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Trauma de Face

O documento discute o tratamento de traumas faciais, incluindo lesões de tecidos moles, fraturas ósseas e reconstrução. Lesões faciais geralmente não são emergências, mas um tratamento precoce leva a melhores resultados. O exame deve avaliar cuidadosamente a região afetada e imagens podem ajudar no diagnóstico. Ferimentos variam de lacerações superficiais a perdas de tecido e requerem limpeza e fechamento apropriado para evitar sequelas. Fraturas específicas requerem abordagens cirú

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M. Campos
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Trauma de Face

O documento discute o tratamento de traumas faciais, incluindo lesões de tecidos moles, fraturas ósseas e reconstrução. Lesões faciais geralmente não são emergências, mas um tratamento precoce leva a melhores resultados. O exame deve avaliar cuidadosamente a região afetada e imagens podem ajudar no diagnóstico. Ferimentos variam de lacerações superficiais a perdas de tecido e requerem limpeza e fechamento apropriado para evitar sequelas. Fraturas específicas requerem abordagens cirú

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TRAUMA DE FACE

Nós, seres humanos, vivemos em uma estrutura social complexa em que a


comunicação depende não apenas das palavras que usamos, mas também da emoção
subentendida na expressão facial. Nossos rostos são capazes de expressar uma maravilhosa
gama de emoções sutis e mensagens silenciosas. Sendo assim, a reparação, cuidados e a
restauração da função são os principais objetivos no cuidado com os pacientes vítimas de
trauma de face de partes moles, e/ou fratura de ossos.

O trauma de face tem etiologia variada, como acidentes automobilísticos, esportivos,


mordedura de cachorro, acidentes de trabalho, agressões.

Classicamente as lesões dos tecidos moles e ossos a face não são emergências
cirúrgicas agudas, mas a facilidade de obtenção de um bom resultado é maior quando o
tratamento é precoce ou imediato. A reparação de uma ferida facial não deve ser prioritária
quando existirem outras lesões que possam colocar em risco a vida desse paciente, como
trauma de crânio e lesões oftalmológicas e outras lesões associadas, com trauma de tórax e
abdômen, lesões medulares.

Devemos iniciar o atendimento com uma avaliação geral (ATLS - ABCDE), história
clínica, agente causador do trauma. Não devemos esquecer da importância do documentação
fotográfica e escrita para evitar questionamentos posteriores em relação às sequelas. O exame
físico deve ser minucioso, avaliando a face estática e dinâmica, com palpação das regiões
afetadas, na procura de crepitações, instabilidades, edemas, hematomas, lesões de nervos,
perdas de dentes, ferimentos de língua, lesão de ductos. Quando há suspeita de fraturas, o
exame de imagem de escolha é a tomografia computadorizada com cortes axial, coronal.

Muitas das lesões de partes moles são lacerações superficiais que exigem um
fechamento simples. Outras feridas que não parecem complicadas, abrigam ferimentos de
outras estruturas. O diagnóstico correto e um plano de tratamento adequado determinarão se
haverá futuras deformidades estéticas ou funcionais. Todas as feridas devem ser submetidas à
limpeza, irrigação, desbridamento conservador e fechamento com tensão mínima. Devemos
sempre nos atentar de que foi retirado qualquer corpo estranho que possa estar nos
ferimentos, para evitar principalmente a tatuagem tardia da pele, que pode acontecer quando
ficam fragmentos de terra, areia, asfalto na ferida. Algumas feridas precisam de enxertos de
pele, retalhos locais ou regionais para fechamento, outras de expansão do tecido ou
transferência de tecido livre para completa restauração da função e aparência.

As lesões de couro cabeludo têm etiologia variada, desde os traumas diretos, causando
feridas de diversos tamanhos até os chamados escalpes, que são ocasionados por tração dos
cabelos longos aprisionados por engrenagens e eixos em alta rotação, fazendo avulsão da pele
da região em sua porção mais frágil, deixando, algumas vezes, a calota craniana exposta.
Quando isso ocorre, existe a possibilidade de resultar em implante microcirúrgico para reparo
do defeito.

As lesões da região frontal, são muito comuns após acidente automobilístico, podendo
apresentar com pedaços de vidro no local, fazendo uma ferida em alçapão. Se possível,
devem ser ressecadas e transformadas em elipses, facilitando a sutura e evitando cicatrizes
inestéticas.

As feridas e lacerações palpebrais devem ser corrigidas o mais precocemente possível,


principalmente quando não cumprem sua função, que é de proteger o globo ocular.

