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Iluminismo e Liberalismo no Século XVIII

O documento descreve as ideias centrais do Iluminismo no século XVIII, incluindo a defesa da razão sobre a fé, a crítica ao absolutismo e aos privilégios da nobreza e clero, e a defesa de ideias liberais como limites ao poder do Estado e direitos iguais para todos. Também apresenta alguns dos principais filósofos iluministas como Locke, Voltaire, Montesquieu e Rousseau e suas contribuições para o movimento.
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Iluminismo e Liberalismo no Século XVIII

O documento descreve as ideias centrais do Iluminismo no século XVIII, incluindo a defesa da razão sobre a fé, a crítica ao absolutismo e aos privilégios da nobreza e clero, e a defesa de ideias liberais como limites ao poder do Estado e direitos iguais para todos. Também apresenta alguns dos principais filósofos iluministas como Locke, Voltaire, Montesquieu e Rousseau e suas contribuições para o movimento.
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Profª. Ma. Gisély Damasceno Furtado 2ª Série – Ensino Médio História

HISTÓRIA DO SÉCULO XVIII – A BURGUESIA E AS REVOLUÇÕES

OBJETO DE CONHECIMENTO: ILUMINISMO E LIBERALISMO


ECONÔMICO
O Iluminismo foi um movimento intelectual que se tornou popular no
século XVIII, conhecido como "Século das Luzes". Surgido na França, a
principal característica desta corrente de pensamento foi defender o uso da
razão sobre o da fé para entender e solucionar os problemas da sociedade.
Os iluministas acreditavam que poderiam reestruturar a sociedade do
Antigo Regime. Defendiam o poder da razão em detrimento ao da fé e da
religião e buscaram estender a crítica racional em todos os campos do
saber humano.
Através da união de escolas de pensamento filosóficas, sociais e políticas,
enfatizavam a defesa do conhecimento racional para desconstruir
preconceitos e ideologias religiosas. Por sua vez, essas seriam superadas
pelas ideias de progresso e perfectibilidade humana.
Em suas obras, os pensadores iluministas argumentavam contra as
determinações mercantilistas e religiosas. Também foram avessos ao
absolutismo e aos privilégios dados à nobreza e ao clero. Estas ideias eram
consideradas polêmicas, pois isso abalava os alicerces da estrutura política
e social do Antigo Regime.
Desta maneira, filósofos como Diderot e D’Alembert buscaram reunir todo
o conhecimento produzido à luz da razão num compêndio dividido em 35
volumes: a Enciclopédia (1751-1780). A publicação da Enciclopédia contou
com a participação de vários expoentes iluministas como Montesquieu e
Jean-Jacques Rousseau.
Suas ideias se difundiram principalmente entre a burguesia, que detinha a
maior parte do poder econômico. Entretanto, não possuíam nada
equivalente em poder político e ficavam sempre à margem das decisões. O
iluminismo rejeitava a herança medieval e, por isso, passaram a chamar
este período de "Idade das Trevas". Foram esses pensadores que
inventaram a ideia que nada de bom havia acontecido nesta época.
Vejamos, a seguir, as principais ideias iluministas sobre economia, política
e religião.

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Em oposição ao Mercantilismo, praticado durante o Antigo Regime, os


iluministas afirmavam que o Estado deveria praticar o liberalismo. Ao invés
de intervir na economia, o Estado deveria deixar que o mercado a
regulasse. Essas ideias foram expostas, principalmente, por Adam Smith.
Alguns, como Quesnay, defendiam que a agricultura era a fonte de riqueza
da nação, em detrimento do comércio, como defendido pelos
mercantilistas.
Quanto à propriedade privada não havia consenso entre os iluministas.
John Locke enfatizava que a propriedade era um direito natural do homem,
enquanto Rousseau, apontava que esta era a razão dos males da
humanidade.
Contrários ao Absolutismo, os iluministas afirmavam que o poder do rei
deveria ser limitado por um conselho ou uma Constituição.
O escritor Montesquieu, por exemplo, defendia um modelo de Estado onde
o governo estaria dividido em três poderes: Legislativo, Executivo e
Judiciário. Assim, haveria equilíbrio e menos poder concentrado numa só
pessoa. Esta ideia de governo foi adota por quase todos os países do mundo
ocidental.
Igualmente, os súditos deveriam ter mais direitos e serem tratados de
forma igualitária.Com isso queria se afirmar que todos deveriam pagar
impostos e minorias, como os judeus, tinham que ser reconhecidos como
cidadãos plenos. É preciso lembrar que no Antigo Regime, as minorias
religiosas como judeus e muçulmanos, forma obrigados a se converter ou
a deixar os países onde estavam para escapar das perseguições.
Embora houvesse algumas vozes a favor das mulheres e até pensadoras
iluministas, como Émilie du Châtelet ou Mary Wollstonecraft, nenhum
homem defendeu realmente a concessão de direitos para elas.
A religião foi muito criticada por vários pensadores iluministas.
A maioria, defendia a limitação dos privilégios do clero e da igreja; bem
como o uso da ciência para questionar as doutrinas religiosas.
Havia aqueles que compreendiam o poder da religião na formação do ser
humano, mas preferiam que houvessem duas esferas distintas: a religião e
o Estado. De igual maneira, alguns iluministas defendiam o fim da igreja
como instituição e a fé deveria ser uma expressão individual.
Despotismo esclarecido
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As ideias iluministas se espalharam de tal modo que muitos governantes


buscaram implantar medidas embasadas no iluminismo para modernizar
seus respectivos Estados.
Isso acontecia sem que os monarcas abdicassem de seu poder absoluto,
apenas conciliando-o aos interesses populares. Deste modo, estes
governantes faziam parte do Despotismo Esclarecido.
Teóricos Iluministas
John Locke (1632-1704) foi filósofo inglês, um dos mais importantes
filósofos do empirismo. Exerceu grande influência sobre vários filósofos
de sua época, entre eles, George Berkeley e David Hume. Seu discípulo
Francês, Etienne Condilac, usou sua teoria empírica para criticar a
metafísica, no século seguinte.
Como representante do individualismo liberal, defendeu a monarquia
constitucional e representativa, que foi a forma de governo estabelecida na
Inglaterra, depois da Revolução de 1688.
Locke defendia a liberdade intelectual e a tolerância. Foi precursor de
muitas ideias liberais, que só floresceram durante o iluminismo francês no
século XVII. Locke criticou a teoria de direito divino dos reis, formulada
pelo filósofo Thomas Hobbes.
Para Locke, a soberania não reside no Estado, mas sim na população.
Afirmava que, para assegurar um Estado de direito, os representantes do
povo deviam promulgar as leis e o rei ou o governo executá-las.
Assim, apresentou uma teoria de divisão de poderes, que propunha o
equilíbrio entre o rei e o parlamento.
Voltaire foi um destacado filósofo, historiador e pensador do Iluminismo
francês, além de ter desenvolvido trabalhos como dramaturgo, poeta e
ensaísta. François Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire,
nasceu em Paris, no dia 21 de novembro de 1694. Descendente de família
aristocrática, Voltaire recebeu uma boa educação, sendo um aluno muito
aplicado. Estudou línguas (latim e grego), dialética e teologia, no colégio
jesuíta "Collège Louis-le-Grand", em Paris.
Os ideais de Voltaire estão bem alinhados com os de outros iluministas
franceses, mas com alguma ênfase na questão da liberdade. Voltaire
acreditava que o ser humano deveria ser livre para expressar sua vida
criativa, sem interferências de cunho moral e religioso. Ele era contra o
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absolutismo e a favor da separação entre Igreja e Estado, ou seja, foi um


