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Conjugação Verbal em Português

Este documento discute as características gramaticais do verbo em português. Em 3 frases: 1) Define verbo como uma classe gramatical que expressa ação, estado ou fenômeno e que flexiona de acordo com modo, tempo, número e pessoa; 2) Explica que os modos verbais são indicativo, subjuntivo e imperativo, e cada um expressa uma atitude diferente em relação ao fato enunciado; 3) Apresenta os tempos verbais naturais como passado, presente e futuro, e como a flexão

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Conjugação Verbal em Português

Este documento discute as características gramaticais do verbo em português. Em 3 frases: 1) Define verbo como uma classe gramatical que expressa ação, estado ou fenômeno e que flexiona de acordo com modo, tempo, número e pessoa; 2) Explica que os modos verbais são indicativo, subjuntivo e imperativo, e cada um expressa uma atitude diferente em relação ao fato enunciado; 3) Apresenta os tempos verbais naturais como passado, presente e futuro, e como a flexão

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AU L A 6

VERBO
Verbo
A palavra “verbo” advém do latim “verbu(m)” e significava

originalmente “palavra”. Dela, advêm cognatos como “verborragia”,

“averbar”, “verboso”, “verbete”, “verve” etc.

Partindo-se desse sentido amplo é que se compreende o começo

do evangelho de São João:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo

era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas

por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida

era a luz dos homens. (João, 1:1-5)

Deus, portanto, era o próprio Verbo, a palavra, a linguagem, a razão.

Em grego: o logos.

Apenas com o passar do tempo, seu conceito passou a ser mais

restrito. Verbo, linguisticamente, é a classe gramatical que designa ação

ou processo, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. Ele

trabalha essencialmente dentro de uma perspectiva temporal e pode ser

conjugado. Veja:

Choveu ontem pela manhã. (fenômeno da natureza, passado)

A sua intelectualidade, tal como seu corpo, desabrochara

(processo, passado) inesperadamente, atingindo de súbito, em pleno

desenvolvimento, uma lucidez que a deliciava e surpreendia (ação,

passado). Não a comovera tanto a revolução física. Como que naquele

instante o mundo inteiro se despia à sua vista, de improviso esclarecida,

patenteando-lhe todos os segredos de suas paixões. [...] Sorriu. E no seu

sorriso já havia garras.

(Aluísio Azevedo, O Cortiço)

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Vou-me embora pra Pasárgada (ação, presente)

Lá sou amigo do rei (estado, presente)

Lá tenho a mulher que eu quero (presente; posse e volição)

Na cama que escolherei (ação, futuro)

(Manuel Bandeira, Vou-me embora para Pasárgada)

A definição tradicional, no entanto, deixa escapar outras funções

semânticas do verbo, como existência, conveniência, necessidade,

passividade etc. Veja:

Quero ganhar a aposta. (desejo/volição)

Preciso ganhar a aposta. (necessidade)

Ele sofreu um derrame. (passividade)

Convém que eles cheguem a tempo. (conveniência)

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos. (existência)

(Carlos Drummond, Poema de Sete Faces)

O verbo, quando no infinitivo, termina em -ar (dizemos que é de

primeira conjugação), -er (dizemos que é de segunda conjugação) e -ir


(dizemos que é de terceira conjugação): cantar, beber e partir ilustram

esses finais. O infinitivo é a única forma verbal que não apresenta nenhuma

noção temporal.

Obs.: Há ainda verbos terminados em -or, todos derivados do verbo

“pôr”. “Pôr” é, por sua vez, de segunda conjugação, advindo do latim

“poner(e)”.

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Verbo é uma classe gramatical que flexiona bastante, ou seja, varia

muito sua estrutura. Estudemos inicialmente as flexões de modo, tempo,

número e pessoa.

Flexão de modo
O modo é a maneira pela qual o verbo indica a atitude da pessoa

que fala quanto ao fato que enuncia.

São três os modos: indicativo, subjuntivo e imperativo.

O modo indicativo é a expressão categórica, definida, real do juízo,

seja este negativo, afirmativo ou interrogativo. Ele está ligado à constatação

da realidade de um fato. Exemplo:

(O Globo)

Veja como “aponta” e “é” são verbos que indicam um fato

devidamente constatado.

Mesmo que se perguntasse algo como “O documento do Coaf

aponta transferências do dono da Precisa para o ex-diretor da Petros?”, o

indivíduo que pergunta estaria atrás de obter resposta quanto a um fato

categórico e definido.

O modo imperativo, por sua vez, expressa, como o próprio nome

diz, império (mando, comando). Pode, ainda, indicar exortação, pedido ou

súplica. Exemplo:

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Prêmio Faz Diferença: Conheça os indicados em 14 categorias e

vote aqui. (Jornal O Globo)

[...] Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos, Versos Íntimos)

Semanticamente, pode ocorrer de o verbo não aparecer no modo


imperativo, mas, ainda assim, exprimir seu valor. São formas supletivas do

imperativo. Veja:

6º mandamento: Não matarás. (verbo no futuro do presente

indicando ordem)

Passar bem! (Verbo no infinitivo indicando desejo.)

Todo mundo caminhando! Caminhando! (Verbo no gerúndio

indicando ordem.)

Amar a Deus sobre todas as coisas. (Verbo no infinitivo exprimindo

uma prescrição de cunho religioso.)

O modo subjuntivo indica que o verbo não tem sentido caso não

venha subordinado a outro verbo, do qual será dependente para perfeita

compreensão. Ou seja, “subjuntivo” tem esse nome porque expressa o

modo de um verbo que se subjuga a outro.

Em termos de sentido, expressa possibilidade, dúvida,

indeterminação. Veja a diferença:

Sei que ele faz terapia. (“Faz” expressa uma constatação da realidade.

Trata-se de modo indicativo.)

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Espero que ele faça terapia. (“Faça” reforça um desejo de algo que

pode vir a se concretizar ou não. Daí ser o modo subjuntivo também

conhecido como modo da possibilidade.)

Em orações adjetivas e substantivas (as quais estudaremos com

profundidade mais à frente, mas que já podem ser intuídas desde já), o

subjuntivo muda o sentido das estruturas:

Entendo que a conduta é caso de expulsão. (Percepção certa, o fato

propende para a realização.)

Entendo que a conduta seja caso de expulsão. (Percepção duvidosa,

expressa suposição.)

Não conheço quem costura este tipo de roupa. (Fato certo: há pessoas

que costuram, mas eu não as conheço.)

Não conheço quem costure este tipo de roupa. (Fato duvidoso: talvez

nem existam pessoas que costurem o tipo de roupa em questão.)

Bendito seja o mesmo sol de outras terras que faz meus irmãos

todos homens. (Fernando Pessoa) (Fato certo: o sol de outras terras

indubitavelmente faz os irmãos todos homens.)

Art. 30 [...] § 1º Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não

puder prestar a garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se

os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de

outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa garantia. (Código

Civil) (Fato possível: indica condição para que algo ocorra.)

Observação: “Andam por aí a construir ‘Você quer que eu faço’,

‘Você quer que eu vou?’ – o que jamais devemos tolerar, a menos que

desejemos conspurcar o nosso idioma de uma vez para sempre. É de rigor

em português o emprego do subjuntivo nas orações que se subordinam a

verbos que indicam desejo, vontade (verba voluntatis): ele aconselha que

eu vá (aconselhava que eu fosse), ele admite que eu vá (admitiu que eu

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tivesse ido), ele concede que eu vá (teria concedido que eu tivesse ido),

consinto que padeçam (consenti que padecessem), convenho que ele seja

bom (convim que ele fosse bom), ele deixa que eu venda (deixava que eu

vendesse), ele deseja que eu fique (desejaria que eu ficasse) [...]”. (Napoleão

Mendes de Almeida)

Há ainda outros casos de emprego do modo subjuntivo, sobre

os quais se falará mais à frente, quando forem estudadas orações

subordinadas.

