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Educação Sexual e Conhecimento Corporal

Este documento discute a importância da educação sexual na escola em três frases. Apresenta como a educação sexual pode fornecer informações importantes sobre o corpo, prevenção de doenças e gravidez precoce. Também aborda os desafios de discutir esse tema sensível na escola e a necessidade de preparar professores para responder perguntas sobre sexualidade de forma adequada.
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Educação Sexual e Conhecimento Corporal

Este documento discute a importância da educação sexual na escola em três frases. Apresenta como a educação sexual pode fornecer informações importantes sobre o corpo, prevenção de doenças e gravidez precoce. Também aborda os desafios de discutir esse tema sensível na escola e a necessidade de preparar professores para responder perguntas sobre sexualidade de forma adequada.
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UNIP - Universidade Paulista

Educação a Distância
Curso: Pedagogia

EDUCAÇÃO SEXUAL:
A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DO PRÓPRIO CORPO

CIBELE WEBER SANTOS RA: 2097325


GISELA DE CASTRO RA: 0554413
KARINA CAMPI DA SILVA RA: 2096963
MARIANA MENEZES DOS SANTOS RA: 2123203

PRAIA GRANDE
2022
CIBELE WEBER SANTOS
GISELA DE CASTRO
KARINA CAMPI DA SILVA
MARIANA MENEZES DOS SANTOS

EDUCAÇÃO SEXUAL:
A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DO PRÓPRIO CORPO

Trabalho Monográfico - Curso de


Graduação - Licenciatura em
Pedagogia, apresentado à comissão
julgadora da UNIP EaD sob a orientação
do professor Doutor Fernando Henrique
Cavalcante de Oliveira

PRAIA GRANDE
2022
CIBELE WEBER SANTOS
GISELA DE CASTRO
KARINA CAMPI DA SILVA
MARIANA MENEZES DOS SANTOS

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_______________________/__/___

Prof.

Universidade Paulista – UNIP

_______________________/__/___

Prof.

Universidade Paulista – UNIP

_______________________/__/___

Prof.

Universidade Paulista UNIP

PRAIA GRANDE
2022
DEDICATÓRIA

Dedicamos nosso trabalho a Deus

E aos nossos familiares.


Não se pode falar de educação sem amor

Paulo Freire
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradecemos à orientadora, por sua paciência na orientação e pela


compreensão, pois mesmo durante a pandemia esteve à disposição para auxiliar o
grupo.
A todos nossos professores e professoras por seus ensinamentos e por ofertarem
momentos únicos de aprendizagem e experiência.
Agradecemos a todos que direta ou indiretamente contribuíram de alguma forma
para tornar possível a conclusão deste trabalho
RESUMO

O objetivo principal deste artigo é discutir como desenvolver temas sexuais na


escola e entender por que esse assunto ainda é considerado tabu. A sexualidade
humana é indispensável e deve ser entendida como matéria e campo do
conhecimento em todos os sentidos. Resolver problemas escolares é o principal
tópico discutido neste artigo, e estamos tentando salvar a importância deste tópico.
Procurando entender possíveis razões do porquê a sexualidade ainda é um tema
digamos que censurado nos diversos ambientes sociais que frequentamos. A
escola torna-se foco central desta pesquisa para que possamos elaborar a
importância da sexualidade, de se falar sobre o assunto e abordar como o tema
pode ser debatido dentro do ambiente escolar. Os principais autores utilizados para
realização deste trabalho foram: Figueiró, Marilena Chauí, Helena Altmann, entre
outros citados na bibliografia. A metodologia utilizada para realização desta
pesquisa é a forma qualitativa, que nos permite compreender a complexidade e os
detalhes das informações obtidas por meio de autores, artigos etc. Ao final da
pesquisa conclui-se que ainda existe um paradigma que considera a sexualidade
um tabu influenciado por questões culturais, religiosas e ambientais.
Palavras-Chave: Sexualidade. Escola. Tabu. Educação sexual.
ABSTRACT

The main objective of this article is to discuss how to develop sexual themes in
school and to understand why this subject is still considered taboo. Human sexuality
is indispensable and must be understood as a matter and field of knowledge in every
way. Solving school problems is the main topic discussed in this article, and we are
trying to save the importance of this topic. Trying to understand possible reasons
why sexuality is still a topic, let's say censored in the various social environments
we frequent. The school becomes the central focus of this research so that we can
elaborate on the importance of sexuality, to talk about it and address how the topic
can be debated within the school environment. The main authors used to carry out
this work were: Figueiró, Marilena Chauí, Helena Altmann, among others mentioned
in the bibliography. The methodology used to carry out this research is the
qualitative form, which allows us to understand the complexity and details of the
information obtained through authors, articles, etc. At the end of the research, it is
concluded that there is still a paradigm that considers sexuality a taboo influenced
by cultural, religious and environmental issues.

Keywords: Sexuality. School. Taboo. Sex education.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 10

CAPÍTULO I: TEMAS TRANSVERSAIS E A FORMAÇÃO DO ALUNO .............. 12


1.1 A formação do Aluno Cidadão ..................................................................... 12
1.2 O Aluno do Século XXI .................................................................................. 15
1.3 Os desafios na prática docente na escola atual ......................................... 19

CAPÍTULO II: SEXUALIDADE NA ESCOLA ....................................................... 23


2.1 Sexo E Sexualidade ...................................................................................... 23
2.2 O Que É Educação Sexual E Para Que Serve ............................................. 24
2.3 O Papel Da Família ........................................................................................ 27

CAPÍTULO III: EDUCAÇÃO SEXUAL .................................................................. 30


3.1 A Gravidez/O Aborto...................................................................................... 30
3.2 A Importância Dos Métodos Contraceptivos .............................................. 32
3.3 Infecções Sexualmente Transmissíveis (Ist) ............................................... 33
3.4 Prevenção Ao Abuso E Exploração ............................................................. 34

CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 40


10

INTRODUÇÃO

Este estudo insere-se na área da educação e apresenta como a Educação


Sexual – A Importância do conhecimento do próprio corpo. Tal tema foi eleito
considerando que deve ser introduzido nas unidades escolares, dada sua importância,
pois por meio deste, todos os alunos receberão as informações corretas a respeito do
assunto, e tendo abertura para fazer questionamentos, fato que talvez por vergonha
ou receio, tenham de perguntar ou compartilhar com seus pais/responsáveis sobre
dúvidas ou curiosidades que tenham a respeito.
Com relação ao objetivo do trabalho, apresentar a relevância da educação
sexual no âmbito escolar, não somente para adolescentes, mas também para
crianças, com intuito de: saber detectar tentativas de abuso; conhecer o próprio corpo;
respeitar o corpo alheio, além do próprio corpo; evitar doenças sexualmente
transmissíveis; evitar uma gravidez indesejada e/ou precoce, entre outros aspectos e
informações que sejam condizentes com o tema, sendo este muito importante, pois
muitas dessa informações acabam sendo obtidas somente na escola, dado que os
pais, por um certo “tabu”, não abordarem tal assunto com seus filhos. E com isso,
surge a seguinte problemática: De que forma a escola ou os professores podem
abordar esse assunto em sala de aula?
Esta temática nem sempre foi abordada nas escolas, e quando este assunto
era referenciado, trabalhava-se a sexualidade não porque se acreditava ser
importante para o desenvolvimento integral do indivíduo, e sim como uma maneira de
tratar dos problemas que estavam aparecendo, como: a gravidez na adolescência, o
uso de drogas por adolescentes e a preocupação com o aparecimento da AIDS.
Trabalhar em educação sexual nas escolas é um processo evolutivo, pois
muitas questões precisam ser abordadas, começando pela formação de professores,
considerando que já há algum tempo, tem ocorrido formação visando preparar os
professores para lidar com isso, ou seja, relacionando à sexualidade na escola, e
saber que o professor vai lidar com isso, então tem que lidar com dúvidas,
questionamentos, brincadeiras, preconceitos, etc.
E por conta disso, foram criadas políticas públicas por meio do Ministério da
Educação e Cultura (MEC), e também uma reestruturação nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), e na Bases Nacionais Comuns Curriculares (BNCC),
11

onde foram incluídos os temas sobre sexualidade, orientação sexual e também um


tema bem mais atual: a identidade de gênero, sendo estes colocados como temas
transversais, ou seja, para que possam ser abordados em diversas disciplinas.
O propósito desta dissertação é contribuir com o processo de humanização dos
alunos, mediante a apropriação do conhecimento científico. A adequação desse
universo de significações, possibilita a construção de um novo sentido acerca da
sexualidade. Como método de busca e análise de dados, foi escolhido o modo
qualitativo de pesquisa, tendo como instrumento, levantamento bibliográfico.
O presente trabalho de conclusão de curso a seguir apresenta no primeiro
capítulo as questões voltadas para a escola na atualidade, suas características e
fatores que influenciam a prática docente. No segundo capítulo é abordado a questão
sexualidade, para finalizar no último capítulo é apresentado a importância e
possibilidades na educação sexual na escola contemporânea.
12

