Indústria de Rochas Ornamentais na Bahia
Indústria de Rochas Ornamentais na Bahia
2004
SUMRIO
1. APRESENTAO 2. CARACTERSTICAS GERAIS DOS PRODUTOS E PROCESSOS 3. MERCADO MUNDIAL 4. A INDSTRIA BRASILEIRA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 4.1 Dados Gerais 4.2 Consumo Interno 4.3 Exportaes 5. A BEM SUCEDIDA INDSTRIA CAPIXABA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 6. A INDSTRIA BAIANA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 6.1. Dados gerais 6.2 Principais categorias e distribuio geogrfica 6.3. Atividades de beneficiamento 6.4 O Mrmore Bege Bahia 6.4.1 Dados Gerais 6.4.2 Oportunidades de Mercado e Desenvolvimentos Tecnolgicos 6.4.3. Alguns entraves ao desenvolvimento do APL de Mrmore Bege Bahia 6.5 Beneficiamento de Granito 6.6. A insero da Bahia no mercado externo 7. CONSIDERAES FINAIS REFERNCIAS ANEXO 2 2 8 13 13 16 16 19 23 23 24 27 28 28 30 32 33 35 38 43 45
Este trabalho se prope a tratar da indstria de rochas ornamentais, mrmores e granitos, enfatizando sua conformao, gargalos e potencialidade no estado da Bahia. Inicialmente, apresentam-se as particularidades dos produtos e processos produtivos desta indstria, incluindo os principais equipamentos utilizados. Descrevem-se as caractersticas do mercado internacional, principais produtores, exportadores e importadores. Em seguida, mostra-se como o Brasil est inserido neste mercado e como est organizada a sua referida indstria, com especial destaque para o parque instalado no estado do Esprito Santo. A ltima parte do trabalho discorre sobre as caractersticas do setor na Bahia, a sua insero nos mercados interno e externo, seus pontos fortes e fracos, as oportunidades e ameaas ao seu desenvolvimento. Dedica-se maior ateno s atividades voltadas ao beneficiamento do mrmore Bege Bahia, para o qual, aparentemente, se encontram boas oportunidades de negcios. Nas
consideraes finais, so feitas reflexes sobre os entraves e as perspectivas futuras do setor no Brasil e na Bahia. O anexo contm uma lista de empresas do setor na Bahia. 2. CARACTERSTICAS GERAIS DOS PRODUTOS E PROCESSOS
O setor de rochas ornamentais tem caractersticas inerentes a uma indstria tradicional. Trata-se de uma atividade extrativa cujos traos mais marcantes so: o processamento de recursos naturais; a baixa intensidade tecnolgica; a reduzida exigncia em termos de escala mnima de produo; o carter exgeno da inovao tecnolgica, pois ela costuma vir incorporada nos equipamentos; e o fato da capacidade empreendedora do dirigente ser um fator crtico para a competitividade. As rochas ornamentais e de revestimento, tambm chamadas pedras naturais, rochas lapdeas e rochas dimensionais, do ponto de vista comercial, so basicamente classificadas em mrmores e granitos. Estas duas categorias respondem por 90% da produo mundial. Os demais tipos so as ardsias,
quartzitos, pedra sabo, serpentinitos, basaltos e conglomerados naturais (PEITER et al, 2001). O corrente trabalho focado nos mrmores e granitos, categorias predominantes no estado da Bahia. Os granitos so classificados como rochas silicticas e os mrmores como rochas carbonticas. Os mrmores travertinos so destacados no presente estudo porque neles se inclui o mrmore Bege Bahia, amplamente consumido em todo territrio nacional, cujas jazidas ocorrem com exclusividade na regio norte do estado. Os travertinos so rochas calcrias, de cores claras, com grandes poros, gerados por fontes de gua ricas em bicarbonato de clcio, e no raro, com vestgios de plantas (Foto 4). Por sua vez, os granitos tm menor porosidade, elevada resistncia e dureza.
Conseqentemente, a serragem destes mais trabalhosa e dispendiosa que a dos mrmores. Segundo Chiodi (NEGCIOS, 2004), na categoria de rocha carbontica, metamorfizada, o mrmore tem quase a mesma aplicabilidade que o granito. A seu favor est a durabilidade e a nobreza, e seu ponto fraco ser menos resistente a riscos (como arranhes) e mais sensvel ao ataque qumico, como os produtos de limpeza (cido). Por fora da constituio de seus terrenos geolgicos, os mrmores dos pases mediterrneos so mais nobres, possuem massa fina e padres cromticos variados, de acordo com Chiodi (IBID, 2004). As rochas ornamentais so utilizadas na indstria da construo civil como revestimentos internos e externos de paredes, pisos, pilares, colunas e soleiras. Compem tambm peas isoladas, como estruturas, tampos, ps de mesa, bancadas, balces, lpides e arte funerria em geral, alm de edificaes. As pedras ornamentais podem tambm ser torneadas para revestimento de colunas. A aplicao do granito na construo civil em substituio a outros produtos vem sendo crescente, pelo fato de suas caractersticas apresentarem vantagens de uso: resistncia, durabilidade, facilidade de limpeza e esttica. Seu dinamismo de mercado est fundamentado na sua elevada capacidade de substituio em relao a outros materiais. Como resistente ao ataque qumico, ao desgaste abrasivo, a utilizao do granito em revestimentos externos tem aumentado, tanto em pisos quanto em fachadas (PEITER et al, 2001). Na Figura 1, apresentam-se as principais transformaes tcnicas pelas quais passam as rochas ornamentais, da matria prima ao produto final.
FIGURA 1 Transformaes Tcnicas e Principais Produtos da Indstria de Rochas Ornamentais Etapas Produtivas Extrao (Pedreira ou Jazida) Desdobramento (Serraria) Beneficiamento (Marmoraria)
P R O D U T O S
Tiras
Blocos
Chapas
Pisos, revestimentos sob medida, soleiras, rodaps, escadarias, mveis, objetos de adorno, bancadas, placas, peas de ornamentao.
SemiAcabados
reas de Aplicao
Urbanismo
Arte Funerria
Arte e Decorao
O primeiro estgio de cadeia produtiva das rochas ornamentais a lavra de blocos a cu aberto desempenhada pelas empresas extratoras (Foto 1). O beneficiamento primrio feito nas serrarias. Compreende o corte de blocos brutos em chapas (Foto 2 e 3), por meio de equipamentos denominados teares, ou em tiras e ladrilhos por meio de talha-bloco para a produo de ladrilhos. A grosso modo, cada metro cbico de pedra bruta gera 30 m2 de chapas, variando
de acordo com a espessura da chapa, tipo e qualidade do material. O ltimo processo de transformao ocorre nas marmorarias, cujos principais produtos so materiais de revestimento interno e externo em construes, alm de peas isoladas como bancadas, soleiras, rodaps e objetos de decorao. Para atender demanda do consumidor final, as marmorarias situam-se na fase do corte que d dimenses e detalhes de acordo com as especificaes requeridas. Os bloquetes so blocos pequenos e irregulares, geralmente com menos de 50 cm de aresta, que sobram nas pedreiras e so aproveitados por algumas serrarias na fabricao de ladrilhos. Atravs de talhas blocos semelhantes a mini teares, os bloquetes so serrados diretamente em ladrilhos. Este tipo de processo, muitas vezes artesanal, comum na regio norte do estado da Bahia na produo de ladrilhos de mrmore bege. Os materiais, muitas vezes refugados nas pedreiras, que no possuem dimenses apropriadas para blocos ou bloquetes, so utilizados por empresas de artesanato mineral, na feitura de mosaicos para tampos de mesa, esferas, objetos de adorno e utilidades, como abajures, cinzeiros, castiais (NERY; SILVA, 2001). O equipamento mais comum na serragem de granitos o tear convencional, constitudo por multi-lminas. O corte do bloco se d pela combinao da lama abrasiva (mistura de granalha, cal e gua), conduzido por um conjunto de lminas movimentadas pelo tear. As lminas, geralmente so provenientes de So Paulo ou Santa Catarina, e a granalha, de So Paulo e Cachoeiro do Itapemirim (SPNOLA, 2003).
O tear convencional vem sendo crescentemente substitudo pelo tear de lminas diamantadas, sobretudo na serragem do mrmore bege (Foto 4). Nestes, o corte se d pela ao abrasiva de segmentos diamantados com lminas de ao. Os insumos (lminas de ao e segmentos diamantados) so importados. Segundo o engenheiro de minas e presidente da Associao Comercial de Jacobina, Kurt Menchen, enquanto um tear convencional leva cem horas para serrar um bloco de 6 m3 de mrmore Bege Bahia, o de lminas diamantadas leva dez horas (IBID, 2003). Logo, a produtividade deste pode ser at dez vezes maior que a do convencional. Na mdia, um tear convencional produz 1500 m2 de chapas de mrmore do tipo travertino por ms e o de lminas diamantadas, de 6.000 a 8.000 m2. Tanto as chapas de mrmores como as de granito, em geral, aps a serragem so polidas. No caso do mrmore, cuja superfcie mais irregular, primeiramente ocorre o processo de estucamento, que tem a funo de fechar os poros existentes na superfcie da chapa bruta com resinas especiais. Em seguida, o polimento d brilho e lustre ao material. Em se tratando do mrmore bege, devido elevada porosidade, o estucamento e polimento so fundamentais. O principal equipamento utilizado a politriz, cujos principais tipos so: manual de bancada fixa, e a multicabea com esteira transportadora. Na primeira as chapas ficam deitadas num balco de concreto, para serem polidas por um cabeote que contm os abrasivos e conduzido por um trabalhador. Por este motivo no d um brilho homogneo ao produto, uma vez que pouco provvel que o trabalhador aplique a mesma fora e d o mesmo tempo de polimento a todos os lugares do material bruto (VILLASHI FILHO; PINTO, 2000). O segundo tipo, a politriz automtica, pode ser visualizada na Figura 5, e se fabrica no Brasil, em Cachoeiro do Itapemirim e So Paulo.
Encontram-se no Brasil, especificamente no Esprito Santo, unidades de beneficiamento de granito de altssima produtividade, com maquinrio de origem italiana, a exemplo da marca Gaspari Menoti. Sua produo atinge 1,1 mil m2 de chapas por dia. A seqncia do maquinrio toda automtica, com conduo das chapas a uma politriz, um forno de desidratao com capacidade para 80 chapas, seguido da etapa de resinagem, outro forno de secagem e uma mquina recortadora, onde as chapas so refiladas nos quatro lados e catalogadas (FORNAZIER, 2004). 3. MERCADO MUNDIAL O mercado internacional de rochas ornamentais caracterizado pela participao de grandes grupos compradores que controlam o fluxo de material oriundo de pases do Terceiro Mundo em relao aos pases industrializados da Europa e sia (NERY; SILVA, 2001). Firmas produtoras de rochas ornamentais estabelecidas no mercado internacional, sobretudo as italianas, detm avanada tecnologia no que se refere extrao e beneficiamento, bem como o domnio dos canais de distribuio. Entretanto este quadro est se transformando devido aos avanos e agressividade da indstria chinesa. A produo mundial de rochas saltou de 2,0 milhes de toneladas nos anos 20 do sculo passado para 67,5 milhes em 2002. As rochas carbonticas
representam aproximadamente 58% desse volume; as silicticas, 37%; as ardsias, 5% (MONTANI, 2003, apud MELLO, 2004). Em 2002, a sia, puxada pela China, ndia e Ir, ultrapassou pela primeira vez a Europa na produo de pedras naturais, ao responder por 43% do total produzido no mundo. Segundo Mello (2004), a Europa rene os mais tradicionais e importantes produtores mundiais: Itlia, Espanha, Portugal, Turquia e Grcia, posicionando-se logo atrs da sia, com 42% da produo. Embora a Itlia seja o ncleo difusor de inovao tecnolgica dessa indstria, a China assumiu o papel que foi seu at o final dos anos 1990, de principal produtor e exportador mundial, principal importador de produtos brutos e maior exportador de manufaturados. A Itlia permanece como maior exportador de mquinas, equipamentos e tecnologia, cujo maior importador a China. A Figura 2 mostra a participao dos principais pases na produo mundial. No que se refere s importaes mundiais, a China aparece como maior importador do volume total de mrmores e granitos brutos, seguida da Itlia (Figura 3). Esta , contudo, o maior importador de granitos brutos e a China de mrmores brutos (Figuras 4 e 5).
