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Impo M4

Este documento apresenta um módulo sobre munições de impacto controlado. O módulo contextualiza o uso dessas munições como instrumentos de menor potencial ofensivo e destaca a importância do treinamento de profissionais de segurança pública sobre elas. A primeira aula descreve características básicas de munições de impacto controlado e diferencia sua energia cinética em relação a munições letais. A segunda aula aborda técnicas de uso seguro dessas munições nos calibres 12, 37mm, 38,1mm e
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Este documento apresenta um módulo sobre munições de impacto controlado. O módulo contextualiza o uso dessas munições como instrumentos de menor potencial ofensivo e destaca a importância do treinamento de profissionais de segurança pública sobre elas. A primeira aula descreve características básicas de munições de impacto controlado e diferencia sua energia cinética em relação a munições letais. A segunda aula aborda técnicas de uso seguro dessas munições nos calibres 12, 37mm, 38,1mm e
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SENASP

INSTRUMENTOS DE
MENOR POTENCIAL OFENSIVO

1 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


MÓDULO 4

MUNIÇÕES
DE IMPACTO
CONTROLADO
2 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA
Secretaria Nacional de Segurança Pública
Diretoria de Ensino e Pesquisa
Coordenação Geral de Ensino
Núcleo Pedagógico
Coordenação de Ensino a Distância
Reformulador
Mainar Feitosa da Silva Rocha
Revisão de Conteúdo
Felipe Oppenheimer Torres
Gustavo Henrique Lins Barreto
Revisão Pedagógica
Ardmon dos Santos Barbosa
Márcio Raphael Nascimento Maia

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA


SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
labSEAD
Comitê Gestor
Eleonora Milano Falcão Vieira
Luciano Patrício Souza de Castro
Financeiro
Fernando Machado Wolf

Consultoria Técnica EaD


Giovana Schuelter

Coordenação de Produção
Francielli Schuelter

Coordenação de AVEA
Andreia Mara Fiala

Design Instrucional
Carine Biscaro
Cíntia Costa Macedo
Clarissa Venturieri
Danrley Maurício Vieira
Dirce de Rossi Garcia Rafaelli
Marielly Agatha Machado

Design Gráfico
Aline Lima Ramalho
Sofia Zluhan de Amorim
Sonia Trois
Victor Liborio Barbosa

Linguagem e Memória
Cleusa Iracema Pereira Raimundo
Graziele Nack
Victor Rocha Freire Silva

Programação
Jonas Batista
BY NC ND
Marco Aurélio Ludwig Moraes
Todo o conteúdo do Curso Intrumentos de Menor Potencial
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Salésio Eduardo Assi Ministério da Justiça e Segurança Pública do Governo Federal -
2020, está licenciado sob a Licença Pública Creative Commons
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3 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Sumário

Apresentação.................................................................................................................5
Objetivos ................................................................................................................................................ 5
Estrutura do módulo.............................................................................................................................. 5
Aula 1 – Munições de Impacto Controlado: Contextualização e
Características..............................................................................................................6
Contextualizando................................................................................................................................... 6
O treinamento e a capacitação do profissional de segurança pública.............................................. 6
Estrutura básica da munição de impacto controlado ........................................................................ 9
Aula 2 – O Uso das Munições de Impacto Controlado: Técnicas de Menor
Potencial Ofensivo......................................................................................................14
Contextualizando... ............................................................................................................................. 14
Aplicação segura................................................................................................................................. 14
Modelos de munições de impacto controlado no calibre 12 ........................................................... 17
Modelos de munições de impacto controlado nos calibres 37 mm,
38,1 mm e 40 mm ............................................................................................................................... 20
Referências...................................................................................................................23

4 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Apresentação

Neste módulo, aprofundaremos o estudo sobre as munições


de impacto controlado, parte integrante do conjunto dos
instrumentos de menor potencial ofensivo disponíveis durante
a ação. Vamos falar da diferença entre a força cinética de
uma munição de impacto controlado em relação à força da
munição letal e também sobre como é a estrutura básica de
um cartucho. Desejamos um bom estudo!

