100% acharam este documento útil (3 votos)
862 visualizações55 páginas

Abordagem Sistêmica na Psicologia Familiar

Este documento fornece uma introdução à abordagem sistémica em psicologia, descrevendo seus principais conceitos e técnicas. Em 3 frases: 1) A abordagem sistémica analisa as famílias e comunidades como sistemas complexos em interação dinâmica, onde os elementos se influenciam mutuamente. 2) Ferramentas como o genograma, ecomapa e análise do ciclo vital da família são apresentadas para avaliar as relações sistêmicas. 3) Diferentes técnic
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (3 votos)
862 visualizações55 páginas

Abordagem Sistêmica na Psicologia Familiar

Este documento fornece uma introdução à abordagem sistémica em psicologia, descrevendo seus principais conceitos e técnicas. Em 3 frases: 1) A abordagem sistémica analisa as famílias e comunidades como sistemas complexos em interação dinâmica, onde os elementos se influenciam mutuamente. 2) Ferramentas como o genograma, ecomapa e análise do ciclo vital da família são apresentadas para avaliar as relações sistêmicas. 3) Diferentes técnic
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PSICOLOGIA SISTÊMICA

1
Sumário
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2

INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3

1. INTRODUÇÃO À ABORDAGEM SISTÉMICA ................................ 4

1.1 TEORIA DOS SISTEMAS ........................................................... 5


1.1.2 CIBERNÉTICA ................................................................................ 6
1.1.3 FAMÍLIA E COMUNIDADE ENQUANTO SISTEMAS ..................... 7
2. GENOGRAMA ................................................................................... 10

2.1 ESTRUTURA FAMILIAR ................................................................. 10


2.1.2 REGISTO DA INFORMAÇÃO RELEVANTE ................................ 12
2.1.3 DELINEAR RELAÇÕES FAMILIARES ........................................ 13
3. ECOMAPA ......................................................................................... 14

4. TÉCNICO – ENTRE A FAMÍLIA, A EQUIPE E A INSTITUIÇÃO ...... 16

5. CICLO VITAL DA FAMÍLIA ............................................................... 20

6. RITUAIS FAMILIARES. ..................................................................... 22

7. A COMUNICAÇÃO NOS SISTEMAS HUMANOS. ........................... 26

8. RESILIÊNCIA FAMILIAR. ................................................................. 30

9. CONSTRUCIONISMO SOCIAL......................................................... 33

9.1 PRÁTICAS APRECIATIVAS ............................................................ 34

10. TERAPIA BREVE ORIENTADA PARA AS SOLUÇÕES. .............. 38

11. TERAPIAS NARRATIVAS. ............................................................. 41

12. INTERVENÇÃO ATRAVÉS DO HUMOR. ....................................... 43

12.1 COMO PODEMOS UTILIZAR O HUMOR NA INTERVENÇÃO?... 46


CONCLUSÃO ........................................................................................ 48

REFERÊNCIA ........................................................................................ 51

1
NOSSA HISTÓRIA

A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de


empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

2
INTRODUÇÃO

As diferentes realidades em que operamos enquanto técnicos de


intervenção social estão em constante mudança e efetivamente surge não só
termos noção desse facto, como perceber que mudanças e como elas ocorrem.

Naturalmente que abordagem sistémica é também ela complexa e tem


vindo a desenvolver-se ao longo dos anos, alguns temas que parecem ter um
carácter pragmático e útil no âmbito da intervenção social. Ao nível do
conhecimento e reflexão sobre a dinâmica da família, propondo a noção de
sistema e de ciclo vital; para a avaliação do sistema familiar. Propondo o
genograma e ecomapa; e ao nível da Intervenção, o Construcionismo Social,
Inquérito Apreciativo e Terapia Breve Orientada para as Soluções, Terapias
Narrativas e Humor. A par das técnicas de avaliação e intervenção, será ainda
efectuada uma reflexão sobre o papel do técnico entre a família equipa e
instituição, e as diferentes condicionantes sistémicas.

3
1. INTRODUÇÃO À ABORDAGEM SISTÉMICA

A abordagem sistémica dá-nos a visão do todo e das múltiplas relações e


funções dos seus componentes, permitindo-nos ganhar perspectiva sobre a
realidade social, que nos poderá facilitar a compreensão e intervenção. De forma
breve, descreve os princípios básicos desta abordagem essencial para a
concepção dos diferentes temas considerados ao longo da formação.

4
1.1 TEORIA DOS SISTEMAS

A Teoria Geral dos Sistemas (ou Teoria do Sistema Geral) foi criada por
Ludwig von Bertalanffy nos anos 30, tendo vista a explicação da complexidade
dos organismos vivos, defendendo que para conhecer um organismo vivo não
basta conhecer as propriedades dos seus órgãos individualmente – é necessário
conhecer as relações entre todos os elementos e o modo como se organizam
entre si.

As ideias do autor rapidamente foram alargadas a diferentes áreas,


nomeadamente a Terapia Familiar, onde encontramos a origem da noção de
sistema que, tal como o definiu Bertallanfy (1968; cit. por Relvas, A.P., 2000), “é
um conjunto de unidades em inter-relações mútuas que incluem
simultaneamente, função e estrutura”. A Terapia Familiar aplicou ainda alguns
dos princípios-chave sobre os sistemas em geral:

 Totalidade – existe uma inter-relação e interdependência dos


comportamentos de todos os elementos do sistema, que é sempre mais
do que a soma das características individuais dos seus elementos.
 Organização – Há uma estrutura segundo a qual os elementos dos
sistemas se organizam, de acordo com a sua posição e função no
sistema.

5
 Abertura – Os sistemas complexos, nomeadamente os sistemas vivos e
os sociais, estão constantemente a trocar energia, matéria e informação
com o meio exterior, que lhes permite manter a sua existência.

1.1.2 CIBERNÉTICA
A cibernética influenciou igualmente o movimento da Terapia Familiar,
tendo sido este conceito introduzido por Norbert Weiner (1948) para descrever
os sistemas de regulação que funcionam através de loops de feedback.

Foram assim considerados os mecanismos de feedback, noções de


equifinalidade homeostase e evolução e integrados na Terapia Familiar
considerando-se que, à medida que vamos avançando no tempo, os sistemas
vão recebendo feedback do meio externo e do seu funcionamento interno. Este
mecanismo de feedback permite as (re)estruturações necessárias ao sistema,
evoluindo, complexificando-se e aumentando o grau de diferenciação,
redefinindo as suas fronteiras e funções, de modo a dar a melhor resposta
possível às necessidades sentidas através de um processo auto organizativo.
Esta capacidade dos sistemas chegarem aos objetivos ou alcançarem soluções
por diferentes caminhos, equifinalidade, capacita-os para se manterem ativos e
eficazes.

Assim, de acordo com a cibernética, os sistemas conseguem acompanhar


as mudanças constantes do meio e ativar mecanismos de correção ou geradores
de mudança interna sempre que ocorrem desvios ao equilíbrio desejado. Este é
um processo, em sistemas vivos e/ou sociais, constante e vital para combater o
risco de entropia.

A Terapia Familiar tem em conta ainda uma série de fatores e processos,


pelo que as análises efetuadas têm por base uma visão holística da realidade,
procurando compreender as relações mais do que a atribuição de uma causa
para dada ocorrência. Esta perspectiva iniciasse com uma mudança do foco na
causalidade linear para a causalidade circular.

6
Consideramos dois movimentos fundamentais a que chamamos:

 Cibernética 1ª Ordem – teoria proveniente da engenharia e das ciências


informáticas que considera o sistema como qualquer coisa a observar,
separada do observador, sendo o seu principal objetivo manter a
homeostase através de mecanismos que servem para corrigir desvios.
 Cibernética 2ª Ordem - descreve processos que conduzem à mudança, ou à
adaptação ao meio. Inclui o observador como agente construtor da realidade
que observa. É uma cibernética de sistemas observantes e introduz
conceitos como autonomia, circularidade e imprevisibilidade.

Há assim, na 2ª cibernética um movimento que transforma a relação entre


o terapeuta e a família numa base não hierárquica, mas mais de Co construção
de novas realidades, centrando-se mais na mudança de contextos do que na
mudança de comportamentos. Neste processo, como lembra Lynn Hoffman, o
terapeuta não efetua juízos de valor. Existe uma multiplicidade de fatores e
circunstâncias que levam à realidade percebida pelas famílias e tal é
considerado na relação terapeuta-família.

1.1.3 FAMÍLIA E COMUNIDADE ENQUANTO SISTEMAS

Todos nós temos uma família que de algum modo tem vindo a contribuir
para sermos quem somos hoje e a nossa profissão leva-nos frequentemente a
olhar para outras famílias, para as perceber e apoiar. O que será afinal a família?
Seguindo a abordagem sistémica, considerasse que a família é um sistema
social em que os seus elementos se encontram ligados por uma teia relacional
e emocional. Cada família é única e constitui uma entidade global, com um
elevado nível de complexidade, separando-se do exterior por fronteiras, mais ou
menos permeáveis, através das quais troca informações e recebe feedback,
evoluindo e diferenciando-se ao longo do tempo.
Nos sistemas familiares podemos considerar vários subsistemas:
individual, conjugal, parental, fraternal, entre outros. Os diferentes elementos
relacionam-se e desempenham funções tendo em vista as necessidades

7
individuais de proteção e autonomia, de acordo com as normas, explícitas ou
implícitas criadas na família.
Uma família é mais do que a soma dos seus elementos, isto é, a família
Lopes é mais do que a soma da Maria, da Joana, do Álvaro, do Rui e do Tiago,
pois o que confere unicidade a esta família é o tipo de relações estabelecidas, a
forma de comunicar, as atividades desenvolvidas dentro e fora de casa, as trocas
de afetos, as normas, etc.

