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Saúde Mental de Crianças na Pandemia COVID-19

Este artigo apresenta uma revisão integrativa sobre o impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental de crianças e adolescentes. A pesquisa encontrou que fatores estressantes como distanciamento social, fechamento de escolas e incertezas econômicas pioraram a saúde mental e aumentaram problemas psicológicos nesses grupos. A conclusão é que o suporte socioemocional é necessário para mitigar os efeitos psicológicos da pandemia nessas idades.
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Saúde Mental de Crianças na Pandemia COVID-19

Este artigo apresenta uma revisão integrativa sobre o impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental de crianças e adolescentes. A pesquisa encontrou que fatores estressantes como distanciamento social, fechamento de escolas e incertezas econômicas pioraram a saúde mental e aumentaram problemas psicológicos nesses grupos. A conclusão é que o suporte socioemocional é necessário para mitigar os efeitos psicológicos da pandemia nessas idades.
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Brazilian Journal of Development 6901

ISSN: 2525-8761

Impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental de crianças e


adolescentes: uma revisão integrativa

The impact of COVID-19 pandemic on mental health of children and


adolescents: an integrative review

DOI:10.34117/bjdv7n1-466

Recebimento dos originais: 01/01/2021


Aceitação para publicação: 18/01/2021

Alicce Abreu da Mata


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Ana Carla Ferreira Lana e Silva


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Flávia de Souza Bernardes


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Gabriel de Araújo Gomes


Discente de Medicina
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
Endereço: Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, São Pedro – Juiz de
Fora, MG, CEP: 36036-900
E-mail:[email protected]

Igor Roriz Silva


Discente de Medicina
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
Endereço: Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, São Pedro – Juiz de
Fora, MG, CEP: 36036-900
E-mail: [email protected]

João Pedro Silva Costa Meirelles


Discente de Medicina
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
Endereço: Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, São Pedro – Juiz de
Fora, MG, CEP: 36036-900
E-mail: [email protected]

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Brazilian Journal of Development 6902
ISSN: 2525-8761

Lara Gomes Soares


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Luiz Paulo Cotta Garcia


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Maria Beatriz Silva Ferreira


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Paula de Souza Bernardes


Discente de Medicina
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

Prof. Dra. Laura de Souza Bechara


Docente de Psicologia Médica
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA/JF
Endereço: Alameda Salvaterra, 200, Salvaterra - Juiz de Fora, MG, CEP: 36033-003
E-mail: [email protected]

RESUMO
INTRODUÇÃO: A pandemia de COVID-19 evidentemente afetou a saúde mental. As
crianças e os adolescentes são especialmente mais vulneráveis aos impactos dos eventos
estressores e com isso estão mais susceptíveis ao desenvolvimento de problemas
psicológicos e psiquiátricos. METODOLOGIA: Foi realizada uma pesquisa nas bases de
dados MedLine e SciELO em setembro e outubro de 2020. Incluiu-se nesta revisão
integrativa estudos qualitativos e quantitativos, revisões de literatura e estudos teórico-
reflexivos em inglês ou português publicados em 2020, excluindo-se os que não
analisaram crianças e adolescentes entre 2 a 24 anos. RESULTADOS: A partir da busca
foram encontrados 247 artigos e após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão,
além da leitura dos resumos, 11 foram selecionados. Fatores estressores como o
distanciamento social, o fechamento das escolas e das universidades, a recessão
econômica, a violência doméstica e as incertezas do curso da pandemia influenciaram
negativamente a saúde mental das crianças e dos adolescentes, resultando em aumento da
prevalência de transtornos psicossomáticos. CONCLUSÃO: Essa revisão aponta para a
necessidade da rede de apoio baseada no suporte socioemocional para minorar os efeitos
psicológicos da pandemia de COVID-19 nas crianças e adolescentes.

Palavras-chave: “Saúde mental”, “Crianças”, “Adolescentes”, “COVID-19 pandemia”

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ABSTRACT
BACKGROUND: The COVID-19 pandemic has clearly affected mental health. Children
and adolescent are especially vulnerable to the impacts of stressful events and therefore
more susceptible to develop phychological and psychiatric disorders. METHODS: A
search was performed in the MedLine and SciELO databases in September and October
2020. Qualitative and quantitative studies, reviews and theoretical-reflective studies in
English or Portuguese published in 2020 were included, those which did not included
children and adolescents between 2 and 24 years were excluded. RESULTS: Initially,
247 articles were found and after applying the exclusion and inclusion criteria and reading
the abstracts, 11 were selected. The main reasons for the negative effect of the pandemic
on the mental health are the stress factors such as social distancing, school and university
closure, economic recession, domestic violence, fear of the course of the pandemic. The
result was the increase in the prevalence of psychosomatic and neuropsychiatric
manifestations on the children and adolescents. CONCLUSIONS: The present study
shows the importance of the support group based on emotional and social help to mitigate
the psychological effects of COVID-19 on children and adolescents.

