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Análise de Circuitos Elétricos: Capacitores e Indutores

Este documento é a 8a edição do livro "Análise de Circuitos em Engenharia" por William H. Hayt Jr., Jack E. Kemmerly e Steven M. Durbin. O livro fornece uma análise detalhada dos indutores, componentes elétricos cuja tensão depende da taxa de variação da corrente que os atravessa. O documento descreve o modelo matemático do indutor ideal e algumas de suas características importantes, como ser um curto-circuito para corrente contínua e resistir a mudan

Enviado por

Rafael Pinto
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Análise de Circuitos Elétricos: Capacitores e Indutores

Este documento é a 8a edição do livro "Análise de Circuitos em Engenharia" por William H. Hayt Jr., Jack E. Kemmerly e Steven M. Durbin. O livro fornece uma análise detalhada dos indutores, componentes elétricos cuja tensão depende da taxa de variação da corrente que os atravessa. O documento descreve o modelo matemático do indutor ideal e algumas de suas características importantes, como ser um curto-circuito para corrente contínua e resistir a mudan

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Análise de

Circuitos em
Engenharia 8ª edição

William H. Hayt Jr.


Jack E. Kemmerly
Steven M. Durbin
H426a Hayt, William H.
Análise de circuitos em engenharia [recurso eletrônico] /
William H. Hayt, Jr., Jack E. Kemmerly, Steven M. Durbin ;
tradução: Juan Paulo Robles Balestero, Márcio Falcão Santos
Barroso ; revisão técnica: Antonio Pertence Júnior. – 8. ed. –
Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2014.

Capítulo 19 está disponível online.


Editado também como livro impresso em 2014.
ISBN 978-85-8055-384-0

1. Engenharia elétrica. 2. Circuitos elétricos. I. Kemmerly,


Jack E. II. Durboin, Stevem M. III. Título.

CDU 621.37

Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052


William H. Hayt, Jr. (falecido) Jack E. Kemmerly (falecido) Steven M. Durbin
Purdue University California State University University at Buffalo
The State University of New York

Tradução
Juan Paulo Robles Balestero
Mestre em Engenharia Elétrica pela UNESP
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo

Márcio Falcão Santos Barroso


Doutor em Engenharia Elétrica pela UFMG
Professor da Universidade Federal de São João del Rei – UFSJ

Revisão técnica
Antonio Pertence Júnior, MSc
Mestre em Engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais
Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações pela PUC Minas
Professor da Universidade FUMEC

Versão impressa
desta obra: 2014

2014
Seção 7.2  u O indutor 217

Características Importantes de um Capacitor Ideal


1. Não há fluxo de corrente através de um capacitor se a tensão em seus
terminais não variar no tempo. Um capacitor é, portanto, um circuito aberto
para CC.
2. Uma quantidade finita de energia pode ser armazenada em um capacitor
mesmo que a corrente através dele seja zero, como no caso em que a tensão
em seus terminais é constante.
3. É impossível promover uma mudança finita na tensão nos terminais de
um capacitor em um intervalo de tempo nulo, pois isso demandaria uma cor-
rente infinita. Um capacitor resiste a mudanças abruptas na tensão em seus
terminais da mesma forma que uma mola se opõe a mudanças abruptas em
seu alongamento.
4. Um capacitor nunca dissipa energia, somente a armazena. Isto é verdade
para o modelo matemático desse dispositivo, mas deixa de ser para um capa-
citor real devido à resistência finita associada ao dielétrico e ao encapsula-
mento.

7.2    O INDUTOR

Modelo do Indutor Ideal


No início do século XIX, o cientista dinamarquês Oersted mostrou que
um condutor conduzindo uma corrente produzia um campo magnético (a
agulha de uma bússola era afetada pela presença de um fio quando este
era percorrido por uma corrente). Pouco tempo depois, Ampère fez algu-
mas medições cuidadosas que demonstraram uma relação linear entre o
campo magnético e a corrente que o produzia. O próximo passo ocorreu
praticamente 20 anos depois, quando o cientista inglês Michael Faraday e
o inventor americano Joseph Henry descobriram quase simultaneamente3
que um campo magnético variável podia induzir uma tensão em um circuito
próximo. Eles mostraram que essa tensão era proporcional à taxa de varia-
ção temporal da corrente que produzia o campo magnético. A constante
de proporcionalidade é aquilo que agora chamamos de indutância, cujo
símbolo é L, portanto

