0% acharam este documento útil (0 voto)
168 visualizações11 páginas

Ação de Urgência contra Plano de Saúde

O documento descreve uma ação judicial movida por Zucher dos Santos da Silva contra seu plano de saúde, Salute Vita. Zucher precisa realizar uma cirurgia cardíaca urgente utilizando uma técnica inovadora, mas o plano se recusa a autorizar o procedimento sob o argumento de que seus hospitais credenciados no estado utilizam apenas a técnica tradicional. Zucher pede à justiça que obrigue o plano a autorizar a cirurgia indicada sob pena de multa diária.

Enviado por

Pedro Souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
168 visualizações11 páginas

Ação de Urgência contra Plano de Saúde

O documento descreve uma ação judicial movida por Zucher dos Santos da Silva contra seu plano de saúde, Salute Vita. Zucher precisa realizar uma cirurgia cardíaca urgente utilizando uma técnica inovadora, mas o plano se recusa a autorizar o procedimento sob o argumento de que seus hospitais credenciados no estado utilizam apenas a técnica tradicional. Zucher pede à justiça que obrigue o plano a autorizar a cirurgia indicada sob pena de multa diária.

Enviado por

Pedro Souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

DOUTOR JUÍZO DA 5O VARA CÍVEL DA COMARCA DE SÃO LUÍS -

MARANHÃO

SE PEDE PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DA AÇÃO -

AUTOR DA AÇÃO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE

(art.1.048, inc. I do CPC)

ZUCHER DOS SANTOS DA SILVA, casado, atleta de Vôlei, residente e


domiciliado na Rua do Limoeiro, n.o 144, na cidade de São Luís - Maranhão, inscrito
no CPF sob o n.o 065.333.999-44, com endereço eletrônico zucher@[Link], ora
representado por seu mandatário ao final firmado - instrumento procuratório acostado-,
esse com endereço eletrônico e profissional inserto na referida procuração, o qual, em
obediência à diretriz fixada no art. 106, inc. I c/c art.287, ambos do CPC, indica-o
para as intimações que se fizerem necessárias, vem, com o devido respeito à presença
de Vossa Excelência, para, por intermédio seu patrono - instrumento procuratório
acostado -, ajuizar o presente,

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO DE TUTELA


ANTECIPADA DE URGÊNCIA

contra o plano de saúde “SALUTE VITA”, está estabelecida na Avenida dos


Holandeses, n.o 705, em São Luís -Maranhão, inscrita no CNPJ sob o n.o
33.12345/0001-66, endereço eletrônico salute@[Link], em razão das justificativas
de ordem fáticas e de direito abaixo evidenciadas.

INTROITO

A) Benefícios da justiça gratuita (CPC, art. 98, caput)

O Autor não possui condições para arcar com as despesas do processo, uma
vez que são insuficientes seus recursos financeiros para pagar todas as despesas
processuais, inclusive o recolhimento das custas iniciais.

Destarte, a parte Demandante ora formula pleito de gratuidade da justiça, o


que faz por declaração de seu patrono, sob a égide do art. 99, §4o c/c 105, in fine,
ambos do CPC, quando tal prerrogativa se encontra inserta no instrumento
procuratório acostado.

B) Quanto à audiência de conciliação (CPC, art. 319, inc. VII)


A parte promovente opta pela realização de audiência conciliatória (CPC, art.
319, inc. VII), razão qual requer a citação da parte promovida, por carta (CPC, art.
247, caput) para comparecer à audiência designada para essa finalidade (CPC, art.
334, caput c/c §5o), antes, porém avaliando-se o pleito de tutela de urgência aqui
almejada.

C) Prioridade na tramitação do processo (CPC, art. 1.048, inc.I)

A parte autora, em face do que dispõe o Código de Processo Civil, assevera


que é portadora de doença grave - documento comprobatório em anexo -, fazendo juz,
portanto, à prioridade na tramitação do presente processo, o que de logo assim o
requer.

