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Técnica Vocal: Aula 4

Este documento discute a projeção vocal através dos ressonadores e as três modalidades vocais segundo o método Smolover. Aborda como a voz é amplificada pelos ressonadores como a laringe, faringe e cavidade oral/nasal, e como focos de ressonância em diferentes áreas auxiliam a cantar com qualidade em toda a extensão vocal. Também explica que o método Smolover treina as camadas musculares das pregas vocais de forma sistemática para obter som homogêneo nas modalidades 1, 2 e 3.
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Técnica Vocal: Aula 4

Este documento discute a projeção vocal através dos ressonadores e as três modalidades vocais segundo o método Smolover. Aborda como a voz é amplificada pelos ressonadores como a laringe, faringe e cavidade oral/nasal, e como focos de ressonância em diferentes áreas auxiliam a cantar com qualidade em toda a extensão vocal. Também explica que o método Smolover treina as camadas musculares das pregas vocais de forma sistemática para obter som homogêneo nas modalidades 1, 2 e 3.
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TÉCNICA VOCAL

AULA 4

Prof.ª Luciana Mendes da Silva


CONVERSA INICIAL

Nesta aula, vamos analisar como a voz é projetada pelos ressonadores.


Ainda, vamos examinar um novo conceito de caracterizar os sons distintos da
voz cantada em seus graus de volume e intensidade, denominados
modalidades. Por último, vamos considerar algumas técnicas que podem
eliminar a tensão muscular, para que a laringe e as pregas vocais façam o seu
trabalho livremente.
Observe, na figura abaixo, um resumo de como o trato vocal funciona: da
respiração até os articuladores e ressonadores.

Crédito: Smile Ilustras.

TEMA 1 – RESSONÂNCIA E RESSONADORES

Assim como o violão, o violino ou o violoncelo precisam de sua caixa de


ressonância – oca e com orifícios de saída de som – para que suas cordas sejam
audíveis, “o som produzido em nossa laringe seria praticamente inaudível se não
fosse amplificado e modificado pelas caixas de ressonância próximas à laringe”
(Fagundes, 19).
Em seu livro Sing Your Best (Cante o Seu Melhor), os autores Ray
Smolover (criador do método Smolover) e Pamela Bertoli explicam o papel da
ressonância na produção da voz cantada e a possível ligação com a tensão
muscular:
2
O som da nossa voz é criado através das vibrações das pregas vocais;
essas frequências então passam pela laringe e são modificadas pelas
reverberações que ocorrem nas câmaras ocas de nossa garganta e
boca, em um processo chamado ressonância simpatética. O tamanho
e formato dessas câmaras dão ênfase a certas frequências e diminuem
outras; isso cria a “cor” ou timbre do som, e explica o que dá a cada
pessoa qualidades únicas em suas vozes. A ressonância vem de
ambas as cavidades fixas de sua traqueia, nariz e seios nasais, assim
como as cavidades ajustáveis de sua boca e garganta, que podem ser
manipuladas para modificar os seus sons. A acústica do ambiente onde
você canta também afetam a percepção da ressonância em nossas
vozes. (Bertoli; Smolover, 2006)

Ressonâncias simpatéticas nos dão a sensação de que o foco vocal está


em partes de nossa garganta ou face, mesmo que as vibrações sempre venham
do mesmo lugar – das pregas vocais. Como a voz é um instrumento que não
podemos ver, contamos com o que sentimos em lugares diferentes para
identificar o uso correto de nossa musculatura. Os termos voz de peito e voz de
cabeça, por exemplo, provêm dessas ressonâncias simpatéticas, em que as
frequências mais baixas e densas nos dão a sensação de vibrações na parte
baixa da nossa laringe e cavidade torácica, ao passo que as frequências mais
agudas nos dão a sensação de vibrações entre os olhos ou na testa –
denominadas voz de cabeça.
Bertoli e Smolover continuam sua exposição sobre ressonância vocal e
como devemos utilizar seu conhecimento em nosso treino vocal:

