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Oclusão em PPR

Este documento discute a importância de se estabelecer uma oclusão harmônica e funcional ao se confeccionar próteses parciais removíveis. Aborda requisitos para uma oclusão satisfatória, como análise da oclusão existente e correção de desarmonias, além de métodos para obtenção de contenção central.

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Oclusão em PPR

Este documento discute a importância de se estabelecer uma oclusão harmônica e funcional ao se confeccionar próteses parciais removíveis. Aborda requisitos para uma oclusão satisfatória, como análise da oclusão existente e correção de desarmonias, além de métodos para obtenção de contenção central.

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Oclusão em prótese parcial removível

INTRODUÇÃO

O estabelecimento de uma relação oclusal harmoniosa e funcional entre as dentições


oponentes, quando eram confeccionadas próteses parciais removíveis (PPR), foi
negligenciado durante muitos anos.
A falha em se conseguir e manter uma oclusão adequada da PPR é,
preliminarmente, devida à falta de suporte para a base da prótese e a falência em
estabelecermos a oclusão num único registro de relação estática dos maxilares. O suporte
para a base do registro das relações oclusais deve ser o mesmo para uma prótese acabada,
quer seja por meios de apoios oclusais, quer por meio de uma combinação de suporte
oclusal e tecidual.
Nas PPRs, em virtude da sua fixação nos dentes de suporte, os esforços oclusais são
transmitidos diretamente aos dentes de suporte, e outras estruturas suportantes, resultando
em esforços apoiados, os quais podem ser mais danificadores que aqueles esforços
intermitentes encontrados nas próteses totais. Assim, a harmonia oclusal entre uma prótese
parcial removível e as estruturas naturais dentais remanescentes é o maior fator da
preservação da saúde das estruturas circundantes.
O estabelecimento de uma oclusão satisfatória para um paciente portador de PPR,
deve incluir os seguintes requisitos: uma análise da oclusão já existente, a correção de uma
desarmonia oclusal existente como um passo necessário para a preparação da boca para
receber a PPR, o registro da relação cêntrica ou ajustagem de uma oclusão cêntrica e a
correção de discrepâncias oclusais criadas após a confecção da prótese17.
Diferentes esquemas oclusais, morfologia e materiais tornaram-se populares nas
últimas décadas, e muitos dentistas tornaram-se fiéis a um tipo particular de esquema
oclusal. No entanto, é importante lembrar que existem muitos meios de restabelecer a
oclusão dos pacientes, mas a meta do tratamento será sempre alcançar as necessidades
fisiológicas, funcionais e estéticas de cada paciente, individualmente. Para isso é
fundamental a associação de um correto diagnóstico à experiência clínica, conhecimento
teórico, e a uma percepção meticulosa de detalhes3,8.
Na fase de diagnóstico e plano de tratamento é primordial verificar se o paciente
exibe sinais de disfunção oclusal, os quais podem ser causados por traumas oclusais,
disfunções temporo-mandibulares, dores musculares, pulpites, cúspides fraturadas, contatos
prematuros, facetas de desgaste decorrentes de hábitos parafuncionais e mobilidade
dentária19,20,22. Na presença dessas disfunções oclusais, as mesmas devem ser tratadas antes
da definição do esquema oclusal a ser executado na reabilitação com PPR.
O plano oclusal do paciente deve ser analisado e modificado se necessário, por meio
de movimentações, rotações, intrusões e extrusões dentárias, ajuste oclusal de contatos
prematuros, colocação de próteses ou coroas fixas, cirurgias periodontais, ortognáticas e
ortodontia10.

RESTAURAÇÃO DO PLANO OCLUSAL

As relações oclusais traumáticas devem ser eliminadas antes que se iniciem os


procedimentos restauradores e as restaurações possam ser construídas conforme os novos

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Oclusão em prótese parcial removível

padrões oclusais estabelecidos. Se isso não for feito, a prótese perpetua as relações oclusais
injuriantes ao periodonto.
É comum pacientes que se encontram parcialmente desdentados durante um longo
período de tempo, apresentarem um plano oclusal não regularizado, com dentes inclinados
em direção ao espaço protético e extrusão de dentes antagonistas a este espaço. Para
restabelecer o plano oclusal e a curva de Spee, os modelos devem estar montados em
articulador semi ajustável (ASA), a fim de planejar a quantidade de desgaste da estrutura
dental. Casos onde a quantidade de desgaste é muito acentuada, deve-se realizar o
tratamento endodôntico do dente em questão e se necessário, confecção de coroas
protéticas. Deve-se também verificar a possibilidade de interferências desse dente nos
movimentos excêntricos da mandíbula. Somente após estas avaliações em ASA
recomendam-se os desgastes na boca.

