comunicar-se conosco.

Deus tem se revelado


(Jo 14.9) diz que Jesus Cristo veio a este mundo com o propósito de nos revelar o Pai.
“Quem me vê a mim, vê o Pai”. A revelação de Deus ao homem é completa na pessoa
de Jesus Cristo e a intenção de Deus é que todos os homens ouçam o Evangelho (II Pe
3.9) “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo
contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão
que todos cheguem ao arrependimento” . Por este motivo Jesus ordenou a seus
discípulos “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome
do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinado-os a guardar todas as coisas que
vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do
século”. (Mt 28.19,20). Então, esta é a missão atual da igreja. Devemos ser mensageiros
de Cristo para o mundo ao nosso redor, ensinando-o a chegar a viver para Deus, conforme
os princípios expostos nas Escrituras.

Deus quer ser conhecido


Bancroft, em seu livro Teologia Cristã, afirma que o estudo de Deus só é produtivo quando
partimos da base da sua existência; segundo, porque Deus fez a mente humana com a
capacidade de conhece-lo. Ele diz ainda, que é parte do plano de Deus que os homens
conheçam seu Criador. Se Deus não tivesse querido revelar-se à comunidade, não haveria
nenhum modo pelo qual o homem pudesse conhecer a Deus.
Uma vez que é possível conhecermos a Deus, temos então a responsabilidade de
conhece-lo por experiência e compartilhar esse conhecimento com o próximo. Daí, a
necessidade da experiência com Deus e conhecimento sistemático da Bíblia.

Deus é conhecido através do Seu Espírito


Deus quer que o homem entenda as coisas espirituais. Por isto Ele nos enviou Seu Santo
Espírito. É Deus que pelo Seu Espírito os comunica o conhecimento de si mesmo.
Portanto, o conhecimento de Deus não se baseia em experiência humana.
(I Co 2.9-13) “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não
ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o
amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas
as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas
do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe
as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus,
para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais
também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o
Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.”

A informação bíblica não se baseia na experiência humana. O Espírito revela os


pensamentos de Deus a fim de que compreendamos as palavras ensinadas pelo próprio
Espírito.

Assim a Escritura deixa claro que o verdadeiro conhecimento de Deus é nos concedido
pelo próprio Espírito Santo.
Pedagogia 4

Nossa tarefa como ensinadores cristãos não pode ser algo mecânico, físico ou natural. É
um ministério divino, que nos é outorgado por Deus. Para isso, Ele também envia seu
Espírito Santo para nos guiar (Jo 16.13), e ao mesmo tempo, abrir o entendimento
daqueles para quem falamos e testemunhamos da sua salvação. Sem o poder do Espírito
Santo em nosso ser é impossível comunicar com eficácia a mensagem do Evangelho. O
homem que não é crente não pode entender nem aceitar as coisas de Deus, inclusive seus
pensamentos. Para ele tudo parece loucura. Somente os que têm o Espírito Santo podem
de fato entender o que o Espírito Santo quer dizer a respeito de Deus e do próprio
homem. Tentar conhecer Deus simplesmente através do raciocínio humano é perder
tempo e se envolver em grande confusão.
(I Co 2.14) “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque
lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
É função do Espírito iluminar a nossa mente. Sem a ação do Espírito Santo o evangelho é
qual conjunto de letras num livro, diante de uma pessoa que não sabe ler. A mensagem
está lá, mas a pessoa, não entende nem compreende o significado e a mensagem que ele
vê.

O problema de conhecer a Deus


O ensino da Bíblia baseia-se no fato de que Deus existe e de que Ele quis se revelar ao
homem. Embora o homem tenha sido criado com a capacidade de conhecer a Deus,
devido o efeito destrutivo do pecado, ele não consegue entender a verdade divina sem a
ajuda do Espírito Santo. É o Espírito Santo habitando no crente que lhe revela a mente de
Deus. O crente fiel tem em si uma porção da mente e do pensamento de Cristo (I Co 2.16)
“Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos
a mente de Cristo.” Seu relacionamento com Deus perturba e confunde o homem natural,
o qual não consegue entender as coisas de Deus. O crente tem, pois, a responsabilidade
de compartilhar o que conhece de Deus, com seus companheiros. Deus quer que todos os
homens O conheçam e sejam salvos.

Texto 2
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO BÍBLICO

Sua importância no Antigo Testamento


No Antigo Testamento, o ensino foi um dos meios principais através do qual Deus se
revelou ao homem. Em (Êx 4.15), Deus falou diretamente a Moisés quando quis que este
tirasse os israelitas do Egito. Mais tarde Moisés reuniu o povo e lhe ordenou ensinar aos
filhos e netos a lei de Deus (Dt 4.10). eles deviam ter um entendimento completo de quem
é Deus. Anos mais tarde, quando os filhos de Israel se afastaram de Deus e quiseram um
rei humano, Samuel orou por eles e se ofereceu para ensinar-lhes o caminho certo e bom
(I Sm 12.23). Um dos comentários mais tristes sobre os israelitas foi feito em (II Cr 15.3).

Quando Jó estava sofrendo ele clamou (Jó 36.22). Davi orou: ((Sl 25.4). ele afirmou que
Deus (Sl 25.8). Miquéias e Isaías nos falam que Deus ensinará o caminho aos pecadores
(Mq 4.2; Is 2.3). quando Deus ensina, Ele ensina preceito sobre preceito, linha sobre linha,
um pouco aqui e ali para que o homem chegue ao necessário entendimento, para andar
com Deus (Is 28.13).

O ensino no ministério de Jesus


No Novo Testamento, uma ênfase ainda maior é dada ao ensino bíblico. O título mais
honroso que os judeus podiam dar a um homem era chamá-lo rabi, isto é, mestre. Eles
foram ensinados a reverenciar seus mestres, Questionar com um mestre ou murmurar
contra ele, era um delito quase tão grande quanto murmurar contra Deus.
Pedagogia 5

Sabemos que Deus considera o ensino importante porque as Escrituras enfatizam que
Cristo era um mestre por excelência.

Jesus foi chamado rabi 60 vezes, dentre as 90 em que alguém a Ele se dirigiu, no Novo
Testamento. Em muitos outros casos Ele foi chamado didáskalos (Mestre), que em grego
se refere a alguém que ensina. A maioria dos que se dirigiam a Jesus consideravam-no
mestre, fossem amigos ou inimigos. Nicodemos, um membro do sinédrio, chamou-o “um
mestre enviado de Deus”, e o jovem rico que queria que Cristo declarasse quem era o seu
“próximo”, chamou-o de mestre. O povo que ouviu o Sermão do Monte ficou maravilhado
com Ele, porque ele ensinava como tendo autoridade. O próprio Jesus afirma: “Vós me
chamais o Mestre e o Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou” (Jo 13.13).

Quando Ele terminou seu ministério aqui na terra, ordenou a seus discípulos que
ensinassem. (Mt 28.19,20) diz: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos
os dias até à consumação do século.” Jesus mostrou que o ensino bíblico era um
método de construir o reino de Deus, e de construir o verdadeiro caráter cristão modelado
nEle mesmo.

A importância do ensino na igreja


(At 5.42) nos diz que a igreja primitiva não cessava de ensinar e pregar sobre Jesus Cristo
diariamente no templo e nas casas, e o número de discípulos se multiplicava grandemente
em Jerusalém. Pelo emprego freqüente do termo, vê-se que os escritores do Novo
Testamento sabiam muito bem a diferença entre ensinar e pregar. Como Jesus, os crentes
da igreja primitiva estavam empenhados no ensino bíblico mais do que no ministério da
pregação. Enquanto que o termo pregar aparece 143 vezes nas Escrituras, o termo
ensinar é usado 217. Estevão, Pedro e Paulo ocupavam-se muito do ensino, até mesmo
quando pregavam.

Texto 3
O FUNDAMENTO DO ENSINO BÍBLICO
Para que um edifício tenha firmeza, ele precisa ter um fundamento sólido. Quem ensina as
Escrituras também precisa ter uma base sólida sob seu ministério. Seu alicerce não pode
ser o de conceitos humanos, nem a sabedoria dos eruditos. É algo muito mais profundo.
Seu ministério deve ser edificado sobre as Escrituras Sagradas.

A permanência do fundamento
As Escrituras, tão somente elas, podem resistir ao teste do tempo. Somente a verdade
divina revelada nas suas páginas pode transformar vidas e formar o verdadeiro caráter
cristã. Ela é a revelação de Deus ao homem, descrevendo o seu estado moral e espiritual,
sua necessidade, sua única esperança de salvação e seu destino final. A Bíblia é a Palavra
de Deus impressa. Através dela, Deus comunica a sua verdade ao homem. Porém, a
Bíblia é mais do que uma simples fonte de informação; ela é o ponto de contato de Deus
com o homem. Nela o homem tem seu próprio retrato tirado por Deus. Quando lemos a
Bíblia, não estamos simplesmente colhendo informações; estamos sim, em contato com
Deus, através da Sua Palavra.

Quando alguém lê as Escrituras ocorre nele uma reação. Se esta reação for negativa, ele
se voltará contra ela, e tentará ignorar a Deus. Se reagir positivamente ele voltar-se-á para
Deus, com fé, louvor, adoração e obediência. Diante da Bíblia, a atitude do homem para
com Deus será uma dessas duas. O crescimento cristão também depende da nossa
atitude para com a Bíblia. Uma pessoa não pode crescer espiritualmente a não ser que
viva em obediência à Palavra de Deus.
Pedagogia 6

Edificando sobre o firme fundamento


O ministério do mestre bíblico destina-se a ajudar os homens a entenderem a Palavra de
Deus e leva-los a uma atitude positiva para com Deus, isto é, busca-lo. O mestre bíblico os
ajuda a voltar-se para Ele em obediência e amor. Mas para isto, o mestre não trabalha só.
Quem o capacita é o Espírito Santo, que também guia e dirige os ouvintes no processo da
aprendizagem. Enquanto o mestre ensina As Escrituras, o Espírito Santo pelo Seu poder
opera a transformação nos homens. Jesus prometeu o “Consolador, o Espírito Santo, a
quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará
lembrar de tudo o que vos tenho dito”(Jo 14.26). O ensino do mestre se baseia na
Palavra de Deus e o seu poder vem do Espírito para o estímulo, crescimento, edificação e
amadurecimento do cristão.

Acabamos de ver que o ministério do ensino bíblico não pode ser baseado em teorias
humanas. À medida que o Espírito estimula e conduz o aluno ao crescimento espiritual,
sua vida é mudada e a imagem de Cristo, torna-se mais real nele. Tudo vem por meio da
Palavra de Deus, o sólido fundamento.

Texto 4
O PROPÓSITO DO ENSINO BÍBLICO
Como falamos no último texto, o ensino bíblico deve fundamentar-se somente nas
Escrituras . Todavia, o simples conhecimento das Escrituras não é suficiente, pois uma
pessoa não é salva do seu pecado, apenas por ter conhecimento da Bíblia . Muitos há, no
mundo de hoje, que não obstante terem estudado as Escrituras e até conhecerem muitas
partes dela de memória, não irão para o céu. O conhecimento da Bíblia só tem real valor
quando colocado em prática e verificado o seu poder transformador nas nossas vidas.
1. reconhecer as necessidades espirituais;
2. aceitar a Cristo para a salvação;
3. instruir-se biblicamente;
4. aplicar a Bíblia à vida diária;
5. testemunhar de Cristo.

Reconhecer as necessidades espirituais


Em primeiro lugar, salientaremos como o ensino da Bíblia mostra ao homem as suas
necessidades espirituais, principalmente a de salvação. Por exemplo, Jesus disse: “...eu
vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10). A vida que Cristo
oferece não é temporal, mas sim, eterna. (Jo 5.24) “Em verdade, em verdade vos digo:
quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra
em juízo, mas passou da morte para a vida.”
Jesus nunca buscou impressionar seus discípulos com grandezas das coisas terrenas. Ao
invés disto Ele tratou da eternidade e da necessidade do homem se preparar para tal fim.
Ele ensinou que o homem precisa nascer de novo, e como nova criatura, pertencer ao
reino de Deus.

Cristo atende às necessidades físicas do homem, mas se preocupa muito mais com o valor
da sua alma. Ele colocou o espiritual acima do material. Jesus não tratou de reformas
sociais Sua ênfase estava nas coisas mais importantes e de valor eterno.

Aceitar a Cristo para a salvação


O segundo propósito do ensino das Escrituras é levar cada ouvinte a aceitar a Jesus Cristo
como seu Salvador e Senhor. O Espírito Santo opera no ensino da Palavra, convencendo
o homem do pecado, do seu estado espiritual e movendo-o a uma decisão para seguir a
Cristo. O homem natural, por si mesmo não chegará nunca a isso, pois está escrito: “ Ora,
o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucuras;
e não pode entende-las porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14)
Pedagogia 7

O professor da Palavra de Deus precisa sempre apresentar claramente o plano da


salvação nela revelado. Ele precisa orar por cada aluno e buscar sempre uma
oportunidade de levar os descrentes a virem a Jesus, aceitando-O como seu Salvador
pessoal.

Instruir-se biblicamente
O ensino bíblico instrui os alunos sobre as coisas de Deus. A nova vida em Cristo deve ser
cuidada, qual plantinha nova. Ela precisa de muita luz solar, nutrição e desenvolvimento de
suas raízes. O novo convertido deve ser exposto à luz do Espírito Santo, deve ser bem
alimentado nas Escrituras , e criar raízes no ambiente da congregação local.

O novo crente deve entender bem sua privilegiada posição em Cristo e seu relacionamento
com a igreja. Ele deve conhecer o propósito e o ministério do Espírito Santo, que é leva-lo
a ter uma vida cristã vitoriosa em tudo. O mestre cristão, seja ele professor da Escola
Dominical, dirigente de congregação ou pastor da igreja, é um edificador de vidas. Jesus
ordenou: “Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21.15). Isto quer dizer que não somente
devemos trazer as pessoas ao conhecimento da salvação em Cristo, mas também
alimenta-las nas Escrituras , ajudando-as a crescer espiritualmente.

Aplicar a Bíblia à vida diária


O quarto objetivo do ensino bíblico é o de promover a aplicação diária desse ensino aos
ouvintes. O que ocorre na hora do ensino é importante, mas o que acontece quando o
aluno está em casa também deve nos interessar. Como ele está vivendo a vida cristã no
trabalho, na escola em casa? O cristão deve manifestar sua fé em Jesus Cristo em todo
aspecto de sua vida. No sermão do Monte, Jesus apresenta muitos modos práticos de lidar
com os problemas da vida diária. Ele não estava preocupado somente em ensinar as
Escrituras, mas também que as verdades das Escrituras fossem aplicadas à vida diária de
cada ouvinte.

Testemunhar de Cristo
Finalmente, o ensino bíblico deve preparar e treinar os crentes a serem testemunhas de
Cristo. Ele comissionou cada crente a testemunhar a todas as nações e ensinar os
discípulos a guardarem todas as coisas que deus ordenou, com a promessa de que Ele
estará conosco até o fim do munto (Mt 28.19,20). Então o ciclo contínuo da vida cristã
relacionada às Santas Escrituras, é:
Aceitação, aprendizagem, crescimento e maturidade espiritual.

Necessidades espirituais MATURIDADE


Aceitar salvação
Instruir-se biblicamente
ESPIRITUAL
Aplicar à vida
Testemunhar de Cristo

Texto 5
O RESULTADO DO ENSINO BÍBLICO
Todo ensino tem por objetivo principal produzir uma mudança na vida do aluno. De fato,
aprendizagem se nota, geralmente, em três áreas: a) naquilo que o aluno sabe, isto é dá-
se um crescimento no saber; b) naquilo que ele sente, como uma nova maneira de
apreciação ou nova atitude em relação ao que está sendo ensinado; c) ocorre uma
mudança naquilo que o aluno faz, ou melhor, o ensino produz ação transformadora.
Pedagogia 8

Conversão
O ensino da Bíblia começa com uma mudança ainda mais fundamental. Procura mudar
totalmente o aprendiz. Evangelismo, então, é a primeira etapa do ensino cristão, tendo
como seu objetivo persuadir o ouvinte a cooperar com o Espírito Santo e ter a sua
natureza transformada. Esta mudança é tão completa que se compara a um
“renascimento” (Jo 3.3) e a “uma nova criação” (II Co 5.17).

Crescimento
Conversão é somente o primeiro passo neste novo relacionamento entre Deus e o crente.
Deve ser seguido por um processo vitalício de crescimento espiritual e maturidade. O
ensino da Bíblia é o instrumento que o Espírito de Deus usa para estimular mais mudanças
na vida do crente. Ajuda-o a aprender mais acerca de Deus, mais sobre suas atitudes (do
aluno) e sua conduta cotidiana. Ao amadurecer no Senhor notamos várias mudanças na
vida do aprendiz e no seu pensar. Ele desenvolverá uma nova postura de valores e ideais.
Começará a entender a importância do seu relacionamento com Deus, seu dever para com
os outros, e sua responsabilidade para consigo mesmo. Jesus Cristo se tornará o ponto
culminante na sua vida.

