A Nova Lei de
Licitações
LEI N. 14.133/2021
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A Nova Lei de Licitações
Lei n. 14.133/2021
O novo estatuto das licitações e contratações públicas conso-
lida as alterações práticas promovidas na execução da Lei de
Licitações após 27 anos e recepciona alguns entendimentos
jurisprudenciais, rotinas e procedimentos já recorrentes.
Trata-se de uma lei densa e complexa ao compilar regras que
antes se encontravam em diferentes legislações e por isso
mesmo tem um prazo de 2 anos para entrada em vigência
absoluta. Trata-se de um prazo importante para que seja am-
plamente discutida, compreendida, comunicada e acolhida
pelos departamentos de licitações e contratos nas entidades
da Administração Pública.
A SST Advogados destaca objetivamente as principais dis-
posições dessa nova lei de licitações, com atenção voltada ao
impacto para os interessados em contratar com o Poder Pú-
blico. Por esta razão deixamos de lado aspectos de Direito
Administrativo e de responsabilidade dos agentes públicos.
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Princípios (art. 5º)
Aos princípios que regem as licitações e contratações, já exis-
tentes na Lei nº. 8.666/93, somam-se alguns novos princípios
que já eram considerados em recursos, petições e decisões ju-
diciais ou administrativos:
• Legalidade • Motivação NOVO
• Impessoalidade • Vinculação ao Edital
• Moralidade • Julgamento Objetivo
• Publicidade • Segurança Jurídica
NOVO
• Eficiência NOVO
• Interesse Público NOVO
• Razoabilidade NOVO
• Probidade Administrativa • Competitividade NOVO
• Igualdade • Proporcionalidade
NOVO
• Planejamento NOVO
• Celeridade NOVO
• Transparência NOVO
• Economicidade NOVO
• Eficácia NOVO
• Desenvolvimento
• Segregação de Funções Sustentável NOVO
NOVO
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Avaliação, Classificação e
Mitigação de Riscos (art. 22)
A contratação deve estabelecer em minuta de contrato a in-
dicação de uma matriz de riscos associados ao cumprimento
do contrato e das medidas de mitigação dos riscos levanta-
dos, incluindo a definição dos responsáveis por suportar tais
riscos.
Modalidades de Licitação (art. 28)
Deixam de existir as modalidades de contratação por Convite
e Tomada de Preços. Além disso, surge uma nova modalida-
de: o Diálogo Competitivo. Com a Nova Lei as modalidades
de licitação passam a ser:
I Pregão
II Concorrência
III Concurso
IV Leilão
V Diálogo Competitivo
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Pregão como Regra Geral
A Nova Lei consolida o Pregão (modalidade de licitação do
tipo menor preço) como regra geral e obrigatória para a con-
tratações comuns (bens e serviços não complexos), exceção
feita às contratações de engenharia.
O “Diálogo Competitivo” (art. 32)
Um dos pontos mais inovadores e polêmicos da nova lei. O
Diálogo Competitivo é previsto para obras, serviços e com-
pras de grande relevância. Nessa modalidade, a Administração
Pública interage simultaneamente (“dialoga”) com diversos
interessados previamente identificados pelo cumprimento de
critérios objetivos, a fim de construir conjuntamente a solu-
ção desejável para solução de uma determinada necessidade.
Concluída a etapa do “diálogo competitivo”, e estabelecido
o objeto a ser contratado, as partes interessadas apresentam
suas propostas finais.
Este modelo de contratação é visto como uma solução para
contratações associadas a inovações tecnológicas, ausência de
soluções de mercado para problemas específicos e impossi-
bilidade de editar regras com especificações técnicas ampla e
equitativamente compreendidas.
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Tipos de Licitação (art. 33)
A Nova Lei contempla novos tipos de contratação, ajustan-
do a legislação à complexidade dos diversos tipos de compras
públicas. As licitações podem ocorrer nos seguintes tipos:
I Menor preço IV Maior retorno
econômico
II Melhor técnica ou
conteúdo artístico V Maior desconto
III Técnica e preço VI Maior lance (leilão)
O “Maior Retorno Econômico” (art. 39)
Novo tipo de critério de seleção da proposta mais vantajosa
exclusiva para os Contratos de Eficiência. Leva em conside-
ração a prestação de serviços, obras e fornecimento de bens
que proporcionem uma maior redução de despesas pelo Po-
der Púbico, sendo a remuneração fixada proporcionalmente
à economia efetivamente obtida.