I - DOS FATOS

O senhor ZUCHER DOS SANTOS DA SILVA certo dia em sua atividade


rotineira na construção civil, como pedreiro, profissão essa que demanda enorme
esforço físico, fez certo esforço, apresentando dificuldade respiratória. Estranhando
tal fato procurou o médico cardiologista de sua confiança, que após vários exames:
eletrocardiograma, eco cardiograma, exame ergométrico e ultrassonografia com
contraste, o diagnosticou como portador de obstrução (entupimento) da artéria
descendente anterior direita, e após cateterismo exploratório, recebeu o diagnóstico de
doença cardíaca severa, com possibilidade de morte súbita, não sendo possível sua
correção por stent, haja vista, que a obstrução situava-se próximo a uma trifurcação de
vasos.

O médico indicou a realização de cirurgia de revascularização por ponte de


mamária (artéria) ou safena, dado que não seria possível a colocação de stent, visto
que a obstrução ficava próxima de uma trifurcação de vasos (lesão proximal).

O médico indicou cirurgia, como forma de debelar o problema de saúde do


paciente. Indicou a técnica cirúrgica de circulação intracorpórea (em que o coração
não para de funcionar durante o procedimento cirúrgico), porque entre outras
vantagens reduz o tempo de pós-operatório e recuperação em dois terços do tempo
que leva a técnica comum (circulação extracorpórea (que utiliza um bypass ou
coração artificial), em que além do risco na reanimação (já que o coração fica parado)
há também um período maior de recuperação.
Referido profissional informou que tal técnica inovadora (intracorpórea) só se
realizava no Estado de São Paulo em três hospitais: Sírio Libanês, HCor e Incor.

O Plano de saúde, SALUTE VITA autorizou a realização dos exames sem


colocar nenhum obstáculo.

Como o caso era grave e urgente, o senhor ZUCHER DOS SANTOS DA


SILVA imediatamente teve pelo profissional que o atendeu encaminhado todos os
documentos necessários (carteira do plano, exames, laudo de indicação cirúrgica) para
o HCor em São Paulo, que iniciou o processo de autorização da cirurgia junto ao
Plano de Saúde. Referido hospital informou que o Plano contratado pelo senhor
ZUCHER DOS SANTOS DA SILVA era ali aceito e iniciou contatos com a
operadora do mesmo para autorização.

De posse dessa informação, o senhor ZUCHER DOS SANTOS DA SILVA


adotou providências: adquiriu passagens para si e para sua esposa acompanhante,
alugou um imóvel pelo sistema ‘Air Bnb’ para o pós-cirúrgico em São Paulo e outras
providências logísticas.

Na antevéspera da data marcada para o ato cirúrgico, o HCor informou que


diferente do esperado o Plano de Saúde recusara a autorização da cirurgia alegando
que no Estado do Maranhão seus hospitais credenciados operavam pela técnica
tradicional (extracorpórea).

Em face disso, o senhor “ZUCHER” foi obrigado a ingressar na justiça contra


o seu Plano de Saúde e requereu tutela (especificar o tipo) e requereu no pedido
provisório fosse autorizada a cirurgia indicada e ainda, fosse arbitrada multa diária
para o caso de descumprimento da medida a ser concedida, por parte do Plano de
Saúde.

II - DO DIREITO

A recusa da Ré é alicerçada dizendo que no Estado d Maranhão seus hospitais


credenciados operavam pela técnica tradicional (extracorpórea). Mas no entanto, tal
conduta não tem abrigo legal.

Primeiramente devemos analisar que há risco na demora do procedimento,


haja vista a possibilidade de agravamento do problema, até em razão da gravidade da
enfermidade em questão.
É consabido, outrossim, que as cláusulas contratuais atinentes aos planos de
saúde devem ser interpretadas em conjunto com as disposições do Código de Defesa
do Consumidor, de sorte a alcançar os fins sociais preconizados na Constituição
Federal.

