100% acharam este documento útil (1 voto)
107 visualizações12 páginas

Pragas do Café: Controle e Prevenção

O documento resume as principais pragas do café, como a broca-do-café, o bicho mineiro e os ácaros. Explica como essas pragas afetam a produção de café e fornece dicas sobre prevenção e controle, enfatizando a importância do Manejo Integrado de Pragas com amostragem e aplicação de controles apenas quando os níveis de dano forem atingidos.

Enviado por

Thalles Alves
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
107 visualizações12 páginas

Pragas do Café: Controle e Prevenção

O documento resume as principais pragas do café, como a broca-do-café, o bicho mineiro e os ácaros. Explica como essas pragas afetam a produção de café e fornece dicas sobre prevenção e controle, enfatizando a importância do Manejo Integrado de Pragas com amostragem e aplicação de controles apenas quando os níveis de dano forem atingidos.

Enviado por

Thalles Alves
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Principais pragas do café: prevenção,

identificação e controle
João Leonardo Corte Baptistella > 2020-11-18 15:21:47

Pragas do café: entenda como as principais pragas são favorecidas, como prevenir,
identificar e controlá-las corretamente.

O brasileiro adora café e o Brasil é o maior produtor do mundo. Mas, para um café de qualidade
chegar até a xícara, é preciso muito esforço!

Você faz tudo certinho, torce para o clima colaborar e, mesmo quando isso “caseia” certinho, vem
“uns bichin” encher o saco: as pragas! ?

São muitas as pragas do café e todas elas causam danos diretos e indiretos à produção e
qualidade. A broca sempre foi “a” praga do cafeeiro, título que agora é ocupado pelo bicho
mineiro.

Separei alguma dicas sobre as principais pragas do café, como prevenir e minimizar seus danos.
Confira comigo a seguir!

O manejo integrado de pragas do café


Antes de falar sobre as características das principais pragas do café, quero que você tenha em
mente quando vale a pena controlá-las.

O controle das pragas do café deve ser feito seguindo os preceitos do Manejo Integrado de
Pragas (MIP), que é baseado em critérios econômicos, ecológicos e sociais. Isso evita inúmeros
problemas e mantém a produção sustentável.
Estrutura do MIP
(Fonte: ABCBio)

Com o MIP, levamos em consideração o custo/benefício da ação de controle e quais os impactos


sobre o ambiente, o produtor e a população de demais organismos presentes na lavoura.

A ideia é manter a população de pragas abaixo do nível que causa dano econômico, sendo
controladas somente quando atingem o nível de controle. Veja a figura abaixo:

(Fonte: ABCBio)

São várias técnicas de manejo empregadas no MIP, algumas preventivas, como controle
cultural, uso de armadilhas e variedades resistentes; e outras para controle imediato, como o
controle biológico, além do controle químico.

Como veremos a seguir, isso é específico para cada praga do cafeeiro e é baseado em muitas
amostragens.

Principais pragas do café


A broca-do-café (Hypothenemus hampei)

Características, comportamento e danos

Temos relatos dos danos causados pela broca-do-café no Brasil desde 1920. Elas são
besouros que atacam os frutos de café e vivem e se reproduzem dentro dele.
A broca-do-café
(Fonte: Koppert)

Além de danificar os grãos e reduzir sua qualidade, seus danos podem favorecer queda e
também a entrada de patógenos.
Danos causados pela broca-do-café
(Fonte: Epamig)

Após o acasalamento, os machos permanecem dentro dos frutos e são as fêmeas que saem
para colonizar novos frutos, no chamado “período de trânsito”.

A saída é estimulada pelas condições ambientais e elas são atraídas por compostos voláteis
produzidos pelo próprio fruto.

Condições favoráveis

As infestações de broca são favorecidas por lavouras mais adensadas e locais com maior
umidade. Por isso, lavouras nas baixadas ou em anos com invernos chuvosos podem ser mais
atacadas.

O principal fator para infestação de broca é deixar frutos caídos na lavoura. A broca usa esses
frutos para se multiplicar e aumentar sua população.

Métodos de prevenção e controle

O controle da broca deve seguir o MIP e com isso temos algumas alternativas. A melhor maneira
de prevenir e reduzir a infestação de broca é fazer uma colheita bem feita, repassando para não
“deixar grãos para trás” e varrer aqueles caídos.

Como métodos controle podemos realizar o controle biológico com parasitóides ou com o fungo
Beauveria bassiana.

Controle biológico da broca com predadores/fungos


(Fonte: Epamig)

Temos também a opção de utilizar armadilhas com atraentes para capturar a broca. Já o controle
químico
pode ser feito com clorpirifós, de 1 a 1.5L/ha.

Vale lembrar que os métodos de controle devem ser aplicados no período de trânsito da broca,
que geralmente vai de outubro a dezembro. As aplicações são embasadas por amostragem
previamente feitas e quando houver danos econômicos.

MIP: amostragem e nível de controle

As amostragens para broca devem ser feitas já na primeira florada do cafezal e seguindo as
recomendações abaixo. O controle químico, pode ser aplicado conforme os níveis críticos são
atingidos.

Recomendações de monitoramento e amostragem para broca-do-café

Pragas do café: Bicho Mineiro (Leucoptera coffeella)

Características, comportamento e danos

Devido às mudanças sofridas no sistema produtivo do cafeeiro, o bicho mineiro passou a ser a
praga mais importante da cultura
desde a década de 70.