Keywords: “Mental health”, “children”, “adolescents”, “COVID-19 pandemic”.

1 INTRODUÇÃO
A saúde mental se relaciona diretamente a uma boa qualidade vida, promovendo
felicidade e autoconfiança para lidar com as adversidades. Estima-se que
aproximadamente 10-20% das crianças e dos adolescentes do mundo apresentam algum
problema nessa frente psíquica, liderando o quadro de diagnósticos clínicos nessa faixa
etária. Suas consequências perduram por toda a vida, mas mesmo assim são
negligenciadas pelo governo e estigmatizadas pela população (KIELING C et al. 2011).
A pandemia da infecção causada pelo SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome
coronavírus 2) denominada Doença coronavírus 2019 ou COVID-19 amplifica os fatores
estressores do psiquismo e influencia negativamente a saúde mental (YOSHIKAWA H et
al 2020).
Ao avaliar as questões sociais e psicológicas da pandemia, é visível que esse
momento tem grande potencial de afetar o desenvolvimento neuropsíquico das crianças.
Nessa faixa etária, devido a fase do neurodesenvolvimento infantil, as mesmas são
especialmente vulneráveis a eventos de estresse em virtude da compreensão limitada da
situação, da incapacidade ou dificuldade de formar estratégias de enfrentamento e do
bloqueio em expressar seus sentimentos e angústias (IMRAN N et al. 2020). Esses fatores
em conjunto ao medo propiciado pela perda ou separação dos cuidadores podem resultar
em sofrimento mental imediato ou a longo prazo, incluindo maior risco de desenvolver
transtornos de humor e psicose, e suicídio na idade adulta (LIU JJ et al. 2020).

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De forma análoga, o desenvolvimento psicobiológico na adolescência também está


associado a grandes mudanças emocionais e cognitivas, já que ocorre amadurecimento do
cérebro promovendo alterações estruturais em muitas regiões límbicas e corticais. Essas
regiões são sensíveis aos efeitos da exposição crônica ao estresse, influenciando na função
psicológica do jovem. (ROMEO RD et al. 2020). Concomitantemente, o advento da
puberdade e as mudanças hormonais nesse período propiciam maior avidez aos
relacionamentos e status social (IMRAN N et al. 2020). Desse modo, com o isolamento
social obrigatório compondo uma das principais medidas sanitárias para achatarem a curva
de contaminação pela COVID-19, os adolescentes e também as crianças experimentam
maiores sentimentos de solidão, acarretando efeitos negativos na saúde mental através de
sintomas de ansiedade, depressão, distúrbios no sono e no apetite (YOSHIKAWA H et al.
2020).
Além disso, a crise econômica e consequente aumento da pobreza e desnutrição
infantil, a diminuição dos cuidados de saúde, o afastamento ou perda de seus cuidadores,
o fechamento das escolas e universidades, a falta de contato interpessoal e a veiculação de
informações incertas ou falsas são fatores que impactam negativamente o bem-estar
psicológico das crianças e dos adolescentes durante a pandemia de COVID-19
(YOSHIKAWA H et al. 2020).
O processo deficitário de promoção em saúde durante esse período é ainda mais
evidente na população previamente marginalizada socioeconomicamente ou naqueles que
já sofriam com problemas crônicos psicológicos e psiquiátricos. Essa situação de
desigualdade é agravada pela maior susceptibilidade a maus tratos por parentes,
inacessibilidade a telemedicina, notável redução da renda familiar e negligência nos
cuidados básicos de vida. (IMRAN N et al. 2020; FEGERT JM et al. 2020).
Diante do contexto pandêmico, os fatores de risco e de proteção da saúde mental
ainda não são bem delimitados pelas evidências cientificas produzidas a partir do grupo
estudado. Portanto, devido a pertinência do assunto, o presente estudo objetivou a
disseminação de conhecimento dos fatores agravantes do sofrimento psíquico com o
intuito de identificar estratégias intervencionistas durante a pandemia de COVID-19 e na
fase de retorno e adaptação ao “novo normal”. Essas informações poderão subsidiar uma
melhoria na percepção das crianças e dos adolescentes sobre seu funcionamento em
diversas áreas da vida, como os aspectos sociais, físicos e psicológicos.

