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Ética e Virtude

Este documento trata sobre ética e virtude no contexto de um trabalho acadêmico para a disciplina de Ética Profissional na Universidade Católica de Moçambique. Aborda conceitos de ética e virtude segundo diferentes autores e discute as virtudes básicas e indispensáveis para um profissional ético. Também compara a ética das virtudes com a ética da ação correta e analisa algumas vantagens da primeira abordagem.

Enviado por

Lucio Hortencio
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Ética e Virtude

Este documento trata sobre ética e virtude no contexto de um trabalho acadêmico para a disciplina de Ética Profissional na Universidade Católica de Moçambique. Aborda conceitos de ética e virtude segundo diferentes autores e discute as virtudes básicas e indispensáveis para um profissional ético. Também compara a ética das virtudes com a ética da ação correta e analisa algumas vantagens da primeira abordagem.

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Católica de Moçambique

Faculdade de Ciências Sociais e Politicas

Trabalho da Cadeira de Ética Profissional

Exame de recorrência

Tema: A ética e a Virtude

Curso: Contabilidade e Auditoria

3° Ano Pós Laboral

Discentes Docente

Vazconselho Anibal Manuel Jaz Dr. Albertina Caetano

Quelimane, Março de 2021


Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Ciências Sociais e Politicas

Trabalho da Cadeira de Ética Profissional

Exame de recorrência

Tema: A ética e a Virtude

Curso: Contabilidade e Auditoria

3° Ano Pós Laboral

Trabalho de Carácter avaliativo a ser entregue na


cadeira de Ética Profissional leccionada pela Dr.
Albertina Caetano.

Quelimane, Março de 2021


Índice

1 Introdução ............................................................................................................................. 1
2 Ética e virtude ....................................................................................................................... 2
2.1 Ética................................................................................................................................... 2
2.2 Conceitos de Ética ............................................................................................................. 3
2.3 Objecto e objectivo da ética .............................................................................................. 4
2.4 Ética profissional ............................................................................................................... 4
3 As Virtudes............................................................................................................................ 4
3.1 Virtudes básicas................................................................................................................. 5
3.1.1 Prudência ....................................................................................................................... 6
3.1.2 Justiça ............................................................................................................................ 6
3.1.3 Fortaleza ........................................................................................................................ 6
3.1.4 Temperança ................................................................................................................... 7
3.2 Virtudes indispensáveis de um profissional ético ............................................................. 7
3.2.1 A virtude do zelo ........................................................................................................... 7
3.2.2 Honestidade ................................................................................................................... 7
3.2.3 A virtude do sigilo ......................................................................................................... 8
3.2.4 A virtude da competência .............................................................................................. 8
3.2.5 Ética do coleguismo ...................................................................................................... 8
3.3 Ética das virtudes e Ética da acção correta........................................................................ 8
3.4 Importantes virtudes .......................................................................................................... 9
3.5 Algumas vantagens da Ética das Virtudes ...................................................................... 10
3.5.1 Motivação moral ......................................................................................................... 10
3.5.2 Dúvidas sobre o “ideal” da imparcialidade ................................................................. 11
4 Conclusão ............................................................................................................................ 13
5 Referências bibliográficas ................................................................................................... 14
1 Introdução

O presente trabalho tem como o principal objectivo aborda sobre a ética e a virtude. O
trabalho apresenta diversas definições sobre ética assim como sobre a virtude de
diferentes autores. O trabalho inicia evidenciando os conceitos de ética e alguns
aspectos relevantes e em seguida aborda sobre a virtude.

Aristóteles se pergunta a respeito de qual é a melhor vida, qual o bem supremo da vida,
o que é a virtude como vamos encontrar felicidade e satisfação na vida. A finalidade de
nossa vida é alcançar a felicidade, precisamos viver racionalmente, e viver
racionalmente significa viver segundo a virtude. A virtude irá depender de um
julgamento, por força da recta norma da sabedoria prática, ou recta razão para repudiar
os extremos e alcançar o meio-termo. Desta forma, entende-se que a virtude e a ética
estão interligadas com o mesmo objectivo, o bem comum.

