Análise de Circuitos Elétricos: Capacitores e Indutores
Análise de Circuitos Elétricos: Capacitores e Indutores
Circuitos em
Engenharia 8ª edição
CDU 621.37
Tradução
Juan Paulo Robles Balestero
Mestre em Engenharia Elétrica pela UNESP
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
Revisão técnica
Antonio Pertence Júnior, MSc
Mestre em Engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais
Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações pela PUC Minas
Professor da Universidade FUMEC
Versão impressa
desta obra: 2014
2014
Seção 7.2 u O indutor 217
7.2 O INDUTOR
di
υ= L [5]
dt
3 Faraday venceu.
218 Capítulo 7 u Capacitores e Indutores
(a) (b)
p FIGURA 7.11 (a) Vários tipos de indutores disponíveis comercialmente; às vezes, também são chamados de “choques”. No sentido horário,
começando da esquerda: indutor toroidal de 287 μH com núcleo de ferrite; indutor cilíndrico de 266 μH com núcleo de ferrite, indutor de 215 μH com
núcleo de ferrite, projetado para frequência de VHF; indutor toroidal de 85 μH com núcleo de pó de ferro; indutor de 10 μH em forma de bobina; indutor
de 100 μH com terminais de conexão axiais; e indutor de 7 μH com perdas no núcleo para supressão de RF. (b) Um indutor de 11 H, medindo 10 cm
(altura) × 8 cm (largura) × 8 cm (profundidade).
Seção 7.2 u O indutor 219
u EXEMPLO 7.4
Dada a forma de onda da corrente em um indutor de 3 H conforme mos-
tra a Figura 7.12a, determine a tensão no indutor e desenhe um gráfico.
1
3
t (s) t (s)
–1 0 1 2 3 –1 0 1 2 3
–3
(a) (b)
p FIGURA 7.12 (a) Forma de onda da corrente em um indutor de 3 H. (b) Forma de onda
de tensão correspondente, v = 3 di/dt.
Como a corrente é zero para t < –1s, a tensão é zero nesse intervalo. A
corrente começa, então, a crescer linearmente a uma taxa de 1A/s, portanto,
é produzida uma tensão constante de L di/dt = 3V. Durante os 2 segundos
seguintes, a corrente é constante e, portanto, a tensão é zero. O decréscimo
final na corrente resulta em di/dt = –1A/s, levando a υ = –3V Para t > 3 segun-
dos, i(t) é uma constante (zero), de modo que υ(t) = 0 para aquele intervalo. A
forma de onda completa da tensão esta desenhada na Figura 7.12b.
220 Capítulo 7 u Capacitores e Indutores
u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.4 A Corrente através de um indutor de 200 mH é mostrada na Figura 7.13.
Use a convenção de sinal passivo e determine υL em t igual a:
(a) 0; (b) 2 ms; (c) 6 ms.
iL (mA)
t (ms)
–3 –2 –1 1 2 3 4 5 6 7
–2
–4
–6 t FIGURA 7.13
u EXEMPLO 7.5
Determine a tensão resultante no indutor quando se aplica uma corrente
com a forma de onda da Figura 7.14a no indutor do Exemplo 7.4.
1 30
t (s) t (s)
–1 0 1 2 3 –1 0 1 2 3
–0,1 2,1 –0,1 2,1
–30
(a) (b)
p FIGURA 7.14 (a) O tempo necessário para que a corrente da Figura 7.12a mude de 0 a 1
e de 1 a 0 é reduzido em um fator de 10. (b) Forma de onda da tensão resultante. As larguras de
pulso foram aumentadas para maior clareza.
do, mas oposto, tais picos de tensão infinita são necessários para produzir
t (s)
uma mudança abrupta na corrente. –1 0 1 2 3
(b)
Relações Tensão-Corrente na Forma Integral
p FIGURA 7.15 (a) O tempo necessário para a
Definimos a indutância com uma simples equação diferencial, corrente da Figura 7.14a mudar de 0 a l e de 1 a 0 é
reduzido a zero; a subida e a descida são abruptas. (b) A
di tensão resultante no indutor de 3 H consiste em um pico
υ= L
dt infinito positivo e um pico infinito negativo.
ou
1 t
i(t) = υ dt + i(t0 ) [6]
L t0
222 Capítulo 7 u Capacitores e Indutores
u EXEMPLO 7.6
A tensão nos terminais de um indutor de 2 H é 6 cos 5t V. Determine a
corrente resultante no indutor se i(t = – π/2) = 1 A.