OBJETIVOS
Contextualizar o emprego das munições de impacto
controlado dentro do princípio da intervenção seletiva,
identificar as características básicas das munições de impacto
controlado e refletir sobre o emprego correto das munições de
calibre 12 e calibres 37mm, 38.1 mm e 40mm.

ESTRUTURA DO MÓDULO
• Aula 1 – Munições de Impacto Controlado:
Contextualização e Características
• Aula 2 – O Uso das Munições de Impacto Controlado:
Técnicas de Menor Potencial Ofensivo

5 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Aula 1 – Munições de Impacto Controlado:
Contextualização e Características

CONTEXTUALIZANDO...
O Brasil tem passado por constantes mudanças políticas,
econômicas e sociais, melhorando a expectativa de vida
das pessoas, por um lado, mas provocando o crescimento
populacional nas grandes cidades. Este crescimento
populacional, no entanto, normalmente não vem acompanhado
(ao menos na mesma proporção e velocidade) dos meios
necessários para garantir a dignidade da pessoa humana
e atender às necessidades básicas como: emprego, saúde,
segurança, habitação, escolas, transporte público de qualidade,
etc. Tais mudanças requerem, portanto, a utilização de novas
tecnologias que possam garantir as necessidades dos cidadãos.

Você saberia dizer qual é a principal diferença entre a munição


de impacto controlado e a munição letal? Essa inovação
tecnológica tem como diferencial sua baixa energia de impacto,
muito inferior às demais munições, e por isso as munições
de impacto controlado estão entre os instrumentos de menor
potencial possíveis de utilizar durante sua ação.

Veremos, porém, que, entre as munições existentes, há


características específicas de estrutura que devem ser
consideradas na escolha de tais munições e nos momentos de seu
uso. É hora, portanto, de iniciarmos nosso treinamento buscando a
eficiência que podemos e devemos proporcionar à sociedade.

O TREINAMENTO E A CAPACITAÇÃO DO
PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA
O governo federal busca, através das capacitações,
proporcionar a disseminação de informações sobre as
técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo (IMPOs)
e o seu emprego nas ações de segurança pública, a fim de

6 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


promover a desmistificação dos seus usos, sempre seguindo
a doutrina do Uso Diferenciado da Força, formalizado pela
Portaria Interministerial n.º 4.226, de 31 de dezembro de 2010.

Dentro desse contexto, o emprego das munições de impacto


controlado se torna um tema importante na formação dos
profissionais de segurança pública, porque a sociedade que
o nomeia como seu defensor, espera que este faça o uso
legal, necessário, conveniente, moderado e proporcional dos
instrumentos de menor potencial ofensivo que tem à disposição.

Figura 1: Policial
apontando uma
arma com munição
de menor impacto
ofensivo.
Fonte: Shutterstock
(2019).

As munições de impacto controlado são as unidades modernas


das armas de fogo onde se reúnem os elementos projetados
e necessários à alimentação da arma e que possibilitam seu
emprego tático/operacional contra as pessoas de maneira
menos gravosa, tendo como objetivo não causar lesões
permanentes, tampouco a letalidade na pessoa atingida.

7 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Entende-se como energia de impacto a energia
restante do projétil no instante em que este entra
em contato com o alvo.

Para que você tenha uma ideia da diferença de energia cinética


entre uma munição de impacto controlado e uma munição letal
de mesmo calibre, faremos uma comparação entre a energia
cinética de munições de elastômero e de chumbo no calibre 12.
Enquanto uma munição de elastômero possui energia cinética
entre 100 J e 300 J (máximo), a munição de chumbo calibre 12
(letal) tem energia da ordem de 3.000 J. Além disso, possui alto
poder de intimidação psicológica. Já a potência de impacto é
utilizada para se referir ao espaço ou à profundidade da ferida
produzida após um dado impacto.

