ÍNDICE
INTRODUÇÃO.................................................................................................................2
1.APLICAÇÃO DA LEI PENAL QUANTO ÀS PESSOAS...........................................3
1.1 CONCEITOS PRELIMINARES.................................................................................3
2. NATUREZA E JUSTIFICAÇÃO DAS EXCEPÇÕES AO PRINCÍPIO DA
IGUALDADE DOS CIDADÃOS PERANTE A LEI PENAL.........................................3
2.1 EXCEPÇÕES SUBSTANTIVAS OU POLÍTICO-CONSTITUCIONAIS................4
2.2 EXCEPÇÕES PROCESSUAIS OU ADJECTIVAS..................................................5
2.3 EXCEPÇÕES DIPLOMÁTICAS...............................................................................6
2.4 IMUNIDADE DOS CHEFE DO ESTADO................................................................7
2.5 IMUNIDADES DO DIREITO INTERNO E INTERNACIONAL............................8
3. RESPONSABILIDADES CRIMINAL DE PESSOAS COLECTIVAS E
SINGULARES..................................................................................................................9
3.1 RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS COLECTIVAS..................10
3.2 CAPACIDADE DE ACÇÃO....................................................................................11
3.3 CAPACIDADE DE CULPA.....................................................................................11
3.4 PRINCÍPIO DA CULPA...........................................................................................12
3.5 MODOS DE IMPUTAÇÃO DOS FACTOS DAS PESSOAS COLECTIVAS.......13
3.6 MODELOS DE RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS COLECTIVAS............14
3.7 MODELO DE RESPONSABILIDADE INDIRECTA DE PESSOAS
COLECTIVAS................................................................................................................14
3.8 MODELO DE RESPONSABILIDADE DIRECTA DAS PESSOAS COLECTIVAS
.........................................................................................................................................15
4. AS DIFICULDADES DO MODELO DE RESPONSABILIDADE INDIRECTA....15
4.1 DIFICULDADES DE MODELO DE RESPONSABILIDADE DIRECTA.............16
4.2 OS FACTOS PRATICADOS EM NOME E NO INTERESSE DA PESSOA
COLECTIVA..................................................................................................................16
5. RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS SINGULARES....................17
CONCLUSÃO.................................................................................................................21
REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA...................................................................................22
FOLHA DE ABREVIATURAS
Art. – Artigo.
CRM – Constituição da República de Moçambique.
CP – Código Penal.
PR – Presidente da República.
OB. CIT – Obra Citada.
P. – Página.
Vol. Volume.
Ss – Seguintes.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho da Cadeira de Direito Penal, intitulado “Aplicação da Lei
Penal Quanto as Pessoas”, visa fazer uma abordagem sintética e esgotada do tema em
acima referido, e como nota introdutória convém ter presente que: a concessão de
privilégios a representantes diplomáticos, relativamente aos actos por eles praticados,
é antiga praxe no Direito das Gentes, fundando-se no respeito e consideração ao
Estado que representam, e na necessidade de cercar sua actividade de garantia para o
perfeito desempenho de sua missão diplomática. Já dizia Montesquieu que os agentes
diplomáticos são a palavra do príncipe que representam e essa palavra deve ser livre.
No âmbito da aplicação da lei penal quanto às pessoas, que sejam titulares de
certas funções encontramos diferenças quanto a regra geral, que parte-se da ideia
prevista no art. 35 da CRM, que faz menção ao principio da igualdade e
universalidade, em que todos somos iguais perante a lei do nosso Estado, quanto ao
presidente, diplomatas, deputados e em medida menor alguns membros do governo,
gozam de privilégios pessoais que limitem a aplicabilidade da lei penal, não vigorando o
princípio legibus solutu, nota-se então que há, pessoas que por virtude das suas funções
na orgânica do Estado ou em razão de regras de Direito Internacional gozam de
imunidades, existe então para esta regra um excepção.
Muita das vezes o que tem-se levantado é, se a lei é igual para todos, porque
todos não serão iguais perante a mesma lei? Esta pergunta será respondida de forma
seguinte, não são concretamente as pessoas que estas não lhes são aplicáveis estas leis,
mas sim pelas funções que estas mesmas exercem estas leis não lhes serão aplicáveis,
ou seja a natureza da função que esta exerce a torna susceptível de um conjunto de
privilégios o que é geralmente denominado por excepção, que configurar-se-á numa
imunidade em sede da aplicação da lei penal quanto às pessoas.
Quanto aos métodos usados na pesquisa é o método dedutivo, uma vez que visa
descobrir conhecimentos particulares através do conhecimento geral, é um processo de
análise de informação que nos leva a uma conclusão. E, para melhor compreensão do
trabalho este obedece a seguinte estrutura: Introdução, Desenvolvimento, Conclusão e
Bibliografia.
2
1.APLICAÇÃO DA LEI PENAL QUANTO ÀS PESSOAS
1.1 CONCEITOS PRELIMINARES
Como forma de ter uma melhor compreensão sobre o tema em alusão convém
trazer os conceitos ligados a este tema, que sob nosso viés torna-se imperioso, trazer
estes conceitos, começaremos por trazer o significado das expressões constantes no
tema.