Cada um dos elementos da família faz parte de vários subsistemas onde


desempenha diferentes papéis. Na família Lopes, a Maria e o Álvaro fazem parte
do sistema conjugal, onde mantêm uma relação amorosa, procurando manter o
bem-estar do outro na relação de casal, mas em conjunto, constituem ainda o
subsistema parental, cujas funções estão direccionadas à educação dos filhos.
Este subsistema, mesmo no caso de o subsistema conjugal desaparecer,
manter-se-á e implicará que estas duas pessoas continuem a funcionar
enquanto equipa, mantendo satisfeitas as necessidades dos filhos, ao nível
físico, emocional, social e cultural.
Todas as famílias procuram encontrar uma organização própria ao nível
do funcionamento. Não há duas famílias iguais e não há uma maneira certa de
estar em família. O importante é que a família evolua, procurando que todos os
seus elementos se sintam bem dentro e fora dela, ou seja, é importante que o
Tiago se sinta bem enquanto filho da Maria e do Álvaro, irmão da Joana e do
Rui, mas é essencial que tenha oportunidade de encontrar o seus espaço para
ser autónomo, desenhando objetivos individuais, ao mesmo tempo que colabora
nos objetivos da família. Ao longo da evolução do sistema familiar, também as

8
fronteiras ou limites dos subsistemas irão ser transformados recriados para que
a família possa cumprir com as suas funções.
Dentro desta perspectiva, um indivíduo é compreendido na sua totalidade
se conhecermos o sistema familiar onde se integra, o tipo de relações
estabelecidas, o nível de permeabilidade dos limites (há famílias mais fechadas
do que outras), as regras de funcionamento do sistema, os papéis que
desempenha, etc.; mas também teremos de conhecer os outros sistemas:
escola/trabalho, clube recreativo, etc.
Por outro lado, se queremos perceber o funcionamento do sistema
familiar, inevitavelmente teremos não só de olhar para os subsistemas e sua
organização, mas também os supra sistemas, como por exemplo a comunidade
em que estão inseridos, a sociedade, etc. Pois, por exemplo, se há relações
muito funcionais em determinadas sociedades, noutras poderão não o ser – tal
for constatado diariamente pelos técnicos que trabalham com famílias de
diferentes culturas.
No tocante à comunidade ela é fundamental para o bom funcionamento
da família. Quais as redes de suporte? Que tipo de relações estabelecem os
elementos da família? Para um técnico é fundamental ter em atenção esta
relação. Naturalmente que a comunidade, a par de ser um supra sistema de uma
família, poderá ser considerado um sistema total, com subsistemas como os
clubes recreativos, as escolas, a junta de freguesia, os comerciantes, a paróquia
e as próprias famílias.
Dentro da abordagem sistémica, temos sempre presentes as relações
estabelecidas em todo e qualquer sistema e a forma como isso afeta uma família
ou um indivíduo. Os sistemas têm um carácter dinâmico e, como tal, estão em
constante mudança influenciando e sendo influenciados pelos respectivos
subsistemas e supra sistemas.

9
2. GENOGRAMA
O genograma é um meio de avaliação familiar que nos permite
conceptualizar visualmente a família no que toca aos seus membros e
respectivas relações. Muitos terapeutas efetuam-no após a primeira sessão,
contudo poderá ser útil fazê-lo com a própria família durante a primeira
entrevista, quer para a relação com o técnico, quer para a consciencialização do
sistema relacional familiar ao longo de pelo menos três gerações.

Criar um genograma supõe:

 Traçar a estrutura familiar;


 Registar a informação relevante sobre os elementos da família;
 Delinear as relações familiares.

2.1 ESTRUTURA FAMILIAR


A base do genograma é a descrição gráfica de como os diferentes
elementos estão biológicas ou legalmente ligados entre si, de uma geração para
a outra. Não obstante encontrarmos diversas formas de construir os
genogramas, irei seguir os procedimentos e símbolos homologados pela Task
Force of the North American Primary Care Research (num grupo orientado por
McGoldrick):

10
Exemplo da estrutura da família Lopes.

Poderemos verificar alguns exemplos da aplicabilidade dos símbolos


acima descritos. De forma geral o elemento masculino do casal é representado
do lado esquerdo e o elemento feminino do lado direito. Quanto às fatias, o irmão
mais velho encontra-se do lado esquerdo e, do lado direito, encontra-se o mais
novo. Será ainda útil assinalar os elementos da família que vivem em conjunto,

11
através de um tracejado que envolve os membros em questão - na família Lopes,
podemos verificar que o Álvaro, a Maria e os seus três filhos vivem juntos.

Torna-se bastante clara a estrutura desta família e, a partir deste ponto,


poderemos tentar conhecê-la um pouco melhor, procurando a informação útil
para a intervenção ao nível de dados biográficos dos diferentes elementos, bem
como das respectivas relações.

2.1.2 REGISTO DA INFORMAÇÃO RELEVANTE


Para que o genograma nos permita uma concepção geral da família, é
fundamental que seja registada a informação de cada elemento e mesmo de
eventos significativos.

É importante procurar informação relativamente a:

 Idade
 Datas de nascimento, mortes, casamentos e divórcios
 Situações ocupacionais
 Nível socioeconômico
 Situação de saúde física e mental
 Religião
 Etc.

Poderá facilitar se junto ao genograma se efetuar uma lista de ordem


cronológica dos momentos mais significativos para a família (positivos e
negativos), conseguindo uma noção mais exata da história da família:

1980- Divórcio dos pais de Maria Lopes

1982- Casamento de Maria e Álvaro

1984- Maria termina o seu Doutoramento em Ciências Políticas

1987- Detectado câncer nos pulmões de José Lopes

1990- Falecimento José Lopes

1991- Joana Lopes, mãe do Álvaro, inicia acompanhamento em psiquiatria


devido a depressão

12
1998- Joana Lopes, mãe do Álvaro, inicia nova relação amorosa (atualmente
vivem juntos)

2004- Joana, filha de Maria, entra na Faculdade de Medicina.

2.1.3 DELINEAR RELAÇÕES FAMILIARES


Este é o terceiro nível de construção de um genograma, sendo baseado
na percepção dos elementos que nos ajudam na sua execução, bem como na
observação direta dos técnicos. Pretende-se neste nível verificar a qualidade das
relações entre os diferentes elementos, que poderá ser um grande suporte para
a nossa intervenção.

Não obstante haver diferentes conotações (de acordo com as abordagens


teóricas) para a descrição utilizada para os tipos de relações como “conflituosa”
ou “fusional”, este registro tornasse muito útil para a intervenção clínica e social.

Para uma melhor compreensão do genograma, este poderá ser divido em


duas partes (uma com a informação e outra com a qualidade das relações) ou
as linhas relacionais serem desenhadas com cores diferentes

13
No genograma que se segue, podemos ver como se desenham as linhas
relacionais e seus contributos para a nossa compreensão do sistema familiar.

3. ECOMAPA

O Ecomapa é um modo de registro do genograma e sistemas alargados.


Quando trabalhamos com uma família, teremos de ter em conta não só o seu
funcionamento interno, ao nível da dinâmica dos seus subsistemas, mas também
toda a rede existente à sua volta. Este fato é fundamental na ação social, na
medida em que, quando nos chega uma família, esta geralmente tem já uma teia
de relações institucionais bastante alargada, havendo já vários técnicos de
outros serviços envolvidos na sua situação.

Assim, o ecomapa permite-nos ver os recursos da família na comunidade,


bem como as suas relações sociais exteriores. Para a sua construção,
perguntamos à família quais as ligações com os serviços e pessoas fora da
família.

14
Visualizando o ecomapa, mais facilmente poderemos delinear uma
intervenção, ativando recursos e articulando com a rede de técnicos e
instituições envolvida, bem como ajudar a família a ter consciência da sua rede
de suporte.

15
4. TÉCNICO – ENTRE A FAMÍLIA, A EQUIPE E A
INSTITUIÇÃO
“A cooperação é a convicção plena de que ninguém pode chegar à meta
se não chegarem todos” (Virginia Burden)

O Técnico de Intervenção Social é aquele que se relaciona e envolve com


as famílias, que pretende promover o empowerment e autonomia das
populações, mas que também está integrado numa equipa, pretendendo
encontrar objetivos comuns com planos conjuntos, numa Instituição cuja missão
deverá adotar. Na sua atividade, o Técnico integra as competências técnicas
(cuja actualização será indispensável) e competências sociais e emocionais. O
Técnico está em constante relação com o Outro. São muitas as pressões e
constrangimentos, são muitas as urgências e emergências e naturalmente são
muitos os riscos e susceptibilidades. O técnico não traz apenas as suas técnicas,
os seus saberes, mas também o seu modo de sentir, pensar e ser.

De forma a facilitar o nosso percurso profissional (e pessoal), mantendo


níveis satisfatórios de bem-estar, teremos de cuidar de nós, evitando entrar em
espirais de desconforto e desagrado que nos impedem de dar o nosso melhor e
acreditar na mudança. Para tal, em termos profissionais teremos de ganhar
perspectiva sobre as situações que nos apresentam e procurar fazer a melhor

16
avaliação possível, planear da forma mais rigorosa que conseguirmos, tendo
sempre em vista uma boa articulação com a equipa e instituição. Várias são as
questões que nos podem ajudar (Imber-Black, 1988; Sales, C., 2000).

