Semiologia e Avaliação da Audição
Semiologia e Avaliação da Audição
Exploração Física
Inspeção externa
Palpação
Otoscopia
Exames da trompa de Eustáquio
Exames radiológicos
Otoscopia normal - membrana timpânica translúcida, podemos até ver o cabo do martelo
Teste de diapasão
Teste de Weber - diapasão no meio da cabeça e diferenciamos percepção ao ruído bilateral
Considerando um contexto em que o paciente queixa-se de perda auditiva no ouvido
E. Colocamos o diapasão na glabela. Caso exista uma perda neurossensorial do ouvido E, o paciente
irá referir que está ouvindo melhor no ouvido D. Já se a perda for condutiva, o paciente irá referir que
está ouvindo melhor no ouvido E - isso ocorre pois frente à perda condutiva, como em situações em
que há cera, ocorre uma maior sensibilização das células sensoriais da cóclea, de form que um mesmo
estímulo é captado de forma muito mais intensa; por isso quando retiramos a cera, temos a sensação
de que passamos a ouvir tudo de forma mais alta no ouvido previamente afetado. Por plasticidade
cortical, ao longo do tempo a audição volta ao normal.
Teste de Rinne - colocamos o diapasão próximo do conduto auditivo (testamos a via aérea) e
quando ele para de ouvir o barulho, colocamos no mastóide para ver a condução óssea.
Candidatos à audiometria
Audição normal
Crianças com infecção de ouvido
Idosos
Trabalhadores
Pessoas com déficit de processamento auditivo (hipoacusia)
Candidatos para implante cocleares
O diagnóstico dessas causas genéticas é feito por meio do exame físico, testes audiológicos,
estudos por imagem e testes baseados no DNA (pouco utilizados, caros e feitos apenas em SP - não
auxiliam no tto pois o manejo do paciente independe desses testes, que só conseguem identificar 6
genes).
Caxumba - perda auditiva pós natal de etiologia infecciosa viral; perda auditiva em agudos ao fim da
1a semana da parotidite; é unilateral e irreversível pois afeta o nervo vestibulococlear - perda
neurossensorial. Seu manejo é com corticosteróides → reduz edema → reduz lesão das estruturas.
Meningites bacterianas → pós natal, infecciosa, bacteriana, perda auditiva neurossensorial profunda
bilateral e afeta todas as frequências. O aqueduto coclear patente, que é uma labirintite supurativa da
cóclea, pode estar presente em 20% dos casos com acometimento do NC VIII. A pessoa perde quase
toda a audição, e ao final dos anos fica uma calcificação como sequela nessas estruturas - inviabiliza
possíveis implantes.
Deve-se iniciar o corticóide antes da antibioticoterapia, pois reduz o edema e favorece a
infiltração do antibiótico, o que tem favorecido esse quadro severo.
Ototoxicidade → efeito colateral de algumas medicações que podem danificar a orelha interna;
podemos citar os antibióticos (aminoglicosídeos), quimioterápicos, salicilatos, quinino (presente em
refrigerantes, principalmente o Schweppes), benzenos e diuréticos de alça. Alguns fármacos causam
perda auditiva mesmos meses após a administração do fármaco, originando uma perda permanente
(aminoglicosídeos e quimioterápicos). A perda é bilateral e em altas frequências
Quinino e salicilato - transitórios
Furosemida - parcialmente transitório; se permanecer por muito tempo, cronifica
Conduta - prevenção e monitorização com o exame de emissões otoacústicas, com
substituição precoce do medicamento
Induzida por ruído → perda neurossensorial, bilateral, irreversível, provocada pela exposição
prolongada ao ruído, resultante do exercício da profissão, inicialmente em frequências agudas; é um
entalho, uma queda numa frequência de 3, 4 ou 6kHz, ou seja, a pessoa perde apenas em uma
frequência. Exemplo - fábrica, aeroporto - devem usar fones protetores. Dependem da intensidade e
do tempo de exposição - quanto mais alto, pior. Diagnosticamos a perda neurossensorial na
audiometria e realizamos o exame de emissões otoacústicas para triagem de alterações auditivas infra
clínicas pelo ruído, sendo um indicador precoce de lesão coclear.
Nosso ouvido é capaz de aguentar sons até 120dB momentaneamente, mais do que isso já
gera dano - por isso após uma festa com música muito alta, ouvimos um zumbido quando há silêncio -
o zumbido é gerado pois as células ciliares foram atingidas e expostas, danificadas pelo ruído, mas o
dano é transitório - poucas horas depois as células se reestabelecem. O trabalhador está exposto a
menos do que isso, mas está exposto constantemente, por horas e por vários anos.
Otosclerose - é uma osteodistrofia localizada na cápsula ótica, com efeitos secundários ao sistema
auditivo e vestibular (região que comunica os dois sistemas) - reduz mobilidade do estribo - perda
condutiva - o som se programa de forma menos eficiente - evidenciamos na TC.
Há uma fixação da platina do estribo, de modo que há uma perda condutiva pura inicialmente
em graves; depois, ocorre invasão do endósteo coclear, com perda auditiva mista; a reabilitação
auditiva é com amplificadores sonoros, com aparelhos
Otite Externa
Infecção causada pela quebra de barreira do conduto auditivo externo
Geralmente no verão, que molho muito a orelha, entra água, principalmente em crianças que
mergulham muito.