Para desenvolver sua voz cantada, é importante que você ponha o foco
de seu treino na origem do som, ou sejam nas pregas vocais. Quando
suas pregas vocais estão altamente desenvolvidas, sua voz
desenvolve naturalmente um tom rico e ressonante. Para que as
pregas vocais desempenhem o seu papel da melhor forma possível,
precisamos aprender a eliminar quaisquer pontos extrínsecos de
tensão, causados por músculos fora da laringe. Portanto, o
relaxamento muscular está diretamente ligado à qualidade de
ressonância produzida pela voz, desde sua origem. (Bertoli; Smolover,
2006)

Pregas vocais são treinadas e desenvolvidas por meio de exercícios e


técnicas apropriadas. Os exercícios que estamos examinando nestas aulas têm
produzido resultados positivos na qualidade vocal de muitos cantores.
Observe, na figura a seguir, os ressonadores de nosso trato vocal:

3
Figura 2 – Ressonadores

Crédito: Smile Ilustras.

1.1 Laringe

A laringe é a caixa de voz que aloja pregas vocais, músculos e cartilagens


responsáveis pela origem da voz. Desse modo, a laringe está envolvida tanto na
origem e produção do som como também suas reverberações. Torna-se
extremamente importante aprender a mantê-la livre de tensão extrínseca e
desnecessária.

1.2 Faringe

A faringe é o tubo que passa na parte de trás da cabeça e pescoço, desde


as cavidades nasais (nasofaringe), passando por trás da cavidade oral
(orofaringe), até chegar à laringe (laringofaringe). A faringe é foco de várias
ressonâncias simpatéticas nos diferentes registros e modalidades, sendo muito
úteis na educação vocal.

1.3 Cavidade oral

A cavidade oral contém ressonadores e articuladores que dão forma a


sons, sílabas, palavras etc. Nela, estão os ressonadores mais fáceis de serem
manipulados e modificados: língua, lábios, palato, mandíbula e dentes.

4
1.4 Cavidade nasal

O nariz, os seios nasais, e as conexões com os ouvidos interno e externo


fazem parte deste grupo de ressonadores. Também é conhecida como máscara,
porque nos orientamos pelas ressonâncias simpatéticas dessa área para
compreender e aprimorar nossa técnica de projeção e entonação vocal. Cantar
“na máscara” significa direcionar o foco na cavidade nasal e utilizar a sensação
de buzz (reverberação) da cavidade nasal.

TEMA 2 – FOCO NASAL – FARÍNGEO – LARINGOFARÍNGEO

Focos de ressonância em diferentes áreas de nosso trato vocal nos


auxiliam a cantar pela nossa extensão vocal com a melhor qualidade vocal
possível em todas as frequências envolvidas. Estes focos são produto das
ressonâncias simpatéticas, ou seja, consistem na resposta subjetiva de nosso
corpo às zonas de ressonância acentuadas de acordo com as frequências
aumentadas ou diminuídas por elas, também chamadas de overtones
(harmônicos).

2.1 Foco nasofaríngeo – Foco nasal – “Na máscara”

Algumas características desse foco simpatético são:

• Ênfase na cavidade nasal;


• Vibrações sentidas “na máscara”, seios nasais, nasofaringe;
• Sensação de laringe neutra;
• Não devemos confundir o foco nasal com nasalidade, ou som anasalado
(Pópis);
• Muito usada no canto popular, Broadway.

Crédito: Smile Ilustras.


5
2.2 Foco faríngeo – Foco frontal

Características:

• Sensações na cavidade oral e orofaringe;


• Ressonância mais próxima da voz falada;
• Ressonância frontal;
• Voz mais brilhante, cor mais clara;
• Maior projeção;
• Estilos: pop, rock, R&B, Gospel, pop belting.

Créditos: Vectorpocket/Shutterstock.

