Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
O Surgimento dos Principais Partidos Políticos de Moçambique
Estefânia Ezaquiel Manuel – Código – 708212029
Curso: Licenciatura em Ensino de História
Disciplina: Métodos de Investigação Científica
Ano de frequência: 2o Turma C
O tutor: Duanil João Sandulane Ferrão
Nampula, Agosto de 2022
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação
Nota d
máxima Subtotal
o tutor
Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura organizacionai
s Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização 1.0
(Indicação clara do
problema)
Introdução
Descrição dos objectivos 1.0
Metodologia adequada ao 2.0
objecto do trabalho
Articulação e domínio do 2.0
discurso académico
(expressão escrita
Conteúdo
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão Revisão bibliográfica 2.0
nacional e internacionais
relevantes na área de
estudo
Exploração dos dados 2.0
Conclusão Contributos teóricos 2.0
práticos
Formatação Paginação, tipo e tamanho 1.0
Aspectos
de letra, parágrafo,
gerais
espaçamento entre linhas
Normas APA 4.0
Referências Rigor e coerência das
6ª edição em
Bibliográfica citações/referências
citações e
s bibliográficas
bibliografia
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Índice
Resumo..................................................................................................................................IV
Abstract..................................................................................................................................V
1. Introdução........................................................................................................................6
2. O Surgimento dos Principais Partidos Políticos de Moçambique...................................7
2.1. Origem do Partido FRELIMO......................................................................................7
2.2. Origem do Partido RENAMO......................................................................................9
2.3. Origem do Partido MDM...........................................................................................11
3. Conclusão.......................................................................................................................14
4. Bibliografias...................................................................................................................16
Resumo
O presente artigo tem como tema o surgimento dos principais partidos de Moçambique, no entanto, o
artigo tem por objectivo descrever as origens dos três principais partidos de Moçambique dos quais
são FRELIMO o partido no puder desde a independência colonial, RENAMO o segundo maior partido
deste pais e o primeiro partido da oposição e MDM o terceiro maior partido. A RENAMO como
oposição a regime socialista e recorrer a guerra civil como alternativa para alcançar a democracia e
construção de estado moderno em Moçambique. Para começar é de tomar em consideração que
RENAMO desde sua criação em 1977 era conhecida como movimento de resistência armada de
desestabilização de Moçambique pós-independente. “A resistência passa a ser reconhecida como
partido político em 1992 a luz dos Acordos Gerais de Paz de Roma e, é com os mesmos que
permitiram com que a FRELIMO aceitasse o regime multipartidário e proclamasse uma nova
República deixando por de trás a primeira República “que tinha ideologias comunistas marxistas para
novo regime de direito democrático e centralista. O Movimento Democrático de Moçambique (MDM)
é um partido político de Moçambique, criado a partir de uma dissidência da Resistência Nacional
Moçambicana (RENAMO). A metodologia adoptada na elaboração deste artigo aplicou-se a pesquisa
bibliográfica que teve como vinculo a leitura e interpretação de artigo, teses/dissertações e livros de
autores que abordam acerca do assunto em destaque, desde autores moçambicanos e outros
internacionais que exerceram o papel de apoio através de seus dizeres e pensamentos por eles escritos.
Palavras-Chaves: os principais partidos, FRELIMO, RENAMO, MDM
IV
Abstract
This article has as its theme the emergence of the main parties in Mozambique, however, the article
aims to describe the origins of the three main parties in Mozambique of which are FRELIMO the party
in the power since colonial independence, RENAMO the second largest party of this parents and the
first opposition party and MDM the third largest party. RENAMO as opposition to the socialist regime
and resorting to civil war as an alternative to achieve democracy and modern state building in
Mozambique. To begin with, it should be noted that RENAMO, since its creation in 1977, was known
as the armed resistance movement for the destabilization of post-independent Mozambique.