di
υ= L [5]
dt

onde devemos notar que υ e i são funções do tempo. Quando quisermos


enfatizar esse aspecto, poderemos fazê-lo usando os símbolos υ(t) e i(t).
iL
O símbolo do indutor é mostrado na Figura 7.10, e deve-se notar que foi L
usada a convenção de sinal passivo, assim como no caso do resistor e do + υL –
capacitor. A unidade de medida da indutância é o henry (H), e a equação
que a define mostra que o henry é apenas uma expressão abreviada para p FIGURA 7.10  Símbolo elétrico e convenções
volt-segundo por ampère. corrente-tensão para um indutor.

3 Faraday venceu.
218 Capítulo 7  u  Capacitores e Indutores

O indutor cuja indutância é definida pela Equação [5] é um modelo


matemático; ele é um elemento ideal que podemos usar para representar
de forma aproximada o comportamento de um dispositivo real. Um indu-
tor de verdade pode ser construído ao se enrolar um fio na forma de uma
bobina. Isso serve efetivamente para aumentar tanto a corrente que causa
o campo magnético quanto o “número” de circuitos vizinhos nos quais a
tensão de Faraday pode ser induzida. O resultado desse efeito simultâneo é
o fato de a indutância de uma bobina ser aproximadamente proporcional ao
quadrado do número de voltas completas feitas pelo condutor com o qual
ela é formada. Por exemplo, sabe-se que um indutor ou “bobina” na forma
de um longo solenoide com raio pequeno tem uma indutância μN2A/s, onde
A é a área da seção transversal, s é o comprimento axial do solenoide, N é
o número de voltas completas do fio e μ (mi) é uma constante do material
interno ao solenoide, chamada de permeabilidade. No vácuo (e de forma
muito próxima para o ar), μ = μ0 = 4π × 10–7 H/m = 4π nH/cm. A Figura
7.11 mostra vários exemplos de indutores disponíveis comercialmente.
Vamos agora analisar a Equação [5] para determinar algumas das carac-
terísticas elétricas do modelo matemático. Essa equação mostra que a ten-
são nos terminais de um indutor é proporcional à taxa de variação temporal
da corrente que passa por ele. Em especial, ela mostra que não há tensão em
um indutor pelo qual passa uma corrente constante, independentemente da
amplitude dessa corrente, consequentemente, podemos enxergar o indutor
como um curto-circuito para CC.
Outra constatação que pode ser obtida a partir da Equação [5] é que uma
mudança abrupta ou descontínua na corrente deve estar associada a uma
tensão infinita nos terminais do indutor. Em outras palavras, se quisermos

(a) (b)

p FIGURA 7.11  (a) Vários tipos de indutores disponíveis comercialmente; às vezes, também são chamados de “choques”. No sentido horário,
começando da esquerda: indutor toroidal de 287 μH com núcleo de ferrite; indutor cilíndrico de 266 μH com núcleo de ferrite, indutor de 215 μH com
núcleo de ferrite, projetado para frequência de VHF; indutor toroidal de 85 μH com núcleo de pó de ferro; indutor de 10 μH em forma de bobina; indutor
de 100 μH com terminais de conexão axiais; e indutor de 7 μH com perdas no núcleo para supressão de RF. (b) Um indutor de 11 H, medindo 10 cm
(altura) × 8 cm (largura) × 8 cm (profundidade).
Seção 7.2  u O indutor 219

produzir uma mudança abrupta na corrente de um indutor, deveremos aplicar


uma tensão infinita. Embora uma função forçante com tensão infinita possa
ser aceitável teoricamente, ela não existe na prática. Conforme veremos em
breve, uma alteração abrupta na corrente de um indutor também requer uma
mudança abrupta na energia nele armazenada, o que faz com que a potência
infinita seja necessária naquele instante; a potência infinita tampouco faz
parte do mundo real. Para evitar tensão e potência infinitas, a corrente em
um indutor não pode saltar instantaneamente de um valor para outro.
A interrupção do fluxo de corrente em um circuito real contendo um indu-
tor pode levar ao aparecimento temporário de um arco elétrico entre os contatos
da chave. Isso é útil no sistema de ignição de alguns automóveis, onde a cor-
rente que passa através da bobina de ignição é interrompida pelo distribuidor,
levando ao aparecimento de um arco nos eletrodos da vela. Isso ocorre em
um intervalo de tempo muito pequeno, embora não instantâneo, causando o
aparecimento de uma alta tensão. A presença de uma alta tensão em um espaça-
mento tão pequeno significa um campo elétrico de intensidade muito elevada;
a energia armazenada é dissipada com a ionização do ar no caminho do arco.
A Equação [5] também pode ser interpretada (e resolvida, se necessário)
por métodos gráficos, como veremos no Exemplo 7.4.