dos primeiros defensores da ideia de Estado Laico.
Voltaire também era absolutamente a favor da liberdade de imprensa
e da liberdade de expressão, além da liberdade religiosa e da tolerância.
Para o pensador, o progresso da sociedade somente viria com o
reconhecimento dessas liberdades individuais e com o respeito e a
tolerância a todas as formas de pensar.
A tolerância era um tema essencial para ele, pois muitas vezes o filósofo foi
censurado e interditado por seu pensamento liberal. Voltaire, no entanto,
somente condenava e lutava contra dois tipos de pensamento: o fanatismo
e a superstição, pois estes levam a liberdade à ruína.
Montesquieu foi um dos mais importantes filósofos e pensadores do
iluminismo francês, ao lado de Voltaire e Rousseau. Considerado um dos
criadores da “Filosofia da História”, sendo sua maior contribuição
teórica, a separação dos poderes estatais, sistematizados em três
tipos: executivo, legislativo e judiciário. Filho de Marie Françoise de
Pesnel, de origem inglesa e Jacques Secondat, de descendência francesa,
Charles-Louis de Secondat, nasceu em Bordeaux, França, no dia 18 de
Janeiro de 1689. Pertencente à uma família aristocrática, Charles ficou
conhecido como Barão de La Brède e principalmente, por Montesquieu.
Teve uma boa educação e com apenas 16 anos ingressou na Universidade
de Bordeaux, no curso de Direito.
Foi um crítico do absolutismo e do catolicismo, defensor
da democracia, sendo sua obra mais destacada “O Espirito das Leis”,
publicada em publicação em 1748, um tratado de teoria política, no qual
aponta para a divisão dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário).
Ademais, criticou as autoridades políticas e religiosas, atitude muito
comum no pensamento iluminista da época. Atualmente, essa obra é
referência mundial para cientistas sociais e advogados.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um destacado filósofo social e
escritor suíço. O mais radical e popular dos filósofos que participaram do
movimento intelectual do século XVIII – o Iluminismo.
Sua obra principal, "O Contrato Social", serviu de verdadeiro catecismo
para a Revolução Francesa e exerceu grande influência no chamado
liberalismo político.
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Defensor ardoroso dos princípios de “liberdade, igualdade e fraternidade”, o


lema da revolução, é visto como o “profeta” do movimento.
Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, no dia 28 de junho de
1712. Filho de um relojoeiro protestante fica órfão de mãe logo ao nascer.
Em 1722 fica órfão de pai.
É educado por um pastor protestante na cidade de Bossey. Com 16 anos
de idade vai para Savóia, Itália, e sem meios de sobrevivência procura uma
instituição católica e manifesta o desejo de se converter-se ao catolicismo.
O Contrato Social, livro publicado em 1762, é um plano para a
reconstrução das relações sociais da humanidade. Seu princípio básico se
mantém.
“Em estado natural, os homens são iguais: os males só surgiram depois que
certos homens resolveram demarcar pedaços de terra, dizendo a si mesmo:
Esta terra é minha. E então nasceram os vários graus da desigualdade
humana”.
Para Rousseau a única esperança de garantir os direitos de cada um está
na organização de uma sociedade civil, com direitos iguais para todos. Isso
poderia ser realizado por meio de um contrato social estabelecido entre os
vários membros do grupo. Por esse acordo, cada indivíduo concordaria em
submeter-se à vontade da maioria: nasce o Estado.
Em Émile, o mesmo plano de reconstrução da humanidade baseia-se na
educação. É uma espécie de romance pedagógico.
Rousseau figura o herói como uma criança completamente isolada do meio
social, sem receber nenhuma influência da civilização. Seu professor não
tenta ensinar-lhe virtude alguma, mas trata de preservar-lhe a pureza do
instinto contra as possíveis insinuações do vício.
Adam Smith (1723-1790) foi um economista e filósofo social do
iluminismo escocês e é considerado o Pai da Economia Moderna. Abordou
questões como o crescimento econômico, ética, educação, divisão do
trabalho, livre concorrência, evolução social, etc.
Filho do advogado Adam Smith e de Margaret Douglas, Adam Smith
nasceu na pequena cidade portuária de Kirkcaldy, Escócia, em 16 de julho
de 1723.

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Ali não havia nenhuma atividade industrial exceto uma fábrica de alfinetes.
Observando a organização e funcionamento deste estabelecimento, Adam
Smith vai tomar contato com as novas formas de produção.
Adam Smith tomou notas durante mais de trinta anos sobre diversos temas
e levou mais dez para elaborar sua grande obra “Uma Investigação sobre a
Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”. O trabalho ficaria mais
conhecido como "Riqueza das Nações".
Ali explica a natureza do sistema econômico, as mudanças pelo qual a
economia passava no século XVIII e aponta novos caminhos diante
da Revolução Industrial inglesa que engatinhava.
Para Smith, a economia se move pelo interesse privado dos indivíduos.
Exemplo: um trabalhador não se levanta toda manhã apenas porque ama
seu trabalho ou deseja praticar o bem. Ele sabe que precisa desta ocupação
para sobreviver. No entanto, com este gesto, ele ajuda toda a sociedade,
pois graças ao seu esforço, as pessoas que dependem dele, também são
beneficiadas.
A metáfora da mão invisível se tornaria a figura mais famosa da economia
e o lema do liberalismo econômico.
Adam Smith a utiliza para explicar que a “mão invisível” leva os seres
humanos preferirem consumir produtos da indústria nacional e não da
estrangeira.
"O indivíduo, ao preferir dar apoio à indústria de seu país, mais do que à
estrangeira, se propõe unicamente buscar sua própria segurança (...) em
este como em muitos outros casos, uma mão invisível o leva a fomentar
uma atividade que não entrava nos seus propósitos".
O conceito de “mão invisível” será utilizado para explicar as leis de
mercado e o ajuste entre a oferta e procura.
Adam Smith defendia que o trabalho deveria ser realizado por etapas, a fim
de cada trabalhador fosse se aperfeiçoando e melhorando seu empenho ao
longo da produção.
Igualmente, transpôs essa ideia para as nações, afirmando que cada uma
deveria se especializar em fabricar apenas certos produtos com o objetivo
de vendê-los no mercado.
Isso criaria uma mão de obra qualificada e um conhecimento técnico difícil
de superar.
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No século XVIII vigorava a ideia que a riqueza de uma nação era a