2.3 Foco laringofaríngeo – Espaço vertical

Características:

• Cria-se mais espaço vertical na garganta;


• Palato mole mais elevado;
• Laringe mais baixa;
• Voz mais “escura”;
• Estilo clássico, ópera – ou Patrick do Bob Esponja .
6
Créditos: Miro Vrlik Photography/Shutterstock.

Para compreender mais a fundo como os ressonadores interagem com os


sons produzidos na sua laringe, recomendamos que você leia o capítulo 4 do
livro BERKLEE – Canto Popular, intitulado: “Melhorando a Qualidade do Timbre
Vocal.”

TEMA 3 – MODALIDADES VOCAIS – THE SMOLOVER METHOD

O método Smolover (desenvolvido por Itzchok Reev "Ray" Smolover;


Janeiro 1921 – Setembro 2015) consiste em um sistema de treinamento
sistemático de camadas musculares e ligamentos das pregas vocais, de modo a
se adquirir um som homogêneo: claridade e sonoridade sólida em três
modalidades distintas, desde a modalidade 1, a porção mais delicada das pregas
vocais, até a modalidade 3, capaz de produzir a voz mais encorpada e intensa.
Este método tem sido de grande ajuda para melhor entendimento de como nossa
voz deve se desenvolver de forma completa e saudável, para o canto popular,
jazz, e até estilos clássicos ou Broadway.
De acordo com o Smolover, para que sustenhamos o bem-estar vocal, é
necessário desenvolver vigor e flexibilidade nas pregas vocais. Começando pelo
ligamento vocal (veja as 3 figuras a seguir), o desenvolvimento desta camada é
de suma importância. Se a modalidade 1 se encontra fraca e negligenciada, pode
levar à soprosidade (excesso de ar nas pregas vocais), rouquidão, perda da voz,
vibrato relaxado e exagerado, falta de controle e firmeza no tom, e até a notas
desafinadas. Se este problema de falta de desenvolvimento persistir e o cantor
7
continuar utilizando a sua voz de maneira forçada para compensá-lo, pode levar
à perda total da voz.
O próximo passo é adquirir o desenvolvimento de todas as três
modalidades igualmente. Se a modalidade 1 não está em boa forma, o cantor
vai compensar utilizando demais a modalidade 2. Se a modalidade 2 está fraca,
o cantor então vai tentar forçar a modalidade 3 para compensar a 2. Se a
modalidade 3 não está a par, o cantor pode estar forçando a modalidade 2 com
mais volume e pressão, o que pode causar danos aos tecidos vocais.
Vamos examinar cada modalidade para compreender seu uso e
desenvolvimento.
Os exercícios apresentados nesta série de aulas vêm apresentados em
ordem de modalidades, por isso se torna importante realizá-los diariamente na
ordem em que foram dados: da modalidade 1 até a modalidade 3. Da voz mais
gentil, clara, e delicada, até a voz mais encorpada, sustentada, espessa, com
mais volume.

3.1 Modalidade 1

Apenas o ligamento vocal vibra nessa modalidade, sem o reforço dos


músculos vocalis ou tireoaritenóideo (ta). O ligamento vocal está situado nas
beiradas internas das pregas vocais.
Este som é caracterizado por um tom claro e puro, de volume mais suave
em geral. Quanto mais desenvolvido o seu ligamento vocal, mais puro será o
som produzido.

Crédito: Smile Ilustras.


8
Exemplo de modalidade 1: Billie Elish, ocean eyes
Exemplo de modalidade 1 danificada: Joe Cocker, You are so beautiful (a
última frase dessa música até dói na alma; quase não há conexão entre os
ligamentos de suas pregas vocais. De fato, toda essa música, apesar de ser tão
bonita, demonstra que Joe tinha danificado sua voz nas três modalidades; todas
estão forçadas e soprosas, fracas, sem firmeza ou controle).