(Fonte: Elevagro)

O bicho mineiro ataca exclusivamente o cafeeiro, causando perda de área foliar por cavar
galerias nas folhas do cafeeiro. Os danos são causados, em sua maioria, nos terços médio e
superior da planta.
Crisálida e danos causados pelo bicho mineiro
(Autor: Giovani Belutti Voltolini, 2016)

O adulto é uma mariposa que põe seus ovos no terço superior do cafeeiro, na face superior das
folhas. Após eclodir, as lagartinhas penetram na folha e começam a consumi-la.

Atualmente, temos dois picos populacionais de bicho mineiro, como você pode ver na figura
abaixo. As medidas de controle devem ser direcionadas para esses dois períodos.
Picos populacionais do bicho mineiro
(Fonte: AgroBayer)

Condições favoráveis

O bicho mineiro é favorecido por condições mais secas e temperaturas elevadas. Portanto,
podem ser mais problemáticos em lavouras mais espaçadas e nas faces mais ensolaradas do
cafezal. Desequilíbrio nutricional do cafeeiro também favorece o bicho mineiro.

O uso indiscriminado de inseticidas não seletivos e de cúpricos têm grande impacto sobre os
inimigos naturais do bicho mineiro, portanto, altas infestações são favorecidas.

MIP: amostragem e nível de controle do bicho mineiro

A amostragem deve começar já em outubro nas regiões mais quentes, ou com a chegada do
período seco em locais mais amenos, conforme a tabela abaixo.

Vale lembrar que se for observado predação nas minas, acima de 40%, a intervenção com
inseticidas pode esperar. Deve ser dada atenção especial às lavouras novas, pois as plantas
têm pouca área foliar e os danos podem ser grandes.

Recomendações de monitoramento e amostragem para bicho mineiro

Métodos de controle

O controle cultural do bicho mineiro pode ser feito com plantios mais adensados e adubações
feitas corretamente. Como controle biológico temos parasitóides (Eulophidae e Braconidae)
e predadores (Vespidae), estes últimos com maior eficiência de controle.

O controle químico deve ser realizado quando os níveis de dano forem atingidos, sempre
prestando atenção nas amostragens e no histórico de infestação da área.

Pragas do café: Ácaros


O manejo inadequado do bicho mineiro propiciou desequilíbrios no sistema, fazendo com que
outras pragas, especialmente os ácaros, se tornassem problemáticas. Eles geralmente são
favorecidos por condições mais secas. São três espécies mais problemáticas:

1. Ácaro vermelho (Oligonychus ilicis)

O ácaro vermelho ataca os ponteiros do café, na face superior da folha, dando um aspecto de
bronzeamento e pode levar à desfolha.

Sintomas causados pelo ácaro vermelho


(Fonte: Antonio de Souza)

2. Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus)

Ataca os ponteiros do café, mas a face inferior da folha. É um ácaro que pode causar
danos mais significativos em lavouras jovens, pois causa redução, enrolamento e deformação
das folhas jovens.
Sintomas causados pelo ácaro vermelho
(Fonte: Café Point)

3. Ácaro da mancha anular (Brevipalpus phoenicis)

Causa manchas cloróticas nas folhas e nos frutos. Isso pode levar à severa desfolha e perda
de qualidade do café.

Sintomas causados pelo ácaro da mancha anular


(Fonte: Café Point)

É o mesmo ácaro responsável por transmitir a leprose do citros, portanto, cafezais próximos à
áreas com citros podem ter maiores infestações.

O melhor manejo para os ácaros é o uso de produtos seletivos que não controlem seus
inimigos naturais, principalmente os ácaros predadores, responsáveis por grande parte do
controle.

No caso do ácaro vermelho e da mancha anular, os mais problemáticos, os acaricidas mais


indicados são avermectinas.
Pragas do café: Cigarras
Há muito tempo, as cigarras causam danos ao cafeeiro. Sua ninfas atacam as raízes e sugam
seiva, causando depauperamento progressivo da planta.

São várias espécies, sendo Quesada spp., Fidicina spp. e Carineta spp., as que causam mais
danos.

Lavoura depauperada pelo ataque de cigarras


(Fonte: CNA)

Para seu controle, indicam-se inseticidas sistêmicos, mas existem armadilhas sonoras que são
eficazes contra Quesada spp.

Outras pragas do café


Existem outras pragas que atacam a cultura do café, algumas delas são secundárias ou podem
ser problemas em determinadas situações ou regiões. Como exemplo podemos citar as lagartas,
cigarrinhas, cochonilhas da raiz e parte aérea, além das moscas da raiz.

Muitas dessas pragas passaram a ter importância devido ao manejo inadequado do bicho
mineiro, por exemplo. Isso ilustra a importância de seguir as diretrizes do MIP para manejo,
sempre com monitoramento e amostragem.

Mais informações sobre o controle das pragas de menor importância pragas você pode encontrar
aqui: Manual do café.

Confira também nossa palestra online e gratuita sobre MIP:

Conclusão
Ao longo do texto mostramos as principais pragas do café, como prevenir sua ocorrência e
controlá-la da maneira correta. Logicamente, existem outras pragas de menor importância, mas o
raciocínio utilizado deve ser o mesmo.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é imprescindível para que o controle seja sustentável e
efetivo. O MIP deve ser seguido, sempre com auxílio de um engenheiro agrônomo de sua
confiança.

Com o manejo correto das pragas do café, seu cafezal será mais produtivo e a qualidade dos
frutos poderá ser melhor também!

>> Leia mais:

“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”

“Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora”

"Como evitar a fitotoxicidade por herbicidas no café e o que fazer caso ela ocorra"

Restou alguma dúvida sobre as pragas do café? Deixe os comentários abaixo. Continue
nos acompanhando, se cuide e até a próxima! Grande abraço!

Oferecido por:

Você também pode gostar