Argumento: Como escrever de forma objetiva
Desenvolver um argumento de filme é um processo delicado e escorregadio para quem
está começando sua jornada como o desenvolvimento da escrita. Afinal, é no argumento
que sua história toma corpo e forma, é nele que as características dos seus
personagens começam a ganhar vida; é no argumento que os conflitos começam a surgir.
Conflitos para os personagens e também conflitos para o escritor da história.
Quando você desenvolver seu argumento, deixe os diálogos de lado e pense na história
contada de forma narrativa, como se você estivesse contando para alguém.
Na primeira e segunda páginas você começa a história criando situações que
apresentem seus personagens principais até que chega o incidente incitante, da terceira
página até a décima você desenvolve o corpo da história, os conflitos que levarão seus
personagens até o clímax, e então, nas duas páginas finais você resolve o grande conflito
e finaliza.
Nesta estrutura, temos um argumento de aproximadamente 12 páginas. Levando em
consideração que a média é de que cada página tenha 10 min de filme. em 12 páginas
você tem a média de um filme de 2h.
Percebe como no argumento você já direciona a minutagem do seu filme?
Se você está escrevendo seu argumento e ele já passou de vinte páginas, tome cuidado!
Ou você está escrevendo uma série, ou seu argumento está perdido e sem objetivo
central.
Fonte: [Link]
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Como desenvolver um argumento de Documentário (parte 2)
O contexto da sua história
A primeira pergunta é: Em qual contexto sua história se insere?
O contexto é parte fundamental para compreendermos de que forma vamos inserir o
assunto a ser tratado e a linguagem que será utilizada.
Outra informação relevante que precisamos nos atentar é: Seu tema é conhecido ou
desconhecido? A resposta para esta pergunta irá interferir consistentemente na forma
que você apresentará seu filme para seu público!
De acordo com a Docsociety, (já falamos dela no artigo anterior): Um documentário pode
ser desenvolvido em quatro contextos de conteúdo: ele pode investigar; revelar; destacar
ou humanizar.
INVESTIGAR: Geralmente é sobre um tema desconhecido para o público-alvo. Um tema
oculto. Isto exigirá que seu filme prove o caso. Uma investigação.
REVELAR: Também é sobre um tema desconhecido para o público-alvo. Um tema novo.
Um filme que revele algo que está acontecendo.
DESTACAR: Quando falamos sobre destacar, falamos sobre um tema conhecido. Um
tema familiar. Então a preocupação deve estar em não se concentrar em assuntos dentro
do tema proposto que sejam batidos demais.
HUMANIZAR: Também se trata de um tema conhecido e possivelmente saturado pelo
público. Então o que precisa ser relevante neste filme não são mais fatos, dados
estatísticos ou afirmações e sim a humanização do conteúdo.
A Docsociety ainda nos dá quatro exemplos de documentários que nos ajudam a
compreender de forma clara cada uma destas definições acima:
O documentário GASLAND (2010), dirigido por Josh Fox, influenciou muitas comunidades
a INVESTIGAR e rejeitar o processo de extração de gás xisto.
O documentário THE INVISIBLE WAR (2009), dirigido por Kirby Dick ajudou a REVELAR e
a iniciar uma revolução nas políticas e atitudes em relação aos casos de estupro no
exército dos EUA.
O documentário BULLY (2011), dirigido por Lee Hirsch ajudou a DESTACAR o problema
do bullying no ensino médio e fez disso prioridade nacional.
O documentário BUDRUS (2009), dirigido por Ronit Avni, Rula Salameh, ajudou a
HUMANIZAR a narrativa sobre a não-violência no conflito Israel-Palestina.
Levando em conta seu projeto de documentário, em qual categoria ele se encaixa?
Fonte: [Link]
Argumento Instantâneo
Blog História e Roteiro – Thiago Fogaça
Muita gente complica. Este é o segredo pra se escrever um argumento: simplificar. As
técnicas aqui descritas não devem ser levadas à risca em qualquer situação ou história,
mas podem e vão ajudar amadores a condensar suas ideias e, a partir deste esboço,
transformar a faísca inicial de sua história em algo mais grandioso e, sim, até complexo.
A primeira ideia é criar um argumento condensado de quatro parágrafos.