Clínica - prurido, dor, edema, secreção
Bacteriologia - Pseudomonas, Proteus mirabilis, Staphylococcus, Bacilos G-
Tratamento - limpeza e cuidados locais (1 semana sem molhar o ouvido), antibioticoterapia
(gota otológica, que geralmente é um antibiótico com corticóide - cipro, gente, neomicina), analgesia
e anti inflamatório oral; quadros muito exacerbados podemos fazer antibiótico oral, principalmente
quando achamos que está tão inchado que o antibiótico não irá entrar (fazemos antibióticos de pele
como claritromicina, cefalexina).
Quando temos uma OMC ou uma OM serosa que não melhora nunca, mesmo com antibióticos,
devemos pensar em insuficiência da tuba auditiva (comunica a rinofaringe com o ouvido médio -
equaliza a pressão dessas duas regiões)
Otalgia Reflexa: Dor no ouvido com otoscopia normal. Deve-se investigar as regiões da cavidade oral
que são inervadas pelos mesmos nervos sensitivos que inervam as orelhas média e externa (Nn.
Glossofaríngeo, Trigêmio e Vago). Estas regiões são: 1/3 posterior da cavidade oral, orofaringe,
supraglote e articulação temporo-mandibular (ATM).
Emergências na Orelha
Otohematoma - trauma direto; ocorre uma deformidade da cartilagem local por acúmulo de
sangue no espaço subpericondral (entre o pericondrio e a cartilagem) → necrose da cartilagem e
infecção → deformidades
Precisa drenar o hematoma, fazer curativo compressivo, antibióticoterapia. Deve ter acompanhamento
frequente.
Perfuração da membrana timpânica traumática - objetos, traumas → pode causar perda
auditiva, desarticulação dos ossículos; deve ser realizado tratamento expectante pois há alta taxa de
fechamento; evitar entrada de água, antibiótico frente a infecção secundária e caso não feche, fazemos
o enxerto. A cirurgia pode ser feita frente a suspeita de fístula perilinfática ou falha no fechamento
após 3 meses.
Trauma acústico - ocorre frente a uma exposição a um som de alta intensidade e ocorre perda
auditiva temporária ou permanente, dependendo do estímulo. Na otoscopia, pode ser normal ou pode
haver perfuração (associado a pressão). Ocorre uma perda auditiva neurossensorial. Pode ser
prevenida com EPI, e o tratamento é com corticoide, pentoxifila e expansoras plasmáticos.
Barotrauma otológico - viagem de avião, mergulho. Na otoscopia, vemos retração,
perfuração, hiperemia, hemotímpano, ou seja, vemos o acometimento da membrana timpânica, com
dor de ouvido, sensação de ouvido tapado. Pode ocorrer perda auditiva condutiva, neurossensorial ou
mista. Pode complicar com luxação da cadeia ossicular, fístula, vertigem. Para prevenir, podemos
realizar bocejos, deglutição para equalizar a pressão. No tratamento, tentamos melhorar a ventilação
no sistema tuba-nariz-ouvido, utilizando descongestionantes, corticoides, cirurgia
Condrites - processo infeccioso do pavilhão auricular. Os principais germes sao pseudomonas
e stafilos e também devemos sempre ter um cuidado adicional com os diabéticos. Esse processo
infeccioso tem seu tratamento dificultado pelo seu suprimento sanguíneo ser escasso, por isso o
cuidado a mais com os diabéticos. Geralmente o paciente traz uma história de manipulação local.
Também pode ocorrer por causa não infecciosa mas inflamatória em artrites soronegativas (lupus,
eritema sistemico, AR) mas esses pacientes comecam com hiperemia, edema, sem históris de
manipulação, de modo que nesse caso o tratamento é corticoterapia com imunossupressor e no
anterior é antibiótico. Pode ser ou não bilateral.
Corpos estranhos - insetos, objetos. Psciente com desconforto, agitação. Quando são insetos,
pode-se aplicar óleo mineral ou vaselina (imobilização do inseto), melhorando o quadro de
desconforto. Quando são sementes, tentamos remover sem lavagem pois muitas vezes a lavagem
causa edema, o que dificulta a retirada. Corpos estranhos ja muito manipulados, geram edema,
infecção local, erosão de mucosa (principalmente baterias). A miíase ocorre principalmente em
ouvidos crônicos, com secreção crônica, com problema social. Devemos retirar as larvas, muitas
vezes com uso de atb, ivermectina e curativo local.
A remoção pode ser com lavagem, com exceção a quando temos suspeita de perfuração e nas
sementes.
Surdez súbita - perda auditiva neurossensorial em 3 frequências consecutivas, de pelo menos
30dB, instalada em até 72h. Pode ter causa infecciosa, circulatória, autoimune, neoplásica, tóxica.
Apresenta-se como hipoacusia unilateral, zumbido, tontura, plenitude auricular e cefaléia. Devemos
dar continuidade na investigação com exames complementares, devendo ser acompanhado
semanalmente. O tratamento é feito com corticosteróide, audiometrias semanais. Investigar mesmo se
houver melhora súbita.
Paralisia facial periférica - pode icorrer perda auditiva, tontura, zumbido.
Síndrime da Ramsay-Hunt - varicella zooster acomete o nervo facial; ocorre além da
paralisia facial, perda auditiva, vertigem, zumbido, com vesículas no pavilhão, com bastante dor
Complicações extracranianas da otite - labirintite, mastoidite, abscesso subperiosteal, cervical,
perfuração timpânica, paralisia facial.
Mastoidite - mais comum; febre, edema na região, precedida com um quadro de OMA. É
comum haver secreção na mastóide mas se não houver sintoma, não deve ser tratado. Deve ser
realizada tc, atb direcionada.
Abscesso subperiosteal - coleção entre o osso e a pele da região; o pavilhão é deslocado
inferiormente e anteriormente. Deve ser realizado atb venoso, mastoidectomia.