CAPÍTULO I: TEMAS TRANSVERSAIS E A FORMAÇÃO DO ALUNO

1.1 A formação do Aluno Cidadão

A educação escolar no Brasil passou por muitas mudanças ao longo do seu


desenvolvimento, a cada troca de comando na Presidência da República houve
mudanças de rumos nas políticas educacionais públicas. Ao longo dos anos um tema
recorrente em debates é identificar qual deve ser o papel da escola na formação do
aluno e como devem ser organizadas as bases curriculares para atender essa
demanda.
Algo buscado e inclusive lema de muitos governos e do próprio discurso dos
profissionais da educação é formar um aluno cidadão, que seja capaz de viver em
sociedade desenvolvendo suas atividades. Além disso, outro tema frequentemente
debatido é a necessidade de formação de um aluno crítico e ético que seja capaz de
viver e compreender a sociedade da qual faz parte, contribuindo com a melhoria do
meio em que vive (ELIEZER, 2020) .
Entretanto, apesar desse recorrente debate, que muitas vezes é encontrado
apenas na teoria e nos discursos a escola brasileira precisa adotar uma postura ativa
diante dessa necessidade de formação do aluno. Pois o que tem ocorrido é que a
escola atende as necessidades de parte da sociedade, ou seja, é utilizada como um
instrumento de controle de classes, impondo currículos que não atendem a demanda
da formação do aluno.
Soares (2012, p. 23) assevera que:

O advento do século XXI trouxe mudanças na sociedade, nas relações


humanas, no mercado de trabalho. A escola, entretanto, parece ser a
que menos mudou, muitos passam por ela, mas pouco intervém de
maneira positiva para o seu aprimoramento. Essas instituições
educacionais não podem ficar alheias a essas mudanças, precisam
desempenhar o seu papel social.

Isso pode ser evidenciado quando é observado as metodologias em sala de


aula que ainda na atualidade perpetuam um ensino tradicional, com a transmissão de
conteúdos realizados por meio de aulas expositivas. Nesse cenário o aluno é sujeito
passivo dentro do processo de ensino e aprendizagem, memorizando conhecimentos
13

que muitas vezes não atendem suas necessidades fora da escola ou mesmo sem
nenhuma ligação com seu cotidiano.
Nesse campo de questionamento é possível abrir um processo de reflexão em
torno do papel que a escola ocupa na sociedade e quais seus rumos em relação a
formação do aluno cidadão e ético. Nesse caminho é válido lembrar que os
professores não têm autonomia em sala de aula, pois precisam transmitir e seguir
apostilas e livros, com conteúdos determinados, deixando pouco espaço para um
debate mais próximo do aluno.
Thomaz (2017, p.27) cita que:

O espaço escolar não deve apenas preocupar-se com a formação


intelectual do educando, mas também e principalmente, com a sua
formação enquanto ser humano ético, participativo, realizado no
campo pessoal e profissional. A proposta trabalhada teve por
finalidade repensar a questão da formação para a efetivação do papel
do cidadão na sociedade, fazendo com que a escola se organizasse
como um espaço vivo, onde a cidadania fosse exercida a todo
momento.

Voltando olhares para o passado é possível observar que o ensino escolar


esteve voltado para a formação de cidadãos, com conhecimentos técnicos, para
atender a demanda da industrialização e avanços comerciais brasileiros. No entanto,
analisando a formação dos alunos é fato que uma parcela considerável terminou a
educação básica sem dominar conhecimentos críticos, com habilidades de reflexão
que não foram desenvolvidas ao longo dos anos dentro da educação escolar.
Outro instrumento que é utilizado para controlar o rendimento escolar é a
avaliação, que na maioria das escolas tem apenas um caráter classificatório e
inclusive atende uma demanda externa. Um fato comum encontrado em muitas
apostilas e livros é que os exercícios aplicados ali trazem a referência de algum
vestibular aplicado pelas universidades (ELIEZER, 2020) .
Nesse contexto o aluno precisa desenvolver conhecimentos a curto prazo,
apenas para passar em uma prova que é aplicada dentro da própria sala de aula, ou
mesmo em preparação para vestibulares e concursos. Então o debate em sala de
aula, a provocação do aluno em relação a sua aprendizagem fica negligenciados,
esquecidos frente ao expressivo número de conteúdos que precisam ser repassados
aos alunos durante o ano letivo.
14

Soares (2012, p.27) afirma que:

A escola não é a única responsável pela transformação da sociedade,


porém a luta pedagógica é uma parte das lutas políticas. A relação da
escola com a realidade social é bem dinâmica, possibilitando a luta por
melhores condições de vida, o surgimento de líderes políticos que
estejam representando as classes populares, a desmistificação dos
conteúdos das matérias, contribuindo, de tal modo, efetivamente para
a substituição de alguns modelos sociais e éticos por outros.

Como visto a formação do aluno na escola contemporânea ainda requer


aperfeiçoamento nas estratégias de ensino, não apenas no papel do professor, mas
sim na adequação das bases curriculares. É preciso que a escola invista suas ações
na formação de um aluno cidadão e ético que seja capaz de viver em sociedade,
contribuindo com a melhoria e na qualidade de vida, não apenas individualmente, mas
sim de modo coletivo.
Com as mudanças ocorridas nas últimas décadas em relação as novas
tecnologias, fica claro que a maneira de ensinar e aprender se transforma
rapidamente. Além disso, é válido lembrar que tudo na sociedade se transforma
rapidamente, assim um conhecimento ou formação pode se tornar obsoleto em
questão de meses ou anos(ELIEZER, 2020) .
Dentro desse contexto a escola na atualidade precisa preparar um aluno que
tenha autonomia dentro do processo de ensino e aprendizagem, com capacidades e
competências de aprender sozinho ou ao menos refletir sobre o momento atual. Esse
aluno precisa desenvolver estratégias de promoção de aprendizagens individuais,
com a capacidade de refletir, analisar e tomar decisões de acordo com suas próprias
características e fatores momentâneos que fazem parte da sua vida.
Soares (2012, p.38) assevera que:

As mudanças podem começar pela escola, partindo do princípio de


que todos passam (ou deveriam passar) por ela, pois as grandes
transformações não se originam apenas de grandes feitos, mas de
iniciativas do dia-a-dia, simples e persistentes. É essencial que a
escola desperte nos alunos a capacidade de compreenderem e
atuarem no mundo em que vivem, é preciso dar-lhes informações e
formação para que possam atuar como cidadãos, organizando-se e
defendendo seus interesses e da coletividade.
15

Assim a formação do aluno na escola contemporânea atravessa um dilema que


é formar um aluno para as necessidades da atualidade, mas pensando em um futuro
que ainda é algo incerto, pois frente as rápidas mudanças ninguém sabe o que vai
acontecer. Sob essa linha de pensamento é preciso que seja desenvolvida no aluno
a capacidade de aprendizagem ao longo da vida, pois diante de tantas mudanças é
preciso que o indivíduo desenvolva capacidades voltadas para a aprendizagem
continuada (ELIEZER, 2020).
No entanto, para que a escola consiga desenvolver essas estratégias de ensino
precisa assumir o compromisso de promover mudanças em suas práticas docentes e
oferecer oportunidades para os professores. O educador na atualidade precisa
assumir o guia da aprendizagem do aluno, motivando e despertando o conhecimento
do aluno por meio de metodologias ativas de aprendizagem.
Thoamaz (2017, p. 36) complementa que:

Acredita-se que só quando as atitudes cidadãs passarem a ser uma


constante no espaço escolar e principalmente, em sala de aula, por
todos aqueles que fazem parte do dia a dia do fazer escolar, é que se
terá uma geração de cidadãos participativos, envolvidos com o próprio
bem estar, assim como de seus semelhantes. Foi isso que motivou a
realização da pesquisa sobre cidadania.