Talvez possamos somar o todo desta primeira lição dizendo que o objetivo central do
ensino bíblico é ajudar o aluno a aplicar o seu conhecimento bíblico à sua vida, a fim de
chegar à maturidade cristã. É leva-lo a viver uma nova vida em relação a Deus. “eu vim
para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10.10). Vida em abundância é o
produto de renascimento e crescimento espiritual.

AS SETE LEIS DO ENSINO


1. Professor: o professor precisa conhecer aquilo que vai ensinar.
2. Aluno: o aluno deve dedicar-se com interesse à matéria a ser aprendida.
3. linguagem: a linguagem usada no ensino deve ser comum ao professor e ao aluno.
4. lição: a verdade a ser ensinada deve ser aprendida através de alguma verdade já
conhecida.
5. ensino: o professor deve estimular e dirigir as atividades do aluno.
6. aprendizagem: o aluno deve reproduzir, em sua própria mente, a verdade que está
sendo aprendida.
7. recapitulação e aplicação: o acabamento, a prova e a confirmação da obra do
ensino, devem processar-se através da recapitulação e aplicação.

Lição 2
O MESTRE BÍBLICO
Ser chamado por Deus para ensinar a Sua Palavra está entre os mais altos chamados que
uma pessoa pode ter. O ensinador da Palavra de Deus tem a santa responsabilidade de
conhecer e entender as Escrituras, conforme Deus lhe conceder. Ele deve ensinar a
Palavra de Deus a seus alunos de tal modo que eles possam entende-la e também
ensina-la a outros (II Tm 2.2).

Ensinar é um dom de Deus e é também uma arte. Essas duas facetas do ensino bíblico
são importantes e necessárias para que o professor cristão seja eficaz e obtenha
resultados espirituais. Um mestre da Palavra de Deus deve aprender as regras básicas ou
princípios de ensino que possa comunicar o que deseja. Mesmo assim, um professor pode
saber de memória todas as leis do ensino e não ter a bênção de Deus no seu ministério. A
chave da eficiência espiritual no ensino é ter a unção do Espírito Santo e saber usar as leis
do ensino. Nesta lição estudaremos como o professor deve-se preparar-se para um
ministério eficiente.
Pedagogia 9

Texto 1
A MATURIDADE ESPIRITUAL
Uma pessoa madura pode ser definida como alguém que passou por um processo de
crescimento e desenvolvimento, no qual são vistas as características pessoais, e um
comportamento que atestam a maturidade. Crescimento e amadurecimento levam muito
tempo. Para ser um ensinador eficaz, a pessoa deve ter amadurecimento espiritual.

Deve crescer
Algo, para amadurecer, deve antes, crescer. À medida que o mestre cristão tomar tempo
estudando as Escrituras, ele verá o relacionamento entre si mesmo e as Escrituras. O
Espírito Santo começará a mostrar coisas que precisam ser mudadas na sua vida.
Crescimento implica mudança, e geralmente a mudança é um processo laborioso para
qualquer um. Todavia, operada pelo Espírito Santo, a mudança espiritual no cristão o faz
semelhante a Cristo e, portanto, um melhor exemplo. Para ser cristão amadurecido é
necessário o professor receber o contínuo poder transformador do Espírito Santo . Dá-se
aí a transformação quando ele morre para seus próprios desejos, e Deus passa ao
controle total da sua vida.

Deve ser exemplo


Quando ?Paulo instruiu Timóteo para exercitar o ministério do ensino, disse-lhe que ele
deveria ser “padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”
(I Tm 4.12).
(Rm 2.21) é uma mensagem muito clara a todos os ensinadores da Palavra de Deus: “Tu
pois, que ensina a outrem, não te ensinas a ti mesmo?” A vida do professor é
estudada pelos seus alunos. Há um velho provérbio que diz: “O que você faz, fala tão alto
que não posso ouvir o que você diz”. O professor representa Cristo para seus alunos. O
professor deve pois examinar-se a si mesmo para ver se suas atitudes refletem a vida do
Senhor Jesus Cristo.

O crescimento é um processo. Assim como se leva tempo para crescer fisicamente,


também se leva tempo para crescer espiritualmente. (Sl 92.12,13) “O justo florescerá
como a palmeira crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na casa do Senhor
florescerão nos átrios do nosso Deus”. O crente experiente reconhecerá a natureza
gradativa do crescimento e se entregará nas mãos do Espírito Santo dia após dia, mês
após mês. Ele agradecerá ao Senhor pelas lições de ontem e as dificuldades pelas quais
passou. São estas experiências que aprofundam o seu ministério de ensino.

Deve viver no Espírito


Amadurecimento espiritual só vem com o crescimento espiritual. O anseio de Paulo era
que todos os crentes chegassem à unidade da fé, e conhecimento do Filho de Deus, à
estatura de homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13).

Para que isto aconteça, precisamos viver na plenitude do Espírito, e permitir que as
Escrituras sejam a base da nossa vida. Devemos cumprir a Palavra, viver a Palavra,
meditar na Palavra e falar a Palavra. O verdadeiro mestre da Bíblia é aquele que conhece
a Palavra de Deus e aplica-a à sua vida. Ele deve traduzir a Palavra de Deus no seu agir e
no seu modo de falar. João diz que a Palavra (o verbo) é Cristo. Assim sendo, ela é o
centro de nossa vida diária, nossa vida profissional, nossa vida social, nossa vida
estudantil, nossa vida doméstica e nossa vida na igreja.

Texto 2
UM MESTRE FRUTÍFERO
Talvez a mensagem Bíblica mais definida, quanto ao padrão espiritual do mestre para um
ministério frutífero, se encontre na oração de Paulo, em (Cl 1.9,10) “Por esta razão,
Pedagogia 1
0
também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de
pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria
e entendimento espiritual;a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu
inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de
Deus;”

Nesta passagem, encontramos cinco aspectos diferentes do crescimento espiritual que


devem ser alcançados através do ministério do ensino do mestre bíblico.

Sabendo
Primeiro de tudo, a frase “ que transborde de pleno cohecimento da sua vontade”, nos
ensina que Deus quis revelar Seus pensamentos e planos ao homem. É possível conhecer
a vontade de Deus. O crescimento espiritual está ligado ao conhecimento da Palavra de
Deus, pois é na Palavra que sua vontade é revelada. É imprescindível que o professor
saiba claramente o que o Senhor está dizendo nas Escrituras, ao estuda-las. É necessário
conhecer as Escrituras para entender a vontade do Senhor (Ef 5.17).

Compreendendo
Quando Paulo diz: “ Em toda a sabedoria e entendimento espiritual”, ele não está
falando do entendimento e inteligência, ou habilidade humanas, Está, sim, falando do
conhecimento que Deus concede através do Espírito Santo. Precisamos observar a
relação entre as Escrituras e a nossa própria vida. Quando assim, fazemos Deus promete
dar-nos a sabedoria de que, carecemos para aplicar sua verdade às nossas vidas (Tg 1.5)
diz: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.”

Respondendo
O próximo passo, na mensagem bíblica em apreço, é “A fim de viverdes de modo digno
do Senhor, para o seu inteiro agrado”. Em (Jo 14.21) “Aquele que tem os meus
mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado
por meu Pai, e eu também o amarei, e me manifestarei a ele”. A única maneira de
termos uma vida cristã vitoriosa é crendo e obedecendo a Cristo, à medida que ele é
revelado nas Escrituras.

Produzindo
A seguir, a Bíblia diz: “Frutificando em toda a boa obra”. O fruto segue-se ao
entendimento, conhecimento e obediência. À medida que somos fiéis nisso, o Espírito
Santo nos fará frutíferos. (Gl 5.22-23) nos diz que este fruto é a plena vida cristã. “Mas o
fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, “
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.E os que são
de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.”

Amadurecendo
Finalmente, a Bíblia diz: “E crescendo no pleno conhecimento de Deus”. Isto também é
o resultado de uma vida obediente à Palavra de Deus. O conhecimento da Palavra nos
leva a aplica-la em nossa vida diária. Cristo prometeu que se revelaria ao crente fiel e
obediente. Vivendo deste modo, o ensinador terá em sua vida a presença viva e real do
Mestre dos mestres.

Texto 3
PRINCÍPIOS DE ENSINO
Pedagogia 1
1
Quando Deus criou o universo, Ele estabeleceu também as leis que mantém o sol, a lua, e
estrelas em seus devidos lugares. Ele criou os princípios fixos que fazem com que estes
funcionem e cumpram o seu papel.

Também, quando Deus criou o homem, Ele estabeleceu as leis que controlam as funções
do seu corpo, bem como as que governam o processo da aprendizagem. Quando Jesus
ensinava, Ele o fazia cheio do Espírito Santo, mas ao mesmo tempo observava
coerentemente as leis do ensino que Deus havia estabelecido na mente humana. Jesus foi
o mestre por excelência e o perfeito ensinador da Palavra. Na atualidade o que de melhor
se pode fazer é seguir Seu exemplo. Então, o que precisamos é descobrir os princípios
divinos sobre o ensino e a aprendizagem e pratica-los em nosso próprio ministério.

Os princípios de ensino, tratados a seguir, procedem das leis básicas que cada ensinador
deve conhecer e praticar, para ensinar com eficiência.

1. O professor deve começar por aquilo que os alunos já sabem. Todo aluno quando
chega à sala de aula, já sabe alguma coisa, a partir do primeiro contato professor-
aluno, o professor por sua vez, mediante o contato, fica sabendo o grau de
conhecimento que o aluno possui. Isto quer dizer que o professor deve conhecer
seus alunos. Deve conhecer as características do seu grupo de alunos. Deve
também conhecer o nível de conhecimento de cada aluno, o suficiente para
compara-lo aos demais do grupo. Esta forma de conhecimento vem somente
através do contato pessoal e do entrosamento com cada aluno.
2. O professor deve partir do conhecido para o desconhecido. Ele não pode esperar
que o aluno o acompanhe no seu raciocínio, se ele não sabe do que o professor
está falando. O professor deve partir de uma informação que o aluno já sabe e
leva-lo passo a passo pelo caminho das novas descobertas. (Is 28.10) “Porque é
preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e
mais regra; um pouco aqui, um pouco ali.” Deus ensinava Seus filhos, Ele
desenvolvia uma idéia sobre outra, um conceito após outro. Para ajudar aos
homens a crescerem no Senhor e se tornarem maduros espiritualmente, um
professor deve ter um porto de partida e daí prosseguir até o objetivo. Ele deve
partir de coisas comuns antigas para atingir as novas; de coisas conhecidas para
as desconhecidas.
3. O professor deve sempre pensar que o aluno pode melhorar. Embora os alunos
aprendam em ritmo diferente, todos tem a possibilidade de crescer. Uns aprendem
de um modo e outros de outro. Uns aprendem com mais facilidade; outros, não;
mas todos podem progredir. O professor pode estimular grandemente a
aprendizagem, apelando para o elemento interesse de cada aluno. Interesse e
estímulo, são fatores-chave no processo da aprendizagem.
4. O professor deve relacionar a lição à necessidade do aluno. Há possibilidade de
haver pouca aprendizagem e nenhuma mudança, se o professor não apela para as
necessidades da vida do aluno, tornando-as patente. Cada lição deve conter uma
verdade central que o aluno possa relacionar a si. Se ele não puder se identificar
com o que aprende, ele não poderá transferir a informação aprendida para sua
vida. A verdade ensinada deve interessar à vida dos alunos. As ilustrações,
histórias, e outros recursos auxiliares de ensino, devem ser relacionados à vida do
aluno.
5. O professor deve ensinar através do exemplo e de palavras. O professor que não
pratica os princípios bíblicos em sua própria vida, não pode esperar que seus
alunos façam o que ele ensina. Ele deve viver as verdades que está procurando
ensinar a seus alunos. Este é o tipo de ensino não-verbal. O aluno aprende
princípios cristãos observando a vida de seus professores.

Texto 4
Pedagogia 1
2
OBJETIVOS NO ENSINO CRISTÃO

Um professor que inicia uma lição sem antes planejar um objetivo definido, é como alguém
que inicia uma jornada sem saber para onde vai. Ambos – aluno e professor – vagarão
sem rumo. A Bíblia nos ensina que devemos ter um objetivo em mente, ao iniciarmos um
empreendimento. Quando Jesus mil as multidões seguindo-O, (Mc 6.34), Ele se moveu
compadecido porque eles vagavam sem destino, como ovelhas sem pastor. Não tinham
propósitos em seu agir porque não sabiam o que queriam da vida. Eles não tinham
objetivos definidos. Assim é o mestre que começa a ensinar, mas não sabe onde quer
chegar.

Jesus sabia como era importante ter objetivos, e ensinou muitas coisas sobre isto. Em (Lc
14.25-33), ele enfatizou a necessidade de termos um propósito firmado antes de
começarmos uma tarefa. Jesus também disse que antes de alguém iniciar uma
construção, deve antes sentar e planejar sobre isso.

Em (I Co 9.26), quando Paulo fala do seu próprio ministério diz: “Assim corro também eu,
não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar” . ele tinha objetivos
definidos no seu ministério e decidiu atingi-los.

Não é bastante ter um objetivo; é preciso avançar em direção a ele. Ao preparar uma
lição, um professor deve antes saber o que quer, e depois concentrar-se seus esforços
para alcançar o que tem em mente. O caçador faminto que, sem fazer certeira pontaria,
tenta abater uma caça para seu alimento, as possibilidades de atingi-la são mínimas.
Assim é o ensino bíblico. Ensino sem objetivo, é ensino fraco, mesmo que tenha muitas
outras qualidades boas. Quanto mais o professor estiver certo do que quer alcançar com
sua lição, mais possibilidades terá para atingir o alvo.

Fixar os objetivos do ensino, com antecedência, ajuda o professor, pelo menos de seis
modos diferentes:

Dá senso de direção
No ensino, o objetivo fixado dirige o pensamento, a atividade, e o processo de mudança de
conduta do educador. Nem toda mudança é boa. Uma pessoa pode mudar para o mal,
assim como muda para o bem. Mudança sem propósito definido, produz confusão e
frustração.

Quem ensina deve elaborar um definido plano de ação, tendo um ponto de partida inicial e
um ponto de chegada fixado para cada lição. É como um comandante de um navio, sem
bússola para orienta-lo. Logo verá que está completamente sem rumo.

Ajuda a progredir
Os objetivos do ensino ajudam o professor a ordenar as várias partes da lição, e em
seguida decidir qual parte precisa enfatizar mais. Eles ajudam no estabelecimento de
prioridades, e no avançar do conhecimento para o desconhecido. O aprendizado é um
processo contínuo, em que os retalhos de informação devem ser ligados uns aos outros na
devida seqüência. Assim como um edifício é construído assentando-se um tijolo sobre
outro, assim também o professor trabalha no ensino. Bons objetivos ajudam o professor a
ligar as verdades entre si, bem como as atividades discentes, através da lição.

Ajuda na seleção de material e atividades


Isto é, ajuda na seleção dos métodos certos, para o incentivo de aprendizagem.
Pedagogia 1
3
Ajuda avaliar o grau de aprendizagem
Eles ajudam o professor a verificar se os alunos estão obtendo o que precisam da lição.
Uma aula sem objetivos não leva ao aprendizado, e não produz os resultados desejados.
Um objetivo definido no ensino é como uma fita métrica. O professor pode usar essa “fita”
para determinar se ele está realmente se comunicando com seus alunos. Objetivos de
ensino medem o progresso do ensino.

Motiva os alunos a estabelecerem alvos


Um professor que não sabe para onde vai na sua matéria, não incentivará seus alunos a
atingirem algum no seu aprendizado. Um professor não sabe o que quer que seus alunos
aprendam, os alunos muito menos saberão o que devem aprender. Por outro lado, quanto
mais claro o objetivo for, mais fácil será para os alunos desenvolverem objetivos claros e
definidos.

Encoraja o professor
O objetivo o inspira. Nenhum sucesso é tão emocionante quanto o de levar alguém a uma
comunhão íntima com Deus. O objetivo estabelece limites, e quando estes limites são
atingidos, há um sentimento de sucesso. Para atingir o limite traçado, o professor terá que
superar dificuldades, desânimo e distrações. O objetivo traçado estimula o professor a
levar a cabo seus trabalhos.

Texto 5
ESTABELECENDO OBJETIVOS DA LIÇÃO

Como um professor estabelece os objetivos da lição?


Esta é quase sempre a parte mais difícil na preparação da lição. O objetivo é a moldura em
que a lição se desenvolve. Uma vez ele (Objetivo) claramente definido, o professor pode
começar a trabalhar a lição. Grande parte do ensino ministrado sem entusiasmo é
resultado de falta de objetivos.