FIGURA 2
6,30% 7,90%
FIGURA 3
Participao dos pases nas importaes mundiais - volume fsico em 2002 - Total Comercializado
10% 43,00%
3,80% 5,70%
6,90% 6,10%
Fonte: MONTANI (2003) apud Mello (2004) Obs: Volume fsico em 2002: 25,3 milhes de toneladas.
FIGURA 4
Participao dos pases nas importaes mundiais volume fsico, em 2002 - Mrmores Brutos
China Itlia Espanha
37,70% 32,40%
9,70%
Fonte: MONTANI (2003) apud Mello (2004) Obs: Volume fsico em 2002: 3,8 milhes de toneladas.
FIGURA 5
Participao dos pases nas importaes mundias volume fsico, em 2002 - Granitos Brutos
19,10% 33,20%
FIGURA 6
Participao dos pases nas im portaes m undiais - volum e fsico, em2002 - Processados Especiais
11,20%
14,40%
Os Estados Unidos so o maior importador mundial de produtos beneficiados, do tipo chapas e padronizados de mrmores e granitos, pouco frente da Coria do Sul e Japo. A Alemanha o maior comprador de produtos processados simples (pedras e placas para calcetar). Segundo Nery e Silva
(2001), os Estados Unidos optaram por reduzir ao mnimo seu parque industrial de teares a partir de 1995, o que explica sua posio como principal importador de semi-manufaturados. Na Tabela 1, apresentam-se dados referentes s importaes norteamericanas de granitos semi-manufaturados por pas de origem. Vale ressaltar que o Brasil j o segundo maior fornecedor de granitos serrados no mercado norte americano, e que sua posio j est muito prxima da Itlia, primeiro fornecedor.
TABELA 1 Importaes de Granito Serrado pelos EUA (cdigo SH/NCM 6802.23)
VALOR US$ CIF 2001 2002 2003 14.582.931 18.057.984 19.536.464 Itlia 7.836.471 14.358.279 19.231.792 Brasil 5.604.411 7.354.163 8.785.840 ndia 4.982.596 5.114.570 7.397.993 China 2.264.689 1.355.582 1.091.426 Canad 1.002.735 1.105.935 2.478.282 Espanha 93.122 414.127 945.657 Mxico 611.972 275.800 340.839 frica do Sul 737.110 302.490 79.160 Taiwan Outros 1.102.660 1.171.489 1.639.310 PASES Total 38.818.697 49.510.419 61.526.763 QUANTIDADE m2 2001 2002 13.432 17.419 10.102 20.184 6.352 7.598 7.679 8.430 4.114 3.185 1.470 1.081 62 209 380 331 750 394 1.600 45.941 1.239 60.070 2003 19.125 26.367 8.357 9.313 2.164 2.533 452 261 104 1.707 70.383
Fonte: Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia (Promo, 2004). Base de dados Tradstat. Dados coletados em maio de 2004.
Segundo Mello (2004), os preos mdios praticados pelos pases produtores nas vendas internacionais de blocos oscilam entre US$ 300/m3 e US$ 700/m3 FOB, para os granitos, e entre US$ 500/m3 e US$ 1300/m3 FOB, para mrmores. Os semi-manufaturados, como chapas polidas e ladrilhos, tm preos entre trs e cinco vezes maiores em relao matria prima. J os produtos finais peas padronizadas, peas sob medida ou personalizadas, como bancadas de pias, o preo por contedo ptreo pode atingir seis a dez vezes mais que os materiais brutos. As transaes com produtos processados chapas e ladrilhos tm mostrado um crescimento constante, j superando as transaes com produtos brutos (MELLO, 2004). Os substitutos mais prximos das pedras ornamentais so os produtos cermicos. De acordo com Mello (2004), a partir dos anos 1990, o consumo destes vem aumentando a taxas superiores a dos revestimentos ptreos. Para cada metro quadro de rochas ornamentais, consomem-se sete metros quadrados de cermica. O maior concorrente nos ltimos anos tem sido o grs porcelanato,
que imita a aparncia das pedras naturais. Contudo, os mrmores e granitos detm caractersticas nobres que os tornam nicos. Justamente por se tratar de produtos naturais sobrevivem aos modismos e podem ser considerados clssicos. Uma das caractersticas do novo protecionismo comercial a proliferao de barreiras no tarifrias, a exemplo da crescente exigncia pela qualidade. O atendimento a padres de nomenclatura, funcionalidade e durabilidade, com base em normas tcnicas especficas, ser cada vez mais exigido na comercializao de rochas ornamentais. Da a importncia da capacidade de internalizar novas tecnologias como fator determinante da competitividade. Para ingressar no mercado internacional preciso adequar o produto s especificaes
demandadas. Para a Unio Europia, por exemplo, o Comit Europeu de Normatizao CEN, criou o corpo tcnico [Link]. 246 Natural Stone, que estabelecer normas para especificao de materiais, ensaios e produtos. Os padres definidos pela [Link].246 sero adaptadas [Link].196 Natural Stone, que regular a utilizao das pedras naturais no mercado global Peiter et al (2001). O Brasil ter que atingir os padres ISO. TC. 196 para ocupar posio de maior destaque no mercado internacional (PEITER et al 2001).
4. A INDSTRIA BRASILEIRA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 4.1 Dados Gerais Segundo Chiodi (2003), a produo brasileira de rochas ornamentais de aproximadamente 6,0 milhes de toneladas, principalmente em blocos, existindo cerca de 600 tipos comerciais, dos quais 57% so de granito e 17% de mrmores e travertinos. O restante inclui ardsias (8%) e quartzitos (5%). Estima-se que 75% da produo nacional so destinados ao mercado interno. Os estados do Esprito Santo, Minas Gerais e Bahia detm mais de 70% do total produzido nacionalmente. O estado do Esprito Santo produz o equivalente a 47% do total do pas. seguido de Minas Gerais, com cerca de 18%. A Bahia o terceiro maior produtor e responde por quase 10% da produo nacional. De acordo com Nery e Silva (2001), os principais municpios produtores de mrmores do Brasil so: Cachoeiro do Itapemirim (ES), Ourolndia, Campo
Formoso e Mirangaba (BA), Italva (RJ), Fronteiras (PI). Os principais municpios produtores de granito so: Nova Vencia, Barra de So Francisco e So Gabriel (ES), Rui Barbosa e Medeiros Neto (BA), Formiga e Itapecerica (MG).
QUADRO 1 Dados Gerais da Indstria de Rochas Ornamentais por Estado da Federao (Base 2000 Estimado)
% dentro do estado
%Brasil
Mo-de-obra direta
Marmorarias
Frentes de Lavra
Unio Federal
%Brasil
%Brasil
%Brasil
%Brasil
Tipo de
ES MG
2.400 1.103
BA
490
PR
320
RJ
260
CE GO RS PB SP PE Demais Total
47 Granito Mrmore 22 Granito Ardsia Quartzito Outras 10 Granito Mrmores Quartzito e Arenito 6 Granito Mrmores Outras 5 Granitos Mrmores Miracema 2 Granito Pedra Cariri 2 Granito Quartzito 2 Granito Basalto 1 Granito 1 Granito 1 Granito 0 100
Rocha
900 66
61 4
400 160
30 12
25.000 1.600
61 4
360 1.000
5 15
20.000 21.000
48
97
1.200
180
3.200
69
12
1.700
300
3.500
150
230
33
2.600
630
13.800
44 7 51 9 160 21 49 1.574
3 0 3 0 10 1 4 100
57 36 78 12 30 13 38 1.163
3 3 6 1 2 1 1 10 0
3 0 3 1 10 1 3 100
1 1 4 0 49 1 7 100
0 29 1 5 100
Chiodi (2003) estima que existam 1500 frentes de lavra ativas no pas, com um parque de beneficiamento de blocos com capacidade para serragem de 40 milhes de m2/ano. A produo e comercializao so desenvolvidas por quase 11.000 empresas, 1.000 delas atuando na lavra, 2.000 no beneficiamento primrio (serrarias), 7.000 no beneficiamento final (marmorarias) e 650 na exportao (MELLO, 2004). Por sua vez, segundo a Abirochas Associao Brasileira da Indstria de Rochas Ornamentais, existem atualmente 877 empresas
exportadoras de rochas ornamentais no Brasil. Dessas, 80% so pequenas, 13% so micros e 7% so mdias (Pequenos exportam, 2004). A classificao de porte seguiu o critrio de faturamento do Ministrio do Desenvolvimento (MDIC). O Quadro 1 mostra um retrato da indstria brasileira de rochas ornamentais por estado em 2000. Embora alguns dados estejam possivelmente defasados, podese visualizar como o setor encontra-se distribudo por estado da federao.
%Brasil 19 20 3 0 13 1 2 4
Teares
No incio da dcada de 1980, a produo brasileira de rochas ornamentais era constituda principalmente por mrmore. Contudo, a abertura de mercado para exportao deu grande impulso expanso do granito a partir do final da dcada. A produo de mrmore, por sua vez, foi orientada para atender ao mercado interno. As tecnologias de polimento mais difundidas no pas, sobretudo a manual, no conseguiam proporcionar s chapas ou ladrilhos polidos de mrmore o padro de qualidade exigido pelo mercado internacional. Itlia, Espanha e Portugal, e, recentemente, Grcia, ndia e Turquia tm disponibilizado para o mercado mundial mrmores de qualidade significativamente superiores, particularmente em termos estticos e de rara beleza. Segundo Spnola (2003), tanto a produo de manufaturados de granito como de mrmore, que vinha aumentando entre 1991 e 1994, sofreu um desaquecimento entre 1994 e 1995, provavelmente em funo do crescimento da oferta do produto importado, favorecido pela poltica aduaneira, de reduo de tarifas de importao, e pela poltica cambial, de valorizao da moeda nacional. A partir de julho de 1993, a alquota do imposto de importao para os produtos pertencentes ao captulo 6802 (rochas processadas) e captulos 2515 e 2516 (rochas carbonticas e silicticas em bruto) da NCM1 passou a ser zero. A prolongada apreciao da moeda nacional entre 1994 e 1998 aparentemente contribuiu para a entrada de chapas e ladrilhos de mrmore via importao. De fato, segundo Spnola (2003), tanto a produo de mrmore bruto quanto de manufaturado decresceu entre 1996 e 1998. A partir de 1999, a produo de mrmore foi se recuperando. A depreciao da moeda, a partir da implantao do cmbio flutuante no incio de 1999, certamente concorreu para essa retomada. A produo de granito, por sua vez, que havia cado em 1995, continuou aumentando at 1998, sem tanta presso de importaes, pois seu preo no mercado internacional superior ao do mercado interno. Com base na pesquisa emprica realizada em janeiro de 2002 entre os produtores de chapas de granito no extremo sul do estado da Bahia, verificou-se que o preo de exportao da chapa serrada era 100% maior que o preo interno (SPNOLA, 2003).