1
2 Ética e virtude

Para compreender a noção da ética e virtude com maior profundidade, é preciso elucidar
como esses conceitos se inserem na epistemologia de Aristóteles. No escopo da filosofia
aristotélica há uma distinção das categorias de conhecimento, que são subdivididas em
ciências teoréticas (theoría), ciências práticas (práxis) e as produtivas3 (poíesis).
Primordialmente, a ética e virtude se inserem no contexto das ciências práticas, que
engloba as acções humanas por meio da política. Dentro das ciências práticas,
Aristóteles diferencia a ética e política, sendo que a primeira visa formar um indivíduo
virtuoso para viver na pólis, cuja à finalidade é o bem supremo (eudaimonia). A política
visa compreender as acções dos indivíduos enquanto seres colectivos.
Hierarquicamente, a política ocupa um lugar mais privilegiado do que a ética, pelo fato
de o homem ser um animal político (zoon logikon), onde sua natureza intrínseca se
desvela apenas por meio da política, que torna possível desenvolvimento do logos e da
linguagem através do contacto com os demais membros da cidade (Aristóteles, 2012).

2.1 Ética

Entender, compreender e discutir ética é fundamental para viver em sociedade. Para


isso, precisamos entender primeiro que a ética surgiu quando o homem se descobriu
como um ser racional e despertou para a necessidade de assumir responsabilidades para
viver em sociedade, como uma questão de sobrevivência. (Moore 1975, p. 4). As
discussões sobre a ética são bem antigas, desde as inquietações levantada pelos grandes
filósofos gregos como Sócrates, Platão e Aristóteles. Segundo Moore (1975, p. 4),
“ética é uma palavra de origem grega, com duas origens possíveis:

 A primeira é a palavra grega éthos, com “ e “ cutro, que pode ser traduzida por
costume
 A segunda também se escreve éthos, porém com “ e ” longo, que significa
propriedade do carácter.

Segundo Moore (1975), Com o passar dos tempos, a palavra ética passou a designar
atitude do homem perante à Sociedade, com o sindicado de: Carácter. Modo de reagir
ou sentimentos individuais de uma pessoa na vida em comunidade.

2
2.2 Conceitos de Ética

Vamos descobrir que não existe consenso quanto à definição de Ética. Mas, é
interessante observar que existem dois caminhos distintos que os estudiosos têm
definido a ética: ou como ramo da filosofia ou como ciência da conduta humana

A ética tem se tornado um assunto muito discutido no nosso dia-a-dia, pois temos
enfrentado grandes desafios neste século. Se associarmos ética ao carácter do indivíduo,
afirmando que a ética é formada pelo convício e que a convivência com a família, com
o compartilhamento de valores mora, balizará a conduta humana, no campo pessoal,
social e profissional.

A Ética é um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente bom ou mau, certo ou
errado. A palavra ética e moral têm a mesma base etimológica: a palavra grega ethos e a
palavra latina moral, ambas significam hábitos e costumes.

A ética, como expressão única do pensamento correto conduz à idéia da universalidade


moral, ou ainda, à forma ideal universal do comportamento humano, expressa em
princípios válidos para todo pensamento normal e sadio.

Para Nash (1993 p.6),O termo ético assume diferentes significados, conforme o
contexto em que os agentes estão os agentes envolvidos. Uma definição particular diz
que a “ética nos negócios é o estudo da forma pela qual normas morais pessoais se
aplicam às atividades e aos objetivos da empresa comercial. Não se trata de um padrão
moral separado, mas do estudo de como o contexto dos negócios cria seus problemas
próprios e exclusivos à pessoa moral que atua como um gerente desse sistema

Segundo Baumhart (1971), outro conceito difundido de ética nos negócios diz que “é
ético tudo que está em conformidade com os princípios de conduta humana; de acordo
com o uso comum, os seguintes termos são mais ou menos sinónimos de ético: moral,
bom, certo, justo, honesto.