AJUSTE OCLUSAL PRÉVIO

Desgaste estético:

Embora não seja comum a existência de dentes anteriores que sobrepassam as


bordas incisais dos demais, eles podem afetar a estética e gerar contatos anormais nos
movimentos funcionais da mandíbula. Nesses casos, podem ser desgastados com uma ponta
diamantada, fazendo um bisel voltado para palatino, em casos de dentes superiores.

Regularização do arco dental (vestibular e/ou lingual):

Alguns dentes mal posicionados no sentido vestíbulo-lingual e que, por esse motivo,
podem estar provocando uma impacção alimentar mais acentuada ou falta de estímulo
gengival, podem ser desgastados e recolocados no alinhamento correto, quando não for
indicado o tratamento ortodôntico.

Reconstrução da anatomia dental:

A abrasão fisiológica, que se manifesta com a idade, e a patológica, provocam um


desgaste acentuado das estruturas dentais que podem chegar a ponto de perder toda a
anatomia, adquirindo características planas. Visando melhor função e melhor interdigitação
dos elementos naturais e artificiais, aconselha-se a reconstrução da anatomia oclusal
perdida.

Ajuste oclusal da dentição remanescentes:

Quando o paciente apresentar sinais e sintomas do trauma oclusal, é necessário que


se faça um desgaste na boca, a fim de se obter o maior número de contatos dentários em
relação cêntrica, estabilizando assim, a mandíbula do paciente na posição maxilo-
mandibular mais adequada.

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Oclusão em prótese parcial removível

OBTENÇÃO DA CONTENÇÃO CÊNTRICA

A perda dos dentes posteriores, como na Classe I, ou mesmo na sua presença sem
antagonistas, faz com que se tenha em algumas situações clássicas de PPR, a perda ou
dificuldade de manutenção da DVO. Nessas condições, com freqüência são os dentes
anteriores os únicos a manter contatos. Não sendo adequados para a função de manutenção
da DVO, esses podem sofrer migração para vestibular quando o tecido ósseo é delgado.
Quando o tecido ósseo se condensa vestibularmente, observamos desgaste acentuado da
palatina dos superiores e incisivo-vestibular dos inferiores anteriores.
Nessas situações AMSTERDAM e ABRAMS (1983)1 recomendam que a forma dos
caninos seja modificada na região do cíngulo para permitir às forças serem dirigidas
axialmente, evitando o contato dos demais dentes anteriores entre si, num procedimento
conhecido em PPR como premolarização dos caninos.
O ideal de fazer com que os dentes posteriores da PPR evitem o contato dos
anteriores geralmente é mal sucedida, pois, além do desgaste dos dentes de acrílico,
contornável pelo uso de dentes mais resistentes ou oclusais metálicas, tem-se a reabsorção
contínua do rebordo, principalmente o mandibular sob o efeito dos esforços mastigatórios.
Isso faz com que algum tempo após a instalação e uso da PPR, o contato potencialmente
danoso entre dentes anteriores volte a ser restabelecido.
Os principais métodos para a premolarização dos caninos são: coroas
metalocerâmicas ou metaloplásticas, estruturas adesivas, armação da PPR e reconstruções
com resina composta.
Quando o sobrepasse vertical e horizontal dos dentes anteriores é muito acentuado,
é impossível obter-se a contenção através dos caninos. Dessa forma, é necessário recorrer a
métodos secundários ou complementares, executados nos dentes artificiais, para a
manutenção da DVO. Esses métodos incluem:

Oclusais metálicas fundidas:

Devem ser obtidas de 10 a 15 dias após a instalação da PPR, quando o paciente já


está devidamente adaptado a ela. Não se aconselha a confecção imediata das oclusais
metálicas porque o ligamento periodontal e a fibromucosa do rebordo ainda não tiveram
tempo de sofrer adaptação funcional. Como conseqüência, perdem-se os contatos oclusais,
e conseqüentemente a estabilidade.