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2 METODOLOGIA
Para realização desta revisão integrativa, foi realizada uma pesquisa nas bases de
dados National Library of Medicine (MedLine) e Scientific Electronic Library Online
(SciELO), durante o mês de setembro e outubro de 2020, avaliando estudos publicados
até dia 6 de outubro deste ano. A questão norteadora para a produção do presente estudo
foi: “Qual o impacto ou efeito da pandemia da COVID-19 na saúde mental das crianças e
dos adolescentes?”. Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “child”, “adolescents”,
“mental health”, “COVID-19 pandemic”, e suas variações no Medical Subject Headings
(MeSH) foram utilizadas para a construção da frase de pesquisa.
Os critérios de inclusão foram estudos qualitativos e quantitativos, revisões de
literatura e estudos teórico-reflexivos, publicados em inglês ou português no ano de 2020
que se relacionavam diretamente ao tema. Excluiu-se duplicatas e aqueles estudos que não
analisaram as repercussões da pandemia na saúde mental crianças e adolescentes entre 2
a 24 anos de idade, carta aos editores, ponto de vista, editorias e comentários. Para definir
o limite de idade dos participantes foi considerado a faixa etária da adolescência entre 10
a 24 como proposto por pesquisadores do Centro de Saúde do Adolescente de Melbourne,
Austrália (SAWYER SM et al. 2018).

3 RESULTADOS
Inicialmente foram identificados 247 artigos (PubMed: 178; SiELO: 69) nas fontes
consultadas, e depois da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão 156 publicações
(PubMed: 65; SiELO: 46) foram encontradas. Após a leitura dos resumos completos, os
que não estavam relacionados a temática proposta foram retirados e 10 estudos (PubMed:
7; SiELO: 3) foram selecionados para compor o escopo deste trabalho. Um artigo foi
analisado e adicionado à revisão através da busca continuada, totalizando 11 estudos.
Os artigos analisados foram separados conforme autoria, ano de publicação e
metodologia, e os fatores de risco e fatores protetores relacionados à saúde mental em
crianças e adolescentes estão demonstrados na Tabela 1 em conjunto com seus
respectivos resultados.

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Tabela 1 – Síntese dos estudos selecionados sobre impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental de
crianças e adolescentes.
Autores
(ano de
publicaçã Amos
Resultados Fatotes de risco Fatores protetores
o) tra
Metodolog
ia
Grupo A · Quarentena e isolamento · Acesso às
121
apresentou maior social informações sobre a
crianças e
sofrimento · Tédio e restrição de doença
Saurabh adolescent
psíquico do que atividades · Contato com entes
K, es em
grupo B (p · Preocupação em se queridos através das
Ranjan S quarentena
˂0.001). No infectar ou infectar outros mídias sociais
(2020) (A) e 131
entanto, grupo B · Perdas financeiras da · Rede colaborativa de
sem fazer
também família psiquiatras,
Estudo de quarentena
apresentou maior · Indisponibilidade dos psicoterapeutas,
Coorte (B) de 9 a
nível de estresse suprimentos básicas da vida voluntários da
18 anos
na pandemia. · Incertezas futuras comunidade
· Interrupção dos · Conscientização do
Prevalência de
Zhou SJ 8079 vestibulares COVID-19
sintomas
et al. estuda · Efeitos negativos sobre o (conhecimento,
depressivos
(2020) ntes de desenvolvimento medidas de prevenção
(43,7), de
Estudo 12 e 18 acadêmico e controle e projeções
ansiedade
Transve anos · Informações falsas de tendência)
(37,4%) e ambos
rsal · Alta das taxas de infecção · Intervenções
(31,3%)
· Isolamento social psicológicas
Prevalência de
· Vício em smartphone e
sintomas
internet
depressivos nos
Duan L, · Graduação afetada
estudantes foi de · Intervenções
et al. 3613 · Infecção de familiares e
22,28% durante psicológicas online e
(2020) estuda amigos
o surto precoces
ntes de · Rumores e desinformação
Níveis de · Estilo de
Estudo 7 a 18 sobre as origens da doença
ansiedade: enfrentamento focado
Transver anos infecciosa
crianças (23,87 em problemas
sal · Isolamento social
± 15,79) e
· Estilo de enfrentamento
adolescentes
focado em emoções
(29,27 ± 19,79).
· Informações
Indivíduos com confiáveis
Zhang Q 896 alta resiliência · Controlar o
· Interrupção da
et al. estuda emocional conhecimento para
aprendizagem
(2020) ntes de podem se evitar pânico
· Fechamento das escolas
Estudo 12 a recuperar de excessivo
· Falta de relacionamentos
Transver 14 emoções · Intervenção
interpessoais
sal anos negativas mais psicológica
rapidamente. · Resiliência
emocional

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· Isolamento social · Comunicação virtual


