Central de Sines
Por Pires Barbosa
Tabela de conteúdo
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1 Apresentação da Central
2 Localização
3 Constituição da Central
4 Os Geradores de Vapor
4.1 Os geradores de vapor
5 Os turbo – alternadores
5.1 As turbinas
5.2 Os Alternadores
6 Abastecimento de carvão
7 Circuito de água de refrigeração
8 Parque de Alta Tensão
9 Ambiente
10 Alterações introduzidas nos geradores de vapor para melhoria das condições
ambientais
10.1 A nível de queimadores
10.2 O “Overfire air” OFA (Ar complementar de combustão)
10.3 Os cinzeiros secos
10.4 A dessulfuração
11 Cinzas
12 Desnitrificação
13 Local da instalação
Apresentação da Central
A Central Termoeléctrica de Sines é uma Central convencional que utiliza como combustível
o carvão fóssil importado.
É constituída por quatro grupos, cada um dos quais formando uma unidade produtora
autónoma com gerador de vapor, turbina, alternador e transformador.
A decisão da sua construção insere-se na estratégia de diversificação de fontes de energia
primária para a produção de energia eléctrica, após as crises petrolíferas de 1973 e 1979
que provocaram um enorme aumento nos custos dos produtos petrolíferos.
Iniciada a sua construção em 1979, ficou esta concluída em 1989, tendo o primeiro grupo
entrado ao serviço em 1985.
A potência total instalada é de 1256 MW, 4 grupos de 314 MW, com um consumo unitário de
116 t/h à carga nominal com carvão de 27600 kJ/kg, o que em laboração permanente pode
atingir um consumo total diário de cerca de 11000 toneladas de carvão.
O abastecimento de carvão é feito a partir do cais mineraleiro do porto de Sines, por tapete
transportador coberto até ao parque de carvão, cuja capacidade de armazenagem de 1.5
milhões de toneladas é equivalente a 5 meses de funcionamento da Central a plena carga.
A energia eléctrica produzida na Central é lançada na rede de transporte através de linhas de
alta tensão, a 150 kV para o 1º grupo e a 400 kV para os restantes grupos.
A Licença de Estabelecimento foi concedida em Março de 1981 tendo a entrada em serviço
industrial ocorrido em 1985, 86, 87 e 89, respectivamente para os 4 grupos.
Localização
Localização da Central
A central está localizada na costa Alentejana, cerca de 6 km a sudeste do porto de Sines, e é
a Central de maior potência instalada no país, sendo a primeira a queimar carvão
betuminoso importado.
A sua localização está associada à decisão de construção do complexo portuário-industrial de
Sines, baseada na proximidade de um porto de águas profundas, situado na confluência das
rotas internacionais e equipado com terminais petrolífero e mineraleiro. Este é pois o porto
carvoeiro nacional para abastecimento às Centrais de Sines e do Pego.
Constituição da Central
Implantação da Central
A Central é constituída principalmente por: adução (1), estação de bombagem (3), condutas
de adução (4), rejeição (5), despoeiradores electrostáticos, (17), grupo gerador de vapor
(18), edifício dos auxiliares eléctricos (19), sala de máquinas (20), transformador principal
(22), painéis de alta tensão (25), canais de rejeição (26), instalação de tratamento de
efluentes (27), silos de cinzas (28), torre dos transportadores de carvão (29), pilhas activas
(30), carro de transferência (31), pilha passiva (32).
Os Geradores de Vapor
Os geradores de vapor são do tipo convencional, com circulação natural e estão instalados
no interior da Central.
Os geradores de vapor
Características dos geradores de vapor
Gerador de vapor Foster Wheeler
Tipo ............................................................ Circulação natural
Combustível ................................................................. Carvão
Capacidade de vaporização ........................................ 950 t/h
Temperatura ................................................................ 535° C
Pressão do vapor
Sobreaquecido ........................................................... 167 bar
Reaquecido .................................................................. 47 bar
Rendimento ..................................................................... 87%
Consumo à máxima carga ........................................... 116 t/h
Queima a fuelóleo ...................................................... 13.8 t/h
Queimadores (unidades) ................................................... 20
Precipitador electrostático (rend.) ................................ 99.5%
Altura da Chaminé ....................................................... 225 m
Fabricante ...................................... MAGUE/FOSTER WHEELER
A capacidade de vaporização de cada um dos quatro geradores de vapor desta Central é de
950 t/h de vapor sobreaquecido à temperatura de 535 °C à pressão de 167 bar e reaquecido
à mesma temperatura e à pressão de 47 bar.