Complicações intracranianas das otites - abscesso cerebral, extradural, subdural, meningite,
trombose venosa do seio lateral e abscesso cerebelar.
Crise vertiginosa aguda - a maioria tem etiologia vestibular; devemos fazer otoscopia, testes
vestibulares.
Vertigem posicional paroxística benigna - causa mais comum de vertigens; ocorre por descolamento
de otocônios para os canais semicirculares; algum movimento da cabeça os desloca para uma região
inadequada → deslocamento → tontura. Pode estar associada a outros distúrbios vestibulares, com
uma tontura muito característica, geralmente quando o paciente deita especificamente para um lado,
fazendo algum movimento específico da cabeça. Temos apenas náusea e enjoo como sintomas
associados. Não melhora com nenhum medicamento farmacológico. O diagnóstico é feito pela
presença de nistagmo após a Manobra de Dix-Hallpike. O tratamento é a Manobra de Epley logo após
a manobra anterior para reposicionar a otocônia.
Doença de Méniere - 3a causa mais comum, de origem idiopática. Ataques recorrentes de vertigem,
muitas vezes incapacitantes, com perda auditiva neurossensorial, plenitude aural e zumbido. O
tratamento é sintomático das crises, com a betistina de manutenção.
Neurite vestibular - perda vestibular unilateral, pura e parcial (hipofunção vestibular), de causa
indefinida mas costumam relacionar a uma infecção viral prévia; vertigem intensa que demora
semanas para melhorar, associada a náuseas e vômitos. O paciente apresenta uma instabilidade
postural com tendência à queda e desvio da marcha sempre para o lado da orelha comprometida; á
nistagmo. Sem sintomas auditivos.
Epistaxe - nariz irrigado pelas carótidas interna e externa → rica vascularização → plexo de
Kiesselbach na região anterior do nariz é responsável pela maioria. O restante é posterior, mais
frequente em idosos e é mais difícil de se controlar, mais comum por coagulopatia, HAS,
aterosclerose (plexo de Woodruff). O manejo é identificar a origem do sangramento; quando o
sangramento é anterior, geralmente apenas 1 narina sangra; quando e posterior, são ambas as narinas e
sai muito sangue pela boca. Também relacionamos com a idade. Se é anterior, realizamos a
cauterização química com ácido tricloroacético, em próprio consultório; pode ser a cauterização física
com bisturi elétrico no centro cirúrgico. Quando não é possível fazer nada disso, tamponamos com um
tampão por até 48h até realizar a cauterização.
Trauma nasal - pode ter sangramento, equimose, edema local; a redução deve ser feita até
3-4h após o trauma (antes do edema) e pode ser feita aberta ou fechada.
Corpo estranho de nariz - criança com secreção unilateral fétida, obstrução nasa, sangramento
pode acontecer; diagnóstico pela rinoscopia anterior ou pena nasal. A remoção é feita por meio da
sonda, gancho, pinça, etc. O rinolito vai acabar sendo formado se o corpo estranho permanece por
muito tempo dentro da fossa nasal.
Abscesso septal - ocorre em decorrência de trauma, cirurgia; ocorre obstrução nasal
observa-se edema na rinoscopia anterior, edema flutuante, e deve ser drenado e realizada a
antibioticoterapia, com paciente internado.
Complicações das rinossinusites
Orbitárias - celulite periorbitária!, orbitária, abscesso subperiosteal, orbitário e
trombose de seio cavernoso
Ósseas - osteomielite
Intracranianas - mais raras; abscesso subdural, do lobo frontal, etc
Sinais de alerta - ausência de resposta ao atb nas primeiras 72h de tto, edema e ou
eritema palpebral, alterações visuais, cefaléia intensa e irritabilidade, sinais de irritação
meníngea → internação → TC, RM → atb venosa
Rinite alérgica
Inflamação da mucosa mediada por IgE; diagnóstico clínico por 4 sintomas cardinais: prurido
(nariz, olhos, garganta), rinorreia hialina, obstrução nasal e espirros.
Clínica - hipo ou anosmia, ageusia, disfunção tubária, prurido ocular, lacrimejamento e
hiperemia conjuntival, fadiga, irritabilidade e insônia.
Exame físico - edema palpebral/periorbitário, linhas de Dennie-Morgan, saudação do alérgico
e síndrome do respirador oral (língua mais proeminente, lábio inferior evertido, o superior pouco
desenvolvido, narinas mais estreitas e como as arcadas dentárias não vão estar se tocando, ocorre uma
atresia do céu da boca, ficando mais ogival.
Comorbidades envolvidas - infecções de vias aéreas superiores, asma, rinossinusites,
distúrbios do sono, alterações no crescimento craniofacial, disfunção tubária e otite média serosa.
Resposta inflamatória frente a antígenos alérgenos - temos uma resposta imediata, que
acontece em menos de 30 minutos e que gera os sintomas irritativos, e uma resposta tardia que
continua sendo sensibilizada e que é promovida pelos eosinófilos, os quais fazem uma translocação
dos vasos sanguíneos (diapedese) para dentro da mucosa nasal, promovendo um edema, uma
inflamação local muito importante, levando então a uma obstrução nasal por um processo inflamatório
local da mucosa. Os sintomas relacionados à fase inicial são desencadeados pelos mastócitos pela
liberação de histamina, leucotrienos e prostaglandinas; já a fase tardia é desencadeada pelos
eosinófilos pela liberação de leucotrienos, citocinas e muitas moléculas menores. Também há
hiperreatividade do SN autonômico, promovendo vasodilatação, recrutamento de eosinófilos,
liberação de citocinas.