· Estilo de vida sedentário com parentes e amigos
· Fechamento das escolas e · Exercicios fisicos em
tédio locais internos
A pandemia de · Medo das incertezas do · Manutenção de uma
Ghosh R COVID-19 curso da pandemia rotina
et al. cursou com · Falta de espaço pessoal · Promover o acesso
(2020) uma maior em casa as tecnologias para
-
carga de · Problema financeiro toda população
Revisão sofrimento familiar · Campanhas de
Narrativa psíquico nas · Medo de ser infectado conscientização contra
crianças. e/ou infectar parentes o abuso infantil e
· Abuso e violência infantil promoção de
instalações e apoio
psicológico aos
sobreviventes
Loades O distanciamento · Relações mediadas
MA et al. social e a solidão pela internet
63 · Isolamento social
(2020) aumentaram o · Apoio psicológica
estudo · Perder vínculo/contato
Revisão risco de online
s com outras pessoas
Sistemátic depressão e · Intervenções de
a ansiedade. autoajuda
· Interações familiares
A pandemia é · Elucidar a
Oliveira · Isolamento social
considerada um importância das
WA et al. · Fechamento das escolas
determinante medidas sanitárias
(2020) · Desaceleração econômica
11 que afeta a · Ações de promoção
Revisão · Vulnerabilidade a
estudos saúde mental de saúde
Sistemáti situações de violência
dos · Desenvolvimento da
ca doméstica
adolescentes. responsabilidade
social
Pontos na
DASS-21:
Período normal:
ansiedade (3,31
M e 2,74 H),
depressão (3,39
Maia BR M e 3,49 H); · Manutenção do estilo
619
et al. estresse (6,11 M de vida saúdavel
universi · Medidas de confinamento
(2020) e 5,22 H) · Apoio através de
tários · Informações a cerca dos
Período tecnologias
entre óbitos
Estudo pandêmico: · Estrátegias para
18 e 25
Transve ansiedade lidar com situações
anos
rsal (12,41 M e adversas
11,92 H);
depressão (12,
67 M e 16, 61
H); ansiedade
(14,20 M e
13,78 H)
Transtornos · Perda da liberdade · Criação ou o
mentais são · Isolamento social aprimoramento de
Rodrigues
deflagrados · Incertezas sobre a situação núcleos de apoio
BB et al.
e/ou da doença psicossocial aos
(2020)
31 desencadeados · Preocupação com a discentes
estudos nessa pandemia formatura · Atendimentos
Revisão
e a educação · Preocupação com o futuro psicológicos online
Narrativ
médica mercado de trabalho e · Avaliação continua
a
também sofre ingresso na residência dos modos de ensino
impactos ·Medo de transmissão do usadas pelos centros

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negativos nesse vírus para parentes acadêmicos


momento. · Oportunidades reduzidas
de aprendizado prático
· Efeitos negativos
econômicos · Adoção
de novas metodologias de
ensino universitário
2 semanas após a
abertura escolar
vs. antes do
ínicio do surto:
Zhan Sintomas
g L et depressivos:
al. 24,9% vs. 18,5%;
1241
(2020) auto-lesão não-
estudant · Fechamento escolar
suicida 42,0% vs.
es entre · Isolamento social -
Estudo 31,8%; ideação
9 a 15
de suicida: 29,7%
anos
coorte vs. 22,5%; plano
longitudi de suicídio 14,6%
nal vs. 8,7%; e
tentativa de
suicídio 6,4% vs.
3,0%; ansiedade:
15,9% vs. 13,5.
Perturbação
sub-limiar · Incentivo ao
(43%), exercício diário
distúrbios leves · Saúde mental dos pais · Intervenção
(30,5%), afetada psicológica
Yeasm distúrbios · Abuso infantil · Melhoria das
in S et 384 pais moderados · Comportamento anormal condições financeiras
al. de (19,3%) e dos pais para os filhos dos pais
(2020) crianças distúrbios grave · Capacidade dos pais
de 5 a 15 (7,2%) durante em não afetarem seu
Estudo anos o período de papel devido as dores
Transvers confinamento. emocionais
al Valores · Resiliência
relacionados a emocional
depressão,
ansiedade e
disturbios do
sono.
Fonte: Autoria própria, 2020
Nota: EADS-21: Escalas de Ansiedade, Depressão e Stress; M: Mulher; H: Homem.