Oclusais metálicas em amálgama:

Utilizadas nas mesmas circunstâncias que as fundidas e, quando o fator econômico é


limitante. Indicadas quando dentes de acrílico ocluem contra dentes naturais e coroas,
reduzem seu desgaste e extrusão dos antagonistas.
Preparam-se as cavidades retentivas nas áreas em que cúspides de contenção ocluem
contra fossas ou cristas marginais e condensa-se amálgama. Deve ocorrer contato com a
cúspide antagônica para garantir a manutenção da DVO.

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Oclusão em prótese parcial removível

OCLUSÃO DE RELAÇÃO CÊNTRICA (ORC) X MÁXIMA INTERCUSPIDAÇÃO


HABITUAL (MIH)

Conceitos:

 Relação Cêntrica (RC): é uma posição cranio-mandibular em que os côndilos estão


situados em uma posição superior e anterior em relação à cavidade glenóide. É
reproduzível, pois depende da relação côndilo-disco-fossa.

 Máxima Intercuspidação Habitual (MIH): é uma posição de máxima


intercuspidação dentária anterior à posição de relação cêntrica. È mutável, pois
depende de contatos dentários.

 Oclusão em Relação Cêntrica (ORC): é uma posição de máxima intercuspidação


dentária, quando os côndilos estão na sua posição mais centrada na cavidade
glenóide; quando RC e MIH coincidem.

A decisão de reabilitar um sistema estomatognático em ORC ou MIH depende


primariamente da avaliação desta última posição mandibular. Em apenas 10% dos
indivíduos com dentição natural vai se encontrar coincidências entre as posições de RC e
MIH (ORC), e nestes casos, qualquer que seja o trabalho de PPR a ser realizado, esta será a
posição. No entanto, é indiscutível que grande parte da população apresenta RC diferente
da MIH e convive adequadamente com essas duas posições. Dessa forma, apenas na
presença de sinais e sintomas de trauma oclusal, deve-se realizar um ajuste oclusal
previamente ao tratamento reabilitador, de modo a restabelecer a ORC, e é esta posição de
trabalho que a PPR deve seguir.
Diante de um quadro de desordem temporomandibular (DCM), é bem tênue a linha
diagnóstica que separa a estrutura do sistema estomatognático primariamente atingida das
demais estruturas que absorvem o quadro sintomatológico. Isso ocorre pela
interdependência fisiológica dessas estruturas. Por essa razão, no tratamento da DCM,
procura-se atuar em todos os níveis estruturais – oclusal, muscular, neurológico e articular
do sistema estomatognático, optando pela posição de ORC para facilitar e reequilíbrio
funcional do sistema.
Além disso, a ORC deve ser a posição de escolha para casos onde não há
estabilidade oclusal, ou seja, quando o padrão oclusal normal do paciente não é mantido
nos dois hemiarcos. Nestes casos, a RC é a única posição reproduzível, visto que é uma
posição esquelética, e deve servir como ponto de partida para a reabilitação protética.
Para utilizar a MIH como posição de trabalho, os dentes devem apresentar
morfologia oclusal adequada e estar presentes em número suficiente para preservar a
estabilidade das relações maxilomandibulares no sentido horizontal e vertical (DVO).
Assim, os modelos de um paciente que supostamente será reabilitado em MIH, se
colocados com as mãos, um sobre o outro, em posição semelhante na qual as arcadas se
intercuspidam, devem permanecer em posição estável, mesmo quando um dos hemi-arcos é
responsável por manter o padrão de oclusão normal.

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Oclusão em prótese parcial removível

Além disso, as articulações temporomandibulares e o sistema neuromuscular que


compõem o sistema estomatognático devem estar livres de sinais e sintomas de desordens,
e não deve haver sinais e sintomas de trauma oclusal nesta posição. Contudo, deve-se
ajustar em relação cêntrica (RC) a prótese confeccionada em MIH para não incorporar a
esta novos contatos deflectivos.