3.2 Modalidade 2

Nesta modalidade, o ligamento vocal vibra com o reforço do músculo


vocalis. A transição acontece quando o volume e a intensidade aumentam na
modalidade 1, ativando o músculo vocalis e acrescendo a pressão do ar.
O seu tom é mais cheio, mais rico e mais volumoso em geral. Ele carrega
mais peso do que a suave modalidade 1, mas ainda não tanto quanto o próximo
nível.

Crédito: Smile Ilustras.

Exemplo de modalidade 2: Michael Jackson, Human Nature, Madonna,


Turn Up the Radio.
Madonna foi forçada a mudar completamente sua voz por causa de danos
causados nas suas turnês nos anos 1980 e 1990. Compare essa música com
uma mais antiga, como Open Your Heart To Me, Express Yourself etc.

9
3.3 Modalidade 3

Finalmente, nessa modalidade, o ligamento vocal vibra com o reforço do


músculo vocalis e do músculo ta. Esta modalidade produz o som mais cheio,
mais encorpado, mais intenso e o mais volumoso possível.
A transição acontece de maneira similar à modalidade 2: ao se
acrescentar mais volume, o músculo ta é ativado e a pressão do ar, acrescida.
Agora, as pregas vocais estão vibrando com maior espessura.

Crédito: Smile Ilustras.

Exemplo de modalidade 1, 2 e 3: Whitney Houston, I will always love you.


Essa canção é um ótimo exemplo de uma voz que dominou as três
modalidades de maneira uniforme e excelente. Whitney foi treinada pela mãe
dela, que era também uma cantora excelente e, portanto, muito exigente e
implacável com a filha. Sua mãe não permitiu que a filha iniciasse a carreira até
que atingisse o nível de perfeição em toda a sua extensão vocal. Whitney chegou
ao ponto de querer desistir, pois as sessões diárias de horas e horas de treino
eram excruciantes para a adolescente. Mas os resultados falam por si mesmos.
Seu dom natural, combinado com treinamento intenso e disciplinado, resultaram
em uma das vozes mais maravilhosas que já existiram. Infelizmente, também
fomos testemunhas da perda dessa voz powerhouse em virtude do uso de
drogas e estilo de vida completamente destrutivo que Whitney começou a viver
no auge de sua carreira.
10
3.3.1 Tabela de Comparação das Modalidades Vocais

3.4 Modalidades versus registros vocais

Ao compararmos o conceito das modalidades com os registros vocais,


podemos liga-los da seguinte forma:

• MODALIDADE 1 = VOZ DE CABEÇA *


• MODALIDADE 2 = MIX *
• MODALIDADE 3 = VOZ DE PEITO *

(*qualidade aproximada dos timbres)

Então, por que fazer distinções entre modalidades e registros, se eles são
praticamente a mesma coisa?
Porque não são a mesma coisa.

Quando olhamos para os registros vocais, entendemos sua ocorrência


limitada a certas regiões da tessitura vocal: a voz de peito nas notas mais graves,
fazendo a transição para o mix, até que chegue à voz de cabeça nas notas mais
agudas.
O conceito e o método de modalidades nos ensinam a desenvolver as
cores (timbres) de nossa voz de forma mais abrangente: podemos cantar em um
tom puro e delicado nas notas agudas, mas também nas graves. Também temos

11
a capacidade de desenvolver as modalidades 2 e 3 para que sejam mais
elásticas, proporcionando mais variedade e flexibilidade de tons ao longo de
nossa tessitura vocal.
Veja, na figura abaixo, as regiões que as modalidades podem abranger,
com treino e disciplina vocal diários. Homens e mulheres podem desenvolver e
expandir sua capacidade vocal com este método.

