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Hemostasia e Fase Inflamatória da Ferida

O documento descreve as fases do processo de cicatrização de feridas: a fase inflamatória, a hemostasia e a formação de coágulos, a fase proliferativa de formação de novo tecido, e a fase remodeladora. Também discute fatores que influenciam a cicatrização, tipos de cicatrização, e complicações de feridas cirúrgicas.
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Hemostasia e Fase Inflamatória da Ferida

O documento descreve as fases do processo de cicatrização de feridas: a fase inflamatória, a hemostasia e a formação de coágulos, a fase proliferativa de formação de novo tecido, e a fase remodeladora. Também discute fatores que influenciam a cicatrização, tipos de cicatrização, e complicações de feridas cirúrgicas.
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Cuidar de pessoas com Feridas

Processo de Cicatrização: Perfeita e coordenada cascata de eventos celulares, moleculares e


bioquímicos que interagem para que ocorra a reconstituição tecidual.

Fase inflamatória: constitui-se pela libertação de fatores de coagulação e liberação de células


responsáveis pela limpeza da ferida. Nesta etapa, que dura entre 48 e 72 horas, a paciente pode
sentir: dor e calor, rubor, edema e produção de secreções, ou seja, sinais clássicos de
inflamação.
Hemostase:  A primeira ação tomada pelo corpo para estancar a hemorragia é enviar proteínas,
denominadas colagénio, que fazem com que as plaquetas sanguíneas se desloquem para a ferida
e se liguem umas às outras. Estas também fazem com que os vasos se contraiam, diminuindo a
circulação de sangue em torno da área com ferimentos. As plaquetas libertam vários compostos
que fazem com que ainda mais plaquetas se liguem entre si para ajudar a fechar a ferida.
Normalmente, em alguns minutos, forma-se um tampão que é a primeira reação para estancar a
hemorragia.
Para estabilizar o tampão, as substâncias libertadas pela ferida dão início a outra reação em
cadeia interligada, denominada hemóstase secundária. Como resultado, forma-se um coágulo
composto por plaquetas, fibrina e células sanguíneas no sangue.
Fase Proliferativa: caracteriza-se pela formação de tecido epitelial (Epitelização), com a
reconstituição de vasos sanguíneos (Angiogénese) e linfáticos, a produção de colagénio e uma
intensa migração de células ao local da ferida. Nesta etapa a região lesionada começa a ter a
aparência de cicatriz, graças ao acúmulo de massa fibrosa (Fibroplasia).
Fase Remodeladora: a fase é marcada pela redução da vascularização, que concede lugar ao
tecido cicatricial. Neste momento há o alinhamento das fibras de colágeno, que na etapa anterior
estavam desorganizados e agora têm mais força para substituir as antigas.

Notas:
Tecido cicatrial: tecido contraído, firme, avascular e
pálido na superfície do corpo; com diminuição da
elasticidade da pele associada a prévia solução de
continuidade e cicatrização.
Os neutrófilos apresentam a capacidade de sair do
interior dos vasos sanguíneos (diapedese) e invadir
tecidos para defender nosso organismo, após serem
atraídos por quimiotaxia. São responsáveis por
fagocitar organismos invasores (bactérias), sendo
importantes para uma resposta inata
Os monócitos abandonam a corrente sanguínea
(diapedese) e diferenciam-se em macrófagos, que
removem os restos de células mortas e também Fatores que influenciam a cicatrização
atacam/destroem os micro-organismos através da
fagocitose.
Fatores locais:
 Infeção
 Corpo estranho
 Edema / pressão tecidual elevada
 Tipo de ferida
 Local anatómico
 Isquemia (presença de fluxo sanguíneo e oxigénio inadequados)
Fatores sistémicos:
 Estado Nutricional
 Vascularização
 Doenças sistémicas (diabetes, oncológicas, alt. função renal e hepática, SIDA)
 Medicação (corticoides, AINES, quimioterápicos, imunossupressores, anticoagulantes)
 Idade

Alterações na cicatrização: Métodos de tratamento


-Cirurgia -Laser
-Radioterapia -Pensos de silicone
-Corticoides

Tipos de cicatrização:
1ª Intenção: superfície de tecido está ou foi aproximada:
 Sem ou com pouca perda de tecido
 Formação diminuta de tecido cicatricial
 Risco mínimo de infeção
2ªIntenção: União indireta dos bordos da ferida, requerem a regeneração de grande parte dos
tecidos. Nas feridas extensas, infeção, má irrigação dos tecidos
 Maior tempo de cicatrização
 Formação de mais tecido cicatricial
 Maior suscetibilidade de infetar
3ªIntenção (encerramento primário retardado): Combinação dos dois tipos (1ª e 2ª intenção).
Inicialmente a ferida é deixada aberta e posteriormente os bordos são aproximados por sutura.

Ferida Cirúrgica: Corte de tecido produzido por um instrumento cirúrgico cortante, de modo a
criar uma abertura no corpo, produzindo drenagem de soro ou sangue, que se espera que seja
limpa, sem qualquer sinal de infeção.
Sutura: União ou aproximação de estruturas através de um ou mais pontos, agrafos, steri-strips
ou cola de cicatrização, que visa restaurar a integridade dos tecidos que foram rompidos devido
a trauma ou intervenções cirúrgicas, promovendo uma cicatrização de 1ªintenção.

Uma ferida cirúrgica pode ser:


 Limpa- ferida cirúrgica consequente de uma cirurgia eletiva, não traumática, não
infetada, não havendo penetrado no trato digestivo, respiratório, genito-urinário e nem
na cavidade orofaríngea.
 Limpa-Contaminada: resultante te intervenções que penetraram no sistema digestivo,
respiratório ou genito-urinário, em condições controladas e sem contaminação.
 Contaminada: resultante de intervenções com grave violação da técnica cirúrgica, casos
de feridas traumáticas ou quando se penetra no aparelho respiratório, digestivo ou
genito-urinário, na presença de infeção.
 Suja ou infetada: feridas traumáticas com tecido desvitalizado, corpos estranhos e
contaminação fecal ou aquelas em que o tratamento cirúrgico foi tardio.
Complicações da ferida cirúrgica:
-Hematoma -Infeção
-Seroma -Deiscência
-Evisceração -Granuloma
-Necrose -Cicatrização queloide

Infeção do local cirurgico: fatores associados ao utente


 Idade avançada
 Diabetes
 Tabaco


Obesidade
 Estado nutricional
 Resposta imunitária alterada
 Tempo de internamento
Como prevenir?
-Promover o banho
-Controlar níveis de glicemia nos diabéticos e o tabaco
-Preparar área de incisão cirúrgica para que esteja livre de contaminação
-Não realizar tricotomia (raspagem de pelos os cabelos no local de incisão)
-Proteger a incisão com penso estéril
-Higienizar as mãos na mudança de pensos
-Utilizar luvas

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