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Freire e a Educação Emancipadora Hoje

Este artigo discute a pedagogia de Paulo Freire e sua relevância atual para a educação brasileira. Os autores analisam criticamente os livros "Pedagogia do Oprimido" e "Educação como Prática da Liberdade" para entender a pedagogia emancipatória de Freire. Defendem que resgatar os ensinamentos de Freire é essencial para enfrentar o retrocesso educacional no Brasil e lutar por uma educação libertadora e politizada.

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Freire e a Educação Emancipadora Hoje

Este artigo discute a pedagogia de Paulo Freire e sua relevância atual para a educação brasileira. Os autores analisam criticamente os livros "Pedagogia do Oprimido" e "Educação como Prática da Liberdade" para entender a pedagogia emancipatória de Freire. Defendem que resgatar os ensinamentos de Freire é essencial para enfrentar o retrocesso educacional no Brasil e lutar por uma educação libertadora e politizada.

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36116

PAULO FREIRE NA ATUALIDADE: UM RESGATE


NECESSÁRIO
PAULO FREIRE CURRENTLY: A NECESSARY RESCUE

Solange Balisa Costa (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB), Mônica


Clementino de Menezes (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB), Adenilson
Souza Cunha Junior (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB),

RESUMO: Este artigo tem de objetivo de promover uma reflexão acerca da pedagogia de Paulo
Freire na atualidade, em vista da necessidade de resgatar a discussão e os construtos
proporcionados por este ao longo de sua vasta e significativa obra para o campo da educação
popular no Brasil. Os diálogos foram construídos a partir de leitura e da análise reflexiva e crítica
dos livros Pedagogia do Oprimido e Educação como prática da liberdade, por ser nestes textos que
o educador traduz a essência de sua pedagogia emancipadora. Além disso, traz reflexões sobre a
condição do oprimido, dialoga com os caminhos para mudança e a libertação. Na atual conjuntura
de obscuridade política e educacional do nosso país, o resgate da obra de Freire torna-se necessária
para nos encorajar e continuar esperançando por uma sociedade mais justa e com menos
desigualdade social constituída por meio da educação.
Palavras-chave: Educação; pedagogia freireana; sociedade; conscientização, política.

ABSTRACT: This article aims to promote a reflection on Paulo Freire's pedagogy today, in view of
the need to rescue the discussion and the constructs provided by him throughout his vast and
significant work for the field of popular education in Brazil. The dialogues were built from reading
and the reflective and critical analysis of the books Pedagogy of the Oppressed and Education as a
practice of freedom, as it is in these texts that the educator translates the essence of his
emancipatory pedagogy. In addition, it brings reflections on the condition of the oppressed,
dialogues with the paths for change and liberation. In the current situation of political and
educational obscurity in our country, the rescue of Freire's work becomes necessary to encourage
us and continue to hope for a fairer society with less social inequality constituted through
education
Keywords: Education; Freirean pedagogy; society; awareness, policy.

Revista Latino-Americana de Estudos Cientifico – ISSN 2675-3855 – v. 02, n.10, 2021


Introdução educador, que pensava o ato de
educar enquanto um ato de
A educação brasileira conscientização e politização dos
submerge a um retrocesso histórico sujeitos em processo de construção
nunca dantes imaginado nesses do conhecimento.
últimos anos, sendo que, os avanços Ao criar um método de
conquistados no campo das políticas alfabetização para jovens e adultos,
públicas e dos marcos legais tem sido cujo ponto de partida é a experiência
desmanchados pela política e a vida cotidiana de cada sujeito, o
mercadológica, segregacionista e mesmo revolucionou, pois deu voz
fundamentalista do atual governo aos trabalhadores/as, oprimidos e
ultra neoliberal, que tem negado aos invisibilizados na sociedade elitista
mais pobres o direito a educação brasileira, que pensa a educação
emancipadora, ao mesmo tempo que como privilégios de poucos.
vem promovendo o desmonte da Neste contexto de anuncio e
escola pública e a desqualificação da denúncia da realidade educacional
profissão docente. brasileira, compreendemos que a
Nessa atual conjuntura a obra de Freire é fundamento para
sociedade brasileira sob a égide da construir o processo de desalienação.
extrema direita e seus aliados, tem Por essa razão, transcende ao seu
buscado eliminar todo e qualquer tempo e ao espaço nacional e
projeto de educação que promova realidade educacional dos últimos
uma formação crítica e libertadora anos na qual ocorre o esvaziamos da
para os indivíduos das camadas educação como prática para 147
148
populares. Por outro lado, tem liberdade, por isso asseguramos que
implementado uma educação o legado freireano é um referencial
adestradora, militarizada e vazia de para uma educação que deseja ser
politização, enfraquecendo assim, a libertadora, política e que dê
educação pública, fortalecendo o visibilidade a cultura popular, ao
sistema privado para o qual a homem enquanto ser histórico,
educação é fonte de lucro. ontológico, ser mais.
Diante do atual cenário de Com a finalidade de promover
desesperança e desencanto uma reflexão acerca da pedagogia de
educacional, resgatar o diálogo com o Paulo Freire na atualidade
pensamento e as ideias de Paulo adentramos na construção desse
Freire é essencial, para entendermos artigo, reassegurando a relevância de
a educação que temos neste momento suas contribuições para a retomada
obscuro e buscarmos a mudança da educação brasileira ao processo de
frente essa estrutura negacionista. conscientização. Para tanto
Na literatura freiriana, o enfatizamos que nossa principal
educador apresenta a educação inspiração para construção desse
enquanto um ato político, ético que texto são as duas obras em que o
exige comprometimento, autor desvela seu método e realidade
humanização, respeito aos saberes e da educação no Brasil, a Pedagogia do
libertação das estruturas que oprime Oprimido e a Educação como prática
e desumaniza os sujeitos. da liberdade, visto que em ambos os
Com Freire a educação textos o educador apresenta sua
brasileira despontou para o mundo a pedagogia crítica e emancipadora, de
partir das ideias desse grande forma brilhante, oportunizando-nos a