TEMA 4 – ELIMINANDO A TENSÃO MUSCULAR

Ray Smolover e Pamela Bertoli explicam como tensão muscular interfere


na qualidade da voz cantada:

Para obter-se um som cheio, rico e natural em sua voz, suas pregas
vocais precisam vibrar livremente, sem restrições causadas por tensão
muscular em sua garganta, pescoço ou mandíbula. Normalmente a
tensão surge quando suas pregas vocais são incapazes de alcançar
ou sustentar uma nota em particular, e seu corpo tenta compensar
chamando a assistência de músculos extrínsecos (aqueles fora da
laringe). Esta tensão adicional pode até ajudá-lo a alcançar a nota
desejada, mas às custas de um som livre e rico, e ao longo do tempo,
se isso continuar, vai interferir com a sua habilidade de desenvolver os
músculos intrínsecos de sua voz (os músculos dentro da laringe).
(Bertoli; Smolover, 2006)

Por esse motivo, é muito importante desenvolver técnicas de relaxamento


para que nenhum dos músculos extrínsecos interfira na produção de uma voz
livre de tensão e esforço indesejáveis. A seguir, vamos examinar as principais
áreas que carregam tensão em nosso corpo e afetam o canto, e algumas
técnicas para aliviar essa tensão.

12
4.1 Ombros

Créditos: 9nong/Shutterstock.

4.1.1 Relaxando os ombros

• Sentado ou de pé: Braços relaxados; erga os ombros lentamente até as


orelhas, inalando ar; segure por 5 segundos; lentamente retorne-os à sua
posição original, exalando ar.
• Similar ao primeiro exercício, mas, em vez de baixá-los lentamente,
simplesmente deixe-os cair, completamente relaxados. Siga os
movimentos respirando conscientemente.
• Faça movimentos circulares com os ombros, mantendo os braços
relaxados: 10 vezes circulando para trás; 10 vezes para a frente.
• Cruze os dedos com as palmas abertas; levante os braços acima da
cabeça e espreguice-se por alguns segundos; solte as mãos e abaixe os
braços lentamente em forma de arco, para fora e para baixo; sinta a
tensão deixando-os à medida que descem de volta a uma posição neutra.

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4.2 Pescoço

Créditos: Pathdoc/Shutterstock.

4.2.1 Relaxando o pescoço

• Postura adequada do pescoço e cabeça em geral: orelhas acima dos


ombros.
• Faça rotações lentas e relaxadas – sentidos horário e anti-horário.
• Mova a cabeça devagar, olhando para cada lado, como dizendo “não”.
• Mova a cabeça devagar, de lado a lado, orelhas em direção aos ombros.
• Mova o queixo em direção ao peito.
• Mova a nuca em direção às costas.
• No dia a dia: reconheça o que causa tensão no pescoço (estresse, postura
precária, vida sedentária, tempo no celular).

14
4.3 Laringe

Créditos: Sciepro/Shutterstock.

4.3.1 Relaxando a laringe

Sempre que notar sintomas de tensão, faça estes exercícios (intervalos


durante o canto, em ensaios, no dia a dia):

• Vocal fry – vibrações bem baixas, sem tom;


• Vibração labial – sirenes – ondas (subindo e descendo);
• Sirenes, das notas agudas para as graves: bocca chiusa, vogal U, vogal
O, vogal A – todas em voz de cabeça;
• Respire fundo várias vezes; tome goles de água.

4.4 Mandíbula

Créditos: Sciepro/Shutterstock.

15
4.4.1 Relaxando a mandíbula

• Faça um exercício vocal na escala em que desejar nas vogais IAAA (como
se estivesse dizendo “sim” em alemão), com a ponta do dedo mindinho
entre os dentes da frente. Mantenha a mandíbula nesta posição, sem
morder o dedo e sem movê-la para baixo.
• Cante escalas e arpejos (bocca chiusa) simulando o movimento de
mastigação, sem encostar os dentes. Cante dessa maneira também
trechos da música em que se tem notado problemas de tensão
mandibular.
• Massageie a face com os dedos; massageie a área da junta e musculatura
mandibular.

YA-A-A-A-A: 5-4-3-2-1 // 1-3-5-1’-5-3-1

MMMMMM: 1-3-5-1’-5-3-
1

4.5 Língua

Crédito: Smile Ilustras.

