Direito comercial
(art.º 2 do Código comercial a seguir a palavra código coloca-se uma / Todos (rodear s)
que (rodear nº1) Ex.: rodear o e escrever estes artigos - art231, 344, 366, 463)
PERGUNTA DE DESENVOLVIMENTO
O direito comercial é um ramo do direito privado, ou seja, regula as relações entre
particulares e entre particulares e entidades publicas, mas estas não podem utilizar o seu
poder de autoridade.
Quanto ao âmbito de aplicação do direito comercial, aquele é definido
maioritariamente de forma normativa, ou seja, o direito comercial contém normas
qualificadoras que identificam as situações reais que o direito comercial regula.
Ainda assim existem 2 teorias quanto ao âmbito de aplicação:
1. Teoria objetivista, defende que se aplica o direito comercial sempre que é praticado
um ato comercial, independentemente de quem o pratique;
2. Teoria subjetivista, defende que o direito comercial se aplica sempre que um ato
jurídico seja praticado por comerciantes, independentemente do tipo de ato;
O legislador comercial português adotou uma teoria eclética, ou seja, aceitou a duas
anteriores, mas com exceções, conforme se pode verificar no artigo 2º do Código
Comercial (C. Com).
Na 1º parte do artigo 2º do C. Com “Serão considerados... neste código”, encontram-se
os atos objetivamente comerciais, isto é, os atos que devem a sua característica de
comercialidade ao facto de estarem expressamente regulados em legislação comercial,
independentemente da qualidade de quem os pratica. Ex.: art.º 231, art.º 366, art.º 394, 463,
etc.
Na 2º parte do artigo 2º do CCom “Todos os contratos…não resultar”, encontram-se os
atos subjetivamente comerciais, ou seja, aqueles que devem a sua característica de
comercialidade ao facto de serem praticados por comerciantes, independentemente do tipo
de ato concreto. Contudo, o ato subjetivamente comercial tem duas exceções:
1. Se o ato for de natureza exclusivamente civil, não é subjetivamente comercial; Ex.:
casamento, divorcio, adoção, etc.
2. Outra exceção é o facto de o próprio ato resultar que não praticado qualquer
comércio, e assim este também não é subjetivamente comercial; Ex.: O Ivo que é
pescador comprou uma bicicleta á Ana que é secretária administrativa.
Interpretação da lei comercial
Esta interpretação recorre aos mesmos elementos, técnicas e princípios
interpretativos da lei civil- art.º 9º do cc. Assim socorre-se do elemento gramatical que é a
letra da lei e do elemento lógico que é o espírito da lei (dentro deste o histórico, o
sistemático e o teleológico)
Quanto á integração das lacunas da lei comercial também não existem diferenças
relativamente á lei civil (art.º 10º do cc), e assim pode ser utilizada a analogia ou a criação
de normas “ad hoc”.
Fontes do direito comercial (DC)
A fonte imediata é a lei (nomeadamente CRP, Convenções e tratados
internacionais, lei ordinária, Ex CCom, etc.).
Quanto às fontes mediatas do DC estas são doutrina e júris prudência. Não são
fonte mediata do DC o uso e o costume.
Atividade mercantil (comercial) é o conjunto de atos de comércio interligados e
duradouros, praticados por uma determinada pessoa.
Outras classificações de atos de comércio:
1. Ato de comércio em absoluto é aquele que caracteriza a atividade principal de um
comerciante. Ex.: contrato de transporte para uma empresa de transportes.
Ato de comércio por conexão é um ato que apoia ou auxilia a realização de ato de
comércio absoluto. Ex.: compra de pneus por uma empresa de transporte
rodoviário.
2. Ato substancialmente comercial, é aquele em que o seu próprio conteúdo é
comercial. Ex.: Revenda.
Ato formalmente comercial, é aquele que só é comercial se cumprir com os
requisitos previstos em legislação comercial. Ex: art.º 394 e 463 do CCom
3. Ato bilateralmente comercial, é aquele que é comercial para ambas as partes que o
praticam. Ex.: compra de combustível num posto de abastecimento por parte de
uma empresa transportadora rodoviária.
Ato unilateralmente comercial, é aquele que é comercial apenas para uma das
partes que o pratica. Ex.: Um professor comprar um anel numa ourivesaria.
Fazer remissão -art.º 13 do CCom para o art.º 230
COMERCIANTE
Este pode ser uma pessoa singular ou coletiva.
Noção: comerciante é a pessoa que se enquadre na previsão do art.º 13 do CCom,
não esteja incluído na previsão do art.º 14 do CCom e realize uma atividade comercial das
que são previstas no art.º 230 do CCom.
A qualidade de comerciante adquire-se de forma originária, ou seja, os aspetos e
qualidades que conferem a qualidade de comerciante tem de se verificar na própria pessoa.