A técnica, que sim, parece bula de remédio, fará com que seu argumento se pareça com
isto:
1º Parágrafo
Meu personagem é assim. Ele tem qualidades tal e falhas tal que são apresentadas nesta
cena em forma de ações. Nós nos importamos com ele por causa destes riscos
emocionais que ele possui. Mesmo quando não concordamos com suas ações, sentimos
empatia por ele. Ele tem um desejo tal. O mundo em que ele vive é assim. Algo acontece
com ele. Ele tem um antagonismo tal que entra em seu caminho. Sua meta agora é
resolver este problema, alcançar sua meta (desejo) e/ou extinguir este antagonismo.
2º Parágrafo
E agora, quais são as opções deste meu personagem? Meu personagem lida com o
problema desta maneira específica. Talvez ele cause mais problemas fazendo isto.
Existem estes obstáculos iniciais, que vão se intensificando. Tentando resolver seu
problema, algo acontece de muito ruim ou muito bom com meu personagem (Meio Ponto).
Isto prova o contrário do propósito do Tema de meu filme.
3º Parágrafo
Crise. Por ter agido de acordo com suas falhas e não qualidades, meu personagem sofre
ou entra numa espiral trágica. Ele então aprende alguma coisa (ou não) e retoma suas
forças, criando uma nova estratégia para resolver seu problema.
4º Parágrafo
Meu personagem lida com seu maior problema, maior medo ou maior risco emocional. Ele
atinge ou não sua meta e resolve o filme de maneira positiva, trágica ou irônica. Na
conclusão, ele e/ou o mundo mudou/mudaram deste jeito.
A partir deste argumento, que pode ser complicado por querer tentar explicar coisas
demais, tente fazer este segundo exercício:
3 Atos – 9 linhas
Não passe disto. Abra o Final Draft ou Celtx ou mesmo o Word e coloque Courier tamanho
12 com as margens Padrão. Se limite a 9 linhas para escrever seu argumento. Você
consegue contar esta história em 9 linhas? E se não, por quê? Você conseguiria contar pra
algum produtor que estivesse de passagem em um bar e só tivesse 2 minutos de sua
atenção?
O truque é pensar assim:
Primeiro Ato
Quem é meu personagem principal? Qual é seu problema?
Muita gente complica no primeiro ato. O truque é pensar o seguinte: qual é a informação
absolutamente necessária sobre este personagem para que seu problema/meta seja
definido? Em “Procurando Nemo”, sabemos que Marlin perdeu sua mulher e seus milhares
de ovos e só ficou com apenas um. Seu filho é deficiente e ele vira um pai superprotetor
por causa destes eventos. Seu filho então é sequestrado em seu primeiro dia de aula.
Assim que apresentamos que tipo de pai ele é, já introduzimos o problema do filho ser
sequestrado. Simples. Corra, não caminhe, pro segundo ato.
Segundo Ato
Como meu personagem lida com este problema? Como o problema se intensifica? Como
isto afeta meu personagem?
Se seu personagem é o pior personagem pra estar vivendo esta história, como ele lida
com os problemas? Isto causa mais problemas? Como estes novos problemas ensinam
algo ou fazem seu personagem rever seu modo de pensar?
Terceiro Ato
Como meu personagem resolve ou não seu problema? O que muda nele ou no mundo?
O problema final é o maior desafio, maior medo, maior risco emocional que seu
personagem enfrenta? Se não, por quê? Para que estamos vendo esta fatia específica da
vida de seu personagem se o Clímax não é um evento incrivelmente significativo em sua
vida? E como ele sai deste evento? Como as pessoas ou o mundo à volta saem deste
Clímax? Qual é a mudança? Qual o contraste? Se não houve mudança, é uma tragédia? O
que aprendemos, como audiência com esta tragédia, se este é o caso?
A terceira e última técnica para simplificar um argumento é uma evitada e ignorada por
escritores, porque escritores tendem a manter seus trabalhos para si mesmos ou se
enfurnarem na frente do computador e trabalharem na solução por si mesmos.
Dê a você mesmo 5 minutos e conte sua história para alguém. Leve um gravador. Repita o
processo com pelo menos 5 amigos. Sempre grave.
Veja o que você deixou de fora. Veja o que você realmente gastou tempo explicando ou o
que explicou rapidamente.
O que deixou de fora faz diferença na história? Se não, por que está lá? É por capricho?
Porque é legal, ou chique, ou mesmo algo que você não dá o braço a torcer de que é uma
“ponta solta”, uma “gordurinha”? Analise bem o que ficou de fora e julgue com calma se
realmente deve ficar em sua história.
