Direito Processual Penal - Inquérito Policial
Direito Processual Penal - Inquérito Policial
INQUÉRITO POLICIAL
1 – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
A persecução penal é a atuação do Estado quando do cometimento de uma infração penal por alguém.
Possui duas fases:
Inquérito policial é uma espécie do gênero investigação criminal. Na investigação criminal se tem:
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
1 - Inquérito Policial 2 - Investigação por 3 - PIC – Procedimento 4 - Inquérito Policial
(CPP) parte da CPI Investigativo Criminal do Militar
Ministério Público
Conceito de inquérito policial: Procedimento, de caráter administrativo, conduzido pela polícia judiciária,
presidido por Delegado de Polícia e voltado à apuração da existência de uma infração penal e de sua
autoria. O inquérito policial consiste em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa
objetivando a identificação das fontes de prova e a colheita de elementos de informação quanto à autoria e
materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.
O inquérito policial é previsto a partir do art. 4º do CPP, e não se trata de um processo judicial ou processo
administrativo. Na realidade, o inquérito policial é um procedimento administrativo, pois, ao seu final,
jamais haverá uma sanção.
Com efeito, a posição majoritária e o entendimento jurisprudencial dominante – inclusive o próprio art. 155
do CPP – aduzem que os elementos informativos colhidos na fase de investigação criminal não podem, de
forma isolada, embasar sentença penal condenatória.
Em que pese não possam ser utilizados de forma isolada, o juiz pode utilizar os elementos informativos
colhidos na fase investigativa corroborados com as provas produzidas sob o crivo do contraditório e da
ampla defesa.
Ademais, conquanto produzidos na fase investigativa, as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas,
podem ser utilizadas para formar a convicção do julgador. (Art. 155 – CP)
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Cuidado: procedimento ≠ processo, pois embora todo processo seja um procedimento, nem todo
procedimento é um processo.
O inquérito policial é um procedimento preparatório para uma futura ação penal. É nele que serão
colhidos elementos para que o titular da ação penal, seja qual for, possa ter elementos suficientes para
ingressar em juízo. Trata-se de um procedimento administrativo, pois não é judicial e, ao final, não haverá
imposição de sanção. Na realidade, ao final de um inquérito policial, o delegado de polícia irá elaborar um
relatório com tudo o que foi apurado, de modo a viabilizar que o titular, seja ele o MP ou o ofendido/seu
representante, possa ingressar com a ação penal.
Atenção: Nos casos de infração penal de menor potencial ofensivo, como regra, não se instaura
inquérito policial, mas sim o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO):
2 – Autoria: Nada.
Observações:
1 - Para a instauração de inquérito policial, bastam indícios suficientes da existência do crime, sendo
dispensável, nesse primeiro momento, prova da materialidade do delito ou de sua autoria.
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2 – Autoria: Indícios.
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Finalidade remota: aplicação da lei penal e tutela dos direitos e garantias fundamentais do cidadão.
Finalidade mediata: produção de subsídios para a promoção da ação penal.
Finalidade imediata: produção de elementos objetivos e subjetivos acerca da autoria e da materialidade
do crime, possibilitando, assim, o indiciamento do autor.
Observações:
1 - A identificação do tipo penal, de suas circunstâncias e da sua autoria constitui finalidade imediata da
investigação.
1 – Para instauração de inquérito policial, bastam indícios suficientes da existência do crime, sendo
dispensável, nesse primeiro momento, prova da materialidade do delito ou de sua autoria.
Gabarito: Certo.
Não, pois a CF e o CPP concedem essa atribuição à polícia judiciária. Entretanto, o MP pode realizar
diligências paralelas e promover outras investigações (procedimento de investigação preliminar).
2.1 – Oficialidade:
Trata-se de investigação que deve ser realizada por autoridades e agentes integrantes dos quadros
públicos, sendo vedada a delegação da atividade investigatória a particulares, inclusive por força da
própria Constituição Federal. A presidência do inquérito é exclusiva do Delegado de Polícia.
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2.2 – Escrito
Art. 9º do CPP: Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
É um procedimento escrito, em que todos os atos realizados no curso das investigações policiais serão
formalizados de forma escrita e rubricados pela autoridade (art. 9º, CPP).
2.3 – Inquisitivo
Não vigora, nesta fase, o princípio do contraditório que, nos termos do art. 5º, LV, da Constituição
Federal, só existe após o início efetivo da ação penal, quando já formalizada uma acusação admitida pelo
Juiz (por este motivo, como regra, não se colhe prova no inquérito, mas sim elementos de informação).
No inquérito policial, o delegado de polícia age de ofício, ou seja, não precisa de provocação. Além disso,
não precisa observar contraditório e ampla defesa, pois esses são princípios que se aplicam aos
processos judiciais e aos processos administrativos.
Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que
será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
Esse caráter inquisitivo torna desnecessário à autoridade policial intimar o investigado das provas
(elementos de informação) produzidas para que possa rebatê-las.
Atenção! O IP é discricionário também. É possível que diligências sejam requeridas à autoridade devendo
esta decidir acerca da realização da diligência solicitada ou não (exceto quando o requerimento for
realização de exame de corpo de delito, neste caso não pode haver recusa da autoridade)
Inquérito Policial
Regra: Se colhe elementos de informação. Exceção: É possível a colheita de prova no IP.
Provas não cautelares;
Provas não repetíveis;
Provas antecipadas.
Provas cautelares são aquelas que sofrem risco de
perecimento. Ex.: a oitiva de uma testemunha em
estágio terminal.
Provas não repetíveis são aquelas que, uma vez
realizadas, não podem ser refeitas.
Já a prova antecipada é aquela produzida antes do
momento adequado.
1 – No âmbito do IP, cuja natureza é inquisitiva, não se faz necessária a aplicação plena do
princípio do contraditório, conforme a jurisprudência dominante.
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ATENÇÃO! Existe um inquérito que exige contraditório, qual seja, o que visa proceder à expulsão de
estrangeiro (artigos 195 a 202 do decreto 9.199/27 que regulamenta a lei de migração – 13445/17)
“Art. 20 do CPP. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido
pelo interesse da sociedade”.
Ao contrário do que ocorre em relação ao processo criminal, que se rege pelo princípio da publicidade
(salvo exceções legais), no inquérito policial é possível resguardar sigilo durante a sua realização.
Quanto ao advogado, depende: No que tange às diligências em andamento, se aplica; nas já encerradas
e documentadas não se aplica. (Súmula vinculante 14)
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa.
Art. 7º, XIV, Estatuto da OAB - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação,
mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio
físico ou digital.
Gabarito: Correto.
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2- O inquérito policial tem caráter inquisitório, dispensando a ampla defesa e o contraditório,
motivo pelo qual os elementos de informação nele documentados não são disponibilizados ao
defensor do investigado.
Gabarito: Errado. Súmula Vinculante 14 - “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso
amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
Gabarito: Correto. Súmula Vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso
amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
Atenção! De acordo com o art. 7º, XII, da Lei 8.906/1994 alterada pela Lei 13.245/2016, possui o
advogado o direito de assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de
nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os
elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo,
inclusive, no curso da respectiva apuração, apresentar razões e quesitos.
Cuidado, contudo: Tal previsão legislativa não implica dizer que a investigação criminal deixou de ser
inquisitiva e que nela deve o advogado intervir sempre, de modo obrigatório, pois não houve alteração no
CPP.
Embora importante, o inquérito policial não é necessário para que exista um processo penal. O titular
da ação penal pode, inclusive, desprezar o colhido no inquérito para iniciar a ação penal, desde que por
outra forma tenha conseguido os elementos necessários para tanto.
Cuidado! O inquérito deverá acompanhar a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou
outra. (Art. 12, CPP)
Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou
outra.
O inquérito policial é dispensável para o ajuizamento da ação penal desde que a denúncia esteja
minimamente consubstanciada nos elementos exigidos em lei. A ação penal poderá ser validamente
ajuizada mesmo sem um IP prévio, desde que o titular da ação penal já possua os elementos necessários
ao ajuizamento da ação penal (prova da materialidade e indícios suficientes de autoria)
2.6 – Indisponível:
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Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
A autoridade policial não pode arquivar autos de inquérito policial. O arquivamento parte do promotor e
passa pelo juiz. O delegado não é o titular da ação penal, conforme diz o art. 17 do CPP.
Vale ressaltar, que cabe ao órgão acusatório, ou seja, o Ministério Público pedir o arquivamento do
inquérito policial ao juiz, sendo que caso o magistrado concorde com as razões elencadas pelo parquet,
o Inquérito será arquivado, contudo caso ele não concorde com as alegações do órgão acusador, fará
remessa dos autos ao procurador-geral que poderá: designar outro membro do Ministério Público para
oferecer a denúncia, pode oferecê-la ou insistir no pedido de arquivamento, o qual o juiz é obrigado a
atender, conforme art. 28 do Código de Processo Penal.
2.7 – Discricionário
Ao contrário da fase judicial, o inquérito não faz exigência de formalidades, podendo ser conduzido pela
autoridade policial com discricionariedade, isto é, a autoridade aplica as diligencias necessárias de acordo
com cada caso concreto.
As diligencias previstas no arts. 6º e 7º, do Código de Processo Penal são apenas um rol
exemplificativo, podem ser realizadas, mas não são obrigatórias.
Sobre a discricionariedade, o jurista Renato Brasileiro de Lima (2013, p. 85) discorre que: A
discricionariedade implica liberdade de atuação nos limites traçados pela lei. Se a autoridade policial
ultrapassa esses limites, sua atuação passa a ser arbitraria, ou seja, contraria a lei. Logo, não se permite
a autoridade policial a adoção de diligencias investigatórias contrarias a Constituição Federal e a
legislação infraconstitucional.