Assim, ninguém adquire a qualidade de comerciante de forma derivada (por transmissão).
Existem algumas pessoas em que a qualidade de comerciante é duvidosa:
1. As sociedades civis em forma comercial, apesar de terem de se registar no registo
comercial, não são comerciantes apenas estão sujeitas á legislação comercial por
equiparação, mas não se lhes aplica o regime global do comerciante;
2. As empresas públicas não são comerciantes, por quanto tem uma origem pública,
apenas se lhes aplica o regime das sociedades comerciais por equiparação;
3. Os agrupamentos complementares de empresas (ACE) não são comerciantes por
quanto o seu objetivo é melhorar e potenciar as atividades comerciais dos seus
membros (empresas).
Matrícula: é a inscrição formal de uma pessoa, junto da autoridade tributária, por forma
a poder exercer uma ou várias atividades comerciais. Assim a matrícula é um requisito
legal obrigatório para exercer uma atividade comercial, mas por si só não confere a
qualidade de comerciante.
Requisitos de acesso á qualidade de comerciante FREQUENCIA
1. Personalidade jurídica, ou seja, o comerciante deve poder ter direitos e deveres;
2. Capacidade jurídica de gozo, ou seja, o comerciante deve poder ser sujeito de
relações jurídicas;
3. Capacidade jurídica de exercício, isto é, o comerciante deve poder exercer os seus
direitos e deveres de forma livre, pessoal e autónoma; as pessoas coletivas exercem
os seus direitos através dos seus órgãos (executivo e deliberativo);
4. O comerciante deve realizar um exercício profissional do comercio, isto é:
a. Praticar de forma regular e habitual atos de comércio (e não apenas um ato ou
dois isolados);
b. O comerciante deve realizar atos de comércio objetivos (porquanto estes não
necessitam da qualidade de comerciante dos seus sujeitos);
c. O comerciante deve fazer do seu comércio o seu modo de vida, ou seja, ter um
pensamento constante na sua atividade comercial e esta ser uma das suas
principais fontes de receita;
d. O comerciante deve realizar o comércio de forma autónoma e pessoal, ainda
que possa ser auxiliado por vários colaboradores;
e. Deve ser o comerciante a organizar os fatores de produção da sua atividade,
mesmo que não seja proprietário dos mesmos;
O mandatário (quem recebe ordens) comercial (258 do CCom) é comerciante? Não.
O gerente é comerciante? art.º 248 a 250 do CCom Não.
O auxiliar de comércio é comerciante? art.º 256 Não
O caixeiro é comerciante? Não
O comissário é comerciante? art.º 268 pode ser ou não comerciante
O mediador é comerciante? Sim art.º 230 nº3
Um agente comercial é comerciante? Por regra não é
Situações duvidosas da qualidade de comerciante
1. O mandatário comercial (art.º 231 e 258 do CCom) não é comerciante porque
apenas atua em nome e no interesse do comerciante;
2. Gerente (art.º 248 a 250 do CCom) não é comerciante porque apenas representa o
comerciante e auxilia-o na organização no processo de produção;
3. Auxiliar de comércio (art.º 256 do CCom) não é comerciante é apenas um
trabalhador de comerciante;
4. Caixeiro (art.º 257 do CCom) não é comerciante é apenas um trabalhador do
comerciante que tem funções de recebimento de montantes;
5. Comissário (art.º 266 e ss do CCom) é por regra comerciante porque parte do seu
rendimento varia consoante o montante dos negócios que o comerciante realize;
6. Mediador (art.º 230 nº 3 do CCom) é comerciante, tendo como atividade a
mediação;
7. Agente comercial não é comerciante, mas apenas alguém que intervém no lugar do
comerciante. No entanto, se parte do seu rendimento for variável, consoante os
negócios pode ser comerciante.
Obrigações dos comerciantes:
1. Forma, a grande parte dos atos praticados pelo comerciante basta que sejam
meramente verbais. A exigência de emissão de fatura e recibo, deriva da lei fiscal e
não da lei comercial.
2. Solidariedade passiva (art.º 100 do CCom) sempre que dois ou mais comerciantes
contraem uma determinada obrigação, a lei comercial presume que eles são
solidariamente responsáveis e, assim, para afastar a responsabilidade solidária no
ato do qual resultou a obrigação tem de constar uma disposição que expressamente
afaste a solidariedade.
3. Responsabilidade dos bens do cônjuge do comerciante pelas dividas contraídas por
este (art.º 15 do CCom), a lei comercial presume que as dividas do comerciante
afetam o património deste com o seu cônjuge e para que esta presunção seja
afastada, isto é, para que os bens do cônjuge do comerciante não respondam pelas
dividas do comerciante, é necessário que o cônjuge do comerciante prove que a
divida não foi contraída para proveito comum do casal ou que determinado bem
não pertence ao património comum do casal.