SELEÇÃO DOS DENTES ARTIFICIAIS

Em prótese parcial removível, a escolha entre dentes de porcelana, acrílico ou metal


depende largamente do caráter da superfície contra a qual ele ocluirá. Dentes de porcelana
não vêm ser usados em contato com a estrutura natural dentária, restaurações em ouro ou
dentes de acrílico de estoque, considerando a sua natureza abrasiva, quando pouco
vitrificada, pois causaria o desgaste desses outros materiais. Dentes de porcelana deverão
ser usados quando ocluírem contra outros dentes de porcelana, restauração de porcelana, ou
em casos em que a demanda estética seja fundamental.
Dentes de acrílico deverão ser usados quando ocluírem contra dentes de acrílico,
dentes naturais, porcelana vitrificada ou superfícies oclusais metálicas. Nessas condições
não há perda significativa de contato de superfície.
O uso de PPR com superfícies oclusais posteriores metálicas é sem dúvida, uma
solução para alguns inconvenientes decorrentes do uso de oclusais em acrílico ou
porcelana. Estudos de SCHULTS (1951)21 e WALLACE (1964)27 comprovaram uma
melhora da eficiência mastigatória em dentes de acrílico que tiveram sua superfície oclusal
recoberta por metal, e em 1970, LAWS15 e KOEHNE, MARROW13 indicaram as
superfícies oclusais metálicas como forma de minimizar problemas oclusais e estabelecer
harmonia oclusal.
Metais nobres (ouro, platina e paládio) foram preconizados por muitos autores
11,13,21,27
, e metais não nobres (níquel-cromo e cobre-alumínio 16, bem como restaurações
extensas em amálgama14,23 para a confecção das oclusais em metal.
Uma opção similar e mais moderna, é substituir a cobertura em metal das
superfícies oclusais por “onlays” cerâmicas, cimentadas com cimento resinoso em preparos
confeccionados nos dentes de acrílico9

Dentes de resina:

Vantagens:
-estética
-absorção de impactos (maior resistência à fratura, maior conforto ao paciente e menor
transmissão de forças para a área de suporte)
-facilidade de desgaste (facilita o ajuste oclusal e montagem de dentes em pequenos
espaços)
-união química com a base da dentadura
-facilmente encontrados no mercado odontológico nacional.

Desvantagens:
-menor eficiência mastigatória

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Oclusão em prótese parcial removível

-desgastam-se mais facilmente (gerando perda da anatomia oclusal e diminuição da DVO)


-cuidados no isolamento durante a fase de prensagem
-menor estabilidade de cor

Dentes de porcelana

Vantagens:
-estética
-maior eficiência mastigatória
-maior resistência ao desgaste (manutenção da anatomia oclusal e da DVO)
-não requer tantos cuidados no isolamento (união mecânica entre o dente e a base da
prótese)
-estabilidade de cor

Desvantagens:
-não absorvem impactos (menor resistência a fratura, menor conforto ao paciente, ruídos e
maior transmissão de forças para a área de suporte)
-maior resistência ao desgaste (maior dificuldade no ajuste oclusal e montagem dos dentes
em pequenos espaços)
-não possuem união química com a base (facilita a pigmentação ao redor do colo dos dentes
e influencia na resistência da prótese)
-dificilmente são encontrados no mercado odontológico nacional

Oclusais em metal

Vantagens:
-conforto e sensação natural, resultante da resiliência dos dentes de acrílico abaixo ou
acima das oclusais metálicas
-aumento da eficiência mastigatória, pois melhora a qualidade dos contatos cêntricos
-redução dos esforços mastigatórios
-manutenção da DVO
-distribuição adequada da carga mastigatória
-limitação do desgaste ou fratura
-eliminação da extrusão dos dentes naturais que pode ocorrer com uso de dentes de acrílico

Desvantagens:
-maior custo
-sessões adicionais
-técnica de confecção mais elaborada
-prejuízo estético

Oclusais em amálgama

Vantagens:

-procedimento simples

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Oclusão em prótese parcial removível

Desvantagens:

-menor eficiência mastigatória com relação a oclusal em metal


-limitação da indicação (dentes de resina cujo arco antagonista tenha dentes posteriores
naturais, em metal ou porcelana e ausência de contenção em dentes naturais).