quantidade de ouro e prata estocados em seus cofres. Para isso, era
necessário a intervenção estatal e os entraves ao comércio exterior. A este
conjunto de medidas se chamou Mercantilismo.
Adam Smith rechaça esta ideia e explica que a riqueza de um país reside
na habilidade de produzir bens. Para isso, deverá ter cidadãos capacitados
e um Estado que não seja interventor.
Smith defendia a liberdade contratual (entre patrões e empregados), a
propriedade privada e que o Estado não interferisse na economia.
Fisiocracia
Adam Smith realizou uma viagem à França, de 1764-1766, que será
decisiva em sua vida. Neste país conheceu os mais importantes fisiocratas
da época: François Quesnay e Anne Robert Jacques Turgot. Desse
encontro, nasceria o interesse de Smith pela Economia.
Os fisiocratas se baseavam na primazia do direito natural, do poder da terra
e dos proprietários, na liberdade de vender e comprar.
Para eles, a melhor forma de governo seria aquela que as coisas se
resolveriam por si mesmas, resumido na expressão francesa "laissez-faire"
(deixai fazer).
Um ano depois, retorna à Escócia e começa a redigir sua obra maestra. No
entanto, a situação da Escócia era muito diferente da França. Unida à
Inglaterra desde 1707, o cenário político era mais estável que o francês.
Dessa forma, foi inventada as máquinas à vapor por James Watt, que era
amigo pessoal de Adam Smith. Seu invento permitiu a criação da
locomotiva, ferrovias e grandes fábricas que mudariam por completo a
paisagem e a economia mundial.
Adam Smith não chegou a ver as grandes fábricas da Revolução Industrial,
mas soube antecipar as mudanças que elas trariam para o mundo.

ATIVIDADE

1. “(...) Todos achavam que as sociedades deviam ser organizadas tendo


em vista a felicidade. Considerava-se como legítima a busca do prazer. A
vida em sociedade exigia o respeito dos direitos naturais portanto a
tolerância e a prática da filantropia. Alguns reconheciam o direito à revolta
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no caso de violação desses direitos naturais, mas a maioria achava que


esses direitos seriam melhor garantidos por um príncipe esclarecido c todo-
poderoso. Supressão da servidão, liberdade econômica, tolerância
religiosa, abolição dos privilégios que consagrava a desigualdade dos
talentos eram as idéias mais difundidas no mundo das luzes. (...)”.
(CORVISIER, André. História Moderna. .São Pauto/SP - Rio de
Janeiro/RJ, Ed. Difel 1976. p. 371)
a)O que foi o Iluminismo?
b)Qual dos precursores do Iluminismo reconhecia o direito à revolta no
caso de viciação dos direitos naturais?
c) Qual dos filósofos iluministas defendia a divisão dos três poderes
(Executivo, Legislativo, Judiciário) como a forma racional ideal do
governo?
d) O Iluminismo é tido como um movimento que defendia os interesses da
burguesia. Explique como isso seria possível.
e) Quais eram os meios dos pensadores iluministas divulgarem as suas
ideias?
f) Iluministas como Voltaire consideravam as superstições e crendices
como frutos da ignorância, responsáveis pelo atraso, enquanto a razão
levava ao progresso humano. Você tem alguma superstição ou acredita em
alguma crendice? Qual e por quê?
g) Caso sua resposta anterior tenha sido não, pesquise e anote alguma
superstição ou crendice popular.

2) “Laissez-faire tomou-se o lema dos fisiocratas franceses que viveram na


época Goumay. Eles são importantes porque constituem a primeira escola
de economistas. E formavam um grupo que, a partir de 1757, se reunia
regularmente sob a presidência de François Quesnay para examinar
problemas econômicos. Os membros da escola escreveram livros antigos
pedindo a eliminação das restrições, defendendo o comércio livre, o
Laissez-faire,(...)”. (HUBERMAN. Leo- História da Riqueza do Homem. Rio
de .Janeiro/RJ. Ed. LTC-1986- pág-138)
a) Ao defender o livre comércio, o que os fisiocratas combatiam?
b) Qual a origem da riqueza para os fisiocratas?
c) Qual a origem da riqueza para Adam Smith?
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3) A origem das desigualdades: “O primeiro que cercou um terreno,


advertindo: ‘Este é meu’, e encontrou gente muito simples que acreditou,
foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Que crimes, guerras,
assassinatos, misérias e horrores teria poupado ao gênero humano aquele
que (...) tivesse gritado a seus semelhantes: ‘Não escutem este impostor;
vocês estarão perdidos se esquecerem que o fruto de todos, que a terra não
é de ninguém.” (ROUSSEAU, J. Jacques. Discurso sobre a Origem e
fundamento da Desigualdade entre os homens.) A partir do trecho acima,
responda.
a) Para Rousseau qual a origem da desigualdade entre os homens e por
quê?
b) Para Rousseau qual seria a forma de estabelecer a igualdade entre os
homens?
c) Você acha que as ideias de Rousseau têm serventia na nossa atual
sociedade? Por quê?

4. O que foi o Iluminismo?


a. O Iluminismo foi um acontecimento histórico da Idade Média, que
desenvolveu os conceitos sobre razão e racionalismo
b. Foi um amontoado de ideias sem explicação em que predominava o uso
da razão.
c. O Iluminismo foi, portanto, um conjunto de ideias desenvolvida na
Europa, sobretudo na França, que defendia o racionalismo como valor
essencial da sociedade, daí a ideia de luz, em oposição ao que os iluministas
consideravam trevas.
d. Foi um conjunto de ideias desenvolvido na Ásia, sobretudo no Japão,
que defendia o racionalismo como valor essencial da sociedade.

5. Qual das alternativas abaixo define melhor o que foi o Iluminismo?


A - Foi um movimento artístico do século XVI que revolucionou as artes
plásticas na Europa.
B - Foi um movimento popular que criticava o absolutismo e defendia um
governo comandado
pela Igreja Católica.
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C - Foi um movimento filosófico e educacional ocorrido na Europa do


século XVII, que pregava a
universalização do ensino (escola para todos).
D - Foi um movimento cultural ocorrido na Europa do século XVIII que
defendia a razão e
combatia o regime absolutista.

6. Qual das alternativas abaixo apresenta apenas posições e ideais


defendidos pelos
iluministas?
A - Defesa do regime absolutista, valorização do Mercantilismo; aumento
do poder político dos
membros da Igreja Católica.
B - Substituição do misticismo e crenças pela ciência; antropocentrismo;
críticas ao Mercantismo
e Absolutismo.
C - Fim de qualquer forma de governo; valorização das explicações
baseadas nas crenças
populares; sistema econômico controlado totalmente pelo Estado.
D - Aumento do poder das metrópoles sobre as colônias; criação de sistema
de eleições diretas
para escolher os reis; igualdade social (divisão igualitária dos bens e
propriedades).

7. O pensamento iluminista influenciou vários movimentos sociais que


ocorreram no
século XVIII. Qual das alternativas abaixo apresenta movimentos sociais
que receberam
influência dos ideais do Iluminismo?
A - Revolução Russa, Revoltas Camponesas na Idade Média, Revolução
Liberal do Porto.
B - Revolução Farroupilha, Revolução Industrial, Guerra Civil Espanhola.
C - Independências das colônias africanas, Guerra Civil dos Estados Unidos
e Independência do
Brasil.
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D - Revolução Francesa, Independência dos Estados Unidos e


Inconfidência Mineira.

