0% acharam este documento útil (0 voto)
184 visualizações36 páginas

Princípios do Direito Processual Civil

1. O documento discute o conceito, fontes, interpretação e princípios do Direito Processual Civil. 2. São abordados os conceitos de processo, processo civil e a relação entre Direito Processual e Direito Material, destacando a instrumentalidade do processo. 3. Também são tratados os temas da constitucionalização do processo civil, fontes formais e não formais do Direito Processual, métodos de interpretação e principais princípios, como o devido processo legal e o contraditório.

Enviado por

Leticia Lacerda
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
184 visualizações36 páginas

Princípios do Direito Processual Civil

1. O documento discute o conceito, fontes, interpretação e princípios do Direito Processual Civil. 2. São abordados os conceitos de processo, processo civil e a relação entre Direito Processual e Direito Material, destacando a instrumentalidade do processo. 3. Também são tratados os temas da constitucionalização do processo civil, fontes formais e não formais do Direito Processual, métodos de interpretação e principais princípios, como o devido processo legal e o contraditório.

Enviado por

Leticia Lacerda
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

13/07/2022

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

SUMÁRIO

SUMÁRIO .......................................................................................................................................................... 3
DIREITO PROCESSUAL CIVIL - RODADA 01 .......................................................................................... 5
QUAL DEVE SER O FOCO? ....................................................................................................................................5
1. CONCEITO DE PROCESSO................................................................................................................................5
2. CONCEITO DE PROCESSO CIVIL ....................................................................................................................6
3. RELAÇÃO ENTRE DIREITO PROCESSUAL E DIREITO MATERIAL. INSTRUMENTALIDADE
DO PROCESSO ...........................................................................................................................................................7
3. PROCESSO CIVIL CONSTITUCIONAL ...........................................................................................................8
4. FONTES FORMAIS DA NORMA PROCESSUAL CIVIL .......................................................................... 10
4.1. Fonte formal ................................................................................................................................................. 11
4.2. Fontes não formais ..................................................................................................................................... 12
5. INTERPRETAÇÃO DO PROCESSO CIVIL .................................................................................................. 13
5.1. Principais métodos de interpretação da norma ................................................................................ 14
6. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO ..................................................................................... 15
7. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO .................................................................................. 17
8. NORMAS FUNDAMENTAIS ........................................................................................................................... 18
9. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL .............................................................................................................. 18
9.1. Devido Processo Legal ............................................................................................................................. 18
9.2. Princípio da dignidade da pessoa humana ......................................................................................... 20
9.3. Contraditório ................................................................................................................................................ 20
9.4. Ordem cronológica de julgamento........................................................................................................ 34

Central de Dúvidas: [email protected] 3


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

DIREITO PROCESSUAL CIVIL - RODADA 01


TEMA DO DIA

Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios

FILTRO DO TEMA NO BUSCADOR DO DIZER O DIREITO:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL – PRINCÍPIOS

QUAL DEVE SER O FOCO?

1. Constitucionalização do Processo Civil

2. Princípios Processuais

3. Aplicação da Lei Processual no Tempo

1. CONCEITO DE PROCESSO

Conceito de processo: há várias definições diferentes para processo a depender da

perspectiva de análise realizada. Assim, pode ser segundo Fredie Didier Jr.1: a) método de criação

de normas jurídicas, b) ato jurídico complexo e c) relação jurídica.

Processo como método de produção de normas jurídicas: as normas somente podem ser

exercidas processualmente.

a) Processo legislativo: criação de normas gerais pelo Poder Legislativo;

b) Processo administrativo: produção de normas gerais e individualizadas pela

Administração Pública;

c) Processo jurisdicional: produção de normas pela jurisdição. Nesse caso, para ser válido, o

processo deve seguir o modelo previsto na Constituição Federal com todos seus

institutos e direitos fundamentais.

d) Processo negocial: criação de normas decorrentes do princípio da autonomia da vontade.

1
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 33-34.
Central de Dúvidas: [email protected] 5
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Processo como ato jurídico complexo: Para essa acepção, o processo seria sinônimo de

procedimento. É considerado complexo, pois há o ato final que o caracteriza, mas também ato ou

atos condicionantes do ato final, que se relacionam entre si, ordenadamente no tempo, de modo

que constituem partes integrantes de um processo. É o conjunto ordenado de atos destinados a

um fim.

Processo como relação jurídica: o processo é o conjunto das relações jurídicas que vão

sendo estabelecidas entre os sujeitos processuais, que envolvem o juiz, as partes, os auxiliares da

justiça, dentre outros. Assim, o conjunto de relações jurídicas foram uma relação jurídica maior

denominada processo. Nesse sentido, processo é uma relação jurídica complexa, pois dele

decorrem feixes de relações jurídicas.

2. CONCEITO DE PROCESSO CIVIL

De acordo com Marcus Vinicius Rios Gonçalves2, o Processo Civil pode ser conceituado como

“o ramo do direito que contém as regras e os princípios que tratam da jurisdição civil, isto é, da

aplicação da lei aos casos concretos, para a solução dos conflitos de interesses pelo Estado-juiz. O

conflito entre sujeitos é condição necessária, mas não suficiente para que incidam as normas de

processo, só aplicáveis quando se recorre ao Poder Judiciário apresentando-se-lhe uma pretensão.

Portanto, só quando há conflito posto em juízo.”

Por sua vez, Fredie Didier3 conceitua como o “conjunto de normas que disciplinam o processo

jurisdicional civil – visto como ato-jurídico complexo ou como feixe de relações jurídicas. Compõe-

se das normas que determinam o modo como o processo deve estruturar-se e as situações

jurídicas que decorrem dos fatos jurídicos processuais.

Em resumo, o Processo Civil é o ramo do Direito que disciplina as normas da jurisdição

civil, estabelecendo o procedimento e as relações jurídicas dele decorrentes.

2
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 84.
3
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 34.
Central de Dúvidas: [email protected] 6
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

3. RELAÇÃO ENTRE DIREITO PROCESSUAL E DIREITO MATERIAL.


INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO

Para a doutrina4, há diferenças entre direito material e processual e uma relação íntima entre

eles que caracterizam a instrumentalidade do processo:

A) Direito Material: são normas que indicam os direitos das pessoas. Corresponde a

uma situação jurídica da vida (bem da vida tutelado juridicamente).