Assim, apesar de o delegado de polícia ter discricionariedade para avaliar a necessidade de interceptação
telefônica, não poderá fazê-lo sem autorização judicial. Nos mesmos moldes, por ocasião do interrogatório
policial do investigado, devera adverti-lo quanto ao direto ao silencio (CF, art. 5º, LXII).
Dependerá da natureza da ação penal prevista para o crime que será investigado.
A regra no processo penal é a seguinte: Se a ação é publica incondicionada, o tipo penal incriminador,
previsto no Código Penal, nada mencionará a respeito. Do contrário, se a ação é pública condicionada,
estará escrito: “somente se procede mediante representação” ou “mediante requisição”. Caso seja privada,
estará escrito: “somente se procede mediante queixa”
Anotações importantes:
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A requisição do Juiz para instauração do inquérito policial está temporariamente suspensa- lei
13.964/19 (art. 3ª-a CPP) – Suspenso pelo STF.
Mas se vier na questão apenas a possibilidade de instauração do inquérito policial como correto,
marque essa alternativa, uma vez que ainda se encontra expresso no Código de Processo Penal.
Art. 5º § 4º. O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá
sem ela ser iniciado.
Art. 5º. § 5º. Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito
a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.
Atenção! Do indeferimento do requerimento de abertura de inquérito policial cabe recurso para o chefe de
polícia (art. 5º, §2º, CPP). Este recurso, contudo, é administrativo e não judicial.
Atenção, também: Não é possível a instauração de inquérito policial com base, unicamente, em
denúncia anônima. Neste caso, com base nela, a autoridade policial deve realizar diligências
preliminares.
O inquérito policial poderia ter sido instaurado em razão de notícia anônima, desde que tivessem ocorrido
investigações preliminares para averiguação dos fatos noticiados.
4 - NOTITIA CRIMINIS
A notitia criminis é o conhecimento da prática da infração penal pela autoridade policial. É a autoridade
policial tendo notícia da existência da prática da infração penal.
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Quando esta notícia surge através de uma delação formalizada por qualquer pessoa do povo, estaremos
diante da delatio criminis simples.
Ex.: Vendo TV, Rádio, Jornal, descobre um corpo (Vai agir de Ofício).
2 - Cognição Mediata ou Indireta (expediente formal): Ocorre quando a autoridade policial toma
conhecimento do fato criminoso por meio de um expediente formal.
Ex: Alguém envolvido com a persecução penal (Juiz, MP, Ofendido) conta para o Delegado. Requisição do
MP, com vistas à instauração do IP.
3 - Cognição Coercitiva ou Obrigatória (lavratura do APFD): Ocorre quando a autoridade policial toma
conhecimento do fato em razão da prisão em flagrante do suspeito.
Conhecimento do fato obrigatoriamente.
5 - DELATIO CRIMINI
1 - Delatio criminis simples (qualquer do povo): Comunicação feita à autoridade policial por qualquer
do povo (Art. 5º. §3º, CPP)
§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito.
É a chamada “denúncia anônima”, ou seja, a comunicação do fato feita à autoridade policial por
qualquer do povo, mas sem a identificação do comunicante. O delegado, quando tomar ciência de fato
definido como crime, através de denúncia anônima, não deverá instaurar o IP de imediato, mas determinar
que seja verificada a procedência das informações e, caso realmente se verifique ter ocorrido o crime,
instaurar o IP.
Atenção: Denúncia anônima, por si só, não pode embasar instauração de inquérito policial.
“Denúncia anônima” pode ensejar a instauração de inquérito policial? Por si só não, de acordo com o STF.
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Dispõem os artigos 6º e 7º do CPP determinadas providências que, sendo cabíveis e mostrando-se
adequadas à espécie investigada, deverão ser adotadas com vistas à elucidação do crime. Esta relação
não é exaustiva, mas sim exemplificativa.
Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
I - Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais;
O local do crime é decisivo para revelar em que circunstancias o delito foi praticado. A preservação da
área para intervenção dos peritos, evitando-se que sejam alterados o estado e a conservação das coisas,
é fundamental para a qualidade do aludo que se pretende elaborar.
II - Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;
A apreensão dos objetos tem nítida feição probatória, e não se resume aos instrumentos do crime,
abrangendo todos aqueles que sejam importantes à atuação dos peritos ou à instrução processual.
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
A atuação da polícia no local em que a atividade delitiva se desenvolveu pode propiciar a colheita de
vasto manancial probatório, como identificação de testemunhas, documentos dentre outros.
A vítima da infração também serve de fonte ao esclarecimento da verdade, e a sua versão dos fatos
pode ser decisiva para revelar o responsável pelo delito, ou contribuir para a demonstração da
materialidade.