Os ferimentos do nariz devem ser tratados minuciosamente, evitando sequela


cicatricial e principalmente funcional (dificuldade respiratória)

Os ferimentos cortantes ou incisos, envolvendo ou não a cartilagem da orelha, podem


ser suturados, tanto a cartilagem quanto a pele e resultarão em cicatrizes bastante aceitáveis
do ponto de vista estético. Nos traumas por contusão, o hematoma que pode se formar entre o
pericôndrio e a cartilagem, devem ser sempre drenados e colocados curativos compressivos
com moldagem da orelha a fim de evitar fibroses, que irão deformar toda a orelha.

Os ferimentos dos lábios podem ser desde pequenas contusões ou cortes, até grandes
perdas de substância. Aqueles que comprometem todo o lábio, devem ser tratados com as
técnicas de reconstrução com retalhos. Os ferimentos pequenos e aqueles que comprometem
até um terço, podem ser reparados com suturas simples em camadas.

As fraturas do terço superior da face, geralmente são uma emergência cirúrgica


neurológica, dependendo do grau de comprometimento cerebral, como também de ordem
oftalmológica. Podemos encontrar hematomas perioculares ou palpebrais, edemas, distúrbios
sensoriais, ptose palpebral, amaurose, diminuição da acuidade visual, exoftalmia, liquor nas
fossas nasais. Geralmente são reparadas com incisão coronal ou transpalpebral superior, com
placas e parafusos de titânio.

As fraturas do terço médio da face, incluem órbita, nasal, nasoetmoidal, maxila,


zigoma. As fraturas de órbita podem se apresentar com edema e equimose peripalpebral,
sangramentos conjuntivais, enfisema subcutâneo e FCC na região. Fraturas do assoalho da
órbita podem levar à enoftalmo, diplopia e encurtamento da pálpebra inferior. A fratura tipo
“blow out”) é causada pela aplicação de uma força traumática sobre o rebordo, globo ou
tecidos moles a órbita, geralmente acompanhada por um aumento súbito da pressão intra
orbital. Acometem assoalho e parede medial, na ausência de fraturas dos rebordos orbitários.
As fraturas de maxila seguem a classificação de Le Fort: Le Fort I (fraturas transversas), Le
Fort II (ou piramidais), Le Fort III (disjunção craniofacial). Se apresentam com edema nas
regiões geniana e infra orbital, parestesia na região do nervo infra orbitário, dor à
movimentação da boca e disoclusão. As fraturas nasais podem se apresentar com desvio
nasal, edema nasal e periorbitário, com ou sem equimoses, mobilidade ou crepitação à
palpação dos ossos nasais, epistaxes e hematomas do septo nasal. As fraturas nasoetmoido
orbitárias, podem se apresentar com equimoses periorbitárias (Sinal do Guaxinin), telecanto
traumático, afundamento do dorso nasal com elevação da ponta nasal e encurtamento da
columela, epífora e enoftalmo.

As fraturas do terço inferior da face são as que acometem a mandíbula. Podem se


apresentar com dor, disoclusão, parestesia, anestesia, edema e equimose, dificuldade ou
impossibilidade de abertura oral, deformidade física, crepitação e odor fétido.

As fraturas pediátricas mais comuns são nasal (45%) e mandibular (32%). Devido à
alta velocidade de cicatrização óssea na criança, devem ser tratadas em 3 a 4 dias. A
reconstrução deve ser realizada com placas e parafusos absorvíveis pois permitem o
crescimento ósseo sem a necessidade de retirada do material de síntese.

Cada um dos ossos da face, apresenta, quando fraturado, indicações distintas de


tratamento, conforme a localização, a direção do foco de fratura, o deslocamento dos
fragmentos, a cominução, a relação com a presença de elementos dentários, entre outros
fatores. Nos casos de tratamento conservador, a imobilidade do foco de fratura é garantida
indiretamente por um bloqueio dos movimentos faciais, nos casos de fraturas maxilares e
mandibulares, por meio dos bloqueios interdentais e intermaxilares (Barras de Erich), ou pela
própria estabilidade após sua redução, nos locais em que não há solicitação muscular ao nível
do foco de fratura (fratura dos arcos zigomáticos e orbitária). Quando o tratamento cirúrgico é
realizado, os focos de fratura são expostos e reduzidos sob visão direta. Quando uma fixação
rígida é obtida, não ocorre mobilidade dos focos de fratura, dispensando-se a utilização de
métodos auxiliares de imobilização, como os bloqueios intermaxilares.

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