Princípios do Direito Processual Civil
Princípios do Direito Processual Civil
SUMÁRIO
SUMÁRIO .......................................................................................................................................................... 3
DIREITO PROCESSUAL CIVIL - RODADA 01 .......................................................................................... 5
QUAL DEVE SER O FOCO? ....................................................................................................................................5
1. CONCEITO DE PROCESSO................................................................................................................................5
2. CONCEITO DE PROCESSO CIVIL ....................................................................................................................6
3. RELAÇÃO ENTRE DIREITO PROCESSUAL E DIREITO MATERIAL. INSTRUMENTALIDADE
DO PROCESSO ...........................................................................................................................................................7
3. PROCESSO CIVIL CONSTITUCIONAL ...........................................................................................................8
4. FONTES FORMAIS DA NORMA PROCESSUAL CIVIL .......................................................................... 10
4.1. Fonte formal ................................................................................................................................................. 11
4.2. Fontes não formais ..................................................................................................................................... 12
5. INTERPRETAÇÃO DO PROCESSO CIVIL .................................................................................................. 13
5.1. Principais métodos de interpretação da norma ................................................................................ 14
6. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO ..................................................................................... 15
7. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO .................................................................................. 17
8. NORMAS FUNDAMENTAIS ........................................................................................................................... 18
9. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL .............................................................................................................. 18
9.1. Devido Processo Legal ............................................................................................................................. 18
9.2. Princípio da dignidade da pessoa humana ......................................................................................... 20
9.3. Contraditório ................................................................................................................................................ 20
9.4. Ordem cronológica de julgamento........................................................................................................ 34
2. Princípios Processuais
1. CONCEITO DE PROCESSO
perspectiva de análise realizada. Assim, pode ser segundo Fredie Didier Jr.1: a) método de criação
Processo como método de produção de normas jurídicas: as normas somente podem ser
exercidas processualmente.
Administração Pública;
c) Processo jurisdicional: produção de normas pela jurisdição. Nesse caso, para ser válido, o
processo deve seguir o modelo previsto na Constituição Federal com todos seus
1
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 33-34.
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Processo como ato jurídico complexo: Para essa acepção, o processo seria sinônimo de
procedimento. É considerado complexo, pois há o ato final que o caracteriza, mas também ato ou
atos condicionantes do ato final, que se relacionam entre si, ordenadamente no tempo, de modo
um fim.
Processo como relação jurídica: o processo é o conjunto das relações jurídicas que vão
sendo estabelecidas entre os sujeitos processuais, que envolvem o juiz, as partes, os auxiliares da
justiça, dentre outros. Assim, o conjunto de relações jurídicas foram uma relação jurídica maior
denominada processo. Nesse sentido, processo é uma relação jurídica complexa, pois dele
De acordo com Marcus Vinicius Rios Gonçalves2, o Processo Civil pode ser conceituado como
“o ramo do direito que contém as regras e os princípios que tratam da jurisdição civil, isto é, da
aplicação da lei aos casos concretos, para a solução dos conflitos de interesses pelo Estado-juiz. O
conflito entre sujeitos é condição necessária, mas não suficiente para que incidam as normas de
Por sua vez, Fredie Didier3 conceitua como o “conjunto de normas que disciplinam o processo
jurisdicional civil – visto como ato-jurídico complexo ou como feixe de relações jurídicas. Compõe-
se das normas que determinam o modo como o processo deve estruturar-se e as situações
2
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 84.
3
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 34.
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Para a doutrina4, há diferenças entre direito material e processual e uma relação íntima entre
A) Direito Material: são normas que indicam os direitos das pessoas. Corresponde a
normas de direito material, permitindo que seu titular possa recorrer ao Poder Judiciário
para fazer cumprir seu direito. O Processo não é um fim em si mesmo, mas um meio
vale o juiz para aplica a lei ao caso concreto. Não é um fim em si, já que ninguém deseja a
instauração do processo por si só, mas meio de conseguir determinado resultado: a prestação
Em resumo: “O direito material sonha, projeta; ao direito processual cabe a concretização tão
4
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86.
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GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86.
6
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 39.