B) Direito Processual: são normas instrumentais, que pressupõem o desrespeito às

normas de direito material, permitindo que seu titular possa recorrer ao Poder Judiciário

para fazer cumprir seu direito. O Processo não é um fim em si mesmo, mas um meio

para fazer valer o direito.

Instrumentalidade do processo: “O processo é o instrumento da jurisdição, o meio de que se

vale o juiz para aplica a lei ao caso concreto. Não é um fim em si, já que ninguém deseja a

instauração do processo por si só, mas meio de conseguir determinado resultado: a prestação

jurisdicional, que tutelará determinado direito, solucionando o conflito.”5

A instrumentalidade do processo é indispensável para a compreensão de diversos institutos

do direito processual, como a causa de pedir, o conteúdo da sentença, a intervenção de terceiros,

as defesas do acusado, dentre outras.

Em resumo: “O direito material sonha, projeta; ao direito processual cabe a concretização tão

perfeita quanto possível desse sonho”6.

4
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86.
5
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86.
6
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 39.
Central de Dúvidas: [email protected] 7
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

No concurso da PGM Itapevi - SP (VUNESP - 2019), o tema foi cobrado da seguinte


forma:

Assinale a alternativa que apresenta o princípio e sua respectiva característica.

“Esse princípio preza pela observação e conhecimento do conteúdo e não somente da


forma, já que essa não deve aniquilar aquela.”

O princípio do processo civil coletivo mencionado é, doutrinariamente, chamado de


princípio

A) da instrumentalidade das formas.


B) da indisponibilidade.
C) da não taxatividade.
D) do impulso oficial.
E) do amplo acesso à Justiça.

A alternativa considerada correta foi a letra C.

3. PROCESSO CIVIL CONSTITUCIONAL

O processo civil brasileiro é construído a partir de um modelo estabelecido pela CF/88. É o

chamado modelo constitucional de processo civil, formado pelos princípios do devido processo

legal, da isonomia, do juiz natural, da inafastabilidade da jurisdição, do contraditório, da motivação

das decisões judiciais e da duração razoável do processo.

Art. 1º, CPC. O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado

conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos

na Constituição da República Federativa do Brasil , observando-se as

disposições deste Código.

Cumpre ressaltar, que o art. 1º afirma não ser possível compreender o processo civil sem

antes examinar a Constituição Federal.

Central de Dúvidas: [email protected] 8


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

As normas processuais não podem conflitar com as normas constitucionais, sobretudo no

que tange ao devido processo legal. Em resumo, todas as normas processuais devem ser

interpretadas de acordo com a CF.

O modelo constitucional de processo impõe um processo

COMPARTICIPATIVO/COOPERATIVO, POLICÊNTRICO, não mais centrado na pessoa do juiz,

mas que é conduzido por diversos sujeitos (partes, juiz, MP), todos igualmente importantes na

construção do resultado da atividade processual. Consequência disso é o princípio da cooperação,

previsto no art. 6º do CPC.

Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se

obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.

Todos os sujeitos processuais devem agir de modo a alcançar uma solução (de mérito) tão

justa e rápida quanto possível, inclusive o juiz. Esse novo princípio processual ganha autonomia em

face do princípio da boa-fé. A doutrina disciplina acerca da existência de três princípios de

cooperação do juiz:

• Dever de esclarecimento: que se divide em dois aspectos: 1) O juiz tem o dever de

esclarecer seus posicionamentos/decisão para as partes. 2) Dever do juiz de pedir

esclarecimento para as partes;

• Dever de consulta: o juiz tem o dever de consultar as partes acerca de qualquer ponto de

fato ou de direito relevante para sua decisão, mesmo que este ponto possa ser conhecido

de ofício pelo juiz. A decisão do juiz não pode estar lastreada em ponto em que as partes

não tiveram oportunidade de se manifestar. (busca evitar que a parte seja surpreendida);

• Dever de prevenção: se o juiz identifica alguma falha no processo, ele tem o dever de

indicar a falha processual e o modo como ela deve ser corrigida.

No concurso da PGE RS (FUNDATEC - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma:

NÃO constitui manifestação do princípio da colaboração no processo civil:

Central de Dúvidas: [email protected] 9


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

A) O dever de o juiz, antes de proferir decisão sem resolução de mérito, conceder à parte
oportunidade para, se possível, corrigir o vício processual.
B) O dever de o juiz diligenciar, a pedido do autor, a fim de que se obtenham informações
capazes de individualizar o demandado e viabilizar a sua citação.
C) O dever de as partes celebrarem convenções processuais.
D) O dever de o juiz, em sendo o caso, distribuir de forma dinâmica o ônus da prova.
E) O dever de o juiz dialogar com a parte mediante fundamentação concreta, estruturada
e completa.

A alternativa considerada correta foi a letra C.

Outros princípios que são expressamente referidos como normas fundamentais do processo

civil são os da dignidade da pessoa humana, proporcionalidade, razoabilidade, legalidade,

publicidade e eficiência (art. 8º, CPC).

O direito processual civil é construído sobre uma estrutura composta por 3 institutos

fundamentais: processo, jurisdição e ação. O processo é o instrumento pelo qual a Democracia é

exercida e, em um Estado Democrático de Direito, todo e qualquer ato estatal de poder deve ser

construído através de processos, sob pena de não ter legitimidade democrática, e, por conseguinte,

ser incompatível com o Estado Constitucional.

https://youtu.be/598k_-6LTyg

Processo de constitucionalização

do direito processual civil com a

Procuradora do Estado de Sergipe

Maria Tereza Hora

4. FONTES FORMAIS DA NORMA PROCESSUAL CIVIL

Central de Dúvidas: [email protected] 10


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Fontes formais e não formais: É tradicional a distinção entre fontes formais e não formais do

direito, embora tal distinção não seja de grande relevância prática. São fontes formais as que

expressam o direito positivo, as formas pelas quais ele se manifesta.

