AU L A 6
VERBO
Verbo
A palavra “verbo” advém do latim “verbu(m)” e significava
originalmente “palavra”. Dela, advêm cognatos como “verborragia”,
“averbar”, “verboso”, “verbete”, “verve” etc.
Partindo-se desse sentido amplo é que se compreende o começo
do evangelho de São João:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo
era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas
por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida
era a luz dos homens. (João, 1:1-5)
Deus, portanto, era o próprio Verbo, a palavra, a linguagem, a razão.
Em grego: o logos.
Apenas com o passar do tempo, seu conceito passou a ser mais
restrito. Verbo, linguisticamente, é a classe gramatical que designa ação
ou processo, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. Ele
trabalha essencialmente dentro de uma perspectiva temporal e pode ser
conjugado. Veja:
Choveu ontem pela manhã. (fenômeno da natureza, passado)
A sua intelectualidade, tal como seu corpo, desabrochara
(processo, passado) inesperadamente, atingindo de súbito, em pleno
desenvolvimento, uma lucidez que a deliciava e surpreendia (ação,
passado). Não a comovera tanto a revolução física. Como que naquele
instante o mundo inteiro se despia à sua vista, de improviso esclarecida,
patenteando-lhe todos os segredos de suas paixões. [...] Sorriu. E no seu
sorriso já havia garras.
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)
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Vou-me embora pra Pasárgada (ação, presente)
Lá sou amigo do rei (estado, presente)
Lá tenho a mulher que eu quero (presente; posse e volição)
Na cama que escolherei (ação, futuro)
(Manuel Bandeira, Vou-me embora para Pasárgada)
A definição tradicional, no entanto, deixa escapar outras funções
semânticas do verbo, como existência, conveniência, necessidade,
passividade etc. Veja:
Quero ganhar a aposta. (desejo/volição)
Preciso ganhar a aposta. (necessidade)
Ele sofreu um derrame. (passividade)
Convém que eles cheguem a tempo. (conveniência)
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos. (existência)
(Carlos Drummond, Poema de Sete Faces)
O verbo, quando no infinitivo, termina em -ar (dizemos que é de
primeira conjugação), -er (dizemos que é de segunda conjugação) e -ir
(dizemos que é de terceira conjugação): cantar, beber e partir ilustram
esses finais. O infinitivo é a única forma verbal que não apresenta nenhuma
noção temporal.
Obs.: Há ainda verbos terminados em -or, todos derivados do verbo
“pôr”. “Pôr” é, por sua vez, de segunda conjugação, advindo do latim
“poner(e)”.
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Verbo é uma classe gramatical que flexiona bastante, ou seja, varia
muito sua estrutura. Estudemos inicialmente as flexões de modo, tempo,
número e pessoa.
Flexão de modo
O modo é a maneira pela qual o verbo indica a atitude da pessoa
que fala quanto ao fato que enuncia.
São três os modos: indicativo, subjuntivo e imperativo.
O modo indicativo é a expressão categórica, definida, real do juízo,
seja este negativo, afirmativo ou interrogativo. Ele está ligado à constatação
da realidade de um fato. Exemplo:
(O Globo)
Veja como “aponta” e “é” são verbos que indicam um fato
devidamente constatado.
Mesmo que se perguntasse algo como “O documento do Coaf
aponta transferências do dono da Precisa para o ex-diretor da Petros?”, o
indivíduo que pergunta estaria atrás de obter resposta quanto a um fato
categórico e definido.
O modo imperativo, por sua vez, expressa, como o próprio nome
diz, império (mando, comando). Pode, ainda, indicar exortação, pedido ou
súplica. Exemplo:
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Prêmio Faz Diferença: Conheça os indicados em 14 categorias e
vote aqui. (Jornal O Globo)
[...] Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
(Augusto dos Anjos, Versos Íntimos)
Semanticamente, pode ocorrer de o verbo não aparecer no modo
imperativo, mas, ainda assim, exprimir seu valor. São formas supletivas do
imperativo. Veja:
6º mandamento: Não matarás. (verbo no futuro do presente
indicando ordem)
Passar bem! (Verbo no infinitivo indicando desejo.)
Todo mundo caminhando! Caminhando! (Verbo no gerúndio
indicando ordem.)
Amar a Deus sobre todas as coisas. (Verbo no infinitivo exprimindo
uma prescrição de cunho religioso.)
O modo subjuntivo indica que o verbo não tem sentido caso não
venha subordinado a outro verbo, do qual será dependente para perfeita
compreensão. Ou seja, “subjuntivo” tem esse nome porque expressa o
modo de um verbo que se subjuga a outro.
Em termos de sentido, expressa possibilidade, dúvida,
indeterminação. Veja a diferença:
Sei que ele faz terapia. (“Faz” expressa uma constatação da realidade.
Trata-se de modo indicativo.)
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Espero que ele faça terapia. (“Faça” reforça um desejo de algo que
pode vir a se concretizar ou não. Daí ser o modo subjuntivo também
conhecido como modo da possibilidade.)
Em orações adjetivas e substantivas (as quais estudaremos com
profundidade mais à frente, mas que já podem ser intuídas desde já), o
subjuntivo muda o sentido das estruturas:
Entendo que a conduta é caso de expulsão. (Percepção certa, o fato
propende para a realização.)
Entendo que a conduta seja caso de expulsão. (Percepção duvidosa,
expressa suposição.)
Não conheço quem costura este tipo de roupa. (Fato certo: há pessoas
que costuram, mas eu não as conheço.)
Não conheço quem costure este tipo de roupa. (Fato duvidoso: talvez
nem existam pessoas que costurem o tipo de roupa em questão.)
Bendito seja o mesmo sol de outras terras que faz meus irmãos
todos homens. (Fernando Pessoa) (Fato certo: o sol de outras terras
indubitavelmente faz os irmãos todos homens.)
Art. 30 [...] § 1º Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não
puder prestar a garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se
os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de
outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa garantia. (Código
Civil) (Fato possível: indica condição para que algo ocorra.)
Observação: “Andam por aí a construir ‘Você quer que eu faço’,
‘Você quer que eu vou?’ – o que jamais devemos tolerar, a menos que
desejemos conspurcar o nosso idioma de uma vez para sempre. É de rigor
em português o emprego do subjuntivo nas orações que se subordinam a
verbos que indicam desejo, vontade (verba voluntatis): ele aconselha que
eu vá (aconselhava que eu fosse), ele admite que eu vá (admitiu que eu
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tivesse ido), ele concede que eu vá (teria concedido que eu tivesse ido),
consinto que padeçam (consenti que padecessem), convenho que ele seja
bom (convim que ele fosse bom), ele deixa que eu venda (deixava que eu
vendesse), ele deseja que eu fique (desejaria que eu ficasse) [...]”. (Napoleão
Mendes de Almeida)
Há ainda outros casos de emprego do modo subjuntivo, sobre
os quais se falará mais à frente, quando forem estudadas orações
subordinadas.
Flexão de tempo
É a flexão que visa a indicar o tempo, a época em que se realiza
o fato expresso pelo verbo em relação ao momento da fala. Ela reflete a
capacidade do ser humano de criar uma linha do discurso, situando o
verbo no tempo.
São três os tempos verbais naturais: passado, presente e futuro.
Quando se flexiona um verbo no tempo, é impossível não lhe notar também
o modo verbal. É por isso que sempre se diz, por exemplo, “presente do
subjuntivo”, “futuro do indicativo”, “pretérito imperfeito do subjuntivo” etc.,
ou seja, há sempre a percepção de um tempo atrelada à percepção de um
modo.
A tabela abaixo conjuga o verbo “estudar” na primeira pessoa do
singular (eu), em tempos e modos diferentes. Compare:
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Mais à frente, falaremos sobre a formação dos tempos verbais.