Costa, Menezes e Cunha Júnior


pensar e aprender, dominar a escrita apresentar que é possível construir
e a leitura de modo autônomo o/a uma educação emancipadora ao
educando/a vivência uma condição trazer um pouco de sua experiência
ontológica de ser mais, pois não com a alfabetização de adultos no
apenas lê e relê a palavra escrita, mas nordeste, e traz também uma análise
sobretudo a realidade por ele a transição da educação crítica e
vivenciada. emancipatória por ele pensada e
A principal razão para posta em prática com sucesso, para
dialogarmos neste texto com as educação bancária e adestradora da
referendadas obras de Paulo Freire: Ditadura Militar que trouxe o
Pedagogia do Oprimido e, A Educação retrocesso. Para Freire (2020, p. 51)
como Prática para Liberdade, é “Não há educação fora das sociedades
primeiramente o ato de insurgência e humanas e não há homem no vazio”.
o compromisso ético e político com o É indiscutível a importância de
nosso fazer docente na condição de Paulo Freire para pensar a educação
educadoras da escola pública no brasileira, mediante as reflexões
interior da Bahia, cuja função na críticas e construtivas que sua
atualidade tem sido uma forma de referendada obra proporciona ao
resistência, diante dos ataques que a educador/educando nas salas de aula,
educação pública tem sofrido nesse bem como a imensa contribuição da
tempo de conservadorismo. Ler, e sua pedagogia para pensar o processo
escrever sobre a obra de Freire é de construção de um conhecimento
sinônimo de resistência, é exigir de politizado e emancipador.
nós a luta por uma educação Freire não somente deu 148
148
humanizadora, é incomodar-nos com visibilidade a educação da classe
a precarização do trabalho docente e popular e toda conjuntura social e
com o adestramento de nossos política imposta a esta, como também
estudantes. demonstrou o quanto é essencial a
Em Pedagogia do Oprimido, valorização do aluno e de sua cultura
desvela a dialética da relação entre como ponto de partida para construir
oprimido e opressor, expõe a um conhecimento mais amplo, no
educação bancária, mas também nos qual a leitura do mundo dialoga como
aponta caminhos para esperança ao a leitura da palavra.
destacar que: O método de alfabetização de
adultos criado por Freire transcendeu
[...] aquela que tem de ser a realidade brasileira, e foi base para
forjada com ele e não para ele, reconstrução de algumas nações que
enquanto homens ou povos, na
luta incessante de recuperação
buscavam não somente reestrutura-
de sua humanidade. Pedagogia se politicamente, mas principalmente
que faça da opressão e de suas reconstruir a voz de seu povo, e
causas objeto da reflexão dos construir uma sociedade onde o
oprimidos, de que resultará o diálogo é politizado.
seu engajamento necessário na
luta por sua libertação, em que
Temos visto nos últimos anos
esta pedagogia se fará e refará. este educador e todo seu legado
(FREIRE, 1987, 43) histórico sendo atacado pela extrema
direita que a serviço do capital, ver na
Na obra educação como educação o instrumento para
prática para liberdade Freire, nos formação de indivíduos com vistas ao
desperta ao esperançar, ao fortalecimento do mercado.