Flexão de tempo
É a flexão que visa a indicar o tempo, a época em que se realiza

o fato expresso pelo verbo em relação ao momento da fala. Ela reflete a

capacidade do ser humano de criar uma linha do discurso, situando o

verbo no tempo.

São três os tempos verbais naturais: passado, presente e futuro.

Quando se flexiona um verbo no tempo, é impossível não lhe notar também

o modo verbal. É por isso que sempre se diz, por exemplo, “presente do

subjuntivo”, “futuro do indicativo”, “pretérito imperfeito do subjuntivo” etc.,

ou seja, há sempre a percepção de um tempo atrelada à percepção de um

modo.

A tabela abaixo conjuga o verbo “estudar” na primeira pessoa do

singular (eu), em tempos e modos diferentes. Compare:

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Mais à frente, falaremos sobre a formação dos tempos verbais.

Flexão de número
É a variação que ocorrer para expressar singular ou plural. O verbo

está no singular quando se refere a uma só pessoa ou coisa e, no plural,

quando a mais de uma pessoa ou coisa.

Singular: estudo, estudas, estuda

Plural: estudamos, estudais, estudam

Flexão de pessoa
É a variação que ocorre em função das pessoas gramaticais do

sujeito:

Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam

Como se pode notar, as flexões de número e pessoa caminham

juntas. Ao dizer “amas”, sabe-se, pela letra -s, que o verbo está na 2ª pessoa

do singular.

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As desinências número-pessoais e modo-temporais registram as

flexões do verbo, embora elas nem sempre estejam presentes. A título de

curiosidade, analise a estrutura de alguns verbos:

Era como se, na alma da cidade,

Profundamente lúbrica e revolta,

Mostrando as carnes, uma besta solta

Soltasse o berro da animalidade.

(Augusto dos Anjos, As cismas do destino)

Em soltasse, solt é radical, a é vogal temática (o verbo “soltar” é de 1ª

conjugação), sse é desinência modo-temporal (indica que o verbo está no

pretérito imperfeito [tempo] do subjuntivo [modo]).

Comeremos do mesmo pão?

Em comeremos, com é radical, e é vogal temática (o verbo “comer”

é de segunda conjugação), re é desinência modo-temporal (indica que

o verbo está no futuro do modo indicativo) e mos é desinência número-

pessoal (indica que o verbo se refere à primeira pessoa do plural).

As desinências nem sempre estão presentes. Veja:

Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

(Carlos Drummond de Andrade, As sem-razões do amor)

Em “amo”, o am é o radical, o o é desinência número-pessoal (indica

que se trata da primeira pessoa do singular: eu). Note que não aparecem a

vogal temática nem a desinência modo-temporal.

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Formas nominais
Chamam-se formas nominais o infinitivo, o gerúndio e o particípio.

São assim chamadas porque se comportam como nomes em certos

contextos, quando desempenham funções próprias do substantivo, do

adjetivo ou do advérbio.

O infinitivo (terminações -ar, - er, -ir, -or) expressa o conteúdo do

verbo em sua potência; muitas vezes, seu conteúdo aproxima-se do de um

substantivo. É nessa forma “crua”, de indeterminação e generalidade, que

os verbos aparecem nos dicionários.

Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim

não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrámo-nos navegando,


sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim,

na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas: navegar é

preciso, viver não é preciso. (Fernando Pessoa)

O gerúndio (terminação -ndo) expressa o processo verbal em curso.

Ele exerce seu valor de verbo em locuções verbais e nas orações reduzidas.

Além disso, pode desempenhar tanto função de adjetivo como de advérbio.

Serviu-me água fervendo.

[...]

É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

[...]

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!

[...]

Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.

(Cecília Meireles)

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– Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. [...]

Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém

tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:

– Você é um bicho, Fabiano.

(Vidas Secas, Graciliano Ramos)

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

(“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.

Fernando Pessoa)

Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de

ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver,

só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra – como se antes eu

tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

(Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.)

Litania

Nunca nos realizamos.

Somos dois abismos – um poço fitando o céu. (Fernando Pessoa)

O particípio (terminação em -do, normalmente), por sua vez,

apresenta o resultado do processo verbal quando indica ação praticada

por alguém. Porém, funciona como adjetivo, quando caracterizador de

substantivo, e, por vezes, como o próprio substantivo.

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O bem que não chegou a ser possuído,

Perdido causa tanto sentimento,

Que, faltando-lhe a causa do tormento,

Faz ser maior tormento o padecido.

Sentir o bem logrado, e já perdido,

Mágoa será do próprio entendimento;

Porém, o bem que perde um pensamento

Não deixa a outro bem restituído.

[...]

(Gregório de Matos, Obra Poética. Defende-se o bem que se

perdeu.)

Amar o perdido

deixa confundido

este coração.

(Memória, Carlos Drummond)

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...

(“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro.

Fernando Pessoa)

São onze horas da manhã no Brasil. É agora. Trata-se

exatamente de agora. Agora é o tempo inchado até os limites. Onze

horas não têm profundidade. Onze horas está cheio das onze horas até

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as bordas do copo verde. O tempo freme como um balão parado. O ar

fertilizado e arfante. (Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.)

Ave Maria, cheia de graça,

o Senhor é convosco,

bendita sois vós entre as mulheres

e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

(Ave Maria, oração cristã)

Só que não nos falávamos mais. Ela era mais digna do que eu

havia pensado: conseguido o dinheiro, nada mais quis me contar. E nem


eu pude mais fazer festas ao menino vestido de menina. Pois qualquer

agrado seria agora de meu direito: eu o havia pago de antemão.

(Clarice Lispector, As caridades odiosas)

E eu te farei as vontades

Direi meias verdades sempre à meia luz

E te farei, vaidoso, supor

Que és o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte

Não conta até vinte, te afasta de mim

Pois já não vales nada, és página virada

Descartada do meu folhetim

(Folhetim, Chico Buarque)

Achei que ele já tivesse comprado o jantar.

Feito o jantar, teremos apenas de arrumar a mesa. (= Quando o

jantar for feito)

O edifício foi construído pela empresa de meu avô.

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Inúmeras são as considerações pertinentes às formas nominais do

verbo, as quais este material não pretende esgotar. Eis um assunto que

merece incursão destemida nas folhas de gramáticas normativas.

De toda forma, seguem observações importantes e úteis a respeito

delas:

1) É necessário tomar cuidado com o gerundismo

O gerúndio, como visto, expressa, por via de regra, continuidade no

tempo. Comumente, no entanto, usa-se essa forma nominal, ao lado do

verbo “ir” e do verbo “estar”, em construções que exprimem atos pontuais,

incompatíveis com a noção continuativa de gerúndio. Por exemplo:

Pela manhã, eu vou estar ligando para o médico e marcando

minha consulta.

Você pode estar me passando seus dados, por favor?

Note-se que as ações de ligar, passar e marcar são pontuais, não se

desdobram no tempo, de maneira que sua melhor escrita seria:

Pela manhã, ligarei para o médico e marcarei minha consulta.

Você pode me passar seus dados, por favor?

A provável razão do gerundismo na língua portuguesa é a má

correspondência com o inglês. Uma frase como “I´ll be sending the

curriculum soon” costuma ser traduzida literalmente na forma: “Vou estar

mandando o currículo brevemente”, quando deveria ser “Vou mandar (ou

mandarei) o currículo brevemente”.

2) Mesmo que bem empregado, o excesso de gerúndio deixa o

texto pesado e arrastado. Por exemplo:

O homem desacelerou seu passo, caminhando lentamente,

percebendo o barulho que o cercava, fazendo a criança que estava a seu

lado assustar-se, chorando muito, claramente a fim de ser carregada no

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colo pelo homem, esperando proteção.

Agora compare:

O homem desacelerou seu passo, caminhando lentamente ao

perceber o barulho que o cercava. Isso fez a criança que estava a seu lado

assustar-se e chorar muito. Claramente, ela esperava ser carregada no colo

pelo homem para se sentir protegida.

Note como a reestruturação das frases faz com que fiquem mais

leves e menos cansativas.