Flexão de número
É a variação que ocorrer para expressar singular ou plural. O verbo
está no singular quando se refere a uma só pessoa ou coisa e, no plural,
quando a mais de uma pessoa ou coisa.
Singular: estudo, estudas, estuda
Plural: estudamos, estudais, estudam
Flexão de pessoa
É a variação que ocorre em função das pessoas gramaticais do
sujeito:
Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam
Como se pode notar, as flexões de número e pessoa caminham
juntas. Ao dizer “amas”, sabe-se, pela letra -s, que o verbo está na 2ª pessoa
do singular.
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As desinências número-pessoais e modo-temporais registram as
flexões do verbo, embora elas nem sempre estejam presentes. A título de
curiosidade, analise a estrutura de alguns verbos:
Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.
(Augusto dos Anjos, As cismas do destino)
Em soltasse, solt é radical, a é vogal temática (o verbo “soltar” é de 1ª
conjugação), sse é desinência modo-temporal (indica que o verbo está no
pretérito imperfeito [tempo] do subjuntivo [modo]).
Comeremos do mesmo pão?
Em comeremos, com é radical, e é vogal temática (o verbo “comer”
é de segunda conjugação), re é desinência modo-temporal (indica que
o verbo está no futuro do modo indicativo) e mos é desinência número-
pessoal (indica que o verbo se refere à primeira pessoa do plural).
As desinências nem sempre estão presentes. Veja:
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
(Carlos Drummond de Andrade, As sem-razões do amor)
Em “amo”, o am é o radical, o o é desinência número-pessoal (indica
que se trata da primeira pessoa do singular: eu). Note que não aparecem a
vogal temática nem a desinência modo-temporal.
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Formas nominais
Chamam-se formas nominais o infinitivo, o gerúndio e o particípio.
São assim chamadas porque se comportam como nomes em certos
contextos, quando desempenham funções próprias do substantivo, do
adjetivo ou do advérbio.
O infinitivo (terminações -ar, - er, -ir, -or) expressa o conteúdo do
verbo em sua potência; muitas vezes, seu conteúdo aproxima-se do de um
substantivo. É nessa forma “crua”, de indeterminação e generalidade, que
os verbos aparecem nos dicionários.
Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim
não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrámo-nos navegando,
sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim,
na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas: navegar é
preciso, viver não é preciso. (Fernando Pessoa)
O gerúndio (terminação -ndo) expressa o processo verbal em curso.
Ele exerce seu valor de verbo em locuções verbais e nas orações reduzidas.
Além disso, pode desempenhar tanto função de adjetivo como de advérbio.
Serviu-me água fervendo.
[...]
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
[...]
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
[...]
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
(Cecília Meireles)
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– Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. [...]
Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém
tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
– Você é um bicho, Fabiano.
(Vidas Secas, Graciliano Ramos)
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
(“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa)
Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de
ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver,
só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra – como se antes eu
tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?
(Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.)
Litania
Nunca nos realizamos.
Somos dois abismos – um poço fitando o céu. (Fernando Pessoa)
O particípio (terminação em -do, normalmente), por sua vez,
apresenta o resultado do processo verbal quando indica ação praticada
por alguém. Porém, funciona como adjetivo, quando caracterizador de
substantivo, e, por vezes, como o próprio substantivo.
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O bem que não chegou a ser possuído,
Perdido causa tanto sentimento,
Que, faltando-lhe a causa do tormento,
Faz ser maior tormento o padecido.
Sentir o bem logrado, e já perdido,
Mágoa será do próprio entendimento;
Porém, o bem que perde um pensamento
Não deixa a outro bem restituído.
[...]
(Gregório de Matos, Obra Poética. Defende-se o bem que se
perdeu.)
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
(Memória, Carlos Drummond)
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
(“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa)
São onze horas da manhã no Brasil. É agora. Trata-se
exatamente de agora. Agora é o tempo inchado até os limites. Onze
horas não têm profundidade. Onze horas está cheio das onze horas até
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as bordas do copo verde. O tempo freme como um balão parado. O ar
fertilizado e arfante. (Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.)
Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
(Ave Maria, oração cristã)
Só que não nos falávamos mais. Ela era mais digna do que eu
havia pensado: conseguido o dinheiro, nada mais quis me contar. E nem
eu pude mais fazer festas ao menino vestido de menina. Pois qualquer
agrado seria agora de meu direito: eu o havia pago de antemão.
(Clarice Lispector, As caridades odiosas)
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte, te afasta de mim
Pois já não vales nada, és página virada
Descartada do meu folhetim
(Folhetim, Chico Buarque)
Achei que ele já tivesse comprado o jantar.
Feito o jantar, teremos apenas de arrumar a mesa. (= Quando o
jantar for feito)
O edifício foi construído pela empresa de meu avô.
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Inúmeras são as considerações pertinentes às formas nominais do
verbo, as quais este material não pretende esgotar. Eis um assunto que
merece incursão destemida nas folhas de gramáticas normativas.
De toda forma, seguem observações importantes e úteis a respeito
delas:
1) É necessário tomar cuidado com o gerundismo
O gerúndio, como visto, expressa, por via de regra, continuidade no
tempo. Comumente, no entanto, usa-se essa forma nominal, ao lado do
verbo “ir” e do verbo “estar”, em construções que exprimem atos pontuais,
incompatíveis com a noção continuativa de gerúndio. Por exemplo:
Pela manhã, eu vou estar ligando para o médico e marcando
minha consulta.
Você pode estar me passando seus dados, por favor?
Note-se que as ações de ligar, passar e marcar são pontuais, não se
desdobram no tempo, de maneira que sua melhor escrita seria:
Pela manhã, ligarei para o médico e marcarei minha consulta.
Você pode me passar seus dados, por favor?
A provável razão do gerundismo na língua portuguesa é a má
correspondência com o inglês. Uma frase como “I´ll be sending the
curriculum soon” costuma ser traduzida literalmente na forma: “Vou estar
mandando o currículo brevemente”, quando deveria ser “Vou mandar (ou
mandarei) o currículo brevemente”.
2) Mesmo que bem empregado, o excesso de gerúndio deixa o
texto pesado e arrastado. Por exemplo:
O homem desacelerou seu passo, caminhando lentamente,
percebendo o barulho que o cercava, fazendo a criança que estava a seu
lado assustar-se, chorando muito, claramente a fim de ser carregada no
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colo pelo homem, esperando proteção.
Agora compare:
O homem desacelerou seu passo, caminhando lentamente ao
perceber o barulho que o cercava. Isso fez a criança que estava a seu lado
assustar-se e chorar muito. Claramente, ela esperava ser carregada no colo
pelo homem para se sentir protegida.
Note como a reestruturação das frases faz com que fiquem mais
leves e menos cansativas.
3) Não se confunde o infinitivo com o futuro do subjuntivo. O
futuro do subjuntivo é um tempo verbal; o infinitivo, uma forma nominal. É
bem verdade que com frequência coincidem formalmente, mas, como já
se disse, o emprego de um verbo irregular esclarece a dúvida. Analise:
Quando ele chegar, estarei pronta.
Seria “chegar” infinitivo ou flexão no futuro do subjuntivo? Para tirar
a prova, basta usar um verbo irregular no lugar:
Quando ele vier aqui/propuser o acordo/vir o filme/fizer o dever etc.
Nota-se, portanto, que os verbos irregulares usados claramente não
têm coincidência no infinitivo, de maneira que, pode-se concluir, trata-se de
verbos flexionados no futuro do subjuntivo, assim como o verbo “chegar”.
Agora veja:
Chegar atrasado não é algo que eu goste de fazer.
Substituindo por verbos irregulares, perceba como eles de fato estão
no infinitivo:
Vir ao teatro não é algo que eu goste de fazer/Propor um acordo não
é algo que eu goste de fazer/Ver um filme não é algo que eu goste de fazer.