Da Equação [6],
1 t
i(t) = 6 cos 5t dt + i(t0 )
2 t0
ou
1 6 1 6
i(t) = sen 5 t − sen 5t0 + i(t0 )
2 5 2 5
= 0,6 sen 5t − 0,6 sen 5t0 + i(t0 )
A Equação [8] vai nos causar problemas por causa dessa tensão em particular.
Baseamos a equação na hipótese de que a corrente era zero quando t = – ∞.
De fato, isso tem que ser verdade no mundo real, mas estamos trabalhando
no terreno dos modelos matemáticos; nossos elementos e funções forçantes
são todos idealizados. A dificuldade surge após a integração, onde obtemos
t
i(t) = 0,6 sen 5t −∞
u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.6 Um indutor de 100 mH tem uma tensão υL = 2e–3t V em seus terminais.
Determine a corrente resultante no indutor se iL (–0,5) = 1A.
20 − 3t
Resposta: − 3
e + 30,9 A.
Armazenamento de Energia
Agora, voltaremos nossa atenção para a potência e a energia. A potência
absorvida é dada pelo produto corrente-tensão
di
p = υi = Li
dt
Assim,
L (t) − L (t0 ) = 1
2
L [i(t)]2 − [i(t0 )]2 [9]
224 Capítulo 7 u Capacitores e Indutores
L (t) = 1
2
Li 2 [10]
u EXEMPLO 7.7
Calcule a máxima energia armazenada no indutor da Figura 7.16 e quan-
ta energia é dissipada no resistor durante o tempo em que a energia está
sendo armazenada no indutor e, depois, recuperada.
i 0,1 Ω
A energia armazenada no indutor é
+ υR – +
1 2 πt
12 sen
pt
A 3H υL L = Li = 216 sen2 J
6 2 6
–
e essa energia aumenta de zero em t = 0 a 216 J em t = 3 s. Logo, a máxima
energia armazenada no indutor é 216 J.
p FIGURA 7.16 Uma corrente senoidal é aplicada
como função forçante em um circuito RL série. O resistor Após alcançar seu valor de pico em t = 3 s, a energia deixa completamente
de 0,1 Ω representa a resistência inerente ao fio com o o indutor 3 s depois. Vamos ver qual preço pagamos pelo privilégio de
qual o indutor é fabricado. armazenar e remover 216 J em 6 segundos. A potência dissipada no resistor
é facilmente calculada como
πt
p R = i 2R = 14,4 sen2 W
6
ou
6
1 π
R = 14,4 1 − cos t dt = 43,2 J
0 2 3
u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.7 Seja L = 25 mH para o indutor da Figura 7.10. (a) Encontre υL em
t = 12 ms se iL = 10te–100t A. (b) Calcule iL em t = 0,1 s se υL = 6e–12t V
e iL(0) = 10 A. Se iL = 8(1 – e–40t) mA, encontre (c) a potência que está
sendo fornecida ao indutor em t = 50 ms e (d) a energia armazenada no
indutor em t = 40 ms.
Resistor Capacitor tanto para utilização prática em circuitos reais, mas pelo
dυ = Rdi dq = Cdυ
seu potencial em dispositivos em modelagem de e proces-
samento de sinais.
i dq = idt q Não muito se ouviu desse elemento hipotético poste-
riormente, pelo menos até que Dmitri Strukov e colegas de
trabalho no laboratório da HP, em Palo Alto, publicaram
um breve artigo em 2008 alegando ter “encontrado” o
Indutor Memristor memristor2. Eles dão vários motivos por ter levado quase
dw = Ldi dw = Mdq
quatro décadas para desenvolver um modelo genérico do
componente hipotetizado por Chua, em 1971, mas um dos
w mais interessantes tem a ver com o tamanho. Ao fabricar seu
protótipo de memristor, a nanotecnologia (a arte de fabricar
p FIGURA 7.17 Representação gráfica dos quatro elementos passivos básicos dispositivos com uma dimensão inferior a 1.000 nm, que
de dois terminais (resistor, capacitor, indutor e memristor) e suas inter-relações. é aproximadamente 1% do diâmetro do cabelo humano)
Note que o fluxo concatenado é, de modo geral, representado pela letra grega λ
para distingui-lo do fluxo: então, λ = Nφ, em que N é o número de voltas e φ é o
desempenhou um papel fundamental. Uma camada de óxido
fluxo. (Reimpresso com permissão de Macmillan Publishers Ltd. Nature Publishing de 5 nm de espessura entre dois eletrodos de platina compre-
Group, “Electronics: The fourth Element”. Volume 453, pg. 42, 2008.) ende todo o dispositivo.