Costa, Menezes e Cunha Júnior


Em contrapartida a esses Assim, as reflexões
ataques, buscamos a pesquisa apresentadas neste texto deu-se por
bibliográfica para alicerçar esse texto, meio da pesquisa bibliográfica com
com interpretações de cunho abordagem qualitativa, no qual
qualitativo a fim de fundamentar as fizemos um levantamento na obra do
reflexões sobre as obras de Paulo próprio Freire e outros estudiosos e
Freire: Pedagogia do Oprimido e admiradores de sua obra, alguns
Educação como prática para conceitos e ideias do educador em
Liberdade. MARCONI e LAKATOS, seu extenso legado literário. Por isso,
(2010, p.166), elucidam que: neste artigo discutimos a necessidade
urgente de resgatar o pensamento de
A pesquisa bibliográfica, ou Freire, e nele buscar os caminhos os
fontes secundárias, abrange
para construirmos uma educação
toda bibliografia já tornada
pública em relação ao tema de libertadora, politizada e
estudo, desde publicações emancipatória
avulsas, boletins, jornais, No atual contexto a educação
revistas, livros, pesquisas brasileira tem vivenciado um
monográficas, teses, material
retrocesso, que torna ainda maior o
cartográfico etc, até meios de
comunicação oral: rádio, abismo entre educandos ricos e
gravações em fita magnética e pobres. Por essa razão, consideramos
audiovisuais: filme e televisão. que é necessário resgatar suas ideias
libertadoras na escola, na sala de aula,
A utilização da pesquisa nos espaços coletivos a essência da
bibliográfica deu-se na perspectiva de obra de Freire, na certeza de que uma 149
148
aprofundarmos no entendimento da educação crítica e emancipadora tem
criticidade da obra de Freire e de o poder de transformar a sociedade.
autores que dialogam com ele. Na
busca de construir as reflexões mais A pedagogia de Paulo Freire e
próximas as ideias do autor. Para
maior aprofundamento nos livros
suas contribuições para a
fizemos uso da abordagem e as educação brasileira
interpretações da pesquisa
qualitativa, visto que “as realidades O grande mestre Paulo Freire,
sociais só podem ser identificadas na nascido em Recife na região Nordeste
linguagem significativa da interação do Brasil, é considerado um dos
social” (MINAYO, 2006, p. 97). Para maiores educadores do século XX,
Brasileiro (2013, p. 49), reconhecido mundialmente por ser
autor da pedagogia a favor dos
A pesquisa qualitativa é aquela oprimidos, influenciador do
que se ocupa da interpretação movimento da pedagogia crítica, cuja
dos fenômenos e da atribuição ideia primeira é a conscientização
de significados no decorrer da
política, e a promoção de uma
pesquisa, não se detendo a
técnicas estatísticas. Ela é educação emancipatória e autônoma
descritiva e coleta os dados em baseando-se na experiência e no
fonte direta. Os processos e suas protagonismo dos sujeitos, enquanto
dinâmicas, as variáveis e as ser de no mundo e produtor de um
relações entre elas são dados
conhecimento que liberta.
para a construção de sentidos e
os princípios condutores da
abordagem.

Costa, Menezes e Cunha Júnior


A autonomia, enquanto dialógica perigosamente subversiva.
amadurecimento do ser para si, Para Freire (1961, p.8) “A subversão,
é processo, é vir a ser. Não
ocorre em data marcada. É
se nutre de certo apetite de privilégio,
neste sentido que uma é aquele com privilégios ilegítimos,
pedagogia da autonomia tem de ou que quer botar abaixo quem tem
estar centrada em experiências para ele ter”. O pensar certo, crítico e
estimuladoras da decisão e da consciente é visto pela classe
responsabilidade, vale dizer, em
experiências respeitosas da
dominante como subversivo é na
liberdade. (FREIRE, 2005, p. verdade é o ato de ação reflexão e
107). ação é a práxis.
As ideias de Freire foram
A luta do mesmo sempre foi difundidas no país entre a década de
em favor das camadas populares, 50 e início de 60 provocando uma
sujeitos excluídos e subalternizados revolução no cenário educacional
pelas hierarquias dominantes. E foi a brasileiro, visto que o mesmo
partir da realidade de desigualdade advogava em prol de uma educação
brasileira que o educador construiu para pessoas adultas na qual as
sua pedagogia, cujo o intuito é a mesmas tivessem não somente a
transformação da sociedade por meio oportunidade de aprender ler e
da educação conscientizadora. Como escrever, mas sobretudo pensar por
ele mesmo destacou: (FREIRE 1979, si, e protagonizar suas histórias de
p.17 “[...] a conscientização é o olhar vida na sociedade. Para Freire (2005,
mais crítico possível da realidade, que p.28) “O homem deve ser o sujeito de
a “desvela” para conhecê-la e para sua própria educação. Não pode ser o 150
148
conhecer os mitos que enganam e que objeto dela.”
ajudam a manter a realidade da Historicamente, este educador
estrutura dominante.” é considerado o brasileiro com mais
Assim compreendemos a títulos de doutorados honoris, é autor
partir da pedagogia de Paulo Freire, da terceira obra mais citada em
que a conscientização é um dos trabalhos de ciências humanas do
principais elementos para construção mundo: Pedagogia do Oprimido. Livro
de uma educação como pratica para escrito durante o exílio que propõe
liberdade, visto que o ato de uma revisão da relação entre
conscientizar-se nos faz construir um educadores e educandos. O diálogo
conhecimento próximo da realidade, deve ser a base primeira para a
e para além disso contribui para um constituição do processo de ensino e
pensar certo, um pensar dialógico e aprendizagem, pois para Freire
consciente. (1987, p. 79), “o diálogo é uma
O pensamento crítico e exigência existencial”. Assim
insurgente em prol dos menos compreendemos que o diálogo é
favorecidos transcendeu o seu tempo libertador e construtivo, coloca o
e marcou a história da pedagogia no homem enquanto ser no mundo.
Brasil, mas também custou-lhe a Como afirmou o próprio autor, “[...]
prisão e um exílio por 16 anos (1964- não estou no mundo, eu sou no
1985), sendo perseguido e tendo sua mundo [...]” (FREIRE, 2005, p. 53).
pedagogia boicotada pelo regime Nesse sentido, a educação
político e militar que dominava o dialógica é a base para impulsionar a
Brasil naquela época ao qual educação libertadora das massas, sem
considerava sua metodologia precisar excluir a própria massa do