4) O infinitivo pode ser pessoal ou impessoal. Será impessoal
quando estiver em seu máximo de generalização, não se referindo a um
sujeito especialmente. Será pessoal quando estiver ligado a um sujeito.
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Analise:
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.
(Gonçalves Dias, Canção do Tamoio)
No excerto acima, por exemplo, “viver” e “lutar” são infinitivos
impessoais, uma vez que se referem ao ato em si, sem atribuí-lo a alguém
especial. Já “exaltar”, por sua vez, faz parte da locução verbal “pode exaltar”.
Em casos assim, apenas o verbo auxiliar (“pode”, no caso) se flexiona
quando necessário. O infinitivo permanece não flexionado. Exemplo: Os
presentes podem fazer o teste em dupla.
O fato de um milhão de pessoas participarem dos mesmos
vícios não os transforma em virtudes. (Gustavo Corção)
Na passagem de Corção, o infinitivo “participarem” refere-se a
“pessoas”. O infinitivo se flexiona normalmente se houver sujeito que assim
exija. Veja as desinências número-pessoais em destaque.
Comprei o chá para eu beber.
Comprei o chá para tu beberes.
Comprei o chá para ele beber.
Comprei o chá para nós bebermos.
Comprei o chá para vós beberdes.
Comprei o chá para eles beberem.
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5) Muito comuns são as dúvidas envolvendo infinitivo flexionado
ou não. Por exemplo: Eles se esforçaram para entender a matéria ou para
entenderem a matéria?
A questão não é simples. As gramáticas comumente divergem entre
si ou dão dupla possibilidade de uso, a depender do contexto.
A propósito do assunto, Napoleão Mendes de Almeida, sempre crítico
severo dos problemas linguísticos injustificados, assevera:
Por que dizer “A tendência dos modernos estudiosos da língua é
reconhecer que não há regras fixas e definidas a propósito do assunto?”
Ora, sejamos mais sinceros e digamos: A conjugação do infinitivo é a
maior prova de putrefação do nosso idioma ou, para maior suavidade,
é consequência de confusão com o futuro do subjuntivo ou, ainda mais
delicadamente, é resultante necessária da falta de escolas. Se em
nenhum idioma provindo do latim o infinitivo é conjugado, como dizer
que precisamos conjugar o infinitivo no nosso?
Fazendo-se o cotejo de várias gramáticas normativas, é razoável
depreender o que se segue.
Flexiona-se o infinitivo:
1) Quando o sujeito estiver claramente expresso:
Estranho é nós não fazermos barulho quando nosso time vence.
Até tu fazeres trinta anos, moraremos aqui.
2) Quando o sujeito não está expresso, mas se quer dar a
conhecê-lo pela desinência.
É hora de começarmos os trabalhos.
Necessário se faz introduzires o assunto logo.
Caso se escrevesse “começar” e “introduzir”, não se saberia se essas
ações seriam referentes a alguém especificamente. Ao pessoalizar o
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infinitivo por meio das desinências, sabemos a quem ele se refere.
3) Quando a frase tem verbos com sujeitos diferentes:
Falei sobre o desejo de almoçarmos fora.
Repare como o sujeito de “falar” é “eu”, mas o de “almoçarmos” é
“nós”.
Se o sujeito for o mesmo, a flexão do infinitivo é desnecessária,
embora seja possível. Abaixo, “nós” é sujeito tanto de “falamos” (nós falamos)
como de “almoçar” (nós almoçarmos):
Falamos sobre o desejo de almoçar/almoçarmos fora.
Não se flexiona o infinitivo:
1) Nas locuções verbais:
Vamos passar o dia aqui.
Os moços começaram a dançar.
2) Quando o sujeito do infinitivo é um pronome oblíquo átono ou
um substantivo e há verbos sensitivos (ver, ouvir, sentir e semelhantes) ou
causativos (mandar, deixar, fazer e semelhantes). São as famosas orações
infinitivo-latinas:
Não nos deixeis cair em tentação. (Pai Nosso, oração cristã)
Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as
impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a
elas”. (Matheus, 19:14)
Observação: Quando o substantivo sujeito do infinitivo é plural,
admite-se a flexão em prol da clareza (embora a contragosto do professor
Napoleão):
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Vi os navios que partiam desaparecer/desaparecerem no
horizonte.
Senti suas mãos roçar/roçarem as minhas.
Vi teus vestidos brilharem [brilhar]
sem qualquer clarão do dia. (Cecília Meireles)
Como se pode perceber, trata-se de questão melindrosa, que
comporta certa liberdade em prol da clareza textual. Casos nada raros
como “Os leitores têm possibilidade de consultar/consultarem o dicionário”
podem causar dúvida, e a melhor diretriz para saná-los deve ser a clareza.
Não sendo a flexão do infinitivo útil à clareza, melhor deixá-lo não flexionado
(Os leitores têm possibilidade de consultar o dicionário).
A respeito do assunto, assevera Celso Cunha, citando Said Ali: “Como
vemos, ‘a escolha da forma infinitiva depende de cogitarmos somente da
ação ou do intuito ou necessidade de pormos em evidência o agente da
ação’ (Said Ali). No primeiro caso, preferimos o infinitivo não flexionado;
no segundo, o flexionado. Trata-se, pois, de um emprego seletivo, mais do
terreno da estilística do que, propriamente, da gramática”.
Lúcida é a conclusão do mestre Napoleão Mendes, que resume
praticamente tudo o que se estudou:
Não flexionemos o infinitivo quando nenhuma necessidade virmos
de o conjugar: “Prepararam-se para MORRER”, “Precisávamos cavar o
chão para OBTER água”, “Cometemos tais atrocidades para AGRADAR
aos chefes”, “Obrigando-os por via de tormento a RESTITUIR” aquilo que
tinham ocupado”, “Convidam os homens a PERSEVERAR”, “Não temos
tempo nem papel para TRATAR do assunto”, “A linguagem é o meio de
que dispomos para, através das palavras, EXPRIMIR o nosso pensamento”.
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Locução verbal
Locução ou perífrase verbal é, nas palavras do professor Fernando
Pestana, “um grupo de verbos que geralmente tem uma só unidade de
sentido, como se fosse um só verbo. Ela é formada por verbo(s) auxiliar(es) +
verbo principal (o principal é sempre o último da locução, aparecendo nas
formas de infinitivo, gerúndio ou particípio)”. É o principal que carrega o
significado fundamental da locução. Veja:
Vou ir à sua casa hoje.
Sorria! Você está sendo filmado.
A dívida deve começar a ser paga antes que sejas preso.
O professor ficou rodeado de alunos.
Se o paciente não tivesse se atrasado, eu teria chegado a tempo.
Pedro disse que tinha tido um sonho estranho.
Continue a estudar. Continue estudando.
Acabei de deixar o copo sobre a mesa.
Há de haver quem resolva isto.
“Lamento não ter podido dar aos humildes tudo o que eu
desejava.” (Getúlio Vargas)
Observação: Como se pode perceber pelas frases “Acabei de deixar
[...]” e “Continue a estudar”, o verbo auxiliar às vezes se liga ao principal por
meio de uma preposição.
Inúmeras são as considerações pertinentes à formação da locução
verbal; nem sempre é fácil identificar se o que há é uma locução verbal
ou são verbos “autônomos” colocados lado a lado. É interessante notar
como o verbo auxiliar (ou os verbos auxiliares) pode ter funções diversas:
auxiliares de aspecto (acurativos), auxiliares de modo (modais) etc. A
respeito do assunto, leia o material complementar, que traz as minuciosas
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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
considerações do professor Fernando Pestana sobre o assunto.
