Dificuldades de Leitura e Escrita em Alunos
Dificuldades de Leitura e Escrita em Alunos
Humberto de Campos
2022
LUCILEIA BRANDÃO SANTOS
Humberto de Campos
2022
LUCILEIA BRANDÃO SANTOS
BANCA EXAMINADORA
___________________________________________
___________________________________________
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx (Examinador)
Universidade Federal do Maranhão
___________________________________________
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx (Examinador)
Universidade Federal do Maranhão
AGRADECIMENTOS
Reading and writing difficulties are the most common and are extremely harmful to the
educational development of individuals, both in the results, motivation, self-esteem,
professional success and other aspects of life, besides school. The objective of this research was
to understand the Difficulties in the Process of Reading and Writing acquisition in the early
years of elementary school. The method adopted was qualitative in nature field research and
the instrument to be used was a questionnaire of interviews, preceded by a bibliographic
research where it was possible to conceptual dialogue with some authors such as: Emília
Ferreiro (1999) and Ana Teberosky (1999), and others that were fundamental, supporting the
reflections and articulations of the binomial theory and practice, from an analytical and
descriptive approach to the theme. It was verified during the conceptual trajectory that parents
consider it important that children attend school in the expectation of developing basic skills in
the process of reading and writing acquisition. In view of the reports of the teachers interviewed,
the information collected suggests that actions be discussed and developed to try to deal with
the difficulties encountered by teachers in the face of students with reading and writing
difficulties. It is concluded that educators should encourage students to read books, working
with loose words, according to daily life thus facilitating their understanding. In order to have
quality teaching-learning, the educator needs to be in a constant process of personal training in
which he can improve pedagogical practice more and more. Thus, it is expected that the present
study can bring reflections on the importance of reading and writing in the school and family
context.
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 11
2 DIFICULDADE NO PROCESSO DA AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA
ESCRITA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................. 14
3 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E DA ESCRITA NO PROCESSO DE ENSINO
APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS ........................... 25
4 PERCURSO METODOLÓGICO ............................................................................. 34
4.1 Local do estudo ........................................................................................................... 34
4.2 Caracterização do campo do estudo ......................................................................... 34
4.3 Desenho do estudo....................................................................................................... 36
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................ 38
5.1 Questionário aplicado aos professores ...................................................................... 38
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 46
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 48
ANEXOS..................... ................................................................................................. 53
ANEXO A - Carta de Apresentação do(a) Aluno(a) ............................................... 54
APÊNDICES ............................................................................................................... 55
APÊNDICE A - Questionário de Entrevista - Pesquisa de Campo........................ 56
11
1 INTRODUÇÃO
Aprender a ler e escrever não é um processo simples, porém para que alguém seja
alfabetizado precisa enfrentar e vencer dificuldades que aparecem durante o processo de
alfabetização. Essas dificuldades relacionam-se a algumas deficiências de aprendizagem da
língua escrita que não se reduz apenas ao conhecimento das letras, já que as crianças não entram
vazias na escola e constroem seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização (DOS
SANTOS; SANTANA; SOLEDADE, 2016).
Discutir sobre dificuldades de leitura e escrita, e especificamente do processo de
alfabetização é de suma importância. Para isso, se faz necessário que sejam questionadas as
condições do aluno que apresenta tais dificuldades e é importante que seja verificado se o aluno
já adquiriu suficiente desenvolvimento físico, intelectual e emocional, bem como todas as
habilidades e funções necessárias para aprender (SILVA, 2015).
Infelizmente no Brasil ler e escrever ainda são um privilégio de poucos, afirma Piletti
(2010, p.17), ao falarmos no ato de ler, queremos significar um processo dinâmico e ativo, ou
seja, ler um texto implica não só em aprender o seu significado, mas também trazer para esse
texto nossa experiência nossa visão de mundo.
Segundo Soares (2004), a palavra analfabetismo possui o prefixo de negação a, assim,
a lógico seria pensar que a palavra mais correta para preencher essa demanda seria alfabetismo.
O termo alfabetismo chegou a ser utilizado na literatura especializada, portanto verificamos
neste trecho escrito por Soares no ano de 1995 e que permanece na edição mais atual do livro
“Alfabetização e Letramento”:
Fala-se muito de leitura e escrita e da importância que tem na vida do ser humano, mas
nem todos eles têm o acesso à leitura e escrita, a diferença social e cultural tem grande influência
nesse processo.
Hoje no Brasil fala-se muito em erradicação do analfabetismo, diminuição da evasão
escolar, mas nada tem sido feita para amenizar o problema faltam políticas que possam abranger
não só aqueles de poder aquisitivo elevado, mas também a classe pobre onde se concentra a
15
grande maioria. Podemos dizer que o analfabetismo dos pais contribui significativamente para
o problema de aprendizagem das crianças principalmente da leitura e da escrita.
Para Ferreiro et al., (1985):
A alfabetização tem duas fases; uma relativa ao adulto, e outra relativa às crianças, se
em relação aos adultos trata de sanar uma carência, no caso das crianças trata-se de
prevenir, de realizar o necessário para que as crianças não se convertam em futuros
analfabetos (FERREIRO et al., 1985).
significado. Para tanto, esses processos envolvem quatro momentos que são: Perceptivo que
determina o conhecimento da informação e para isso a memória é fundamental; léxico que está
relacionado com o conhecimento acerca da informação; sintético que se refere ao conhecimento
sobre a estrutura gramatical básica da língua e semântico que está voltado para a compreensão
do significado da palavra.
Sabemos que por meio da leitura e da escrita, a convivência em sociedade torna-se
mais fácil, com a aquisição da leitura e da escrita compreendemos o valor social e o papel
fundamental que tem na sociedade seja ela cultural ou não. Oferecendo meios necessários ao
homem de se comunicar e compreender o mundo, oferecendo a oportunidade de transformar
suas relações (FERREIRA; BRITO, 2015).
De acordo com Freire (2001), a leitura é importante no sentido de oferecer ao homem
a compreensão do mundo e através dessa relação é possível à descoberta da realidade sobre a
vida. Observa-se que a leitura expressa um mundo particular dando significado as coisas que o
cercam. Ao interagir com esses conhecimentos, o ser humano se transforma, amplia seus
conhecimentos que lhe possibilitam novas formas de pensamento e inserção e atuação em seu
meio.
Entende-se que a leitura e a escrita são indispensáveis ao processo do desenvolvimento
humano, especialmente no momento que o conhecimento se expressa como fator fundamental
na vida social. Também é expressa no mundo contemporâneo à leitura e escrita serem revelados
de forma diversificadas, nesse caso na escola as variedades devem ser incentivadas.