Diagnóstico - clínica + testes cutâneos para investigar alérgenos gatilhos (epicutâneo ou
intradérmico - é importante que os anti-histamínicos sejam suspensos de 5 a 15 dias antes do teste).
Além disso, na rinite alérgica local, os testes cutâneos e a IgE séricos são negativos, mas a mucosa em
si é rica em IgE, e o teste de provocação nasal é o único que dá resultado positivo. Os testes alérgicos
in vitro são ensaios imunoenzimáticos realizados com o sangue do paciente; pedimos para os
pacientes que não podem suspender o uso de anti-histamínicos, que já tenham feito reação de
hipersensibilidade tipo I e que alto risco de ter reação adversa e os pacientes que tenham
dermografismo (degranulação linear do mastócito mesmo frente a pequenos estímulos).Também
podem ser feitos o exame citológico nasal (diferencia rinite alérgica, não alérgica ou infecciosa) e
exames laboratoriais como eosinofilia (pouco específico) e IgE sérica normal mas também tem baixa
especificidade. O paciente pode apresentar uma cianose periorbitária que ao primeiro momento parece
que é uma olheira e que o paciente não tem dormido bem; mas, na verdade é decorrente de um
aumento da vascularização por um processo inflamatório constante, e a drenagem desse líquido não é
suficiente → desbalanço → estase venosa e edema.
Classificação da RA - intermitente (<4 dias por semana e < 4 semanas por ano) ou persistente.
Leve (não intere nas atividades do dia a dia como sono, lazer, esporte) ou moderada a grave.
Tratamento - higiene ambiental, lavagem nasal, aleitamento materno exclusivo até 6 meses,
imunoterapia, tratamento medicamentoso e uma observação importante é que a natação não está
contraindicada, apenas quando o cloro irrita a mucosa. Entre os medicamentos, podemos pensar nos
antihistamínicos, corticoide tópico intranasal (sua atuação demora, de modo que é mais utilizado de
forma profilática), cromoglicato de sódio (inibe a degranulação dos mastócitos), descongestionante
(adrenalina - faz vasoconstrição), antileucotrienos (impedem a síntese e a ligação ao receptor),
imunoterapia específica para um antígeno (já deve ter detectado o antígeno específico com o prick test
ou com a IgE específica). A imunoterapia específica pode gerar reações adversas locais, sistêmicas
(cefaleia, artralgia, desconforto, urticária, ou mesmo graves como hipersensibilidade tipo I); suas
contra-indicações absolutas são imunodeficiência, doenças autoimunes, neoplasias malignas, asma
grave não controlada, distúrbio psiquiátricos graves.
Rinossinusites
Inflamação sintomática da mucosa do nariz e das cavidades paranasais; entre os sintomas
principais, podemos citar rinorreia, cefaléia, obstrução nasal, alterações de olfato (adultos) e tosse
(crianças).
Adultos - esperamos pelo menos 2 sintomas, sendo 1 obrigatoriamente obstrução, congestão
nasal, dripping; outros são dor, pressão facial, anosmia ou hiposmia.
TC - fazemos apenas quando tem investigação de complicação
Raio X - 10% da população não tem seio frontal; o raio X não ajuda em nada pois tem baixa
especificidade e sensibilidade
Crianças - obstrução nasal, rinorreia, TOSSE!!!, dor facial.
Rinossinusite aguda em crianças - é mais raro pois os seios ainda estão poucos desenvolvidos;
o maxilar demora menos, o frontal demora muito mais; é muito mais comum nos adultos.
O seio maxilar e o etmoidal já estão pneumatizados assim que nascemos.
Classificação - aguda (até 5 dias mais ou menos, mas que em 12 semanas já está tudo ok),
crônica (> 12 semanas), aguda recorrente (4 ou + / ano), crônica com exacerbação aguda
Fatores predisponentes da RSA - alergias, óstio acessório no maxilar, concha bolhosa (o
normal é a concha não ter ar dentro dela, de forma que não obstruir o óstio meatal), desvio septal,
discinesia ciliar primária, tabagismo, atresia coanal, polipose nasal, hipoplasia de seios, infecção
odontogênica (principalmente seio maxilar, que pode gerar fístula da cavidade oral com o seio -
principalmente relação com anaeróbios), atopia e sonda nasoenteral.
Fisiopatogenia - edema de mucosa pós lesão → obstrução → dor localizada;
Por que não damos medicamentos anti-tosse pro paciente? Pq ela é um reflexo para impedir a
descida do patógeno e do muco para a laringe e consequentemente pros brônquios.
Por que devemos sempre lavar muito com soro?? Para fazer com que a função mucociliar seja
restaurada novamente (o muco precisa ser mais aquoso e menos purulento para ocorrer movimento
ciliar).
Tratamento - em até 48h, usamos o pelargonium sidoides (kaloba) que é um fitoterápico
antiviral mas não podem ser usados em pacientes que usam anticoagulante; a RS pós viral também
pode melhorar com corticoides tópicos, junto da lavagem frequente. Já a bacteriana, tem ao menos 3
dos sintomas - rinorreia, febre, dor local unilateral, PCR elevada e recaída do quadro; tratamos com
antibioticoterapia pela cultura do meato médio mas quase sempre o tratamento é empírico; o padrão
ouro seria a punção do seio maxilar mas não é feito de rotina (mais recomendado na RS fúngica pois o
tratamento é abrir o seio e lavar). Os patógenos mais comuns são S. pneumoniae, H. influenzae e M.
catarrhalis; por isso, os principais tratamentos são amoxicilina com 45mg/kg/dia, corticoterapia
intranasal, corticoide oral, AINE, salina isotônica, salina hipertônica. A primeira linha de tratamento é
a amoxicilina, amoxicilina-clavulanato, axetil-cefuroxima; frente a alergia a beta-lactâmicos, usamos
claritromicina e quinolonas mas cuidado sempre com crianças.