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chamado modelo constitucional de processo civil, formado pelos princípios do devido processo
Cumpre ressaltar, que o art. 1º afirma não ser possível compreender o processo civil sem
que tange ao devido processo legal. Em resumo, todas as normas processuais devem ser
mas que é conduzido por diversos sujeitos (partes, juiz, MP), todos igualmente importantes na
Todos os sujeitos processuais devem agir de modo a alcançar uma solução (de mérito) tão
justa e rápida quanto possível, inclusive o juiz. Esse novo princípio processual ganha autonomia em
cooperação do juiz:
• Dever de consulta: o juiz tem o dever de consultar as partes acerca de qualquer ponto de
fato ou de direito relevante para sua decisão, mesmo que este ponto possa ser conhecido
de ofício pelo juiz. A decisão do juiz não pode estar lastreada em ponto em que as partes
não tiveram oportunidade de se manifestar. (busca evitar que a parte seja surpreendida);
• Dever de prevenção: se o juiz identifica alguma falha no processo, ele tem o dever de
A) O dever de o juiz, antes de proferir decisão sem resolução de mérito, conceder à parte
oportunidade para, se possível, corrigir o vício processual.
B) O dever de o juiz diligenciar, a pedido do autor, a fim de que se obtenham informações
capazes de individualizar o demandado e viabilizar a sua citação.
C) O dever de as partes celebrarem convenções processuais.
D) O dever de o juiz, em sendo o caso, distribuir de forma dinâmica o ônus da prova.
E) O dever de o juiz dialogar com a parte mediante fundamentação concreta, estruturada
e completa.
Outros princípios que são expressamente referidos como normas fundamentais do processo
O direito processual civil é construído sobre uma estrutura composta por 3 institutos
exercida e, em um Estado Democrático de Direito, todo e qualquer ato estatal de poder deve ser
construído através de processos, sob pena de não ter legitimidade democrática, e, por conseguinte,
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Processo de constitucionalização
Fontes formais e não formais: É tradicional a distinção entre fontes formais e não formais do
direito, embora tal distinção não seja de grande relevância prática. São fontes formais as que
Fonte formal: A fonte formal por excelência é a lei (fonte formal primária). Além dela, podem
ordenamento jurídico não pode conter lacunas, cumprindo-lhes fornecer os elementos para supri-
las. Podem ser citadas também as súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito
vinculante, bem como as decisões definitivas de mérito, proferidas também pelo STF, em controle
à União legislar sobre o direito processual civil. No entanto, o art. 24, XI, da CF atribui competência
concorrente à União, aos Estados e DF para legislar sobre “procedimento em matéria processual”.
normas podem ser objeto de lei estadual? É possível dizer que, em regra, as normas
procedimentais são as que versam exclusivamente sobre a forma pela qual os atos processuais
OBSERVAÇÃO:
7
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 100.
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GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 101.
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Compete aos Estados organizar sua própria justiça, editando leis de organização judiciária
conforme art. 125, § 1º, da CF/88 e dispor sobre a competência dos tribunais. Cabe ainda aos
brasileiro. É importante ressaltar que o CPC/15 será a principal lei em direito processual civil. No
entanto, existem outras leis esparsas que serão abordadas ao longo das rodadas. Ex.: Lei do
Direito brasileiro)
B) Súmula vinculante do STF nos termos do art. 103-A da Constituição Federal: são criadas
pelo Supremo Tribuna Federal, mediante votação por quórum qualificado e, vinculam as
decisões judiciais e a Administração Pública. Essa súmula deve versar sobre matéria
constitucional e deve existir controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e
determinada matéria sem que se enquadre nas hipóteses do art. 927 do CPC.
Interpretação: consiste na técnica de analisar as normas, que são gerais e abstratas, e buscar
o seu sentido e alcance para posterior aplicação ao caso concreto. A interpretação envolve a tarefa
ordenamento jurídico9.
processual deve ser pautada pelos princípios fundamentais do processo previstos no texto
constitucional.
Art. 8º, CPC/15: “Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
9
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 109.
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a) Autêntica: é aquela realizada pelo próprio legislador que criou a norma e que, diante da
dificuldade de sua compreensão, edita outra, que lhe aclara o sentido. Ex.: Norma que traz os
b) Jurisprudencial: feita pelos tribunais no julgamento reiterado de casos por ele julgados. A
operadores do direito para fundamentar suas posições quanto ao alcance e sentido de uma
norma.
questão e é fundamental para o aprofundamento das discussões. Podem servir para embasar
norma, buscando seu sentido por meio de análise gramatical e linguística. O intérprete deve
normativos. É, portanto, tarefa do intérprete, examinar a norma em seu conjunto e não apenas
10
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 110-
111.
