O TEA – Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do
neurodesenvolvimento que afeta em média 1% da população. Por
isso, é muito importante identificar desde cedo se o seus filhos se
enquadram nessa porcentagem, descobrindo através de uma
avaliação de autismo.
Você poderá saber mais sobre seu filho ter ou não autismo, neste
outro post.
Nesse artigo, falaremos tudo sobre como são realizadas as
principais avaliações para identificar o TEA nas crianças. Além
disso, destacamos quem são os especialistas que podem ser
responsáveis por realizar essa avaliação.
Em grande parte das situações, a avaliação de autismo é feita
através de testes e observação clínica. Atualmente, março de
2021, não existe nenhum exame que faça o diagnóstico de
autismo.
Os médicos geralmente pedem exames para eliminar outras
possibilidades, por isso é comum pedirem o BERA, exames de
sangue, eletroencefalograma, ressonância magnética, entre
outros exames para avaliar qualquer outros riscos de diagnóstico.
Por isso, abordaremos também quais são os principais testes,
explicando passo a passo de cada um, dessa forma você poderá
entender melhor como funciona a avalição de autismo e quais as
opções que temos atualmente.
Como funcionam os testes ou instrumentos
diagnósticos para avalição do autismo?
O diagnóstico de autismo é baseado na análise comportamental
das crianças, adolescentes ou adultos.
Dessa forma, os testes que visam determinar se uma pessoa tem
autismo ou não, é um teste que tem como objetivo observar as
características do comportamento de cada criança.
Obviamente, cada teste possui um método específico. A escolha
pelo teste mais adequado varia de caso para caso e dos
conhecimentos de cada especialista que atende essas crianças,
para assim realizar a avalição de autismo.
A seguir, listamos os principais testes utilizados para analisar o
comportamento das crianças e, consequentemente, usados na
avaliação de autismo.
Testes
Nesse texto iremos conhecer os seguintes testes para avaliação
de autismo:
1. ABC – (Lista de Checagem de Comportamento Autístico)
2. ADI-R (Entrevista Diagnóstica Para Autismo Revisada)
3. ADOS OU ADOS-2 (Protocolo de Observação Para
Diagnóstico de Autismo)
4. ASQ – (Questionário de Triagem Para Autismo)
5. ATA – (Avaliação de Traços Autísticos)
6. ATEC – Avaliação de Tratamentos do Autismo
7. CARS (Escala de Avaliação Para Autismo Infantil)
8. GARS-2 – (Gilliam Autism Rating Scale)
9. Inventário Portage Operacionalizado
10. M-CHAT-R/F – Escala Para Rastreamento de Autismo
Revisada
11. PEP-3 – (Perfil Psicoeducacional)
12. PROTEA-R – Sistema de Avaliação do Transtorno do
Espectro Autista
13. Vineland
ABC – Lista de Checagem de Comportamento Autístico
A ABC é um modelo de avaliação de autismo que consegue
identificar até casos mais graves, onde as crianças possuem,
inclusive, um retardo mental.
Essa escala consiste na elaboração de 57 itens, com uma divisão
comportamental previamente estipulada para cada item. Confira:
17 itens pontuados com nota 4;
17 itens pontuados com nota 3;
16 itens pontuados com nota 2;
7 itens pontuados com nota 1
De acordo com esse método, a pontuação média para crianças
com autismo é 78 pontos, enquanto casos de crianças com
retardo mental grave é de 44 pontos.
ADI-R
A Entrevista Diagnóstica para Autismo Revisada (ADI-R), é uma
escala considerada de alto padrão na avaliação de autismo.
O procedimento de análise dessa entrevista deve ser feito junto
dos pais, e tem o objetivo principal de conseguir detalhes
específicos do comportamento das crianças.
A versão atual, compreende pessoas desde os 18 meses de vida,
até a fase adulta.
Para avaliar o comportamento de cada criança, é realizado um
questionário com 93 questões feitas diretamente para os pais,
identificando as características que marcam o TEA.
Nessa avaliação, existem 3 pontos fundamentais para a
avaliação de autismo, ou, o diagnóstico:
Linguagem ou comunicação;
Interação social;
Comportamentos repetitivos ou estereotipados.