u  EXEMPLO 7.4
Dada a forma de onda da corrente em um indutor de 3 H conforme mos-
tra a Figura 7.12a, determine a tensão no indutor e desenhe um gráfico.

i(t) (A) υ(t) (V)

1
3

t (s) t (s)
–1 0 1 2 3 –1 0 1 2 3
–3
(a) (b)

p FIGURA 7.12  (a) Forma de onda da corrente em um indutor de 3 H. (b) Forma de onda
de tensão correspondente, v = 3 di/dt.

Desde que a tensão υ e a corrente i sejam definidas para satisfazer a conven-


ção de sinal passivo, podemos obter υ da Figura 7.12a usando a Equação [5]:
di
υ= 3
dt

Como a corrente é zero para t < –1s, a tensão é zero nesse intervalo. A
corrente começa, então, a crescer linearmente a uma taxa de 1A/s, portanto,
é produzida uma tensão constante de L di/dt = 3V. Durante os 2 segundos
seguintes, a corrente é constante e, portanto, a tensão é zero. O decréscimo
final na corrente resulta em di/dt = –1A/s, levando a υ = –3V Para t > 3 segun-
dos, i(t) é uma constante (zero), de modo que υ(t) = 0 para aquele intervalo. A
forma de onda completa da tensão esta desenhada na Figura 7.12b.
220 Capítulo 7  u  Capacitores e Indutores

u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.4 A Corrente através de um indutor de 200 mH é mostrada na Figura 7.13.
Use a convenção de sinal passivo e determine υL em t igual a:
(a) 0; (b) 2 ms; (c) 6 ms.
iL (mA)

t (ms)
–3 –2 –1 1 2 3 4 5 6 7
–2

–4

–6 t FIGURA 7.13

Resposta: 0,4V; 0,2V; –0,267V.

Vamos investigar agora o efeito de uma subida e uma descida mais


rápida da corrente entre os valores zero e 1 A.

u  EXEMPLO 7.5
Determine a tensão resultante no indutor quando se aplica uma corrente
com a forma de onda da Figura 7.14a no indutor do Exemplo 7.4.

i(t) (A) υ(t) (V)

1 30

t (s) t (s)
–1 0 1 2 3 –1 0 1 2 3
–0,1 2,1 –0,1 2,1
–30
(a) (b)

p FIGURA 7.14  (a) O tempo necessário para que a corrente da Figura 7.12a mude de 0 a 1
e de 1 a 0 é reduzido em um fator de 10. (b) Forma de onda da tensão resultante. As larguras de
pulso foram aumentadas para maior clareza.

Observe que os intervalos de tempo de subida e descida foram reduzidos a


0,1 s. Logo, a intensidade de cada derivada será dez vezes maior; essa condi-
ção é mostrada nos gráficos de corrente e tensão das Figuras 7.14a e b. Nas
formas de onda de tensão das Figuras 7.13b e 7.14b, é interessante notar que
a área sob cada pulso de tensão é 3 V · s.

Apenas por curiosidade, vamos continuar nessa mesma linha de racio-


cínio por um momento. Uma diminuição ainda maior nos tempos de subida
e descida da corrente produzirá uma tensão de intensidade proporcional-
mente maior, mas somente dentro do intervalo no qual a corrente está
Seção 7.2  u O indutor 221

aumentando ou diminuindo. Uma mudança abrupta na corrente causará os i (t) (A)


“picos” de tensão infinita (cada um com uma área de 3 V · s), sugeridos
pelas formas de onda da Figura 7.15; ou, do ponto de vista igualmente váli- 1

do, mas oposto, tais picos de tensão infinita são necessários para produzir
t (s)
uma mudança abrupta na corrente. –1 0 1 2 3

u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO (a)