3) Não se confunde o infinitivo com o futuro do subjuntivo. O

futuro do subjuntivo é um tempo verbal; o infinitivo, uma forma nominal. É

bem verdade que com frequência coincidem formalmente, mas, como já

se disse, o emprego de um verbo irregular esclarece a dúvida. Analise:

Quando ele chegar, estarei pronta.

Seria “chegar” infinitivo ou flexão no futuro do subjuntivo? Para tirar

a prova, basta usar um verbo irregular no lugar:

Quando ele vier aqui/propuser o acordo/vir o filme/fizer o dever etc.

Nota-se, portanto, que os verbos irregulares usados claramente não

têm coincidência no infinitivo, de maneira que, pode-se concluir, trata-se de

verbos flexionados no futuro do subjuntivo, assim como o verbo “chegar”.

Agora veja:

Chegar atrasado não é algo que eu goste de fazer.

Substituindo por verbos irregulares, perceba como eles de fato estão

no infinitivo:

Vir ao teatro não é algo que eu goste de fazer/Propor um acordo não

é algo que eu goste de fazer/Ver um filme não é algo que eu goste de fazer.

4) O infinitivo pode ser pessoal ou impessoal. Será impessoal

quando estiver em seu máximo de generalização, não se referindo a um

sujeito especialmente. Será pessoal quando estiver ligado a um sujeito.

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Analise:

Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida:

Viver é lutar.

A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos

Só pode exaltar.

(Gonçalves Dias, Canção do Tamoio)

No excerto acima, por exemplo, “viver” e “lutar” são infinitivos

impessoais, uma vez que se referem ao ato em si, sem atribuí-lo a alguém

especial. Já “exaltar”, por sua vez, faz parte da locução verbal “pode exaltar”.

Em casos assim, apenas o verbo auxiliar (“pode”, no caso) se flexiona

quando necessário. O infinitivo permanece não flexionado. Exemplo: Os

presentes podem fazer o teste em dupla.

O fato de um milhão de pessoas participarem dos mesmos

vícios não os transforma em virtudes. (Gustavo Corção)

Na passagem de Corção, o infinitivo “participarem” refere-se a

“pessoas”. O infinitivo se flexiona normalmente se houver sujeito que assim

exija. Veja as desinências número-pessoais em destaque.

Comprei o chá para eu beber.

Comprei o chá para tu beberes.

Comprei o chá para ele beber.

Comprei o chá para nós bebermos.

Comprei o chá para vós beberdes.

Comprei o chá para eles beberem.

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5) Muito comuns são as dúvidas envolvendo infinitivo flexionado

ou não. Por exemplo: Eles se esforçaram para entender a matéria ou para

entenderem a matéria?

A questão não é simples. As gramáticas comumente divergem entre

si ou dão dupla possibilidade de uso, a depender do contexto.

A propósito do assunto, Napoleão Mendes de Almeida, sempre crítico

severo dos problemas linguísticos injustificados, assevera:

Por que dizer “A tendência dos modernos estudiosos da língua é

reconhecer que não há regras fixas e definidas a propósito do assunto?”

Ora, sejamos mais sinceros e digamos: A conjugação do infinitivo é a

maior prova de putrefação do nosso idioma ou, para maior suavidade,

é consequência de confusão com o futuro do subjuntivo ou, ainda mais

delicadamente, é resultante necessária da falta de escolas. Se em

nenhum idioma provindo do latim o infinitivo é conjugado, como dizer

que precisamos conjugar o infinitivo no nosso?

Fazendo-se o cotejo de várias gramáticas normativas, é razoável

depreender o que se segue.

Flexiona-se o infinitivo:

1) Quando o sujeito estiver claramente expresso:

Estranho é nós não fazermos barulho quando nosso time vence.

Até tu fazeres trinta anos, moraremos aqui.

2) Quando o sujeito não está expresso, mas se quer dar a

conhecê-lo pela desinência.

É hora de começarmos os trabalhos.

Necessário se faz introduzires o assunto logo.

Caso se escrevesse “começar” e “introduzir”, não se saberia se essas

ações seriam referentes a alguém especificamente. Ao pessoalizar o

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infinitivo por meio das desinências, sabemos a quem ele se refere.

3) Quando a frase tem verbos com sujeitos diferentes:

Falei sobre o desejo de almoçarmos fora.

Repare como o sujeito de “falar” é “eu”, mas o de “almoçarmos” é

“nós”.

Se o sujeito for o mesmo, a flexão do infinitivo é desnecessária,

embora seja possível. Abaixo, “nós” é sujeito tanto de “falamos” (nós falamos)

como de “almoçar” (nós almoçarmos):

Falamos sobre o desejo de almoçar/almoçarmos fora.

Não se flexiona o infinitivo:

1) Nas locuções verbais:

Vamos passar o dia aqui.

Os moços começaram a dançar.

2) Quando o sujeito do infinitivo é um pronome oblíquo átono ou

um substantivo e há verbos sensitivos (ver, ouvir, sentir e semelhantes) ou

causativos (mandar, deixar, fazer e semelhantes). São as famosas orações

infinitivo-latinas:

Não nos deixeis cair em tentação. (Pai Nosso, oração cristã)

Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as

impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a

elas”. (Matheus, 19:14)

Observação: Quando o substantivo sujeito do infinitivo é plural,

admite-se a flexão em prol da clareza (embora a contragosto do professor

Napoleão):

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Vi os navios que partiam desaparecer/desaparecerem no

horizonte.

Senti suas mãos roçar/roçarem as minhas.

Vi teus vestidos brilharem [brilhar]

sem qualquer clarão do dia. (Cecília Meireles)

Como se pode perceber, trata-se de questão melindrosa, que

comporta certa liberdade em prol da clareza textual. Casos nada raros

como “Os leitores têm possibilidade de consultar/consultarem o dicionário”

podem causar dúvida, e a melhor diretriz para saná-los deve ser a clareza.

Não sendo a flexão do infinitivo útil à clareza, melhor deixá-lo não flexionado

(Os leitores têm possibilidade de consultar o dicionário).

A respeito do assunto, assevera Celso Cunha, citando Said Ali: “Como

vemos, ‘a escolha da forma infinitiva depende de cogitarmos somente da

ação ou do intuito ou necessidade de pormos em evidência o agente da

ação’ (Said Ali). No primeiro caso, preferimos o infinitivo não flexionado;

no segundo, o flexionado. Trata-se, pois, de um emprego seletivo, mais do

terreno da estilística do que, propriamente, da gramática”.

Lúcida é a conclusão do mestre Napoleão Mendes, que resume

praticamente tudo o que se estudou:

Não flexionemos o infinitivo quando nenhuma necessidade virmos

de o conjugar: “Prepararam-se para MORRER”, “Precisávamos cavar o

chão para OBTER água”, “Cometemos tais atrocidades para AGRADAR

aos chefes”, “Obrigando-os por via de tormento a RESTITUIR” aquilo que

tinham ocupado”, “Convidam os homens a PERSEVERAR”, “Não temos

tempo nem papel para TRATAR do assunto”, “A linguagem é o meio de

que dispomos para, através das palavras, EXPRIMIR o nosso pensamento”.

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Locução verbal
Locução ou perífrase verbal é, nas palavras do professor Fernando

Pestana, “um grupo de verbos que geralmente tem uma só unidade de

sentido, como se fosse um só verbo. Ela é formada por verbo(s) auxiliar(es) +

verbo principal (o principal é sempre o último da locução, aparecendo nas

formas de infinitivo, gerúndio ou particípio)”. É o principal que carrega o

significado fundamental da locução. Veja:

Vou ir à sua casa hoje.

Sorria! Você está sendo filmado.

A dívida deve começar a ser paga antes que sejas preso.

O professor ficou rodeado de alunos.

Se o paciente não tivesse se atrasado, eu teria chegado a tempo.

Pedro disse que tinha tido um sonho estranho.

Continue a estudar. Continue estudando.

Acabei de deixar o copo sobre a mesa.