8. Qual das alternativas abaixo apresenta nomes de importantes filósofos


iluministas?
A - Alberto Magno, Aristóteles, Karl Marx e Norberto Bobbio.
B - Leonardo Boff, Giordano Bruno, Albert Camus e Augusto Comte.
C - Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Diderot.
D - Umberto Eco, Epicuro, Paulo Freire e Thomas Hobbes.
OBJETO DE CONHECIMENTO: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
"A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento
tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do
século XVIII e que se espalhou pelo mundo, causando grandes
transformações. Ela garantiu o surgimento da indústria e consolidou o
processo de formação do capitalismo.
O nascimento da indústria causou grandes transformações na economia
mundial, assim como no estilo de vida da humanidade, uma vez que
acelerou a produção de mercadorias e a exploração dos recursos da
natureza. Além disso, foi responsável por grandes transformações no
processo produtivo e nas relações de trabalho.
A Revolução Industrial foi iniciada de maneira pioneira na Inglaterra, a
partir da segunda metade do século XVIII, e atribui-se esse pioneirismo aos
ingleses pelo fato de que foi lá que surgiu a primeira máquina a vapor, em
1698, construída por Thomas Newcomen e aperfeiçoada por James Watt,
em 1765. O historiador Eric Hobsbawm, inclusive, acredita que a
Revolução Industrial só foi iniciada de fato na década de 1780.
O avanço tecnológico característico da Revolução Industrial permitiu um
grande desenvolvimento de maquinário voltado para a produção têxtil, isto
é, de roupas. Com isso, uma série de máquinas, como a “spinning Jenny”,
“spinning frame”, “water frame” e a “spinning mule”, foram criadas para
tecer fios. Com essas máquinas, era possível tecer uma quantidade de fios
que manualmente exigiria a utilização de várias pessoas.
Posteriormente, no começo do século XIX, o desenvolvimento tecnológico
foi utilizado na criação da locomotiva e das estradas de ferro, que, a partir
da década de 1830, foram construídas por toda a Inglaterra. A construção
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das estradas de ferro contribuiu para ampliar o crescimento industrial, uma


vez que diminuiu as distâncias, ao tornar as viagens mais curtas, e ampliou
a capacidade de locomoção de mercadorias.
O desenvolvimento das estradas de ferro aproveitou a prosperidade da
indústria inglesa, uma vez que os financiadores de sua construção foram
exatamente os capitalistas que prosperaram na Revolução Industrial. Isso
porque a indústria inglesa não conseguia absorver todo o excedente de
capital, fazendo com que os investimentos nas estradas de ferro
acontecessem."
"A Revolução Industrial também gerou grandes transformações no modo
de produção de mercadorias. Antes do surgimento da indústria, a produção
acontecia pelo modo de produção manufatureiro, isto é, um modo de
produção manual que utilizava a capacidade artesanal daquele que
produzia. Assim, a manufatura foi substituída pela maquinofatura.
Com a maquinofatura, não era mais necessária a utilização de vários
trabalhadores especializados para produzir uma mercadoria, pois uma
pessoa manuseando as máquinas conseguiria fazer todo o processo
sozinha. Com isso, o salário do trabalhador despencou, uma vez que não
eram mais necessários funcionários com habilidades manuais.
Isso é evidenciado pela estatística trazida por Eric Hobsbawm que mostra
como o salário do trabalhador inglês caiu com o surgimento da indústria.
O exemplo levantado foi Bolton, cidade no oeste da Inglaterra. Lá, em 1795,
um artesão ganhava 33 xelins, mas, em 1815, o valor pago havia caído para
14 xelins e, entre 1829 e 1834, esse salário havia despencado para quase 6
xelins |2|. Percebemos aqui uma queda brusca no salário e esse processo
deu-se em toda a Inglaterra.
Além do baixo salário, os trabalhadores eram obrigados a lidar com uma
carga de trabalho extenuante. Nas indústrias inglesas do período da
Revolução Industrial, a jornada diária de trabalho costumava ser de até 16
horas com apenas 30 minutos de pausa para o almoço. Os trabalhadores
que não aguentassem a jornada eram sumariamente substituídos por
outros.
Não havia nenhum tipo de segurança para os trabalhadores e
constantemente acidentes aconteciam. O acidente mais comum era
quando os trabalhadores tinham seus dedos presos na máquina, e muitos
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os perdiam. Os trabalhadores que se afastavam por problemas de saúde


poderiam ser demitidos e não receberiam seu salário. Só eram pagos os
funcionários que trabalhavam efetivamente.
Essa situação degradante fez com que os trabalhadores mobilizassem-se
pouco a pouco contra seus patrões. Isso levou à criação das organizações
de trabalhadores (mais conhecidas no Brasil como sindicatos) e chamadas
na Inglaterra de trade union. Os trabalhadores exigiam melhorias salariais
e redução na jornada de trabalho.
Cartismo e ludismo
Dois grandes movimentos de trabalhadores surgiram dessas organizações
foram o ludismo e o cartismo. O ludismo teve atuação destacada no
período entre 1811 e 1816, e sua estratégia consistia em invadir as fábricas
e destruir as máquinas. Isso acontecia porque os adeptos do ludismo
afirmavam que as máquinas estavam roubando os empregos dos homens
e, portanto, deveriam ser destruídas.
O movimento cartista, por sua vez, surgiu na década de 1830 e lutava por
direitos trabalhistas e políticos para a classe de trabalhadores da Inglaterra.
Uma das principais exigências dos cartistas era o sufrágio universal
masculino, isto é, o direito de que todos os homens pudessem votar. Os
cartistas também exigiam que sua classe tivesse representatividade no
Parlamento inglês.
A mobilização de trabalhadores resultou em algumas melhorias ao longo
do século XIX. A pressão exercida pelos trabalhadores dava-se,
principalmente, por meio de greve. Uma das melhorias mais sensíveis
conquistadas pelos trabalhadores foi a redução da jornada de trabalho para
10 horas diárias, por exemplo.
A mobilização de trabalhadores enquanto classe, isto é, pobres
(proletários), não foi um fenômeno que surgiu especificamente por causa
da Revolução Industrial. Nas palavras de Eric Hobsbawm, o enfrentamento
dos patrões pelos trabalhadores aconteceu, porque a Revolução Francesa
deu-lhes confiança para isso, enquanto“a Revolução Industrial trouxe a
necessidade de mobilização permanente”.
Por que a Revolução Industrial aconteceu primeiro na Inglaterra?
A Revolução Industrial despontou pioneiramente, na segunda metade do
século XVIII, na Inglaterra e gradativamente foi espalhando-se pela Europa
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e, em seguida para todo o mundo. Mas por que necessariamente isso