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obtenção do bem comum e respeitando os objetivos sociais a que se destina. Cabe ao intérprete
estar atento ao texto constitucional, no qual são indicadas as finalidades últimas do Estado e da
d) Histórica: busca interpretar a norma de acordo com a sua evolução histórica, o que inclui o
norma jurídica.
a) Extensiva: concluindo que a norma disse menos do que deveria, o intérprete estende a sua
b) Restritiva: atribui à norma um alcance menor do que aquele que emanava originariamente do
texto.
c) Declarativa: não é nem restritiva, nem ampliativa. Dá à norma uma extensão que coincide
exatamente com o seu texto, nem estendendo nem reduzindo a sua aplicação.
Vigência: A vigência é o lapso temporal em que a norma tem força obrigatória. O início da
vigência marca o começo de sua exigibilidade. A lei passa por três fases fundamentais para que
tenha validade e eficácia: elaboração, promulgação e publicação. Depois vem o prazo de vacância,
“Vacatio legis”: É o período entre a publicação e o início de vigência da norma. Pode ser
definido como o tempo necessário para que o texto normativo se torne efetivamente conhecido, e
variará de acordo com a repercussão social da matéria. O CPC de 2015 teve “vacatio legis” de 1
ano por previsão expressa em seu art. 1.045 nas Disposições Finais e Transitória.
processual não retroage e é aplicada aos processos em curso. Além disso, devem ser respeitados
revogada anterior.
Nenhum litigante tem direito adquirido a que o processo iniciado na vigência da lei antiga continue
Atos jurídicos perfeitos: atos já praticados devem ser respeitados na forma realizada pela lei
anterior. Exemplo: recurso que tiver sido impetrado na vigência da lei anterior, quando ainda era
cabível, deve ser recebido e processado, mesmo que a lei posterior o tenha excluído ou
ordenados no tempo. Assim, há a necessidade de ser verificar a fase em que se encontra cada ato:
a) Atos já realizados: a lei nova não atinge esses atos. Aquilo que foi realizado com base na
lei anterior deve perdurar até o fim do processo, não sendo atingido pela nova legislação;
b) Atos que serão ainda realizados: serão completamente regidos pela lei nova;
11
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112.
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GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112.
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c) Situações pendentes: é o ponto mais complexo na análise. Prevalece que a lei nova não
prazo recursal, sobrevém lei nova que extingue o recurso, ou modifica o prazo, os
litigantes que pretendiam recorrer ficarão prejudicados? Não, pois a lei não pode
publicada, adveio para as partes o direito de interpor o recurso que, então, estava
Aplicação espacial: versa sobre o espaço territorial que serão aplicadas as normas
processuais. De acordo com o art. 16, do CPC/15, as normas de Processo Civil têm aplicação em
Código.
ATENÇÃO! Não confunda aplicação das normas de Direito Material e de Direito Processual. Um
juiz brasileiro pode aplicar normas de direito material estrangeiro, mas as normas processuais
Sentença e processos estrangeiros: como regra, não tem eficácia no território nacional, salvo
13
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 111.
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8. NORMAS FUNDAMENTAIS
estrutura do modelo do processo civil brasileiro e orienta a interpretação das demais normas
texto constitucional.
destaque para o Capítulo I do Título Único do CPC/15 que versa sobre Normas Fundamentais do
atenta aos dispositivos previstos nos art. 1º a 12 do CPC, pois orientam todo o processo
associado à ideia de processo justo com ampla participação das partes e a efetiva proteção de seus
das decisões, decorrem do devido processo legal. A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da
CF/88 que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.
14
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 61-62.
15
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 176-177.
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META 01
É importante destacar que o processo deve se conformar com o Direito considerado em seu
• Devido processo legal substancial (ou material): Forma de controle de conteúdo das
Assinale a opção que apresenta ato atentatório à dignidade da justiça, que enseja
aplicação de multa, de acordo com o CPC.
16
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 63.