Portanto, a entrevista é baseada nesses três domínios e, para
que a criança receba o diagnóstico de autismo. A ADI-R
geralmente é realizada junto com o ADOS.
Para entender mais sobre o ADOS, leia abaixo:
ADOS
O ADOS OU ADOS-2 (Protocolo de Observação Para
Diagnóstico de Autismo), também uma escala considerada
padrão-ouro para a avaliação de autismo e diagnóstico.
A avaliação do autismo pela escala do Ados é estruturada e
padronizada, utilizando ferramentas de comunicação como
interações sociais e jogos, ou o uso criativo de diversos objetos
para as crianças que estão em observação.
Ela pode ser aplicada para pessoas a partir dos 3 anos de idade,
sendo que também é utilizada para determinar o autismo em
pessoas adultas.
O principal objetivo desse teste é observar as características que
tem relação com o DSM-V, dentro das áreas: interação social,
comunicação social e linguagem, comportamentos repetitivos
e/ou estereotipados.
Através de um roteiro pré estipulado, o especialista designa 8
tarefas para os pacientes, seja criança ou adulto. A partir daí,
existe uma tabela para definir se o paciente possui ou não o TEA.
A duração do teste é de cerca de 30 minutos, sendo que a
realização dos jogos varia de acordo com a idade e o
desenvolvimento do paciente.
Por fim, a classificação geral do diagnóstico é dividida em 3
pontuações:
0 = dentro dos limites;
1 = anormalidade rara ou possível;
2 = anormalidade clara.
O ADOS é um teste de valor alto para o terapeuta, média de
4.000 euros para adquirir o teste e não tem uma versão brasileira
ainda, infelizmente.
Para adquirir você precisará importá-lo de outro país.
ASQ – QUESTIONÁRIO DE TRIAGEM PARA AUTISMO
O ASQ – Questionário de Triagem Para Autismo é, como o
próprio nome já indica, um questionário, constituído em 40
questões retiradas do teste ADI-R, mas que passaram por
modificações para se adequar melhor aos propósitos do
questionário.
As intenções e temas das questões são variadas. Nelas, podem
ser abordadas ideias comportamentais da linguagem, padrões de
comportamento, interação social, comunicação, como é feita no
ADI-R.
A escala ASQ de avaliação de autismo varia de 0 até 39, com a
nota 15 sendo a média para avaliações padrões, ou seja, é a nota
para quem não tem o espectro. Enquanto isso, quando a escala
ultrapassa 22, é um indicador de que o paciente pode ser autista.
Já existiram duas versões principais do questionário, uma para
crianças com menos de 6 anos e uma para crianças de 6 anos ou
mais. No resultado, a pontuação 0 determina ausência de
“anormalidades”, enquanto a pontuação 1 determina a presença
de anormalidade.
ATA – (Avaliação de Traços Autísticos)
Nessa escala do ATA – (Avaliação de Traços Autísticos), são
utilizados 36 critérios de avaliação de autismo, todos relativos ao
comportamento das crianças perante as pessoas e o meio social
em que vivem.
Se a criança atingir a pontuação corte de 15, ela se enquadra
nessa condição de autismo.
Para cada item, a pontuação 0 indica que não há presença de
sintomas, a pontuação 1 indica presença de ao menos um
sintoma e a pontuação 2 indica mais de um sintoma nos itens
selecionados.
ATEC – Avaliação de Tratamentos do Autismo
A ATEC – Avaliação de Tratamentos do Autismo é uma lista
muito utilizada para verificar se os tratamentos de autismo
aplicados às crianças estão sendo eficazes e como os indivíduos
estão evoluindo com o passar do tempo.
A lista se configura em 77 questões, todas classificadas em
subcategorias, tais como:
Fala;
Linguagem;
Comunicação;
Sociabilidade;
Sensibilidade Sensorial;
Cognitiva e Física;
Saúde;
Comportamento.
Para acessá-la é só clicar aqui: PAULINHA LINKAR***
CARS (Escala de Avaliação Para Autismo Infantil)
A CARS é mais uma das escalas utilizadas para identificar o
espectro do autismo nas crianças. Foi criada e baseada nas
definições estipuladas por especialistas da área, como Rutter,
Ritvo e Freeman.
