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Biofísica do Sistema Circulatório

Se um vaso sanguíneo sofreu aterosclerose por acúmulo de colesterol, isso provocaria um estreitamento do seu diâmetro. De acordo com a Lei de Poiseuille, quanto menor o raio de um vaso, maior será sua resistência. Portanto, nesse caso haveria um aumento da resistência vascular devido à diminuição do diâmetro do vaso. Conforme a Lei de Ohm para a circulação, quando há aumento da resistência vascular, é necessário um aumento da pressão para que o fluxo sanguíneo se mantenha. Logo, nessa

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Biofísica do Sistema Circulatório

Se um vaso sanguíneo sofreu aterosclerose por acúmulo de colesterol, isso provocaria um estreitamento do seu diâmetro. De acordo com a Lei de Poiseuille, quanto menor o raio de um vaso, maior será sua resistência. Portanto, nesse caso haveria um aumento da resistência vascular devido à diminuição do diâmetro do vaso. Conforme a Lei de Ohm para a circulação, quando há aumento da resistência vascular, é necessário um aumento da pressão para que o fluxo sanguíneo se mantenha. Logo, nessa

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Universidade Federal do Piauí

Centro de Ciências da Saúde


Disciplina: Biofísica

Biofísica da Circulação
Tópicos da aula

1. Estrutura e Função do Sistema Circulatório

2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

3. Circulação Arterial e Circulação Venosa

4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

5. Pressão Arterial e suas Técnicas para Aferição

6. Alterações Patológicas do Fluxo sanguíneo


1. Estrutura e Função do Sistema Circulatório

Para que serve o sistema circulatório?

• Sistema de comunicação entre orgãos e tecidos

• Manutenção da Temperatura

• Transporte de nutrientes: sist. digestivo -tecidos

• Transporte de metabolitos e toxinas: Sistema renal

• Gases O2 e CO2: pulmão-tecidos- pulmão


• Carreador de hormônios, peptídios etc...
1. Estrutura e Função do Sistema Circulatório

Estrutura

• Coração: bomba de ejeção

Localização: cavidade torácica (mediastino)

• Vasos sanguíneos: rede de comunicação

Circulação Arterial e Venosa

• Sangue: Fluído contendo células, metabolitos e


nutrientes
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

• Bomba propulsora de fluido capaz de manter o fluxo continuo

• Regida pela lei de Frank-starling

Distenção do
miocardio
“Estabelece que o coração, dentro de limites fisiológicos, é capaz
de ejetar todo o volume de sangue que recebe proveniente do
retorno venoso”
Tensão gerada
_ Tudo sangue que entra sai _

Contratilidade
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

• Lei de Frank-starling -

1- Quando o coração é submetido ao estiramento de suas paredes musculares, ele promove


uma contração mais vigorosa, aumentando, o volume sistólico do ciclo e o volume diastólico
do ciclo.
volume normal de sangue na sístole
ventricular (µL)

pressão exercida sobre as paredes do


ventrículo esquerdo (mmHg)
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

• Orgão muscular oco


Artéria Artéria
pulmonar aorta

• 4 cavidades: 2 átrios e 2 ventrículos veia veia


cava pulmonar

• Revestido por uma estrutura fibrosa


(pericardio)

Como essa bomba se contrai?


2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

Fibras Especializadas Musculo Atrial Musculo Ventricular


fibras musculares cardíacas Dois átrios Dois ventrículos
com poucas miofibrilas contraem contraem
como uma unidade como uma unidade

geração espontânea
de estímulo
(fibras excitatórias)
Contração dos átrios
Nó sino atrial
2 sincícios
(marca-passo)
funcionais
Contração ventricular

bombeamento
cardíaco eficaz
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo O potencial elétrico e o ECG

Como inicia a condução elétrica? Nó sino atrial


(marca-passo)

Contração do átrios

sinal chega ao nó AV

Estimulo do feixe de His


e
Fibras de Purkinje

Ventrículos contraem
2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

O potencial elétrico e o ECG

QRS

P T

Onda P: contração dos átrios (despolarização dos atrios)

Onda QRS: contração dos ventrículos (despolarização dos ventriculos)

Onda T: repolarização ventricular


2. O Coração: a bomba hidráulica do corpo

O ciclo cardíaco
Qual o objetivo do potencial elétrico?
3. Circulação Arterial e Circulação Venosa

As redes de comunicação com o coração, pulmão e tecidos

Artérias: Transportam sangue do coração aos tecidos

Arteríolas: ramos finais do sistema arterial

Capilares: Trocas de substancias entre sangue e o


espaço intersticial

Vênulas: coletam o sangue capilar , coalescem,


formando as veias

Veias: Transportam sangue do corpo para o coração


3. Circulação Arterial e Circulação Venosa

Tipos de circulação:

Venosa:
- sangue rico em CO2
- CO2 produzido na respiração celular

Arterial:
- sangue rico em O2
- O2 vindo dos pulmões
3. Circulação Arterial e Circulação Venosa

Circulação Pulmonar

Circulação Sistêmica
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Estudo das leis físicas, relacionados ao fluxo sanguíneo

O que é Fluxo sanguíneo?