Vozes verbais
A voz verbal é a forma em que o verbo (ou locução verbal) de ação se
mostra ao indicar se o sujeito pratica e/ou sofre a ação verbal. Para que se
fale em voz verbal, portanto, é preciso que 1) estejamos diante de um verbo
de ação; 2) o verbo em questão tenha sujeito.
Voz ativa
Ocorre quando a forma do verbo ou da locução verbal indica uma
ação praticada pelo sujeito. Fala-se, então, em sujeito agente:
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e
fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro e lhe entram n’alma.
O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente,
vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do
guerreiro. Já o estrangeiro a preme ao seio; e o lábio ávido busca o lábio
que o espera, para celebrar nesse ádito d’alma o himeneu do amor. (José
de Alencar, Iracema)
Fulano resolveu tomar uma atitude.
Tive de sair da sala correndo.
A comunidade já havia/tinha programado a festa, quando a chuva
caiu.
Observação: Embora haja divergência, para a maior parte dos
gramáticos, não há voz ativa quando o conteúdo semântico do verbo indica
passividade, como em: levou um soco, sofreu um acidente, recebeu uma
proposta etc. Evanildo Bechara, no entanto, diz que esse argumento faz
confundir voz passiva com verbo de sentido passivo (passividade).
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Pondera a professora Amini Hauy: “Não têm flexão de voz, portanto,
os verbos impessoais e os de ligação; aqueles [impessoais] porque não têm
sujeito, e estes [de ligação], porque não indicam ação (indicam estado).
Também não indicam ação, por exemplo, sofrer, merecer, receber, ganhar”.
Assim, por exemplo, uma construção como a seguinte, presente na
primeira frase, não está na voz ativa:
– Estrangeiro, Iracema não pode ser tua serva. É ela quem
guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para
o Pajé a bebida de Tupã. (José de Alencar, Iracema)
Nas duas outras frases, “guarda” e “fabrica” estão na voz ativa, pois
expressam uma ação.
Voz passiva
Ocorre quando a forma do verbo ou da locução verbal indica que o
sujeito sofre a ação verbal. Fala-se, então, em sujeito paciente.
Ela pode se construir de duas maneiras:
1) Voz passiva analítica: ocorre com o verbo auxiliar de passiva (ser
- passiva de ação, estar -passiva de estado, ficar – passiva de mudança de
estado) + particípio. O agente da passiva pode estar presente ou não.
Eu estou profundamente tocada.
Eu estou profundamente tocada por esta música.
Eu sempre fico profundamente tocada por esta música.
Estava a Terra em montes, revestida
De verdes ervas e árvores floridas,
Dando pasto diverso e dando vida
Às alimárias nela produzidas.
A clara forma ali estava esculpida
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Das Águas, entre a terra desparzidas,
De pescados criando vários modos,
Com seu humor mantendo os corpos todos.
(Os Lusíadas, Luís de Camões, Canto Sexto)
Pensei que a casa havia sido invadida pelos ladrões.
Observações:
- Repare a diferença das duas estruturas abaixo.
A sala é apertada.
A mão da mãe é apertada com força pelo filho.
No primeiro caso, “apertada” é apenas um adjetivo que expressa
uma qualidade da sala. No segundo, “apertada” faz parte de uma locução
verbal (é apertada) que indica voz passiva, uma vez que a mão da mãe está
sofrendo a ação de ser apertada.
- Analise a passagem abaixo, percebendo como, embora
aparentemente semelhantes, as locuções verbais destacadas estão em
vozes diferentes.
Mais tarde um pouco, cerca de um ano depois, o padre viria sem
ser pelo órgão e, mais tarde ainda, eu poderia desmontar o instrumento
porque dois ou três anos de trabalhos árduos tinham encontrado razão de
ser em um só minuto, tinham sido superambundantemente resgatados
com um pedaço de pão.
(Gustavo Corção, A descoberta do outro)
2) Voz passiva sintética: verbo transitivo direto ou direto e indireto
na 3ª pessoa do singular ou do plural seguido do pronome “se” apassivador.
Intimaram-se as testemunhas.
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Iniciou-se o trabalho com devoção.
Estudaremos a voz passiva sintética com mais profundidade em
análise sintática, quando falarmos de tipos de sujeito e de concordância
verbal. Por ora, importa-nos mais reconhecer aquilo que efetivamente
caracteriza a voz passiva em geral.
Voz reflexiva
Ocorre quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente da
ação. Sua ocorrência se dá com o auxílio de um pronome reflexivo. Veja:
Nós nos prejudicamos quando fazemos algo assim.
Ela se maquiou com cuidado.
Tu te enxergas neste espelho?
Um bom jeito de analisar a presença da voz reflexiva é averiguar a
possibilidade de acrescer “a mim mesmo”, “a ti mesmo”, “a nós mesmos”, “a
si mesmos” etc.
Note que, nos casos acima, seria possível que a ação recaísse sobre
outra pessoa (é possível prejudicar outrem, por exemplo), mas recai sobre
o sujeito.
Note, ainda, que a conjugação do verbo na voz reflexiva é sempre
acompanhada de pronome também reflexivo.
No poema de Gonçalves Dias, tal comportamento do verbo “banhar”
fica claro.
O CANTO DO ÍNDIO
Quando o sol vai dentro d’água
Seus ardores sepultar,
Quando os pássaros nos bosques
Principiam a trinar;
Eu a vi, que se banhava...
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Era bela, ó Deuses, bela,
Como a fonte cristalina,
Como luz de meiga estrela.
[...]
(DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos.)
Atenção!
Não basta que se possa empregar “a mim mesmo” e outras formas
semelhantes para que seja voz reflexiva. É preciso que o sujeito seja agente
e paciente da ação. Na passagem abaixo, por exemplo, isso não ocorre:
Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me
é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma
terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia
de mim um tripé estável. (Clarice Lispector, A paixão segundo G.H.)
Nem mesmo se pode falar em “voz” na passagem acima, já que o
verbo “ser” não expressa uma ação.
A voz reflexiva pode ser recíproca, o que ocorre quando há dois ou
mais seres praticando a mesma ação verbal um ao outro.
Abraçaram-se longamente.
Feriram-se com armas brancas.
Note como, fora de contexto, as frases anteriores podem ser ambíguas,
daí se poder usar uma estrutura de reforço, como:
Feriram-se a si mesmos com armas brancas (ou simplesmente
Feriram a si mesmos).
Feriram-se uns aos outros com armas brancas (ou simplesmente
Feriram uns aos outros com armas brancas).
Abraçaram-se a si mesmos longamente. (ou simplesmente
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Abraçaram a si mesmos.)
Feriram um ao outro com armas brancas. (ou simplesmente
Feriram um ao outro.)
Verbos pronominais
Essencialmente pronominais são aqueles verbos que sempre
aparecem acompanhados de um pronome oblíquo átono em sua
conjugação, o qual constitui parte integrante do verbo e não expressa
necessariamente ação reflexiva. É como se o pronome fosse parte do radical
do verbo.
Alguns essencialmente pronominais: arrepender-se, atrever-se,
candidatar-se, dignar-se, engalfinhar-se, esforçar-se, persignar-se,
queixar-se, refugiar-se, suicidar-se, tornar-se, abster-se, apaixonar-se etc.
Não se diz, por exemplo, que alguém “tornou” professor, mas, sim,
que “se tornou” professor. Veja:
Queixei-me de dor quando ele pisou meu pé.
Apaixonaram-se pela matéria.
Nós nos esforçamos para obter bons resultados.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade, Quadrilha)
Vários verbos, por sua vez, são acidentalmente pronominais, ou seja,
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podem ser conjugados eventualmente com pronomes oblíquos átonos.