Por se tratar de um gerador de vapor alimentado a carvão, contém nos seus equipamentos
auxiliares, particularmente a montante dos queimadores, as bancas de carvão, os
alimentadores e os moinhos que pulverizam o carvão e a jusante no circuito ar – fumos, os
despoeiradores que retêm as cinzas volantes evitando a sua saída pela chaminé.
O gerador de vapor está suspenso, permitindo desta forma as grandes dilatações
expectáveis para um equipamento com uma altura aproximada de 70 m.
O cinzeiro embora apoiado, permite as dilatações através de selagem com a restante parte.
Os turbo – alternadores
As turbinas
As turbinas fornecem o binário motor para os alternadores. São constituídas por um corpo de
alta pressão, um de média pressão e dois de baixa pressão de duplo efeito.
O veio da turbina é horizontal e os corpos de cada uma das turbinas são de fluxo axial.
Características das turbinas
Tipo ................................................................. Fluxo axial
Potência .............................................................. 314 MW
Velocidade ........................................................ 3000 rpm
Nº de cilindros
Alta pressão ............................................................ 1
Média pressão ......................................................... 1
Baixa pressão .......................................................... 2
Pressão do vapor
Alta pressão .................................................. 167 bar
Média pressão ................................................ 47 bar
Consumo específico (máx. carga) ................ 8000 kJ/kWh
Rendimento ............................................................... 45%
Fabricante ...................................................... MAGUE/ABB
Dos corpos das turbinas são extraídas sete subtiragens que ligam a outros tantos pré-
aquecedores: quatro de baixa pressão, dois de alta pressão e o tanque de água de
alimentação. A água extraída do condensador a cerca de 34° C é bombada através dos pré-
aquecedores de baixa pressão e chega ao tanque de alimentação a 160° C.
Daqui as bombas de alimentação bombeiam a água, a qual após passagem pelos pré-
aquecedores de alta pressão entra no economizador à temperatura de 260° C.
Ciclo Térmico
Para que a turbina aumente ou reduza o binário motor necessário ao alternador em cada
instante, satisfazendo assim as necessidades dos consumidores ligados à rede nacional, está
esta equipada com um sistema de regulação electro-hidráulico.
Os Alternadores
Características dos alternadores
Tipo ......................................... Gerador síncrono
Potência aparente ................................ 360 MVA
Factor de potência ...................................... 0.85
Velocidade .......................................... 3000 rpm
Refrigeração
Rotor ........................................... Hidrogénio
Estator ................................................. Água
Tensão de geração..................................... 18 kV
Excitação ................................................ Estática
Fabricante ................................................ MAGUE
Cada alternador tem uma potência de 314 MW, gerando uma tensão de 18 kV, controlada
instantaneamente por um sistema de excitação estático.
Para o arrefecimento do alternador utiliza-se um circuito fechado com hidrogénio, sendo
ainda o estator arrefecido com água desmineralizada.
Abastecimento de carvão
Para o abastecimento da Central o carvão é importado em navios graneleiros que
descarregam no cais mineraleiro do porto de Sines.
Parque de combustível
Armazenagem .................................. 1.5 X 106 t
Reserva de funcionamento .................. 5 meses
Parque de Carvão
A partir do porto é transportado para o parque de carvão da central por meio de um sistema
de tapetes transportadores e de máquinas de parqueamento com uma capacidade de 2000
t/h.
Transporte e manuseamento do carvão
O parque de carvão constituído por uma pilha passiva e quatro pilhas activas, tem uma
capacidade de armazenagem de 1.5 milhões de toneladas, permitindo a constituição de uma
reserva de 5 meses para o funcionamento da central a plena carga.
Do parque, o carvão é enviado para os silos que alimentam os moinhos, através de
máquinas de retoma e de um sistema de tapetes transportadores com uma capacidade de
1500 t/h.
Nos moinhos o carvão é seco e reduzido a pó fino a fim de assegurar uma combustão
completa na câmara de combustão.
Circuito de água de refrigeração
A refrigeração da central é feita em circuito aberto, por circulação da água do mar com um
caudal de 10 m³/s por bomba e por grupo.
Tipo ........................................... Aberto
Nº de bombas ............. 4 (1 por grupo)
Caudal ........................ 10 m³/s bomba
A tomada de água é formada por dois molhes, entre os quais foi dragado um canal para
dissipação da energia das ondas e para a sedimentação das matérias em suspensão.
O condensador é formado por tubos de titânio para evitar a sua corrosão pela água salgada.