4.1 HISTORIAL DO ACOMPANHAMENTO DA FAMÍLIA

É fundamental para uma boa avaliação da família, conhecer o seu


histórico, as suas problemáticas, sucessos e a sua capacidade de se adaptar às
contingências da vida social:

 Quais parecem ser os acontecimentos mais importantes na história da


família?
 Em que momentos surgem os problemas?
 A família tentou resolvê-los? Como? Com que resultados?
 Em que situações a família pede ajuda profissional?
 Que respostas são dadas? Com que resultados?
 Repetem-se problemas, pedidos, respostas? Existe um padrão?
 Que experiência a família possui com outros técnicos? Esta experiência
pode afetar a aceitação da minha orientação ou a relação com a família?
 A família confia na Instituição onde trabalho? Que espera de mim?

4.1.2 CARACTERTIZAÇÃO DO SISTEMA DE AJUDA

Será útil termos conhecimento dos técnicos e serviços envolvidos,


recursos internos e externos à família, bem como refletir sobre as relações
interprofissionais de ajuda:

 Que técnicos estão atualmente envolvidos com cada membro da família?


 De todos os implicados (membros da família, técnicos) que sentem a situação
como problema? Como definem o problema? Quem tem mais interesse em
resolvê-lo?
 Os técnicos atuam de forma coordenada ou paralela?
 Há competição entre os técnicos? (Quem ajuda mais?) Entre mim e outros?

17
 Que competência/recursos apresenta cada membro da família, cada
profissional? Poderão outros elementos ajudar na resolução?
 Quem beneficia da minha intervenção? Quem fica desvalorizado (a curto e a
longo prazo)?
 Como me situo face ao caso? A quem me alio? Contra quem?
 Qual é a minha expectativa/atitude em relação ao caso?
 Quais as dos meus superiores?
 Quais as dos utentes?
 Será útil redefinir o pedido, esclarecer expectativas? Como? A quem?

4.1.3 CRENÇAS E CONSTRANGIMENTOS

De forma a garantir o nosso bem-estar enquanto técnicos, teremos de ter


em atenção os nossos valores, a nossa relação com os demais profissionais e a
nossa posição na instituição:

 A gravidade do caso preocupa-me? Leva-me a atuar com urgência?


Tenho a sensação de não ter tempo para uma análise com suficiente
distanciamento? Sinto-me mais responsável por eventuais evoluções
negativas?
 Qual é a probabilidade de insucesso?
 Que consequências teria um insucesso para mim, ao nível de:
 Satisfação pessoal e profissional
 A minha posição na equipa e instituição
 A minha imagem
 Quais os princípios deontológicos ou normas que regem a minha atividade
profissional?
 Como é que a Instituição aborda normalmente esses casos?
 Quais as funções que me são atribuídas?
 Quem irá saber dos resultados da minha intervenção?
 Que pressões sinto por parte da instituição? Quanto tempo posso dedicar
a cada caso?
 Como representar o circuito das pressões? (são contraditórias?)

18
4.1.4 PLANIFICAÇÃO E INTERVENÇÃO

Para uma intervenção ser eficaz, ela tem de ser planeada, considerando
a conjectura em que nos encontramos. É também importante deixar claro (para
nós, famílias e equipas envolvidas) quando consideramos que a intervenção
termina e respectivos critérios:

 Tendo em conta os pedidos e pressões, como posso posicionar-me face


à família, à minha instituição, aos outros técnicos e a outras instituições?
Que cuidados devo ter? É necessário reenquadrar ou clarificar alguns
aspectos? Como? Quando? Com quem?
 De que forma a minha posição limita a minha visão e atuação?
 Quais os objetivos concretos e realistas que pretendo concretizar?
(apoios, padrões relacionais, etc.) Estão claramente definidos e aceites
por todos os implicados (família, profissionais)?
 Disponho de suficientes recursos?
 Quem e quando deve ser incluído na intervenção?
 Quando termina a intervenção? Como?

Manter uma boa relação com os sistemas alargados, trabalhar em rede


com as diferentes instituições envolvidas e com as próprias famílias, de forma
positiva e construtiva facilitará a intervenção, com impacto no bem-estar das
famílias e dos próprios técnicos. É ainda fundamental procurar definir objetivos
realistas e tangíveis, articulando com a(s) equipa(s) envolvida(s).

O técnico de intervenção social está constantemente envolvido na rede,


da qual passa a fazer parte. É fundamental questionar a sua intervenção e ter
noção das pressões existentes, quando está a intervir. Para que todos ganhem,
é importante que cada técnico procure o melhor das famílias, das comunidades,
das equipas e, naturalmente, de si próprio.

19
5. CICLO VITAL DA FAMÍLIA

A família está em constante evolução e mudança entrando em novas


realidades às quais se irá adaptar: alteração do número de elementos do sistema
familiar; mudanças de idade dos seus elementos; e mudanças do seu estatuto
ocupacional são alguns dos critérios comummente considerados como
marcadores dos possíveis estádios deste ciclo vital.

Considerando a família que surge com a formação de um casal


heterossexual, que se mantém junto ao longo da vida e com filhos, iremos
perceber como funciona o sistema familiar nas diferentes fases, desde que nasce
até que morre, sendo que terá sempre em conta as suas funções internas
(desenvolvimento e proteção dos seus membros – sentimento de pertença à
família) e externas (socialização e transmissão da cultura – autonomização dos
seus elementos) – note-se que estamos perante uma visão tendencialmente
normalizadora da família, excluindo desta as famílias monoparentais,
reconstruídas, sem filhos, homossexuais, de adopção, entre outras variantes
cada vez mais frequentes na nossa sociedade.

Vários autores têm sugerido etapas do ciclo vital da família, considerando


as mudanças e transformações do sistema familiar em sequência dos
“marcadores” adoptados – como técnicos, a reflexão sobre as diferentes fases,
em conjunto com a família, poderá ser um bom auxílio para a intervenção,

20
definição de metas e meios. As famílias lidam tanto melhor com as mudanças de
estádio de ciclo vital, quanto apresentam flexibilidade e capacidade de gerir
imprevistos. Muitas famílias que apresentam elevados níveis de stress face a
uma nova fase (o que se torna visível nas estatísticas que nos indicam um
elevado número de divórcios com o nascimento do 1º filho) mostram também
alguma rigidez no seu funcionamento. Ao perceber esta realidade, o técnico
poderá ajudar os elementos da família a preparem-se para as diferentes
mudanças do ciclo vital.

21
Considerar o Ciclo Vital é importante contudo deveremos ter em conta que
se trata de uma referência e não de uma regra para todas as famílias. O exemplo
dado, baseado nos estudos de McGoldrick e Carter, mostra uma possível visão
do percurso de vida de uma família, tendo em conta critérios específicos. Mais
do que procurar adoptar linearmente, sugiro uma reflexão sobre as diferentes
fases, que poderão ser mais complexas do que as apresentadas, de acordo com
eventos internos e externos à família, nº de elementos, entre outras
contingências.

6. RITUAIS FAMILIARES.

Ao longo do ciclo vital da família, são muitas as rotinas e hábitos que vão
sendo alterados. Contudo, há momentos que se repetem e que marcam o ritmo
e a cor com que todos dão significado de ser e pertencer à sua família. São
momentos de reunião e partilha, considerada a “cola da família” (Lind, W.). Na
intervenção com as famílias, conhecemos a sua dinâmica acedendo também à
forma como estruturam as suas rotinas e como se organizam no dia-a-dia, com
e quando se reencontram, como celebram os bons e óptimos momentos, e como
marcam e se apoiam nos momentos menos bons.

22
Os Rituais Familiares são assim atividades que vão sendo repetidas ao
longo do tempo, com uma determinada regularidade, organizadas e/ou
participadas por vários (ou todos) os elementos da família, e que acrescentam
significado à identidade familiar.

Através dos Rituais, as famílias passam os seus valores e crenças às


diferentes gerações, mantêm o relacionamento entre todos os elementos da
família, promovem a coesão familiar e um sentido de pertença e identidade.
Ajudam ainda a melhor gerir as mudanças (positivas e negativas). Os rituais têm
assim um lado simbólico sobre o que é ser família.

ROTINAS

É importante, contudo, distinguir os rituais das rotinas. Ambos ajudam a


trazer alguma estrutura e a aproximar todos os elementos nas famílias, contudo,
quando falamos de rotinas, referimo-nos àquelas atividades automáticas,
orientadas para o dia-a-dia, mais focadas nas tarefas e exigências para a
organização do quotidiano. Falamos assim da forma como se juntam (ou não)
nas refeições, passeios ou outras atividades de fim-de-semana, tarefas
domésticas, ou espaços de brincadeira, estudo, etc. As rotinas ajudam a ter a
noção de continuidade e de pertença. “É assim que nós funcionamos!” A
previsibilidade das rotinas traz um sentimento de segurança não só às crianças
e adolescentes, como aos mais velhos.

23
TRADIÇÕES

É na passagem das tradições familiares de geração em geração, que o


sentido de família se fortalece. De modo geral são vividas de forma menos
estruturada/formal. Nas tradições, consideramos os almoços de Domingo
(semanal ou mensal), celebração de nascimentos, reunião familiar de
homenagem a um ente querido já falecido, visitas à “terra”, bodas de prata, férias
ou fins-de-semana em família, etc… permitem que os diferentes núcleos
familiares se mantenham ligados, a experienciar novas vivências e a reinventar
o significado de ser “aquela” família.

24
MUDANÇAS FAMILIARES

Ao longo do ciclo vital são muitas as mudanças – normativas ou não – com


que as famílias terão de lidar. Muitas vezes essas mudanças são associadas
com eventos negativos, como a morte de um elemento da família, mas também
os eventos positivos poderão gerar stress familiar.