De acordo com Vázquez (1984, p. 12), Ética é um conjunto sistemático de


conhecimentos racionais e objetivos a respeito do comportamento humano moral,
melhor dizendo, é a teoria ou ciência do comportamento moral do homem em
sociedade.

3
2.3 Objecto e objectivo da ética

A Ética, enquanto ramo do conhecimento, tem por objeto o comportamento humano do


interior de cada sociedade. O estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os
níveis aceitáveis que garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas,
constitui o objectivo da ética (Baumhart (1971).

2.4 Ética profissional

As organizações, actualmente, têm aumentado o seu interesse por atitudes éticas, pois o
que tem sido observado é quando a mesma é negligenciada passa a vigorar a
desconfiança entre empresas, a falta de lealdade dos empregados e o uso da tecnologia a
serviço da fraude, colocando em jogo o destino da organização. (Glock e Goldim 2003).

A Ética profissional tem relação directa com a confiança que a sociedade deposita no
especialista que executa determinado trabalho. Essa confiança decorre da diferença
entre profissão e ocupação. (Glock e Goldim 2003).

Para ser considerada profissão, segundo as ciências sociais, uma actividade deve
agrupar um conjunto de características, entre elas:

a) A existência de um conjunto de conhecimentos científicos necessários para seu


exercício;
b) Um órgão de classe responsável pelo ingresso de novos profissionais, pela
manutenção dos registos e pela avaliação da conduta dos profissionais;
c) Razoável controlo exercido pela profissão sobre as instituições de ensino;
d) Uma cultura própria e específica;
e) um conjunto de preceitos éticos a serem seguidos.

3 As Virtudes

A palavra “virtude” é um a palavra originada do latim “vis”, que significa força,


energia. Lopes de Sá (1988, p.65), afirmava que “virtude, é condição basilar, ou seja,
não se pode conceber o ético sem o virtuoso como princípio, nem deixar de apreciar tal
capacidade em relação a terceiros”.

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Segundo Samaranch (1991), O conceito grego de aretê (virtude) tem um significado
distinto do que se designa por virtude em um contexto cultural cristão. Para o mundo
grego, aretê significa o grau de excelência no exercício de uma capacidade que um ser
possui como própria. A aretê é uma certa realização do que é uma função natural e não
está relacionada com a ideia de essência.

Podemos também definir Virtude como uma qualidade moral, um atributo positivo de
um indivíduo, sua disposição para praticar o bem. Quando pensamos na palavra virtude,
podemos relacionar vários termos como: força, paciência, coragem, a eficácia ou a
integridade, por exemplo. O filósofo Aristóteles, elaborou uma diferenciação entre
virtudes intelectuais e virtudes éticas (ou morais), definindo que o estado ideal seria a
moderação. Para Aristóteles, Virtude Intelectual é aquela que “nasce e progride graças
aos resultados da aprendizagem e da educação”. A Virtude Moral seria aquela que “não
é gerada em nós por natureza, é o resultado do hábito que nos torna capazes de praticar
actos justos”. (Lopes, 1988, p.65).

Aristóteles define a virtude da seguinte forma: “a virtude é, então, uma disposição de


carácter relacionada com a escolha de acções e paixões, e consiste num mediano, isto é,
a mediana relativa a nós, que é determinada por um princípio racional próprio do
homem dotado de sabedoria prática” (Aristóteles, 2012, p. 40).

Consideramos, então, como assentado, que a virtude está relacionada com os prazeres e
sofrimentos; que, pelos mesmos actos dos quais ela se origina, tanto é acrescida, como,
se tais actos são praticados de maneira diferente, destruída; e também que os actos são
praticados de maneira diferente, destruída; e também que os actos de onde surgiu a
virtude são os mesmos actos dos quais ela se origina (Aristóteles, 2012, p. 36).

3.1 Virtudes básicas

Barbosa e Ribeiro (2008:20), apresentam o seguinte quadro de virtudes básicas,


adaptado de Camargo (2001) e Coelho (2014).

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3.1.1 Prudência

Definição: Prudência É o hábito de decidir bem. É a busca sistemática da objectividade,


do realismo, do conhecimento de todas as circunstâncias dentro das quais devemos agir.