Por apropriado, destacamos que o contrato em liça resta albergado pela


interpretação do Código de Defesa do Consumidor: STJ, Súmula nº 469 –.Aplica-se o
Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde. De bom alvitre
destacar o magistério de Cláudia Lima Marques, quando professa, tocante ao assunto
supra-abordado, que:

“A evolução da jurisprudência culminou com a consolidação jurisprudencial de que


este contrato possui uma função social muito específica, toca diretamente direitos
fundamentais, daí ser sua elaboração limitada pela função, pela colisão de direitos
fundamentais, que leva a optar pelo direito à vida e à saúde e não aos interesses
econômicos em jogo. Como ensina o STJ: “A exclusão de cobertura de determinando
procedimento médico/hospitalar, quando essencial para garantir a saúde e, em
algumas vezes, a vida do segurado, vulnera a finalidade básica do contrato. 4. Saúde é
direito constitucionalmente assegurado, de relevância social e individual.” (REsp
XXXXX/SP, rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, j. 18/09/2008, DJe
13/10/2008).” (MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do
Consumidor: o novo regime das relações contratuais. 6ª Ed. São Paulo: RT, 2011, pp.
1028-1029).

A exclusão imposta pelo contrato deve, assim, ser avaliada com ressalvas,
observando-se de maneira concreta que a natureza da relação ajustada entre as partes
e os fins do contrato celebrado não podem ameaçar o objeto da avença. Confira-se,
para tanto, a previsão contida no artigo 51, inc. IV e § 1º, inc. II do Código de Defesa
do Consumidor:

CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Art. 51 – São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas
ao fornecimento de produtos e serviços que:
(... )

IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o


consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a
eqüidade;

(... )

· 1º – Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:

(... )

II – restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza e conteúdo do


contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.

Sobressai-se da norma acima mencionada que são nulas de pleno direito as


obrigações consideradas “incompatíveis com a boa-fé ou a equidade. “ (inciso IV).

Nesse contexto professa Rizzato Nunes que:

“Dessa maneira percebe-se que a cláusula geral de boa-fé permite que o juiz crie
uma norma de conduta para o caso concreto, atendo-se sempre à realidade social, o
que nos remete à questão da equidade, prevista no final da norma em comento.
“ (NUNES, Luiz Antônio Rizzato. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor.
6ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 671)

O contrato de seguro-saúde, por ser atípico, por conseguinte, consubstancia


função supletiva do dever de atuação do Estado. Assim, impõe a proteção da saúde do
segurado e de seus familiares contra qualquer enfermidade e em especiais
circunstâncias como aquela que aqui se vê onde o técnica cirurgica de circulação
intracorpórea mostra-se necessário à Autora.

Não bastasse isso, os planos de saúde devem atender a todas as necessidades


de saúde dos beneficiários, salvo as exclusões expressamente permitidas por lei, como
as do artigo 10 da Lei nº. 9.656/98, o que não ocorre com a ora Autora. Desse modo, o
o procedimento cirúrgico que utiliza a técnica cirúrgica de circulação intra corpórea
não se encontra entre as hipóteses excetuadas pela referida lei.