7.5 A forma de onda da corrente da Figura 7.14a possui tempos de subida e


υ(t) (V)
descida iguais, com duração de 0,1 s (100 ms). Calcule as tensões máxi-
mas positiva e negativa sobre o mesmo indutor se os tempos de subida e
(para `)
descida forem alterados, respectivamente, para (a) 1 ms, 1 ms, (b) 12 μs,
64 μs; (c) 1 s, 1 ns.
t (s)
–1 0 1 2 3
Resposta: 3 kV, –3 kV; 250 kV, –46,88 kV; 3 V, –3 GV.
(para – `)

(b)
Relações Tensão-Corrente na Forma Integral
p FIGURA 7.15  (a) O tempo necessário para a
Definimos a indutância com uma simples equação diferencial, corrente da Figura 7.14a mudar de 0 a l e de 1 a 0 é
reduzido a zero; a subida e a descida são abruptas. (b) A
di tensão resultante no indutor de 3 H consiste em um pico
υ= L
dt infinito positivo e um pico infinito negativo.

e, a partir dessa relação, obtemos várias conclusões a respeito das carac-


terísticas de um indutor. Por exemplo, consideramos o indutor um curto-
-circuito para a corrente contínua e concordamos que não é possível mudar
a corrente em um indutor de um valor para outro de forma abrupta, porque,
para isso, seriam necessárias tensão e potência infinitas. No entanto, a
simples equação que define a indutância contém ainda mais informações.
Reescrita em uma forma ligeiramente diferente,
1
di = υ dt
L

ela é um convite à integração. Vamos considerar primeiro os limites a


serem colocados nas duas integrais. Queremos a corrente i no instante t, e
esse par de grandezas fornece, portanto, os limites superiores das integrais
aparecendo nos lados esquerdo e direito da equação, respectivamente; os
limites inferiores também podem ser mantidos gerais assumindo simples-
mente que a corrente tenha o valor i(t0) no instante t0. Assim,
i(t)
1 t
di = υ(t ) dt
i(t0 ) L t0

que leva à equação


1 t
i(t) − i(t0 ) = υ dt
L t0

ou
1 t
i(t) = υ dt + i(t0 ) [6]
L t0
222 Capítulo 7  u  Capacitores e Indutores

A Equação [5] expressa a tensão no indutor em termos da corrente,


enquanto a Equação [6] fornece a corrente em termos da tensão. Outras for-
mas também são possíveis para a última equação. Podemos escrever a inte-
gral como uma integral indefinida e incluir uma constante de integração k:
1
i(t) = υ dt + k [7]
L

Podemos assumir também que estamos resolvendo um problema real


no qual a escolha de t0 como – ∞ garante que não há nenhuma corrente ou
energia no indutor. Assim, se i(t0) = i(– ∞) = 0, então,
1 t
i(t) = υ dt [8]
L −∞

Vamos estudar o uso dessas várias integrais usando um exemplo sim-


ples, onde é especificada a tensão nos terminais de um indutor.

u  EXEMPLO 7.6
A tensão nos terminais de um indutor de 2 H é 6 cos 5t V. Determine a
corrente resultante no indutor se i(t = – π/2) = 1 A.

Da Equação [6],
1 t
i(t) = 6 cos 5t dt + i(t0 )
2 t0

ou
1 6 1 6
i(t) = sen 5 t − sen 5t0 + i(t0 )
2 5 2 5
= 0,6 sen 5t − 0,6 sen 5t0 + i(t0 )

O primeiro termo indica que a corrente no indutor apresenta variação senoi-


dal; o segundo e o terceiro termos juntos representam uma constante que se
torna conhecida quando a corrente é especificada numericamente em algum
instante de tempo. Usando o fato de que a corrente é 1 A em t = – π/2 s,
identificamos t0 como – π/2 com i(t0) e obtemos
i(t) = 0,6 sen 5t − 0,6 sen(− 2,5π) + 1
ou
i(t) = 0,6 sen 5t + 1,6

Podemos obter o mesmo resultado pela Equação [6]. Temos


i(t) = 0,6 sen 5t + k

e estabelecemos o valor numérico de k forçando a corrente a ser 1 A em


t = – π/2:
1 = 0,6 sen(− 2,5π) + k
ou
k = 1 + 0,6 = 1,6
assim, como antes,
i(t) = 0,6 sen 5t + 1,6
Seção 7.2  u O indutor 223