A oitiva do ofendido é um dos meios de prova (meio de prova subjetivo). Apesar de ofendido ser o
sujeito passivo do crime, ele não será um sujeito processual (em regra, pois nos crimes de ação penal
pública a titularidade da ação penal é do Ministério Público), mas sim um meio de prova. Porém a
diferença é que o ofendido não tem o dever legal de dizer a verdade como as testemunhas, além
disso, sua oitiva pode até ser dispensada.
Sempre que possível, o ofendido será ouvido nos autos do inquérito policial em termo de declaração, sem
o compromisso de dizer a verdade.
Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da
infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as
suas declarações.
O ofendido não presta compromisso, não devendo ser confundindo com a testemunha, que deverá prestar
tal compromisso. Nada impedirá que responda pelo delito de denunciação caluniosa, mas nunca pelo
crime de falso testemunho.
Quem tem o compromisso de prestar com a verdade são as testemunhas. Porém, nada vai impedir
desse "ofendido" que depor falsamente, de responder por DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA.
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O sistema processual vigente prevê tratamento especial ao ofendido, especialmente no que se refere ao
direito de ser ouvido em juízo e de ser comunicado dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do
acusado da prisão, à designação de data para audiência e à sentença e respectivos acórdãos. Além disso,
Art. 229 - A acareação será admitida entre acusados, entre acusado e testemunha, entre acusado ou
testemunha e a pessoa ofendida, e entre as pessoas ofendidas, sempre que divergirem, em suas
declarações, sobre fatos ou circunstâncias relevantes.
V - Ouvir o indiciado (suspeito), com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do
Título Vll, (interrogatório judicial) deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas
testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura;
Em sede de coleta de declarações, por outro lado, o oitivando não deve prestar compromisso de falar a
verdade, posto que é possível ser, em algum outro momento, encarado como suspeito e vir a ser
indiciado. Desta feita, não haveria como compromissar tal "testemunha" a expor dados que, mais tarde,
podem ser usados em seu indiciamento ou em denúncia. Vige, aqui, o princípio de desobrigação do
suspeito (indiciado) em produzir provas contra si.
Sempre que possível, o ofendido será ouvido nos autos do inquérito policial em termo de declaração, sem
o compromisso de dizer a verdade.
Quando for necessário fazer o reconhecimento judicial do acusado, não é obrigatório que ele seja
colocado ao lado de outras pessoas que com ele guardem semelhança.
CPP. Art. 226 / Inc. II: a pessoa, cujo reconhecimento se preceder, será colocada, se possível, ao lado de
outras que com ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a
apontá-la.
O exposto no artigo 226 do CPP, que fala sobre o reconhecimento de pessoas, é considerado mera
recomendação.
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SEGUNDO O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA:
O novo entendimento adotado pela 6º Turma do STJ é no sentido contrário: HABEAS CORPUS Nº
598.886 - SC (2020/0179682-3) 3. O reconhecimento de pessoas deve, portanto, observar o
procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo Penal, cujas formalidades constituem
garantia mínima para quem se vê na condição de suspeito da prática de um crime, não se tratando, como
se tem
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
7 – A prova técnica é obrigatória nas infrações que deixam vestígios (não transeuntes), e sendo o
caso, deverá ser determinada pela autoridade policial. (Exame de corpo de delito)
O exame de corpo de delito é obrigatório quando estivermos diante de crimes que deixam vestígios
(homicídio, estupro, etc), não podendo o Delegado deixar de determinar esta diligência (arts. 158 e 184 do
CPP)
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, SERÁ INDISPENSÁVEL o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, NÃO PODENDO SUPRI-LO A CONFISSÃO DO ACUSADO.
Art. 167: "Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta."
Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto. Não
sendo possível sua realização em decorrência de os vestígios terem desaparecido, a prova testemunhal
ou a confissão poderão suprir-lhe a falta.
Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame
complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do MP,
ou do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. A falta desse exame poderá ser suprida pela prova
testemunhal.
Caso um indivíduo tenha sido gravemente ferido por disparo acidental de arma de fogo, resultando-lhe
sérios danos à integridade física com lesões de natureza grave, nessa situação e considerando que a
infração penal, conforme descrita, deixa vestígios materiais, será indispensável o exame pericial, direto ou
indireto, sob pena de nulidade.
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de
diploma de curso superior.
§1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de
diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica
relacionada com a natureza do exame.
O exame de corpo de delito deve ser realizado por perito oficial, portador de diploma de curso superior e,
caso não exista perito oficial na localidade, a autoridade policial poderá determinar a realização do exame
por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior, preferencialmente na área específica,
entre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame.