Através dos rituais, estas mudanças poderão ser integradas de forma


faseada e conjunta, bem como haver uma maior flexibilidade ao nível da
adaptação às exigências. Rituais de casamento, batizados, festa de
‘inauguração de uma nova casa’, celebrar o dia da reforma, são formas de
celebrar novos passos e, em conjunto, partilhar significados e encontrar novas
formas de estar em família. Velórios e enterros ajudam as famílias a partilharem
a dor sentida e, mais uma vez, procurarem encontrar novo equilíbrio emocional
e funcional de acordo com as exigências desta perda.

Os rituais têm um potencial de ajuda e prevenção de uma possível


desestruturação, perante as contínuas mudanças. Mantendo a família unida,
sentindo que pertencem àquele núcleo, todos se sentem mais protegidos e com
um propósito maior.

25
7. A COMUNICAÇÃO NOS SISTEMAS HUMANOS.
A comunicação está presente em todas as relações interpessoais e é um
ponto central quando queremos intervir com famílias. Por um lado, a forma como
nós, profissionais, comunicamos terá influência na forma como todo o processo
de ajuda se irá desenvolver; por outro lado, em um olhar atento à dinâmica
familiar, iremos encontrar padrões comunicacionais que condicionam o bem-
estar do todo familiar e, naturalmente, de cada um dos seus elementos.

Watzlawick, Beavin e Jackson, propuseram, nos anos 60, uma abordagem


explicativa das desordens do comportamento, centrada nos aspectos
pragmáticos da comunicação humana. Partem de 5 axiomas da comunicação,
que consideram fundamentais para a compreensão deste processo:

É impossível não comunicar


 Todo comportamento é comunicação e toda a comunicação e
comportamento
 A forma como o indivíduo se comporta numa situação comunicacional
adquire valor de mensagem. (podemos recusar conversar, virar as costas,
ou até desvalorizar o outro, mas estamos sempre a comunicar)
A comunicação implica um conteúdo e uma relação
 O conteúdo será a informação, enquanto a relação será o modo como a
informação deve ser entendida
 - Falamos de Metacomunicação: Falamos de
Metacomunicação, quando “deixamos de usar a
comunicação para comunicar, mas a empregamos para
comunicar sobre comunicação” (Watzlawick, e tal, 1967).
 Os indivíduos que comunicam, transmitem informações e
simultaneamente procuram estabelecer que tipo de relação deverão
manter com o interlocutor.
 - Trata-se de definir ordem e limites na interação.

 Numa interação transmitimos conteúdos, mas na forma como o fazemos


definimos ainda a qualidade da relação.

26
 Os autores referem que “as relações ‘doentes’ são caracterizadas por
uma constante luta sobre a natureza das relações, tornando-se cada vez
menos importante o aspecto de conteúdo da relação”
PONTUAÇÃO DAS SEQUÊNCIAS COMUNICACIONAIS
 A comunicação entre interlocutores é uma sequência ininterrupta de
trocas de mensagens.
 Estas mensagens trocadas são agrupadas pelos participantes que
introduzem uma pontuação na interação para ficar manifesto que um
ou o outro tem a iniciativa, o domínio, a dependência, etc., dessa
interação.
 O indivíduo responde ao outro, sem se aperceber que poderá estar a
entrar num ciclo vicioso.
COMUNICAÇÃO É ANALÓGICA E DIGITAL
 O homem comunica digitalmente e analogicamente, o que significa
que a digital terá uma lógica informacional e a analógica terá uma
lógica relacional.
 A linguagem digital, com o significado de que funciona a partir de dois
dígitos, sim-não, ou o 0-1 dos computadores, usa palavras que são
sinais arbitrários regidos por regras previamente convencionadas.
 A linguagem analógica é virtualmente toda comunicação não verbal.
A comunicação analógica é a forma de linguagem específica da área
da relação e onde os maiores erros de tradução podem acontecer.
A COMUNICAÇÃO É SIMÉTRICA OU COMPLEMENTAR
 Todas as trocas comunicacionais ou são simétricas ou são
complementares conforme se baseiam na igualdade ou na diferença.
 Ser “livre” de ocupar as diferentes posições (up-down) e de poder
passar de uma relação complementar flexível a uma relação
simétrica permite conservar a vitalidade de uma relação.
 O facto de ser simétrica ou complementar não torna em si, uma
comunicação melhor ou pior, já que ambas têm aspectos importantes
e funcionais. O importante é a alternância entre ambas, de forma
flexível, evitando assim uma escalada simétrica (competitividade) ou
complementaridade rígida (com frustração ou desespero de um dos
elementos da díade).

27
A partir dos axiomas descritos poderemos olhar para as famílias, procurando
perceber como comunicam e compreender a sua dinâmica. Em dinâmicas
funcionais, a comunicação é espontânea e flexível, havendo uma adaptação e,
quando necessário, a capacidade para metacomunicar. Na intervenção
pretendemos efetivamente promover uma comunicação que promova uma
ligação gratificante entre os parceiros comunicacionais (que una e facilite a
relação). Em relações menos funcionais, encontramos frequentemente
dificuldades num ou mais destes axiomas, traduzindo-se tal em incompreensões,
distorções e/ou ressentimentos.
Assim, Comunicação será o que é verbalizado, mas também e sobretudo, o
que é transmitido. De facto, muito do que comunicamos está além das palavras,
em tudo o que pode ser considerado a comunicação não-verbal (a expressão
facial, a aparência, os gestos, o posicionamento face ao outro, etc.), sendo que,
no âmbito dos estudos desenvolvidos, os sintomas são considerados como
mensagens lógicas, com um sentido e uma função no contexto (sistema) em que
surge e se mantém (Relvas, A.P., 2000).
Enquanto Profissionais, entramos nos sistemas familiares e influenciamos a
sua dinâmica, na forma como nos relacionamos, estamos e, acima de tudo,
comunicamos. Ter em conta a nossa influência e assumirmos que a forma como
nos relacionamos com as famílias, será um modelo, é assim um caminho para
otimizar a relação de ajuda, já que é a partir das trocas comunicacionais que a
intervenção acontece.
Conoley & Conoley (2009), no livro sobre Terapia Familiar Positiva, em que
integram a abordagem sistémica e a psicologia positiva na intervenção com
famílias, sistematizam algumas técnicas que nos podem ser úteis na interacção
com as famílias. Partem do princípio que frequentemente as famílias trazem bem
descritos os problemas e cabe aos profissionais ajudá-las a encontrar as suas
forças, recursos e possibilidades, através de uma postura empática, atenta e
congruente. À medida que comunicamos com as famílias, podemos, segundo os
autores, procurar seguir algumas práticas como:

28
NEUTRALIDADE
Procurar ouvir as diferentes perspectivas que os vários elementos das
famílias trazem, evitando aliar-se a um dos elementos, mas, pelo contrário,
procurar encontrar pontos comuns e novas perspectivas a partir das sinergias
criadas no atendimento;

PARAFRASEAR E SUMARIZAR
Ao ‘devolver’ às famílias a forma como compreendemos a situação ou pedido
que trazem, podemos parafrasear, isto é, repetir com sentido e de forma
resumida, algumas das expressões, frases ou ideias consideradas relevantes.
Por outro lado, ao sumarizar acrescentamos algo da perspectiva do técnico às
ideias das famílias. Esta técnica pode ser útil na medida em que as pessoas se
sentem ouvidas e compreendidas, informam as famílias sobre o que mais foi
valorizado pelos técnicos no tocante a conteúdos e interações percebidas,
mostra uma forma alternativa de comunicar (e os técnicos podem ser modelos
inspiradores para as famílias!), cada elemento da família sente-se respeitado
individualmente, é fortalecido o sentido de pertença ao todo familiar, para além
de o técnico clarificar a sua mensagem.

QUESTÕES CIRCULARES

Se questionar é intervir, colocar questões que envolvam todos os elementos


promove uma sinergia de pertença, ampliando a capacidade dos elementos
refletirem sobre si, sobre os outros e sobre a dinâmica do próprio sistema.

REENQUADRAMENTO

O técnico procura devolver uma nova perspectiva alternativa à “verdade”


construída pela família. Por exemplo, das críticas dos filhos adolescentes e pai
a uma mãe muito preocupada com as arrumações e limpezas, o técnico pode
devolver considerando que a mãe demonstra o seu afeto, procurando manter a
casa impecável para a família e, a partir daí, explorar com todos, a forma de
expressar afeto de cada um dos elementos e outras da mãe.

29
CONOTAR POSITIVAMENTE

Reforçar os aspectos relevantes da dinâmica familiar, ou progresso de um


elemento ou relação, no sentido de ultrapassar os problemas, estimulando-se
sua capacidade auto-organizada.

Assim, através da comunicação, poderemos ajudar as famílias a encontrar


um novo olhar para a sua realidade co-construída, e envolver e motivar para a
mudança – rumo a uma vivência gratificante e com sentido para todos.