“Resistance is recognized as a political party in 1992 in the light of the General Peace Agreements of
Rome, and it is with them that allowed FRELIMO to accept the multiparty regime and proclaim a new
Republic leaving behind the first Republic” who had Marxist communist ideologies for a new
democratic and centralist rule of law. The Mozambican Democratic Movement (MDM) is a political
party in Mozambique, created from a dissidence of the Mozambican National Resistance (RENAMO).
The methodology adopted in the elaboration of this article was applied to the bibliographical research
that had as a link the reading and interpretation of article, theses/dissertations and books of authors
that deal with the subject in focus, from Mozambican authors and other international ones who played
the role of support through their words and thoughts written by them.
Keywords: The main parties, FRELIMO, RENAMO, MDM
V
1. Introdução
A Constituição da República consagra, entre outros, o princípio da liberdade de associação e
organização política dos cidadãos, o princípio da separação dos poderes legislativo, executivo
e judiciário, e a realização de eleições livres. Moçambique é uma nação fortemente
centralizada desde sua independência em 1975 até a actualidade. Todo o poder político
moçambicano tem uma concentração absoluta de todos os poderes em um capital Maputo que
domina o conjunto de território moçambicano, algo não característico para a sociedade
primitiva de Moçambique, que se encontrava organizada em um império estruturado em
estados vassalos que pagavam impostos ao império soberano, esses estados eram
subordinados ao império e independente política e economicamente. Para a realização deste
artigo, traçou-se os seguintes objectivos:
Objectivo Geral: Conhecer o surgimento dos principais partidos de Moçambique.
Objectivos Específicos:
Identificar os principais partidos políticos de Moçambique;
Descrever o surgimento dos principais partidos políticos;
Explicar a origem dos principais partidos políticos de Moçambique.
Contudo, apesar do sistema de representação proporcional sem barreira eleitoral que em
teoria1 produziria efeitos multiplicadores sobre o número de partidos com assentos
parlamentares, os pequenos partidos ainda não conseguiram de forma relevante ocupar
assentos no parlamento. Este factor contribui para que a competição partidária esteja assente
nas duas principais forças políticas nomeadamente: a FRELIMO e a RENAMO.
Para a elaboração deste trabalho aplicou-se a pesquisa bibliográfica que teve como vinculo a
leitura e interpretação de artigo, teses/dissertações e livros de autores que abordam acerca do
assunto em destaque, desde autores moçambicanos e outros internacionais que exerceram o
papel de apoio através de seus dizeres e pensamentos por eles escritos.
6
2. O Surgimento dos Principais Partidos Políticos de Moçambique
Os principais partidos de Moçambique são: FRELIMO (Frente de Libertação de
Moçambique), RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique) e MDM (Movimento
Democrático de Moçambique).
O multipartidarismo é um fenómeno bastante recente em Moçambique e, desde as primeiras
eleições multipartidárias em 1994, a vida política do país tem sido dominada pela RENAMO
e FRELIMO. Entretanto, se é verdade que o cenário político moçambicano é ainda marcado
pela bipolarização, não menos verdadeiro é o facto de que a FRELIMO tem, gradativamente,
ampliado seu domínio e hegemonia política. Desde 2004, tanto nas eleições gerais como nas
locais, a RENAMO e seu líder, Afonso Dhlakama (que a sua alma descanse em paz) que tem
como actual presidente Issufo Momade, têm recebido um menor número de votos, até mesmo
em locais onde, até então, o partido era a força política hegemónica é ilustrativo desta
tendência o facto de que, nas eleições locais de 2008, o partido não conseguiu eleger nenhum
de seus candidatos à presidente de autarquia, deixando de reelegê-los nas cinco autarquias que
ganhara em 2003.
2.1. Origem do Partido FRELIMO
O primeiro presidente da FRELIMO Eduardo Mondlane, acabaria por morrer assassinado a 3
de Fevereiro de 1969 a ele sucedeu Samora Moisés Machel que proclamou a independência
do País a 25 de Junho de 1975. Machel que acabou morrendo num acidente aéreo em
M’buzini, vizinha África do Sul acabou sendo sucedida por Joaquim Alberto Chissano, e foi
sucedido por Armando Emílio Guebuza e este foi sucedido pelo actual presidente da
República e do Partido Filipe Jacinto Nyusi.