Adução e rejeição
Turbina de recuperação de energia
Antes de regressar ao mar, e com o objectivo de recuperar parte da energia da bombagem,
a água do circuito de rejeição acciona quatro turbinas hidráulicas do tipo Kaplan, acopladas a
alternadores com a potência nominal de 900 kVA cada um.
Parque de Alta Tensão
Características
Parque de Alta Tensão
Esquema unifilar
Transformadores
Principal
Potência aparente ................................. 340 MVA
Relação de transformação
Grupo 1................................................ 18/150 kV
Grupo 2 ............................................... 18/400 kV
Regulação ................................ ± 5% (em carga)
Fabricante .............................................. EFACEC
Auxiliar de grupo
Potência aparente ........................ 50/30/30 MVA
Relação de transformação ...................... 18/6 kV
Fabricante .............................................. EFACEC
Auxiliares gerais
Potência aparente .................................... 30 MVA
Relação de transformação ........................ 60/6 kV
Fabricante ................................................ EFACEC
O parque de alta tensão, ligado à subestação de Sines por linhas aéreas, está equipado com
quatro transformadores principais de 340 MVA cada e com os respectivos quatro
transformadores auxiliares de grupo de 30 MVA.
Transformador principal
O transformador do grupo 1 eleva a tensão de 18 kV para 150 kV destinando-se
essencialmente ao abastecimento da região sul do país. Os restantes elevam a tensão a 400
kV.
A central está também ligada à subestação de Sines por uma linha de 60 kV destinada a
fornecer energia para os serviços auxiliares gerais da central.
É por esta linha de alta tensão que a energia produzida na central pelos alternadores das
turbinas de recuperação é enviada para a rede nacional.
Ambiente
Gestão de rede ................................................................ DGQA
Nº de postos de vigilância........................................................ 5
Poluentes controlados ................ SO2, NOx e partículas sólidas
As medidas implementadas para a manutenção de elevados níveis de qualidade do ambiente
circundante à central, permitem garantir que o bem-estar das populações e as actividades
económicas da região não são afectados.
Com efeito, para além dos estudos realizados na fase de projecto para minimizar os
impactes ambientais, foram também adoptadas um conjunto de medidas de exploração,
nomeadamente:
Construção de duas chaminés com 225 m de altura de forma a assegurar uma boa
dispersão das emissões gasosas;
Utilização de carvões de baixo teor de enxofre, para redução das emissões atmosféricas
de dióxido de enxofre;
Instalação de despoeiradores electrostáticos de elevado rendimento, para redução das
emissões atmosféricas de poeiras;
Instalação de equipamento de controlo das emissões de poluentes da qualidade da
queima do carvão;
Instalação de estações de tratamento de efluentes líquidos, minimizando a
contaminação do meio aquático;
Revestimento interno dos parques de carvão e de cinzas de modo a evitar a
contaminação das águas subterrâneas e obertura do sistema de transporte de carvão;
Instalação de sistemas de insonorização dos equipamentos ruidosos, limitando o ruído a
mínimos aceitáveis.
Alterações introduzidas nos geradores de vapor para melhoria
das condições ambientais
Tendo em vista cumprir com a legislação em vigor no que se refere à melhoria das condições
ambientais, foram introduzidas diversas alterações nos sistemas de combustão e dos gases
resultantes, tais como:
A nível de queimadores
Substituição dos queimadores de carvão de projecto por novos queimadores com ainda
mais baixo teor de NOx. Acção que teve início em 1997 com a montagem de um grupo
gerador por ano, tendo o último conjunto sido instalado no ano 2000;
Os NOx têm grande poder contaminante porque participam nas reacções fotoquímicas que se dão na
atmosfera, em parte devido à sua forte absorção das radiações UV. O resultado da união do NOx+HC+Luz Solar
que se produz na atmosfera urbana, constitui o denominado “Smog” fotoquímico que é a causa de problemas
respiratórios e danos nos olhos. Além disso, os óxidos de azoto provocam a perda de cor de algumas tintas
utilizadas em tecidos, tais como: “nylon”, algodão, etc..
Com a introdução dos novos queimadores, foram também as caldeiras equipadas com um
sistema de overfire air SOFA (secondary over fire air) como reforço para a redução do NOx,
operação realizada nas quatro caldeiras e que ficou concluída durante o ano de 2004.
Pretendendo reduzir ainda mais o valor da emissão de NOx foi mais tarde decidido
complementar o sistema SOFA com um outro sistema, o BOFA (booster over fire air) cuja
instalação nas quatro caldeiras se prevê estar concluída em Agosto de 2008.