Exige: Percepção das situações concretas; considerar as circunstâncias todas;


perspicácia para perceber os meios oportunos a pôr em prática; estabelecer conexões
entre os dados; ordenar os meios; prever o futuro; lembrar-se das experiências próprias
e alheias; evitar inconvenientes etc.

Inimigos da Prudência: Desatenção (viver desligado); a precipitação; a negligência; a


desconsideração (não dar importância); a inconstância; a astúcia (que leva à fraude).

A recta noção daquilo que se deve fazer ou evitar, exigindo o conhecimento dos
princípios gerais da moralidade e das continências particulares da acção.

3.1.2 Justiça

Definição: Dar a cada um o que é seu. Justiça consiste em tratar igualmente os iguais e
desigualmente os desiguais, na medida em que são desiguais. A justiça busca uma
harmonia entre as pessoas, uma distribuição, um equilíbrio.

Inimigos da Justiça: Abuso, açambarcamento, imposição pela força, injustiça

Exige: Considerar fundamentalmente as igualdades e as diferenças entre as pessoas, tais


como idade, capacidade, esforço etc.

É o ato de respeitar os direitos e os deveres; é a disposição de dar a cada um o que é seu


de acordo com a natureza, a igualdade ou a necessidade; é a base da vida em sociedade
e da participação na existência comum; a justiça implica a combinação de diversas
actividades, com a imparcialidade, a piedade, a veracidade, a fidelidade, a gratidão, a
liberdade e a equidade.

3.1.3 Fortaleza

Definição: É uma disposição da vontade que leva a não desistir do esforço necessário
para fazer o bem ou para resistir ao mal. É a virtude que leva a combater o medo, o
encolhimento perante as dificuldades da vida, a evitar a omissão.

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Inimigos da Fortaleza: Covardia, temeridade (expor-se ao perigo sem necessidade)

Firmeza interior contra tudo o que molesta a pessoa neste mundo, fazendo vencer as
dificuldades e os perigos que exercem a medida comum.

3.1.4 Temperança

Definição: É a virtude que nos dispõe a moderar a procura do prazer. Visa em manter o
equilíbrio, evitando que o ser humano busque o prazer pelo prazer.

Inimigos da Temperança: Excesso

Regra, medida e a condição de toda virtude; é o meio justo entre o excesso e a falta;
Exige sensatez baseada num pensamento flexível e forme. Encontra-se atrelada à
continência, a sobriedade, a humildade, a mansidão e a modéstia.

3.2 Virtudes indispensáveis de um profissional ético

3.2.1 A virtude do zelo

Um trabalho continua sempre presente, ainda quando falta aquele que o produziu. O
que fazemos representa-nos, mesmo na nossa ausência. Por um dever consigo mesmo, o
profissional deve cuidar para realizar sua tarefa com maior perfeição possível

3.2.2 Honestidade

Trata-se da responsabilidade perante o bem e a felicidade de terceiros. A desonestidade


é a transgressão ao direito de terceiros, é necessário ser honesto, parecer honesto e ter
ânimo de sê-lo. Um dos factores que mais tem caracterizado a desonestidade é a
fascinação pelos lucros, privilégios e benefícios fáceis. A tolerância não entra nas
cogitações, nem na fixação de um limite de honestidade. Não existe menor ou maior
desonestidade, mas desonestidade.

A intenção, ainda que não se efectue o ato, os ânimos para o ato desonesto já é, por si
só, uma transgressão à ética. Quem tem intenção de fraudar, de corromper, já se coloca
em transgressão ética. Ou aqueles que não praticam o atam, mas abrem caminho para
que ele se efective: a conivência passiva ou activa

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3.2.3 A virtude do sigilo

O respeito pelos segredos das pessoas, dos negócios, das instituições, é protegido por
lei. Fatos que por natureza devem ser mantidos em sigilo, a revelação deles podem
representar sérios problemas para a empresa ou clientes.

EX: programas, hábitos pessoais, registos contábeis, pesquisas científicas, etc.