Quantidade de sangue que passa por um determinado ponto da circulação


durante certo intervalo de tempo.

Na circulação de um adulto fluxo = 5000mL/min (esse valor pode ser considerado como
débito cardíaco)
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Sangue - Fluido não-Newtoniano (varia de acordo com o grau de deformação aplicado)

O Fluxo sanguíneo deve ser mantido constante e segue um fluxo laminar.

Numero de Reynolds

v - velocidade média do fluido


D - diâmetro do tubo
μ - viscosidade do fluido
ρ - massa específica do fluido

[400; 2.000] – laminar

< 400; > 2.000 – turbilhonar


4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam o Fluxo Sanguíneo

Diferença de Pressão sanguínea


Lei de Ohm

(ΔP) Fluxo
Fluxo = ∆P
R
Resistência vascular ao fluxo (R)

(R) Fluxo

O fluxo nos vasos sanguíneos é determinado por 2 fatores:

1. Diferença de pressão

2. Resistência vascular
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam o Fluxo Sanguíneo

Fatores que influenciam a resistência vascular:


- Viscosidade (n): grau de fluidez. Depende do hematócrito e temp.

Se a viscosidade o Fluxo e a velocidade.

- Comprimento do vaso (∆L): maior superfície de contato

- Calibre do vaso (2r):


- Vasodilatação: RV e pressão

- Vasoconstricção: RV e pressão
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam a resistência vascular


Viscosidade
• A viscosidade do sangue: 4x10-3Pas

• Influenciada por fatores séricos: interferem no


escoamento (fluxo)

Viscosidade do sangue
Viscosidade do plasma
fatores Viscosidade da água
séricos vicosidade resistencia

Viscosidade
fatores
séricos vicosidade resistencia
Sangue normal

Hematócrito
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam a resistência vascular


Viscosidade
Fatores séricos
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam o Fluxo Sanguineo

Calibre e comprimento dos vasos


Vasos de mesmo comprimento e raios
diferentes possuem vazões diferentes!!!

diâmetro resistência

diâmetro resistência

Como esses fatores alteram o fluxo?


4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam o Fluxo Sanguíneo

LEI DE POISEUILLE-HANGEN F = velocidade/ intensidade de fluxo

π = 3,14
F = π ∆P r4 ΔP = variação de pressão (P1-P2)
8 η ∆L r = raio do vaso
n = viscosidade do líquido
ΔL = comprimento do vaso

Fluxo
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Fatores que influenciam o Fluxo Sanguíneo

LEI DA QUARTA POTÊNCIA


aumento do raio de um vaso pode ser até 4 vezes,
logo o fluxo aumenta 256 vezes
F = π ∆P r4
8 η ∆L

Importância

Arteríolas podem alterar seu diâmetro, interromper o fluxo sanguíneo ou aumentar o


fluxo ao extremo
Fluxo
- Resposta a sinais químicos ou nervosos
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Exercício: Qual seria a alteração da pressão sanguínea de um vaso sanguíneo que


sofreu uma aterosclerose por consequência de acúmulo de colesterol que resultou
na redução do seu raio pela metade?

Informaçoes dadas

F = ¶ ΔP r4
8nl

r = raio do vaso
ΔP = variação de pressão
n = viscosidade do líquido (contante)
l = comprimento do vaso (constante)
F = fluxo constante
¶ =constante

ΔP irá multiplicar por 24 = 16 vezes


4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Conclusões:

Se o fluxo e todos os outros parâmetros forem constantes e se a pressão normal de um


vaso for 120mmHg o que pode acontecer quando o raio do vaso diminui pela metade?

