Universidade Lúrio
Faculdade de Engenharia
Departamento de engenharia Geológica
Curso de Licenciatura em Engenharia Geológica
2o Grupo
Trabalho da cadeira de Geofísica
Tema
Métodos Sísmicos
Discentes:
Nurdine Abdul Aruna
Salima Marques Assara
Sérgio António Mpariua
Docente:
Vânia Baloi, Lic.
Pemba, março de 2022
Métodos Sísmicos
Discentes:
Nurdine Abdul Aruna
Salima Marques Assara
Sérgio António Mpariua
O presente de carater investigativo –
avaliativo da cadeira de geofísica,
lecionado pela docente:
Vânia Baloi, Lic.
Pemba, marco de 2022
Índice
[Link]ção .................................................................................................................................... 4
2. Método Sísmico .......................................................................................................................... 5
2.1. As ondas sísmicas................................................................................................................. 5
2.1.1. Ondas de corpo .............................................................................................................. 6
2.1.2. Velocidade das ondas sísmicas nas rochas .................................................................... 7
2.1.3. O sismómetro ................................................................................................................. 9
2.1.4. Fonte sísmica ............................................................................................................... 10
2.2. Reflexão sísmica ou sismologia de reflexão ...................................................................... 11
2.2.1. Etapas de aplicação do método .................................................................................... 11
2.3. Refração sísmica ou sismologia de refração ...................................................................... 13
3. Conclusão.................................................................................................................................. 14
4. Referencias bibliográficas ......................................................................................................... 15
[Link]ção
No estudo de métodos geofísicos para diversas aplicabilidades, um dos métodos mais usado na
pesquisa de petróleo e hidrocarbonetos é o método, dai a importância em fazer uma abordagem
de forma detalhada de como funciona e quais as suas aplicações. Este é um método que requer
conhecimentos de física geral para sua compreensão, tal como os outros métodos, porem é mais
complexo.
O objetivo principal deste trabalho é falar sobre as ondas P e ondas S (suas características), e das
sísmicas de reflexão e refração, assim como suas aplicações. Para elaboração deste trabalho
recorreu – se a pesquisa e revisão bibliográfica no intuito de responder aos objetivos. Nas
páginas subsequentes seguir – se – a o desenvolvimento, a conclusão e as referências
bibliográficas, que são elementos fundamentais na elaboração de um trabalho científico.
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2. Método Sísmico
De acordo com (Lopes, s.d) o método sísmico é uma técnica de prospeção geofísica de tipo
“ecografia”, utilizada para determinar a geometria do subsolo. Permite obter conhecimentos
sobre a natureza dos depósitos, dos mecanismos da sua implantação e da sua posterior
deformação.
Num levantamento sísmico, as ondas sísmicas são criadas por uma controlada e se propagam em
subsuperfície. Algumas ondas voltarão a superfície apos terem sofrido refração ou reflexão nas
interfaces geológicas em profundidade.
Os métodos sísmicos são largamente aplicados a problemas de exploração envolvendo deteção e
mapeamento de interfaces, normalmente com geometria simples, em profundidade. Os métodos
são particularmente apropriados para mapear sequencias sedimentares acamadadas e são também
utilizados, em menor escala para mapeamento de camadas sedimentares próximas a superfície,
na engenharia, são usados na investigação de parâmetros de fundações, incluindo profundidade
do maciço. (kearey, Brooks, & Hill, 2009)
2.1. As ondas sísmicas
Ondas sísmicas são pacotes de energia de deformação elástica que se propagam radialmente a
partir de uma fonte sísmica, como um terremoto ou uma explosão. (kearey, Brooks, & Hill,
2009)
A descrição da propagação de ondas sísmicas através de meios heterogéneos é extremamente
complexa por isso, para se obterem equações que descrevam essa propagação adequadamente, é
necessário admitir condições simplificadoras. Uma delas consiste em assumir que o meio
heterogéneo pode ser convenientemente modelado por uma sucessão de camadas paralelas, no
interior das quais se podem assumir condições de homogeneidade. Uma escolha conveniente da
espessura, densidade e propriedades elásticas de cada camada permite fazer uma aproximação
realista das condições naturais. (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
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Figura 1. Propagação de uma onda sísmica a partir de uma fonte pontual num meio homogéneo.
