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Determinismo Tecnológico e Sociedade

O documento discute o determinismo tecnológico, a teoria de que as novas tecnologias causam mudanças profundas na sociedade de forma inevitável. Teóricos como McLuhan, Ellul e Postman argumentam que as tecnologias reestruturam as relações humanas e a sociedade, independentemente de como são usadas. O documento também discute como a dependência crescente da tecnologia cria dilemas sobre seu controle e consequências imprevisíveis.

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Determinismo Tecnológico e Sociedade

O documento discute o determinismo tecnológico, a teoria de que as novas tecnologias causam mudanças profundas na sociedade de forma inevitável. Teóricos como McLuhan, Ellul e Postman argumentam que as tecnologias reestruturam as relações humanas e a sociedade, independentemente de como são usadas. O documento também discute como a dependência crescente da tecnologia cria dilemas sobre seu controle e consequências imprevisíveis.

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CURSO JORNALISMO

DISCIPLINA: MÍDIAS DIGITAIS


TEMA 4: DESENVOLVIMENTO E PARADIGMAS TECNOLÓGICOS

TEXTO PARA APOIO AO ESTUDO

Determinismo Tecnológico

O aparecimento de uma nova tecnologia provoca numa sociedade mudanças profundas em todas as esferas
– psíquica, física e sócio-econômica. Esse fenômeno pode ser observado ao longo de toda a história da
humanidade, desde o Homo erectus ao Homo sapiens. Foi assim com as civilizações orais, e
posteriormente as escritas, com os telégrafos visuais, a invenção da imprensa, a difusão do livro e o
surgimento dos jornais, a eletricidade trazendo evoluções como o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão,
os satélites, computadores e novas mídias, como a Internet, revelando a evolução do pensamento humano.
Aliás, a evolução das tecnologias nada mais é que a evolução do pensar humano, num esforço para criar formas
de vencer obstáculos, sendo o tempo e o espaço as dificuldades mais prementes de serem vencidas.

"McLuhan observou freqüentemente que nas circunstâncias em que novas mídias são colocadas
emfuncionamento na sociedade, elas se espalham como vírus e provocam danos irrestritos, porque permanecem
invisíveis” (McLuhan, Eric, 1995).

Nada mais apropriado para se observar este fato que a atual revolução contemporânea das comunicações, que é
apresentada por Pierre Lévy como “uma das dimensões de uma mutação antropológica de grande amplitude”
(Lévy, Pierre, 1996).

Surge aí um paradoxo: modernas tecnologias que foram criadas pelo homem para o domínio da natureza
(vencendo distâncias e encurtando espaços de tempo, como já foi dito) tornam-se tão abrangentes – sem
fronteiras num mundo globalizado – que impossibilitam o controle da extensão do seu próprio uso pela
humanidade. É o homem perdendo o controle do alcance de suas criações, idealizadas justamente para o
controle, ou pelo menos, com possibilidade de controle quase completa.

Talvez seja essa uma das maiores angústias de cientistas, estudiosos e comunicadores contemporâneos: a
impotência de interagir, diante da força das tecnologias contemporâneas em modificar o meio em que se
infiltram, que tudo arrastam consigo, como uma correnteza sem destino, deixando perplexos até mesmo os mais
ferrenhos tecnófilos. A impossibilidade de quantificar, numerar, classificar ou até mesmo conhecer
profundamente as conseqüências ou influências da inserção das tecnologias contemporâneas na sociedade torna-
se um dilema na medida em que, sendo impossível classificação, não se pode prever o rumo que tomará a
humanidade num futuro muito próximo. Não se trata de conhecer ou estudar as possíveis transformações
coletivas mundiais para daqui a 100 anos, mas para amanhã, ou para hoje, porque, com a velocidade vertiginosa
da evolução das tecnologias no mundo atual, o futuro passou a ser o momento presente. E nada mais
angustiante para a humanidade que não saber o que está acontecendo hoje e nem que caminhos tomará o mundo
no próximo minuto. É como caminhar num túnel escuro, sem luz indicando uma rota segura. (Esta imagem
ilustra a angústia da ausência do controle).