O que gastou bastante tempo, você gasta bastante linhas explicando em seu argumento
ou passa em apenas algumas palavras? Por quê? Como você pode dar mais tempo,
extrair mais conflito e dramaticidade para dar a isto o valor que realmente tem?
O que falou rapidamente é explicado em vários parágrafos? E se sim, como condensar
isto, se não é tão importante quanto outras coisas? Como passar tudo isto em apenas uma
cena ou uma sequência cenas curtas?
Com estas técnicas, é provável que você já tenha contado e recontado, escrito e reescrito
seu argumento algumas vezes. Se não fez os três exercícios, realmente tente. Você vai me
agradecer depois.
Ideias Não Surgem do Nada
Lewis Herman, roteirista, construiu o que chamou de Quadro de Ideias – esse quadro é de
enorme ajuda em nosso trabalho de garimpo na procura de ideias.
Existem 6 campos onde provavelmente encontraremos uma ideia, a saber:
Ideia Selecionada
Ideia Verbalizada
Ideia Lida (“for free”)
Ideia Transformada
Ideia Solicitada
Ideia Pesquisada
• Ideia Selecionada
Este tipo de idéia surge de nossa memória, ou vivência pessoal,como nos momentos em
que sonhamos acordados.
• Ideia Verbalizada
Idéia Verbalizada é a que surge a partir do que alguém nos conta um caso.
• Ideia Lida (“for free”)
Ideia Lida é o que Lewis chama de ideia de graça, surgindo no momento em que estamos
lendo um jornal, revista, livro, ou mesmo um panfleto que alguém nos passou na rua.
• Ideia Transformada (“twist”)
Uma Ideia Transformada é, basicamente, uma idéia que nasce de uma ficção, de um filme,
de um livro, de uma peça de teatro. Entre nós, roteiristas, dizemos que “o autor amador
copia, enquanto o autor profissional rouba... e transforma”.
• Ideia Solicitada
Ideia Solicitada é a ideia sob encomenda.
• Ideia Pesquisada
Uma Ideia Pesquisada é aquela em que usamos de pesquisas para saber qual o tipo de
filme que está em falta no mercado.
Story-line
Como uma story-line deve ter no máximo 5 linhas, deduz-se que story-line é a síntese da
história. Portanto, uma story-line tem que abranger tudo que a história normalmente
conteria isto é:
1. Apresentação do conflito
2. Desenvolvimento do conflito
3. Solução do conflito
Esses 3 atos são chamados pelo dramaturgo Bem Brady de “Os 3 momentos de uma
story-line”, a saber:
1. Alguma coisa acontece
2. Alguma coisa precisa ser feita
3. Alguma coisa é feita
Em verdade, uma story-line serve de base, de ponto de partida – não existe nenhuma
rigidez quanto ao seu desenvolvimento.
Em qualquer gênero a story-line deve conter:
APRESENTAÇÃO
Jack vai ao enterro de seu amigo em Viena. Inconformado com a perda, indaga e acaba
descobrindo que o amigo não morreu.
DESENVOLVIMENTO
Ele está vivo e falseou seu enterro por estar sendo procurado pela polícia.
CONCLUSÃO
Exposto pela curiosidade de Jack, o amigo acaba morrendo baleado pela polícia”.
Argumento
Argumento ou sinopse é a story-line desenvolvida em texto.
ARGUMENTO – do latim argumentum, justificativa. É o resumo de uma história.
SINOPSE – do grego synopsis, vista de conjunto. É uma narração breve.
Como se vê, argumento é o resumo da história que pretendemos roteirizar – pode ter de 5
a 20 laudas e deve conter as seguintes informações:
Temporalidade
Localização
Percurso da ação
Perfil do Personagem (protagonista)
É no argumento que se pode ver a viabilidade de um projeto. Com um argumento pronto,
as viabilidades de produção, mercadológicas, artísticas e autorais, poderão ser analisadas.
Na viabilidade de produção, o custo da produção é o primeiro fator a ser considerado. Esse
custo pode variar em acordo com a criatividade do diretor.
É claro que para toda regra existem as exceções e, às vezes, um produtor aposta num
filme “miúra” (anticomercial) e o filme se revela um sucesso de bilheteria. Exatamente da
mesma maneira que produz um filme com todas as possibilidades de ser um sucesso e o
filme se mostra um fiasco de bilheteria. São os ossos do ofício, os riscos de um produtor.