A Equação [8] vai nos causar problemas por causa dessa tensão em particular.
Baseamos a equação na hipótese de que a corrente era zero quando t = – ∞.
De fato, isso tem que ser verdade no mundo real, mas estamos trabalhando
no terreno dos modelos matemáticos; nossos elementos e funções forçantes
são todos idealizados. A dificuldade surge após a integração, onde obtemos
t
i(t) = 0,6 sen 5t −∞

e tentamos avaliar a integral no limite inferior:


i(t) = 0,6 sen 5t − 0,6 sen(−∞)

O seno de ± ∞ é indeterminado, portanto, não podemos avaliar nossa expres-


são. A Equação [8] só é útil se estivermos avaliando funções que se aproxi-
mam de zero quando t → – ∞.

u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.6 Um indutor de 100 mH tem uma tensão υL = 2e–3t V em seus terminais.
Determine a corrente resultante no indutor se iL (–0,5) = 1A.

20 − 3t
Resposta: − 3
e + 30,9 A.

Entretanto, não devemos fazer nenhum julgamento antecipado sobre


qual forma das Equações [6], [7] e [8] vamos usar de agora em diante; cada
uma tem suas vantagens, dependendo do problema e da aplicação. A Equa-
ção [6] representa um método longo e geral, mas ela mostra claramente que
a constante de integração é uma corrente. A Equação [7] é uma expressão
um pouco mais resumida da Equação [6], mas a natureza da constante de
integração é suprimida. Por fim, a Equação [8] é uma excelente expressão,
pois nenhuma constante é necessária; no entanto, ela se aplica somente
quando a corrente é zero em t = – ∞ e quando a expressão analítica que
descreve a corrente não é indeterminada nesse limite.

Armazenamento de Energia
Agora, voltaremos nossa atenção para a potência e a energia. A potência
absorvida é dada pelo produto corrente-tensão
di
p = υi = Li
dt

A energia L aceita pelo indutor é armazenada no campo magnético


ao redor da bobina. A mudança nessa energia é expressa pela integral da
potência ao longo do intervalo de tempo desejado:
t t i(t)
di
p dt = L i dt = L i di
t0 t0 dt i(t0 )
1
= L [i(t)]2 − [i(t0 )]2
2

Assim,
L (t) − L (t0 ) = 1
2
L [i(t)]2 − [i(t0 )]2 [9]
224 Capítulo 7  u  Capacitores e Indutores

onde assumimos novamente uma corrente i(t0) no instante t0. Ao usar a


expressão da energia, é comum supor que t0 corresponda ao instante de
tempo em que a corrente é zero; também é comum supor energia zero nesse
mesmo instante. Temos, então, simplesmente

L (t) = 1
2
Li 2 [10]

e agora entendemos que nossa referência para energia zero é qualquer


instante de tempo no qual a corrente no indutor é zero. Em qualquer
tempo subsequente no qual a corrente for zero, também não encontrare-
mos nenhuma energia armazenada no indutor. Sempre que a corrente for
diferente de zero, independentemente de sua direção e de seu sinal, haverá
energia armazenada no indutor. Conclui-se, portanto, que a energia pode
ser entregue ao indutor durante determinado intervalo de tempo e depois
recuperada. Toda energia armazenada em um indutor ideal pode ser recu-
perada; no modelo matemático, não são pagas taxas de armazenamento,
tampouco comissões a agentes. Uma bobina de verdade, no entanto, deve
ser construída com fios de verdade e, portanto, sempre terá uma resistência
associada. Nesse caso, não será possível armazenar e recuperar energia sem
que ocorram perdas.
Essas ideias podem ser ilustradas com um simples exemplo. Na
Figura 7.16, um indutor de 3 H está em série com um resistor de 0,1 Ω
πt
e com uma fonte de corrente senoidal is = 12 sen 6 A. O resistor pode
ser interpretado como a resistência do fio usado na construção de uma
bobina de verdade.