Obs - no paciente internado, tiramos a sonda nasoenteral
Complicações - mais frequentes nas crianças; temos as complicações orbitárias (edema
palpebral, celulite periorbitária ou orbitária, abscesso subperiosteal, trombose do seio cavernoso),
intracranianas (abscesso extradural, meningite, sinal neurológico focal), ósseas (dor frontal intensa,
abaulamento frontal).
Edema inflamatório → atb oral e volta em 48h para reavaliação
Celulite orbitária → ceftriaxona com clindamicina em adultos, avaliando-se
corticoterapia
Abscesso subperiosteal → atb IV, corticoterapia drenagem do abscesso se não houver
melhora após 48h; paciente apresenta proptose acentuada
Abscesso orbitário → atb IV, corticoterapia e drenagem; pode levar a uma amaurose
em poucas horas
Trombose do seio cavernoso → é uma complicação intracraniana e que acontece
principalmente nos pacientes com comprometimento bilateral da visão com paralisia do III, IV e V
pares cranianos.
Nas complicações intracranianas, destacamos a meningite, empiema, abscessos, avaliação da
neurocirurgia; usamos ceftriaxona com vancomicina.
Diagnósticos diferenciais para RSA - sepse, meningite, HIC, RS fúngica aguda invasiva,
fístula liquórica, dores faciais como enxaqueca, neuralgia do trigêmeo, vasculites, corpo estranho,
adenoidite, estenose coanal unilateral (principalmente em crianças).
RS crônica
Quadro > 12 semanas com uma mucosa que não se regenerou após o processo inflamatório
e/ou infeccioso agudo → edema; pode ter ou não pólipos nasais (se originam após um prolongado
edema da mucosa → neoformação → polipose); associado com atopia, discinesia ciliar.
Paciente com rinite + asma + intolerância à aspirina = Tríade de Widal → paciente
muito difícil de tratar pois mesmo com cirurgia, o paciente em menos de 1 ano está com tudo de volta
ao que era antes da cirurgia
Crianças com esses pólipos - devemos sempre pensar em fibrose cística!!
Tratamento - solução hialina para melhor movimentação ciliar, corticoide tópico, mometasona
e a fluticasona.
Agudização - entra com antibiótico de 10 a 21 dias
Complicações - mucocele, osteíte, erosão óssea, metaplasia óssea e neuropatia óptica
Resumo da aula:
Na região atrás do tórus tubário (nasofaringe) temos um sulco que é muito comum apresentar,
especialmente em tabagistas, massas neoplásicas.
Naso e orofaringe - temos o anel linfático de Waldeyer → entra em contato com partículas
alimentares, respiratórias; é formado pelas tonsilas faríngeas (adenoide), palatinas (amígdalas),
tubárias, linguais e coleções subepiteliais da faringe → tem fundamental importância pro nosso
sistema imunológico.
Tonsila faríngea (adenóide) - não é visualizada numa rinoscopia anterior, apenas por uma
nasofibroscopia; é uma massa triangular de tecido linfóide localizada na rinofaringe, que produz
principalmente IgA, apesar de também ter atividade de linfócitos T e B. É um epitélio colunar
pseudoestratificado, escamoso estratificado e transicional, permitindo o contato dos antígenos com os
folículos e com as regiões extra foliculares. É uma região irrigada por ramos diretos da carótida
externa, as quais podem ser lesionadas com facilidade. A inervação sensitiva é pelos nervos
glossofaríngeo (permite dor referida, principalmente após a adenoidectomia) e pelo vago. A drenagem
linfática dessa região é para os linfonodos retrofaríngeos (assim, podemos ter uma disseminação dessa
infecção, podendo resultar posteriormente em uma mediastinite).
Hipertrofia de adenoide - muito comum em crianças; pode resultar em obstrução nasal,
adenoidite de repetição, adenoidite crônica, respiração oral, fonação comprometida (voz hiponasal),
obstrução da tuba auditiva (não consegue abrir a tuba, de forma que a criança vai reter líquido no
ouvido médio, gerando otites médias de repetição), roncos, apneia do sono, OMA, otite serosa. O
tratamento é a adenoidectomia, uso de corticoides tópicos (diminui o tamanho da adenoide).
Geralmente a adenoide tem um pico com 6 anos de idade e, desse modo, adultos com hipertrofia de
adenoide devemos investigar necessariamente malignidade! e outras infecções.
Adenoidite - é uma infecção aguda, geralmente viral, caracterizada por um quadro de
rinorreia purulenta, obstrução nasal, febre, otite média. O tratamento é sintomático e, caso seja
bacteriano, é com amoxicilina (1a escolha); caso seja um quadro recorrente (4 ou mais episódios em 6
meses), geralmente por agentes diferentes; se em crianças menores de 2 anos, pode estar relacionada a
refluxo faringolaríngeo; o tratamento é antibiótico profilático em baixa dose ou mesmo
adenoidectomia.
Neoplasias - pensamos em doenças linfoproliferativas, principalmente em pacientes com
alguma imunossupressão, pós transplantes, aumento súbito do tecido linfóide das tonsilas faríngeas e
palatinas; realiza-se assim uma adenotonsilectomia diagnóstica.
Herpangina → coxsackie vírus e enterovírus; temos uma transmissão oral-fecal ou respiratória que
gera vesículas, úlceras, acompanhadas de estomatite com disfagia muito importante, febre, vômitos,
diarreia, que necessitam de tratamento sintomático.