No entanto, A Frente de Libertação de Moçambique, também conhecida pelo seu acrónimo
FRELIMO, e um partido político fundado em 25 cd Junho de 1962 (como movimento
nacionalista), com objectivo de lutar pela independência de Moçambique do domínio colonial
português.
De acordo com 1NUVUNGA (2007), ao referir-se do partido Frelimo:
Originalmente, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) foi criada em 1962 a
partir da fusão de três movimentos independentistas, designadamente a UDENAMO,
1
NUVUNGA, Adriano (2007) Experiências com Partidos Políticos em Novas Democracias. O ‘Deixa
Andar’ no Quadro Institucional em Moçambique. In: Partidos Políticos: Quatro Continentes. Cadernos
Adenauer VIII (2007), nº 3.
7
UNAMO e UNAMI. Dirigiu a luta de libertação nacional entre 1964-1975; com a
independência, a Frente transformou-se em partido político e no seu 3° Congresso em
1977, definiu-se como um partido marxista-leninista de orientação socialista. Perante
os expressivos fracassos económicos e políticos do modelo socialista, o partido
Frelimo introduziu medidas graduais de liberalização económica no seu 4° Congresso,
em 1983. O processo das reformas económicas foi seguido pelo processo de
liberalização política. Com efeito, em 1989, no seu 5° Congresso, o partido Frelimo
abandonou a sua ideologia marxista-leninista e transformou-se num partido social-
democrata de centro-esquerda. Com o seu conceito de unidade na diversidade, a
Frelimo transforma-se num partido de etnias e regiões. Antigo partido único, a
Frelimo tem ligações com todos os sectores da vida social do país e muitos dos
sectores sociais, como mulher, juventude, cultura, entre outros, serviram de sua base
de sustentação e legitimação durante e no período pós-guerra de libertação, (P. 53-54).
O primeiro presidente do partido foi o Dr. Eduardo Chivambo Mondlane, um antropólogo que
trabalhava na ONU. Desde a independência de Moçambique, em 25 de junho de 1975, a
FRELIMO é a principal força política do país, sendo também o "partido da situação" desde
então. Por isso que, Sendo o único movimento reconhecido internacionalmente que tinha
lutado pela independência de Moçambique e negociado a sua independência
de Portugal através dos Acordos de Lusaka (7 de Setembro de 1974), a FRELIMO foi a força
política que assumiu o poder, de forma constitucional.
Consequentemente, A FRELIMO foi fundada em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, em 25 de
Junho de 1962, quando três organizações nacionalistas de base regional - a União
Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO), a Mozambique African National
Union (MANU, à maneira da KANU do Quénia), e a União Nacional Africana de
Moçambique Independente (UNAMI) - fundiram-se em um movimento guerrilheiro de base
ampla sob os auspícios do presidente tanzaniano Julius Nyerere. Sob a presidência do
antropólogo Eduardo Chivambo Mondlane, a recém-formada FRELIMO estabeleceu sua sede
em 1963 na cidade de Dar-es-Salaam. O reverendo Uria Simango foi o seu primeiro vice-
presidente.
8
2.2. Origem do Partido RENAMO
2
Contudo, face as dificuldades da RENAMO transitar de um movimento de guerrilha para um
partido político efectivo (HALON, 2004), a RENAMO tem vindo a perder espaço ao nível do
sistema político dada a maneira personalista e centralizadora através da qual o Afonso
Dhlakama tem gerido o partido, bem como, a expulsão ou marginalização de membros com
um futuro político promissor dentro do partido. Estes factores tem sido apontados como as
possíveis causas para o fracasso da RENAMO entanto que principal partido da oposição
(CARBONE, 2003; CAHEN 2010; CHICHAVA, 2010). Acresce a isso, a atitude do seu
maior opositor político, Armando Guebuza, que imprimiu uma nova dinâmica à FRELIMO,
revitalizando as bases do aparelho partidário e exercendo maior controlo sobre o aparelho do
Estado (DE BRITO, 2008:7-8; CHICHAVA, 2010:5).