4.1. Fonte formal

Fonte formal: A fonte formal por excelência é a lei (fonte formal primária). Além dela, podem

ser mencionados a analogia, o costume e os princípios gerais do direito, necessários porque o

ordenamento jurídico não pode conter lacunas, cumprindo-lhes fornecer os elementos para supri-

las. Podem ser citadas também as súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito

vinculante, bem como as decisões definitivas de mérito, proferidas também pelo STF, em controle

concentrado de constitucionalidade, nas ações diretas de inconstitucionalidade e declaratórias de

constitucionalidade (fontes formais acessórias ou indiretas) e, as demais hipóteses de precedentes

vinculantes, enumeradas no art. 927 do CPC7.

Competência em matéria processual: Conforme art. 22, I, da Constituição Federal, compete

à União legislar sobre o direito processual civil. No entanto, o art. 24, XI, da CF atribui competência

concorrente à União, aos Estados e DF para legislar sobre “procedimento em matéria processual”.

Dificuldade prática em diferenciar normas processuais de normas procedimentais: Quais

normas podem ser objeto de lei estadual? É possível dizer que, em regra, as normas

procedimentais são as que versam exclusivamente sobre a forma pela qual os atos processuais

se realizam e se sucedem no tempo8.

OBSERVAÇÃO:

7
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 100.
8
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 101.
Central de Dúvidas: [email protected] 11
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Compete aos Estados organizar sua própria justiça, editando leis de organização judiciária

conforme art. 125, § 1º, da CF/88 e dispor sobre a competência dos tribunais. Cabe ainda aos

Estados versar sobre a declaração de inconstitucionalidade de leis estaduais e municipais.

FONTES FORMAIS DO PROCESSO CIVIL

Fonte formal primária:

- Lei - decorrência do sistema romano germânico que prevalece no ordenamento jurídico

brasileiro. É importante ressaltar que o CPC/15 será a principal lei em direito processual civil. No

entanto, existem outras leis esparsas que serão abordadas ao longo das rodadas. Ex.: Lei do

Mando de Segurança, Lei da Ação Civil Pública etc.

Fontes formais acessórias:

A) Analogia, costume e princípios gerais do direito (art. 4º da Lei de Introdução às Normas do

Direito brasileiro)

B) Súmula vinculante do STF nos termos do art. 103-A da Constituição Federal: são criadas

pelo Supremo Tribuna Federal, mediante votação por quórum qualificado e, vinculam as

decisões judiciais e a Administração Pública. Essa súmula deve versar sobre matéria

constitucional e deve existir controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e

relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.

C) Decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em controle direto de constitucionalidade

(art. 102, § 2º, da Constituição Federal).

D) Os demais precedentes vinculantes, enumerados no art. 927, III, IV e V, do CPC.

4.2. Fontes não formais

Fontes não formais: são diversas, mas é possível destacar, especialmente:

• Doutrina: consiste no conjunto de princípios, ideias e ensinamentos que são

transmitidos por estudiosos do ramo do Direito em análise.

Central de Dúvidas: [email protected] 12


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

• Precedentes jurisprudenciais não vinculantes. Ex.: acórdão de tribunal sobre

determinada matéria sem que se enquadre nas hipóteses do art. 927 do CPC.

O julgador, ao examinar controvérsia relacionada a determinada norma processual, pode

socorrer-se de precedentes judiciais, ou da opinião dos estudiosos da ciência do processo civil.

5. INTERPRETAÇÃO DO PROCESSO CIVIL

Interpretação: consiste na técnica de analisar as normas, que são gerais e abstratas, e buscar

o seu sentido e alcance para posterior aplicação ao caso concreto. A interpretação envolve a tarefa

de alcançar a finalidade pela qual a norma foi editada e compreendê-la no conjunto do

ordenamento jurídico9.

Interpretação das normas processuais com fulcro na Constituição Federal: diante da

constitucionalização do processo e do disposto no art. 1º do CPC/15, toda interpretação da norma

processual deve ser pautada pelos princípios fundamentais do processo previstos no texto

constitucional.

Interpretação do Processo civil no CPC/15: O próprio CPC estabelece regras de

interpretação que devem ser seguidas pelos juízes:

Art. 8º, CPC/15: “Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins

sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a

dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a

razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”.

9
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 109.
Central de Dúvidas: [email protected] 13
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

5.1. Principais métodos de interpretação da norma10

INTERPRETAÇÃO CONFORME AS FONTES

a) Autêntica: é aquela realizada pelo próprio legislador que criou a norma e que, diante da

dificuldade de sua compreensão, edita outra, que lhe aclara o sentido. Ex.: Norma que traz os

principais conceitos que serão abordados ao longo da lei.

b) Jurisprudencial: feita pelos tribunais no julgamento reiterado de casos por ele julgados. A

reiteração de julgados é uma importante ferramenta que se valem os magistrados e demais

operadores do direito para fundamentar suas posições quanto ao alcance e sentido de uma

norma.

c) Doutrinária: são elaboradas por especialistas e estudiosos na área do ramo do direito em

questão e é fundamental para o aprofundamento das discussões. Podem servir para embasar

decisões judiciais na interpretação da norma.

INTERPRETAÇÃO DE ACORDO COM OS MEIOS

a) Gramatical ou literal: é a interpretação que se baseia fundamentalmente no próprio texto da

norma, buscando seu sentido por meio de análise gramatical e linguística. O intérprete deve

examinar as palavras, o supor linguístico e o sentido semântico, extraindo o significado do

enunciado. Costuma constituir o primeiro passo do processo interpretativo.

b) Sistemática: deve haver harmonia no ordenamento jurídico na aplicação de seus diplomas

normativos. É, portanto, tarefa do intérprete, examinar a norma em seu conjunto e não apenas

isoladamente, para buscar a integração com as demais normas do ordenamento jurídico,

especialmente em relação ao contexto constitucional que possui hierarquia superior, buscando

harmonizá-las e extrair um sentido global, de conjunto.