A escola como espaço formador deve investir suas forças na preparação de um


aluno crítico, que seja capaz de viver em sociedade e tomar decisões de acordo com
suas próprias necessidades. Assim é preciso que ocorra um processo de reflexão em
relação aos caminhos assumidos dentro da prática docente, com objetivos definidos
na formação de alunos cidadãos e capazes de viver e contribuir com a sociedade da
qual fazem parte.

1.2 O Aluno do Século XXI

Existe uma discussão recorrente em torno do papel do professor na escola


contemporânea, entretanto, é preciso voltar olhares para o aluno que entra na escola
atual. Pois o foco do processo de ensino e aprendizagem atualmente se encontra
voltado para o aluno, precisando levar em consideração suas características e fatores
no planejamento da prática docente.
16

Dentro desse contexto, analisando o aluno da escola contemporânea é possível


observar que faz parte de uma diversidade, principalmente com a inclusão escolar que
coloca alunos diferentes em um mesmo espaço. Enquanto no passado a escola
buscava padronizar os alunos e classificá-los de acordo com os conhecimentos
adquiridos e competências, na escola atual todos fazem parte do mesmo espaço.
Além disso, atualmente os alunos têm acesso a um número maior de
informações que no passado, devido ao acesso as mídias digitais que desde os
primeiros anos de vida transmitem ao sujeito diferentes informações. Então o aluno
da escola contemporânea ingressa em sala de aula trazendo uma bagagem de
saberes.
Outra questão que merece reflexão esta voltada para o domínio e
conhecimento em relação aos aparelhos digitais, que proporciona acesso a muitas
informações. Além disso, atualmente os alunos dominam com facilidade as novas
tecnologias digitais e preferem fazer uso desses aparelhos em vez de cadernos e
caneta tradicionalmente utilizados no ambiente escolar.
Fávero (2010, p.2) assevera que:

Por essa razão, paira entre eles um ‘sentimento coletivo de


desassossego’ e um profundo estranhamento diante da mudança de
comportamento dos estudantes: frequentes manifestações de
indisciplina, violência, resistência ao estudo, cenas de namoro,
preocupações com a moda, com os celulares.

Como é possível observar existe mudanças evidentes nos alunos do passado


e da escola atual, que muitas vezes são encarradas com estranhamento dos
professores. Nesse sentido, existe inclusive tentativas de manter os alunos na mesma
postura da escola tradicional, porém isso é uma tarefa difícil, pois atualmente os
alunos manifestam interesses diferentes em sala de aula.
Segundo Lima (2019) os professores têm tentado bravamente continuar com
as mesmas metodologias de ensino do passado, organizando os alunos em sala de
aula e coibindo atos de indisciplina que tem aumentado. Porém, essa é uma situação
falha, pois como foi descrito anteriormente, os alunos da escola atual são bastante
diferentes que a décadas atrás.
Para Sá (2016) atualmente o aluno tem em mãos outras ferramentas que levam
a aprendizagem, como o celular, que por meio de acesso a internet e alguns minutos
17

de navegação é possível acessar qualquer tipo de conteúdo. No passado, essa


aprendizagem estava centrada no professor, que por meio de aulas expositivas
transmitia ao aluno conhecimentos que precisam ser memorizados.
Dentro desse contexto o conhecimento que é abordado em sala de aula pelo
professor certamente se encontra presente em diferentes sites na internet que podem
ser consultados a qualquer momento. Então, o aluno tem em mãos acesso ao
conhecimento, não precisando mais ficar à mercê apenas das apostilas ou livros
didáticos.
Fávero (2010, p.03) cita que:

Nos primórdios da constituição histórica das sociedades, a construção


das identidades culturais realizava-se por meio da convivência
comunitária entre pais e filhos, entre adultos e menores. Por meio
dessa convivência, as crianças, como sujeitos aprendizes,
incorporavam a língua, os costumes, a religião, as normas da
comunidade, suas técnicas de sobrevivência e, no contato direto com
os membros mais velhos do grupo social, aprendiam também os
papéis masculinos e femininos, as lendas, os mitos e as crenças.

No entanto, atualmente o indivíduo é exposto desde os primeiros anos de vida


a um sistema de informação na sociedade globalizada contemporânea com acesso e
um elevado número de informações. Assim, crianças e jovens de diferentes classes
sociais fazem parte de uma mesma rede social, tendo acesso aos mesmos conteúdos
e mantendo uma comunicação, fato que anteriormente não era possível.
Para Lima (2019) atualmente as crianças e adolescentes manifestam suas
personalidades em redes sociais, aprendem e ensinam sobre diversos conteúdo.
Tudo isso antes mesmo de entrar na escola, portanto entram em sala de aula
carregando uma bagagem maior de conhecimentos, que certamente influenciam em
no processo de ensino e aprendizagem em sala de aula.
Fávero (2010, p.6) complementa que:

O cotidiano, como categoria historiográfica, vai além do senso comum,


porque possibilita captar o que escapa aos sujeitos individuais da
história, ao enfocar tanto os pensamentos e gestos coletivos como as
singularidades e diversidades dos atores humanos. Nessa
perspectiva, a construção da identidade não é concebida como
resultante de forças extra-históricas, mas de um processo cumulativo
de experiências, saberes e práticas interligadas por meio da relação
18

espaço-temporal e pela dimensão relacional que os mais diversos


sujeitos estabelecem entre si em seu dia-a-dia.

Sob essa ótica o professor precisa que é o aluno da escola contemporânea,


para que consiga pensar em estratégias e metodologias de ensino que atendam a
demanda de aprendizagem. Nesse caminho, o papel do professor não fica restrito
apenas em ensinar, mas vai além disso, é preciso desenvolver uma espécie de guia
de aprendizagem do aluno, conduzindo o aluno rumo a sua formação para a vida em
sociedade.
Sá (2016) lembra que apesar que o aluno tem acesso a um número elevado de
informações, nem tudo é conhecimento, existem conteúdos que fazem parte de uma
cultura inútil. Esses conteúdos precisam ser manipulados com cuidado, pois
facilmente o aluno perde tempo com algo que não lhe traz nenhuma aprendizagem,
além de roubar seu tempo.
Fávero (2010, p.7) complementa que “nessa perspectiva histórica, as diferentes
concepções de aluno herdadas da tradição iluminista já não são mais suficientes para
problematizar a historicidade contemporânea do sujeito da educação que está em sala
de aula”. Então é preciso refletir sobre o aluno da escola contemporânea, para que
seja possível estabelecer estratégias de ensino que desenvolvam a sua
aprendizagem.
Outro ponto que merece destaque em relação ao aluno do Século XXI é que
ele pode trazer limitadores momentâneos de aprendizagem, como é o caso de
deficiências. Com a inclusão escolar o professor entra em contato com uma
diversidade de alunos em sala de aula, precisando pensar em estratégias de ensino
que desenvolva em todos habilidades e competências. (LIMA, 2019).
Portanto, os alunos da escola contemporânea são diferentes que a uma ou
duas décadas atrás, exigindo que o professor pense em metodologias de ensino
adequadas a todos os educandos. Então o processo de ensino e aprendizagem não
pode ser estabelecidos em metodologias de ensino prontas e acabadas, existe a
necessidade de pesquisar e investigar os fatores e aspectos ligados a cada aluno,
para adequar as práticas de ensino as necessidades dos alunos.
19

1.3 Os desafios na prática docente na escola atual

O tópico anterior apresentou uma breve reflexão sobre as mudanças


provocadas pelas novas tecnologias na sociedade atual, há qual interfere em todos
os setores sociais. Dentro desse contexto, a escola tem sido pressionada para adotar
as novas tecnologias e promover avanços dentro das práticas de ensino integrando
os aparelhos digitais em sala de aula.
No entanto, as novas tecnologias têm avançado rapidamente, com a criação
de novos aparelhos, aplicativos e programas de computadores que permitem a troca
de mensagens, buscas e pesquisas na internet, realização de tarefas que no passado
não seriam possíveis sem a presença das novas tecnologias. Nesse contexto, a
prática docente se encontra inserida em um espaço diferente que a décadas atrás,
necessitando uma reflexão sobre as metodologias de ensino utilizadas em sala de
aula.
Segundo Souza (2020) a utilização das novas tecnologias é um dos maiores
desafios da escola contemporânea, pois os professores tiveram sua formação em uma
época em que as tecnologias de comunicação ainda não dominavam tantos setores
da sociedade. Com os avanços tecnológicos no mundo digital esses professores
enfrentam dilemas na utilização desses recursos em sala de aula, pois em sua maioria
detém menor conhecimento sobre eles que os próprios alunos.
Nessa linha de pensamento, Ribeiro (2018, p.23) assevera que:

A escola, como local de ensino e aprendizagem formal por excelência,


precisa perceber seu papel frente a uma sociedade digital, em que
predominam os conceitos de velocidade, dinamismo, interatividade e
multilineariedade. Ou seja, a instituição escolar que atua como
produtora da cultura deve estar atenta e aberta às constantes
mudanças da sociedade, possibilitando aos cidadãos uma educação
atualizada.