Costa, Menezes e Cunha Júnior


processo educativo. Pelas suas e inacabado, que busca na luta sua
importantes contribuições no âmbito completude. Deste modo,
educacional brasileiro e tudo que ele
representa a nação, Freire recebeu o Partir do saber que os
título de Patrono da educação educandos tenham não significa
ficar girando em torno deste
brasileira pela Lei nº 12.612/12, na saber. Partir significa pôr-se a
gestão da presidente Dilma Rousseff, caminho, ir-se, deslocar-se de
que reconheceu a importância da um ponto a outro e não ficar,
contribuição do professor e de suas permanecer. Jamais disse, como
ideias para a educação do país e do às vezes sugerem ou dizem que
eu disse, que deveríamos girar
mundo. embevecidos, em torno do saber
Os diálogos problematizadores dos educandos, como mariposas
por Freire em um dos seus livros mais em volta da luz. Partir do ‘saber
conhecidos a Pedagogia do Oprimido, de experiência feito’ para
transcendem aos seu tempo visto que superá-lo não é ficar nele
(FREIRE, 1992, p. 70-71).
anuncia e denuncia uma realidade de
desigualdade ainda existente, e se
A pedagogia de Freire constitui
constituem a tradução da luta dos
o espaço de construção da práxis
homens pela liberdade, pois é o
dialógica, visto que ao contrário dos
alicerce dialógico para que os
que pensavam em calar sua voz em
oprimidos percebam-se como como
favor dos oprimidos, não hesitou de
homem, ser histórico e protagonista
ampliar seus ideais e fez do exílio um
de sua realidade.
momento de larga produção, o qual
A pedagogia do oprimido, como fora descoberto pelos outros países a 148
151
pedagogia humanística e partir de seus escritos que rendeu
libertadora, terá dois momentos vários convites de trabalhos e títulos
distintos. O primeiro, em que os posteriores. Na percepção de Gadotti,
oprimidos vão desvelando
mundo da opressão e vão
(1996, p. 77).
comprometendo-se, na práxis
com a sua transformação; o A universalidade da obra de
segundo, em que, transformada Paulo Freire decorre dessa
a realidade opressora, esta aliança teoria-prática. Daí ser
pedagogia deixa de ser do um pensamento vigoroso. Paulo
oprimido e passar a pedagogia Freire não pensa pensamentos.
dos homens em processo de Pensa a realidade e a ação sobre
permanente libertação. ela. Trabalha teoricamente a
(FREIRE, 1987, p. 41) partir dela. É
metodologicamente um
pensamento sempre atual
Neste contexto para a
pedagogia freireana as experiências
dos sujeitos constituem um espaço de
A produção no exílio para além
diálogo, de problematização, de
de render títulos e prêmios, levou
questionamento do seu mundo e do
para o mundo as ideais e concepção
mundo que o cerca, visto que não há
freireana de educação popular crítica,
um conhecimento acabado é sempre
e humanizada, cujo o projeto
necessária a construção e
fundamenta-se no ato de educar-se
reconstrução do mesmo. Sobretudo
enquanto um ato político e
porque o homem enquanto produtor
emancipatório, que proporcione não
de conhecimento é um ser incompleto
somente o acesso ao processo de