A infracção ética é notória quando os casos se processam com intenção de tirar proveito
próprio. Jamais o advogado, o contabilista, o padre, pode denunciar seu cliente. A
própria Lei brasileira protege o sigilo profissional. Aqueles que mesmo sendo
prejudicados mantêm o segredo profissional fazem história, porém os traidores da
confiança são seres que se desqualificam.

3.2.4 A virtude da competência

Os males que a incompetência tem causado à humanidade são muito grandes, por isso,
competência é uma questão também de ética. Nem sempre á possível acumular todo o
conhecimento que uma tarefa requer, mas é preciso que se tenha postura ética de recusar
o serviço que se sabe não poder realizar.

3.2.5 Ética do coleguismo

A virtude do coleguismo de fundamenta na fraternidade profissional. Isso exige que nos


interessemos pelos problemas dos colegas com sinceridade, lealdade, honestidade,
tolerância, cooperação e compreensão. Se observarmos dessa forma, evitaremos de ver
nosso colega como um concorrente.

Tira maior proveito aquele que pensa em construir sua vida, do que aquele que se dedica
em destruir a dos outros. O que pratica o bem tende a recebê-lo como remuneração, e o
que pratica o mal, igualmente.

3.3 Ética das virtudes e Ética da acção correta

Ao pensar em qualquer assunto, faz muita diferença começar por uma ou por outras
questões. Na Ética a Nicômaco, de Aristóteles (cerca de 325 a.C.), as questões centrais
dizem respeito ao carácter. Aristóteles começa por perguntar: “Em que consiste o bem

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para o homem?”. E a sua resposta é: “Uma actividade da alma em conformidade com a
virtude”.

Para entender a ética temos, portanto, de entender o que torna alguém uma pessoa
virtuosa, e Aristóteles, com olhar aguçado para os pormenores, dedica muito tempo a
discutir virtudes particulares como a coragem, o autodomínio, a generosidade e a
veracidade.

No Renascimento, a filosofia moral começou a ser secularizada, mas os filósofos não


regressaram à forma grega de pensar. Concebeu a lei moral (que brota da razão humana)
um sistema de regras que especificava quais as acções são corretas. O nosso dever,
como pessoas morais, é seguir as suas directivas. Assim, os filósofos morais modernos
abordavam o seu tema fazendo uma pergunta fundamentalmente diferente da feita pelos
Antigos. Em vez de perguntar: “Que traços de carácter tornam uma pessoa boa?”,
Começavam por perguntar: “Qual é a coisa certa a fazer?”. Isto os empurrou numa
direcção diferente. Os moralistas modernos acabaram por não desenvolver uma teoria
da virtude, mas do bem e obrigação morais.

3.4 Importantes virtudes

Para Vázquez (1995), Diz que as virtudes são características de carácter que é bom às
pessoas possuírem. Isto apenas levanta a questão adicional de saber por que razões as
virtudes são desejáveis. Por que razão é uma coisa boa que uma pessoa seja corajosa,
generosa ou honesta? A resposta é claro, pode variar dependendo da virtude particular
em questão. Assim:

 A coragem é uma coisa boa porque a vida está cheia de perigos e sem coragem
não seríamos capazes de lhes fazer frente;
 A generosidade é desejável porque algumas pessoas vivem necessariamente em
piores condições que outras e necessitam da nossa ajuda;
 A honestidade é necessária porque sem ela as relações entre as pessoas
correriam mal de múltiplas maneiras.

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A um nível mais geral, somos seres racionais e sociais que querem e precisam da
companhia de outras pessoas. Por isso vivemos em comunidades, entre amigos, família
e outros cidadãos. Neste cenário, qualidades como a lealdade, equidade e honestidade
são necessárias para interagir harmoniosamente com todas essas outras pessoas.

A um nível mais individual, as nossas vidas podem incluir trabalhar num determinado
tipo de emprego e ter determinado interesses. Outras virtudes poderão ser necessárias
para fazer bem esse trabalho ou dedicar-se a esses interesses — a perseverança e a
diligência podem ser importantes. Uma vez mais, é parte da nossa condição humana
comum que por vezes enfrentemos perigos ou tentações, pelo que a coragem e o
autodomínio são necessários.