Nesse sentido a atuação do professor em sala de aula deve levar em


consideração uma série de fatores, que se encontram ligados a aprendizagem dos
alunos. Assim, a prática docente na atualidade tem o seu papel voltado para a
formação de um aluno que seja capaz de viver e obter sucesso na sociedade
contemporânea.
20

Outro ponto importante dentro dessa discussão em torno do papel do professor


na escola contemporânea é que a sociedade atual é marcada pelo conhecimento, que
cada vez mais segue sua valorização. “Quando pensamos em educação é consenso
interpretá-la como fonte para uma formação que permite trânsito na sociedade do
conhecimento.” (DAVID, 2015, p.19).
O professor na escola contemporânea atua em uma sala de aula marcada pela
diversidade, não existe mais a padronização dos alunos buscada no passado, onde
existiam parâmetros fixos para a aprendizagem. Na atualidade, uma mesma sala de
aula é frequentada por alunos pertencentes a diferentes grupos sociais, com
deficiências ou não, conhecedores de tecnologias digitais e até mesmo aqueles que
não tiveram acesso a elas. (SOUZA, 2020).
Na escola contemporânea o professor atua diante de diferentes alunos,
assumindo o compromisso de desenvolver estratégias de ensino que permitam
desenvolver a formação desses educandos. “Cabe à instituição escolar reconhecer-
se como responsável na construção de cidadãos que atuem de maneira ativa e não
mais passiva na sociedade, fazendo com que saiam da perspectiva de apenas
consumidores de informações e saberes.” (RIBEIRO, 2018, p.24).
David (2015, p.28) assevera que:

No método pedagógico que se estabelece sobre a territorialidade da


cidade, todos podem se fortalecer, ganhar espaço para exercer sua
influência, ensinando e aprendendo. Trabalhos de construção
participativa e democrática que têm como objeto o território da cidade
demonstram claramente esse princípio.

Sob essa ótica de pensamento o professor na escola atual precisa inicialmente


promover um processo de reflexão em torno das suas reais possibilidades de atuação
em sala de aula. Mas, além disso, é preciso realizar um processo reflexivo em torno
das características e fatores que estão ligados ao aluno, pois diante dessa ação é
possível traçar caminhos em relação as metodologias de ensino utilizadas para
promover o desenvolvimento de habilidades e competências no aluno.
Souza (2020) complementa que as novas tecnologias digitais são um desafio
para o professor dentro e fora da sala de aula, pois ele precisa utilizar computadores
e acessar plataformas digitais, para lançamento de informações relacionadas ao
planejamento e resultados escolares. Muitos professores enfrentam problemas com
21

esse tipo de tecnologia, pois no passado estavam adaptados a um outro tipo de


documentação de dados escolares, no qual não era preciso manipular computadores
e programas informatizados.
O professor contemporâneo atua em um espaço complexo, dentro e fora de
sala de aula, precisando buscar novas aprendizagens para conseguir atender a
demanda da escola atual. Assim, muitos professores têm reclamado da carga de
trabalho, no planejamento de aulas, preenchimento de fichários, documentação de
dados que vão além da sala de aula.
Ribeiro (2018, p.23) cita que:

Ao se falar de escola, de aprendizagem, de sujeitos aprendizes e de


profissionais é quase que automática e direta a ligação com um dos
principais agentes dessa instituição e responsável pela mediação
entre o conhecimento e o aluno: o professor. As transformações da
sociedade exigem, cada vez mais, que esse profissional esteja
também em constante (trans)formação, a fim de atuar de forma
significativa no processo de ensino-aprendizagem.

Como citado pelo autor o professor necessita buscar constantemente


transformações em sua prática docente, para isso existe uma necessidade de
desenvolver um olhar atento as mudanças sociais. Nesse sentido, as novas
tecnologias são uma realidade, que a cada dia evoluem, pressionando o professor
para que integre em novas metodologias.
Segundo Souza (2020) a prática docente na escola atual exige
aperfeiçoamento do professor, mas isso não recai apenas nas suas costas, é preciso
envolvimento de todas as esferas ligadas ao âmbito escolar. Apenar pressionar o
educador para a aquisição de novas metodologias é esquecer da gestão escolar e
das políticas públicas educacionais.
Nessa direção, é preciso que os professores recebam acompanhamento, seja
ofertado oportunidades para que consiga ampliar seus conhecimentos em relação a
utilização das novas tecnologias em sala de aula. “Mais do que saber utilizar os
recursos tecnológicos, os professores necessitam conhecer, interpretar e refletir
criticamente sobre as tecnologias.” (RIBEIRO, 2018, p.26).
David (2015) lembra que a utilização das novas tecnologias em sala de aula
não é apenas trazer celulares e computadores para dentro do processo educativo, é
preciso buscar uma intencionalidade educativas em suas práticas docentes. Mas, é
22

válido lembra que somente é possível alcançar essa intencionalidade educativa com
avanços em relação a formação inicial e continuava dos professores, preparando os
docentes para atuação nessa nova escola tecnológica.
Ribeiro (2018, p.27) assevera que:

A formação continuada contribui para complementar a formação inicial


e permitir uma constante reformulação da prática docente, a partir das
necessidades de uma sociedade digital e informatizada, que traz como
característica a interatividade, principalmente, em espaços virtuais.
Essa é uma característica que merece atenção, já que muito se
aproxima das formas de relação social do ser humano.

Então fica claro que o professor precisa buscar novas aprendizagens, para que
seja possível atender a demanda da escola atual, mas que além disso, consiga manter
um nível de atualização. Pois as mudanças que são apontadas atualmente, em
questão de anos podem se tornarem obsoletas, nesse contexto existe a necessidade
de uma atualização constante, por meio de uma prática docente baseado em um
processo reflexivo (SOUZA, 2020).
Portanto, a atuação do professor na escola contemporânea ocorre baseado nas
necessidades dos alunos, de acordo com suas características e fatores ligados ao
educando. Mas para que o professor consiga atender essa demanda preciso
compreender as mudanças da sociedade, nesse sentido, as novas tecnologias se
mostram como um desafio que precisa ser vencido pelos educadores no ambiente
escolar.
23

CAPÍTULO II: SEXUALIDADE NA ESCOLA

2.1 Sexo E Sexualidade

Por muito tempo, e ainda hoje, nossa sociedade considera um tabu falar sobre
sexo e sexualidade com crianças e adolescentes. Muitas pessoas acreditam que falar
sobre isso irá levá-los ao caminho do ato em si, entendem que seu exercício é sujo e
pecaminoso, culminando, nesse sentido, em uma deseducação sexual, onde crianças
e adolescentes acabam aprendendo coisas erradas, justamente por falta da educação
sexual nas escolas, famílias e sociedade (GONÇALVES; DIONÍZIO; RESENDE, 2010,
p. 6).
E para falar desse assunto, é necessário a princípio, entender a diferença entre
sexo e sexualidade. Figueiró (2009, p. 12) descreve que o primeiro está relacionado
diretamente ao ato sexual e à satisfação da necessidade biológica de obter prazer,
necessidade essa que todo ser humano traz consigo desde que nasce. Mas também
pode-se referir à definição dos órgãos genitais, segundo uma série de fatores
fisiológicos como a genitália, os hormônios e os cromossomos que todo ser humano
carrega, podendo este ser definido como sendo, masculino e feminino.
Já a sexualidade, por sua vez, está diretamente relacionada a tudo aquilo que
o ser humano é capaz de sentir e expressar, incluindo o sexo, a afetividade, o carinho,
o prazer, o amor ou o sentimento mútuo do bem querer, os gestos, a comunicação, o
toque e a intimidade (FIGUEIRÓ, 2009, p 12).
A expressão sexualidade passou a existir a partir do século XIX como marco
de individualidade, permitindo acesso à vida do corpo e à vida da espécie. Em uma
nova concepção, a sexualidade passa a ser considerada um aspecto intrínseco ao ser
humano, o que há de mais íntimo nos indivíduos e àquilo que os reúne globalmente
como espécie humana (ALTMANN, 2001, p 8).
A sexualidade é um aspecto comum a todas as pessoas, também está presente
desde que o ser humano nasce e vai se construindo e se desenvolvendo ao decorrer
de toda a vida. Para Chauí (1991, p.15), “a sexualidade é polimorfa, polivalente,
ultrapassa a necessidade fisiológica e tem a ver com a simbolização do desejo. Não
se reduz aos órgãos genitais”. Portanto, o sexo é uma expressão biológica que define
um conjunto de características anatômicas e funcionais (genitais e extragenitais),
24

