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Guião Apresentação

O documento analisa os poemas "O Sentimento dum Ocidental" e "A Débil" de Cesário Verde. Resume as principais ideias de cada poema, incluindo os temas, personagens e críticas sociais presentes. Também fornece contexto biográfico sobre Cesário Verde e sua importância para a poesia portuguesa.

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O documento analisa os poemas "O Sentimento dum Ocidental" e "A Débil" de Cesário Verde. Resume as principais ideias de cada poema, incluindo os temas, personagens e críticas sociais presentes. Também fornece contexto biográfico sobre Cesário Verde e sua importância para a poesia portuguesa.

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Análise do poema “O Sentimento dum

Ocidental” 
Espaço: Cidade de Lisboa 
Tempo: Noite (“Ao anoitecer”) 
Neste poema, o sujeito poético deambula (vagueia sem destino) pela
cidade noturna e descreve o que vê, ouve e sente. 

Análise do poema 
1º estrofe 
O sujeito poético sente-se atormentado devido ao som das grades que
indica o anoitecer na cadeia (vv.1 e 2). 
As crianças e as velhinhas são presas no Aljube (prisão), porém as
mulheres ricas (“mulher de «dom»”) não são presas. Aqui podemos
presenciar uma crítica à injustiça social (vv.3 e 4). 
A pontuação “!” no último verso indica a indignação do poeta. 

2º estrofe 
O sujeito poético compara a sensação de ter um aneurisma com a
perceção da realidade relativa à injustiça relatada na 1º estrofe (“ao
acender das luzes”) (vv.5 e 6) e fazendo com que este se sinta doente. 
Ao reparar que realidade são as prisões, a velha Sé e as Cruzes, fazem-no
sentir-se entristecido, projetando assim uma sensação de angústia interior
(vv.7 e 8). 

3º estrofe 
A escuridão que se encontrava na alma do sujeito poético e no ambiente
exterior, parece ser alegrado por tascas e tendas iluminadas, fazendo
movimentar-se a cidade. 
Aqui também podemos reparar na perceção sensorial de Cesário, quando
este através da sua visão capta os “reflexos brancos” (v.11) da realidade
que o rodeia. 

4º estrofe 
As antigas igrejas (“saudoso largo”) (v.13) relembram o sujeito poético da
horrível história da igreja católica, a Inquisição (“nódoa negra e fúnebre do
clero”) (v.14). 
Assim, o sujeito poético acaba por explorar a grandiosa História
portuguesa para esquecer a triste realidade que presencia (“pela História
eu me aventuro e alargo”) (v.16). 
5º estrofe 
O sujeito poético relembra o grande terremoto de 1755 que destruiu
Lisboa, deixando assim, uma abertura para a construção de uma nova
cidade, mais moderna. 
Este, ao visitar a parte reconstruída da cidade, sente-se desiludido e
afrontado com as grandes subidas (“Afrontam-me, no resto, as íngremes
subidas”) (v.19), e com o ambiente religioso dos sinos (“E os sinos dum
tanger monástico e devoto”) (v.20). 

6º estrofe 
O sujeito refere e homenageia Camões pela sua obra “Os Lusíadas”, onde
exalta os feitos dos portugueses durante os Descobrimentos e também
refere que este é o suporte da nação (“Um épico doutrora ascende, num
pilar!”) (v.24). 

7º estrofe 
A sensibilidade do sujeito poético é desencadeada pelo sofrimento das
pessoas de corpos atrofiados devido a doenças como a cólera e a febre (“E
eu sonho o Cólera, imagino a Febre”) (v.25). 
Este também mostra aversão para com os soldados que preservam tal
realidade de sofrimento (“Sombrios e espectrais recolhem os soldados”)
(v.27). 

8º estrofe 
O sujeito poético relembra os tempos que passaram e compara os arcos
dos quartéis com os antigos conventos que ali existiram (“Dos arcos dos
quartéis que foram já conventos”) (v.30). Há uma denúncia às ações
repressivas dos soldados e do clero. 
Dá para perceber o medo imposto pelos soldados que desacelerava os
passos do povo da cidade (“a passos lentos”) (v.31). 

9º estrofe 
O sujeito poético, triste com a cidade, teme que esta o faça relembrar de
um antigo amor (“Uma paixão defunta!”) (v.34). 
Podemos perceber uma certa crítica às mulheres da aristocracia que se
alegram ao observar as montras de ouvires, pois têm possibilidades para
comprar (“Curvadas a sorrir às montras dos ourives”) (v.36). 