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O exame dos vestígios não desvanecentes, visando à inserção probatória nos inquéritos e processos
penais, deve ser feito após a autoridade policial tomar conhecimento da prática da infração penal. Nessa
ocasião, a autoridade se vale do Código de Processo Penal, e, se for o caso, deve determinar o exame de
corpo de delito ou quaisquer outras perícias. Portanto, as provas periciais são inseridas nos autos através
dos laudos.
O exame de corpo de delito, direto ou indireto, é indispensável no caso de a infração deixar vestígios, não
podendo supri-lo a confissão do acusado.
É indispensável o exame pericial, direto ou indireto, nos casos em que a infração penal deixe vestígios,
não podendo supri-lo a confissão do acusado, facultada ao MP, ao assistente de acusação, ao ofendido,
ao querelante e ao acusado a indicação de assistente técnico para atuar na etapa processual após sua
admissão pelo juiz e a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais.
Art. 177. No exame por precatória, a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado. Havendo, porém,
no caso de ação privada, acordo das partes, essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante.
Quando o exame de corpo de delito tiver de ser feito por intermédio de carta precatória, a nomeação dos
peritos será feita pelo juízo deprecado, exceto se, em se tratando de ação penal privada, as partes
entabularem acordo para que a nomeação dos peritos seja feita pelo juiz deprecante.
Art. 616. No julgamento das apelações poderá o tribunal, câmara ou turma proceder a novo interrogatório
do acusado, reinquirir testemunhas ou determinar outras diligências.
A autoridade poderá solicitar o laudo pericial a qualquer momento, inclusive poderá ser requerida após a
sentença, pelo Tribunal, no julgamento do recurso, nos termos do art. 616 do CPP:
A expressão "Corpo de Delito" não se refere ao corpo humano propriamente dito (para quem não é da
área jurídica ou da criminologia, poderia ter essa dúvida.) O Corpo de Delito é o conjunto dos vestígios
materiais resultantes do crime. O exame do Corpo de Delito pode ser feito em pessoas, animais,
objetos etc. Qualquer vestígio material que comprove a existência do crime, poderá ser corpo de delito.
O juiz não ficará vinculado às conclusões dos peritos exaradas no laudo técnico, podendo rejeitá-las
completamente.
Sendo possível a realização de exame para investigar crimes que deixam vestígios, não proceder a esse
exame é motivo de nulidade do processo, ainda que provas documentais e testemunhais confirmem a
autoria e a materialidade do crime.
No âmbito do juizado especial criminal, no intuito de comprovar a materialidade do crime, o exame de
corpo de delito pode ser substituído por boletim médico ou prova equivalente.
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos
autos sua folha de antecedentes; (tem que ser interpretado com cuidado) (hoje não é mais a regra, e sim
exceção!!)
A identificação criminal é a individualização física do indiciado, para que não se confunda com outra
pessoa, por meio da colheita das impressões digitais, da fotografia e da captação de material biológico
para exame de DNA. A constituição federal, no art. 5º, LVIII, preceituou que “o civilmente identificado não
será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”.
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ATENÇÃO! A LEI 12.037/09 PREVÊ, EM SEU ARTIGO 3º, QUE PODE HAVER IDENTIFICAÇÃO
CRIMINAL MESMO QUE HAJA IDENTIFICAÇÃO CIVIL NOS SEGUINTES CASOS:
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
Ainda no inciso VIII, refere-se à juntada aos autos da folha de antecedentes, como tal compreendida a
ficha que contém a vida pregressa criminal do investigado. Tratando-se de providência policial, essa folha
conterá apenas a relação dos inquéritos policias já instaurados em relação ao indivíduo, não inserindo
dados relativos a processos criminais.
IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO: Art. 9-A. Lei 12.654/2012: “Os condenados por crime praticado
dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos na lei
de Crimes hediondos, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante
extração de DNA – Ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
IX - Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua
condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer
outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.
O disposto no inciso IX tem como motivo colher elementos que possam ajudar o juiz quando de eventual
cálculo da pena em eventual condenação (dosimetria).
O disposto no inciso X tem como objetivo dar conhecimento às demais autoridades que atuam na
persecução criminal (juiz e ministério público) e à defesa constituída, nomeada ou pública do preso, sobre
a existência de filhos, menores ou portadores de alguma deficiência, a fim de que possam ser
requeridas ou adotadas as medidas necessárias para que não permaneçam eles sem assistência e
responsável no período em que o pai ou mãe estiverem contidos.
Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade
policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade
ou a ordem pública.
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Entre as providências que a autoridade policial deverá tomar logo que tiver conhecimento da prática da
infração penal, encontra-se a reprodução simulada dos fatos, que somente deverá ser efetivada se não
contrariar a moralidade ou a ordem pública.
O disposto no art. 7º, tem por objetivo a reconstituição do crime, feita, se possível, com a colaboração
do réu, da vítima e de eventuais testemunhas, cujo objetivo é constatar a plausibilidade das versões
trazidas aos autos, identificando-se a forma provável de como o crime foi praticado.