u  EXEMPLO 7.7
Calcule a máxima energia armazenada no indutor da Figura 7.16 e quan-
ta energia é dissipada no resistor durante o tempo em que a energia está
sendo armazenada no indutor e, depois, recuperada.
i 0,1 Ω
A energia armazenada no indutor é
+ υR – +
1 2 πt
12 sen
pt
A 3H υL L = Li = 216 sen2 J
6 2 6

e essa energia aumenta de zero em t = 0 a 216 J em t = 3 s. Logo, a máxima
energia armazenada no indutor é 216 J.
p FIGURA 7.16  Uma corrente senoidal é aplicada
como função forçante em um circuito RL série. O resistor Após alcançar seu valor de pico em t = 3 s, a energia deixa completamente
de 0,1 Ω representa a resistência inerente ao fio com o o indutor 3 s depois. Vamos ver qual preço pagamos pelo privilégio de
qual o indutor é fabricado. armazenar e remover 216 J em 6 segundos. A potência dissipada no resistor
é facilmente calculada como
πt
p R = i 2R = 14,4 sen2 W
6

e a energia convertida em calor no resistor nesse intervalo de 6 s é, portanto,


6 6
π
R = p R dt = 14,4 sen2 t dt
0 0 6
Seção 7.2  u O indutor 225

ou
6
1 π
R = 14,4 1 − cos t dt = 43,2 J
0 2 3

Então, gastamos 43,2 J no processo de armazenar e depois recuperar 216 J


em um intervalo de 6 segundos. Isso representa 20% da máxima energia
armazenada, mas é um valor razoável para muitas bobinas com uma indutân-
cia assim tão grande. Em bobinas com uma indutância de aproximadamente
100 μH, podemos esperar um valor próximo a 2% ou 3%.

u EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
7.7 Seja L = 25 mH para o indutor da Figura 7.10. (a) Encontre υL em
t = 12 ms se iL = 10te–100t A. (b) Calcule iL em t = 0,1 s se υL = 6e–12t V
e iL(0) = 10 A. Se iL = 8(1 – e–40t) mA, encontre (c) a potência que está
sendo fornecida ao indutor em t = 50 ms e (d) a energia armazenada no
indutor em t = 40 ms.

Resposta: –15,06 mV; 24,0 A; 7,49 μW; 0,510 μJ.

Vamos agora recapitular, listando quatro características importantes que


resultam da equação υ = L di/dt que define um indutor:

Características Importantes de um Indutor Ideal


1. Não há tensão nos terminais de um indutor se a corrente através dele não
varia no tempo. Um indutor é, portanto, um curto-circuito para CC.
2. Uma quantidade finita de energia pode ser armazenada em um indutor
mesmo que a tensão em seus terminais seja zero, como no caso em que a
corrente através dele é constante.
3. É impossível promover uma mudança finita na corrente através do indu-
tor em um intervalo de tempo nulo, pois isso demandaria uma tensão infinita.
O indutor resiste a mudanças abruptas de corrente da mesma forma que uma
massa se opõe a mudanças abruptas de velocidade
4. O indutor nunca dissipa energia, somente a armazena. Isso é verdade
para o modelo matemático, mas deixa de ser para um indutor real devido às
resistências em série.

É interessante antecipar nossa discussão sobre dualidade na Seção 7.6


relendo as quatro afirmações anteriores com certas palavras sendo substitu-
ídas por suas correspondentes “duais”. Se as palavras capacitor e indutor,
capacitância e indutância, tensão e corrente, nos terminais e através deles,
circuito aberto e curto-circuito, mola e massa, deslocamento e velocidade
forem intercambiadas (em qualquer direção), obtemos as quatro afirmações
feitas anteriormente para os capacitores.
APLICAÇÃO
EM BUSCA DO ELEMENTO PERDIDO
Até agora, foram introduzidos três diferentes elemen- expressão original conectando a tensão e a corrente associada
tos passivos com dois terminais: o resistor, o capacitor e a um indutor pode ser escrita em termos de corrente i e fluxo
o indutor. Cada um foi definido em termos da sua relação de concatenado φ, considerando que um rearranjo dessa equa-
de corrente-tensão (υ = Ri, i = C dv/dt e υ = L di/dt, res- ção produz υ dt = L di, e também sabemos que dφ = υ dt.
pectivamente). Em uma perspectiva mais fundamental, Assim, para o indutor, podemos escrever dφ = L di.
no entanto, podemos observar esses três elementos como Até agora, percorremos de q para υ com o auxílio de um
parte de um quadro maior relacionando quatro grandezas capacitor, de υ para i usando o resistor e de i a φ usando
básicas, denominadas carga q, corrente i, tensão υ e fluxo o indutor. No entanto, ainda não utilizamos nenhum ele-
concatenado φ. A carga, a corrente e a tensão são discu- mento para conectar φ e q, apesar de a simetria sugerir que
tidas no Capítulo 2. O fluxo concatenado é o produto do tal coisa deve ser possível. No início da década de 1970,
fluxo magnético e o número de voltas do fio condutor Leon Chua pensou a respeito do assunto e postulou um
concatenado pelo fluxo e pode ser expresso em termos novo componente – um elemento de circuito de dois termi-
da tensão υ em toda a bobina, como φ = ∫ υ dt ou dφ/dt. nais “perdido” – e o chamou de memristor1. Ele passou a
demonstrar que as características elétricas de um memristor
υ devem ser não lineares e dependem de seu histórico – em
outras palavras, um memristor pode ser caracterizado por
ter uma memória (daí o seu nome). À parte de seu trabalho,
outros haviam proposto um componente semelhante, nem
dw = υdt