O distanciamento social e a quarentena são as medidas sanitárias mais eficazes


para frear a disseminação da infecção pelo Sars-CoV-2 até hoje evidenciadas e foram
amplamente utilizadas para prevenir a transmissão da COVID-19 no mundo inteiro
(SAURABH K et al. 2020). Entretanto, apesar de benéfico à saúde física, a separação das
crianças dos seus cuidadores pode causar consequências psicológicas a longo prazo,
incluindo transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade, depressão e até
tendência suicida (GHOSH R et al. 2020; LOADES MA et al. 2020). Isso ocorre pois o

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contato interpessoal é essencial a natureza humana e é componente fundamental para o


desenvolvimento neuropsicológico adequado das crianças e dos adolescentes (SAURABH
K et al. 2020; LOADES MA et al. 2020).
Desse modo, um estudo ao analisar comparativamente crianças em quarentena e
as que não fizeram quarentena identificou que o primeiro grupo cursou com
significativamente mais sofrimento psíquico do que o grupo controle (p < 0.001).
Aproximadamente 68% dos participantes em quarentena apresentaram algum problema
psicológico e os sentimentos mais experimentados foram preocupação, desamparo e
medo. Entretanto, é válido evidenciar que todos os indivíduos avaliados no estudo
cursaram com maiores níveis de estresse durante a pandemia de COVID-19 comparando
ao período precedente (SAURABH K et al. 2020).
Um estudo de coorte avaliou os estudantes em dois momentos: antes do
fechamento das escolas no período pré-pandêmico e duas semanas após a reabertura
escolar. Nessa segunda etapa, os participantes experimentaram significativamente mais
sintomas depressivos (p = 0.001), auto-lesão sem intenção suicida (p < 0.001), ideação
suicida (p = 0.008), plano de suicídio (p < 0.001) e tentativa de suicídio (p < 0.001) do
17
que antes do início do surto de COVID-19. Esse achado corrobora com a associação
entre o isolamento social e futuros problemas de saúde mental entre crianças e
adolescentes (SAURABH K et al. 2020; GHOSH R et al. 2020; LOADES MA et al. 2020;
MAIA BR e DIAS PC, 2020; ZHANG L et al. 2020).
Nessa mesma ótica, o fechamento das escolas e das universidades impactou
negativamente o bem-estar dessa parte da população (ZHOU SJ et al. 2020; GHOSH R et
al. 2020; OLIVEIRA WA et al. 2020; MAIA BR e DIAS PC, 2020; RODRIGUES BB et
al. 2020; ZHANG L et al. 2020). Um estudo transversal conduziu uma pesquisa com
universitários através do questionário Escalas de Ansiedade, Depressão e Stress (DASS-
21) que concluiu um aumento significativo (p < 0.001) de perturbação psicológica no
período pandêmico quando comparados a períodos anteriores normais (MAIA BR e DIAS
PC, 2020)
Essa questão se relaciona diretamente à solidão e distanciamento de amigos e
professores, à ausência de aconselhamento profissional nas dependências estudantis, à
perda da liberdade de ir e vir, à preocupação com o futuro do mercado de trabalho em que
serão inseridos e ao atraso da graduação (RODRIGUES BB et al. 2020). Além disso, a
interrupção de provas importantes como os vestibulares, as novas metodologias
tecnológicas de ensino e a queda no desenvolvimento acadêmico proporcionaram maior

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desgaste mental aos estudantes nesse período (ZHOU SJ et al. 2020; DUAN L et al. 2020).
É necessário evidenciar que esses ambientes não promovem apenas o ensino pedagógico,
mas auxiliam na nutrição dos estudantes, na prática de atividades físicas e na higiene
pessoal, de forma que o estilo de vida saudável por completo foi afetado durante a
pandemia (GHOSH R et al. 2020).
Outro ponto relevante tange ao medo das crianças e dos adolescentes em se
infectarem com Sars-CoV-2 e transmitirem aos seus entes queridos, além das incertezas
do curso da pandemia. Esse estresse adicional promoveu ainda mais insegurança e
aumentou os níveis de ansiedade vivenciados por eles (SAURABH K et al. 2020; DUAN
L et al. 2020; GHOSH R et al. 2020; RODRIGUES BB et al. 2020).
Além disso, ficar tanto tempo em casa pode acarretar desavenças familiares que
em conjunto a falta de espaço pessoal, o comportamento anormal dos pais com os filhos
e a saúde mental abalada dos cuidadores podem proporcionar efeitos psicopatológicos.
(GHOSH R et al. 2020; YEASMIN S et al. 2020). Pelo mesmo motivo, as denúncias de
abuso, negligência, exploração e violência doméstica apresentaram um considerável
aumento nessa época e o confinamento colocou as crianças e os adolescentes em uma
posição de maior susceptibilidade a essas práticas criminosas (GHOSH R et al. 2020).
Nesse período, as figuras parentais abusivas passam mais tempo com suas vítimas no
ambiente doméstico e utilizam práticas punitivas físicas ou mentais para controlar as
desobediências (GHOSH R et al. 2020; OLIVEIRA WA et al. 2020). Essas agressões
físicas e/ou psíquicas causam marcas eternas e comprometem o desenvolvimento
neuropsicológico e são fatores de risco para transtornos psicossomáticos, abusos de
substâncias ilícitas e comportamento suicida (GHOSH R et al. 2020).
Diante do cenário catastrófico econômico causado pela pandemia de COVID-19
muitas famílias foram atingidas e os filhos vivenciaram grande preocupação em relação a
perda de emprego dos pais e o medo de indisponibilidade futura das necessidades básicas
como comida e água (SAURABH K et al. 2020). Assim, a situação socioeconômica e
perda financeira foi evidenciada na literatura como grande fator estressor no período da
quarentena (SAURABH K et al. 2020; LOADES MA et al. 2020). Essa questão irá
fortalecer ainda mais as desigualdades pré-existentes e os mais afetados serão os grupos
já marginalizados. Ilustrando esse quadro, já é observado que crianças e adolescentes de
famílias mais pobres vem sofrendo evasão escolar para se envolver em trabalhos informais
com intuito de gerar renda familiar (GHOSH R et al. 2020).