E o dilema aumenta na medida em que cresce a dependência das pessoas pela tecnologia. O número de
indivíduos que “entram” e se fascinam pelo universo de informações e virtualidade da Internet é cada vez
maior. Seria, para essas pessoas, impossível imaginar a vida sem esse veículo que alia comunicação instantânea
e entretenimento a baixo custo. A mesma afirmação pode-se fazer dos automóveis, aviões, telefones celulares,
TV’s a cabo e outras mídias e tecnologias contemporâneas.

“Quando consideram-se os novos meios de comunicação é importante compreender que a transformação digital
acontece dentro do contexto de fabricaçã o social da sociedade”, afirma Talbot. Langdon Winner explica que a
digitalização da sociedade não acontece sem conseqüências, e ele descreve esse processo como um vasto
experimento corrente cujas ramificações ninguém ainda compreendeu profundamente.

Talbott e Winner referem-se às transformações digitais, mas suas afirmações podem perfeitamente se relacionar
a todas as tecnologias contemporâneas. Na literatura sobre o assunto, diversos autores referem-se ao
determinismo tecnológico como “inevitável”, “de longo alcance”, ou como algo que “acontecerá mais cedo do
que se pensa, independente se é desejável ou não”.

Determinismo Tecnológico é atualmente a teoria mais popular sobre a relação entre tecnologia e sociedade. Ela
tenta explicar fenômenos sociais e históricos de acordo com um fator principal, que no caso é a tecnologia. O
conceito de “determinismo tecnológico” foi criado pelo sociólogo americano Thorstein Veblen (1857-1929) e
cultivado e aperfeiçoado por Robert Ezra Park, da Universidade de Chicago. Em 1940, Park declarou que os
dispositivos tecnológicos estavam modificando a estrutura e as funções da sociedade, noção que serviu de ponto
de partida para uma corrente teórica em todos os aspectos inovadora.

Desde a Segunda Guerra Mundial, os cientistas têm considerado a tecnologia como um dilema moral e que seu
uso pode causar conseqüências profundas na humanidade e no planeta. Os sociólogos vêem o problema através
do aumento da complexidade e da velocidade das mudanças que a tecnologia está trazendo para a sociedade.
Segundo eles, as mudanças tecnológicas ultrapassam a habilidade das pessoas e das diversas sociedades para
adaptar-se a elas. Para outras, ainda, a tecnologia é vista como uma força dominante na sociedade, colocando
obstáculos para a liberdade humana.

De acordo com os deterministas tecnológicos, (como Marshall McLuhan, Harold Innis, Neil Postman, Jacques
Ellul, Sigfried Giedion, Leslie White, Lynn White Jr. E Alvin Toffler), as tecnologias (particularmente as da
comunicação ou mídias) são consideradas como a causa principal das mudanças na sociedade, “e são vistas
como a condição fundamental de sustentação do padrão da organização social. Os deterministas tecnológicos
interpretam a tecnologia como a base da sociedade no passado, presente e até mesmo no futuro. Novas
tecnologias transformam a sociedade em todos os níveis, inclusive institucional, social e individualmente. Os
fatores humanos e sociais são vistos como secundários” (Chandler, Daniel, 2000).

Harold Innis, historiador e economista canadense, foi o pioneiro nessa nova corrente. O seu primeiro trabalho
no campo da comunicação surgiu na forma de um artigo publicado em 1940, analisando a importância da
imprensa para o crescimento econômico. Mas o mais curioso no ensaio foi a forma como Innis o concluiu. O
autor escreveu que pretendia com o estudo “sublinhar a importância de uma mudança no conceito da dimensão
do tempo”, acrescentando que o tempo “não pode ser encarado como uma linha reta, mas como uma série de
curvas dependentes em parte dos avanços tecnológicos” (citado por Santos, op. cit. 1992, p. 66). O artigo
defendia que os jornais, ao exigir que as notícias fossem difundidas rapidamente, estavam alterando a
concepção do tempo e do espaço.