Tonsilite crônica caseosa → processo de inflamação crônica em que o alimento entra na cripta mais
profunda, o qual entra em decomposição e gera halitose no paciente. O tratamento é com higiene oral,
uso de enxaguantes bucais sem álcool; o tratamento definitivo é tonsilectomia.
Neoplasias malignas → pensamos principalmente quando temos uma hipertrofia tonsilar unilateral e
de crescimento muito rápido; pensamos em doença linfoproliferativa e devemos sempre fazer um
exame anátomo-patológico pela tonsilectomia o mais rápido possível.
Neoplasia de amígdala → carcinoma espinocelular, linfoma; pensamos principalmente em
pacientes com linfonodomegalias, em uso de imunossupressores, que foram submetidos a transplante
de órgãos, com anginas úlcero-necróticas.
Síndrome da apneia obstrutiva do sono → roncos, sonolência, respiração paradoxal, obstrução durante
o sono.
Principais locais de patologia maligna infiltrativa na cavidade oral → borda lateral da língua, sulco
palatoglosso e assoalho da língua.
As regiões supra e subglótica da laringe apresentam epitélio respiratório enquanto a glote apresenta
epitélio escamoso.
Inervação - nervo laríngeo inferior (recorrente), exceto o músculo cricotireóideo (laríngeo superior)
Laringoscopia indireta (espelho de Garcia - visão invertida) e direta (paciente em decúbito dorsal)
Anomalias congênitas na laringe são as maiores causas de estridor no RN; quando presentes, temos:
Obstruções fixas - membranas laríngeas, estenose subglótica, fendas
Início progressivo, lento ou com períodos de exacerbação e melhora - laringomalácia,
papilomatose infantil
Classificamos o estridor em inspiratório (pelo colapso das estruturas), expiratório (resistência
na saída do ar) ou bifásico (morfologia estática, que não é alterada pelas pressões de via aérea)
Diagnóstico - nasofibrolaringoscopia (consultório) ou laringotraqueobroncoscopia (sala
cirúrgica)
Patologias inflamatórias:
1. Laringotraqueíte aguda - etiologia viral - principalmente parainfluenza; acomete o paciente
com uma tosse ruidosa-metálica, causando um estridor bifásico, agitação, cianose, dispneia;
tratamos ambulatorialmente numa criança com BEG e internamos em casos com estridor
permanente e dispneia
2. Supraglotite aguda (epiglotite) - quadro viral, principalmente H. influenza; quadro agudo, de
evolução muito rápida, com odinofagia intensa, febre, voz abafada, estridor, dispneia;
necessita internação, O2, atb, suporte ventilatório, corticoides, hidratação. No raio X, temos o
sinal do polegar e o sinal da ponta do lápis.
3. Infecções crônicas - tuberculose laríngea, blastomicose, hanseníase, sífilis, granulomatosas
não infecciosas; se apresentam de forma muito semelhante; diferenciamos por exames
laboratoriais.
Obs: o tumor de cabeça e pescoço mais comum da laringe é o carcinoma escamoso, também chamado
de espinocelular ou epidermóide
Cavidade revestida com epitélio estratificado não queratinizado, rica em glândulas salivares menores,
principalmente em palato, mucosa jugal e mucosa labial.
Não são verdadeiras patologias, são mudanças da normalidade da anatomia da cavidade oral. Temos:
Língua geográfica → placas atróficas na superfície dorsal da língua que migram de lugar.
Língua sulcada → superfície dorsal com depressões lineares e que também é não patológico
Língua fissurada → 1 ou 2 depressões lineares mais profundas que na sulcada
Grânulos de Fordyce → pontos branco amarelados, assintomáticos, na mucosa jugal; são
glândulas sebáceas e costumam estar bilaterais; mais comuns em idosos.
Impregnação melânica → mais comum em afrodescendentes; a mucosa oral é mais
escurecida, simétrica, em toda a cavidade oral
Torus palatino → projeção óssea exatamente na linha média na junção entre os ossos
palatinos e os processos palatinos da maxila, ou seja, no palato duro. A indicação cirúrgica é em casos
em que o torus dificulta a utilização de prótese.
Lesões brancas
Candidíase oral → manchas brancas, destacáveis, que tem em sua superfície uma mucosa
mais edemaciada e hiperemiada. No adulto, geralmente é acompanhada de queixa de ardência; mais
frequentes em pacientes diabéticos, em imunossupressão, usuários de corticoide, radio ou
quimioterapia.
Leucoplasia → tem relação com trauma e também causada por aumento dessa camada
epitelial em casos de displasias. É considerada uma alteração pré-maligna. Placa branca de bordas
irregulares. Pode ser relacionada ao trauma que a prótese faz na superfície mucosa. Cuidado com o
paciente tabagista, alcoólatra. Em casos suspeitos, realizar biópsia da lesão.
Líquen plano → pode ter várias formas de apresentação (reticular, ulcerada, eritematosa). Não
tem causa definida e nem tratamento específico. Geralmente os pacientes são assintomáticos, e as
formas ulceradas e eritematosas podem apresentar ardência, desconforto loca, mas que regride
espontaneamente e sempre sem deixar cicatriz. O líquen ulcerado em raros casos pode evoluir para
lesão maligna.
Úlcera traumática → toda lesão traumática na cavidade oral, são recobertas por fibrina,
resultando na mancha branca. Por isso a história é tão importante. Para o tratamento, recomenda-se
diminuir a colonização bacteriana na cavidade oral (higiene), utilizar pomadas com corticoides;
associar antibióticos não está indicado. O uso de micostatin/nistatina pode ser indicado quando há
demora para cicatrização e higiene não adequada, pois pode-se suspeitar que uma colonização de
candida está atrasando a cicatrização.