8. RESILIÊNCIA FAMILIAR.

Resiliência é a capacidade (individual ou familiar) de lidar com uma ou mais


situações adversas, com um sentimento de maior fortalecimento e confiança
após a situação. Durante muitos anos a Resiliência foi estudada sobretudo em
indivíduos, dando-se assim particular atenção à forma como cada um superava
os maiores obstáculos da sua vida, em situações em que se seria expectável
danos grandes do ponto de vista emocional, relacional e social. Tem sido dada
uma atenção grande à resiliência nas crianças e à capacidade que muitas vezes
demonstram em ultrapassar momentos e circunstâncias particularmente difíceis.
Num estudo clássico de resiliência, um investigador passou 40 anos numa ilha

30
do Hawai, a acompanhar o desenvolvimento de 700 crianças (de 1 ano de idade
até os 32) que viviam em situações de extrema pobreza, muitas com problemas
de saúde, educadas em famílias com múltiplos problemas (violência,
negligência, alcoolismo, etc). Foi possível perceber que, apesar de se esperar
que estas crianças se transformassem em adolescentes e mais tarde adultos
problemáticos, 1/3 do grupo estudado mostrou adaptar-se muito bem na
adolescência e 2/3 na idade adulta! O que as diferenciava? Entre diferentes
variáveis, destacava-se elevada autoestima e autoconfiança e pelo menos uma
relação positiva de afetiva com um adulto (nem sempre os pais, mas uma avó,
uma irmã mais velha, ou outra pessoa da comunidade)

Mais recentemente, tem sido dada atenção não só às características dos


indivíduos, mas das dinâmicas familiares. Algumas famílias lidam diariamente
com um adolescente com problemas na escola, enquanto cuidam de um idoso
doente em casa, juntando por vezes uma situação de dificuldades financeiras, e
muitas horas de trabalho, etc… e nem todas entram em colapso, ou discussões
diárias!

A resiliência familiar verifica-se quando as famílias lidam com um ou mais


problemas graves, e referem que as suas relações se mantêm positivas, mesmo
que tenham tido necessidade de modificar a forma de viver o dia-a-dia. Perante
a morte de um familiar querido, por exemplo, estas famílias ressentem-se,
vivendo a dor e a tristeza, mas muitas vezes falam da forma bonita como a família
se reuniu e prestou a homenagem. Mantêm (ou reforçam) as suas atividades,
rotinas e rituais, bem como a função de cuidar uns dos outros. Dizem muitas
vezes sentir que a família se tornou ainda mais unida. De modo geral, são
famílias que contam com ajuda de fora: família alargada, amigos e serviços da
comunidade (escola, saúde, etc) e que referem muitas vezes que conversaram
em conjunto e foram à procura de ajudas e soluções.

Acima de tudo, demonstram uma elevada confiança nas suas capacidades


em ultrapassar as dificuldades, e surpreendem na forma como se transcendem
e mantêm o sentido de família inabalável.

31
Todas as famílias têm um potencial de resiliência, que não é igual em todas
as fases de vida. Contudo, de acordo com a investigação, parece que algumas
dinâmicas fortalecem as famílias na sua capacidade de lidar com as
adversidades (Walsh, F, 2006):

Ao nível das Crenças:

 Consideram que, enquanto família, têm capacidade para lidar com os


problemas que aparecem
 Mantêm esperança e otimismo face às adversidades
 Aceitam o que não podem mudar
 Têm fé e mantêm os seus rituais
 Mantêm uma noção de crescer e aprender com os momentos difíceis

Ao nível da Organização:

 Mostram-se flexibilidade e capacidade de adaptação às exigências


 Há apoio mútuo e colaboração
 Respeito pelas necessidades e limites individuais
 Procuram dar a volta quando os conflitos acontecem
 Procuram ajuda no exterior: família alargada, amigos e serviços da
comunidade

Ao nível da comunicação:

 Comunicam com clareza, sem ambiguidade


 Expressão de afetos e responsabilidade pelos próprios comportamentos
 Rir em Conjunto
 Falam sobre os problemas e possíveis soluções em conjunto
 Decisões partilhadas e orientadas para objetivos claros
 Mostram todos uma postura proativa

32
9. CONSTRUCIONISMO SOCIAL.
“Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente
estará a fazer o impossível” (São Francisco de Assis)

O construcionismo social postula que “a realidade é uma construção social


criada na intersubjetividade da linguagem e que o conhecimento é um fenómeno
social desenvolvido no cadinho da comunicação” (Relvas, A.P., 2000). Segundo
esta teoria, não existem verdades sociais, já que o conhecimento é desenvolvido
nos contextos co-construidos pelas pessoas. A realidade tal como a concebemos
ganha sentido na inter-relação, sendo que as nossas experiências determinam
o seu significado.

Assim, a nossa realidade é criada e mantida por nós, nas nossas ações e
narrativas desenvolvidas, na relação e comunicação com os outros. Os pontos
de vista individuais transformam-se na relação com os outros, alargando a
interação social, sendo importante ter em conta os diferentes pontos de vista e
valorizar a participação de todos na comunicação, de forma a alargar a
possibilidade de redefinição do contexto que influencia e é influenciado pelos
seus participantes.

33
Em síntese, os princípios do construcionismo social são:

 a realidade é uma construção social;


 a realidade é uma construção da linguagem;
 as realidades são organizadas e mantidas;
 a realidade está feita por narrativas ou histórias e não há verdades básicas
ou essenciais.

Em termos pragmáticos, a utilidade do construcionismo social para o técnico


de intervenção social está no facto de se conceber como um interventor que
influencia o contexto da família com que está a trabalhar, considerando que a
família constrói a realidade em que está. Esta realidade existe na percepção da
família e é construída através dos significados atribuídos pela linguagem e
narrativas. O técnico poderá então, através da linguagem, “desconstruir” esse
significado/problema e apoiar na construção de uma nova realidade, criando
novos significados e novos contextos de interação.

9.1 PRÁTICAS APRECIATIVAS


As práticas apreciativas assentam na abordagem do Inquérito Apreciativo
(IA). Esta abordagem surgiu no âmbito das organizações/psicossociologia com
os estudos de David Coperrider, como uma estratégia para a mudança,
alternativa à “resolução de problemas”

O processo inerente ao IA baseia-se onde o sistema social pretende estar,


tendo em conta os momentos altos que já teve. Podemos sempre melhorar, para
o que será fundamental ver o que já está a funcionar. Tal abordagem dá-nos
então a consciência do que temos feito e conseguido. Ganhamos confiança em
nós para nos permitirmos ter mais momentos de sucesso.

O IA parte de oito princípios fundamentais - relacionados com as crenças


e valores sobre os sistemas humanos e mudança – através dos quais teremos
uma concepção mais clara da forma como as mudanças positivas acontecem.

Estes princípios derivam de três correntes de pensamento: (1)


Construcionismo Social (Berger & Luckman) que defende que a realidade é
criada, transformada e mantida através da comunicação humana; (2) Teoria das

34
Imagens do Futuro (Elise & Kenneth Boulding) que sugere que as imagens que
temos do futuro influenciam as nossas decisões e ações do presente; e (3)
“Grounded Theory” (Barney Glaser; Anselm Strauss) que postula a compreensão
de uma cultura, organização ou sociedade através dos olhos dos seus membros,
sendo a observação participante a melhor forma para recolher dados e descrever
uma cultura.

 Princípio Construcionista: “As palavras criam mundos”


A realidade, tal como a conhecemos, é construída socialmente através da
linguagem e dos diálogos que estabelecemos.
 Princípio da Simultaneidade: “O Questionamento gera mudanças”
Questionar/perguntar é intervir e promove a mudança.
 Princípio Poético: “Nós escolhemos aquilo que estudamos”
Os temas que escolhemos estudar/pesquisar determinam e criam o
mundo que descobrimos. Organizações, como livros abertos, constituem
recursos inesgotáveis de aprendizagem.
 Princípio Antecipatório: “A imagem inspira ação”
Os sistemas humanos são inspirados e guiados pelas suas imagens do
futuro.
 Princípio Positivo: “Questões positivas levam a mudanças positivas”
As mudanças de larga escala necessitam de envolvimento e união, bem
como emoções positivas da parte das pessoas envolvidas. Esta postura
positiva é conseguida através de questões positivas.
 Princípio da Totalidade: “A totalidade traz o melhor”
A totalidade traz o melhor das pessoas, das relações, das comunidades e
das organizações, promovendo a criatividade e criando o potencial de
grupo.
 Princípio do Enactment: “Agir ‘como se’ leva à auto realização”
As mudanças positivas acontecem quando imagens e visões de um futuro
ideal são reais no presente.
 Princípio da Livre escolha: “A livre escolha dá poder”
As pessoas estão mais envolvidas com a mudança quando são livres para
escolher a forma e extensão do seu contributo. Livre escolha estimula o
desenvolvimento positivo das organizações.

35
Na base do IA temos ainda alguns pressupostos muito simples que nos
poderão ajudar a encontrar soluções a vários níveis:

1. Em todas as sociedades, organizações ou grupos, alguma coisa funciona;


2. Aquilo em que nos focamos, transforma-se na nossa realidade;
3. A realidade é criada no momento, e há múltiplas realidades;
4. O ato de colocar questões sobre uma organização ou grupo influencia o
grupo de algum modo;
5. As pessoas têm mais confiança e à vontade para encarar o futuro ("o
desconhecido") quando trazem o melhor do seu passado ("o conhecido");
6. . É importante valorizar a diferença;
7. A linguagem que usamos cria a nossa realidade.

A partir destes Pressupostos poderemos encontrar um meio de fazer mais


daquilo que funciona. Ao contrário do modelo clássico de resolução de
problemas, cujo princípio básico é "uma organização é um problema a ser
resolvido", o Inquérito Apreciativo baseia-se no princípio de que "uma
organização é um mistério a ser abraçado" (Hammond, S.A., 1996).

Não obstante a sua origem, rapidamente se verificou a utilidade do Inquérito


Apreciativo em outros contextos. Qualquer sistema humano beneficiará desta
abordagem, que conta com as pessoas como os principais agentes da sua
mudança e crescimento, rumo ao seu ideal/sonho. Apreciar e valorizar o já
alcançado no passado traz benefícios não só para as organizações e suas
equipas, mas também para o desenvolvimento pessoal dos indivíduos e
crescimento e bem-estar das famílias, grupos informais e comunidades,
promovendo a sua capacidade de planeamento e ação, reforçando a confiança
no seu potencial.