10º estrofe 
O sujeito poético sente-se perturbado pelas costureiras e floristas que têm
uma vida dupla, isto é, de dia têm uma profissão e de noite têm uma mais
duvidosa (“E muitas delas são comparsas ou coristas”) (v.40). Há um
contraste dos tipos sociais (desta estrofe com a estrofe anterior), onde as
mulheres de alta classe social compram joias, enquanto as de classe baixa
têm de se prostituir para sobreviverem. Esta crítica mostra que o poeta
tem consciência social. 

11º estrofe 
O sujeito poético faz uma referência a Eça de Queirós, que é conhecido
por utilizar um monóculo mostra estar atento aos detalhes e íntegro ao
apresentar-se de luneta de uma lente só.  

____________________________________________________________

“A débil” 
O poema “A Débil” de Cesário Verde foi escrito em 1875 e os seus temas
são a figura feminina do povo e a paixão.  
 
Espaço: Cidade 
Tempo: Dia do funeral do rei 
O sujeito poético caracteriza negativamente as cidades, assim se
destacando a mulher, que torna estes locais mais agradáveis.

A personagem principal é a “débil”. É retratada como pura e simples, em


contraste com a típica mulher provocante e deslumbrante.  
Esta figura feminina está associada à mulher do povo e do campo, que não
está integrada na cidade por ser diferente dos demais, assim destacando-
se e provocando uma paixão no sujeito poético.

 
Análise do poema 
1ªEstrofe 
- Contraste entre o sujeito poético e a mulher “Eu, que sou feio, sólido,
leal/ A ti, que és bela, frágil, assustada” (tripla adjetivação) 
- O sujeito lírico imagina uma relação com a “débil”. 

2ªEstrofe 
- A cidade tem mau ambiente 
- Pode haver aqui uma crítica à sociedade, que é corrupta e corrompe a
cidade.  
“Sentado à mesa dum café devasso”, “Nesta Babel tão velha e
corruptora” 
3ªEstrofe 
- A mulher era uma boa pessoa que socorria os necessitados “E, quando
socorreste um miserável” (hipérbole) 
- O absinto representa o vício no álcool “Eu, que bebia cálices de absinto” 
- A “débil” inspira o sujeito lírico com a sua bondade “Que me tornas
prestante, bom, saudável.” 

4ªEstrofe e 5ªEstrofe 
- Desejo do sujeito poético pela “débil”. Há muita descrição, tanto da
“débil” como do espaço, sendo possível visualizar. "E pus-me a olhar,
vexado e suspirando, /O teu corpo que pulsa, alegre e brando, / Na
frescura dos linhos matinais. / Via-te pela porta envidraçada; / E invejava,
— talvez que não o suspeites! -/ Esse vestido simples, sem enfeites, /
Nessa cintura tenra, imaculada.” 

6ªEstrofe 
- Uma multidão voltava do funeral do rei “Uma turba ruidosa, negra,
espessa, / Voltava das exéquias dum monarca.” (exéquias - orações) 

7ªEstrofe 
 - O sujeito poético reforça a admiração que sente pela mulher e a sua
simplicidade “Adorável!” (exaltação) “Tu, muito natural, / Seguias a pensar
no teu bordado;” – Cria-se o cenário, vê a estátua do rei “Avultava, num
largo arborizado, / Uma estátua de rei num pedestal.” 

8ªEstrofe 
- Ao contrário das outras mulheres da cidade, a “débil” era acompanhada
pela sua mãe. A mãe e a filha representam a família do povo “E ao claro
sol, guardava-te, no entanto, / A tua boa mãe, que te ama tanto, / Que
não te morrerá sem te casares!” 

9ªEstrofe 
- O dia melhorou graças à “débil”. “Soberbo dia!” O “!” mostra
entusiasmo 
- O sujeito poético acha-a perfeita, comparando-a com a beleza grega
“Impunha-me respeito/ A limpidez do teu semblante grego;” 
 - Ele deseja-a e imagina uma família com a mulher “E uma família, um
ninho de sossego, / Desejava beijar sobre o teu peito.” 

10ªEstrofe 
- Mais elogios à “débil”, que é elegante e não se exibe “Com elegância e
sem ostentação,” 
- Há contraste entre a claridade da “débil” e a escuridão das batinas dos
padres “Atravessavas branca, esbelta e fina, / Uma chusma de padres de
batina, E de altos funcionários da nação” 

11ªEstrofe 
- Há uma grande multidão devido ao funeral do rei. Esta provoca uma
confusão, podendo a “débil” ser pisada  
“Mas se a atropela o povo turbulento! / Se fosse, por acaso, ali pisada!"/
De repente, paraste embaraçada / Ao pé dum numeroso ajuntamento.