PRINCIPIOS DA FIRMA FREQUENCIA
Obrigação especial do comerciante: a firma é o nome com que o comerciante
(pessoa singular ou sociedade comercial) se apresenta no mundo dos negócios (art.º 18 do
CCom).
Existem 2 teorias quanto á firma:
1. Teoria objetivista, defende que a firma é um elemento autónomo relativamente ao
comerciante e, por isso, este pode transmiti-la isoladamente;
2. Teoria subjetivista defende que a firma é um elemento inerente ao comerciante e
assim este nunca a pode transmitir.
O legislador comercial português admite que a firma possa ser transmitida, mas
apenas conjuntamente com toda a unidade de produção desse comerciante.
Tipos de firma:
1. Firma Nome, é composta por 1 ou mais nomes próprios do comerciante ou
sócios da sociedade;
2. Firma Fantasia, é aquela que é composta por palavras não existentes até esse
momento;
3. Firma denominação é aquela que é composta por indicações da atividade do
comerciante;
4. Firma mista, é aquela que é composta por elementos das duas ou 3 anteriores;
Princípios gerias da firma:
1. Princípio da verdade (art.º 32 do RNPC), significa que a firma deve corresponder á
situação real do comerciante que a utiliza (identidade e atividade);
2. Princípio da distintividade ou capacidade distintiva (art.º 32 do RNCP), significa
que a firma não deve conter vocábulos (palavras) de uso corrente. Assim deve
sobressair relativamente às outras firmas existentes.
3. Princípio da novidade (art.º 33 do RNPC), significa que a firma que o comerciante
queira adotar não pode já estar a ser utilizada por outro comerciante, evitando-se
assim firmas iguais ou muito semelhantes.
4. Princípio da exclusividade (art.º 35 do RNCP), significa que um comerciante que
utilize uma determinada firma pode opor-se a que outro utilize uma firma igual ou
semelhante á sua, porquanto esta tem o âmbito de proteção, no mínimo nacional.
5. Princípio da unidade (art.º 38 do RNCP), significa que um comerciante só pode
utilizar uma firma em todas as suas atividades por forma a não induzir em erro as
entidades que com ele se relacionam.
Formalização da firma:
A firma das pessoas coletivas obriga a que antes da criação da pessoa coletiva os
sócios fundadores requeiram ao registo nacional de pessoas coletivas autorização para
utilizar uma determinada firma. Esta autorização é designada de certificado de
admissibilidade de firma e tem a validade de 3 meses. O pedido do certificado pode ser
efetuado em papel ou digitalmente e está sujeito ao pagamento de emolumentos.
Se o contrato de sociedade comercial for celebrado sem certificado de
admissibilidade de firma ou se este estiver caducado quando usado aquele contrato é nulo.
Estabelecimento comercial FREQUENCIA DESENVOLVIMENTO
Estabelecimento comercial
É a unidade ou unidades de produção de um comerciante. O estabelecimento
comercial é caracterizado por 5 aspetos:
1. Titular, é o possuidor ou proprietário de um estabelecimento comercial;
2. Acervo patrimonial, significa que o estabelecimento comercial contém bens e
direitos com valor venal/ monetário. Ex.: instalações, matérias-primas, produtos
acabados, direito ao arrendamento, direito de exclusividade de venda de um bem,
patentes, etc.
3. Conjunto de pessoas, ou seja, pode ser só o titular do estabelecimento ou este e
colaboradores seus;
4. Organização na medida em que os bens e pessoas estão estruturados e
hierarquizados segundo a sua natureza e funções;
5. Organização funcional, ou seja, os bens e pessoas são estruturados por forma a
serem o mais produtivos e rentáveis possível.
O estabelecimento comercial é composto por 4 elementos:
1. Elementos corpóreos, é tudo aquilo que é palpável, ou seja, percetível aos sentidos.
Ex.: instalações, máquinas, matérias-primas, produtos acabados, trabalhadores, etc.
2. Elementos incorpóreos, é tudo aquilo que não é palpável, ou seja, não é percetível
aos sentidos. Ex.: direito de arrendamento das instalações, direito de exclusividade
da venda de um bem, patentes, etc.
3. Clientela, é o conjunto de clientes que frequenta o estabelecimento comercial e
potenciais clientes;
4. Aviamento, é a capacidade lucrativa do estabelecimento comercial (aptidão para
gerar lucros, isto é, a quantidade, qualidade e margem de lucro dos bens vendidos
ou serviços prestados no estabelecimento comercial).
Negócios sobre o estabelecimento comercial:
1. Uso fruto é a cedência onerosa temporária da exploração de um estabelecimento
comercial;
2. Trespasse é a transmissão definitiva e onerosa da propriedade de um
estabelecimento comercial e tem de ser por escrito. O trespasse é um ato
objetivamente comercial.