Exemplos: concentrar-se, enganar-se, sentar-se, vacinar-se, alegrar-se,
apoderar-se etc. Os exemplos abaixo são do dicionário Michaelis:
O povoado alegra o vale. A fé alegra e conforta. Alegrou-se com a
volta do filho.
Engana-se de propósito por não suportar a realidade. Não quer
enfrentar os fatos e só faz enganar.
O homem não podia sentar devido ao ferimento. A criança preferiu
sentar-se a ficar no colo da mãe. Enfim, a filha conseguiu sentar a mãe
já idosa.
Veja a diferença no emprego do verbo nos cartazes a seguir:
Formação do imperativo e uniformidade de tratamento
Uma das mais extensas e extenuantes partes do estudo verbal é
a formação dos tempos verbais. Por absoluta ausência de tempo hábil,
este material (este curso) não tratará do assunto, mas disponibilizaremos
material extra de autoria do professor Fernando Pestana para aqueles que
quiserem estudar mais a fundo.
De toda forma, não podemos nos furtar de dois pontos fundamentais:
a formação do imperativo e a uniformidade de tratamento das pessoas do
discurso.
É muito comum que o falante se pergunte cotidianamente se
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o correto é “arraste para cima” ou “arrasta para cima”, “siga os sinais” ou
“segue os sinais”, “faça o exercício” ou “faz o exercício”, “não começa” ou
“não comece” etc. Essas dúvidas são todas relativas ao emprego do modo
imperativo.
Há dois tipos de imperativo: o afirmativo e o negativo. O primeiro
expressa uma ordem, sugestão, conselho de caráter positivo; e o segundo, a
mesma coisa, mas de caráter negativo.
Para construir os imperativos e o presente do subjuntivo, parte-se do
presente do indicativo, chamado de tempo primitivo.
Veja o presente do indicativo dos verbos “voltar” (1ª conjugação),
“correr” (2ª conjugação) e “partir” (3ª conjugação):
Presente do indicativo
Eu volto
Tu voltas
Ele volta
Nós voltamos
Vós voltais
Eles voltam
Presente do indicativo
Eu corro
Tu corres
Ele corre
Nós corremos
Vós correis
Eles correm
Presente do indicativo
Eu parto
Tu partes
Ele parte
Nós partimos
Vós partis
Eles partem
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Em sequência, constrói-se o presente do subjuntivo, o que ocorre da
seguinte maneira:
Nos verbos de 1ª conjugação, trabalha-se com o final -e:
Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu volto Que eu volte
Tu voltas Que tu voltes
Ele volta Que ele volte
Nós voltamos Que nós
voltemos
Vós voltais Que vós volteis
Eles voltam Que eles voltem
Nos verbos de 2ª conjugação, trabalha-se com final -a:
Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu corro Que eu corra
Tu corres Que tu corras
Ele corre Que ele corra
Nós corremos Que nós
corramos
Vós correis Que vós corrais
Eles correm Que eles corram
Nos verbos de 3ª conjugação, trabalha-se com final -a:
Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu parto Que eu parta
Tu partes Que tu partas
Ele parte Que ele parta
Nós partimos Que nós
partamos
Vós partis Que vós partais
Eles partem Que eles partam
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Para a construção do imperativo afirmativo, basta retirar-se o -s das
segundas pessoas (tu e vós) do presente do indicativo e copiar as demais
pessoas do presente do subjuntivo. Não há primeira pessoa no imperativo
pela simples impossibilidade de se dar uma ordem a si mesmo.
Para a construção do imperativo negativo de todas as conjugações,
basta copiar todo o presente do subjuntivo.
Nas terceiras pessoas dos imperativos, trocam-se o “ele” por “você”
e o “eles” por “vocês”. Como já se viu em outro momento, a conjugação
dos pronomes de tratamento (inclusive “você”) é idêntica à das terceiras
pessoas.
Por mera questão didática, escrevem-se os pronomes após o verbo
nos imperativos.
Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu volto --- Que eu volte ---
Tu voltas (-s) Volta tu Que tu voltes Não voltes tu
Ele volta Volte você Que ele volte Não volte você
Nós voltamos Voltemos nós Que nós voltemos Não voltemos nós
Vós voltais (-s) Voltai vós Que vós volteis Não volteis vós
Eles voltam Voltem vocês Que eles voltem Não voltem vocês
Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu corro --- Que eu corra ---
Tu corres (-s) Corre tu Que tu corras Não corras tu
Ele corre Corra você Que ele corra Não corra você
Nós corremos Corramos nós Que nós corramos Não corramos nós
Vós correis (-s) Correi vós Que vós corrais Não corrais vós
Eles correm Corram vocês Que eles corram Não corram vocês
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Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu parto --- Que eu parta ---
Tu partes (-s) Parte tu Que tu partas Não partas tu
Ele parte Parta você Que ele parta Não parta você
Nós partimos Partamos nós Que nós partamos Não partamos nós
Vós partis (-s) Parti vós Que vós partais Não partais vós
Eles partem Partam vocês Que eles partam Não partam vocês
Compreendendo-se essa formação, fica fácil perceber que uma frase
como “Corre! Você está atrasado!” mistura 2ª e 3ª pessoas: enquanto se está
chamando a pessoa por “você”, está-se usando o imperativo “corre”, que é
para “tu”. Procedendo-se à uniformização, tem-se:
Corra! Você está atrasado!
Corre! Tu estás atrasado!
Vejamos mais alguns exemplos com falta de uniformidade:
Você bebeu pouca água; bebe mais!
Não se precipita ou vai acabar se arrependendo!
Procedendo-se à uniformização:
Você bebeu pouca água; beba mais! Ou Tu bebeste pouca água;
bebe mais!
Não se precipite ou vai acabar se arrependendo! Ou Não te precipites
ou vais acabar te arrependendo!
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Venha para a Caixa você também! Ou Vem para a Caixa tu também!
Aproveitando-se a construção da tabela anterior, vale a pena ressaltar
que o emprego do subjuntivo também é frequentemente feito de forma
errada.
O subjuntivo aparece, por via de regra, em orações subordinadas
(estudaremos mais adiante, em sintaxe), e orações optativas. Veja:
Que Deus te guie!
Espero que não aconteça algo sério.
É fundamental que se tomem medidas urgentemente.
É comum que se diga erradamente “Quer que eu faço isto para
você?” em vez de “Quer que eu faça isto para você?”. Note que, no caso,
a oração “que eu faça isto para você” é subordinada à oração “Quer”. Veja
outros exemplos:
Você precisa que eu compro o almoço? (Corrigindo: que eu compre)
Necessitamos que ele corta a grama para nós. (Corrigindo: que ele
corte)
Classificação dos verbos
Quanto a suas características morfossintáticas, os verbos podem
ser classificados como regulares, irregulares, anômalos, defectivos e
abundantes.
a) Regulares são aqueles que seguem um paradigma, ou seja, um
modelo, de conjugação. Por exemplo: o pretérito imperfeito do subjuntivo
de verbos regulares de 2ª conjugação segue sempre a mesma lógica: se eu
sofresse, se eu conhecesse, se eu comesse, se eu concedesse, mas... Se eu
fizesse (não “fazesse”). Ou seja, o verbo “fazer” não é regular nesse tempo
verbal, pois não segue o paradigma.
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b) Irregulares são aqueles que não seguem um paradigma regular,
seja porque seu radical se altera, seja porque sua desinência se altera. É o
caso dos verbos dar, estar, fazer, pedir etc.
Veja:
Eu amo, eu canto, eu nado, mas... Eu estou (não “esto”).
Eu sofro, eu corro, eu bebo, mas... Eu faço (não “fazo”).
Mais à frente neste material – ainda neste módulo – trataremos de
alguns verbos irregulares especialmente espinhosos.
c) Anômalos são aqueles tão instáveis, que nem sequer possuem
radical. São apenas dois: ser e ir.