Há de haver quem resolva isto.

“Lamento não ter podido dar aos humildes tudo o que eu

desejava.” (Getúlio Vargas)

Observação: Como se pode perceber pelas frases “Acabei de deixar

[...]” e “Continue a estudar”, o verbo auxiliar às vezes se liga ao principal por

meio de uma preposição.

Inúmeras são as considerações pertinentes à formação da locução

verbal; nem sempre é fácil identificar se o que há é uma locução verbal

ou são verbos “autônomos” colocados lado a lado. É interessante notar

como o verbo auxiliar (ou os verbos auxiliares) pode ter funções diversas:

auxiliares de aspecto (acurativos), auxiliares de modo (modais) etc. A

respeito do assunto, leia o material complementar, que traz as minuciosas

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considerações do professor Fernando Pestana sobre o assunto.

Vozes verbais
A voz verbal é a forma em que o verbo (ou locução verbal) de ação se

mostra ao indicar se o sujeito pratica e/ou sofre a ação verbal. Para que se

fale em voz verbal, portanto, é preciso que 1) estejamos diante de um verbo

de ação; 2) o verbo em questão tenha sujeito.

Voz ativa
Ocorre quando a forma do verbo ou da locução verbal indica uma

ação praticada pelo sujeito. Fala-se, então, em sujeito agente:

Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e

fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro e lhe entram n’alma.

O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente,

vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do

guerreiro. Já o estrangeiro a preme ao seio; e o lábio ávido busca o lábio

que o espera, para celebrar nesse ádito d’alma o himeneu do amor. (José

de Alencar, Iracema)

Fulano resolveu tomar uma atitude.

Tive de sair da sala correndo.

A comunidade já havia/tinha programado a festa, quando a chuva

caiu.

Observação: Embora haja divergência, para a maior parte dos

gramáticos, não há voz ativa quando o conteúdo semântico do verbo indica

passividade, como em: levou um soco, sofreu um acidente, recebeu uma

proposta etc. Evanildo Bechara, no entanto, diz que esse argumento faz

confundir voz passiva com verbo de sentido passivo (passividade).

21
E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Pondera a professora Amini Hauy: “Não têm flexão de voz, portanto,

os verbos impessoais e os de ligação; aqueles [impessoais] porque não têm

sujeito, e estes [de ligação], porque não indicam ação (indicam estado).

Também não indicam ação, por exemplo, sofrer, merecer, receber, ganhar”.

Assim, por exemplo, uma construção como a seguinte, presente na

primeira frase, não está na voz ativa:

– Estrangeiro, Iracema não pode ser tua serva. É ela quem

guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para

o Pajé a bebida de Tupã. (José de Alencar, Iracema)

Nas duas outras frases, “guarda” e “fabrica” estão na voz ativa, pois

expressam uma ação.

Voz passiva
Ocorre quando a forma do verbo ou da locução verbal indica que o

sujeito sofre a ação verbal. Fala-se, então, em sujeito paciente.

Ela pode se construir de duas maneiras:

1) Voz passiva analítica: ocorre com o verbo auxiliar de passiva (ser

- passiva de ação, estar -passiva de estado, ficar – passiva de mudança de

estado) + particípio. O agente da passiva pode estar presente ou não.

Eu estou profundamente tocada.

Eu estou profundamente tocada por esta música.

Eu sempre fico profundamente tocada por esta música.

Estava a Terra em montes, revestida

De verdes ervas e árvores floridas,

Dando pasto diverso e dando vida

Às alimárias nela produzidas.

A clara forma ali estava esculpida

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Das Águas, entre a terra desparzidas,

De pescados criando vários modos,

Com seu humor mantendo os corpos todos.

(Os Lusíadas, Luís de Camões, Canto Sexto)

Pensei que a casa havia sido invadida pelos ladrões.

Observações:

- Repare a diferença das duas estruturas abaixo.

A sala é apertada.

A mão da mãe é apertada com força pelo filho.

No primeiro caso, “apertada” é apenas um adjetivo que expressa

uma qualidade da sala. No segundo, “apertada” faz parte de uma locução

verbal (é apertada) que indica voz passiva, uma vez que a mão da mãe está

sofrendo a ação de ser apertada.

- Analise a passagem abaixo, percebendo como, embora

aparentemente semelhantes, as locuções verbais destacadas estão em

vozes diferentes.

Mais tarde um pouco, cerca de um ano depois, o padre viria sem

ser pelo órgão e, mais tarde ainda, eu poderia desmontar o instrumento

porque dois ou três anos de trabalhos árduos tinham encontrado razão de


ser em um só minuto, tinham sido superambundantemente resgatados

com um pedaço de pão.

(Gustavo Corção, A descoberta do outro)

2) Voz passiva sintética: verbo transitivo direto ou direto e indireto

na 3ª pessoa do singular ou do plural seguido do pronome “se” apassivador.

Intimaram-se as testemunhas.

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Iniciou-se o trabalho com devoção.

Estudaremos a voz passiva sintética com mais profundidade em

análise sintática, quando falarmos de tipos de sujeito e de concordância

verbal. Por ora, importa-nos mais reconhecer aquilo que efetivamente

caracteriza a voz passiva em geral.

Voz reflexiva
Ocorre quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente da

ação. Sua ocorrência se dá com o auxílio de um pronome reflexivo. Veja:

Nós nos prejudicamos quando fazemos algo assim.

Ela se maquiou com cuidado.

Tu te enxergas neste espelho?

Um bom jeito de analisar a presença da voz reflexiva é averiguar a

possibilidade de acrescer “a mim mesmo”, “a ti mesmo”, “a nós mesmos”, “a

si mesmos” etc.

Note que, nos casos acima, seria possível que a ação recaísse sobre

outra pessoa (é possível prejudicar outrem, por exemplo), mas recai sobre

o sujeito.

Note, ainda, que a conjugação do verbo na voz reflexiva é sempre

acompanhada de pronome também reflexivo.

No poema de Gonçalves Dias, tal comportamento do verbo “banhar”

fica claro.

O CANTO DO ÍNDIO

Quando o sol vai dentro d’água

Seus ardores sepultar,

Quando os pássaros nos bosques

Principiam a trinar;

Eu a vi, que se banhava...

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Era bela, ó Deuses, bela,

Como a fonte cristalina,

Como luz de meiga estrela.

[...]

(DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos.)

Atenção!

Não basta que se possa empregar “a mim mesmo” e outras formas

semelhantes para que seja voz reflexiva. É preciso que o sujeito seja agente

e paciente da ação. Na passagem abaixo, por exemplo, isso não ocorre:

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me


é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma

terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia

de mim um tripé estável. (Clarice Lispector, A paixão segundo G.H.)

Nem mesmo se pode falar em “voz” na passagem acima, já que o

verbo “ser” não expressa uma ação.

A voz reflexiva pode ser recíproca, o que ocorre quando há dois ou

mais seres praticando a mesma ação verbal um ao outro.

Abraçaram-se longamente.

Feriram-se com armas brancas.

Note como, fora de contexto, as frases anteriores podem ser ambíguas,

daí se poder usar uma estrutura de reforço, como:

Feriram-se a si mesmos com armas brancas (ou simplesmente

Feriram a si mesmos).

Feriram-se uns aos outros com armas brancas (ou simplesmente

Feriram uns aos outros com armas brancas).

Abraçaram-se a si mesmos longamente. (ou simplesmente

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Abraçaram a si mesmos.)

Feriram um ao outro com armas brancas. (ou simplesmente

Feriram um ao outro.)

Verbos pronominais
Essencialmente pronominais são aqueles verbos que sempre

aparecem acompanhados de um pronome oblíquo átono em sua

conjugação, o qual constitui parte integrante do verbo e não expressa

necessariamente ação reflexiva. É como se o pronome fosse parte do radical

do verbo.

Alguns essencialmente pronominais: arrepender-se, atrever-se,

candidatar-se, dignar-se, engalfinhar-se, esforçar-se, persignar-se,

queixar-se, refugiar-se, suicidar-se, tornar-se, abster-se, apaixonar-se etc.