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ISSN: 2525-8761

Ademais, com o falecimento dos cuidadores pela doença muitas crianças e


adolescentes serão órfãos, se tornando vítimas susceptíveis a exploração, abandono e
tráfico nos lugares mais carentes. Como consequência disso, um estudo indica que eles
estarão mais sujeitos à prisão por participarem do crime, à gravidez indesejada, ao abuso
de substâncias ilícitas, à automutilação e ao suicídio (GHOSH R et al. 2020).
Outra questão fundamental da pandemia se relaciona ao uso das tecnologias.
Estudos indicaram que a cobertura da mídia, a veiculação de informações falsas e incertas
e o acompanhamento excessivo dos números crescentes de infectados e óbitos afetou
negativamente a ansiedade e os sintomas depressivos (ZHOU SJ et al. 2020; MAIA BR e
DIAS PC, 2020). No entanto, a conscientização do COVID-19 foi um fator protetor a
quadros de sofrimento psíquico, incluindo o conhecimento da doença (OR= 0.92; IC 95%
0.90–0.95), medidas de prevenção e controle (OR= 0.91; IC 95% 0.88–0.93) e projeções
da tendência da doença (OR= 0.87; IC 95% 0.85–0.88) (ZHOU SJ et al. 2020). Em relação
aos malefícios da tecnologia, um estudo concluiu que 29,58% dos entrevistados relataram
que passavam mais de cinco horas por dia online durante o período pandêmico e o vício
em smartphones e a dependência de internet para aulas, consultas médicas e conversas
com amigos e parentes aumentou significativamente os sinais clínicos de depressão e os
níveis de ansiedade dos participantes (DUAN L et al. 2020).
Portanto, ao analisar esses parâmetros estressores do psiquismo é possível
compreender os altos índices da prevalência de problemas relacionados a saúde mental
durante o curso da pandemia de COVID-19 e ter um retrato do que provavelmente
ocorrerá no futuro. Um estudo com 8079 estudantes indicou que 43,7% apresentaram
sintomas depressivo, 37,4% ansiedade e 31,3% vivenciaram ambos durante o surto.
(ZHOU SJ et al. 2020). Nesse mesmo viés, outra pesquisa indicou uma prevalência de
sintomas depressivos entre 22,28% dos estudantes nesse período (DUAN L et al. 2020).
Dessa forma, todos os estudos utilizados no escopo do presente trabalho deflagaram
resultados negativos na saúde mental das crianças e adolescentes, proporcionando a elas
maior carga de sofrimento psíquico no período pandêmico.
Com o intuito de reduzir esses impactos psicológicos da pandemia de COVID-19
nesse nicho da população, alguns estudos evidenciaram que o acesso às informações
corretas e comprovadas acerca das medidas de prevenção, transmissão, tratamento e
epidemiologia da doença constituíram de fatores protetores (SAURABH K et al. 2020;
ZHOU SJ et al. 2020; ZHANG Q et al. 2020; OLIVEIRA WA et al. 2020). Nessa mesma
perspectiva, a comunicação virtual através das mídias sociais com amigos e família

