Conteúdo que vai cair na prova:
Aula 1- Absorção e distribuição.
Aula 2- AINES
Aula 3- Glicocorticóides (ação farmacológica, uso clínico, efeitos adversos)
Aula 3- Glicocorticoides (anti-inflamatórios)
Quando temos a ação de um agente agressor liberamos as citocinas inflamatórias
(prostaglandinas, citocinas) e as anti-inflamatórias (cortisol, IL-10) O glicocorticoide é um
hormônio esteroide sintético. E esse hormônio é similar ao nosso cortisol. O cortisol endógeno
que nós produzimos ele é um anti-inflamatório natural. Se o indivíduo estiver com qualquer
processo inflamatório o cortisol sobe. O que são os corticoides sintéticos? São drogas que
simulam o cortisol natural, porém como uma ação mais especifica, com um tempo de ação
maior. Os corticoides são indicados que se tome nas primeiras horas da manhã isso porque a
liberação do CORTISOL é muito elevada, mas à noite ela está reduzida ao máximo. Por isso, os
médicos aconselham seus pacientem a tomarem os corticoides no período da manhã para
tentar “imitar” a liberação natural do CORTISOL no organismo e assim, tentar diminuir a
ocorrência de efeitos colaterais.
Classificação:
-Podem ser classificados de acordo com sua meia-vida, potência e duração de ação.
-Meia- vida (é o tempo que ele demora para sair do corpo)
-Potência é a capacidade que o fármaco tem de fazer um efeito especifico em uma menor
concentração. A potência é a ação anti-inflamatória.
-Duração de ação: curta, intermediária e longa. (É o tempo que ele age no corpo)
• Baseia-se na supressão de ACTH após dose única, com atividade anti-inflamatória
equivalente a 50mg de prednisona.
O hipotálamo sintetiza o CRH por conta da influência de situações que envolvam o estresses
emocional, físico e/ou funcionais. Esse hormônio é responsável por estimular a produção do
ACTH pela adenohipófise. Ademais, o CRH age de forma a rítmica, sendo regulada sua
periodicidade através do núcleo supraquiasmático, que produz a melatonina num ritmo
oposto ao da cortisona. Sendo assim, o nível de cortisol aumente durante o final da
madrugada e as primeiras horas da manhã e vá continuamente declinando durante o dia até o
anoitecer.
A função desse hormônio é induzir a produção de esteroides nas zonas do córtex da adrenal,
como glicocorticoides – cortisona, nesse caso -, mineralocorticoides e os hormônios sexuais.
Dessas classes de esteroides já citadas, apenas a cortisona que atua nesse eixo, regulando a
liberação de CRH e ACTH por meio de feedback negativo, onde as altas concentrações do
cortisol inibem a liberação desses dois.
❖Ação curta: cortisona e hidrocortisona (suprimem o ACTH por 8-12h) A supressão do ACTH é
só para ter uma medida de saber por quanto tempo o medicamento vai agir no corpo. Quanto
menor o ACTH, menor o tempo de ação do medicamento.
❖Ação Intermediária: prednisona, prednisolona, metilprednisolona e triamcinolona
(suprimem o ACTH por 12- 36h)
❖Ação longa: dexametasona e betametasona (supressão por 36-72h)
AÇÕES FARMACOLÓGICAS:
Ação anti-inflamatória potente
Ação imunossupressoras
Ação metabólica
Os glicocorticoides afetam todas as fases da inflamação, o fármaco inibe
praticamente todas as fases da inflamação. EXEMPLO:
• A) Vascular (autacóides, mediadores químicos, citocinas).
• B) Celular (fagócitos, neutrófilos, macrófagos).
• C) Proliferativa ou regenerativa (cicatrização do tecido e regeneração).
Isso ocorre independentemente de terem sido causadas por microrganismos, agentes
químicos ou estímulos físicos.
• Dessa forma:
1- Inibem as manifestações iniciais da inflamação (hiperemia, infiltração e edema).
2. Inibem a infiltração de leucócitos no local da inflamação.
3. Inibem o reparo e a cicatrização.
Como ele faz essa inibição?
• Inibição do metabolismo do ácido araquidônico (Induzem a síntese da lipocortina-1, proteína
que inibe a fosfolipase A2 (enzima responsável pela síntese de ácido araquidônico a partir de
fosfolipídios de membrana; com isso impede a formação de prostaglandinas e leucotrienos).