Enfim, a escola deve priorizar no contexto de sua atuação o aprendizado da leitura e
escrita, o aluno, de acordo com a realidade que vivencia, e essa reflexão pode ser benéfica no
sentido de elevar o nível sócio cultural dos sujeitos na sociedade.
Freire (2001), preconiza que:
O referido autor citado, ressalta que o ser humano ao interagir com o mundo amplia
seus conhecimentos, que lhe possibilita novas formas de pensamento e inserção e atuação em
seu meio. O ser humano passa ter consciência da importância dele no mundo através da
interação adquirida por meio da leitura e da escrita sendo a condição para plena participação na
17
sociedade, o simples fato de escrever para alguém, ler livros, jornais e revistas estar havendo à
interação do homem com o mundo.
Os autores Ferreira e Brito (2015), ressaltam que é possível observar que quando a
criança vem de família onde os pais são analfabetos não tem acesso a livros, jornais e revistas,
certamente terão dificuldades no processo de leitura e escrita, pois o meio em que estar inserida
não há estimulação nesse sentido.
Já a criança que vem de família onde os pais têm hábitos de ler, onde a criança tem
contato com livros, lápis e papel. Não terá dificuldade para aprender a ler e escrever. Porque
foi estimulada desde cedo pelo meio em que estar inserida, ouvindo estória de livros e fazendo
rabisco com lápis. Diante dessa problemática, percebe-se a necessidade de compreender os
problemas que são apresentados na leitura e escrita, nas primeiras séries do Ensino Fundamental
e, o que os professores têm feito e o que pode ser feito para mudar esta realidade (FERREIRA;
BRITO, 2015).
Segundo Simonetti (2007), alfabetizar significa então vivenciar com as crianças
práticas de leitura e escrita, inserindo-a no mundo da cultura escrita, além do ambiente
estimulante que lhe permita ler o mundo com sentimento e criação. Enfim a criança aprende a
ler e escrever com melhor qualidade.
Através do assunto investigado, é possível compreender, que há muitos desafios por
parte da escola e dos educadores na busca de alfabetizar e letrar competentemente, como
também formar alunos leitores nos diversos contextos sociais. Segundo Ferreiro (1996, p. 24),
o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida em um ambiente social. Mas as práticas
sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças.
É imprescindível que no processo de aquisição da leitura e escrita, ao perceber que os
alunos não estão conseguindo se desenvolver deve-se preocupar em saber/sondar as causas das
dificuldades. Segundo Piletti (2013), as dificuldades correlatas à aprendizagem manifestam-se
da estrutura, da organização e do funcionamento da própria escola, situação familiar e das
características individuais do aluno.
As crianças que possuem dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita
aprendem conforme os outros alunos, mas com lentidão, portanto, todas as crianças aprendem
a ler e escrever basicamente da mesma forma, mas alguns vencem as dificuldades dessa
aprendizagem com maior facilidade do que outras (PETRONILO, 2007).
Dentre os diversos motivos que podem condicionar as dificuldades de leitura e escrita
podem-se destacar as seguintes características da disortografia: Alterações na linguagem –
atraso no desenvolvimento e utilização da linguagem, junto a um insuficiente nível verbal, com
18
pobreza de vocabulário, podendo ocorrer erros na escrita; Erros na percepção (visual / auditiva)
– fundamentalmente estão baseados numa dificuldade para memorizar os esquemas gráficos ou
para discriminar qualitativamente os fonemas; Falhas de atenção - Dificulta a aprendizagem do
emprego das letras e sons corretamente (DOS SANTOS; SANTANA; SOLEDADE, 2016).
Considerando as dificuldades de decodificação da leitura e da escrita podemos
constatar os déficits, resultantes de problemas gerais de percepção, de processo fonológico, de
memória em curto prazo e outras situações a serem analisadas nas crianças que apresentam
dificuldades que são as disléxicas, aquelas que compreendem uma explicação oral, mas tem
dificuldades de reconhecer palavras e escritas; aquelas que conseguem ler bem as palavras, mas
tem dificuldades para compreender o que leem; aquelas que têm dificuldades para reconhecer
as palavras e compreender sua forma oral e escrita alfabetização (DOS SANTOS; SANTANA;
SOLEDADE, 2016).
Em relação a essa problematização, observa-se que caracterizar as dificuldades
encontradas no início do ensino aprendizagem da leitura e da escrita é fundamental, assim como
identificar procedimentos pedagógicos concretos para se trabalhar com os alunos que
apresentam tais dificuldades de leitura e escrita devido a uma série de motivos.
Ao ingressar na escola, a criança já quer aprender a ler e a escrever. No entanto, muitas
vezes os pais e os professores não se dão conta de que a leitura e a escrita são habilidades que
exigem da criança a atenção a aspectos da linguagem que ela dava importância até este
momento em que começa a aprender a ler. Curiosamente, toda criança se depara com alguma
dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita (NUNES, 2003).
O primeiro contato das crianças com a leitura ocorre por meio da leitura auditiva, ou
seja, onde alguém lê em voz alta e outras pessoas acompanham a leitura, de forma silenciosa.
A criança acompanha ouvindo e certamente, fazendo associações com a representação de
mundo que ela já possui.
A leitura tem vários processos e um deles é treinar o aluno a fazer uma leitura
expressiva, para facilitar a própria compreensão do texto. Na leitura em voz alta, o aluno tem
que decifrar o que está escrito e depois reproduzir oralmente o que foi decifrado, porque há
muitas dificuldades em decifrar a escrita (PETRONILO, 2007).
Ao iniciar este processo da leitura e da escrita é de extrema importância que o professor
ensine à criança a ler no seu próprio dialeto. Isso é essencial para formar bons leitores e assim,
desenvolver a habilidade como falante. Essa habilidade como falante é decisiva para uma boa
leitura e indispensável para uma leitura mais rápida sem comprometimento da compreensão.
19
É preciso não corrigir demais as crianças: deve dar tempo para que aprendam e
incentivar a autocorreção, a autocrítica. Quanto mais se tenta facilitar, orientar e
corrigir tudo que a criança faz, menos ela reflete sobre a sua opção. Motivar as
crianças é desafiá-las a fazer suas tarefas. É claro que isso é trabalhoso, mas
necessário. Este tempo que a escola gastará na alfabetização será compensado com a
aquisição de uma estrutura de conhecimentos mais sólida pela criança, que
simplificará em muito sua atenção nos demais anos escolares (CAGLIARI, 2001).