Queimadores RoBTAS de Baixo Teor de NOx (Round Tilted Air Supply)
A formação dos óxidos de azoto produzidos pela combustão, está dependente dos teores de
azoto contidos no combustível, neste caso o carvão, e da estequiometria do processo de
combustão.
Para reduzir os níveis de formação de NOx, o processo de combustão é efectuado em duas
fases – rica e pobre em combustível. A fase rica é criada pela redução da quantidade de
oxigénio disponibilizado para a combustão, durante as fases iniciais do processo de queima.
Isto consegue-se desviando parte do ar de combustão para a parte exterior da chama,
afastando-o do centro da mesma, rico em combustível.
À medida que a formação de NOx aumenta com a temperatura da combustão, o
equipamento de queima de BT de NOx permite que a combustão se dê com temperaturas
máximas da chama com valor inferior às proporcionadas pelo equipamento de queima
convencional.
Desta forma os queimadores reduzem o nível de emissão de NOx:
Atrasando a relação da mistura do combustível com o ar e fazendo o controlo do
combustível e do ar para redução da temperatura da chama:
Permitindo que a combustão se dê em áreas de mistura muito rica para que tenham
lugar reacções redutoras do NOx;
Obtendo pronta ignição do caudal de combustível injectado, de forma a queimar a
matéria volátil do carvão numa zona rica em combustível antes de se dar a diluição com
o ar secundário.
Seguindo a filosofia atrás descrita, os queimadores do tipo RoBTAS, baseados no conceito de
mistura distribuída, fora projectados para fazer o controlo da mistura e estequeometria do
combustível e do ar na zona de pré-combustão da câmara, com o intuito de atrasar a
conversão do N do combustível em NOx. Isso é conseguido mediante o controlo da impulsão,
direcção e quantidade das correntes de combustível e ar nos próprios queimadores.
Far-se-á de seguida uma breve descrição dos diversos componentes do queimador e da
acção que cada um deles desempenha no processo de combustão.
Tubo Central do Ar
Por este tubo passa o ar de combustão proveniente do caixão de ar dos queimadores. A sua
regulação é feita através de uma válvula de borboleta, para que o ar seja injectado na área
central anelar da mistura ar primário/carvão pulverizado (AP/CP).
Através deste tubo são também fornecidas à parte central da chama, pequenas quantidades
de ar a temperaturas elevadas (>350ºC), facilitando-se a ignição de carvões com baixo teor
de voláteis.
Queimador RoBTAS de Baixo Queimador auxiliar de Queimador de acendimento a
Teor de NOx acendimento a fuelóleo fuelóleo
O tubo central do ar aloja também no seu interior um sistema de arranque da caldeira por
queima de óleo combustível – o queimador de fuelóleo – com sistema de atomização a vapor
através de atomizadores do tipo “F-jet”.
Entrada de AP/CP
Para correcção de distorções existentes na distribuição não homogénea do carvão
pulverizado, a entrada do AP/CP na respectiva câmara é feita de forma tangencial.
Placa traseira
A placa traseira ou frente do queimador está montada no caixão de ar e dispõe de várias
ligações conforme se pode observar na figura abaixo:
Ar primário
Tubo de ar primário
O tubo de ar primário combina-se com o tubo de ar central para proporcionar a passagem do
fluxo de ar primário/carvão pulverizado para a fornalha.
De acordo com a figura abaixo, a entrada de AP/CP para o conjunto é feita duma forma
descentrada, dando origem a que o carvão seja centrifugado no interior da câmara de
entrada.
O tubo de ar primário começa com uma zona cónica, que tem como função encaminhar o
AP/CP para o tubo principal. Na secção cónica estão montadas nervuras longitudinais
equidistantes, fabricadas em aço de liga de carboneto de silício (para resistir à erosão), que
têm ainda como efeito homogeneizar o caudal de AP/CP enviado ao bocal de injecção.
As nervuras promovem a recirculação periférica na zona de combustão das matérias voláteis,
reduzindo a velocidade e aumentando o tempo de residência do combustível na câmara de
combustão.
A combinação das barras redistribuidoras com a geometria do bocal de injecção do carvão
permite obter fluxos e concentrações de carvão que vão proporcionar a base para um bom
desempenho da queima com baixo teor de NOx, além de uma boa estabilidade da chama.