16
4.5.1 Relaxando a língua

• Massageie a base da língua com o polegar o mais perto da garganta


possível – esta é a área do osso hioide. O objetivo é que esta área esteja
completamente maleável.
• Se notar que algo está pressionando o dedo para baixo, é sinal de que a
língua e o osso hioide estão se retraindo e pressionando a laringe para
baixo.
• Ainda com o polegar posicionado, abra e feche a mandíbula, mantendo a
língua relaxada, sem retração ou depressão.
• O próximo passo é cantar uma nota na vogal AAHH – mantendo a língua
relaxada; também cante: IA-IA-IA-IA-IA (sol-fa-mi-re-do/5-4-3-2-1); e
mantenha a língua relaxada, somente usando a mandíbula para articular
as sílabas.
• Com um guardanapo, segure a ponta da língua e gentilmente alongue-a
para fora da boca e para baixo; segure-a nessa posição por 15-20
segundos. Relaxe.
• Leva-se algum tempo para conseguir executar esses exercícios. Não
desista.

Saiba mais

*versão subtitulada em português:


Como Aliviar Tensão na Língua – Dra. Claudia Friedlander

4.6 Abdômen

17
Créditos: BigBlueStudio/Shutterstock.

4.6.1 Relaxando o abdômen

• De volta à respiração – ao inspirar, deixe que a barriga se sobressaia para


a frente – relaxe e permita que o ar entre e preencha toda a cavidade
torácica. Não se preocupe com a aparência de seu estômago. Relaxe.
• Continue trabalhando nos exercícios de respiração, de apoio e
gerenciamento de ar.
• Mantenha o foco em sua respiração ao cantar.
• Evite usar vestidos, calças ou cintos muito apertados na região da cintura.
Use roupas mais soltas ou elásticas. Não use cintas ou espartilhos ao
cantar.

4.7 Tensão emocional – tão impactante quanto a tensão física

Se você, como muitos de nós, sofre de depressão, ansiedade, estresse


crônico e outros fatores emocionais desse tipo, infelizmente isso afeta a sua voz.
A tensão emocional afeta nosso corpo, assim como nossa alma. E pessoas com
dons e sensibilidades artísticas têm tendência a ter esses problemas, em virtude
de sua natureza e personalidade serem mais sensíveis e melancólicas em geral.
Torna-se muito importante o cuidado emocional em nossas vidas.
Faça Massoterapia e Quiropraxia – estas manipulações de músculos e
tecidos auxiliam na desintoxicação de hormônios negativos secretos pelo
cérebro em estados de estresse, depressão e ansiedade.
Procure realizar atividades periódicas que proporcionam alegria e
conforto. Faça pausas entre sessões de estudo intensas, projetos do trabalho
que estão “sugando” sua energia, ou qualquer situação que seja um gatilho no
seu dia a dia.
Se você é uma pessoa que ora, ore. Se você é uma pessoa que medita,
medite. Para qualquer tipo de pessoa, descanse. Descanse. Descanse.
Busque aconselhamento e terapia na sua vida. Mentes ansiosas mentem,
nos condenam, nos levam a acreditar que não há esperança, que nada importa.
Não deixe que essas mentiras límbicas tomem conta. Busque ajuda de alguém
que o ajude a ver a si mesmo como realmente é, e a lidar com traumas,

18
complexos, inseguranças, rancores, mágoas ou qualquer outra emoção negativa
que você esteja carregando, consciente ou subconscientemente.
Não queremos dizer com isso que é necessário que todos os nossos
problemas externos e internos devam ser resolvidos para que tenhamos a
liberdade para cantar como se deve; absolutamente não. Mas, sim, precisamos
estar conscientes do que eles são, e entrar em um processo de confrontá-los
para melhor compreensão de nossas fraquezas e conflitos. Quando trazidos à
luz, quanto mais doloroso for encará-los, há liberdade e alívio nesse processo, e
é o primeiro passo para a cura interior.
Ao lidar com o que nos causa tensão emocional, a dor se torna fonte de
inspiração em vez de obstáculo. Nossa jornada de cura emocional tem sido longa
e árdua, mas a cada sessão, a cada epifania, um fardo é tirado de nossas vidas,
e conseguimos descobrir nossa expressão artística de forma mais pura, vindo
de cada experiência libertadora que temos em virtude de aconselhamento e
terapia e, acima de tudo, da fé e de práticas de oração e meditação. Descubra o
que lhe dá ânimo e vida. Cuide-se bem.