Tipos de objetivos
No texto 2, mencionamos que o ensino bíblico deve produzir mudança no conhecimento,
atitude e conduta do aluno.
1. Se o propósito da lição é dar informações que levarão a um conhecimento bíblico, o
objetivo do professor será o de aumentar o conhecimento do aluno.
2. Se o propósito é mudar uma atitude, ou estimular um sentimento, o objetivo deverá
visar as atitudes do aluno.
3. Se o propósito da lição é levar à ação, isto é, a uma mudança de comportamento
na vida diária, o objetivo do professor abrangerá a conduta do aluno.
No estudo da Bíblia, ao preparar a lição, o professor deverá considerar as seguintes
perguntas:
- Qual é a verdade bíblica principal ensinada nesta passagem?
- Qual o relacionamento desta passagem bíblica com as necessidades
particulares de meus alunos?
- O que o Espírito Santo está falando para mim nesta passagem?
- Qual o alvo principal à que esta passagem conduz? Ela trata de fatos, de
atitude ou de conduta?
As três passagens bíblicas dadas a seguir, tratam cada uma de um objetivo específico.
1. (Jo 1.1-14) “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.
Jo 1:2 Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez......... E o Verbo se fez carne
e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio
de graça e de verdade.”
Objetivo de conhecimento: Entender que Jesus foi Deus e homem ao mesmo tempo.
Pedagogia 1
4

2. (Sl 119) “Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do


SENHOR.....”
Objetivo de atitude : apreciar e amar a Bíblia a Palavra de Deus.
(At 5.1-10) “Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu
uma propriedade..... E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os jovens,
acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.”
Objetivo de conduta : Dizer sempre a verdade.

Exemplos de objetivos
Às vezes, vários objetivos podem ser traçados, cm base numa só passagem bíblica. Por
exemplo: do relato da criação de (Gn), um professor pode escolher um dos seguintes
objetivos:
1. mostrar a grandeza de Deus através dos seus atos criadores;
2. apreciar a natureza, considerando como Deus fez tudo de bom;
3. refutar as teorias antibíblicas da evolução do homem, etc.

Do relato de Moisés acerca das dez pragas que Deus enviou sobre o Egito, o professor
pode pensar nos seguintes objetivos:
a) a excelência do poder de Deus sobre todos os outros poderes;
b) mostrar as conseqüências da desobediência;
c) demonstrar como Deus opera todas as coisas juntamente para o bem;
d) mostrar como Deus cuida dos Seus, etc.

No caso da infidelidade de Gômer, no livro de Oséias, o professor pode traçar um dos


seguintes objetivos:
1. mostrar o declínio gradativo de uma vida cobiçosa;
2. mostrar os desvios de Israel, de uma geração para outra;
3. demonstrar as qualidades de um bom pai;
4. estudar os fundamentos de um lar estável.

Esses são exemplos de objetivos. Eles devem ser concisos, específicos e claros, todavia
muito generalizados. Os objetivos devem ser o mais pessoal possível, e adaptados às
necessidades pessoais dos alunos. Por exemplo, se o professor escolheu um objetivo
referente a conduta, seria preciso o professor desenvolver objetivos específicos, segundo
as necessidades dos alunos. Por exemplo, que o aluno seja levado a realizar o culto
doméstico com toda família.

Um só objetivo
Geralmente os professores descobrem que há melhor resultado quando a lição inteira gira
em torno de um só objetivo. Decida-se por um só objetivo, seja este em torno de
conhecimento, atitude ou conduta. Não tente ensinar estes três tipos de objetivos numa
mesma lição. Isto leva a um deslocamento de enfoque. Formule um objetivo e elabore a
lição em torno dele.

Texto 6
A PREPARAÇÃO DUMA BOA LIÇÃO
Enfatizamos aqui a importância de uma aula cuidadosamente preparada. No planejamento
da lição, o professor decide o que deve incluir ou excluir nela. Nessa fase, os objetivos da
lição são estabelecidos, bem como os meios para atingi-los. Ensinar a Palavra de Deus é
um santo ministério e por ser assim, o professor não deve falhar no que tange ao cuidado
no preparo da aula bíblica que vai ministrar.

O preparo de uma lição requer tempo, esforço e dedicação. Somos colaboradores com
Deus na edificação do Seu reino e devemos trabalhar de modo a sermos aprovados por
Pedagogia 1
5
ele; trabalhadores que não precisam se envergonhar quando o Dono da obra examinar
nosso trabalho (I Co 3.9; II Tm 2.15). Nossa recompensa virá quando Deus disser: “Muito
bem servo bom e fiel....” (Mt 25.21).

Há dois tipos de preparação de lições: a geral e a específica. A preparação geral consiste


dos antecedentes do professor: experiência, conhecimento da Bíblia e suas doutrinas,
familiarização com aluno, capacidade, e domínio das leis do ensino e da aprendizagem.
Todas estas coisas entram no preparo geral da lição.

A preparação específica é um planejamento cuidadoso e detalhado da lição bíblica a ser


conduzida.
Neste texto estudaremos três passos para esta preparação específica.

Previsão
É o primeiro passo. Rever todo o material que o professor disponha. Havendo um manual
ou guia de estudo sobre o assunto, o professor deve ler todo este material, examinando
todas as referências bíblicas indicadas. Nessa fase o professor relacionará o material
suplementar que vai necessitar, bem como os recursos audiovisuais. Formulará também
os objetivos gerais da lição ou da série de lições. Tudo isto deve ser objeto de anotações.

Estabelecer objetivos
O segundo passo é formular e anotar o objetivo específico para cada lição. Todo e
qualquer esforço no ensino é inútil a não ser que o professor estabeleça o rumo que vai
tomar. Para este objetivo, deve-se levar em consideração o nível de idade e as
necessidades da faixa etária dos alunos. O preparo da lição dependerá do seu objetivo em
mira.

Pesquisar
O terceiro passo no preparo da lição é reunir material. Um manual ou guia do professor
será de grande utilidade. Outras fontes valiosas de informação são:
a) comentários bíblicos;
b) Atlas bíblico;
c) Dicionário bíblico
d) Concordância bíblica
e) Um livro sobre os costumes dos povos bíblicos
f) Um volume de teologia sistemática, para estudo de doutrina bíblica.
Estas ferramentas de estudo são elementos básicos para o estudo e pesquisa de todo
professor, e deve fazer parte de sua biblioteca pessoal.

À medida que o professor consulta estas fontes, surgem idéias na sua mente. Estas idéias
devem ser anotadas para não caírem no esquecimento. Os melhores professores
costumam ter consigo um caderno para anotações e preparo de suas lições.

É sempre bom coletar mais material do que você pretende usar nas lições. Identifique os
personagens de cada lição. É bom saber quem escreveu o livro bíblico em estudo, quando
foi escrito e sob que circunstância foi escrito, bem como a quem foi endereçado e a razão
que levou o escritor a transmitir a mensagem. Também é bom saber como tal mensagem
foi aceita pelos destinatários da época.

Consulte o dicionário sempre que encontrar alguma palavra cujo significado lhe pareça
estranho. Este tipo de pesquisa requer que você consulte a passagem em apreço várias
vezes. Descubra o que as Escrituras afirmam no capítulo anterior e no posterior, do livro da
Bíblia em questão. Qual a mensagem do livro todo.

Texto 7
Pedagogia 1
6
A PREPARAÇÃO DE UMA BOA LIÇÃO (continuação)
Montar a aula
O quarto passo é montar a aula com o material reunido. Com o objetivo claramente
estabelecido em mente, o material começará a tomar forma em volta das idéias básicas.
Estas idéias se tornarão os pontos fundamentais da lição. O restante do material poderá
ser usado para dar apoio a esses pontos. A introdução e a conclusão da lição devem ser
planejada cuidadosamente. Anote num papel como é que você vai passar da introdução ao
corpo da lição e depois à sua conclusão. Estas transições são importantes. Precisam ser
feitas suavemente para que o aluno continue interessado e, todas as partes da lição. Cada
passo deve conduzi-lo mais próximo ao objetivo original da lição.

Escolher o método
O quinto passo é escolher o método de ensino. Depois do mestre ter ajuntado e
organizado seu material, ele pergunta: “Qual será a melhor maneira de comunicar estas
verdades aos meus alunos?” Há muitos métodos ao dispor do professor cristão.
Trataremos mais deste assunto, em detalhes, nas lições 6 a 10 deste livro.

Preparar o plano de aula


O sexto passo na preparação de uma lição é o professor preparar o plano de aula por
escrito. Neste trabalho ele deve dividir a aula em diferentes períodos de tempo, de acordo
com as partes da lição. Por exemplo, se o professor tiver meia hora, ele poderá gastar seis
minutos despertando a atenção dos alunos e fazendo a introdução, doze minutos em
desenvolver a lição; sete minutos tornando a lição algo pessoal para o aluno, e cinco
minutos ajudando os alunos a aplicarem às suas vidas a verdade que lher foi ensinada. O
plano de aula é essencial para o mestre em sala de aula. Alguns mestres costumam
escrever o plano de aula completo; outros, fazem apenas um esboço; enquanto que outros
farão apenas anotações das palavras-chaves. Mas, independente do método de cada um,
o plano de aula deve ser completo e de fácil uso. Uma vez escrito, deve ser seguido.
Quando o Espírito Santo conduz o professor pelos passos da preparação da lição, este
plano se tornará uma ferramenta utilíssima para um ensino eficaz.

Revisão
O último passo na preparação da lição é a revisão. Depois de completar o plano de aula, o
mestre deve voltar a reler os seus detalhes várias vezes (duas ou três vezes) . Deve
verificar as referências bíblicas e as ilustrações que pretende usar. Deve pensar acerca
dos métodos que escolheu para a aula.
Se começar com bastante tempo, o mestre modera levar uma hora, mais ou menos,
revendo o material da aula, antes de começa-la. Certo de que está preparado e
completamente consciente do material que vai utilizar, o professor terá confiança de que
ensinará com sucesso.

Ensinar é um dom dado por Deus e merece os nossos melhores esforços no seu preparo.
Ao findar a aula, o mestre deve avaliar os seus resultados. Deve anotar em papel à parte
qualquer pergunta difícil de responder, feita por alunos. O professor precisa ser bastante
honesto consigo ao avaliar seu ensino da lição. Não existem aulas perfeitas; empre há
lugar para melhoramento. O mestre deve perguntar a si próprio: “O que é que posso fazer
para melhorar a lição na próxima vez?” A resposta deve ser arquivada e depois usadano
futuro, na apresentação de uma outra lição.

Lição 3
O ALUNO
Professor é aquele que ensina; aluno é aquele que aprende. O aluno, deve ser o alvo
central do professor, do planejamento do ensino, e das atividades na sala de aula.
Aprendiz é aquele que recebe da parte do instrutor ensinos conforme o progresso da
aprendizagem.
Pedagogia 1
7

O aluno é elemento essencial à aula. É lógico que sem aluno, o professor não pode
ensinar sua matéria. O aluno vai à escola para aprender, para aprimorar seus
conhecimentos para cumprir exigências educacionais. Ele tem certas necessidades de
conhecimento teórico e prático que somente o bom mestre pode suprir. É seu desejo
alcançar tais objetivos. O professor inteligente reconhece o valor do aluno e seu potencial,
de modo que procura moldar sua vida positivamente.

Os dois aspectos principais que esta lição abordará são: a motivação do aluno, e sua
mudança interior. Se o aluno não for motivado e mudado, dificilmente aprenderá algo. É
essencial as duas coisas, para que haja resultado permanente na vida do aluno.

O aluno é o barro; o professor, o oleiro. Cabe a este, com a ajuda do Mestre Supremo,
fazer do aprendiz um objeto aprimorado, isto é, um aluno instruído, bem formado, bem
preparado.

Texto 1
A IMPORTÂNCIA DO ALUNO
O propósito do ensino bíblico é expor a Palavra de Deus ao homem, para que este se
desenvolva espiritualmente. O ministério do ensino bíblico tem como objetivo a pessoa
humana. Sem alunos, o professor não terá ministério. O aluno é o centro do processo da
aprendizagem; seu crescimento e desenvolvimento espiritual são governados pelas
Escrituras.

Seu valor
Jesus ensinou que cada indivíduo é de valor infinito. Ele geralmente deixava para trás as
multidões para poder atender indivíduos. Cristo servia a ricos, e também a uma mulher
flagrada em adultério. Servia a pessoas cultas como Nicodemos, ou ainda a pessoas como
a mulher samaritana. Ele atendia igualmente a pessoas de grande importância e aos
desprezados.
Ele se preocupava com as pessoas. As necessidades das pessoas é que determinavam o
modo de Jesus se aproximar delas; bem como seu método de ensino. Ao jovem rico, cheio
de autojustiça e orgulho, Jesus disse: “ Se queres ser perfeito, vai e vende os teus
bens, dá aos pobres” (Mt 19.21). A mulher flagrada em adultério, oprimida, e precisando
de alguém que ainda confiasse nela o suficiente para lhe dar uma oportunidade, Jesus
disse: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8.11). Lembremo-
nos como Jesus lidou com seus próprios discípulos e seus problemas. Ele lidou com o
incrédulo Tomé, com o inconstante Pedro, com os que visavam posição, e com
enfurecidos, como Tiago e João. Jesus viu suas necessidades e as supriu. Ele não usou o
mesmo método para com todos. Ele considerou que os interesses e as necessidades de
seus ouvintes é que determinavam o que devia ser ensinado e como devia ser ensinado.

Embora ensinemos constantemente às multidões, devemos considerar que essas


multidões são formadas de indivíduos e que cada um deles é único aos olhos de Deus. Ele
não quer que ninguém pereça mas que todos venham ao arrependimento (II Pe 3.9). ele
criou cada pessoa com dignidade e valor. Cada ser humano pode vir a conhecer
pessoalmente o Senhor Jesus Cristo, sem levar em consideração sua situação financeira,
social , racial ou econômica. Além disso convém notar que Deus criou cada um com a
capacidade de compreender a revelação de Deus, conhecer Jesus Cristo, e experimentar
a salvação.

Suas diferenças
Um professor só será eficiente se entender as diferenças individuais de seus alunos. Cada
aluno tem suas próprias características, desejos e necessidades. A eficácia do professor é
medida pelo modo como ele trata seus alunos. Não importa quão talentoso seja o
Pedagogia 1
8
professor; ele não estará bem preparado para ensinar enquanto não conhecer os
componentes da sua classe. Ele não poderá preparar bem a lição, nem se decidir
sabidamente seus objetivos e métodos, a não ser que saiba a quem irá ensinar a lição.

O professor deve conhecer seus alunos individualmente. Ele deve saber, seus nomes,
seus endereços, seus problemas e suas dificuldades. Ele deve conhecer suas famílias e
modo de vida. Muitos alunos são confusos, perplexos e problemáticos. Eles precisam de
alguém que os trate como pessoas, ao ministrarem a Palavra de Deus.

Texto 2
A NECESSIDADE DE MOTIVAR O ALUNO
A motivação tem um papel importante no processo do aprendizado. Ela energiza e põe as
pessoas em ação; dirige e canaliza o comportamento humano na direção dos objetivos do
ensino.

Um motivo pode vir de uma necessidade, de um desejo, de uma vontade, idéia, de um


impulso, emoção ou um estado que leve à ação. Saiba-se que não é fácil, nem automática
a motivação do aluno. À medida que o professor prossegue no ensino, ele deve também
despertar-lhes o desejo de aprender, deve guia-los no processo de aprendizagem. Ele
deve guia-los na formulação de idéias; a altos objetivos e motivos nobres. Se o professor
souber fazer isto, seus alunos continuarão a aprender e crescer espiritualmente, mesmo
depois que o professor deixar de ensina-los. Ensinar é um processo lento e contínuo e a
mente humana é um laboratório de possibilidades incalculáveis.

O dever do professor
Motivar os alunos é um dos deveres mais importantes do professor. Um aluno motivado
mais depressa e melhor. Um aluno se interessa e se esforça para aprender quando é
motivado.

O ponto de partida para qualquer aprendizagem é a consciência da necessidade. Aprender


é um esforço que se faz para preencher uma necessidade pessoal ou coletiva. Por isto o
professor deve saber como conscientizar seus alunos da necessidade vital de seguir a
Cristo, de ler e estudar a Bíblia, do crescimento e da maturidade espiritual, etc. À medida
que, da parte de Deus, mediante o professor, o aluno começar a sentir esta necessidade,
ele começará de fato a prestar atenção ao que lhe for ensinado.

A atenção é essencial à aprendizagem, e o melhor meio de consegui-la é despertando o


interesse do aluno. Falta de real motivação é uma das causas porque muitos professore
tem problemas de disciplina na aula. Se os alunos não estiverem interessados no assunto,
não quererão, nem sentirão necessidade de aprender. Daí, é dever do professor estimular
o interesse, despertar o desejo e promover a decisão de propósito na mente do aluno.

As necessidades do aluno

A motivação de uma pessoa deriva de suas necessidades pessoais e pode ser dividida em
três grupos; primeiro, os motivos físicos que tem como base, necessidades físicas, tais
como, fome, sede, cansaço, dor etc. Segundo os motivos psicológicos que são gerados
pelas necessidades emocionais de segurança, amor, apoio e amizade, para vencer a
solidão, conseguir a aprovação dos outros, e revelar a expressão de si mesmo. Terceiro,
os motivos espirituais que surgem das necessidades espirituais do ser humano.

Texto 3
Pedagogia 1
9
COMO MOTIVAR O ALUNO
Para um professor levar o aluno a uma condição de aprendizado deve conhecer bem os
mecanismos motivacionais. Aqui vão algumas sugestões que um professor pode usar para
motivar seus alunos.