10
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 110-
111.
Central de Dúvidas: [email protected] 14
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

c) Teleológica ou finalística: é a interpretação que busca a finalidade da norma, visando à

obtenção do bem comum e respeitando os objetivos sociais a que se destina. Cabe ao intérprete

estar atento ao texto constitucional, no qual são indicadas as finalidades últimas do Estado e da

ordem jurídica, social e política.

d) Histórica: busca interpretar a norma de acordo com a sua evolução histórica, o que inclui o

processo legislativo e as discussões que a precederam. É a análise do contexto de criação da

norma jurídica.

INTERPRETAÇÃO CONFORME OS RESULTADOS

a) Extensiva: concluindo que a norma disse menos do que deveria, o intérprete estende a sua

aplicação para outras situações, que não aquelas originariamente previstas.

b) Restritiva: atribui à norma um alcance menor do que aquele que emanava originariamente do

texto.

c) Declarativa: não é nem restritiva, nem ampliativa. Dá à norma uma extensão que coincide

exatamente com o seu texto, nem estendendo nem reduzindo a sua aplicação.

6. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO

Vigência: A vigência é o lapso temporal em que a norma tem força obrigatória. O início da

vigência marca o começo de sua exigibilidade. A lei passa por três fases fundamentais para que

tenha validade e eficácia: elaboração, promulgação e publicação. Depois vem o prazo de vacância,

geralmente previsto na própria norma.

“Vacatio legis”: É o período entre a publicação e o início de vigência da norma. Pode ser

definido como o tempo necessário para que o texto normativo se torne efetivamente conhecido, e

variará de acordo com a repercussão social da matéria. O CPC de 2015 teve “vacatio legis” de 1

ano por previsão expressa em seu art. 1.045 nas Disposições Finais e Transitória.

Central de Dúvidas: [email protected] 15


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Aplicação imediata e irretroatividade: De acordo com o art. 14 do CPC/15, a norma

processual não retroage e é aplicada aos processos em curso. Além disso, devem ser respeitados

os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma

revogada anterior.

No concurso da PGE AL (CESPE - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma:

As normas processuais civis

A) têm aplicação imediata.


B) facultam às partes refazer os atos praticados.
C) retroagem se mais benéficas.
D) aplicam-se somente aos processos futuros.
E) regulam-se pela ultratividade.

A alternativa considerada correta foi a letra A.

Regra: normas de processo têm incidência imediata, atingindo os processos em curso.

Nenhum litigante tem direito adquirido a que o processo iniciado na vigência da lei antiga continue

sendo por ela regulado, em detrimento da lei nova11.

Atos jurídicos perfeitos: atos já praticados devem ser respeitados na forma realizada pela lei

anterior. Exemplo: recurso que tiver sido impetrado na vigência da lei anterior, quando ainda era

cabível, deve ser recebido e processado, mesmo que a lei posterior o tenha excluído ou

restringindo a incidência, pois trata-se de situação consolidada.

Teoria do isolamento dos atos processuais12: os atos processuais são sucessivos e

ordenados no tempo. Assim, há a necessidade de ser verificar a fase em que se encontra cada ato:

a) já realizados; b) que serão ainda realizados; e c) situações pendentes.

a) Atos já realizados: a lei nova não atinge esses atos. Aquilo que foi realizado com base na

lei anterior deve perdurar até o fim do processo, não sendo atingido pela nova legislação;

b) Atos que serão ainda realizados: serão completamente regidos pela lei nova;

11
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112.
12
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112.
Central de Dúvidas: [email protected] 16
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

c) Situações pendentes: é o ponto mais complexo na análise. Prevalece que a lei nova não

pode prejudicar o direito processual já adquirido da parte. Exemplo: se, no curso de um

prazo recursal, sobrevém lei nova que extingue o recurso, ou modifica o prazo, os

litigantes que pretendiam recorrer ficarão prejudicados? Não, pois a lei não pode

prejudicar o direito adquirido processual. Desde o momento em que a decisão foi

publicada, adveio para as partes o direito de interpor o recurso que, então, estava

previsto no ordenamento, o NCPC não alcança os prazos em curso.

7. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO

Aplicação espacial: versa sobre o espaço territorial que serão aplicadas as normas

processuais. De acordo com o art. 16, do CPC/15, as normas de Processo Civil têm aplicação em

todos o território nacional:

Art. 16 do CPC/15. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos

tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste

Código.

ATENÇÃO! Não confunda aplicação das normas de Direito Material e de Direito Processual. Um

juiz brasileiro pode aplicar normas de direito material estrangeiro, mas as normas processuais

seguirão o rito do processo civil brasileiro.

Sentença e processos estrangeiros: como regra, não tem eficácia no território nacional, salvo

se houver a homologação pelo Superior Tribunal de Justiça13.

13
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 111.
Central de Dúvidas: [email protected] 17
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

8. NORMAS FUNDAMENTAIS

Normas fundamentais do processo civil ou Direito Processual Fundamental14: compõe a

estrutura do modelo do processo civil brasileiro e orienta a interpretação das demais normas

processuais. Essas normas dividem-se em princípios e regras.

Processo Fundamental Constitucional: são normas estruturais previstas expressamente no

texto constitucional.

Legislação infraconstitucional: também tem previsão de normas fundamentais com

destaque para o Capítulo I do Título Único do CPC/15 que versa sobre Normas Fundamentais do

Processo Civil e abrange os art. 1º ao 12º.

Atenção! Caro(a) aluno(a), é fundamental e indispensável para seu concurso, a leitura

atenta aos dispositivos previstos nos art. 1º a 12 do CPC, pois orientam todo o processo

civil e serão abordados ao longo de toda a disciplina!

Vale ressaltar, também, que algumas normas fundamentais se encontram dispostas em

outros dispositivos do CPC/15 e serão devidamente abordadas ao longo das rodadas.

9. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL

9.1. Devido Processo Legal

Funciona como um princípio-base ou superprincípio, norteador de todos os demais. Está

associado à ideia de processo justo com ampla participação das partes e a efetiva proteção de seus

direitos15. Por exemplo, os princípios do contraditório, da ampla defesa, da isonomia, da motivação

das decisões, decorrem do devido processo legal. A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da

CF/88 que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.

14
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 61-62.
15
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 176-177.
Central de Dúvidas: [email protected] 18
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

É importante destacar que o processo deve se conformar com o Direito considerado em seu

todo e não apenas com a previsão em lei16.