Resistor Capacitor tanto para utilização prática em circuitos reais, mas pelo
dυ = Rdi dq = Cdυ
seu potencial em dispositivos em modelagem de e proces-
samento de sinais.
i dq = idt q Não muito se ouviu desse elemento hipotético poste-
riormente, pelo menos até que Dmitri Strukov e colegas de
trabalho no laboratório da HP, em Palo Alto, publicaram
um breve artigo em 2008 alegando ter “encontrado” o
Indutor Memristor memristor2. Eles dão vários motivos por ter levado quase
dw = Ldi dw = Mdq
quatro décadas para desenvolver um modelo genérico do
componente hipotetizado por Chua, em 1971, mas um dos
w mais interessantes tem a ver com o tamanho. Ao fabricar seu
protótipo de memristor, a nanotecnologia (a arte de fabricar
p FIGURA 7.17  Representação gráfica dos quatro elementos passivos básicos dispositivos com uma dimensão inferior a 1.000 nm, que
de dois terminais (resistor, capacitor, indutor e memristor) e suas inter-relações. é aproximadamente 1% do diâmetro do cabelo humano)
Note que o fluxo concatenado é, de modo geral, representado pela letra grega λ
para distingui-lo do fluxo: então, λ = Nφ, em que N é o número de voltas e φ é o
desempenhou um papel fundamental. Uma camada de óxido
fluxo. (Reimpresso com permissão de Macmillan Publishers Ltd. Nature Publishing de 5 nm de espessura entre dois eletrodos de platina compre-
Group, “Electronics: The fourth Element”. Volume 453, pg. 42, 2008.) ende todo o dispositivo.
As características elétricas não lineares do protótipo
A Figura 7.17 representa graficamente como essas quatro geraram de imediato grande entusiasmo, principalmente
grandezas estão interligadas. Em primeiro lugar, indepen- por suas potenciais aplicações em circuitos integrados,
dentemente de quaisquer elementos do circuito e suas carac- onde os componentes já estão se aproximando de seu
terísticas, temos dq = i dt (Capítulo 2) e, agora, dφ = υ dt. menor tamanho realístico, e muitos acreditam que novos
A carga está relacionada com a tensão ao se tratar de um tipos de dispositivos serão necessários para aumentar
capacitor, uma vez que C = dq/dυ ou dq = C dυ. O ele- ainda mais a densidade e a funcionalidade de circuitos
mento que chamamos de resistor fornece uma relação dire- integrados. Se o memristor é o elemento de circuito que
ta entre tensão e corrente, que pode ser expressa como permitirá isso, ainda não se sabe – apesar do relato de um
dv = Rdi. Continuando a nossa viagem no sentido anti-horário protótipo, resta ainda muito trabalho a ser feito antes que
em torno do perímetro da Figura 7.17, observamos que nossa ele se torne prático.

(1) L. 0. Chua, “Memristor-The missing circuit element”, IEEE Transactions on Circuit Theory CT-18 (5), 1971, p. 507.
(2) D. B. Strukov, G. S. Snider, D. R. Stewart, and R. S. Williams, “The missing memristor found”, Nature 453, 2008, p. 80.
Seção 7.3  u Combinações de indutâncias e capacitâncias 227

7.3   COMBINAÇÕES DE INDUTÂNCIAS E


CAPACITÂNCIAS
Agora que acrescentamos o indutor e o capacitor à nossa lista de elementos
de circuito passivos, precisamos decidir se os métodos que desenvolve-
mos para a análise de circuitos resistivos ainda são válidos. Também será
conveniente aprender como substituir combinações em série e paralelo de
qualquer um desses elementos por equivalentes mais simples, assim como
fizemos com os resistores no Capítulo 3.
Primeiro, olhamos as duas leis de Kirchhoff, ambas axiomáticas. Entretanto,
quando formulamos essas duas leis, fizemos isso sem qualquer restrição quanto
aos elementos que constituíam a rede. Ambas, portanto, permanecem válidas.