Figura 2:
Deformação
provocada por
munição de
impacto controlado
calibre 40 mm x 46
mm na massa de
plastilina. Fonte:
Rocha (2019).

Assim, seguindo o que estudamos sobre os ditames do Uso


Diferenciado da Força, compreende-se que o emprego desse
tipo de munição provoca uma inovação estratégica para o
agente, proporcionando também o desenvolvimento de novas
metodologias de abordagem tática/operacional diante da
necessidade de intervenção.

8 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


ESTRUTURA BÁSICA DA MUNIÇÃO DE
IMPACTO CONTROLADO
As munições de impacto controlado são empregadas
nas espingardas, quando forem calibre 12, e através de
lançadores nos calibres 37 mm, 38,1 mm e 40 mm. O calibre
significa a medida padrão do projétil, cujo diâmetro coincide,
normalmente, com o diâmetro do cano da arma utilizada.

Seguindo o que conceitua Oliveira, Gomes e Flores (2001),


munições são elementos necessários à alimentação da arma
em uma única unidade. Observando as munições de impacto
controlado, é possível perceber que elas são, na verdade,
cartuchos compostos por elementos conforme apresentado na
imagem a seguir.

1. Estojo

4.Projétil
(elastômeros, espuma de
Figura 3: Esquema 5. Bucha E.V.A., madeira, etc)
de visualização
interna do cartucho. (pneumática ou não)
Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-
UFSC(2019). 3. Carga de Projeção 2. Espoleta
(pólvora) (ou misto detonante)

As munições de impacto controlado possuem características


específicas de acordo com o calibre e a arma que será
utilizada no seu emprego. Como dito anteriormente, algumas
são utilizadas em espingardas e outras são usadas por
lançadores. Adiante, veremos as características constitutivas
de cada um desses grupos.

Estojo
O estojo é a capsula onde encontramos os demais itens de
uma munição. No calibre 12, o estojo tem como característica
principal ser confeccionado em plástico branco translúcido,

9 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


para permitir a visualização do projétil presente em seu interior,
o que possibilita ao agente diferenciar se o cartucho contém
balins ou balotes de chumbo (normalmente vermelhos).

Balins ou balotes
são pequenas bolas Seu formato é cilíndrico e possui base reforçada de metal,
de metal usadas facilitando a extração do estojo. Possui a espoleta (dispositivo
em espingardas detonador no centro da base) e não oxida facilmente, sendo
calibre 12. Os
um objeto resistente à corrosão. O estojo de munição, neste
projéteis múltiplos
são chamados de caso, possui a propriedade de expansão quando realiza o
balins; quando é impacto no alvo.
um projétil único,
denominamos
balote.

Figura 4: Estojo vazio de


munições de impacto
controlado de calibre 12.
Fonte: Rocha (2019).

Já o estojo das munições no calibre 37 mm, 38,1 mm e 40 mm


apresenta como características gerais sua confecção de
alumínio ou plástico preto opaco. Seu formato tem variações,
podendo ser cilíndrico ou em forma de garrafa.

Figura 5: Estojos em formato


de garrafa e estojo cilíndrico
de alumínio em munições de
calibre 37 mm, 38,1 mm e 40 mm.
Fonte: Rocha (2019).

10 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


O estojo das munições de maior calibre, assim como a
munição no calibre 12, tem a espoleta (dispositivo explosivo)
no centro da base, por isso são chamadas de munição com
fogo central. Também não oxida facilmente e tem propriedade
de expansão durante o impacto.

Espoleta e Pólvora
Dentro do estojo da munição encontramos as espoletas
citadas anteriormente. Conforme apresentado na figura 3, na
estrutura das munições também encontramos as espoletas
citadas anteriormente. Uma espoleta é um pequeno corpo
metálico que contém determinada quantidade de mistura
explosiva destinada a inflamar a carga de projeção.