Lesões hipertróficas
Hiperplasia fibrosa → principalmente por lesão traumática, pode ter tamanhos variados. São
as que se formam na mucosa jugal quando mordemos por exemplo.
Hiperplasia gengival → alteração na mucosa gengival que pode ocorrer por medicamentos
(anticonvulsivantes), traumática, inflamatória, idiopática ou hereditária (passa muito tempo e não há
erupção dentária na criança → diagnostica-se). É simétrica.
Granuloma piogênico → lesão hipertrófica, com processo inflamatório local, com superfície
irregular, sem ulceração ao redor, não há erosão óssea, a mucosa é normocorada ao redor; o
diagnóstico é com biópsia excisional. O tratamento é cirúrgico mas tem que mudar o fator traumático.
Fibromas ossificantes → lesões de causa idiopática, são pseudotumores, com deformidade
local, mais frequentes na maxila e na mandíbula
Lesões escuras
Nevos → lesões escuras, bem delimitadas, pequenas, localizadas em qualquer lugar da
mucosa oral; se o paciente não souber informar o tempo da lesão, se houve mudança na cor, nas
bordas, melhor fazer uma biópsia excisional. São sinais de malignidade a mudança na cor, formato,
bordas, dor local, sangramento, formação de úlceras; entre os principais, são melanomas.
Lesões vasculares
Varizes → alterações muito frequentes, principalmente no ventre lingual, no paciente de 3a
idade; não são patológicos. É importante orientar sobre alimentos muito duros e secos, pois podem
resultar em lesão e sangramento.
Hemangioma → podem ser capilares (pequenos vasos que formam uma mancha escura na
superfície da cavidade oral) ou cavernosos (lesões causadas pela aglomeração e proliferação de vasos
de médio calibre que formam massas, com deformidade local e aspecto violáceo; quando em pequeno
tamanho, é melhor retirar logo e não esperar atingir um tamanho maior).
Cistos → mucocele; surgem como consequência da obstrução de drenagem das glândulas salivares
menores e/ou sublingual. Os locais mais frequentes são a mucosa jugal e labial. Quando na sublingual,
temos a rânula, que é uma lesão cística no assoalho da cavidade oral; aspecto oval. O melhor
tratamento cirúrgico é fazer novos furinhos na rânula e iniciar uma nova drenagem por eles.
Glândulas Salivares
Parotidite aguda → doença viral (mais comum nas crianças; paramixovírus ou CMV) ou bacteriana
(mais comum nos adultos; flora bacteriana → via ascendente).
Os pacientes apresentam aumento do volume glandular, com muita dor local; pode ter febre;
pode ter flogose local e pode evoluir para complicações como abscessos e fístulas. Tratamos com
antibiótico (amoxicilina + clavulanato) pois muitas vezes tem saída de pus da glândula, pelo ducto,
enantema na mucosa jugal, flogose local na pele pré-auricular, calor local, muita dor. Podemos usar
também anti inflamatórios, mucolíticos (eliminação da secreção dentro da árvore ductal da glândula).
É importante pesquisar depois porque o paciente teve esse quadro já que ele não é comum.
Parotidite crônica recidivante da criança → quadro recidivante, com quadros alternantes de aumento
do volume glandular com dor, aumento da retenção de saliva, e que pode infectar secundariamente.
Na sialografia vemos imagem de árvore outonal em floração (ruptura da árvore com vazamento do
contraste para o tecido periductal); tratamos com antibioticoterapia durante as crises, e no período
intercrises melhora a hidratação e a higiene oral, evitando consumo excessivo de doces e massas. São
crianças com maior risco de evoluir para doenças crônicas do tecido glandular salivar, e isso depende
muito do tratamento intercrises e durante as crises → reduz o dano estrutural.
Sialoadenite submandibular aguda -> quadro inflamatório da glândula submandibular (produz uma
saliva mais densa, com maior conteúdo mucoso), com uma massa submandibular dolorosa, com
flogose local e no assoalho da boca. Ocorreu por uma contaminação com germes da cavidade oral. Os
fatores predisponentes são xerostomia, sialolitíase, malformações do ducto. O tratamento é eliminar o
processo infeccioso com corticoide sistêmico, hidratação.
Sialoadenite crônica → paciente com alguma alteração (secretora ou imunológica) na árvore ductal, a
qual já se apresenta mais alargada, com menor quantidade de saliva circulando, facilitando a ascensão
de bactérias. Ocorre então um processo inflamatório crônico, com aumento do volume glandular
indolor, drenagem purulenta pelo orifício da glândula, com cacogeusia e um quadro mais arrastado. O
tratamento é clínico ou cirúrgico (paciente sem alterações sistêmicas importantes → temos que
eliminar a glândula em si).
Sialoses → alterações glandulares causadas por doenças metabólicas ou autoimunes. Entre elas,
destacam-se a cirrose hepática, alcoolismo, diabetes e DNT (desnutrição). Causam aumento bilateral e
simétrico do tecido glandular.
Disfunção de ATM → procuramos pontos dolorosos em face medial do ângulo mandibular e espaço
retromolar superior.
Entre a camada epitelial e a lâmina própria, temos a membrana basal, a qual é composta por proteínas
e tem função de manter a aderência da cobertura durante a fonação.
Lesões fonotraumáticas → influenciadas pelo comportamento vocal e todas as lesões são de origem
multifatorial (comportamento vocal, DRGE, genética, alterações orgânicas).