1. Ele deve ensinar de tal modo que isso se torne agradável e gratificante. Às vezes é
difícil e até frustradora a experiência de aprender, mas mesmo assim, ela em si é
compensadora. Cada aula deve ser planejada de modo tal que envolva cada aluno
da turma. Jesus fez assim, e assim Ele ensinou seus discípulos a fazer. Ele lhes
mostrou como servir seguindo seu exemplo e depois os mandou experimentar o
método ensinando. Cada discípulo começou a trabalhar, conforme o Mestre lhes
ordenara.
2. O professor deve ajudar seus alunos a estabelecerem alvos. Isto produz motivação.
O professor que ajuda seus alunos a descobrirem o que podem fazer com suas
vidas, e como chegar a isto, está motivando. Jesus tratou com seus discípulos
sobre alvos para suas vidas. O Senhor Jesus disse a Natanael “Em verdade, em
verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e
descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51). Ele disse a André e Pedro : “Eu
vos farei pecadores de homens” (Mt 4.19). Depois ele disse a Pedro: “Bem
aventurado és tu....dar-te-ei as chaves do reino dos céus” (Mt 16.17-19). Jesus
motivou seus seguidores a pensarem sobre o que deveriam fazer e no que iam se
tornar.
3. O professor deve sempre querer aprender mais. O professor decidido a aprender,
estará sempre descobrindo coisa novas e compartilhando-as alegremente com
seus alunos. Deste modo, eles também adotarão a mesma atitude para com o
aprendizado. Um professor entusiasmado e profundamente interessado por aquilo
que ensina, incentivará também o interesse de seus alunos. Um famoso ensinador
da Bíblia geralmente iniciava sua aula, dizendo “meus alunos, descobri algo novo
esta manhã”.
4. Um professor pode reconhecer o progresso de seus alunos de várias maneiras.
Nada pode substituir o gesto alegre de aprovação do professor, uma palavra sua de
louvor, ou uma combinação de crítica construtiva e apoio.
5. Testes e trabalhos ajudam a fixar a responsabilidade de aprender, por parte do
aluno. O aluno, sabendo que os trabalhos pedidos pelo professor fazem parte da
aprendizagem que o capacitará para o futuro, se esforçará por fazer o melhor
possível nos seus estudos.
6. O professor deve relacionar a lição que ensina com as necessidades da vida do
aluno. As necessidades, os desejos, impulsos, e o interesse do aluno são como
pontes na sua mente por onde o conhecimento pode circular. Se o aprendizado o
ensino ministrado revelar-se valioso para a vida do aluno, este desejará aprender a
todo custo aquilo que lhe for ensinado.
7. O professor pode despertar e motivar seus alunos com a mensagem de Deus. A
Palavra de Deus tem um apelo único para nossas vidas. Esse apelo divino leva o
aluno a crescer para atingir a maturidade espiritual e servir a Deus, não por
obrigação mas sim pelo amor que tem a Ele, à Sua Palavra, ao eu povo, e pelo
gozo de ver realizado aquilo que Deus promete. Tal motivação espiritual tem
dominado grandes compositores musicais, pregadores, professores, missionários e
até mesmo mártires, os quais tem dado tudo de si para Deus e sua obra.
8. O professor pode confrontar seus alunos com os mandamentos bíblicos. (II Tm
2.15) “Procura apresentar-se a Deus, aprovado, como obreiro que não tem que
se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade”. Aí está um
mandamento bíblico que se aplica a todo aquele que serve ao Senhor.
9. O professor cristão, além de levar seus alunos a Jesus Cristo, deve também
conduzi-los ao batismo com o Espírito Santo. Aceitar Cristo e ser cheio do Espírito
Santo são as experiências mais profundas e sublimes que um cristão pode ter. Elas
Pedagogia 2
0
produzem um desejo de aprender mais sobre Deus e sua Palavra. O Espírito
Santo, que conduz o homem à verdade, quer também ensina-lo a andar e viver na
verdade.
10. O professor deve saber que ele exerce grande influência sobre seus alunos. Além
de guia na aprendizagem, conselheiro e amigo, o professor ocupa uma alta posição
de respeito e exemplo frente ao aluno. A medida que seus alunos o estimam, o
professor pode ajuda-los a formular objetivos, trabalhar para alcança-los e inspira-
los através do seu próprio exemplo.

Texto 4
O ESPÍRITO SANTO – O PRINCIPAL MOTIVADOR DO ALUNO

Estudamos o papel do professor no incentivo para o aluno aprender. Contudo, o supremo


incentivador e guia no estudo e compreensão das Escrituras é o Espírito Santo. É Ele que
cria a condição ideal para que o aluno aprenda. A transformação de vidas que ocorre
durante o estudo das Escrituras é trabalho do Espírito Santo.

Motivação interior
Paulo nos dá a chave para entendermos o papel do Espírito Santo na motivação. Em (Fp
2.13) “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a
sua boa vontade”. É a vontade de Deus que o crente cresça e amadureça em Cristo. O
Espírito Santo produz a motivação interior que precisamos para aprender. Ele gera nossos
impulsos e desejos interiores nesse sentido, e nos conscientiza de nossas necessidades.
Ele cria a fome espiritual e o senso de necessidade, tão necessários à motivação.
O professor que desmotiva perguntas de seus alunos, bloqueia a obra do Espírito.
À medida que as necessidades se manifestam na vida do aluno, elas resultam em
perguntas para o professor responder. Perguntas geram oportunidades de ensinar e são
portas abertas para a aprendizagem sob a direção do Espírito. O Espírito não somente
motiva os alunos a aprenderem, como também lhes dá a habilidade para tanto, iluminando
e dando entendimento. Ele faz com que o homem consiga entender, conhecer e fazer a
vontade de Deus.

Dois meios de motivação pelo Espírito Santo


Jesus falou a seus discípulos: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo
quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). O Espírito Santo opera de dois modos para ajudar o
aluno a aprender: primeiramente, ajudando os homens a entenderem o significado dos
acontecimentos contidos na Bíblia. Segundo, o Espírito Santo ajuda o crente a tomar os
fatos que já entende, e pô-los em prática. O Espírito Santo leva o aluno a aplicar as
verdades da Bíblia à sua própria vida. É o Espírito Santo que dá poder ao aluno para
assumir responsabilidades e aplicar a verdade bíblica à sua vida diária.

A obra do Espírito não se limita ao fato da aprendizagem do aluno. Ele dá ao professor o


desejo e a habilidade para ensinar. O Espírito Santo também opera quando o professor
está se preparando para sua aula. Ele dá entendimento e direção ao professor à medida
que ele estuda. Ele dá inspiração sobre como apresentar a lição e conduzir seus alunos no
processo da aprendizagem. O Espírito Santo torna o professor sensível às necessidades
dos alunos. Ele leva o professor a aprender mais e adotar novos meios de comunicar o
Evangelho.
A operação do Espírito de Deus também pode ser vista numa situação ativa em sala de
aula. Pontos de vista e aprendizagem não são produzidos somente pelo professor. Eles
Pedagogia 2
1
podem também proceder dos elementos que compõem a turma ou classe. Uma explicação
dada por um aluno, pode levar o professor a aprender. O Espírito Santo opera no grupo
como um todo, resultando isso num maior entendimento das coisas de Deus.

Texto 5
A MUDANÇA INTERIOR DO ALUNO

O comportamento do homem depende daquilo que ele aprende. Convém ficar bem claro
que quando falamos de coisas espirituais, uma mudança no comportamento do ouvinte
não é suficiente. Não é suficiente estudar a Bíblia, descobrir verdades espirituais, aplica-
las a vida diária e praticá-las.

Não é suficiente mudarmos apenas o nosso lado externo. Deus está interessado em algo
mais além dos nossos [Link] quer a mudança do nosso homem interior. Jesus observa
muito as intenções que motivam as ações da pessoa. Seu anseio é levar os homens à
comunhão espiritual com Deus, fato este da maior influência à comportamento externo do
homem.

O relacionamento pessoal com Deus muda o nosso interior


No tempo de Cristo, os líderes religiosos achavam que uma pessoa era espiritual quando
suas ações condiziam com a lei e as tradições judaicas. Eles achavam que podiam julgar a
espiritualidade de um homem, somente por seu comportamento. Se um homem cumprisse
a lei cerimonial, era considerado reto. Por isto, Jesus contrariou os líderes religiosos do
seu tempo (Mt 23.25-28). Ele os denunciou, dizendo:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque limpais o exterior do copo e do
prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e de intemperança....Assim
também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais
cheios de hipocrisia e de iniqüidade”.
Imaginamos como ficaram indignados estes líderes, judeus “retos”, ao ouvirem Cristo
atacando-os e chamando-os de hipócritas. Eles que passaram a maior parte de suas vidas
estudando a lei e sabiam quão reto um judeu devia viver. Eles se orgulhavam de
guardarem a lei, e de conseqüentemente, serem santos. Aqui estava Jesus, acusando-os
de iniqüidade espiritual. Eles estavam furiosos. Jesus acabara de deixar bem claro que o
que havia no coração do homem era mais importante do que guardar a lei e seguir
tradições religiosas estabelecidas. Ele ensinou a seus discípulos, que, o que fazia um
homem reto era seu relacionamento pessoal com Deus.

Quando os líderes religiosos disseram que os discípulos de Cristo tinham pecado ao


comerem sem antes lavar as mãos, como ordenavam os judeus, Jesus não aceitou tal
julgamento. Ele disse que os homens não são contaminados por mãos sem lavar, e nem
pelo que comem, mas sim, pelo mal que houver no seu interior, Seu comportamento
exterior entretanto, parecia honesto aos olhos dos outros, mas Deus sabia que seus
corações estavam longe dEle (Mt 15.1-20).

A nova criação
A ênfase demasiada no comportamento exterior do homem, dada pelos judeus, deixando
de lado a condição interior, teve resultados muito trágicos, Tal ensino encorajava as
pessoas a se conformarem com a lei e com as tradições religiosas, sem buscarem
qualquer relacionamento pessoal com Deus e, conseqüente mudança em seus corações.
Seu cuidado legalístico então, não ligava para as intenções interiores do homem. Eles se
preocupavam somente com a obediência exterior.

Do mesmo modo, podemos ver que não é suficiente alguém estudar as Escrituras e
observar as doutrinas e tradições da igreja. O que Deus quer é transformar o ser humano
de dentro para fora. Mudança exterior, sem mudança no coração, não agrada a Deus. A
Pedagogia 2
2
mudança exterior do homem deve ser reflexo da mudança interior. “ E assim, se alguém
está em Cristo, é nova criatura, as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram
novas” (II co 5.17).

A mudança interior afeta o exterior


Quando Deus transofrma o homem interior, há também sinais externos bem visíveis no
homem exterior. A mudança de comportamento resulta do novo relacionamento do homem
com Cristo. “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será
comparado a um homem prudente” (Mt 7.24). “Se me amais, guardareis os meus
mandamentos” (Jo 14.15). “Assim, pois pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).
Jesus falou repetidamente no sentido de seus seguidores porem em prática seus ensinos
no comportamento diário.

A mudança externa no comportamento, sem mudança interna, é hipocrisia aos olhos de


Deus. Por sua vez, mudança interna, que não resulte em mudança externa, não basta. A fé
em Jesus Cristo deve ser manifesta pelas boas obras; do contrário, essa fé é morta, é inútil
(Tg 3.17). O alvo do nosso ministério de ensino é expor as Escrituras e assim levar os
homens ao encontro com Deus, resultando disso a transformação completa do homem,
através de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lição 4
A APRENDIZAGEM

Muitos pensam que aprender é sinônimo de presença na aula. Porém, é muito mais que
isso. É um processo que começa com a apresentação de fatos e termina com o aluno
consciente da responsabilidade de aplicar a lição à sua própria vida.
Para facilitar esse processo de aprendizagem, o professor deve estar ciente das bases da
mesma e aplica-las no seu ensino.
Nesta lição estudaremos os seguintes alicerces do aprendizado: motivar a curiosidade do
aluno, persuadir o aluno a vir à aula preparado, envolver o aluno na aprendizagem com
atividades e, ensinar de tal maneira que isso lhe seja agradável e o incentive a exercitar a
memória.

Ainda mais, analisaremos os níveis da aprendizagem. Muitos se contentam com os níveis


básicos da aprendizagem, como memorização e reconhecimento. Veremos que existem
níveis mais elevados, como: reafirmação, relacionamento e permanência.

Finalmente, observaremos dois meios principais pelos quais a aprendizagem se torna real:
por intermédio da audição e da visão.
Compararemos os dois e apresentaremos um terceiro meio que é mais eficaz: a
combinação de ambos, chamado “ensino audiovisual”.

Texto 1
O PROCESSO DA APRENDIZAGEM
Como é que uma pessoa aprende de fato? O processo da aprendizagem é mais do que a
transmissão de uma série de informações entre o professor e o aluno. Há uma série de
passos que cada aluno deve observar, para que possa aprender realmente alguma coisa.

Exposição
Primeiramente, a informação deve ser apresentada ao aluno de tal modo que ele possa
entende-la. Essa informação chegará à mente do aluno através de um ou mais dos seus
cinco sentidos. Ele deve ouvi-la, vê-la, senti-la, ou cheira-la, etc. O aluno deve receber a
informação de modo a compreende-la. Por exemplo, o professor pode dizer à sua classe
Pedagogia 2
3
que um limão é azedo. Para que a classe entenda, eles devem, primeiro que tudo, ouvir a
informação. Depois, devem saber o que é um limão e o que quer dizer a palavra azedo.
Então, a exposição é o primeiro passo no processo de aprendizagem. É necessário que o
aluno possa ouvir ou ver, sem distração, e possa compreender as palavras ou idéias que o
professor está apresentando.

Investigação
O segundo passo no processo da aprendizagem é a investigação. Nesta fase, o aluno
mostra-se curioso e interessado. Ele quer examinar o fato e pergunta “o que quer isto
dizer?” “Fico pensando quão azedo é um limão!” “Como será o gosto de um limão?”

Descoberta
O terceiro fato é o da descoberta dos fatos, a aquisição do conhecimento. Por exemplo, no
caso acima, o professor traz o limão de que falamos, para a sala de aula e mostra-o a
seus alunos. A seguir, ele permite que os alunos o toquem; depois, corta-o para que seu
cheiro seja sentido na sala. Então ele dá um pedacinho do limão para cada um. Já neste
ponto o aluno descobre o que o professor quis dizer.

O aluno deve aprender as verdades bíblicas, de maneira semelhante. A medida que o


professor recita ou lê o versículo, “Não roubarás” (Êx 20.15), o aluno ouve as palavras e
procura entender seu significado. Este é o primeiro passo no processo da aprendizagem. A
seguir, ele pergunta a si mesmo, “o que isto quer dizer?”. Então, de uma maneira ou de
outra, ele chega à conclusão de que a verdade aí, é que é pecado roubar.

Contudo, o processo da aprendizagem ainda não está completo a esta altura. Joãozinho, o
aluno, aprendeu um fato mental, mas ainda não aplicou esta verdade à sua própria vida.

A personalização
O quarto passo no processo da aprendizagem é que o aluno se identifique com a verdade
e decida aplica-la à sua vida. Joãozinho começa a pensar que se Deus falo “Não
roubarás”, então está falando diretamente com ele. Ele deve então dizer para si mesmo:
“Nunca levarei nada da loja, sem pagar primeiro”. Desta maneira, a informação que lhe foi
comunicada é processada em sua mente, sob a forma de aplicação pessoal.

Prática
Finalmente, no quinto passo, o aluno torna-se responsável ante a informação que
aprendeu.
Agora João está no mercado. Está sozinho. Ninguém o está observando. Ele foi ensinado
que roubar é pecado e que Deus não quer que ninguém roube. Se João tiver realmente
aprendido a verdade bíblica, ele não porá nada em seu bolso em antes pagar. Só
podemos dizer que a aprendizagem está completa, quando o indivíduo a pratica em sua
vida diária.
Se o aluno aprendeu as verdades bíblicas mentalmente, mas não as pratica em sua vida
diária, é porque não houve mudança nela; o processo de aprendizagem não foi completo e
o professor não atingiu seu objetivo espiritual. Aqui, já devia ter sido lembrado que o
Espírito Santo está ansioso para operar, tanto no professor como no aluno. Ele que
convencer o aluno de qualquer erro ou pecado e leva-lo a aplicar a Palavra de Deus em
sua vida. Só Ele dá poder ao aluno para tomar os passos que mudará a sua vida.

Texto 2
AS BASES DA APRENDIZABEM

Aprender é obter conhecimento, sentimento, ou habilidade através do estudo, instrução ou


experiência. Isso implica obter ou desenvolver idéias, atitudes, valores, etc. Quando
falamos do processo da aprendizagem, vimos que ele abrange da exposição da lição à sua
Pedagogia 2
4
prática. Neste texto veremos os vários fatores que afetam o processo da aprendizagem.
Ele responde a perguntas, como: “ O que é que faz um aluno aprender?” “O que deverá o
professor fazer para incentivar ou acelerar a aprendizagem?”.