Costa, Menezes e Cunha Júnior


alfabetização, mas sobretudo Campanha de Alfabetização da
instrumentalize homens e mulheres Tanzânia.
na busca pela redução das
desigualdades sociais e garantia de No livro “A importância do ato
direitos. de ler”, no artigo “O povo diz sua
palavra ou alfabetização em São
Necessitávamos de uma Tomé e Príncipe”, o ilustre educador
educação para a decisão, para brasileiro relata com maestria sua
responsabilidade social e experiência de colaborar na
política” (...) “uma educação reconstrução educacional das ilhas
corajosa que enfrentasse a
discussão com o homem
localizadas na região ocidental na
comum, de seu direito a aquela África, que acabara de tornar-se
participação” (FREIRE, 1986: 88 independente, para o mesmo
e 92). acreditava que nesse processo era de
extrema importância que o povo
Ao pensar a educação assumissem a tarefa de reestruturar
enquanto um direito de todos os sua sociedade. Assim destaca-se “a
sujeitos, Freire revolucionou o campo alfabetização de adultos enquanto ato
educacional no cenário nacional, visto político e ato de conhecimento,
que ressignificou a compreensão e a comprometida com o processo de
forma de pensar a alfabetização para aprendizagem da escrita e da leitura
pessoas adultas no país, isto porque, da palavra, simultaneamente com a
acrescentou uma perspectiva crítica e “leitura” e a “reescrita da realidade”
política ao ato de alfabetizar, levando [...]”. (FREIRE, 2002, p. 41).
em consideração, a história, a cultura O educador que foi 152
148
e as experiências de vida de cada alfabetizado pelos pais a sombra da
indivíduo, inaugurando assim, um mangueira do seu quintal utilizou-se
método que ultrapassou fronteiras e de sua experiência com o mundo da
chegou a alguns países no mundo, que leitura e da escrita na infância e criou
não somente utilizou no processo de um método revolucionário para o
alfabetização de adultos como campo da alfabetização de adultos.
desenvolveu diversos estudos sobre o Freire teve a oportunidade de colocar
mesmo. Como destacou Gadotti, em prática suas ideias em 1963 na
(2010, p. 01). cidade de Angicos no estado
nordestino Rio Grande do Norte, que
Na década de 70, Paulo Freire assim como outras dessa região
(1921-1997) assessorou vários
países da África, recém-
apresentava um expressivo número
libertada da colonização de trabalhadoras/es e analfabetos/as,
europeia, cooperando na sujeitos excluídos socialmente pelo
implantação de seus sistemas sistema de educação brasileira.
de ensino pós-coloniais. A sua Destacou Brandão, (1981, p.10-11).
primeira visita à África foi no
final de 1971, como membro do
“Um dos pressupostos do método é a
Departamento de Educação do ideia de que ninguém educa ninguém
Conselho Mundial de Igrejas, e ninguém se educa sozinho. A
com sede em Genebra, onde ele educação, que deve ser um ato
morava exilado. Ele foi para coletivo, solidário — um ato de amor,
Zâmbia e Tanzânia onde teve
contato com vários grupos
dá pra pensar sem susto —, não pode
engajados em movimentos de ser imposta.” E foi nessa perspectiva
libertação e colaborou na de construção coletiva do
conhecimento que esse expoente da

Costa, Menezes e Cunha Júnior


educação brasileira conseguiu ou digitais, das suas cátedras, dos
alfabetizar cerca de 300 adultos em canais de comunicação e mídias
apenas 45 dias entrando para história sociais a exemplo do Instituto Paulo
pelo seu compromisso político e Freire, a discussão nos espaços
pedagógico com uma alfabetização formativos a respeito de Freire ainda
consciente e emancipadora. pouca assim como a aplicabilidade de
O método criado por Paulo sua pedagogia na educação que vem
Freire, para além de partir da sendo intimidada por uma parcela de
realidade e das experiências dos representante da população (gestores
educandos, não utilizava as cartilhas públicos) que vive sob a lógica dos
com frases repetitivas e sem governos conservadores.
significado pedagógico e político para
os alfabetizandos/as, a ideia era Os ataques a Paulo Freire na
provocar reflexões, e discussões atualidade: um combate
politizadas sobre si e o mundo a sua
necessário para a
volta. Assim, o ato de aprender ler e
escrever era também um ato de transformação social
aprender pensar.
Mesmo diante do Ao debruçar na literatura de
reconhecimento do legado de Paulo Paulo Freire, educador e filósofo
Feire que tanto contribuiu com a renomado, logo percebemos que sua
educação brasileira, sobretudo na vida e obra despontam a sua
área de alfabetização, em especial indignação contra as injustiças sociais
para a educação de jovens e adultos, que negam o processo de
humanização. Seus inscritos, desde o 153
148
sua pedagogia vem sendo subsumida
pela lógica dos governos principio suscitam a utopia de uma
conservadores com implementação proposta politico pedagógica pautado
de politicas que refletem em no ideário da educação popular que
propostas pedagógicas vagas e que promove a conscientização política do
não permitem o desenvolvimento do povo, em nome da emancipação
senso critico dos sujeitos como é o social, cultural e política das classes
caso da BNCC. sociais excluídas e oprimidas.
Para Cortella (2011) o Sua gestão, teoria e prática
pensamento de Freire é novo e atual tem sido fonte de inspiração para
no sentido de que o novo se instala, muitas redes de ensino no Brasil
muda e permanece; anima e inspira. E comprometidas com uma educação
acrescenta: “Freire é um clássico critico emancipadora. Ao mesmo
porque o seu trabalho não perdeu tempo evoca mudanças de
vitalidade, não perdeu irrigação, paradigmas educacionais defendidos
conexão com a vida e com o sangue por vários pesquisadores e
que a vida partilha e emana”. (p.11). estudiosos da educação brasileira a
Deste modo, Freire é sempre atual, exemplo de Moacir Gadotti, Mario
possui amplo repertorio pedagógico Sérgio Cortela e Carlos Henrique
em suas mais 45 obras que suscitam Brandão. Essas mudanças exigem
sua pedagogia emancipatória tão uma postura crítico-reflexiva de
necessária para a sociedade atual. educadores e educandos frente ao
No entanto, vimos que apesar contexto social pela qual se encontra
da difusão de sua pedagogia por emergido. Considerando a influência
meios de suas obras seja impressas que exerce nas academias e na
formação politica e cidadã que