A Resistência Nacional Moçambicana, mais conhecida pelo acrónimo RENAMO, é o
segundo maior partido político de Moçambique. O seu líder histórico foi Afonso Dhlakama.
A RENAMO foi fundada em 1975 após a independência de Moçambique, como uma
organização política anti-comunista. Surgiu como reacção ao partido único no poder, a
FRELIMO, organizando um movimento armado que durou 16 anos. Com o término da guerra
civil, sob os termos do Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992, o
grupo de guerrilha RENAMO converteu-se a partido político. Mesmo como partido político
sempre manteve um grupo de homens armados e recomeçou em 2013 um conflito armado
com o Governo. Depois de alguns anos, as hostilidades cessaram e iniciou-se um processo de
negociação sobre um acordo de paz entre o Governo e a RENAMO.
A RENAMO começou suas operações na província de Manica, centro de Moçambique, com
André Matsangaíssa, um dissidente da FRELIMO. Matsangaíssa foi morto pelas forças
governamentais em Gorongosa no dia 17 de Outubro de 1979, num ataque da RENAMO a
uma posição das forças governamentais. A base era conhecida com o nome de "Casa
Banana". Depois de uma luta pela sucessão violento, Afonso Dhlakama tornou-se o novo líder
da RENAMO.
De acordo com NUVUNGA (2007), ao referir-se do partido Frelimo:
As origens da Renamo, conhecida inicialmente pela sigla MNR remontam ao período
imediatamente posterior à independência de Moçambique em 1975. A formação deste
2
Chichava, Sérgio (2010) Movimento Democrático de Moçambique: uma nova força política
na democracia moçambicana? Cadernos IESE nº 02/2010. IESE
9
grupo armado de oposição à Frelimo, composto essencialmente por antigos soldados
moçambicanos das forças especiais do exército e da polícia política portugueses, foi
impulsionada pelas autoridades rodesianas. Embora a origem e a acção militar da
Renamo durante os primeiros anos da sua existência, estejam directamente ligadas aos
interesses rodesianos e sulafricanos, isso não significa que se possa reduzir a essa
dimensão exterior. A implantação interna da Renamo a partir do início dos anos
oitenta, traduzida pela generalização da sua actividade militar a todas as províncias
moçambicanas (1983), indica que ela terá funcionado como catalisador de um
processo de contestação do Estado vigente por parte de segmentos significativos da
população rural. Em 1989 a Renamo realizou o seu primeiro congresso. A nova
liderança do movimento tornou-se etnicamente heterogénea e tentou afastar o
estereótipo de a Renamo ser um movimento étnico dominado pelos Ndaus e
concentrado no centro de Moçambique. Todavia, a distribuição regional dos votos nas
eleições de 1994 e 1999 mostra que a Renamo conseguiu mobilizar eleitores na base
do seu discurso étnico-regional, nomeadamente nas províncias centrais de Sofala,
Manica e Tete, nas regiões centro-norte da Zambézia e Nampula, bem como no
Niassa, no norte de Moçambique, (P. 54).
O principal partido da oposição de Moçambique que é RENAMO surgiu através do
descontentamento de alguns membros da frente de libertação de Moçambique, quer por
desacordo de alguns ideias, quer porque queriam ocupar algum posto na liderança e não eram
aceites, ou mesmo por alternativa pessoal por não se sentir e se sentir inferiorizado pelos
dirigentes do partido. Consequentemente, Renamo trouxe mudanças na política moçambicana
e forma de liderança do partido no poder.