enquanto a sexualidade é entendida de forma bem mais ampla, algo desenvolvido


pelo ser humano que permeia todas as fases de sua existência, ela é a própria vida.
Durante a adolescência, a sexualidade se torna mais evidente, pois nessa fase
tudo acontece de forma muito intensa, incluindo a sexualidade, decorrente da
mudança no corpo físico, hormonal e nas relações sociais, é onde o sujeito manifesta
suas características sexuais, através do desenvolvimento de sua maturação, iniciando
a preparação para vida sexual, uma fase típica do desenvolvimento humano, sendo
de suma importância ser tratado nas escolas.
Em relação à puberdade, as mudanças físicas incluem alterações hormonais
que, muitas vezes, provocam estados de excitação difíceis de controlar, intensifica-se
a atividade masturbatória e instala-se a genitalidade.

É a fase de novas descobertas e novas experimentações, podendo


ocorrer as explorações da atração e das fantasias sexuais com
pessoas do mesmo sexo e do outro sexo. A experimentação dos
vínculos tem relação com a rapidez e a intensidade da formação e da
separação de pares amorosos entre os adolescentes (BRASIL, 1997,
p. 296).

Pois conforme mencionado, é na fase da adolescência que estes começam a


descobrir mais seu corpo, onde a sexualidade fica mais aflorada, estando presente
em seus movimentos e gestos, modo de se vestir, seus gostos musicais, em todo o
universo que o cerca nesta etapa de vida, onde também se tem início a vivencia
amorosa. Daí a importância da inclusão dessa temática na escola, e em seu projeto
pedagógico, e neste contexto, a escola deve buscar a melhor forma de abordagem,
de forma que seja descontraída, estabelecendo uma linguagem mais direcionada a
estes alunos, de modo que a sexualidade seja trabalhada num contexto de
aprendizagem e informações.

2.2 O Que É Educação Sexual E Para Que Serve

A educação sexual é um processo frequente, ela pode ocorrer de modo não


intencional, nas mensagens cotidianas de cada sociedade e cada cultura, estando
presente nos discursos familiares, religiosos, midiáticos (músicas, programas de
televisão), nos comentários diversos e em diversos espaços.
25

Outro modo de educação sexual é a intencional, quando, de modo planejado e


organizado, pretende-se informar sobre sexualidade. Essa educação sexual seria um
processo sistematizado e formal, e desde 1996 é previsto como um tema transversal
proposto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), publicado no volume 10 dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN’S), que recomenda ao professor que assuma a tarefa da
educação sexual no contexto da escola, contudo, Altmann (2001,
p. 10) esclarece que a educação sexual não surge na escola a partir dos PCNs.
Todavia, este tema é inserido na escola dentro de um contexto histórico e demandas
atuais, sendo reinscrito como orientação sexual na escola, este que por sua vez
trabalha a temática da sexualidade de maneira mais aberta e flexível.
A educação sexual é todo espaço em que a criança ou adolescente tem a
oportunidade de aprender a respeito do próprio corpo, da sexualidade, esclarecer
dúvidas sobre preservativos, doenças sexualmente transmissíveis, organismo
masculino e feminino, anticoncepcionais, gravidez e principalmente sobre a questão
relacionadas ao íntimo de seu corpo. E nessa hora pode ser abordado também
questões relacionadas a abuso ou violência sexual e para que o indivíduo fique atento
a estas situações (FURLANI, 2017, p 11).
Há quem diga que Educação Sexual é desnecessária e pode corromper a
inocência da criança. Mas, contrário a tudo isso, os números crescentes de abuso de
vulnerável mostram a necessidade de informar crianças, jovens e adolescentes, sem
tabus e preconceitos, sobre sexo para combater a violência sexual. Considerando que
a educação sexual é uma questão de saúde pública e ensino básico, que anda em
debates controversos no Brasil.
Abordar a educação sexual na escola para Figueiró (2009, p. 44) ainda é um
processo difícil e que ocupa:

Posição marginal na qual esteve e ainda está colocada a educação


sexual, e tem sido caracterizada por diversas formas: 1) Não é
considerada uma questão prioritária na educação escolar; 2) Não é
colocada em prática na maioria das escolas brasileiras; 3) É praticada
em um número restrito de escolas, por iniciativa de alguns professores
isoladamente; 4) É praticada em algumas escolas de rede pública, por
iniciativa, principalmente, de órgãos oficiais da educação ou da saúde,
as quais, depois de um pequeno número de anos, interrompem o
apoio efetivo; 5) É criticada por uma parcela pequena, porém
efetivamente significativa de professores e elementos da comunidade
como um trabalho não da escola, mas da família.
26

Neste contexto, a escola é um ambiente social, rodeado por questões


polêmicas e atuais, e seu principal propósito deve ser o de orientar e esclarecer as
dúvidas, de maneira natural e imparcial. Não é função da escola ditar regras e tão
pouco interferir na atitude de seus alunos. No cotidiano da sala de aula surgem
frequentemente questões relacionadas sobre sexualidade, nesse sentido, cabe à
escola ofertar um espaço em que possam ser esclarecidas suas dúvidas e
desmistificar os tabus que envolvem o tema da sexualidade. A escola deve informar e
discutir os diferentes tabus e preconceitos, desconstruindo as crenças e atitudes
existentes na sociedade, buscando levar o aprimoramento das concepções de
sexualidade.
De acordo com Rangé (2001, p. 12), a falta de informação sexual, as distorções
dos ensinamentos (seja por preceitos religiosos ou sociais) ou a estimulação
excessiva, podem determinar os mais variados distúrbios na atividade sexual. Assim,
a ausência do diálogo sobre o assunto desencadeia em uma situação de risco para o
indivíduo, como uma gravidez indesejada, contágio por doenças sexualmente
transmissíveis, traumas emocionais e psicológicos que são resultado de experiências
sexuais frustrantes.

Caberá à escola trabalhar o respeito às diferenças a partir da sua


própria atitude de respeitar as diferenças expressas pelas famílias. A
única exceção refere-se às situações em que haja violação dos
direitos das crianças e dos jovens. Nesses casos específicos, cabe à
escola posicionar-se a fim de garantir a integridade básica de seus
alunos — por exemplo, as situações de violência sexual contra
crianças por parte de familiares devem ser comunicadas ao Conselho
Tutelar (que poderá manter o anonimato do denunciante) ou
autoridade correspondente (BRASIL,1998, p. 305).

A sala de aula é um ambiente de criação em que o professor e os alunos devem


ter total liberdade para criar, discutir, criticar e acrescentar. Ela deve romper com a
hipocrisia conservadora de que adolescente não sabe nada sobre sexo, e falar do
assunto pode tirar a “pureza” do mesmo.
A sexualidade existe nas escolas e é falada constantemente pelos alunos nas
aulas, no pátio, na rua ou em qualquer lugar, é um assunto comum. Os adolescentes
27

encontrarão respostas para suas dúvidas irrevogavelmente, então que seja do modo
correto, na escola, e com informações corretas.
E para que a Educação Sexual ocorra de modo adequado nas escolas, é
preciso uma reeducação dos profissionais da educação que estão em contato direto
com os alunos, onde se faz necessário que invista na formação dos docentes para
que os mesmos possam lidar de maneira coerente com as dúvidas e problemas que
surgem durante o processo de ensino-aprendizagem (FURLANI, 2017, p. 12).
Essa temática tem grande importância no desenvolvimento e na vida psíquica
da pessoa, e reprimir as expressões da sexualidade significa dificultar o
desenvolvimento da criança e adolescente. Pois,

quando bem orientado/a, o indivíduo estabelece relações positivas e


desenvolve uma aquisição crítica de ideias, construindo uma
sociedade mais reflexiva, informada e consciente de suas ações.
Ressaltando também a importância da existência e efetivação das
políticas educacionais, elas regulam e orientam os sistemas de ensino,
sendo fundamentais para a garantia de um ensino de qualidade
(SANTOS, 2016, p. 37).