4.2 Consumo Interno Em 2002, de acordo com o Quadro 2, o consumo interno de blocos no manufaturados foi de 925 m3, representando um crescimento de 9,0 % em relao a 2001, que j havia apresentado um crescimento ainda maior, 13,5%, relativo a 2000. O aumento do consumo justificou o ingresso de expressivo nmero de novos teares no parque industrial, com expanso da capacidade de
beneficiamento e diminuio da taxa de ociosidade dos equipamentos. No ano 2002, o consumo interno de produtos acabados foi da ordem de 27,3 milhes de m2. So constitudos pelos ladrilhos para pisos e revestimentos internos e externos, peas de arte funerria, tampos de mesa, bancadas de pia, soleiras, divisrias, escadas, colunas, monumentos e esculturas, dentre outros.
QUADRO 2
Consumo Aparente de Mrmores e Granitos 1992-2002 em mil
Ano Consumo Aparente material bruto/m3 Variao Consumo Aparente (%) produtos manufaturado/m2 Variao (%)
1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
411 478 530 470 505 487 516 619 748 849 925
16,30 10,88 -11,32 7,45 -3,56 5,95 19,96 20,84 13,50 8,95
12.804,00 14.900,00 16.402,00 14.559,00 15.765,00 15.076,00 15.969,00 18.552,00 21.748,00 23.800,00 27.300,00
16,37 10,08 -11,24 8,28 -4,37 5,92 16,18 17,23 9,44 14,71
Com base nos dados do Quadro 2, ao se calcularem as mdias anuais de crescimento do consumo interno entre 1993 e 2002, numa srie de dez anos, obteve-se 8,45% ao ano para materiais brutos e 7,87% ao ano, para os bens manufaturados. 4.3 Exportaes O Brasil ocupa atualmente o quarto lugar como exportador de material bruto. Segundo Chiodi (2003), a posio brasileira como exportador de rochas processadas evoluiu sensivelmente nos ltimos anos. O pas saltou da 12a
1999, para a oitava em 2001. Estima-se que tenha se tornado o sexto maior exportador de rochas processadas em 2003 (CHIODI, 2003), j sendo o segundo maior fornecedor nos Estados Unidos. Com base nos dados da Tabela 2, a taxa mdia de crescimento das exportaes de granito serrado em dlares foi de 28% ao ano entre 1992 e 2003. Este o carro chefe dos semi-manufaturados NCM 6802.2301.
TABELA 2 Exportaes Brasileiras de Granitos Serrados por Pas de Destino US$ FOB mil
Ano 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
EUA US$
8.208 53,43% 11.547 53,06% 13.974 48,47% 15.797 49,79% 21.056 54,02% 30.553 59,87% 47.715 72,11% 63.212 77,28% 88.705 80,00% 94.738 78,58%
Mxico US$
1.432 9,32% 1.423 6,54% 2.224 7,71% 715 2,25% 1.278 3,28% 1.367 2,68% 1.576 2,38% 1.977 2,42% 2.997 2,70% 3.256 2,70% 4.065 2,41% 4.033 1,73% 2.781 2,14%
Itlia US$
328 2,14% 639 2,94% 402 1,39% 910 2,87% 1.347 3,46% 1.802 3,53% 901 1,36% 886 1,08% 1.058 0,95% 1.361 1,13% 1.859 1,10% 1.858 0,80% 1.402 1,08%
Japo US$
1.829 11,91% 931 1.593 1.486 2.061 1.754 661 366 661 1.253 442 276 80 4,28% 5,53% 4,68% 5,29% 3,44% 1,00% 0,45% 0,60% 1,04% 0,26% 0,12% 0,07%
Outros US$
3.565 23,21% 7.222 33,19% 10.637 36,90% 12.819 40,40% 13.233 33,95% 15.558 30,49% 15.321 23,15% 15.354 18,77%
Total US$
15.362 21.762 28.830 31.727 38.975 51.034 66.174 81.795
17.464 15,75% 110.885 19.958 16,55% 120.566 25.486 15,14% 168.373 28.773 12,37% 232.640 17.243 13,29% 129.738
Fonte: MDIC Sistema Aliceweb Dados coletados em 2 de setembro de 2004 NCM 6802.23.01 *jan a jun 2004
O principal destino das vendas brasileiras de granito serrado no mercado externo os Estados Unidos, que absorve mais de 80% do valor exportado. O Brasil vem progressivamente alterando seu perfil de exportao ao comercializar cada vez mais produtos beneficiados, com maior valor agregado. Na tabela 3, aparecem as exportaes de granito bruto por pas de destino. Verifica-se que at o ano 2000, em valores, as exportaes de blocos superavam as de granito serrado. Em 2000, as de blocos somaram US$ 112,3 milhes (Tabela 3) e as de chapas US$ 110,8 milhes (Tabela 2). A partir de 2001, o valor exportado do granito serrado foi ficando crescentemente superior ao do material bruto. Em 2003, enquanto as exportaes de bloco totalizaram US$ 122,2 milhes (Tabela 3), as de chapas atingiram US$ 232,6 milhes (Tabela 2), ou seja, quase o dobro. De acordo com Mello (2004) o valor total das exportaes brasileiras de rochas ornamentais poder ficar prximo a US$ 550 milhes.
TABELA 3 Exportaes Brasileiras de Granitos em Bloco por Pas de Destino US$ FOB mil
Italia US$ 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 30418 37854 35476 40042 44748 56491 54841 51395 48116 % 50,87 55,75 45,00 46,91 46,67 47,03 47,78 45,62 42,82 Espanha US$ 5380 6447 8751 9903 17649 19470 23846 21599 21754 % 9,00 9,50 11,10 11,60 18,41 16,21 20,78 19,17 19,36 18,88 16,04 Japo US$ 4831 2955 3262 3432 3722 4313 1437 3211 786 905 205 % 8,08 4,35 4,14 4,02 3,88 3,59 1,25 2,85 0,70 China US$ 0 39 33 6360 8627 13095 0 44 9187 % 0,00 0,06 0,04 7,45 9,00 10,90 0,00 0,04 8,18 Outros US$ 19162 20599 31314 25619 21132 26737 34643 36403 32531 % 32,05 30,34 39,72 30,01 22,04 Total US$ 59791 67894 78836 85356 95878
22,26 120106 30,19 114767 32,31 112652 28,95 112374 30,14 106974 26,13 111777 28,39 122255 27,97 45728
2003 34029 27,83 14597 11,94 134 2004* 14449 31,59 5678 12,42 116 Fonte: MDIC dados coletados em 4/09/2004 *jan-jun NCMs: 6802.93.90; 2516.11.00; 2516.12.00
Mello (2003) aponta alguns obstculos sistmicos ao crescimento da indstria de rochas ornamentais no Brasil. Um deles a dificuldade de acesso e elevado custo do seguro de crdito exportao, uma vez que os compradores de chapas nos Estados Unidos dificilmente abrem carta de crdito. Nesse mercado prevalece o pagamento atravs de saque a prazo. Outro a dificuldade de acesso ao crdito para a produo e compra de equipamentos modernos. Segundo este autor, a superao dos obstculos requer uma maior aproximao entre as entidades representativas do setor, para uma melhor utilizao do conhecimento disponvel nas instituies de apoio comercial e tecnolgico. Exigese a profissionalizao de um maior nmero de empresas, a partir de melhoria da gesto empresarial, aumento de produtividade, prtica de preos sustentveis e certificao de produtos. tambm fundamental o acesso direto ao mercado internacional atravs de misses de negcios, participao em feiras
internacionais de empresas efetivamente preparadas para a realizao de vendas e cumprimento dos prazos contratados, iniciativas que devem estar associadas ao marketing da marca Brasil. Constata-se que as exportaes de blocos neste ano de 2004 esto reduzidas em relao a 2003. No primeiro semestre de 2004 atingiram US$ 45,7 milhes, apenas 37,4% do valor total exportado no ano anterior. Este desempenho pode ser atribudo a questes logsticas. Os blocos so
normalmente transportados em navios de carga geral, enquanto as chapas e ladrilhos em carga conteinerizada em navios de contineres. O porto de Vitria apresenta limitaes fsicas para manobra de navios de grande porte no seu canal de navegao de 290 m de comprimento, considerada por Borgo Filho (2004) insuficiente para girar uma embarcao grande. O calado mximo acessvel ao porto de apenas 10,5 m. Alm disso, a intensificao do processo de industrializao da China contribuiu para aumentar a demanda por contineres, por navios, e conseqentemente para aumento dos preos de frete. Cabe registrar que apesar das dificuldades apontadas com contineres, as exportaes de granito serrado permanecem em crescimento. No primeiro semestre de 2004, j foi contabilizado um valor exportado 55,8% do total de 2003. Este quadro evidencia que os maiores problemas esto concentrados no mercado de blocos no manufaturados. 5. A BEM SUCEDIDA INDSTRIA CAPIXABA DE ROCHAS ORNAMENTAIS As rochas fazem parte da histria econmica do Esprito Santo. As atividades mineiras e industriais com mrmores e granitos foram pioneiramente conduzidas por imigrantes europeus em Cachoeiro do Itapemirim, na regio sul do estado, onde ocorrem as reservas naturais de mrmore. A regio norte concentra maior parte das jazidas de granito (Figura 7). Nos anos 1950, com o aproveitamento dos mrmores da regio sul, iniciou-se uma rede de atividades de lavra, beneficiamento, acabamento, servios etc. Paralelamente, comeava-se a explorar o granito e a export-lo sob a forma de blocos. A regio norte do estado, cujo ncleo principal o municpio de Nova Vencia, acabou se transformando numa fronteira de lavra de granitos, consolidada nos anos 1990 (A FORA, 2001). A vocao porturia do estado favoreceu a atividade exportadora, transformando o Complexo Porturio de Vitria no maior plo brasileiro de exportao de rochas brutas e processadas. Por sua vez, a malha de ligao rodo-ferroviria centralizada pela Estrada de Ferro Vitria/Minas EFVM, tambm contribuiu para o escoamento e distribuio da produo oriunda do estado de Minas Gerais. O nmero de empresas capixabas exportadoras de rochas evoluiu de 86 em 1997 para 154 em 2000, quando o estado passou a concentrar 30% das empresas de exportao do Brasil. o maior exportador de rochas ornamentais
brutas e manufaturadas. Na Tabela 4, pode-se visualizar as exportaes de granito em bloco no manufaturado, de 1992 a 2004 por estado da federao. O Esprito Santo lidera tambm as exportaes de granito serrado em chapas, de acordo com a Tabela 5. Trata-se do carro chefe das exportaes de rochas ornamentais. A participao do Esprito Santo de aproximadamente 70%, seguido do Rio de Janeiro, com cerca de 14%.
FIGURA 7 Mapa poltico do Estado do Esprito Santo com Destaque dos Principais Ncleos Produtores
Cachoeiro do Itapemirim reservas de mrmore 125 extratoras 197 serrarias 248 marmorarias 30 fabricantes de mquinas
Segundo Villaschi Filho e Sabadini (2000), Cachoeiro do Itapemirim (Figura 7) possui uma histria longa e consolidada, cujo ponto de partida foi a explorao do calcrio. Seu desenvolvimento ocorreu de forma autnoma. No foi induzido por polticas governamentais. Diversas famlias italianas estabeleceramse em Cachoeiro, muitas das quais foram pioneiras na fabricao de cal. Em 1924, foi fundada uma fbrica de cimento na regio que tambm se beneficiava
da presena de jazidas de calcrio. Villaschi Filho e Sabadini (2000) chamam a ateno de que o incio da produo do mrmore em Cachoeiro no se deu pela lavra de blocos, e sim pelas marmorarias, instaladas na regio a partir de 1930. As atividades de extrao de mrmore comearam em 1957. Seus pioneiros foram os empresrios de origem italiana. As serrarias somente apareceram no municpio a partir de 1966. Segundo esses autores, a explorao comercial do mrmore e granito tem incio, efetivamente, a partir dos anos 1960 e 1970.