Nessa definição desses especialistas, são avaliados 3 pontos
principais, que são relativos a características comportamentais
das pessoas. São eles:
1.Desenvolvimento social;
2.Distúrbio da linguagem e habilidades cognitivas;
3.Início precoce do transtorno, antes dos 30 meses de
idade.
Essa escala é composta por 15 itens, e todos eles são utilizados
para avaliar a condição das crianças, somando pontuações que
dão o resultado final determinado.
A pontuação varia de 15 a 60 pontos, sendo que, caso a criança
atinja uma pontuação maior que 37,5, é considerado que ela
possui o autismo de forma grave.
Para responder a CARS, vá até esse post que temos o PDF dela
disponível!
GARS-2 – Gilliam Autism Rating Scale
O GARS-2 é uma escala muito utilizada para a avaliação de
autismo em crianças, e também funciona com um sistema de
pontuações.
Foi baseada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais: Quarta Edição. Como atualmente já temos a quinta
edição, ela ficou um pouco desatualizada, porém ainda é utilizada
em alguns países.
São 42 itens bem definidos, que servem para descrever
comportamentos característicos de uma pessoa com autismo,
separados em três subtestes: comunicação, interação social e
comportamento estereotipado.
Inventário Portage Operacionalizado
No Inventário Portage Operacionalizado, desenvolvido pelas
autoras WILLIAMS E AIELLO, o paciente é avaliados em 5
campos principais:
Socialização;
Cognição;
Linguagem;
Autocuidados;
Desenvolvimento motor.
O Portage envolve algumas atividades específicas com caixa de
atividades para o paciente realizar. Não é especificamente uma
avaliação de autismo, é focada no desenvolvimento.
Para aprender mais sobre ele você poderá adquirir o Manual
Portage, ou então, conhecer o Psicoplano Infantil, curso no qual
terá a acesso ao aprendizado do Portage e o PEP-R.
É recomendado para crianças de 0 a 6 anos, pois a aplicação do
inventário pode determinar mudanças nas relações domiciliares e
escolares.
M-CHAT-R/F – Escala Para Rastreamento de Autismo Revisada
O M-CHAT, por exemplo, é uma escala bastante utilizada aqui no
Brasil, sendo obrigatório na rede de saúde pública do país.
O teste é elaborado para triagem do autismo, para que os pais
encaminhem seus filhos para especialistas.
Na escala, existem três riscos definidos: baixo, moderado e alto
risco. A pontuação atingida, 0 a 2 para baixo, 3 a 7 para
moderado e 8 a 20 para alto risco, definem as próximas etapas
que os pais devem seguir.
A pontuação de baixo risco indica que o paciente provavelmente
não desenvolveu a condição do TEA, mas é importante repetir o
teste caso ele seja feito antes dos 24 meses de idade.
O risco moderado representa que os pais devem seguir com
outras etapas de teste, como a entrevista de seguimento. Nesse
caso, se a criança tiver um resultado equivalente ou maior que 2,
ele deve ser encaminhado para algum especialista da área.
Já no alto risco, não há necessidade da realização dessa
entrevista. Caso o paciente atinja a pontuação desse padrão, ele
deve ser encaminhado diretamente para um especialista que
confirmará o diagnóstico e definirá o melhor tratamento para cada
situação.
Para responder a CARS, vá até esse post que temos o PDF dela
disponível!
PEP-3 – (Perfil Psicoeducacional)
A PEP-3 – (Perfil Psicoeducacional) é uma ferramenta de
avaliação do comportamento das crianças autistas ou com outros
transtornos de comunicação. Não é necessariamente uma
avaliação de autismo, ela tem foco em desenvolvimento infantil.
É um instrumento utilizado para auxiliar os pais e os educadores
nas formas como trabalhar a educação das crianças, pois
identifica padrões de aprendizagem diferentes do normal.
São avaliadas algumas condições:
Coordenação motora ampla;
Coordenação motora fina;
Coordenação viso-motora;
Percepção;
Imitação;
Performance cognitiva;
Cognição verbal.
PROTEA-R – Sistema de Avaliação do Transtorno do Espectro
Autista
O PROTEA-R é uma avaliação de autismo que funciona através
de aplicações de brincadeiras com as crianças, buscando
identificar se esses pacientes possuem ou não o transtorno do
espectro autista.