Indutores em Série
Agora, podemos estender os procedimentos que deduzimos para reduzir
várias combinações de resistores em um resistor equivalente aos casos aná-
logos de indutores e capacitores. Vamos considerar primeiro uma fonte de
tensão ideal aplicada em uma combinação de N indutores em série, como
mostra a Figura 7.18a. Desejamos um único indutor equivalente, com
indutância Leq, que possa substituir a combinação em série de maneira que
a corrente da fonte i(t) fique inalterada.
O circuito equivalente está desenhado na Figura 7.18b. Aplicando a
LKT no circuito original,
υs = υ1 + υ2 + · · · + υN
di di di
= L1 + L2 + · · · + LN
dt dt dt
di
= (L 1 + L 2 + · · · + L N )
dt
ou, escrevendo de forma mais concisa,
N N N
di di
υs = υn = Ln = Ln
n= 1 n= 1
dt dt n= 1

Mas, no circuito equivalente, temos


di
υs = L eq
dt

portanto, a indutância equivalente é


L eq = L 1 + L 2 + · · · + L N

i L1 L2 i

+ υ1 – + υ2 –
+
υs
+
L eq
+
υs – LN vN –

t  FIGURA 7.18  (a) Circuito contendo N indutores
em série. (b) O circuito equivalente desejado, no qual
(a) (b) Leq = L1 + L2 + ... + LN.
228 Capítulo 7  u  Capacitores e Indutores

+ ou
i1 i2 iN N
L eq = Ln [11]
is LN n= 1
υ L1 L2

O indutor equivalente aos vários indutores conectados em série possui


– uma indutância que é a soma das indutâncias no circuito original. Esse é
exatamente o mesmo resultado que obtivemos para resistores em série.
(a)

+ Indutores em Paralelo
is υ L eq
A combinação de um conjunto de indutores em paralelo é obtida escrevendo-se
– uma única equação nodal para o circuito original mostrado na Figura 7.19a.
N N
(b) 1 t
is = in = υ dt + i n (t0 )
n= 1 n= 1
Ln t0
p FIGURA 7.19  (a) Combinação de N indutores em
N N
paralelo. (b) circuito equivalente, onde Leq = [1/L1 + 1/L2 1 t
= υ dt + i n (t0 )
+ ... + 1/LN]–1.
n= 1
Ln t0 n= 1

Comparando-a com o resultado para o circuito equivalente da Figura 7.19b,


1 t
is = υ dt + i s (t0 )
L eq t0
i C1 C2
Como a lei de Kirchhoff das correntes exige que is (t0) seja igual à soma
+ υ1 – + υ2 – +
+ das correntes dos ramos em t0, os dois termos integrais também devem ser
υs υN CN

iguais; daí,

1
L eq = [12]
1/ L 1 + 1/ L 2 + · · · + 1/ L N
(a)

i Para o caso especial de dois indutores em paralelo,


L1 L2
L eq = [13]
υs
L1 + L2
Ceq
+

e notamos que indutores em paralelo combinam-se exatamente como resis-
tores em paralelo.
(b)

p  FIGURA 7.20  (a) Circuito contendo N capacitores


Capacitores em Série
em série. (b) O circuito equivalente desejado, onde Ceq =
[1/C1 + 1/C2 + ... + 1/CN]–1. Para encontrar um capacitor que seja equivalente a N capacitores em série, usa-
mos o circuito da Figura 7.20a e seu equivalente na Figura 7.20b para escrever
N N
1 t
υs = υn = i dt + υn (t0 )
n= 1 n= 1
Cn t0
N N
1 t
= i dt + υn (t0 )
n= 1
Cn t0 n= 1

e
1 t
υs = i dt + υs (t0 )
Ceq t0

Porém, a lei de Kirchhoff das tensões estabelece a igualdade entre υs(t0)


e a soma das tensões nos capacitores em t0; logo
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade
de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você
encontra a obra na íntegra.

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