Seguidor das idéias de Innis, McLuhan discorda com o comentário de alguns estudiosos que dizem que
tecnologias são por si próprias neutras e que o uso que se faz delas é que é o ponto importante para discussão.
Ele sustenta que as máquinas alteram fundamentalmente as relações pessoais e interpessoais, não importando o
uso que se faz delas. “O efeito das máquinas tecnológicas foi reestruturar o trabalho humano e associação pela
técnica da fragmentação”. McLuhan chama de “sonâmbulos” os que dizem que é o uso que se faz das
tecnologias que determina o seu valor. Para ele, o poder transformador da mídia é a própria mídia. “A
mensagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala, ritmo ou padrão que introduz na vida
humana” (McLuhan, 1965). A mídia afeta a maneira como os indivíduos agem e interagem na recepção de suas
mensagens, modificando a organização social da vida diária. Segundo o autor canadense, o homem é
constantemente modificado pelas suas próprias invenções, mesmo que tais modificações sejam invisíveis. o que
verdadeiramente interessa não é o que a rádio ou televisão dizem, mas sim o fato de existirem, trazendo
transformações à sociedade. Portanto, para McLuhan, “o meio é a mensagem.”

Jacques Ellul também insiste que a tecnologia carrega consigo seus próprios efeitos, independentemente de
como é usada. Para Ellul, as tecnologias carregam consigo um número de conseqüências positivas e negativas,
não importando como e para que são utilizadas. Não é apenas uma questão de intenções. O desenvolvimento
tecnológico não é bom ou mal ou neutro. As pessoas tornam-se condicionadas por seus sistemas tecnológicos.
Independente de se acreditar que as tecnologias são boas ou más, elas continuarão seu curso fazendo o que
sempre fazem: subjugando a humanidade. A “substantive theory”, seguida por Ellul, argumenta que as
tecnologias constituem um novo tipo de sistema cultural que reestrutura inteiramente o mundo social como um
objeto de controle.

Aluno de McLuhan, Neil Postman também adota um ponto de vista fortemente determinista. De acordo com
Postman, nós vivemos hoje naquilo que ele chama uma tecnópole. Ele faz uma distinção bem definida entre este
estado atual e a tecnocracia do século dezenove. “‘Tecnocracia’ caracteriza uma sociedade que leva a tecnologia
a sério, mas ainda mantém suas tradições, regras morais e também uma oposição vital entre o velho e o novo.
Por outro lado, a ‘Tecnópole’ caracteriza uma sociedade em que o velho mundo, símbolos e mitos e outros
ícones do mundo não tecnológico renderam-se ao poder opressivo e à força da visão de um mundotecnológico
(Wilson/Postman 1997), uma sociedade que se rende completamente à primazia do desenvolvimento
tecnológico e à inovação” (Anderson, Dave, 2000).

Postman insiste que o uso que se faz da tecnologia é grandemente determinado pela estrutura da própria
tecnologia. As ferramentas que se usam determinam a visão de mundo. “Para um homem com um lápis, tudo
parece uma lista. Para um homem com uma câmera, tudo parece uma imagem. Para um homem com um
computador, tudo parecem dados” (Postman, Neil, 1993).

No Determinismo Tecnológico, tecnologias são apresentadas como autônomas, como algo fora da sociedade.
Tecnologias são consideradas forças independentes, autocontroláveis, auto-determináveis e auto-expandíveis.
São vistas como algo fora do controle humano, mudando de acordo com seu próprio momento e moldando
inconscientemente a sociedade.

Neil Postman relaciona a noção de autonomia tecnológica com algo próximo à “um método para fazer alguma
coisa passa a ser a razão para fazer algo” (Postman, Neil, 1979). Referindo-se ao comportamento humano
padronizado e ao que ele chama de “tecnologia invisível” da linguagem assim como das máquinas, Postman
argumenta que “Técnica [máquina], como qualquer outra tecnologia, tende a funcionar independentemente do
sistema a que serve. Ela se torna autônoma, da maneira como um robô que obedece seu mestre não por muito
tempo” (Postman, Neil, 1993).