Portanto, cabe ao professor apropriar-se de informações corretas e


esclarecidas, propiciando didáticas que ocasionem em um bom trabalho da educação
sexual, desmistificando tabus e crenças, formando indivíduos críticos, reflexivos e
capazes de tomar decisões seguras e conscientes, respeitando não somente sua
sexualidade, mas também a do outro reconhecendo, as diferenças, o respeito, e
direitos de todos.

2.3 O Papel Da Família

Segundo o Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS) a


Educação Sexual inclui todo o processo informal pelo qual aprendemos sobre a
sexualidade ao longo da vida, seja através da família, da religião, da comunidade, dos
livros ou da mídia. Acredita-se que a família é a base principal da criança, sendo a
primeira a estabelecer contanto de interação do indivíduo com o meio social, mas
muito mais que um espaço de convivência, é o local em que o indivíduo constrói suas
opiniões, seu comportamento, seu caráter e sua personalidade, é por essas razões
que a família exerce papel fundamental na educação sexual. Pode-se dizer que a
28

família é responsável pelo processo de socialização primária e, com isso, tem


influência nas questões sexuais desenvolvidas e apreendidas ao longo do tempo
(PINHEIRO; SILVA; TOURINHO, 2017, p. 7).
Ainda segundo os mesmos autores, não há dúvida de que os primeiros
educadores sexuais são os próprios pais, pois a eles compete a maior
responsabilidade na formação de seus filhos. Os pais são os modelos que contribuem
para a construção da identidade sexual dos filhos e estão conscientes da importância
da educação sexual para o desenvolvimento global dos adolescentes.
No entanto, mesmo diante da importância concedida à família para a orientação
sexual de adolescentes, estudos mostram que este tema ainda gera constrangimentos
e aflições para pais e filhos (PINHEIRO; SILVA; TOURINHO, 2017, p. 8).
Provavelmente a maior dificuldade dos pais em conversar sobre sexualidade está
ligada ao fato de que a sociedade relaciona a Educação Sexual como algo obsceno,
sujo e proibido. Quando a conversa é sobre sexo e sexualidade, as pessoas remetem
valores e crenças transformados em tabus e preconceitos (MOIZÉS; BUENO, 2010,
p. 13).
As razões são diversas, muitos adultos de hoje não vivenciariam o diálogo em
suas famílias o que pode influenciar em suas ações e as dificuldades com seus filhos
(PINHEIRO; SILVA; TOURINHO, 2017, p. 4). A vergonha de abordar o assunto e a
maneira como os pais foram educados sexualmente também são os maiores entraves
para que haja um discurso franco entre a família.
O receio dos pais em falar sobre a sexualidade também se baseia na crença
de que a conversa sobre sexualidade pode induzir o adolescente a iniciar
precocemente a atividade sexual, e por isso os responsáveis evitam tocar no assunto.
Alguns pais entendem que se falarem com os filhos sobre sexualidade, estimularão o
início da sua atividade sexual mais cedo que o esperado (PINHEIRO; SILVA;
TOURINHO, 2017, p. 5).
Em virtude disso, o que acontece é que na maioria das vezes, as famílias
preferem transferir essa responsabilidade para a escola, ao invés de se informar a
respeito do tema, para que assim venham manter um diálogo saudável com seus filhos
(NOTHAFT et al., 2014, p. 8). Sabe-se que as duas instituições têm ações
complementares na educação e que a escola também enfrenta dificuldades em
cumprir seu papel na orientação sexual de seus alunos.
29

É extremamente importante que os assuntos relacionados à sexualidade sejam


tratados no âmbito escolar, mas para que se obtenha um efetivo sucesso, se faz
necessário a existência de uma parceria escola/família, não devendo incumbir e limitar
o assunto somente para a escola (ALMEIDA et al, 2005, apud GOMES, 2008, p.18).
Macedo; Souza (1996, p. 34) dissertam que a comunicação entre pais e filhos
sobre o início da vida sexual e sobre sexualidade auxilia na redução do
comportamento de risco e aumenta os índices de uso dos métodos preventivos
durante as atividades sexuais.
Diante disso, se percebe que a família ainda precisa ser assistida para que
possa orientar e educar sexualmente seus filhos de maneira clara, descontruindo
estereótipos e derrubando tabus. A parceria escola/família também precisa ser
estabelecida e mantida harmoniosamente uma vez que ambas desempenham ação
fundamental na educação e orientação do aluno. Esse alicerce é essencial para que
os alunos sejam capazes de eleger seus valores com autonomia própria, tomar
posições e decisões de maneira ordenada, consciente e responsável.
30

CAPÍTULO III: EDUCAÇÃO SEXUAL

3.1 A Gravidez/O Aborto

Mesmo com todos os avanços de tecnologia que se obteve ao longo destes


últimos anos, a gravidez precoce ainda é um problema que o Brasil enfrenta, e quanto
maior for a desigualdade social, mais comum será a gravidez na adolescência. De
acordo com dados do IBGE, as maiores taxas de gravidez na adolescência estão entre
jovens de 10 a 19 anos mais pobres e com menores escolaridade, traduzindo ainda
mais essa realidade em números, meninas com menores condições socioeconômicas
têm cinco vezes mais chances de engravidar do que adolescentes mais privilegiadas
financeiramente, pois é esperado que as jovens com condições melhores tenham
mais compreensão sobre o assunto, bem como também maior apoio social e da
família para prosseguir nos estudos (SOUSA, 2018, p. 9).
Pensando nessa temática, foi possível encontrar através do site da BBC Brasil,
um relato de uma jovem que engravidou com apenas 13 anos, Maria que foi o nome
dado para preservar seu nome verdadeiro e para não a expor, a jovem diz ter
demorado quatro meses para descobrir que estava grávida, fruto da sua primeira
relação com um homem de 21 anos, Maria não sabia como ocorre uma gestação-
jamais tinha recebido nenhum tipo de orientação em casa ou na escola. Através da
entrevista pela BBC: Sente saudade de ser criança? "Sinto. Eu jogava bola na rua,
bola de gude". E agora? "Não…. Fico em casa e vou à igreja", diz, enquanto revê na
televisão o filme Esqueceram de Mim 3 (SCHREIBER, 2017, p.3).
Assim como relato de Maria, existem outras com histórias parecidas por todo o
Brasil, com isso pode se observar que nas áreas mais carentes os casos são mais
comuns, e com isso irá subir também a taxa de abortos feito por jovens de maneira
ilegal. Nesse sentido, um estudo feito pelo programa de Pós graduação em ciências
da Saúde da universidade federal do Rio Grande do Norte onde o objetivo do estudo
foi identificar os motivos que levam os adolescentes a escolher o aborto, trabalhou-
31

se com jovens do sexo feminino, dos 12 aos 19 anos de idade (CORREIA, 2009, p.
10).
A amostra representativa foi calculada considerando-se o número de
internações por curetagens na cidade de Maceió em 2004. A amostra foi de 2592
jovens com idade média e mediana de 15 anos, desvio padrão de 1,7. Das jovens
95,7% eram solteiras, não trabalhava (94,1%), residia com ambos os pais 66,2%e
conhecia algum método contraceptivo 95,5% (CORREIA, 2009, p. 12).
Do total das adolescentes estudadas, 52,4% estudava o nível educacional
médio. Delas 21,6% tinham vida sexual ativa, 6,4% engravidaram e 5,7 % abortaram.
A maioria 95,5% afirmou conhecer algum método contraceptivo, destas 70,1% tinha
mais de 15 anos e os métodos mais citados foram os de barreira/hormonal com 72,4%,
a maioria recebeu apoio para abortar sendo 63,8%, amigas foram que mais apoiaram
32,9%, o motivo mais comentado foi o medo da reação dos pais 57,7% este motivo
apontado como único ou associados a outros. Através desta pesquisa eles concluíram
que deve se ser sugerido uma atenção maior nas ações educativas como prevenção
a risco na saúde reprodutiva dos jovens (CORREIA, 2009, p. 12).
O retrocesso na educação sexual ouvidos pela BBC Brasil, especialistas das
áreas de saúde, direito e educação apontam para diversos fatores que podem explicar
a persistência desse quadro, com ênfase para a falta de orientação sexual nas escolas
e em casa. Segundo a Unesco, o ensino sobre sexualidades e prevenção a gravidez
sofreu um grande retrocesso desde 2011, quando a polemica sobre o material
educativo Escola sem Homofobia (que ficou tachado de "kit gay") que acabou levando
ao fim do suporte didático para educação sexual onde era distribuído desde 2013 para
as crianças a partir dos 12 anos, no âmbito do Programa Saúde na Escola (SILVA,
2021, p. 10).
Como se percebe, não é somente na escola que estas informações a respeito
de sexualidade, sexo, gravidez na adolescência, entre outros assuntos voltados a este
tema devem ser repassadas, mas também a família. E além disso, é preciso que
sejam criadas políticas públicas voltadas a essa problemática, pois quando uma
adolescente fica grávida, isso não passa a ser um problema só desta ou da família,
mas também um problema que envolve o Estado, a saúde como um todo, e não pode
se pensar que é uma ou outra gravidez, ou até mesmo na questão de aborto, mas são
muitas, repercutindo num grande problema para a saúde publica de modo
32

geral. E neste contexto, quanto mais informação, melhor, para que fatos como este
não continuem ocorrendo com tanta frequência.