Analise o comportamento do verbo “ser”: Eu sou, tu és, ele é... Eu fui,
tu foste, ele foi... Eu serei, tu serás, ele será....Eu era, tu eras, ele era...
Analise o comportamento do verbo “ir”: Eu vou, tu vais, ele vai...Eu fui,
tu foste, ele foi...Eu irei, tu irás, ele irá...Eu ia, tu ias, ele ia.
Observação: Ia X iria
Ele iria caminhar, mas desistiu por causa da chuva. (Iria = futuro do
pretérito)
Antigamente, ele ia caminhar ao meio-dia, mas agora vai às 11h. (Ia =
pretérito imperfeito)
d) Defectivos são aqueles cuja conjugação não é completa. São
simplesmente inexistentes em alguma conjugação.
É o caso dos verbos demolir, feder, explodir, reaver etc. Não se diz,
por exemplo, eu “fedo”, eu “explodo”, eu “reavo”ou ele “reave”.
Mais à frente neste material – ainda neste módulo – trataremos de
alguns verbos defectivos especialmente espinhosos.
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Sobre o assunto, pondera Celso Cunha em sua Gramática:
“[...] Outras vezes o desuso de uma forma verbal é ocasionado
por sua pronúncia desagradável ou por prestar-se a confusão com uma
forma de outro verbo, de emprego mais frequente. A razões de ordem
eufônica atribui-se, por exemplo, a falta da 1ª pessoa do singular do
presente do indicativo e, consequentemente, de todas as pessoas do
presente do subjuntivo do verbo abolir; pela homofonia com formas do
verbo falar, justifica-se a inexistência das formas rizotônicas do verbo
falir. Mas, como a própria caracterização do que é agradável ao ouvido
é sempre difícil, pois está condicionada ao gosto pessoal, há frequentes
discordâncias entre os gramáticos em estabelecer os casos de lacuna
verbal aconselhados por motivos eufônicos. Não raro, não se vislumbra
mesmo razão maior do que o simples desuso de uma forma para que ela
continue sendo evitada pelos que falam ou escrevem.”
e) Abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma na
mesma flexão. Veja:
Nós hemos/havemos de tomar boas decisões.
O governo construi/constrói pontes frágeis e com materiais de baixa
qualidade.
Dize com quem andas/Diz com quem andas
Essa dupla possibilidade ocorre principalmente no particípio. É muito
comum haver dúvidas como “pagado ou pago?”, “imprimido ou impresso”
etc.?
No particípio, as formas regulares (terminadas em -ado e -ido) são
empregadas após os verbos auxiliares ter e haver:
Apesar de o cliente já ter pagado a fatura do cartão, o banco
notificou-o, fazendo nova cobrança.
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Nos Estados Unidos, ele havia pegado prisão perpétua quando a
nova lei foi sancionada.
Quando o chefe chegou, o subordinado já havia imprimido a folha.
Todos já tinham aceitado o acordo, quando o empresário mudou de
ideia.
O trabalhador tem ganhado honestamente seu dinheiro nos últimos
anos.
Pensou-se que a vítima havia morrido durante o assalto.
Na voz passiva construída com os auxiliares ser, estar e ficar, bem
como nas locuções de tempo composto na voz passiva (ter/haver + sido +
particípio), usam-se as formas irregulares (não terminadas em -ado e -ido)
quando o verbo as possui. Além disso, pode haver variação de gênero e
número:
A conta foi paga pelo cliente.
O ladrão foi pego em flagrante.
O ladrão tinha sido pego em flagrante, mas fugiu.
A folha será impressa pelo subordinado.
O acordo foi aceito por todos.
Finalmente a folha ficou impressa.
O dinheiro foi ganho honestamente.
A testemunha será morta caso não haja proteção a ela.
Atenção!
Os verbos trazer, chegar, abrir, cobrir, comprar e escrever não são
abundantes!
Eu tinha chegado pela manhã.
(Jamais “chego”)
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A casa foi devidamente comprada pela parte, mas descobriu-se que
se tratava de fraude.
(Jamais “compra”)
O pacote foi trazido na hora certa.
(Jamais “trago”)
A oferta da empresa A foi coberta pela da empresa B.
(Jamais “cobrida”)
A ata deve ser escrita à mão.
(Jamais “escrevida”)
Se eu soubesse que era você, teria aberto a porta.
(Jamais “abrido”)
É fundamental darmos a devida atenção a tais verbos, pois eles são
traiçoeiros. Aqui, não nos preocuparemos muito com o nome dos tempos
verbais nem com a apresentação de todas as flexões dos verbos, mas com
o emprego prático de alguns casos específicos. Passemos a alguns verbos
irregulares:
VERBO PÔR E SEUS DERIVADOS
A dinâmica do verbo pôr estende-se a todos os terminados em -or:
compor, dispor, sobrepor, antepor, depor, entrepor, expor, justapor, pospor,
repor, apor etc.
Presente do indicativo: eu ponho, tu pões, ele põe, nós pomos, vós
pondes, eles põem
Pretérito perfeito do indicativo: eu pus, tu puseste, ele pôs, nós
pusemos, vós pusestes, eles puseram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu punha, tu punhas, ele punha,
nós púnhamos, vós púnheis, eles punham
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Futuro do pretérito do indicativo: eu poria, tu porias, ele poria, nós
poríamos, vós poríeis, eles poriam
Presente do subjuntivo: que eu ponha, que tu ponhas, que ele ponha,
que nós ponhamos, que vós ponhais, que eles ponham
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu pusesse, se tu pusesses, se
ele pusesse, se nós puséssemos, se vós pusésseis, se eles pusessem
Futuro do subjuntivo: quando eu puser, quando tu puseres, quando
ele puser, quando nós pusermos, quando vós puserdes, quando eles
puserem
Imperativo afirmativo: põe tu, ponha você, ponhamos nós, ponde
vós, ponham vocês
Imperativo negativo: não ponhas tu, não ponha você, não ponhamos
nós, não ponhais vós, não ponham vocês
Exemplos:
É fundamental que nós aponhamos nossa assinatura ao final do
contrato.
Se o assistente de acusação se dispusesse a falar, poderíamos
esclarecer melhor a situação.
Quando nós repusermos o estoque, entraremos em contato.
Componhamos novas estratégias para melhorar nossa peça.
VERBO VIR E SEUS DERIVADOS
A dinâmica do verbo vir estende-se a todos os seus derivados: advir,
convir, desavir (=indispor) intervir, provir, sobrevir etc.
Presente do indicativo: eu venho, tu vens, ele vem, nós vimos, vós
vindes, eles vêm
Pretérito perfeito do indicativo: eu vim, tu vieste, ele veio, nós viemos,
vós viestes, eles vieram
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Presente do subjuntivo: que eu venha, que tu venhas, que ele venha,
que nós venhamos, que vós venhais, que eles venham
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu viesse, se tu viesses, se ele
viesse, se nós viéssemos, se vós viésseis, se eles viessem
Futuro do subjuntivo: quando eu vier, quando tu vieres, quando ele
vier, quando nós viermos, quando vós vierdes, quando eles vierem
Imperativo afirmativo: vem tu, venha você, venhamos nós, vinde vós,
venham vocês
Imperativo negativo: não venhas tu, não venha você, não venhamos
nós, não venhais vós, não venham vocês
Exemplos:
O oficial deve vir aqui logo pela manhã.
É fundamental que nós intervenhamos nesta discussão, pois ela
pode ser mortal.
A testemunha agiu da maneira que convinha; se conviesse outra
forma, assim ela faria.
Quando nós viermos até o local, daremos mais instruções.
Eu provenho de uma cidade pequena.
Você pode vir aqui, por favor?
