Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ
Instituto de Ciências Sociais/Departamento de
Antropologia (ICS/DANTRO)
TA II/ ABI - 5af. Docentes
Waleska Aurelian
18-19:30
Marcos Albuquerqu
:
Corpo e Sistemas de Classi cação
❖ Texto “Algumas formas primitivas de classi cação” - Emile Durkheim
Marcel Mauss (1903);
❖ Grupo social como fonte da classi cação - oposição a análises anteriores
que a rmavam que os povos primitivos produziam suas classi cações
sociais a partir da observação do mundo natural
❖ Para os autores, ao contrário, são as divisões sociais que fornecem os
modelos de classi cação do mundo natural.
❖ Propósitos da classi cação: socialização e integração dos membros do
grupo e objeti cação de uma vida coletiva compartilhada.
❖ Relação direta entre o grupo social e sua linguagem, sendo esta percebida
como um sistema classi catório consistente e singular.
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Corpo e Sistemas de Classi cação
❖ Classi cações Primitivas X Classi cações Cientí cas
❖ Para Durkheim e Mauss ambas apresentam sistemas de noções hierarquizadas, nas quais as
coisas estariam dispostas em um conjunto de relação definidas que formam um todo coeso.
❖ Tanto os sistemas de classificação primitivo quanto científico teriam uma função especulativa
cujo objetivo seria tornar inteligíveis as relações existentes entre os seres.
❖ Fins especulativos – ambas tornam compreensíveis, inteligíveis as relações existentes
entre os seres. Ambas buscam ligar ideias entre si, uni car o conhecimento sobre o
mundo.
❖ A classi cação possuí natureza social. Os próprios quadros da sociedade que serviram
de quadros ao sistema
❖ Exemplo de classi cação cientí ca que espelha modelo social: sistema imunológico
explicado com linguagem bélica (ataque, defesa, soldados, guerra biológica).
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Corpo e Sistemas de Classi cação
❖ Primeiras categorias lógicas foram categorias sociais, é
porque os homens estão agrupados socialmente que eles
agrupam outros seres [classificam].
❖ Como emanações da mente coletiva, as classificações
expressam as próprias sociedades na quais elas foram
elaboradas. Aqui a sociedade ou cultura é vista como
harmoniosa, um todo integrado que se estende ao longo do
tempo (ausência da ideia do conflito).
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Nojo
❖ Corpo como complexo de símbolos – a ordem siológica material (Natureza) relaciona-se com uma
ordem ideológica moral (Cultura), e vice-versa.
❖ Corpo como fato social total, pois afeta e é afetado pela sociedade – parte do fato social “total”, pois
todos os fatos sociais totais se realizam tendo o corpo como um elemento central (fato social total –
atividade que tem implicações em toda a sociedade, nas esferas política, econômica, jurídica e
religiosa)
❖ Atenção às relações estabelecidas entre os termos e não ao conteúdo dos termos em si (órgãos e
funções do corpo não são o nosso foco, mas as relações que podem ser estabelecidas entre eles e as
representações de ordem social que emergem deles)
❖ O que importa é a posição dos termos ( siológicos/materiais) num sistema de relações (sociológico/
imaterial) que tende a um sistema de oposições [dentro/fora; alto/baixo; bonito/feio; puro/impuro;
sagrado/profano
❖ Sendo o corpo signi cado, explicado e entendido através da linguagem, ele não pode ser uma
entidade puramente biológica, já que a linguagem é em si um elemento da cultura.
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Nojo
❖ Signo linguístico = signi cante (parte física da palavra/gra a + som/ material,
perceptível, concreto/ forma) + signi cado (conceito transmitido pelo
signi cante/ imaterial, imagem mental, abstrato, valor/ conteúdo)
❖ Processos siológicos >> signi cante <<==>> signi cado >> processos
sociológico
❖ Exemplo:
❖ Cabeça (signi cante) ----- Inteligência/burrice/razão/impulsividade
(signi cad
❖ Merda (signi cante) ----- algo ruim/errado/frustrante/nojento (signi cado)
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Nojo
❖ Partes do corpo não carregam apenas o sentido siológico atribuído a elas, mas
signi cado social que são também expressos através do corpo e seus processos – o nojo
seria um desses processos que toma algo da natureza material do corpo e seus uídos
(que não podem ser totalmente controlados), para se pensar os sistemas de
ordenamento e organização social, os sistemas de oposição que organizam a vida
social.