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Classificação e Julgamento como
Fase Anterior à Habilitação (art. 17)
A prática de considerar a classificação dos proponentes para
então avaliar o atendimento dos requisitos de habilitação já
era adotado para Pregão e para o Regime Diferenciado de
Contratação. Agora passa a ser regra para todas as modalida-
des de licitação.
O Objetivo é obter agilidade e economia processual.
Orçamento Sigiloso (art. 24)
O orçamento estimado da contratação, quando houve justi-
ficado interesse da Administração, poderá ser sigiloso, vindo
a ser publicitado apenas imediatamente após a fase de julga-
mento de propostas. Tal situação não poderá obstar a divul-
gação do detalhamento dos quantitativos e demais informa-
ções necessárias para a elaboração das propostas.
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Remuneração pela Eficiência
A remuneração do contratado poderá ser ajustada com base
em critérios de desempenho, como a redução de custos ope-
racionais em serviços de otimização de processos ou consul-
torias em sistematização de procedimentos.
Fornecimento e prestação
de serviço associado
Nessa nova modalidade contratação na qual, além do forne-
cimento do objeto, o contratado responsabiliza-se por sua
operação, manutenção ou ambas, por tempo determinado.
Programa de integridade
Nas contratações de obras, serviços e fornecimentos de gran-
de vulto (cujo valor estimado supera R$ 200.000.000,00),
no edital haverá a obrigatoriedade de implantação de progra-
ma de integridade pelo licitante vencedor, no prazo de 6 me-
ses contado da celebração do contrato. As medidas a serem
adotadas, a forma de comprovação e as penalidades pelo seu
descumprimento serão disciplinas em decreto específico.
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Novos critérios de Desempate (art. 60)
Além da possibilidade de apresentação de nova proposta pe-
los licitantes empatados, também passam a ser critérios de
desempate entre propostas, a serem aplicados sucessivamente
na seguinte ordem:
a Avaliação do desempenho contratual prévio;
b Desenvolvimento de ações de equidade entre homens e
mulheres no ambiente de trabalho;
c A evidência de adoção e implantação de um programa de
Integridade (Compliance).
Novo parâmetro de “preço vil”
(ou Inexequível) (art. 59, §4º)
A presunção de inexequibilidade de proposta do interessado
passa a valer quando o valor ofertado for inferior a 75% do
valor projetado pela Administração para Obras e Serviços de
Engenharia. Não fica claro se essa presunção se aplica a ou-
tras contratações.
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Garantia adicional da proposta
(art. 59, §5º)
Caso seja aferida a exequibilidade da proposta vencedora in-
ferior a 85% do valor orçado pela Administração, deverá en-
tão ser ofertada uma garantia adicional no montante da di-
ferença entre o valor apresentado na proposta e o valor do
orçamento.
Compra Direta (art. 72)
A nova lei institui critérios mais claros e objetivos para per-
mitir a contratação direta de serviços ou produtos. A auto-
rização justificada da compra deverá ser exibida em página
oficial na Internet para permitir fiscalização.
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Inexigibilidade de Licitação (art. 74)
A Nova lei de licitações contempla requisitos mais abrangen-
tes para evidenciar a exclusividade de fornecimento, hipótese
de inexigibilidade de licitação para a contratação pública.
Foram definidas hipóteses – não exaustivas – de inexigibili-
dade de licitação, tais como:
I Fornecimento por fabricante ou prestador único de
serviços ou obras pretendidas pela Administração;
II Contratação de artista de grande popularidade ou
reconhecimento crítico;
III Serviços de elevada especialização como projetos e estudos
técnicos, pareceres, perícias, avaliações, consultorias etc.