Aplicação – significa uso ou então destino ou seja configura-se na acção de
aplicar, de colocar em pratica, utilização: aplicação de medidas de segurança. 1
Lei – é um sistema de regras que são criadas e executadas por meio de
instituições sociais ou governamentais para regular comportamentos, alguns preferem
denominar por arte da justiça.2
Penal – relactivo ao direito de punir, ou então castigar.3
Pessoa – é todo ser com capacidade de consciência, raciocínio ou então arbítrio
próprio e é responsável pelos seus actos.4
Nota-se então que ao se falar da aplicação da lei penal quanto as pessoas,
pretendemos aqui falar qual o destino que as regras do Direito Penal tem para com as
pessoas, ou seja qual e como é feita a utilização destas normas.
2. NATUREZA E JUSTIFICAÇÃO DAS EXCEPÇÕES AO
PRINCÍPIO DA IGUALDADE DOS CIDADÃOS PERANTE A LEI
PENAL
Segundo Eduardo Correia o princípio geral desta matéria é o da igualdade de
todos os cidadãos perante a lei. Segundo o art. 35 da CRM em que preceitua o seguinte:
“todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos
aos mesmos deveres independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de
1
CUNHA, Celso, Dicionário Integral da Língua Portuguesa, Texto Editores, p. 45.
2
Ob cit, p. 84.
3
Ob cit. p. 121.
4
Ob cit. p.118.
3
nascimento, região grau de instrução, posição social, estado civil dos pais profissão ou
opção política”. Em princípio a lei criminal se aplica a todos sem distinção de classes
por hierarquias, há todavia excepções umas vezes impostas para garantir a dignidade e
independência de certas pessoas e funções, outras vezes por razões diplomáticas ou de
direitos internacionais.5
Logo, a lei é igual para todos e não existem privilégios pessoais que limitem a
aplicabilidade da lei penal, não vigorando o princípio legibus solutu. Há, no entanto,
Pessoas que por virtude das suas funções na orgânica do Estado ou em razão de regras
de Direito Internacional gozam de imunidades.6
Nesta senda de ideias, o professor Eduardo Correia nos traz algumas excepções
que configuram-se em imunidades.
As imunidades - constituem privilégios por força dos quais as pessoas a quem
são atribuídas não ficam sujeitas a jurisdição do Estado ou não lhes são aplicadas as
sanções previstas nas leis penais. E diz que é preciso distinguir as excepções de carácter
substantivo das excepções de carácter adjectivo ou processual, de seguida procuraremos
fazer a distinção destes institutos jurídicos na óptica do autor em alusão.7
2.1 EXCEPÇÕES SUBSTANTIVAS OU POLÍTICO-
CONSTITUCIONAIS
Considera-se excepções de carácter substantivas político constitucionais, aquelas
que apagam o crime, apagado o crime, isso projecta-se sobre todas as relações do que
ele pode ser objecto, incluindo as relações de comparticipação.8
Como exemplo destas excepções pode citar-se o art.1529 da Constituição da
República que torna o P.R fundamentalmente irresponsável pelos actos praticados no
exercício das suas funções.10
5
CORREIRA, Eduardo, Direito Criminal, volume I, Almedina, 1963, p. 189-191.
6
SILVA, Germano Marques da, Direito Penal Português,2ª Edição, p. 321.
7
BELEZA, Teresa Pizarro, Direito Penal, vol.I, 2a ed., Revista Actualizada, p. 506.
8
CORREIRA, Eduardo, Direito Criminal, volume I, Almedina, 1963, p. 189.
9
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da República I série
nº 115 de 12 de Junho.
CORREIRA, Eduardo, Direito Criminal, volume I, Almedina, 1963, p. 190.
10
4
Coisa semelhante sucede com os Deputados que, nos termos do art. 173 da
constituição são invioláveis pelas opiniões e votos que emitem no exercício do seu
mandato.
Nota-se porem que essa inviolabilidade não abrange a responsabilidade criminal
por difamação, calunia e injuria, ultraje a moral pública ou provocação pública ao crime
da constituição.
Também os juízes são irresponsáveis pelos julgamentos, ressalvadas as
excepções que a lei consignar, conforme dispõe o no 2 do art. 217 da CRM.11
2.2 EXCEPÇÕES PROCESSUAIS OU ADJECTIVAS
Considera-se excepções processuais ou adjectivas, aquelas que tornam
dependente o procedimento criminal de certas condições, é claro que não sucede.12
Há, porém, por outro lado excepções adjectivas ou de Direito processual e então
a acção penal pode ser intentada contra outras pessoas que não gozam delas e que
tenham participado no crime. Como é o caso de furto entre cônjuges e o furto de
descendente a ascendente não dão lugar a acção pública de furto art. 279 do CP, mas
isso não quer dizer que se não proceda criminalmente contra os respectivos
comparticipantes. 13
Outras excepções processuais são aquelas que exigem consentimento da
Assembleia República para processar deputados, no 1 do art.
Os ministros ou então o governo só podem ser julgados nos termos do art. 210
da CRM, e o Presidente da República só responde perante os tribunais comuns depois
de terminado o seu mandato, isto significa que o PR não pode durante o seu mandato
responder criminalmente diante dos tribunais comuns, mas sim diante do tribunal
supremo, no 2 do art. 152 da CRM14.
11
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da República I
série nº115 de 12 de Junho.
CORREIRA, Eduardo, Direito Criminal, volume I, Almedina, 1963, p.189.
12
13
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n°35/2014, de 31 de Dezembro, Código Penal De
Moçambique, , Minerva press.
14
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da República I série
nº115 de 12 de Junho.
