flora ria formosa
No que diz respeito à flora, são dois os principais interesses do Parque Natural: por um lado, os
sapais - áreas submersas pela maré alta e a descoberto na maré baixa - com a sua vegetação
halófita (vegetação que tolera elevados teores salinos, escassez de oxigénio dos solos e longos
períodos de emersão).Por outro lado, a flora dunar - espécies adaptadas aos ventos fortes,
salinidade excessiva e grande permeabilidade dos solos - que apresenta como espécies o
estorno, a arméria, o malmequer-das-praias, o narciso-das-areias e os cordeirinhos-da-praia.
as dunas dependem de vegetação especifica que permite a fixação da areia. O crescimento de
vegetação nas dunas é condicionado pela proximidade destas com o mar (devido a fatores
como ventos fortes, sal, luminosidade excessiva…). Portanto, as plantas adquiriram
mecanismos de adaptação a estes ambientes secos. As plantas psamófitas (plantas que vivem
nas areias), são as ideais para este tipo de ambientes, pois criam mecanismos que impedem a
perda excessiva de água e impedem o soterramento (devido aos ventos). Destacam-se o
estorno (Ammophila arenaria), o cardo-maritimo (Eryngium maritimum), os cordeirinhos-da-
praia (Otanthus maritimus), o narciso-das-praias (Pancratium maritimum), a arméria (Armeria
pungens) e o tomilho (Thymus carnosus).
Vegetação de sapal: o sapal é caracterizado por vegetação halófita (que tolera solos salinos),
que depende do reduzido fluxo das marés para a deposição de sedimentos necessários para o
substrato deste tipo de vegetação. A morraça (Spartina marítima), é a gramínea predominante
neste tipo de ambiente, suportando longos períodos de submersão.
Vegetação ribeirinha: alimentada por água doce, é bastante importante em termos de
alimento e abrigo. Inclui espécies como a tábua (Typha sp.), o caniço (Phragmites communis),
o junco agudo (Juncus acutus) e a tamargueira (Tamarix africana).
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Fauna
Quanto à fauna do parque, a aparente pobreza da vegetação contrasta com a riqueza de que
se reveste a sua vida animal. A composição e abundância do zooplâncton - conjunto de
organismos animais que vivem de forma mais ou menos passiva por não possuírem capacidade
de deslocação - é de importância fundamental, sobretudo na cadeia alimentar dos peixes que
aí habitam.
A ria Formosa torna-se assim, para além de local de abrigo, zona privilegiada para a
alimentação, reprodução e permanência de numerosas espécies animais, desde os peixes aos
invertebrados, incluindo moluscos e crustáceos, servindo simultaneamente de suporte a uma
avifauna diversificada. A importante variedade de habitats existentes alberga mais de 50
espécies de peixes, desde os sedentários aos de origem marinha, parte deles migradores, e de
que se podem citar a dourada, o robalo, o sargo, a tainha, a enguia, entre outros.
Para além dos peixes, devem referir-se os crustáceos - o camarão-de-monte-gordo e o
camarão-da-ria, o caranguejo-morraceiro e a boca - e cefalópodes, como o polvo, o choco e o
búzio. Fundos baixos, temperaturas adequadas, uma salinidade elevada, águas renovadas e
um substrato de fundos arenosos e argilosos são outros tantos fatores propícios à fixação e
desenvolvimento das mais variadas espécies marinhas, sobretudo daquelas que necessitam de
águas protegidas para efetuarem o seu ciclo normal de vida.
Devido ao facto de possuir todas estas condições a ria tornou-se local de criação no
respeitante aos moluscos bivalves. Os anfíbios, grandes consumidores de insetos e, salvo raras
exceções, quase sempre associados a massas de água doce, estão bem representados na
planície costeira que bordeja a ria - rã-comum, rela e sapo -, enquanto o cágado-vulgar e o
cágado-de carapaça-estriada estão presentes na Quinta do Ludo.
A ria é uma importante zona de invernada de aves aquáticas e limícolas oriundas do Centro e
Norte da Europa, dando guarida a efetivos importantes de borrelho-grande-de-coleira,
tarambola-cinzenta, maçarico-de-bico-direito, pilrito e alfaiate. A zona de água doce, por sua
vez, é local de nidificação para a galinha-sultana, cada vez mais rara, galinha-de-água, galeirão-
comum, mergulhão-pequeno, garça-pequena e pato-real, enquanto o caniçal constitui refúgio
para uma importante população de garça-boieira.
Finalmente as salinas, sobretudo o salgado da Terra Estreita, próximo de Tavira, são locais
onde se podem encontrar grandes concentrações de gaivinas e de limícolas e um dos raros
locais onde se pode observar o flamingo. Diretamente dependente da ria está a extração de
inertes, sobretudo areias que, se por um lado é resultante das drenagens necessárias à
manutenção das barras e canais, por outro é uma exigência motivada pelo enorme surto de
construção civil existente em toda a área.
Porto Editora – Parque Natural da Ria Formosa na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora.
[consult. 2022-03-02 22:00:20]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$parque-natural-da-
ria-formosa
A Ria Formosa é uma das lagunas costeiras mais importantes da costa portuguesa. Abriga
uma grande variedade de habitats que albergam uma grande diversidade de espécies tanto
vegetais como animais, constituindo esta variedade um dos aspetos mais notáveis da Ria
Formosa. A pouca profundidade das águas da Ria Formosa permite uma temperatura amena,
favorecendo o aumento de nutrientes e riqueza dos alimentos que facilita o desenvolvimento
de animais marinhos nas águas. Tornando-se assim importante no ciclo de vida de numerosas
espécies de peixes, moluscos e crustáceos, como local de abrigo, zona de reprodução e
alimentação.
Nos dias de mais calor em que a água cristalina reflete a luz do sol, esta é um destino
paradisíaco para as aves aquáticas e para os seus observadores. Durante a época de inverno,
alberga cerca de 20.000 aves, sendo fundamental como zona de passagem para as migrações.
Para além disso, abriga algumas espécies raras em Portugal como o Camão e a Galinha-sultana
(ave nomeada como símbolo deste Parque Natural). Assim, a Ria Formosa integra parte da
Rede Natura 2000, assegurando a conservação das espécies e dos seus habitats. Neste parque,
encontra-se ainda uma das maiores comunidades de cavalos-marinhos do mundo, estando
esta espécie em vias de extinção. Nos répteis há que salientar a ocorrência do camaleão
Chamaeleo chamaeleon, espécie
ameaçada de extinção e cuja distribuição em Portugal está confinada ao litoral do
Sotavento do Algarve, nos pinhais da orla continental e nas ilhas-barreira.
A grande raridade é a galinha sultana