É um teste com padronização brasileira e indicado para crianças
entre os 24 meses aos 60 meses de idade, essencialmente as
crianças que não se comunicam de forma natural e possuem
transtornos que podem indicar a presença do TEA.
Vineland
A escala adaptativa Víneland-3 é um instrumento utilizado
mundialmente para avaliar o comportamento adaptativo das
pessoas desde o nascimento até a idade adulta (90 anos). O
instrumento consiste em uma entrevista semiestruturada em
formato de questionário, a importância da avaliação está
relacionada a compreender as necessidades individuais de cada
pessoa, considerando os aspectos de toda vida.
Ou seja, não é um teste diagnóstico de avaliação de autismo, é
de comportamento adaptativo.
Associado a testes de inteligência a Vineland-3 fornece dados
críticos que ajudam no diagnóstico de deficiências intelectuais e
de desenvolvimento, apoia com informações valiosas para a
elaboração de planos educacionais e de Intervenção.
Com a Vineland-3 é possível medir o comportamento adaptativo
de indivíduos com deficiências intelectuais e de desenvolvimento,
Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade (TDAH), lesão cerebral pós-traumática,
deficiência auditiva e visual, doença de Alzheimer.
O tempo de aplicação pode variar de 30min a 1:30min
dependendo de quais formulários serão utilizados na avaliação.
Formulários: Entrevista e Formulário de Pais / Cuidadores do
nascimento aos 90 anos, Formulário de professor de 3 a 21 anos.
Quem aplica testes diagnósticos?
Por serem testes importantes para a avaliação de autismo, é
fundamental que eles sejam aplicados por especialistas que
entendam do assunto e saibam determinar as pontuações e
escalas atingidas.
O mais recomendado é que os testes sejam aplicados por
psicólogos e neuropsicólogos, pois são os profissionais que
possuem a capacitação mais adequada para realizar a avaliação
de autismo. Muitos testes possuem exclusividade e só podem ser
aplicados por psicólogos, ou seja, para comprar o teste, se faz
necessário apresentar a carteirinha do conselho regional de
psicologia.
Entretanto, algumas escalas são de uso mais livre, como a
CARS, a M-CHAT, podendo ser aplicadas mesmo em casa pelos
próprios pais, claro, não sendo possível fechar diagnóstico dessa
forma, mas pode ser interessante para avaliar alguns
comportamentos e poder ir até o neuropediatra com mais
informações das observações comportamentais.
A escolha do melhor teste e da melhor avaliação de autismo é
uma questão de cada profissional, que pode ter maior afinidade e
facilidade para a aplicação.
Outros documentos interessantes sobre autismo
O assunto do autismo ainda precisa ser muito discutido e
explorado, pois estamos falando de uma condição que tem
grande impacto na população. Desta maneira, selecionamos mais
alguns textos que debatem esse assunto e podem ser
interessantes para você aprofundar. O primeiro debate
as diretrizes do autismo, enquanto o segundo fala sobre
a triagem precoce para o autismo.
Conclusão
Nesse artigo, abordamos diversos testes que são utilizados para
a avaliação de autismo nas pessoas, cada um com as suas
particularidades e métodos para determinar esse espectro. Além
disso, destacamos que é fundamental que o diagnóstico e
avaliações neuropsicológicas sejam feitas por profissionais
especializados no assunto, como psicólogos e/ou
neuropsicólogos. Esses testes são instrumentos muito
importantes para definir o autismo ou não, principalmente nas
crianças.
Caso queira entender um pouco mais sobre o autismo leve, você
poderá entrar nesse post.
Caso queira entender um pouco mais sobre autismo em meninas,
você poderá entrar nesses dois posts: post 1, post 2.
Para mais informações e atualizações constantes, siga a Tia
Paulinha no instagram: clique aqui
Ou entre para nosso canal no telegram: Canal do Telegram das
Pauletes
Como saber se meu filho
tem autismo? Dicas em
2022.
Paulinha Psico Infantil
Olá, sou a Paulinha, psicóloga infantil com foco em transtornos do
neurodesenvolvimento. Crio conteúdos na internet desde 2015 e ajudo
milhares de mães e outras profissionais da área todos os dias aqui e em
minhas redes sociais.