5
Nas palavras da autora Teresa Beleza no que diz respeito a aplicação da lei penal
quanto as pessoas tem algumas regras especiais em relação a pessoas que ocupam certos
cargos quanto ao funcionamento da lei penal, em relação a actos praticados por essas
pessoas.15
O que nos parece, e de certo modo, acaba por funcionar como tal, ser uma
violação do princípio da igualdade, só que estas eventuais excepções são feitas pela
própria constituição e por tanto não se levantará o problema da inconstitucionalidade, a
não ser por quem admita de uma forma mais ou menos "metafísicas", que é possível
haver normas constitucionais, feridas de inconstitucionalidade.
2.3 EXCEPÇÕES DIPLOMÁTICAS
Há também excepções diplomáticas, que aliás poderiam também enquadrar-se
num princípio de extraterritorialidade, com o princípio da extraterritorialidade nota-se
que um individuo fica isento da jurisdição da lei local, esta afecta também as pessoas
que representam oficialmente o seu próprio Estado no estrangeiro, especialmente os
diplomatas e as autoridades supremas em caso de visitas, implicando geralmente, nesses
casos, imunidade perante as forças coactivas. Assim:
a) É costume e pratica internacional que os chefes de Estado estrangeiros, quando
não viajem incógnitos, e pratiquem factos criminais, não possam ser punidos,
devendo apenas ser convidados a retirarem-se ou serem expulsos, pedindo-se
depois reparação por via diplomática.
b) É costume retirar o “agrément” (acordo), aos diplomas que pratiquem delitos no
país, fazendo-os assim sair do território e permitindo que os respectivos países
os julguem.
c) O mesmo em regra se aplica aos agentes internacionais equiparados aos agentes
diplomáticos, ao pessoal oficial das missões diplomáticas, bem como a família
destes e em certas medidas aos cônsules.16
A garantia destas imunidades abrange as seguintes pessoas:
Os agentes diplomáticos (embaixadores);
15
BELEZA, Teresa Pizarro, Direito Penal, 2ª edição, Revista Actualizada, p, 505.
16
CORREIRA, Eduardo, Direito Criminal, volume I, Almedina, 1963, página, 191.
6
Funcionários das organizações internacionais (ONU, OEA, OIT,...), desde que em
serviço;
Familiares dos dois acima;
Chefes de governo estrangeiro (1º Ministro, Presidente, Rei);
Ministro das Relações exteriores/Ministro dos Negócios estrangeiros e cooperação.
Não abrange:
Empregados particulares;
Cônsules (funcionários de carreira e que são indicados para a realização de
determinadas funções em Estado específico), pois possuem imunidades inferiores aos
diplomatas, qual seja, é limitada aos actos ligados à sua função, de modo que poderão
ser presos e processados por outros crimes (Ex.: homicídio, lesão corporal...).
Porem, estas imunidades são irrenunciáveis pelas pessoas, mas podem ser renunciadas
pelo Estado representado.
2.4 IMUNIDADE DOS CHEFE DO ESTADO
Primeiro convém ter presente que nos termos do n o 1 do art. 145 da CRM, o PR é
o chefe do Estado, o PR nos termos do art. 152 da CRM, só responde pela prática dos
crimes comuns depois de terminado o seu mandato. Visto que o mandato de um
Presidente da República em Moçambique pode ter a duração de dez anos consecutivos,
com isto poderá este responder pelo cometimento de uma infracção comum; homicídio
voluntário no exercício da condução volvidos pelo menos dez anos, uma vez que na
prática o intervalo entre as eleições presidências e consideravelmente curto.17
Ainda no âmbito processual sobre a figura do P.R pode-se dizer que este só pode
ser julgado no Tribunal Supremo, quando estiverem em causa a prática de crimes no
exercício da sua função ou por causa delas, depois de haver anuência da Assembleia da
República e remetido ao directamente ao Procurador - Geral da República. Ainda pode
se dizer que em termos processuais esta figura não pode ser sujeito a medida de coacção
máxima da prisão preventiva durante o exercício das suas funções nos termos do artigo
153 da CRM.18
17
SOUSA, Elísio, Direito penal Moçambicano, Escolar Editora, Maputo – Moçambique, 2012, p. 83.
18
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da República I série
nº115 de 12 de Junho.
7
2.5 IMUNIDADES DO DIREITO INTERNO E INTERNACIONAL
Como antes dissemos, alguns autores no âmbito da aplicação da lei penal quanto
as pessoas usam o termo, os cultores de Direito Penal, classificam estas imunidades, em
absolutas as que eximem de responsabilidade ou isentam de submissão a jurisdição por
qualquer crime. E, imunidades relativas as que resultam do exercício de determinadas
funções. Vejamos:
As imunidades absolutas são reservadas aos chefes de Estado estrangeiros são
Imunidades de Direito Internacional Público, ou por outra são aquelas ditas de
imunidades diplomáticas e de chefes de Estado Estrangeiro. A imunidade dos chefes de
Estado estrageiro deriva do Direito Internacional Público.19
Onde, Em razão do respeito mútuo entre os países, os agentes diplomáticos
estrangeiros não estão sujeitos à lei penal interna, mas sim à lei do país que
representam. Portanto, os Embaixadores, secretários de Embaixada, pessoal técnico e
administrativo das representações, seus familiares, Chefes de Estado e representantes
de governos estrangeiros não estão sujeitos à aplicação da lei penal interna. Ainda, os
prédios das Embaixadas e residências das pessoas que possuem tal imunidade são
invioláveis.