IV Contratação de assessoria jurídica especializada para
representação processual
V Restauração de obras
VI Aquisição ou locação de imóvel com especificações que
ou instalações que tornem imperativa sua escolha
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Dispensa de Licitação (art. 75)
Os critérios de dispensa de licitação são alterados e passam a
ser os seguintes:
a Até R$ 100.000,00 para contratação de obras ou serviços
de engenharia, e para serviços de manutenção e veículos
automotores;
b Até R$ 50.000,00 para contratação de outros serviços e
compras.
c Serviços especializados ou aquisição ou locação de
equipamentos destinados ao rastreamento e à obtenção de
provas previstas na Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização
Criminosa), quando houver necessidade justificada de
manutenção de sigilo sobre a investigação;
d Aquisição de medicamentos destinados exclusivamente ao
tratamento de doenças raras definidas pelo Ministério da
Saúde;
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Habilitação do Licitante
Passa a ser exigido o balanço patrimonial, demonstração de
resultado de exercício e demais demonstrações contábeis dos
2 (dois) últimos exercícios sociais, com exceção das pessoas
jurídicas constituídas há menos de 2 (dois) anos.
Por outro lado, há uma flexibilização na qualificação técnico-
-profissional e técnico-operacional ao permitir que a Admi-
nistração aceite outras provas (previstas em regulamento) de
que o profissional ou a empresa possui conhecimento técnico
e experiência prática na execução de serviço de característi-
cas semelhantes. A exceção a esta regra são as contratações de
obras e serviços de engenharia.
Credenciamento (art. 79)
Hipótese de inexigibilidade de licitação em que a Administra-
ção Pública estabelece os critérios de fornecimento de produ-
tos e serviços, fixando antecipadamente o preço, sem que haja
necessariamente uma concorrência entre as diversas pessoas
a serem contratadas, de forma que os interessados se creden-
ciam para fornecimento na medida em que a Administração
Pública ou o público a ser atendido demandarem.
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É cabível também para os casos onde a flutuação constante
do valor e das condições de contratação inviabiliza a seleção
por meio de processo licitatório.
Procedimento de Manifestação
de Interesse (art. 81)
Consiste num procedimento administrativo anterior a uma
eventual licitação, onde a Administração solicita à iniciativa
privada a realização de estudos, investigações, levantamentos
e projetos de soluções inovadoras capazes de contribuir com
questões de relevância pública as quais poderão orientar uma
futura contratação.
Tal procedimento poderá se restringir às empresas definidas
como startups.
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Novas cláusulas contratuais
obrigatórias (art.92)
a Prazo para resposta ao pedido de repactuação de preços;
b Prazo para resposta ao pedido de restabelecimento do
equilíbrio econômico-financeiro;
c Matriz de riscos
d Dever de o contratado cumprir as exigências legais e de
outras normas específicas sobre a reserva de cargos para
pessoa com deficiência, para reabilitado da Previdência
Social e para aprendiz;
Garantias
Nas contratações de obras, serviços e fornecimentos, a garantia
contratual poderá ser de até 5% do valor inicial do contrato,
podendo ser majorada para até 10%, quando houver justifi-
cativa diante da complexidade técnica e dos riscos envolvidos.
Já nos contratações de obras e serviços de engenharia de gran-
de vulto (com valor estimado superior R$200.000.000,00) é
admitido que este percentual da garantia seja estipulado em
até 30% do valor inicial do contrato.
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Na contratação de obras e serviços de engenharia, o edital
poderá exigir a prestação da garantia na modalidade seguro-
-garantia com cláusula de retomada, ou seja, prevendo que,
em caso de inadimplemento pelo contratado, a seguradora
assumirá a execução e conclusão do objeto do contrato, hi-
pótese em que deverá assinar como interveniente anuente no
contrato e aditivos.
Revisão Contratual
Reequilíbrio Econômico-Financeiro (art. 130):
Expressa possibilidade de incidência nas contratações de obras
e serviços de engenharia, quando a execução for obstada pelo
atraso na conclusão de procedimentos de desapropriação,
desocupação, servidão administrativa ou licenciamento am-
biental, por circunstâncias alheias ao contratado.
Igualmente expressamente garantido o direito à indenização
por do desequilíbrio econômico-financeiro mesmo após ex-
tinto o contrato.
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Repactuação de Preços (art. 135)
Anteriormente prevista apenas em normas infralegais, agora
a Repactuação é tratada com devido detalhamento na Nova
Lei.
Uma das novidades é que a Administração não se vinculará
às disposições contidas em acordos, convenções ou dissídios
coletivos de trabalho que tratem de matéria não trabalhista,
de pagamento de participação dos trabalhadores nos lucros
ou resultados do contratado, ou que estabeleçam direitos não
previstos em lei, como valores ou índices obrigatórios de en-
cargos sociais ou previdenciários, bem como de preços para
os insumos relacionados ao exercício da atividade.