ocorreu na Inglaterra? A resposta para isso é encontrada um pouco no
acaso e um pouco na própria história inglesa.
Primeiramente, é importante estabelecer que o desenvolvimento
tecnológico e industrial na Inglaterra foi possível, porque a burguesia
estabeleceu-se como classe e garantiu o desenvolvimento da economia
inglesa na direção do capitalismo. Isso aconteceu no século XVII, com a
Revolução Gloriosa.
A Revolução Gloriosa aconteceu em 1688 e consolidou o fim da monarquia
absolutista na Inglaterra (que já vinha enfraquecida desde a Revolução
Puritana, na década de 1640). Com isso, a Inglaterra transformou-se em
uma monarquia constitucional parlamentarista, na qual o poder do rei não
estava acima do Parlamento e nem da Constituição, no caso da Inglaterra
da Declaração de Direitos – Bill of Rights.
Assim, a burguesia conseguiu consolidar-se enquanto classe e governar de
maneira a atender aos seus interesses econômicos. Um acontecimento
fundamental para o desenvolvimento do comércio inglês ocorreu no meio
das duas revoluções do século XVII, citadas acima. Em 1651, Oliver
Cromwell decretou os Atos de Navegação, lei que decretava que
mercadorias compradas ou vendidas pela Inglaterra somente seriam
transportadas por embarcações inglesas.
Essa lei foi fundamental, pois protegeu o comércio, enfraqueceu a
concorrência dos ingleses e garantiu que os navios ingleses controlassem
as rotas comerciais marítimas. Isso enriqueceu a burguesia inglesa e
permitiu-lhes acumular capital. Esse capital foi utilizado no
desenvolvimento de máquinas e na instalação das indústrias.
Mas não bastava somente excedente de capital para garantir o
desenvolvimento industrial. Eram necessários trabalhadores, e a Inglaterra
do século XVIII tinha mão de obra excedente. Isso está relacionado com
os cercamentos que aconteciam na Inglaterra e que se intensificaram a
partir do século XVII.
Os cercamentos aconteciam por força da Lei dos Cercamentos (Enclosure
Acts), lei inglesa que permitia que as terras comuns fossem cercadas e
transformadas em pasto. As terras comuns eram parte do sistema feudal,

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que estipulava determinadas áreas para serem ocupadas e cultivadas pelos


camponeses.
Com os cercamentos, os camponeses que habitavam essas terras foram
expulsos, e as terras foram transformadas em pasto para a criação de
ovelhas. A criação de ovelhas era o que fornecia a lã utilizada em larga
escala na produção têxtil do país. Os camponeses expulsos de suas terras
e sem ter para onde ir mudaram-se para as grandes cidades.
Sem nenhum tipo de qualificação, esses camponeses viram-se obrigados a
trabalhar nos únicos locais que forneciam empregos – as indústrias. Assim,
as indústrias que se desenvolviam na Inglaterra tinham mão de obra
excedente. Isso garantia aos patrões poder de barganha, pois poderiam
forçar os trabalhadores a aceitarem salários de fome por uma jornada diária
exaustiva.
A adesão dos trabalhadores às indústrias ocorreu de maneira massiva
também por uma lei inglesa que proibia as pessoas de “vadiagem”. Assim,
pessoas que fossem pegas vagando pelas ruas sem emprego poderiam ser
punidas com castigos físicos e até mesmo com a morte, caso fossem
reincidentes.
Por último, destaca-se que o acaso e o fortuito também contribuíram para
que a Inglaterra despontasse pioneiramente. O desenvolvimento das
máquinas e das indústrias apenas ocorreu, porque a Inglaterra tinha
grandes reservas dos dois materiais essenciais para isso: o carvão e o ferro.
Com reservas de carvão e ferro abundantes, a Inglaterra pôde desenvolver
sua indústria desenfreadamente.
Fases da Revolução Industrial
A Revolução Industrial corresponde às modificações econômicas e
tecnológicas que consolidaram o sistema capitalista e permitiram o
surgimento de novas formas de organização da sociedade. As
transformações tecnológicas, econômicas e sociais vividas na Europa
Ocidental, inicialmente limitadas à Inglaterra, em meados do século XVIII,
tiveram diversos desdobramentos, os quais podemos chamar de fases.
Essas fases correspondem ao processo evolutivo das tecnologias
desenvolvidas e as consequentes mudanças socioeconômicas. São elas:
Primeira Revolução Industrial; Segunda Revolução Industrial; Terceira
Revolução Industrial.
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Primeira Revolução Industrial


A Primeira Revolução Industrial refere-se ao processo de evolução
tecnológica vivido a partir do século XVIII na Europa Ocidental, entre 1760
e 1850, estabelecendo uma nova relação entre a sociedade e o meio, bem
como possibilitando a existência de novas formas de produção que
transformaram o setor industrial, dando início a um novo padrão de
consumo. Essa fase é marcada especialmente pela:
• substituição da energia produzida pelo homem por energias como a
vapor, eólica e hidráulica;
• substituição da produção artesanal (manufatura) pela indústria
(maquinofatura);
• existência de novas relações de trabalho.
As principais invenções dessa fase que modificaram todo o cenário vivido
na época foram:
• a utilização do carvão como fonte de energia;
• o consequente desenvolvimento da máquina a vapor e da locomotiva;
• desenvolvimento do telégrafo, um dos primeiros meios de
comunicação quase instantânea.
• A produção modificou-se, diminuindo o tempo e aumentando a
produtividade; as invenções possibilitaram o melhor escoamento de
matérias-primas, bem como de consumidores, e também favoreceram
a distribuição dos bens produzidos.
Segunda Revolução Industrial
O petróleo passou a ser utilizado na Segunda Revolução Industrial como
fonte de energia para o motor à combustão.
A Segunda Revolução Industrial refere-se ao período entre a segunda
metade do século XIX até meados do século XX, tendo seu fim durante a
Segunda Guerra Mundial. A industrialização avançou os limites geográficos
da Europa Ocidental, espalhando-se por países como Estados Unidos,
Japão e demais países da Europa.
Compreende a fase de avanços tecnológicos ainda maiores que os
vivenciados na primeira fase, bem como o aperfeiçoamento de tecnologias
já existentes. O mundo pôde vivenciar diversas novas criações, que
aumentaram ainda mais a produtividade e consequentemente os lucros das