1 outubro, 2020
Autismo, Diagnóstico, Mães e Pais
Afinal, o que é autismo?
Menino
autista brincando com pecinhas – como saber se meu filho tem
autismo – Paulinha Psico Infantil
O que é autismo?
Autismo é um transtorno do desenvolvimento infantil, de acordo
com o DSM-V ele afeta 3 grandes áreas do desenvolvimento da
pessoa: comunicação social, comportamentos repetitivos e
interesses restritos.
A comunicação social envolve a nossa habilidade de
comunicação com os outros e também, a habilidade de
compreensão social, ou seja, entender comportamentos sociais.
Os comportamentos repetitivos podem envolver estereotipias ou
stims, ou ainda, questões relacionadas à rotina, pensamento
rígido e inflexível, dificuldade de abstrair. Interesses restritos tem
relação com o hiperfoco de cada pessoa, ou seja, dentro do TEA
– transtorno do espectro autista, é comum um interesse
específico em algum tema, objeto, personagem, assunto… isso é
chamado de hiperfoco, a pessoa quer saber e falar somente
sobre aquele tema, repetidas vezes.
Prevalência de autismo no Brasil e no mundo
De acordo com informações do CDC – Center of Deseases
Control and Prevention, o autismo afeta 1 a cada 54 pessoas no
mundo. Assim, a estimativa é que no Brasil existam mais ou
menos 2 milhões de autistas.
Gr
áfico com a prevalência de autismo – como saber se meu filho
tem autismo – paulinha psico infantil
Foi em 1993 que o Transtorno do Espectro do Autismo passou a
integrar a CID – Classificação Internacional de Doenças da OMS
(Organização Mundial de Saúde). E ainda, em 2013 que mudou o
nome para TEA – Transtorno do Espectro do Autismo, ou seja, já
validando o espectro e as diferentes formas dele se manifestar
em cada pessoa. Você ainda quer saber como saber se seu filho
tem autismo, não é mesmo?
O TEA, é definido pela presença de déficits persistentes na
interação social e na comunicação. Até hoje ainda não se sabe a
causa do autismo, muitos estudos levam a pensar em causas
genéticas, unidas com fatores ambientais e sociais. Por isso o
diagnóstico é realizado, principalmente, por meio da observação
do paciente. Não existem exames que fecham o diagnóstico de
autismo.
Testes de avaliação do autismo
Existem muitos testes que poderão te ajudar a saber se seu filho
tem autismo, a maioria deles deve ser aplicado por uma
psicóloga especializada. Porém, alguns estão disponíveis na
internet e vocês poderá conhecer alguns fatores de investigação
do teste e pensar sobre esses comportamentos em seu filho.
escalas de avaliação para o autismo – como saber se meu filho
tem autismo – paulinha psico infantil
O teste Ados é único teste de avaliação para autismo padrão
ouro.
Os testes na foto que tem uma imagem de www com setinha, são
testes que você consegue encontrar online.
Clique em seus nomes para baixá-las:
ESCALA CARS
ESCALA ATA
ESCALA M-CHAT
O que são as estereotipias no autismo?
Gráfico
com a prevalência de autismo – como saber se meu filho tem
autismo – paulinha psico infantil
Se você quer realmente entender o “como saber se meu filho tem
autismo” , entender as estereotipias é um ponto essencial para
você. Primeiramente, saiba que STIMS ou estereotipias é
exatamente a mesma coisa, stims é a palavra em inglês para
estereotipias, porém, autistas adultos tendem a preferir chamar
as estereotipias de stims.
Afinal Tia Paulinha, para que servem os stims? Eles são formas
de regulação para pessoas com autismo. Regulação? Sim!
Regulação sensorial, emocional ou comportamental! A pessoa
autista usa diferentes formas de movimentar o corpo para
conseguir se organizar frente à uma situação ou estímulo.
Agora, pense comigo, quantas vezes você treme a perna quando
está ansiosa? Quantas vezes enrola o cabelo quando está com
vergonha? Quantas vezes não sabe o que fazer com as mãos em
uma foto ou palestra e fica nervosa e acaba mexendo,
escondendo ou colocando as mãos no bolso?