Ainda com base no autor, a leitura é uma atividade ligada essencialmente à escrita
podendo ser ouvida, vista ou falada. Os primeiros contatos das crianças ocorrem com a leitura
oral. Ouvir uma leitura equivale a ler com os olhos e também favorece a reflexão.
Porém muitas escolas ainda usam o dialeto-padrão passando para as crianças ideias
de um ensino tradicionalista exigindo que o aluno leia num tempo muito curto, dificultando seu
aprendizado, causando traumas profundos, sobretudo quando o aluno, além das dificuldades
fonéticas de produção da fala lida, tem de usar uma pronúncia distante de sua fala, como se
estivesse lendo numa língua estrangeira.
Uns dos motivos pelos quais a criança pode apresentar dificuldades na aprendizagem
da leitura e reescrita é o fato de que as letras são bastante semelhantes. Outro motivo é o som
que as letras produzem. Isso sem contar que a falta de formação continuada, despreparo dos
professores e falta do apoio familiar também contribui muito para essa defasagem.
Segundo Petronilo (2007), ao insistir para que o aluno leia, o professor irá fazer com
que suas dificuldades sejam externadas, ou seja, o aluno irá começar a soletrar, ler
silabicamente. As crianças precisam de tempo para decifrar a escrita e cada criança tem um
ritmo próprio que precisa ser respeitado, por isso, deve ler em ritmo acentual, sem pressa.
20
A falta de controle sobre o pensamento ao longo da leitura faz com que o aluno acabe
de ler e não consiga se lembrar. O ato de aprender a ler é uma tarefa muito difícil e delicada.
Os professores exigem muito mais do aluno com relação à escrita do que com relação à leitura,
ou seja, a escola não sabe como o aluno faz quando lê.
Enfim, se ao passar do tempo o educando não conseguir desenvolver a leitura e a
escrita completamente, é sinal de que o mesmo esteja passando por distúrbio de aprendizagem,
que de fato, o prejudicarão na sua vida pessoal e social como um todo. O resultado dessa
pesquisa tem como objetivo oferecer possibilidades para professores rever, adequar e modificar
suas práticas, para que sejam supridas as necessidades dos alunos, com base em desafios e
conquistas adquiridas gradativamente no processo de ensino-aprendizagem.
De acordo com Ferreiro (2000, p.29), tradicionalmente, as decisões a respeito da
prática alfabetizadora têm-se centrado na polêmica sobre os métodos utilizados, métodos
analíticos contra métodos sintéticos, fonéticos, contra global, entre outros. A metodologia
normalmente utilizada pelos professores parte daquilo que é mais simples, passando para os
mais complexos.
Para Ferreiro e Teberosky (1985, p.18) a preocupação dos educadores tem-se voltado
para a busca do melhor ou do mais eficaz dos métodos, levando a uma polêmica entre dois tipos
fundamentais; Método sintético e método analítico.
O método sintético preserva a correspondência entre o oral e o escrito, entre som e
grafia. O que se destaca neste método é o processo que consiste em partir das partes do todo,
sendo letras os elementos mínimos da escrita. O método analítico insiste no reconhecimento
global das palavras ou orações; a análise dos componentes se faz posteriormente (FERREIRO
& TEBEROSKY, 1985, p.19)
Ao ingressar na escola, o aluno depare-se com uma diversidade de objetos culturais
com os quais, muitas vezes não está acostumado, pois fazem parte de práticas sociais diversas
daquelas que o grupo familiar cultiva. É função da escola promover situações de comunicação
diferentes daquelas que ela habitualmente encontra.
Ampliar o universo cultural e letrado dos alunos é dever de todo professor, pois é a
partir da ampliação da visão de mundo que podemos mentalizá-los para que construam novas
possibilidades de comunicação. “O objetivo da educação intelectual não é saber repetir
verdades acabadas, é aprender por si próprio [...]” (Piaget, 1995, p. 69).
É preciso, portanto, criar situação que propiciem o desenvolvimento das capacidades
de falar, escutar, ler e escrever de acordo com os diferentes usos dos contextos. Por exemplo,
proporcionar aos alunos as oportunidades de participar adequadamente de conversas formais
21
ou informais; de visitar lugares públicos portando-se segundo as regras sociais desses espaços
coletivos; de ler e de escrever para poder se relacionar melhor com o mundo que os cerca. Essas
ações que possibilitam a apropriação do saber letrado e a inserção no mundo de maneira mais
eficiente (DA SILVA, 2013).
A leitura também é importe para a escritura do texto, no que se refere ao que se repete
ao processo de revisão Sautchuck (2010) em um estudo sobre produção de texto, tentando dar
as pistas para que o outro a compreenda, e pelo leitor, que usando seus conhecimentos prévios
e suas capacidades, reconstrói os sentidos, muitas vezes alterando o que era interação do autor.
Nessa discussão Sautchuk (2010) acrescenta que, entre esses dois interlocutores
aparece uma outra entidade, que é o leitor interno. Ao escrever, deve-se ler o que foi elaborado,
assumido as representações que se supõem serem do leitor externo, ou seja, deve-se ler o propor
texto como se fosse o leitor para o qual o texto se destina.
Na escola, aliará a leitura de textos desses suportes a esses tipos de finalidades é uma
estratégia didática de levar os alunos a aprender a selecionar, organizar, articular e comparar
informações de um ou mais textos. Ler para estudar também é uma finalidade importante dentro
e fora da escola. Saber estudar, desenvolver modos de acessar texto para compreender sobre
um tema, para guardar informações na memória e, também, uma finalidade legítima, que pode
ajudar o aluno a progredir na escola, a dar continuidade ao processo de escolarização (SILVA,
2013).
Por outro lado, pode-se também estimular a prática de leitura de jornais, realizando,
em algum momento do planejamento, atividades de socialização de notícias lidas. Deixar que
os alunos selecionam textos para ler o grupo e levar textos sobre temas atuais para ler para eles
e solicitar a opinião deles sobre a matéria é uma boa maneira de mostrar que, no dia-a-dia, fora
da escola, essa finalidade também está presente entre as pessoas.
Referindo-se à leitura e à escrita, que são duas atividades conduzidas paralelamente no
processo de alfabetização e que envolve as crianças ao conhecimento, requer um tratamento
especial e é preciso que os professores ouçam as crianças valorizando as opiniões que cada uma
possa apresentar na fala ou escrita através de rabiscos, sequências de letras, gravuras, histórias
e desenhos tornando assim, um trabalho sistemático como algo novo para uma boa
aprendizagem.