O entendimento jurisprudencial solidificado é uníssono em acomodar-se à


pretensão ora trazida pela Autora, senão vejamos:
AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO ORDINÁRIA PARA COBERTURA
DE PROCEDIMENTO DE SAÚDE. RECUSA INDEVIDA DE PLANO DE
SAÚDE EM COBRIR técnica cirurgica de circulação intracorpórea DIANTE
DA LIMITAÇÃO QUANTITATIVA ESTABELECIDA EM CLÁUSULA
CONTRATUAL. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO E NÃO
PROVIDO.1- a limitação de cobertura do plano de saúde é possível desde que
atendidos os pressupostos legais e haja previsão clara, precisa e destacada no
contrato. Entende-se por abusiva a cláusula contratual que exclui tratamento
prescrito para garantir a saúde ou a vida do beneficiário, porque o plano de
saúde pode estabelecer as doenças que terão cobertura, mas não o tipo de
terapêutica indicada por profissional habilitado na busca da cura. Contudo,
há de se esclarecer que a empresa operadora de plano de saúde não pode se
utilizar da referida cláusula contratual a fim de obstar tratamento médico de
urgência, ou necessário ao restabelecimento da saúde do paciente, o que
afrontaria por outro lado, a própria finalidade do contrato firmado -in casu,
verifica--se a requisição médica anexa à exordial, a justificar a realização do
exame pretendido, o que, gera para a empresa, obrigatoriedade de custeio. 4-
vale destacar que as empresas prestadoras de planos de saúde não possuem o
condão de determinar qual método a ser aplicado em cada paciente,
atribuição dos médicos contratados e cooperados. Da mesma sorte, não
podem referidas empresas limitarem determinados tratamentos, de modo que
sejam as vias necessárias à melhora do paciente. 5- a recusa exarada pela
empresa de plano de saúde é ilegal e injusta, pois a não realização do exame
pode acarretar danos à saúde do consumidor, deixando de se investigar
doenças, a exemplo do presente caso. 6- agravo regimental conhecido e não
provido. Decisão inalterada. (TJCE; AG XXXXX-94.2012.8.06.0112/50000;
Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Teodoro Silva Santos; DJCE 01/04/2016;
Pág. 41)

DIREITO DO CONSUMIDOR:

Apelação cível. Plano de saúde coletivo. Preliminar de ilegitimidade


passiva confundida com o mérito da demanda e com ele resolvida.
Legitimidade reconhecida. Previsão de cobertura no contrato. Negativa
indevida. técnica cirurgica de circulação intracorpórea do coração-
abusividade configurada. Código de Defesa do Consumidor. Dever de
ressarcir- dano material comprovado. Dano moral configurado.
Peculiaridades do caso. Minoração do quatum indenizatório-adequação do
valor da indenização á luz dos princípios da proprcionalidade e da
razoabilidade- recurso conhecido e parcialmente provido. Unânime. (TJSE;
AC XXXXX; Ac. 4294/2016; Segunda Câmara Cível; Relª Desª Maria
Angélica Franca e Souza; Julg. 15/03/2016; DJSE 23/03/2016)

PLANO DE SAÚDE.

Paciente a cujo tratamento indicado, por médico credenciado, técnica


cirurgica de circulação intracorpórea. Dever de cobertura reconhecido,
inclusive conforme orientação sumulada neste Tribunal. Dano moral no caso
não configurado. Ônus sucumbenciais bem distribuídos. Sentença mantida.
Recurso desprovido. (TJSP; APL XXXXX-41.2014.8.26.0554; Ac. XXXXX;
Santo André; Primeira Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Claudio Godoy;
Julg. 08/03/2016; DJESP 11/03/2016)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.


AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE técnica cirurgica de circulação
intracorpórea. PLANO COLETIVO DE SAÚDE. NEGATIVA DA
OPERADORA. ALEGADA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. DECISÃO
QUE INDEFERE CONCESSÃO DE LIMINAR AO FUNDAMENTO DE
AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO E DE CÓPIA DO CONTRATO NOS
AUTOS. PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE PASSIVA E AUSÊNCIA DE
INTERESSE PROCESSUAL ARGUIDA PELO ASSOCIAÇÃO
CONTRATANTE A QUE ESTÁ VINCULADO O AGRAVANTE.
ILEGITIMIDADE MANIFESTA. ACOLHIMENTO DA PRELIMINAR PARA,
APLICANDO O EFEITO TRANSLATIVO, EXCLUIR A AGRAVADA DO
PROCESSO, JULGANDO PREJUDICADA A SEGUNDA PRELIMINAR.
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA PELA
OPERADORA A QUEM O EXAME FOI SOLICITADO POR MEIO DE
INTERCÂMBIO. ILEGITIMIDADE CARACTERIZADA, TENDO EM VISTA
NÃO SER ELA SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO PERQUERIDA,
APLICANDO-SE O EFEITO TRANSLATIVO, PARA EXCLUÍ-LA DO
PROCESSO. MÉRITO. EXAME SOLICITADO POR MÉDICO ASSISTENTE
CREDENCIADO, PARA FINS DE ELABORAÇÃO DE DIAGNÓSTICO.
COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE USUÁRIO POR MEIO DA CÓPIA
DO CARTÃO DE ATENDIMENTO. ABUSIVIDADE DA NEGATIVA.
APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
PRECEDENTES DO STJ. PROVIMENTO DO AGRAVO.