3.2 A Importância Dos Métodos Contraceptivos

Como sabemos, a escola desempenha um papel importante no processo de


conscientização, orientação e instrumentalização corporal dos jovens e na formação
de disciplinas. Devido ao patrimônio cultural, as instituições escolares têm contribuído
para gerar e hierarquizar as diferenças classificando as disciplinas por classe, raça e
gênero, deixando de lado as diferenças que não obedecem às normas soberanas,
excluindo a proposta de inclusão da diversidade de gênero.
Segundo Petenucci (2008, p. 5) o docente como aquele que transfere
conhecimento, precisa trabalhar o respeito e a diversidade na escola estabelecendo
ações que poderão diminuir os conceitos de gênero.
No âmbito da política educacional brasileira, é cada vez mais urgente e
necessária a realização de atividades voltadas para os direitos sexuais, sexuais e
reprodutivos do público adolescente, saúde sexual e saúde reprodutiva. A partir dessa
reflexão, passamos a abordar a questão da importância dos métodos
anticoncepcionais no ambiente escolar.
A contracepção na adolescência reveste-se de grande importância por ser a
fase da vida em que há dúvidas e temores acerca da própria feminilidade. Nessa fase
da vida há incertezas sobre infertilidade, atividade sexual e ciclo menstrual. Há o
desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários femininos, sendo a jovem vista
pela sociedade não maios como menina, mas como mulher, com modificações do
comportamento sexual. (GIORDANO; GIORDANO, 2009, p. 44).
Alguns pais não conseguem falar sobre sexualidade nem acerca da prática
sexual segura com os jovens em razão de vários fatores, dentre eles: falta de
instrução, vergonha, falta de liberdade com os filhos em virtude da cultura na qual eles
vivem, pois veem o sexo como tabu (HOLANDA, et al., 2006, p. 9).
33

Nesse contexto, a escola desempenha um papel importante na orientação da


vida saudável dos jovens. É também considerado um local de compromisso social,
onde o diálogo aberto pode permear discussões sobre diversos temas, como o sexo,
pois muitos jovens desconhecem o seu corpo e os riscos inerentes às relações
sexuais desprotegidas. Para piorar a situação, muitas pessoas começam a fazer sexo
sem essa informação, o que terá um impacto nos problemas de saúde pública.
Métodos contraceptivos são maneiras, medicamentos, objetos e cirurgias
usadas pelas pessoas para evitar a gravidez. Existem métodos femininos e
masculinos. Existem métodos considerados reversíveis (volta a ter a capacidade de
engravidar quando a pessoa usar) e os métodos considerados irreversíveis (se
utilizado é muito difícil recuperar a capacidade de engravida). Não existe um método
melhor que o outro, cada um tem vantagens e desvantagens. Assim como também
não existe um método 100% eficaz, todos têm uma probabilidade de falha. Dessa
forma, um método pode ser adequado para uma pessoa e não ser para outra, por isso
a pessoa deve procurar escolher o método mais adequado para si, sendo importante
estar bem-informado para uma melhor escolha, procurando um serviço de saúde para
esclarecimentos e informações sobre métodos contraceptivos disponíveis (BRASIL,
2009, p 25).
Durante a adolescência, período marcado pela apresentação de características
comportamentais peculiares, as quais se relacionam com o desenvolvimento da
autonomia, vivência da sexualidade plena, experimentação e troca de parceiros, além
da crença no mito da invulnerabilidade, não raro, esses indivíduos adotam
comportamentos sexuais de risco.

3.3 Infecções Sexualmente Transmissíveis (Ist)

As IST, são infecções causadas por agentes ou micróbios – biológicos que


atingem principalmente as regiões sexuais, sendo estas distintas uma das outras, mas
esta são agrupadas quando se relacionam por características clínicas e
epidemiológicas. Quando se encara a sexualidade, se passa também por inúmeras
influências, onde há a modificação de pensamentos e formação de opiniões. O que
se verifica atualmente, é um aumento no número de adolescentes com início da vida
34

sexual precoce, o que favorece o surgimento de IST’s, que vem se mostrando como
um agravo para a saúde pública (OLIVEIRA et al., 2018, p. 12).
No Brasil, grande parte das IST’s abrangem a população de adolescentes,
principalmente a sífilis primária e secundária e o Papilomavírus Humano (HPV).
(SALUM; MONTEIRO, 2015, p. 7). A principal forma de evitar as IST’s é o uso de
preservativo que consiste em um método contraceptivo de barreira, que ao evitar uma
eventual gestação indesejada, oferece também proteção contra IST’s. O não uso de
preservativo no ato sexual por adolescentes e jovens adultos atinge níveis
preocupantes. Cerca de 67% dos jovens não utilizam camisinha frequentemente, o
que aumenta as chances de infecção por microrganismos transmitidos sexualmente
(MOTA et al., 2019, p. 15).
As ações voltadas para promoção de práticas sexuais seguras para
adolescentes são orientadas pelo Ministério da Saúde, onde o carro chefe são as
ações educativas, principalmente na atenção básica, onde existe um maior vínculo
com a população, embora o elo com o adolescente ainda seja um desafio (ZAPPE;
DELL’AGLIO, 2016, p. 9). Entretanto existe a necessidade de maiores esforços
voltados para ações educativas, envolvendo a intersetorialidade e formação de rede
de apoio que envolva também a responsabilização dos responsáveis nessa
transmissão de saberes.

3.4 Prevenção Ao Abuso E Exploração

Nesse capítulo será abordado sobre a importância da Educação Sexual como


prevenção ao abuso e a exploração sexual. No Brasil, dia após dia, se tem notícias
na mídia, de mulheres, crianças e adolescentes sofrendo abuso, assédio e/ou
exploração sexual. Esse fato acontece desde os primórdios, e só vem crescendo os
números de casos com o passar do tempo.
Jovens relatam ter passado anos de suas vidas sendo abusadas e exploradas,
muitas vezes por parentes ou pessoas do seu convívio familiar, até mesmo dentro de
suas próprias casas. Entretanto, muitos deles só percebem que passaram por abusos
já na adolescência ou na fase adulta, pois não receberam no decorrer do seu
desenvolvimento, as informações necessárias para evitar esse tipo de situação ou
comportamento (COSTA, 2013, p. 9).
35

Num mapeamento feito em 2019, pelo Ministério da Mulher, da Família e dos


Direitos Humanos (MMFDH) apontou que pelos menos 40% dos crimes de violência
sexual infantil no país foram cometidos por pais ou padrastos. Desses números, 14%
são dessa natureza, e foram cometidos pelas mães das vítimas, 9% pelos tios, 7%
por vizinhos e os outros 30% dos casos são de responsabilidade de "outros". Pelo
menos 73% dos crimes de violência sexual infantil aconteceram na casa da própria
vítima, e as autoridades estimam que apenas 10% dos crimes são denunciados
(BARONE, 2020, p. 12). Ou seja, muito dessa violência é praticada por pessoas bem
próximas à vítima.
O abuso e a exploração sexual realmente traumatizam as pessoas, podendo
gerar diversos problemas psicológicos, como transtorno de ansiedade, depressão,
ataques de pânico, transtorno de personalidade Borderline, entre outros transtornos.
Essas complicações podem interferir tanto na vida pessoal como profissional, desses
indivíduos, gerando dificuldade de conviver com as pessoas e até mesmo de manter
relacionamentos afetivos (LIMA, 2016, p. 22).
Em confirmação a este panorama, em 2017, foi feita uma reportagem no jornal
NH do Rio Grande do Sul, com relatos de pessoas que sofreram abuso/exploração
sexual na infância/adolescência. A reportagem com o título Vidas
Marcadas pelo Abuso, foi conduzida por Carolina Zeni, onde será apresentado
um trecho dos relatos contado por ela.