Fonte: (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
Na prospeção sísmica faz-se prioritariamente uso da onda P (de compressão) e, de modo
secundário, da onda S (de cisalhamento ou corte). (Lopes, s.d)
2.1.1. Ondas de corpo
As ondas de corpo propagam – se através do volume de um solido elástico e podem ser de dois
tipos, nomeadamente, ondas compressivas e ondas de cisalhamento. (kearey, Brooks, & Hill,
2009)
Ondas compressivas (primarias ou ondas P) - são ondas longitudinais que propagam – se por
deformação uniaxial (compressão e expansão) na direção de propagação da onda. O movimento
das partículas está associado a passagem de onda compressional envolve oscilação, em torno de
um ponto fixo, na direção da propagação.
Ondas de cisalhamento (secundarias ou ondas S) – ondas transversais que propaga – se por meio de
um cisalhamento puro numa direção de propagação da onda. Os movimentos das partículas
individuais envolvem oscilação, ao redor de um ponto fixo, num plano perpendicular a direção
de propagação de onda. Se todas as oscilações de partículas estão contidas num mesmo plano, a
onda de cisalhamento é denominada plano – polarizada.
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Figura 2. Deformação elástica e movimentos de partículas do terreno a passagem de ondas de
corpo; (a) ondas P; (b) ondas S. (Extraído de Bolt, 1982). Fonte: (kearey, Brooks, & Hill, 2009)
Se a superfície for estratificada e a velocidade das ondas de cisalhamento na camada superficial
for mais baixa que da camada subjacente, um segundo conjunto de ondas é gerado, designado
ondas love, são ondas de cisalhamento polarizadas com um movimento de partícula paralelo a
superfície livre e perpendicular de propagação.
Uma aplicação da sismologia de ondas de cisalhamento se dá na investigação de fundações para
fins de engenharia, em as medidas que consistem em conhecer as propriedades geotécnicas in
situ do terreno. Isso tem grande importância pratica, pois permite estimar a fragmentabilidade.
2.1.2. Velocidade das ondas sísmicas nas rochas
Em virtude da variedade composicional, textural, de porosidade e de fluidos nos poros, as
diferem quanto a seus módulos elásticos e densidades e, portanto, quanto suas velocidades
sísmicas. (kearey, Brooks, & Hill, 2009)
A velocidade de propagação de uma dada onda de um corpo num material homogéneo,
isotrópico, é dada por
⁄2
𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜 𝑒𝑙𝑎𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜 𝑎𝑝𝑟𝑜𝑝𝑟𝑖𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎𝑙 1
𝑣=[ ]
𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎𝑙 𝜌
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Assim, a velocidade vp de uma onda de corpo compressional, que envolve uma deformação
compressional uniaxial é dada por:
𝜓 1⁄2
𝑣𝑝 = [ ]
𝜌
E, a velocidade de uma onda de corpo de cisalhamento, que envolve o cisalhamento puro, é dada
por:
𝜇 1⁄2
𝑣𝑠 = [ ]
𝜌
Sabe -se que genericamente as ondas compressivas se propagam com maior velocidade que as
𝑣
ondas de cisalhamento, a razão 𝑝⁄𝑣𝑠 é dada pela equação de Poisson:
𝑣𝑝 2(1−𝜎) 1⁄2
⁄𝑣𝑠 = [ ]
(1−2𝜎)
No que diz respeito as camadas rochosas investigadas pela sísmica sobre as velocidades das
ondas P e ondas S, 𝑣𝑝 e 𝑣𝑠 , são importantes por duas razoes principais:
➢ Primeiro, são necessárias para conversão de tempo de propagação de ondas sísmicas em
profundidade.
➢ Segundo, elas fornecem uma indicação sobre a sua litologia ou, em alguns casos, a
natureza dos fluidos intersticiais nelas contidos.
Para a velocidade das ondas S, a derivação da velocidade é mais complexa porque as ondas S
não se propagam no espaço poroso. Este é um ponto interessante, pois sugere que a velocidade
das ondas S depende das propriedades dos grãos da matriz e de sua textura, enquanto a
velocidade é também influenciada pelos fluidos dos poros. Essa técnica é utilizada na indústria
do petróleo para detectar espaços porosos preenchidos por gás em reservatórios de
hidrocarbonetos em profundidade.