1. A “recusa indevida, pela operadora de plano de saúde, da cobertura


financeira do tratamento médico do beneficiário. Ainda que admitida a
possibilidade de previsão de cláusulas limitativas dos direitos do consumidor
(desde que escritas com destaque, permitindo imediata e fácil compreensão),
revela-se abusivo o preceito do contrato de plano de saúde excludente do
custeio dos meios e materiais necessários ao melhor desempenho do
tratamento clinico ou do procedimento cirúrgico coberto ou de internação
hospitalar” (stj. Agravo regimental no Recurso Especial AGRG no RESP
XXXXX PB XXXX/XXXXX-3 (stj) ) 2. A associação que firmou o contrato de
prestação de serviços médicos em favor dos associados não é parte legítima
para figurar no polo passivo em ação de obrigação de fazer consubstanciada
em autorização de realização de exame negado pela operadora do plano de
saúde. 3. A operadora do plano de saúde que mediante intercâmbio se nega a
realizar exames médicos, tendo em vista a negativa de autorização da
operadora a que está vinculado o segurado, não é parte legítima para figurar
no polo passivo de ação que visa obrigar a operadora prestadora do serviço
médico a autorizar o exame. (TJPB; AI XXXXX-89.2015.815.0000; Quarta
Câmara Especializada Cível; Rel. Des. Romero Marcelo da Fonseca Oliveira;
DJPB 01/03/2016; Pág. 12)

III – DO PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Diante dos fatos narrados, bem caracterizada a urgência da realização do ato


cirúrgico requisitado pelo médico do Requerente, credenciado junto ao Plano de
Saúde em questão, especialmente tendo em vista se tratar de paciente com risco em
face do exame negado. Por esse norte, não resta outra alternativa senão requerer à
antecipação provisória da tutela preconizada em lei.
No que concerne à tutela, especialmente para que a Requerida seja compelida
a autorizar a realização do exame buscado e arcar com as suas despesas, justifica-se a
pretensão pelo princípio da necessidade. O Código de Processo Civil autoriza o Juiz
conceder a tutela de urgência quando “probabilidade do direito” e o “perigo de dano
ou o risco ao resultado útil do processo”:

Art. 300 – A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil
do processo.

No presente caso, estão presentes os requisitos e pressupostos para a concessão


da tutela requerida, existindo verossimilhança das alegações, além de fundado receio
de dano irreparável ou de difícil reparação, mormente no tocante à necessidade de o
requerente ter o amparo do plano de saúde contratado.

Acerca do tema do tema em espécie, é do magistério de José Miguel Garcia


Medina as seguintes linhas:

“... Sob outro ponto de vista, contudo, essa probabilidade é vista como
requisito, no sentido de que a parte deve demonstrar, no mínimo, que o direito
afirmado é provável (e mais se exigirá, no sentido de se demonstrar que tal
direito muito provavelmente existe, quanto menor for o grau de periculum.
“ (MEDINA, José Miguel Garcia. Novo código de processo civil
comentado … – São Paulo: RT, 2015, p. 472)

Com esse mesmo enfoque, sustenta Nélson Nery Júnior, delimitando


comparações acerca da “probabilidade de direito” e o “fumus boni iuris”, esse
professa, in verbis:

“4. Requisitos para a concessão da tutela de urgência: fumus boni


iuris: Também é preciso que a parte comprove a existência da plausibilidade
do direito por ela afirmado (fumus boni iuris). Assim, a tutela de urgência visa
assegurar a eficácia do processo de conhecimento ou do processo de
execução…” (NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao código de processo
civil. – São Paulo: RT, 2015, p. 857-858)

IV – DA REPARAÇÃO DE DANOS
A Ré, de outro contexto, deve ser condenada a reparar os danos sofridos pela
Autora. A mesma fora tomada de angustia ao saber que a cirurgia não seria realizada,
em face da absurda negativa sob pretenso respaldo em cláusula contratual. . Isso vem
tornando a Promovente extremamente nervosa com sua situação de grave risco de
vida, tudo por conta da absurda e negligente recusa. Não percamos de vista o que,
nesse contexto, disciplina o Código Civil:

CÓDIGO CIVIL

Art. 187 – Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao


exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico
ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

IV- DOS PEDIDOS

Diante do exposto, pleiteia a Autora que Vossa Excelência defira os seguintes


pedidos e requerimentos:

4.1. Requerimentos

A) A parte Promovente opta pela realização de audiência conciliatória ( CPC, art. 319,
inc. VII), razão qual requer a citação da Promovida, por carta ( CPC, art. 247,) para
comparecer à audiência designada para essa finalidade ( CPC, art. 334, c/c § 5º), antes,
porém, avaliando-se o pleito de tutela de urgência almejada;

B) requer, ademais, seja deferida a inversão do ônus da prova, quando a hipótese em


estudo é abrangida pelo CDC, bem assim a concessão dos benefícios da Justiça
Gratuita e a prioridade no andamento do processo.

4.2. Pedidos

1. A) pede, mais, sejam JULGADOS PROCEDENTES todos os pedidos formulados


nesta demanda, declarando nulas todas as cláusulas contratuais que prevejam a
exclusão da cirurgia realizada pelo Hospital HCor, com a utilização da técnica
cirúrgica de circulação intra-corpórea, tornando definitiva a tutela provisória antes
concedida e, além disso:
( i ) solicita que a requerida seja condenada, por definitivo, a custear e/ou autorizar a
realização da cirurgia, na quantidade que o médico indicar como necessária;

( ii ) em caso de descumprimento da decisão anterior, pede-se a imputação ao


pagamento de multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais);

( iii ) pleiteia a condenação da Ré a pagar, a título de reparação de danos morais, o


valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais);

( iv ) pleiteia que seja definida, por sentença, a extensão da obrigação condenatória, o


índice de correção monetária e seu termo inicial, os juros moratórios e seu prazo
inicial (CPC, art. 491, caput);

Súmula 43 do STJ – Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da
data do efetivo prejuízo.

Súmula 54 do STJ – Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de


responsabilidade extracontratual.

1. B) por fim, seja a Ré condenada em custas e honorários advocatícios, esses


arbitrados em 20%(vinte por cento) sobre o valor da condenação ( CPC, art. 82, § 2º,
art. 85 c/c art. 322, § 1º), além de outras eventuais despesas no processo ( CPC, art.
84).

Com a inversão do ônus da prova, face à hipossuficiência técnica do Autor frente à


Requerida ( CDC, art. 6º, inciso VIII), protesta e requer a produção de provas
admissíveis à espécie, em especial a oitiva do representante legal da requerida e de
testemunhas, bem como perícia, se o caso assim o requerer.

Dá-se à causa o valor da pretensão condenatória de R$ 10.000,00 (dez mil reais).


(CPC, art. 292, inc. V)

Termos em que,

Pede deferimento.

São Luís, 30 de novembro de 2022.a

Advogado Pedro Paulo M. de Souza

OAB/ 58.773

Você também pode gostar