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Pintura Rupestre: Altamira e Minas

O documento descreve a arte rupestre pré-histórica na Europa e no Brasil, focando na pintura rupestre da Caverna de Altamira na Espanha e em Minas Gerais. Discorre sobre as características e técnicas da pintura rupestre paleolítica, como o uso de pigmentos naturais, e apresenta teorias sobre seus significados. Destaca a descoberta de Altamira como a primeira arte rupestre paleolítica identificada e sua riqueza de figuras de animais policromáticas.

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Pintura Rupestre: Altamira e Minas

O documento descreve a arte rupestre pré-histórica na Europa e no Brasil, focando na pintura rupestre da Caverna de Altamira na Espanha e em Minas Gerais. Discorre sobre as características e técnicas da pintura rupestre paleolítica, como o uso de pigmentos naturais, e apresenta teorias sobre seus significados. Destaca a descoberta de Altamira como a primeira arte rupestre paleolítica identificada e sua riqueza de figuras de animais policromáticas.

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ARTE PRÉ-HISTÓRICA - A PINTURA RUPESTRE

Introdução

O presente trabalho tem como escopo apresentar as características da arte


rupestre europeia no paleolítico superior estabelecendo o contexto em que se
desenvolveu, as teorias sobre seu significado e examinando, a título de exemplo, as
figuras encontradas na Caverna de Altamira na Espanha. Ao final, buscou-se fazer
uma curta análise da pintura rupestre no Brasil, respeitadas as diferenças geológicas
e cronológicas entre a arte aqui desenvolvida e a europeia. Por este motivo, optou-
se por analisar, via exemplo, a arte rupestre brasileira de tradição São Francisco
encontrada em cavernas de Minas Gerais.

Pré-história

Convencionou-se chamar de pré-histórico o período anterior à invenção da


escrita. Mas apesar do que o nome pode indicar, o ser humano que viveu nesse
momento tem muita história para contar. Na ausência de textos escritos como livros,
códices, éditos, obras literárias e outros registros grafados sobre a sociedade, suas
histórias e o cotidiano dessa época, historiadores, arqueólogos e antropólogos usam
outros tipos de vestígios deixados por nossos ancestrais: fósseis, adornos, armas,
utensílios diversos, esculturas e pinturas. As duas últimas constituem o que
chamamos de arte pré-histórica, as primeiras manifestações artísticas do ser
humano. É sobre a pintura rupestre, deixada nas cavernas e rochas pelo homem do
período paleolítico que este trabalho irá se debruçar. Mas antes é preciso descrever
brevemente em que consiste o período citado.

Período Paleolítico

O Paleolítico, também chamado de Idade da Pedra Lascada abrange o


período que vai do surgimento do homem há cerca de 4,4 milhões até 8000 anos a.
C.

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Para efeitos didáticos, essa longuíssima duração foi dividida da seguinte
maneira:

- Paleolítico Inferior (2.500.000 – 2.000.000 até 120-100000 a.C)

- Paleolítico Médio (300 – 2.000.000 até 40-30.000 a.C)

- Paleolítico Superior (40 – 2.000.000 até 1º-8000 a.C)

Os pesquisadores datam as primeiras manifestações artísticas humanas


como iniciadas no paleolítico superior. Essas manifestações apresentam-se como
testemunhos vívidos da presença humana no período e de seu cotidiano, sua forma
de vida e de ver o mundo. Tais pinturas espalham-se pelos continentes com
notáveis exemplares nas Américas, na África, na Europa e na Oceania.

As pessoas desse período caracterizavam-se por serem nômades. Como


ainda não tinham desenvolvido a agricultura e a criação de rebanhos, deslocavam-
se em busca de víveres, numa atividade essencialmente coletora e de caça.
Fabricavam pequenos objetos, armas e ferramentas com pedras, ossos e dentes
dos animais abatidos.

Já conheciam o fogo e o utilizavam tanto para cozer quanto como iluminação.


Supõe-se que o tutano era utilizado como combustível para iluminar a caverna e
permitir a realização dos desenhos.

Tais comunidades abrigavam-se nas cavernas ou embaixo de rochas onde


pudessem se proteger dos animais e das intempéries. Ali, em suas “casas de pedra”
deixaram testemunhos de sua passagem, sua cultura e vida usando os materiais
que o local lhes dava: sangue, argila, carvão, terra, excrementos, madeira,
pigmentos de origem animal, mineral e vegetal com os quais desenhavam na rocha
figuras humanas, animais e abstratas. Esses registros são as pinturas rupestres.

A Arte no Paleolítico Superior: Pinturas Rupestres.

A arte rupestre tem como tela as paredes e tetos das cavernas e grutas ou
maciços rochosos ao ar livre. São as manifestações artísticas mais antigas da
humanidade (cerca de 25.000 a.C.), surgidas no período paleolítico. O termo

2
rupestre deriva do francês e é usado para designar as pinturas feitas sobre as
rochas. Tais pinturas podem apresentar motivos zoomórficos, figuras humanas e
atividades cotidianas.