TABELA 4 Exportaes Brasileiras de Granito em Bloco por Estado US$ FOB mil
Anos 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004* SP US$ % US$ 155 103 123 99 72 76 11 250 90 321 150 105 30 PR % ES US$ % RJ US$ % BA US$ % Brasil US$ 59.792 67.894 78.836 86.350 96.935
4.378 7,32 2.648 3,90 2.469 3,13 4.603 5,33 4.797 4,95 3.942 3,39 2.083 1,82 2.987 2,65 1.313 1,52 907 0,94 1.943 1,67 1.661 1,36 2.363 5,17
0,26 13.430 22,46 1.429 2,39 0,15 12.770 18,81 2.474 3,64
0,16 14.395 18,26 2.770 3,51 11.655 14,78 0,11 17.937 20,77 3.174 3,68 16.352 18,94 0,07 22.093 22,79 2.514 2,59 14.522 14,98 0,07 31.833 27,40 0,01 38.479 33,68 0,22 43.474 38,62
67 0,06 16.099 13,86 116.181 371 0,32 15.111 13,23 114.242 993 0,88 14.821 13,16 112.578 86.350 96.935
0,10 53.475 61,93 1.374 1,59 14.939 17,30 0,33 57.178 58,99 1.240 1,28 14.174 14,62 0,13 57.284 49,31 0,06 21.831 47,83
849 0,73 14.939 12,86 116.181 463 1,01 3.484 7,62 45.728
Fonte: MDIC dados coletados em 4/09/2004 *jan-jun NCMs: 6802.93.90; 2516.11.00; 2516.12.00
Boa parte dos blocos serrados em Cachoeiro extrada de localidades distantes. Granitos so trazidos dos municpios de Nova Vencia, Ecoporanga, Barra de So Francisco e Baixo Guandu, ou do sul da Bahia, oeste de Minas Gerais, e at de Gois. Apesar da distncia, pode ser vantajoso levar a pedra para corte em Cachoeiro. A concentrao de teares, a abundncia de mo-deobra especializada, a maior facilidade na manuteno dos equipamentos e as condies favorveis para venda, com afluncia de compradores de todo mundo, fazem do local o ncleo mais dinmico da indstria nacional de rochas ornamentais (COMRCIO EXTERIOR, 2000). Segundo depoimento de Ribeiro (2004), no Esprito Santo j existem mais de 1000 teares. A origem do beneficiamento de mrmore e granito na regio norte do estado, cujo ncleo Nova Vencia (Figura 7) mais recente. Est relacionada
s jazidas de granito encontradas na regio, bem como ao fornecimento de infraestrutura fsica (terrenos, etc) e incentivos fiscais pelo governo local. O desenvolvimento das atividades de beneficiamento foi, em parte, induzido. Em 1995, a prefeitura de Nova Vencia criou uma rea onde esto estabelecidas empresas de beneficiamento (90% de mrmores e granitos). A primeira empresa localizada nesse plo industrial iniciou sua atividade de serragem em 1995 (VILLASCHI FILHO; SABADINI, 2000).
TABELA 5 Exportaes Brasileiras de Granito Serrado em Chapas por Estado US$ FOB mil
Anos 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2004* SP US$ 3.376 2.692 2.637 4.074 3.714 5.999 3.784 5.911 8.028 7.518 8.290 5.681 SP/Br % 21,98 12,37 9,15 12,84 9,53 11,76 5,72 7,23 7,24 6,24 4,92 4,38 PR US$ 1.066 2.684 3.330 3.020 2.893 3.384 5.100 6.073 8.026 8.938 8.838 5.430 PR/Br % 6,94 12,33 11,55 9,52 7,42 6,63 7,71 7,42 7,24 7,41 ES US$ 7.158 9.178 13.992 17.041 21.683 24.769 30.589 39.584 61.062 68.962 ES/Br % 46,60 42,17 48,53 53,71 55,63 SC US$ 0 1 2 32 85 SC/Br % 0,00 0,00 0,01 0,10 0,22 7,78 RJ US$ 2.705 3.626 6.339 4.364 4.784 5.962 RJ/Br % 17,61 16,66 21,99 BA US$ 526 956 632 BA/Br % 3,42 4,39 2,19 4,97 11,06 7,66 4,73 2,83 Brasil US$ 15.362 21.762 28.830 31.727 38.975 51.034 66.174 81.795
13,76 1.578 12,28 4.311 11,68 3.910 16,15 3.127 18,74 2.312 18,00 2.279 16,19 1.859 15,96 1.421 13,65 12,99 923 440
48,53 3.973 46,22 9.110 48,39 9.803 55,07 6.672 57,20 5.771 65,16 5.839 69,48 5.634 71,47 2.735
13,77 10.685 11,98 15.326 6,02 19.960 4,79 19.523 3,46 26.902 2,42 31.766 2,11 16.862
2,06 110.885 1,54 120.566 0,84 168.573 0,40 232.640 0,34 129.738
2003 12.495
5,37 11.275
As firmas extratoras do norte do estado funcionam h quase 20 anos em diferentes municpios dessa regio. Do total de 146 empresas existentes na regio norte do estado, 88 declaram-se extratoras de pedras, 50 so enquadradas como marmorarias e apenas doze so serrarias (VILLASCHI FILHO; SABADINI, 2000). Diferentemente do que ocorre na regio sul, a maior parte de empresas da regio norte est concentrada nas atividades de extrao. J na Grande Vitria, das 67 firmas registradas por Villaschi Filho e Sabadini (2000), 59 eram marmorarias e apenas oito eram enquadradas como serrarias. Estes dados podem estar defasados, contudo do idia da distribuio das empresas por ramo de atividade em Nova Vencia. Os produtores de bens de capital esto localizados na regio de Cachoeiro do Itapemirim. De acordo com a estimativa da Associao dos Fabricantes de Mquinas, Equipamentos e Acessrios para a Indstria de Mrmore e Granito
(Maqrochas), o Esprito Santo respondeu pelo fornecimento de metade do volume de equipamentos consumido no Brasil em 2002. Dos 50% restantes, 25% foram importados e 25% fabricados por outros estados (SPNOLA, 2003). Segundo Ribeiro (2004), o Esprito Santo j exportador tambm de mquinas. Os empresrios de rochas ornamentais do Esprito Santo tm elevado poder de barganha em nvel nacional. Os recursos da Agncia de Promoo das Exportaes (Apex) destinados ao setor so praticamente monopolizados pelos produtores capixabas que tambm detm o controle das associaes nacionais ABIEMG e ABIROCHAS, alm de contarem com apoio do Centro Tecnolgico do Mrmore e Granito (Cetemag). Criado em 1988, o Cetemag coordena e executa polticas de desenvolvimento para o setor de rochas. Segundo Spnola (2003), o bom desempenho do segmento de rochas ornamentais do Esprito Santo decorre da combinao de uma srie de fatores: 1) reservas naturais; 2) componente histrico cultural: presena de imigrantes de origem italiana, cujos conhecimentos tcitos3 referentes a produtos e processos contriburam para uma aglomerao espontnea de firmas do ramo; 3) localizao: proximidade ao maior mercado consumidor nacional, na regio mais desenvolvida do pas, a sudeste; 4) boa infra-estrutura rodoviria e ferroviria; 5) manuteno de um complexo porturio com partidas regulares de navios para os maiores pases consumidores, embora sua infra-estrutura esteja insuficiente em muitos aspectos para atender s demandas atuais do setor; 6) presena de empresas organizadas e instituies consolidadas, orientadas por objetivos claros; 7) presena de uma indstria de bens de capital; 8) oferta de mo-de-obra capacitada; 9) difuso de tecnologia aplicada ao setor, com colaborao do Cetemag; 11) poltica comercial agressiva e conjunta das empresas. Pode-se afirmar que o caso mais prximo de um arranjo produtivo maduro, em se tratando do segmento de rochas ornamentais no Brasil, o que se encontra na regio sul do Esprito Santo, cujo ncleo Cachoeiro do Itapemirim.
O contedo tcito de uma tecnologia aquela parte do conhecimento tecnolgico que est incorporada nas rotinas das firmas e nas habilidades das pessoas, e que no pode ser transferida ou absorvida atravs de manuais, frmulas, livros ou outras formas codificadas de informao (SCATOLIN et al., 2002).
Como terceiro maior produtor brasileiro de rochas ornamentais, o estado da Bahia conta hoje com 83 empresas do setor, detentoras de 112 pedreiras, das quais 31 so de mrmores e 81 de granitos. Deste universo de empresas, 39 so exportadoras. Entretanto, a maioria destas fornece o produto em blocos no manufaturados. Apenas cinco empresas exportam o produto semi-manufaturado. O padro de cor considerado o principal atributo para qualificao de uma rocha. Em funo das caractersticas cromticas, os materiais so enquadrados como clssicos, comuns ou excepcionais. Conforme dados da CBPM, a Bahia o estado brasileiro que possui a maior variedade de padres e cores de granitos do pas. As rochas excepcionais tm como principal atributo competitivo a diferenciao de produto, so caras, e atendem a nichos de mercado, enquanto as comuns tm sua competitividade baseada em economias de escala. Identificam-se quase 90 tipos de rochas na Bahia, agrupadas em excepcionais, exticas e comuns. O estado o nico produtor do Granito Azul Bahia e do Azul Macabas, que so considerados excepcionais, e do Mrmore Bege Bahia, uma das rochas mais consumidas no Brasil, cujas vendas so orientadas para o mercado interno. Cerca de 10% de sua produo bruta vendida para outros estados. Os 90% restantes so serrados em chapas e ladrilhos dentro do prprio estado, nos municpios de Jacobina, Ourolndia, Feira de Santana e Rui Barbosa, tambm predominantemente destinados ao mercado nacional.
6.2 Principais categorias e distribuio geogrfica Granitos Excepcionais. Granito Azul Bahia, Quartzitos Azul Imperial e Azul Macabas. So encontrados no municpio de Potiragu, direo sudoeste do estado prximo divisa com Minas Gerais (Figura 8). A produo das rochas excepcionais pequena porque suas jazidas no so de fcil extrao. Os azuis, utilizados em detalhes arquitetnicos e de decorao, so explorados por empresas extratoras sediadas no Rio de Janeiro, onde so serrados em chapas. O granito azul quase uma preciosidade. Enquanto o preo mdio do bloco de granito vendido por aproximadamente US$ 600/m3 FOB Brasil, o preo do azul pode chegar a US$ 4.000/m3 por tonelada (NERY; SILVA, 2001). A Bahia seu nico produtor brasileiro. H tambm jazidas dessa categoria de rochas na Noruega e Zmbia (NERY; SILVA, 2001).