12ªEstrofe 
- Subjetividade do poeta: Metáfora - a pombinha representa a “débil” e o
bando ameaçador de corvos pretos são os padres. Aqui há uma crítica aos
padres que ameaçam a pureza  
“E eu, que urdia estes fáceis esbocetos, / Julguei ver, com a vista de
poeta/ Uma pombinha tímida e quieta/ Num bando ameaçador de corvos
pretos.”   

13ª Estrofe 
- Há uma diferença entre a descrição do próprio sujeito poético desta
quadra e da 1ª quadra: o sujeito lírico agora considera-se “hábil, prático e
víril” como o homem do campo e agora acha-se capaz e quer dedicar a sua
vida a proteger a “dócil” mulher. 
 
Corrente realista 
 O sujeito poético faz referências à realidade da sociedade da
época, utilizando a crítica e a ironia.  
 O poeta inspira-se no mundo externo, material e concreto.
Descreve a realidade tal como é, e as personagens são
observadas no meio social onde vivem, de forma objetiva e crua.
Valoriza a descrição pormenorizada de cenários, ambientes e
personagens.  
 
Cesário Verde 
José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa no dia 25 de fevereiro de
1855. Cesário Verde teve uma origem humilde, era filho de um
comerciante e agricultor chamado José Anastácio Verde e de Maria da
Piedade dos Santos Verde. Em 1873, inicia seus estudos acadêmicos no
Curso Superior de Letras, mas frequenta as aulas por apenas alguns
meses. Neste período, acaba conhecendo um amigo que levaria para o
resto da vida, Silva Pinto, também português e escritor. Naquela época, as
atividades de Cesário eram produzir muitas poesias, que acabavam sendo
publicadas em periódicos, além de trabalhar no comércio, ofício que
herdara de seu pai. 
Cesário Verde faleceu de tuberculose, aos 30 anos, em 19 de julho de
1886. Silva Pinto, em sua homenagem, organizou uma compilação com a
poesia do amigo, que chamou de “O Livro de Cesário Verde”.  Este livro foi
publicado, em 1901. 
Cesário Verde foi inovador na poesia. Escreveu sobre o quotidiano e sobre
os problemas da sociedade da época. Além disso, a sua poesia tem
características narrativas, pois há localização no espaço e no tempo,
personagens e descrição pormenorizada de detalhes, que estão de acordo
com a sua perceção das coisas. Cesário foi o poeta do olhar, já que com as
descrições que fez, das cores e sons, traz sensações (impressionismo). 
 
Antero de Quental 
Antero Tarquínio de Quental nasceu em 18 de abril de 1842, em Ponta
Delgada, São Miguel. Fez faculdade de Direito na Universidade de Coimbra
e foi o principal porta-voz do realismo no debate literário conhecido como
a Questão Coimbrã. Publicou seu primeiro livro — Sonetos de Antero —
em 1861. 
Fez parte da geração de 70, que introduziu o realismo em Portugal. Apesar
disso, as obras do autor também apresentam traços românticos, como a
melancolia e o misticismo. No entanto, chama atenção o racionalismo
verificado no rigor formal de seus sonetos. 
O poeta cometeu suicídio em 11 de setembro de 1891. 
 
Geração de 70 
A Geração de 70 surge numa época em que existe no país um romantismo
voltado sobretudo para os problemas nacionais. É composta por um grupo
de jovens universitários portugueses que manifestam descontentamento
com o estado da cultura e das instituições nacionais.  
Em 1865, Antero de Quental como figura principal, e ainda Ramalho
Ortigão, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins,
Jaime Batalha Reis e Guilherme de Azevedo iniciam um movimento que irá
marcar a cultura portuguesa. 
Em 1865 surgiu a chamada Questão Coimbrã, onde se confrontaram duas
conceções de literatura: uma alienada e perfeitamente decorativa, o
Ultrarromantismo e outra, defendida por Antero de Quental, que defendia
uma literatura em que os problemas da sociedade deveriam ser
abordados e alvo de reflexão (Realismo). 
 Em 1871, este grupo organizou as Conferências do Casino, que pretendia
debater os problemas do país e aproveitar a onda de mudança que se
vivia noutros pontos da Europa.  
Antero proferiu as duas primeiras conferências: "O espírito das
conferências" onde afirmou a necessidade de regenerar Portugal "pela
educação da inteligência e pelo fortalecimento da consciência dos
indivíduos" e "Causas da decadência dos povos peninsulares", onde tenta
explicar as razões do atraso português e do atraso espanhol a partir do
século XVII. 

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