Nas munições de impacto controlado, ela é fixada na base do


estojo e, através de pressão e do impacto que ocorre quando
ela é comprimida, a mistura sensível ao choque inflama-se e dá
início à combustão da carga de projeção (pólvora) do cartucho.

Figura 6: Pólvora ou
carga de projeção.
Fonte: Rocha (2019).

A pólvora é um material altamente inflamável, sólido, que


possui queima controlada e progressiva. Ao queimar, a pólvora
gera gases em velocidade muito rápida, com volume alto.
Mediante esta ação, os projéteis são expulsos do interior do
cano dos respectivos armamentos.

11 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Projéteis e Buchas
O projétil (normalmente conhecidos como “bala”) é um objeto
sólido que se move no espaço, abandonando sua base depois
de haver recebido impulso. Em outras palavras, o projétil é a
única parte da munição que sairá da arma. Ele encontra-se
preso na ponta do estojo, e quando há o disparo (inflamação
da pólvora), o projétil é lançado no alvo.

Figura 7: Projétil de elastômero.


Fonte: Rocha (2019), adaptado por labSEAD-UFSC (2019).

Quando usamos uma arma para lançarmos uma munição, é


o sistema interno de combustão da pólvora e expansão dos
gases que faz com que o projétil seja lançado, e o que separa o
projétil desses gases é a bucha. Em outras palavras, a bucha é
um pequeno disco que serve para vedar os gases, mantendo-os
dentro do estojo, e conduz o projétil, lançando-o para fora.

Figura 8: Buchas
de munição de Bucha de munição
elastômero no de elastômero
calibre 12.
Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-UFSC
(2019).

12 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Embora este estudo esteja voltado para as especificidades
da composição de um cartucho, entendemos que você, como
profissional de segurança pública, precisa conhecer e dominar
as questões pertinentes ao uso das munições de impacto
controlado, que veremos a seguir, e os IMPOs em geral. Como
dito anteriormente, a sociedade espera o uso correto e
responsável desses instrumentos.

13 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Aula 2 – O Uso das Munições de Impacto
Controlado: Técnicas de Menor
Potencial Ofensivo

CONTEXTUALIZANDO...
Você deve lembrar sobre nossa reflexão acerca dos
instrumentos de menor potencial ofensivo. Esses instrumentos,
quando usados incorretamente, podem causar efeitos
indesejados. Por conta disso, para preservar vidas e minimizar
danos à integridade das pessoas, garantindo assim a não
letalidade, vamos aprofundar a maneira correta de utilização
das munições de impacto controlado. Nossa expectativa é
promover cada vez mais a relação entre as tecnologias desses
instrumentos e as técnicas de menor potencial ofensivo durante
o emprego de um instrumento na ação.

APLICAÇÃO SEGURA
Ao atingir um ser humano, as
munições de impacto controlado
podem causar hematomas e fortes
dores, com alto poder de intimidação
psicológica, que é o principal objetivo
do tiro de impacto controlado.

Ao utilizá-las, o profissional de
segurança pública deve ter o cuidado
de atirar somente nos membros
inferiores, ou seja, na região das
Figura 9: Exemplo
da mira durante
pernas. Você deve ajustar o cano
o disparo. Fonte: da arma para a direção das pernas
labSEAD-UFSC
(2019). do agressor, evitando, portanto,
a cabeça, o tórax, o abdômen e o
baixo ventre, pois o risco de lesões
permanentes na caixa craniana e nos
demais órgãos é muito alto.

14 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Caso você já tenha ouvido a expressão “da linha da cintura
pra baixo”, gostaríamos de enfatizar que existe um problema
neste conceito. Sabemos que a intenção é sempre destacar a
região das pernas, mas a expressão que destacamos acima
literalmente não traduz essa ideia.