No tubo de ar primário estão instalados quatro termopares. Um deles está montado na parte
superior do tubo junto ao bocal AP/CP, com uma temperatura normal de funcionamento de
500/600ºC; os outros três estão colocados junto à secção cónica, fixos na parte exterior e
espaçados a intervalos regulares, sendo a sua temperatura normal de funcionamento 300 a
400ºC.
Estes termopares têm por função monitorizar duma forma contínua a temperatura do tubo
do ar primário, não permitindo desvios aos seus valores de projecto.
O bocal de injecção do carvão é construído em aço vazado com uma composição de 50%
níquel/50% crómio.
Na extremidade do bocal do queimador existem umas peças em forma de cunha, distribuídas
radialmente, cujo objectivo é obter uma chama estabilizada logo à saída do queimador. São
os “bluff bodies”, os quais criam uma zona de recirculação a jusante do bocal, permitindo a
estabilização da chama nesta zona e promovendo desta forma a rápida devolatilização do
carvão numa atmosfera com características redutoras.
Além disso, devido à sua forma e localização no bocal, estas peças dão origem à formação
de zonas ricas em combustível (faseamento do combustível) que ajuda a reduzir a formação
de NOx.
Ar secundário
O registo de ar secundário ou de “manga”
Destina-se a controlar a entrada de ar nos tubos de ar secundário e terciário, de forma a que
no total do ar da combustão, o ar secundário e o ar terciário juntos representem 70% do
total, sendo os restantes 30% fornecidos pelo ar primário.
O registo de ar secundário (manga) desloca-se axialmente abrindo gradualmente a
passagem de ar de acordo com a carga do queimador.
O “swirler” do ar secundário
O ar secundário necessita de alguma rotação antes de sair pelo respectivo bocal. As pás do
gerador de rotação do ar secundário (swirler) estão soldadas numa manga posicionada
manualmente em torno do exterior do tubo de AP/CP, imediatamente antes do bocal de
injecção de carvão. O swirler ocupa a largura da passagem anular do ar secundário
conferindo a este as características de fluxo adequadas ao ar que entra na fornalha.
Os “Bluff Bodies”
Na extremidade do bocal do queimador estão montadas umas peças em forma de cunha,
cujo objectivo é o de obter uma chama estabilizada logo à saída do queimador. Os “bluff
bodies” criam uma zona de recirculação da chama a jusante do bocal, promovendo a sua
estabilização naquela zona e promovendo a rápida devolatilização do carvão numa atmosfera
com características redutoras.
Além disso, devido à sua forma e localização no bocal, estas peças dão origem a zonas ricas
em combustível (faseamento do combustível) que ajuda a reduzir a formação de NOx.
Ar terciário
O ar terciário, da mesma forma que o secundário é introduzido nos queimadores a partir do
caixão de ar. Como cada um daqueles fluidos tem a sua função, há necessidade de separá-
los. O registo de ar terciário tem essa função, sendo o seu objectivo principal dirigir a maior
parte do ar para longe da base da chama do queimador, criando aquilo a que se chama o
“envelope de chama”. Na realidade o caudal de ar terciário corresponde a cerca de 75% do
total relativo aos 70% de ar secundário + terciário utilizados na combustão.
As lâminas fixas, situadas no interior do tubo de ar terciário têm como finalidade
homogeneizar o caudal vindo do caixão, caudal este com uma velocidade bastante elevada:
da ordem dos 50 m/s, para em conjunto com o bocal divergente e os blocos, se conseguir
fazer passar o ar terciário ao redor da zona interior da chama. Desta forma consegue-se
retardar a mistura do oxigénio na zona de reacção, mantendo a zona central de chama numa
condição de sub-estequeometria – mesmo com rácios elevados de ar/carvão no queimador –
factor bastante importante na redução dos teores de NOx.
Os blocos têm ainda por função produzir zonas de recirculação que vão permitir o
abaixamento da temperatura da chama.
O “Overfire air” OFA (Ar complementar de combustão)
Conforme verificado nos parágrafos anteriores os queimadores de baixo teor de NOx
funcionam com o ar de combustão fornecido em quantidades sub-estequeométricas, pelo
que para completar a combustão duma forma eficiente é necessário fornecer mais ar à
caldeira; para isso é utilizado o sistema de OFA.
No caso das caldeiras da Central de Sines o sistema consistiu inicialmente em quatro
câmaras de entrada de ar localizadas acima da última fila de queimadores de cada caldeira.
Mais tarde o sistema foi melhorado com a ampliação das câmaras de entrada do ar passando
o sistema a ser do tipo BOFA (booster over fire air).