FIGURA 8 Mapa Poltico do Estado da Bahia - Principais municpios produtores de rochas ornamentais
Ourolndia
Teixeira de Freitas
Granitos Exticos. Granitos movimentados e rosados. Estes representam o maior volume de exportao da Bahia em blocos. Existem reservas nos municpios de Itaberaba, Macajuba e Rui Barbosa, na Chapada Diamantina, direo centro oeste do estado (Figura 8). A empresa Corcovado, com sede no Esprito Santo, a grande exportadora desses materiais em estado primrio. Sofrem forte concorrncia dos granitos espanhis, cujos preos so mais competitivos. Tambm pertence a esse grupo o Kashmir Bahia, comercializado exclusivamente pela Peval S/A, cuja pedreira fica em Jequi, direo sudoeste do estado. Granitos Comuns. So os brancos, amarelos, verdes e marrons. Suas jazidas esto nas regies sul e sudoeste, nos municpios de Guaratinga,
Intanhm, Medeiros Neto, Itapebi, Jequi, Jitana, Itarantim e Riacho de Santana (Figuras 7 e 8). Ressalta-se que a regio sul uma extenso geolgica do Esprito Santo, para onde tambm se estende a Serra do Mar. Em Guaratinga, encontra-se o amarelo, categoria de rocha mais comum do Esprito Santo. Alm do Brasil, a Nambia tambm produtor desse tipo de pedra. Em Jequi, as jazidas do verde, conhecido como Verde Glria, so de difcil extrao. Em Riacho de Santana h tambm reservas de granito marrom, conhecido como Caf Bahia. Mrmores Brancos. Em Belmonte, encontra-se o mrmore branco acinzentado, o Arabescato Bahia, de onde se iniciou, no ano 2000, a exportao de blocos para Portugal, cuja jazida estava paralisada desde a dcada de 1970. Este material apresenta semelhana com o famoso Mrmore de Carrara, da Itlia. H ainda o Prola Bahia, proveniente do municpio de Uau, direo norte do estado (Figura 8). Granito negro. H ocorrncias do negro nos municpios Ibiassuc e
Floresta Azul. Parte dele consumida no mercado interno e parte exportada para os Estados Unidos. Seu preo externo foi reduzido em funo do aumento da oferta no mercado internacional, pela ndia e pelos pases africanos. A Espanha, Itlia e Mxico, embora no possuam reservas, so produtores do granito negro manufaturado. Mrmore Bege Bahia. O estado da Bahia o nico estado brasileiro a produzir esse tipo de mrmore. Sua ocorrncia estende-se pelo Vale do Salitre, na direo noroeste do estado. O municpio de Ourolndia, localizado na regio conhecida como Piemonte da Diamantina, detm 90% de suas reservas. Os demais produtores so: Campo Formoso, Mirangaba, Morro do Chapu e Itaguau da Bahia (Figura 8). Jacobina maior ncleo urbano da regio com aproximadamente 100 mil habitantes. Ourolndia tem entorno de 20 mil habitantes. Diferentemente das rochas excepcionais, o Bege Bahia uma rocha produzida e consumida em larga escala. Por ser mais poroso, seu custo de serragem inferior ao do granito. uma das rochas de consumo mais amplo e difundido no Brasil.
6.3. Atividades de beneficiamento As atividades de beneficiamento de pedras ornamentais na Bahia so desenvolvidas por apenas 20 unidades agrupadas no Quadro 3, de acordo com a localizao, matria prima e processo produtivo. So todas micro, pequenas ou mdias empresas. Dentre elas, cinco so exportadoras de manufaturados, as quais so de pequeno e mdio porte. No h microempresas exportadoras. Os municpios onde esto implantadas essas empresas podem ser localizados na Figura 8: Salvador, com duas serrarias na sua periferia industrial, uma delas em implantao; Feira de Santana, com duas unidades; Jacobina e Ourolndia, na direo noroeste, com doze; Rui Barbosa, direo centro oeste, com uma; Teixeira de Freitas, no Extremo-Sul, com trs.
QUADRO 3 Serraria produtoras de chapas e ladrilho - Bahia Municpio Mrmore Bege Granito Regio Metropolitana de Salvador Jacobina Ourolndia Feira de Santana Rui Barbosa Teixeira de Freitas Total 1* 5 7 2 1 16 1
3 4
*Em implantao no Centro Industrial de Aratu Fonte: coleta direta do Sebrae/Jacobina e da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) em jul/04 Elaborao Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia
Estima-se que existam aproximadamente 252 marmorarias no estado. Segundo Ribeiro (2004), muitas destas encontram-se tecnologicamente
defasadas. O governo do estado atravs da Secretaria de Indstria Comrcio e Minerao e da CBPM est desenvolvendo um programa de recuperao do setor marmorista. Como a cadeia produtiva de rochas na Bahia no integrada, muitas rochas de origem baiana so transportadas em bloco para o Esprito Santo onde so serradas, para retornar sob a forma de chapas e serem utilizadas pelas marmorarias.
6.4 O Mrmore Bege Bahia 6.4.1 Dados Gerais O mrmore Bege Bahia representa entre 25 a 30% da produo baiana de pedras ornamentais. Seu maior concorrente o travertino italiano. Pelas suas caractersticas fsicas, utilizado como revestimento interno, e em bancadas ou tampos de mesas. Diferentemente do granito, no deve ser utilizado para revestimentos externos. Quando foi descoberto nos anos 1950, o produto era chamado Mrmore Marta Rocha, uma aluso famosa Miss Brasil que, como a rocha em questo, de origem baiana. Entretanto, atualmente, no mercado interno, mais conhecido e consolidado como Mrmore Bege Bahia. No mercado internacional denominado Bahia Travertine. Trata-se de um produto cujo nome se reporta s caractersticas e origem, o que o faz exclusivo. Dentre os concorrentes internacionais do Bege Bahia esto: o granito verde, popular nos EUA, o travertino e boticcino (Itlia) e o crema marfil (Espanha). O mrmore bege um material poroso e irregular. Embora seu custo de serragem seja menor que o do granito, seu polimento trabalhoso e demanda utilizao de insumos especiais, no encontrados na regio norte do estado da Bahia. A perda de produto pode ser grande. Os produtos similares italianos so mais regulares. Apesar da Bahia possuir uma incipiente atividade de beneficiamento de rochas e se caracterizar como fornecedora de blocos brutos, sua produo de semi-manufaturados encontra-se predominantemente voltada serragem do mrmore Bege Bahia. Dezesseis das 20 serrarias do estado beneficiam esta categoria de rocha (Quadro 2). Na regio de Jacobina e Ourolndia, encontramse 12 serrarias, todas micro ou pequenas empresas estabelecidas
espontaneamente, atradas pela presena de matria prima e pela crescente demanda do produto. H dois anos atrs, de acordo com levantamento emprico feito em 2001 (SPNOLA, 2003), havia nove serrarias. Portanto, no estado j existe uma aglomerao de empresas em expanso voltadas ao beneficiamento do mrmore Bege Bahia. Atualmente, segundo Biglia (2004), h sete teares de lminas diamantadas instalados em Ourolndia. H quatro anos atrs no havia nenhum. As empresas esto se reestruturando e expandindo suas capacidades com recursos prprios.
Vale lembrar que h tambm uma serraria de mrmore Bege Bahia em Aracaju, a Flama, cuja atividade de minerao encontra-se em Ourolndia. Alm do ncleo de beneficiamento em Jacobina e Ourolndia, existem trs serrarias em Cachoeiro do Itaperimirim ES; uma, em Feira de Santana; uma, em fase de implantao no CIA; uma, em Rui Barbosa. Embora a produo de chapas e ladrilhos se destine principalmente ao mercado interno, as empresas que dispem de tecnologia de beneficiamento mais avanada esto comeando a exportar, a exemplo da Bege Bahia Mrmores, em Ourolndia, e a Conde Export, em Rui Barbosa. Na regio do Vale do Salitre, existem 29 lavras de Bege Bahia, das quais nove esto paralisadas ou desativadas (RIBEIRO et al., 2003). Das 20 em atividade, nove utilizam fio helicoidal como mtodo de extrao, e apenas uma, a Flama (Foto 6), usa fio diamantado, tcnica mais avanada. As demais jazidas recorrem ao martelo, explosivos, plvora, compressor e perfuratriz. Segundo Ribeiro et al.(2002), os cortes contnuos so os mais recomendados na extrao desse tipo de rocha. Todavia, evidente que o fio helicoidal a tcnica mais comum nas lavras da regio. Mesmo que este tipo de fio proporcione cortes de superfcies maiores, trata-se de uma tcnica ultrapassada nos centros produtores usurios de tecnologia avanada, onde se d preferncia ao fio diamantado.
FOTO 6 Minerao Flama (Ourolndia/BA). nica lavra a utilizar a tcnica de fio diamantado para extrao do Bege Bahia
6.4.2 Oportunidades de Mercado e Desenvolvimentos Tecnolgicos O consumo do mrmore bege nos Estados Unidos, importado sob a forma de chapas ou ladrilhos, tem sido crescente. Seu maior fornecedor a Itlia com o travertino italiano, consolidado no mercado. Nos Estados Unidos, o produto italiano importado taxado em 5%. Por outro lado, no h incidncia de imposto na importao sobre o produto brasileiro, j que negociado no Sistema Geral de Preferncia (SGP) norte americano. Alm disso, a implantao da rea de Livre Comrcio das Amricas (Alca), projetada para 2005, apresenta-se como uma oportunidade para se ampliar a presena do Mrmore Bege Bahia naquele mercado. De acordo com dados levantados pelo Promo (2004), atravs de consulta ao banco de dados Tradstat ([Link] ) em 23 de maro de 2004, os Estados Unidos importaram US$ 34,2 milhes em mrmore travertino sob a forma de chapas (NCMs 6802.21.50 e 6802.21.10) no ano de 2003, dos quais 37,45% foram provenientes da Itlia; seguida da Turquia, com 25,29%; e do Mxico, com 14,39%. O Brasil ocupa a 15a posio como fornecedor deste produto no mercado norte americano, participando com apenas 0,42%. O baixo ndice decorre da produo brasileira de mrmore ter se voltado essencialmente para o mercado interno, ao contrrio do granito, como foi explicado na introduo do corrente estudo. Ressalta-se que a Turquia conseguiu alcanar elevada posio porque desenvolveu uma agressiva estratgia de marketing e aperfeioamento do produto. A capacidade instalada das jazidas de mrmore bege em atividade na regio de Jacobina e Ourolndia estimada em 55.000 m3/ano. A capacidade de serragem da regio foi estimada em 700.000 m2/ano em 2003 por Ribeiro (2004). Entretanto, com a instalao de novos teares ao longo de 2004, esta deve ser aumentada significativamente. Considerando que cada m3 de pedra bruta gera aproximadamente 30m2 de rocha serrada, constata-se que a produo atual de blocos tem potencial para produzir 1.650.000 m2 de chapas (55.000 m3 X 30 m/m). Ao ser transformado em chapas ou ladrilhos, cada m3 de mrmore bege gera uma receita pelo menos quatro vezes e meia superior quela auferida na venda do bloco bruto.
Em 2002, as cadeias produtivas de rochas ornamentais, do sisal e do cacau foram enquadradas pelo Ministrio de Cincia e Tecnologia como prioritrias, dentro do estado da Bahia, no seu programa nacional para a formao de Arranjos Produtivos Locais (APL), que vem sendo coordenado, em nvel estadual, pela Fundao de Amparo Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). O primeiro projeto aprovado para o setor pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Desenvolvimento Integrado do Mrmore Bege Bahia DETIMBA (ref. FINEP/FAPESB, projeto n 2007/02, convnio n 22.02.0457.00), orado em R$ 490,45 mil e com durao de 12 meses, est sendo implantado no ano de 2004. Envolve o Instituto de Geofsica e a Escola Politcnica, entidades da Universidade Federal da Bahia (Ufba); o Senai; a CBPM; e o Instituto de Pesquisa Tecnolgicas (IPT), vinculado Universidade de So Paulo (USP). Seu objetivo viabilizar a formao de um Arranjo Produtivo Local na regio norte do estado da Bahia, tendo como ncleos os municpios de Jacobina e Ourolndia, atravs do aperfeioamento das tcnicas de extrao, serragem, polimento e produo de ladrilhos; alm da capacitao de mo-de-obra nas diferentes etapas de transformao da cadeia produtiva. As aes visam, em ltima instncia, adequar seus produtos, sobretudo os de maior valor agregado, chapas e ladrilhos, s exigncias dos mercados interno e externo (SPNOLA, 2003). Apesar de serem ainda pouco significativas, as exportaes de semimanufaturados de mrmores e travertinos vm apresentando um comportamento ascendente, conforme Tabela 6. O baixo valor mdio das exportaes baianas pode ser atribudo ao tipo de mrmore comercializado e qualidade do seu polimento ainda insatisfatria para os padres internacionais. Ressalta-se que o tipo travertino menos valorizado que outras categorias de mrmore, a exemplo do Carrara, do Prola, e mesmo dos seus concorrentes prximos, como o Crema Marfil espanhol e o Boticcino italiano, que so menos porosos.