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indústrias. Houve nesse período, também, grande incentivo às pesquisas,


especialmente no campo da medicina.
As principais invenções dessa fase estão associadas ao uso do petróleo
como fonte de energia, utilizado na nova invenção: o motor à combustão.
A eletricidade, que antes era utilizada apenas para desenvolvimento de
pesquisas em laboratórios, nesse período, começou a ser usada para o
funcionamento de motores, com destaque para os motores elétricos e à
explosão. O ferro, que antes era largamente utilizado, passou a ser
substituído pelo aço.
Terceira Revolução Industrial
A Terceira Revolução Industrial ficou conhecida como Revolução
Tecnocientífica, especialmente pelo desenvolvimento da robótica.
A Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução
Tecnocientífica, iniciou-se na metade do século XX, após a Segunda Guerra
Mundial. Essa fase representa uma revolução não só no setor industrial,
visto que passou a relacionar não só o desenvolvimento tecnológico
voltado ao processo produtivo, mas também ao avanço científico, deixando
de limitar-se a apenas alguns países e espalhando-se por todo o mundo.
As transformações possibilitadas pelos avanços tecnocientíficos são
vivenciadas até os dias atuais, e cada nova descoberta representa um novo
patamar alcançado dentro dessa fase da revolução, consolidando o que
ficou conhecido como capitalismo financeiro. A introdução da
biotecnologia, robótica, avanços na área da genética, telecomunicações,
eletrônica, transporte, entre outras áreas, transformaram não só a
produção, como também as relações sociais, o modo de vida da sociedade
e o espaço geográfico.
Todo esse desenvolvimento proporcionado pelos avanços obtidas nas
diversas áreas científicas relacionam-se ao que chamamos de globalização:
tudo converge para a diminuição do tempo e das distâncias, ligando
pessoas, lugares, transmitindo informações instantaneamente, superando,
então, os desafios e obstáculos que permeiam a localização geográfica, as
diferenças culturais, físicas e sociais.
Consequências
De um modo geral, a Revolução Industrial transformou não só o setor
econômico e industrial, como também as relações sociais, as relações entre
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o homem e a natureza, provocando alterações no modo de vida das


pessoas, nos padrões de consumo e no meio ambiente. Cada fase da
revolução representou diferentes transformações e consequências
mediante os avanços obtidos em cada período.
A Primeira Revolução Industrial representou uma nova organização no
modo capitalista. Nesse período houve um aumento significativo de
indústrias, bem como o aumento significativo da produtividade (produção
em menor tempo). O homem, ao ser substituído pela máquina, saiu da zona
rural para ir para as cidades em busca de novas oportunidades, dando início
ao processo de urbanização.
Esse processo culminou no crescimento desenfreado das cidades, na
marginalização de boa parte da população, bem como em problemas de
ordem social, como miséria, violência, fome. Nessa fase, também, a
sociedade organizou-se em dois polos: de um lado a burguesia e do outro
o proletariado.
A Segunda Revolução Industrial teve como principais consequências,
mediante o maior avanço tecnológico, o aumento da produção em massa
em bem menos tempo, consequentemente o aumento do comércio e
modificação nos padrões de consumo; muitos países passaram a se
industrializar, especialmente os mais ricos, dominando, então,
economicamente diversos outros países (expansão territorial e exploração
de matéria-prima).
O avanço nos transportes possibilitou maior e melhor escoamento de
mercadorias e trânsito de pessoas; surgiram as grandes cidades e com elas
também os problemas como superpopulação; aumento das doenças;
desemprego e aumento da mão de obra barata e novas relações de
trabalho.
A Terceira Revolução Industrial e a nova integração entre ciência,
tecnologia e produção possibilitaram avanços na medicina; a invenção de
robôs capazes de fazer trabalho extremamente minucioso e preciso; houve
avanços na área da genética, trazendo novas técnicas que melhoraram a
qualidade de vida das pessoas; bem como diminuição das distâncias entre
os povos e a maior difusão de notícias e informações por meio de novos
meios de comunicação; o capitalismo financeiro consolidou-se e houve
aumento do número de empresas multinacionais.
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E não menos importante, todas essas transformações possibilitadas pela


Revolução Industrial como um todo transformaram o modo como o
homem relaciona-se com o meio. A apropriação dos recursos naturais para
viabilizar as produções e os avanços tecnocientíficos tem causado grande
impacto ambiental.
Atualmente, as alterações provocadas no meio ambiente têm sido
amplamente discutidas pelas comunidades internacionais, órgãos e
entidades, que expressam a importância de mudar o modelo de
desenvolvimento econômico que explora os recursos naturais sem pensar
nas gerações futuras.

ATIVIDADE

1. A enclosure ou cercamento:
a) é o processo de extinção dos campos abertos (open fields), provocando
o êxodo rural;
b) provocou a substituição dos grandes domínios rurais pelos pequenos,
cuja rentabilidade era maior;
c) implicou uma maior concentração de mão-de-obra agrícola, ao deter a
migração para as cidades;
d) foi um fenômeno exclusivo da Inglaterra, não aparecendo em nenhum
outro país;

2. A locomotiva a vapor de Stephenson, o telégrafo elétrico de Morse e o


processo Bessemer de fabricação do aço correspondem:
a) à Revolução Industrial antes de 1760;
b) à Revolução Industrial entre 1860 e 1900;
c) às inovações técnicas anteriores a 1860;
d) às inovações técnicas posteriores a 1860;

3. "Para ele, os fatos econômicos e a luta de classes são o motor da História;


o triunfo do proletariado e a implantação de uma sociedade sem classes
são o objetivo final. Esse objetivo, contudo, só será alcançado com a união
de todos os proletários."
O texto acima refere-se ao criador do socialismo científico:
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a) Karl Marx
b) Vladimir Lenin
c) Saint-Simon
d) Pedro Kropotkin

4. O primeiro país a se industrializar na Europa depois da Inglaterra foi:


a) a França
b) a Itália
c) a Rússia
d) a Bélgica

5. "A superioridade da indústria inglesa, em 1840, não era desafiada por


qualquer futuro imaginável. E esta superioridade só teria a ganhar, se as
matérias-primas e os gêneros alimentícios fossem baratos. Isto não era
ilusão: a nação estava tão satisfeita com o que considerava um resultado de
sua política que as críticas foram quase silenciadas até a depressão da
década de 80."(Joseph A. Schumpeter, "HISTÓRIA DA ANÁLISE
ECONÔMICA")
Desta exposição conclui-se por que razão a Inglaterra adotou
decididamente, a partir de 1840, o:
a) isolacionismo em sua política externa.
b) intervencionismo estatal na economia.
c) capitalismo monopolista contrário à concorrência.
d) livre-comércio no relacionamento entre as nações.

OBJETO DE CONHECIMENTO: REVOLUÇÃO FRANCESA


A Revolução Francesa, iniciada no dia 17 de junho de 1789, foi um
movimento impulsionado pela burguesia e contou com a participação dos
camponeses e das classes urbanas que viviam na miséria.
Em 14 de julho de 1789, os parisienses tomaram a prisão da Bastilha
desencadeando profundas mudanças no governo francês.
Contexto histórico
No final do século XVIII, a França era um país agrário, com a produção
estruturada no modelo feudal. Isso significava que existiam impostos e

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licenças que só eram válidos para determinadas regiões. O poder político


estava concentrado no rei e num pequeno número de auxiliares.
Por isso, para a burguesia e parte da nobreza era preciso acabar com o
poder absoluto do rei Luís XVI.
Enquanto isso, do outro lado do Canal da Mancha, a Inglaterra, sua rival,
desenvolvia o processo de Revolução Industrial.
Fases da Revolução Francesa
Para fins de estudo, a Revolução Francesa é dividida em três fases:
• Monarquia Constitucional (1789-1792);

• Convenção Nacional (1792-1795);

• Diretório (1795-1799).