O processo da aprendizagem é complexo porque o aluno é um ser complexo. Sua


capacidade de aprender é determinada por sua constituição física e psíquica, seus talentos
naturais, seu passado, idade, desejos, e seus gostos e aversões. Deus fez cada pessoa
diferente. Devemos compreender que o intelecto do aluno, suas emoções e vontade, estão
envolvidas no aprendizado. À medida que um aluno recebe novas informações, ele reage
emocionalmente a isso. Ele experimenta algo no tocante a essas novas idéias e decide o
que fazer com elas. Estes sentimentos e decisões indicam o quanto ele vai mudar em seu
comportamento como resultado do que ele está aprendendo. Firmar atitudes e tomar
decisões é parte básica do desenvolvimento espiritual de quem aprende.

Aprender é um processo pessoal. Há muitos professores que ensinam como se o


aprendizado do aluno fosse algo automático que ocorresse à medida que o professor
falasse. O simples falar não quer dizer ensinar, e o simples ouvir não que dizer aprender.
Ninguém, após uma simples palestra sobre pilotagem, vai querer entrar num avião e pilota-
lo. Quando se trata de aprender de fato, é algo que o aluno tem que fazer, participar e
viver. Os alunos devem aprender como procurar referências bíblicas e praticarem a leitura
bíblica por si mesmos. Sua experiência deve ser pessoal. Ele mesmo deve descobrir o que
Deus está lhe dizendo pessoalmente.

Assim como há bases do ensino, há também bases do aprendizado. Elas mostram como o
aluno absorve o ensino do professor. Vejamos rapidamente algumas destas bases.

Interesse
O aluno aprende quando sua curiosidade, atenção e interesse são despertados por algo.
Um professor experiente apresentará seus material de uma maneira interessante, de modo
a captar e prender a atenção de seus alunos. Eles não aprendem se não tiverem interesse
no assunto.

Preparação
O aluno aprende quando está preparado para isso. Sua prontidão em aprender depende
da sua idade mental e psíquica. Depende da sua habilidade de entender o que for
explicado, e, se isso supre ou não sua necessidade pessoal. Por exemplo, uma criança de
três anos ainda não sabe ler. Mental e psiquicamente ela não entende o processo da
aprendizagem, como tal; dão ela não ter interesse nisso. Nessa idade, o ensino não apela
para a necessidade pessoal da criança. A melhor aprendizagem tem lugar quando o
material e seu conteúdo suprem necessidades do aprendiz.

Atividade e repetição
O aluno aprende através da atividade e da repetição. Ele aprende quando faz. “deixe-me
tentar”, é o que diz a criança e o adulto, interiormente, quando estão aprendendo alguma
coisa nova. “Vamos fazer novamente!”, é o modo certo de melhorar o aprendizado. A
atividade pode ser física, mental ou emocional; ela é necessária para qe a aprendizagem
se processe.

Experiência agradável
O ensino deve ser ministrado de tal modo, que se torne uma experiência agradável.
Quando isso acontece, o aprendizado torna-se rápido. Se o ambiente for desagradável,
monótono r perturbador, a tendência do aluno é rejeitar o ensino. Se o aluno vê no ensino
o início das respostas a seus problemas, ele terá prazer em aprender, e vai querer
continuar. Todo aluno terá desejo de aprender, se o ensino lhe causar satisfação.
Pedagogia 2
5
Memória
A memória é parte essencial da aprendizagem. A habilidade da memória de reter e
conservar informação, é uma das bases para ajudar seus alunos a se lembrarem das
verdades aprendidas nas aulas:
1. ele pode deixar uma impressão positiva e saudosa na mente do aluno.
2. ele pode associar novas verdades a outras informações que o aluno já conhece.
3. ele pode tornar a aula e seu material bastante atraente e interessante. Aquilo que é
útil e necessário para a pessoa, será lembrado com mais facilidade. O professor
deve ter certeza que o aluno entende a verdade que ele está ensinando.
4. ele deve usar o princípio da repetição para consolidar a verdade ensinada. A
repetição deve ser feita de modo a captar a atenção dos alunos, portanto, não pode
ser algo mecânico. A repetição é uma abordagem resumida da lição, por partes,
aprofundando o significado de cada uma delas.

Texto 3
OS NÍVEIS DA APRENDIZAGEM

Há diferentes níveis de aprendizagem. O objetivo do professor ser cristão é apresentar a


lição básica, de tal modo que ela venha a mudar a vida dos alunos. Neste texto falaremos
dos cinco níveis da aprendizagem, examinando ao mesmo tempo suas características
básicas.
Nível 1 – simples memorização
Se algum aluno aprender algo de cor e o repetir para o professor, insto não quer dizer que
o aluno entende de fato o que está dizendo. Por exemplo: o professor manda o aluno dizer
três vezes, bem alto: hamartiologia, hamartiologia,hamartiologia. O aluno passa a repetir
isso sozinho, mas não sabe o que quer dizer. É que ele aprendeu apenas a memorizar,
mas não sabe que está lidando com um termo teológico que significa o estudo do pecado.
Muitas vezes o professor ensina as Escrituras ou outras verdades importantes, desta
maneira. Seus alunos sabem tudo de cor, mas não entendem o significado. Quando isto
acontece, o aluno passa a ter a falsa impressão de que conhece a Palavra de Deus,
entretanto, não entende o que diz, nem sabe como aplica-la à sua própria vida. Este não é
o tipo de aprendizagem que devemos promover.

Nível 2 – reconhecimento
Não é difícil levar um aluno através desse nível de aprendizagem. Basta que ele seja
capaz de reconhecer alguma coisa. A simples habilidade de reconhecer uma verdade
bíblica, não quer dizer que o aluno entenda aquela verdade ou que tenha vivido à sua luz.
É importante reconhecermos os conceitos bíblicos, mas isto jamais é suficiente. Este tipo
de aprendizagem não leva a uma vida transformada.

Nível 3 – refrasear
Este nível de aprendizagem é diferente do de memorização. Não é mera repetição, pois
envolve o processo de interpretação da informação por parte do aluno. Refrasear é um
nível mais alto de aprendizagem porque o aluno aprende a expressar os fatos com suas
próprias palavras. É claro que assim fazendo, ele pensa mais no assunto, deixando de
atuar como um papagaio que “fala” sem saber o que fala. Obviamente, ele está pensando
mais no assunto e não somente atuando como um papagaio.

Por exemplo, você pode repetir (Jo 3.16). Agora procure interpreta-lo. Seria algo assim:
“Deus amou todos nós de tal maneira que enviou Jesus, seu único filho ao mundo. Pelo
fato de Jesus ter vindo ao mundo, qualquer pessoa que crê nEle não morrerá
espiritualmente, mas terá vida eterna”. Notamos que para interpretar a verdade com as
próprias palavras, o aluno necessita de um envolvimento mais profundo com a verdade. De
fato, este passo da interpretação é o começo da verdadeira aprendizagem, a
aprendizagem que leva à mudança de vida.
Pedagogia 2
6
Permanência
Relacionamento
Reprasear
Reconhecimento
Simples memorização

Nível 4 – relacionamento
É importante conhecer as Escrituras e poder recita-las, mas isto não é suficiente como
aprendizado. A Bíblia é mais do que simples informação. É um ponto de contato do ser
humano com o Deus Todo-poderoso. É preciso não somente conhecer a respeito dEle,
mas viver à luz disso e andar na sua presença. Isto quer dizer estabelecer um definitivo
relacionamento entre a verdade bíblica e nossa própria vida. Por exemplo, não é suficiente
sabermos que Jesus Cristo morreu na cruz pelos pecados da humanidade. Cada pessoa
deve reconhecer que é pecadora e que Cristo morreu por ela, e quer perdoar seus
pecados e salva-la.
Aprendizagem aplicada, no caso da Bíblia, é o crente procurar viver o versículo ou verdade
que lhe foi ensinada, relacionando essa verdade à sua própria vida. O caminho está agora
aberto para uma mudança em sua vida. A medida que o professor conduz seus alunos a
este tipo de aprendizagem, ele está cooperando com o Espírito Santo na sua obra no
homem interior. O Espírito Santo quer despertar cada aluno a aplicar a si mesmo as
Escrituras Sagradas à medida que estas lhe forem sendo ensinadas no poder e direção do
mesmo Espírito.

Nível 5 – Permanência
Este deve ser o alvo de todos os ensinadores da Bíblia. Aqui, a verdade bíblica é aplicada
n dia-a-dia do aluno. Uma coisa é entender que Deus quer que façamos algo, e outra coisa
é obedecer e continuar obedecendo a Deus. Este nível de aprendizagem abrange a
continuada mudança interior. Como dissemos no texto 5 da lição anterior, uma mera
obediência legalista, momentânea, superficial e externa, não agrada a Deus, e nem é
suficiente. A aprendizagem, como algo permanente, revelará uma mudança definitiva nas
atitudes da pessoa e no seu espírito, além da obediência exterior.

Aprendizagem real é aquela que muda vidas, e é produto de um tipo peculiar de ensino.
Quem ensina deve saber ensinar, mormente quando se trata da Palavra de Deus. Ensinar
não é apenas fazer o aluno repetir de cor, sem entender; não é apenas levar o aluno a
relacionar verdades bíblicas à sua vida, e sentir que Deus lhe está falando. Não é apenas
tudo isso. É leva-lo a uma mudança permanente no seu ser interior. É ensinar de tal modo
que o Espírito Santo molde as vidas através de Sua Palavra, no poder do Espírito Santo.

Texto 4
MEIOS DE APRENDIZAGEM

O sentido da audição

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a
um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt 7.24)

Nesta passagem Cristo está falando do ato de alguém ouvir e praticar aquilo que ouviu.
Deus criou o homem com ouvidos para ouvir. Uma pessoa para ouvir bem, precisa
aprender a ouvir. Testes mostram que 11% de tudo que aprendemos vem através de boa
audição. Ouvir bem é um modo importante do aluno aprender.

Se olharmos mais de perto para a audição como um processo, veremos que o ouvido se
divide em três partes: o ouvido externo, o médio e o interno. O propósito do ouvido externo
é coletar o som e envia-lo para o ouvido médio. Quando as ondas sonoras atingem o
Pedagogia 2
7
tímpano, os pequenos ossos do ouvido médio vibram. Estas vibrações são transmitidas ao
cérebro. Aí, os impulsos do nervo auditivo são selecionadas e os sons originais são
identificados pela pessoa receptora. Este complexo processo ocorre instantaneamente. Ele
foi criado por Deus para ajudar o homem a apreciar o mundo e aprender a verdade de
Deus. Comunicação auditiva é provavelmente o método mais comum de transmitir o
ensino bíblico. Isto não quer dizer que seja o mais eficaz utilizado sozinho. Já que o ouvido
capta todo o som exterior, devemos cuidar para que o volume de som seja o adequado
quando ensinamos. Os alunos devem ouvir e entender claramente o que dizemos.
Devemos também evitar a todo custo, qualquer tipo de barulho estranho durante o ensino.
Ele perturba e distrai, prejudicando e até neutralizando o processo de aprendizagem no
educando.

O sentido da visão

“Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes


mostrasse um sinal vindo do céu.” (Mt 16.1)

Se você examinar cuidadosamente a Bíblia, verá que há nela 50% de mais referências à
visão, do que à audição. A visão é provavelmente a maneira mais eficaz de se transmitir
informação. Experiências revelam que 75% de tudo o que aprendemos vem através dos
nossos olhos. Isso significa que aulas visualizadas do Evangelho, serão ainda mais
eficazes do que aulas puramente auditivas.

Quando as ondas luminosas chegam à vista, elas estimulam as terminações nervosas da


retina, as quais enviam sinais para o cérebro. Lá os sinais adquirem significado e o objeto
visto é identificado pela pessoa. É interessante notarmos que Jesus diz que nós, crentes,
som
Pedagogia 2
8
os a luz do mundo e Ele nos instrui a deixarmos nossa luz brilhar, de tal maneira que os
outros vejam nossas boas obras e glorifiquem nosso Pai que está no céu (Mt 5.14-16).
Jesus quer que nossa vida seja testemunha visual, para que os outros, ao verem Cristo
em nós, se acheguem a Deus. Nas lições seguintes, falaremos dos vários métodos de
comunicação visual que podem ser empregados no ensino cristão. Deus deu olhos ao
homem para que este “visse” o Evangelho e assim chegasse a ter comunhão com Ele.

Método Audiovisual
Quando os discípulos de João Batista vieram ter com Jesus e lhe perguntaram se Ele era
verdadeiramente o Messias, Cristo lhes respondeu, dizendo: “Ide, e anunciai a João o
que estais ouvindo e vendo” (Mt 11.4). Combinando a audição com a visão, teremos um
muito eficaz método de ensino: o audiovisual.
Combinando estes dois sentidos: a audição e a visão, no ensino, o aluno aprende 86%
daquilo que vê e ouve. A retenção do ensino pelo aluno é também maior quando estes
sentidos são combinados no ensino.
Audiovisual

14%

86%

Lição 5

OS MÉTODOS DE ENSINO

O professor deve conhecer não somente seus alunos e o assunto que vai ensinar, mas
deve também saber como comunicar esse assunto a seus alunos.

Um bom professor usará sempre mais de um método numa mesma aula. Nenhum método
sozinho é completo. É preciso uma combinação deles na aula. Métodos são técnicas
usadas para tornar o ensino e seu ambiente convidativos, interessantes, produtivos e
conducentes à aprendizagem por parte do aluno. Os métodos tornam a comunicação
eficaz no ensino.

A maneira pela qual algo é apresentado, determinará em parte o quanto se aprende e se a


informação transmitida é aceita ou rejeitada pelos ouvintes. Por isto, nem toda lição deve
ser ensinada do mesmo modo. Um método que é bom Neuma certa situação, noutra já
não o é. Portanto, o professor deve sempre considerar as muitas opções à sua disposição
e escolher sabidamente a melhor para cada momento ou matéria.

Esta lição trata da escolha dos métodos de ensino pelo professor, para apresentar a lição.
Alguns dos métodos que abordaremos são o da preleção, narração, discussão em grupo,
perguntas e respostas, e, tarefas. Qualquer um desses ( e outros mais) métodos é eficaz
no ensino da Palavra, quando usado na ocasião apropriada e estando o professor
preparado.

Texto 1
A ESCOLHA DOS MÉTODOS PELO PROFESSOR
Pedagogia 2
9
Recapitulemos um pouco do que já foi dito. Você se lembra dos textos 6 e 7 da Lição 2,
quando falamos sobre o devido preparo de uma lição?
O primeiro passo do professor é ler e reler todo o material da lição, consultando todas as
referências bíblicas.
O segundo, os objetivos devem ser formulados e anotados. Os objetivos revelam o que o
professor sabe das necessidades do aluno.
O terceiro passo é o de coletar matéria de Atlas bíblico, dicionários bíblicos, concordância
bíblica, livro sobre costumes dos tempos bíblicos etc. Todo professor deve ter seu
caderno de anotações, para lançar as pesquisas do seu estudo. Ele estuda os
personagens bíblicos da lição, o escritor do livro bíblico, quando este foi escrito, sob quais
condições foi escrito, a quem foi endereçado e, por que o livro foi endereçado.
O quarto passo é reunir o material disponível e montar a aula. Com os objetivos da lição
em mente, o material disponível começará a se dividir em idéias principais. Essas idéias
logo mais constituirão os pontos principais da lição. Elas deverão ser anotadas e farão
parte do esboço da lição.
O quinto passo nesse processo de preparação da lição é a escolha dos métodos de
ensino. Agora que o professor tem todo material de aula reunido, ele deve decidir como irá
comunicar as informações da aula a seus alunos.
Uma regra geral a ser observada é que toda lição deve empregar mais de um método,
isso dependendo do preparo do professor. Aqui estão vários fatores que o professor deve
considerar ao decidir quais os métodos que deve usar.
Idade
Os métodos escolhidos devem combinar-se com o nível de idade e as características do
grupo de alunos que se está ensinando. Alguns métodos são mais apropriados para
adultos, enquanto outros são melhores para crianças.

Tempo
Por quanto tempo devemos empregar um método?
Há métodos apropriados quando se tem pouco tempo, enquanto há outros que para
serem convenientemente empregados requerem períodos de tempo mais longos.

Lição
Os métodos escolhidos devem comunicar o conteúdo da lição e ajudar a enfocar os
objetivos formulados pelo professor. O método correto leva o aluno a querer descobrir a
verdade e aplica-la à sua vida. Seu devido uso ajuda o aluno a crescer espiritualmente.

Participação
Os métodos escolhidos devem envolver profundamente os alunos no processo da
aprendizagem. Os métodos matem os canais de comunicação abertos. Eles permitem ao
aluno participar ativamente da aula, e estimulam o aprendizado em nível mais profundo.

Variedade
A variedade de métodos ajuda o professor a manter alto o interesse de seus alunos,
enquanto que métodos freqüentemente repetidos tendem a eliminar o interesse.

Condições físicas
O arranjo físico e o tamanho da sala de aula afetam muito a escolha do método. Há
método em que é preciso reunir os alunos sentados em círculo ou semicírculo. Outros
requerem mesa ou um equipamento especial. Em suma, a escolha dos métodos depende
muito das dependências e dos recursos à disposição do professor.

Capacidade
O professor e os alunos estão previamente familiarizados com o método de ensino
escolhido? O método escolhido requer pouca ou alta habilidade no seu emprego?
Pedagogia 3
0
Conclusão
Os métodos não são um fim em si; são como pontes ou caminhos que o professor utiliza
para ajudar os alunos a alcançarem seus objetivos educacionais. Os métodos ajudam o
aluno a aprender. Se estamos interessados em proclamar as boas-novas e levar os
crentes a uma comunhão mais profunda com Deus, devemos nos interessar na escolha e
uso de métodos eficazes durante o ensino.

