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A Nau Catrineta

Este romance português conta a história de Diogo Soares, um general chamado "o Galego". Ele se apaixona pela filha de um rico mercador durante as bodas dela. Quando ela se recusa a ficar com ele, Diogo Soares a sequestra e mata o noivo. O povo se revolta e lincha Diogo Soares até a morte em retribuição por seus atos.

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A Nau Catrineta

Este romance português conta a história de Diogo Soares, um general chamado "o Galego". Ele se apaixona pela filha de um rico mercador durante as bodas dela. Quando ela se recusa a ficar com ele, Diogo Soares a sequestra e mata o noivo. O povo se revolta e lincha Diogo Soares até a morte em retribuição por seus atos.

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A Nau Catrineta

Romance tradicional português recolhido por Almeida Garrett no século XIX. Apresenta-se aqui a versão
de Lisboa, musicada e cantada por fausto Bordalo Dias.

Lá vem a Nau Catrineta - "acima, acima, gajeiro, - "Dar-te-ei tanto dinheiro


que tem muito que contar! acima ao tope real! que o não possas contar."
ouvide agora, senhores, olha se enxergas
uma história de pasmar. Espanha,
- "Não quero o vosso
areias de Portugal!"
Passava mais de ano e dinheiro
dia - "Alvíssaras Capitão, pois vos custou a ganhar."
que iam na volta do mar meu capitão-general!
já não tinham que comer, já vejo terras de Espanha, - "Dou-te o meu cavalo
já não tinham que manjar. branco
Areias de Portugal.
que nunca houve outro
Deitaram sola de molho
igual."
para o outro dia jantar;
Mais enxergo três
mas a sola era tão rija,
que a não puderam meninas - "Guardai o vosso cavalo,
tragar. debaixo de um laranjal: que vos custou a ensinar."
uma sentada a coser,
Deitam sortes à ventura outra na roca a fiar, - "Que queres tu meu
qual se havia de matar; a mais formosa de todas gajeiro
logo foi cair a sorte está no meio a chorar." que alvíssaras te hei-de
no capitão-general.
eu dar?"
- "Sobe, sobe, marujinho, - "todas três são minhas - "Eu quero a Nau
àquele mastro real, filhas. Catrineta,
vê se vês terras de Oh! quem mas dera para nela navegar."
Espanha, abraçar
as praias de Portugal!" a mais formosa de todas - "A Nau Catrineta amigo,
contigo a hei-de casar." É de el-rei de Portugal
- "não vejo terras de
Espanha, pede-a tu a el-rei, gajeiro,
nem praias de Portugal; que ta não pode negar."
- "A vossa filha não quero,
vejo sete espadas nuas
que estão para te matar." que vos custou a criar."
Romance de Diogo Soares

Diogo Soares No retrato da dor Tão vazia de sangue


O grande general Pedindo e implorando num De quanto está o inferno
Chamado "o Galego" pranto: cheio
O homem dos olhares fatais
"Eu peço-te Senhor E subiu ao cadafalso
Comanda sessenta mil Por reverência a Deus Cada degrau beijou
homens Que adoras concebido Murmurando baixinho
De terras estranhas No ventre sem mancha e O nome de Jesus a meio
Vencendo e lutando pecado
Seu filho Baltasar Soares
Por quem paga mais Não tomes minha filha
Que vinha de casa
Não leves meu tesouro
Eficaz nos sermões O qual vendo assim
Que eu morro de paixão
Insinuante pois Levar seu pai
Que eu morro tão
Ganhou a simpatia
abandonado" Lançou-se aos seus pés a
De príncipes e samurais
chorar
Mas Diogo Soares
Já é governador E por largo tempo
Mandou matar o noivo
Do reino de Pegu abraçados
Que chorava abraçado
Mais forte do que o rei No abraço dos mortais
À moça assustada tremendo
Mais rico por golpes
"Senhor porque vos levam
mestrais E a noiva estrangulou-se
Cruéis e vingativos
Numa fita de seda
Naquela cidade Senhor porque vos batem
Antes que a possuísse
Vivia um mercador E porque vos matam
À força o sensual galego
De nome Mambogoá medonhos?"
De fortuna sem fim A terra e os ares
"Pergunta-o aos meus
Tremeram com os gritos
E naquele dia pecados
Do choro das mulheres
O dia das bodas Que eles to dirão
Tamanhos que metiam
Casava uma filha Que eu vou já de maneira
medo
Com Manica Mandarim Que tudo me parece um
E o pai Mambogoá sonho"
Diogo Soares passou por ali
Pedindo pelas ruas
Ao saber da festa E foram tantas pedras
Justiça ao assassino
Felicitou noivos e pais Sobre o padacente
Acorda a cidade em
Que este morreu bramindo
E a noiva tão linda sossego:
O rosário dos seus pecados
Ofereceu-lhe um anel
"Ó gentes Ó gentes
Agradecendo a honra Ensopado na baba
Saí como raios
Por gestos puros e sensuais Do ódio dos homens
Na ira das chuvas
Escuma animal
Então o galego Na ventania do açoite
De todos os cães
Em vez de guardar E o fogo consuma
esfaimados
O devido decoro Seus últimos dias
Prendeu-a e disse-lhe E lhe despedace As crianças e os moços
assim: As carnes no meio da noite" Trouxeram seu corpo
Sem vida pelas ruas
"Ó moça formosa Em menos de um credo
Arrastado pela garganta
És minha, só minha Numa grande grita
A ninguém pertences P'lo amor dos aflitos E a gente dava esmola
A ninguém, senão a mim" Juntou-se ao velho o povo Oferecida aos meninos
inteiro Dava como se fosse
O pai Mambogoá
Uma obra muito pia e santa
Ao ver pegar o bruto Com tamanho furor
Tão rijo na filha E sede de vingança Assim terminam os anais
Ouvindo este insulto de Arrastaram-no preso Do grande general
espanto Diogo Soares ao terreiro Chamado "o Galego"
O homem dos olhares fata
Levantou as mãos aos céus E o povo a clamar
Os joelhos em terra Que a sua veia seja

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