Causas da Revolução Francesa


A burguesia francesa, preocupada em desenvolver a indústria no país,
queria acabar com as barreiras que restringiam a liberdade de comércio
internacional. Desta forma, era preciso que se adotasse na França, segundo
a burguesia, o liberalismo econômico.
A burguesia exigia também a garantia de seus direitos políticos, pois era ela
quem sustentava o Estado, posto que o clero e a nobreza estavam livres de
pagar impostos.
Apesar de ser a classe social economicamente dominante, sua posição
política e jurídica era limitada.
Iluminismo
O iluminismo se propagou entre os burgueses e propulsionou o início da
Revolução Francesa.
Este movimento intelectual fazia duras críticas às práticas econômicas
mercantilistas, ao absolutismo, e aos direitos concedidos ao clero e à
nobreza.
Seus autores mais conhecidos foram Voltaire, Montesquieu, Rousseau,
Diderot e Adam Smith.
Crise econômica e política
A crítica situação econômica, às vésperas da revolução de 1789, exigia
reformas, mas gerava uma crise política. Esta se agravou quando os
ministros sugeriram que a nobreza e o clero deveriam pagar impostos.
Pressionado pela situação, o rei Luís XVI convoca os Estados Gerais, uma
assembleia formada pelos três estamentos da sociedade francesa:
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• Primeiro Estado - composto pelo clero;


• Segundo Estado - formado pela nobreza;

• Terceiro Estado - composto por todos aqueles que não pertenciam

ao Primeiro nem ao Segundo Estado, no qual se destacava a


burguesia.
O Terceiro Estado, mais numeroso, pressionava para que as votações das
leis fossem individuais e não por Estado. Somente assim, o Terceiro Estado
poderia passar normas que os favorecessem.
No entanto, o Primeiro e o Segundo Estado recusaram esta proposta e as
votações continuaram a ser realizadas por Estado.
Desta forma, reunidos no Palácio de Versalhes, o Terceiro Estado e parte
do Primeiro Estado (baixo clero) se separam da Assembleia. Em seguida,
declaram-se os legítimos representantes da nação, formando a Assembleia
Nacional Constituinte e jurando permanecer reunidos até que ficasse
pronta a Constituição.
Monarquia constitucional (1789-1792)
No dia 26 de agosto de 1789 foi aprovada pela Assembleia a Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Esta Declaração assegurava os princípios da liberdade, da igualdade, da
fraternidade (“Liberté, égalité, fraternité” - lema da Revolução), além do
direito à propriedade.
A recusa do rei Luís XVI em aprovar a Declaração provocam novas
manifestações populares. Os bens do clero foram confiscados e muitos
padres e nobres fugiram para outros países. A instabilidade na França era
grande.
A Constituição ficou pronta em setembro de 1791. Dentre os artigos
podemos destacar:
• o governo foi transformado em monarquia constitucional;

• o poder executivo caberia ao rei, limitado pelo legislativo, constituído

pela Assembleia;
• os deputados teriam mandato de dois anos;

• instituído o voto censitário (só seria eleitor quem tivesse uma renda

mínima);
• suprimiram-se os privilégios e as antigas ordens sociais;

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• confirmaram-se a abolição da servidão e a nacionalização dos bens


eclesiásticos;
• manteve-se a escravidão nas colônias.

Convenção Nacional (1792-1795)


A Assembleia Legislativa foi substituída, através do sufrágio universal
masculino, pela Convenção Nacional, que aboliu monarquia e implantou a
República. Os jacobinos eram a maioria neste novo parlamento.
O rei Luís XVI foi julgado e sentenciado culpado por traição, sendo
condenado à morte por guilhotina e executado em janeiro de 1793. Meses
depois, a rainha Maria Antonieta teria o mesmo destino.
Internamente, as opiniões divergentes de como deveriam ser conduzida a
revolução, começavam a provocar divisão entre os próprios
revolucionários. Existiam basicamente dois grupos:
Os girondinos - representantes da alta burguesia, defendiam posições
moderadas e a monarquia constitucional.
Por sua parte, os jacobinos - representantes da média e da pequena
burguesia, constituía o partido mais radical, sob a liderança de Maximilien
Robespierre. Queriam a instalação de uma república e um governo popular.
O Terror (1793-1794)
Dentro do período da Convenção Nacional existe um ano extremamente
violento, onde as pessoas suspeitas de serem contrarrevolucionárias eram
condenadas à guilhotina. Este período ficou conhecido como "terror".
Isto foi possível graças a aprovação da Lei dos Suspeitos que autorizava
a prisão e morte dos considerados antirrevolucionários. Nessa mesma
altura, as igrejas eram encerradas e os religiosos obrigados a deixar seus
conventos. Aqueles que recusavam a jurar a Constituição Civil do Clero
eram executados. Além da guilhotina, os suspeitos eram afogados no rio
Loire.
A ditadura jacobina introduziu novidades na Constituição como:
• voto universal e não censitário;

• fim da escravidão na colônias;

• congelamento de preços de produtos básicos como o trigo;

• instituição do Tribunal Revolucionário para julgar os inimigos da

Revolução.

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As execuções tornaram-se um espetáculo popular, pois aconteciam


diversas vezes ao dia num ato público. Para os ditadores eram uma forma
justa de acabar com os inimigos, porém essa atitude causava medo na
população que se voltou contra Robespierre e o acusou de tirania.
Nessa sequência, após ser detido, Robespierre foi executado e este fato
ficou conhecido como “Golpe do 9 Termidor”, em 1794.
Diretório (1794-1799)
A fase do Diretório dura cinco anos e se caracteriza pela ascensão da alta
burguesia, os girondinos, ao poder. Recebe este nome, pois eram cinco
diretores que governavam a França.
Inimigos dos jacobinos, seu primeiro ato é revogar todas as medidas que
eles haviam feito durante sua legislação. No entanto, a situação era
delicada. Os girondinos atraíram a antipatia da população ao anular o
congelamento de preços.
Vários países, como a Inglaterra e o Império Austríaco, ameaçavam invadir
a França a fim de conter os ideais revolucionários. Por fim, a própria
nobreza e a família real no exílio buscavam organizar-se para restaurar o
trono.
Diante desta situação, o Diretório recorre ao Exército, na figura do jovem
general Napoleão Bonaparte para conter os ânimos dos inimigos.
Desta maneira, Bonaparte dá um golpe - o 18 Brumário - onde instaura o
Consulado, um governo mais centralizado que traria paz ao país por alguns
anos.
Consequências da Revolução Francesa
Em dez anos, de 1789 a 1799, a França passou por profundas modificações
políticas, sociais e econômicas.
A aristocracia do Antigo Regime perdeu seus privilégios, libertando os
camponeses dos laços que os prendiam aos nobres e ao clero.
Desapareceram as amarras feudais que limitavam as atividades da
burguesia e criou-se um mercado de dimensão nacional.
A Revolução Francesa foi a alavanca que levou a França do estágio feudal
para o capitalista e mostrou que a população era capaz de condenar um rei.
Igualmente, instalou a separação de poderes e a Constituição, uma herança
deixada para várias nações do mundo.