❖ É a nossa necessidade social de ordenamento e classi cação que faz o vomito ser
nojento, não o vomito em si. Codi cações do corpo e codi cações da ordem social
andam juntas.
❖ O vomito não é primeiro nojento em si mesmo, ele foi socialmente de nido como
nojento. Algo é antes de nido socialmente como nojento para se ligar ao corpo.
Sociedade >>> Corpo >>> Sociedade
❖ Algo ser considerado nojento depende do contexto e da relação estabelecida entre os
envolvidos bem como da situação
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Nojo
❖ Rituais de Puri cação Corporal – ‘práticas corporais são comportamentos rituais sustentados por crenças
místicas’. No ocidente, tentativa de excluir a magia pela ciência, mas o que autor quer dizer é que tanto a magia
quanto a ciência são formas de ordenação do mundo.
❖ O rito tem intenção de transforma, puri car, santi car, devolver a ordem e a normalidade. A higiene também
[tomar banho e escovar os dentes são formas de transformar e puri car o corpo, se não contra espíritos, contra os
germes, a sujeira].
❖ Ritos mágicos e tabu do nojo: ambas acionam gramática dos contatos e teoria dos contágios
❖ Práticas higiênicas – pretendem xar modelos para o comportamento das pessoas, impedindo que transgridam
limites e desorganizem a ordem simbólica, expressam, portanto, um sistema social e valores morais
❖ Marques de Sade – exemplo clássico de um autor que reconhecem a ordem social expressa através do corpo
para subverte-la. Evoca imagens das coisas fora do lugar, por isso dali emerge o nojo e a repulsa [comer fezes,
rezar no banheiro]
❖ A reação do nojo é uma reação à transgressão da ordem. Nojo evoca medo, mas é diferente do medo. O nojo
ameaça a ordem social porque as coisas estão fora de lugar. Coisas consideradas nojentas têm forma ambígua,
não são solidas, liquidas ou gasosas, mas gosmentas, pegajosas, meladas, grudentas.
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Nojo
❖ Nojo como parte da oposição aceitar/recusar eventos. Questão de cuspir quando se tem
nojo: não se cogita engolir o cuspe, pois seria aceitar o evento.
❖ Nojo dos idosos: corpo que evoca proximidade com a morte, doença, nitude. Corpo
carregando então um mana.
❖ Nojo permite sistema de classi cação de pessoas e comportamentos: íntimo/privado X
público/coletivo. E classi cação de situações – nojo depende da situação [caso do
esperma no caso de abuso sexual e relação consensual]
❖ Nojo e classe social: Impureza e distância social – tanto pode ser reforçada pelo nojo
[castas na Índia] como transpostas, elevando aquele que ‘desce’ de seu lugar puri cado
para tocar aquilo que seria nojento no outro [caridade, política].
❖ Nojo como separação entre Natureza e Cultura, homem como único ser com nojo das
suas secreções, com exceção das lágrimas
❖ Valor cultural dado às coisas da natureza (lágrima, pus, sangue) e valor natural atribuído
às coisas da cultura (o professor é uma merda).
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Nojo
❖ Rejeição ao Natural para sobrevivência da
Cultura – problemática sobre essa
conceituação - movimentos de recusa da
ordem estabelecida e das hierarquias sociais
de nidas pelas classi cações sociais sobre o
que puro/impuro, sagrado/profano
❖ Entre vários exemplos, o caso da
menstruação: tabu que torna mulher impura
em vários contextos, recusa de suas
signi cações negativas no campo das artes
❖ Rupi Kaur
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