FORMA DA OCLUSAL DOS DENTES POSTERIORES

Dentes anatômicos

Os dentes anatômicos foram idealizados para simular o formato da superfície


oclusal de um dente natural. Possuem alturas de cúspides variadas e diferentes graus de
inclinação para se intercuspidarem com o antagonista, também anatômico. A inclinação
cuspídea aproximada dos dentes anatômicos é padronizada em 33º, mas pode ser
modificada por desgastes durante o ajuste oclusal. O dente anatômico standard tem
inclinação de cúspide de 33º ou mais. Quando a inclinação de cúspide é menor que 33
graus, podemos classificar o dente como semi-anatômico24.
Dentes com menores inclinações de cúspides oferecem menor resistência a
movimentos laterais e por esse motivo são mais indicados em casos de rebordos
reabsorvidos.
Resultados de pesquisas demonstram que apesar da melhor eficiência mastigatória,
esses dentes geram maiores componentes de força horizontal ao rebordo desdentado.
O principal problema é adequar e harmonizar a oclusão das cúspides com seus
antagonistas durante os movimentos mandibulares. Mesmo realizando-se registros precisos
e ajuste oclusal no articulador, a estabilidade não perdura ao ser transferida para a boca.
A queixa da maioria dos pacientes é a dificuldade de manejar a prótese devido à
altura das cúspides. Os traumas ocorrem quando as cúspides não se engrenam durante os
movimentos mandibulares. Sendo assim, os dentes anatômicos necessitam, em sua maioria,
de modificações em sua forma para melhorar seu desempenho.

Vantagens:
 São mais eficientes na mastigação
 Podem ser montados em oclusão bilateral equilibrada
 Possuem ponto de oclusão definido
 São mais estéticos

Dentes não anatômicos

Sua anatomia oclusal difere dos dentes naturais.São também chamados dentes
funcionais, pois são planos e possuem cúspides reduzidas em altura. Sua superfície oclusal
é constituída basicamente de superfícies planas separadas por sulcos de escape para
melhorar a eficiência mastigatória. Essa conformação oclusal foi idealizada com intuito de

7
Oclusão em prótese parcial removível

preservar a integridade tecidual e do rebordo. A eliminação das cúspides simplifica os


contatos dentários pela redução dos planos inclinados. Produzem menores componentes de
força horizontal, ou seja, transmitem com maior eficiência as forças verticais ao rebordo.
Sua eficiência mastigatória pode ser aumentada por meio da escolha de um esquema
oclusal adequado. Esses dentes oferecem menor resistência aos movimentos laterais, sendo
portanto, indicados para rebordos reabsorvidos por favorecerem a retenção e a
estabilidade24.

Vantagens:
 Produz menor resistência ao deslizamento lateral
 Favorecem a retenção e estabilidade
 Fáceis de serem montados
 Em casos que os não anatômicos não podem ser balanceados, os não anatômicos são
menos traumáticos.

ESCOLHA DO ESQUEMA OCLUSAL

Os esquemas oclusais mais comumente usados para próteses parciais removíveis são:

 Oclusão Balanceada Bilateral


 Oclusão Lingualizada
 Oclusão Mutuamente Protegida
 Oclusão Linear

Oclusão balanceada bilateral

Caracteriza-se pela formação de um “tripé” de estabilização, através do


estabelecimento de contatos posteriores bilaterais em protrusiva e lateralidade.
 Em ORC: contatos bilaterais posteriores, sem contato nos dentes anteriores;
 Em Protrusiva: um contato posterior de cada lado (molares);
 Em Lateralidade: além do canino, um contato em molar do mesmo lado e um
contato em molar do lado oposto.