Não se diz, por exemplo, que alguém “tornou” professor, mas, sim,

que “se tornou” professor. Veja:

Queixei-me de dor quando ele pisou meu pé.

Apaixonaram-se pela matéria.

Nós nos esforçamos para obter bons resultados.

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade, Quadrilha)

Vários verbos, por sua vez, são acidentalmente pronominais, ou seja,

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podem ser conjugados eventualmente com pronomes oblíquos átonos.

Exemplos: concentrar-se, enganar-se, sentar-se, vacinar-se, alegrar-se,

apoderar-se etc. Os exemplos abaixo são do dicionário Michaelis:

O povoado alegra o vale. A fé alegra e conforta. Alegrou-se com a

volta do filho.

Engana-se de propósito por não suportar a realidade. Não quer

enfrentar os fatos e só faz enganar.

O homem não podia sentar devido ao ferimento. A criança preferiu

sentar-se a ficar no colo da mãe. Enfim, a filha conseguiu sentar a mãe

já idosa.

Veja a diferença no emprego do verbo nos cartazes a seguir:

Formação do imperativo e uniformidade de tratamento


Uma das mais extensas e extenuantes partes do estudo verbal é
a formação dos tempos verbais. Por absoluta ausência de tempo hábil,

este material (este curso) não tratará do assunto, mas disponibilizaremos

material extra de autoria do professor Fernando Pestana para aqueles que

quiserem estudar mais a fundo.

De toda forma, não podemos nos furtar de dois pontos fundamentais:

a formação do imperativo e a uniformidade de tratamento das pessoas do

discurso.

É muito comum que o falante se pergunte cotidianamente se

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o correto é “arraste para cima” ou “arrasta para cima”, “siga os sinais” ou

“segue os sinais”, “faça o exercício” ou “faz o exercício”, “não começa” ou

“não comece” etc. Essas dúvidas são todas relativas ao emprego do modo

imperativo.

Há dois tipos de imperativo: o afirmativo e o negativo. O primeiro

expressa uma ordem, sugestão, conselho de caráter positivo; e o segundo, a

mesma coisa, mas de caráter negativo.

Para construir os imperativos e o presente do subjuntivo, parte-se do

presente do indicativo, chamado de tempo primitivo.

Veja o presente do indicativo dos verbos “voltar” (1ª conjugação),

“correr” (2ª conjugação) e “partir” (3ª conjugação):

Presente do indicativo
Eu volto
Tu voltas
Ele volta
Nós voltamos
Vós voltais
Eles voltam

Presente do indicativo
Eu corro
Tu corres
Ele corre
Nós corremos
Vós correis
Eles correm

Presente do indicativo
Eu parto
Tu partes
Ele parte
Nós partimos
Vós partis
Eles partem

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Em sequência, constrói-se o presente do subjuntivo, o que ocorre da

seguinte maneira:

Nos verbos de 1ª conjugação, trabalha-se com o final -e:

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu volto Que eu volte
Tu voltas Que tu voltes
Ele volta Que ele volte
Nós voltamos Que nós
voltemos
Vós voltais Que vós volteis
Eles voltam Que eles voltem

Nos verbos de 2ª conjugação, trabalha-se com final -a:

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu corro Que eu corra
Tu corres Que tu corras
Ele corre Que ele corra
Nós corremos Que nós
corramos
Vós correis Que vós corrais
Eles correm Que eles corram

Nos verbos de 3ª conjugação, trabalha-se com final -a:

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu parto Que eu parta
Tu partes Que tu partas
Ele parte Que ele parta
Nós partimos Que nós
partamos
Vós partis Que vós partais
Eles partem Que eles partam

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Para a construção do imperativo afirmativo, basta retirar-se o -s das

segundas pessoas (tu e vós) do presente do indicativo e copiar as demais

pessoas do presente do subjuntivo. Não há primeira pessoa no imperativo

pela simples impossibilidade de se dar uma ordem a si mesmo.

Para a construção do imperativo negativo de todas as conjugações,

basta copiar todo o presente do subjuntivo.

Nas terceiras pessoas dos imperativos, trocam-se o “ele” por “você”

e o “eles” por “vocês”. Como já se viu em outro momento, a conjugação

dos pronomes de tratamento (inclusive “você”) é idêntica à das terceiras

pessoas.

Por mera questão didática, escrevem-se os pronomes após o verbo


nos imperativos.

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu volto --- Que eu volte ---
Tu voltas (-s) Volta tu Que tu voltes Não voltes tu
Ele volta Volte você Que ele volte Não volte você
Nós voltamos Voltemos nós Que nós voltemos Não voltemos nós
Vós voltais (-s) Voltai vós Que vós volteis Não volteis vós
Eles voltam Voltem vocês Que eles voltem Não voltem vocês

Presente do Imperativo Presente do Imperativo


indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu corro --- Que eu corra ---
Tu corres (-s) Corre tu Que tu corras Não corras tu
Ele corre Corra você Que ele corra Não corra você
Nós corremos Corramos nós Que nós corramos Não corramos nós
Vós correis (-s) Correi vós Que vós corrais Não corrais vós
Eles correm Corram vocês Que eles corram Não corram vocês

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Presente do Imperativo Presente do Imperativo
indicativo afirmativo subjuntivo negativo
Eu parto --- Que eu parta ---
Tu partes (-s) Parte tu Que tu partas Não partas tu
Ele parte Parta você Que ele parta Não parta você
Nós partimos Partamos nós Que nós partamos Não partamos nós
Vós partis (-s) Parti vós Que vós partais Não partais vós
Eles partem Partam vocês Que eles partam Não partam vocês

Compreendendo-se essa formação, fica fácil perceber que uma frase

como “Corre! Você está atrasado!” mistura 2ª e 3ª pessoas: enquanto se está

chamando a pessoa por “você”, está-se usando o imperativo “corre”, que é

para “tu”. Procedendo-se à uniformização, tem-se:

Corra! Você está atrasado!

Corre! Tu estás atrasado!

Vejamos mais alguns exemplos com falta de uniformidade:

Você bebeu pouca água; bebe mais!

Não se precipita ou vai acabar se arrependendo!

Procedendo-se à uniformização:

Você bebeu pouca água; beba mais! Ou Tu bebeste pouca água;

bebe mais!

Não se precipite ou vai acabar se arrependendo! Ou Não te precipites

ou vais acabar te arrependendo!

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Venha para a Caixa você também! Ou Vem para a Caixa tu também!

Aproveitando-se a construção da tabela anterior, vale a pena ressaltar

que o emprego do subjuntivo também é frequentemente feito de forma

errada.

O subjuntivo aparece, por via de regra, em orações subordinadas

(estudaremos mais adiante, em sintaxe), e orações optativas. Veja:

Que Deus te guie!

Espero que não aconteça algo sério.

É fundamental que se tomem medidas urgentemente.

É comum que se diga erradamente “Quer que eu faço isto para


você?” em vez de “Quer que eu faça isto para você?”. Note que, no caso,

a oração “que eu faça isto para você” é subordinada à oração “Quer”. Veja

outros exemplos:

Você precisa que eu compro o almoço? (Corrigindo: que eu compre)

Necessitamos que ele corta a grama para nós. (Corrigindo: que ele

corte)

Classificação dos verbos


Quanto a suas características morfossintáticas, os verbos podem

ser classificados como regulares, irregulares, anômalos, defectivos e

abundantes.

a) Regulares são aqueles que seguem um paradigma, ou seja, um

modelo, de conjugação. Por exemplo: o pretérito imperfeito do subjuntivo

de verbos regulares de 2ª conjugação segue sempre a mesma lógica: se eu

sofresse, se eu conhecesse, se eu comesse, se eu concedesse, mas... Se eu

fizesse (não “fazesse”). Ou seja, o verbo “fazer” não é regular nesse tempo

verbal, pois não segue o paradigma.