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proporcionou a este grupo um maior apoio para enfrentar a situação (SAURABH K et al.
2020; GHOSH R et al. 2020; LOADES MA et al. 2020; MAIA BR e DIAS PC, 2020).
Além disso, apesar de constituir uma prática relativamente nova, a psicoterapia e as
consultas psiquiátricas online são evidenciadas nos estudos como práticas fundamentais
para o acompanhamento dos pacientes, para desenvolver medidas de enfrentamento e de
autoajuda nesse momento de distanciamento social (SAURABH K et al. 2020; ZHOU SJ
et al. 2020; DUAN L et al. 2020; ZHANG Q et al. 2020; LOADES MA et al. 2020;
RODRIGUES BB et al. 2020; YEASMIN S et al. 2020).
Ademais, em um estudo transversal foi avaliado a resiliência emocional como
estratégia essencial diante da pandemia, já que proporciona uma recuperação mais rápida
após experiências emocionais negativas. Concomitantemente, esse fator protetor foi
positivamente correlacionado com as habilidades de gestão da aprendizagem (p < 0,01)
que são fundamentais para os estudantes nesse momento (ZHANG Q et al. 2020).
Portanto, já existem evidências cientificas que analisam a implementação de
medidas de proteção da saúde mental em crianças e adolescentes, reduzindo os impactos
negativos da pandemia de COVID-19 na questão psicológica e psiquiátrica.

4 DISCUSSÃO
Através dos resultados supracitados, é possível evidenciar que a pandemia de
COVID-19 ainda apresentará muitas repercussões sociais, econômicas e emocionais nos
próximos anos. Apesar de diferentes dimensões, ao comparar com outras pandemias como
Gripe H1N1, Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) ou Ébola, focando nos efeitos
psicopatológicos, a quarentena provocou impactos negativos que perduraram por muito
tempo, como confusão, raiva, ansiedade, medo e TEPT, apresentando-se como um
problema de saúde pública (BROOKS SK et al. 2020). Dessa forma, para o uso bem-
sucedido da quarentena é fundamental que os efeitos negativos associados a ela sejam
reduzidos (BROOKS SK et al. 2020). É importante que as crianças e os adolescentes em
conjunto com seus familiares e demais redes de apoio como psicólogos e psiquiatras
promovam medidas de enfrentamento das situações estressantes da pandemia (Figura 1).
Nessa linha de pensamento, algumas pessoas enlutadas no período pandêmico,
especialmente devido ao luto desprivilegiado, já que o contato com os familiares
infectados é restrito e existe a impossibilidade de se despedir propriamente, podem
vivenciar um estado de luto incessante e incapacitante associado a efeitos físicos e
psicológicos como problemas de adaptação, transtorno de estresse pós-traumático,

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depressão, luto complicado e até suicídio. (STIKKELBROEK Y et al. 2020; SUN Y et al.
2020; FEGERT JM et al. 2020). O luto familiar acarreta problemas de saúde mental em
aproximadamente 25% das crianças afetadas e os adolescentes apresentam alto risco de
desenvolver distúrbios internalizadores, incluindo episódios graves depressivos
(STIKKELBROEK Y et al. 2020). Dessa forma, o apoio psicossocial é necessário para
reduzir a carga psicológica e promover resiliência emocional nas crianças e nos
adolescentes que perderam seus entes queridos na pandemia.
Além disso, a diminuição do sistema de apoio nesse período e a exposição a
eventos estressores múltiplos intensificaram a ameaça à segurança e exacerbaram a
vulnerabilidade à violência doméstica das crianças e dos adolescentes. O abuso físico,
psicológico ou sexual pode acarretar maior risco de desregulação e psicopatologia do
desenvolvimento em todo o período de vida (CUARTAS J 2020). Esse fato causa sequelas
sociais que vão além da crise de saúde pública atual e por isso o governo deve investir no
acesso à terapia cognitivo-comportamental focada no trauma e em campanhas de
conscientização contra o abuso infantil e a favor da denúncia dessas práticas (GHOSH et
al. 2020; CUARTAS J 2020). Em conjunto a isso, a comunidade é um pilar fundamental
para mitigar as consequências desses abusos e deve se posicionar contra os mesmos ao
invés de banalizar essas atitudes criminosas.
Apesar da COVID-19 afetar clinicamente a população em geral, as consequências
da pandemia estão diretamente relacionadas aos determinantes multifatoriais sociais do
processo saúde doença. Por esse motivo, a carga psicológica associada à patologia atinge
desproporcionalmente essas crianças e adolescentes já desfavorecidos e vulneráveis
(FEGERT JM et al. 2020). O bloqueio econômico da pandemia já resultou em milhões de
desempregados e no aumento do número da população abaixo da linha de pobreza e pode
esperar-se uma alta ainda maior de intempéries financeiras após a fase aguda da pandemia.
Assim, esse retrato de vulnerabilidade socioeconômica acarreta sentimento de culpa,
frustração, depressão e angústia mental, e pode elevar as taxas de suicídio e abuso de
substâncias dependentes pelos responsáveis (OLIVEIRA WA et al. 2020; DUBEY S et
al. 2020).
Dessa forma, a recessão econômica se relaciona à redução do bem-estar emocional
dos cuidadores e das crianças e adolescentes, posto que esta situação influencia
negativamente o vínculo de confiança entre eles, aumentando o risco de problemas
psicológicos e psiquiátricos nessa população (FEGERT JM et al. 2020). Portanto, como
essas disparidades socioeconômicas acarretam falta de acesso à saúde, à educação e à