Finalidades da oclusão balanceada bilateral:

- Permitir movimentos livres da mandíbula;


- Distribuir racionalmente as forças pelos dentes e fibromucosa
- Evitar rotações e deslocamentos da prótese
- Fornecer retenção, estabilidade, conforto e eficácia mastigatória pelo uso da prótese
- Evitar traumas aos tecidos de suporte
- Prevenir danos para os músculos e ATM

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Oclusão em prótese parcial removível

Princípios:
- guia incisal plana
- mínima altura das cúspides
- inclinação menos proeminente das cúspides
- requer curva compensatória

Vantagens:
-maior estabilidade, retenção e conforto
-melhor distribuição de estresse a área basal
-maior preservação do rebordo alveolar

Desvantagens:
-dificuldades laboratoriais e imprevisibilidade de manutenção após a acrilização;
-ajuste da prótese na boca;
-inadequação do esquema oclusal pela interposição do bolo alimentar;
-dificuldade de manutenção do esquema oclusal pelo desgaste dos dentes.

Oclusão mutuamente protegida

Pode também ser utilizada para prótese total, sem prejuízo estético e funcional.
Caracteriza-se pela presença de guia canina ou função em grupo, guiando os
movimentos excursivos e protegendo os dentes posteriores de contatos, bem como
ausência de contatos nos dentes anteriores durante o fechamento em cêntrica.

Vantagens:
-prevenir desordens temporomandibulares;
-minimizar reabsorções ósseas;
-diminuir atividade muscular durante a mordida parafuncional.

Desvantagens:
-atua como contato prematuro;
-traumatismo as estruturas de suporte;
-prejudica a estabilidade e retenção.

Oclusão lingualizada2,12
Caracteriza-se pelo contato das cúspides palatinas dos dentes superiores com a fossa
central rasa dos dentes inferiores (“dentes pilão”). Foi idealizada com o intuito de
minimizar as forças horizontais geradas quando existem planos inclinados, e direcionar as
forças mastigatórias axialmente ao rebordo.

Princípios:
- guia incisal plana
- redução altura das cúspides
- harmonização com inclinação condilar e curva de compensação
- lateralidade e protrusão

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Oclusão em prótese parcial removível

- sem contato da cúspide dos inferiores


- anatômicos superior x semi ou não anatômicos inferior

Vantagens:
- forças mais centralmente
- controle de forças laterais
- escape do bolo alimentar
- simplifica ajustes
- pode ser utilizada em todos tipos de rebordo
- mantém a estética e penetração de alimento

Desvantagens:
- pequeno espaço entre a cúspide vestibular superior e inferior dos dentes posteriores

Oclusão linear

É preconizada ainda hoje por alguns autores 5 Caracteriza-se pela presença de uma
linha contínua de pontos oclusais, fornecida pelo contato de dentes anatômicos de um arco
(geralmente o mandibular) contra dentes não anatômicos no arco oposto. Acredita-se que
este esquema oclusal produza um menor componente de forças laterais, pela redução de
planos inclinados, e simplifique os ajustes em próteses totais.

Princípios:
- posição de contatos lineares em um arco x dentes não anatômicos em outro
- redução de forças desfavoráveis
- ajuste oclusal simplificado

Vantagens:
- área de contato mínima ® resistência friccional reduzida
- sem alteração da direção das forças (excêntricos)

Poucos são os trabalhos na literatura que se preocuparam em discutir e estabelecer


um protocolo de esquemas oclusais possíveis de serem empregados em próteses parciais
removíveis.
Muito é discutido sobre esse assunto em próteses totais, mas ainda hoje não se
chegou a um consenso sobre qual o melhor esquema oclusal a ser adotado nas confecções
dessas próteses.
Há muito tempo, um conceito padrão oclusal, a oclusão balanceada bilateral, tem
sido preconizado para próteses totais, sem que tenha havido nos últimos anos, a quantidade
de debates suficientes para continuar a afirmá-lo como correto.
A oclusão balanceada bilateral é tecnicamente mais difícil de ser obtida em razão
das limitações do ASA e pela diferença de resiliência entre o modelo de gesso, onde os
dentes são montados, e a mucosa que reveste o rebordo 7. Além disso, este esquema oclusal
é difícil de ser obtido com dentes de cúspides baixas, e por isso preconiza-se a formação de