A Grande Ilusão. Dirigido por Steven Zaillian e com Sean Penn como protagonista, o longa
A Grande Ilusão lidera a lista. A produção de 2006 gerou apenas US$ 9 milhões – bem
abaixo do orçamento de US$ 55 milhões. No Brasil nem passou nos cinemas, saindo direto
em DVD.
Portal do Paraíso uma superprodução de 1980 que custou 44 milhões de dólares e rendeu
ridículos 93 mil dólares nos Estados Unidos – no resto do mundo, a bilheteria melhorou e
subiu para 1,5 milhão. Graças a esse empurrãozinho, o filme deixou de ser o maior mico
da história, mas acabou levando à falência o lendário estúdio United Artists, fundado em
1919 por um grupo de artistas que incluía Charles Chaplin.
Titanic. Dirigido por James Cameron – 1997. Bilheteria: U$ 1,842,900,000. A reconstituição
de época é perfeita, todos os detalhes da produção foram bem cuidados, Titanic, também
é recordista de números de Oscars, o filme ganhou 11 estatuetas, empatado com Bem-Hur
e O Retorno do Rei.
Avatar. Dirigido por James Cameron – 2009. Bilheteria: U$ 1,350,000,000. A produção
mais cara já realizada (US$ 500 milhões) e Cameron decidiu começar o projeto após ver a
perfeição atingida pelo personagem digital Gollum, em O Senhor dos Anéis. Mais uma vez,
ele revolucionou o cinema e criou uma nova geração de filmes.
Particularmente, acredito que existe público para qualquer espetáculo. Diz-se que de uma
história bem contada ninguém escapa.
Na viabilidade artística, há que pesquisar se temos pessoal técnico disponível e atores
capazes de desempenhar satisfatoriamente determinados papéis.
Por fim, temos a viabilidade autoral. Aqui temos 3 fatores a considerar, quais sejam:
Se o argumento dá para ser desenvolvido em, digamos, 215 capítulos. Às vezes, um
argumento só tem conteúdo para 20 capítulos.
Se o autor tem capacidade física e mental para desenvolver o argumento. Uma coisa é
escrever o resumo de uma história e outra é escrever um romance.
A escolha do meio de comunicação adequado.
Nem sempre um argumento pode ser desenvolvido para duas linguagens diferentes e
manter a mesma qualidade. Às vezes, presta-se mais para um seriado que para um filme
de cinema, ou vice-versa.
Em resumo: quando escrevemos um argumento, devemos levar todos esses fatores em
consideração, posto que será a partir deles que o projeto será ou não executado.
Um argumento tem que conter a Temporalidade, a Localização, o Percurso da Ação e o
Perfil do Personagem. Vamos analisar o significado de cada um desses itens.
Temporalidade
A função da temporalidade é a de informar a data em que a história começa e também seu
desenrolar através dos dias, meses, anos, décadas, séculos. Enfim, a quantidade de
tempo que a história abrange, e se esse tempo é continuo se obedece ao calendário, ou se
é descontinuo, se salta de mês em mês, de ano em ano etc. Ou, simplesmente, se o tempo
é o tempo de um sonho.
Localização
Aqui se informa onde, em que lugar se passa a história. É na caatinga? Em Júpiter? Dentro
de um quarto? Na redação de um jornal? Devemos também informar quais as
características do local, o que de incomum acontece naquele lugar.
Percurso da Ação
Percurso da ação é o conjunto de acontecimentos ligados entre si por conflitos que vão
sendo solucionados através de uma história, até o desfecho final, perfazendo assim o
percurso da ação dramática. É, em essência, sua história, sua fábula, é sua story-line
desenvolvida, é a sua Ficção.
Perfil do Personagem / Protagonista
O Protagonista é o personagem base do núcleo dramático principal, o herói da estória.
Esse protagonista pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas, ou qualquer coisa que
tenha condições de ação e expressão.
Não devemos confundir protagonista com coadjuvante ou com componente dramático.
Hierarquicamente, o protagonista está em primeiro plano, no centro da ação, sendo,
portanto, o mais desenvolvido dos personagens.
Em segundo lugar, temos o coadjuvante, personagens ou personagem que está ao lado
do protagonista. Geralmente, o coadjuvante nasce na medida em que vamos
construindo o diálogo. Em último lugar, aparece o componente dramático, um elemento
de ligação ou explicação, ou solução. Carece de profundidade de personagem é um
elemento de fundo.