A participação do indiciado é facultada à sua vontade. O suspeito não é obrigado a participar, contudo
sua presença é obrigatória. A participação na reprodução simulada dos fatos é facultativa, no entanto sua
presença é obrigatória.
O Artigo 7º salienta a reprodução simulada dos fatos, o qual possui natureza jurídica de MEIO DE PROVA.
Ela não deve contrariar a ordem ou moralidade pública, o suspeito NÃO é obrigado a participar, sua
PRESENÇA É OBRIGATÓRIA.
O STF tem posição no sentido de que o investigado sequer está obrigado a comparecer ao local da
reprodução simulada dos fatos, não cabendo, pois, condução coercitiva (RHC n 64354).
FRISE-SE QUE O INVESTIGADO NÃO ESTÁ OBRIGADO A PARTICIPAR DESTA DILIGÊNCIA, POIS
NÃO É OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO.
Vale ressaltar que o ofendido (ou seu representante legal) e o indiciado podem requerer a realização de
quaisquer diligências, mas ficará a critério da autoridade deferi-las ou não (art. 14 do CPP)
Não é mais cabível a incomunicabilidade do preso. O art. Não foi recepcionado pela CF/88.
Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a
autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar
diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim
providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua
presença, noutra circunscrição.
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justificam quando necessário praticar ato em outra comarca. Observamos que dita norma é de natureza
meramente administrativa, tendo por finalidade regular a competência. Dessa maneira, sua eventual
violação, não afetando o processo penal, diz respeito exclusivamente ao direito administrativo e à
organização policial.
IV - Representar acerca da prisão preventiva. (pela prisão temporária também, art. 2º, Lei 7.960/89)
Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Decreto-
Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), O MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO OU O DELEGADO
DE POLÍCIA PODERÁ REQUISITAR, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa
privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos.
Cabimento: Sequestro ou cárcere privado, Redução à condição análoga de escravo, Tráfico de pessoas,
Extorsão mediante restrição de liberdade (“sequestro relâmpago”), Extorsão mediante sequestro e
Facilitação de envio de criança ou adolescente ao exterior.
Parágrafo único. A requisição, que será atendida NO PRAZO DE 24 (VINTE E QUATRO) HORAS,
conterá:
Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o
membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial,
às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem
imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a
localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso.
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Questão: Nos inquéritos policiais que apuram crime de tráfico de pessoas, a Autoridade Policial poderá
requisitar diretamente às empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, informações sobre
posicionamento de estações de cobertura, a fim de permitir a localização da vítima ou do suspeito do delito
em curso. Resposta: Errada. Depende de autorização judicial, não se pode fazer diretamente. Art. 13-B.
Questão: Nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, diligências em circunscrição
diversa da que tramita o inquérito policial dependerá de expedição de carta precatória. Resposta: Errada.
Não depende, é perfeitamente possível.
§ 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura, setorização e
intensidade de radiofrequência.
II - Deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 (trinta)
dias, renovável por uma única vez, por igual período;
III - para período superior àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem
judicial.
§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo máximo de 72
(setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial.
§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará
às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem
imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a
localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz.
Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas no art. 144 da CF, figurarem
como investigados em inquéritos policias, inquéritos policiais militares e demais procedimentos
extrajudiciais, cujo objeto for a investigação de fatos relacionados ao uso da força letal praticados
no exercício profissional, de forma consumada ou tentada, incluindo as situações dispostas no art. 23,
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, o indiciado poderá constituir defensor.
o PF;
o PRF;
o PFF;
o Polícia Militar e Corpo de Bombeiros;
o Polícia Penal;
o Forças Armadas – Quando em missão para Garantia da Lei da Ordem.
o Polícias Civis.
Regramento:
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o Indicado deve ser citado para ciência da instauração da investigação, podendo constituir
defensor no prazo de 48 horas.
o Caso não constitua defensor no prazo de 48 horas, deverá ser intimada a instituição a
que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos fatos, para que essa indique
defensor no prazo de 48 horas.
o Os custos com o patrocínio dos interesses dos investigados correrão por conta do
orçamento próprio da instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos
fatos investigados.
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante,
ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a
ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente.
§ 2o No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o
lugar onde possam ser encontradas.
§ 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao
juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.
Investigado preso, 10 dias, contados a partir do dia da execução da ordem de prisão preventiva.
(dilatáveis, uma única vez, por até 15 dias, de acordo com o art. 3º-B, §2º, do CPP – Eficácia
suspensa)
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1 – O prazo de conclusão do inquérito, com investigado solto, é prorrogável e a contagem deste prazo
possui natureza processual (art. 798, CPP). Para a prorrogação deste prazo, exige-se autorização
judicial, segundo o art. 10, §3º, CPP.