Divisão do devido processo legal:

• Devido processo legal substancial (ou material): Forma de controle de conteúdo das

decisões (razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades. A interpretação das

normas jurídicas deve ser realizada de forma a observar os princípios da razoabilidade e da

proporcionalidade. Nesse sentido, prevê expressamente o art. 8º do CPC/15:

Art. 8º do CPC/15: Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos

fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a

dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a

razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. (grifos acrescidos)

• Devido processo legal formal (processual): Diz respeito ao conjunto de garantias

processuais mínimas. É voltado ao processo, especialmente ao juiz para que observe os

princípios processuais na condução dos atos processuais.

No concurso da PGE AL (CESPE - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma:

Assinale a opção que apresenta ato atentatório à dignidade da justiça, que enseja
aplicação de multa, de acordo com o CPC.

A) provocar incidente manifestamente infundado


B) alterar a verdade dos fatos
C) opor resistência injustificada ao andamento do processo
D) criar embaraços ao cumprimento de decisão judicial
E) usar do processo para conseguir objetivo ilegal

A alternativa considerada correta foi a letra D.

16
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 63.
Central de Dúvidas: [email protected] 19
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

9.2. Princípio da dignidade da pessoa humana

Conceito de dignidade da pessoa humana: é “um direito fundamental de conteúdo

complexo, formado pelo conjunto de todos os direitos fundamentais, previstos ou não no texto

constitucional.17” Note-se, portanto, que a dignidade humana não é princípio exclusivo do Processo

Civil, mas permeia todos os ramos do direito invariavelmente e deve ser observado entre Estado e

indivíduo e entre os próprios indivíduos nas suas relações particulares.

Promoção da dignidade da pessoa humana no Processo: A promoção da dignidade da

pessoa humana é fundamento da República Federativa do Brasil e serve como pilar interpretativo e

orientativo dos direitos e garantias fundamentais. No âmbito do Processo Civil, o art. 8º do CPC/15

estabelece expressamente que o juiz ao conduzir o processo deve resguardar e promover a

dignidade da pessoa humana.

Atuação proativa do juiz em prol da dignidade da pessoa humana: é possível a adoção de

medidas de ofício que resguardem a dignidade da pessoa humana, como exemplo, a prioridade de

tramitação processual de pessoa com doença grave não elencada no rol do art. 1.048 do CPC.

9.3. Contraditório

É princípio que encontra previsão constitucional no art. 5º, LV, da CF/88: “aos litigantes, em

processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a

ampla defesa, como os meios e recursos a ela inerentes.”

Contraditório tradicional e o binômio informação e reação: Tradicionalmente, é formado

pelo binômio informação e possibilidade de reação. As partes devem ser devidamente

comunicadas de todos os atos processuais, para que possam se manifestar em juízo, acaso

desejem.

CONTRADITÓRIO TRADICIONAL

17
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 75.
Central de Dúvidas: [email protected] 20
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Informação: a parte toma conhecimento do processo para se posicionar a respeito.

Reação: o contraditório é assegurado ainda que a parte não reaja efetivamente, desde

que tenha tido oportunidade para fazê-la. Nos processos envolvendo direitos

indisponíveis a reação é obrigatória.

Críticas ao modelo tradicional de contraditório e contraditório efetivo: prevê somente uma

garantia formal e que para sua real efetividade seria necessário exigir que a reação no caso

concreto tenha real poder de influenciar o juiz em seu convencimento18. Reagir sem obter a

“atenção” do juiz não é suficiente para o respeito à garantia fundamental do contraditório. É

necessário que o juiz efetivamente leve em consideração o que as partes se manifestaram na

formação de seu convencimento.

Contraditório como não surpresa19: A aplicação do modelo tradicional de contraditório

também era insuficiente no tocante às matérias que poderiam ser conhecidas de ofício pelo juiz,

como as de ordem pública. Nesse caso, as decisões eram prolatadas sem ouvir as partes e, com

isso, as pegava de surpresa, ofendendo o princípio do contraditório.

Com a nova perspectiva de contraditório, exige-se que o juiz somente poderá julgar algo que

tenha sido objeto de discussão entre as partes, ainda que sejam matérias que devem ser

conhecidas de ofício. Nesse sentido, prevê o art. 10 do CPC/15:

Art. 10 do CPC/15: O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição,

com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes

oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual

deva decidir de ofício.

18
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 179.
19
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 180.
Central de Dúvidas: [email protected] 21
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Contraditório inútil20: não há necessidade de se ouvir previamente a parte quando a decisão

for proferida a seu favor, que se manifesta como a dispensa do contraditório inútil. Está

indiretamente previsto no art. 9º do CPC, pois somente há vedação para que as decisões sejam

proferidas contra uma das partes sem que ela seja ouvida. Não há proibição para decisões

favoráveis à parte:

Art. 9º do CPC/15: Não se proferirá decisão contra uma das partes sem

que ela seja previamente ouvida (grifo acrescido)

ATENÇÃO:

Em algumas hipóteses, o contraditório pode ser diferido, a exemplo do que ocorre nas tutelas de

urgência, situações de extrema necessidade, nas quais a decisão judicial precede informação e

possibilidade de reação da parte adversa. Um exemplo para ilustrar diz respeito à concessão de

tutela antecipada para cobertura de planos de saúde.

O contraditório diferido somente deve ser aplicado quando o tradicional representar risco grave à

tutela jurisdicional pleiteada21. É o caso, por exemplo, do réu que, tomando ciência do pedido, pode

efetuar atos para impedir que a tutela ocorra como o esvaziamento de contas bancárias etc.

OBSERVAÇÃO: Para parcela da doutrina22, o princípio da ampla defesa está inserido na

necessidade de se observar o contraditório substancial por meio da possibilidade de influenciar a

decisão judicial e evitar decisões surpresas.

8.1.4. Princípios dispositivo e inquisitivo23

Sistema inquisitivo: o juiz é a figura central do processo e cabe a ele a condução sem a

necessidade de provocação das partes. O juiz tem ampla liberdade de atuação.