Um argumento que contenha todas essas informações servirá como base adequada para
qualquer projeto.
Os documentos de um longa
Eduardo Albuquerque
Argumento
Dificilmente um roteirista senta e escreve de cara um roteiro. Antes disso, na maioria das
vezes, ele escreve outros documentos próprios e anteriores ao roteiro final. Por dois
motivos:
1) Seria amadorismo; 9 vezes em 10, passar por cada um desses documentos deixa o
resultado final melhor e
2) Profissionalismo; como o cinema é um esporte coletivo as outras pessoas integrantes do
projeto (produtores/diretores) precisam entender o filme que você está fazendo para que
eles tenham a segurança de que é o mesmo filme que eles desejam.
Vamos começar com o Argumento.
Veja, ideia não é patrimonial. Você não registra. Woody Allen diz que o momento que ele
passa a não gostar de seu filme é o momento que ele digita a primeira letra no papel e a
primeira letra muito provavelmente será a de um Argumento, pois ele é o standard da
indústria para registro e financiamento de projetos em editais (tanto de desenvolvimento
quanto de realização mesmo). Ele costuma ter de 5 a 15 páginas e a melhor maneira de
descrevê-lo é como se fosse um “conto” do seu projeto. Imagine-se contando a história do
seu filme do início ao fim para um amigo, incluindo aqui e ali, se necessário, algum diálogo
curto dos personagens.
O Argumento será lido apenas pelo topo da pirâmide criativa do projeto: produtores,
diretores e os roteiristas. Se não forem os autores; os Produtores leem o argumento para
se interessarem e entenderem que filme que aquele será e o que ele deve fazer para que
aquele filme aconteça (orçamento, quais editais, quais profissionais ele deve buscar), os
Diretores leem o argumento para se interessarem e entenderem que filme que aquele será
e como ele deve fazer para que aquele filme aconteça e, os roteiristas leem o argumento
para se interessarem e entenderem que filme que aquele pode ser e adaptá-lo para roteiro.
Além destes, o Argumento também será lido por possíveis julgadores de editais
financiadores de desenvolvimento e de realização de projetos.
Eu acho um documento fraco para venda de um filme. Acho que esta natureza de parecer
um “conto” o distancia muito do roteiro de fato, pois um Argumento simplesmente não
carece de estrutura, pode ser feito só na piração de descrição do mundo/personagem e um
simples “vai daqui até ali”, sem explicar como fará pra chegar lá. Sem explicar o que, de
trama, acontecerá para que o personagem chegue lá. Se eu fosse executivo de cinema
aqui no Brasil, escolheria os projetos/daria greenlight a partir de Beat Sheets e não
Argumentos, pois eles estão mais próximos de um filme e o tempo que leva para fazê-los é
bem próximo. Começar uma relação pelo argumento é perigoso, pois você começa a fazer
compromissos com coisas que foram colocadas ali por conta da “ambientação” do
Argumento, mas que não necessariamente terão lugar numa estrutura de filme. Mas não
sou Executivo de Cinema e o Argumento é o documento standard da indústria para iniciar
um projeto e inscrevê-lo em editais. Dificilmente se pede o roteiro mesmo.
Escaleta
A definição de escaleta varia sua complexidade de pessoa a pessoa. Já vi alguns casos
onde a escaleta é só um codinome para lista de locações. Mas na maioria das vezes – e é
assim que eu faço – ela é mais do que isso: uma lista de locações com a descrição do que
acontece na cena naquela locação; se possível com algum rascunho de diálogo.
A Escaleta é um documento que será discutido de novo pela trinca produtor-diretor-
roteirista, porém, enquanto Argumento e Beat Sheet são documentos exclusivos da pré-
produção, a Escaleta é o primeiro documento que irá influir de fato na produção. Ou seja; o
Diretor de Produção, munido da lista de locações (e quantas vezes aparece cada uma das
locações) já pode começar a pensar brandamente num plano de filmagem e mandar o
Produtor de Locação já ir buscando opções de lugares para filmar tais cenas. Você não
está mais em Kansas! A coisa ta ficando séria! Aquilo que era imaterial e ficava ali só na
sua mão agora ta passando por todo mundo, dividindo em mil áreas... tá dando pra
entender porque Cinema é um esporte coletivo, né?
No entanto, apesar desta funcionalidade a outras áreas ser parte do trabalho, a Escaleta
também serve ao principal do seu trabalho: o roteiro, que, até agora, ainda não veio. Se o
Beat Sheet foi o primeiro documento que fez notar a variável cinematográfica, com os plot
points de uma estrutura narrativa de longa-metragem, a Escaleta vai mais além e, pela
primeira vez, divide a história na terceira e na segunda menor unidades fílmicas: as
sequências e as cenas.
As sequências já estarão bem desenvolvidas, pois elas começaram a ganhar forma no
Beat Sheet e aqui devem estar mais esmiuçadas, uma vez que você já pode dizer mais ou
menos que a sequência de perseguição do Herói para resgatar a Mocinha dos braços do
Vilão, se dará em uma perseguição no porto da cidade, se encerrando numa corrida de
Jet-ski ou whatever; um exemplo. As cenas poderão (e serão!) aperfeiçoadas na hora de
fazer o roteiro, mas já aparecerão ligeiramente quebradas e com algumas pequenas
indicações relativas à diálogo e especificidades da ação dentro da cena.
Resumindo, Escaleta é a história do seu filme quebrada cronologicamente no Espaço-
Tempo. Ou, matematicamente, Scene Heading (espaço-tempo) + Descrição do que
acontece. O exemplo acima ficaria mais ou menos assim:
INT. PORTO/GALPÃO – DIA
O HERÓI chega esbaforido correndo e se depara com o VILÃO que tem a MOCINHA
algemada a ele.
“Você nunca vai nos pegar, Herói!” – diz o Vilão, que logo sai correndo e joga uma granada
pra cima do Herói.
EXT. PORTO/DOCAS – CONTINUOUS
O VILÃO vem correndo arrastando a MOCINHA pelas algemas quando... BOOM! A
MOCINHA sofre, bate no VILÃO e maldiz ele por ter matado seu amor. O VILÃO diz que
agora ela vai aprender a amá-lo e ela diz algo como “Eu nunca vou sentir por você o que
eu sentia pelo Herói!”.
É quando o Vilão avista um vulto... O HERÓI sobreviveu!!! Ele sai do meio da fumaça que
nem o Exterminador do Futuro. Boladão. O VILÃO pula com a MOCINHA num JETSKI e
dá partida.
EXT. MAR ABERTO – CONTINUOUS
O VILÃO comenta que agora não tem como eles serem pegos, pois só havia aquele
JETSKI no Porto. É quando a MOCINHA aponta para o seu Herói, que vem sendo trazido
por DOIS GOLFINHOS.
“Come on! GOLFINHOS?! Sério?!” – um incrédulo VILÃO, que tem o Herói já se
aproximando perigosamente.
Sacaram?
É a ordem dos acontecimentos, ainda não completamente finalizados. Os diálogos não
estão todos ali (apenas um ou outro), mas as locações já estão apontadas grosso modo.
Mesmo que no roteiro se altere uma coisa ou outra, é importante que a produção esteja
ciente e comece a mensurar essas coisas.
Nesta etapa você QUASE já quer começar a escrever o roteiro de fato – tenho uma teoria
de que, além da utilidade lógica de cada documento, inventamos estes processos todos
para adiar ao máximo o momento de escrever de fato o filme, de definitivamente tornar a
coisa real e por isso menos ideal/perfeita, até o momento que não aguentamos mais essa
história e queremos partir para a próxima, onde tudo vai ser ideal/perfeito... Até o momento
que você escreve de novo e estraga e aí volta tudo ao início. Mas não se entregue! Calma,
falta pouco!
Tome o tempo necessário pra fazer a Escaleta, pois ela é importante pra você e também
para os outros. Imagina chegar até aqui e desistir e depois de tanto trabalho não ter um
filme na tela pra você sentar, assistir e falar “ah, valeu a pena tudo aquilo!”?
Força, roteirista!
Estruturando o roteiro – a técnica da Escaleta
“Estruturar o roteiro primeiro é uma forma de fortalecer todos os pontos da história,
além de ganhar tempo e energia para o trabalho de elaboração final”.
Sobre a estruturação de roteiros. Apresentamos mais uma técnica utilizada nos Roteiros
de TV, Animação e Cinema extremamente útil para projetos de e-Learning que utilizam
narrativas durante todo o curso: a escaleta. Não duvido que você já tenha utilizado esta
técnica, mas sei que muitos colegas a desconhecem pelo termo “oficial”. Na próxima
reunião, que tal falar para a equipe: para evitar retrabalho e validarmos a narrativa, fiz a
escaleta da história do nosso curso? Faça bom proveito de mais esta preciosa dica do
Estúdio Garoa Fina!
Depois que você já definiu o norte do seu roteiro com o story-line e o objetivo principal, já
desenvolveu também os personagens da história, é hora então de partir para escrever o
roteiro em si. Existe uma técnica que ajuda muito na escrita do roteiro, evitando que você
perca tempo, perca a linha narrativa da história e principalmente não se perca na
frustração quando perceber que o trabalho não está ficando bom. Às vezes pode ser
bastante desgastante escrever um roteiro, principalmente se a história for longa. Nesses
casos, perceber que um ajuste feito no começo vai interferir no desenrolar de toda a
história e por isso você será obrigado a reescrever quase tudo, irrita muito e pode
atrapalhar o sucesso do trabalho. Para evitar esse percalço, é recomendável a técnica da
escaleta.
A escaleta nada mais é do que a estrutura do roteiro, onde constarão as cenas em ordem
e o que acontece em cada cena. O jeito de escrever a escaleta pode variar de roteirista
para roteirista, mas geralmente não costuma ser muito detalhada, contendo apenas as
informações básicas para orientar a escrita definitiva posterior.
Aqui vai um exemplo:
Cena 1 – O explorador Antônio se aproxima da entrada da caverna. Ele foi atraído
pelo rastro de fumaça que subia alguns metros.
Cena 2 – Antônio chega a entrada da caverna e encontra o naufrago Fernando, o
tutor do curso. Fernando explica para Antonio como foi parar ali e deixa claro que a
aventura de Antônio começará assim que ele entrar na caverna, sem poder retornar.
Cena 3 – Antônio entra na caverna e se depara com o primeiro desafio.
E por ai vai até a última cena. A escaleta é muito útil porque ajuda a visualizar como será a
história, permitindo identificar fragilidades, acrescentar pontos importantes ou retirar cenas
desnecessárias. Outro exemplo:
Cena 1 – O explorador Antônio se aproxima da entrada da caverna. Ele foi atraído
pelo rastro de fumaça que subia alguns metros.
Cena 2 – Um pássaro sobrevoa a ilha e corta o rastro de fumaça.
Cena 3 – Antônio chega a entrada da caverna e encontra o naufrago Fernando, o
tutor do curso. Fernando explica para Antônio como foi parar ali e deixa claro que a
aventura de Antônio começará assim que ele entrar na caverna, sem poder retornar.
Cena 4 – Antônio entra na caverna e se depara com o primeiro desafio.
O segundo exemplo contém as mesmas cenas do primeiro, mas acrescentei uma cena 2
de um pássaro. Nitidamente podemos perceber que essa cena é desnecessária, não leva
a história para frente, pois o personagem Antonio já viu o rastro de fumaça. Assim,
podemos excluir essa cena 2 e reorganizar a escaleta sem perder tempo.
A escaleta é uma ferramenta exclusiva do roteirista, não precisando ser mostrada ao
cliente. É uma maneira segura de trabalhar todas as nuances da história com mais
agilidade. É mais simples reorganizar a ordem das cenas, acrescentar um personagem ou
uma nova cena numa escaleta. Em alguns momentos pode ser importante debater a
história com o resto da equipe. Nesses casos a escaleta também pode ajudar, pois ficará
fácil para a equipe visualizar o todo em 2 páginas, sem ter que ler um texto com 50, 60
páginas.
Não há necessidade de trabalhar a escaleta para que fique bem escrita, mostrando
“detalhadamente” a cena e funcionando como um “pré-roteiro”. Meu conselho: pensar
assim é perda de tempo, pois funcionará como uma etapa adicional ao processo e nem
sempre temos tempo de sobra para encher o processo com novas etapas. Fica a dica: use
a escaleta como instrumento guia, de forma bem prático e, acima de tudo, sem “frescuras”!
Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e
histórias para TV, Cinema e Publicidade. Entre os principais trabalhos da empresa estão o documentário
Rompendo o Silêncio, com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, o reality show Menina Fantástica para a
TV Globo e o roteiro de animação Back Home, selecionado para o 13 Laboratório Internacional de Roteiros SESC
Rio.