Abaixo da linha da cintura significa que o baixo


ventre está incluso, e os tiros não devem ser
direcionados a esta área para não causar lesões
permanentes, como esterilidade nos homens,
perfuração do intestino, deslocamento do
endométrio em mulheres entre outros efeitos
danosos. Então, para não ter dúvidas, utilize a
expressão “disparos somente na região das pernas”.

Além da mira, há outras observações importantes acerca do


emprego correto das munições de impacto controlado. Elas devem
ser empregadas, por exemplo, sempre de acordo com a distância
recomendada pelos fabricantes; caso contrário, a munição pode
causar uma lesão grave, ou mesmo levar a pessoa atingida a óbito.

Por outro lado, munições de impacto controlado têm sua eficiência


comprometida se forem empregadas a distâncias maiores que 50
metros, pois pode-se não alcançar o resultado desejado de atingir o
agressor ou, mesmo se atingi-lo, não será com a energia necessária
para fazer cessar a agressão e alcançar a intimidação psicológica.

Além disso, em hipótese alguma, você pode


efetuar disparos utilizando o solo com o
propósito de diminuir a velocidade do projétil e,
consequentemente, a energia do impacto. Esse
procedimento fará com que o projétil adote uma
trajetória diversa da pretendida, podendo alvejar
regiões sensíveis como os olhos das pessoas.

15 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


O procedimento de direcionar as munições de impacto
controlado para o solo a poucos metros do agressor é utilizado
pelas polícias europeias. Tal manobra se torna possível nesses
países porque existem munições de impacto controlado com
tamanhos maiores que as utilizadas no Brasil, com dimensões
próximas de uma bola de tênis, e, caso haja uma mudança de
trajetória alvejando os olhos do agressor, não será capaz de
causar maiores danos do que um leve hematoma.

Um segundo ponto que gostaríamos de colocar em relação


ao uso das munições é a utilização da expressão “munição
real” para determinar a diferença de uma munição letal e uma
munição de impacto controlado.

Figura 10: Exemplo


de munição letal à
esquerda e munição
de impacto
controlado calibre
12 à direita.
Fonte: labSEAD-
UFSC (2019).

Como discutido anteriormente, embora as munições de


impacto controlado sejam projetadas para serem alternativas
não letais nas intervenções, a não letalidade só será garantida
pelo uso correto e responsável do profissional que utilizá-las.
Além disso, as munições letais não podem ser chamadas
de “munições reais”, pois a munição de impacto controlado
também é um objeto real.

Por esse motivo, a fim de padronizar a linguagem dos


profissionais de segurança pública, utilizaremos sempre
a expressão munição letal e munição não letal, ou seja,
consideraremos a finalidade de seu uso e propósito.

16 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


MODELOS DE MUNIÇÕES DE IMPACTO
CONTROLADO NO CALIBRE 12
São munições compostas por projéteis de elastômero
(borracha). Podem ser disparadas por espingardas tipo “pump
action”, ou mesmo por espingardas semiautomáticas no
regime pump (bombeamento). Possuem carga de projeção
menor, sendo assim, as espingardas são utilizadas a uma
distância que varia entre 20 e 50 metros. Fique sempre atento
às orientações da cartilha técnica de cada munição.

Figura 11:
Espingarda calibre
12. Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-UFSC
(2019).

Temos três modelos de munição de impacto controlado


disponíveis neste calibre, a munição de mono impacto com
projétil cilíndrico, a munição de monoimpacto de precisão
com projétil dotado de saia estabilizadora e de base oca e a
munição de tri-impacto com projéteis esféricos, todos eles
são munições de elastômero. Vejamos a seguir quais são as
características de estrutura e de uso de cada uma delas.

Munições de monoimpacto no calibre 12


Quando caracterizamos a munição de impacto controlado
como sendo de mono impacto, significa que em seu estojo
encontramos somente um projétil, produzindo um único
impacto no agressor.