Resposta: a pressão aumenta 16 vezes ou seja.. 16 x 120 = 1920mmHg --- Em teoria --

Isto é uma boa razão para nos preocuparmos com os níveis de colesterol no sangue,
ou qualquer obstrução das artérias. Uma pequena mudança no raio das artérias pode
significar um enorme esforço para o coração conseguir bombear a mesma quantidade
de sangue pelo corpo.
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Teorias Básicas do Funcionamento da Circulação

1- Fluxo sanguineo varia com a necessidade dos tecidos

- Σfluxo de cada orgão = Fluxo final do sistema


2- O debito cardíaco é controlado pela demanda tecidual

Tecidos
Consumo X

Consumo 3X

Debito 3X

Débito X Coração
4. Hemodinâmica e a Física da Circulação

Teorias Básicas do Funcionamento da Circulação

3- Mecanismos de controle da pressão arterial

PA ↓ 80mmHg Mecanoreceptores Controle Renal


PA ↑100mmHg (baroceptores) Volemia

↑ aporte de sangue Sistema Nervoso ↓ aporte de sangue

Contração das Relaxamento


Veias das Veias

PA 100mmHg
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

PRESSÃO SANGÜÍNEA = força exercida pelo sangue em qualquer unidade de área da


parede vascular.

Pressão Arterial = 100 mmHg

Sistólica → 120 mmHg

Diastólica → 80 mmHg
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Efeito da Postura Sobre a Pressão


Pressão
(mmHg)

Arterial Venosa

Altura Relativa do Coração


70 -30
+60 cm

100 4
144 44
-60 cm

g 188 88
-120 cm

Pcabeça = Pcoração – ds ● g ●h
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Tecnicas de aferição de pressão

Método Direto
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Técnicas de aferição de pressão

Método Indireto Palpatório


5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Técnicas de aferição de pressão

Método Indireto Auscultatório


Sons

estetoscópio
Manguito

manômetro
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Técnicas de aferição de pressão

A importância das bulhas cardíacas

Sons derivados do batimento cardíaco

B1: Início da sistole, derivada do fechamento das válvulas mitral e tricúspide

B2: Início da diástole, derivada do fechamento das válvulas a aorta e pulmonar

B3: Vibração das paredes ventriculares na fase de enchimento rápido (diástole) podendo
ser no exercício ou na insuficiência cardíaca.

B4: Vibração da parede ventricular durante contração atrial (sístole) (Patológica –


hipertensão pulmonar, sistêmica, infarto do miocárdio)
5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Técnicas de aferição de pressão

Sopros Cardíacos

Ausculta de fluxo turbilhonar

Origem: Estenose valvares ou comunicação anormal entre artérias aorta e pulmonar

Classificação:

Sistólico – estenose aórtica ou pulmonar

Diastólico – estenose das valvas atrioventriculares

Sistolo-diastólico - lesão valvar, estenose e insuficiência combinadas


5. Pressão Arterial e suas técnicas de aferição

Focos de ausculta cardiaca


1- Aórtica= 2o espaço intercostal direito, junto
ao esterno
2 2- Pulmonar= 2o intercostal esquerdo, borda
do esterno

3- Tricuspíde= Parte baixa do esterno, junto à


linha paraesternal esquerda (apêndice
xifoide);

1 4- Mitral= 5o. Espaço intercostal esquerdo,


linha hemiclavicular esq.

3 4

Foco Aórtico acessório: 3º espaço intercostal esquerdo


6. Alterações Patológicas do Fluxo sanguíneo

O Retorno Venoso e Débito Cardíaco

Retorno Venoso(RV): é a intensidade ou velocidade pela qual o sangue


retorna aos átrios através das veias.

Débito Cardíaco (DC): é a intensidade ou velocidade/min pela qual o sangue é


bombeado por qualquer dos ventrículos.
Repouso  5 a 8 l/min
Exercício  20 a 25 l/min

Débito Pressão
Cardíaco Arterial
6. Alterações Patológicas do Fluxo sanguíneo

Desregulação
P. A. dos barorreceptores

Alterações da sensibilidade dos


vasos

Aneurismas Estenoses

Perda da elasticidade tromboses


dos vasos

Acidente Vascular Cerebral Isquêmico


6. Alterações Patológicas do Fluxo sanguíneo
6. Alterações Patológicas do Fluxo sanguíneo
Bibliografia

1. GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª edição. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2011.

2. HENEINE, I.F. Biofísica Básica. São Paulo: Atheneu, 2002.

3. DURAN J.H.R. Biofisica - conceitos e aplicações. 1° edição. São Paulo: Pearson


Education, 2011.

4. GARCIA, E.A.C. Biofisica. São Paulo: Sarvier, 2002.

5. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana, uma abordagem integrada. 5ª edição.


São Paulo: Artmed, 2010.

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