As câmaras têm a possibilidade de regular o ângulo de entrada do ar na fornalha variando
desta forma o tempo de permanência do oxigénio naquela área. Para isso, cada câmara tem
um único bocal que pode ser inclinado por intermédio de uma alavanca de comando manual,
que permite optimizar o tempo de residência entre a zona principal da combustão e a fase
final desta com recurso à introdução de ar por cima dos queimadores.
A modificação do processo de combustão nesta zona é utilizada para equilibrar a produção
de NOx com a quantidade de carvão não queimada.
A quantidade de ar fornecida pelo sistema depende das condições de funcionamento do
grupo, mas em média e à carga nominal, atinge cerca de 20% do total do ar fornecido à
caldeira.
Para a instalação das câmaras OFA foi necessário montar derivações conduzindo parte do ar
secundário quente que circula nas condutas existentes em cada lado da fornalha.
Para a instalação do sistema BOFA foi duplicado o nº de derivações estando duas das
câmaras instaladas nas paredes laterais das caldeiras. O ar secundário passou a ser
comprimido através de dois ventiladores (boosters) colocados um em cada conduta do ar
secundário.
NOx a 6% O2 Partículas a 6% O2
Queimador original 1500 mg/Nm3 150 mg/Nm3
Queim. BT NOx c/OFA 750 mg/Nm3 150 mg/Nm3
Queim. BT NOx c/BOFA 500 mg/Nm3 140 mg/Nm3
Com Dessulfuração 500 mg/Nm3 50 mg/Nm3
Quadro resumo das emissões com os diversos tipos de queimadores e dessulfuração
Os cinzeiros secos
Em 2004 teve início a substituição dos cinzeiros húmidos por cinzeiros secos, com a
vantagem principal da redução da contaminação provocada pela água residual do
processo. A introdução dos cinzeiros secos não teve qualquer influência nos valores de
NOx emitidos nem na redução das partículas. O rendimento térmico das caldeiras
também não foi influenciado.
A dessulfuração
A instalação de sistemas de dessulfuração teve início em 2005 e término em 2008.
Com a instalação de dessulfuração pretendeu-se reduzir as actuais emissões de SO2 para
valores compatíveis com o estabelecido no Decreto – Lei 178/2003.
O projecto compreende a instalação de uma unidade de dessulfuração por caldeira utilizando
o processo húmido calcário/gesso, o qual garantirá uma emissão média anual de SO2
equivalente a uma concentração de 400 mg/Nm3 na emissão. Porque se trata de um
processo húmido, a instalação irá ainda garantir uma emissão média anual de partículas
equivalente a uma concentração de 50 mg/Nm3 na emissão.
O processo de dessulfuração consiste basicamente na captação do dióxido de enxofre
existente nos gases da combustão, recorrendo à sua reacção com um absorvente alcalino
(uma suspensão aquosa de calcário), obtendo-se o gesso como subproduto.
A fórmula química resultante do processo de transformação é a seguinte:
Ca CO3 + SO2 + 2 H2O + ½O2 Ca SO4.2H2O + CO2
Sendo o gesso o Sulfato de Cálcio bi-hidratado
Adicionada à implementação dos queimadores de baixo teor de NOx e à revitalização dos
precipitadores electrostáticos e porque se trata de um processo húmido, a instalação de
dessulfuração irá ainda garantir uma emissão média anual de partículas equivalente a uma
concentração de 20 mg/Nm3 na emissão.
A instalação de dessulfuração é constituída pelos órgãos onde ocorrem as reacções de
neutralização do SO2 – absorvedores – e pelas instalações de preparação e armazenagem do
calcário e de tratamento e armazenagem do gesso.
Os órgãos e equipamentos que constituem os vários sistemas da unidade de dessulfuração
são os seguintes:
A – Ventilador de tiragem;
B – Aquecedor regenerativo gás-gás (GGH);
C – Absorvedor;
D – Zona de pulverização;
E – Zona de separação de gotículas;
F – Zona de oxidação;
G – Bombas de recirculação;
H – Suspensão aquosa de gesso;
I – Parte comum;
J – Registo da conduta.
Num processo húmido de dessulfuração calcário/gesso, a absorção do SO2 dá-se por
intermédio da reacção deste poluente com uma suspensão aquosa de calcário, obtendo-se
como resultado final, gases limpos e gesso.
O calcário é fornecido na forma de brita com as especificações necessárias ao processo.