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
b) Irregulares são aqueles que não seguem um paradigma regular,

seja porque seu radical se altera, seja porque sua desinência se altera. É o

caso dos verbos dar, estar, fazer, pedir etc.

Veja:

Eu amo, eu canto, eu nado, mas... Eu estou (não “esto”).

Eu sofro, eu corro, eu bebo, mas... Eu faço (não “fazo”).

Mais à frente neste material – ainda neste módulo – trataremos de

alguns verbos irregulares especialmente espinhosos.

c) Anômalos são aqueles tão instáveis, que nem sequer possuem

radical. São apenas dois: ser e ir.

Analise o comportamento do verbo “ser”: Eu sou, tu és, ele é... Eu fui,

tu foste, ele foi... Eu serei, tu serás, ele será....Eu era, tu eras, ele era...

Analise o comportamento do verbo “ir”: Eu vou, tu vais, ele vai...Eu fui,

tu foste, ele foi...Eu irei, tu irás, ele irá...Eu ia, tu ias, ele ia.

Observação: Ia X iria

Ele iria caminhar, mas desistiu por causa da chuva. (Iria = futuro do
pretérito)

Antigamente, ele ia caminhar ao meio-dia, mas agora vai às 11h. (Ia =


pretérito imperfeito)

d) Defectivos são aqueles cuja conjugação não é completa. São

simplesmente inexistentes em alguma conjugação.

É o caso dos verbos demolir, feder, explodir, reaver etc. Não se diz,

por exemplo, eu “fedo”, eu “explodo”, eu “reavo”ou ele “reave”.

Mais à frente neste material – ainda neste módulo – trataremos de

alguns verbos defectivos especialmente espinhosos.

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Sobre o assunto, pondera Celso Cunha em sua Gramática:

“[...] Outras vezes o desuso de uma forma verbal é ocasionado

por sua pronúncia desagradável ou por prestar-se a confusão com uma

forma de outro verbo, de emprego mais frequente. A razões de ordem

eufônica atribui-se, por exemplo, a falta da 1ª pessoa do singular do

presente do indicativo e, consequentemente, de todas as pessoas do

presente do subjuntivo do verbo abolir; pela homofonia com formas do

verbo falar, justifica-se a inexistência das formas rizotônicas do verbo

falir. Mas, como a própria caracterização do que é agradável ao ouvido

é sempre difícil, pois está condicionada ao gosto pessoal, há frequentes

discordâncias entre os gramáticos em estabelecer os casos de lacuna

verbal aconselhados por motivos eufônicos. Não raro, não se vislumbra

mesmo razão maior do que o simples desuso de uma forma para que ela

continue sendo evitada pelos que falam ou escrevem.”

e) Abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma na

mesma flexão. Veja:

Nós hemos/havemos de tomar boas decisões.

O governo construi/constrói pontes frágeis e com materiais de baixa

qualidade.

Dize com quem andas/Diz com quem andas

Essa dupla possibilidade ocorre principalmente no particípio. É muito

comum haver dúvidas como “pagado ou pago?”, “imprimido ou impresso”

etc.?

No particípio, as formas regulares (terminadas em -ado e -ido) são

empregadas após os verbos auxiliares ter e haver:

Apesar de o cliente já ter pagado a fatura do cartão, o banco

notificou-o, fazendo nova cobrança.

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E-BOOK BP GRAMÁTICA NORMATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Nos Estados Unidos, ele havia pegado prisão perpétua quando a

nova lei foi sancionada.

Quando o chefe chegou, o subordinado já havia imprimido a folha.

Todos já tinham aceitado o acordo, quando o empresário mudou de

ideia.

O trabalhador tem ganhado honestamente seu dinheiro nos últimos

anos.

Pensou-se que a vítima havia morrido durante o assalto.

Na voz passiva construída com os auxiliares ser, estar e ficar, bem

como nas locuções de tempo composto na voz passiva (ter/haver + sido +

particípio), usam-se as formas irregulares (não terminadas em -ado e -ido)

quando o verbo as possui. Além disso, pode haver variação de gênero e

número:

A conta foi paga pelo cliente.

O ladrão foi pego em flagrante.

O ladrão tinha sido pego em flagrante, mas fugiu.

A folha será impressa pelo subordinado.

O acordo foi aceito por todos.

Finalmente a folha ficou impressa.

O dinheiro foi ganho honestamente.

A testemunha será morta caso não haja proteção a ela.

Atenção!

Os verbos trazer, chegar, abrir, cobrir, comprar e escrever não são

abundantes!

Eu tinha chegado pela manhã.

(Jamais “chego”)

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A casa foi devidamente comprada pela parte, mas descobriu-se que

se tratava de fraude.

(Jamais “compra”)

O pacote foi trazido na hora certa.

(Jamais “trago”)

A oferta da empresa A foi coberta pela da empresa B.

(Jamais “cobrida”)

A ata deve ser escrita à mão.

(Jamais “escrevida”)

Se eu soubesse que era você, teria aberto a porta.

(Jamais “abrido”)

É fundamental darmos a devida atenção a tais verbos, pois eles são

traiçoeiros. Aqui, não nos preocuparemos muito com o nome dos tempos

verbais nem com a apresentação de todas as flexões dos verbos, mas com

o emprego prático de alguns casos específicos. Passemos a alguns verbos

irregulares:

VERBO PÔR E SEUS DERIVADOS


A dinâmica do verbo pôr estende-se a todos os terminados em -or:
compor, dispor, sobrepor, antepor, depor, entrepor, expor, justapor, pospor,

repor, apor etc.

Presente do indicativo: eu ponho, tu pões, ele põe, nós pomos, vós

pondes, eles põem

Pretérito perfeito do indicativo: eu pus, tu puseste, ele pôs, nós

pusemos, vós pusestes, eles puseram

Pretérito imperfeito do indicativo: eu punha, tu punhas, ele punha,

nós púnhamos, vós púnheis, eles punham

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Futuro do pretérito do indicativo: eu poria, tu porias, ele poria, nós

poríamos, vós poríeis, eles poriam

Presente do subjuntivo: que eu ponha, que tu ponhas, que ele ponha,

que nós ponhamos, que vós ponhais, que eles ponham

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu pusesse, se tu pusesses, se

ele pusesse, se nós puséssemos, se vós pusésseis, se eles pusessem

Futuro do subjuntivo: quando eu puser, quando tu puseres, quando

ele puser, quando nós pusermos, quando vós puserdes, quando eles

puserem

Imperativo afirmativo: põe tu, ponha você, ponhamos nós, ponde

vós, ponham vocês

Imperativo negativo: não ponhas tu, não ponha você, não ponhamos

nós, não ponhais vós, não ponham vocês

Exemplos:

É fundamental que nós aponhamos nossa assinatura ao final do

contrato.

Se o assistente de acusação se dispusesse a falar, poderíamos

esclarecer melhor a situação.

Quando nós repusermos o estoque, entraremos em contato.

Componhamos novas estratégias para melhorar nossa peça.

VERBO VIR E SEUS DERIVADOS


A dinâmica do verbo vir estende-se a todos os seus derivados: advir,

convir, desavir (=indispor) intervir, provir, sobrevir etc.

Presente do indicativo: eu venho, tu vens, ele vem, nós vimos, vós

vindes, eles vêm

Pretérito perfeito do indicativo: eu vim, tu vieste, ele veio, nós viemos,

vós viestes, eles vieram

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Presente do subjuntivo: que eu venha, que tu venhas, que ele venha,

que nós venhamos, que vós venhais, que eles venham

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu viesse, se tu viesses, se ele

viesse, se nós viéssemos, se vós viésseis, se eles viessem

Futuro do subjuntivo: quando eu vier, quando tu vieres, quando ele

vier, quando nós viermos, quando vós vierdes, quando eles vierem

Imperativo afirmativo: vem tu, venha você, venhamos nós, vinde vós,

venham vocês

Imperativo negativo: não venhas tu, não venha você, não venhamos

nós, não venhais vós, não venham vocês

Exemplos:

O oficial deve vir aqui logo pela manhã.