2 – O prazo de conclusão do inquérito, com investigado preso, é improrrogável e a contagem deste prazo
possui natureza penal (art. 10, CPB).
A autoridade policial fará minucioso relatório e enviará ao juiz (pode indicar testemunhas). Ao considerar
encerradas as diligências, a autoridade policial deve elaborar um relatório descrevendo as providências
tomadas durante as investigações.
Esse relatório é a peça final do inquérito, que será, então remetida ao juízo.
Questão: Ao término do inquérito, a autoridade policial fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e
enviará os autos ao membro do ministério público, não podendo o juiz competente tomar conhecimento
dos fatos apurados antes, sob pena de nulidade. (Resposta: Errada, encaminhará ao juiz.)
A conclusão do inquérito policial é precedida de relatório final, no qual é descrito todo o procedimento
adotado no curso da investigação para esclarecer a autoria e a materialidade. A ausência desse relatório
e de indiciamento formal do investigado não resulta em prejuízos para persecução penal, não podendo o
juiz ou órgão do Ministério Público determinar o retorno da investigação à autoridade para concretizá-los,
já que constitui mera irregularidade funcional a ser apurada na esfera disciplinar.
Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos
do IP.
O IP acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base uma para outra.
INDICIAMENTO
Ato privativo do delegado de polícia por meio do qual ele atribui a alguém a condição de autor ou
partícipe de uma infração penal, fundamentadamente, com base na análise técnico-jurídico do fato,
indicando os motivos de imputação da autoria, materialidade do crime e suas circunstâncias.
Não é essencial e indispensável, pois se não ficar constatada a autoria e a materialidade, não haverá
indiciamento, mas mesmo assim o inquérito deverá ser concluído.
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1. Indiciamento indireto: ocorre quando o investigado não é encontrado, estando em local incerto e
não sabido. Nesses casos, uma das funções mais importantes do indiciamento, qual seja, a de dar
ciência ao investigado sobre o seu status dentro da investigação, possibilitando, assim, o exercício
do contraditório e da ampla defesa, ficará prejudicada. Como consequência do indiciamento
indireto, o indiciamento formal ficará com o seu conteúdo comprometido devido à ausência do
interrogatório do indiciado.
2. Indiciamento formal: deve ser realizado durante o desenvolvimento da investigação criminal,
sempre que o Delegado de Polícia formar seu convencimento no sentido de que existem provas da
materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Como consequência natural desse ato,
deve ser efetivado o auto de qualificação e interrogatório do indiciado, informações sobre sua vida
pregressa e, por fim, o boletim de identificação, que, dependendo do caso, pode vir acompanhado
da identificação criminal pelo processo datiloscópico.
3. Indiciamento material: essa espécie de indiciamento ganhou força após o advento da Lei
12.830/2013, que no seu artigo 2º, §6º determina que este ato deve ser fundamentado. Sendo
assim, o indiciamento material consiste no despacho do Delegado de Polícia onde ele expõe
as razões
DESINDICIAMENTO
Ocorre quando o Poder Judiciário, mediante apreciação de HABEAS CORPUS, determina a anulação
do indiciamento, por motivos de ausência dos requisitos legais.
Recebimento do inquérito por parte do Ministério Público. (Crime de ação penal pública)
3 alternativas:
a) oferecimento de denúncia;
b) requisição de diligências;
c) promoção de arquivamento.
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Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do
inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as
razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá
a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferece-la, ou insistirá no pedido de
arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
a) Delegado não pode requerer arquivamento e não pode desarquivar um inquérito já arquivado (o artigo
18 do CPP não se refere a desarquivamento);
b) O Ministério Público, e somente ele, pode requerer o arquivamento e o desarquivamento, contudo ele
não pode o arquivar, nem desarquivar.
c) O Juiz é responsável por determinar o arquivamento e o desarquivamento, porém jamais poderá fazer
isso sem que haja promoção (requerimento) do Ministério Público. Da Decisão de arquivamento NÃO cabe
recurso.
d) mesmo com o arquivamento do inquérito policial, a ação penal poderá ser proposta, desde que seja
instruída com provas novas.
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo
competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues
ao requerente, se o pedir, mediante translado.
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma
natureza, o órgão do MP comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os
autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (SUSPENSO
PELO STF)
Comunicação:
Em regra – Não faz coisa julgada material, sendo possível a retomada das investigações no caso de
notícias de prova nova.
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Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para
a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.
1. Atipicidade do fato:
a. Em caso de atipicidade da conduta é possível o trancamento do inquérito policial via habeas
corpus.
b. O arquivamento do inquérito policial determinado por autoridade judiciária competente, a
pedido do Ministério Público, com fundamento na atipicidade de conduta, por fazer coisa
julgada material, obsta seu desarquivamento em razão do surgimento de novas
provas.
c. A decisão de arquivamento de inquérito por atipicidade impede que o investigado seja
denunciado posteriormente pela mesma conduta, ainda que sobrevenham novos elementos
de informação.
d. O arquivamento com base na atipicidade do fato faz coisa julgada material, impedindo a
retomada futura das investigações, conforme entendimento do STF e do STJ.