Havendo planejamento cuidadoso e habilidade na prática, qualquer professor pode


melhorar sua capacidade quanto ao uso dos métodos de ensino. Isto não quer dizer que o
professor terá 100% de êxito na primeira vez que experimenta uma nova técnica;
contudo, o professor não deve ter receio de falhar. É a prática que aperfeiçoa o método.
Até os professores mais experientes podem aprender novas técnicas ajudadas pelo
Espírito Santo.

Texto 2
MÉTODOS DA NARRAÇÃO

Narrar ou contar histórias é um dos métodos de ensino mais antigos. Ele transmite
conhecimento, capta e mantém o interesse, desperta a imaginação e apela fortemente às
emoções. Contar histórias, isto é, apresentar ilustrações, é mostrar a verdade em ação e
quase sempre colocar idéias abstratas em termos concretos.
Por isso a narração é um bom método para se explicar conceitos de difícil definição.

O uso da narração
Cristo narrou muitas histórias. Ele tanto usou este método no ministério do ensino, que
Marcos afirmou: “E sem parábolas não lhe falava” (Mc 4.34).

Jesus tirava suas ilustrações da vida do campo, da agricultura, do lar, vida comercial, vida
política e, fatos da natureza. Sessenta e uma histórias foram registradas, como “As dez
virgens” e “O bom samaritano”, etc. Portanto o professor cristão que seguir a Cristo como
modelo, nunca minimizará o valor de narrar histórias como método de ensino, nem dirá
que este método só serve para crianças.
Adultos também gostam muito de histórias, do mesmo modo que as crianças, tudo
dependendo da história ser apropriada, e do preparo do professor.

A narração é uma técnica muito útil porque provê informação, enquanto prende a
atenção. Narração produz alegria, união no grupo, desperta o amor, o sentimento de
posse e de segurança. Domina a imaginação do ouvinte e faz com que ele viva
emocionalmente a situação e experimente o que se passou no caso da ilustração. Nela, os
ouvintes se identificam com os personagens da história.

Sabendo escolher ilustrações, o professor terá uma grande oportunidade para trabalhar na
edificação do caráter cristão de seus alunos. A ilustração apropriada mostra que certas
atitudes e ações trazem felicidade, enquanto outras levam à infelicidade. À medida que as
emoções são estimuladas e as idéias firmadas, na ilustração, a Palavra de Deus se torna
viva e cheia de sentido para cada aluno individualmente.

Três princípios da narração


Há três princípios que levam ao sucesso ao se contar uma história:
1. O narrador da história deve estar preparado. Isto inclui a cuidadosa escolha da
história para a ocasião, conhecer bem a situação do momento, conhecer bem seus
alunos e conhecer bem a história toda. Ele também precisa saber o que quer
conseguir com a história.
2. O narrador da história deve ter uma boa apresentação pessoal. Ele deve captar a
atenção dos ouvintes a partir do começo da história. Deve manter um perfeito
Pedagogia 3
1
contato visual com seus ouvintes, de modo que cada pessoa sinta que a história
está sendo contada diretamente a ela.
É importante que o narrador fale alto e claro, o suficiente para que todos possam ouvi-lo
sem ter que gritar. O discurso suave e pausado com pequenos períodos de silêncio, cria
uma atmosfera de expectativa, e ajuda a manter a atenção de todos. O vocabulário deve
ser simples para que os ouvintes entendam tudo.
A expressão facial é de muita importância. Os movimentos devem ser naturais e com
entusiasmo. Isto dá vida à história. Sua voz deve exprimir emoção e sentimento à medida
que a história for movendo seus ouvintes.

Quando o ato for ligeiro e tenso, as palavras devem ser assim também. Outras vezes ele
deve falar devagar e com reflexão.
Toda história deve levar a um clímax e, nesse ponto, terminar rapidamente. Somente mais
uma frase ou duas depois do clímax para conclusão da história, se necessário.
3. O narrador da história deve orar muito. Ele deve pedir a Deus para guia-lo na
seleção da história apropriada para a ocasião da história. É evidente que o bom
narrador, primeiro pratica a história contando para si. Se ele não ensaia, como a
contará bem? Ao contarmos uma história devemos com isso incentivar o
crescimento espiritual na vida de cada aluno. Este deve ser o nosso alvo.

Escolha do propósito da narração


Uma parte fundamental de toda boa história é sua escolha com um propósito ou objetivo.
Uma boa história pode manter o interesse na lição, esclarecer ou reformar um ponto da
mesma, ou levar o aluno a tomar uma decisão; deve ser breve, clara e nova para a classe.
Histórias muito contadas não prendem a atenção dos alunos, nem contribuem para a
edificação dos ouvintes.

O narrador de história é qual desenhista que pinta lindos e impressionantes quadros


através de palavras. Para alcançar o alvo, o professor, além de orar, deve praticar
cuidadosamente a narração várias vezes até saber tudo em detalhes. A ilustração ou
história como método de ensino, para ser eficaz requer então oração, escolha, preparo e
técnica.

Texto 3
O MÉTODO DE DISCUSSÃO EM GRUPO

Nem todos os métodos de ensino tem tantas possibilidades como o método de discussão
em grupo, também chamado debate orientado. Poucos levam a classe a participar da
aula, como este. O debate orientado envolve cada aluno e os leva a pensar sobre os
assuntos em pauta, ao invés de repetirem fatos ou darem respostas corretas, mas
memorizadas. A discussão pode ser, por exemplo as possíveis soluções de um problema
real ou a interpretação de um versículo bíblico.

Os membros do grupo tratarão do assunto sob o controle e coordenação do professor. Ele


orienta a discussão em direção a uma conclusão definida ou decisão sobre o assunto.
Uma discussão em grupo bem dirigida resulta em edificante experiência de cooperação
dos alunos, que por sua vez resulta em conhecimento e informação e os ajuda a
disciplinar suas próprias opiniões e conclusões.

Como a discussão contribui para a classe


Numa discussão em grupo sabidamente orientada, todos os membros do grupo procuram
estabelecer a verdade sobre o fato em discussão. Suponhamos o assunto?: “O que
devemos fazer para que o nosso lar seja mais espiritual?” . O propósito de uma discussão
em gruo não é provar um fato ou ganhar a discussão. É expor todos os pontos de vista
dos membros do grupo e estuda-los. Ninguém reúne toda a verdade. Temos que
Pedagogia 3
2
reconhecer isso. Quem pensar que sabe tudo, não passa de um presunçoso. O pior é que
a presunção e a vaidade impedem que o indivíduo reconheça isso, enquanto todos de fora
observam esses males.

Na discussão em grupo é possível que todos tenham um pouco de razão e um pouco de


verdade, por isto é importante que todos participem da discussão. Esta forma de avaliação
de diferentes pontos de vista é muito importante no ensino bíblico. Isso contribui para a
maturidade e o crescimento espiritual porque envolve decisões que governam atitudes e
moldam o comportamento do indivíduo.

Como começar a discussão


Antes de uma discussão, o professor dará uma explicação curta e clara do assunto a ser
discutido. Este deve ser simples e dentro do alcance do grupo, tendo em mente o tempo
disponível.

Além da explicação acima mencionada, o professor geralmente acrescenta algo


introdutório visando despertar ainda mais o interesse dos alunos.

No método da discussão em grupo o professor deve deixar claro que todos os pontos de
vista são bem recebidos, mesmo que discordem do seu próprio.

Há vários modos de motivar uma discussão em grupo como método de ensino. O


professor pode distribuir u teste, já com as respostas dadas. Várias respostas para cada
item. O aluno adota uma das várias respostas ou prepara novas respostas. É preciso dar
tempo para as respostas. Quando todos tiverem suas respostas prontas, a abordagem
coletiva do assunto pode começar. Todos deverão se expressar. Apenas dois alunos
falam de cada vez. O tempo de cada um tem que ser limitado pelo professor.

Outro modo de começar uma discussão em grupo é a de se propor um assunto e pedir


aos vários alunos da turma que apresentem suas possíveis soluções.

Por exemplo, ele pode dar por escrito os assuntos envolvidos, fatos conhecidos, possíveis
soluções, obstáculos no caminho, etc. Pode então usar uma lista assim para guiar a
discussão em grupo.

Como a discussão ajuda o aluno


À medida que os alunos discutem o problema, eles devem tentar analisar os assuntos
envolvidos, à luz das eivdências bíblicas. Através deste processo, uma linha de raciocínio
ou pensamento nascerá e levará a uma ou mais soluções que são aceitáveis pelo grupo
como um todo. Conclusões erradas podem ser corrigidas pelo grupo ao invés da palavra
abalizada do professor.

O professor pode ajudar seus alunos a se tornarem mais específicos ou claros em eu


pensamento com as perguntas que começam com: por quê, como, o que isto quer dizer
para você, por que você pensa isto?; que tal esta possibilidade? Etc
Se a discussão sair do seu propósito original, o professor deve traze-la de volta,
centralizando sua atenção na frase original da discussão para que os alunos do grupo
tenham em entendimento claro do que está sendo debatido.

Como dirigir a discussão


É importante que o professor conheça cada componente do grupo. Não se trata apenas
de conhece-lo por nome, mas conhece-lo como aluno. Há alunos que são mais ativos e
decididos e participam mais do que os outros. Nunca se deve embaraçar um aluno tímido,
perguntando-lhe algo difícil ou forçando-o a responder quando ele prefere não responder.
Pedagogia 3
3
Com o uso repetido do método de discussão em grupo, todos os alunos começarão a
participar com anturalidade.

O papel do professor numa discussão é conduzi-la a uma conclusão definida sobre o que
está sendo tratado.

O drbate orientado deve encerrar com um resumo do resultado da discussão. Deve haver
uma solução que seja em princípio aceita por todos os membros do grupo. Se isso não
ocorrer, então devem ser apresentadas e resumidas as várias opções. Compete ao
professor cuidar disso.

Este método de ensino é muito apropriado para jovens e adultos. É importante que todos
os alunos sejam conhecidos. O grupo não deve ir além de 25 alunos. A arrumação da sala
também influi muito no sucesso deste método. O ideal é todos os alunos sentados em
semicírculo. O professor deve ser parte deste círculo e sentar no meio dos alunos para
incentiva-los a participar.

Na discussão em grupo deve haver consideração mútua e respeito de uns pelos outros. A
discussão é baseada no princípio da cooperação em grupo e deve conduzir a uma
conclusão também em grupo.

É preciso conservar a harmonia quando não se chega a uma conclusão. Discussão em


grupo não é uma controvérsia, onde cada um fala e nenhum tem razão. Um aluno não
“ganha” uma discussão, nem faz prevalecer seu modo de pensar. Todos estão ali
empenhados num esforço comum, estudando as Escrituras, sabendo que a verdade e sua
aplicação à vida está nelas.

Texto4
O MÉTODO DE PERGUNTAS E RESPOSTAS
Perguntas e respostas são ferramentas das mais valiosas do professor. Uma pergunta
leva o aluno a pensar, a trabalhar, a assimilar e a expressar o assunto em pauta. Ele
desperta o interesse e a curiosidade, e ajuda o aluno a ver os diferentes aspectos do tema
em consideração. As perguntas põem a mente em movimento e ajudam grandemente no
processo da aprendizagem.

A técnica de perguntas e respostas não resulta automaticamente em ensino eficaz, porém


torna a comunicação mais fácil. A pergunta dá ao aluno a oportunidade de recapitular o
que aprendeu e determinar se carece de mais informações sobre o assunto. Ao mesmo
tempo, através de perguntas, o professor descobre o que cada pessoa está pensando, se
a classe está progredindo ou não. Com a ajuda de boas perguntas o professor pode saber
se está sendo bem entendido e se a mensagem bíblica está sendo devidamente aplicada
à vida de cada um.

Jesus usou muito o método de perguntas e respostas. Os evangelhos registram mais de


cem perguntas suas. Com a idade de doze anos. Ele estava no templo interrogando os
mestres da época (Lc 2.46). Ele usava perguntas para definir assuntos, para estimular o
pensamento, para aprofundar a compreensão, para despertar o interesse, visando ensinar
verdades espirituais.

Perguntas X discussão
O uso de perguntas e respostas não deve ser confundido com o de discussão em grupo. A
melhor maneira de distinguir os dois é observar o tipo de pergunta empregado. O método
de discussão é centrada em problemas e envolve idéias, opiniões, e uma decisão ou
conclusão em grupo. A técnica de perguntas e respostas, lida com fatos, e envolve
respostas sempre objetivas ou diretas.
Pedagogia 3
4

Como formular perguntas


Um pergunta envolve definições em torno de quem, o quê, quando, onde, como, por que.
Envolve também revisão da informação prévia, remete o aluno para fontes de consulta,
como por exemplo referências bíblicas. Boas perguntas estimulam o pensamento,
aprofundam o conhecimento, aclaram idéias e incrementam e estabelecem
relacionamento entre as Escrituras e a vida diária do crente.

Como todos os demais métodos de ensino, a técnica de perguntas e respostas deve ser
planejada com tempo. O professor deve decidir muito antes da aula, o que vai ensinar e
quais as perguntas que vai propor. O professor, após fazer uma pergunta, deve dar algum
tempo à classe para pensar, para depois pedir uma resposta. Aqui estão seis pontos que
ajudarão o professor na formulação de boas perguntas.

1. A pergunta deve ser clara e ir direta ao assunto. Uma pergunta deve ter apenas
uma resposta. Não deve ser dúbia nem vaga. A pergunta deve ser específica.
Perguntas confusas podem suscitar várias respostas. O professor deve usar suas
próprias palavras e evitar fraseologias de livros-textos.
2. Uma pergunta bem feita não contém a resposta em si, e nem sugere a resposta ao
aluno. Ele só responderá se conhecer o assunto.
3. A pergunta deve ser de conformidade com o aluno. Isto é, deve ser levada em
consideração a capacidade do aluno e o nível de idade da turma.
4. A pergunta deve abranger algo essencial. Uma pergunta que exige pormenores da
lição não melhora o aprendizado.
5. A pergunta deve ser feita em ordem lógica. O professor deve fazer com que as
perguntas avancem em direção ao objetivo visado na aprendizagem.
6. As perguntas devem estimular o pensamento. Evite-se pergunta que apenas pede
um sim ou não como resposta. Perguntas do tipo “por que” “como”, são de mais
produtivas, uma vez que elas fazem o aluno pensar antes de responder.

A avaliação da resposta do aluno é parte importante na arte do método de perguntas e


respostas. Se a resposta for incompleta ou incorreta, o professor deve continuar a
incentivar o aluno a melhorar o seu conhecimento.

A pergunta, ao ser feita, é dirigida à classe como um todo. Entretanto, o professor deve, a
seguir, dirigir-se a um dos alunos para que a responda.

O aluno deve perguntar


Os alunos devem ser incentivados a fazerem perguntas ao professor. À medida que nos
assuntos forem estudados, novas perguntas surgirão na mente dos alunos. Veja como
uma criança aprende. Logo que ela começa a falar, sua pergunta mais comum é “por que”,
papai, “por que?”. É o caso de pensar em Cristo e seus discípulos. Pense quantas vezes
os discípulos perguntaram a Jesus “por que?” Jesus sempre aproveitou essa oportunidade
para ensinar mais aos Seus seguidores. Do mesmo modo, o ensinador da Palavra de
Deus precisa sempre acolher de bom grado as perguntas. Elas são ótimas oportunidades
do professor conduzir seus alunos para um maior conhecimento espiritual.

Os professores observam que muitos alunos não fazem perguntas. Pode ser porque não
estão acostumados a participar. Eles sempre sentam-se calmamente, e ouvem todo o
tempo, de modo que isso já se tornou um hábito. O professor deve pacientemente
procurar modificar este hábito e leva-lo a se expressar na sala de aula. Não é suficiente
pedir que os alunos perguntem. A atitude do professor deve indicar que ele gosta de
perguntas. E as perguntas, uma vez feitas, merecem consideração.
Pedagogia 3
5
Outro motivo porque muitos alunos não se envolvem neste método de ensino durante a
aula é porque não estão interessados o suficiente no assunto da maneira como está
sendo apresentado. O professor não deve esquecer de abordar a lição sob o ponto de
vista prático, de modo que os alunos apliquem no seu dia-a-dia os ensinamentos
recebidos.

Texto 5
O MÉTODO DE PRELEÇÃO

O método de preleção ou palestra é provavelmente o mais usado de todos. A palavra


preleção vem em parte da palavra latina “legere”, que quer dizer ler. Há séculos passados,
os livros eram poucos no mundo; os professores os tomavam e liam o seu conteúdo para
seus alunos. Hoje o método de preleção ainda é suado como meio de resumir o conteúdo
de livros que os alunos não dispõem.

Jesus empregou muito o método de preleção com as multidões, tanto pequenas como
grandes. Temos nos evangelhos mais de 60 palestras suas. Ele tratou de assuntos os
mais variados, inclusive o divórcio, o sábado etc. Algumas foram curtas e outras, longas.
As mais extensas foram a palestra ou sermão de despedida, em (Jo 14.17); o Sermão da
Montanha em (Mt 5.7), e o Sermão do Juízo e Fim do mundo em (Mt 24-25).