Ele há de convir que estas ameaças não são necessárias.
A partilha dos bens desaveio os irmãos.
VERBO VER E SEUS DERIVADOS
A dinâmica do verbo ver estende-se a todos os seus derivados:
antever, prever, rever etc.
Presente do indicativo: eu vejo, tu vês, ele vê, nós vemos, vós vedes,
eles veem
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Presente do subjuntivo: que eu veja, que tu vejas, que ele veja, que
nós vejamos, que vós vejais, que eles vejam
Futuro do subjuntivo: quando eu vir, quando tu vires, quando ele vir,
quando nós virmos, quando vós virdes, quando eles virem
Imperativo afirmativo: vê tu, veja você, vejamos nós, vede vós, vejam
vocês
Imperativo negativo: não vejas tu, não veja você, não vejamos nós,
não vejais vós, não vejam vocês
Exemplos:
É muito importante antevermos as possíveis estratégias da parte
contrária.
Para que nós revejamos os argumentos antes de apresentá-los,
precisaremos de uma reunião.
Quando os jurados virem as provas, não terão dúvida.
Os desembargadores raramente reveem casos como este.
Se você vir o vídeo que eu vi, pensará como eu.
Observação 1:
O verbo prover (= fornecer, receber e deferir [recurso]) não é derivado
do verbo ver, embora eventualmente coincidam em algumas conjugações.
Veja:
Presente do indicativo: eu provejo, tu provês, ele provê, nós
provemos, vós provedes, eles proveem
Pretérito perfeito do indicativo: eu provi, tu proveste, ele proveu, nós
provemos, vós provestes, eles proveram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu provia, tu provias, ele provia,
nós províamos, vós províeis, eles proviam
Presente do subjuntivo: que eu proveja, que tu provejas, que ele
proveja, que nós provejamos, que vós provejais, que eles provejam
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Futuro do subjuntivo: quando eu prover, quando tu proveres,
quando ele prover, quando nós provermos, quando vós proverdes, quando
eles proverem
Exemplos:
Esperamos que o magistrado proveja o recurso que interpusemos
ontem. De toda forma, se ele não prover, estudaremos a possibilidade de
interpor embargos.
Por anos, o autor proveu sua esposa de condições para que ela não
trabalhasse e tivesse boa qualidade de vida.
Quando ele se prover de recursos humanos suficientes como
assessor, poderemos cogitar sua promoção.
Observação 2:
Precaver(-se) também não é derivado do verbo ver. Trata-se de verbo
defectivo, o qual não se conjuga em determinadas flexões.
Presente do indicativo: nós (nos) precavemos, vós (vos) precaveis
Imperativo afirmativo: precavei(-vos) vós
Imperativo negativo: -
Presente do subjuntivo: -
Os demais tempos existem normalmente.
Exemplos:
Se eles não se precaverem, serão pegos de surpresa pelos
argumentos ministeriais.
Nós nos precavemos e instalamos câmeras em todo o escritório.
Observação: São erradas construções como “Ele que se precavenha”,
“Eu me precavejo sempre que possível” etc. Nesses casos, sugere-se usar
os verbos “prevenir” ou “acautelar”: Ele que se previna/acautele, “Eu me
previno/acautelo sempre que possível”.
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VERBO TER E SEUS DERIVADOS
A dinâmica do verbo ter estende-se a todos os seus derivados:
abster-se, ater-se, deter, entreter, manter, obter, reter etc.
Presente do indicativo: eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós
tendes, eles têm
Pretérito perfeito do indicativo: eu tive, tu tiveste, ele teve, nós
tivemos, vós tivestes, eles tiveram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu tinha, tu tinhas, ele tinha, nós
tínhamos, vós tínheis, eles tinham
Presente do subjuntivo: que eu tenha, que tu tenhas, que ele tenha,
que nós tenhamos, que vós tenhais, que eles tenham
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu tivesse, se tu tivesses, se ele
tivesse, se nós tivéssemos, se vós tivésseis, se eles tivessem
Futuro do subjuntivo: quando eu tiver, quando tu tiveres, quando ele
tiver, quando nós tivermos, quando vós tiverdes, quando eles tiverem
Imperativo afirmativo: tem tu, tenha você, tenhamos nós, tende vós,
tenham vocês
Imperativo negativo: não tenhas tu, não tenha você, não tenhamos
nós, não tenhais vós, não tenham vocês
Exemplos:
O cliente tem bons advogados.
Os clientes têm bons advogados.
Eu me entretive por horas analisando os documentos.
Nós nos mantivemos ocupados durante toda a manhã.
Se o policial o detivesse sem mandado, seria investigado.
Quando o delegado obtiver mais provas, finalizará o inquérito.
Caso nós nos abstenhamos/abstivermos de votar, deixaremos nas
mãos de quem vota o nosso futuro político.
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VERBOS TERMINADOS EM -EAR
Pentear, estrear, passear, presentear, custear, recear, frear etc.
Presente do indicativo: eu custeio, tu custeias, ele custeia, nós
custeamos, vós custeais, eles custeiam
Pretérito perfeito do indicativo: eu custeei, tu custeaste, ele custeou,
nós custeamos, vós custeastes, eles custearam
Presente do subjuntivo: que eu custeie, que tu custeies, que ele
custeie, que nós custeemos, que vós custeeis, que eles custeiem
Imperativo afirmativo: custeia tu, custeie você, custeemos nós,
custeai vós, custeiem vocês
Imperativo negativo: não custeies tu, não custeie você, não
custeemos nós, não custeeis vós, não custeiem vocês
Exemplos:
Infelizmente, nós não freamos o carro a tempo de evitar o acidente.
Eles receiam entrar no rol de investigados.
O advogado estreou com muita competência no tribunal do júri.
VERBOS TERMINADOS EM -IAR
Verbos como variar, avaliar, copiar, maquiar, adiar, arriar (=fazer
descer) são regulares. Veja o presente do indicativo:
Presente do indicativo: eu vario, tu varias, ele varia, nós variamos, vós
variais, eles variam
No entanto, há 5 verbos para os quais é preciso dar atenção especial,
pois se comportam de forma diferente: mediar, ansiar, remediar, incendiar,
odiar. Veja:
Presente do indicativo: Eu medeio, tu medeias, ele medeia, nós
mediamos, vós mediais, eles medeiam
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Presente do subjuntivo: Que eu medeie, que tu medeies, que ele
medeie, que nós mediemos, que vós medieis, que eles medeiem
Imperativo afirmativo: medeia tu, medeie você, mediemos nós,
mediai vós, medeiem vocês
Imperativo negativo: não medeies tu, não medeie você, não
mediemos nós, não medieis vós, não medeiem vocês
Exemplos:
É importante que ele não se remedeie, mas que procure um médico.
Caso eu intermedeie a reunião, ouvirei as duas partes sem tempo
cronometrado.
Anseio por nova postura do governo.
Quem é honesto sempre remedeia as injustiças.
Observação: O verbo mobiliar recebe acento agudo na sílaba “bi”
em algumas flexões:
Presente do indicativo: Eu mobílio, tu mobílias, ele mobília, nós
mobiliamos, vós mobiliais, eles mobíliam
Presente do subjuntivo: Que eu mobílie, que tu mobílies, que ele
mobílie, que nós mobiliemos, que vós mobilieis, que eles mobíliem
VERBO QUERER
Futuro do presente: eu quererei, tu quererás, ele quererá, nós
quereremos, vós querereis, eles quererão
Futuro do pretérito do indicativo: eu quereria, tu quererias, ele
quereria, nós quereríamos, vós quereríeis, eles quereriam
Presente do subjuntivo: que eu queira, que tu queiras, que ele
queira, que nós queiramos, que vós queirais, que eles queiram
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu quisesse, se tu quisesses,
se ele quisesse, se nós quiséssemos, se vós quisésseis, se eles quisessem
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Futuro do subjuntivo: quando eu quiser, quando tu quiseres,
quando ele quiser, quando nós quisermos, quando vós quiserdes, quando
eles quiserem
Imperativo afirmativo: quer(e) tu, queira você, queiramos nós, querei
vós, queiram vocês
Imperativo negativo: não queiras tu, não queira você, não queiramos
nós, não queirais vós, não queiram vocês
Exemplos:
Queiramos sempre polir nossas peças processuais.