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segurança garantidos pela Constituição Brasileira de 1988 e pelo Estatuto da Criança e do


Adolescente é dever do governo implementar políticas públicas que visem minorar os
efeitos colaterais econômicos da pandemia de COVID-19 e suas consequências na vida
desse grupo.
Outro fator de risco se relaciona às crianças e aos adolescentes previamente
diagnosticados com transtornos crônicos psiquiátricos. Muitos transtornos mentais
necessitam psicoterapia e tratamento psiquiátrico regular, prática que foi prejudicada
devido ao distanciamento social. Além disso, algumas dessas patologias podem
permanecer sem diagnóstico devido a essa falta de acesso plena à saúde (FEGERT JM et
al. 2020). Nesse mesmo viés, o déficit cognitivo, a baixa percepção de risco e
entendimento e a dificuldade na realização da higiene pessoal podem facilitar a infecção
por Sars-CoV-2 na população psiquiátrica. (FEGERT JM et al. 2020; DUBEY S et al.
2020). Em conjunto, nessa população as medidas de isolamento e outros fatores
estressores do período pandêmico podem apresentar maior efeito negativo devido a
susceptibilidade prévia (FEGERT JM et al. 2020).
Por isso, o acesso universal ao atendimento psiquiátrico e psicoterapêutico
ministrado online é fundamental durante a pandemia de COVID-19, sendo que a literatura
já evidenciou seus benefícios e comprovou sua eficácia (FEGERT JM et al. 2020; DUBEY
S et al. 2020). No entanto, essa prática é muito menos acessível às crianças e aos
adolescentes de baixa renda, devendo ser corrigida a partir do fornecimento do aparato
técnico necessário. Com isso, a conexão com as equipes multidisciplinares de saúde
mental através das plataformas virtuais é facilitada com consequente melhoria do
prognóstico e do bem-estar mental desse grupo (FEGERT JM et al. 2020).
O presente estudo ilustra a importância em se implementar medidas de proteção à
saúde mental das crianças e dos adolescentes, grupo que está sendo colocado em segundo
plano pela sociedade e pelo governo no período pandêmico. Com a disseminação desse
conteúdo em conjunto à aplicação das estratégias de redução da carga psicológica nessa
população, pode-se evitar diversos desfechos psiquiátricos e psicossomáticos.
Entretanto, essa revisão apresenta limitações, como o baixo número de artigos
identificados na pesquisa inicial e dos incluídos no estudo, fato que pode ser justificado
devido à baixa divulgação científica com foco no tema e na população estudada. Além
disso, a falta de artigos longitudinais que indiquem os principais resultados após o período
da pandemia de COVID-19 também pode afetar o resultado final.

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Figura 1 – Estratégias propostas para reduzir a carga psicológica sobre as crianças e os adolescentes
durante a pandemia de COVID-19.

EVENTO
ESTRESSOR

Pandemia de
COVID-19

Resiliência Conscientização Estilo de vida Responsabilidade


emocional do COVID-19 saudável social

PROTETORES
FATORES
Melhoria Campanhas de Atendimento Comunicação
das conscientização psicológico e virtual com
condições contra o abuso psiquiátrico parentes e/ou
financeiras infantil online família distantes

//
Núcleos de apoio Acesso às Estratégia de
psicossocial aos tecnologias paraprópria, 2020enfrentamento do luto
discentes
Fonte: Autoria
estudo

SAÚDE MENTAL
PRESERVADA

5 CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS


Mesmo com o avanço do conhecimento e das evidências cientificas acerca da
COVID-19, o futuro ainda é permeado de muitas incertezas e inseguranças no que tange
à saúde psíquica e as suas consequências. As novas ondas da doença só serão avaliadas
no decorrer dos anos e pouco se sabe sobre os desfechos relacionados à saúde mental a
longo prazo. Dessa forma, é fundamental que sejam realizados estudos longitudinais para
identificar as repercussões emocionais e psicológicas nas crianças e nos adolescentes no
período pandêmico e no pós-pandêmico.
Além disso devemos ter em mente que as estratégias que visam reduzir os
problemas de saúde mental devem ser consideradas prioridade pelas esferas públicas,
pelos profissionais da área e pela sociedade como um todo. Para a adaptação das crianças
e dos adolescentes ao novo normal é imprescindível uma rede de apoio baseada no suporte

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emocional e social. Assim, somente dessa forma os impactos da pandemia de COVID-19


poderão ser inferiorizados tanto no presente quanto no futuro.

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