Figura 12: Munição


de monoimpacto
com projétil
cilíndrico. Fonte:
Rocha (2019),
adaptado por
labSEAD-UFSC
(2019).

17 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


A munição de monoimpacto com projétil cilíndrico não é
muito eficaz nas intervenções, tendo em vista atingir o alvo
de maneira imprecisa, podendo causar lesões do tipo corte
Isso ocorre porque as armas empregadas para a sua projeção
não possuem raiamento e a forma do projétil (cilíndrico)
sofre grande influência do ar, interferindo na estabilidade da
Raiamento é o
nome dado ao projeção, no eixo de rotação e na sua trajetória.
conjunto de raias
em forma de Apesar de não ser muito eficaz, essa munição é bastante
espirais abertas,
empregada em treinamentos para uso das munições de
encontradas no
interior de cano ou impacto controlado contra alvos inanimados, porque permite
tubo de arma de compreender o recuo da arma e melhorar a memória neural
fogo, responsáveis para esse tipo de tiro. Quando disparada contra uma pessoa,
por imprimir
ela terá a mesma finalidade das demais munições: deter ou
movimento de
rotação ao projétil e intimidar psicologicamente o infrator, em alternativa ao uso
maior precisão de munições tidas como letais. Desse modo, o disparo deve
no tiro. ser feito em um espaço de utilização predeterminado pelo
fabricante, sempre apontando a arma para a região das pernas,
como dito anteriormente.

As munições de monoimpacto mais indicadas nas operações


são aquelas com projétil dotado de saia estabilizadora e de
base oca. Esses modelos são altamente recomendáveis, por
proporcionarem aos operadores a realização de tiros seletivos,
dada a sua maior precisão em razão da sua estrutura.

Figura 13: As
munições de
monoimpacto com
projétil dotado de
saia estabilizadora
e de base oca.
Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-UFSC
(2019).

18 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Sua utilização também tem como finalidade deter ou intimidar o
infrator, obedecendo o que diz o estatuto sobre intervenções dos
profissionais de segurança pública e o emprego das munições
de impacto controlado. O disparo deve ser feito segundo as
determinações do fabricante, mirando as pernas do alvo.

Existe também, no mercado nacional, a mesma munição


destinada a enfrentamentos de curta distância (a partir de 5
metros). Essa possui cor diferenciada, sendo comumente cinza.

Munição de tri-impacto no calibre 12


As munições de impacto controlado do tipo tri-impacto
possuem três projéteis esféricos de elastômero, produzindo
impacto triplo no agressor. Segundo os fabricantes, as
munições tri-impacto podem ser disparadas contra uma ou
mais pessoas.

Figura 14: Munição


de tri-impacto com
projéteis esféricos.
Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-UFSC
(2019).

Apesar de os fabricantes recomendarem o seu uso em alvos


múltiplos, as boas práticas do tiro de impacto controlado
primam pelo tiro pontual e seletivo e orientam que a utilização
dessas munições seja específica para um só agressor,
em intervenções pontuais. Para uma utilização segura, o
profissional deve seguir os mesmos parâmetros anteriores:
distância segura mirando apenas a região das pernas.

19 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


A utilização dessa munição deve, no entanto, levar em
consideração os princípios da não violência e da intervenção
seletiva do Estado; ou seja, intervenção da ação conflituosa
por parte dos profissionais de segurança pública. Segundo
esses princípios da não violência, as munições de impacto
controlado dos tipos tri-impacto (três projéteis) e multi-
impacto (mais de três projéteis) não são recomendáveis para
aplicação em multidões por dificultar a individualização ou
direcionamento da intervenção.

MODELOS DE MUNIÇÕES DE IMPACTO


CONTROLADO NOS CALIBRES 37 MM,
38,1 MM E 40 MM
Diferente do calibre 12, as munições de calibres 38,1
mm, juntamente com o 40 mm e o menos utilizado, 37
mm, são para armas de apenas um tiro ou armas com
sistema de repetição tipo tambor de revólver, chamadas
de multilançadores de granadas. Vejamos a seguir os dois
modelos utilizados e as respectivas munições.