TEMA 5 – EXERCÍCIOS DE RESSONÂNCIA E RELAXAMENTO MUSCULAR

Vamos continuar com a nossa série de exercícios de condicionamento


vocal referente a cada conceito explorado e aprendido. Os próximos exercícios
exploram as modalidades 1, 2 e 3, fazendo uso das áreas de ressonância do
trato vocal.

5.1 Vocal fry, semioclusão, vibrações labiais, vibrações da língua, quintas


suaves, terças menores suaves, humming

Continue praticando todos os exercícios que foram apresentados nas


anteriormente. Utilize o vocal fry antes, durante, e depois de cada exercício.
Consulte o vídeo no YouTube de Tom Burke (subtitulado em português)
para todos os exercícios de semioclusão, com o canudo, disponível em:
<[Link]

5.2 Descendo em “Mí – Ú – Í – Ú – Í” (Belting – MOD. 1)

Neste exercício de vogais fechadas, o movimento deve estar


primariamente na sua língua, em vez dos lábios ou mandíbula. Comece e
19
termine cada som com o vocal fry, e faça aquele som de “criança birrenta”, que
auxilia a voz mover pelos breaks (passaggios).

MÍ – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í
-----

MÍ – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í
-----

20
5.3 Subindo em “Mí – Ú – Í – Ú – Í” (Belting – MOD. 3)

Agora, vamos subir na tessitura e puxar a musculatura do registro mais


denso – modalidade 3 – para alcançar notas mais agudas. Continue usando o
som bem irritante, como uma criança fazendo um escândalo, e mantenha o vocal
fry para começar e terminar.

MÍ – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í -----

MÍ – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í -----

5.4 Subindo em “Mí – Ú – Í – Ú – Í” (Cabeça – MOD. 1)

Vozes femininas: mudando de modalidade 3 para modalidade 1.


Para começar e terminar cada intervalo, utilize o portamento: pequeno
deslize abaixo da nota, até a nota – em vez do vocal fry.
Mantenha a voz pura, delicada, não muito alta – para somente utilizar o
ligamento vocal – não os outros músculos.

21
MÍ – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í – Ú – Í -----

5.5 Elvis (Belting – MOD.3)

Como você fez no exercício de humming (bocca chiusa), direcione o buzz


(vibração) na área dos seios nasais, durante o movimento entre a 1ª e a 2ª notas
(intervalo de 3ª menor). Mantenha o foco frontal, nasal, e o som “birrento” como
um gemido. Esse posicionamento do foco ressonador é especialmente
importante nas notas mais agudas (acima do break), para impedir que o seu
registro mude para o de cabeça ou falsete. Esta é uma técnica de belting,
treinando a musculatura para que seja mais elástica no registro da modalidade
3.

22
23
24
5.6 Elvis (Cabeça/Whistle – MOD.1)

Vozes femininas: mudando de modalidade 3 para modalidade 1.


Para começar e terminar cada intervalo, utilize o portamento: pequeno
deslize abaixo da nota, até a nota – em vez do vocal fry.
Mantenha a voz pura, delicada, não muito alta – para somente utilizar o
ligamento vocal – não os outros músculos.

5.7 Caveman (Belting – MOD.3)

Neste exercício, você terá a oportunidade de explorar o poder da sua


ressonância vocal em vogal aberta (AH). Ao chegar a este ponto, depois de ter
realizado os exercícios anteriores com sucesso, você aprenderá a projetar a sua

25
voz com o poder do belting, e conseguirá cantar com volume e energia, mas sem
forçar a garganta.
É importante que você continue usando o vocal fry para inicial e terminar
cada intervalo. Ao passar pelo seu break, modifique a vogal de ÁH para ÃH.
Examinaremos modificação de vogais com mais detalhes mais adiante.

Exercício completo na pauta – disponível nos materiais adicionais.


Fonte:

Importante: Os exercícios: Humming – Mí-ú-í-ú-í – Elvis – e Caveman,


devem ser realizados nesta ordem. Um exercício prepara a laringe para o
próximo. Fazer o Caveman sem ter preparado e aquecido a musculatura com os
outros exercícios é contraproducente. Mais adiante apresentaremos todos os
exercícios completos desta série e explica como devem ser executados. O tempo

26
total desta série de exercícios chega a 9-10 minutos. Sempre comece aquecendo
o diafragma e músculos abdominais, com os exercícios respiratórios.

NA PRÁTICA

Na prática? Só na prática!
Quanto mais conhecimento você obtém sobre o aparato vocal e como ele
funciona, mais importante se torna aplicar este conhecimento na prática – pois
só treinando a voz com exercícios e aprendendo a dissecar uma peça musical é
que se aprende a aplicar a melhor técnica para cada situação.
Dedique de 10 a 20 minutos diários para os exercícios de agora em diante.
Os conteúdos deste curso estão voltados a uma introdução de exercícios
de condicionamento e reabilitação, o que são apenas parte da arte do canto.
Você precisa de um bom professor ou coach para lhe ensinar a preparar uma
peça musical, seja uma música, um set inteiro, um musical etc.
Aprender bem uma peça musical requere que você estude linha por linha,
frase por frase, certas palavras, sílabas, sons. Você precisa fazer anotações no
papel – seja uma partitura ou apenas a letra da música. Ainda, precisa de muita
repetição para adquirir a memória muscular da técnica – para que, finalmente,
quando estiver pronto para apresentar o conteúdo musical, seu corpo saiba o
que fazer para ter o melhor resultado.
Aprender a cantar sem esforço inadequado e combinar com o melhor uso
de sua ressonância natural resultam no que chamamos em inglês de POWER
VOCALS – uma voz cheia de poder e energia contagiante, sem comprometer
sua saúde e longevidade.

FINALIZANDO

Cantores são atletas, não só artistas. E como atletas, a arte do canto


requere:

• Disciplina diária – hábitos, hábitos, hábitos. Elimine os negativos, inclua


os positivos.
• Compromisso a longo prazo – o treinamento nunca acaba. Não é como
andar de bicicleta: se você parar, vai perder o que investiu para obter.
• Aulas de canto – coaching – utilize os recursos que você tem. Busque
orientações de quem você conhece na sua comunidade.

27
• Levar uma vida saudável – alimentação, hidratação, descanso (não
negociáveis).
• Educação contínua – a iniciativa deve ser sua; não dependa somente do
professor. Pesquise. Assista vídeos. Leia artigos, aprofunde-se.
• Crie oportunidades para utilizar o seu talento, desde já – cante em púbico.
Cante para a sua família. Grave vídeos. A melhor forma de se aperfeiçoar
o canto é cantando. Não espere até que o seu autojulgamento o aprove.
Lute contra a negatividade, a timidez, e a insegurança. Cante, cante,
cante!

• E, acima de tudo, não desista. Não se deixe desanimar. Faça o que


precisa para continuar fazendo o que você ama, o que você nasceu para
fazer, com os dons que lhe foram dados.

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REFERÊNCIAS

BERTOLI, P.; SMOLOVER, R. Sing Your Best. Connecticut: Workshop Arts Inc.,
2006.

PECKHAM, A. Berklee Canto Popular: Elementos da Técnica Vocal. Edição


original: Berklee Press. Edição em português: São Paulo: Editora Passarim,
2017.

FAGUNDES, M. D. Aprendendo A Cantar. 54. ed., rev. amp. Jundiaí: Keyboard


Editora Musical Ltda., 2012.

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