36
A abordagem do Inquérito Apreciativo é muitas vezes posta em prática pelo
modelo 4D:

Discovery (Descoberta) – as pessoas falam entre si, muitas vezes via


entrevistas estruturadas, através de questões positivas, na busca e análise de
sucessos;

Dream (Sonho) – esta fase acontece num grupo em que as pessoas, em


conjunto, visualizam o que poderia ser e onde querem chegar;

Design (Delineamento) – tornar a imagem do ‘sonho’ num plano de ação a


realizar por fases;

Delivery (Criação) – implementação de mudanças, dando início a atividades


que possam ser postas em prática no imediato.

Escolher o 'Tema Afirmativo' implica criar temas para o futuro. A partir dele
se desenrola o processo que o sistema pretende desenvolver mais e melhor.
Este Tema irá envolver as pessoas em diálogos e dinâmicas positivas que
permitirão manter a motivação e desejo da concretização do sonho.

A utilidade desta abordagem no trabalho com famílias e em particular na


intervenção social reside no facto de evitarmos o cepticismo relativo à
intervenção ou às potencialidades das famílias. Poderá haver uma tendência

37
para os técnicos/equipas focarem nos problemas e perderem capacidade de
ação eficaz.

Em termos individuais, o IA poderá ajudar os técnicos a lembrar os seus


sucessos e sentirem-se mais confiantes para encarar os novos desafios,
focando-se nos objetivos, recursos e no que funciona. Na equipa o IA procura
envolver as pessoas num objetivo comum, com uma comunicação mais positiva
e construtiva, de modo a ser possível amplificar e generalizar aqueles momentos
experiencial e funcionalmente mais relevantes. No tocante à intervenção, será
um instrumento que ajuda os indivíduos a aprenderem com os seus sucessos,
estabelecendo um foco no futuro, nas soluções e nos recursos que poderão
continuar a encontrar, promovendo assim o empowerment.

10. TERAPIA BREVE ORIENTADA PARA AS SOLUÇÕES.


“Procuremos acender uma vela, em vez de amaldiçoar a escuridão”
(Provérbio Chinês)

38
A Terapia Breve Orientada para as Soluções (TBOS), tal como o nome
indica, refere-se a um processo terapêutico de curta duração que visa a busca
de soluções. Steve de Shazer desenvolveu esta abordagem no sentido de evitar
a tendência das diferentes correntes a focarem-se nos problemas. Parte do
pressuposto de quase sempre existirem excepções aos problemas, na medida
em que esses problemas não estão continuamente presentes – se uma mãe fala
das discussões acesas com o seu marido, vamos perceber como funciona a
dinâmica deste casal quando não discutem, quando se sentem bem. Pretende-
se assim promover as competências das pessoas, maximizando os momentos
que funcionam sem problemas ou em que conseguem lidar melhor com as
situações ditas problemáticas. A TBOS considera que a nossa vida está
constantemente em mudança, pelo que os problemas são realidades
descontínuas e contingentes nas nossas vidas.

Considerando que uma pessoa quando está “em baixo”, não o está
constantemente ao longo do tempo, nem as pessoas em seu redor estão
constantemente a tentar animá-la, o que faz quando se sente melhor? Como
reagem amigos/ familiares quando não está “em baixo”? A TBOS tenta procurar
as competências e recursos, para provocarem mudanças nas suas vidas, tendo
sempre em conta os objetivos definidos com as famílias e indivíduos e se a
intervenção está efetivamente a ir de encontro a esses objetivos.

A Questão do Milagre ajuda-nos, na intervenção, a definir objetivos com uma


família ou indivíduo, que apresenta uma série de queixas, esperando que os
problemas sejam solucionados de alguma forma, muitas vezes vindas do
terapeuta ou técnico.

“Supondo… depois da nossa entrevista vai para casa, janta, organiza a casa,
vê televisão entre outras coisas e vai então dormir… e, enquanto dorme…
acontece um milagre… e os problemas que trouxe à terapia desaparecem, como
que por magia!... mas isto acontece quando está a dormir, pelo que não sabe
que aconteceu… assim, acorda pela manhã e… como descobre que o milagre
aconteceu?”

39
Ao responder a esta questão, a pessoa (ou família) irá visualizar a sua vida
sem os problemas apresentados e imaginar como decorrem as suas rotinas e
como reagiriam as outras pessoas (amigos, familiares, vizinhos, etc.), tomando
consciência das diferenças face ao presente. Os indivíduos colocam-se numa
posição que nem sempre estamos habituados já que, tendemos mais a
queixarmo-nos e a encontrar formas de perpetuar os problemas do que a
concretizarmos uma mudança efetiva.

Esta abordagem recorre ainda a uma escala de 0 a 10, para depois da


questão milagre, se posicionar face à mudança:

“Numa escala de “zero” a “dez”, sendo o dez indicador para as circunstâncias


do dia após o milagre e o zero para quando recorreu a um pedido de ajuda
profissional (psicólogo, assistente social ou outro técnico), em que ponto (entre
“zero” e “dez” ) se encontra neste momento?”

Após esta questão, é possível, supondo que a pessoa responde “quatro”,


procurar perceber a diferença entre “zero” e “quatro” na sua concepção, como
seriam as coisas se tivesse no “cinco”, o que era preciso acontecer para se
considerar no “seis”, e assim concretizar um pouco mais sobre como desenvolver
o processo de mudança. Em cada uma das sessões seguintes é efetuada a
pergunta relativamente ao posicionamento atual da referida escala.

A partir daqui é possível definir objetivos concretos com as pessoas, tendo


em conta o futuro imaginado, com um maior envolvimento da sua parte – é
fundamental que os objetivos partam das famílias e indivíduos, para garantir
empenhamento ao longo do processo de mudança.

Tendo sido desenvolvido no âmbito da intervenção clínica, esta abordagem


tem sido alargada ao contexto de intervenção social. Torna-se útil devido ao seu
pragmatismo e sua capacidade de envolvimento das pessoas com os objetivos
definidos. Para os técnicos, torna-se prático para a reflexão constante dos
objetivos concretos e definição de etapas, para além de, com a escala, ter ainda
feedback da evolução percebida pelos indivíduos/utentes.

40
11. TERAPIAS NARRATIVAS.
“A pessoa não é o problema, o problema é o problema” (Michael White)

As Terapias Narrativas surgiram com Michael White e David Epston, sendo


uma abordagem que se centra nas pessoas como “especialistas” das suas
próprias vidas e nos problemas como entidades separadas dos indivíduos.
Assume-se assim que as pessoas têm competências, habilidades, crenças e
valores que lhes permitem diminuir a influência que os problemas têm nas suas
vidas

Os autores enfatizam a importância das histórias de vida que todos


construímos e defendem que se pode fazer a diferença na construção de novas
narrativas. As Terapias Narrativas envolvem então da parte do terapeuta ou
técnico, a compreensão das histórias dos indivíduos e a promoção de uma
relação de colaboração para criar novas narrativas, para “re-narrar” os seus
acontecimentos de vida. Nesta relação são co-criados novos significados que
facilitam a criação de uma nova realidade para as famílias.

41
Não obstante White e Epston apresentarem várias sugestões de
intervenção, esta abordagem passa mais por integrar uma filosofia de “re-narrar”
as histórias de vida, do que de seguir uma metodologia rígida, pelo que o
terapeuta poderá criar diferentes formas de intervenção, adaptadas ao contexto.
É uma forma de trabalhar que se foca na perspectiva das pessoas e nos
contextos que afetam o seu bem-estar, partindo do pressuposto de que quando
as pessoas experimentam um problema e vão à terapia, as narrativas com que
estão a relatar a sua vivência, não representam suficientemente a experiência
vivida, pois há aspectos significativos e vitais da sua experiência que
contradizem estas narrativas dominantes.

É assim proposto, no âmbito desta abordagem, que a intervenção passe pela


Externalização do Problema, isto é, por ajudar os membros das famílias a
separarem-se e a separarem as suas relações do “problema”, a partir da
construção de narrativas alternativas não saturadas pela situação problemática.

Várias são as vantagens apontadas pelos autores:

 Diminuição de conflitos pessoais, ou disputas pela atribuição de culpa;


 Menor sensação de fracasso que aparece em muitas pessoas perante a
persistência do problema, apesar das constantes tentativas de o
solucionar;
 Maior cooperação entre os elementos da família, para combater em
conjunto o problema;
 Ajuda a criar realidades alternativas à situação problemática e
identificação com aspectos ignorados nas narrativas prévias;
 Menos tensão a lidar com o problema;
 Maior diálogo e maior abertura sobre a vivência com o problema.

A intervenção, de acordo com esta abordagem passa então por:

Colocar perguntas de influência relativa – perceber em conjunto em que


medida o problema está a influenciar cada um dos elementos da família, bem
como a própria dinâmica familiar; perceber ainda qual a influência relativa dos
membros da família na manutenção do problema;

42
Redefinir a relação das pessoas com o problema – através da
externalização e da construção de novas narrativas, os terapeutas poderão
ajudar as pessoas que pedem ajuda a ganhar uma nova perspectiva e a criarem
uma relação mais positiva com as respectivas realidades, e como tal, com os
problemas emergentes.

Identificar os acontecimentos extraordinários – estes acontecimentos


poderão ser verificados nas novas narrativas, não saturadas do problema, em
que mais acontecimentos e detalhes das vivências emergem e podem assim ser
explorados com as pessoas de modo a que passem a integrar a nova realidade.

As Terapias (ou Práticas) narrativas poderão assim ser aplicadas na


intervenção social, onde diariamente somos confrontados com histórias
saturadas de problemas e que amiúde os seus autores mostram uma postura de
cepticismo face a eventuais alternativas. Colaborando com as pessoas na
criação de novas narrativas, a colocarem os problemas fora das suas dinâmicas
familiares, mais recursos e competências das famílias surgirão, podendo assim
ser valorizadas e consolidadas de forma a que a nova realidade floresça.