TABELA 6 Exportaes Brasileiras de Mrmore, Travertino etc. Talhada/serrada superfcie plana/lisa (NCM: 6802.21.00)
Estado Valor (US$ FOB) Quantidade (kg) Valor Mdio (US$ FOB/kg) 2001 2002 2003 1,10 0,69 0,44 0,55 0,5 1,5 0,95 0,34 0,56 0,36 0,55 0,15 0,37 0,32 0,27 0,32 1,99 2,65 0,46 0,27 0,58 0,46 0,97 4,96 0,66 0,69 0,47
2001 2002 2003 2001 2002 2003 Esprito Santo 439.114 457.907 419.325 399.971 661.189 951.411 Cear 47.597 233.920 86.588 463.986 Minas Gerais 23.351 39.984 15.585 42.000 Rio de Janeiro 25.375 52.919 29.046 73.603 94.159 79.653 Bahia 654 3.549 13.278 1.200 22.920 36.034 Paran 13.345 12.776 42.344 46.746 So Paulo 148.097 81.353 11.857 466.606 40.805 4.481 Rio Gde do Sul 18.838 788 269 41.168 2.873 464 Pernambuco 3.725 8.053 Santa Catarina 2.884 3.375 2.980 680 Total 658.313 664.558 760.455 1.001.113 959.611 1.624.775
Fonte: MDIC/SECEX//ALICEWEB, dados coletados em 05/02/04 Elaborao: PROMO - Centro Internacional de Negcios da Bahia
O governo do estado da Bahia assinou um protocolo de intenes com o ISIM, Istituto Internazionale del Marmo, para execuo de um plano de trabalho a ser concludo em 2005 voltado aos melhoramentos tecnolgicos do mrmore Bege Bahia, com uma agenda de cursos tericos e prticos a serem realizados em Jacobina e Salvador. Atravs de exames laboratoriais de amostras de bloco bruto de Bege Bahia, o ISIM est desenvolvendo tcnicas de polimento adequadas para tornar o produto competitivo no mercado internacional. Os primeiros resultados foram apresentados aos empresrios do setor no Seminrio sobre Tecnologias Italianas para Rochas Ornamentais, em 16 de julho de 2004 em Salvador, Bahia. No mdio prazo, com assessoria do ISIM, projeta-se instalar um centro de resinagem em Ourolndia para atender s serrarias locais. Ao lado desta iniciativa, o setor de rochas ornamentais, particularmente o arranjo situado em Ourolndia, foi apontado como um dos segmentos prioritrios pela Rede de Apoio aos Arranjos Produtivos Locais do Estado da Bahia
(coordenada pela Secretaria de Cincia, Tecnologia e Inovao), dentro de um conjunto de quase 20 aglomerados produtivos. 6.4.3. Alguns entraves ao desenvolvimento do APL de Mrmore Bege Bahia
No aglomerado de empresas de beneficiamento do mrmore Bege Bahia, em Jacobina e Ourolndia, considerado o ponto de partida para a formao de um APL, segundo Ribeiro (2004), h questes que podem limitar a sua expanso. Dentre eles esto o abastecimento de gua e a gesto dos resduos. As atividades de beneficiamento de rochas so intensivas em gua e energia. Cada tear consome 250 mil litros de gua por ciclo de 20 dias. Atualmente cada empresa tem escavado o seu prprio poo artesiano, porm este processo poder gerar problemas futuros na gesto da distribuio de gua. O governo do estado deveria considerar a construo de uma central de abastecimento de gua subterrnea para otimizar o aproveitamento e evitar o desperdcio (Ribeiro, 2004). No ciclo de produo das serrarias formam-se depsitos de carbonato de clcio que so jogados ao meio ambiente sem qualquer tipo de controle, agredindo a natureza entorno. Entretanto, se forem recuperados, os resduos podem se tornar subprodutos para serem utilizados como insumo na produo de tinta, argamassa e cal. Finalmente, as tecnologias de resinamento e polimento poderiam ser aperfeioadas e otimizadas se contassem com uma estao central para atender as diferentes serrarias. Trata-se de uma questo relevante a ser considerada pelo recm lanado Arranjo Produtivo de Rochas pela Rede de Apoio aos APLs baianos, que dever contar com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Os tcnicos ISIM tm desenvolvido projetos semelhantes em outros pases. 6.5 Beneficiamento de Granito No Quadro 4, apresentam-se a capacidade instalada das serrarias de granito da Bahia, a localizao, o nmero de empregados e seu tipo de equipamento.
QUADRO 4
Feira de Santana
Granita (ladrilhos)* 4.000 29 Sistema importado (italiano) de talha-bloco, com politirz automtica
Teixeira de Freitas Granfera Granitos Vencia Granitos Milano Salvador Peval S/A Total 24.000 73.000 75 5 teares italianos com politriz automtica 241 25 teares e 1 sistema de talha-bloco 14.000 16.000 15.000 50 5 teares nacionais com politriz automtica 29 2 teares italianos com politriz automtica (18 cabeas) 23 5 teares nacionais com politriz automtica
*A Granita tem se dedicado produo de ladrilhos de mrmore Bege Bahia Fonte: Spnola (2003)
Embora a Bahia tenha grandes reservas e tipos variados de granito, a atividade de beneficiamento no tem se expandido nos ltimos anos. O nmero de serrarias permanece o mesmo de trs anos atrs. Muitas serrarias apresentam capacidade ociosa e acabam se dedicando exportao de blocos brutos. Outras tm se voltado fabricao de ladrilhos de mrmore Bege Bahia. Algumas empresas alegam que, no mercado internacional, as exportaes de blocos so pagas vista ou com carta de crdito, enquanto as de chapas, so pagas preferencialmente com saque bancrio, o que mais arriscado. Algumas empresas alegam que no conseguem competir com o Esprito Santo, onde existe uma srie de externalidades j mencionadas. Atualmente, o municpio de Teixeira de Freitas concentra mais da metade da capacidade de serragem de granito da Bahia. Ao se considerarem os teares efetivamente em operao, verifica-se que pelo menos 60% da produo de chapas granticas do estado so provenientes de Teixeira de Freitas (Quadro 4). Esse dado pode ser atribudo proximidade do Esprito Santo, uma vez que o municpio localiza-se a 180 km de Nova Vencia (ES), ncleo produtor de granito. Observa-se que as empresas de Teixeira de Freitas possuem estreitas relaes
6.6. A insero da Bahia no mercado externo As exportaes de rochas do estado da Bahia tm se caracterizado pela elevada concentrao em blocos no manufaturados. Atravs da Figura 9 e da Tabela 4, verifica-se que a Bahia o segundo maior exportador de blocos, depois do Esprito Santo. No primeiro semestre de 2004, contudo, apesar de no ter perdido esta posio, sua participao nas exportaes brasileiras de blocos decresceram para um percentual de apenas 7,62%, enquanto nos anos anteriores este indicador ficava entorno de 13 e 14%. Alguns fatores vm contribuindo para esta retrao. Primeiramente, devido baixa freqncia de navios de carga geral no porto de Salvador, o custo de logstica tem se elevado. Algumas empresas exportam seus produtos pelo porto de Vitria ou por outros portos, o que alm de encarecer o produto, compromete o cumprimento de prazos com clientes. Segundo, a conjuntura internacional vem se mostrando mais favorvel aos produtos semi-manufaturados, da China tem pois a intensificao suas do processo de de
industrializao
acelerado
importaes
rochas
FIGURA 8
Exportaes de Granito em Bloco (NCM) em US$ FOB milhes (20002004)
SP % PR % ES % RJ % BA %
Fonte: Dados do Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia, com base no Sistema Alice Web, Secex. Elaborao UEP/Desenbahia
FIGURA 9
Exportaes de Blocos de Granito Serrado (NCM ) em US$ FOB (2000-2004)
Fonte: Dados do Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia, com base no Sistema Alice Web, Secex. Elaborao UEP/Desenbahia
No que se refere s exportaes de granito serrado, a participao da Bahia tem sido decrescente. Os produtores no conseguem economias de escala, internas ou externas, para competir com as empresas do Esprito Santo. Por outro lado, os produtos nobres da Bahia so geralmente beneficiados fora do estado, principalmente no Rio de Janeiro e Esprito Santo (Tabela 5 e Figura 9). A Bahia participa com menos de 0,5 % nas exportaes dos produtos enquadrados na NCM 6802.32.01, carro chefe das vendas externas de rochas ornamentais. Vale ressaltar que este percentual chegou a atingir 11% em 1996, conforme dados expostos na Tabela 5.
TABELA 7 Exportaes de Rochas Ornamentais do Estado da Bahia US$ FOB
2002 Rochas Silicticas em Bruto (RSB) (1) 25062100 Quartzitos em bruto ou desbastados 25062900 Outras formas de Quartzitos 25161100 Granito em bruto ou desbastado 25161200 Granito cortado em blocos ou placas Subtotal Rochas Carbonticas em Bruto (RCB) (2) 25151210 Mrmore Cortados em blocos ou placas 68029100 Mrmores, travertinos, etc. Subtotal Rochas Processadas (RP) (3) 68010000 68021000 68022100 68022200 68022300 68029200 68029390 68029990 68030000 Subtotal Pedra para calcetar meio-fio e placa p/ paviment. Ladrilhos de pedra natural/serrada superficial. Mrmore, Travertino, etc talha/serr. sup. plana/lisa Outras pedras calcrias talhadas Granito talhado ou serrado, de superf. plana / lisa Pedras calcrias trabalhadas de [Link] e obras Granitos trabalhados Pedras de cantaria, trabalhadas Ardsia Natural trabalhada 1.009.491 1.118.325 159.339 229.823 10.466.587 8.506.934 2.450.921 7.766.472 14.086.338 17.621.554 0 27.985 27.985 0 1.925 3.549 0 1.420.839 0 2.020.957 249.491 1.590 3.698.351 16.640 52.930 69.570 82.260 5.889 13.278 1.623 923.137 10.327 900.592 -55,44 654.619 162,38 36.946 2223,65 2.628.671 -28,92 205,92 274,13 10,78 44,24 -18,72 216,88 25,10 5,50 1,13 41,87 38,22 86,72 2003 Variao Partic. % %
89,14 148,60
0,26 0,34 0,40 0,03 0,07 0,01 4,54 0,05 4,43 3,22 0,18 12,94
-35,03
17.812.674 20.319.795
14,07 100,00
Fonte: MDIC/SECEX, dados coletados em 28/01/04 Elaborao: Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia (1)Rochas Silicticas Brutas - RCB incluem granitos e quartzitos em blocos (2) Rochas Carbonticas - RB incluem os mrmores e travertinos em blocos (3) Rochas Processadas so rochas beneficiadas, predominantemente chapas e ladrilhos
A Tabela 7, exposta anteriormente, permite se observarem as exportaes baianas de rochas ornamentais por diferentes categorias de produtos em 2002 e
2003. A maior parte das exportaes se concentra no granito, sobretudo em estado bruto. Conforme mencionado, a produo brasileira de mrmore, incluindo a baiana, sempre se voltou ao mercado interno. As iniciativas para melhoramento tecnolgico do parque produtor do mrmore Bege podem mudar este quadro a mdio prazo. Os valores expostos acima, embora ainda baixos em termos absolutos, apresentam indcios de que os produtos do mrmore comeam a aparecer nas estatsticas de comrcio exterior. O Brasil j est comeando a exportar este material em chapas e ladrilhos. Segundo informaes coletadas diretamente com Chiodi (2004b), no primeiro semestre de 2004, o Brasil comercializou US$ 870 mil do cdigo 6802.10.00 no mercado externo, em que se inserem os ladrilhos de mrmore Bege. A Bahia exportou apenas US$ 26,16 mil, enquanto o Esprito Santo, US$ 701 mil. Segundo Chiodi (2004 a), dentre as melhores oportunidades para a indstria baiana destaca-se o mrmore Bege Bahia, em ladrilhos e chapas, com foco nos mercados interno e externo.