Eu mesma já reconheci que uma forma que eu encontrei de me
organizar quando eu ia palestrar era ficar mexendo nos anéis nos
dedos, pois eu sentia vergonha de falar em público e essa era
uma forma que me ajudava. OU SEJA, estereotipias nada mais
são do que formas de regulação da pessoa autista, o que muda é
que elas são formas não comuns, que a sociedade não está
acostumada a ver, mas, se elas não machucam a pessoa nem
ninguém ao redor dela, eles podem fazer estereotipias sim, não
segure a mão de seu filho, não proíba ele de pular, rodar ou se
balançar, é importante para o corpo dele.
Quem pode fazer o diagnóstico de autismo?
Médico
fazendo diagnostico autismo – como saber se meu filho tem
autismo – Paulinha Psico Infantil
O diagnóstico de autismo pode ser feito por neuropediatras,
psiquiatras, psicólogos e neuropsicólogos! Qualquer um desses
profissionais poderá te ajudar a fechar o diagnóstico de seu filho.
Recomendo ainda que você procure um profissional
especializado, busque indicação de outras mães e profissionais,
pois nem sempre um profissional que não entende de autismo
poderá te ajudar. Sabe quantas vezes as mães já ouviram a frase
“ah, ele não tem nada, vamos esperar”, ou “você está vendo
coisa onde não tem”.
E no final das contas, era sim autismo. Então saiba: NÃO
ESPERE, se você está lendo esse texto provavelmente você já
está na dúvida sobre alguns comportamentos de seu filho,
busque boas indicações de profissionais na sua cidade. Continue
lendo para mais informações para entender nosso texto: como
saber se meu filho tem autismo
Indicações de profissionais para diagnóstico de autismo
Aqui eu deixo uma lista criada por um autista adulto, que foi
agregando nomes e indicações de profissionais de diferentes
estados do Brasil, dê uma olhada nesse link: Acesse a lista
clicando aqui. Dentro desse link ele abre uma página de
destaques do instagram, clique até encontrar a sua cidade e
depois vá para o post, clicando novamente na imagem da foto.
Diagnóstico de autismo a partir do DSM-V
livro
dsm-5 – como saber se meu filho tem autismo – paulinha psico
infantil
Muitos pais e profissionais que estão começando na área do
autismo querem entender mais sobre afinal, COMO é feita a
avaliação do diagnóstico do autismo, como os médicos e
psicólogos fazem a avaliação sobre uma criança, um adolescente
ou um adulto ser ou não autista. Resolvi explicar para vocês
baseado no que, de fato, nós, terapeutas avaliamos o autismo.
Existe um manual diagnóstico de transtornos mentais, nesse
manual tem tuuuudo que você imaginar sobre os mais diversos
transtornos mentais, tem alguns que a gente até desconhece,
pois é um manual muito grande e ninguém nunca leu tudo. Ele é
mais como um item de pesquisa, que a gente vai procurar
quando está desconfiando de algum diagnóstico, e aí vamos lá
ler tudo o que o livro pode nos dizer sobre aquele caso.
O diagnóstico de autismo é feito a partir de três grandes áreas,
relatadas no DSM-V, o manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais. No DSM-V, temos as seguintes páginas
sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA):
Nesse link você terá acesso ao DSM-V completo em PDF, o que
poderá te ajudar a ler mais sobre o tema: Clique aqui
Diagnóstico diferencial do autismo
bebê em dúvida –
como saber se meu filho tem autismo – paulinha psico infantil
Quando um médico ou um psicólogo vai avaliar seu filho, eles
também aprendem sobre diagnóstico diferencial. E eu queria te
contar um pouco sobre esse tema, pois ele poderá ser essencial
na sua busca sobre o diagnóstico de autismo de seu filho ou nas
características de autismo.
O significado de diagnóstico diferencial, de acordo com o
wikipedia, é:
“O diagnóstico diferencial pode ser definido como uma hipótese
formulada pelo médico – tendo como base a sintomatologia
(sinais e sintomas) apresentada pelo paciente durante o exame
clínico – segundo a qual ele restringe o seu diagnóstico a um
grupo de possibilidades que, dadas as suas semelhanças com o
quadro clínico em questão, não podem deixar de ser elencadas
como provável. A partir do diagnóstico diferencial, o médico pode
selecionar testes terapêuticos, ou ainda, exames
complementares específicos a fim de se obter um diagnóstico
final ou de certeza.”