Figura 15: Lançador


de granadas.
Fonte: Rocha (2019).

Todos os tipos de cartuchos classificados como de impacto


controlado devem ser disparados em direção a um único alvo,
mirando as pernas do agressor. Lembrando ainda de considerar as
distâncias mínimas de segurança, a fim de evitar grave lesão ou
mesmo a morte da pessoa atingida.

Assim como as munições de calibre 12, as de calibres maiores (37,


38,1 e 40) não devem ser empregadas a distâncias maiores, pois
isso diminui consideravelmente sua eficiência; ou seja, mesmo se
atingir o alvo, a munição não terá energia necessária para fazer
cessar a agressão e alcançar a intimidação psicológica.

20 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Os calibres 37 mm e 38,1 mm são calibres mais utilizados
por forças policiais. Existem dois modelos de munição de
borracha para lançadores de granadas de 38,1 mm: a munição
com três projéteis esféricos de elastômeros, com diâmetro
aproximado de 38 mm, e a munição com 12 projéteis esféricos
de elastômeros, com diâmetros aproximados de 12 mm.

Munição tri-impacto super com


projéteis esféricos
Em alternativa ao uso de munições tidas como letais, as
munições tri-impacto super, nos calibres de 37 mm a 40 mm,
podem ser disparadas contra uma ou mais pessoas, com a
finalidade de deter ou dispersar os infratores.

Figura 16: Munição


tri-impacto calibre
40 mm. Fonte:
Rocha (2019),
adaptado por
labSEAD-UFSC
(2019).

Porém, não custa lembrar que as boas práticas do tiro de


impacto controlado prezam que tal disparo deve visar uma
pessoa por vez, por considerar que o tiro deve ser pontual e
seletivo, e que o profissional de segurança pública não pode
alvejar pessoas que porventura não estejam envolvidas na
ação conflituosa.

Munição multi-impacto super com projéteis


esféricos
Os projéteis das munições multi-impacto super, por possuírem
pouca massa, estão mais suscetíveis às influencias de fatores
externos como o vento, podendo alterar sensivelmente a sua
trajetória e aumentar o cone de dispersão.

21 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Figura: 17: Multi-
impacto super com
projéteis esféricos.
Fonte: Rocha
(2019), adaptado
por labSEAD-UFSC
(2019).

Você deve ter percebido que não há muita diferença nos


modelos de munição de impacto controlado disponíveis no
Brasil. Apesar disso, cada uma delas segue especificações
de uso diversificadas, uma vez que são calibres diferentes e
munições com projéteis diferentes.

Assim, esperamos que, neste estudo, você tenha compreendido


a estrutura de uma munição, a diferença entre os projéteis
de elastômero e as armas empregadas na utilização de cada
munição de impacto controlado, bem como tenha relembrado
alguns conceitos técnicos no que diz respeito aos usos dos
instrumentos de menor potencial ofensivo.

22 • Módulo 4 Munições de Impacto Controlado


Referências
BRASIL. Lei n.º 13.060, de 22 de dezembro de 2014. Disciplina
o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos
agentes de segurança pública, em todo o território nacional.
Brasília, DF: Presidência da República, 2014. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/
l13060.htm. Acesso em: 31 out. 2019.

BRASIL. Ministério da Justiça. Portaria Interministerial n.º


4.226, de 31 de dezembro de 2010. Estabelece Diretrizes
sobre o Uso da Força pelo Agentes de Segurança Pública.
Disponível em: https://www.conjur.com.br/dl/integra-portaria-
ministerial.pdf. Acesso em: 31 out. 2019.

BRASIL. Ministério Público Federal. Princípios básicos


sobre o uso da força e armas de fogo pelos funcionários
responsáveis pela aplicação da lei, em 07 de setembro
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