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complexo, formado pelo conjunto de todos os direitos fundamentais, previstos ou não no texto
constitucional.17” Note-se, portanto, que a dignidade humana não é princípio exclusivo do Processo
Civil, mas permeia todos os ramos do direito invariavelmente e deve ser observado entre Estado e
pessoa humana é fundamento da República Federativa do Brasil e serve como pilar interpretativo e
orientativo dos direitos e garantias fundamentais. No âmbito do Processo Civil, o art. 8º do CPC/15
medidas de ofício que resguardem a dignidade da pessoa humana, como exemplo, a prioridade de
tramitação processual de pessoa com doença grave não elencada no rol do art. 1.048 do CPC.
9.3. Contraditório
É princípio que encontra previsão constitucional no art. 5º, LV, da CF/88: “aos litigantes, em
comunicadas de todos os atos processuais, para que possam se manifestar em juízo, acaso
desejem.
CONTRADITÓRIO TRADICIONAL
17
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 75.
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Reação: o contraditório é assegurado ainda que a parte não reaja efetivamente, desde
que tenha tido oportunidade para fazê-la. Nos processos envolvendo direitos
garantia formal e que para sua real efetividade seria necessário exigir que a reação no caso
concreto tenha real poder de influenciar o juiz em seu convencimento18. Reagir sem obter a
também era insuficiente no tocante às matérias que poderiam ser conhecidas de ofício pelo juiz,
como as de ordem pública. Nesse caso, as decisões eram prolatadas sem ouvir as partes e, com
Com a nova perspectiva de contraditório, exige-se que o juiz somente poderá julgar algo que
tenha sido objeto de discussão entre as partes, ainda que sejam matérias que devem ser
18
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 179.
19
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 180.
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META 01
for proferida a seu favor, que se manifesta como a dispensa do contraditório inútil. Está
indiretamente previsto no art. 9º do CPC, pois somente há vedação para que as decisões sejam
proferidas contra uma das partes sem que ela seja ouvida. Não há proibição para decisões
favoráveis à parte:
Art. 9º do CPC/15: Não se proferirá decisão contra uma das partes sem
ATENÇÃO:
Em algumas hipóteses, o contraditório pode ser diferido, a exemplo do que ocorre nas tutelas de
urgência, situações de extrema necessidade, nas quais a decisão judicial precede informação e
possibilidade de reação da parte adversa. Um exemplo para ilustrar diz respeito à concessão de
O contraditório diferido somente deve ser aplicado quando o tradicional representar risco grave à
tutela jurisdicional pleiteada21. É o caso, por exemplo, do réu que, tomando ciência do pedido, pode
efetuar atos para impedir que a tutela ocorra como o esvaziamento de contas bancárias etc.
Sistema inquisitivo: o juiz é a figura central do processo e cabe a ele a condução sem a
20
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 182-183.
21
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 185.
22
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 87.
23
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 186.
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Sistema dispositivo: o juiz tem participação condicionada à vontade das partes, que vão
definir desde a existência até a extensão do processo. Depende para seu prosseguimento da
Sistema misto: adotado pelo sistema processual brasileiro e prevê uma mistura entre
temperado com toques de inquisitoriedade”. Juiz está vinculado à causa de pedir (dispositivo), mas
Previsão no CPC/15 (art. 2º): “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por
Previsão constitucional: Dispõe o art. 93, IX, da CF/88 a necessidade de motivação das
Previsão no art. 11 do CPC/15: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
1) Sucumbente: deve ter conhecimento das razões da decisão para poder elaborar seu
recurso;
2) Órgão jurisdicional recursal: deve ter conhecimento das razões da decisão para apreciar
judicial.
24
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 189.
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META 01
Decisões que não consideradas fundamentadas (art. 489, § 1º, CPC/15): o CPC/15
não basta ao julgador indicar o ato normativo, mas deve ser realizada a
modelos];
encontra superado].
No concurso da PGM São José do Rio Preto - SP (VUNESP - 2019), o tema foi cobrado
da seguinte forma:
OBSERVAÇÃO!
outra decisão anterior ou a parecer do Ministério Público, incorporando esses textos em sua própria
doutrinário que entende que essa fundamentação não preenche os requisitos de decisão
devidamente fundamentada25.
Previsão constitucional (art. 5º, LX, CF/88): “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
Previsão no CPC/15 (art. 8º e 11): há menção nos dois dispositivos de que a publicidade
orienta o processo. De acordo com o art. 11, a decisão que não é pública e nem fundamentada
a) Proteção das partes: evita que sejam proferidos juízos arbitrários e secretos;
Atenção! O princípio NÃO é absoluto, pois é possível a limitação da publicidade, nas hipóteses de
exigência do interesse público ou de respeito ao princípio da intimidade. Nesse sentido, o art. 189
interesse público];
25
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 195-196.