As características elétricas não lineares do protótipo
A Figura 7.17 representa graficamente como essas quatro geraram de imediato grande entusiasmo, principalmente
grandezas estão interligadas. Em primeiro lugar, indepen- por suas potenciais aplicações em circuitos integrados,
dentemente de quaisquer elementos do circuito e suas carac- onde os componentes já estão se aproximando de seu
terísticas, temos dq = i dt (Capítulo 2) e, agora, dφ = υ dt. menor tamanho realístico, e muitos acreditam que novos
A carga está relacionada com a tensão ao se tratar de um tipos de dispositivos serão necessários para aumentar
capacitor, uma vez que C = dq/dυ ou dq = C dυ. O ele- ainda mais a densidade e a funcionalidade de circuitos
mento que chamamos de resistor fornece uma relação dire- integrados. Se o memristor é o elemento de circuito que
ta entre tensão e corrente, que pode ser expressa como permitirá isso, ainda não se sabe – apesar do relato de um
dv = Rdi. Continuando a nossa viagem no sentido anti-horário protótipo, resta ainda muito trabalho a ser feito antes que
em torno do perímetro da Figura 7.17, observamos que nossa ele se torne prático.
(1) L. 0. Chua, “Memristor-The missing circuit element”, IEEE Transactions on Circuit Theory CT-18 (5), 1971, p. 507.
(2) D. B. Strukov, G. S. Snider, D. R. Stewart, and R. S. Williams, “The missing memristor found”, Nature 453, 2008, p. 80.
Seção 7.3 u Combinações de indutâncias e capacitâncias 227
Indutores em Série
Agora, podemos estender os procedimentos que deduzimos para reduzir
várias combinações de resistores em um resistor equivalente aos casos aná-
logos de indutores e capacitores. Vamos considerar primeiro uma fonte de
tensão ideal aplicada em uma combinação de N indutores em série, como
mostra a Figura 7.18a. Desejamos um único indutor equivalente, com
indutância Leq, que possa substituir a combinação em série de maneira que
a corrente da fonte i(t) fique inalterada.
O circuito equivalente está desenhado na Figura 7.18b. Aplicando a
LKT no circuito original,
υs = υ1 + υ2 + · · · + υN
di di di
= L1 + L2 + · · · + LN
dt dt dt
di
= (L 1 + L 2 + · · · + L N )
dt
ou, escrevendo de forma mais concisa,
N N N
di di
υs = υn = Ln = Ln
n= 1 n= 1
dt dt n= 1
i L1 L2 i
+ υ1 – + υ2 –
+
υs
+
L eq
+
υs – LN vN –
–
t FIGURA 7.18 (a) Circuito contendo N indutores
em série. (b) O circuito equivalente desejado, no qual
(a) (b) Leq = L1 + L2 + ... + LN.
228 Capítulo 7 u Capacitores e Indutores
+ ou
i1 i2 iN N
L eq = Ln [11]
is LN n= 1
υ L1 L2
+ Indutores em Paralelo
is υ L eq
A combinação de um conjunto de indutores em paralelo é obtida escrevendo-se
– uma única equação nodal para o circuito original mostrado na Figura 7.19a.
N N
(b) 1 t
is = in = υ dt + i n (t0 )
n= 1 n= 1
Ln t0
p FIGURA 7.19 (a) Combinação de N indutores em
N N
paralelo. (b) circuito equivalente, onde Leq = [1/L1 + 1/L2 1 t
= υ dt + i n (t0 )
+ ... + 1/LN]–1.
n= 1
Ln t0 n= 1
e
1 t
υs = i dt + υs (t0 )
Ceq t0