20
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 182-183.
21
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 185.
22
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 87.
23
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 186.
Central de Dúvidas: [email protected] 22
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Sistema dispositivo: o juiz tem participação condicionada à vontade das partes, que vão

definir desde a existência até a extensão do processo. Depende para seu prosseguimento da

manifestação das partes.

Sistema misto: adotado pelo sistema processual brasileiro e prevê uma mistura entre

sistema inquisitivo e dispositivo. Prevalece, contudo, o princípio do dispositivo. “Sistema misto

temperado com toques de inquisitoriedade”. Juiz está vinculado à causa de pedir (dispositivo), mas

poderá determinar provas de ofício (inquisitivo).

Previsão no CPC/15 (art. 2º): “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por

impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.”

8.1.5. Motivação das decisões

Previsão constitucional: Dispõe o art. 93, IX, da CF/88 a necessidade de motivação das

decisões judiciais, a fim de demonstrar a correção e imparcialidade do julgador, além de possibilitar

o controle da decisão pela coletividade.

Previsão no art. 11 do CPC/15: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão

públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.” (grifos acrescidos)

Razões para a motivação das decisões judiciais24:

1) Sucumbente: deve ter conhecimento das razões da decisão para poder elaborar seu

recurso;

2) Órgão jurisdicional recursal: deve ter conhecimento das razões da decisão para apreciar

e julgar o recurso interposto;

3) Motivo político: serve para demonstrar a imparcialidade e lisura do julgador na decisão

judicial.

24
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 189.
Central de Dúvidas: [email protected] 23
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Decisões que não consideradas fundamentadas (art. 489, § 1º, CPC/15): o CPC/15

estabeleceu hipóteses que a decisão judicial não é considerada fundamentada. Diante da

importância, recomendamos que o candidato leia atentamente o dispositivo! A seguir, inserimos o

texto do dispositivo com breves comentários para facilitar a fixação do conteúdo:

Art. 489, § 1º, CPC/15: Não se considera fundamentada qualquer decisão

judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:

I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo,

sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida [Comentário:

não basta ao julgador indicar o ato normativo, mas deve ser realizada a

correlação da norma com o caso concreto];

II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo

concreto de sua incidência no caso [Comentário: os conceitos

indeterminados e as cláusulas gerais dão margem à interpretação do

julgador. No entanto, é necessário que haja fundamentação de sua

aplicação ao caso concreto];

III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão

[Comentário: vedação à decisões genéricas ou às decisões retiradas de

modelos];

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes

de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador [Comentário: o

juiz deve se pautar em fundamentação exauriente, na qual deverá

demonstrar porque os argumentos contrários à sua conclusão não estão

corretos e não poderão ser aplicados;

V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem

identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso


Central de Dúvidas: [email protected] 24
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos [Comentário: assim como

o dispositivo legal, as súmulas e precedentes devem ser usados desde que

se demonstre a pertinência com o caso em julgamento];

VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente

invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso

em julgamento ou a superação do entendimento [Comentário: o

dispositivo versa sobre a técnica do distinguishing e do overrruling que são

ferramentas para que o julgador deixe de aplicar determinado precedente

judicial diante das particularidades do caso concreto, que demonstrem que

o caso é diferente daquele versado no precedente ou que o precedente se

encontra superado].

No concurso da PGM São José do Rio Preto - SP (VUNESP - 2019), o tema foi cobrado
da seguinte forma:

Assinale a alternativa que apresenta o princípio e sua respectiva característica.

A) Princípio do livre convencimento motivado: o poder do juiz de decidir,


fundamentadamente, de acordo com sua convicção jurídica, observando os fatos e as
provas existentes no processo.
B) Princípio da instrumentalidade: determina que todos os atos processuais devem ser
informados aos envolvidos e aos seus respectivos procuradores.
C) Princípio da disponibilidade: o direito de ação não pode ser negado àqueles que se
sentirem lesados em seus direitos.
D) Princípio do juiz natural: cabe ao juiz dar continuidade ao procedimento, em cada uma
de suas etapas, até a conclusão.
E) Princípio do direito de ação: possibilidade que os cidadãos têm de exercer, ou não, os
seus direitos, perante à Administração Pública e ao Poder Judiciário.

A alternativa considerada correta foi a letra A.

OBSERVAÇÃO!

Fundamentação “per relationem”: é a técnica de fundamentação em que o julgado faz remissão a

outra decisão anterior ou a parecer do Ministério Público, incorporando esses textos em sua própria

motivação. O STJ admite essa forma de fundamentação. Há, entretanto, posicionamento

Central de Dúvidas: [email protected] 25


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

doutrinário que entende que essa fundamentação não preenche os requisitos de decisão

devidamente fundamentada25.

8.1.6. Publicidade dos atos processuais

Previsão constitucional (art. 5º, LX, CF/88): “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos

processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;” Note-se, portanto,

que há um limite constitucional expresso à possibilidade de restrição da publicidade dos atos

processuais pela legislação.

Previsão no CPC/15 (art. 8º e 11): há menção nos dois dispositivos de que a publicidade

orienta o processo. De acordo com o art. 11, a decisão que não é pública e nem fundamentada

sofrerá de nulidade, o parágrafo único ressalva porém os casos de segredo de justiça.

Funções do princípio da publicidade26:

a) Proteção das partes: evita que sejam proferidos juízos arbitrários e secretos;

b) Proteção da sociedade: Possibilita o controle do comportamento dos sujeitos

processuais, principalmente quanto ao exercício do controle jurisdicional.

Atenção! O princípio NÃO é absoluto, pois é possível a limitação da publicidade, nas hipóteses de

exigência do interesse público ou de respeito ao princípio da intimidade. Nesse sentido, o art. 189

do CPC estabelece as hipóteses admitidas de tramitação em segredo de justiça:

Art. 189, CPC/15. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em

segredo de justiça os processos:

I - em que o exija o interesse público ou social [dica de memorização:

interesse público];

25
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 195-196.
26
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 86.
Central de Dúvidas: [email protected] 26
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio,

separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e

adolescentes [dica de memorização: direito de família];

III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à

intimidade [dica de memorização: direito à intimidade];

IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta

arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja

comprovada perante o juízo [dica de memorização: arbitragem].