A conclusão é que, apesar das suas diferenças, as virtudes têm todo o mesmo tipo geral
de valor: são todas qualidades necessárias para uma vida humana bem-sucedida.

3.5 Algumas vantagens da Ética das Virtudes

Segundo Júnior (2015) Por que razão alguma filósofa pensa que uma ênfase nas
virtudes é superior a outras maneiras de pensar sobre ética? Sugeriu-se uma série de
razões. Eis duas das mais importantes.

3.5.1 Motivação moral

Primeiro, a ética das virtudes é apelativa porque fornece uma descrição atraente da
motivação moral. As outras teorias parecem deficientes neste campo. Considere-se o
seguinte Exemplo:

O leitor está no hospital se recuperando de uma doença prolongada.

Está aborrecido e inquieto, e por isso fica encantado quando Smith chega para visitá-lo.
Passa um bom bocado à conversa com ele; a sua visita era justamente o tônico de que
precisava. Decorrido algum tempo, diz a Smith como a sua visita lhe foi agradável —
ele é mesmo um tipo excelente e um bom amigo, para se dar ao trabalho de atravessar a
cidade para vir vê-lo. Mas Smith objeta; confessa que está apenas a cumprir o seu dever.
A princípio o leitor pensa que ele está só a ser modesto, mas quanto mais falam, mais
claro se torna que ele está dizendo a verdade.

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Não veio visitá-lo porque quis ou por gostar dele, mas apenas por pensar que tem o
dever de “fazer o que está certo”, e nessa ocasião decidiu que tinha o dever de visitá-lo
— talvez por não saber de alguém com mais necessidade de ser animado ou de alguém
mais próximo.

Este exemplo foi sugerido por Michael Stocker num artigo muito influente surgido no
Journal of Philosophy em 1976. Ele comenta que certamente o leitor ficaria muito
desiludido ao conhecer a motivação de Smith; a sua visita parece agora, fria e calculista,
e perde todo o valor para si. Pensava que ele era seu amigo, mas verifica agora que isso
não é verdade. Stocker afirma o seguinte sobre o comportamento de Smith: “Há
certamente alguma coisa que falha aqui — uma falha de mérito ou valor moral”.

É claro que nada há de errado com o que Smith fez. O problema é a sua motivação.

Valorizamos a amizade, o amor e o respeito, e queremos que as nossas relações com as


outras pessoas sejam baseadas em consideração mútua. Agir movido por um sentido
abstrato de dever, ou por um desejo de “fazer o que está certo”, não é a mesma coisa.
Não desejaríamos viver numa comunidade de pessoas que agissem apenas por tais
motivos, nem desejaríamos ser uma dessas pessoas. Logo, prossegue o argumento, as
teorias éticas que enfatizam apenas a correção da ação nunca poderão fornecer uma
explicação satisfatória da vida moral. Necessitamos para isso de uma teoria que enfatize
as qualidades pessoais como a amizade, o amor e a lealdade — por outras palavras, uma
teoria das virtudes.

3.5.2 Dúvidas sobre o “ideal” da imparcialidade

Um tema dominante da filosofia moral moderna tem sido a imparcialidade — a ideia de


que todas as pessoas são moralmente iguais, e de que ao decidirmos o que fazer
devemos tratar os interesses de todos como igualmente importantes.

John Stuart Mill colocou bem a questão ao escrever que o “Utilitarismo exige [que o
agente moral] seja tão estritamente imparcial como um espectador benévolo e
desinteressado”. (Este texto também trata a imparcialidade como um requisito moral
fundamental: a imparcialidade é parte da “concepção mínima” da moralidade). Pode
duvidar-se, no entanto, que a imparcialidade seja realmente uma característica assim tão

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importante da vida moral. Consideremos as nossas relações com a família e os amigos.
Seremos realmente imparciais no que respeita aos seus interesses? E devemos sê-lo?