7. CONSIDERAES FINAIS
O comrcio de rochas ornamentais est estreitamente vinculado indstria da construo civil. O setor movimenta aproximadamente US$ 50 bilhes, considerando os mercados internos dos pases produtores e consumidores e as transaes com mquinas e equipamentos. Nos ltimos 15 anos, foram
registradas taxas mdias anuais entre 7% e 8% para o crescimento da produo, exportao e consumo (MONTANI, 2000,2003 apud Mello, 2004). Portanto, apesar de se tratar de uma indstria tradicional, em termos mundiais, suas taxas de crescimento no so desprezveis. Seus principais concorrentes so os revestimentos cermicos cuja utilizao tem crescido a taxas superiores s pedras naturais, conforme mencionado. Entretanto, os mrmores, granitos e outros tipos de rochas ornamentais so considerados clssicos e esto menos sujeitos a modismo. As projees da Abirochas (Peiter et al, 2001) indicam a manuteno da tendncia de crescimento no mercado internacional de rochas e das perspectivas de aumento da participao brasileira neste mercado. Embora a Itlia seja o ncleo difusor de inovao tecnolgica como maior produtor e exportador de mquinas, a partir de 2002, a China se tornou o maior importador de produtos brutos e maior exportador mundial de semi-
manufaturados. O Brasil ocupa atualmente o quarto lugar como exportador de material bruto. Segundo Chiodi (2003), a posio brasileira como exportador de rochas processadas evoluiu sensivelmente nos ltimos anos. O pas saltou da 12a posio do ranking dos maiores exportadores de rochas semimanufaturadas, em 1999, para 8a em 2001. Estima-se que tenha se tornado o sexto maior exportador de rochas processadas em 2003 (CHIODI, 2003). Em 2003, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de granito semimanufaturado nos Estados Unidos, que absorvem cerca de 90% do valor das exportaes brasileiras dessa categoria de produto. Pode-se levantar a hiptese, ao analisar a Tabela 1, que esta conquista tem sido via preo, j que o valor CIF mdio pago por unidade de produto proveniente do Brasil cerca de 30% abaixo do valor da Itlia e da ndia, e 8% abaixo do valor CIF importado da China. Foi demonstrado que, entre 1992 e 2002, o consumo interno de rochas brutas cresceu a uma taxa de 8,45% ao ano, e de bens manufaturados, 7,87%. O comportamento deste mercado depende do desempenho da construo civil. As exportaes brasileiras de granito semi-manufaturado na ltima dcada cresceram elevada taxa mdia de 30% ao ano, lideradas pelo Esprito Santo, cuja participao atual de quase 50%. No ano de 2004, o ndice de crescimento dessas exportaes tem se mostrado inferior ao esperado, embora continue positivo. As vendas externas foram afetadas por problemas de logstica. Segundo Chiodi (2004 a), o aumento dos fretes martimos internacionais, estimado em 50% no primeiro semestre, reduziu a competitividade das rochas brasileiras, sobretudo das chapas de granito transportadas em contineres. O aumento da demanda de contineres pela China contribuiu para a elevao de custo de transporte. Chiodi (ibid, 2004) ressalta que a ndia e a China, os maiores concorrentes do Brasil no mercado norte americano, no esto enfrentando as dificuldades brasileiras com transporte. Constatou-se uma sensvel reduo das exportaes de blocos brutos no primeiro semestre de 2004 em relao a 2003. Este fato pode ser atribudo: 1) baixa freqncia de navios de carga geral, transportadores de blocos; 2) s dificuldades fsicas do porto de Vitria para movimentao de navios de grande porte, pelas dimenses limitadas de seu canal de navegao e de sua profundidade, que suporta embarcaes com no mximo 10,5 m de calado; 3) preferncia da China por importaes de rochas j semi-manufaturadas, motivada pelo acelerado ritmo da sua construo civil (Chiodi, 2004). A reduo da
demanda por blocos brutos pelo seu maior importador, inevitavelmente, teve forte impacto no mercado. Foram apontados os principais fatores determinantes para a liderana do estado do Esprito Santo nesse setor, e particularmente do municpio de Cachoeiro do Itapemirim, ncleo de um arranjo produtivo APL - de rochas ornamentais. O melhor desempenho do Esprito Santo e do Rio de Janeiro com exportao de rochas granticas processadas, bem como de Minas Gerais com ardsias e quartzitos foliados, est lastreado na existncia de parques industriais de beneficiamento e em uma base de competitividade firmada para produtos acabados/semi-acabados no mercado interno. O estado da Bahia detm 10% da produo nacional, sendo o terceiro produtor brasileiro de rochas, depois do Esprito Santo e Minas Gerais. Como a indstria baiana se caracteriza pela produo e fornecimento de blocos no manufaturados para os mercados internos e externos, suas exportaes, no primeiro semestre de 2004 tiveram reduo superior a 40% em relao a 2003, atribuda a fatores j mencionados, determinantes para a queda das exportaes do material bruto. Em linhas gerais, as vantagens da indstria na Bahia so: 1) ocorrncia de reservas naturais em quase todo semi-rido baiano, em reas pouco propcias agricultura, onde a minerao uma alternativa; 2) ampla variedade de tipos de rochas, excepcionais, exticos e comuns; 3) boas condies porturias naturais da Baa de Todos os Santos, com terminais para calado de at 12,4m, superior, portanto ao do porto de Vitria, cujo calado atinge no mximo 10,5 m; 4) existncia de distritos industriais organizados com acesso direto ao porto, a exemplo do Centro Industrial de Aratu e Feira de Santana, alm do Distrito de Teixeira de Freitas, prximo ao Esprito Santo; 5) atuao consistente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM no que se refere pesquisa mineral e promoo comercial, pois, juntamente com o Promo Centro Internacional de Negcios da Bahia, tem propiciado a participao de empresas nas principais feiras temticas nacionais e internacionais, em estande coletivo do Estado da Bahia; 6) existncia de um aglomerado de serrarias voltadas ao beneficiamento primrio do mrmore Bege Bahia, estabelecidas
A expanso das empresas de beneficiamento de mrmore Bege Bahia, aliada ao esforo destas na substituio e modernizao de seus equipamentos, com recursos prprios (Ribeiro, 2004) mostra que h oportunidades de mercado para o produto se houver planejamento, em nvel micro e meso-econmico. Essa expanso tem sido tambm apoiada por iniciativas institucionais voltadas ao aperfeioamento das tcnicas de beneficiamento, a exemplo do projeto DETIMBA (Desenvolvimento Integrado do Mrmore Bege Bahia), coordenado pela Fapesb com apoio da FINEP, e da parceria firmada pelo governo do estado, atravs do PROMO e da CBPM, com o Istituto Italiano Del Marmo ISIM, para a melhoria das tecnologias de serragem, polimento e comercializao. Vale ressaltar que a Polita, serraria estabelecida em Cachoeiro do Itapemirim, acaba de lanar com exclusividade, o Mrmore Bege Bahia cristalizado, caracterizado por apresentar mais brilho, maior resistncia e impermeabilidade, com foco nos mercados interno e externo. Quando lustrado, destaca-se pelo aspecto sofisticado e acolhedor, podendo ser usado como pisos de salas, quartos, hall, escadas internas, lavabos e aparador. O material pode tambm receber um tratamento de impermeabilizao e manter o aspecto rstico, tornando-se interessante em projetos de reas externas como bordas de piscinas, cascatas e passarelas em jardins. Alm disso, utilizado na fabricao de mveis, objetos decorativos e uma infinidade de situaes que depender da criatividade do profissional. Para garantir o crescimento sustentado do potencial APL do Mrmore Bege Bahia da regio norte, deve-se considerar um melhor planejamento do abastecimento de gua, do tratamento de resduos, bem como a implantao de uma planta coletiva de beneficiamento, focada em desenvolvimentos
tecnolgicos. Caso contrrio, o aglomerado tender a se constituir de empresas mono produtoras, competindo via preo. Estaro ameaadas por concorrentes inovadores, a exemplo da Polita A desvantagem mais premente da indstria baiana refere-se ao fato de estar concentrada na produo de blocos. Alm das vulnerabilidades inerentes a um mercado de matrias primas, h dificuldades no escoamento da produo para os mercados interno e externo, devido baixa freqncia de navios de carga geral e ao encarecimento do frete rodovirio, agravado pelas ms condies das estradas. Por outro lado, as empresas a jusante da cadeia produtiva, voltadas ao
beneficiamento do granito, apresentam pouco dinamismo e baixa competitividade, pois no conseguem concorrer com os produtores capixabas. Segundo Sampaio (2004), presidente do SIMAGRAN/BA (Sindicato da Indstria de Mrmores e Granitos da Bahia), a penetrao do granito semimanufaturado no mercado dos Estados Unidos foi calcada num trabalho de marketing das rochas do Esprito Santo, os granitos verdes e amarelos, considerados comuns. Da seu principal atributo competitivo ser a vantagem absoluta de custo que resulta no baixo preo de venda. J os granitos baianos, embora considerados mais nobres e resistentes, tm custo de serragem elevado por serem muito rgidos. Sampaio (2004) sugere que se faa um agressivo trabalho de marketing no mercado norte americano, com foco na diferenciao do granito baiano. Considerando-se as ameaas e oportunidades de mercado, recomenda-se prioridade aos empreendimentos voltados produo de manufaturados e semimanufaturados, ou seja as marmorarias e serrarias. Em se tratando do mrmore Bege Bahia, aparentemente h boas possibilidades de sucesso para as empresas j existentes que esto se reestruturando.