Direito de consultar os autos em segredo de justiça: é garantido às partes e aos seus

procuradores (art. 189, § 1º, do CPC/15);

Terceiro com interesse jurídico: pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da sentença,

bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou separação (art. 189, § 2º, do

CPC/15).

8.1.7. Princípio da isonomia ou paridade de armas

Princípio da isonomia: O princípio está pautado na “paridade de armas”, a fim de manter

equilibrada a disputa judicial entre as partes. Nesse sentido, serve também para reafirmar a

imparcialidade do juiz na condução do processo.

Previsão no art. 7º do CPC/15: “É assegurada às partes paridade de tratamento em relação

ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à

aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.”

Aspecto material do princípio: Não basta tão somente a garantia formal da isonomia, pois

muitos não tem acesso à justiça. Nesse caso, alguns sujeitos processuais possuem tratamento

diferenciado no processo, seja pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a
Central de Dúvidas: [email protected] 27
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

exemplo da assistência judiciária gratuita, da possibilidade de inversão do ônus da prova do

consumidor (art. 6º, VIII, CDC), da representação processual do incapaz e tantos outros.

ATENÇÃO

Outra hipótese de tratamento diferenciado diz respeito às prerrogativas da Fazenda Pública no

processo civil, a exemplo do prazo em dobro para se manifestar27, isenção do recolhimento de

custas, vedação à concessão de liminar em algumas matérias28, justificáveis pelos interesses da

coletividade e burocracia inerente à atividade estatal.

Necessário destacar ainda que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, pela qual

os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de conclusão para

proferir sentença ou acórdão.

8.1.8. Princípio da economia processual ou eficiência

Objetivo do princípio: obtenção de menos atividade judicial e mais resultados. Encontra

previsão expressa no art. 8º do CPC/15:

Art. 8º, CPC/15: Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins

sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a

dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a

razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.

Exemplos de manifestações do princípio da economia processual:

1) Redução da multiplicidade de processos por meio de ações coletivas;

2) Formação de litisconsórcio e de intervenções de terceiro;

3) Eficácia vinculante dos entendimentos dos Tribunais Superiores previstas no art. 927 do

CPC/15;

27
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da
intimação pessoal.
28
Vide Leis nº 8.437/92, 12.016/09.
Central de Dúvidas: [email protected] 28
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

4) Conexão ou continência;

5) Prova emprestada;

6) Julgamento por amostragem em recursos repetitivos e incidente de demandas repetitivas.

OBSERVAÇÃO: Há, ainda, o entendimento de que esse princípio abrange a tentativa de tornar o

processo o mais barato possível para as partes. É o caso da Assistência Judiciária Gratuita e dos

Juizados Especiais29.

8.1.9. Razoável duração do processo

Busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver uma harmonização, haja

vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das partes com o

escopo de obter a celeridade processual, "assegurando-se que o processo demore todo o tempo

necessário para a produção de resultados legítimos” (CÂMARA, Alexandre Freitas).

Previsão constitucional (art. 5º, LXXVIII, CF/88) – “a todos, no âmbito judicial e

administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a

celeridade de sua tramitação.”

Previsão no CPC/15 (art. 4º e 6º): No âmbito do Código de Processo Civil, a duração

razoável do processo é associada à necessidade de se buscar uma decisão justa e efetiva em

tempo razoável. Há também determinação para que haja a solução integral do mérito, inclusive em

âmbito da atividade satisfativa. Note-se, portanto, que há relação intrínseca entre esse princípio e o

princípio da primazia do julgamento de mérito que será abordado nos próximos tópicos.

Instrumentos para a razoável duração do processo previstas no CPC/15:

1) Possibilidade de representação por excesso de prazo com a possível perda da

competência do juízo pela demora (art. 235 do CPC/15);

29
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 204.
Central de Dúvidas: [email protected] 29
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

2) Mandado de segurança contra omissão judicial com ordem para se proferir a

decisão;

3) Ação de reparação de danos com o Estado em razão da demora do julgamento;

4) Vedação à promoção do juiz que retiver os processos além do prazo legal.

8.1.10. Primazia do julgamento do mérito

Dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas processuais que não maculem o

processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na boa-fé objetiva. Nesse sentido, o art. 4º

do NCPC:

Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução

integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.

Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças

eventualmente ausentes no recuso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças:

Art. 932, CPC/15. Incumbe ao relator:

(.)

Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator

concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício

ou complementada a documentação exigível.

O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo

irremediavelmente não poderão ser sanadas.

Segundo o STF (ARE 953221 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 7/6/2016), o prazo de 5 dias

previsto no parágrafo único do art. 932 do CPC/2015 só se aplica aos casos em que seja

necessário sanar vícios formais, como ausência de procuração ou de assinatura e não à

complementação da fundamentação. Assim, esse dispositivo não incide nos casos em que o

Central de Dúvidas: [email protected] 30


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

recorrente não ataca todos os fundamentos da decisão recorrida. Isso porque, nesta hipótese, seria

necessária a complementação das razões do recurso, o que não é permitido (entendimento

pacificado).

8.1.11. Princípio da instrumentalidade das formas:

Forma do ato: Se houver forma prevista em lei para a realização do ato, é necessário que ela

seja observada sob pena de nulidade.

Finalidade do princípio: Busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à

forma legal, desde que:

• O ato tenha preenchido a sua finalidade;

• NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo.

Previsão no CPC/15: os atos serão considerados válidos, especialmente se forem preenchidas as

finalidades pelas quais foram desenvolvidos:

Art. 188, CPC/15 Os atos e os termos processuais independem de forma

determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se

válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade

essencial.

Art. 277, CPC/15. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz

considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a

finalidade.

8.1.12. Princípio da boa-fé e lealdade processual

A boa-fé é regra de conduta que deve nortear o comportamento das partes, bem como a

interpretação da postulação e da sentença. Além disso, são aplicados ao processo civil os

corolários da boa-fé, como a proibição de comportamentos contraditórios. Nesse sentido, diante da

Central de Dúvidas: [email protected] 31


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

prática de ato que macule o processo, o NCPC tutela mecanismos para coibir a litigância de má-fé,

a exemplo:

Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se

serviram do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado

por lei, o juiz proferirá decisão que impeça os objetivos das partes,

aplicando, de ofício, as penalidades da litigância de má-fé.

Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de

obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a

requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela

pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à

satisfação do exequente.

§ 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando

injustificadamente descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua

responsabilização por crime de desobediência.

Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente

responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

8.1.13. Inafastabilidade da jurisdição

Assegura o amplo e universal acesso ao Judiciário (art. 3º do CPC, art. 5º, XXXV, da CF). “Não

se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito”, sendo tal afirmação compatível

com o uso da arbitragem e com a busca da solução consensual dos conflitos.

ATENÇÃO

Duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição prevê a

possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo em grau

de recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser um

Central de Dúvidas: [email protected] 32


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

desdobramento da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO

conste na CF/88, consta expressamente no Pacto São José da Costa Rica.

8.1.14. Princípio da cooperação

Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar entre si para obter, em tempo

razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). Sobre o tema:

“Observação importante que merece ser feita é que a cooperação prevista

no dispositivo em comento deve ser praticada por todos os sujeitos do

processo. Não se trata, portanto, de envolvimento apenas entre as partes

(autor e réu), mas também de eventuais terceiros intervenientes (em

qualquer uma das diversas modalidades de intervenção de terceiros), do

próprio magistrado, de auxiliares da Justiça e, evidentemente, do próprio

Ministério Público quando atue na qualidade de fiscal da ordem jurídica”.

(BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São

Paulo: Editora Saraiva. pág. 45).

“O modelo constitucional de processo impõe, assim, um processo

comparticipativo, policêntrico, não mais centrado na pessoa do juiz, mas que

é conduzido por diversos sujeitos (partes, juiz, Ministério Público), todos

eles igualmente importantes na construção do resultado da atividade

processual. (…)

O princípio da cooperação deve ser compreendido no sentido de que os

sujeitos do processo vão “co-operar”, operar juntos, trabalhar juntos na

construção do resultado do processo. Em outros termos, os sujeitos do

processo vão, todos, em conjunto, atuar ao longo do processo para que,

com sua participação, legitimem o resultado que através dele será

alcançado.” (CÂMARA, Alexandre Freitas).

PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS

Central de Dúvidas: [email protected] 33


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

No tocante ao princípio da cooperação, o NCPC trouxe autonomia às partes em alguns

aspectos do procedimento, por exemplo, ao estipular um calendário processual para a

prática dos atos, o que não deixa de ser uma caracterização do aludido princípio:

Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário

para a prática dos atos processuais, quando for o caso.

§ 1o O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos

somente serão modificados em casos excepcionais, devidamente

justificados.

§ 2o Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual

ou a realização de audiência cujas datas tiverem sido designadas no

calendário.

9.4. Ordem cronológica de julgamento

Ordem cronológica de julgamento: O CPC/15 estabelece em seu art. 12 uma ordem que

deve ser observada pelo juiz para conclusão do processo destinado a proferir a decisão final. É a

concretização dos princípios da igualdade e da duração razoável do processo, na medida em que

evita que processos conclusos há um bom tempo permaneçam sem julgamento30:

Art. 12 do CPC Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à

ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão.

§ 1º A lista de processos aptos a julgamento deverá estar

permanentemente à disposição para consulta pública em cartório e na rede

mundial de computadores.

§ 2º Estão excluídos da regra do caput :

30
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015.
Central de Dúvidas: [email protected] 34
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

I - as sentenças proferidas em audiência, homologatórias de acordo ou de

improcedência liminar do pedido;

II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica

firmada em julgamento de casos repetitivos;

III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de

demandas repetitivas;

IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932 ;

V - o julgamento de embargos de declaração;

VI - o julgamento de agravo interno;

VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho

Nacional de Justiça;

VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham

competência penal;

IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por

decisão fundamentada.

§ 3º Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica

das conclusões entre as preferências legais.

§ 4º Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1º, o

requerimento formulado pela parte não altera a ordem cronológica para a

decisão, exceto quando implicar a reabertura da instrução ou a conversão

do julgamento em diligência.

§ 5º Decidido o requerimento previsto no § 4º, o processo retornará à

mesma posição em que anteriormente se encontrava na lista.

§ 6º Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1º ou, conforme o caso,

no § 3º, o processo que:

I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver

necessidade de realização de diligência ou de complementação da

instrução;

II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II .

Central de Dúvidas: [email protected] 35


DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01

Ordem preferencial: A Lei nº 13.256/2016 modificou o art. 12 do CPC para prever que a

ordem cronológica deve ser seguida preferencialmente pelos juízes. Ainda assim, a ordem prevista

estabelece, como regra, a necessidade dos julgadores de decidirem os processos mais antigos.

Publicidade da lista de processos aptos a julgamento: deve estar à disposição pública em

cartório e na rede mundial de computadores.

Requerimento em processo já incluído na ordem de julgamento: não altera a ordem

cronológica, exceto se implicar na reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em

diligência. Ademais, decidido o requerimento, o processo volta à mesma posição em que se

encontrava anteriormente na lista.

Exceções à ordem cronológica:

1) Processos que devem ocupar o primeiro lugar da fila (art. 12, § 6º, CPC):

a) tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de

diligência ou de complementação da instrução;

b) reexame de causa pelo tribunal quando submetido a julgamento repetitivo de recurso

especial ou extraordinário que tiver fixado entendimento contrário ao do tribunal de segundo grau.

2) Outros processos que tramitam fora da ordem cronológica: remetemos o leitor ao § 2º

do art. 12 do CPC transcrito acima para memorização dessas hipóteses excepcionadas.

Referências Bibliográficas:

Alexandre Freitas Câmara. O Novo Processo Civil Brasileiro.

Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil.

Fredie Didier Júnior. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil.

Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Direito Processual Civil Esquematizado.

Mozart Borba. Diálogos sobre o novo CPC.

Central de Dúvidas: [email protected] 36

Você também pode gostar