Uma mãe ama os seus filhos e cuida deles de um modo que não alarga a outras crianças.
E completamente parcial para com elas. Mas haverá algo de errado nisso? Não é
exactamente assim que uma mãe deve ser?

Além disso, amamos os nossos amigos e estamos dispostos a fazer por eles coisas que
não faríamos por qualquer outra pessoa. Haverá algo de errado nisso? Pelo contrário,
parece que o amor por familiares e amigos é uma característica intransponível da vida
moralmente boa. Qualquer teoria que releve a imparcialidade terá dificuldade em dar
conta disto. Uma teoria moral que enfatize as virtudes pode, no entanto, justificar tudo
isto sem dificuldade. Algumas virtudes são parciais e outras não (Júnior 2015).

O amor e a amizade implicam parcialidade para com os entes queridos e os amigos; a


beneficência para com as pessoas em geral é também uma virtude, mas é uma virtude de
tipo diferente. O que é necessário não é qualquer tipo geral de imparcialidade, mas uma
compreensão da natureza destas diferentes virtudes e de como se relacionam entre si.
(Júnior 2015).

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4 Conclusão

O objectivo desse trabalho era de apresentar sobre a ética e a virtude. Esses dois
conceitos tratam da mesma causa, a sociedade. Para o homem alcançar a felicidade é
necessário que viva racionalmente, e viver racionalmente implica viver segundo a
virtude A virtude é encontrada no meio-termo entre acções opostas, entre o excesso e a
deficiência.

Após a elaboração do trabalho pode concluir que a ética são os conhecimentos obtidos
da investigação do comportamento humano em relação às regras morais, explicadas de
forma racional, fundamentada, científica e teórica, ou seja, ética é uma reflexão sobre a
moral.

Em tudo parece haver uma tendência para a organização e os seres humanos não fogem
a essa vocação. Em cada agrupamento, no entanto, depende de uma disciplina
comportamental e de conduta. Com referência ao ser humano em especial, é exigível
uma conduta especial, denominada de Ética. Como os seres são heterogéneos, face suas
próprias características, a homogeneização perante a classe precisa ser regulada de
forma que o bem geral esteja preservado, incluindo o próprio indivíduo.

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5 Referências bibliográficas

Aristóteles. (2012) Ética a Nicômaco. Trad. Torrieri Guimarães. São Paulo, Brasil.
Editora Martin Claret.

Aristóteles. (1985). Ética a Nicômacos. Trad. Mário da Gama Kury. Brasília, Brasil.
Editora Universidade de Brasília.

Barbosa, A. M. de O., Silva, A. C. R. (2008). Ética Profissional Deontologia da


Profissão Contábil. Ed. Do Autor. São Paulo, Brasil. Salvador.

Baumhart, e Raymond, S. J. (1971). Ética em negócios. Rio de Janeiro, Brasil:


Expressão e Cultura, 1971.

Camargo, M. (2001). Fundamentos da Ética Geral e Profi ssional. Rio de Janeiro,


Brasil. Vozes.

Coelho, D. (2014). Ética e Responsabilidade Social. Governo do Estado do


Pernambuco.

Glock, R. S.; Goldim, J. R. (2003). Ética profissional é compromisso social. Mundo


jovem, Porto Alegre, Portugal. Pucrs

Júnior, L. P. G. da S. (2015). Ética das virtudes. Disponível em:


[Link]
DasVirtudes/[Link] em: 01 Março de 2021.

Moore, G. E. (1975). Princípios éticos. São Paulo, Brasil: Abril Cultural.

Nash, L. (1993). Ética nas empresas. São Paulo, Brasil. Makron Books do Brasil.

Samaranch, F. (1991). Cuatro Ensayos sobre Aristóteles: política, ética y


metafí[Link]: Fondo de Cultura Económica.

Vasquez, A. S. Ética. (1984). Trad. de João Dell’Anna. 7ª. Edição. Rio de Janeiro,
Brasil. Civilização Brasileira

Vázquez, A. S. (1995). Ética. Rio de Janeiro, Brasil. Civilização Brasileira.

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