Na semana que vem, ele provavelmente não quererá viajar, pois
estará cansado.
Quando nós quisermos adquirir um imóvel, entraremos em contato.
Talvez eles não queiram opor embargos.
Eu quereria viajar agora, se não fosse a pandemia.
Atenção!
O verbo requerer não é derivado do verbo querer. Veja:
Presente do indicativo: eu requeiro, tu requeres, ele requer, nós
requeremos, vós requereis, eles requerem
Pretérito perfeito do indicativo: eu requeri, tu requereste, ele
requereu, nós requeremos, vós requerestes, eles requereram
Exemplos:
Eu requeiro astreintes em algumas de minhas iniciais.
O advogado requereu novas provas.
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VERBOS HAVER E REAVER
O verbo reaver é derivado do verbo haver, porém só se conjuga nas
formas em que o verbo mantiver a letra “v”, ou seja, reaver é um verbo
defectivo.
Presente do indicativo: eu hei, tu hás, ele há, nós hemos/havemos,
vós heis/haveis, eles hão
Pretérito perfeito do indicativo: eu houve, tu houveste, ele houve,
nós houvemos, vós houvestes, eles houveram
Presente do subjuntivo: que eu haja, que tu hajas, que ele haja, que
nós hajamos, que vós hajais, que eles hajam
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu houvesse, se tu houvesses,
se ele houvesse, se nós houvéssemos, se vós houvésseis, se eles houvessem
Futuro do subjuntivo: quando eu houver, quando tu houveres,
quando ele houver, quando nós houvermos, quando vós houverdes, quando
eles houverem
Exemplos:
Com muita briga na justiça, os herdeiros reouveram a fortuna deixada
pelo pai.
Se nós reouvermos o direito ao voto na empresa, elegeremos fulano.
O patrão é uma pessoa difícil, por isso eu hei-me quase sempre com
os empregados.
Os empregados nunca se houveram bem com o patrão.
VERBO LIDAR
O verbo lidar não é derivado do verbo dar.
Presente do indicativo: eu lido, tu lidas, ele lida, nós lidamos, vós
lidais, eles lidam
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Pretérito perfeito do indicativo: eu lidei, tu lidaste, ele lidou, nós
lidamos, vós lidastes, eles lidaram
Presente do subjuntivo: que eu lide, que tu lides, que ele lide, que
nós lidemos, que vós lideis, que eles lidem
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu lidasse, se tu lidasses, se
ele lidasse, se nós lidássemos, se vós lidásseis, se eles lidassem
Futuro do subjuntivo: quando eu lidar, quando tu lidares, quando ele
lidar, quando nós lidarmos, quando vós lidardes, quando eles lidarem
Exemplos:
Se nós lidássemos melhor com a corte, talvez ela ouvisse nosso
argumento com mais boa vontade.
Quando eu lidar com casos como esse, posso fazer parceria com
você.
VERBO VIGER
É defectivo em algumas de suas primeiras pessoas.
Presente do indicativo: -, tu viges, ele vige, nós vigemos, vós vigeis,
eles vigem
Pretérito perfeito do indicativo: eu vigi, tu vigeste, ele vigeu, nós
vigemos, vós vigestes, eles vigeram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu vigia, tu vigias, ele vigia, nós
vigíamos, vós vigíeis, eles vigiam
Futuro do presente do indicativo: eu vigerei, tu vigerás, ele vigerá,
nós vigeremos, vós vigereis, eles vigerão
Futuro do pretérito do indicativo: eu vigeria, tu vigerias, ele vigeria,
nós vigeríamos, vós vigeríeis, eles vigeriam
Presente do subjuntivo: -
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Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu vigesse, se tu vigesses, se
ele vigesse, se nós vigêssemos, se vós vigêsseis, se eles vigessem
Futuro do subjuntivo: quando eu viger, quando tu vigeres, quando
ele viger, quando nós vigermos, quando vós vigerdes, quando eles vigerem
Exemplos:
Se o prazo viger até março, será possível cumprir o combinado.
Por anos, vigeram medidas pouco eficientes para o controle a praga
nas lavouras.
O prazo já está vigendo?
VERBOS ADVERTIR, ADERIR, AFERIR, COMPETIR,
DIVERGIR, DIGERIR, DISCERNIR, EXPELIR, INTERFERIR, GERIR,
INGERIR, IMPELIR, PRETERIR E REPELIR
Presente do indicativo: eu divirjo, tu diverges, ele diverge, nós
divergimos, vós divergis, eles divergem
Presente do subjuntivo: que eu divirja, que tu divirjas, que ele divirja,
que nós divirjamos, que vós divirjais, que eles divirjam
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu divergisse, se tu
divergisses, se ele divergisse, se nós divergíssemos, se vós divergísseis, se
eles divergissem
Imperativo afirmativo: diverge tu, divirja você, divirjamos nós, divergi
vós, divirjam vocês
Imperativo negativo: não divirjas tu, não divirja você, não divirjamos
nós, não divirjais vós, não divirjam vocês
Exemplos:
Nunca compito com meus próprios colegas de escritório por
clientes. Os honorários aqui são todos divididos.
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Esperemos que ele gira bem os negócios da família.
É preciso que nós afiramos nossa pressão agora.
Caso ele pretira nosso candidato, precisamos ter um plano B.
Quando o estagiário chegar, advirta-o de que ele deixou o
computador ligado ontem.
Por favor, não me compila a fazer coisas que não domino ainda.
VERBOS MEDIR, PEDIR, DESPEDIR, EXPEDIR, REEXPEDIR,
IMPEDIR
Presente do indicativo: eu expeço, tu expedes, ele expede, nós
expedimos, vós expedis, eles expedem
Presente do subjuntivo: que eu expeça, que tu expeças, que ele
expeça, que nós expeçamos, que vós expeçais, que eles expeçam
Imperativo afirmativo: expede tu, expeça você, expeçamos nós,
expedi vós, expeçam vocês
Imperativo negativo: não expeças tu, não expeça você, não
expeçamos nós, não expeçais vós, não expeçam vocês
Exemplos:
Meça melhor as palavras para fazer a sustentação oral. O tom foi
muito pesado.
Por favor, reexpeçam os ofícios aos cartórios.
Diariamente, impeço pessoas de serem executadas indevidamente.
VERBOS ARGUIR E REDARGUIR
Presente do indicativo: eu arguo, tu arguis, ele argui, nós arguimos,
vós arguis, eles arguem
Pretérito perfeito do indicativo: eu arguí, tu arguíste, ele arguiu, nós
arguímos, vós arguistes, eles arguíram
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Presente do subjuntivo: que eu argua, que tu arguas, que ele argua,
que nós arguamos, que vós arguais que eles arguam
Futuro do subjuntivo: quando eu arguir, quando tu arguíres, quando
ele arguir, quando nós arguirmos, quando vós arguirdes, quando eles
arguírem
Imperativo afirmativo: argui tu, argua você, arguamos nós, arguí vós,
arguam vocês
Exemplos:
Espero sinceramente que ele não redargua as acusações que
fizemos, pois há provas de tudo.
Para que nós arguamos com mais segurança, precisamos estudar o
assunto profundamente.
No momento em que eles arguírem inocência, mostrarei a filmagem
feita no prédio.
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