10
Oclusão em prótese parcial removível

um plano inclinado dado pela inclinação dos segundos molares inferiores. Esta inclinação,
durante a mastigação, gera cargas que podem instabilizar a prótese.
A crença de que os contatos bilaterais, durante os movimentos excursivos da
mandíbula, favorecem a estabilidade da prótese, caiu por terra quando UTZ, em 1994 26,
afirmou que em apenas um ano a modificação dos contatos dentários das PTs é
clinicamente significativo a ponto de alterar seu padrão oclusal. Essa modificação ocorre
em função do desgaste sofrido pelos dentes artificiais, pela constante readaptação do
complexo côndilo/disco a novos padrões oclusais e principalmente, por alterações do
rebordo remanescente que sustentam as próteses.
Os autores que defendem o uso da desoclusão Guia Canino, o fazem baseados na
impossibilidade de manutenção da estabilidade da prótese, durante a função mastigatória,
quando se é empregada a oclusão balanceada bilateral.
Para MOTWANI e SIDHAYE (1990)18, durante a mastigação, o bolo alimentar
interpondo-se entre as próteses acarretaria ausência de contato entre os lados de trabalho e
balanceio, o que por sua vez não justificaria o emprego de tal mecânica.
Além disso, GRUNERT et al. (1989)6 relataram uma menor atividade dos músculos
elevadores da mandíbula, temporal e masseter, quando a prótese apresenta guia canino
Estudo recente de IVANHOE e PLUMMER (2004) 10 destaca que o número e o
posicionamento dos dentes remanescentes em ambos os arcos, devem determinar o
esquema oclusal a ser adotado nas próteses removíveis.
Os seguintes esquemas são recomendados:

PPR Classe III:

1-A morfologia oclusal dos dentes artificiais deve ser selecionada de acordo com a
superfície dos dentes do arco oposto.
2- Se existir uma oclusão fisiologicamente saudável, deve-se manter o esquema oclusal já
existente.
3-Deve-se empregar desoclusão tipo função em grupo quando o canino natural estiver
ausente ou com problemas periodontais.
4-Recomenda-se o uso de oclusão balanceada bilateral quando o arco antagonista for
reabilitado com prótese total.

PPR Classe II:

1-A desoclusão por função em grupo deve ser evitada quando os pré-molares estiverem
ausentes. Nesses casos opta-se por realizar desoclusão em guia canino para evitar forças
laterais na extensão distal durante a função.
2-A oclusão balançada bilateral deve ser evitada, a menos que o arco antagonista seja uma
prótese total.

PPR Classe I:

1-A oclusão balançada bilateral deve ser utilizada quando não for possível a indicação da
desoclusão por guia canino.

11
Oclusão em prótese parcial removível

PPR Classe IV:

1-Durante os movimentos excursivos, os dentes anteriores devem desocluir ou terem


contatos passivos.
2-Recomenda-se oclusão balanceada bilateral para quando o arco antagonista for prótese
total.

OBJETIVOS PRELIMINARES PARA O ESTABELECIMENTO DE UM


ESQUEMA OCLUSAL

Segundo IVANHOE e PLUMMER (2004)10, há sete objetivos para o


estabelecimento de um esquema oclusal:

1-Na presença de uma oclusão fisiológica, sem sinais e sintomas de DTM, e com
estabilidade oclusal, manter a MIH. Se houver a necessidade de restabelecimento da RC, o
paciente deve ser reabilitado de forma que a esta seja coincidente com a MIH (ORC).

2-Estabelecer contatos posteriores bilaterais simultâneo e bem distribuídos para promover


eficiência mastigatória. Eventuais contatos anteriores devem ser passivos e não receber
carga oclusal.

3-Não alterar o esquema oclusal do paciente nos movimentos laterais, a menos que alguma
alteração tenha que ser feita para corrigir uma condição não fisiológica. A desoclusão por
Guia Canino e por Função em Grupo é encontrada em dentições naturais fisiológicas.

4-Se for necessário restabelecer a guia lateral, deve-se optar pela Guia Canino, quando
estes dentes estiverem presentes, quando não estiverem comprometidos periodontalmente e
quando os caninos não forem suportados por implantes. A Guia Canino reduz as forças
horizontais nos dentes posteriores e promove um ciclo mastigatório mais vertical. Este
esquema oclusal resulta na diminuição de esforços laterais nos dentes posteriores e no
rebordo, reduzindo o desgaste oclusal.