2. Extinção da punibilidade. Exemplo: Prescrição. (Ficar atenta em certidão de óbito falsa)
Uma autoridade policial determinou a instauração de inquérito policial para apurar a prática de suposto
crime de homicídio. Entretanto, realizadas as necessárias diligências, constatou-se que a punibilidade
estava extinta em razão da prescrição. Nessa situação poderá ser impetrado HC com o objetivo de trancar
o inquérito policial. Neste caso temos um manifesto constrangimento ilegal ao indiciado, vez que continua
a tramitar, contra este, um IP relativo a um crime que já prescreveu, ou seja, já está extinta a punibilidade.
Isto posto, é possível que o indiciado se valha de HC para obter o trancamento (encerramento forçado ou
encerramento anômalo) do inquérito policial.
Uma autoridade policial determinou a instauração de inquérito policial para apurar a prática de suposto
crime de homicídio. Entretanto, realizadas as necessárias diligências, constatou-se que a punibilidade
estava extinta em razão da prescrição. Nessa situação, poderá ser impetrado habeas corpus com o
objetivo de trancar o inquérito policial.
Em caso de atipicidade da conduta, é possível o trancamento do inquérito policial via habeas corpus.
Contamina a ação penal)
Súmula vinculante nº 14
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“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgãos com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
Previsão legal incluída pela lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime) – Eficácia suspensa pelo STF
Art. 3º-B (...) XV – assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e
ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da
investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento.
Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar,
ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal,
civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas
a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível:
Questão: Apesar de se tratar de procedimento inquisitorial no qual não se possa exigir a plena
observância do contraditório e da ampla defesa, a assistência por advogado no curso do inquérito policial
é direito do investigado, inclusive com amplo acesso aos elementos de prova já documentados que digam
respeito ao direito de defesa. (Resposta: Correto).
Arquivamento indireto:
PODER DE INVESTIGAÇÃO DO MP
MP pode investigar.
MP não pode instaurar e conduzir o Inquérito Policial.
Investiga através de procedimentos próprios. Pelos PICS.
Questão: Para o STF, a autoridade policial pode indiciar autoridade pública com prerrogativa de foro
independentemente de prévia autorização do órgão judicante competente no qual tramita o inquérito
policial. (ERRADA – Precisa de autorização)
Para o STJ não há o que se falar em autorização do Tribunal para instauração do IP e indiciamento.
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Obs: Vá de acordo com o STJ. É necessária a autorização do Tribunal para instauração do IP e
indiciamento.
É um valor probante relativo, pois não podem ser utilizados sozinhos para condenar o réu.
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial,
não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Obs: Para absolver pode! Não pode para condenar! (Tomar cuidado nisso)
VII – Exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo
anterior.
Art. 3º, da Lei Complementar 75/93: “O Ministério Público da União exercerá o controle externo da
atividade policial tendo em vista:
Através da fiscalização realizada pelo Ministério Público, caso seja constada alguma irregularidade da
atividade policial, o MP pode adotar as medidas judiciais ou extrajudiciais cabíveis para resolver o
problema (seja ajuizando ação penal contra os infratores, seja requisitando a abertura do inquérito para
apurar os fatos, etc).
Um dos objetivos mais evidentes deste controle externo realizado pelo MPU é a preservação da
indisponibilidade da persecução penal, ou seja, preservação do exercício do poder-dever conferido ao
Estado para que investigue os fatos a fim de que, lá na frente, se possa punir eventuais culpados. A este
procedimento de busca pelos fatos preliminares (investigação) e processo e condenação dos culpados
(processo penal) se dá o nome de persecução penal.
Art. 9º. O MPU exercerá o controle externo da atividade policial por meio de medidas judicias e
extrajudiciais podendo:
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1 – Ter livre ingresso em estabelecimentos policiais ou prisionais;
3 – Representar à autoridade competente pela adoção de providências para sanar a omissão indevida, ou
para prevenir ou corrigir ilegalidade ou abuso de poder;
4 – Requisitar à autoridade competente para instauração de inquérito policial sobre a omissão ou fato
ilícito no exercício da atividade policial;
Art. 10. A prisão de qualquer pessoa, por parte de autoridade federal ou do DF e territórios, deverá ser
comunicada imediatamente ao MP competente, com indicação do lugar onde se encontra o preso e
cópia dos documentos comprobatórios da legalidade da prisão.
CUIDADO! O MPU exerce o controle externo da atividade policial, pois o MPU não integra a mesma
estrutura da policial. Quem exerce o controle interno da atividade policial é a corregedoria da polícia
respectiva.
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