Nesta linha, A RENAMO fundada em 1975 após a independência de Moçambique como uma
organização política anti-comunista, patrocinada pela Organização Central de Inteligência da
Rodésia. A formação do partido (ainda como grupo guerrilheiro de direita) se deu sob os
auspícios do primeiro-ministro da Rodésia, Ian Smith, que procurava por meio da RENAMO,
impedir que o governo da FRELIMO fornecesse refúgio para a União Nacional Africana do
Zimbábue.
Durante a Guerra Civil moçambicana da década de 1980, a RENAMO também recebeu o
apoio da África do Sul. Nos Estados Unidos, a CIA e os conservadores fizeram lobby para o
apoio à RENAMO, no entanto encontrou-se forte resistência por parte do Departamento de
Estado, que disse "não reconhecer ou negociar com a RENAMO". O governo britânico de
Margaret Thatcher não enxergava a guerra civil em Moçambique como parte da Guerra Fria,
10
assim a princípio apoiava informalmente a RENAMO. No entanto quando a FRELIMO
tomou a atitude de fechar a fronteira para Rodésia, fato que vinha a calhar com os interesses
britânicos que naquele momento se punha contra a colónia rebelde (Rodésia), o governo
britânico passou a apoiar a FRELIMO, enquanto que o governo rodesiano apoiou a
RENAMO.
Com o término da guerra civil, sob os termos do Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4
de Outubro de 1992, a RENAMO abandonou as armas e converteu-se em um partido político.
Neste período, com a dissolução da União Soviética, e a conversão da FRELIMO em um
partido social-democrata, a RENAMO abandona sua ideologia anti-comunista, mas adopta
como substituição a esta uma ideologia populista e conservadora. Os antigos combatentes da
RENAMO foram integrados ao exército moçambicano.
2.3. Origem do Partido MDM
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) é um partido político de Moçambique,
criado a partir de uma dissidência da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO).
Foi também na Beira, naquilo que ficou conhecido como a “Revolução de 28 de Agosto”,
justamente por ser a data em que Daviz Simango foi preterido a favor de Manuel Pereira, que
surgiu o MDM. Elucidativa esta afirmação do Daviz Simango, aquando do discurso do
encerramento da Conferência constitutiva do seu partido, segundo a qual “o MDM surgia na
Beira, uma cidade já habituada à adversidade (Simango, 7 de Março de 2009).”
Fundado em 6 de março de 2009, é liderado por Daviz Simango (que Deus abençoe sempre
sua alma), que era o edil da Beira. Na eleição parlamentar de Moçambique, realizada em 28
de outubro de 2009, o Movimento Democrático de Moçambique não foi autorizado a
participar pela Comissão Nacional de Eleições em nove dos 13 círculos eleitorais de voto,
alegadamente por razões processuais controversas.
A criação do MDM visa proporcionar novas oportunidades de renovação da democracia
multipartidária, pluralista em vez de bipartidária ou novamente mono partidarista. Responde à
necessidade de mudanças reais, efectivas e não fictícias. Representa que a afirmação da
identidade moçambicana plural está viva, atenta à situação política perigosa em que nos
encontramos. A criação do MDM não acontece para diversificar por diversificar. Acontece
porque milhares de cidadãos precisam de realizar-se como cidadãos responsáveis pela sua
vida e sua sociedade (Simango, 7 de Março de 2009).
11
O MDM apresentava-se também como alternativa contra aquilo que considera de letargia dos
partidos da oposição, vista mais como um resultado de “falta de visão política” do que da
propalada “falta de recursos financeiros e materiais”, e afirmava trazer uma nova forma de ser
e de estar na política em Moçambique, ou seja, renovar o cenário político moçambicano:
Para CHICHAVA (2010) sustenta que, o interessante é também salientar o facto de
Daviz Simango ser um indivíduo com fortes ligações a certas figuras da elite
política e económica portuguesa, algumas das quais nunca tiveram boas relações
com a Frelimo, facto que internamente é visto com certa desconfiança.