Isabel lembra muito bem do quanto ele forçava uma situação para
poder ficar sozinho com ela. Seus irmãos iam brincar na rua e,
intimidada, era obrigada a ter relações sexuais com o homem. “Ele se
sentia dono do meu corpo. Me tocava, tirava a minha roupa e eu ficava
que nem uma estátua, não tinha reação pra nada”, relembra. O
desespero em sua voz é vivo, pulsante e terrível. Depois do ato,
enojada, a menina ficava horas no banho tentando se limpar. O
padrasto fazia sua higiene e ia trabalhar. Na frente dos outros, agia
como se nada tivesse acontecido. Era uma situação velada, mas
lembrar que os estupros aconteciam até em cima da cama da mãe não
permitia que ela conseguisse esquecer a cena. Os abusos
aconteceram durante dois anos. Pararam quando ela tinha 14. O meio
de sobrevivência encontrado pela menina foi, justamente, não contar
a ninguém o que havia acontecido. “Eu não tinha coragem de falar”,
lamentou. Isto fez com que Isabel deixasse de ser a menina arteira
que sempre fora para se transformar em uma pessoa extremamente
rebelde e revoltada. (ZENI, 2017, p.3).
36

A educação sexual com foco na prevenção visa combater através da educação


os milhares de casos que acontecem por todo o mundo. É importante que desde
pequenas, as crianças recebam informação de qualidade, para que saibam onde
podem e não podem ser tocadas, onde podem ou não podem tocar no colega, e assim,
aprendam os limites. Os pais devem conversar e deixar claro que a criança ou o jovem
pode confiar neles para que contém qualquer coisa que queiram, e principalmente se
alguém o tocar ou fizer algo que não é permitido.
Todavia, as escolas devem capacitar os professores para que esses possam
inserir uma educação sexual de qualidade nas salas de aula, com foco em prevenção
desses abusos, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, prevenção de
gravidez indesejada, entre outros fatores relacionados a essa temática.
Numa outra reportagem apresenta em 2020, no jornal da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, a professora desta instituição, Jane Felipe de Souza, explica
“[...] a educação sexual é importante, também, para que os alunos e alunas
reconheçam e saibam como se proteger de situações de abuso e assédio, conheçam
seus direitos e entendam que são donos de seus corpos” (PROVENZI, 2020, p. 2).
Ela defende que a escola é um espaço em que qualquer tema deve ser
discutido amplamente, de acordo com a faixa etária, e não apenas a partir da opinião
do professor, mas dentro de um rigor científico. Para ela, isso é importante para que
a escola cumpra sua função de proteção das crianças e adolescentes. Segundo Jane
(PROVENZI, 2020, p.2) “[...] a escola tem de dar suporte a essas questões, permitindo
e incentivando que seus e suas alunos e alunas sejam capazes de fazer perguntas”.
A escola deve ser um lugar onde os alunos se sintam seguros para conversar
sobre qualquer tema, é um lugar para gerar debates e procurar soluções para os
problemas, não somente acadêmicos, mas também sociais. E o corpo docente deve
incentivar os alunos a conversar.

Criar uma cultura de participação, em que as crianças possam


conversar livremente sobre esses assuntos, permite que, caso
passem por alguma situação que as deixe desconfortáveis, elas
possam falar sobre isso. Quanto mais as crianças forem educadas a
se autoconhecer, mais elas vão conseguir se proteger (PROVENZI,
2020, p. 2)1.
37

Ainda assim, há pais que ainda possuem uma visão desse tema como tabu e
não iniciam a educação sexual desde o nascimento da criança, e ao chegar na fase
escolar, escolhem uma escola cujo tema passa longe do currículo. O que prejudica o
desenvolvimento da criança e do adolescente e retarda ou anula a prevenção de
abusos.

Ignorar os temas implicados na educação sexual é ser conivente com


as mais variadas formas de violência. A construção das primeiras
experiências afetivas passa pela relação que estabelecemos com
nossos corpos e com os outros, que acontece no ato de amamentar,
de trocar fraldas, na forma como colocamos para dormir e em outras
interações com a criança, explica a professora (PROVENZI, 2020, p.
2)2.

A mesma professora ainda ressalta que “[...] as crianças aprendem a partir


daquilo que observam também a partir da interpretação que os adultos fornecem
sobre as situações que as cercam” (PROVENZI, 2020, p. 2). Desse ponto em diante,
enquanto vão crescendo, seus interesses e curiosidades sobre o mundo se
transformam, influenciados pelos comportamentos dos adultos.
É preciso saber o que de fato é a Educação Sexual, pois muitos pais são
resistentes aos temas, muitas vezes por não saberem do que realmente se trata, e
voltamos ainda na questão de muitos professores não terem capacitação para abordar
tal assunto. Hoje em dia é comum se espalhar rapidamente qualquer notícia e na
internet há muita distorção das informações, o que acaba prejudicando até mesmo os
alunos que não recebem essa informação em casa e na escola e procuram outros
meios de consegui-las. É preciso ter cautela na divulgação de informação, e que esta
seja de qualidade e verídica, para que cada vez menos tabus existam em relação a
esse tema.

O ideal, do qual estamos muito longe, é que tudo seja ensinado pela
família. Mas é fundamental e imprescindível, principalmente pelo que
os dados mostram, que escola seja corresponsável. A escola também
é responsável pela humanidade das crianças, não apenas pela parte
intelectual (BARONE, 2020, p. 2)3.

A escola é o ambiente onde os filhos mais manifestam seu interesse pela sua
sexualidade, e neste contexto, a família é primordial na educação sexual, mas não
pode ser a única a tratar do tema. Somente a família não dá conta, pois os filhos
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passam a maior parte do tempo na escola e é neste ambiente que devem ser
reforçados os limites, o respeito com o seu corpo e com o corpo do próximo.
Ainda relacionado a este assunto, 18 de maio é celebrado o Dia Nacional de
Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data
determinada oficialmente pela Lei 9.970/2000, em memória à menina Araceli Crespo,
de 08 anos de idade, que foi sequestrada, violentada e assassinada em 18 de maio
de 1973. Portanto, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de
Crianças e Adolescentes incentiva que em todo o Brasil sejam realizadas ações que
visem alertar toda a sociedade sobre a necessidade da prevenção à violência sexual
(ROSA, 2020, p. 11).
Assim que for identificada a violência sexual, antes mesmo de conversar com
a vítima, é importante entrar em contato com profissional que possa colaborar e dar o
encaminhamento correto de acordo com o caso, conforme a Lei nº. 13.431/2017.
39

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao chegarmos ao final desta pesquisa, foi possível perceber que educação


sexual ainda é muito difícil de ser trabalhada em ambiente escolar, porque sempre foi
um assunto muito delicado, pois há uma influência muito grande em questões
religiosas e culturais, tendo em vista que existem muitos pais leigos sobre o assunto.
Mas é possível propor ações como a promoção de debates sobre a necessidade de
respeitarem as diferentes orientações sexuais, seminários, palestras que podem
ajudar, acolher e fortalecer os jovens que se isolam do grupo por ter comportamento
diferentes, repreensão e impedimento de comentários preconceituosos
entre os alunos.
A orientação em relação à sexualidade não é papel apenas dos educadores, é
também papel fundamental dos pais, cabendo a cada família, por mais que seja difícil,
abrir espaço para o diálogo sobre a diversidade sexual em sala de aula com
estudantes.
Tendo em vista os aspectos observadores, pode-se observar que ainda há
muito o que fazer, mas é importante sempre propor políticas públicas e ações
inclusivas de orientações afetivo-sexual, junto da família, escola e de instituições
como um todo, sendo fundamental que todos se conscientizem e sensibilizem de que
precisa haver situações que levem o sujeito à sua existência plena de direitos e
deveres em sociedade. Esse alicerce é necessário para que os jovens sejam capazes
de admitir seus valores com autonomia própria, tomar decisões e posições de maneira
organizada, responsável e consciente.
40

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