Para ter certeza que vocês está respondendo a sua pergunta
sobre como saber se meu filho tem autismo, você precisa
entender um pouco sobre diagnóstico diferencial também, por
isso eu trouxe esse texto para nos ajudar a pensar e entender
melhor.
Ou seja, existem alguns diagnósticos que podem ser confundidos
com autismo, então, o DSM-V alerta o médico ou o psicólogo
sobre esses possíveis diagnósticos relacionados, para que, na
avaliação clínica, o médico/psicólogo esteja atento com essas
outras questões possíveis.
Aqui apresento a lista de DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL para
autismo:
“(…) Síndrome de Rett.
Uma ruptura da interação social pode ser observada durante a
fase regressiva da síndrome de Rett (em geral, entre 1 e 4 anos
de idade); assim, uma proporção substancial das meninas
afetadas pode ter uma apresentação que preenche critérios
diagnósticos para transtorno do espectro autista. Depois desse
período, no entanto, a maioria dos indivíduos com síndrome de
Rett melhora as habilidades de comunicação social, e as
características autistas não são mais grande foco de
preocupação. Consequentemente, o transtorno do espectro
autista somente deve ser considerado quando preenchidos todos
os critérios diagnósticos.
Mutismo seletivo.
No mutismo seletivo, o desenvolvimento precoce não costuma
ser acometido. A criança afetada normalmente exibe habilidades
comunicacionais apropriadas em alguns contextos e locais.
Mesmo nos contextos em que a criança é muda, a reciprocidade
social não se mostra prejudicada, nem estão presentes padrões
de comportamento restritivos ou repetitivos.
Transtornos da linguagem e transtorno da comunicação social (pragmática).
Em algumas formas de transtorno da linguagem, pode haver
problemas de comunicação e algumas dificuldades sociais
secundárias. O transtorno específico da linguagem, porém, não
costuma estar associado a comunicação não verbal anormal nem
à presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento,
interesses ou atividades.
Quando um indivíduo apresenta prejuízo na comunicação social e
nas interações sociais, mas não exibe comportamentos ou
interesses restritos ou repetitivos, podem ser preenchidos
critérios para transtorno da comunicação social (pragmática) em
vez de transtorno do espectro autista. O diagnóstico de transtorno
do espectro autista se sobrepõe ao de transtorno da
comunicação social (pragmática) sempre que preenchidos os
critérios para transtorno do espectro autista, devendo-se indagar
cuidadosamente sobre comportamento restrito/repetitivo anterior
ou atual.
Deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) sem transtorno do espectro
autista.
Pode ser difícil diferenciar deficiência intelectual sem transtorno
do espectro autista de transtorno do espectro autista em crianças
muito jovens. Indivíduos com deficiência intelectual que não
desenvolveram habilidades linguísticas ou simbólicas também
representam um desafio para o diagnóstico diferencial, uma vez
que comportamentos repetitivos frequentemente também
ocorrem em tais indivíduos.
Um diagnóstico de transtorno do espectro autista em uma pessoa
com deficiência intelectual é adequado quando a comunicação e
a interação sociais estão significativamente prejudicadas em
relação ao nível de desenvolvimento de suas habilidades não
verbais (p. ex., habilidades motoras finas, solução de problemas
não verbais). Diferentemente, a deficiência intelectual é o
diagnóstico apropriado quando não há discrepância aparente
entre o nível das habilidades de comunicação social e outras
habilidades intelectuais.
Transtorno do movimento estereotipado.
Estereotipias motoras estão entre as características diagnósticas
do transtorno do espectro autista, de modo que um diagnóstico
adicional de transtorno do movimento estereotipado não é feito
quando tais comportamentos repetitivos são mais bem explicados
pela presença do transtorno do espectro autista. Quando as
estereotipias causam autolesão e se tornam um foco do
tratamento, os dois diagnósticos podem ser apropriados.
Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.