Especificamente, pode-se mencionar, por exemplo, a família de Jorge Jardim,
grande inimigo da Frelimo. Com efeito, Jorge Jardim, juntamente com a antiga
polícia política portuguesa PIDE/DGS e com o antigo presidente do Malawi,
Kamuzu Banda, era acusado de ter ajudado a criar a União Nacional para a
Independência da Rombézia (UNAR), um movimento que, considerando que a
Frelimo era dominada por dirigentes do Sul e discriminava os moçambicanos do
Norte e Centro, pretendia lutar pela independência da região compreendida Entre-
Os-Rios Rovuma e Zambeze (Cabo Delgado, Niassa, Tete, Zambézia, Niassa e
Nampula). Jardim era também acusado de com Uria Simango, ter tentado sabotar a
independência de Moçambique, (p. 14).
Portanto, estes factos levaram a criação do Movimento democrático de Moçambique (MDM),
com o presidente Davis Simango, de referir que o MDM trouxe uma nova forma de estar e
viver na Política Moçambicana. Por outro lado, o MDM foi criado por elementos descontentes
da Renamo e Frelimo, porque a maior parte dos membros do MDM, pelo menos ao nível da
liderança, são indivíduos que anteriormente faziam parte da Renamo, entrados em dissidência,
quer porque estavam em desacordo com a actuação de Afonso Dhlakama, quer porque se
sentiam marginalizados por este e viam no MDM uma oportunidade para ocupar algum posto,
quer como alternativa política à Frelimo e à Renamo. Pode-se igualmente encontrar ainda no
MDM elementos descontentes com a Frelimo, mas que não se identificam com a Renamo.
De realçar que a primeira viagem de Daviz Simango ao estrangeiro, após a formação do seu
partido, foi precisamente para Portugal, facto usado pelos seus adversários para vilipendiar o
seu partido. O MDM é citado como sendo um partido mais virado para o estrangeiro do que
para Moçambique:
Logo após a sua constituição, os seus líderes trataram de viajar para a Europa a fim de
se apresentarem, ao invés de o fazerem internamente, ou seja, a fim de o fazerem nas
províncias, distritos e localidades. Este MDM está virado a desígnios externos, pelo
12
que não constitui nenhuma ameaça política à hegemonia política da Frelimo. Mal se
constituíram foram à Europa apresentar-se junto dos seus aliados (Notícias, 17 de
Março de 2009, citado em CHICHAVA 2010, p. 15).
Neste contexto é de afirmar que, o surgimento do MDM incomodou bastante a Frelimo: o
filho de Uria Simango era visto como ameaça, não só do ponto de vista de poder evitar que a
Frelimo obtivesse a maioria qualificada tanto desejada por este partido, mas também por ser
movido por um ódio profundo pelo facto de a Frelimo ter executado o seu pai.
Segundo CHICHAVA (2010), refere que o MDM:
Apesar de Daviz Simango ter tentado acalmar os ânimos, os receios da Frelimo não
eram totalmente infundados. Desde a sua tomada de posse como presidente do
município da Beira em 2003, Daviz Simango deu muitas “dores de cabeça” a este
partido. A primeira grande confrontação entre os dois adversários diz respeito à
tentativa de Daviz Simango em reaver as casas do Estado usurpadas pela Frelimo para
fins partidários, conflito este que chegou a provocar algumas escaramuças entre os
membros da Frelimo e os partidários de Daviz Simango, estando-se neste momento à
espera da decisão do recurso interposto, depois do processo movido pelo Conselho
Municipal da Beira ter sido decidido em favor da Frelimo; a segunda diz respeito à
atribuição do nome do primeiro presidente da Renamo, André Mantsagaíssa, a uma
praça da cidade da Beira, decisão vivamente contestada pela Frelimo, considerando-a
um ultraje.16 Daviz Simango era pois um perigo que devia, a todo custo, ser
eliminado ou reduzido à insignificância. Não nos esqueçamos da tentativa da Frelimo
fazer uma redelimitação da cidade da Beira, decisão vista por Daviz Simango como
visando apenas obter ganhos políticos, (p. 15).