O Porquê das Pinturas Rupestres

Muitas são as teorias sobre o motivo que levou os homens do paleolítico a


pintarem a superfície rochosa das cavernas. O que se pode dizer com segurança é
que o que hoje chamamos de arte rupestre não tinha intenção de ser arte no sentido
contemporâneo do termo. A finalidade dessas manifestações era essencialmente
utilitarista e não artística.

Algumas teorias que tentam explicar a motivação da arte rupestre são


elencadas por André Prous no livro Arte Pré-Histórica do Brasil (2011):

Origem mágica/utilitária: segundo essa explicação, “as pinturas


constituiriam rituais mágicos destinados a favorecer o sucesso na caça. Para
garantir o êxito na empreitada, os animais caçados eram representados na rocha, o
que explicaria cenas de animais feridos com lanças e dardos. A morte “pictórica”
garantiria a morte real. O grande defensor dessa tese foi o Abade Breuil no século
XIX.

Origem sexual: tal perspectiva é defendida pela vertente estruturalista


representada por LeroiGourhan e Lamming-Emperaire. Sob essa ótica, temas como
certos animais e símbolos representariam a dicotomia masculino/feminino. O
masculino seria expresso por imagens de animais como cavalos, cabras e veados e
objetos tais como flechas, linhas e pontos. O feminino era representado bisontes,
bovídeos e mamutes além de formas triangulares e quadradas.

Origem xamanista: esposada por Lewis-William e Jean Clottes, essa teoria


justificava as pinturas rupestres como provenientes das alucinações geradas por
substâncias alucinógenas que alteravam o estado mental do xamã que, por sua vez,
as registrava nos painéis rupestres. As vastas representações de figuras de animais
evocariam a própria transformação do xamã, durante o transe, no animal
representado.
3
Características da Pintura Rupestre Paleolítica Superior:

1) É um fazer utilitário e não contemplativo, estético ou decorativo.


2) As representações desenhadas têm caráter realista e naturalista.
3) Há uma predominância na representação de animais e cenas de caça
ficando a figura humana num segundo plano de importância e desenhada com
traços mais simplificados.
4) Pigmentos obtidos de várias formas (fontes minerais, animais e
vegetais) como sangue, óxidos de ferro, carvão, ossos queimados, terra,
minerais, etc.
5) Aproveitamento do volume natural das rochas no contorno e dimensão
das figuras desenhadas.

PARTE II

Exemplos de Arte Rupestre na Europa e em Minas Gerais.

1- Altamira – A Capela Sistina da Pré-História

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Fonte: Ministerio de cultura y deporte de España, 2022

Fonte: Ministerio de cultura y deporte de España, 2022

A caverna de Altamira foi o primeiro lugar onde se identificou a existência de


arte rupestre no Paleolítico Superior. Por muitos anos, a descoberta (1879) foi vista
com reservas e suspeitas de fraude até que, no início do século XX,1902, a
autenticidade foi confirmada.

Os temas que mais aparecem no teto da caverna, que recebeu a alcunha de


Capela Sistina da pré-história, são animais como bisões, cavalos, cervos. Também
5
aparecem impressões de mãos e formas abstratas ainda misteriosas. Calcula-se
que Altamira foi habitada entre 36.000 – 13.000 anos a.C.

O site do Museu Nacional e de Investigação de Altamira descreve a técnica


utilizada como Gravar, Desenhar, Pintar:

1- Com uma ferramenta perfurocortante, gravava-se o desenho na pedra.

2- Em seguida, contornava-se o desenho gravado com carvão, marcando


uma linha delineadora preta em torno da figura. O carvão também era responsável
por detalhes como olhos, pelos, corcundas dos bisões, chifres, etc.

3- Preenchimento do desenho com pigmentos vermelhos e/ou em tons de


ocre na maior parte das pinturas. A cor podia ser aplicada com as mãos ou
soprando-se através de ossos ocos de animais.

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Fonte: Ministerio de cultura y deporte de España, 2022

O bisão acima utiliza a técnica tradicional com desenho a traços de carvão e


pintura com pigmento vermelho. Fonte:

Testes com Carbono 14 datam as pinturas do período Magdaleniense (14.500


-12.00 a.C.) em que se utilizou carvão vegetal. As pinturas em que foram utilizadas
outras matérias são mais difíceis de serem datadas. Outro método de datação
utilizado é o do Urânio que chegou a identificar pinturas do período Auringciano
(mais de 32000 a.C.).

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As pinturas seguem uma característica marcante da arte rupestre que é o
aproveitamento das gretas e protuberâncias da caverna para criar uma volumetria e
sensação de movimento e ilusão de tridimensionalidade nas figuras. Tal técnica
confere ainda maior realismo às pinturas.

Fonte: Ministerio de cultura y deporte de España, 2022

O ventre da Grande Cerva foi desenhado especificamente aproveitando um


relevo natural da rocha. Essa escolha pode ter a intenção de registrar a gravidez do
animal.

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O estilo predominante da arte rupestre registrada na caverna de Altamira é
realista, policromático com presença forte de vermelho e ocre. Entretanto, há
também, em menor quantidade, figuras antropomorfas e abstratas, como o Signo em
Traço Negro abaixo:

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2- Pintura Rupestre em Minas Gerais – Tradição São Francisco

Pinturas rupestres são encontradas no Brasil em todas as regiões com


temáticas várias que passam por cenas de caçadas, danças, animais, seres
humanos em suas atividades corriqueiras a desenhos abstratos.

Apesar das cavernas mais famosas do mundo estarem na Europa, o Brasil


possui um grande número de sítios arqueológicos onde se encontram pinturas
rupestres com características bem específicas da fauna, materiais e culturas das
populações primitivas da pré-história nas Américas. Há cavernas com pinturas em
todo o território nacional. Os estudiosos classificam tais pinturas de acordo com
tradições que definem o estilo do período e local em que foram descobertas.

Segundo André Prous, existem oito tradições rupestres no território brasileiro:


Meridional, Litorânea Catarinense, Geométrica, Planalto, Nordeste, Agreste, São
Francisco e Amazônica.

Trataremos, neste trabalho, da tradição São Francisco, comum nas grutas e


caverna de Minas Gerais. Para caracterizar tal vertente, utilizaremos como exemplo
algumas pinturas do Sítio do Parque Nacional das Cavernas de Peruaçu.

A Tradição São Francisco (7.000 A.C. –.2.800 A.C.) se concentra


principalmente na região de Minas Gerais ao longo do Vale do Rio São Francisco
que lhe deu o nome. Porém, amostras podem ser encontradas também na Bahia e
em Goiás.

Características apresentadas mais costumeiramente são fincadas na


prodigalidade das  figuras  geométricas com a utilização de bicromia, tricromia ou
policromia além de linhas,  muitas  vezes, paralelas, pontilhadas  ou entrecruzadas.

As pinturas oriundas do Parque Nacional das Caverna de Peruaçu


apresentam-se como exemplos da tradição São Francisco. Atenta-se para a
marcante policromia e o uso profuso de símbolos e formas geométricas. Os painéis,
com cores fortes em matizes de ocre, preto, vermelho e branco, que conferem o
caráter policrômico, face à extrema organização e combinação das figuras
geométricas e figurativas são impactantes. O painel abaixo, localizado em

10
Peruaçu/MG, apresenta todo um repertório de figuras complexamente organizadas
como ziguezagues, curvas, estruturas, retas paralelas, grades, bastonetes, pentes e
animais (peixes) no centro.

Fonte: Folha de São Paulo, 2018

Os pigmentos usados na pintura rupestre brasileira, assim como em outras


localidades da pré-história, eram naturais. Os povos aproveitavam o que cada região
lhes dava. Em Minas Gerais, os tons de ocre provinham da terra, o vermelho do
ferro da hematita e carvão vegetal para o preto. Tais matérias eram misturadas à
água, clara ou gema de ovos, gordura, óleos ou sangue de animais.

Para além da presença dos motivos geométricos, encontram-se também


desenhos com poucas formas humanas e animais como peixes, pássaros, cobras,
lagartos, tartarugas.

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Fonte: A Arte Rupestre no Brasil, 2003

Pintura rupestre da Lapa do Boquete no município de Januária, Parque do


Peruaçu, apresenta duas figuras de lagartos à esquerda, animais característicos na
tradição São Francisco. Ao lado, novamente, o motivo geométrico preenchido com
cores fortes e figuras geometrizadas organizadas internamente de forma complexa e
simétrica. Outra característica da tradição supracitada a policromia está presente
nos tons de vermelho e no ocre

Conclusão

As pinturas rupestres constituem importantes registros da passagem dos


seres humanos que nos antecederam, inclusive como um sistema comunicativo.
Como tal, fornece indícios para a investigação sobre como viviam, seus costumes,
crenças, cotidiano e organização social. Ajudam, desta forma, a descobrir
informações sobre o contexto e as condições nos quais estavam inseridos e como
se desenvolveram. Assim, apresentam-se como fonte inestimável de dados
históricos que trazem ecos dos momentos mais antigos da presença do homem na

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terra. Expondo, portanto, características culturais dos povos que as deixaram nas
rochas.

REFERÊNCIAS:

ESPANHA, MINISTERIO DE CULTURA Y DEPORTE. Disponível em:


<[Link] Acesso
em 15 de jul. de 2022.

GASPAR, Madu. Arte Rupestre no Brasil. 1 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2003. Disponível em
<[Link] Acesso em 11
de jul. de 2022.

LEITE, Marcelo. Pintura Rupestre de Peruaçu-MG subverte Conceito de


Evolução Artística. Folha de São Paulo. São Paulo, 21 de nov. de 2018. Seção
Ilustrada. Disponível em: < [Link]
[Link]>. Acesso em:
16 de jul. de 2022

PROUS. Andre. Arte Pé-Histórica do Brasil. [Link]. Belo Horizonte: C/Arte,


2007. Disponível em <[Link]
[Link]>. Acesso em: 14 de jul. de 2022.

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