Da mesma forma, ele define “A Síndrome de Frankenstein: o homem cria uma máquina para um propósito
particular e limitado. Mas assim que a máquina é construída, nós descobrimos, sempre para nossa surpresa –
que ela tem idéias próprias; que ela é capaz não só de mudar nossos hábitos mas... de mudar nossos hábitos
mentais” (Postman, Neil, 1983). Embora Postman negue que “os efeitos da tecnologia” são sempre inevitáveis,
ele insiste que “eles são sempre imprevisíveis” (idem).

Na defesa do controle humano sobre a tecnologia, Seymour Melman observa que, nos tempos modernos, “não
há uma única opção tecnológica. Há várias opções” (Melman, Seymour, 1972). Uma tecnologia não cria ou se
transforma por si própria. “A tecnologia realmente não pode determinar a si mesma”. A socióloga Ruth
Finnegan complementa dizendo que “o meio por si mesmo não pode dar origem a conseqüências sociais – ela
deve ser usada” (Finnegan, Ruth, 1975). A mera existência de uma tecnologia não leva inevitavelmente ao seu
uso.

Raymond Williams argumenta que o Determinismo é um processo social real, mas nunca um controle supremo,
uma previsão total de causas. Ao contrário, a realidade do Determinismo é o estabelecimento de limites e de
exposição de forças pelas quais as práticas sociais são profundamente afetadas, mas não necessariamente
controladas.
Deve-se pensar no Determinismo não como uma força isolada, ou forças abstratas isoladas, mas como um
processo em que reais fatores determinantes – a distribuição do poder ou do capital, herança social e física,
relações entre grupos – estabelece limites e expõe forças, mas nem controla ou prediz totalmente o surgimento
de atividades complexas com estes ou aqueles limites, e sob ou contra estas forças” (Williams, Raymond,
1990).

Alguns estudiosos argumentam que, a dominação realmente existe no controle humano da tecnologia, embora
ela deva ser mais social que tecnológica, e as conseqüências do uso da tecnologia não são sempre intencionais,
mas que o homem ainda deve ter considerável liberdade de escolha no uso e controle da tecnologia. Estudos de
contextos sociais particulares realizados por historiadores, antropólogos e sociólogos sugerem que as
transformações sociais são muito complexas e sutis para ser explicadas somente sob o prisma das mudanças nos
meios de comunicação. Grandes teorias ignoram a importância dos contextos sociais e históricos. Mudanças
sociais envolvem interações entre forças culturais, econômicas e sociais, bem como influências científicas e
tecnológicas. Jonathan Benthall argumenta que uma completa análise histórica de qualquer tecnologia deve
estudar a ação recíproca entre fatores técnicos e sociais. Como observaram MacKenzie e Wajcman, “A
caracterização de uma sociedade leva a maior parte na decisão de quais tecnologias são adotadas” (MacKenzie
& Wajcman, in Chandler, 2000).

Num forte contraste com o Determinismo de Marshall McLuhan, que afirma que “o meio molda e controla o
grau e forma das ações e associações humanas”, o sociólogo Stuart Hall afirma que “os meios reproduzem a
estrutura de dominação e subordinação que caracteriza o sistema social como um todo (Hall, Stuart, in
Finnegan, 1975). Para esta corrente de idéias, alguns estudiosos usam o termo “superdeterminação”, que
significa que um fenômeno pode ser atribuído a vários fatores determinantes.

AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE MATERIAL DE APOIO AO ESTUDO FORAM EXTRAÍDAS DAS SEGUINTES
PUBLICAÇÕES:
Determinismo Tecnológico
Karina Medeiros de Lima
UMESP – Universidade Metodista de São Paulo
INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação – Campo Grande /MS – setembro 2001

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