Entretanto, a rivalidade não era apenas entre o MDM e a Frelimo, mas também entre o MDM
e a Renamo. Aliás, desde o princípio que a Renamo também se sentiu bastante incomodada
com o MDM, tendo-se rejubilado, por exemplo, com a exclusão deste partido em alguns
círculos eleitorais aquando das eleições de 2009. Simango apareceu várias vezes a dizer-se
perseguido pela Renamo, inclusivamente a acusar o partido de Afonso Dhlakama de tentativa
de assassinato.
3. Conclusão
13
Conclui-se que, a rivalidade não era apenas entre o MDM e a Frelimo, mas também entre o
MDM e a Renamo. Aliás, desde o princípio que a Renamo também se sentiu bastante
incomodada com o MDM, tendo-se rejubilado, por exemplo, com a exclusão deste partido em
alguns círculos eleitorais aquando das eleições de 2009. No entanto, a FRELIMO está
bastante melhor organizada que a RENAMO, tendo beneficiado do controlo que exerceu
sobre o Estado durante o período Mono-partidário, no qual seu desenvolvimento confundiu-se
com a expansão do aparelho estatal. Com as reformas políticas e a introdução do
multipartidarismo na década de 90, a estrutura organizativa da FRELIMO foi sendo adaptada
no sentido de uma maior distinção entre os seus órgãos e o Estado. No entanto, o partido
continua até hoje a beneficiar de sua estreita ligação com os órgãos estatais e do facto de
jamais ter deixado de governar nacionalmente; não são raros os casos em que a FRELIMO
tem feito uso dos recursos do Estado para fins partidários.
Por seu lado, a RENAMO continua a manter a influência do modelo militar, que se reflecte
numa organização extremamente centralizada, com o poder muito concentrado na figura do
presidente. Em verdade, tensões entre a bancada parlamentar e o presidente do partido,
Afonso Dhlakama ora falecido vitima de doença prolongada, têm sido constantes, e são
ilustrativas da fragilidade organizacional da RENAMO. Os princípios de democracia interna
são também invocados pela RENAMO e, pelo menos parcialmente, aplicados na escolha dos
candidatos às eleições, mesmo se sua prática pareça ser aproximativa. Para as eleições
legislativas de 2004, a escolha dos candidatos começou ao nível das delegações provinciais,
tendo sido depois as listas provinciais submetidas à Comissão Política para decisão. O
Presidente da RENAMO dispunha da prerrogativa de indicar 30 candidatos e de os colocar
em posição de maior probabilidade de serem eleitos.
De modo geral, a história de Moçambique é vista como um processo complexo de alcançar
uma nova ordem social, produzida pelo conflito das dinâmicas sociais e étnicas. Neste caso,
ela se resume nas antigas comunidades primitivas, processo de exploração colonial, luta pela
liberdade, independência, ditadura socialista, democracia multipartidária e criação de
governo federal, actualmente em discussão na mesa do diálogo entre o líder da RENAMO e
presidente da República. Esses são eventos que moveram a evolução da história de
Moçambique e do movimento em estudo nesse artigo.
4. Bibliografias
14
Chichava, Sérgio, (2010), Movimento Democrático de Moçambique: uma nova força política
na democracia moçambicana? nº 02, Maputo, Moçambique: Cadernos IESE
NUVUNGA, Adriano (2007) Experiências com Partidos Políticos em Novas Democracias. O
‘Deixa Andar’ no Quadro Institucional em Moçambique. In: Partidos Políticos: Quatro
Continentes. Cadernos Adenauer VIII (2007), nº 3.
Documentos legais consultados
Constituição da República (2004), Imprensa Nacional de Moçambique, Maputo
Partido Frelimo (2004) Manifesto Eleitoral
Partido RENAMO (2004) Manifesto Eleitoral
Lei 7/91 de 23 de Janeiro, sobre a Liberdade de Criação de Partidos Políticos
15