O acometimento das pregas vocais frente ao dano pelo comportamento vocal acomete principalmente:
Nódulos de pregas vocais > pólipos > edema de reinke > úlcera de contato > granuloma >
leucoplasia.
Pólipos
Geralmente unilaterais, e acometem em diferentes regiões das pregas vocais. São mais
comuns em homens.
Pólipos sésseis - possuem a base alargada e são mais aderidos às pregas vocais
Pólipos pediculados - tem um pedículo, em estreito filamento de mucosa que promove sua
adesão às pregas vocais.
Os pólipos são lesões hiperplásicas, pálidas ou avermelhadas, que geralmente ocorrem por um
trauma que acomete um vaso da lâmina própria que acaba deslocando o epitélio para a linha média,
formando a lesão.
Patologia multifatorial - DRGE, tabagismo, etilismo, produtos químicos, atividades
respiratórias intensas e abuso vocal único (!).
Zona da membrana basal - intacta
Acomete qualquer faixa etária, sem predileção sexual.
Tratamento - pode ser medicamentoso, terapia vocal, sempre tentando investigar e solucionar
os fatores relacionados ao quadro. Caso os tratamentos anteriores sejam ineficazes, pode-se optar pelo
tratamento cirúrgico. A cirurgia deve ser criteriosa a fim de minimizar cicatrizes. É importante a
realização de uma terapia vocal pré-operatória a fim de reduzir o edema e também pós operatória se
não houver uma melhora clínica após 15 dias de cirurgia.
Edema de Reinke
Lesão difusa, acometendo as cordas vocais uni ou bilateralmente,
onde a camada superficial da lâmina própria (espaço de Reinke) é expandida
por muco espesso, de aspecto gelatinoso. Geralmente, no exame de imagem
vemos uma fenda em Y na laringe.
Associada ao tabagismo + uso intenso da voz
Acomete principalmente adultos, de ambos os sexos.
Ocorre acometimento vocal, gerando uma disfonia de várias
décadas (a voz torna-se muito grave para a idade e para o sexo). Podemos
ver uma voz crepitante, com modulação restrita (não consegue deixar
aguda).
A maior dificuldade é cessar o tabagismo, o qual está
quantitativamente relacionado ao acometimento.
A terapia vocal pré e pós operatória com a cirurgia são opção de tratamento, onde ocorre uma
sucção parcial do edema.
Úlceras de contato
Escavações uni ou bilaterais, que ocorrem na mucosa da região do processo vocal das
aritenóides (região mais posterior), as quais podem ser preenchidas por tecido rosado ou
esbranquiçado.
Surgem por choque intenso e repetitivo, levando à inflamação crônica.
Geralmente temos um paciente com pigarro constante, fadiga vocal, desconforto ou dor à
fonação.
Mais prevalente no sexo masculino, sendo uma patologia multifatorial (DRGE, abuso vocal,
IOT, pessoas autoritárias, controladoras e tensas.
Progressão da úlcera → granuloma
A voz do paciente é grave, de forte intensidade, com ataques vocais bruscos e modulação
restrita.
O tratamento prioritário é o medicamentoso, terapia vocal em seguida ao tratamento
medicamentoso (podendo chegar a 4 meses) mas, se ocorrer após a IOT, deve-se fazer repouso
absoluto da voz para que a mucosa possa se reepitelizar.
Granuloma
Tecido de granulação hipertrófico esbranquiçado, amarelado ou avermelhado. Tem forma
arredondada, bi ou multilobada, com rebordo irregular.
Ocorre geralmente no processo vocal da aritenóide( local das úlceras) ou na articulação
cricoaritenóidea. Pode ser uni ou bilateral, sendo mais comum no sexo masculino.
Por ser geralmente decorrente de uma úlcera, também é multifatorial e acontece por pressão e
atrito principalmente na região mais posterior (tosse, pigarro), sendo relacionado a DRGE, agentes
químicos, IOT, traumas externos, cicatrização pós operatória de qualquer região das pregas vocais e
abuso vocal em laringites.
Clínica do paciente - ataque vocal brusco (iniciar o som da voz com muito esforço), voz falha,
tosse com sangue, disfonia por tensão muscular e apenas alterações cinestésicas sem alteração da voz
(disfonia silente).
Tratamento - se houver acometimento vocal, utilizamos a terapia vocal; tratar a causa
desencadeante; se for desencadeada por fatores orgânicos específicos, recomenda-se a maturação da
lesão com futuro destacamento da mesma, reavaliando de 3 a 6 meses. O tratamento cirúrgico não é
recomendado por pode gerar a recidiva já que uma das causas de granuloma é o trauma operatório. Se
o paciente for muito sintomático, opera-se sem retirar a base do granuloma e faz terapia com injeção
de esteroides.
Leucoplasia
São placas brancas em superfície mucosa, caracterizadas pelo espessamento acentuado do
epitélio e enrijecimento da camada superficial da lâmina própria. Pode ocorrer em varias regiões,
sendo mais comum no terço anterior e na face superior de ambas as pregas vocais. Podem ser uni ou
bilaterais, acometendo principalmente homens acima dos 40 anos.
Possui 3 graus de acometimento, sendo o III o carcinoma in situ, de modo que o diagnóstico
histológico é essencial.
Também é multifatorial, sendo principalmente relacionada ao tabagismo, alterações no
comportamento vocal, etilismo, deficiências nutricionais, IVAS, DRGE, personalidade
(principalmente pessoas depressivas).
Voz - geralmente é aquela voz rouca-áspera (pela rigidez das pregas vocais), com ataque
soproso ou brusco e fadiga vocal.
Tratamento - terapia vocal, podendo-se optar pela cirurgia mas sempre há risco de recidiva
pela influência dos fatores causais