É fundamental que nós intervenhamos nesta discussão, pois ela

pode ser mortal.

A testemunha agiu da maneira que convinha; se conviesse outra

forma, assim ela faria.

Quando nós viermos até o local, daremos mais instruções.

Eu provenho de uma cidade pequena.

Você pode vir aqui, por favor?

Ele há de convir que estas ameaças não são necessárias.

A partilha dos bens desaveio os irmãos.

VERBO VER E SEUS DERIVADOS


A dinâmica do verbo ver estende-se a todos os seus derivados:

antever, prever, rever etc.

Presente do indicativo: eu vejo, tu vês, ele vê, nós vemos, vós vedes,

eles veem

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Presente do subjuntivo: que eu veja, que tu vejas, que ele veja, que

nós vejamos, que vós vejais, que eles vejam

Futuro do subjuntivo: quando eu vir, quando tu vires, quando ele vir,

quando nós virmos, quando vós virdes, quando eles virem

Imperativo afirmativo: vê tu, veja você, vejamos nós, vede vós, vejam

vocês

Imperativo negativo: não vejas tu, não veja você, não vejamos nós,

não vejais vós, não vejam vocês

Exemplos:

É muito importante antevermos as possíveis estratégias da parte

contrária.

Para que nós revejamos os argumentos antes de apresentá-los,

precisaremos de uma reunião.

Quando os jurados virem as provas, não terão dúvida.

Os desembargadores raramente reveem casos como este.

Se você vir o vídeo que eu vi, pensará como eu.

Observação 1:

O verbo prover (= fornecer, receber e deferir [recurso]) não é derivado

do verbo ver, embora eventualmente coincidam em algumas conjugações.

Veja:

Presente do indicativo: eu provejo, tu provês, ele provê, nós

provemos, vós provedes, eles proveem

Pretérito perfeito do indicativo: eu provi, tu proveste, ele proveu, nós

provemos, vós provestes, eles proveram

Pretérito imperfeito do indicativo: eu provia, tu provias, ele provia,


nós províamos, vós províeis, eles proviam

Presente do subjuntivo: que eu proveja, que tu provejas, que ele

proveja, que nós provejamos, que vós provejais, que eles provejam

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Futuro do subjuntivo: quando eu prover, quando tu proveres,

quando ele prover, quando nós provermos, quando vós proverdes, quando

eles proverem

Exemplos:

Esperamos que o magistrado proveja o recurso que interpusemos

ontem. De toda forma, se ele não prover, estudaremos a possibilidade de

interpor embargos.

Por anos, o autor proveu sua esposa de condições para que ela não

trabalhasse e tivesse boa qualidade de vida.

Quando ele se prover de recursos humanos suficientes como

assessor, poderemos cogitar sua promoção.

Observação 2:

Precaver(-se) também não é derivado do verbo ver. Trata-se de verbo

defectivo, o qual não se conjuga em determinadas flexões.

Presente do indicativo: nós (nos) precavemos, vós (vos) precaveis

Imperativo afirmativo: precavei(-vos) vós

Imperativo negativo: -

Presente do subjuntivo: -

Os demais tempos existem normalmente.

Exemplos:

Se eles não se precaverem, serão pegos de surpresa pelos

argumentos ministeriais.

Nós nos precavemos e instalamos câmeras em todo o escritório.

Observação: São erradas construções como “Ele que se precavenha”,

“Eu me precavejo sempre que possível” etc. Nesses casos, sugere-se usar

os verbos “prevenir” ou “acautelar”: Ele que se previna/acautele, “Eu me

previno/acautelo sempre que possível”.

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VERBO TER E SEUS DERIVADOS
A dinâmica do verbo ter estende-se a todos os seus derivados:

abster-se, ater-se, deter, entreter, manter, obter, reter etc.

Presente do indicativo: eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós

tendes, eles têm

Pretérito perfeito do indicativo: eu tive, tu tiveste, ele teve, nós

tivemos, vós tivestes, eles tiveram

Pretérito imperfeito do indicativo: eu tinha, tu tinhas, ele tinha, nós

tínhamos, vós tínheis, eles tinham

Presente do subjuntivo: que eu tenha, que tu tenhas, que ele tenha,

que nós tenhamos, que vós tenhais, que eles tenham

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu tivesse, se tu tivesses, se ele

tivesse, se nós tivéssemos, se vós tivésseis, se eles tivessem

Futuro do subjuntivo: quando eu tiver, quando tu tiveres, quando ele

tiver, quando nós tivermos, quando vós tiverdes, quando eles tiverem

Imperativo afirmativo: tem tu, tenha você, tenhamos nós, tende vós,

tenham vocês

Imperativo negativo: não tenhas tu, não tenha você, não tenhamos

nós, não tenhais vós, não tenham vocês

Exemplos:

O cliente tem bons advogados.

Os clientes têm bons advogados.

Eu me entretive por horas analisando os documentos.

Nós nos mantivemos ocupados durante toda a manhã.

Se o policial o detivesse sem mandado, seria investigado.

Quando o delegado obtiver mais provas, finalizará o inquérito.

Caso nós nos abstenhamos/abstivermos de votar, deixaremos nas

mãos de quem vota o nosso futuro político.

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VERBOS TERMINADOS EM -EAR
Pentear, estrear, passear, presentear, custear, recear, frear etc.

Presente do indicativo: eu custeio, tu custeias, ele custeia, nós

custeamos, vós custeais, eles custeiam

Pretérito perfeito do indicativo: eu custeei, tu custeaste, ele custeou,

nós custeamos, vós custeastes, eles custearam

Presente do subjuntivo: que eu custeie, que tu custeies, que ele

custeie, que nós custeemos, que vós custeeis, que eles custeiem

Imperativo afirmativo: custeia tu, custeie você, custeemos nós,

custeai vós, custeiem vocês

Imperativo negativo: não custeies tu, não custeie você, não


custeemos nós, não custeeis vós, não custeiem vocês

Exemplos:

Infelizmente, nós não freamos o carro a tempo de evitar o acidente.

Eles receiam entrar no rol de investigados.

O advogado estreou com muita competência no tribunal do júri.

VERBOS TERMINADOS EM -IAR


Verbos como variar, avaliar, copiar, maquiar, adiar, arriar (=fazer

descer) são regulares. Veja o presente do indicativo:

Presente do indicativo: eu vario, tu varias, ele varia, nós variamos, vós

variais, eles variam

No entanto, há 5 verbos para os quais é preciso dar atenção especial,

pois se comportam de forma diferente: mediar, ansiar, remediar, incendiar,

odiar. Veja:

Presente do indicativo: Eu medeio, tu medeias, ele medeia, nós

mediamos, vós mediais, eles medeiam

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Presente do subjuntivo: Que eu medeie, que tu medeies, que ele

medeie, que nós mediemos, que vós medieis, que eles medeiem

Imperativo afirmativo: medeia tu, medeie você, mediemos nós,

mediai vós, medeiem vocês

Imperativo negativo: não medeies tu, não medeie você, não

mediemos nós, não medieis vós, não medeiem vocês

Exemplos:

É importante que ele não se remedeie, mas que procure um médico.

Caso eu intermedeie a reunião, ouvirei as duas partes sem tempo

cronometrado.

Anseio por nova postura do governo.

Quem é honesto sempre remedeia as injustiças.