Costa, Menezes e Cunha Júnior


perpassa gerações numa sociedade no inicio de sua gestão constatamos a
hegemônica, mesmo passados 35 prática de todo esse discurso que fora
anos do fim da ditadura no Brasil, disseminado em seu governo a
Paulo Freire vem sofrendo sérios começar pelo ministro da educação
ataques em consequência da nova da época Abraham Weintraub que fez
onda conservadora que assola o país várias ofensas a Freire na tentativa de
desde o golpe politico e midiático de bani-lo das escolas,
2016. As ofensas são lançadas nas responsabilizando assim o educador
mídias sociais e nos discursos pela piora na qualidade do ensino
políticos sob a lógica do atual sem, no entanto apresentar bases
governo, ao sentir-se ameaçado por empíricas para isso. Foram afrontas
uma educação pautada no sem fundamentos, mas que acabou
pensamento critico e reflexivo. ganhando apoiadores nas redes
A esse respeito, Sergio Haddad sociais.
um dos grandes defensores de Freire, Em função desse governo
concede uma entrevista ao jornal antidemocrático, que não considera a
folha de São Paulo publicada em 14 relação dialógica entre sujeitos e
de abril 2019 onde comenta esses diante de tantas injúrias praticadas
ataques. na atual gestão, se assemelhando até
ao tempo da ditadura militar, pois
A despeito de tão vasto nunca se viu na atualidade tantos
reconhecimento, Freire vem militares exercendo ministérios de
sendo reiteradamente
desqualificado no debate
onde não são habilitados, e, portanto,
público brasileiro desde a nota-se um retrocesso na educação 154
148
recente ascensão de setores diante de tudo que já havíamos
conservadores. conquistado historicamente. Nesse
Na onda intolerante que se sentido, afirmamos que Freire nos
formou no país após 2015, a
partir da crise do governo Dilma
últimos anos nunca foi tão necessário
Rousseff (PT), grupos foram às como agora para traçar um combate
ruas com propostas coletivo contra qualquer forma de
antidemocráticas, homofóbicas, opressão.
racistas e machistas. Era Nesse combate, trazemos a
comum encontrar nas
manifestações frases do tipo
tona à pedagogia freireana, cuja
“Chega de doutrinação marxista, proposta precisa está ativa nos
basta de Paulo Freire!”. espaços educativos, resgatando e
ressignificando saberes, sobretudo
Esses ataques se das classes populares. Em um
intensificaram desde o discurso de governo liderado pela extrema
campanha do atual presidente Jair direita, a necessidade de retomar o
Bolsonaro divulgados em diversos que preconiza Freire nas obras
noticiários do país como neste jornal Pedagogia do Oprimido e a Educação
Folha de S. Paulo. Na ocasião ele como pratica da liberdade, clássicos
afirmava que a educação brasileira de sua literatura torna-se atual para o
estava se afundando e instiga o momento presente quando a
debate acerca da ideologia de gênero sociedade almeja por libertação do
e o escola sem partido, demonstrando sistema dominante e opressor
sua indignação por qualquer forma de implícito na gestão do país. Deste
promoção do senso crítico da modo, é preciso ter consciência que,
população. Vencido às eleições, logo