Sendo que, a escola deve incentivar e contribuir com a família e o aluno, buscando
ajuda e mais conhecimentos para lidar com as dificuldades de aprendizagem, apresentando-se
como uma comunidade ativa e dinâmica que almeja melhorias na qualidade de atendimento
escolar e psicológico dos alunos (DOS SANTOS; SANTANA; SOLEDADE, 2016).
22
Para Freire (2001) ressalta que, não parece possível que um educador assuma a
coordenação de uma secretaria de educação sem que se depare com o desafio dos déficits que
a cometem à educação brasileira, tanto em sentido qualitativo quanto quantitativo.
Visto que é muito grande a demanda de crianças em idade escolar que fica fora da
escola e por outro lado à abrangência do currículo que não se consegue atingir durante o período
letivo, mesmo porque, ele geralmente não é elaborado com o objetivo de atender as camadas
populares da sociedade, sendo que os déficits da educação atingem principalmente as famílias
populares que conseguem chegar à escola e nela permanecerem.
A busca de informações é também necessária para o trabalho da escrita, é preciso ter
o que dizer, Zaias e Esteves (2004) salientam que, “com efeito, a capacidade de planejar os
conteúdos de um texto relaciona-se com a capacidade de selecionar a informação relevante de
outros textos. Isso é o que acontece para compor um texto, busca-se informações em outros”.
A falta de investimento na formação de professores contribui para o fracasso escolar
das crianças, por outro lado os professores precisam fazer sua parte, precisam ser professores
envolvidos com a educação buscando sempre a melhor maneira de ensinar seus alunos indo em
busca, pesquisando, lendo e se informando para se tornar um professor inovador um professor
que se preocupe com aprendizagem dos seus alunos. Segundo Freire (1996, p.29), não há ensino
sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esse quer-fazeres se encontra um no corpo do outro,
pesquiso para educar e me educar.
De acordo com Colello (2004), a escola precisa ter o interesse nas concepções da
língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, com uma crítica que não se
esgote em si mesmo, mas que ao fundamentar o trabalho docente, consiga transformar o ensino
e compreender as falhas didáticas e as tendências pedagógicas, para a constituição do sujeito,
isso seria uma escola que efetivamente ensina a escrever.
O professor, frente a estes desafios, deverá ser bem preparado por meio de
capacitações, como também ser incentivado a pesquisar para que, na prática, possa encarar as
possíveis situações-problema, com a competência necessária para reconhecer as prováveis
dificuldades de aprendizagem desenvolvidas dentro ou fora da escola.
Freire (2005), diz que o professor tem que partir da realidade do aluno, pois sua
primeira leitura é a do mundo em que está inserido, não chega intocável para se alfabetizar, pois
vem com conhecimento prévio da sua realidade, é dever do professor levar em conta o que o
aluno traz e partir da experiência do aluno, para assim se apropriar da leitura e escrita, pois
envolve o aluno de maneira que suas dificuldades vão sendo superadas.
23
linguagem e escrita do aluno faz parte do seu processo e se dá como um trabalho contínuo de
elaboração cognitiva por meio de inserção no mundo da leitura e escrita (GRANZIOL, 2017).
As dificuldades de aprendizagem na alfabetização devem ser detectadas a princípio
pela observação realizada pelos professores e pais, para juntos buscarem ajuda de outros
profissionais que farão a intervenção adequada de acordo com as necessidades de cada aluno.
Encontrar crianças não alfabetizadas no fim das séries iniciais é hoje uma triste
realidade nas escolas públicas de nossa região e de nosso país. Essa realidade é uma incógnita
para muitos educadores.
25
Segundo Freire (1982) uma vez que a leitura é apresentada a criança ela deve ser
minuciosamente decifrada, trabalhada, pois na maioria das vezes as crianças têm um contato
imediato com a palavra, mas a compreensão da mesma não existiu. Para tanto se faz necessário
apresentar o que esse que foi descrito por tal palavra, de forma que esse objeto proporcione
sentido a ela, pois dessa maneira a busca e o gosto pelo mundo das palavras, isto é, da leitura e
da escrita se intensifica. Logo a leitura ganha vida e a criança adquire o hábito de sua prática.
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do
significado do texto, a partir dos seus objetivos do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o
26
autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, de sistema de
escrita, etc. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita, decodificando-a letra
por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica, necessariamente,
compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura dita
(GONÇALVES, 2014).
A leitura não pode ser vista somente como um mero processo de decodificação
mecânica das palavras, mas também da compreensão e interpretação do que estar escrito em
um texto. De acordo com Martins (1984) a leitura possui várias concepções, porém reduzindo
somente a duas caracterizações, uma de decodificação e a outra de compreensão textual em que
uma depende da outra para que a leitura seja realizada da forma correta.
Segundo Piaget (1978, p. 238), é por meio de um processo contínuo de desequilíbrio
e de novas e superiores equilibrassem que ocorre a construção progressiva do conhecimento da
criança, ou seja, o educador deve ser um agente mediador entre o educando e a sociedade e o
educando um agente ativo na construção do seu conhecimento por meio de sua interação com
o mundo físico e social e isso deve ocorrer de maneira interdisciplinar e contextualizada, sempre
fazendo um intercâmbio entre o sujeito e o objeto.
Emília Ferreiro (2000), aponta que a criança possa por várias fases até que se chegue
à aprendizagem da leitura e da escrita. Para ela, a aquisição dessa aprendizagem depende da
relação que a criança tem desde pequena com a escrita.
Para isso o professor deve conhecer essas hipóteses para saber em que nível está o seu
aluno, sua evolução, e assim poder identificar quais atividades estão de acordo com cada
criança, e inventar maneiras para que a mesma tenha contato com o dicionário e com o alfabeto,
formando palavras, frases, textos, podendo dessa forma possibilitar o entendimento de como se
pronuncia as palavras e como é como são escritas tantas outras que lhes confundem na hora de
escrever.
Quando se fala sobre o contentamento de alfabetizar e ser alfabetizado, quer-se
ressaltar que esse momento de aprendizagem é único, repleto de tensão, superação e
descobertas, atingindo o emocional, o intelectual e o social do discente com bastante
intensidade. Essa transformação requer do professor um grande envolvimento na ação de
ensinar e aprender, requisita-se também, gostar do que faz, e principalmente, de transmitir em
ação a emoção. O professor que descobriu o prazer em alfabetizar tem muito mais chance de
ajudar seus alunos nesta descoberta (SOUSA, 2016).