Vantagens da preleção
Embora não seja um método fácil, a palestra é uma autêntica e legítima maneira de
ensinar. Algumas das suas vantagens são:
1. Permite ao professor comunicar informações a que seus alunos não tem acesso.
Quando as fontes de consulta não são disponíveis, o professor pode ler seus livros
e compartilhar a informação com a classe.
2. A preleção também permite o professor, controle completo do assunto que vai
ensinar. Ele determina qual o material que vai ensinar. Ele determina qual o
material que vai tomar em cada ponto da aula.
3. A palestra economiza tempo. Quando o tempo da aula é limitado e a matéria e
muita, a palestra é um método muito válido. Dar muita matéria pode dificultar a
aprendizagem, ao invés de auxilia-la. Seja como for, a palestra é o melhor método
quando o tempo de aula é pouco.
4. O professor é a figura principal na palestra. Um bom orador parece ter uma voz de
autoridade como a dos profetas... Uma vez que ele tem controle completo da
turma, ele pode conduzir a lição em direção a um clímax, movendo profundamente
os sentimentos dos alunos. Um preletor preparado e inspirado pode comover a
todos e despertá-los a viver uma vida cristã de acordo com o ensino bíblico.
5. O professor também pode organizar seu material de aula em unidades e
apresenta-lo ponto por ponto quando o assunto for de difícil compreensão.
6. A preleção tem a vantagem única de poder ser utilizada com grupos de qualquer
tamanho, permitindo assim ao professor ensinar grande número de alunos a um só
tempo.

Desvantagens da preleção
Há várias desvantagens no método de preleção. Quando empregado com crianças e
adolescentes, geralmente ocorre problemas de disciplina, como por exemplo: desatenção
e conversa. A palestra é mais eficaz com adultos, uma vez que já aprenderam a sentar
quietos, se bem que muitos adultos se comportam pior do que as crianças.

Muita gente prefere a preleção como método de ensino porque durante a palestra não se
tem que responder perguntas, nem se participa ativamente da aula. A preleção não requer
maiores esforços da parte do aluno, nem antes, nem durante, nem depois da lição.
Todavia, a principal tarefa do professor é a de ajudar seus alunos aprender, e não
Pedagogia 3
6
somente a de agradar a classe. A palestra só será eficaz quando o professor trabalhar e
seus ouvintes corresponderem mental, física e emocionalmente.

A preleção é o mais difícil dos métodos quanto a aprendizagem. É difícil no método de


preleção o professor saber se os ouvintes estão aprendendo mesmo. Quanto ao ensino, o
método não é difícil (isto é, do ponto de vista do professor). Tendo material e preparo,
qualquer um pode ficar diante de um auditório e falar meia hora, uma hora ou mais. Difícil
é incentivar, motivar o aprendizado com a palestra.

Damos a seguir uma lista das desvantagens da preleção. Para que ninguém pense que
por ela ser muito usada, é o melhor método de ensino.

1. Os alunos sentam e ouvem, sem contudo experimentar atividade mental, física e


emocional, coisas essas necessárias no processo da aprendizagem. O aluno pode
estar ouvindo, porém, não estar aprendendo.
2. A preleção é dirigida à classe toda, sem destacar os alunos como indivíduos.
Muitos deles podem, talvez ter um bom conhecimento do assunto ensinando; o
professor pode estar apenas repetindo o que eles já sabem. Outros talvez nunca
estudaram o assunto e não entendem nada do que o professor está dizendo.
Também pode haver necessidades prementes que a palestra talvez não toque.
3. A palestra não permite que os ouvintes contribuam. Ensinar é compartilhar idéias e
experiências que motivam mudança e crescimento, e os professores podem
aprender muito através da classe, num ambiente em que predomine o Espírito
Santo.
4. A palestra tem a tendência de se tornar monótona. É fácil para os alunos deixarem
seus pensamentos vagarem soltos e se desligarem do que o professor está
dizendo durante uma palestra.
5. Requer menos preparação da lição por tarde dos alunos e por isto eles estudam
menos em casa para se prepararem para a aula.
6. A palestra requer habilidade na linguagem. Um bom orador deve conhecer bem o
seu assunto, ter uma personalidade atraente e dinâmica, ótima habilidade no falar
e saber como desenvolver seu assunto de modo interessante.

O sucesso da preleção
O sucesso do método de preleção depende muito do professor, para explanar bem o
assunto, ele deve preparar-se cuidadosamente. Ele deve treinas sua voz, usa-la
convenientemente. O volume de voz adequado e agradável. Toda palestra deve ser
organizada e planejada com antecedência. Durante a palestra, o professor deve, à medida
que avança, resumir o assunto que está ministrando, para ajudar os launos a seguirem
seu pensamento.

A palestra deve, pois, ser combinada com outros métodos de ensino. A preleção em
conjunto com outros métodos ajuda a manter o interesse, conduz a uma maior
participação, e incentiva um maior aprendizado. Um professor experiente não deve usar
somente o método de preleção durante toda uma aula. Se isso acontecer, deve ser coisa
rara.

Texto 6
O MÉTODO DE DRAMATIZAÇÃO

O que é dramatização
Dramatização como método de ensino é de origem recente. É também chamado
encenação. É a representação encenada de uma situação, de modo que os alunos
possam se identificar com os personagens e ver nisso soluções para os problemas que os
cercam. Na dramatização os alunos procuram agir como outras pessoas agiram em
Pedagogia 3
7
determinadas circunstâncias. Eles procuram pensar e sentir como aqueles personagens
eu eles representam. Crianças, por exemplo, costumam brincar representando cenas de
igrejas, da escola de casa. Na época do Natal, por exemplo, as igrejas ensaiam cenas da
anunciação e nascimento de Jesus, onde entram a manjedoura, os anjos, os pastores, os
animais, Maria, os magos, José, Herodes e o menino Jesus.

Pode ser empregados com crianças, jovens e adultos. Há crianças que após
representarem cenas da Bíblia, jamais as esquecem.

Dramatização pode ser usada para dar aos alunos uma idéia do trabalho que eles farão
no futuro. Por exemplo, numa classe de evangelismo pessoal, dois alunos podem
dramatizar como levar uma pessoa a Cristo. Uma representa o crente e o outro o
incrédulo. Os outros membros da classe aprendem algo como tratar os incrédulos e
testemunhar de Cristo e da sua fé, apenas pelo observar. Depois de várias
representações, o grupo discute as diferentes abordagens e estuda quais os melhores
textos bíblicos que devem ser usados nas diferentes situações. A aprendizagem através
do método é mais emocional do que mental. Os participantes e os observadores sentem
as emoções que os personagens representados sentiriam. Eles se integram na situação
representada e participam da busca de soluções para os casos representados.

Pontos técnicos da dramatização


Aqui estão alguns pontos essenciais a serem observados na técnica de dramatização no
ensino.

1. Defina o ato bíblico que vai ser representado. O professor deve explicar tudo
claramente, para que a classe entenda o que vai ser apresentado.
2. Peça voluntários para a dramatização. Um professor experiente quererá
voluntários ao invés de pessoas escolhidas. A capacidade de dramatizar não é tão
importante. O aluno deve expressar expontaneamente como pensa que o
personagem agiria em determinada situação.
3. Planeje o cenário. O grupo todo auxilia nesse planejamento.
4. Dramatize o quadro escolhido. Tratando-se de aula, os atos devem ser curtos, de
dois a dez minutos. Quando os participantes entrarem em ação, a situação bíblica
é vivida por eles e por toda a classe.

Escolas evangélicas de ensino secular, escolas bíblicas tipo internato e Escolas


Dominicais, que tenham salas para as classes e departamentos, tem mais condições de
utilizarem este método. Também a Escola Bíblica de Férias.

5. Quando termina a representação, a classe discute o trabalho realizado. O


professor pode fazer perguntas como “o que você aprendeu?” Você acha que os
outros participantes representaram bem seus personagens? Perguntas assim
testam o conhecimento que aquele aluno tem dos personagens da Bíblia; do
contrário ele não poderá dar seu parecer.

O período de discussão é muito importante, uma vez que envolve toda classe no processo
de aprendizagem.

As dramatizações devem ser aquelas que tratam do lar, do próximo, da coletividade, da


cooperação, do cultivo da comunhão com Deus, da Palavra de Deus, das missões, etc. A
dramatização deve ser usada esporadicamente para que não se torne uma coisa
corriqueira, perdendo o aspecto de novidade e de expectativa, e portanto, afetando a sua
eficácia.

Texto 7
Pedagogia 3
8
O MÉTODO DE TAREFAS

Sabemos que o falar, em si, não é ensinar; e o ouvir, não resulta automaticamente em
aprendizagem. Ensinar é o processo de motivar, encorajar e dirigir a aprendizagem.
Aprender é o processo de descobrir, assimilar e agir de acordo com a verdade ensinada.
Quando o processo de aprendizado é ligado a experiência o aluno entenderá melhor. Um
antigo ditado popular afirma: Escuto e esqueço; vejo e lembro; faço e entendo.

Aprender fazendo
O método de tarefas é o de aprender fazendo. A experiência é um excelente professor e o
propósito do método de tarefas é dotar o aluno de experiência no aprendizado, al lado
dos objetivos da lição ministrada pelo professor. O método de tarefas não é novo. Os pais
levam os filhos a caçadas e pescarias, bem como aos locais de trabalho para que eles
aprendam, fazendo. As mães, ensinam as filhas desde pequenas a cozinhar e limpar a
casa. Aprendem fazendo. As tarefas tornam o aprendizado divertido e aguçam o interesse.

O método de tarefas dá ao aluno a oportunidade de planejar, agir e avaliar o que aprende


na sala de aula. Também ensina o princípio da responsabilidade, pelo fato do aluno
assumir o compromisso de ver terminada a tarefa que lhe for confiada. As tarefas podem
ser executadas dentro ou fora da sala de aula. Elas podem envolver uma pessoa, um
grupo, ou uma classe inteira de alunos. Este método pode ser usado em conjunto com
qualquer outro método. Há tarefas simples que podem ser executadas rapidamente.
Outras podem ser complexas e levam um maior período de tempo. Se o professor vai usar
este método, ao planejar a lição, ele deve decidir que tarefas os alunos poderiam executar
na matéria em estudo. Ao usar este método, o professor observa se os alunos estão
aplicando as verdades aprendidas às suas vidas.

A tarefa uma vez iniciada deve ser levada até o fim. O professor deve sempre instruir,
orientar, aconselhar e encorajar, mas o trabalho é sempre feito pelo alunos. Uma vez
terminada a tarefa, todo o trabalho será avaliado pelos alunos.

Princípios de como usar tarefas


Há alguns princípios a serem seguidos na execução do método de tarefas.

1. As instruções devem ser claras e específicas e de acordo com o nível de idade dos
alunos. Uma tarefa não deve ser muito difícil, e deve ser concluída no tempo
determinado.
2. Fornecer aos alunos toda informação necessária, e anima-los no desempenho da
tarefa.
3. As idéias da execução da tarefa vêm da criatividade dos alunos, orientados pelo
professor. Aqui estão algumas idéias, se bem que a classe terá suas idéias à
medida que for incentivada por seus professores.

Pré-primário :conseguir presentes simples para pessoas inválidas. Conseguir figuras


apropriadas para decorar a sala de aula.
Crianças maiores: Ajudar uma pessoa idosa ou inválida. Ser mais reverente na igreja.
Durante o culto não conversar e não andar na igreja. Compilar um glossário de termos
bíblicos, memorização orientada das Escrituras etc.
Mocidade: Dirigir cultos num asilo de idosos, orfanato ou cadeia. Cultivar o hábito da
leitura bíblica , oração estudo da lição da EBD. Levantar fundos para construção de
templos, sustento de missões e evangelização etc.
Adultos: há tarefas e projetos os mais diversos para os alunos adultos se envolverem
dentro da igreja, através do professor, que será orientado pelos líderes.
Pedagogia 3
9
Construir ou doar peças de mobiliário necessário à igreja, por exemplo, nas salas da
Escola Dominical.

Levantar fundos para trabalhos de assistência social da igreja. Chegar cedo para os cultos
de modo a sempre participar da oração e cânticos iniciais; trazer sempre a Bíblia para os
cultos, dar dízimos e ofertas, memorizar versículos, trazer visitantes, visitar e testemunhar
em hospitais, levando para ali a classe toda; ajudar com mão de obra na construção e
reformas de templos, dirigir cultos ao ar-livre, etc.

Lição 6
RECURSOS AUDIOVISUAIS

O que são recursos audiovisuais? Qual o propósito de seu uso no ensino? Como devem
ser utilizados em aula, no âmbito da igreja? Estas são as perguntas que vamos discutir
neste capítulo.

Na Bíblia encontramos o emprego de audiovisuais, relacionados com a salvação do


homem e seu relacionamento cm Deus. Veremos vários exemplos de audiovisuais no
Antigo Testamento e no Novo Testamento. Seu emprego, portanto, aparece na Bíblia.
Jesus os usou no seu ministério de ensino, e de igual modo os obreiros da igreja primitiva.

Texto1
O USO DE AUDIOVISUAIS EM GÊNESIS
Quando Deus criou o homem, Ele dotou-o de cinco sentidos básicos: paladar, tato, olfato,
audição e visão. Adão foi dotado destas faculdades para apreciar e desfrutar da criação
de Deus.

Como Deus se comunica através dos audiovisuais


Mesmo afetados pela queda, estes maravilhosos sentidos continuaram funcionando, e
Deus os usou para reconduzir o homem a Si. Quando estudamos a revelação divina
através do Antigo Testamento e Novo Testamento, podemos ver que dois destes sentidos
– visão e audição, são mais freqüentemente usados por Deus para se comunicar com o
homem.

A comunicação audiovisual não foi criada pelo homem para se comunicar com o homem.
Foi algo que o próprio Deus criou para se comunicar com a humanidade. Deus tem usado
a capacidade do homem de ver e ouvir para chamá-lo a Si e leva-lo ao conhecimento de
que o Senhor Jesus morreu para perdoar os seus pecados e salva-lo da condenação.

Exemplos do uso de audiovisuais por Deus


Desde o princípio, Deus tem usado recursos visuais para ajudar o homem. Depois que
Adão e Eva pecaram, foram expulsos do Jardim do Éden, para que não comessem da
árvore da vida e assim vivessem para sempre neste estado pecaminoso. Depois, como
um aviso, Deus colocou anjos e uma espada flamejante a leste do jardim para guardar a
sua entrada. Isto era um sinal visual para que ninguém chegasse perto. Depois, quando
Caim matou Abel, Deus falou a Caim. Este saiu de sua terra e tornou-se fugitivo . Caim
ficou possuído de medo. Ele logo sentiu que todos que o encontrassem tentariam mata-lo.
Por isto, Deus colocou um sinal em Caim para identifica-lo e prometeu que puniria
qualquer que o matasse, sete vezes mais do que a punição que ele sofresse. Deus usou
um sinal, visual para abrandar o medo de Caim e conscientiza-lo de que ele estava sob a
proteção de Deus, apesar de seu pecado. Ainda havia oportunidade para ele se reabilitar
diante de Deus.

Em (Gn 6), Deus anunciou a Noé a vinda do dilúvio, e lhe deu instruções para construir
uma arca. Em resposta a essa comunicação verbal, Noé trabalhou 120 anos. Quando
Pedagogia 4
0
terminou a arca, o dilúvio veio a Noé e sua família se salvarem. Porque ele ouviu e
obedeceu a Deus, ele foi recompensado até visualmente. Deus colocou um lindo arco no
céu como prova de Sua nova aliança com o homem (Gn 7.7-17).

Quando Deus falou a Abraão e lhe ordenou que deixasse a sua própria terra e seguisse
para uma terra estranha, Ele também lhe prometeu que Abraão, se tornaria pai de uma
grande nação e de que todas as nações, através dele, seriam abençoadas. Contudo, com
o passar dos anos, Abraão não teve filhos, e sua fé na promessa verbal de Deus começou
a extinguir-se. Então, Deus levou Abraão para um local no campo aberto e lhe mostrou o
céu à noite. Estava repleta de estrelas. Deus falou ali para Abraão: “Olha para os cus, e
conta as estrelas, se as podes contar... assim será a tua semente”. Neste caso vemos
como Deus usou um sinal visual para confirmar sua promessa verbal. O resultado foi que
Abraão creu em Deus e isso lhe foi contado por justiça. Nesta passagem (Gn 15.5,6),
podemos ver como Deus empregou meios audiovisuais para fortalecer a fé de seu
seguidores.

Texto 2
A VIDA DE MOISÉS E O ENSINO AUDIOVISUAL

Alguns dos exemplos mais interessantes do uso de meios audiovisuais, por Deus podem
ser vistos na vida de Moisés, no livro de Êxodo.

Audiovisuais na sua chamada


-A sarça queimando e não se consumia.
-A vara transforma-se em cobra
-A mão fica leprosa
-A água do Nilo se transformaria em sangue.

Audiovisuais perante Faraó


- as pragas

Audiovisuais na ida a terra prometida


- Abrir o mar vermelho
- Água da rocha
- Maná e codorna.
- As águas do Jordão dividiram-se

Tudo isso foi feito para mostrar ao povo que Deus era com eles.

Texto 3
EZEQUIEL E SUAS MENSAGENS AUDIOVISUAIS
Em Ezequiel temos alguns dos exemplos mais interessantes de audiovisuais no Antigo
Testamento.

Os ossos secos
O Espírito do Senhor levou Ezequiel em visão a um vale de ossos secos, lá o profeta
ouviu e viu demonstração do poder ilimitado de Deus. Deus moveu Ezequiel para
profetizar a respeito do assunto.
(Ez 37.7-10) Nesta passagem podemos ver o poder dinâmico de Deus e sua habilidade de
se comunicar através de demonstrações audiovisuais.

Ezequiel usou recursos visuais mais do que qualquer outro ensinador do Antigo
Testamento. Ele dramatizava suas mensagens e muitas vezes o Senhor o inspirou a
apresentar lições objetivas para que o povo de Israel pudesse entender a Sua palavra.
Pedagogia 4
1

-(Ez 4) o mapa do tijolo.


-(Ez 5.1) a navalha afiada.

Temos também casos semelhantes noutros eventos em que Deus usou meios
audiovisuais para comunicar idéias, afugentar o medo, proteger, fortalecer a fé do povo,
chamar a atenção do povo, mostrar que ele era o Todo-poderoso.

Texto 4
JESUS E A MENSAGEM AUDIOVISUAL

O verdadeiro modelo para quem ensina a Palavra é Jesus Cristo. Ele foi o maior mestre
que já existiu. Foi comunicador perfeito. Na comunicação da mensagem, vemos ele
utilizando meios audiovisuais. Jesus sabia que o homem aprende através de seus cinco
sentidos. Ele sabia da importância da audição e da visão na aprendizagem . ele usou
figuras de palavras para transmitir Suas mensagens, objetos comuns do dia-a-dia para
ilustrar verdades, e parábolas para explicar o reino de Deus. Pelo fato de seus ouvintes, e
até seus discípulos nem sempre entenderem a mensagem de Deus no momento em que a
ouvia, Jesus usava visuais para ajudar o povo a entender, compreender e reter aquilo que
ele ensinava.

Usou audiovisuais simples


Usava objetos de uso cotidiano a seu alcance tais como: semente de mostarda, peixe,
figueira, pão, poço de água, etc.
Estes objetos ajudavam seus ouvintes a aprender as lições que ele constantemente
ensinava.

Quando ele ensinou sobre a confiança em Deus para suprir nossas necessidades, lhes
falou das aves dos céus.
Para falar do Espírito Santo , usou o vento. Ao ensinar deveres cívicos usou uma moeda.
Tudo isso ajudou o povo entender o que ele ensinava.

Lição 7
VEJAMOS OS AUDIOVISUAIS

Deus criou canais duplos de comunicação na mente do homem quando criou seus olhos e
ouvidos. “O ouvido que ouve e o olho que vê, o Senhor os fez um como o outro” (Pv
20.12). Ele dotou assim o homem dos dois maiores recursos de ensino e aprendizagem
audição e visão.

Na lição 3, texto 2, falamos sobre a porcentagem de aprendizagem. Dissemos ali que 11%
do nosso conhecimento é adquirido através de nossos ouvidos e 75%, através dos olhos.
Isto quer dizer que aprendemos quase seis vezes mais pela visão do que pela audição.
Outro fato muito importante para lembrarmos é que 75% do que o professor ensina é
esquecido, se não for acompanhado de visuais ou reforçado de outro modo. Somente
assim o ensino fica gravado na memória do aluno.

Uma vez que o professor cristão transmite a verdade de Deus ao coração e a mente do
aluno, é sua responsabilidade ensinar usando os métodos de ensino mais eficazes a seu
dispor.

Neste capítulo trataremos de vários tipos de recursos visuais que ajudam o aluno a
aprender e tornar a aula mais interessante. Embora alguns métodos pareçam estranho à
igreja, isto não quer dizer que ele sejam mundanos.
Pedagogia 4
2
Os métodos de ensino na igreja devem ter seu uso controlado, do contrário o próprio
ensino da Palavra ficará prejudicado. Saiba que a Palavra de Deus tem mais valor do que
o método usado para ensina-la. É preciso considerar ainda o temor de Deus ao lidar com
Sua obra, e a indispensável direção do Espírito Santo no exercício do ministério do ensino.

Texto 1
O RECURSOS AUDIOVISUAIS NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

É possível construir uma casa, tendo para orienta-lo apenas uma descrição verbal da
construção? Se assim fosse, você não teria nenhum desenho para guia-lo na execução
do projeto, nem teria nada para ver como ficaria o prédio depois de terminado. A planta de
uma casa não somente “diz” como esta será, mas também “mostra” como será.

Vantagens de recursos audiovisuais


O visual pode fazer num instante o que a palavra não pode fazer. Ele ilustra e esclarece
detalhes num momento.É por isto que os visuais devidamente preparados e apropriados
são instrumentos importantes na educação cristã. Eles tornam o aprendizado mais fácil e
mais completo porque ajudam o aluno a entender melhor as verdades espirituais
ensinadas.

Uma pessoa lembra-se mais daquilo que vê, do que daquilo que ouve. Quando você
encontra alguém pela primeira vez, do que é que você lembra-se mais? Temos que admitir
que nos lembramos mais da fisionomia, que do nome da pessoa. A memória visual é mais
profunda que a auditiva. Note a habilidade dos alunos de se lembrarem da informação no
quadro abaixo.

LEMBRAM LEMBRAM
3 horas mais tarde 3 dias depois
Palestra (somente ouvindo) 70% 10%
Visual (somente vendo) 72% 20%
Ouvindo e vendo 85% 65%

Como usar audiovisuais


Aqui estão algumas sugestões quanto ao emprego de audiovisuais:
- o visual deve ser exposto de maneira visível a toda a classe.
- Deve conter somente o essencial. Um visual não deve conter muita
informação. Isto confunde o aluno.
- O grupo deve estar preparado para a apresentação. Diga-lhes que
apliquem os princípios bíblicos da lição visual às própria vidas.
- O ponto principal do visual deve estar claramente relacionado ao objetivo
da lição.
- O visual deve ilustrar um ponto ó e sem muita explicação, pois a
comunicação principal aí, é a viual.
- Os recursos visuais podem ser de duas classe:
não projetáveis.
-quadro de giz
-flanelógrafo, cartaz, quadros, murais, figuras de desenhos,
modelos, mapas,
projetáveis
slides, transparências, filmes, etc.

Todos os visuais podem ser usados com dois propósitos diferentes. Eles podem ajudar o
professor a contar uma história bíblica, ou explanar uma lição. Crianças são
Pedagogia 4
3
particularmente beneficiadas quando se usa visuais para contar histórias, porque isto os
ajuda a seguir a ação e se lembram do que aconteceu.
Contudo, quando um aluno é um adolescente ou mais velho, as histórias bíblicas já lhe
são familiares e em muitos casos ele pode contá-la para o professor, se tiver
oportunidade. Neste caso, os visuais são usados para fazerem aplicações de uma
verdade da lição à vida do aluno.

Por exemplo: a história de Davi e Golias pode ser visualizada de dois modos diferentes.
Crianças mais novas gostarão dos visuais que mostram Davi usando a funda e do gigante
caindo morto no chão;
Visuais para crianças mais velhas devido conterem outros detalhes comunicativos, podem
falar ao coração de uma pessoa de mais idade que esta enfrentando grandes problemas
na vida. No primeiro caso, o visual ajuda a contar a história, no outro, ele aplica a verdade
ao cotidiano.

Texto 3
O EMPREGO DE AUDIOVISUAIS
Antes de empregar audiovisuais na igreja, é preciso algumas providências preliminares da
parte do professor.

Passo preparatório
Ver quais os materiais audiovisuais disponíveis.
- Retro-projetor
- Data show
- Quadros brancos

Treinamento para uso de audiovisuais


Se o material é novo, verifique se todos que vão usa-lo estão devidamente treinados para
isso.

Lição 10
OBSERVAÇÕES FINAIS

Neste último capítulo revisaremos alguns assuntos estudados sobre recursos


educacionais. Também procuraremos levar cada professor a examinar-se perante o
Senhor, procurando descobrir que passos deve tomar para tornar-se um melhor professor.
Como ter um ministério de ensino mais profundo e mais ricos? Sob a direção do Espírito
Santo podemos ver como cada um pode melhorar. Desejamos que a Palavra de Deus
opere poderosamente na vida dos nossos alunos e que os guie e dirija em todos os
aspectos de suas vidas.
Grande é a oportunidade de fundar novos trabalhos alicerçados na Palavra de Deus.
Este é um tempo maravilhoso para aqueles que se dedicam ao ministério do ensino
cristão.

Texto 1
RECAPITULAÇÃO SOBRE OS AUDIOVISUAIS

Metade deste livro ocupou-se do estudo de diferentes recursos educacionais à disposição


do professor cristão. Vamos recapitular um pouco o que aprendemos até agora.

Recurso audiovisual é qualquer objeto, símbolo, figura ou aparelho que ajuda um aluno a
visualizar a verdade em estudo. Eles podem introduzir um pensamento, orientar o aluno,
esclarecer um conceito abstrato, desenvolver atitudes positivas, e incentivar uma
atividade.
Pedagogia 4
4
Visual são recursos de ensino.
Eles complementam e ajudam o professor, Tornam o ensino mais inteligível e a
aprendizagem mais interessante e duradoura.

O propósito dos audiovisuais


O propósito do ensino bíblico é ajudar o aluno a aplicar seus conhecimentos da Bíblia á
sua vida, desenvolvendo o seu crescimento na fé e a sua maturidade espiritual em geral.
Os visuais:
[Link] o interesse e prendem a atenção;
2. fornecem informações;
[Link] a aprendizagem e a tornam simples e mais agradáveis;
4. esclarecem pontos obscuros e facilitam a compreensão
5. revivem o passado;
6. incentivam a imaginação
7. ajudam a memória na fixação do ensino.

Recursos educacionais devem ser preparados antes da aula. Verifique se todo


equipamento está em boas condições de uso. Você precisa estar devidamente
familiarizado com ele, seja qual for o material.

Lembre-se que recursos audiovisuais não são destinados a encher o tempo, gerar
controvérsias, ou substituir o preparo do professor. Eles não são um fim em si mesmos,
contudo, à medida que integram uma lição bíblica, eles complementam e reforçam o
aprendizado, através dos nossos cinco sentidos.

O valor do audiovisual
Jesus foi o Mestre supremo, e aqueles que nEle creram, foram transformados. À medida
que ele ensinava os homens, estes corrigiam seus maus hábitos, e seu estilo de vida, e se
transformavam à vontade de Deus. Quando Jesus comunicava suas idéias e
pensamentos, Ele usava métodos de ensino. Sua abordagem de um assunto não era
sempre da mesma forma. Eles compreendiam tão profundamente o significado do Seu
ensino que sentiam-se compelidos a compartilha-los com outros.

Como educadores cristãos, temos a responsabilidade santa e extraordinária de continuar


o ministério de Cristo. Nossa tarefa é comunicar eficazmente o Evangelho e as verdades
espirituais contidas nas Escrituras, àqueles ao nosso redor. Devemos preparar cada lição
da melhor maneira possível; lutar para usar métodos mais eficazes no crescimento e
maturidade cristãs de nossos alunos.

É importante repetirmos que, se certos métodos nunca foram usados numa igreja,
devemos tomar cuidado e respeitar opiniões, ao pensar em introduzi-los.

Podemos causar ofensa se introduzirmos inovações precipitadas. Sejamos sensíveis à


direção do Espírito Santo ao introduzirmos idéias novas. Ele nos dará sabedoria e
entendimento à medida que buscarmos sua vontade; ele nos ajudará a desenvolver
modos mais eficazes de comunicar o Evangelho na igreja.

Texto 2
A AUTO-AVALIAÇÃO DO PROFESSOR

Ensinar é basicamente compartilhar experiências. A vida e a personalidade do professor


tem muita influência no crescimento e desenvolvimento de seus alunos em todos os
sentidos. Perto do fim do Seu ministério público, Jesus orou: “e a favor deles eu me
santifico a mim mesmo” (Jo 17.19). ele se separava pelo bem do mundo, a fim de
ministrar eficazmente aos outros.
Pedagogia 4
5

Um professor também deve dedicar-se no sentido de melhorar o aluno. Melhoramento não


vem por acaso, é resultado de esforço concentrado. O professor deve ter um plano de
ação bem elaborado, sistemático, e procurar segui-lo no qual inclua o melhoramento de
seus alunos.

As qualificações e responsabilidades.
O primeiro passo nesse sentido é ter uma lista das qualidades e responsabilidades de um
bom professor. Esta lista deve ser realista, honesta e de cunho pessoal. Aqui estão
algumas sugestões para se iniciar essa lista.

1. assiduidade no trabalho e no cumprimento dos compromissos.


2. pontualidade nos horários.
3. preparo da lição durante a semana.
4. visitar cada aluno em sua casa, regularmente.
5. não faltar às reuniões de professores e demais obreiros.
6. cultivar a devoção pessoal, diariamente diante de Deus.
7. ter um plano sistemático de estudo da Bíblia
8. manter uma experiência cristã crescente e renovada.
9. assiduidade em cultuar o Senhor Deus.

A lista continua. Incluídas deverão estar qualidades físicas, como: aparência, higiene, etc.
Qualidades psíquicas, como: estabilidade, simpatia, comunicação, etc. Qualidades
espirituais, como testemunho vivo. Cada professor deve examinar-se diante de Deus, em
oração. Ele deve verificar sua atuação em cada área em que trabalha. Se está excelente,
bom, fraco, ou ruim. Ao se avaliar, ele deve detectar os pontos fracos e procurar melhorar
aí. Procurar melhorar um ponto de cada vez. Não haverá progresso ao se tentar
aperfeiçoar muitas coisas de uma só vez.

A necessidade do progresso
O professor deve depois, verificar se de fato melhorou. Se isso ocorreu, então ele deve
alterar sua avaliação. Se estava ruim, pode passar para bom. A seguir, veja o próximo
ponto mais fraco, pois ele deve ser fortalecido urgentemente. Jesus disse: “ Por causa
deles eu me santifico”. Pois por causa dos seus alunos o professor cristão deve fazer o
mesmo. Deve haver nele um desejo ardente e constante de melhoramento. Você quer
adotar e, conseqüentemente, seguir um plano sistemático que o ajudará a melhorar em
tudo?

Em melhorando você conduzirá melhor os seus alunos, e tudo isto por amor a Cristo.

DESAFIO AO PROFESSOR
Este é o último texto. Já estudamos porque, somos chamados para ensinar, o que
ensinamos e como ensinamos. Já falamos sobre a verdadeira natureza do ensino e do
aprendizado e abordamos princípios quanto ao uso eficaz de métodos de ensino.
Esperamos que você procure melhorar, seja qual for a sua área de atividades na igreja.

Para ser mais beneficiado no estudo deste livro, você deve praticar o que estudou. O ideal
é aplicar imediatamente o que aprendeu, seja no púlpito, seja em sala de aula. Considere
o condicional “se”, abaixo:

1. Se você não estiver ocupado no ensino, faça disto um assunto especial de oração
e envolva-se nele, de um modo ou de outro, na igreja ou na sua própria casa.
2. Se houvesse um professor da Bíblia para cada alma preciosa no Brasil.
3. Se este professor da Bíblia fosse qualificado do ponto de vista espiritual e secular.
Pedagogia 4
6
4. Se o poder de Jesus Cristo estivesse enchendo sua vida.
5. Se as Escrituras habitassem nele e a sabedoria divina o enchesse plenamente.
6. Se ele ensinasse de modo tal que houvesse crescimento e maturidade espiritual na
vida de seus alunos.
7. Se cada minuto da sua aula fosse de edificação e eficácia como seria o Brasil?
8. Se os pais crentes compreendessem que eles são os primeiros professores de
seus filhos.
9. Se compreendessem que eles são os professores que mais influenciam seus
filhos.
10. Se soubessem que eles forma o caráter básico de seus filhos.
11. Se ajudassem seus filhos a renunciar a todo mal, desde a infância.
12. Se a atmosfera do lar fosse sempre espiritual, alegre e sadia.
13. Se os preceitos e exemplos cristãos andassem sempre juntos.

Que tipo de crianças, jovens e adultos teríamos na igreja e na sociedade?

O professor cristão é um colaborador de Deus na edificação da igreja, do lar, e do


reino de Deus. Ele recebeu uma das vocações mais altas da parte de Deus. É um
ministério de mudar vidas, porque compartilha a Palavra de Deus e ajuda os homens a
entenderem as Escrituras. Este é o desafio que cristo propôs a seus seguidores: “Ide
portanto, fazei discípulos de todas as nações...ensinando-os a guardar todas as
coisas que vos tenho ordenado...” (Mt 28.19,20)

Você ouviu o desafio? Quer aceita-lo? Aqui ficam nossas orações por você, à medida
que você se aprofunda no ministério do ensino.

Autoria: Bruce e Karen Braithwaite

Você também pode gostar