De seguida descrevem-se as várias fases do processo bem como os órgãos onde eles
ocorrem:
Tanque de suspensão de calcário
Moinho de calcário
Preparação da suspensão de calcário
O calcário em brita é descarregado pelos camiões directamente nas tremonhas de carga e
armazenado em silos. Destes, é transportado por tapetes para a unidade de moagem onde,
por um processo húmido, ele é moído. Daqui segue para a unidade de preparação da
suspensão aquosa do calcário sendo posteriormente armazenada num tanque antes de ser
enviada para o absorvedor.
Dessulfuração dos gases de combustão
Os gases provenientes da combustão à temperatura de 160ºC passam pelos despoeiradores
(ESP) para remoção das partículas e depois pelo reaquecedor de gás (GGH) antes de
entrarem no absorvedor. Aqui são postos em contacto (em contracorrente) com a suspensão
aquosa do calcário injectada sob a forma de spray, a qual absorve/neutraliza o SO2 presente
nos gases.
A introdução de ar na base do absorvedor garante que os produtos da reacção entre a
suspensão de calcário e o dióxido de enxofre, vão produzir gesso.
No seguimento do processo, os gases já limpos atravessam um separador de gotículas que
retém parte da água neles contida. Após a saída do absorvedor, os gases que se encontram
à temperatura de aproximadamente 47 ºC, são reaquecidos no GGH (por permuta de calor
com os gases quentes a montante) até uma temperatura superior a 80ªC, antes de serem
evacuados pela chaminé.
Desidratação do gesso
Estação de tratamento de efluentes
Desidratação do gesso
Parte da suspensão de neutralização que se forma no absorvedor é recirculada até aos
pulverizadores sendo a parte restante bombeada para a instalação de desidratação. O gesso
depois de desidratado é armazenado temporariamente em silos até envio ao destino final.
A água resultante da desidratação do gesso é recolhida e na sua maior parte, irá ser
reutilizada no processo.
Tratamento dos efluentes líquidos do processo
Uma pequena parte da água resultante da desidratação do gesso é purgada e enviada para
uma instalação de tratamento de efluentes, onde é submetida a tratamento adequado de
forma a respeitar os valores limite de emissão de descarga no meio hídrico.
Quadro resumo do comportamento das novas tecnologias introduzidas nas Caldeiras
Queimadores de BT de NOx
Ao contrário dos queimadores de alta turbulência que produzem uma chama denominada de “quente” – com a
libertação de gases a alta temperatura que se transmitem menos por radiação para as paredes laterais das
caldeiras e mais por radiação/convecção para a zona dos sobreaquecedores – os queimadores de BT de NOx
produzem aquilo a que na gíria da combustão se conhece como combustão “fria”. Isso consegue-se estagiando
a combustão actuando tanto no combustível como no comburente.
Para isso, são criadas zonas de combustão sub-estequiométrica utilizando-se os diversos bocais ou “gargantas”
dos queimadores jogando com os fluxos do ar/combustível. Para completar a combustão é injectado sobre a
última fila de queimadores o “overfireair” ou ar complementar. Com estas acções consegue-se uma queima
mais completa do combustível com redução dos inqueimados, sem elevar demasiado a temperatura da chama.
Com estes novos queimadores a redução da emissão do NOx foi reduzida drasticamente, vindo posteriormente
a reduzir ainda mais a partir da instalação de dessulfuração.
Cinzeiro seco
A sua montagem não teve grande influência nem nas emissões, nem no rendimento das caldeiras, mas trouxe
grandes vantagens em termos económicos, pois eliminou não só o elevado consumo de água para
arrefecimento dos cinzeiros como também os custos elevados com o tratamento químico das águas residuais.
Dessulfuração
Além de reduzir as emissões de SO2 teve ainda a vantagem de contribuir juntamente com os queimadores de
Bt de NOx, para uma redução ainda mais acentuada das emissões daquele poluente.
Cinzas
Silo das cinzas volantes
A combustão do carvão origina como resíduo um sub produto designado genericamente por
cinzas, o qual engloba as cinzas volantes e as escórias.
As cinzas volantes são veiculadas pelos gases de combustão e no seu trajecto para a
chaminé são retidas em dispositivos de despoeiramento de elevado rendimento
(precipitadores electrostáticos) e armazenadas nos silos de cinzas, minimizando-se assim as
emissões de poeiras para a atmosfera.
Com a introdução da instalação de dessulfuração – ver parágrafo anterior – é possível
reduzir ainda mais a emissão de partículas para valores aproximados a 20 mg/Nm³.
As escórias ficam retidas no cinzeiro, e após remoção são depositadas no parque das cinzas,
local previamente preparado com isolamento do solo, onde são compactadas.