Anormalidades de atenção (foco exagerado ou distração fácil)
são comuns em pessoas com transtorno do espectro autista,
assim como o é a hiperatividade. Um diagnóstico de transtorno
de déficit de atenção/hiperatividade deve ser considerado quando
dificuldades atencionais ou hiperatividade excedem o tipicamente
encontrado em indivíduos de idade mental comparável.
Esquizofrenia.
Esquizofrenia com início na infância costuma desenvolver-se
após um período de desenvolvimento normal ou quase normal.
Há descrição de um estado prodrômico no qual ocorrem prejuízo
social, interesses e crenças atípicos que podem ser confundidos
com os déficits sociais encontrados no transtorno do espectro
autista.
Alucinações e delírios, características definidoras da
esquizofrenia, não são elementos do transtorno do espectro
autista. Os clínicos, entretanto, devem levar em conta que
indivíduos com transtorno do espectro autista podem ser
concretos na interpretação de perguntas sobre aspectos-chave
da esquizofrenia (p. ex., “Você ouve vozes quando não há
ninguém por perto?” “Sim [no rádio]”).”
Como saber se meu filho tem autismo?
bebê e
mamãe em dúvida – como saber se meu filho tem autismo –
paulinha psico infantil
Agora vou citar para você alguns sinais comuns para o
diagnóstico de autismo, devo dizer ainda, que NEM todo autista
irá apresentar exatamente esses sinais, ok? Por isso é tão
importante um profissional especializado.
Características e sintomas mais comuns para você saber se seu filho é
autista:
Pouco contato visual;
Dificuldades de comunicação, não necessariamente de
linguagem, seu filho pode falar, mas apresenta dificuldades
em se comunicar adequadamente;
Dificuldades sociais: evita brincar com outras crianças ou ao
contrário, quer tanto brincar com outras crianças que invade
o espaço delas sem entender as regras sociais do brincar;
Dificuldades com sono;
Seletividade alimentar;
Transtorno do processamento sensorial: tampa ouvidos
com barulhos como liquidificador, aspirador, secador,
carros. Não gosta de cortar o cabelo, nem as unhas. Não
gosta de sujar as mãos com tinta, comida ou qualquer outra
textura. Evita brincar com massinha, slime e outras texturas.
Parece ter dificuldades com equilíbrio e noção corporal.
Puxa adultos pelo braço, usa a mão do adulto como
ferramenta;
Dificuldades em resolução de problemas compartilhados;
Quando bebê era um bebê bastante irritado ou, extremo
oposto, muito passivo que nunca chorava, nem reclamava.
Não apontam para o que querem;
Pode apresentar ecolalia imediata ou tardia – repetição de
frases de desenhos, filmes, ou ainda, da frase que você
mesma disse;
Parecem prestar mais atenção à objetos que pessoas;
Dificuldade em sair da rotina, mudar rotas, ruas, horários;
Poucas estratégias para linguagem não-verbal, dificuldades
com gestos ou comunicações alternativas à fala;
Movimentos repetitivos corporais – estereotipias –
balançam o corpo, as mãos, pulos, flapping;
Alinham brinquedos, colocam objetos dentro e fora de
potes, parecem não ter repertório de brincar para novas
brincadeiras, tendem à repetição;
Possui baixa tolerância à frustração, chora muito quando
contrariado.
Essas são algumas características que você poderá se basear
para a sua pergunta: “como saber se meu filho tem autismo”.
Tenho certeza que algumas dessas características da lista
poderão te ajudar a pensar sobre os comportamentos de seu
filho.
Quais os principais níveis do autismo?
bebê e mamãe em dúvida – como
saber se meu filho tem autismo – paulinha psico infantil
De acordo com o DSM-V, temos 3 níveis de gravidade do
autismo. Ao observar esses níveis, você poderá entender melhor
sobre o diagnóstico de autismo e a sua avaliação entre leve,
moderado e grave. Como saber se meu filho tem autismo leve,
moderado ou grave?
Nível 1 – Graus de autismo – Necessidade de pouco apoio
Como saber se meu filho tem autismo leve?
Nível 2 – Graus de autismo – necessidade moderada de apoio
Como saber se meu filho tem autismo moderado?
Nível 3 – Graus de autismo – necessidade de apoio muito substancial
Como saber se meu filho tem autismo grave?