As imunidades relativas ou funcionais onde estas tanto podem ser de Direito
Público Interno como de Direito Internacional Púbico. São imunidades de Direito
Público Interno, as que gozam os deputados à Assembleia da República, nos termos do
art. 173 da CRM, onde estas podem também ser chamadas de imunidades
parlamentares.
3. RESPONSABILIDADES CRIMINAL DE PESSOAS
COLECTIVAS E SINGULARES
A aplicação da lei penal ou criminal estende-se igualmente a certas categorias de
pessoas jurídicas, que são as pessoas singulares e pessoas colectivas, antes mesmo de
abordar exaustivamente esta temática, convêm ter presente o conceito de
responsabilidade criminal ou então responsabilidade penal, a doutrina dominante tem
discutido esta questão no intuito de conceituar este instituto jurídico, o conceito que
BELEZA, Teresa Pizarro, Direito Penal, vol.I, 2a ed., Revista Actualizada, p.505.
19
8
afigurou-se mais simples e claro é o que preconiza que a responsabilidade penal é o
dever jurídico de responder pela acção delituosa que recai sobre o agente imputável.20
O nosso legislador em sede de responsabilidade penal das pessoas
colectivas/singulares no art. 28° do CP define a responsabilidade penal como sendo uma
obrigação de reparar o dano causado na ordem jurídica, 21 Cumprindo a medida ou a
pena estabelecida na lei, conjugado com artigo 152° da CRM.22
Ao cometer um delito um individuo é considerado responsável e será submetido
a uma pena, ao inimputável será aplicada uma medida de segurança, isto é, uma
providência substitutiva ou complementar da pena, sem carácter expiatório ou aflitiva,
mas de índole assistencial, preventiva e recuperatória e que representa certas restrições
pessoais.
Enquanto a pena tem um carácter essencialmente ético e baseado na justiça, a
medida de segurança é eticamente neutra e tem por fundamento a utilidade. A medida
de segurança não é uma sanção e visa a impedir provável retorno, a prevenção da
prática do crime de neutralização profilática ou da recuperação social do individuo. A
pena tem como carácter jurídico essencial o sofrimento e é repressiva e intimidante,
enquanto a medida de segurança tem um carácter terapêutico, assistencial ou
pedagógico e serve ao fim de readaptação do individuo.
Alguns autores dizem que para que o individuo seja responsável penalmente por
determinado delito são necessárias três condições básicas que são:
Ter praticado o delito;
Ter tido na época, entendimento do carácter criminoso da acção;
Ter sido livre para escolher entre praticar e não praticar a acção.
20
BELEZA, Teresa Pizarro, Direito Penal, vol.I, 2a ed., Revista Actualizada, p.505-508
21
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n°35/2014 de 31 de Dezembro.
Código Penal De Moçambique in Boletim da República, I série de 31 de Dezembro.
22
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da República I série
nº115 de 12 de Junho.
9
3.1 RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS
COLECTIVAS
Para Teresa Beleza, a responsabilidade criminal das pessoas colectivas em
especial as empresas, ritos relactivamente a certos tipos de crime poderão ser
responsabilizadas nos termos do art. 30 conjugado com o art. 31 do CP.
Segundo o cultor Figueiredo Dias, entende que a tese que considera, que as
pessoas colectivas não podem ser passiveis de ilícitos criminais louva-se numa
ontologificação e autonomização inadmissível do conceito de acção, ao esquecer que
este conceito pode ser feito pelo tipo de ilícito de exigências normativas que o conforme
como uma certa unidade de sentido social, e importante demostrar a capacidade de
acção das pessoas colectivas e, para isso, muito tem contribuído as outras doutrina como
exemplo a doutrina holandesa e norte-americana.23
Legitimam esta responsabilidade no princípio de que se a empresa pode violar
contratos, nada obsta que possa também violar um ilícito típico penalmente relevante. O
que equivale dizer que as acções das pessoas singulares devem ser entendidas como
acções de pessoas colectivas.
O autor em alusão, na sua tese sobre as pessoas colectivas diz que, os seguidores
de uma dogmática penal que assentavam na responsabilidade exclusivamente individual
deparam-se com as exigências de política criminal que invocam por razões de eficácia
penal a responsabilização penal das pessoas colectivas.
O certo é que a persistência numa responsabilidade exclusivamente individual
conduziria, não raras vezes, a uma absoluta impunidade essencialmente pelo facto de
tornar extremamente difícil determinar a rela responsabilidade de cada um dos
indivíduos que seio da colectividade em virtude da extrema expressão do poder
decisório.24
3.2 CAPACIDADE DE ACÇÃO
Pressuposto básico da aplicação de qualquer pena é a existência de uma acção
típica, ilícita e culposa e punível. Neste sentido, urge, antes de mais nada, para que
possamos imputar responsabilidade penal das pessoas colectivas. Contrário da maioria
23
DIAS, Jorge Figueiredo de, Direito Penal , 2a ed.,(Segunda Reimp.),Tomo I, Coimbra Editora, p. 409.
24
Ob. Cit.
10
dos autores fazia-o não devido à incapacidade de culpa, mas à incapacidade de acção do
ente colectivo, a qual se colocava num momento anterior ao da capacidade de culpa.
Segundo aquele cultor, o comportamento de que se parte é o comportamento humano e,
em princípio ao contrário do que acontece em todos os ramos de Direito, nomeadamente
no Direito Civil só o dos indivíduos e não o das colectividades: societas deliquere non
potest. Pelo que a irresponsabilidade jurídico-criminal das pessoas colectivas deriva,
assim, logo da sua incapacidade de acção e não apenas, como querem alguns, da sua
incapacidade de culpa.25
Igualmente, na esteira do ilustre professor João Castro, assegura que “a
especificidade normativa da acção criminal” leva-nos a “concluir pela incapacidade de
acção das pessoas colectivas”, na medida em que só a negação de valores pelo homem,
só o comportamento humano e a conduta dos indivíduos, pode constituir acção jurídico-
penal.26
Mais recentemente, em especial devido ao contributo da doutrina estrangeira,
sobretudo anglo-americana, aliada à necessidade de dotar a justiça penal de uma maior
eficácia vem, nas últimas décadas, delapidando o princípio societas deliquere non
potest. Ao mesmo tempo assistiu-se, um pouco por toda a Europa, a um movimento
político-jurídico qualquer responsabilidade criminal na pessoa colectiva a indagar
acerca da sua capacidade de acção.
3.3 CAPACIDADE DE CULPA
Nas sábias palavras do autor acima supracitado, o grande ataque dogmático
principal que se faz a punibilidade das pessoas colectiva reside na incapacidade destas,
em suportarem um juízo de censura ética, isto e, um verdadeiro juízo de culpa.
De facto esta questão na tem -se revelado pacifica ao nível da doutrina, sob uma
perspectiva de criação de uma teoria da criminalidade das pessoas colectivas, a lei penal
só admite a responsabilidade criminal por actos próprios culposos e é com base neste
25
SILVA, Germano Marques da, Responsabilidade penal das pessoas colectivas alteracao ao codigo
penal,p.78.
26
Ob.cit.
11
pressuposto que os defensores do princípio societas deliquere non potest invocam a
falada de consciência e de vontade própria e livre das pessoas colectivas.27
Alguns autores afirmam que mesmo admitindo a responsabilidade criminal das
pessoas colectivas pressupõe aceitar uma responsabilidade objectiva traduzindo se numa
fractura sistemático-dogmática na teoria geral do facto criminoso incompatível com os
princípios de Direito Penal. Com tudo não podemos deixar de fazer uma breve alusão ao
princípio da culpa.
3.4 PRINCÍPIO DA CULPA
Segundo Germano da Silva a culpabilidade assume-se como um juízo de
reprovação ou censura ética dirigido ao agente do crime por este ter praticado actos
violadores da lei penal. Esta censura resulta quer de valor social do acto quer de uma
reprovação voluntária contra o direito, porque pressupõe consciência ética, vontade
psicológica e liberdade de vontade motivação nas circunstâncias que agiu.28
Na verdade a culpa, enquanto censura ética jurídica do agente por não ter
actuado de modo diverso, pressupõe a ideia de que o seu destinatário é um sujeito livre
e responsável que podia (e devia) ter arguido de modo diverso.29
Não podemos deixar de fazer referência a distinta teoria de Figueiredo Dias, que
concebe a culpa material como a violação pelo homem do dever de conformar o seu
existir para que na sua actuação na vida, não viole ou ponha em perigo bens jurídico-
penalmente relevantes. A culpa jurídico-penal materialmente traduz se em ter de
responder pela personalidade de que fundamenta um facto ilícito e típico, mas por isso
também, o conceito jurídico-penal de culpa tende ser como todos concordam, pessoal, a
culpa só pode ser dada materialmente como culpa da pessoa.
O problema principal reside na possibilidade da capacidade das pessoas
colectivas praticarem actos volitivos (capacidade de querer e de agir). Ora, estando a
noção de culpa ligada a prática de um acto volitivo parte da doutrina defendia que não
sendo as pessoas colectivas dotadas dessa vontade não podem, as mesmas serem
27
DIAS, Jorge Feguereido de, Direito penal, Tomo I, 2 Ed.( Segunda Reimp.), Coimbra Editora, 2012, p.
561.
28
SILVA, Germano Marques da, Responsabilidade penal das pessoas colectivas alteracao ao código
penal,p.79
29
Ob.cit. p. 80.
12
susceptíveis de culpa, logo penalmente irresponsáveis, intimamente ligado este o facto
de parte da doutrina acrescenta que simultaneamente os entes colectivos eram incapazes
de culpa por lhes faltar uma reprovação ética enquanto elemento psíquico.
Embora o Direito se tenha mantido fiel a noção de culpa pessoal da pessoa
física, a verdade e que a noção de culpa tem sofrido de uma mutação ao longo da
história. Nesta mesma senda d ideias a pergunta que não quer se calar será seguintes: é
viável construir um conceito de culpa próprio de pessoas colectivas no âmbito do direito
penal?
No direito penal assenta no princípio nula poena sine culpa nos termos do qual
não pode haver sanção criminal sem culpa e que a medida da pena não pode ultrapassar
a medida da culpa. A culpa como fundamento e limite da pena, no mesmo sentido,
nenhuma pessoa pode ser responsável pela culpa da outra, assim sendo, a
responsabilidade das pessoas colectivas há- de sê-lo por facto e culpa própria.
3.5 MODOS DE IMPUTAÇÃO DOS FACTOS DAS PESSOAS
COLECTIVAS
De entre os vários sistemas jurídico-penais que admitem a responsabilidade
penal das sociedades, a doutrina e a jurisprudência destacam dois modelos: o modelo da
responsabilidade indirecta ou hetéro - responsabilidade (também designado por
substituição, representação ou vicarial). É o modelo de responsabilidade directa ou auto
responsabilidade. De qualquer forma, apesar de posições opostas, em qualquer um dos
modelos a responsabilidade penal assenta numa punição da sociedade por facto próprio.
Partilham em comum, o facto de procurar sempre justificar a acção e a culpa da própria
sociedade os meios para imputar o facto típico penal à sociedade é que são diferentes.30
3.6 MODELOS DE RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS
COLECTIVAS
Ao se falar dos modelos de Responsabilidade das pessoas colectivas, queremos
nos falar da tipologia das responsabilidades das pessoas colectivas, isto é quais os tipos
de responsabilidades penais que um individuo poderá incorrer como resultado da prática
de um crime.
30
DIAS, Jorge Figueiredo, Direito penal, Tomo I, 2a Ed. (Segunda reimp.) Coimbra Editora, 2012, p.
406.
13
Havemos de nos deparar com dois modelos de responsabilidade de pessoas
colectivas estas que são: as responsabilidades directas e responsabilidades indirectas.31
3.7 MODELO DE RESPONSABILIDADE INDIRECTA DE
PESSOAS COLECTIVAS
As principais teorias a respeito deste foram apresentadas por Figueiredo Dias e
Farias Costa, teorias estas que iremos analisar de uma forma detalhada32.
O modelo vicarial ou responsabilidade indirecta das pessoas colectivas
consagrado no regime jurídico das infracções antieconómicas e contra saúde pública,
bem como na generalidade da legislação avulsa que consagra a responsabilidade da
pessoa colectiva, e o modelo maioritariamente defendido nos sistemas jurídico, tendo
sido construído e adoptado em paralelo com a solução adoptada pelo direito civil para
resolver a problemática das sociedades resulta da actuação e da culpa das pessoas físicas
que agem em representação, assim a acção e a culpa das pessoas colectivas e definida
através da acção e da culpa das pessoas físicas que atuam em representação para
posteriormente podermos imputar actuação e respectiva culpa a própria sociedade
impõe avaliação do comportamento da pessoa humana.33
Este modelo em grande parte devido a exigência destes grandes requisitos
(reconhecimento da acção e da culpa do agente concreto e a consequente imputação da
infracção a sociedade) tem sido comummente designado por responsabilidade por
reflexo.34
3.8 MODELO DE RESPONSABILIDADE DIRECTA DAS PESSOAS
COLECTIVAS
Face aos obstáculos teóricos-práticos surgidos na aplicação do modelo de
responsabilidade por representação, a doutrina tem sido fértil na procura de respostas de
responsabilidade directa das pessoas colectivas. Ao contrário do modelo supra
31
MUBARAK, Rizuane, Direito Penal e criminalística, Pp. 195 e ss.
32
DIAS, Jorge Figueiredo, Direito penal, Tomo I, 2a Ed., (Segunda reimp.), Coimbra Editora, 2012, p.
407.
33
Ob. Cit.
34
Ob. Cit.
14
analisado, a responsabilidade directa pune as pessoas colectivas sem recorrer a uma
transferência da acção e da culpa das pessoas físicas para o ente colectivo.35
Este modelo admite a punição das pessoas colectivas prescindido (ou melhor não
tendo dependente) da acção (facto de conexão) e da culpa das pessoas singulares e
busca dos elementos constitutivos da infracção ao nível da própria pessoa jurídica
consagra uma responsabilidade directa fundada numa culpa autónoma dos seus
representantes, diversa da culpa dos seus órgãos ou representantes.36
4. AS DIFICULDADES DO MODELO DE RESPONSABILIDADE
INDIRECTA
Não obstante aparentemente mas simples e eficaz por um lado, aponta-se o facto
de nem todas as infracções cometidas pelas pessoas singulares que compõem a pessoa
colectiva resultam de uma decisão ou vontade social, pelo que a transposição da culpa
das pessoas físicas para as pessoas colectivas não pode ser automática sob pena de
estarmos perante uma falsa culpabilidade ou um puro oportunismo utilitarista.
De outro lado, a problemática que trataremos mas pormenorizadamente o facto
de não raras vezes perante a prática de uma infracção criminal não é possível
individualizar a pessoa física que cometeu a infracção. Dificuldade esta que este modelo
não da qualquer solução de punição, conduzindo em grande parte dos casos a
impunidade.
4.1 DIFICULDADES DE MODELO DE RESPONSABILIDADE
DIRECTA
Este modelo de responsabilidade fundamenta a fundamentação directa das
pessoas colectivas na ausência de doação de medidas de organização ou deveres de
cuidados suficientes ou na omissão de uma decisão de forma a evitar práticas de crimes.
O que se acaba de dizer aproxima-se da negligência pelo que a imputação directa no que
diz respeito aos crimes dolosos e ao que exigem um elemento subjectivo, é preciso que
o agente que configura o pressuposto formal da imputação “actue formalmente no
exercício das suas funções e no âmbito da sua competência”. Inversamente consideram-
35
DIAS, Jorge Figueiredo, Direito penal, Tomo I, 2a Ed. (Segunda reimp.), Coimbra Editora, 2012, p.
407.
36
MUBARAK, Rizuane, Direito Penal e Criminalística, Pp. 195 e ss.
15
se pessoais os actos ilícitos praticados fora do exercício das funções do agente singular
que vão para além das suas funções ou que, mesmo aqueles praticados no exercício das
suas funções, não são praticados por causa desse exercício circunstância em que
responde pessoalmente o agente que praticou o facto ilícito.37
A lei exige também que os actos dos órgãos e representantes sejam praticados no
interesse colectivo.
4.2 OS FACTOS PRATICADOS EM NOME E NO INTERESSE DA
PESSOA COLECTIVA
Deve considerar-se que age no interesse da pessoa colectiva, o órgão ou o
representante que pratica o facto em ordem à organização, ao funcionamento ou à
realização dos seus fins. Mesmo se desses factos não resulte para a sociedade qualquer
proveito financeiro ou até acarrete dano. Compreende-se que o acto é praticado no
interesse colectivo quando a sua prática tem em vista a realização dos objectivos sócias
da pessoa colectiva, já não quando se traduz num benefício próprio do agente ou mesmo
de terceiros externos à pessoa colectiva.
O interesse colectivo envolve tudo aquilo que garante a organização e funcionamento
empresarial, tudo oque assegura o desenvolvimento da actividade, isto é, tudo aquilo
que importa ao objecto social e aos fins da colectividade, portanto, a infracção praticada
no interesse colectivo pode ser entendida coma aquela que visa produzir um benefício,
não necessariamente económico-financeiro.38
5. RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS
SINGULARES
Logo de primeira no que referi a responsabilidade criminal da pessoa fisica a que
falar da responsabilidade civil, esta que é uma fonte de obrigações. Em termos muitos
sucintos, a “responsabilidade civil consiste, pois, numa obrigação de indemnizar. Sendo
fonte de obrigações é, também, uma forma de responsabilização por um determinado
comportamento. Ou seja, o agente tem de ter tido alternativa, tem de ter actuado em
37
Dificuldades de modelo de responsabilidade directa. Artigo disponível no
///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20 (1).Pdf.
38
Disponível: in file:///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20 (1).pdf.
16
liberdade. Para garantir esta liberdade de actuação, o Direito Civil estabelece um limite
à responsabilidade, concretizado no pressuposto de imputabilidade.39
Como refere Antunes Varela, diz-se imputável a pessoa com capacidade natural
para prever os efeitos e medir o valor dos actos que pratica e para se determinar de
harmonia com o juízo que faça deles.40
Por outra, de acordo com Rogério Greco, a imputabilidade é a possibilidade de
se atribuir o facto típico e ilícito ao agente. Exige-se, assim, para que haja
imputabilidade, a posse de certo discernimento (capacidade intelectual e emocional) e
de certa liberdade de determinação (capacidade volitiva).41
Todavia, há ocasiões nas quais não é possível imputar o facto típico ao agente,
em decorrência da ausência da capacidade de discernimento sobre os efeitos dos actos
por eles praticados. Onde, havendo pessoas menores de sete anos e interditos por
anomalia psíquica em relação às quais a lei civil presume a falta desta capacidade.
Trata-se, afinal, da determinação do universo abstracto de agentes que podem ser
objecto de um juízo genérico de censura.
Porem, a responsabilidade criminal ou penal, não tem carácter essencialmente
indemnizatório, mas sim punitivo.42 Isto quer, dizer que, em razão dos princípios da
personalidade da pena só pode responder em carácter punitivo aquele que de facto deu
causa ao dano, a pena não pode passar da pessoa do autor do facto típico antijurídico,
excepto no caso de perdimento de bens. Ou seja, conforme dita o princípio da
individualidade da responsabilidade criminal, no art. 29 do CP, a responsabilidade
criminal recai, única e individualmente, no agente do crime ou de contravenção.
Também no âmbito da responsabilidade penal podemos encontrar o mesmo
limite à responsabilidade. Que os menores de 16 anos são inimputáveis, que é
inimputável quem, por força de uma anomalia psíquica, for incapaz, no momento da
39
Ob. Cit.
40
Ob. Cit.
41
GRECO, Rogério, Curso de Direito Penal: Parte Geral, Volume I, Editora Impectus, Rio de Janeiro,
2017, p. 346 e ss.
42
GRECO, Rogério, Curso de Direito Penal: Parte Geral, Vol. I, Editora Impectus, Rio de Janeiro,
2017, p. 346 e ss.
17
prática do facto, de avaliar a ilicitude deste ou de se determinar de acordo com essa
avaliação.43
Logo, este limite de responsabilidade é o reflexo da inimputabilidade como
negação do livre arbítrio ou, em uma outra formulação, a inimputabilidade é o
fundamento da impossibilidade de afirmação de culpa. Visto que, como refere o código
penal, no nº 1, do seu art.27, Somente pode ser sujeito da infracção criminal a pessoa
que tem a necessária inteligência e liberdade.44
Portanto, na esfera penal, diferentemente da esfera civil, o agente é quem
responde pela prática do acto, e não o seu tutor. Porem, não sofrera a imposição de
pena, visto que para a fixação de pena é necessário a aferição da culpabilidade, cujo um
dos requisitos é a imputabilidade.
Levando em conta, que o imputável não age com culpa, não há que se falar em
pena, mas sim em medidas de segurança, esta que é uma substituição da pena, de índole
assistencial, fundada na periculosidade e não na responsabilidade do autor facto.45
Porem, é de salientar de que o agente imputável não esta totalmente isento de
responder pelos actos, sejam eles na esfera civil ou na esfera penal. Mas, em regra, o
fundamento da responsabilidade criminal relaciona-se, intimamente, com a finalidade
da punição. Pode-se encarrar que a responsabilidade penal como sujeição à aplicação de
uma pena.
Neste sentido, assume particular importância a questão dos fins das penas.
Importa, todavia, ainda salientar que a doutrina que se perfile determina a compreensão
que se venha a fazer do princípio da culpa. Por outras palavras, as doutrinas
retribuicionistas olham a culpa como fundamento e medida da pena e as doutrinas
preventivas encaram-na como pressuposto e limite da pena. Ou seja, a mediação penal
deve cingir-se a crimes em que a perturbação da ordem pública seja limitada, não
43
Disponível: in file:///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20 (2).pdf.
44
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n°35/2014de 31 de Dezembro, Código Penal De
Moçambique, Minerva press.
45
GRECO, Rogério, Curso de Direito Penal: Parte Geral, Vol. I, Editora Impectus, Rio de Janeiro, p.
396.
18
ultrapassando em larga medida o interesse mediato da vítima, procurando-se a obtenção
de paz privada entre o agressor e a vítima46.
Ainda de notar que, no que diz respeito à ressocialização do agente da infracção
e tendo em conta o universo de crimes que se considera serem passíveis de poderem ser
sujeitos a mediação, se pretende evitar o estigma social de um processo penal que possa
rotular o agressor como delinquente, fazendo-o, por outro lado, confrontar as
consequências do seu comportamento, permitindo-lhe o arrependimento e a recuperação
da sua dignidade, ao assumir a sua responsabilidade.
Logo, a responsabilidade penal é, deste jeito, uma responsabilidade
materialmente subjectiva, não integrando, como acontece no direito civil, a figura da
responsabilidade objectiva. Que contribui para a afirmação de que a “retribuição é a
expressão mais lídima das ideias fortes e estruturadas de responsabilidade e igualdade.
Encaramos aqui a responsabilidade penal como sujeição à aplicação de uma pena.
Em suma, toda a responsabilidade se projecta a partir do referente da liberdade, e
responsabilizar uma pessoa é, inextricavelmente, fazê-la responder pelas consequências
do seu exercício de liberdade, ou a partir da perspectiva da “vítima”, ou lesado, ou a
partir da perspectiva comunitária, de que são reflexo, respectivamente, a
responsabilidade civil e a responsabilidade penal. 47
Podemos, com este pano de fundo, considerar que a justiça restaurativa faz,
assim, uma ponte de encontro entre duas formas de responsabilidade, na medida em
que, radicando no pressuposto da liberdade, permite fazer cumprir o fim da justiça penal
superar o conflito com vista à obtenção de paz jurídica, conciliando-o com o fim da
responsabilidade civil de reparação de danos à vítima (lesado).
46
Disponível: in file:///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20(2).pdf
47
Disponível: in file:///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20 (2).pdf.
19
CONCLUSÃO
Tendo feito o presente trabalho que o principal objectivo foi de analisar a
aplicação da lei penal quanto às pessoas concluímos que : todas as imunidades foram
criadas para proteger o individuo enquanto no exercício de suas funções, para que estas
sejam realizadas sem pressões, e ter como consequência um desempenho agradável e
satisfatório para ao povo.
As imunidades são irrenunciáveis, pois protegem as funções e não o indivíduo.
Começam quando se assume uma função que têm suas prerrogativas encerradas com o
fim do mandato, ou com o fim do serviço diplomático.
Na imunidade diplomática todos aqueles que exercem suas funções
internacionais para outro Estado, devendo ao cometer um crime deve ser levado ao seu
país de origem para que lá cumpra suas penas ou seja processado.
A imunidade parlamentar relativa da aos parlamentares prerrogativas
processuais, prisionais, e testemunhais. A imunidade parlamentar absoluta protege os
parlamentares no quis diz respeito as suas opiniões, palavras e votos, não podendo estes
serem responsabilizados por estes fatos quando em exercício de suas funções, dentro o
fora do Congresso Nacional. Ele não poderá ser processado por actos cometidos durante
o mandato, mesmo com o fim deste. Nem poderão ser processados para reparação de
danos, expecto se for em flagrante delito.
Contudo, no nosso ordenamento jurídico fazendo uma análise da nossa MATER
LEX, nos termos do art. 152 o nosso PR, não reponde pelos crimes por ele praticado no
exercício das suas funções em tribunais comuns, mas sim no tribunal supremo,
igualmente poder-se-á fazer a menção do art. 173 do diploma em alusão referente aos
deputados que gozam de imunidades ou então privilégios, por outro lado tem-se o art.
210 referente aos deputados que gozam igualmente de imunidades, na república de
Moçambique a imunidade é extensível ao Presidente da República, Deputados e em
certa medida ao governo.
20
REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA
Doutrina:
DIAS, Jorge Figueiredo, Direito Penal, Tomo I, 2ed., Coimbra Editora
SILVA, Germano Marques, Direito Penal Português, 2ª Edição (Revista), Editorial
VERBO, Lisboa, 2001.
CORREIA, Eduardo, Direito Criminal, vol.I,Almeidina, Coimbra, 1963.
MUBARAK, Rizuane, Direito Penal e Criminalística, Escolar Editora, 2016.
GRECO, Rogério, Curso de Direito Penal (Parte geral), Rio de Janeiro, 2017.
SOUSA, Elísio de, Direito Penal Moçambicano, Escolar Editora, Maputo, 2012.
Www.file:///C:/Users/DALTOX/Downloads/3788-1-12487-1-10-20131004%20 (2).Pdf.
Acessado no dia 19 de Agosto de 2019.
Legislação:
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República, (2004) in Boletim da
República I série nº115 de 12 de Junho.
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, lei nº 35/2014, de 31 de Dezembro, Código Penal
de Moçambique, 2016, Minerva press.
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