O aprendizado da leitura é um grande desafio tanto na escola, como para a sociedade,
mas nas escolas atuais a preocupação é ensinar o aluno a escrever o que está na lousa, não tendo
27
sentido e o menor interesse pelo que faz. Seria interessante o estímulo, a leitura diversificada,
pois ao mesmo tempo em que textos diferentes são colocados à disposição, o aluno poderia se
imaginar dentro do mundo da leitura e assim ter um melhor proveito e um bom desempenho
nas suas produções escritas.
Ferreiro e Teberosky (1985) coloca que pensar a alfabetização como aquisição de um
código, tendo a escrita como transcrição da oralidade, é entre a aprendizagem como aquisição
de uma técnica, sendo que basta o alfabetizando decodificar os sinais gráficos para ser
considerado um leitor. Por outro lado, se entender a escrita como um sistema de representação,
sua aprendizagem se converte na apropriação de um novo objeto de conhecimento, ou seja, em
uma aprendizagem conceitual.
Para a pesquisadora, a língua escrita deve ser entendida como um sistema de
representação da linguagem, concepção que se opõe aquela em que a língua escrita é
considerada como codificação da linguagem.
Conhecendo a importância do processo de aquisição da leitura e escrita como sendo
um processo cultural, social e psicológico, podemos refletir e discutir de forma crítica sobre a
função e funcionamento da leitura.
Durante muito tempo os educadores ignoraram o conhecimento prévio do aluno,
limitava-se a insistir em repetir letras, símbolos, palavras e frases sem contextualizar com a
realidade do aluno, sem preocupar-se com a necessidade de mudança de metodologia
educacional, que chamam atenção para trabalhar a produção textual de modo adequado,
conduzindo educado a uma amplitude de saberes (SOUSA, 2016).
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs (BRASIL, 2001),
A língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, pois é
por meio dela que o homem se comunica, tem acesso a informação expressa e defende
pontos de vista, partilha ou constróis visões do mundo, produz o conhecimento.
Assim, um projeto educativo comprometido com democratização social e cultural
atribui à escola a função e a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o
acesso aos saberes linguísticos necessários da cidadania, direito inalienável de todos
(BRASIL, 2001).
De acordo com Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1989), a criança passa por um
processo de aquisição de escrita baseado em cinco níveis de hipóteses: pré-silábica,
intermediário, hipótese silábica, hipótese silábico-alfabética e hipótese alfabética.
Segundo as autoras citadas acima, os níveis pelos quais a criança passa até entender o
sistema de leitura e escrita são:
28
I. Nível pré-silábico: nesse nível, a criança não estabelece relação entre a fala e a
escrita, sua escrita é representada por desenhos, rabiscos, letras, bolinhas e números
como se soubessem escrever sem se preocupar as partes sonoras da escrita. Para a
criança a leitura e escrita só ocorrem se houver muitas letras;
II. Nível Silábico: A criança começa a fazer uma relação entre a fala e escrita, percebe
que a escrita representa a fala e tenta dar valores sonoros às letras, escreve uma letra
para cada sílaba, nesse nível a criança já aceita as palavras com um ou duas letras que
corresponde a emissão oral de cada sílaba;
IV. Nível alfabético: Nesse nível existe a correspondência entre fonemas e grafemas,
as crianças já conseguem ler e escrever o que pensa ou fala, compreendendo que uma
silaba pode ter uma, duas ou até três letras, mas ainda pode esquecer algumas letras
apresentando dificuldades ortográficas (FERREIRO; TEBEROSKY, 1989).
Para as autoras é necessário o professor saber em que estágio o aluno está, para que
ele possa avançar e com isso desenvolver também aspectos propriamente linguístico da
psicogênese da língua escrita.
Ainda com base nas autoras Ferreiro e Teberosky (1989), as atividades de leitura e de
escrita aparecem muito mais nos primeiros anos de trajetória escolar das crianças. Sendo assim,
é de fundamental importância o professor crie situações em que os alunos utilizem as duas
práticas paralelamente, visto que, essa é a fase em que enfrentam muitas dificuldades até
chegarem ao ato de ler e escrever, e dessa forma possa estimulá-los a ler e a escrever de forma
prazerosa, mesmo por que estas práticas serão úteis para a vida das crianças dentro e fora da
escola ao longo da vida.
A aprendizagem da leitura não acontece espontaneamente, é um processo que o sujeito
vai obtendo em longo prazo, é algo que precisa ser ensinado e adquirido sistematicamente em
que o aluno faz previsões, contestações e insere inferências pessoais adequando-as ao contexto
social (SILVA, 2016).
A aprendizagem pode ser definida como uma modificação do comportamento do
indivíduo em função da experiência. E pode ser caracterizada pelo estilo sistemático e
intencional e pela organização das atividades que se implantam em um quadro de finalidades e
exigência determinadas pela instituição escolar (ALVES, 2007).
O processo de aprendizagem traduz a maneira como os seres adquirem novos
conhecimentos desenvolvem competências e mudam o comportamento. Trata-se de um
processo complexo que, dificilmente, pode ser explicada apenas através de recortes do todo
(ALVES, 2007, p. 18).
29
raciocinar, mas trata-se de problemas metodológicos, nesse caso é necessária uma metodologia
de ensino diferenciada, apropriada às reais necessidades do educando, tendo em vista o
aprimoramento de suas habilidades e o desenvolvimento de suas potencialidades.
Ainda conforme Carranher e Schliemann (1989), uma criança quando não entende o
método de ensino trabalhado pelo professor, sente-se frustrada, com problemas de baixa estima,
ficando desinteressado, desatento às aulas importante que o professor tenha consciência que o
aluno apresenta dificuldades de aprendizagem não vontade própria.
Granziol (2017), enfatiza que desde as séries iniciais, quanto antes as crianças se
apropriarem da leitura e da escrita, mais poderão desenvolvê-las com êxito em seus anos de
escolaridade, sendo assim, serão capazes de utilizá-la como prática discursiva com muita
facilidade durante sua trajetória escolar.
Que o professor tenha consciência que o aluno apresenta dificuldades de aprendizagem
não por vontade própria. Trabalhar as dificuldades, tentar recuperar a autoestima do aluno,
analisar os métodos de ensino são de fundamental importância para os educadores que
enfrentam problemas relacionados a metodologia.
A metodologia está também intimamente ligada à noção de aprendizagem, a
estimulação e a atividade em si não garantem que a aprendizagem se opere. Para aprender é
necessário estar-se motivado e interessado. A ocorrência da aprendizagem depende não só do
estímulo apropriado, como também de alguma condição interior própria do organismo
(FONSECA, 1995, p. 131).
Barca Lozano e Porto Rioboo (1998) apresentam um conceito de aprendizagem como
um processo ativo, sendo que, os alunos precisam realizar uma certa quantidade de atividades
facilitando a assimilação dos conteúdos. O segundo define a aprendizagem como um processo
construtivo, sendo que as atividades que os alunos desempenham têm como objetivo a
construção do conhecimento.
O terceiro menciona a aprendizagem como um processo em que o aluno deverá
aprimorar e organizar as estruturas cognitivas.
Segundo Vygotsky, (1998):
A criança que vive num ambiente estimulante vai construindo prazerosamente seu
conhecimento do mundo. Quando a escrita faz parte do seu universo cultural também
constrói conhecimentos sobre a escrita e sobre a leitura. Ler é conhecer. Quando mais
tarde ela aprender a ler a palavra, já enriquecida por tantas leituras anteriores,
apropriar-se-á de mais um instrumento de conhecimento do mundo (GARCIA, apud
MOLL, 1996, p.69).
Para tanto, é necessário que se trabalhe dentro do padrão de cada aluno, no nível de
conhecimento e realidade que cada aluno vive e já conhece no seu cotidiano. Mas nem todos os
educadores têm esta visão de que, para a criança, é mais estimulante vivenciar a cultura do seu
dia a dia, em vez de ensinar métodos desordenados que causam na criança o bloqueio das
habilidades.
34
4 PERCURSO METODOLÓGICO
Segundo o gestor da escola campo da pesquisa, a instituição passou por uma ampliação
no início do ano, pois estava em péssimas condições de funcionamento, não tinha ventilador,
as paredes estavam rachadas, o número de salas não atendia a demanda do número de turmas,
o que gerou muita polêmica e por conta disso os pais se recusavam em mandar seus filhos para
a escola.
Com isso, foi necessário construir mais uma sala de aula, colocar ventiladores para
atender as necessidades dos alunos. A estrutura física da escola está apresentada no Quadro 1
abaixo.
Quadro 1 - Estrutura física da escola campo.
Estrutura Física Quantidade
35
Salas de aulas 5
Banheiros 2
Secretaria 1
Dispensa 1
Cozinha 1
Pátio de recreação 1
Os recursos humanos da escola são constituídos por (01) gestor, (01) gestor adjunto,
(01) assistente administrativo, (19) professores, (05) merendeiras e (02) vigias. Os professores
estão divididos nas seguintes turmas: Educação Infantil, Ensino Fundamental (anos Iniciais e
anos Finais) e EJA - Educação de Jovens e Adultos.
Todos os professores já têm mais de três anos de serviço na instituição, sendo que
alguns tem 12 anos, outros 15 anos, somente uma professora tem carga horária reduzida por
conta do tempo de serviço. Na escola há um quantitativo de 215 alunos.
Por ser uma escola muito pequena, recebe alunos em todos os turnos, matutino,
vespertino e noturno. No turno matutino atendido alunos da Educação Infantil e 1º e 2º ano do
Ensino Fundamental, no turno vespertino atende 3º, 4º e 5º ano do Ensino Fundamental anos
iniciais, 6º e 7º ano do Ensino Fundamental anos finais; e no turno noturno atende alunos do 8º
e 9º ano do Ensino Fundamental anos finais, assim como também as etapas da EJA. De acordo
com o gestor, escola apresenta superlotação necessitando de revisão na estrutura física para
melhor acomodar os alunos.
Quanto a estrutura pedagógica, a escola conta o programa Pacto Nacional pela
Alfabetização na Idade Certa - PNAIC, onde a mesma também está desenvolvendo um projeto
de leitura.
O planejamento da escola é realizado semanalmente, o processo de ensino é
acompanhado de observação e produção dos alunos, trabalhos expostos na sala de aula, tais
como cartaz e materiais impressos.
Segundo informações repassadas pelo gestor, um fator positivo nesta escola é que não
há problemas com a evasão escolar e com transferências. Porém, há um problema preocupante,
onde os professores relatam que muitos dos alunos aprovados não acompanham a série seguinte
com bom desempenho, justamente devido à dificuldade de compreensão na leitura e
consequentemente dificultando a escrita.
36
Percebemos que essa dificuldade é bem nítida, quando o aluno encerra o ciclo do
ensino fundamental anos iniciais para ingressar nos anos finais que o impacto é muito grande.
Eles apresentam essas dificuldades porque não tiveram uma boa base, a meu ver essa
alfabetização deve acontecer nos primeiros anos de ensino fundamental, se a criança não for
alfabetizada nesta etapa, dificilmente ela terá êxito na sua trajetória educacional.
Outros motivos que afetam no desenvolvimento de ações que venham a ajudar os
alunos a superarem essa deficiência na leitura e na escrita, são: presença dos pais na escola,
acompanhamento nas atividades de casa, a disciplina de alguns alunos e a presença de
psicólogos.
O presente trabalho trata de uma pesquisa de caráter qualitativo com base em pesquisa
bibliográfica, elaborada a partir de material já publicado, de vários autores da área, os quais
abordam o tema em questão, e os mesmos oferecem subsídios teóricos bastante significativos
para fundamentação da temática em questão.
Segundo Minayo (2014), a pesquisa qualitativa se preocupa com o nível de realidade
que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, de
motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais
profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à
operacionalização de varáveis.
Toda pesquisa qualitativa, social, empírica, busca a tipificação da variedade de
representações das pessoas no seu mundo vivencial (BAUER; GASKELL, 2008) mas,
sobretudo, objetiva conhecer a maneira como as pessoas se relacionam com seu mundo
cotidiano. Para a realização desta pesquisa foram utilizados dois instrumentos metodológicos
importantes: a observação direta e a aplicação de questionários direcionado aos professores.
Os momentos de observação possibilitarão conhecer melhor um pouco do trabalho dos
professores entrevistados. O questionário, segundo Gil (1999, p.128), pode ser definido “como
a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões
apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças,
sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc.
O estudo realizado na Escola Municipal Odorico Fonseca, foi por meio de uma
pesquisa de campo, através de entrevistas aplicadas em forma de questionários (APÊNDICE
A) para professores desta instituição de ensino, com intuito buscar entender o que dificulta o
37
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Professor 4 Sim, em meu ponto de vista a leitura é uma Leitura como fonte
passagem infinita para o conhecimento é fundamental para o
algo que ajuda muito no desenvolvimento desenvolvimento.
dos alunos, assim como a prática da
escrita.
Do ponto de vista dos professores, a leitura é algo que ajuda a desenvolver, nos alunos,
a prática da escrita, é considerada para um dos professores como uma passagem infinita para o
conhecimento. Outro professor diz que o ensino se constrói quando o aluno ler e interpreta a
sua própria leitura.
É notório observar pelas próprias respostas dos docentes, a importância da leitura no
cotidiano de cada criança, uma vez que a leitura se inicia dentro de casa com a família. No
entanto, infelizmente, há muitas crianças que não têm esse contato com leitura em casa, pois
muitos pais, preocupados com os afazeres diários, delegam à escola a responsabilidade de
estimular as crianças a ler e escrever.
A terceira pergunta colocada aos professores objetiva saber se eles costumam ler para
seus alunos. Foi aplicada a seguinte pergunta: “Você costuma ler para os seus alunos? Se sim,
41
que tipo de obra? O que significa você enquanto professor fazer leitura para eles?”, as
respectivas respostas foram organizadas no Quadro 3.
Quadro 4 - Respostas para a pergunta: “Você costuma ler para os seus alunos? Se sim, que tipo de obra?
O que significa você enquanto professor fazer leitura para eles?”.
Como demonstrado acima, foi perguntado aos professores se eles costumavam ler para
os alunos. Que obras liam e o que significava ler para elas. Para alguns, a leitura é como rotina
diária.
Geralmente, esses professores utilizam textos dos livros do PNDE que compõe o
acervo do programa Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC, notícias de
jornais e textos reflexivos para desenvolver a aprendizagem das crianças. As respostas dos
professores, nos leva a perceber que os docentes entrevistados reconhecem a importância
fundamental da leitura para o desenvolvimento cognitivo dos alunos.
A quarta pergunta direcionada aos professores objetivou saber se esses costumam
escutar seus alunos quando eles querem contar histórias. Assim foi feita a seguinte pergunta:
“Você costuma escutar os seus alunos quando estes querem contar histórias? Por quais
motivos?”. As respostas colhidas foram organizadas no Quadro 4, abaixo.
Quadro 5 - Respostas para a pergunta: “Você costuma escutar os seus alunos quando estes querem
contar histórias? Por quais motivos?”.
Participante Respostas
Professor 1 Sim, com certeza. Acredito que ouvi-los é importante para o
desenvolvimento deles, acredito que isso os torna confiantes e
incentiva-os a serem pessoas comunicativas, em alguns momentos
peço a eles para contarem suas histórias toda a turma, isso é uma
forma de encorajá-lo.
Professor 2 Adoro escutar meus alunos, pois eles têm muitas histórias para
contar e isso faz com que eles se expressem e interajam dentro da
sala de aula.
43
Professor 3 Estou sempre ouvindo os meus alunos, pois sei que eles têm
muitas histórias interessante para contar.
Professor 4 Amo ouvir as histórias dos meus alunos, eles sempre relatam
histórias da sua realidade. Pois é através da escuta que
conhecemos a vida das crianças e muitas vezes fazemos nosso
planejamento com base nessa realidade.
Professor 5 Costumo sempre ouvir meus alunos até mesmo para que eles
possam desenvolver a oralidade e vencer o medo de se expressar
em público.
Quadro 6 - Respostas para a pergunta: “Você enquanto, professor sente-se motivado em estimular nos
alunos o gosto pela leitura? De que maneira?”.
Para os professores, o que lhes deixam motivados em estimular nos alunos o gosto pela
leitura, é saber que esses discentes se desenvolverão de maneira eficaz. Além disso, fazer com
que crianças e adolescentes se voltem e se interessem pela leitura de um livro ou uma revista é
difícil nesse mundo tecnológico e quando se consegue atingir o objetivo de estimular a leitura,
o professor percebe o quanto esse trabalho é gratificante.
A leitura é um processo de compreensão abrangente que envolve aspectos sensoriais,
emocionais, intelectuais, fisiológicos, bem como culturais, econômicos e políticos. É a
correspondência entre os sons e os sinais gráficos, através da decifração do código e a
compreensão do conceito ou ideia (COELHO, 2009, p. 85).
Gostar de ler e interessar-se pela leitura são hábitos construídos por algumas pessoas
de maneira natural. Muitas vezes parte da própria família, a convivência com a escrita e leitura
de histórias é um fato usual em algumas famílias. Entretanto, isso não é uma regra, pois a prática
aponta para um déficit considerável em relação ao estímulo à leitura em casa.
Na prática, muitas famílias jogam a responsabilidade para a escola porque acreditam
que é na escola que este gosto pode ser incentivado. Portanto é importante que a criança perceba
a leitura como ato prazeroso e para isso é necessário que os adultos sirvam de modelo. A sala
de aula pode se tornar um espaço em que a criança entre em contato direto com vários textos
por meio de exploração de livros, jornais, revistas, outros.
A sociedade precisa entender que práticas de leitura devem começar em casa. A família
deve servir de exemplo aos alunos no que se refere às práticas de leitura e escrita. Dessa forma
haverá uma importante mudança de atitude e, quem sabe, as próximas gerações se transformem
em gerações leitoras.
46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste estudo foi possível observar alguns indicadores, como a desejada
melhoria na construção de um ensino de qualidade referente à leitura e a escrita está sendo
conduzida de forma lenta, mas que já está sendo reconhecida a necessidade de estratégias nesse
aspecto nas escolas.
Com base nas considerações teóricas estudadas, constatamos que, na escola, por
exemplo, precisam-se planejar situações que levem os alunos a desenvolver estratégias de
leituras diversificadas e conhecimentos apropriados para diferentes contextos de interação.
Com base nos dados da pesquisa contatei que a leitura é uma ação inclusiva, pois possibilita ao
indivíduo a participação em eventos sociais de letramento. Colabora, portanto, para a
construção da identidade cidadã dos alunos.
Diante dos relatos dos professores entrevistados, as informações coletadas sugerem
que sejam discutidas e desenvolvidas ações para tentar sanar as dificuldades encontradas pelos
professores diante de alunos com dificuldades de leitura e escrita. Desse modo, é preciso
possibilitar aos alunos o acesso às práticas diversas de leitura que auxiliem em sua atuação na
escola e fora dela.
Analisando os dados coletados nos questionado, o que se percebe, muitas vezes, é que,
há certa desvinculação entre leitura e prazer. Na verdade, não se defende que ler na escola seja
sempre um ato de fruição.
No entanto, é fundamental que possa ser, também, deleite, para que essa instituição
passe a se construir, de fato, como um espaço de formação de leitores. Ao longo desse estudo
foram feitos comentários de alguns pontos de vista dos autores consultados sobre o tema,
relacionando essa discussão com o que se tem observado sobre as dificuldades de leitura e
escrita em nossa prática docente nos anos iniciais.
A pesquisa feita sobre dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita nas séries
iniciais levou a compreensão de que a alfabetização sendo uma etapa do letramento possibilita
o desenvolvimento de várias habilidades referentes a leitura e à escrita. Mediante o que foi
exposto no quadro teórico e análise dos dados deste estudo, é notório observar que muitos dos
entrevistados atuam como peças importantes no desenvolvimento de uma criança.
Fazendo um comparativo, diante de nossas práticas docentes, ressaltamos a urgência
de mudanças pedagógicas neste sentido, haja vista a perda de especificidade do processo de
desenvolvimento da leitura, limitando às causas de natureza pedagógica, como também a
reorganização do tempo escolar devido à implantação de ciclos – este item é preocupante, pois
47
REFERÊNCIAS
ALVES, Doralice Veiga. Psicopedagogia: Avaliação e Diagnóstico. 1 Ed. Vila Velha- ES,
ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil, 2007.
ASSIS, Maria Bernadete Amêndola Contart de. Aspectos afetivos do desempenho escolar:
alguns processos inconscientes. Boletim da Associação Brasileira de Psicopedagogia, v. 20,
p. 35-48, 1990.
BACHA, Magdala Lisboa. Leitura na Primeira Série. Rio de Janeiro: Livro técnico, 1975.
BARROS, Maria Luísa; PEREIRA, Ana Isabel; GOES, Ana Rita. Educar com Sucesso:
manual para técnicos e pais. Lisboa, 2007.
BAUER, Martin W.; GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto: imagem e som:
um manual prático. Gareschi, P. A. (trad.), 7. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
CAGLIARI, Carlos. Alfabetização e linguística. 10. ed. São Paulo: Scipione, 2001.
COELHO, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Editora Ática S.A., 2009.
COSTA, Maria dos Remédios Nunes da; DAMASCENO, Ana Christina de Sousa;
DAMASCENO, Christiana de Sousa; SOUSA, João Carlos Araújo de. Dificuldades na
Aquisição da Leitura e Escrita em alunos recém-chegados dos anos Iniciais do Ensino
Fundamental. In.: Congresso Nacional da Educação – CONEDU, 2020. Disponível em:
https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2020/TRABALHO_EV140_MD1_SA15_I
D1101_01102020165849.pdf. Acesso em: 02 jul. 2022.
DA SILVA, Carlos Alberto. Leitura e escrita nas series iniciais do ensino fundamental nas
escolas públicas de Olinda-PE. Revista Internacional de Investigación en Ciencias
Sociales, v. 9, n. 1, p. 57-74, 2013. Disponível em:
https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4395909.pdf. Acesso em: 18 jun. 2022.
49
DOS SANTOS, Elaine Cristina Gomes; SANTANA, Maria Jezenira Alves de; SOLEDADE,
Maria José Souza Santos. 2016. 11 f. As Dificuldades no Processo de Aquisição da Leitura
e da Escrita na Alfabetização Infantil. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de
Pedagogia) - Faculdade São Luis de França. Aracaju - SE, 2016.
FARAH, Tatiana. Relatório da UNESCO aponta Brasil como oitavo país no mundo em
número de analfabetos. 2011. Disponível em: http://oglobo.globo.com/politica/relatorio-da-
unescoaponta-brasil-como-oitavo-pais-no-mundo-em-numero-de-analfabetos-2816235.
Acesso em: 30 maio 2022.
FERREIRA, Eliane Maria Sanches; BRITO, Maria Izelina Santos de. Dificuldades no
processo da aquisição da leitura e da escrita nos anos inciais do Ensino Fundamental. 33
f. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura Plena em Pedagogia). Universidade
Federal Rural da Amazônia – UFRA, Gurupá - PA, 2015. Disponível em:
http://www.bdta.ufra.edu.br/jspui/bitstream/123456789/441/1/Dificuldades%20no%20Proces
so%20da%20Aquisi%C3%A7%C3%A3o%20da%20Leitura%20e%20da%20Escrita%20nos
%20Anos%20Inciais%20do%20Ensino%20Fundamental.pdf. Acesso em: 30 maio. 2022.
______, Emília. Reflexão Sobre Alfabetização. São Paulo: Editora Cortez, 2000.
______, Emília; TEBEROSKY, Ana. A Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1985.
______, Emília; TEBEROSKY, Ana. Alfabetização em processo. São Paulo: Editora Cortez,
1989.
______, Paulo. A importância do ato de ler: em três, artigos que completam. São Paulo:
Cortez, 1982.
______, Paulo. Escola primária para o Brasil. Revista brasileira de estudos pedagógicos, v.
86, n. 212, 2005.
______, Paulo. Pedagogia da autonomia. 29ª edição (coleção leitura). São Paulo: Paz e
Terra, 1996.
50
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura. Teoria e prática. 8 ed. Campinas. SP: Pontes, 2006.
MARTINS, Maria Helena. Coleção Primeiros Passos, v. 74. São Paulo: Brasiliense, 2003.
PILETTI, Claudino. Didática Especial. 15ª ed. São Paulo: Ática, 2010.
SAUTCHUK, Inez. A produção dialógica do texto escrito. Rio de Janeiro: Martins Fontes,
2010.
SHIMAZAKI, Elsa Midori. Causas das dificuldades na leitura e escrita. Maringá: UEM,
2010.
SILVA, Jacineide Virgínia Borges Oliveira da. Dificuldades na Leitura e Escrita. 2015. 41
f. Monografia (Especialização em Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas
Interdisciplinares) - Universidade Estadual da Paraíba. Itabaiana - PB, 2015.
SILVA, Josefa Natali da; SILVA, Josefa Silvana da. Dificuldade na Leitura e na Escrita
nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental I. In VI Congresso Nacional de Educação, 2019.
Disponível em:
https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA8_ID
3783_29072019200951.pdf. Acesso em: 25 maio. 2022.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 1998.
52
ANEXOS
54
ATIVIDADE - Monografia
_________________________________________________
Profa. Dra. Karla Cristina Silva Sousa
Coordenadora de Curso de Licenciatura em Pedagogia EAD / UFMA
55
APÊNDICES
56
1) Você gosta de ler? Caso positivo, quantos livros você ler por ano?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
2) Qual é o seu ponto de vista acerca da leitura? Você acha possível se construir uma
educação de qualidade?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
3) Você costuma ler para os seus alunos? Se sim, que tipo de obra? O que significa
para você enquanto professora fazer leituras para os alunos?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
4) Você costuma ouvir os seus alunos quando estes querem contar histórias?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
5) Você enquanto professora sente-se motivada em estimular nos alunos o gosto pela
leitura? De que forma?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________