26
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015. p. 86.
Central de Dúvidas: [email protected] 26
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META 01
Terceiro com interesse jurídico: pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da sentença,
bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou separação (art. 189, § 2º, do
CPC/15).
equilibrada a disputa judicial entre as partes. Nesse sentido, serve também para reafirmar a
ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à
Aspecto material do princípio: Não basta tão somente a garantia formal da isonomia, pois
muitos não tem acesso à justiça. Nesse caso, alguns sujeitos processuais possuem tratamento
diferenciado no processo, seja pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01
consumidor (art. 6º, VIII, CDC), da representação processual do incapaz e tantos outros.
ATENÇÃO
Necessário destacar ainda que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, pela qual
Art. 8º, CPC/15: Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
3) Eficácia vinculante dos entendimentos dos Tribunais Superiores previstas no art. 927 do
CPC/15;
27
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da
intimação pessoal.
28
Vide Leis nº 8.437/92, 12.016/09.
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META 01
4) Conexão ou continência;
5) Prova emprestada;
OBSERVAÇÃO: Há, ainda, o entendimento de que esse princípio abrange a tentativa de tornar o
processo o mais barato possível para as partes. É o caso da Assistência Judiciária Gratuita e dos
Juizados Especiais29.
Busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver uma harmonização, haja
vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das partes com o
escopo de obter a celeridade processual, "assegurando-se que o processo demore todo o tempo
tempo razoável. Há também determinação para que haja a solução integral do mérito, inclusive em
âmbito da atividade satisfativa. Note-se, portanto, que há relação intrínseca entre esse princípio e o
princípio da primazia do julgamento de mérito que será abordado nos próximos tópicos.
29
NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 204.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01
decisão;
Dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas processuais que não maculem o
processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na boa-fé objetiva. Nesse sentido, o art. 4º
do NCPC:
Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças
eventualmente ausentes no recuso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças:
(.)
concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício
Segundo o STF (ARE 953221 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 7/6/2016), o prazo de 5 dias
previsto no parágrafo único do art. 932 do CPC/2015 só se aplica aos casos em que seja
complementação da fundamentação. Assim, esse dispositivo não incide nos casos em que o
recorrente não ataca todos os fundamentos da decisão recorrida. Isso porque, nesta hipótese, seria
pacificado).
Forma do ato: Se houver forma prevista em lei para a realização do ato, é necessário que ela
Finalidade do princípio: Busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à
essencial.
finalidade.
A boa-fé é regra de conduta que deve nortear o comportamento das partes, bem como a
prática de ato que macule o processo, o NCPC tutela mecanismos para coibir a litigância de má-fé,
a exemplo:
por lei, o juiz proferirá decisão que impeça os objetivos das partes,
satisfação do exequente.
Assegura o amplo e universal acesso ao Judiciário (art. 3º do CPC, art. 5º, XXXV, da CF). “Não
se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito”, sendo tal afirmação compatível
ATENÇÃO
Duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição prevê a
possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo em grau
de recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser um
desdobramento da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO
Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar entre si para obter, em tempo
processual. (…)
prática dos atos, o que não deixa de ser uma caracterização do aludido princípio:
justificados.
calendário.
Ordem cronológica de julgamento: O CPC/15 estabelece em seu art. 12 uma ordem que
deve ser observada pelo juiz para conclusão do processo destinado a proferir a decisão final. É a
mundial de computadores.
30
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador:
Juspodivm, 2015.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
META 01
demandas repetitivas;
Nacional de Justiça;
competência penal;
decisão fundamentada.
do julgamento em diligência.
instrução;
Ordem preferencial: A Lei nº 13.256/2016 modificou o art. 12 do CPC para prever que a
ordem cronológica deve ser seguida preferencialmente pelos juízes. Ainda assim, a ordem prevista
estabelece, como regra, a necessidade dos julgadores de decidirem os processos mais antigos.
1) Processos que devem ocupar o primeiro lugar da fila (art. 12, § 6º, CPC):
a) tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de
especial ou extraordinário que tiver fixado entendimento contrário ao do tribunal de segundo grau.
Referências Bibliográficas:
Fredie Didier Júnior. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil.