Práticas de Automação e
Robótica
Aula 5
Prof. Dr Jahyr Gonçalves Neto
Circuitos Combinacionais
• Vamos supor que seja necessário determinar a função lógica interna de um
sistema desconhecido, conforme mostra a Figura:
• A ideia é injetar sinais lógicos nas entradas A e B de todas as combinações
possíveis e, para cada uma dessas combinações, registrar o resultado
obtido na saída L.
Circuitos Combinacionais
• A Tabela 6.1 apresenta um exemplo de tabela que poderia ser obtida.
• Observe que a listagem das combinações de entrada obedece à
sequência da contagem binária, o que torna fácil a sua construção.
Tabela verdade
• A tabela construída anteriormente é chamada de tabela verdade ou
tabela de combinações.
• Montar uma tabela verdade é escrever as combinações possíveis dos
estados lógicos de todas as variáveis da função, incluindo o estado
lógico resultante de cada combinação.
• O número de combinações possíveis de "n" variáveis de entrada é
igual a 2n.
Tabela verdade
• Por exemplo, com n = 2 temos quatro combinações, com três
variáveis de entrada temos oito combinações e com quatro entradas
temos 16 combinações no total.
• A Tabela 6.2 mostra as combinações possíveis para uma tabela com
três variáveis de entrada.
Tabela verdade
• A álgebra de Boole (ou booleana) ajuda exatamente neste ponto, a
determinar a função lógica do circuito, observando os valores das
entradas e da saída de uma tabela verdade.
• Os sistemas que podem ser modelados (determinar a equação lógica
interna) utilizando tabelas verdade são aqueles que possuem um
comportamento invariante no tempo, ou seja, a saída só depende da
combinação dos sinais presentes nas entradas, independentemente
do tempo em que isso aconteça.
Tabela verdade
• Portanto, pode-se definir um sistema combinacional como "aquele
em que as saídas dependem somente da combinação das entradas
em um dado instante".
Fluxograma para o desenvolvimento de projetos
combinacionais
• A primeira etapa no desenvolvimento do projeto de um sistema
combinacional consiste na análise do problema, buscando identificar
as variáveis de entrada e de saída, bem como um modelo que vai
solucionar o problema.
• Em seguida, constrói-se a tabela verdade, simulando todas as
possibilidades para as variáveis de entrada e obtendo os respectivos
valores na saída.
Fluxograma para o desenvolvimento de projetos
combinacionais
• Na sequência, obtém-se as expressões lógicas simplificadas por um
dos métodos a serem apresentados e por último, desenha-se o
diagrama esquemático equivalente à função lógica obtida.
• A sequência é ilustrada na Figura 6.2
Álgebra booleana
• No caso das chaves, apresentado anteriormente, podemos ver que só
existem duas possibilidades para o circuito: ou a chave está fechada
ou está aberta.
• Quando somente duas situações são possíveis, trata-se de um
sistema chamado binário, ou seja, de duas possibilidades.
Estados lógicos
• A álgebra booleana é definida como um conjunto de dois elementos,
sendo verdadeiro e falso, ou seja, uma variável representa se uma
proposição lógica é falsa ou verdadeira.
• Por exemplo, uma chave que pode estar aberta ou fechada, como
ilustra a Figura 6.3.
Estados lógicos
• Uma proposição lógica, rela va a essa chave, é "a chave está
fechada".
• Essa proposição é representada pelo símbolo A.
• Então, quando a chave está fechada, a variável A é verdadeira, e
quando a chave está aberta, a variável A é falsa.
Estados lógicos
• Como visto, a variável booleana (também chamada binária) possui
dois valores, que no caso da representação do estado de uma chave
são fechado e aberto.
• Simbolicamente, costuma-se representar a variável booleana por 1 e
0.
• Portanto, em relação à figura anterior, tem-se A = 1 ou A = 0.
Estados lógicos
• Cabe lembrar que os símbolos 1 e 0 não têm um significado
numérico.
• No caso, apenas lógico.
• No campo dos sistemas digitais, esses dois valores são dois níveis de
tensão prefixados aos quais associamos os símbolos 1 e 0.
• Por exemplo, +5 V = 1 e 0 V = 0.
Estados lógicos
• Uma denominação muito comum de 0 e 1 são os termos baixo/alto
ou nível lógico baixo/nível lógico alto respectivamente.
• Os dois estados lógicos de um sistema binário são correlacionados de
várias maneiras, como, por exemplo
Estados lógicos
• A álgebra booleana usa três operações básicas: NÃO, E e OU.
• A operação NÃO é a negação ou o complemento, indicada por uma
barra sobre a variável, e as operações E e OU são representadas pelos
símbolos de mul plicação (".") e adição ("+") respectivamente.
• Note que, na verdade, não se trata de uma mul plicação nem de uma
adição, mas apenas um símbolo para indicar as operações lógicas E e
OU
Funções lógicas
• Porta lógica é um circuito que contém um ou mais terminais de entrada de
sinais (onde são colocadas as variáveis booleanas) que executa uma
operação booleana entre as variáveis presentes nas suas entradas e
transfere o resultado para a saída.
• Tais dispositivos obedecem às leis da álgebra de Boole.
• Vamos fazer a equivalência das portas lógicas com os símbolos utilizados
normalmente em esquemas eletrônicos (blocos de funções), com o circuito
de chaves e com o diagrama de contatos a relés
Função inversora (NOT)
• Representação da porta inversora no diagrama elétrico:
• A operação inversora, ou de negação, atua sobre uma única variável
de entrada.
• O nível lógico de saída é sempre oposto ao nível lógico de entrada;
ele inverte (complementa) o sinal de entrada.
Função inversora (NOT)
• A Figura 6.4 apresenta o circuito elétrico equivalente de uma porta
inversora e seu diagrama de contatos.
• A lâmpada acende se a chave A estiver aberta e apaga se ela estiver
fechada.
Função inversora (NOT)
• A Figura 6.5 apresenta os símbolos lógicos para a porta inversora:
Função inversora (NOT)
• A Tabela 6.3 apresenta a tabela verdade para a operação de inversão.
Teorema booleano
• Se uma variável lógica é invertida duas vezes, ela retorna ao seu valor
original.
• Algebricamente:
Exemplos
• 1) Uma lâmpada vermelha deve ser acesa sempre que um motor
estiver desligado.
• 2) Em um tanque, se o nível ficar abaixo do sensor de mínimo, deve-
se ligar a bomba.
Função E (AND)
• Representação da porta E no diagrama elétrico:
• A Figura 6.8 mostra um circuito com duas chaves (A e B).
• A lâmpada (L) só acende se as chaves A e B estiverem fechadas.
Função E (AND)
• Assumindo que "chave fechada" corresponda a nível 1 e "lâmpada
acesa" corresponda também a nível 1, em uma operação E o
resultado será 1 somente se todas as entradas forem iguais a 1; nos
outros casos o resultado é 0.
Função E (AND)
• Baseado nas observações anteriores, pode-se construir sua tabela
verdade conforme a Tabela 6.4.
• Simbolicamente, podemos representar esta situação por L = A . B que
é lida da seguinte maneira: L é igual a A E B (o ponto simboliza a
operação lógica E).
Função E (AND)
• Simbologia da porta E:
Função E (AND)
• Funções algébricas utilizando a função lógica E (AND)
Função E (AND)
•.
Exemplos
• 3) Por questões de segurança, uma prensa só pode ser ligada se o
operário pressionar simultaneamente dois botões separados 50 cm
um do outro (obrigatoriamente terá de utilizar ambas as mãos,
evitando que uma delas possa ser prensada acidentalmente).
• Solução: chamemos de A e B, respectivamente, os dois botões que
devem ser pressionados, e de Q1 a saída que liga a prensa.
Exemplos
• 4) Uma lâmpada (L) deve ser ligada quando uma chave (A) estiver
fechada e uma chave B estiver aberta. Faça o diagrama em Ladder.
• Solução: observa-se que a lâmpada só vai acender se duas condições
simultâneas forem satisfeitas, A = 1 E B = 0, o que caracteriza uma
função E.
• A equação lógica que resolve o problema é L = A . B,
Função OU (OR)
• Representação da porta OU no diagrama elétrico
• A Figura 6.24 mostra o circuito elétrico equivalente de uma porta OU
utilizando chaves.
Função OU (OR)
• Basta que qualquer uma das chaves (A ou B) seja pressionada para
que a lâmpada L seja acesa ou também se ambas estiverem fechadas
simultaneamente.
• Em uma operação OU o resultado será 1 se qualquer uma das
entradas for igual a 1.
• O resultado somente é 0 se nenhuma chave estiver fechada.
Função OU (OR)
• Baseado nas observações anteriores, pode-se construir a tabela
verdade da função OU, conforme a Tabela 6.5.
Função OU (OR)
• Podemos observar que, exceto para o caso de A = B = 1, a operação
OU é semelhante a uma adição aritmética comum.
• No caso A = B = 1, a soma lógica é 1, já que os valores possíveis na
álgebra booleana são 0 ou 1.
• L = A + B deve ser lida: L é igual a A OU B; o sinal "+" simboliza a
operação lógica OU
Função OU (OR)
• Simbologia.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Álgebra booleana envolvendo funções OR
•.
Exemplos
• 5) Um galpão dispõe de três chaves para disparar um alarme contra
incêndios. Caso qualquer uma delas seja pressionada, deve-se ligar o
alarme.
• Solução: utilizando três chaves, chamadas de A, B e C, do tipo NA, e
uma saída Q1 que liga o alarme:
Exemplos
• 6) Uma bomba deve ser ligada se o sensor de nível baixo não estiver
acionado, ou manualmente por um botão liga.
• Solução: se o sensor acionado fica em nível 1, a chave de liga é do
po NA, o sensor é chamado de A, e considerando a chave liga de B e
a saída de Q1, a equação lógica equivalente da solução é Q1 = A + B:
Exercícios
• 1) Explique as funções NÃO, E e OU.
• 2) Refaça os exemplos 1 a 6 no clic 02 Edit.
• 3) Dada a equação lógica L = (A+B).C , construa o diagrama em
Ladder.
• 4) Repita o exercício 5 para L = A.B+C
Bibliografia Básica
• CAPELLI, A. CLP: controladores lógicos programáveis na prática. Rio de Janeiro: Antenna Edições
Técnicas, 2007. 52p
• FRANCHI, C. M.; CAMARGO, V. L. A. Controladores lógicos programáveis: sistemas discretos. 2.
ed. São Paulo: Erica, 2011. 352p
• PRUDENTE, F. Automação industrial PLC: programação e instalação. Rio de Janeiro: LTC, 2010.
347p.
• GEORGINI, M. Automação aplicada: descrição e implementação de sistemas sequenciais com
PLCS. 9. ed. São Paulo: Erica, 2010. 236p.
• MORAES, C. C.; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC,
2007. 347p
• ROSARIO, J. M. Automação industrial. São Paulo: Barauna, 2009. 515p.
• THOMAZINI, D.; ALBUQUERQUE, P. U. B. Sensores industriais: fundamentos e aplicações. 7. ed.
rev. e atual. São Paulo: Erica, 2011. 224p.
• TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 7. ed. Rio de Janeiro: Ltc,
2000. 588p.