Algumas descobertas empíricas fornecidas pelos estudos de velocidade são:
➢ Para uma ampla gama de rochas sedimentares, a velocidade das ondas compressivas está
relacionada a densidade, consequentemente as camadas inacessíveis podem ser preditas
se suas velocidades forem conhecidas.
➢ A presença de gás nas rochas sedimentares reduz os valores dos módulos elásticos, da
𝑣
razão de Poisson e da 𝑝⁄𝑣𝑠 , se essa razão for maior que 2.0 trata-se de areia
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inconsolidada, e para valores menores pode nos indicar um arenito consolidado e não
consolidado.
➢ A velocidade de onda compressiva aumenta com a pressão confinante e a velocidade dos
arenitos e folhelhos mostram um aumento sistemático com a profundidade de
soterramento e a idade, por causa dos efeitos combinados da compactação e cimentação.
2.1.3. O sismómetro
Pode-se dizer que a ciência da sismologia nasce com a invenção do aparelho que permite
converter os movimentos de vibração do solo, mesmo aqueles que são demasiado fracos para os
sentirmos, para um registo visível. Esse instrumento, chamado sismógrafo, consiste num sensor
que deteta e amplifica os movimentos do solo que por sua vez se chama sismómetro, e num
registador que produz um registo visível do movimento, chamado sismograma. (Miranda, Luis,
Costa, & Santos, s.d)
Princípio de funcionamento do sismómetro
Os sismómetros são desenhados para reagir ao movimento do solo numa dada direção.
Dependendo do desenho assim eles podem responder a movimentos verticais ou horizontais. A
maioria das conceções assenta em variações da aplicação de pêndulos simples.
Figura 3. Sismómetros de movimentos verticais, (a) modelo mecânico e (b) modelo
eletromagnético. Fonte: (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
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Figura 4. Diagrama esquemático de sismómetro de movimento horizontal. Fonte: (Miranda,
Luis, Costa, & Santos, s.d)
2.1.4. Fonte sísmica
A fonte sísmica é uma fonte sonora onde as ondas sísmicas que dela irradiam são ondas sonoras
que se propagam através de meios com características elásticas (rochas), sofrendo reflexão ou
refração onde as propriedades elásticas sofrem modificações bruscas (contacto entre duas rochas
com impedâncias acústicas contrastantes). (Lopes, s.d)
Uma fonte sísmica é uma região localizada, dentro da qual a repentina liberação de energia
produz uma rápida tensão sobre o meio circundante. (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
Uma explosão, por exemplo, é uma fonte sísmica arquetípica. Embora sejam explosivos, há um
número crescente de modos mais eficientes e sofisticados (mais seguro!) de coletar dados
sísmicos.
Principais requisitos da fonte sísmica
➢ Energia suficiente através do mais amplo intervalo de frequências possíveis,
estabelecendo – se as frequências mais altas registráveis.
➢ A energia deve se concentrar no tipo de energia de onda necessário a um levantamento
específico, ou seja, onda P ou onda S, e gerar um mínimo de energia de outros tipos de
ondas.
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➢ A forma de onda da fonte deve ser repetível. Levantamento sísmicos que quase sempre
envolvem comparação de sismogramas geradas por uma serie de fontes em diferentes
localizações.
➢ A fonte deve ser segura, eficiente e ambientalmente aceitável.
2.2. Reflexão sísmica ou sismologia de reflexão
A sismologia de reflexão é usada para determinar as profundidades a que se encontram as
superfícies refletoras, bem como as velocidades sísmicas das rochas que compõem as várias
camadas. (Lopes, s.d)
Funcionamento: produz-se um sinal sísmico (por exemplo uma pequena explosão) numa
localização e num instante conhecidos e registam-se os ecos refletidos pelas várias interfaces
entre as camadas rochosas. No interior da distância crítica os únicos sinais recebidos são aqueles
que viajam diretamente desde o ponto de tiro até aos recetores (chamados geofones) e aqueles
que são refletidos pelas interfaces subsuperficiais. Os dados de reflexão sísmica são
normalmente adquiridos ao longo de perfis. Os tempos de percurso e as amplitudes dos sinais
registados pelos geofones distribuídos ao longo do perfil são representados na forma de uma
secção bidimensional conhecida pelo nome de secção sísmica.