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Em 1799, a alta burguesia aliou-se ao general Napoleão Bonaparte, que foi


convidado a fazer parte do governo. Sua missão era recuperar a ordem e a
estabilidade do país, proteger a riqueza da burguesia e salvá-los das
manifestações populares.
Por volta de 1803 têm início as Guerras Napoleônicas, conflitos
revolucionários imbuídos dos ideais da Revolução Francesa que teve como
protagonista Napoleão Bonaparte.

ATIVIDADE

1. Descreva em itens a situação social, econômica e financeira da França


no final do século XVIII.

2. Leia os trechos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão a


seguir e responda as questões:
Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções
sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos
naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a
propriedade a segurança e a resistência à opressão.
Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o
próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem
por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade
o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados
pela lei.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém
dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente
comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.
a) Indique dois princípios Iluministas que inspiraram a declaração.
b) Qual dos artigos apresentados determina o fim das sociedades
estamental francesa? Justifique sua resposta.

3. A partir da imagem responda as questões sobre a sociedade francesa a


vésperas da Revolução.

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a) Como a sociedade francesa pode ser caracterizada a partir da


representação da charge?
b) Relacione a charge a realidade social da França.

OBJETO DE CONHECIMENTO: REVOLUÇÃO AMERICANA


A Independência dos Estados Unidos, também chamada de Revolução
Americana, foi declarada no dia 4 de julho de 1776.
A partir deste momento, a Inglaterra deixou de comandar os destinos dos
americanos.
Inicialmente, de 1776 a 1787, os Estados Unidos ficaram sob o regime de
Confederação, onde não havia um governo central e cada estado era
soberano.
Posteriormente, em 1787, foi promulgada a Constituição, que uniu os
territórios sob o regime de república presidencialista.
Antecedentes da Independência dos Estados Unidos
Após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), o Parlamento inglês decidiu
aumentar as taxas nas 13 Colônias para cobrir os custos do conflito.
Os colonos também teriam que arcar com a construção de fortes, manter
os soldados deslocados para o território americano e foram proibidos de
atravessar os Montes Apalaches.
Desta maneira, George Grenville, primeiro-ministro britânico, enviou uma
força militar de 10 mil homens, para a América. Um terço das despesas
seria abonado com dois novos impostos: a Lei do Açúcar (Sugar Act) e a Lei
do Selo (Stamp Act).
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A Lei do Açúcar (1764) estabelecia novas taxas alfandegárias sobre grandes


quantidades deste produto. No ano seguinte, foi aprovada a Lei do Selo,
que obrigava o uso de uma estampa em documentos, livros, jornais,
baralhos etc. Esta lei foi tão impopular e aconteceram tantos protestos, que
o governo inglês a revogou.
Em 1767, diante de novas taxas sobre vidros, papéis, tintas e a Lei do Chá
(Tea Act), que dava o monopólio desse comércio à Companhia das Índias
Ocidentais, a crise eclodiu.
Descontentes, os colonos argumentaram que as leis eram ilegais. Afinal,
eles faziam parte do Reino, mas não tinham representantes no Parlamento
na metrópole. Este sentimento foi resumido no slogan “no taxation without
representation” (nenhuma tributação sem representação). A reclamação,
contudo, foi ignorada pelos ingleses.
Em 1770, ocorreu o Massacre de Boston, uma briga entre colonos e
soldados ingleses que terminou com a morte de cinco colonos americanos.
O fato rapidamente se tornou em um ato de propaganda contra os ingleses
e animou ainda mais os colonos que desejavam a separação da Inglaterra.
Três anos mais tarde, em dezembro de 1773, como protesto pela Lei do
Chá, vários colonos invadiram navios que estavam ancorados no porto de
Boston e jogaram o carregamento de chá ao mar. O episódio ficou
conhecido como “Festa do Chá de Boston”.
Em represália, em 1774, o governo inglês decretou os Atos Intoleráveis (ou
Leis Intoleráveis), que atingiam, especialmente, os habitantes de
Massachustes.
Os Atos Intoleráveis fecharam o porto de Boston até ser paga a indenização
pelo chá destruído, se proibiram as reuniões, manifestações públicas contra
o rei da Inglaterra, entre outros.
Guerra de Independência dos Estados Unidos
Indignados com as Leis Intoleráveis, representantes dos colonos reuniram-
se no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, realizado em
setembro de 1774. Nele, resolveram enviar ao governo inglês um pedido
para que fossem revogados os Atos Intoleráveis.
A resposta inglesa foi negativa e ingleses e colonos se enfrentaram nas
batalhas de Lexington e Concord.

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Ante as hostilidades, em 1775, os delegados dos estados voltaram a se


reunir no Segundo Congresso Continental da Filadélfia onde
declararam guerra à Inglaterra.
Nesta mesma ocasião, George Washington foi nomeado comandante das
forças americanas e Thomas Jefferson ficou encarregado de redigir a
Declaração de Independência. Esta foi aprovada no dia 4 de julho de 1776,
colocando fim à dominação da Inglaterra no território americano.
Como era de se esperar, a Inglaterra enviou milhares de soldados para
recuperar a região e o conflito se estenderia até 1783. Durante a luta pela
Independência, os colonos contaram com a ajuda militar da Espanha,
Holanda e França.
A Inglaterra foi derrotada e reconheceria a independência dos Estados
Unidos através do Tratado de Paris, em 1783.
Consequências da Revolução Americana
A Revolução Americana separou os Estados Unidos da Inglaterra e
inspiraria movimentos como a Revolução Francesa e as independências
das colônias da América Latina.
Também foi a primeira vez que se colocaram em prática os princípios do
Iluminismo, como a separação de poderes, a garantia à liberdade individual
e à igualdade social.
Uma vez conquistada a independência, os colonos americanos começaram
a expandir-se para o Oeste onde chocariam com os espanhóis, os nativos
americanos e a questão da escravidão.

ATIVIDADES

1. A Independência dos Estados Unidos teve forte influência de uma


corrente filosófica da época, marque a alternativa correta.
a) Corrente filosófica Escolástica
b) Corrente filosófica Iluminismo
c) Corrente filosófica Patrística
d) Corrente filosófica Humanismo

2. Como era chamado os Estados Unidos na época colonial?


a) Colônia Americana
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b) Colônia Inglesa
c) Treze Colônias
d) Treze Américas

3. Em 1765, a Inglaterra criou a Lei do Selo, defina o que foi esta lei e o qual
reação ela provocou?

4. Em 1773, a Inglaterra criou a Lei do Chá, defina o que foi essa lei e o que
ela provocou?

5. Sobre a Independência dos Estados Unidos da América, assinale a


alternativa correta:
a) A origem do movimento da independência deve ser encontrada no
desenvolvimento uniforme das Treze
Colônias Inglesas.
b) O crescimento do comércio triangular, praticado pelas colônias de
povoamento situadas no Sul, gerou
atritos com a metrópole.
c) O Segundo Congresso Continental de Filadélfia definiu a necessidade de
separação dos Estados Unidos,
através da Declaração de Independência e instauração da independência
das Treze Colônias.
d) A política de conciliação adotada pela Inglaterra retardou o processo de
independência da Treze
Colônias Inglesas.

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