• Inibição da síntese da COX 1 e
2 , LOX e de citocinas;
• Comprometem a fagocitose
(Inibem a migração de células
fagocíticas de deixarem a
corrente sanguínea e passarem
para o tecido lesado ou
inflamado);
• Comprometimento dos
linfócitos (os fármacos inibem
a proliferação dos linfócitos
para atuarem no sistema
imune e diminuem a produção
de anticorpos)
• Inibição do reparo tecidual
(eles inibem o crescimento de
novos capilares, fibroblastos e
colágeno necessários ao reparo
tecidual);
Ou seja os corticoides afetam:
• Macrófagos e monócitos: São as mais afetadas pelo processo anti-inflamatório e
imunossupressor, em que as GC reduzem a síntese de citocinas e metabólitos do AA, a
apresentação de antígenos, a fagocitose e seu poder bactericida. Portanto, há ampla redução
na sua contagem numérica;
• Linfócitos: Os GC atuam reduzindo a síntese de citocinas e sua capacidade proliferativa,
reduzindo seu número. No entanto, não há interferência direta na síntese de imunoglobulinas;
• Eosinófilos: Por conta do aumento de apoptose dessas células, por sua inativação, reduzindo
sua contagem. Assim há redução da concentração de histamina;
• Basófilos: A redução de citocinas interferem também no seu número, diminuindo suas
concentrações;
• Neutrófilos: São os únicos elementos celulares que sofrem uma leve leucocitose SEM desvio
a esquerda. Isso ocorre por conta da redução da adesão endotelial induzida pelas citocinas,
fazendo com que os neutrófilos maduros se “soltem” da parede vascular e indo a circulação –
percebam que elas NÃO diminuem ou aumentam a síntese e proliferação desse tipo celular,
mas sim facilita a sua liberação na circulação.
Ações de efeitos metabólicos:
1) Afetam o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios:
1-Carboidratos → reduzem a captação e utilização de glicose e aumentam da gliconeogênese.
Possuem um efeito anti-insulínico. (Os glicocorticoides contribuem para a hiperglicemia,
através da absorção, consumo periférico e produção de carboidrato no corpo. Uma das
atividades metabólicas principais é a gliconeogênese hepática a partir de aminoácidos
provenientes da inibição da síntese proteica periférica, além do aumento da ação do glucagon
e das catecolaminas.)
• Obs: No tratamento crônico com glicocorticóides em doses terapêuticas pode provocar no
paciente hiperglicemia prolongada e diabetes iatrogênica.
2-Proteínas → reduzem a síntese de proteínas (anabolismo) e aumentam a degradação de
proteínas (catabolismo), principalmente nos músculos.
3-Lipídios → permitem a degradação dos lipídios pelas catecolaminas e glucagon. No
tratamento crônico: pode aumentar as taxas de triglicerídeos no sangue e provocar a
redistribuição da gordura corporal (somente em doses farmacológicas!). [Os GC estimulam a
lipólise e inibem a síntese de ácidos graxos de cadeia longa, visando uma maior liberação de
ácido graxo e glicerol, compostos utilizados como substratos para gliconeogênese. No entanto,
por conta da especificidade dos receptores de cada adipócito, sendo mais sensível a este
hormônio, o tecido adiposo periférico é MUITO mais afetado por esse metabolismo que o
central, favorecendo um quadro de obesidade centrípeta caso haja abuso dessa substância]
4-Cálcio → reduzem a absorção no TGI e aumentam a excreção renal. Uso prolongado:
tendência à osteoporose.
5- Ação mineralocorticóide → promovem reabsorção de sódio e a excreção de potássio e
hidrogênio no túbulo renal mediante a secreção de Aldosterona.
• Dessa forma, o uso prolongado promove retenção sódio e água e hipocalemia → tendência à
alcalose. Pode também causar hipertensão.
USOS CLÍNICOS:
Terapia antiinflamatória e imunossupressora para:
• Asma
• Topicamente em várias condições inflamatórias da pele, olhos, ouvidos e nariz (eczemas ou
rinite)
• Estados de hipersensibilidades (reações alérgicas graves a fármacos ou picadas de inseto)
• Doenças auto-imunes e inflamatórias (artrite reumática, doenças intestinais inflamatórias)
• Prevenir a rejeição de enxertos ou órgãos transplantados.
• Doenças neoplásicas (leucemias e linfomas, inibem a proliferação de linfócitos)
• Prednisolona – fármaco de escolha para efeitos antiinflamatórios sistêmicos e
imunossupressores.
EFEITOS COLATERAIS:
Os efeitos colaterais ocorrem com o uso prolongado. Só se manifestam com doses elevadas e
uso prolongado (longos períodos).
• São eles:
1. Disseminações de infecções: imunidade diminuída e susceptibilidade às infecções.
2. Linfocitopenia: diminuição das taxas de linfócitos; serve para comparar a baixa da resposta
imune.
3. Diminuição na cicatrização
4. Úlcera péptica: diminui a PLA2 diminuindo PGs;
5. Desenvolvimento de diabete;