Só existe trespasse quando são transmitidos todos os elementos essências
caracterizadores do estabelecimento comercial. Se o estabelecimento comercial
estiver num local arrendado o trespassante que é inquilino tem de dar preferência
ao senhorio, mas se este não preferir é obrigado a aceitar o trespassário como
inquilino. No trespasse é possível apor uma clausula de não concorrência, ou seja,
durante determinado período e numa determinada zona o trespassante não poder
criar um estabelecimento comercial igual ou semelhante aquele que transmitiu.
TÍTULOS DE CRÉDITO (letra ou letra de cambio, cheque e livrança)
A existência dos títulos de crédito tem por base dois aspetos fundamentais:
1. Confiança, significa que aquele que tem direito a receber uma determinada quantia
ou que lhe seja dada garantia de uma determinada quantia, se tal for efetuado
através de um título de crédito significa que tem de confiar que esse mesmo título
tem provisão, ou seja, quando o título for levado á compensação (para pagamento)
efetivamente a quantia constante do título será paga.
2. Decurso do tempo, significa que aquele que paga ou dê de garantia determinada
quantia através de um título de crédito, está a protelar no tempo o cumprimento da
sua obrigação.
Função do título de crédito:
O título de crédito tem como função conceder ao seu titular o direito a exigir a
quantia monetária constante/ínsita do respetivo título. Este direito designa-se direito
cartolar e é literal, autónomo e abstrato.
Características gerais dos títulos de crédito:
Estes títulos têm naturalmente um titular, devem ter a possibilidade de ser
transmissíveis e são literais, ou seja, valem nos precisos termos como estão preenchidos. E
não é possível invocar exceções ao titular do título, para não cumprir o direito que este
contem.
PRINCIPIOS GERAIS DOS TITULOS DE CRÉDITO FREQUENCIA
1. Princípio da incorporação ou legitimação, significa que o título de crédito contém e
concede ao seu titular o direito a exigir uma determinada quantia, assim sendo o
título de crédito contem/provoca uma legitimação ativa na medida em que concede
ao seu titular um direito e contem uma legitimação passiva na medida em que
vincula alguém a pagar ao titular do título uma determinada quantia monetária.
2. Princípio da circulabilidade significa que o título de crédito deve ter a possibilidade
de ser transmitido (circular) de pessoa para pessoa. Se o título de crédito não tiver a
indicação do seu titular aquele designa-se título ao portador e a sua transmissão faz-
se pela mera entrega do título. Se o título de crédito conter a identificação do seu
titular, aquele designa-se título á ordem e a sua transmissão faz-se com a entrega do
título conjuntamente com o endosso (indicação/ordem do titular do título em como
transmite esse mesmo título).
3. Princípio da literalidade, significa que por um lado o título vale nos precisos termos
em que está preenchido e, por outro lado, se existir divergência entre a quantia
expressa de forma numérica e a quantia expressa por extenso prevalece sempre esta
segunda.
4. Principio da autonomia, significa, por um lado, que o titulo de credito necessitou de
uma relação subjacente (situação da vida real) para surgir, mas depois de emitido
vale por ele mesmo, independentemente dos vícios que possam existir na relação
subjacente e, por outro lado o titulo é autónomo face aos portadores anteriores do
titulo, ou seja, o direito constante do titulo nasce de forma originária para cada
novo titular do titulo e, assim, algum vicio de anteriores titularidades não pode ser
oposto ao atual titular desde que esteja de boa-fé.
5. Princípio da abstração, significa que o título de crédito serve como forma de
pagamento ou de garantia para qualquer tipo de relação jurídica, bastando que
exista uma convenção executiva entre aquele que entrega o título e aquele que o
recebe (ou seja, que exista um acordo de entrega e recebimento entre um e outro).
Tipologias de títulos
Os títulos de crédito distinguem-se de outros tipos de títulos tendo em conta vários
tipos de critérios:
1. Critério da causa-função ou nexo com relação subjacente, assim temos- títulos
abstratos (são aqueles que não tem uma causa função típica e, por isso, servem para
qualquer tipo de relação jurídica. Ex. Letras, livranças e cheques); títulos causais
(são títulos que apenas cumprem uma típica e única causa-função jurídica ou
económica. Ex.: escritura publica)
2. Critério do conteúdo do direito cartolar, podemos ter: títulos de crédito propiamente
ditos (são aqueles que contem o direito a exigir uma determinada quantia
monetária. Ex.: letras, livranças e cheques); títulos representativos (são aqueles que
contem direitos sobre determinadas coisas, por regra mercadorias. EX.: fatura,
recibo); títulos de participação social (são os títulos que contem o direito a uma
situação jurídica de qualidade de sócio de uma sociedade comercial. Ex.: ações de
uma sociedade anónima);
3. Critério do modo de circulação, os títulos de crédito podem ser ao portador e, por
isso, transmitem-se pela mera entrega do título, ou á ordem em que a sua
transmissão é efetuada pela entrega do título e ordem de transmissão designada de
endosso.
Quanto ao modo de transmissão existem também os títulos nominativos e estes para
serem transmitidos é necessário a entrega do título, uma ordem de transmissão e a
inscrição da transmissão em livro próprio para o efeito. Ex.: ações nominativas de
sociedades anónimas. Os títulos de crédito nunca são títulos nominativos.
4. Critério da natureza da entidade emitente, os títulos podem ser
privados/particulares (os quais são preenchidos e utilizados por particulares ou por
entidades publicas, mas não utilizando o seu poder de autoridade. Ex. Títulos de
crédito); títulos públicos (que são preenchidos e utilizados por entidades publicas
utilizando o seu poder de autoridade. Ex.: títulos de divida publica).
Títulos de títulos de crédito:
1. Letra ou letra de cambio, é um título de crédito em que alguém emite o título
(sacador) dando uma ordem de pagamento (saque) de uma determinada quantia em
determinado momento, dada a outra pessoa (sacado) para que este aceite e pague a
quantia constante do título ao titular deste (tomador).
O sacado não é obrigado cambiário, mas a partir do momento em que aceita,
passando a ser o aceitante, passa a ser o principal obrigado cambiário.
FREQUENCIA
O tomador transmite o título através da entrega do mesmo e o endosso. Pode existir
na letra uma pessoa que garanta o pagamento, designado avalista, se quem tem de
pagar não o fizer.
2. Livrança é o título de crédito que consiste numa promessa de pagamento de uma
quantia em determinadas condições, feita pelo emitente do título (sacador) ao titular
do título designado tomador. A livrança também só é transmitida pela entrega do
título com endosso.
3. Cheque é um título de crédito em que o emitente do título (sacador) dá uma ordem
de pagamento (saque) para que o sacado pague essa quantia tendo em conta as
forças do depósito da conta bancária relativa ao cheque emitido. No cheque o
sacado é sempre uma entidade bancária.
Se existir a destruição ou extravio de um título de crédito, a única forma de voltar a
surgir o direito constante desse título é através da reforma do título, ou seja, sendo emitido
um novo título exatamente igual aquele que foi destruído ou extraviado- Reforma do título.
ÉPOCA DE PAGAMENTO-FREQUENCIA (escolha múltipla)
Letra de cambio ou letra- Principais elementos:
1. Este título tem de conter a expressão letra;
2. Este título é um mandato puro e simples para pagamento de uma determinada
quantia, ou seja, não pode conter qualquer clausula acessória ou condicionante;
3. Este título tem de conter a identificação e morada do sacado, porquanto é este o
destinatário da ordem de pagamento;
4. Época de pagamento pode ser de 4 tipos:
a. Em dia fixo ou fixado, significa que a letra tem de ser paga nesse dia;
b. Á vista, significa que a letra tem de ser paga quando seja apresentada ao
sacado;
c. A certo termo de vista, significa que a letra deve ser paga algum tempo após o
aceite ou protesto;
d. A certo termo de data, significa que a letra deve ser paga algum tempo após a
data do saque;
5. A letra por regra deve ser paga no local indicado para o sacado, mas é possível
indicar outro local de pagamento, neste caso o título designa-se letra domiciliada;
6. A letra é um título á ordem e, por isso, tem de conter a identificação do titular do
título, ou seja, tomador;
7. A letra deve conter a identificação e assinatura do sacador, porquanto é este que
emite o título;
Letra em branco e letra incompleta: nestes dois casos a letra não se encontra totalmente
preenchida, no entanto, a letra incompleta é uma letra inválida/nula já que não é possível
preencher os restantes elementos, já a letra em branco é uma letra válida, isto porque o
sacador simultaneamente ao emitir o titulo assina uma convenção de preenchimento, dando
poderes ao tomador para em determinadas circunstâncias de tempo e lugar preencher os
restantes elementos da letra e, por isso, esta torna-se válida.
Negócios jurídicos cambiários:
1. Saque, é a ordem de pagamento que o sacador dá ao sacado para que este aceite e
pague a quantia constante do titulo e é ao mesmo tempo a promessa que o sacador
faz ao tomador de que o sacado irá aceitar e pagar o titulo; O saque deve ser puro e
simples, ou seja, não deve conter condicionantes ou clausulas acessórias; O saque
pode ser: á ordem do próprio sacador (neste caso é sacador e tomador), contra o
próprio sacador (neste caso é sacador e sacado) ou pode ser á ordem e contra
terceiros (art.º 30 da Lul)
2. Aceite, é uma declaração formal de vontade feita pelo sacado que passa a ser
aceitante; O sacado não é obrigado cambiário e o aceitante é o principal obrigado
cambiário; O contrário do aceite é o protesto; O aceite deve ser puro e simples, ou
seja, não conter condicionantes; se quem aceita a letra não for o sacado, neste caso
temos o aceite por intervenção;
3. Endosso (art.º.12 da LUL), é uma nova ordem de pagamento dado ao sacado para
aceitar e pagar ou ao aceitante para pagar, contudo esta ordem é dada pelo atual
tomador do título; o endosso também deve ser puro e simples, ou seja, não deve ter
condicionantes.
4. Avale (art.º 30,31,47 da LUL) é um negócio cambiário unilateral em que o 3º,
subsidiariamente aceita pagar o título se o mesmo não for pago pelos obrigados
cambiários principais; o avale é uma garantia pessoal, ou seja, o avalista responde
com todo o seu património; O avale pode ser total ou parcial (neste caso o avalista
só se responsabiliza por parte da quantia constante do título); O avale deve ser
também puro e simples.
Prescrição do direito cartolar constante da letra
Relativamente ao aceitante o seu dever só prescreve ao fim de 3 anos, já
relativamente ao sacador e endossantes o seu dever prescreve ao fim de 1 ano (art70 da
lul).
Se quem pagar o título não for o principal obrigado cambiário tem direito de
regresso sobre este (art.º 7 da Lul).
SÓCIOS DE INDÚSTRIA- ESCOLHA MULTIPLA
Sociedades comerciais
I. Aspetos da sociedade comercial:
O regime jurídico da sc consta do código das sociedades comerciais (CSC) e do código
civil nos artigos 980 e ss.
Os 4 aspetos da SC são: É necessária uma contribuição inicial por parte dos sócios, a
qual é designada de entrada dos sócios; por outro lado sociedade permite o exercício
em comum de uma ou várias atividades comerciais; o que se pretende com a sociedade
é que a mesma tenha lucros e os distribua pelos sócios; sendo a sociedade uma pessoa
coletiva e, por isso, constituída por pessoas e bens, a mesma pressupõe
obrigatoriamente uma organização.
II. Elementos da SC
1. O instrumento, são as entradas iniciais dos sócios e com estas a sociedade inicia e
desenvolve a sua atividade ou atividades. As entradas dos sócios, por regra, são em
dinheiro, mas podem ser em bens, contudo este tem de ser avaliados para se definir
com exatidão o montante da entrada desse sócio. Nas sociedades em nome coletivo
(art.º 175 e ss CSC) os sócios podem realizar a sua entrada com trabalho e estes são
designados de sócios de indústria (art.º 178 do CSC).
2. Objeto, o objeto da SC é o exercício em comum de uma ou várias atividades de
caracter comercial, ou seja, não podem ser atividades de mera fruição/gozo. A
atividade tem de conter conteúdo económico.
3. Fim, o fim de uma sociedade é a repartição de lucros que esta obtenha em cada ano
económico. Só se reparte o lucro distribuível, ou seja, a sociedade deve ter um
lucro efetivo e depois de se retirar a percentagem da reserva legal (por regra 10%) e
a percentagem da reserva estatutária, se existir, é que o restante é repartido.
4. Organização, é a estrutura coordenada da gestão da atividade da sociedade.
Qualquer SC deve ter no mínimo e obrigatoriamente 3 órgãos:
4.1. Órgão executivo, é aquele que gere quotidianamente os interesses da
sociedade e pode designar-se de direção, gerência ou administração. Este órgão
pode funcionar de 3 formas: administração disjunta, é aquela em que basta um
membro do órgão executivo para aprovar uma deliberação e esta vincular a
sociedade; administração conjunta, é aquela em que a deliberação do órgão
executivo só é aprovada se todos os membros do órgão executivo votarem
favoravelmente, ou seja, pressupõem sempre unanimidade; administração
maioritária, é aquela em que a deliberação do órgão executivo só é aprovada e
vincula a sociedade se a maioria dos membros deste órgão votarem favoravelmente.
4.2. Órgão deliberativo, é aquele em que se tomam as decisões mais relevantes
da sociedade e onde todos os sócios tem acento. Este órgão fiscaliza a atividade do
órgão executivo. Este órgão designa-se sempre assembleia geral.
4.3. Órgão fiscalizador, é aquele que controla a situação económica ou
financeira da sociedade e pode ser fiscal único ou conselho fiscal.
III. Características do contrato de sociedade:
1. A sociedade como contrato consensual significa que pressupõe a existência
de um acordo entre os sócios para ser constituída e posteriormente para
tomar as decisões necessárias;
2. A sociedade é um contrato primordialmente não formal porque grande parte
dos atos praticados pela sociedade não necessitam de ser escritos;
3. A sociedade é um contrato duradouro porque se protela no tempo e de
execução continuada porque se realiza de forma ininterrupta;
4. A sociedade é um contrato sinalagmático porque pressupõem
constantemente direitos e deveres entre a sociedade e os sócios e entre estes.
5. A sociedade é um contrato oneroso porque pressupõe constantemente
quantias monetárias, não só nas entradas como também nos próprios lucros;
6. A sociedade é um contrato duplamente aleatório porque é incerto em cada
ano que a sociedade obtenha lucro e se o obtiver também é incerto o seu
montante;
7. A sociedade é um contrato “intuito personae” porque pressupõe um
constante relacionamento entre os sócios e destes com os colaboradores da
sociedade;
IV. Relações internas da sociedade- as obrigações do sócio
1. A principal obrigação do sócio é a obrigação de entrada, sendo que parte desta
obrigação pode ser deferida e cumprida no momento posterior.
Durante a existência da sociedade o sócio, se a sociedade assim o deliberar e o
sócio aceitar pode realizar prestações suplementares.
2. Proibição de uso dos bens da sociedade para fins alheios a sociedade (art.º 989 do
cc) os sócios apenas e só podem utilizar os bens da sociedade, direta ou
indiretamente, para a realização das atividades da sociedade. A violação desta
proibição pode conduzir á expulsão do sócio.
3. Proibição de concorrência (art.º 990 do cc), significa que o sócio não pode utilizar
conhecimentos que obteve na qualidade de sócio para realizar uma atividade
concorrente com a da sociedade, se o fizer pode inclusive ser expulso. Esta
proibição só se aplica às atividades que a sociedade efetivamente desenvolva ainda
que a sociedade possa desenvolver outras atividades e não o faz.
V. Direito dos sócios
1. Direito a exprimir a sua vontade, este direito verifica-se na sua plenitude quando os
sócios exercem o seu direito de voto nas assembleias gerais (1007 e ss do cc).
2. Direito a fiscalizar os membros do órgão executivo da sociedade, este verifica-se
por um lado quando o sócio analisa os documentos que são juntos com as
convocatórias das assembleias gerais e, por outro lado, os membros do órgão
executivo tem o dever de prestar contas aos sócios e inclusive dar todos os
esclarecimentos solicitados pelos sócios durante as assembleias gerais (art.º 9
3. Direitos ao lucro (9) este verifica-se de uma forma abstrata na medida em que é um
direito inerente á qualidade de sócio e de forma concreta quando a sociedade
efetivamente tem lucro.
VI. Pacto leonino (994 do cc)
É uma norma jurídica que proíbe qualquer clausula do contrato de sociedade ou
deliberação desta de afastar qualquer sócio de quinhoar nos lucros ou ser responsável
pelas dividas sociais/da sociedade, no entanto é necessário ter em conta o tipo de
sociedade.
VII. Relações externas da sociedade
1. Representação (art.º 996 do cc), quem representa e vincula a sociedade são os
membros do órgão executivo, contudo é necessário verificar no contrato de
sociedade comercial quantos membros do órgão executivo são necessários para
vincular a sociedade.
2. Responsabilidade pelas dividas sociais/da sociedade, em 1º lugar a
responsabilidade pelas dividas socias é do património da sociedade e
subsidiariamente os sócios respondem, tendo em conta o tipo de sociedade, assim:
na sociedade em nome coletivo, o sócio responde subsidiaria, mas ilimitadamente,
na sociedade por quotas, por regra, o sócio responde até ao montante do capital
social, na sociedade anonima o sócio responde até ao valor da sua participação
social ou não responde.
VIII. Extinção da qualidade de sócio
1. Morte (1001 do cc): quando o sócio falece perde esta qualidade e a
sociedade pode adotar uma de 3 posições: líquida a participação social do
sócio aos herdeiros deste (ações próprias); aceita os herdeiros do sócio
como sócios atenta a divisão entre eles da participação social do sócio
falecido; a sociedade decide extinguir-se.
2. Exoneração (1002 do cc): o sócio perde esta qualidade por vontade própria
e não necessitando de qualquer fundamento, bastando comunicar a sua
vontade á sociedade. A exoneração só produz efeitos no final do ano civil
da comunicação e desde que tenham decorrido pelo menos 3 meses.
3. Exclusão/expulsão (1003 do cc): neste caso é a sociedade que decide retirar
a qualidade de sócio a este, porque o mesmo não cumpriu/violou
gravemente com os seus deveres. Esta decisão também só produz efeitos no
final do ano civil da decisão e desde que tenham decorrido pelo menos 3
meses. ESCOLHA MULTIPLA
IX. Processo de extinção da sociedade comercial (1007 e ss do cc)
Um primeiro momento é a dissolução da sociedade que tem como principais causas
ou uma deliberação expressa da própria sociedade ou a extinção do objeto da atividade
da sociedade, ou o decurso do tempo se a sociedade foi constituída apenas para um
determinado período, ou por decisão judicial.
Após a dissolução o órgão executivo da sociedade continua em funções, mas
apenas como poderes para proceder á liquidação do património da sociedade e só
depois a sociedade se extingue.
X. Empresa
É uma célula base da economia moderna.
A empresa é um conceito jurídico ou económico e de difícil concretização exata.
Ainda assim a empresa é constituída por vários elementos:
1. Elemento pessoal, é o empresário e os colaboradores, se existirem, e os sócios se a
empresa for detida por uma sociedade comercial;
2. Elemento patrimonial, este é não só constituído pelos investimentos iniciais e
subsequentes como também por todo o património que constitui o processo ou
processos de produção. Se a empresa for propriedade de uma sociedade comercial
as entradas dos sócios cumprem 3 funções: são o capital inicial da empresa; a sua
soma total constitui o capital social; e estas entradas permitem definir qual a
proporção da participação social do sócio relativamente ao capital social.
3. Elemento finalístico, é a realização de uma ou várias atividades comerciais que tem
de ser certas. Estas atividades são destinadas á produção de bens ou serviços.
4. Elemento teleológico é o fim lucrativo, ou seja, o lucro que se pretende obter com
as atividades desempenhadas pela empresa.
XI. Objeto comercial da empresa: é a realização de uma ou várias atividades
comerciais, desde que o processo produtivo assim o permita.
XII. Tipos de sociedades comercias e critérios de distinção:
Os critérios são:
1. Responsabilidade dos sócios por obrigação de entrada, em todos os tipos de tipos
de sociedades as entradas podem ser realizadas em dinheiro ou bens e nas
sociedades em nome coletivo também podem ser em trabalho. Nas sociedades em
nome coletivo os sócios são responsáveis também pelas entradas dos outros sócios
nas sociedades por quotas e anonimas só pela sua quota.
2. Responsabilidade dos sócios pelas dividas da sociedade, em qualquer tipo de
sociedade os sócios respondem sempre subsidiariamente pelas dividas sociais,
contudo nas sociedades em nome coletivo respondem ilimitadamente, nas por
quotas até ao montante do capital social e nas sociedades anonimas até ao montante
da sua participação social ou não respondem.
3. Modalidade de composição e titulação da participação social, nas sociedades em
nome coletivo e por quotas a participação social consiste numa inscrição no registo
do contrato de sociedade, já nas sociedades anonimas consiste na posse de títulos
físicos designados ações.
XIII. Princípio da tipicidade das sociedades comerciais:
Só é possível constituir sociedades dos tipos previstos expressamente previstos na
lei comercial, nomeadamente: sociedades em nome coletivo- art.º 175 a 196 do CSC;
por quotas- art.º 197 a 270 do CSC; anonimas- art.º 271 a 464 do CSC.
XIV. Personalidade jurídica das sociedades comerciais (art.º 5 e 6 do CSC)
Esta só surge com o registo do contrato de constituição da sociedade comercial e,
por isso, este registo tem efeitos adjetivos porque publicita a criação de uma nova pessoa
jurídica e tem efeitos substantivos porque essa pessoa jurídica só surge com esse registo. A
personalidade jurídica da sociedade (possibilidade de ter direitos e deveres) é bastante
reduzida relativamente á das pessoas singulares porque, por um lado, há direitos e deveres
apenas inerentes á condição humana e, por outro lado, á sociedade só são concedidos
direitos e deveres que a mesma necessite para realizar as suas atividades.
XV. Capacidade jurídica de gozo e de exercício da sociedade comercial (art.º 5 e 6
do CSC)
Estas estão limitadas pelo princípio da especialidade, ou seja, a sociedade só pode ser
sujeita de relações jurídicas que direta ou indiretamente se relacionem com a sua atividade
comercial (art.º 160 do CSC).
O objeto mediato da sociedade comercial é a realização de lucros e o imediato é a
atividade que a mesma efetivamente desenvolve.
XVI. O contrato de sociedade comercial (art.º 18 do CSC e 166 e 167)
Só é possível celebrar um contrato de sociedade comercial quando se é portador de um
certificado de admissibilidade de firma (que tem a validade de 3 meses) obtido junto do
registo nacional de pessoas coletivas. O contrato depois de celebrado é registado numa
conservatória do registo comercial e será publicado no diário da república 2º série.
O contrato sociedade é um contrato duradouro porque se protela no tempo e de
execução continuada porque se verifica de forma ininterrupta.