Observação: O verbo mobiliar recebe acento agudo na sílaba “bi”

em algumas flexões:

Presente do indicativo: Eu mobílio, tu mobílias, ele mobília, nós

mobiliamos, vós mobiliais, eles mobíliam

Presente do subjuntivo: Que eu mobílie, que tu mobílies, que ele

mobílie, que nós mobiliemos, que vós mobilieis, que eles mobíliem

VERBO QUERER
Futuro do presente: eu quererei, tu quererás, ele quererá, nós

quereremos, vós querereis, eles quererão

Futuro do pretérito do indicativo: eu quereria, tu quererias, ele

quereria, nós quereríamos, vós quereríeis, eles quereriam

Presente do subjuntivo: que eu queira, que tu queiras, que ele


queira, que nós queiramos, que vós queirais, que eles queiram

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu quisesse, se tu quisesses,

se ele quisesse, se nós quiséssemos, se vós quisésseis, se eles quisessem

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Futuro do subjuntivo: quando eu quiser, quando tu quiseres,

quando ele quiser, quando nós quisermos, quando vós quiserdes, quando

eles quiserem

Imperativo afirmativo: quer(e) tu, queira você, queiramos nós, querei

vós, queiram vocês

Imperativo negativo: não queiras tu, não queira você, não queiramos

nós, não queirais vós, não queiram vocês

Exemplos:

Queiramos sempre polir nossas peças processuais.

Na semana que vem, ele provavelmente não quererá viajar, pois


estará cansado.

Quando nós quisermos adquirir um imóvel, entraremos em contato.

Talvez eles não queiram opor embargos.

Eu quereria viajar agora, se não fosse a pandemia.

Atenção!

O verbo requerer não é derivado do verbo querer. Veja:

Presente do indicativo: eu requeiro, tu requeres, ele requer, nós


requeremos, vós requereis, eles requerem

Pretérito perfeito do indicativo: eu requeri, tu requereste, ele

requereu, nós requeremos, vós requerestes, eles requereram

Exemplos:

Eu requeiro astreintes em algumas de minhas iniciais.

O advogado requereu novas provas.

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VERBOS HAVER E REAVER
O verbo reaver é derivado do verbo haver, porém só se conjuga nas

formas em que o verbo mantiver a letra “v”, ou seja, reaver é um verbo

defectivo.

Presente do indicativo: eu hei, tu hás, ele há, nós hemos/havemos,

vós heis/haveis, eles hão

Pretérito perfeito do indicativo: eu houve, tu houveste, ele houve,

nós houvemos, vós houvestes, eles houveram

Presente do subjuntivo: que eu haja, que tu hajas, que ele haja, que

nós hajamos, que vós hajais, que eles hajam

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu houvesse, se tu houvesses,

se ele houvesse, se nós houvéssemos, se vós houvésseis, se eles houvessem

Futuro do subjuntivo: quando eu houver, quando tu houveres,

quando ele houver, quando nós houvermos, quando vós houverdes, quando

eles houverem

Exemplos:

Com muita briga na justiça, os herdeiros reouveram a fortuna deixada

pelo pai.

Se nós reouvermos o direito ao voto na empresa, elegeremos fulano.

O patrão é uma pessoa difícil, por isso eu hei-me quase sempre com

os empregados.

Os empregados nunca se houveram bem com o patrão.

VERBO LIDAR
O verbo lidar não é derivado do verbo dar.

Presente do indicativo: eu lido, tu lidas, ele lida, nós lidamos, vós

lidais, eles lidam

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Pretérito perfeito do indicativo: eu lidei, tu lidaste, ele lidou, nós

lidamos, vós lidastes, eles lidaram

Presente do subjuntivo: que eu lide, que tu lides, que ele lide, que

nós lidemos, que vós lideis, que eles lidem

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu lidasse, se tu lidasses, se

ele lidasse, se nós lidássemos, se vós lidásseis, se eles lidassem

Futuro do subjuntivo: quando eu lidar, quando tu lidares, quando ele

lidar, quando nós lidarmos, quando vós lidardes, quando eles lidarem

Exemplos:

Se nós lidássemos melhor com a corte, talvez ela ouvisse nosso


argumento com mais boa vontade.

Quando eu lidar com casos como esse, posso fazer parceria com

você.

VERBO VIGER
É defectivo em algumas de suas primeiras pessoas.

Presente do indicativo: -, tu viges, ele vige, nós vigemos, vós vigeis,

eles vigem

Pretérito perfeito do indicativo: eu vigi, tu vigeste, ele vigeu, nós

vigemos, vós vigestes, eles vigeram

Pretérito imperfeito do indicativo: eu vigia, tu vigias, ele vigia, nós

vigíamos, vós vigíeis, eles vigiam

Futuro do presente do indicativo: eu vigerei, tu vigerás, ele vigerá,

nós vigeremos, vós vigereis, eles vigerão

Futuro do pretérito do indicativo: eu vigeria, tu vigerias, ele vigeria,

nós vigeríamos, vós vigeríeis, eles vigeriam

Presente do subjuntivo: -

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Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu vigesse, se tu vigesses, se

ele vigesse, se nós vigêssemos, se vós vigêsseis, se eles vigessem

Futuro do subjuntivo: quando eu viger, quando tu vigeres, quando

ele viger, quando nós vigermos, quando vós vigerdes, quando eles vigerem

Exemplos:

Se o prazo viger até março, será possível cumprir o combinado.

Por anos, vigeram medidas pouco eficientes para o controle a praga

nas lavouras.

O prazo já está vigendo?

VERBOS ADVERTIR, ADERIR, AFERIR, COMPETIR,


DIVERGIR, DIGERIR, DISCERNIR, EXPELIR, INTERFERIR, GERIR,
INGERIR, IMPELIR, PRETERIR E REPELIR
Presente do indicativo: eu divirjo, tu diverges, ele diverge, nós

divergimos, vós divergis, eles divergem

Presente do subjuntivo: que eu divirja, que tu divirjas, que ele divirja,

que nós divirjamos, que vós divirjais, que eles divirjam

Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu divergisse, se tu


divergisses, se ele divergisse, se nós divergíssemos, se vós divergísseis, se

eles divergissem

Imperativo afirmativo: diverge tu, divirja você, divirjamos nós, divergi

vós, divirjam vocês

Imperativo negativo: não divirjas tu, não divirja você, não divirjamos

nós, não divirjais vós, não divirjam vocês

Exemplos:

Nunca compito com meus próprios colegas de escritório por

clientes. Os honorários aqui são todos divididos.

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Esperemos que ele gira bem os negócios da família.

É preciso que nós afiramos nossa pressão agora.

Caso ele pretira nosso candidato, precisamos ter um plano B.

Quando o estagiário chegar, advirta-o de que ele deixou o

computador ligado ontem.

Por favor, não me compila a fazer coisas que não domino ainda.

VERBOS MEDIR, PEDIR, DESPEDIR, EXPEDIR, REEXPEDIR,


IMPEDIR
Presente do indicativo: eu expeço, tu expedes, ele expede, nós

expedimos, vós expedis, eles expedem

Presente do subjuntivo: que eu expeça, que tu expeças, que ele

expeça, que nós expeçamos, que vós expeçais, que eles expeçam

Imperativo afirmativo: expede tu, expeça você, expeçamos nós,

expedi vós, expeçam vocês

Imperativo negativo: não expeças tu, não expeça você, não

expeçamos nós, não expeçais vós, não expeçam vocês

Exemplos:

Meça melhor as palavras para fazer a sustentação oral. O tom foi

muito pesado.

Por favor, reexpeçam os ofícios aos cartórios.

Diariamente, impeço pessoas de serem executadas indevidamente.

VERBOS ARGUIR E REDARGUIR


Presente do indicativo: eu arguo, tu arguis, ele argui, nós arguimos,

vós arguis, eles arguem

Pretérito perfeito do indicativo: eu arguí, tu arguíste, ele arguiu, nós

arguímos, vós arguistes, eles arguíram

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Presente do subjuntivo: que eu argua, que tu arguas, que ele argua,

que nós arguamos, que vós arguais que eles arguam

Futuro do subjuntivo: quando eu arguir, quando tu arguíres, quando

ele arguir, quando nós arguirmos, quando vós arguirdes, quando eles

arguírem

Imperativo afirmativo: argui tu, argua você, arguamos nós, arguí vós,

arguam vocês

Exemplos:

Espero sinceramente que ele não redargua as acusações que

fizemos, pois há provas de tudo.

Para que nós arguamos com mais segurança, precisamos estudar o

assunto profundamente.

No momento em que eles arguírem inocência, mostrarei a filmagem

feita no prédio.

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