12. INTERVENÇÃO ATRAVÉS DO HUMOR.


“Não leves a vida demasiada a sério, pois não sairás dela com vida” (André
Maurois)

43
Se é um fato que o sentido de humor existe exclusivamente no ser
humano, pouco paramos para questionarmos sobre a sua natureza e função. Até
que ponto o sentido de humor nos pode ajudar nas nossas vidas? E na
intervenção? Nos últimos 30 anos têm sido desenvolvidos vários estudos para
verificar estas e outras questões. Alguns dos estudos têm demonstrado
inúmeros benefícios na saúde física e emocional e, no tocante à Intervenção
através do Humor têm sido verificadas mais valias, tais como:

 Ajuda a ganhar objetividade sobre os problemas;


 Ajuda a fomentar uma boa aliança terapêutica;
 Ajuda a promover uma autoaceitação;
 Ajuda a apreciar a vida;
 Ajuda a prevenir o Burnout dos terapeutas
Assim, apesar de uma tradição de “seriedade” na intervenção, sabemos
que o Humor nos pode ajudar no estabelecimento da relação, na intervenção
terapêutica, bem como prevenir situações de Burnout.
Há, contudo, necessidade de refletirmos sobre os diferentes tipos ou
dimensões do Humor. Begoña Garcia Laurrauri propõe o Modelo
Multidimensional do Sentido de Humor, a partir do qual poderemos compreender
melhor a sua dinâmica e impacto nas nossas vidas (Fig. 11). As quatro
dimensões do Sentido de Humor (SH) estão interrelacionadas e potenciam-se
mutuamente:
 Criação do sentido de Humor – dimensão mais externa e visível do SH
e relaciona-se com a facilidade em rir e fazer rir, com uma perspicácia
para identificar o lado cómico e divertido das situações;
 Apreciar o Humor e Disfrutar da vida – dimensão referente a habilidade
para rir-se de si próprio e de apreciar o quotidiano (mesmo na rotina),
levando a vida a sério, mas integrando algum humor;
 Optimismo face a problemas – refere-se à capacidade de encarar os
contratempos, dificuldades ou fracassos; de recorrer ao humor em
momentos negativos; e de atuar de forma adequada para encontrar
soluções a partir dos recursos.

44
 Estabelecimento de relações positivas – capacidade para estabelecer
relações gratificantes, baseadas numa comunicação positiva e no uso do
humor.

Partindo do pressuposto de que podemos (devemos?) desenvolver o


nosso SH – já que esta não é uma característica que nasça com as pessoas mas
que é desenvolvida e alimentada nas relações estabelecidas (com os outros e
consigo próprio) – podemos assim considerar que para tal estaremos a trabalhar
ao nível do nosso pensamento racional (adoptando um estilo explicativo
optimista, relativizando o que de negativo acontece e apreciando as alternativas
possíveis), das emoções (fomentando um sentimento de esperança, alegria e
prazer de viver, mesmo nos descontínuos inerentes) e dos comportamentos
(pondo em prática estratégias que nos permitem usar o humor, rir de nós próprios
e das situações que acontecem, evitando o sarcasmo ou o humor agressivo).
São assim as áreas que iremos tocar nas pessoas com que lidamos na
intervenção, se queremos ajudá-las a desenvolver o seu SH e assim ganhar uma
perspectiva mais positiva e proativa perante as adversidades.

45
12.1 COMO PODEMOS UTILIZAR O HUMOR NA INTERVENÇÃO?
Naturalmente que não há receitas e parte muito de cada um de nós, do
nosso estilo pessoal de intervenção. No entanto, quando nos sentimos à
vontade, podemos ajudar as pessoas a verem o lado mais insólito ou cómico,
desdramatizando assim as situações que nos trazem. É fundamental, contudo,
que o bom senso esteja presente, para não magoar ou menosprezar o sofrimento
dos outros.

Muitas vezes o nível de tensão das famílias que pedem ajuda é tal, que
qualquer estratégia parece condenada ao fracasso… assim, se o próprio técnico
ou terapeuta adoptar um estilo optimista de pensamento ajudará as famílias a
rirem-se com as dinâmicas por eles criadas e fazer emergir outras alternativas
nas conversas estabelecidas/ atendimentos – afinal, em todas as famílias há
momentos de maior tensão (olhemos para as nossas famílias) e, quando
conseguimos rir e brincar com as situações, mais facilmente relativizamos e
damos o espaço adequado aos problemas (sem sobrevalorizar ou subvalorizar)
e podemos então encontrar novas soluções e estratégias.

Há que ter ainda em atenção que nem todo o humor é construtivo ou


potenciador de modos mais positivos de lidar com as situações. Salameh propõe
uma escala de avaliação do Humor que nos pode ajudar a refletir:

 Humor destrutivo
o Sarcástico; quando o terapeuta abusa do humor para expressar a sua
hostilidade ao cliente; sem valor terapêutico

 Humor negativo
o Demonstra insegurança do terapeuta face às necessidades do cliente;
humor desadequado

 Humor de ajuda mínima


o Quando o terapeuta se conecta com as necessidades do cliente; ajuda
a estabelecer uma boa relação e parte de uma reação à comunicação
do cliente.

46
 Humor de muita ajuda
o Demonstra sensibilidade do terapeuta para as necessidades do cliente;
favorece a sua exploração e promove a mudança de comportamentos
desadaptraativos para outros mais funcionais.

 Humor de ajuda excepcional


o Espontâneo, contextualizado e bem interpretado; leva a uma maior
mudança de sentimentos, pensamentos, comportamentos e relações
do cliente; facilita alternativas construtivas.

É assim fundamental tomarmos consciência se estamos a rir com ou a rir


das pessoas (Cloé Madanes), pois essa diferença pode alterar o rumo da relação
estabelecida com as famílias ou indivíduos, bem como influenciar o processo de
mudança que pretendemos agilizar. O humor pode ser um meio óptimo para
ganhar perspectiva dos problemas e ajudar as pessoas a afastarem-se do
criticismo (Fogarty) e tal é possível se dá parte do técnico ou terapeuta houver
igualmente uma postura positiva e construtiva perante a vida e os outros.
Comecemos por nós e naturalmente iremos otimizar a nossa intervenção.

47
CONCLUSÃO

Para conhecer um organismo vivo não basta conhecer as propriedades


dos seus órgãos individualmente – é necessário conhecer as relações entre
todos os elementos e o modo como se organizam entre si.

A Terapia Familiar tem em conta ainda uma série de fatores e processos,


pelo que as análises efetuadas têm por base uma visão holística da realidade,
procurando compreender as relações mais do que a atribuição de uma causa
para dada ocorrência.

Todas as famílias procuram encontrar uma organização própria ao nível


do funcionamento. Não há duas famílias iguais e não há uma maneira certa de
estar em família. Dentro desta perspectiva, um indivíduo é compreendido na sua
totalidade se conhecermos o sistema familiar onde se integra, o tipo de relações
estabelecidas, o nível de permeabilidade dos limites (há famílias mais fechadas
do que outras), as regras de funcionamento do sistema, os papéis que
desempenha.

O genograma é um meio de avaliação familiar que nos permite


conceptualizar visualmente a família no que toca aos seus membros e
respectivas relações. A base do genograma é a descrição gráfica de como os
diferentes elementos estão biológicas ou legalmente ligados entre si, de uma
geração para a outra. o terceiro nível de construção de um genograma, sendo
baseado na percepção dos elementos que nos ajudam na sua execução, bem
como na observação direta dos técnicos.

O Ecomapa é um modo de registro do genograma e sistemas alargados.


Quando trabalhamos com uma família, teremos de ter em conta não só o seu
funcionamento interno, ao nível da dinâmica dos seus subsistemas, mas também
toda a rede existente à sua volta. O ecomapa permite-nos ver os recursos da
família na comunidade, bem como as suas relações sociais exteriores.

O Técnico de Intervenção Social é aquele que se relaciona e envolve com


as famílias, que pretende promover o empowerment e autonomia das
populações, mas que também está integrado numa equipa, pretendendo

48
encontrar objetivos comuns com planos conjuntos, numa Instituição cuja missão
deverá adoptar.

O técnico de intervenção social está constantemente envolvido na rede,


da qual passa a fazer parte. É fundamental questionar a sua intervenção e ter
noção das pressões existentes, quando está a intervir.

A família está em constante evolução e mudança entrando em novas


realidades às quais se irá adaptar: alteração do número de elementos do sistema
familiar; mudanças de idade dos seus elementos; e mudanças do seu estatuto
ocupacional são alguns dos critérios comummente considerados como
marcadores dos possíveis estádios deste ciclo vital. Vários autores têm sugerido
etapas do ciclo vital da família, considerando as mudanças e transformações do
sistema familiar em sequência dos “marcadores” adoptados – como técnicos, a
reflexão sobre as diferentes fases, em conjunto com a família, poderá ser um
bom auxílio para a intervenção, definição de metas e meios. As famílias lidam
tanto melhor com as mudanças de estádio de ciclo vital, quanto apresentam
flexibilidade e capacidade de gerir imprevistos.

Através dos Rituais, as famílias passam os seus valores e crenças às


diferentes gerações, mantêm o relacionamento entre todos os elementos da
família, promovem a coesão familiar e um sentido de pertença e identidade.
Ajudam ainda a melhor gerir as mudanças (positivas e negativas). Os rituais têm
assim um lado simbólico sobre o que é ser família.