REFERNCIAS
COMPANHIA BAIANA DE PESQUISA MINERAL CBPM. Cadastro dos produtores de rochas ornamentais Bahia-Brasil Dimension Stones producers directory BahiaBrazil. Salvador: CBPM, 2003. BIGLIA, Gian Marco. Presidente da recm criada AssoBege. Depoimento em 26 de setembro de 2004 BORGO FILHO, Mximo. Entrevista. O futuro dos portos do ES. Revista Pedras do Brasil Pedras do Brasil. Rede de Opinio de Comunicao e Editora Ltda. Vitria, Esprito Santo:. Nr. 29 Ano III Agosto de 2004, p.34-35 CARACTERIZAO TCNICA. Revista Pedras do Brasil Pedras do Brasil. Rede de Opinio de Comunicao e Editora Ltda. Vitria, Esprito Santo:. Nr. 28 Ano III Julho de 2004, p.24 CHIODI FILHO, Cid. A expresso brasileira no setor de rochas ornamentais. Pedras do Brasil Revista da Cadeia Produtiva de Rochas Ornamentais do Brasil. n 18 Ano II Setembro de 2003, p.38-39. _____. Balano das exportaes brasileiras de rochas ornamentais e de revestimento no primeiro semestre de 2004. Pedras do Brasil Pedras do Brasil. Rede de Opinio de Comunicao e Editora Ltda. Vitria, Esprito Santo:. Nr. 29 Ano III Agosto de 2004, p.50-61. 2004 a CHIODI, Cid. Gelogo e consultor da Associao Brasileira das Indstrias de Rochas Ornamentais (Abirochas). cdchiodi@[Link] . Consulta direta em 9 de setembro de 2004 b. COMRCIO EXTERIOR INFORME BB. Consrcios de exportao. Braslia, n. 36, ago. 2001. 19 p. ___. Rochas ornamentais: desvendando o caminho das pedras. Braslia, n. 23, ago. 2000. 29 p. A FORA do granito no Esprito Santo. Mrmores & Granitos, So Paulo, p. 24-28. set. 2001. FORNAZIER, Alessandra. Bruno Zanet inaugura indstria de beneficiamento. Revista Pedras do Brasil Pedras do Brasil. Rede de Opinio de Comunicao e Editora Ltda. Vitria, Esprito Santo:. Nr. 28 Ano III Julho de 2004, p.36 MELLO, Ivan Sergio de Cavalcanti. Indicadores do Mercado Nacional e Internacional de Rochas Ornamentais e para Revestimento. A Cadeia produtiva de rochas ornamentais e para revestimento no Estado de So Paulo: diretrizes e aes para inovao e competitividade. MELLO, Ivan Sergio de Cavalcanti (organizador). So Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnolgicas, 2004, p.1-26. MONTANI, C. Stone 2000 World Marketing Handbook. Faenza (ITA): Gruppo Editoriale Faenza Editrice, 2000, 213 p. __ Stone 2003 World Marketing Handbook. Faenza (ITA): Gruppo Editoriale Faenza Editrice, 2003. Ministrio da Cincia e Tecnologia. Secretaria Executiva Secex. Roteiro para enquadramento de arranjos produtivos locais e de cadeias produtivas regionais. Braslia: MCT, 2002. No paginado. Mimeografado. Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior. Secretaria de Comrcio Exterior - Secex. Estatsticas nacionais. Braslia: MDIC/SECEX, 2004. NERY, Miguel Antonio Cedraz; SILVA, Emanoel Apolinrio da. Balano mineral de rochas ornamentais 1988-2000. [S.l.], 2001. Mimeografado. ____
PEITER, C.C. et al. Rochas Ornamentais no sculo XXI: bases de desenvolvimento sustentado das exportaes brasileiras. Rio de Janeiro: Cetem/Abirochas. 150p, 2001. PEQUENOS exportam mais. Pedras do Brasil Pedras do Brasil. Rede de Opinio de Comunicao e Editora Ltda. Vitria, Esprito Santo:. Nr. 29 Ano III Agosto de 2004. PROMO Centro Internacional de Negcios da Bahia. Pesquisa direta em agosto de 2004. Promo, 2004 a. ____ Programa Setorial Integrado (PSI) de Rochas Ornamentais. Promo, 2004 b. RIBEIRO, Adalberto de Figueiredo et al. Mmore Bege Bahia em OurolndiaMirangaba-Jacobina, Bahia: geologia, potencialidade e desenvolvimento sustentvel. Salvador: CBPM, 2002. ________. Coordenador de Minerao da Secretaria de Indstria, Comrcio e Minerao do Estado da Bahia. Consulta direta em 13 de setembro de 2004. SAMPAIO, Reinaldo. Dantas. Presidente do Sindicato da Indstria de Mrmores e Granitos da Bahia SIMAGRAN-BA.. Consulta direta em maro de 2004. SPNOLA, Vera. Potencial Exportador e Poltica Pblica para uma Evoluo Virtuosa: a Indstria de Rochas Ornamentais da Bahia. Dissertao. (Mestrado em Economia). Universidade Federal da Bahia UFBA, Salvador, 2002, 179 p. ____. Rochas Ornamentais em Arranjo Produtivo. Salvador: Superintendncia de Estudos Econmicos e Sociais da Bahia, 2003. (Srie estudos e pesquisas) ____. Caracterizao do Arranjo Produtivo Local de Rochas Ornamentais. Trabalho apresentado ao MCT para caracterizao da indstria de rochas ornamentais como arranjo produtivo. Salvador: Fapesb, 2002. ___. FERREIRA JNIOR, H. M. Desafios para a Constituio de um Arranjo Produtivo Local: o caso da indstria de rochas ornamentais na Bahia. In: Anais do Forum do Banco do Nordeste de Desenvolvimento VII Encontro Regional de Economia. Fortaleza, 2002 ([Link]) ___. FERREIRA JNIOR, H. M. Rochas Ornamentais em Arranjo Produtivo: o desenvolvimento integrado do Mrmore Bege Bahia. Revista Nexos Econmicos. Curso de Mestrado em Economia da Universidade Federal da Bahia UFBA. Vol.3, n 5, janeiro de 2004, p. 51-67. VILLASCHI FILHO, Arlindo; PINTO, Mriam de Magdala. Arranjos produtivos e inovao localizada: o caso do segmento de rochas ornamentais no noroeste do Estado do Rio de Janeiro: nota tcnica 16. Rio de Janeiro, 2000. (Estudos Empricos). Mimeografado. SECEX ___. SABADINI, Maurcio de Souza. Arranjo produtivo local de rochas ornamentais: (mrmore e granito)/ES: nota tcnica 13. Rio de Janeiro, 2000. (Estudos Empricos). Mimeografado. SCATOLIN, Fbio Dria et al. A formao de arranjos produtivos e a dinmica do comrcio internacional. Curitiba, 2002. Mimeografado.
ANEXO
Principais empresas de rochas ornamentais da Bahia mineradoras e serrarias
Covemar Com. Vendas Mrmore Marbege Mrmores e Granitos Ltda Rua Sete de Setembro, 37 Centro CEP: 44706-000 Ourolndia, Bahia Telefax: (74) 681-2118 Brasrochas Brasil Rochas Ornamentais Ltda. Br 324 Km 137 Rua Bege Bahia, 137 Centro Industrial do Suba Feira de Santana Bahia, Cep44052-510 Telefax:75 614-4322 e-mail: brasrochas@[Link] Estrada da Barragem, Km 68 CEP: 44706-000 Ourolndia, Bahia Telefone: (74) 681-2183 GMB Granitos e mrmores da Bahia
Rua Almerindo Pereira 64 Alto da Colina Potiragu Bahia Cep45790-000 Telefax:73285-2298 e-mail: gmb@[Link]
Fazenda Pedra da Arara, s/n CEP: 44718-000 Ourolndia, Bahia Telefax: (74) 681-2211/6643
Fazenda Rancho Alegre - Alazo CEP: 44718-000 Ourolndia, Bahia Telefones: (74) 621-3514/1859, 9961-1085 e-mail: [Link]@[Link]
Travertino Minerao Ltda Fazenda Cais Estrada Ourolndia / Casa Nova CEP: 44718-000 Ourolndia, Bahia Telefone: (74) 681-2163 Mrmore Brasil Maria Auxiliadora Lima Ribeiro Estrada de Ourolndia/ Lajes, Km 29 CEP: 44718 - 000 Ourolndia Bahia Rochamrmores Ltda Rodovia Miguel Calmon, Km 1 Catuaba CEP: 44700 000 Jacobina Bahia Telefones: (74) 621-3576/7622 / 9961-1988
Estrada Engenho Velho CEP: 44718-000 Ourolndia, Bahia Telefone: (74) 9961-1479 Nordeste Agromineral Ltda
Centro Industrial do Mrmore, s/n CEP: 44718-000 Ourolndia, Bahia Telefax: (74) 681-2205/4257 Mrmore e Granito Jacobina Ltda
Estrada Jacobina Pau Ferro, Km 3 Catuaba CEP: 44718 000 Ourolndia Bahia Telefones: (74) 621-0333/1931/ 9962-7310
Julialy Mrmores e Granitos Ltda Avenida Centenrio, 1490 Jacobina II CEP: 44700 000 Jacobina Bahia Telefone: (74) 621-3448
Avenida Raimundo Gordiano Cedraz, 1542 Aeroporto CEP: 44700 000 Jacobina Bahia Telefone: (74) 612-5655
Marmoraria Jacobinense
Pietrine Brasil Rochas Ornamentais Ltda Rua Bege Bahia, 137 Centro Industrial Suba Feira de Santana Bahia CEP: 44062 510 Telefax: (75) 614-4322 e-mail: brasrochas@[Link] Granita Brazilian Granites & Italian Tecnology Ltda Rodovia Br-324, Km 526, Ncleo CIS Quadra B, lote 2 Caixa Postal 1546 Feira de Santana Bahia CEP: 44051 970 Telefax: (75) 625-6868
Rua do Rosrio, 40 CEP: 44700 000 Jacobina Bahia Telefones: (74) 621 3426 / 3716
Granifera
Br 01, Km 884 Plo industrial Caixa postal 087 CEP 45995-970 Teixeira de Freitas - Bahia Telefax: (73) 665-1011 E-mail: [Link]@[Link] Granitos Vencia
Condexport Marmore & Granito Rodovia Otto Alencar, Km 0 Rui Barbosa Bahia CEP: 46800 000 Telefax: (75) 252-2002 e-mail: pepitos@[Link]
Br 101 Km 884, 2 Plo industrial Caixa postal 106 CEP 45995-000 Teixeira de Freitas Bahia Telefax(73) 665-1012 E-mail: granitosvenecia@[Link]
Mrmore da Bahia S.A. Fazenda Mocambo, s/n CEP: 44718 - 000 Ourolndia Bahia Telefone: (74) 681-2163/ (71) 243-0499
Lagoa do Peixe CEP: 44700 000 Jacobina Bahia Telefones: (74) 621-7481 / 9964-0391
Minerao Ourolndia Ltda Rodovia BR 324, Km 67 Barragem Ourolndia Bahia CEP: 44718 000 Tel: (74) 681-2302/2303/2269 Peval S/A Rua Terra Nova s/n BR-324, Km 14 Valria CEP: 41300-570 Salvador-Bahia Telefone: (71)2107-7300 e-mail: peval@[Link]
Fazenda Cais Estrada Ourolndia/ Casa Nova CEP: 44718 000 Ourolndia Bahia Telefone: (74) 681-2118/2468/ (71) 9131-6055 Itanorte mrmores e granitos Ltda.
Distrito industrial de So Francisco, Qd. 1, lote 9 Juazeiro Bahia Cep48900-000 Telefone: 74613-202 Fax: 74612-5060
Granitos Milano Ltda. Via 8 Qd E Lote 53 Br 101, Km 884 - - Plo Industrial CEP 45995-000 Teixeira de Freitas Bahia Telefone: (73) 665-1105/1104 Email: granitosmilano@[Link] Minerao Corcovado Ltda. Rua Jo dos Santos Neves, 218 Centro Espirito Santo Cep: 29176-260 Telefone:273251-1421 e-mail:corcovado@[Link]
Avenida Tancredo Neves, 1222 sala 203 Pituba Salvador-Bahia Telefone: (71)272-6229 E-mai: braston@[Link] CEP:41820-020 Bege Representaes e Comrcio
Rua So Jorge, 320 Bananeiras Jacobina Bahia CEP: 44700 000 Telefax: (74) 621-3286 E-mail: begebahia@[Link]