5-Estabelecer função em grupo para pacientes que terão a colocação do dente canino na
PPR, ou para caninos naturais com comprometimento periodontal.

6-Não estabelecer contatos no lado de não trabalho durante os movimentos excursivos da


mandíbula, a menos que o arco oposto seja uma prótese total em que a oclusal balanceada
bilateral é desejada.

7-Contatos entre os dentes posteriores durante os movimentos protrusivos devem ser


eliminados.

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Oclusão em prótese parcial removível

AJUSTE OCLUSAL APÓS A INSTALAÇÃO DA PRÓTESE PARCIAL


REMOVÍVEL

Ajuste oclusal grosseiro:

Os ajustes oclusais grosseiros podem ocorrer durante a fase da execução da prótese,


se houver alterações no posicionamento dos dentes artificiais decorrentes da própria
natureza doa materiais e das técnicas utilizadas para confeccionar a base.
Esses ajustes devem ser realizados em articulador semi-ajustável (ASA) por meio da
remontagem dos modelos. A remontagem é executada através dos registros obtidos com o
arco facial, para a montagem do modelo superior, e através de registros, em planos de cera
ou resina, para a montagem do modelo inferior.

Ajuste oclusal fino:

PPR Classe III e IV:

O ajuste oclusal de uma PPR dento suportada deve ser realizado na sessão de
instalação da prótese. Para tanto, realiza-se o ajuste diretamente na boca com o auxílio de
fitas de carbono25.
O ajuste deve ser iniciado verificando a presença de contatos prematuros na posição
de RC, posteriormente, interferências nos movimentos excursivos também devem se
checadas e eliminadas.
Contatos no lado de não trabalho devem se eliminados, pois se forem mantidos,
poderão produzir forças sobre os dentes pilares gerando desconforto aos lados da mucosa
do rebordo residual, abaixo da prótese4.

PPR Classe I, II e IV ampla:

Em próteses com extremidade livre, o ajuste oclusal deve ser realizado 72 horas
após a instalação da PPR. Isso possibilita o assentamento da mucosa de suporte e só então o
ajuste oclusal pode ser realizado25.

CONTROLE POSTERIOR DA OCLUSÃO EM PPR

Quando há perda do contato oclusal entre a prótese e o arco antagonista, há


necessidade de reajuste das PPRs.
Isso é determinado fazendo com que o paciente oclua sobre fitas de carbono. Se os
contatos oclusais entre a dentição artificial forem fracos ou ausentes, enquanto os contatos
entre os dentes naturais, em oposição, forem marcantes, o restabelecimento da oclusão
original deve ser efetuado.

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Oclusão em prótese parcial removível

Essa situação é mais comum em próteses de extremidade livre, onde existe


constante reabsorção do rebordo alveolar e modificações na resiliência da mucosa de
revestimento.
Mesmo na presença de contatos oclusais, quando é constatado movimentação da
PPR em torno da sua linha de fulcro, deve-se efetuar o reajuste. Se forem detectadas
insuficiências oclusais, sem que haja qualquer evidência de uma rotação da prótese sobre o
rebordo residual, deve-se apenas restabelecer os contatos oclusais através de incrustações
ou através da adição de resina às superfícies oclusais.
Caso o arco antagonista a PPR seja uma prótese total, ou mesmo uma PPR, é
imprescindível a verificação da estabilidade e retenção das mesmas, pois o
restabelecimento da oclusão também depende desses fatores.

CONCLUSÕES

A escolha do esquema oclusal adotado em PPR deve ser baseada no correto


diagnóstico de cada caso.
Ainda existem muitas dúvidas e discussões sobre os esquemas oclusais e os autores
não possuem opinião unânime sobre o assunto.
Faltam estudos na literatura sobre esquemas oclusais adotados em PPR
Tão importante quanto definir o esquema oclusal, é favorecer uma oclusão
fisiológica ao paciente e realizar controles periódicos para garantir sua manutenção.

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