Costa, Menezes e Cunha Júnior


"A libertação autêntica, que é a por meio da legislação, dos canais de
humanização em processo, não comunicação social, dos discursos
é uma coisa que se deposita nos
homens. Não é uma palavra a
atraentes ou de ações e projetos
mais, oca, mitificante. É práxis, intencionais. No entanto, devemos
que implica na ação e na está atentos para saber posicionar-se
reflexão dos homens sobre o e entender seus reais objetivos. A
mundo para transformá-lo." pedagogia do oprimido em Freire
(FREIRE, 1987, p.38)"
(1987) nos ensina a desenvolver uma
consciência politica e não aceitar o
Como já dizia Freire (1987, p.
processo alienante que oprime o
78), “não é no silêncio que os homens
cidadão.
se fazem, mas na palavra, no trabalho,
na ação-reflexão”, é um alerta para os A grande generosidade está em
dias atuais onde somos intimidados lutar para que, cada vez mais,
por tantos projetos de Lei que são estas mãos, sejam de homens ou
arquitetados pela bancada de povos, se estendam menos em
gestos de súplica. Súplica de
parlamentar que não leva em conta
humildes a poderosos. E se vão
justiça social e muito menos a fazendo, cada vez mais, mãos
igualdade humana. Prova disso é a humanas, que trabalhem e
proposta do Future-se, o Escola sem transformem o mundo. Este
partido entre outras proposições que ensinamento e este aprendizado
têm de partir, porém, dos
trazem um discurso aparentemente
‘condenados da terra’, dos
atraente, mas que por trás existe uma oprimidos, dos esfarrapados do
intencionalidade, que gera exclusão e mundo e dos que com eles se
exploração das pessoas. solidarizem (p. 42). 148
155
Diante dessa situação, a
pedagogia do oprimido de Freire A transformação parte dos
(1997) é uma forte aliada no oprimidos que uma vez
enfrentamento contra hegemônico conscientizados renunciam ao
que rege a sociedade brasileira na processo de exclusão sendo ele
atualidade. Recordamos como de fato próprio o protagonista da ação. Freire
se caracteriza, acredita que só por meio da educação
a verdadeira mudança acontece, “Se a
A pedagogia do oprimido, como
educação sozinha não transforma a
pedagogia humanista e sociedade, sem ela tampouco a
libertadora, terá dois momentos sociedade muda.” (FREIRE, 2000,
distintos. O primeiro em que os p.67) e ainda vai além: "Educação não
oprimidos vão desvelando o transforma o mundo. Educação muda
mundo da opressão e vão
comprometendo-se, na práxis,
pessoas. Pessoas transformam o
com a sua transformação; o mundo" (FREIRE 1979, p.84). São
segundo, em que, transformada sábias palavras que encorajam os
a realidade opressora, esta oprimidos e nos fazem acreditar que
pedagogia deixa de ser do a mudança é possível, desde que não
oprimido e passa a ser a
pedagogia dos homens em
sejamos contaminados ou
processo de permanente intimidados pela ideologia
libertação (p. 57). dominante.
Para isso é fundamento que
Sabemos que a classe nossos espaços formativos
dominante usa de vários artifícios possibilitem momentos de reflexão e
para impregnar sua ideologia, seja diálogo a fim de que haja a

Costa, Menezes e Cunha Júnior


consciência crítica definida como “a existência de vários projetos de
representação das coisas e dos fatos disputas na sociedade que emerge a
como se dão na existência empírica” opção de fazemos na defesa de um, e
(FREIRE, 2015). Conforme esse não de outro. De tal modo, “[...] não
pensamento a conscientização pode existir uma prática educativa
acontece quando existe um processo neutra, descomprometida, a política.
autêntico de reflexão. É nesse diálogo A diretividade da prática educativa
confrontando os fatos na realidade que a faz transbordar sempre de si
atual que se cria a autonomia para mesma e perseguir um certo fim, um
assumir o papel enquanto agente da sonho, uma utopia, não permite sua
transformação social. Freire (2015) neutralidade” (FREIRE, 2000c, p. 37).
em sua obra educação como prática Portanto, na sociedade atual é
da liberdade salienta que, inaceitável que as propostas impostas
para educação advindas do atual
Não há nada que mais governo sejam colocadas em prática
contradiga e comprometa a sem nenhuma reflexão. Ignorar
emersão popular do que uma
educação que não jogue o
Paulo Freire como preconiza os
educando às experiências do adeptos da extrema direita politica do
debate e da análise dos país é tornar ainda mais susceptível a
problemas e que não lhe desumanização, uma vez que seu
propicie condições de legado pensamento pedagógico nos
verdadeira participação. Vale
dizer, uma educação que longe
redimensiona para a educação
de se identificar com o novo humanizadora; como nos diz Gadotti
clima para ajudar o esforço de (1997, p. 07): “Paulo nos encantou 156
148
democratização, intensifique a com sua ternura [...]. Suas palavras e
nossa inexperiência ações foram palavras e ações de luta
democrática, alimentando-a.
(p.89)
por um mundo menos feio, menos
malvado, menos desumano”. Deste
É importante destacar que modo, sua vida e obra tem a função de
uma educação verdadeiramente impulsionar a todos o desejo da
comprometida com a formação de mudança por um mundo melhor.
pessoas éticas, criticas participativas Na luta contra a desigualdade
e engajadas na construção de que assola cada vez mais Brasil onde
sociedade mais justa e com já é considerado decimo país mais
responsabilidades social deve levar desigual do mundo segundo dados do
em consideração o contexto dos Relatório de Desenvolvimento
sujeitos, acolhendo, suas histórias, Humano (RDH), elaborado pelas
sua cultura, suas utopias. Assim a Nações Unidas em março de 2017, a
experiência educativa com os educação como ato politico e
conteúdos curriculares deve sempre libertador torna-se uma utopia
partir da realidade concreta dos necessária para a transformação
educandos, problematizando-as de social.
forma critica com vistas na Em suma, podemos dizer que a
transformação social. pedagogia freireana é revolucionaria,
Para o patrono da educação um resgate do sentido da utopia, pois
brasileira “a educação enquanto ato está estritamente ligada a uma
de conhecimento é também, por isso pedagogia do direito à educação.
mesmo, um ato político” (FREIRE, Portanto, o pensamento de Paulo
1982, p. 97), pois pressupõe a Freire deve subsistir a qualquer