Através da comunicação, poderemos ajudar as famílias a encontrar um novo


olhar para a sua realidade co-construída, e envolver e motivar para a mudança
– rumo a uma vivência gratificante e com sentido para todos.

Em termos pragmáticos, a utilidade do construcionismo social para o


técnico de intervenção social está no facto de se conceber como um interventor
que influencia o contexto da família com que está a trabalhar, considerando que
a família constrói a realidade em que está. Em termos individuais, o IA poderá
ajudar os técnicos a lembrar os seus sucessos e sentirem-se mais confiantes
para encarar os novos desafios, focando-se nos objetivos, recursos e no que
funciona.

49
A Terapia Breve Orientada para as Soluções (TBOS), tal como o nome
indica, refere-se a um processo terapêutico de curta duração que visa a busca
de soluções.

As Terapias Narrativas surgiram com Michael White e David Epston,


sendo uma abordagem que se centra nas pessoas como “especialistas” das suas
próprias vidas e nos problemas como entidades separadas dos indivíduos.
Colaborando com as pessoas na criação de novas narrativas, a colocarem os
problemas fora das suas dinâmicas familiares, mais recursos e competências
das famílias surgirão, podendo assim ser valorizadas e consolidadas de forma a
que a nova realidade floresça.

O humor pode ser um meio óptimo para ganhar perspectiva dos


problemas e ajudar as pessoas a afastarem-se do criticismo (Fogarty) e tal é
possível se dá parte do técnico ou terapeuta houver igualmente uma postura
positiva e construtiva perante a vida e os outros. Comecemos por nós e
naturalmente iremos otimizar a nossa intervenção.

50
REFERÊNCIA

 AUSLOOS , G. (1996). A COMPETÊNCIA DAS F AMÍLIAS. C LIMEPSI EDITORES .

 B ARKER, P.(2000). FUNDAMENTOS DA TERAPIA F AMILIAR. CLIMEPSI


EDITORES .

 BENOIT, J.C. (1995). T RATAMENTO DAS PERTURBAÇÕES FAMILIARES .


CLIMEPSI EDITORES .

 C ARNEIRO, C. & ABRITTA, S. (2008). FORMAS DE EXISTIR: A BUSCA DE

SENTIDO PARA A V IDA. IN REVISTA DA ABORDAGEM GESTÁLTICA – XIV(2):


190-194, JUL-DEZ, 2008

 COLETTI, M. & LINARES , J.L. (1997). LA INTERVENCIÓN SISTÉMICA EN LOS


SERVICIOS SOCIALES ANTE LA FAMILIA MULTIPROBLEMÁTICA. P AIDÓS
TERAPIA F AMILIAR.

 CONOLEY, C.W. & CONOLEY, J.C. (2009). POSITIVE PSYCHOLOGY AND

FAMILY T HERAPY. ED W ILEY.

 DON D. JACKSON, M.D. T HE STUDY OF THE FAMILY. F AM PROC 4: 1-20,


1965.

 FERREIRA DA S ILVA, L. (2001). ACÇÃO SOCIAL NA ÁREA DA F AMÍLIA.


UNIVERSIDADE ABERTA.

 G AMEIRO, J. E COL. (1994). QUEM SAI AOS SEUS ... EDIÇÕES


AFRONTAMENTO.

 G ARCÍA L ARRAURI, BEGOÑA (2006). PROGRAMA PARA MEJORAR EL

SENTIDO DEL HUMOR . PSICOLOGIA P IRÂMIDE .

 GERGEN, K. (1973). SOCIAL PSYCHOLOGY AS H ISTORY. JOURNAL OF

PERSONALITY AND SOCIAL PSYCHOLOGY, VOL.6, Nº2, 309-320.

 GERGEN, K. (1996). SOCIAL PSYCHOLOGY AS SOCIAL CONSTRUCTION : THE


EMERGING VISION. IN “THE MESSAGE OF SOCIAL PSYCHOLOGY:

51
PERSPECTIVES ON MIND IN SOCIET”Y (EDS. C. MCG ARTY AND A. H ASLAM)
OXFORD: BLACKWELL

 GERGEN, K. (2006). CONSTRUIR LA REALIDAD – EL FUTURO DE LA

PSICOTERAPIA. EDICIONES PAIDÓS IBÉRICA, SA.

 H AMMOND, S.A. (1996). T HE THIN BOOK OF APPRECIATIVE INQUIRY.


KODIAK CONSULTING.

 IDÍGORAS , ANGÉL RZ (2002). EL V ALOR TERAPÉUTICO DEL HUMOR.


DESCLÉE DE BROUWER.

 IMBER-BLACK (1988). FAMILY-L ARGER SYSTEM ASSESSMENT MODEL.


FAMILY AND L ARGER SYSTEMS . GUSTFORD, LONDON

 LEBBE-BERRIER, P. (1988). POUVOIR ET CRÉATIVITÉ DU TRAVAILLEUR

SOCIAL – UNE MÉTHODOLOGIE SYSTÉMIQUE. ESF ÉDITEUR

 LIND, W. (2004). A IMPORTÂNCIA DOS RITUAIS FAMILIARES NA CONSTRUÇÃO


DA FAMÍLIA. REVISTA C IDADE SOLIDÁRIA, 11, 6-23

 MAC ODELL (1998). APPRECIATIVE PLANNING AND ACTION – EXPERIENCE


FROM FIELD . COMMUNITY APPLICATION

 MCGOLDRICKM.; C ARTER E.(1982). T HE F AMILIY L IFE CYCLE. IN W ALSH,


F. NORMAL F AMILY PROCESSES . N.Y., T HE GUILDFORD PRESS.

 MILLER, G; SHAZER, S. (1998). HAVE YOU HEARD THE LATEST RUMOUR

ABOUT…? SOLUTION-FOCUSED THERAPY AS A RUMOUR . FAMILY PROCESS ,


VOL 37, Nº3.

 NETO, L. (2004), O PROJECTO DE APOIO À FAMÍLIA E À CRIANÇA DO

B AIRRO P ADRE CRUZ - SUPERVISÃO DE UM TRABALHO EM CONTEXTO DE

POBREZA E EXCLUSÃO . IN CIDADE SOLIDÁRIA - REVISTA DA S ANTA C ASA DA


MISERICÓRDIA DE L ISBOA, Nº 11.

 ORTEGA BEVIA, F.J. (2001). T ERAPIA F AMILIAR S ISTÉMICA. UNIVERSIDAD


DE SEVILLA

52
 PINA PRATA, F.X. P ATOLOGIA INTER-RELACIONAL NA S ISTÉMICA DA

TERAPIA F AMILIAR. IN PSICOLOGIA SOCIAL DO DESENVOLVIMENTO. 1985.


LIVROS HORIZONTE .

 RELVAS , A. P. (1996). O CICLO VITAL DA F AMÍLIA (PP. 113-143). EDIÇÕES


AFRONTAMENTO.

 RELVAS , A. P. (2000). POR DETRÁS DO ESPELHO. DA T EORIA À T ERAPIA


COM A F AMÍLIA. COLECÇÃO PSICOLOGIA E S AÚDE. QUARTETO EDITORA.

 RODRIGUES , F. (COORD) (2003). ACÇÃO SOCIAL NA ÁREA DA EXCLUSÃO


SOCIAL. UNIVERSIDADE ABERTA

 S ALES, C. (2000). POSIÇÃO E MOVIMENTO NO TRABALHO DE ACÇÃO

SOCIAL. SERÃO APENAS QUESTÕES DE GINÁSTICA? RECORTES 2/2000

 S AMPAIO E G AMEIRO (1985). TERAPIA FAMILIAR . BIBLIOTECA DAS C IÊNCIAS


DO HOMEM. EDIÇÕES AFRONTAMENTO.

 S ANTA MARIA; E.P.A (2004). TRABAJANDO CON FAMILIAS – TEORÍA Y

PRÁCTICA. LIBROS CERTEZA.

 SELVINI P ALAZZOLI, M., BOSCOLO, L., CECCHIN, G. AND PRATA, G.,


"HYPOTHESIZING-CIRCULARITY-NEUTRALITY THREE GUIDELINES FOR THE

CONDUCTOR OF THE SESSION," FAM. PROC., 19, 3-12, 1980.

 SHAZER, S.; KIM BERG, I. (1992). DOING T HERAPY: A POST- STRUCTURAL

RE -VISION . JOURNAL OF MARITAL AND F AMILY T HERAPY, VOL18, Nº 1, 71-


81.

 SHAZER, S.; KIM BERG, I. (1997). WHAT WORKS ? REMARKS ON RESEARCH


ASPECTS OF SOLUTION-FOCUSED BRIEF T HERAPY. T HE ASSOCIATION FOR

FAMILY T HERAPY AND SYSTEMIC PRACTICE. BLACKWELL PUBLISHERS .

 W ATZLAWICK, P., BEAVIN, J.M. & J ACKSON, D.D. (1967) PRAGMATICS OF


HUMAN COMUNICATION – A STUDY OF INTERACTIONAL P ATTERNS ,
P ATHOLOGIES , AND P ARADOXES . W. W. NORTON & COMPANY, INC.

 WLASH, F. (2006). STRENGTHENING FAMILY RESILIENCE (2 ND EDITION).


GUILFORD ED.

53
 WHITE, M. & EPSTON, D. (1993). MEDIOS N ARRATIVOS PARA FINES

TERAPÉUTICOS . P AIDÓS T ERAPIA F AMILIAR

 WHITNEY, D & T ROSTEN-BLOOM, A., (2003), THE POWER OF APPRECIATIVE


INQUIRY - A PRATICAL GUIDE TO POSITIVE CHANGE. BERRET-KOEHLER
PUBLISHERS , INC. S AN FRANCISCO.

54

Você também pode gostar