Meios alternativos de resolução
de controvérsias
Para a prevenção e resolução de controvérsias relacionadas a
direitos patrimoniais disponíveis (tais como reequilíbrio eco-
nômico-financeiro do contrato, inadimplemento de obriga-
ções contratuais e cálculo de indenizações) poderá ser uti-
lizada a conciliação, a mediação, o comitê de resolução de
disputas e a arbitragem.
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Sanções Administrativas
A Nova Lei de Licitações se propõe a estabelecer critérios
mais objetivos para a aplicação das diversas penalidades ca-
bíveis em processo administrativo. A ideia é que a aplicação
das sanções seja mais previsível, o que importa em segurança
jurídica. As penalidades previstas são, em escala de gravidade:
I Advertência
II Multa
III Impedimento de Licitar e contratar
IV Declaração de Inidoneidade
Na aplicação das penalidades deverão ser levados em
consideração os seguintes aspectos:
I Natureza e gravidade da V A implantação e
infração gerenciamento
de programa de
II Particularidades do caso
integridade em
III Agravantes e Atenuantes acordo com normas e
orientações dos órgãos
IV Extensão dos danos
de controle
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Desconsideração da Personalidade
Jurídica (art. 160)
A Nova Lei de Licitações estabelece hipóteses de desconside-
ração de personalidade jurídica para efetivar a aplicação de
sanções administrativas. A intenção é evitar o uso da limita-
ção da responsabilidade empresarial para fugir da responsabi-
lidade pelo inadimplemento contratual ou ações dolosas. As
hipóteses são limitadas e estão associadas a abuso de direito,
prática de ilícitos e fraudes.
Os efeitos poderão se estendidos para a pessoa jurídica suces-
sora ou a empresa do mesmo ramo com relação de coligação
ou controle, de fato ou de direito, com o sancionado.
Na prática a Desconsideração já era cabível, mas a disposição
legal elimina uma discussão jurídica pela defesa de réus em
processos administrativos ou judiciais.
Sanções Penais
Os ilícitos contra a o processo de licitação e contra contratos
administrativos são unificados na Lei, o que acarreta a atua-
lização do título “Dos Crimes em Licitações e Contratos Ad-
ministrativos” no Código Penal. Não há alteração sensível,
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exceto pelas penalidades, que são quase todas majoradas.
Há um novo tipo penal que criminaliza o ato de omitir ou
mascarar dado ou informação que gere relevante alteração
dos fatos que acabe por frustrar a competição na licitação.
Esse tipo de penal, associado ao dever de Transparência, e
que ecoa princípios da transparência, caráter competitivo e
interesse público, tem pena prevista de 6 meses a 3 anos de
reclusão.
Considerações Gerais
As regras valem para entes públicos da administração direta
e indireta na União, Estados e Municípios. Ficam de fora as
empresas públicas, sociedades de economia mista e suas sub-
sidiárias as quais seguem adotando a Lei nº. 13.303/2016
Será obrigatória a atualização dos valores fixados pela Nova
Lei mediante aplicação do IPCA-E (ou outro índice que ve-
nha a substituí-lo) a ser feita pelo Poder Executivo federal a
cada 1º de janeiro, cujos valores deverão ser divulgados no
Portal Nacional de Contratações Públicas.
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A Lei entra em vigor na data de sua publicação. Contudo,
durante o período de até 2 (dois) anos após a publicação da
nova Lei, a Administração terá a opção de licitar ou con-
tratar diretamente de acordo com a nova Lei ou utilizando
ainda as regras da Lei nº. 8.666/93, Lei nº. 10.520/2002
(antiga Lei do Pregão) ou Lei nº 12.462/2011 (antiga Lei
do Regime de Contratação Diferenciada), hipótese na qual
o contrato será regido por tais normas durante toda a sua
vigência.
Deverá constar expressamente no edital ou no aviso ou ins-
trumento de contratação direta a legislação escolhida, sendo
vedada a aplicação combinada da nova Lei com as anterio-
res, as quais serão definitivamente revogadas após o referido
prazo de 2 anos.
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