Costa, Menezes e Cunha Júnior


forma manifestação contrária a sua processos educacionais é encorajar-
razão, na certeza de que é o caminho se para a luta incessante em prol de
para a libertação, desalienação, uma sociedade melhor. Portanto,
compreensão/conscientização de um manter Freire vivo no seio da
povo que clama por justiça e educação brasileiro, é um passo
igualdade social avante na formação de um povo que
uma vez conscientizado, não se deixa
Considerações finais enganar-se podendo agir como o
agente da transformação.
Ao debruçar pela literatura de
Paulo Freire, de modo particular nas Referências
obras Pedagogia do Oprimido e
Educação como prática da liberdade, BRASILEIRO, Ada Magaly Matias.
podemos imaginar que seu Manual de produção de textos
pensamento vai ao encontro do que Acadêmicos e científicos. São Paulo:
almejamos para a sociedade atual, Atlas, 2013.
embora tenha sido escrito há décadas.
Neste momento em que o país é BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é
governado por um grupo de extrema Método Paulo Freire. 18ª ed. São
direita que tenta a todo momento Paulo, Brasiliense. 1981.
banir o educador brasileiro mais
conhecido no mundo por seu BRASIL.. Lei n. 12.61/2012. Declara
importante legado, é fundamental o educador Paulo Freire Patrono da
resgatar o ideário de sua pedagogia Educação Brasileira. Brasilia 2012. 157
148
para o enfrentamento dessa
realidade. CORTELLA, Mário Sérgio. Paulo
Para o patrono da educação Freire: um pensamento clássico e
brasileira de nada vale decifrar as atual. Revista e Curriculum, São
letras, conhecer as palavras sem uma Paulo, v.7, n.3, p. 1-14, set./dez. 2011.
reflexão do seu significado
contextualizado com o mundo em que Disponível em: Acesso em: 20 abr.
vive. A fim de que haja 2012.
transformação, a educação oferecida
aos sujeitos precisar ter caráter, GADOTTI, M. Lições de Freire.
politico emancipatório que promova Revista da Faculdade de Educação,
uma reflexão critica entre o que se São Paulo, v. 23, n.1-2, Jan/ Dez, 1997
aprende na escola e a vida de cada
um/uma. Neste diálogo nasce o FREIRE. Paulo. Pedagogia do
conhecimento e constrói-se a Oprimido, 17° ed. Rio de Janeiro: Paz
cidadania pela autonomia dos sujeitos e Terra, 1987.
em formação.
Muitas pessoas ainda estão FREIRE. Paulo. Pedagogia da
com os olhos vendados para a indignação: cartas pedagógicas e
situação politica que envolve a nação outros escritos. Apresentação de Ana
e não enxergam as consequências que Maria Araújo Freire. Carta-prefácio de
pode acontecer. Trazer Paulo Freire Balduino A. Andreola. São Paulo:
para um diálogo efetivo e mais Editora UNESP, 2000.
próximo dos espaços formativos, da
prática docente e na gestão de

Costa, Menezes e Cunha Júnior


FREIRE. Paulo. Educação como MINAYO, Maria Cecília de Souza. O
prática da liberdade. 45. ed. São desafio do conhecimento: Pesquisa
Paulo: Paz e Terra, 2020 qualitativa. São Paulo: Hucitec, 2006.

FREIRE. Paulo. Educação como UNESCO - Organização das Nações


prática da liberdade [recurso Unidas para a Educação, a Ciência e a
eletrônico] / Paulo Freire. - 1. ed. - Cultura. La educacion de las
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015. personas adultas. La declaracion
de hamburgo. La agenda para
FREIRE. Paulo. Educação como elfuturo. 5ª conferencia
prática de liberdade. Rio de Janeiro: internacional de educación de las
Paz e Terra, 1986. personas adultas 14 - 18 de julio
1997. 55 p. Disponível
FREIRE. Paulo. Pedagogia da em:www.education.unesco.org/confit
esperança: um reencontro com a eia. Acesso 25 de julho, 2021.
pedagogia do oprimido. Rio de https://www1.folha.uol.com.br/ilustr
Janeiro: Paz e Terra, 1992. issima/2019/04/por-que-o-brasil-
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FREIRE. Paulo. Educação e freire-um-inimigo.shtml
mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1979.

FREIRE. Paulo. Paulo. Política e


educação: ensaios. 4. ed. São Paulo, 148
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Cortez, 2000c.

FREIRE. Paulo. Paulo. Educação: o


sonho possível. In. BRANDÃO, C. R.
(org.) O educador: vida e morte. Rio
de Janeiro: Graal, 1982. p. 89-101.

FREIRE. Paulo. Pedagogia da


autonomia: saberes necessários à
prática educativa. 31 ed. São Paulo:
Paz e Terra, 2005.

FREIRE. Paulo. Conscientização:


teoria e prática da libertação: uma
introdução ao pensamento de
Paulo Freire. Tradução de Kátia de
Mello e Silva. São Paulo: Cortez &
Moraes, 1979.

LAKATOS. Eva Maria: MARCONI,


Marina de Andrade. Fundamentos
de Metodologia Científica. 7. ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

Costa, Menezes e Cunha Júnior

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