Actualmente, após trituração, as escórias são misturadas com as cinzas volantes, podendo o
produto resultante vir a ser utilizado na indústria do betão. Para isso aguarda-se Aprovação
Técnica Europeia.
Aquelas cinzas depositadas em aterro estão presentemente a ser valorizadas na indústria.
Desnitrificação
Actualmente, a Central está a montar nas suas caldeiras, um sistema de desnitrificação, com
o intuito de reduzir ainda mais o teor do NOx.
Instalação de Desnitrificação
Com a montagem duma instalação de desnitrificação é possível controlar um pouco mais a
poluição atmosférica reduzindo as emissões de NOX para valores inferiores a 200 mg/Nm3 a
6% de O2 seco.
Na Central Termoeléctrica de Sines serão instalados quatro sistemas de Redução Catalítica
Selectiva SCR na configuração “high-dust”, a montante dos precipitadores electrostáticos,
entre a saída dos economizadores das caldeiras e a entrada dos gases nos pré-aquecedores
de ar a vapor.
Reactor SCR
Módulo do catalisador - tipo favo
Descrição do processo
A Redução Catalítica Selectiva (SCR) é um método de redução da quantidade de óxidos de
azoto (NO e NO2) existentes nos gases de combustão resultantes dos equipamentos
queimando combustíveis fósseis.
O processo utiliza amónia <25% wt como agente redutor, para converter o NOx em Azoto
(N2) e vapor de H2O na superfície do agente catalisador. O amoníaco antes de ser
introduzido na conduta dos gases de combustão a montante do reactor e do catalisador, é
diluído com ar, de modo a facilitar a sua distribuição.
Na superfície do agente catalítico, as primeiras reacções químicas que se dão, são:
4 NO + 4 NH3 + O2 Þ 4 N2 + 6 H2O
NO + NO2 + 2 NH3 Þ 2 N2 + 3 H2O
Os principais componentes produzidos são o azoto e a água, ambos componentes
inofensivos.
O amoníaco que não reagiu vai atravessar o catalisador e é arrastado na corrente dos gases,
sendo considerado como uma fuga; com um valor limitado a 1,5 mg/Nm3 a 6% de O2 seco.
As unidades são compostas por reactor, condutas de entrada, sistema de injecção e
mistura do amoníaco, módulos de catalisador, e sistema de limpeza e condutas.
O principal componente do sistema é o catalisador. O catalisador é composto por módulos,
sendo cada um deles constituído por uma fase activa de pentóxido de vanádio sobre um
material de suporte, além de dióxido de titânio.
Em cada um dos reactores estão previstas duas camadas de catalisador, mais uma camada
de reserva não equipada.
Conforme anteriormente referido, na central de Sines cada caldeira será equipada com um
reactor instalado na chamada posição “high-dust” e funcionando em condições de pressão
negativa.
Como agente redutor é utilizado o amoníaco no estado líquido, o qual vai alimentar o
amoníaco gasoso a ser utilizado na SCR. Cada unidade redutora está equipada com uma
estação de preparação do reagente, onde a solução de amónia é evaporada e o amoníaco é
diluído com ar e injectado nos gases de combustão – na conduta a jusante do catalisador.
O ar de diluição aquecido num aquecedor a vapor, e o amoníaco vaporizado são misturados
numa câmara dita de mistura. Será instalado um sistema de detecção de gases de
amoníaco, com alarme sonoro e luminoso na zona de armazenagem comum, bem como nos
evaporadores de cada SCR.
Uma unidade de produção de ar comprimido fornece todo o ar de instrumentação e serviço
necessário para o funcionamento da instalação, bem como o ar comprimido para limpeza do
catalisador.
Esta unidade está equipada com dois compressores, dois secadores de ar e depósitos de
armazenamento.
Imagem do SCR
Local da instalação
Os reactores que serão instalados em cada um dos quatro grupos da central têm todos a
mesma dimensão: 26 x 8,5 x 13 m. O volume correspondente é de aproximadamente 2900
m3 por reactor. A instalação é do tipo “out-door”, com uma elevação de +36m e suportada
por estruturas metálicas.
Será ainda instalada uma conduta de by-pass a cada um dos reactores, necessária para
assegurar o funcionamento das caldeiras durante operações de manutenção às unidades.
A instalação de descarga e armazenamento da amónia está instalada no exterior em local
abrigado.
Os equipamentos principais na zona de armazenagem são: 2 tanques atmosféricos de aço
inoxidável do tipo horizontal, com a capacidade de 370m3, diâmetro de 4m e comprimento
de 30m.