2.2.1. Etapas de aplicação do método
➢ Aquisição dos dados - a realizar por geofísicos
➢ Tratamento (processamento) dos dados – a realizar por geofísicos
➢ Interpretação – por geólogos/geofísicos
Aplicabilidade do método:
➢ Prospeção profunda – mais de 500 m – aplicada principalmente aos hidrocarbonetos.
Requer
grandes meios, materiais e humanos, em todas as fases, desde a aquisição de dados até ao seu
tratamento.
➢ Prospeção intermédia – entre 150 e 500 m – que se aplica a estruturas petrolíferas
superficiais,
hidrogeologia profunda, ou estudos de fundações de grandes obras de engenharia, como
barragens ou túneis. Consiste essencialmente num “downsizing” das técnicas da prospeção
profunda.
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➢ Prospeção superficial – menos de 150 m – apontada para alvos menores, de menor valor
económico, como fundações em geral, hidrogeologia, prospeção de não-metálicos, etc.
Aquisição em terra:
➢ Por explosão (dinamite) – a onda sonora é introduzida no solo num único impulso, sem
variação
da frequência;
➢ Impacto mecânico - espingarda de ar comprimido; queda de um peso (martelo) e;
➢ Por vibração (vibroseis) – a onda introduzida no solo é mais oscilatória do que impulsiva,
persistindo por muitos segundos, e a frequência vai variando ao longo da duração do sinal, mas
também podem ser usados os camiões vibradores.
Aquisição no mar:
➢ Por explosão (dinamite).
➢ Por espingarda de ar comprimido – libertação de ar comprimido;
➢ Por espingarda de água – rápida aceleração da água e;
➢ Por descargas eléctricas.
Figura 5. Exemplo de alguns instrumentos usados no método sísmico de reflexão. Fonte: (Lopes,
s.d)
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2.3. Refração sísmica ou sismologia de refração
A sismologia de refração é aplicada a uma grande variedade de problemas científicos e técnicos
que variam desde investigações geotécnicas até experiências de larga escala desenhadas para
estudar a estrutura interna da Terra. (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
Figura 6. Refração e reflexão de ondas. Fonte: (Miranda, Luis, Costa, & Santos, s.d)
Na figura acima é descrita uma situação particularmente simples de duas camadas horizontais
com velocidades diferentes, sendo a camada inferior mais “rápida” que a superior. As ondas
direta, refletida e refratada que são observadas ao longo de uma linha sísmica.
Neste método, a onda sísmica propaga – se em subsuperfície e viajam a grandes distâncias,
sendo apos captadas por sensores (geofones). As informações obtidas por este método
geralmente são em grande escala, trazendo informações pouco detalhadas das regiões abaixo da
superfície, situadas entre ponto de detonação e o ponto de captação.
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3. Conclusão
o método sísmico é uma técnica de prospeção geofísica de tipo “ecografia”, utilizada para
determinar a geometria do subsolo. Permite obter conhecimentos sobre a natureza dos depósitos,
dos mecanismos da sua implantação e da sua posterior deformação.
Num levantamento sísmico, as ondas sísmicas são criadas por uma controlada e se propagam em
subsuperfície. Algumas ondas voltarão a superfície apos terem sofrido refração ou reflexão nas
interfaces geológicas em profundidade.
Os métodos sísmicos são largamente aplicados a problemas de exploração envolvendo deteção e
mapeamento de interfaces, normalmente com geometria simples, em profundidade. Os métodos
são particularmente apropriados para mapear sequencias sedimentares acamadadas e são também
utilizados, em menor escala para mapeamento de camadas sedimentares próximas a superfície,
na engenharia, são usados na investigação de parâmetros de fundações, incluindo profundidade
do maciço.
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4. Referencias bibliográficas
kearey, P., Brooks, M., & Hill, I. (2009). Geofisica de exploracao . Sao Paulo: Oficina de
Textos.
Lopes, F. C. (s.d). Aquisição e tratamento de dados em Reflexão. Brasil.
Miranda, J. M., Luis, J. F., Costa, P. T., & Santos, F. M. (s.d). FUNDAMENTOS DE
GEOFÍSICA.
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